terça-feira, 23 de março de 2010

DESCONSOLADO

Aqui estou eu, desconsolado
a ver passar o mundo
à minha volta
sem que nele interfira
sem que o melhore
mas também pouco
o piorando.
Sou mais um
dos milhares de milhões
que por cá andam
a consumir o ar,
a água, o ambiente,
o espaço e que contribui para que o amanhã
seja muito pior,
mais escasso de tudo,
menos belo,
menos natural.

Aqui estou, enfastiado
já sem me importar
com o que vem a seguir,
com o que vai ser o futuro,
aquele que não me vai encontrar...
para me desconsolar

TÃO FLORIDOS QUE ELES ANDAM!


MANTENHO-ME com a interrogação que há que fazer a todo o sector administrativo, seja do Governo seja de qualquer instituição dependente do poder oficial, sobre se está definitivamente entendido que cada responsável pela área que comanda tem obrigação de zelar pelos gastos de dinheiros públicos exclusivamente orientados para casos de necessidade absoluta. E a resposta que consigo obter, perante o que se observa por todo o lado e face até às notícias que a comunicação social transmite, é de que ainda não foi devidamente entendido que vivemos, em Portugal, um período, que vem, aliás, já de um tempos atrasados, em que a palavra de ordem tem de ser uma única: a de poupar o mais que for possível e estabelecendo prioridades rígidas que têm de ser escrupulosamente cumpridas. Assim parece que está a suceder com as reparações das estradas e, nas cidades, como Lisboa, nos passeios, pois que os buracos em série que causam tanto prejuízo nas viaturas que circulam e incómodos nos peões que têm de se deslocar, em que a compreensão dos cidadãos dá a entender que, de certo modo, assim deve ser, dentro da tal preocupação de não se ultrapassarem as necessidades mínimas.
Mas é este o comportamento de todo o sector oficial? Boa pergunta, pois a resposta é conhecida de todos os portugueses. Por mais espanto que isso cause, quanto mais responsáveis dão as personalidades que deviam dar o exemplo, pior é o seu comportamento. Então essa, de José Sócrates gastar milhares de euros por ano em flores, que, segundo ele, se destinam à manutenção dos jardins da sua residência oficial e também para ofertas, como se isso constituísse uma necessidade imperiosa, tal comportamento só pode sair de uma pessoa como é o primeiro-ministro que temos que, em vez de se preocupar em esclarecer com verdade os portugueses, em lugar de andar permanentemente a fazer propaganda das suas acções, não atende às notícias e às opiniões que inundam o País de Norte a Sul e continua como se não fosse obrigado a portar-se com total rigor e permanentemente atento aos passos que dá sem o menor senso comum.
De resto, por diversos lados o Governo não se coíbe de aguardar melhor oportunidade para despender verbas em arranjos de vários quilates, como foi relatado que a Secretaria-Geral da Presidência do Conselho assinou um contrato com a TMN para prestação de serviços móveis no montante de 75 mil euros, assim como a instalação de painéis foto voltaicos pela EDP, com o custo de 50 mil euros, sendo que o Ministério dos Negócios Estrangeiros já gastou 756 mil euros na gestão do sistema multimédia para a rede consular.
Enfim, nem vale a pena pôr mais na carta. Assim se justifica o tal PEC que os mais pobres portugueses são obrigados a suportar (e que, por sinal, na entrevista conduzida por Sousa Tavares na RTP, e em que poderia ter sido aproveitada a ocasião para aclarar o assunto com o ministro das Finanças e não tal não foi conseguido). E, enquanto andamos nesta irresponsabilidade governamental, vamos suportando os disparates sucessivos e continuamos a aguardar pelo final de uma cena de que não vemos forma de ter esperanças em que tudo não acabe de maneira muito desastrosa para o nosso País!...

segunda-feira, 22 de março de 2010

VERGONHA

Se há razão para a ter
se algo te faz corar
merecer
chorar
a consciência ajuda
a dar um passo atrás
se não há quem acuda
para encontrar a paz
fugir
corar
não resolve só partir
há que de frente encarar
e fazer por conseguir
e o mal reparar
a vergonha
é remédio
de nada serve a ronha
que só provoca tédio
tapar a cara
esconder-se
com isso não mascara
o que pode é precaver-se
p’ro futuro
ter cuidado
fazer tudo com apuro
para não ser perdoado
a vergonha
não é peçonha

POUCAS VERGONHAS


DEVO ADMITI-LO QUE já tinha tomado a decisão de deixar de preencher o meu blogue, que considero merecer assuntos mais limpos, com estes casos de autêntica vergonha da política nacional, com as protecções escandalosas que prestam uns aos outros, agora tu e depois não te esqueças de mim, como se têm verificado por cá, embora, reconheço-o, não seja somente uma situação dos nossos dias, pois sempre ocorreram mesmo na época passada da ditadura, apesar de Salazar não precisar de pôr o seu bolso à disposição por ser outra a sua ambição, mas dando essas oportunidades aos seus apaniguados, pois se também não o fizesse não teria as protecções de que gozou enquanto foi vivo e chefe do Governo.
Mas, ainda que resista a ocupar-me de assuntos que só desprestigiam quem segue por tais caminhos, mesmo assim, não resisto e, de vez em quando, caio na tentação de referir situações que bem enegrecem a imagem daqueles que se metem em tamanhos escândalos à honradez. Pois é o que me sucede nesta altura.
Recebi um mail que anda por aí a correr os computadores dos que se mostram interessados por ter conhecimento das poucas-vergonhas que os homens provocam. E, como está na moda aparecer sempre o nome de Vara em tudo que se associa a maus comportamentos, cá me encheu o écran a notícia que aproveito para colocar no meu blogue de hoje. Não se trata de um diz-se, diz-se, mas sim de uma informação que é dada com elementos de comprovação e que todos podem confirmar se o quiserem fazer.
No relatório da Caixa Geral de Depósitos, referente a 2008, publicado em Abril do ano passado, nas páginas 504 a 542, pode tomar-se conhecimento de que Armando António Martins Vara, vogal do Conselho de Administração da referida instituição, terminou o seu mandato em 9/01/2008 e por ter trabalhado 9 dias nesse ano na CGD teve direito a uma remuneração-base de 23.726,95 euros. E acrescenta o mail: à média de 2.637,44 euros por dia, tendo recebido uma verba superior ao seu vencimento mensal a que teria direito (18.550 euros). Depois, em 16 de Janeiro de 2008 seguiu para a administração do BCP, acompanhado de Santos Ferreira e Vítor Lopes Fernandes, também administradores cessantes da CGD.
Fica-se a saber igualmente, através da referida informação que corre nos computadores de muitos interessado, que os administradores da Caixa gozaram de um estatuto remuneratório que correspondeu a 26.500 euros, 14 vezes por ano, isto para o Presidente, porque Armando Vara recebia 22.525 igualmente vezes 14 pagamentos anuais.
Mas, através do que consta na página 540 do Relatório referido, Armando Vara recebeu da CGD 23.742,72 euros de ferias não gozadas e, por outro lado, coube-lhe 117.841,03 euros de participação nos lucros da Empresa/Prémios de Gestão referentes a 2007 e recebidos no ano seguinte, isso sem referir outras regalias, como o cartão de crédito e à aposentação, etc., para além de 961,87 euros por gastos de telefone, isto referente aos tais 9 dias de actividade, que foi o tempo que Vara ocupou em actividade na CGD.
Porém, no tal mail que está a ser divulgado, é recordado que Armando Vara, ao ter mudado da CGD para o BCP, passou a exercer as funções de vice-presidente do Banco, de onde saiu por motivo dos acontecimentos que, por sinal, ainda estão completamente por esclarecer.
Não me disponho a fazer comentários a todo este historial que corresponde a uma amostra daquilo que ocorre em Portugal em muitas situações e em que as pouca vergonhas dos favores que andam a fazer uns aos outros, desses que defendem com unhas e dentes as regalias que são construídas para criar paraísos de vida a grupos de gente que, não tendo contribuído em nada para que Portugal passasse a ser uma País democrático de regime, se serve da libertinagem que instituiu e tira partido vergonhoso do que os outros lhe permitem que usufruam.
No fundo, são todos culpados da situação que se estabeleceu. Pois também ninguém se atreve a meter mão em tudo isso e cá vamos, caminhando para lugar incerto, enquanto durar a vida doçura…

domingo, 21 de março de 2010

BUSCA DE ACALMIA

Mar que em mim existe revoltado
na busca continuada de acalmia
não consegue manter-se sossegado
no longo caminhar do dia-a-dia
e os ventos que sopram em redor
não deixam que as ondas me descansem
cada vez a angústia é maior
sem haver alguns que me esperancem

Os seis mil milhões que por todo o mundo
se movimentam cada um à sua
tendo de viver em cada segundo
desejando que nada os obstrua
uns conseguindo outros nem por isso
a grande maioria se debate
com o que na vida é grande enguiço
e torna o dia-a-dia em combate

Por isso se escuta tanta queixa
de gente p’lo desânimo tocada
a quem a felicidade não deixa
alegre marca da sua passada
as excepções existem, são bastantes
causando inveja aos que ao contrário
têm razão para ser protestantes
por sofrerem penas neste calvário

Eu, por mim, luto contra o mar revolto
as ondas permanentes que atormentam
vendo o vento que anda sempre solto
todos minha inspiração atormentam
num vai e vem de baixos e de altos
nos bons poemas, noutros um horror
em pensamentos, tristes sobressaltos
que deixam marca de enorme dor

Mas é esse, do poeta o martírio
encontrar o sítio e o momento
p’ralcançar conveniente delírio
em que se estando a sentir o vento
ele traga por vezes bons auspícios
e talento que quase sempre falta
e que provoca tantos sacrifícios
até fazer chegar algo à ribalta

Acalmia é coisa que se busca
bastante para o espírito sossegar
p’ra não haver aquilo que ofusca
o que esteja pronto para dar
mas quando por muito que se procure
a tranquilidade não aparece
não há ninguém que bem se aventure
porque o génio fugiu, não se merece

CONFESSO QUE ENTENDO...


A PROPÓSITO do texto saído no “Expresso” de ontem e escrito por Miguel Sousa Tavares, em que o título e o conteúdo se baseiam no tema “Confesso que não entendo”, surgiu-me o desejo de contrariar a tese defendida, afirmando claramente que eu tenho que confessar que sim, que entendo. Vamos a ver se esta questão será merecedora de polémica.
Vou-me referir somente aos temas que, em meu entender, são os que valem a pena ser apontados, pela sua importância de teor nacional e atendendo ao momento crítico e bastante alargado no tempo que todos nós, os portugueses para referirmos apenas o nosso caso, temos de suportar.
Que a comunicação social dos dias de hoje se encontra quase toda ela nas mãos de empresários e são os interesses económicos que dominam as tendências das informações que saem a lume, como não fosse isso que se esperaria desde há uns anos a esta data, não podendo ser de outra forma, pois que tudo no mundo que nos rodeia, desde que tenha verdadeira importância é dominada pelo poder financeiro e até o político, por muito que queiram os profissionais desse sector dar mostra de outra coisa, o certo é que, sem o poder do dinheiro, nos nossos dias, não se verifica poder de qualquer outra espécie, incluindo, está bem de ver, o político.
O Congresso do PSD, que teve lugar há dias e cujo resultado final ainda está por apurar, esse não terá qualquer resultado prático se as influências financeiras não pesarem fortemente no agrupamento que passar a ter nas suas mãos o comando das operações do actual maior partido nacional da Oposição. Logo, a escolha do próximo Presidente, seja a quem for que venha a calhar como resultado das votações no dia 26, ficará, seguramente, a ser observada em minúcia pelo poder do dinheiro, sabendo-se, como se sabe, que os sociais-democratas dependem em grande percentagem daquilo que o empresariado de peso se propuser ajudar. Podem os próprios parecer que se ofendem e que não á nada disso que ocorrerá, mas, lá bem no fundo, quem, nesta carência de meios que se vive, dirá que não a um forte apoio monetário que lhe seja oferecido?
No capítulo da chamada “escandaleira” do negócio do terminal de contentores de Alcântara, com a dita indemnização que o Estado terá provavelmente de pagar à Liscont, se o contrato for anulado ou, na alternativa, até os gastos que ali se terão de fazer por conta do erário público, isso que também está intimamente ligado a interesses de empresas que se encontram apoiadas pelos milhões de euros de que podem dispor, pois o capital espreita, sorrateiramente, a conclusão de uma situação que se vai arrastando e de que os principais interessados mantêm debaixo de olho.
E ficando agora por aqui, basta-me aludir também às contas astronómicas que escritórios privados de advogados apresentam às várias dependências do Governo que utilizam os seus serviços (quando existem milhares advogados que são funcionários públicos e que não são utilizados para actuar, apenas com o custo dos seus ordenados, ao serviço do sector oficial), o que prova também que o dinheiro é que comanda a escolha de quem deseja que se ocupe de causas, e nem é necessário aludir a múltiplos exemplos que vão sendo dados a conhecer, como, para referir mais um, aquele de ter sido um arquitecto americano afamado, que recebeu milhões de euros por ter feito o projecto do “novo” Parque Mayer, o mesmo que, por sinal, ficou na gaveta, mas o erário público esse bem sofreu com tal pagamento.
Pois repito: eu confesso que entendo tudo. É só o ser humano que, como aqui o tenho largamento acusado, anda sempre a “cheirar” o odor das notas, tenham elas a origem que tiverem, que põe de parte o bom senso, o interesse comunitário, a razoabilidade e se preocupa, acima de tudo, com o seu próprio bem ou, em alternativa, com a defesa dos ganhos do seu grupo.
Sempre foi assim, desde que o ser humano existe. Só que, com o andar dos tempos e com o avanço das modernidades e das tecnologias, a especialidade em explorar os outros, essa reveste-se agora de requintes, de esconderijos, de parece que não é, mas é…
Entende-se ou não se entende?

sábado, 20 de março de 2010

CONTRATEMPOS

Tempo é coisa que não se segura
a medi-lo levamos toda a vida
e enquanto a existência dura
se não a damos toda por perdida
agarramos a árvore do tempo
porque essa, sim, é a que se vê
agarramo-la sem um só lamento
pois no tempo, nele só se crê

Não se vê, mas sente-se bem passar
tal como dizem, que o tempo é dinheiro
tudo ao mesmo tempo, até faltar o ar
mas para partir quem irá primeiro
pois todos nós, claro, envelhecemos
quem lá chegar que veja bem a hora
se o tempo conta como cá fazemos
e se também há depois e agora

Os minutos de tempo que separam
uns momentos dos outros, tal e qual,
servem para todos os que os comparam
e apartam o que é bom do que é mal
marcando os piores com uma cruz
metendo em cápsulas todos os tempos
que voam com a rapidez da luz
tanto bons como os que são contratempos

Bons tempos que já lá vão e não voltam
que os maus esses nunca se esquecem
os tempos perdidos que nos revoltam
que também eles são os que envelhecem.
Se é tempo de começar novamente
mesmo que seja já com tempo pouco
pelo menos que chegue à tangente
para nos salvar deste tempo louco
que de loucura anda o mundo cheio
em correria no mesmo lugar
com o Homem sempre em grande anseio
de do mesmo sítio nunca mudar

Seja de chuva o tempo que faz
ou um bom sol ilumine a terra
aquilo de que ninguém é capaz
é de evitar que haja sempre uma guerra
todo o tempo da história do mundo
séculos e séculos que passaram
mostraram como sempre lá no fundo
houve quem morresse e os que mataram
sem compensar todo o tempo perdido
face ao tempo que não foi vivido.
Bem bastam os desperdícios dos tempos
Com todos os inesperados contratempos.

HOMENS ZANGADOS


É VERDADE que não é só de hoje, pois o Homem, desde os primórdios da sua existência, tem dado mostras claras de não se sentir confortável quando o parceiro concorre com feitos e palavras que não condizem com a sua forma de pensar e portanto não são do seu agrado, mas, ao chegarmos a este ponto da vida humana, com todos os avanços da ciência e da tecnologia, em pleno século XXI, e em que o auge da discórdia atingiu um nível que será difícil prever como será solucionado, é caso para pensarmos que o futuro que se perfila não promete que a tal Democracia, a menos má das políticas de que tanto se fala e de que tão mal se pratica, consiga que os “patrões” das diferentes frentes mundiais nas áreas da política, da religião, da economia, dos países que se espalham pela Terra, controle os que têm a responsabilidade de tornar a vida mais serena de todos os habitantes espalhados pelo Globo.
É longa esta entrada, mas a intenção foi deixar claro que tem de existir preocupação no que respeita ao caminhar dos seres humanos nos anos que se apresentam pela frente, dado que, especialmente neste último quinquénio, com a difícil crise que resolveu atacar todo o nosso Planeta e que, já pela segunda vez na História dos homens – a outra foi em 1929, mas com menor extensão -, o que já não corria bem para a maioria das populações das classes baixas e, sobretudo, das de grande pobreza, que é sempre a que luta com mais dificuldades para se manter, tem vindo a mostrar-se quase insustentável e não dá mostras de inverter a tendência, pelo menos nos anos mais próximos. E, no meu blogue de anteontem dei o meu parecer sobre a situação.
Mas, não é verdade, que as lutas, algumas sangrentas e com uma violência bem demonstrada, que persistem em suceder em diferentes partes do Mundo, e bastantes delas por razões que seriam facilmente resolúveis se os seus intervenientes não se odiassem ferozmente, não têm fim e, pelo contrário, têm todo o aspecto de pretenderem prosseguir até nem se sabe quando? O que ocorre há imensos anos, nos confrontos que envolvem palestinianos e israelitas não é bem a demonstração de que não é visível vontade dos homens se entenderem? E, não sendo só aí, tendo como base aparente razões de índole religiosa, mas quando não é essa a razão outras se inventam para colocar frente-a-frente defensores de ideias desiguais? Será que está completamente afastada a hipótese de alguma Nação de segundo plano, com a divulgação que já não se esconde da posse de elementos atómicos que antes só se encontravam nas mãos de duas nações responsáveis, não seja atraída pela raiva e não despolete essa arma tão destruidora e seja a causadora de uma catástrofe mundial pavorosa?
Mas, pondo de lado tamanhos horrores e falando-se agora apenas do nosso País, que é o que temos à porta, também se pode fazer a interrogação se, por cá, estamos todos de mãos dadas a tentar solucionar os problemas de ordem financeira, económica e social que se situam na base principal das dificuldades que atravessamos, para não falar também das políticas, que essas provêm das ambições e das vaidades dos participantes? A resposta é conhecida.
E, já agora, um apontamento de passagem que vem justificar que o Homem é o único causador dos confrontos de toda a espécie que têm lugar seja onde for onde vivamos e que prova à saciedade que somos nós, os humanos, quem não fazemos o essencial para terminar com os conflitos, mesmo aqueles de pátio, como será considerado este que vou enunciar: é que, embora possa parecer ridículo levantar esta questão minúscula, aqui a deixo como mero exemplo: então, a greve que se anuncia dos pilotos da TAP, desses profissionais que auferem mensalmente uma média de 8.600 euros por mês, e em que, fechando os olhos aos baixos salários médios da generalidade dos portugueses (não falo aqui dos escândalos conhecidos), exigem um aumento?
Perante este caso, insignificante face ao que pode vir a acontecer no mundo em que habitamos, nem tem cabimento continuar a escrever sobre este caso nacional nem com todas as socrotices que suportamos diariamente. São tudo “mixarias”!

sexta-feira, 19 de março de 2010

LIVROS AMIGOS

Livros amigos
novos e antigos
que nunca se zangam
e até nos mangam
que nos acompanham
e nunca estranham
também envelhecem
amarelecem
mas não se queixam
e não nos deixam
e dos que gostamos menos
fazem-nos acenos
se os pomos de lado
não se nota enfado
ficam na prateleira
com sua soneira
mas não os perdemos
somos nós que os temos
não os abandonamos
somos todos manos
e algo nos ensinam
mesmo se desafinam
sempre aprendemos
e não nos ofendemos
por os seus autores
não nos quererem leitores.
Um dia virá
que algo mudará
com mais paciência
e mais indolência
mudemos de gosto
e o que nos é exposto
passe a fazer parte
do que chamamos arte
e será um livro mais
ao lado dos tais
dos que gostamos
daqueles que amamos.
Oh livros amigos
novos e antigos
pena não poder
tê-los ao morrer

LIVROS QUE SOBRAM


NÃO me canso de lançar este pedido às editoras portuguesas que, frequentemente, atiram para a queima milhares de livros que, não tendo tido aceitação no mercado nacional, ficam a ocupar espaço nos armazéns dessas casas que “fabricam” edições. Trata-se de fazer um acordo com o Ministério da Cultura e dos Negócios Estrangeiros, de modo a que possam obter uma compensação com a sua entrega gratuita para serem enviadas esses milhares de volumes para os países de língua portuguesa, posto que se conhecem os pedidos que surgem desses territórios, ávidos de contactar com a produção literária no nosso idioma.
Na verdade, a nossa obrigação mínima na ajuda da fixação da língua de Camões tem de ser a de enviarmos o maior número possível de literatura nacional para onde ainda se mantém a forma lusitana de comunicar. E, sobretudo, porque da parte das antigas Colónias portuguesas, em África e, em menor dose, em Goa e, mais difundida, em Timor, se constata uma apetência por ser conservada e melhorada a cultura com a nossa estirpe, nestas circunstâncias tudo que seja, da nossa parte, contribuir para que esse desejo se mantenha terá de constituir interesse por parte das nossas forças governamentais.
Mas isso digo eu e, seguramente, por parte de uma enorme camada de gente profundamente ligada à expansão da lusofonia, igual opinião existe. E, mesmo que não se verifique um movimento que mostre claramente o importante que representaria para nós tudo fazermos de forma a que contribuíssemos com entusiasmo para fortalecer a divulgação de uma língua que, pertencendo a um pequeno País, se encontra numa posição bem à frente de todas as que se falam por esse mundo fora, ainda assim, não restarão dúvidas de que esse passo marcaria uma demonstração de que os governantes não se incomodam apenas com os problemas de ordem económica e financeira.
Quem tem cabeça para pensar e imaginação bastante para encontrar formas de servir a Pátria sem recorrer a gastos exagerados que, nesta altura, estão fora de contexto – coisa que não se vislumbra por parte dos governantes que temos tido -, pode perfeitamente encontrar soluções para que os editores ponham à disposição os tais livros que não foram bem aceites no mercado nacional e se encontram na situação de “sobras”, e, através de negociações com transportadoras que, seguramente, se disporiam a participar na iniciativa de, dentro das possibilidades e sem exigências de tempo, se ocupariam de fazer chegar aos destinos, previamente estabelecidos pelos dois Ministérios atrás referidos e, com a colaboração do tal AICEP – a quem eu me refiro neste blogue com insistência -, fazer chegar ao destino as edições que cá se destinavam à destruição pura e simples.
Claro que, para que esta iniciativa tivesse êxito, seria fundamental que todos os elementos envolvidos nesta acção o fizessem devidamente motivados pelo objectivo em si. E essa atitude impunha que as diferentes forças governamentais ligadas ao sector dos livros se empenhassem a fundo numa acção que, não obtendo lucros de votação, deixaria os seus participantes com a satisfação de um dever cumprido.
Bem sei que isso, nos dias de hoje, não chega. Mas se o Estado se empenhasse, mesmo fazendo a propaganda dos seus feitos…

quinta-feira, 18 de março de 2010

FAZER A DIFERENÇA

O fazer a diferença
que é coisa que se usa
para mim bem se dispensa
por me parecer obtusa
pois prefiro dispensar
a frase tão corriqueira
e se tenho que falar
direi de outra maneira

Não ser assim dessa forma
distinguir-se p’ra melhor
p’ra quê seguir essa norma
quem quer falar com rigor
insistir em frases feitas
repetir o que se escuta
é como pegar maleitas
ter medo de ir à luta

É assim que a língua morre
e a nossa tão linda é
e os erros em que ela incorre
fazem-nos chorar até
p’ra quê sem fim repetir
quando variar podemos
vale a pena reflectir
naquilo que nós dizemos

É como o tal “logo mais”
em que os incultos insistem
são como os vendavais
em que os fracos não resistem.
P’ra salvar o português
das invasões asneirentas
é preciso honradez
e reacções violentas



VERGONHAS


DEPOIS do texto longo que deixei passar ontem neste espaço, parece que pouco mais haveria a dizer no que respeita à situação que se observa no nosso mundo e, no caso português, quanto às anomalias que se têm vivido nos últimos anos – para não fazer referência ao passado mais distante e de triste memória -, mas, com este vício de não guardar no interior o que nos amarga a existência, não posso passar em branco aquilo que foi divulgado nesta altura e que tem de nos revoltar, especialmente por ser cada vez mais amargurante o termos de suportar as dificuldades que a crise, ou lá o que lhe queiram chamar, nos obriga a passar.
Mas, isto de ser mostrado como gente mediática (que é maneira que se inventou para chamar os homens e as mulheres que surgem constantemente nos écrans das televisões e nas páginas dos jornais, ao ponto até de se ter de enjoar a persistência com que os “impingem”), um número de pessoas que se sobressai por qualquer razão, até mesmo no mau sentido, faz com que a apreciação ou o asco nos prendam a atenção e, como é o caso do que vou expor, não deixem passar em branco, sem comentário, algo que, de facto, constitui uma vergonha para os beneficiados, mas também para aqueles que consentem que factos destes ocorram.
Então não é, que um administrador da empresa estatizada Portugal Telecom, com um nome que tem andado muito zonas de Informação, Zeinal Bava, recebeu o ano passado, como pagamento do exercício das suas funções, entre salários e prémios de gestão, um milhão e meio de euros, esclarecendo a Informação jornalística que veio a lume que, para receber um funcionário normal da mesma empresa tal montante teria de trabalhar 80 anos, face ao salário médio líquido dos que são funcionários daquela e que é de 1.250 euros!
Se bem que, em comparação com os pagamentos que ocorrem noutros países nos mesmos cargos de mando, em Portugal ainda é onde se é menos generoso, por exemplo em relação a Espanha, não deixa de ser revoltante que, no nosso País, em que o chamado PEC ainda mais vem criar dificuldades aos trabalhadores correntes – e é bom que tenham emprego, porque mais de 600 mil estão desocupados -, não deixa de ser escandaloso que pessoas como o indicado acima, como Henrique Granadeiro (que até foi anteriormente consultor de um nosso Presidente da República), Francisco Soares Carneiro e Rui Pedro Soares (ambos já saídos, por motivo do caso das escutas no processo “Face Oculta”) tivessem auferido no ano transacto salários da ordem das muitas centenas de milhar de euros.
Então não existe no nosso País ninguém com poder que, sem se poder esconder da vergonha que tais ocorrências têm de proporcionar, seja capaz de tomar medidas que terminem de vez com tamanhas vergonhas ou, no mínimo, aparecer perante os portugueses a demonstrar a sua discordância com abusos, mesmo que lícitos, desta espécie e, acima de tudo, pelo facto das misérias que constituem uma praga que se encontra espalhada de Norte a Sul?
Tudo indica que não. Tudo muito caladinho, tanto em Belém como em S. Bento, se bem que o Chefe do Estado, muito de passagem e sem o ar de se encontrar deveras incomodado, se tenha referido ao tema.
Mas o que é preciso é não deixar a questão ao abandono. Há que repetir, repetir, dar os nomes às coisas e às pessoas.

quarta-feira, 17 de março de 2010

QUAL A SOLUÇÃO?


Este blogue de hoje é, anormalmente, de tamanho superior ao costumado. Mas o assunto justifica que me alongue para além do habitual.


ANDO há um certo tempo com vontade de expandir aquilo que eu sinto dentro das minhas reflexões, com as dúvidas de que não me liberto e com a sensação da falta de saber que também me acompanha para todo o lado.
De igual modo, como o “nunca” e o “sempre” são advérbios que eu procuro excluir do meu vocabulário, deparo com certa dificuldade em expor, de forma convincente, a tese – chamemos-lhe assim – que eO FUTURO QUE NOS ESPERA
ANDO há um certo tempo com vontade de expandir aquilo que eu sinto dentro das minhas reflexões, com as dúvidas de que não me liberto e com a sensação da falta de saber que também me acompanha para todo o lado.
De igual modo, como o “nunca” e o “sempre” são advérbios que eu procuro excluir do meu vocabulário, deparo com certa dificuldade em expor, de forma convincente, a tese – chamemos-lhe assim – que eu acarreto no que diz respeito ao que será o futuro deste Mundo em que nos movimentamos todos, no qual, chegada esta altura, deparamos com aquilo que se denomina por crise e que se apresenta como um porvir difícil de imaginar e que poucos acreditarão que seja promissor para a humanidade que luta, nesta altura, com problemas de vária espécie, desde o económico ao social. Para não entrar na área política que, em cada zona, tem as suas características próprias.
Tenho evitado expressar o meu ponto de vista, porque aceito tranquilamente que haverá um grande número de gente que não aceitará de nenhum modo o que eu imagino que poderá acontecer num futuro a que eu já não assistirei e, a dar-se, levará ainda bastante tempo a apanhar a maioria dos cidadãos de hoje ainda em actividade. Logo, se alguém se assustar com o panorama que descrevo, poderá descansar que não prevejo que esteja à espreita na curva da nossa vida. Será muito mais tarde.
Entrando, pois, na matéria em causa, o que me leva a manter como previsão eventual é que, partindo do excesso de população em todo o mundo que se atingiu já neste momento, ou sejam os seis mil e quase quatrocentos milhões de habitantes em toda a Esfera, e sabendo-se que, quando terminou a Grande Guerra Mundial, em 1944, o número de seres vivos se fixava nos três mil e pouco milhões, temos que, em cerca de sessenta e seis anos o aumento faz tocar os habitantes mundiais no dobro do número anterior. Esta é uma realidade que tem de fazer pensar.
Sendo assim, para além dos sistemas financeiros e económicos que se implantaram por toda a parte que, com a ânsia dos homens de verem aumentar rapidamente os seus níveis de vida e atendendo às facilidades conseguidas com empréstimos, sobretudo por parte das instituições que tiram grande proveito dessas operações, a causa maior do desbarato de dinheiros para aquisição de bens que não havia paciência para aguardar melhor oportunidade, que logo se veria como seriam liquidados, essa apetência desmedida foi a causa principal para que, subitamente, se tomasse conta de que havia excessiva e falsa exibição de melhoria de qualidade de vida de milhões de habitantes deste Mundo. E quando chegou o momento de se aperceberem que tinha havido excesso de concessão de créditos, ao ponto de, na hora de encarar as realidades, o que se verificou por toda a parte foi a imposição da liquidação das dívidas através da perca dos bens obtidos com demasiadas facilidades, nessa altura os credores viram-se invadidos por excessos de activos e falta perigosa de compradores por outro lado, desequilibrando-se as balanças do deve e do haver e alterando-se o normal exercício das compras e das vendas, até do próprio dinheiro.
Claro que esta é uma forma simplista de tentar justificar a origem da tal crise, mas, em resumo, o panorama descrito pode dar uma ideia do que esteve, em grande parte, na origem do descalabro a que se chegou e que fez com que os endinheirados – que há sempre e que aparecem sorrateiramente nas horas de maiores aflições – tivessem visto chegar uma oportunidade para adquirirem por preços irrisórios determinados bens móveis e imóveis que, tempos atrás, só poderiam ser obtidos noutras condições.
Mas, o que importará agora é ter uma ideia, por mais ingénua que ela possa parecer, da forma como poderá o mundo sair deste estado de coisas com que se defronta neste preciso momento. E isso tanto faz que seja num ou noutro país, em Portugal ou mesmo nos E.U.A., neste em que ninguém o preveria, há uns anos atrás, que viesse a ter de enfrentar tal situação de, também, tão elevado desemprego.
Ora, é exactamente quanto a este sector, o de uma imensidão de gente por todo o mundo sem local de trabalho, que uma reflexão no respeitante à forma de resolver o problema tem de merecer algum esforço por parte de todos os que, mesmo encontrando-se já na situação de reformados, não podem deixar de se inquietar, pois a decadência dos sistemas de sustentação dos fora do activo é uma previsão que não se encontra apenas na boca dos chamados pessimistas.
Os mais idosos recordam-se que, há meio século atrás, um ser humano que tinha conseguido chegar aos sessenta anos já era considerado um velho. Todos nós nos lembramos disso. Hoje, com setenta e oitenta anos, as populações que lá chegaram movimentam-se com a ligeireza a que não era visível na nossa juventude assistir-se. Por isso, não pode deixar de provocar algum escândalo que trabalhadores com 60 e poucos anos, até antes como se verifica constantemente no nosso País, se apresentem para serem admitidos na categoria de reformados!
Por outro lado, a juventude, agora com instrução escolar mais avançada do que sucedia antes – se bem que, no capítulo dos conhecimentos, não se tenha progredido grande coisa -, essa, quando começa a laborar e, por esse motivo, desconta para os fundos de segurança que têm de suportar os custos das reformas dos idosos, sendo cada vez em menor número dos que usufruem das pensões que lhes cabem, o risco que está à vista é que não andará longe o tempo em que não chegará o que pagam uns para receberem outros.
E, ainda para aumentar a dificuldade da resolução do problema, também a evolução da ciência, fazendo com que cada vez morram mais tarde os seres humanos, essa circunstância provoca o alargamento da estadia no campo dos vivos aqueles que, até ao último momento, têm direito a receber mensalmente a pensão que lhes está destinada.
Será possível que esta situação se mantenha por muitos mais anos? Alguém, na política ou fora dela, é capaz de garantir que tamanho desequilíbrio conseguirá prolongar-se pêra além do não se sabe o quê?
É chegado, então, o momento de eu divulgar aquilo que considero a tese sobre o futuro que espera os habitantes deste mundo. E assim, sem entrar no campo das reflexões excessivamente complicadas, o que parece poder ser encarado com mais simplicidade, são duas hipóteses que, com o tempo, os homens serão capazes de enfrentar. Ei-las:
Uma será uma guerra planetária que, com o uso das destruições atómicas, os inimigos, que os há com fartura por aí, sejam por motivos fanáticos de religiões, sejam por confrontos ideológicos que também se conhecem, resolvam carregar no botão da bomba fatídica e, com as respostas que logo surgiriam, as destruições maciças fizessem o trabalho de massacrar populações inteiras e provocassem o fim de territórios que lhes eram antagónicos. É uma possibilidade de o número de habitantes mundiais se reduzir ao nível do que já existiu nas épocas em que não se verificava o drama do desemprego que hoje se espalha por toda a parte.
E qual seria a outra forma de ultrapassar o mesmo castigo de não se encontrar ocupação laboral para milhões de habitantes do mundo? Pois a possibilidade dos cientistas solucionarem a questão de se poder ir habitar num planeta que se encontre à chamada “mão” dos terrestres. Que digo eu? Talvez Marte?
Se for um local em que as viagens interplanetárias se passem a fazer com relativa facilidade e rapidez, se o avanço tecnológico chegar a atingir tal perfeição, aí o risco seria o de que a juventude fosse a preferida para aproveitar tal experiência, o que, nestas circunstâncias, faria com que os velhos permanecessem por cá e o Mundo, perante isso, passaria a ser um local de reforma, uma estância para idosos.
Depois de divulgar esta reflexão, encontro-me preparado para todos os comentários que resolvem dirigir-me, imaginando eu, desde já, que não serão os mais agradáveis, pois é difícil que o ser humano se encontre preparado para aceitar as dificuldades que, inevitavelmente, se vão apresentar mais cedo ou mais tarde.
u acarreto no que diz respeito ao que será o futuro deste Mundo em que nos movimentamos todos, no qual, chegada esta altura, deparamos com aquilo que se denomina por crise e que se apresenta como um porvir difícil de imaginar e que poucos acreditarão que seja promissor para a humanidade que luta, nesta altura, com problemas de vária espécie, desde o económico ao social. Para não entrar na área política que, em cada zona, tem as suas características próprias.
Tenho evitado expressar o meu ponto de vista, porque aceito tranquilamente que haverá um grande número de gente que não aceitará de nenhum modo o que eu imagino que poderá acontecer num futuro a que eu já não assistirei e, a dar-se, levará ainda bastante tempo a apanhar a maioria dos cidadãos de hoje ainda em actividade. Logo, se alguém se assustar com o panorama que descrevo, poderá descansar que não prevejo que esteja à espreita na curva da nossa vida. Será muito mais tarde.
Entrando, pois, na matéria em causa, o que me leva a manter como previsão eventual é que, partindo do excesso de população em todo o mundo que se atingiu já neste momento, ou sejam os seis mil e quase quatrocentos milhões de habitantes em toda a Esfera, e sabendo-se que, quando terminou a Grande Guerra Mundial, em 1944, o número de seres vivos se fixava nos três mil e pouco milhões, temos que, em cerca de sessenta e seis anos o aumento faz tocar os habitantes mundiais no dobro do número anterior. Esta é uma realidade que tem de fazer pensar.
Sendo assim, para além dos sistemas financeiros e económicos que se implantaram por toda a parte que, com a ânsia dos homens de verem aumentar rapidamente os seus níveis de vida e atendendo às facilidades conseguidas com empréstimos, sobretudo por parte das instituições que tiram grande proveito dessas operações, a causa maior do desbarato de dinheiros para aquisição de bens que não havia paciência para aguardar melhor oportunidade, que logo se veria como seriam liquidados, essa apetência desmedida foi a causa principal para que, subitamente, se tomasse conta de que havia excessiva e falsa exibição de melhoria de qualidade de vida de milhões de habitantes deste Mundo. E quando chegou o momento de se aperceberem que tinha havido excesso de concessão de créditos, ao ponto de, na hora de encarar as realidades, o que se verificou por toda a parte foi a imposição da liquidação das dívidas através da perca dos bens obtidos com demasiadas facilidades, nessa altura os credores viram-se invadidos por excessos de activos e falta perigosa de compradores por outro lado, desequilibrando-se as balanças do deve e do haver e alterando-se o normal exercício das compras e das vendas, até do próprio dinheiro.
Claro que esta é uma forma simplista de tentar justificar a origem da tal crise, mas, em resumo, o panorama descrito pode dar uma ideia do que esteve, em grande parte, na origem do descalabro a que se chegou e que fez com que os endinheirados – que há sempre e que aparecem sorrateiramente nas horas de maiores aflições – tivessem visto chegar uma oportunidade para adquirirem por preços irrisórios determinados bens móveis e imóveis que, tempos atrás, só poderiam ser obtidos noutras condições.
Mas, o que importará agora é ter uma ideia, por mais ingénua que ela possa parecer, da forma como poderá o mundo sair deste estado de coisas com que se defronta neste preciso momento. E isso tanto faz que seja num ou noutro país, em Portugal ou mesmo nos E.U.A., neste em que ninguém o preveria, há uns anos atrás, que viesse a ter de enfrentar tal situação de, também, tão elevado desemprego.
Ora, é exactamente quanto a este sector, o de uma imensidão de gente por todo o mundo sem local de trabalho, que uma reflexão no respeitante à forma de resolver o problema tem de merecer algum esforço por parte de todos os que, mesmo encontrando-se já na situação de reformados, não podem deixar de se inquietar, pois a decadência dos sistemas de sustentação dos fora do activo é uma previsão que não se encontra apenas na boca dos chamados pessimistas.
Os mais idosos recordam-se que, há meio século atrás, um ser humano que tinha conseguido chegar aos sessenta anos já era considerado um velho. Todos nós nos lembramos disso. Hoje, com setenta e oitenta anos, as populações que lá chegaram movimentam-se com a ligeireza a que não era visível na nossa juventude assistir-se. Por isso, não pode deixar de provocar algum escândalo que trabalhadores com 60 e poucos anos, até antes como se verifica constantemente no nosso País, se apresentem para serem admitidos na categoria de reformados!
Por outro lado, a juventude, agora com instrução escolar mais avançada do que sucedia antes – se bem que, no capítulo dos conhecimentos, não se tenha progredido grande coisa -, essa, quando começa a laborar e, por esse motivo, desconta para os fundos de segurança que têm de suportar os custos das reformas dos idosos, sendo cada vez em menor número dos que usufruem das pensões que lhes cabem, o risco que está à vista é que não andará longe o tempo em que não chegará o que pagam uns para receberem outros.
E, ainda para aumentar a dificuldade da resolução do problema, também a evolução da ciência, fazendo com que cada vez morram mais tarde os seres humanos, essa circunstância provoca o alargamento da estadia no campo dos vivos aqueles que, até ao último momento, têm direito a receber mensalmente a pensão que lhes está destinada.
Será possível que esta situação se mantenha por muitos mais anos? Alguém, na política ou fora dela, é capaz de garantir que tamanho desequilíbrio conseguirá prolongar-se pêra além do não se sabe o quê?
É chegado, então, o momento de eu divulgar aquilo que considero a tese sobre o futuro que espera os habitantes deste mundo. E assim, sem entrar no campo das reflexões excessivamente complicadas, o que parece poder ser encarado com mais simplicidade, são duas hipóteses que, com o tempo, os homens serão capazes de enfrentar. Ei-las:
Uma será uma guerra planetária que, com o uso das destruições atómicas, os inimigos, que os há com fartura por aí, sejam por motivos fanáticos de religiões, sejam por confrontos ideológicos que também se conhecem, resolvam carregar no botão da bomba fatídica e, com as respostas que logo surgiriam, as destruições maciças fizessem o trabalho de massacrar populações inteiras e provocassem o fim de territórios que lhes eram antagónicos. É uma possibilidade de o número de habitantes mundiais se reduzir ao nível do que já existiu nas épocas em que não se verificava o drama do desemprego que hoje se espalha por toda a parte.
E qual seria a outra forma de ultrapassar o mesmo castigo de não se encontrar ocupação laboral para milhões de habitantes do mundo? Pois a possibilidade dos cientistas solucionarem a questão de se poder ir habitar num planeta que se encontre à chamada “mão” dos terrestres. Que digo eu? Talvez Marte?
Se for um local em que as viagens interplanetárias se passem a fazer com relativa facilidade e rapidez, se o avanço tecnológico chegar a atingir tal perfeição, aí o risco seria o de que a juventude fosse a preferida para aproveitar tal experiência, o que, nestas circunstâncias, faria com que os velhos permanecessem por cá e o Mundo, perante isso, passaria a ser um local de reforma, uma estância para idosos.
Depois de divulgar esta reflexão, encontro-me preparado para todos os comentários que resolvem dirigir-me, imaginando eu, desde já, que não serão os mais agradáveis, pois é difícil que o ser humano se encontre preparado para aceitar as dificuldades que, inevitavelmente, se vão apresentar mais cedo ou mais tarde.

terça-feira, 16 de março de 2010

DEUS


O Deus de que se fala
é uma mancha
uma sombra
não tem imagem
não é visível
há quem O imagine sentado
com barba branca
olhos azuis
a roupagem até aos pés
pois não se pode idealizar
um Deus de gravata
de casaco e calças vincadas
com o cabelo cortado e penteado
de unhas arranjadas
e sapatos com sola
e atacadores.
Terá de ser uma névoa
que não fala
que soam as Suas palavras
nos nossos ouvidos
vindas de dentro de nós próprios
perguntamos-Lhe algo
e Ele responde sem som
fala sem ser ouvido
sentimos o Seu afago
mas sem que use as mãos
procuramos entender as Suas razões
não discutimos o que nos parece serem Seus erros
um Deus nunca se engana
mesmo quando nos inquietamos
com as injustiças que ocorrem no mundo
com a fome que mata as crianças
com os abanões da Natureza
com as guerras que não são evitadas
com as epidemias que matam milhões
aceitamos
seguimos em frente
dizemos “graças a Deus”.
O Homem é previdente
é prudente
é sobretudo temeroso
teme discordar do desconhecido
mesmo quando não vê
o melhor é não discutir
e colocar-se do outro lado.

Não tem certezas
mas, pelo sim pelo não,
manda o bom senso
não levantar dúvidas.

Seja o que Deus quiser!...

PEC - ESTABILIDADE?


DIGAM lá o que disserem, mas as medidas agora surgidas e que se acotovelam todas no documento chamado PEC, Programa de Estabilidade e Crescimento, são decisões que, com todos os seus defeitos, de uma coisa podem e devem ser acusados os seus autores: é que apareceram já tarde e se tivessem, essas ou talvez outras mais suaves, sido tomadas algum tempo atrás, por certo que os efeitos já se teriam notado na situação catastrófica que enfrentamos agora em Portugal e não seriam, por isso, tão dramatizadas nesta altura como tratando-se de um apertar de cinto que os portugueses são obrigados a suportar com surpresa.
Aquilo que eu tenho proclamado neste blogue de que o Governo de Sócrates tem de ser acusado severamente pelo facto de ter andado sempre com um ar de satisfeito a iludir a população de que tudo estava a correr satisfatoriamente, por vezes até com ares de que o resto da Europa se defrontava com problemas, enquanto por cá nos situávamos, em muitos casos, à cabeça dos melhores, essa posição de mentira não serviu para outra coisa senão o não ter preparado os portugueses para o mal que ainda estava para chegar e que os governantes não encontravam forma de ultrapassar.
O que valeu ao grupo do primeiro ministro que nos calhou na rifa foi de que as Oposições não foram capazes de constituir alternativa e só agora é que o PSD, a segunda posição política que poderá vir a concorrer ao lugar, se juntou num congresso em busca de condições para transmitir crédito suficiente junto da população votante. Mas tudo isso leva o seu tempo e, entretanto, temos de viver com o que existe, que é uma situação de feroz apertar do cinto, de termos de reduzir ainda mais os gastos e assistindo a que esse regra não seja de ordem geral, pois que ainda existe uma camada da população que, graças a habilidades conseguidas através das concessões que os “amigos” do Governo foram facilitando e que, neste pacote do PEC, não se vêem claramente eliminadas.
Claro que está fora de questão que o Presidente da República tome a iniciativa de dissolver o Parlamento e de, por via disso, serem convocadas eleições. A situação deficitária do País não permite que se corra o risco de baixarem ainda mais os níveis de confiança externa em relação às necessidades que ainda temos, e muitas, de empréstimos vindos do exterior. Logo, só nos resta aguentarmo-nos sozinhos e fazermos tudo, com os nossos próprios parcos meios, para nos aguentarmos, por muito mal que seja.
Quer isto dizer que, se continuarem alguns sectores, com o apoio das centrais sindicais, a instigar greves e reivindicações de gastos com salários e de aumentos de benefício para os trabalhadores, o que há a fazer então é cada um pegar no bonézinho e sair por esse mundo fora a pedir esmola para subsistir. Carvalho da Silva, entre outros, terão de ir à frente, a menos, que já conseguiram amealhar o suficiente para escapar a debandada geral.

segunda-feira, 15 de março de 2010

BALANÇA

Tudo na vida é uma balança
dois pratos estão sempre a aguardar
no fundo sempre existe a esperança
de ver alguma coisa a balançar

A balança da vida bem assusta
sobem e descem pratos que lá estão
e o nosso nem sempre está em cima
dado o peso da insatisfação

Os grandes desencontros com a sorte
tudo isso faz pesar mais no prato
mas o bem estar, o sentir-se forte
chega-nos alegria até no trato

Que o nosso prato suba é o desejo
que todos nós levamos nesta vida
o preciso é que não falta ensejo
e que se acabe vencendo a corrida

Contrabalançar o bom e o mau
lembrar tudo aquilo que já passou
subindo na vida cada degrau
descendo sempre que se enganou

E a balança está a observar
para que lado cai mais cada braço
para dar algum tempo a emendar
o que terá sido algum fracasso

Orientar na balança o fiel
é missão que só a cada um cabe
é nisso que constitui o papel
daquele que disto pouco sabe

MENTIRAS POLÍTICAS


CADA VEZ que se assiste, num programa semanal da SIC denominado “o Plano Inclinado”, ao que dizem três economistas portugueses de reputação inegável, Medina Carreira, João Duque e Silva Lopes, sobre o estado da Nação, temos de concluir que o que se apronta para ocorrer num próximo futuro, logo ainda nos nossos dias mas, sobretudo, quanto ao que os nossos descendentes vão encontrar quando lhes chegar às mãos a responsabilidade de acarretar sobre os ombros a herança que os actuais governantes lhes deixam, esse panorama não pode ser mais dramático e a vontade que nos fica de permanecermos a vida que ainda nos resta neste rectângulo e de convencermos a juventude actual para que arranje energias que cheguem para o que tiver de enfrentar, tudo isso não pode obedecer a uma atitude de honestidade e de patriotismo, pois que corresponde a seguirmos o exemplo dos políticos que nos estão a governar e que é o de afirmarem que há países que se encontram pior dos que nós e que, por cá, só os pessimistas é que não aceitam os benefícios que têm surgido pelas mãos dos que conseguem algo que a ingratidão das oposições não reconhece.
Fartos destes quadros cor-de-rosa para “inglês ver” estamos nós. Mas o certo é que não podemos fazer nada para contrariar o caminho que somos forçados a percorrer, mesmo vendo o fundo da linha a ameaçar-nos com a queda e não podendo deixar de dar razão ao que os mestres da economia nos dizem, naquele programa televisivo e nos comentários escritos que a comunicação social nos oferece constantemente.
Os portugueses encontram-se perante uma situação como a daqueles doentes com uma epidemia já em estado desesperado, em que os médicos afirmam não poder fazer nada para evitar o derradeiro momento, e em que todos os dias os sintomas são cada vez mais nítidos de que nada se pode fazer e que, talvez, só uma mudança de hospital e de remédios, com operações decisivas mas altamente perigosas, com uma reza aos santos milagreiros ou utilizando qualquer uma dessas medidas em último extremo é que provavelmente se produza o milagre. Só que, o clínico de serviço à cabeceira, aquele que entendeu tomar conta dos enfermos em exclusividade e tapou todas as possibilidades de aparecerem outros técnicos com eventuais soluções, esse, mantendo-se no lugar, continua a alimentar esperanças de que o problema vai ser resolvido. E as famílias, na falta de confiança em que outras mãos sejam capazes de salvar o seu parente, vão mantendo, ainda que cada vez menos, uma réstia de fé, suficiente para ir mantendo os técnicos de medicina com medo de que seja pior a emenda do que o soneto.
A pergunta que, no caso real que vivemos, tem de ser feita, é como é que Portugal se vai livrar da calamidade que acarreta e que, não sendo igual ainda ao que está a suceder à Grécia – o que constitui a consolação de Sócrates e do seu ministro das Finanças -, já se apresenta como sendo de extrema gravidade.
O PEC foi finalmente apresentado. Mas o que o Governo não consegue demonstrar é uma atitude que retire quaisquer dúvidas quanto às medidas de economia feroz nos gastos públicos. Todos nós, cidadãos, conhecemos situações que, à nossa volta, nos saltam sobre as despesas que os cidadãos suportam e que bem poderiam acabar drasticamente, podendo ser cada uma de pouca importância, mas que, no total do País, representam verbas de grande volume.
Os portugueses têm de saber a verdade. Não lhes pode ser escondido que o seu futuro, mesmo o próximo, não é nada apetecível. Só que os governantes não são capazes de falar verdade. Vivem agarrados à mentira. E nisso, Sócrates é o campeão!...

domingo, 14 de março de 2010

VER DO OUTRO LADO

Por vezes sinto que estou morto
que já não pertenço ao mundo dos vivos
que estou onde não estou
que vejo do outro lado o que aqui se passa
não é nada comigo
é coisa estranha e distante
faz-me lembrar da última vez
que fui levado ao cemitério
havia gente a chorar
havia ?...
e lá me conduziram para onde eu queria
para o fogo
para as labaredas que rodearam o meu corpo
mas não senti nada
já não estava ali
vi de fora
tudo ardeu num instante
ficaram cinzas
foram despejadas num depósito
tem graça
nasci de uma gota e acabo em pó
atravessaram toda um vida
para isto
para terem havido preocupações
para coisa nenhuma
alegrias
zangas
esforços
canseiras
amores
desamores
ânsias
satisfações
prazeres
contradições
verdades
mentiras
pensamentos
esquecimentos
promessas
falsidades
disfarces
vaidades
tanta coisa e nada
uma vida
tão longa e tão curta
não deu tempo
para fazer o que era preciso
para ser útil
para sobressair
há quem diga que sim
que sou diferente
que me distingo
mas eu
que não estou apaixonado
por mim
não acredito
não me iludo
sei que me esforço
que procurei atingir a bitola
do bom
mas fiquei-me pelo sofrível
pelo mediano
a olhar para cima
a admirar
o que estava no alto

Por isso quase prefiro sentir-me perto do fim
fazer de morto
olhar à distância
ficar como que à janela
a ver-me
e a sentir o sofrimento
o meu sofrimento
o meu desgosto
não culpo o mundo de não me ter colocado
em qualquer pedestal
por pequeno que tivesse sido
e se não cheguei lá
foi porque não o merecia
também não me revolto
por outros se terem sobressaído
mesmo que sem mérito
mas isso só em minha opinião
discutível
provavelmente souberam aproveitar
as oportunidades
foram sagazes
atreveram-se
eu não
também não tive quem me entusiasmasse
em casa
fiquei-me metido para dentro
a encher papel
a colocar cores nas telas
e a esconder tudo
e a amar o que não estava ao meu alcance
a música
a composição
o uso dos instrumentos musicais
e em vez disso
só a utilizar
a caneta e o pincel
desajeitadamente

Sinto
que me vejo de longe
que contemplo os lugares que frequentei
sem mim
observo
as pessoas com quem me dei
sem estarem ao meu lado
vejo-me
sentado no café onde escrevo
olho para as ruas por onde passei
com outra gente
contemplo e reparo
já não conto
não estou lá
ninguém dá pela minha falta
é como se nunca tivesse existido
o mundo não parou
outra gente chora
alegra-se
sofre
diverte-se
tudo como dantes
como quando estava vivo
imagino eu

Julgo ver o mundo
Com muitos mais problemas
com a população aumentada
quase não cabe em nenhum sítio
tem carências
o ambiente é pesado
falta a água
a poluição é insustentável
a competição não perdoa


Quando sinto
que já não estou vivo
e contemplo o espectáculo
de lá de onde estou
já não me importo por não me encontrar
em qualquer pedestal
por mais ínfimo que seja
ao estar na Terra
preferiria estar preste a sair
a tempo
para fugir ao futuro que me esperava
para escapar do medonho
do horrível
dos muitos mil milhões de habitantes
que vão atafulhar o Mundo
e que apesar das múltiplas
antigas e novas doenças
que atacarão o Homem
como há raças que não perdoam
fazendo filhos
muitos
sobrepondo-se a outros
que são mais prudentes
fazendo mudar de cor
o Planeta
apesar disso não ser importante
porque os conflitos
não escolhem tons de pele
sendo seres humanos
por isso mal formados
e cada vez mais agarrados a crenças
a fés
a religiões
que julgam que lhes trarão a salvação
que serão perdoados depois de mortos
que terão benesses e regalias
no fim dos caminhos
só quando se encontrarem no outro lado da barreira
é que descobrirão
como eu julgo que concluirei
quando chegar a minha vez
e estiver a desfrutar
a gozar as vistas
sabendo que Inferno há só um
e é na Terra
nessa altura
e só então
darão gargalhadas surdas
e terão vontade de voltar atrás
e abanar o ser humano
gritando-lhes para terem juízo
para despertarem
e para aproveitarem todo o tempo
que mediou entre a gota e o pó
fazendo com que o Mundo melhore
tirando partido
da Vida.

CONGRESSO DO PSD


EMBORA a situação política, económica e social do nosso País não se altere muito cada dia que passa, ou seja, as dificuldades com que nos debatemos se mantenham e até aumentem, como se verificou agora com a apresentação do chamado PEC que, segundo também há que concordar, não poderia surgir nesta altura alguma coisa que constituísse uma súmula de boas notícias para os portugueses, apesar disso, agora, até por via da realização em curso do Congresso do PSD, poderá renascer numa parte da população nacional a esperança de que existe uma porta que se prepara para mostrar certa alteração no panorama que tem estado presente ao longo de vários anos e que, neste momento, atingiu o ponto mais negro de todo o período dominado pela chamada crise… que serve de desculpa para tudo!
Os quatro candidatos ao lugar de presidente do PSD, talvez excessivos, posto que conviria ao partido em causa que a escolha fosse mais limitada, por forma a que não se verificasse uma grande divisão de votos por parte dos sociais-democratas, todos eles, aparentemente exercendo cada um a sua posição de considerar os adversários como elementos nocivos ao interesse do agrupamento, fizeram os seus discursos em Mafra mas, pelo menos em minha opinião, não se verificou a apresentação de um comportamento que pudesse transmitir confiança aos membros do partido de que existia uma concreta preparação para o exercício do cargo de primeiro-ministro, isto, claro, ao verificar-se o confronto nacional para a eleição do conjunto partidário que poderia substituir o PS do primeiro lugar no Parlamento.
Se me perguntarem se eu não terei uma opinião quanto ao candidato que terá evidenciado maior convencimento de se encontrar melhor preparado para substituir Manuela Ferreira Leite da presidência do partido em causa, não quero fugir à questão e arrisco-me a declarar que me causou mais profunda impressão Paulo Coelho. Mas, nisto de eleições, quantas vezes o que nos parece uma coisa não resulta noutra muito diferente. E como, apesar de activo observador do que se passa na área política, não sou membro de qualquer partido – já fui e dei-me mal -, ainda menos posso debitar uma opinião sobre quem servirá em condições preferenciais o partido que Sá Carneiro fundou, continuando a ser relembrado persistentemente, o que prova que esse saudosismo representa o descontentamento de muitos em face ao que tem ocorrido no seio do segundo partido da Oposição da política portuguesa.
Como não está em equação a dissolução do Parlamento, logo da necessidade da intervenção do Presidente da República para ser escolhido outro grupo para se encarregar do Executivo, e ainda porque as sondagens que surgiram recentemente mantêm a maioria de votos ao PS, no caso de se realizarem eleições nesta altura, a conclusão que se pode tirar é a de que o novo Presidente que sair do Congresso realizado terá tempo para se preparar para o confronto que vier a ter lugar, como e quando as circunstâncias o definirem.
Uma coisa é certa: o que espera os portugueses é mais um período de aperto do cinto, de dificuldades acrescidas, de desemprego a provocar um grave desassossego social, cujas consequências não se sabe nunca como surgirão e como se irão resolver.
E, obviamente, enquanto tudo isso ocorre, José Sócrates continuará a ser apontado como causador do mau momento que se enfrenta, do estado deficitário a que chegaram as contas públicas e, simultaneamente com tanta preocupação, as inúmeras faltas de vária ordem que sobrecarregam avolumadamente o “mea culpa” de quem tem a seu cargo a chefia do Governo.
É demais para um homem só!...

sábado, 13 de março de 2010

JÁ MORRI !...

Sim, parti é verdade
marchei pr’a outra, lá fui
descobri que já morri
sou dos que já não polui

´É dura realidade
mas não sendo essencial
era um crime à humanidade
manter-me por esse vale

Por isso contente ando
vendo ao longe o panorama
estou aqui e não sei quando
se me apaga esta chama

Dantes era um mistério
agora sei como é
passando p’lo necrotério
safei-me dessa ralé

Morto grito: acabou-se!
dessa luta já estou solto
não foi nunca pêra doce
por isso p’r aí não volto

Mas vou contar o que é
este sítio p’ronde vim
aqui não faz falta a fé
não há princípio nem fim

Comecei extasiado
bulício não existia
não se falava em pecado
sem haver noite nem dia

Tudo parecia ideal
sobretudo p’ra quem vinha
do seu velho Portugal
e com costume alfacinha
Passo pois a descrever
o que à minha volta gira
procurando não esquecer
já que cá não há mentira

Doenças não há aqui
e tristezas nem um pouco
e se eu nunca pedi
devia estar era louco

O sossego é total
uma música serena
aqui ninguém é mortal
não é preciso ter pena

A inveja não existe
o amor é permanente
e nada daqui é triste
pois que por cá não se mente

Tudo tão certo e correcto
nada há para emendar
não é só branco e só preto
tudo é p’radmirar

Mas também é pasmaceira
todos certinhos na sua
não há sabores, nada cheira
não há casas, não há rua

O sexo, isso nem vê-lo
homens e mulheres iguais
não dormindo, o pesadelo
é coisa só dos mortais

O tempo, as horas, as pressas
é coisa que não existe
ninguém por cá pede meças
nem há o que se conquiste

Estar pois sossegadinho
à espera de nem sei quê
sem beber um cafezinho
nem comentar o que vê

Essa é a posição
dos que desse mundo partem
pois julgam que há multidão
grande festim que os fartem

Desenganem-se desde já
pois nada disso acontece
aquilo que por cá há
nem a todos apetece

Eu não sei se o tal Inferno
que não é isto onde estou
sendo algo menos terno
para onde a seguir eu vou

Nem sei mesmo se existe
mas um eu já conheci
foi por sinal bem triste
foi a Terra onde vivi

A uma conclusão chego:
nem às guerras desse mundo
nem ao maçador sossego
eu tenho amor profundo

Logo, eu deixo a questão
se o Homem foi Deus que o fez
tenha ou não religião
porquê com tantos talvez?

Só se for por ser melhor
que esperanças não faltem
e andar sempre ao sabor
das desgraças que o assaltem

Se é assim, pois então
continuem como está
p’ra mim findou-se questão
já estou do lado de cá

E confesso em segredo
se me dessem a escolher
responderia sem medo
eu queria era volver!









TUDO NA MESMA... COMO A LESMA!


ERA INEVITÁVEL. Como afirmei no meu blogue de ontem e em que o redigi antes de se ter procedido à votação no Parlamento, era inevitável que o Orçamento do Estado iria passar naquele Hemiciclo, isso devido às abstenções do PSD e do CDS. A minha pergunta, no entanto, é se os partidos da Esquerda, todos ou alguns deles, não tivessem a certeza de que essa ausência de voto negativo não iria ocorrer, se também eles não teriam tomado atitude idêntica, pois tenho dúvidas de que, quer o PCP quer o Bloco de Esquerda, assumiriam a responsabilidade de fazer cair o Governo, sabendo, como têm de saber, os custos que tal atitude acarretaria à situação já tão periclitante em que se encontra o nosso País.
Claro que não é importante responder a esta questão, pois o que interessa é enfrentar os graves problemas que se apresentam nesta altura e, sobretudo, não fazer baixar ainda mais a confiança das nossas capacidades perante os credores estrangeiros, posto que, embora devamos ter a maior diminuição possível dos dispêndios com compras lá fora, existem alguns produtos que não se podem evitar, como os combustíveis por exemplo. E, por outro lado, não se vislumbra que qualquer partido da Oposição disponha de líderes que se atrevam a tomar conta da governação portuguesa, pois por muito que aparecessem provavelmente a denunciar o estado deplorável em que encontravam as contas públicas, não será apetecível carregar com tanta responsabilidade e ficar com as culpas que passariam a suportar com o agravamento que é natural que surja no próximo futuro.
De igual modo, no caso de José Sócrates também este não considerará a altura como sendo a melhor para sair do Governo. Por muito mal que as coisas corram, no seu caso pessoal e face às inúmeras questões de ordem jurídica – sem provas, há que dizê-lo – que são assacadas à figura do antigo ministro do Ambiente e também, no que respeita às escutas e às acções que lhe são apontadas como interveniente nos casos relacionados com a comunicação social, sempre será preferível manter-se com o “chapéu de chuva” do Executivo do que ficar subitamente desnudado dessa cómoda protecção, pois sempre o defende de maiores e mais agressivos ataques.
O mais recente dedo apontado no que diz respeito à PT e à TVI, de que nem vale a pena repetir o que tem largamente sido comentado, então essa situação passaria a constituir ainda maior matéria que os adversários políticos do actual primeiro-ministro não desperdiçariam, servindo até como promoção de um candidato que venha a ser proposto pela Direita e que pretenda ocupar o lugar de Cavaco Silva.
Vistas, porém, bem as coisas, é de facto preferível que nada venha ainda a complicar-se mais no panorama político nacional, pois a não aprovação do Orçamento do Estado. constituiria uma grande desgraça nacional.!
E, já agora, uma pequena anotação no que diz respeito à greve anunciada dos pilotos da TAP. Desse “coitadinhos”que tão mal ganham! Não se critica se, de facto, os seus salários não serão iguais aos de outras empresas aéreas. Talvez não sejam. Mas o que importa é que esses profissionais dos aviões, sendo portugueses, não são capazes de avaliar o estado deplorável em que se encontra o seu País e, face à miséria e à falta de emprego que há por aí, não poderiam aguardar uma altura melhor para não criar a situação de centenas de milhares de euros que vai custar essa paralisação? E, no que diz respeito ao turismo que se perde, não lhes pesa na consciência tamanha exigência despropositada?
Eu já nem digo mais nada…

sexta-feira, 12 de março de 2010

CALADO


Ter que fazer
não ser capaz
nem querer morrer
sem deixar p’ra trás
obra aceitável
para recordar
ser memorável
não ser vulgar

Mas e o génio?
bem que o procuro
qual oxigénio
em túnel escuro
se não o alcanço
fica por fazer
não terei descanso
sem desfalecer
até conseguir
antes de partir

Só os papéis
manuscritos no café
esforços cruéis
de quem faz finca-pé
em não ser um qualquer
quem cá ficar que diga
o que lhe aprouver
pois ninguém é obrigado
a manter esta luta
e se calhar é calado
que é a melhor conduta
dizer alto é vergonha
de se ficar a saber
o que cada um sonha
e, sem o conseguir… morrer

CAVACO DIZ...


A ENTREVISTA que o Presidente da República concedeu à RTP, por sinal a segunda ao longo da sua condição naquele lugar, tendo sido aguardada com compreensível interesse por se tratar de uma período que muito está a preocupar os portugueses, depois das suas respostas terem sido digeridas pelos que acompanham as evoluções da nossa vida política e social e de os comentadores habituais terem divulgado os seus pareceres, há que, cada um por si, tentar extrair das afirmações dadas a Judite de Sousa – por sinal, uma boa profissional nesta área – o que for importante para se concluir o que estará na cabeça de Cavaco Silva, já que é ele que tem a responsabilidade de procurar equilibrar as várias frentes que, cada uma no seu lugar, defendem os seus respectivos pontos de vista.
Pois bem, também me cabe o direito de deixar neste blogue aquilo que pude interpretar das palavras que o locatário de Belém quis que passassem para a opinião pública.
Em primeiro lugar, não indo ao ponto de tentar adivinhar se existiu qualquer estabelecimento de acordo quanto às perguntas que iriam ser postas, o que, como profissional antigo da comunicação social, não desejo admitir – pelo menos, nos múltiplos encontros de entrevistas que tive, em várias partes do mundo e com diferentes personalidades, nunca me foi posta essa condição, que eu, obviamente, não aceitaria -, tenho de reconhecer que Cavaco Silva trazia o trabalho de casa bem decorado. E as respostas que deu às perguntas da entrevistadora revestiram-se sempre de um cuidado extremo em não ferir susceptibilidades nos vários sectores que se encontram de costas no panorama de confronto que se verifica em Portugal nesta altura.
Para além de se ter mostrado pouco crédulo no que diz respeito ao Governo afirmar que desconhecia o negócio que se estava a preparar entre a PT e a TVI, não foi muito além dessa dúvida e antes procurou transmitir a ideia de que, ao contrário do que se anuncia por vezes, as relações entre ele e o primeiro-ministro são absolutamente institucionais, que é a forma melhor de dizer que não existem divergências graves entre ambos os comportamentos.
Em resumo, portanto, o que se tem de concluir das afirmações do Presidente é que, por sua iniciativa, não se deve esperar que o Governo venha a ser demitido, pois não omitiu que tais atribuições cabem, em primeiro lugar, ao Parlamento e é este que tem a incumbência de fiscalizar as acções e de votar uma moção de censura. Se isso não aconteceu, a ele só lhe cabe estar sem interferir, disse.
Numa palavra: a ideia com que eu fiquei desta entrevista é que Cavaco Silva, embora diga que falta muito tempo para dar a conhecer se se recandidata ao lugar, este foi o primeiro passo para deixar os portugueses seus partidários descansados quanto à sua vontade em repetir as funções.
Resta agora aos adversários já anunciados quanto a conquista da Presidência da República, ou os que venham, por ventura, ainda a surgir, tomarem as posições que considerarem mais convenientes para fazer frente ao que já está a preparar-se para permanecer no posto.
Afinal, também não é por aí que o Pais se defende melhor ou pior das avalanchas que poderão surgir para complicar mais ainda a situação de crise que nos atormenta e que não vai ficar por aqui, com PEC ou sem ele, já que o que surgiu neste documento do Governo não parece ser suficiente para remendar os buracões que foram criados ao longo de um passado que chegou até aos nossos dias e que, esse sim, deveria ter sido levado a cabo com precaução, bom senso, sentido das realidades, limitação das condições financeiras e sociais que estivemos a viver, ao contrário de umas partidas de mau gosto que uns tantos nos quiseram pregar. E, sobre isso, o Presidente não quis adiantar nada que pudesse sobressaltar as hostes, embora haja que reconhecer que tem de haver todas as cautelas no sentido de não se deitarem achas para a fogueira, pois que já nos chega ter de suportar as consequências de uma crise mundial que, não há que escondê-lo, da parte portuguesa teve o acréscimo de uma má governação. No entanto, ainda que enfrentando esses riscos, de um Presidente sempre se espera, particularmente quando as coisas não estão a correr de harmonia com as necessidades nacionais, que, sem ir às últimas consequências, dê mostras ao País de que não se encontra conformado com os erros mais evidentes que tenham sido tomados pelo Governo em exercício. E isso não foi presenciado na referida entrevista.
A História, se houver quem a queira escrever com independência, contará toda a verdade, para que os vindouros, especialmente os que cá estiverem para pagar as favas, apontem os dedos acusadores e tentem encontrar uma saída para a herança que lhes é deixada.
Nesta altura em que termino este texto, ao fim da tarde, ainda no Parlamento não foi votado o Orçamento. Mas, é mais do que certo que o mesmo passará, com as habituais abstenções de quem não se quer comprometer nem com o sim nem com o não. Dizer mal, pois sim; comprometerem-se, isto está quieto!

quinta-feira, 11 de março de 2010

MORTE

Eu oiço o sino da morte
Dar badaladas por mim
Tenho pronto o passaporte
Estou preparado p´ro fim

O que não quero é que então
Olhem p´ra cova a chorar
Pois a incineração
Deixa cinzas p´ra espalhar

É triste pensar na morte?
Aceitá-la consciente?
É isso ser-se mais forte?

Basta enfrentar o real
Partir como toda a gente
E a todos ser igual.

EUTANÁSIA



O CIDADÃO COMUM português, ao deparar com o tempo que perdem muitas das figuras politicas por cá, com quezílias de trazer por casa, dessas que não resolvem nenhum dos enormes problemas que temos pela frente, chega a interrogar-se se, na realidade, não existem tantas e tão variadas situações que bem poderiam ser atendidas por esses mesmos senhores que, quando não andam entretidos com inaugurações de obras que ainda nem sequer estão prontas ou, como é o caso do próprio José Sócrates, gastam horas, dias e semanas a tentar destruir o que chamam de “ataques de difamação” por parte dos que não se encontram alinhados com as suas preferência, sem sequer o conseguirem fazer junto da maioria da opinião pública e, o que é mais grave, só desperdiçam energias e períodos de trabalho que deveriam dedicar a governar bem o País, deixando que as coisas corram por si e não dando mostras de que, efectivamente, estão dispostos a deitar mãos à tarefa positiva que lhe compete levar a cabo, esse cidadão comum atrás referido está cada vez mais baralhado e com poucas ou nenhumas esperanças de chegar a ver melhora neste nosso País.
É certo que a crise, essa maldita que também tem as costas largas, absorve o maior espaço do cérebro daqueles que quase dão em loucos a reduzir aqui, a transferir para acolá, a calcular percentagens, a analisar esquemas e mapas, a comparar o que se passa em casa com o que os outros países revelam, especialmente os da Europa, a preparar elementos que tenham pretensões de mostrar aos portugueses que, afinal, não estamos assim tão mal como dizem, e com a crise se vão desculpando.
E isso, a que se pode dar o nome de dar o lustro ao que está excessivamente baço, sendo uma forma de tentar mostrar serviço, muito embora os resultados práticos não saiam nos variados cantares de vitória que os socratianos deixam sair das suas gargantas.
Não foi este Executivo que, no meio do turbilhão de gravíssimos problemas que nos amarguram a existência, apareceu com aquela dos “casamentos” entre pares do mesmo sexo? Eu já nem pretendo discutir se essa forma de acabar com o que alguns chamam de “discriminação” é ou não justa, pois o que me indigna é que esta tese tenha surgido precisamente num momento em que o natural era que estivessem os responsáveis absorvidos com o estudo e solução de altíssimos berbicachos que envolvem Portugal e que fazem o País correr sérios perigos num futuro que nem sequer se situa muito distante dos dias de hoje.
Se atentarmos neste apetite dos “casamentos” em que Sócrates até se empenhou bastante, como deu ideia, então talvez tivesse maior relevo a discussão do problema, tão discutido por esse mundo, da eutanásia, o que, pelo menos daria alguma mostra de que o Governo português, já que também dedica tempo, nesta altura, a problemas secundários, então levaria este, deveras importante, ao Parlamento, para ver como pairavam as opiniões dos que têm como missão votar as propostas que lhes chegam.
Concordo que esta não é a altura mais apropriada para se encarar este problema. Mas, o tema em si sempre chamaria mais as atenções do que aquele dos “casamentos” de homens com homens e de mulheres com mulheres.
De facto, permanecer Portugal sem surgir sequer uma tentativa de conhecer os que pensam os seus habitantes no que diz respeito ao sofrimento dos enfermos que não têm medicamente qualquer possibilidade de prolongar, com o mínimo de ausência de sofrimento, as suas vidas, deixarmos correr as coisas e não tomando conhecimento do que ocorre em outros países, a Suíça por exemplo, onde, a pedido dos próprios, se aplica legalmente a eutanásia, ficarmos assim, parados e indiferentes, sem cuidarmos de conhecer a opinião maioritária através de um referendo, é uma situação que merece, no mínimo, um comentário num blogue.
Digo eu, para dizer que, no meu caso, se me vier a acontecer encontrar-me nessa ponta final sem assistência para terminar o sofrimento, nessa altura sentirei grande revolta. Pois no meu fim tenho o direito de ser eu a decidir!

quarta-feira, 10 de março de 2010

AS QUINAS

Em certa manhã de nevoeiro
Vai despertar aqui no País
A esperança de ser feliz
Trazida por um alvissareiro?
II
Em Terra de tantos pacientes
Ainda há fé em epopeias
Pois o sangue que corre nas veias
Vem de outrora, de antigas gentes
III
Por mais que se julgue adormecida
A ânsia do Mostrengo matar
Grande coragem não vai faltar
Sempre se vai dar a acometida
IV
Tanta apagada e vil tristeza
Que é apanágio do Português
Não quererá que um dias, talvez
Ponha à mostra a sua sageza
V
Para os últimos deixarem de ser
P’ra entrarem no comboio perdido
Há que soltar o ar abatido
E sem demora correr, correr
VI
Olhemos aqui para os vizinhos
Esses, doutros tempos, Castelhanos
E honremos os velhos Lusitanos
Seguindo então novos caminhos
VII
Por mais que estejam adormecidos
Mesmo que pouco e mal se lute
Não se há-de perder o azimute
No fim não sairemos vencidos
VIII
Discutir-se-ão muitas opções
Os políticos debitarão
Mas negar, nunca o negarão
Esse mar que nos cantou Camões
IX
Seguro que vai ser necessário
Que a fome nos ataque primeiro
E que se faça um grande berreiro
A lastimar o nosso calvário
X
Mas p’ra atingir tão grato projecto
D’a os da Europa sermos iguais
Só teremos, oh simples mortais
Que rogar ao Supremo Arquitecto

COMISSÕES


CADA VEZ que se forma em Portugal uma comissão, especialmente por iniciativa da Administração estatal, todos os que por cá ainda prestamos alguma atenção a estas coisas de se encontrarem lugares bem pagos para os amigos do Poder, ficamos alerta e na expectativa de vir a entender se algo de proveitoso para o interesse público sai desses conjuntos de indivíduos que passam a fazer parte uma qualquer motivação de momento.
Isto, para dizer aquilo que eu penso que será opinião geral dos portugueses: que os habitantes do nosso País se encontram fartos de medidas “inventadas” com ausência total de produtividade e em que os dinheiros públicos são gastos desalmadamente e sem contribuírem para a melhoria dos nossos problemas.
O caso que se tem assistido, através do programa televisivo que cobre os acontecimentos na Assembleia da República, em que, ao longo de dias seguidos, cerca de trinta deputados dos diversos partidos com acento no Hemiciclo apresentaram perguntas, muitas delas repetitivas, aos cidadãos convocados para o efeito e, nesta situação, com relação a dúvidas levantadas sobre a actuação governamental no capítulo da liberdade de Imprensa, as prolongadas sessões que deram mostra da falta de preparação dos membros partidários que, acima de tudo, terão preferido marcar terreno com respeito ao grupo partidário que representaram – e, obviamente, situando-se nas posições condizentes com os interesses defendidos por cada agrupamento -, tais sessões não terão servido rigorosamente para nada e apenas constituíram a regra das comissões que no nosso País são constituídas sempre que se pretende não resolver problema nenhum.
Esta Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, que é este o seu nome – ridículo pelo título, como inoperante quanto ao objectivo -, só vem provar aquilo que nós, portugueses, e não são apenas os elementos dos serviços públicos, desde Sócrates até aos níveis mais para baixo, não estamos destinados a saber solucionar as nossas próprias questões. É uma pena ter de concluir isto, mas eu não sou capaz de encontrar outra razão para a inutilidade que se verifica nos resultados cada vez que se entende formar uma comissão seja do que for, para passarmos a bola a um grupo que fica com o encargo de apresentar conclusões… as quais nunca são comunicadas, porque, na generalidade, também não adiantam nada de positivo.
No caso em análise, reconheço que, pelo menos, das horas longamente perdidas com a referida reunião, alguma coisa passou para o exterior e isso devido a depoimentos de alguns dos interrogados, especialmente de Henrique Granadeiro: é que José Sócrates não sabia o que se estava a passar quando a PT estudava a possibilidade de adquirir uma posição na Media Capital. A ser verdade, também fico deveras intrigado. Pois será possível que um primeiro-ministro, tão atacado com os disparos que saem de todos os lados, não esteja ao corrente de um passo tão importante que estava a ser preparado por uma empresa pública da dimensão da PT? E então, José Eduardo Moniz, ao ter feito declarações que muito comprometeram o chefe do Governo, não disse verdades?
E cá ficamos nós muito entretidos com comissões que se formam constantemente. O que é preciso é deixar a ideia de que a grande preocupação nacional é a de esclarecer, o mais possível, todas as dúvidas que pairam em vários campos da vida nacional. Se os portugueses andam confusos e com falta de aclaramento de muitas situações que ocorrem por cá… não é à falta da existência de comissões!

terça-feira, 9 de março de 2010

CALVÁRIO

Há ou não razão p’ra desanimar
neste calvário imenso em que vivemos?
se um dia isto tiver de acabar
e d’algo pior ainda tememos
e não se passa só em Portugal
o mundo inteiro não está melhor
para se conseguir fugir do mal
tanto faz que se vá p’ra onde for

A Terra anda toda ela às voltas
acalmia é pouco que se encontra
pois muitos malvados andam às soltas
já não escapa nada em qualquer montra
e nas finanças grandes roubalheiras
na política grassa a corrupção
pouca vergonha já não tem fronteiras
ao nosso lado pode estar ladrão

Não é bem assim, dizem confiados
os que ainda não sofreram danos
mas um dia destes ficam calados
se os atingirem alguns fulanos
é que isto de trabalhar não dá
não é bastante p’ra levar a vida
se é isso que se passa por cá
é igual aos que vêm de fugida

Calvário da vida não chega a todos
há os que conseguem bem escapar
para uns tantos os terem a rodos
outros nunca precisam de suar
ainda bem, pois não é regra geral
o ser feliz é coisa que existe
para os que só enfrentam o mal
há sempre aquele que a tudo resiste

GASTAR POUCO - PEC



FOI O QUE SE ESPERAVA. Nem podia ser de outra maneira. Ao tomar-se, por fim, conhecimento do que ia sair do Programa de Estabilidade e Crescimento, que o Governo andou a preparar - obviamente contra a sua vontade, posto que José Sócrates, que tem andado desde sempre a proclamar o bom caminho que o nosso País levava, não parecia estar convencido de que era forçoso dar uma volta grande no panorama existente -, face à realidade que foi dada agora a conhecer aos habitantes deste País, perderam-se as esperanças vãs que os optimistas profissionais ainda mantinham, e as medidas drásticas lá foram mostradas para tentar que a má situação financeira que atravessamos chegue ao seu final. Mas sem o dizer com aquela clareza de humildade que era forçoso que fosse mostrada pelo próprio Sócrates, o que vai ocorrer a partir de agora é exactamente o contrário do que tinha sido sempre proclamado no arrastar do tempo passado.
No fundo, ainda bem que tal ocorreu, pois, mesmo demasiado tarde, mais vale fazer-se alguma coisa do que mantermo-nos agarrados a uma política que não se encaixava nas realidades dos nossos dias. Sempre se procura atrasar o bater no fundo de que já se começaram a ouvir alguns estrondos.
A verdade, porém, é que o apertar do cinto, o ter de poupar onze mil milhões de euros até 2013, o terem sido adiadas, sabe-se lá durante quantos anos, as leviandades que Sócrates insistia em querer manter, como parte do TGV e as auto-estradas não urgentes e talvez até nem necessárias, o terem as deduções no IRS de passar a ser diminuídas e quem ganha mais do que 150 mil euros anuais ir sofrer o aumento dos impostos, tudo isso irá atacar, sobretudo, a classe média e não se sabe ainda se todas estas medidas – que poderiam e deveriam ter surgido há dois anos atrás -, agora, com efeitos muito penalizadores, temo de nos interrogar se todas essas medidas não irão criar uma crise política, com consequências difíceis de prever. Mas que era urgente tomar medidas, com isso temos de nos conformar…
O recuo do Governo em relação ao seu comportamento anterior, o que provocou que um grande número de portugueses se tivesse mostrado, desde há certo tempo, desinteressado de acompanhar o que os participantes do Poder estiveram a engendrar, por não ser esperada já capacidade para emendar o que estava a sair visivelmente mal, essa atitude agora surgida, esses grandes passos atrás só vêem dar razão a quem, com persistência, acusava os culpados de estarem a conduzir Portugal para um beco sem saída. Disso não me arrependo.
Nesta altura, não é fácil prever se ainda há tempo para remendar o que se encontra bastante roto. Por isso mesmo, o que seria salutar era que o próprio José Sócrates se tivesse apresentado perante os portugueses e justificasse, ele próprio e não um ministro, a mudança radical que o seu Executivo introduz na condução do seu conjunto governamental.
“Errare humanum est”, deveria ser a expressão que o principal culpado deste horror em que nos encontramos teria de proferir com a mão no peito. É altura de acabar com os elogios em boca própria, com as arrogâncias de que ninguém faria melhor do que ele e aceitar que havia formas de evitar o pior de todos os males que nos atingiram e que, esperemos, não fiquem só por aqui.
No capítulo do desemprego, que é um dos factores mais gravosos do sector social português, não foi este Programa que veio trazer novidades. Também não existem “milagres” que ponham cobro a este deplorável mal que pode produzir grandes revoltas nos atingidos por tal desgraça. Nem se sabe se existe alguém que tire do chapéu a solução de tamanho problema! Logo, não constitui um retrato pessimista, se houver quem proclame por uma atenção muito particular no que diz respeito a esse campo aberto para uma posição violenta por parte de quem se sente incapaz para alimentar a sua família.
Logo, não existindo nenhuma certeza em relação ao que virá a seguir, em termos de possível novo Governo e se aparecerá outro grupo parlamentar em posição de comando nas bancadas de S. Bento, pois até o principal partido da Oposição ainda se encontra sem chefia encontrada, exactamente também por tudo isso é que José Sócrates tem a obrigação de não fugir às responsabilidades que lhe cabem e dar demonstração clara de que se assume como parte da culpa quanto às consequências de tudo o que de difícil solução puder vir a passar-se.
Com este vício tão nacional de culpar sempre quem esteve e nunca quem está, não admira que o próximo futuro venha a ser a repetição de cenários já conhecidos: o choradinho de que foi encontrada a situação económica nacional num estado deplorável. Mas o que os portugueses precisam é de alguém que venha disposto a encarar o futuro e com soluções, pois do passado já todos nós conhecemos o historial.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A AVAREZA

No poupar há algum ganho
dizem os tais cautelosos
mas isso de ser tacanho
já pertence aos mais medrosos
sovinice
gastar demais é tontice
pode levar à pobreza
como também é tolice
preferir a avareza
sabujice

Ter muito e não ter nada
não ajudar quem precisa
muito merece a piada
daquele que bem avisa
e critica
que ao chamar-lhe sovina
está a falar com franqueza
é bem ave de rapina
quem pratica a avareza
com larica

O contrário do guardar
com medo que tudo acabe
o grande prazer de dar
é a generosidade
bem fazer
afinal o que se tem
quando partimos do mundo
fica cá para alguém
gastar tudo num segundo
desfazer