sábado, 6 de março de 2010

O OPTIMISTA SOARES!...


TEM DIAS, como se costuma dizer sempre que não se verifica uma constância no comportamento e nas opiniões de um cidadão cá do burgo. E é isso que também se passa comigo, que sou um ser humano normal deste nosso País. E tal afirmação refere-se ao estado de espírito que vou mantendo em relação aos acontecimentos que nos são dados a contemplar, no respeitante ao todo o espaço mundial mas, muito naturalmente, sobretudo no que se refere ao País que nos calhou ser o nosso, posto que cada um de nós nasce onde as circunstâncias, em particular dos nossos progenitores, proporcionam que apareçamos na face da Terra.
Não é, por isso, sempre igual a disposição que sustento e dou a conhecer quanto ao que vai ocorrendo neste Portugal que, como muitos pensarão, não tem dado grandes motivos para nos sentirmos satisfeitos com o caminhar penoso que vamos sendo obrigados a suportar.
Ao ler hoje a entrevista que concedeu Mário Soares ao jornal “Público”, tendo partido para esse exercício com um sentimento pessimista, fui aliviando tal disposição perante as afirmações do homem que salvou a Democracia nos primórdios do aproveitamento da Revolução, do criador do Partido Socialista, do primeiro-ministro e do Presidente da República, tudo funções que foi exercendo ao longo dos 34 anos que já passaram desde o 25 de Abril. E o seu optimismo que, nos 85 anos de idade já cumpridos que apresenta hoje, se confirma, o que talvez se justifique, pois a luta feroz que manteve na época da Ditadura e os percalços que enfrentou para fortalecer as conquistas democráticas que, por várias vezes, pareciam querer fugir, tudo conseguido com desmedida abertura de espírito em relação ao que vinha a seguir, é essa prática que lhe não consegue fazer perder a esperança de que, por muito mal que estejam as coisas, o amanhã trará melhorias.
Li e reli essa entrevista, mas, apesar de ter por Mário Soares uma continuada admiração, mesmo nas contradições no que respeita ao meu e ao seu modo de analisar as situações políticas, assim mesmo não posso deixar de expor o meu enorme desconsolo por não comungar da esperança em ver Portugal sair honrosamente da situação em que foi colocado, por culpa da crise mundial que afectou grandes zonas internacionais, mas especialmente pela incompetência em que os dirigentes políticos, sobretudo os que tiveram a seu cargo a governação nacional nos últimos dez anos.
Ficar-se satisfeito pelos progressos obtidos a partir do momento da consolidação da Democracia, como se isso não fosse o mínimo que se aguardava após tanto tempo de Ditadura, para mim não é bastante para cantarmos hossanas. Só que há que reconhecer que, devido ao atraso que ainda mantemos em comparação com os outros parceiros do espaço europeu, é enorme o que falta conquistar para diminuirmos tamanha distância. E o certo é que cada vez mais nos afastamos das várias metas alcançadas pelos que devem servir de referência.
No que diz respeito à zona europeia, eu que também aspiro, desde a criação da CEE, por uns Estados Unidos da Europa, não posso situar-me em posição mais desconsolada por ver que nada disso sucede e que, cada dia que passa, as Nações que fazem parte do conjunto não mostram desejos de se submeter a uma política unitária e de força, o que muito nos poderia ajudar na situação actual. Cada um por si é exactamente o contrário do que necessitamos todos e a própria União Ibérica, que eu defendo desde há muitos anos, é um ideal que, especialmente do lado de cá, não obtém grande sucesso prático, com prejuízo para os dois lados. Soares mostra esperança no futuro, eu, realista como sou, vejo-o cada vez mais longe.
É fácil afirmar-se que se tem confiança no povo português e que, na política, é preciso ir buscar os melhores e confiar nas novas gerações. Por muito certa que seja esta afirmação, aquilo que se enfrenta e não se pode escamotear, sob pena de ser maior a surpresa quando as coisas ainda piorarem mais, a verdade é que as três décadas decorridas desde o Abril não foram aproveitadas convenientemente para que a Democracia tivesse entrado na prática das novas gerações, sobretudo porque os exemplos que têm sido dados não são de molde a entusiasmar os que não sentiram na pela o que foi o despotismo e, ao contrário da opinião que já expressei neste blogue, da necessidade imperiosas de ser criada nas escolas primárias (insisto na expressão) uma classe de “prática democrática”, que é particularmente o saber ouvir e o de não querer ser sempre o dono da razão – como José Sócrates faz no sua actuação governativa -, o comportamento dos políticos em exercício só exemplifica o inverso do que deve ser um País que respeita todas as regras da livre opinião.
Quem me dera que, enquanto por cá ando e já que conheci profundamente o que foi uma ditadura, na minha profissão de jornalista, a esperança de ver Portugal encontrar o caminho certo e os escolhidos para o poder fossem capazes de reconhecer os erros, quando os praticam – porque são seres humanos -, não venha a surgir qualquer revolta que leve a que um regime de força se aproveite dos disparates dos governantes que temos e se implante neste extremo de terra à beira-mar plantada.
E as dívidas que há para pagar no futuro, próximo e mais longínquo, com os cortes severíssimos que há que fazer já amanhã (nas reformas, por exemplo), poderão constituir o motivo para que se criem as condições para voltar a suceder o que já cá tivemos… e aí é que a Europa nos poderia, de facto, prestar a ajuda que nos salvaria dessa catástrofe.
Eu já nem me atrevo a dizer nada!

sexta-feira, 5 de março de 2010

SER HUMANO

É triste, mas é verdade
mesmo com muita idade
a esfera onde vivemos
em que toda a fé que temos
nos leva a acreditar
no pouco que vai mudar,
é mistério o futuro
tudo para lá é escuro
só nos resta ir vivendo
gozando o que vamos tendo

Mas enquanto cá andamos
mesmo se muito falamos
vidas não vão melhorando
e se tal for assim, quando?
as guerras, essas não param
há sempre os que disparam
para matar do outro lado
os que têm o mau fado
de não estar no sítio certo
quer vivam longe ou perto
porque o que importa é ganhar
diz quem anda a matar
sem saber bem porquê
pois aquilo que se vê
é que o ser humano é mau
impiedoso em alto grau

Pode ser que isto mude
que surja outra atitude
e que algo de eficaz
traga ao mundo então a paz.
Pode ser, não acredito,
mas basta estar-se aflito
para surgir solução
e passar a ser irmão
quem antes se detestava
e o Homem que não amava
passa a ser melhor amigo
só p’ra fugir ao perigo.

Mesmo que seja a fingir
e tendo até que fugir
mais vale isso do que a guerra
pois o mal da nossa Terra
é sofrer de muita inveja
e nunca achar que sobeja
tudo aquilo que já tem
o Homem, filho da mãe…

E o mundo, esse avança
não pára e não descansa
até que em certa altura
se acaba a fartura,
a agua é bem escasso
o ar falta no espaço
a terra deixa de dar
de comer e até o mar
farto de se explorado
diz que peixe foi riscado
do mapa das iguarias
pertence às velharias
e que o Homem, inventor,
descobre que com pastilhas
se come como as ervilhas.

E o ser humano, então,
aprenderá a lição
de que o mundo encheu de mais
e que tais biliões, tais,
de gente que já não cabe
e rejeita que não sabe
que o fim é inevitável
e que pr’a ser habitável
vê que o caminho a seguir
é só o de reduzir
todos aqueles que sobram
e que, por estarem cá… cobram !




OS BLOGUES


COMPREENDO perfeitamente a relutância que mostram certos políticos em relação aos blogues e também, no que diz respeito aos jornais e alguns jovens jornalistas, que consideram ser uma concorrência desleal o utilizar-se os computadores para divulgar opiniões que poderão ser emitidas por qualquer um e por sua conta própria.
Eu, como antigo jornalista, na altura em que esta facilidade não existia, compreendo claramente tal oposição, pois que nas colunas dos periódicos é que se deveria, prioritariamente, dar mostras do que cada um pensa. Porém, com o avançar das tecnologias e com o declínio, que infelizmente se nota, na compra de publicações (e basta ver como, sobretudo nos diários, essa economia dos utilizadores é cada vez mais evidente), o recurso a este meio para não deixar que fique no íntimo de cada um, sobretudo se se tratam de pessoas que têm alguma facilidade em utilizar a escrita, tal atitude é bastante compreensível. Por outro lado, o público leitor que segue atentamente as colunas com colaborações jornalísticas, depara frequentemente com esses espaços ocupados por participantes que não mostram mérito especial, o que afasta logo às primeiras linhas, o seguimento dos assuntos apresentados. As escolhas, na verdade, não são as melhores e também aí são as conveniências que funcionam e não o espírito de cumprimento de uma direcção jornalística apurada.
No meu caso em que, para além de profissional da Imprensa, também a colaboração que prestei com colunas fixas em diferentes diários ocupou a minha atenção, adoptei agora este meio que, diariamente, relato o meu desassossego no que diz respeito ao que se passa no mundo em que nos encontramos e, particularmente, no País que é o nosso e em que, com grande tristeza, os assuntos a serem discutidos se encontram tão mal tratados e também, posto que cabe nesta altura a vez a serem outros os comentadores a ocupar as colunas nos mesmos periódicos onde colaborei, utilizo este meio do meu blogue que, por sinal, face às estatísticas que recebo periodicamente me dizem que existe ainda um bom número de leitores em permanente aumento a seguirem o que opino.
Francisco Pinto Balsemão que se situa na área dos profissionais dos jornais e revistas, especialmente como empresário, na intervenção que teve agora na Comissão da Ética, mostrou claramente que não é da sua preferência o uso dos blogues. E isso compreende-se perfeitamente, dada a sua ligação estreita com a vida do “Expresso” e de outras publicações. Se eu ainda tivesse algo a ver com as edições de que fui director, por exemplo o semanário “o País” além de outras, provavelmente não veria com bons olhos que fosse cada vez maior a expansão dos blogues, se bem que, tenho de dizê-lo, existem alguns que não valorizam em nada os que se empregam a fundo para que esta via tenha o mínimo de qualidade. Mas a vida é assim. O público leitor é quem escolhe e dá a sua preferência ao que mais se adapta aos seus gostos. Normalmente, no que diz respeito aos produtos jornalísticos, inclina-se mais para as publicações que assumem posições políticas da sua inclinação e esse mesmo público não é atraído por jornais que mostrem uma absoluta e rigorosa independência, como foi o caso de “o País”, ao longo dos seus dez anos de existência.
Pois aqui estou eu agora a defender essa total independência, muito embora não me escuse neste blogue a denunciar casos que merecem crítica severa, como é a situação que se dá nesta altura em relação ao primeiro-ministro de Portugal. Mantive-me, enquanto pude, em pura observação, para ver se a personagem em causa alterava o seu comportamento. Como isso não aconteceu nem se acredita que venha a suceder, então, a partir dessa convicção, não me foi possível dar cobertura favorável a quem está a fazer mal ao nosso País. E é tudo!

quinta-feira, 4 de março de 2010

ILUSÃO

Ter ilusão sempre ajuda
a vencer o dia-a-dia
ir pensando na taluda
provoca muita alegria

Viver uma vida inteira
a manter tais esperanças
é colocar feiticeira
num jardim só de crianças

Mas na falta de melhor
esperançoso ajuda
pois olhando ao redor

E vendo que nada muda
já serve seja o que for
esperança nos acuda

É T I C A ?


A AUDIÇÃO que ocorreu ontem, com Manuela Moura Guedes, a tão falada “locutora” – desculpem-me, mas é assim que eu ainda classifico os intervenientes das notícias nas televisões -, em que foi-lhe dada a palavra para esclarecer quanto aos diversos temas que lhe foram apresentadas pelos representantes partidários na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura (que nome mais estranho!) e em que lhe foi dado tempo para se explicar com clareza, devo confessar que esse acto me provocou o maior fastio e enorme convicção de que, quer de um lado quer do outro, de quem pergunta e de quem responde, o sentido de utilidade em esclarecer andou muito longe de um objectivo que deveria estar sempre presente nessa mesma Comissão.
As perguntas feitas, longas, mastigadas, empasteladas, não transmitiram aos espectadores, portanto aos portugueses, uma preocupação em aclarar o que andará confuso na cabeças dos interessados em conhecer o que ocorre cá pelo País e, em vias disso, pôr ponto final nas barafundas que se verificam na governação, sobretudo no que diz respeito ao tema do “Jornal de Sexta-feira”, em que Manuela Moura Guedes foi a protagonista de todo o “drama” ocorrido e que meteu também os espanhóis da Prisa no capítulo da interferência nas acções tomadas quanto à mudança de atitude nas notícias que aquela estação televisiva, a TVI, transmitia.
Mas, no que se refere às resposta dadas por Manuela Moura Guedes, também elas se situaram no campo da confusão e do recalcamento das mesmas expressões, da repetição do antes dito, da introdução de casos que nada tinham a ver com o assunto que ali era preciso deixar esclarecido. Foi um enfastiamento que, sobretudo para os mais atentos e muito interessados em tirar dúvidas, entristeceu bastante, dando prova de que há, entre mesmo gente que tem obrigação de ser clara, até pela profissão que exercem, não se verifica a simplicidade de expressão e, antes pelo contrário, o que ocorre é uma dificuldade bem visível de utilizar a nossa língua, com vocábulos apropriados e deixando de lado os “embrulhos”, agora tanto na moda, que só castigam os ouvidos de quem pretende ser esclarecido.
Eu, por mim, só posso acrescentar o que já disse na altura própria: os jornalistas de agora, os que não tiveram ocasião de aprender antes com verdadeiros mestres da profissão – o que aconteceu comigo com o grande professor que foi Norberto Lopes, que me disse em diferentes ocasiões que “os jornalistas quando entrevistam não expressam a sua opinião, por mais em desacordo que estejam com os entrevistados, nem comentam, apenas colocam as questões e podem complicar com novas perguntas para tentar conseguir o maior esclarecimento possível” -, essa classe de jornalismo não entende hoje que este princípio não pode nem deve ser violado. E com isto digo tudo!
Claro que José Sócrates merece e precisa de ser apontado e criticado abertamente. É um princípio da Democracia. Para isso existem os comentadores, os editoriais e outros modos de expressar opiniões. Mas nunca em entrevistas.
Só que hoje, infelizmente, os profissionais dessa difícil actividade, o que pretendem é salientar-se e pôr-se em bicos de pés. Eu, como sou do tempo em que os nomes dos profissionais dos jornais, das rádios e depois televisões, nem sequer eram conhecidos, reajo mal a quem desconhece este princípio. E, no caso de Manuela Moura Guedes, não posso concordar com a sua actuação como “jornalista”, o que não quer dizer que esteja de acordo com o comportamentoJosé Sócrates. Isso é que não!

quarta-feira, 3 de março de 2010

DIREITOS E DEVERES

O Homem tem seus direitos
os gregos foram primeiros
e a Demo com seus defeitos
teve aí os seus obreiros

Os romanos se seguiram
as Doze Tábuas criaram
mas os plebeus não se riram
longe dos nobres ficaram

A Revolução Francesa
fez algo p’lo cidadão
trouxe alguma firmeza
na sua Declaração

Mas só a França lucrou
a Europa estava fora
e o mundo nem se atinou
com tais sinais de aurora

Foi precisa uma guerra
que espalhou p’lo Universo
malefícios de quem erra
mostram o Homem perverso

No fim as Nações Unidas
lá do Homem se lembraram
p’ra tapar muitas feridas
a Declaração criaram

A segunda, a que existe
extensiva a todo o mundo
mantendo o dedo em riste
mas pouco eficaz no fundo

Muçulmanos, por exemplo
tolerância não conhecem
e mesmo crentes no templo
as mulheres só obedecem

Respeitar opiniões
é coisa que não aceitam
provocando explosões
aos que no Islão rejeitam

Porém há tantos que tais
que aos outros não dão direitos
e mandando querem mais
julgando-se até perfeitos

Pois todas as ditaduras
de quaisquer ideologias
têm as mesmas posturas
de severas tutorias

Mas de direitos falando
úteis p’ra todos os seres
é bom não ir olvidando
que também há os deveres

Uns e outros são irmãos
até gémeos por sinal
e todos os cidadãos
devem ter esse ideal

Direitos têm de haver
essa regra é de ouro
mas deveres não esquecer
fazem parte do tesouro

Nunca é demais lembrar
quem os direitos quer ter
que os deveres têm de estar
ao lado de cada ser

DINHEIRO SEM PÁTRIA


ESTÁ MAIS QUE DITA esta frase que vem de longe: o dinheiro não tem pátria. E, cada dia que passa, sobretudo nesta época em que os capitais circulam livremente, através desses circuitos denominados como paraísos fiscais, os “offshores”, se confirma que não existem impedimentos para que os investimentos, sobretudo em produtos financeiros atinjam montantes não previstos em tempos atrás. A fuga de poupanças portuguesas para esses tais “paraísos” ascendeu a 12,6 mil milhões de euros em 2009, o que significa cerca de 44% superior ao registado no ano anterior, representando tal montante a possibilidade de ter a fuga aos impostos a razão principal de tais movimentações. Por outro lado, se esse montante tivesse sido aplicado em operações económicas, industrias e comerciais do nosso País, teria sido uma enorme ajuda para o relançamento da nossa situação económica.
Mas não vale a pena chorarmos o que poderia ter sido feito e não foi, pois quem dispõe de fundos que se encontram livres de aplicações e, de uma forma geral, não se dispõe a aplicá-los em benefício deste nosso País que atravessa um período de enormes dificuldades, mas sim em lugares que prestem todas as garantias de permanecerem seguros de não serem utilizados em fins que, como sucedeu com os bancos que não devolvem aos “depositantes” as quantia lá colocadas, e em que estes se defrontam agora com situações verdadeiramente calamitosas, esses investidores só têm que reflectir se lhes interessa ou não ajudar Portugal ou preferem cuidar a todo o custo dos seus interesses pessoais.
Porém, o que caberia aos governantes fazer era criar as condições e divulgá-las abertamente de que a aplicação dos dinheiros guardados e sem aplicação poderiam ser utilizados em fundos de garantia absoluta, tanto quanto ao juro como no que respeita à segurança. Se o Estado precisa de recorrer a empréstimos estrangeiros para suportar os encargos que tem de enfrentar, pagando juros que até aumentaram recentemente, dada a descida de confiança que é resultante da actuação do Executivo que temos, então bem poderia estimular os portugueses poupados para não se servirem dos “offshores”, mas deslocando-se apenas à Caixa Geral de Depósitos mais próxima e ficarem sossegados de que não se trataria de um dinheiro mal aplicado.
Se Basílio Horta, presidente do AICEP, anda a clamar que “seria mais fácil atrair investimento se a Justiça fosse melhor”, como quem diz que a imagem que Portugal transmite para o estrangeiro não ajuda a que capitais de fora se instalem em Portugal. Mas, quanto às funções que o AICEP exerce, e em relação às quais sempre fui muito exigente e não só pelo elevado custo deste departamento que possui escritórios em diversos pontos do mundo, mas sobretudo por é nestas mãos que se encontra a nossa possibilidade de exportar produtos nacionais e de atrair investimentos estrangeiros, neste aspecto há muito a dizer e haveria, por parte do primeiro-ministro, a obrigação de prestar a maior atenção a tão importante sector.
Isto é uma “descoberta” de alguém com enorme imaginação? É evidente que não. Trata-se apenas de uma atitude que não sai da cabeça dos governantes, que esses, coitados, andam preocupados com outros problemas, os das difamações, os da defesa da sua honra e, claro, com as viagens, que essas gozam-se e já ninguém as tira, mesmo se o Executivo for à sua vida!

terça-feira, 2 de março de 2010

QUANTOS

Não é fácil ir contando
o que na vida fizemos
e se vai avolumando
e chega a atingir extremos

Daquilo que desistimos
os erros que cometemos
até o que conseguimos
e aquilo que não demos

Felicidade perdida
quantos amigos morreram
o que ficou nesta vida

Quanto outros perderam
por falta de acolhida
que de nós não receberam


HÁ MALES....



HÁ QUE DIZÊ-LO, sem medo de sermos olhados como lamechas, pois se apontamos os erros que transportamos desde a nossa nascença como povo, também as virtudes, que nos acompanham ao longo de igual período, essas saltam à vista cada vez que as oportunidades se nos deparam, embora em menor quantidade. Também, se fossem apenas de defeitos as nossas características, mais valia que mudássemos quanto antes de nacionalidade, pois que as perspectivas de nos transformarmos em algo de útil para nós mesmos estariam definitivamente perdidas.
É certo que perdemos com bastante frequência todas as esperanças e nos entregamos ao desânimo que não nos ajuda a arregaçar as mangas e a darmos a tal volta por cima, mas, quando menos esperamos, um acontecimento inesperado transforma-nos em gente igual às outras, tão boa e tão má como a que existe por esse mundo fora e, de certa maneira, até com algumas qualidades que nos distinguem para melhor.
Então não foi isso que se passou com o desastre que deixou a Ilha da Madeira numa situação que nos atingiu a todos, aqui no Continente, de lágrima ao canto do olho e com o maior desejo de ajudar os que tanto precisam do nosso auxílio? E, no que respeita aos próprios habitantes das zonas madeirense que foram atingidas drasticamente pelo excesso de água que ali se verificou, não foi revelada uma actuação que nos tem de deixar a todos nós, portugueses, deslumbrados com a capacidade de trabalho e de recuperação do muito destruído que foram mostradas pelos que viram as suas casas afundadas, os seus negócios destroçados e até as vidas de parentes e amigos perdidas?
Pois, é neste modesto blogue que eu entendo dever fazer o meu acto de contrição no que respeita às críticas que deixo expressas sempre que, não conformado, tenho de chamar a atenção dos que nos governam e dos que são governados para os maus caminhos que são percorridos. Reconheço que, nessas ocasiões, não escondo a minha indignação, sobretudo quando existem formas de solucionar os problemas e não se vê que alguém, os que mandam e os que obedecem, faça o mínimo de esforço para melhorar o que está mal.
E agora? Nesta ocasião tão especial? Não é verdade que servimos de exemplo com a actuação que se verifica na nossa querida Madeira?
Pois, foi necessário acontecer uma desgraça para até podermos ter assistido a um Alberto João Jardim a redimir-se da sua linguagem e da sua sempre continuada posição de reclamante em relação ao que é decido no Governo da República, como ele tantas vezes diz. E apareceu uma pessoa normal, procurando encaixar-se no consenso, pondo de lado quezílias políticas e pessoais, dando as mãos ao conjunto de País que somos e sem espírito separatistas.
Há males que vêm por bem, é o apanágio popular que, também este tem aplicação na altura em que é relembrado. Pois sendo assim, talvez tenha surgido o momento para que todos nós, os que governam e os outros, tenhamos capacidade para fazer como os madeirenses e empregar todos os esforços ao nosso alcance para sairmos desta tempestade em que temos vivido. Há que lavar as ruas, reconstruir o destruído, emendar os erros feitos, tudo isso, mas, sobretudo, pôr a cabeça em ordem…

segunda-feira, 1 de março de 2010

BONITA BURRA

Grandes olhos
bem expressivos
simpatia, essa aos molhos
em momentos bem furtivos
ancas firmes reboludas
peitos de frango encorpado
sem necessidade de ajudas
pernas altas, bem formadas
cintura de bailarina
andar de gazela airosa
boca rasgada, bem fina
dentes de pedra preciosa
mãos fluentes, expressivas
quais belas pombas voando
mostrando que são activas
de tudo não destoando
bracinhos bem torneados
essa é ela, a beleza
o que deixa extasiados
e sem perder a firmeza
homens, mulheres e quem for
sem gostar
ou com amor
calada
firme
esticada
ainda há quem o afirme
é um prazer para a vista
e fica bem no retrato
qual obra de grande artista
de olhar não se fica farto.
Porém
mal deixa sair da boca
seja o que for para além
mesmo que seja pouca
qualquer palavra que seja
aí, beleza que foste
tudo de mais sobeja
nem m’encostando a um poste
aguento ter de ouvir
cada palavra um erro
cada som de afligir
toda tu és um berro
misturado com gemidos
que saem em vez de voz
parecida com balidos
que só podem causar dós

Chego assim à conclusão
que mais vale mulher feia
deselegante, podão
gorda que nem baleia
mas que como companhia
seja um grande consolo
que nos encha de alegria
de cabeça com miolo
se a vista não se regala
ao menos enche os ouvidos
e a alma se exala
e afasta pr’os olvidos
as desgraças desta vida

Melhor que lindo e brilhante
um bom feio deslumbrante

PEC - A SALVAÇÃO?



ESSE PEC – Programa de Estabilidade e Crescimento, que o Governo anda a anunciar há já um certo tempo que vai dar a conhecer aos portugueses, parece que vai incluir um corte em toda a despesa pública, incluindo gastos nos investimentos, nos salários e prestações sociais e, provavelmente, em muitos outros sectores que poderão suportar tais reduções. O ministro Teixeira dos Santos tem atrasado bastante a conclusão desse documento e por isso o segredo mentem-se até ao dia em que não puder ocultar mais o que, provavelmente, que lhe vai proporcionar grandes críticas. É natural.
Não se conhecendo ainda o teor do tal PEC, mas podendo-se antever que se deve tratar de algo que tem de causar preocupações por não poder apresentar-se como um documento simpático, que cairá no agrado de toda a nossa população, o que se espera é que a selecção do imprescindível do não urgente seja levada em conta com afinado sentido de responsabilidade, pois o que se tem observado no decorrer da acção deste Governo, agora na fase actual mas já antes, quando detinha a maioria absoluta, é que, quer na sede governamental quer nas múltiplas dependências dos dinheiros do Estado, incluindo as Câmaras Municipais, essa escolha do urgente tem sido muito confundida com apetites de outra ordem que, no fundo, fazem despender muitas verbas que poderiam aguardar por melhor altura para serem efectuadas.
Eu tenho, aqui neste meu blogue, pois continuo a considerá-lo como de utilidade no sentido de deixar expressa a opinião de um cidadãos que, pelo seu passado, tem obrigação de não ficar indiferente aos erros – na minha opinião pessoa, está bem de ver – tenho denunciado muitas atitudes políticas que merecem ser apontadas, para que a História do futuro, quando forem relatados todos os passos dados por esta geração de políticos, não caiam no esquecimento e possam ser encontrados os culpados de terem conduzido Portugal ao estado em que ele se encontra agora e, quem sabe, de como ficará amanhã.
A minha opinião julgo que não deixa dúvidas a ninguém de que, independentemente da tal crise mundial que causou e causa prejuízos económicos e sociais em muita partes do Globo, por cá poderíamos ter actuado com mais cautela e antecipando-nos, pelos exemplos vindo de fora, de nos atolarmos em dívidas só para darmos mostras de que somos muito activos e enérgicos e de que temos uma visão antecipada das necessidades não adiáveis, como o aeroporto, as auto-estradas, o TGV e todos gastos exagerados que havia que deixar para outra ocasião mais propícia.
E é isto que eu não me canso de repetir. E se tivesse havido alguém no Governo que mostrasse o mesmo espírito de escolha das prioridades dentro dos fundos disponíveis, nesta altura não estaríamos a elaborar PRECs com as características de retirada de regalias existentes, suponho eu, e que não se sabe quando poderão voltar a ser concedidas aos portugueses.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

SABER POUCO

Quanto mais nós aprendemos
se tomamos consciência
ver o pouco que sabemos
como anda longe a ciência
ignorância
abundância
o saber pouco é melhor
não nos deixa entender
não põe ao nosso dispor
o comparar para ver

Por isso o não aspirar
a ser o mais sabedor
é deixar-se só ficar
no seu próprio corredor
paciência
sem ciência
a não ser sábio aspirar
que outros o queiram ser
p’ra depois não suspirar
ou ter de se arrepender

Saber só quanto baste
ficar-se no mediano
p’ra não servir de contraste
e não sentir-se ufano
modéstia
sem moléstia
se não sabe pois não fale
que o ouvir é o melhor
ninguém diga que se cale
antes mereça louvor

TERRAMOTOS, CHEIAS, TSUNAMIS


HOJE, domingo, com a notícia acabada de chegar do terramoto ocorrido no Chile, a sete dias apenas das derrocadas monstruosas na Ilha da Madeira e ainda mantendo na memória o acontecimento dramático no Haiti, a pergunta que podará ser formulada no interior de cada cidadão que não vive agarrado a uma crença religiosa é das razões de tamanha devastação, com imensas mortes, feridos, desalojados e prejuízos materiais de todas a ordem e de elevados custos.
Não sou eu que vou adiantar o que me salta à imaginação. Eu, que não sei nada e que mantenho constantes dúvidas, faço a tal interrogação mas não encontro resposta. E como não acredito em vinganças seja de que ser superior seja, pois o que aprendi em criança e que, apesar de tudo não desvio completamente do meu comportamento, é que quem manda acima do poder humano será um ser misericordioso, que tudo perdoa e ninguém castiga. Mas recordo-me também daquilo que nos diziam na nossa pequenez de que, pelo contrário, o Diabo, esse sim está sempre à espreita para aplicar a sua mão vingativa, e, metendo-me na pele da criança que ouviu estas “lições”, sou levado a não contrariar a ideia de que o comportamento que tem evidenciado o Homem por esse mundo fora, de há uns tempos a esta parte para cá, talvez justifique “um puxão de orelhas” que, infelizmente, se traduz nos enormes malefícios a que temos assistido e que castiga gente inocente a torto e a direito.
Mas, falando agora noutra vertente, acreditando que a própria Natureza que, sem consciência dos desastres que ocasiona, de vez em quando desperta as suas fúrias, quer por excesso quer por falta, e, com chuva a mais, com frio demasiado, com calor que não se suporta, com tremores do sues intestinos e, pelo contrário, com falta disso tudo, faz lembrar o Homem de que não pode nem deve andar distraído com as precauções que é forçoso tomar para prevenir com tempo, em vez de remediar quando já é tarde para acudir.
E esses descalabros sucedem-se de tempos a tempos, às vezes com intervalos grandes, só que o ser humano, confiante e preguiçoso como é, cuida de muita coisa, moderniza-se sem descanso, inventa a cada passo, só que não faz o essencial e que é o cuidar de não dar cabo do mundo em que vive, de não exceder o espaço que lhe é concedido, não o sujar sem se importar com o amanhã, e quando sucedem os inesperados é que admite que deveria ter-se defendido das consequências da sua própria falta de acautelamento em relação ao futuro.
E por aí iremos, sempre iguais, aumentando as populações em números assustadores, alargando cada vez mais a ocupação de espaços que deveriam ser resguardados, e só chorando as consequências quando somos apanhados de surpresa.
Não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Isto tudo vai continuar assim!...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

REVOLTA

Que revolta
desconsolo
ansiedade
bem queria dar a volta
e ir até ao miolo
da minha obscuridade

Verdade
mistérios
respostas claras
estou pleno de vontade
que me mostrem factos sérios
sem inventos e sem taras

A suceder
a dar-se
ter fé como crentes
não terei o que temer
que usar qualquer disfarce
para me mostrar às gentes

Séculos passados
dois mil anos foram
sem provar
nem fanáticos nem letrados
nem aqueles que tanto oram
no que eu quero acreditar

Ter fé é preciso
querer saber
respostas das questões
terei de perder o siso
basta entregar-me ao crer
sem pôr quaisquer condições

Triste ignorância
querer aprender
com independência
só me restará a ânsia
de ir sem satisfazer
tão grande impaciência

Sacanices
e invejas
grandes perseguições
um mundo de aldrabices
só beatas nas igrejas
o perdão com confissões

É o céu
e o inferno
bondade e Satanás
desconfiam do ateu
e até o próprio Governo
não quer fazer marcha atrás

Ser sério,
honesto
frontal
não aceitar o mistério
há que não dar o pretexto
de sem saber dizer mal

Será assim
vida fora
sempre igual
pergunto à volta e a mim
mas não sei aonde mora
quem me dê algum sinal

Por isso
contrariado
temente
fechado no meu ouriço
sem fé e amargurado
não sinto o que outrem sente

No Além
fora do mundo
ali
será que haverá alguém
que me faça ver bem fundo
aquilo que nunca vi ?

CARROS PARA AS EXCELÊNCIAS



COM TANTA conversa fiada de que é forçoso reduzir as despesas públicas, andando o primeiro-ministro a apregoar os seus feitos dando a ideia do atleta que chega em último lugar mas que sente a satisfação do vencedor, nós, os que nos encontramos apenas na posição de espectadores, sem podermos interferir na acção do Governo, o que nos resta é, em vez de nos conformarmos com as gabarolices de Sócrates, tentarmos dar mostras das razões que nos assistem ainda que o nosso desassossego não alcance os objectivos de fazer os governantes enfrentarem as realidades. E, se houver quem oiça e raciocine quanto à possibilidade de existir alguma razão por parte dos que não concordam com as medidas que têm sido tomadas por aqueles que possuem nas mãos as rédeas do poder, então sempre valerá a pena ir insistindo enquanto, pelo menos, ainda houver tempo para a frente que chegue para actuar.
Eu sou daqueles que considera que ainda existe uma larga margem de manobra para se reduzirem substancialmente os gastos do Estado e, por outro lado, também se encontram algumas formas de aumentar o activo que permita resultar em ingressos monetários de grande utilidade para fazer frente às exigências mais urgentes e depois de bem seleccionadas. Refiro-me, por exemplo, aos carros que a Segurança Social penhora e que, desde Janeiro, segundo notícia publicada, este ano, desde Janeiro, atingiu o número de 2.000 viaturas. E, sendo evidente que se trata de uma operação dolorosa, pois refere-se a cobranças violentas de dívidas ao fisco, se esse passo tem de ser dado, então que o objectivo final seja cumprido: o de reverter para o Estado o valor em dinheiro dessa acção.
A pergunta que há que fazer é qual o destino e em que espaço de tempo é que as entidades oficiais transformam em atitude prática as medidas em causa. Quer dizer, essas viaturas são, por exemplo, postas ao serviço de departamentos estatais e no mais curto espaço de tempo, de forma a não se desvalorizarem pela antiguidade? Evitam-se, com tais medidas, as compras de automóveis novos para os serviços oficiais, sabendo-se, como se sabe, que muitos chefes de departamentos e até mesmo gestores de empresas públicas adquirem à vontade carros novos logo que acham que os que estão ao seu serviço já não correspondem ao nível social que atribuem a si próprios?
E, no que respeita a toda a enormidade de carros que, segundo se sabe, entram na posse das autoridades, seja pelas mesmas razões fiscais seja porque são confiscadas por outros motivos, como roubos e outras causas, onde vão parar tais viaturas? Com tanta matéria jornalística que este assunto daria, onde estão esses profissionais da investigação para a notícia que perde tempo com matérias fúteis, em lugar de prestar atenção ao que nos interessa verdadeiramente?
Confirmo, de novo, aquilo que tenho proclamado em escritos vários: o que deveria existir no esquema administrativo do Estado era um serviço de compra, manutenção e facilitação de viaturas, sempre que requisitadas para cada actuação, saindo o carro que fosse e o motorista que estivesse disponível na altura, para recolher de novo à garagem e ficando disponível para atender ao pedido seguinte, desde que devidamente justificado. Assim, sim, se poupavam compras desnecessárias de automóveis, bastantes dos quais se encontram estacionados à porta dos utilizadores que, com excepção dos ministros e secretários de Estado, desde Directores-gerais e daí para baixo não deveriam ser carros e os motoristas respectivos exclusivamente aos serviço de um única individualidade.
É doloroso, para quem tem gozado, até hoje, das benesses de ter o “seu” carro e o “seu” motorista parado todo o dia à porta da sua repartição. Mas, que querem? Então não estamos em plena crise e não temos também todos de nos sacrificar para não vermos Portugal seguir o caminho da Grécia?E não digo mais nada. Estou farto de pregar aos peixes

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

CONFISSÃO

Dizer a outro, em segredo
o mal que tenhamos feito
confessar
libertar
fazê-lo até com medo
mostrando o que é defeito

Fazendo-o na sacristia
também no confessionário
recolhido
escondido
para alguns é agonia
será até um calvário

Mas com a fé a mandar
no dizer de quem confessa
liberta-se
desperta-se
pode outra vez começar
quanto ao mau de trás esqueça

Dessa forma a consciência
volta a dormir descansada
liberta
aberta
p’ra dar nova sequência
a seguinte caminhada

Já livre então dos pecados
tranquilo fica o crente
ar puro
passado o muro
malefícios perdoados
só há que seguir em frente

É assim o ser humano
Dizer a outro, em segredo
o mal que tenhamos feito
confessar
libertar
fazê-lo até com medo
mostrando o que é defeito

Fazendo-o na sacristia
também no confessionário
recolhido
escondido
para alguns é agonia
será até um calvário

Mas com a fé a mandar
no dizer de quem confessa
liberta-se
desperta-se
pode outra vez começar
quanto ao mau de trás esqueça

Dessa forma a consciência
volta a dormir descansada
liberta
aberta
p’ra dar nova sequência
a seguinte caminhada

á livre então dos pecados
tranquilo fica o crente
ar puro
passado o muro
malefícios perdoados
só há que seguir em frente

É assim o ser humano
inventa religiões
esperteza
ardileza
como uma nódoa no pano
tudo sai com esfregões

Quem não crê que por contar
lá vem perdão para asneiras
realista
ateísta
será até acabar
portador dessas besteiras

E se for homem de bem
dos seus erros consciente
pensador
com rigor
para sempre lá retém
e paga por não ser crente

inventa religiões
esperteza
ardileza
como uma nódoa no pano
tudo sai com esfregões

Quem não crê que por contar
lá vem perdão para asneiras
realista
ateísta
será até acabar
portador dessas besteiras

E se for homem de bem
dos seus erros consciente
pensador
com rigor
para sempre lá retém
e paga por não ser crente







AH! SE EU FOSSE!...


SE EU FOSSE – salvo seja! – o José Sócrates e me encontrasse na posição dele, com a imagem tão pouco apetecida que ele transporta, tenho até a sensação de que nunca teria chegado ao extremo em que ele se encontra, nesta altura tão difícil de ultrapassar julgo que conseguiria dar a volta e mudar a opinião que os portugueses, em grande número, mantêm do primeiro-ministro. Sem pretensões de querer ser exemplar, atrevo-me a expor a minha ideia. Aqui vai:
A primeira atitude que tomaria, mas com uma declaração prévia para não deixar possibilidades de ser explorada a mudança de que daria mostras e que, logo no início do actual Executivo, serviu bastante para tema de comentários dos observadores e dos jornalistas, em que nessa “fala” aos portugueses me abriria, com o ar da maior modéstia possível, mesmo que tivesse que ensaiar com especialistas essa minha nova imagem. E aí, tiraria todas as dúvidas, com uma confissão aberta de que o meu novo comportamento era fruto da necessidade imperiosa do País fazer todos os esforços que estivessem ao alcance dos portugueses e eu, como natural desta Terra, não pretendia fugir a tal sacrifício que, na minha situação, era o de passar a actuar de forma diferente daquilo que a minha convicção tinha imposto ao longo do comando do Governo actual e do anterior, não escondendo, no entanto, que essa mudança não tinha outro significado que não fosse esse de pôr os interesses de Portugal acima da minha forma de governar.
Com esta declaração, seguramente os portugueses, dentro do seu feitio de perdoar e de considerar que os que morrem “no fundo não eram más pessoas”, fariam as pazes com o seu governante e passariam a suportar de melhor maneira as decisões que saíssem de S. Bento. Sendo que, era chegada a altura de manter um diálogo permanente com os cidadãos e cada medida que adoptasse teria de ser bem explicada, com os prós e os contras, e com a declaração que estaria aberto a todas as propostas que surgissem e que fossem melhores do que as que tinha adoptado.
Claro que esta actuação democrática levada ao cúmulo da sua aplicação, tem, na prática, um aspecto quase ridículo. E seria. Mas, tendo atingido a imagem de Sócrates um nível de não aceitação que dá ideia de ser irrecuperável o suportar-se tal político, face ao complicado que se apresenta o panorama económico, financeiro e social do nosso País que não resistirá a umas eleições nos próximos tempos mais chegados, somente uma actuação de recurso, um remendo bem à portuguesa, seria capaz de produzir o “milagre” de ser mostrado um Sócrates com completa e total aceitação por parte da maioria dos portugueses, ao ponto de aceitarem todos os grandes sacrifícios que têm que4 ser rogados para que, sem necessidade de mudança de Governo nesta altura, possamos fazer frente á crise e sair dela de cabeça levantada.
Como vêem, também sou capaz de recorrer a um optimismo desmedido para encontrar formas de puxar para cima um barco que se encontra em v ias de afundamento.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

HARMONIA

Quem sou eu ? Pergunto todos os dias
que faço aqui, que posso acrescentar
Que ganha a terra e que bem pr’ó mar
Com o que são as minha energias?

Se nada trago, se sou só mais um
Apenas números faço mover
Teria valido a pena nascer?
Digo que não como homem comum

Se queria saber mais e não sei
Se gostava ter um dom e não tenho
Se para muito me falta o engenho
Pr’a quê acabar o que comecei

Só vejo em mim algo de perfeito
Que não adianta mas não atrasa
Que não tem nada de golpe de asa
Mas, isso sim, não esconde o defeito

A coragem de dizer o que sinto
De expressar o que me vai na alma
De ser tão sincero, o que me acalma
Mas pelo menos não dizem que minto

Se na pintura me atrevo tanto
E a escrever vou por mares revoltos
Embrenhando-me nos versos bem soltos
Assim vou ao encontro do quebranto

Mas não, porque é a música que falta
Porque é a harmonia dos sons
E a delícia encantada dos tons
Que é do resto o que mais me exalta

Trocava tudo pela melodia
E deixava de lado a pintura
A música, essa sim, quando é pura
É também ela grande poesia

Mas, se tivesse andado em sinfonia
Em vez de me arrastar pela escrita
Como pela pintura, que desdita,
A vida me traria outra harmonia

Mas como não atingi tal desejo
Fico-me com o que me deu a sorte
Pois o que tenho certa é a morte
E o resto só lastimo e só invejo


A ENTREVISTA


APESAR dos desconsolos que nos atormentam, sempre que parece surgir uma ocasião para alterarmos a tristeza que nos invade todos os dias, agarramo-la com unhas e dentes e procuramos que esteja ali a solução para os males que nos atormentam no nosso País, que é o que sentimos na pele, muito embora não estejamos indiferentes ao que se passa fora de portas. Só que as comparações não servem rigorosamente para nada, como é uso e costume José Sócrates fazer, para tentar defender-se de que os outros também sofrem com a crise.
Agora, segundo foi divulgado, o Governo quer garantir a Bruxelas, através do seu Programa de Estabilidade e Crescimento, que os impostos não serão aumentados até 2013. O que quer dizer que a equipa socratiana não pára de lançar achas de boas perspectivas para o futuro, procurando esconder as realidades com pinceladas cor de rosa, dentro de um espírito que não sei se se filia no princípio de que o importante é iludir a realidade e manter o povo com algum ânimo para se queixar pouco.
A minha opinião não é essa, como tenho afirmado repetidamente, pois entendo que o prevenir é melhor do que o remediar e se os portugueses forem informados da verdade, estarão mais bem preparados para os acontecimentos que podem surgir a seguir e esses não apontam para uma tranquilidade porque o pior já passou – dizem os optimistas.
Pois causou uma certa ânsia ver e ouvir na televisão o que iria ser mostrado na entrevista que Sócrates deu a Miguel Sousa Tavares. Conhecendo-se o feitio forte do escritor, eu, pelo menos, previ que se iria assistir a uma questionário que não daria ocasião ao primeiro-ministro de fugir a respostas claras, sem aproveitar mais essa oportunidade para fazer propaganda da boa execução do seu mandato e apontando erros aos outros, que esses, sim, não serão capazes de fazer melhor do que ele. E acabou, por fim, por suceder isso mesmo.
Bem sei que o Miguel não tem experiência de jornalista (e, por um lado ainda bem), mas mesmo assim, tendo feito seguramente o trabalho de casa, deveria estar prevenido para as habilidosas fugas do seu entrevistado e interrompendo-o sempre que as respostas que eram dadas não se limitavam a esclarecer o conteúdo de cada questão. E, sobretudo, deveria ter feito, perante as câmaras e antes do início da entrevista, a advertência a Sócrates de que os portugueses estavam ansiosos por ser informados com clareza e não com argumentos que estão fartos de ouvir.
Dentro deste princípio, havia que apresentar situações que necessitavam, muitas delas apenas um sim ou um não, por muito difícil que seja, em determinadas perguntas não acrescentar algum esclarecimento. Mas reduzido. Porque é aí que Sócrates aproveita para meter as suas considerações propagandísticas que desvirtuam a importância de se ficar a saber a realidade.
Ora, foi isso precisamente que sucedeu no espectáculo que Sousa Tavares apresentou na sua estreia com o referido programa. Ter ido José Sócrates para esclarecer os portugueses sobre a sua actuação, face aos acontecimentos que o têm denegrido aos olhos dos portugueses, ou não ter lá aparecido, foi a mesma coisa. Portugal se tinha uma opinião quanto ao chefe de Governo que está actualmente nas suas funções, manteve-a. Se era má, não a melhorou. Se era de confiança, então conservou-a.
Para quê, portanto, andar a esconder o que tanta gente antevê? Não é que já saiu a notícia de que a idade da reforma vai passar para os 67 anos? Isso, apesar de haver ainda muita gente que se habilita a deixar de trabalhar aos 50 e poucos anos! E as reformas? Ninguém, no Governo quer falar nisso?
Eu, que tenho sido acusado de ter razão antes de tempo, não o faço por puro prazer, antes pelo contrário. Leiam o meu blogue de datas atrasadas e logo verão o que o que antevejo. E não tenho pretensões de ser bruxo!...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

É A HORA!

Já Pessoa alto gritava
Sua Mensagem divina
Que esta Pátria mal andava
Que navegava à bolina
Sujeita a toda a rapina
De quem bem se colocava

É a hora, dizia ele
P’ra sair do nevoeiro
Surgir a força que impele
Em momento derradeiro
Que transforma o fel em mel
E que venha um novo obreiro

Mas atenção, olho alerta
Que seja alguém desta terra
Que não tenha ordem por certa
Que fuja de qualquer guerra
Sendo denso o nevoeiro
Liberdade por inteiro
É sempre janela aberta

Se Pessoa ‘inda existisse
Cantando a sua “É a Hora”
Diria o que então não disse
Deitava p’la boca fora
Que em lugar de um Bandarra
De alguém com força e mão dura
Seja quem com uma fanfarra
Toque contra a ditadura

Outro rei Sebastião
Mas sem ares de salvador
E com determinação
Que se empenhe com rigor
Na governação do País
É o que se espera afinal
Para um futuro feliz
Desta Pátria: Portugal

APROVEITEM ENQUANTO HÁ!


EU JÁ DEVERIA ter entendido que não vale a pena prosseguir nesta senda de insubmissão quanto ao que ocorre errado no nosso País, pois não é por expressar para o exterior o que me vai no íntimo que se conseguem obter resultados positivos que provoquem uma reviravolta nos procedimentos dos portugueses, incluindo, claro está, os que têm a seu cargo a condução da vida nacional. Mas, que querem que eu faça? Não me sai do hábito que vem de trás, da minha antiga profissão de jornalista, esta espécie de vício que me leva a servir-me da escrita para dar mostras do meu direito à indignação. Não serve para nada, mas não me podem acusar de ser um insatisfeito mudo.
Aqui vai, pois, mais uma: eu tinha alguma consideração longínqua por esse homem que tem dedicado grande parte da sua actividade à Câmara Municipal de Lisboa, Refiro-me a José Sá Fernandes. Parecia que se tratava de alguém que, pondo de parte interesses pessoais, estava disposto a lutar para que as coisas tortas dentro do Município lisboeta corressem com a maior limpeza possível, pelo que as suas denúncias de alguns casos deixavam essa ideia. Mas vejam lá como são as coisas, é que sendo um português como todos nós, afinal o que parecia não correspondia à realidade, isto se se levar em conta um mail que chegou ao meu computador e que relata, com pormenores, que, afinal, não há grande diferença entre este “exemplar” e todos os outros que pululam por aí e que só se servem das regalias do Estado para obterem mordomias e posições chorudas.
Vejamos, então: esta figura recebe do orçamento da Câmara o simpático pagamento mensal de 20.880 euros. Mas não é só isso. Ao seu serviço no Município conta com nove assessores técnicos, uma secretária e um coordenador de gabinete, para além do motorista destinado ao cargo de vereador, de um outro motorista para o gabinete e de um contínuo… tudo a recibo verde!
Ora bem, este vereador que, por sinal não tem pelouro atribuído, é ele quem apadrinha os tais 9 assessores, alguns a tempo inteiro e outros com 50% de actividade, e em que os seus vencimentos andam na ordem dos 1.530 e dos 2.500 euros.
Este procedimento tem de nos levar a não conservar qualquer esperança de que consigamos assistir, na nossa existência, nós os que já não pertencemos à juventude, a um rejuvenescimento de Portugal em qualquer das suas vertentes principais, económica, política, financeira e, sobretudo, social, pois torna-se necessário mudar completamente de cidadãos para que outros que os substituam consigam impor alguma ordem moral e decência nos seus procedimentos, dando sobretudo o exemplo, que é o que tanta alta faz neste nosso espaço terrestre.
Como é que gente que anda a proclamar que é forçoso actuar com competência, com honestidade, com bom senso, tendo como ideal, acima de tudo, o País e não qualquer corrente política, como é que pessoas com tais características afinal não se diferenciam das outras que são só dão mostras de falta de qualidade e de ética para exerceram posições superiores?
Eu, por mim, não escondo e continuo a usar da sinceridade naquilo que expresso para afirmar que deixei, há muito tempo, de depositar confiança nos homens e que aqueles que cá temos não se preocupam já em esconder os seus defeitos. O que é preciso é aproveitar em pleno todos os benefícios que se consigam obter, não importando se se trata de alguma coisa que deixa más marcas no curriculum.
Claro, que eu também sou humano. Por isso, não me excluo da regra geral. E é isso que me preocupa seriamente.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CALADO

Ter que fazer
não ser capaz
nem querer morrer
sem deixar p’ra trás
obra aceitável
para recordar
ser memorável
não ser vulgar

Mas e o génio?
bem que o procuro
qual oxigénio
em túnel escuro
se não o alcanço
fica por fazer
não terei descanso
sem desfalecer
até conseguir
antes de partir

Só os papéis
manuscritos no café
esforços cruéis
de quem faz finca-pé
em não ser um qualquer
quem cá ficar que diga
o que lhe aprouver
pois ninguém é obrigado
a manter esta luta
e se calhar é calado
que é a melhor conduta
dizer alto é vergonha
de se ficar a saber
o que cada um sonha
e, sem o conseguir… morrer

CRISTIANAS NOTÍCIAS


A AUSÊNCIA de sentido de oportunidade, de respeito pelos acontecimentos sérios, até do mínimo de bom senso, essa característica anda à solta por este País e não é só nas cabeças dos governantes e do seu chefe que se pode apontar tal defeito, a própria comunicação social, alguma dela, perdeu completamente a noção do que são notícias sérias, boas ou más, das que devem chegar ao conhecimento dos leitores, ouvintes ou espectadores, ao ponto de dedicarem capas, páginas inteiras, títulos a toda a largura das folhas a assuntos que só servem para indignar ainda mais este povo que já está tão causticado e que merece um certo cuidado para não levar ao extremo a sua falta de capacidade para aguentar sucessivas dificuldades para conduzir a sua vida, mesmo mediana que seja, em Portugal. Eu, que na minha vida jornalística, aprendi com mestres de grandeza e ensinei depois aos meus redactores que não se pode perder o respeito pelos seguidores das notícias, transmitindo sempre o que havia para divulgar tendo em atenção o conjunto da situação do País – e,. nessa altura, a própria Censura se encarregava de usar o lápis azul para cortar o que lhe parecia poder criar situações difíceis no ambiente dos cidadãos -, obviamente que não tinha outro remédio que não fosse o de escolher entre a notícia importante e o vazio de conteúdo.
E porquê venho eu agora com este arrazoado? É que, no meio das maiores catástrofes por esse mundo fora, para não falar até da que ocorreu no Haiti e que entristeceu todo o mundo, o que se passou agora na Madeira, portanto em plena Terra lusitana, é tema para ser considerado prioritário em tudo que se transmite nos vários órgãos de Informação nacionais. Não pode haver outra coisa que seja mais importante nos nossos noticiários do que o que transformou a “Pérola do Atlântico” num mar de lodo, de ribeiras loucas a descarregar água pelas colinas abaixo e tudo isso com as consequências destruidoras que foram causadas pelas chuvas torrenciais que caíram na Ilha. Para além das mortes, dos feridos e dos inúmeros desalojados.
Mesmo assim, não pararem de surgir páginas inteiras dedicadas ao que o Cristiano Ronaldo compra, quem ele namora, o que ele faz na sua intimidade ou em plena praça pública, para além de enfastiar a repetição constitui até uma espécie de falta de assuntos importantes por parte de uma certa Imprensa. Eu sei que esse tipo de actuação cabe a um departamento tido como de “jornalismo social”, que eu pessoalmente nunca pratiquei, mas, mesmo assim, sempre há quem dirija tais folhas e deva ter a capacidade de orientar os seus redactores a variar de assunto.
Agora, numa fase de verdadeira crise, de desemprego aflitivo, de carências das famílias em suportar as despesas mensais, o ser dada espectacularmente a “notícia” de que Carlos Cruz comprou uma vivenda com piscina e tudo em Cascais, com a indicação de que a casa anterior era pequena, essa ofensa à maioria esmagadora dos portugueses não pode passar sem uma reprimenda, pelo menos neste meu blogue, já que, até agora, ainda não se notou qualquer tipo de cortes, por parte de quem seja, para impedir que se digam as coisas que apoquentam quem anda atento ao que ocorre em Portugal e não anda satisfeito com as atitudes de um certo número de portugueses.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

ÁGUA


Já cá estavas quando eu nasci
bebi-te ainda sem saber quem eras
terei gostado, sim, gostei deveras
matando a sede, por isso sorri

Ó água pura que ainda existes
nem nisso pensam as gentes de hoje
se algum dia esse bem nos foge
será então que ficamos mais tristes

E esse dia terá que chegar
mesmo dizendo não os optimistas
é preciso não desviar as vistas
do mal que poderá todos matar

Água salgada, essa aumentará
mas tirar-lhe o sal é difícil cousa
na terra a que ainda repousa
virá o dia em que acabará

A Igreja chama-lhe água benta
e com esta baptiza as criancinhas
serão elas talvez, as pobrezinhas,
que terão de enfrentar tal tormenta

É ainda o líquido precioso
que tem servido para enganar
misturado no que se vai provar
pois é vício deste mundo enganoso

E na vida faz bem ter certa fé
é muito bom crer no que quer que seja
e em vez de água beber cerveja
como em seu lugar tomar água pé

Mas para ambas é essencial
essa água que não pode faltar
da mesma forma que não haver ar
é morte certa p‘ra qualquer mortal

Mas será que neste mundo em mudança
onde tudo se inventa cada dia
alguém conseguirá a utopia
de atingir a bem-aventurança?

Não sendo a água já tão necessária
ficamos nesse caso descansados
temos de olhar para outros lados
para outra coisa também primária

Porque não acabam as aflições
excesso de gente causa problemas
e serão tais os vários dilemas
que o melhor é não ter ilusões

A MADEIRA ERA UM JARDIM...


ESTÁ demonstrado que as circunstâncias da vida têm mais força e influência do que a vontade dos homens. Quem seria capaz de adivinhar que, na altura em que se levantou aquela luta tão discutida, da concessão ao arquipélago da Madeira da verba de milhões de euros que constavam do Orçamento do Estado e que eram muito inferiores ao montante que era desejado pelos defensores do apoio, dito excepcional em relação ao restante distrital do território do Continente, nessa ocasião quem poderia imaginar que um desastre ecológico da dimensão do que sucedeu na Ilha iria conduzir à necessidade de o mesmo Governo de Sócrates se ver obrigado a desviar para o território chefiado pelo “inimigo”, Alberto João Jardim, o que, ainda há dias, se bamboleava nas ruas do Funchal mascarado de Vasco da Gama, dizia ele, a propósito do Carnaval, que iria descobrir o Portugal Continental, e volto à pergunta formulada logo de inicio: quem poderia antever tal situação?
Nesta altura, o custo do apoio que há que dar aos madeirenses, será forçosamente muito superior ao montante que foi recusado e estava previsto no O.G.E. Picardias do destino!
Também, face às ocorrências e às inúmeras obras que, por iniciativa de Jardim, foram sendo feitas ao longo da sua gerência política, verifica-se agora que, se não tivesse o Presidente do Governo do Arquipélago investido tanto em tais construções – o que fez com que se o tenha acusado de ser mais "consumidor” dos dinheiros do Estado que qualquer distrito da zona continental portuguesa -, as consequências da devastação pelas águas teriam atingido um ponto muito mais grave do que aquele a que chegou. O que não se sabe ainda é se os técnicos que interferiram em tais construções (estradas, pontes, túneis, etc.) terão sido suficientemente prudentes e selectivos ao ponto de terem optado por outros caminhos mais urgentes, como agora se verificou.
Infelizmente, a experiência que têm os cidadãos portugueses em relação à competência de muitos técnicos nacionais – acentue-se o túnel do Terreiro do Paço, que dura há anos e tem sido dadas provas bastantes de falta de capacidade dos responsáveis, como inúmeras obras públicas que tardam o dobro do tempo a ficar concluídas e custam três vezes mais do que é previsto no papel -, essas constantes faltas por parte dos que saem dos institutos técnicos nacionais fazem com que se levante essa dúvida, embora nada se possa já fazer para a remediar.
Seja como for, a verdade é que Jardim, que, como político tem dado provas da sua má educação, do péssimo comportamento e dos ataques sucessivos ao que é originário do Continente, mais uma vez cai nas graças dos naturais da sua Ilha. E eu repito aqui o que tenho afirmado em várias ocasiões: eu não aprecio Alberto João Jardim, como pessoa e como político, mas se fosse natural e vivesse na Madeira seguramente era um seu fiel votante!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

ANDAR POR CÁ

Andar por cá a arrastar-se
sem que a idade ajude
vá lá a gente fiar-se
pois tudo nos desilude
e os dias vão passando
vem mais um aniversário
sem saber como e quando
acaba este calvário

O sofrer com a doença
ninguém quer mas tal sucede
lá se vai mantendo a crença
de vir o que bem se pede
p’ra não fugirmos à sina
de dar com o inesperado
situação que mofina
mesmo passando ao lado

Mas, p’ros novos ensinar
devem cá estar os mais velhos
se dizem não precisar
sempre metem os bedelhos
mesmo p’ra não repetir
os erros já praticados
para poder prosseguir
caminhos novos traçados

Ao menos que o sacrifício
que cada idoso suporta
preste algum benefício
e ajude a abrir a porta
qu’aos novos a vida oferece
com teoria sem prática
e a juventude merece

São assim as gerações
e os que ainda se movem
assumem obrigações
por isso não se comovem

EM QUEDA LIVRE. QUEM NOS SEGURA?


TEM LEVADO o seu tempo, porque não gosto de tomar posições definitivas sem, conscientemente, analisar, sob todos os ângulos, as pessoas ou os factos que podem levar-me a prosseguir na opinião que mantenho ou a escolher outra alternativa. É o que se passa em relação ao primeiro-ministro que se encontra, já na sua segunda experiência naquele lugar. Quis espreitar, por todos os lados, aquilo que constitui a forma de ser do homem e acompanhar tal análise do modo como ele tem desempenhado as funções que, particularmente nesta altura, não suportam mais erros de extrema gravidade e, a par disso, têm de pôr fora de cena quaisquer demonstrações ridículas de vaidade, como aquelas que têm sido fartamente demonstradas pelo actor principal, de nome José Sócrates. Os textos que tenho deixado neste meu blogue diário têm sido bem explícitos em relação ao que acabo de afirmar. E o grave também tem sido o facto do elenco governativo escolhido pelo seu responsável principal, na generalidade dos seus actores, não tem contribuído para tentar provocar alterações substanciais no caminho que tem sido seguido.
Este blogue vai ser extenso, já o prevejo, mas estamos na altura em que nós, portugueses, se temos algum sentido de responsabilidade na parte que nos cabe, não podemos eximirmo-nos de dizer, com toda a responsabilidade, aquilo que julgamos ser um contributo, por pequeno que seja, para ajudar Portugal. Assumo, pois, a minha opinião e sujeito-me a que haja quem não esteja de acordo e prefira que larguemos balões em vez de dizer aquilo que consideramos verdades duras.
É altura, pois, de não rodear o tema e falar claro: José Sócrates, realmente, não é um governante que vá deixar saudades e que fique na História como alguém que tenha evitado que o nosso País se envolvesse progressivamente numa teia de problemas, incluindo as dívidas que todos os dias aumentam em muito milhões de euros, que, apesar da crise que seria complicada resolver para qualquer responsável, mesmo assim havia formas de, com bom senso, humildade e sabedoria, ter limitado a queda que nos conduziu ao estado deplorável em que nos encontramos. E não foi nada disso que aconteceu ao longo deste período duplo de governação.
Aqui deixo, pois, bem clara a minha opinião: José Sócrates é o grande culpado histórico da posição ultra-deficitária em que nos encontramos. Seria da maior utilidade que fosse viável substituir o actual chefe do Governo por outro político, não valendo agora a pena apontar qual a figura que melhor poderia desempenhar essas funções. Mas o problema não é só esse. A questão que se põe é a de analisar, com a maior clareza possível, a generalidade da situação de Portugal, em todas as suas vertentes mais importantes, para poder decidir se, nesta altura e face também aos compromissos políticos que nos rodeiam, seria aconselhável provocar uma luta de forças partidárias para se decidir qual a que conseguiria obter uma posição maioritária.
Em conclusão, portanto, e segundo a minha opinião: em circunstâncias diferentes, o ideal seria que José Sócrates fosse afastado, de imediato, da condução do Governo em Portugal, só que as condições, tais como as que defrontamos nesta altura, desaconselham que, fosse qual fosse o método seguido, tivéssemos de presenciar o que constituiria um abanão ainda maior na nossa imagem no ambiente internacional e não ajudaria a criar reforço da credibilidade económica e financeira junto dos parceiros que, mesmo assim, ainda vão concedendo algum crédito, cada vez menor e com juros que vão aumentando de forma já insuportável, às nossas necessidades.
Os múltiplos erros praticados pelo conjunto chefiado por Sócrates, especialmente no capítulo da redução drástica das despesas públicas, tendo a humildade de terminar com as auto-estradas, o aeroporto e todos os dispêndios que podem bem esperar, anos que sejam, por uma altura apropriada com as nossas posses, tudo isso é mais do que suficiente para fazer com que a cotação do primeiro-ministro se encontre nas chamadas ruas da amargura. E o não aceitar que os técnicos da imagem modifiquem o seu parecer, arrogante e ultra-sabedor de tudo, lhe alterem o palavreado, o tornem mais credível naquilo que afirma, todo esse conjunto torna-o sucessivamente menos aceite pela opinião pública. E só não acredita nisto quem não anda pelas ruas e ouve o que dizem os cidadãos comuns.
E nem vale a pena referir aqui a lista enorme de situações que, mesmo do caso das escutas não ter saído (ainda) nada de esclarecedor com provas, em parte porque existem, de facto, alguns sectores que muita preocupação mostram em proteger a figura em causa (provavelmente também para se irem protegendo a si mesmos), até sem os esclarecimentos que deveriam partir, em primeiro lugar, do próprio atacado, já não existem formas de libertar José Sócrates da montanha de dúvidas, em parte, e de certezas por outros lados, que o libertem de, até ao fim da sua carreira, carregar a imagem de “personna non grata” para um número muito elevado de portugueses. Justo ou injusto, o que interessa é que não vale a pena encobrir este facto com desculpas que não “colam” na opinião dos cidadãos lusitanos. O que custa também a entender, por muito que os regulamentos judiciais ponham obstáculos à decisão, é que não tenha surgido ainda um elemento da magistratura que, enfrentando o problema com a maior valentia, resolva retirar todas as dúvidas e dê mostra pública do que as tais escutas, enquanto não forem conhecidos os seus conteúdos, se justificam ou não, para que terminem de vez as explorações jornalísticas que, fazendo o seu papel, usufruem dos segredos que se teimam em manter. É que o que está em causa, acima de tudo, é a acalmia da turbulência pública, sobretudo quando o alvo é a primeira figura do Governo. Inaceitável!
Face a isto, o que os naturais do nosso País têm de suportar é a manutenção no lugar de um político não desejado por um elevado número de cidadãos e aguardar pelas circunstâncias favoráveis para que se efectue a mudança democrática sem levantar problemas graves no sistema que mantemos e dentro do calendário apropriado. Enquanto Sócrates se conservar naquele lugar as quezílias políticas não têm fim… e o resto são só paninhos quentes.
De facto, o PSD não se encontra ainda com a casa arrumada, de modo a que esteja em condições de lutar por uma posição maioritária no Parlamento; de igual modo, é forçoso que, no interior do próprio PS, estejam devidamente esclarecidas as tendências e que, com coragem, as inclinações dos seus membros venham a lume, sabendo-se, como se sabe, que já se notam movimentos que não desejam estar enfileirados no socratismo.
Cavaco Silva, tendo em conta as datas que lhe dão possibilidade de actuar dentro dos seus poderes para derrubar o Governo, terá a precaução de não se arriscar a tomar essa atitude antes de terem lugar as eleições para o mandato que se segue em Belém.
Todos os restantes partidos, com assento na Assembleia, não possuindo número suficiente de cadeiras que lhes permita a aspiração de assumir o topo de um Executivo, esses estarão sempre dependentes de acordos, junções, subalternidades. Não resolvem.
Enquanto o País se encontra condicionado por tais impedimentos, assiste-se à perda de tempo, que nos faz tanta falta para enfrentar os problemas mais graves, com folhetins de escutas, de perseguições à comunicação social, de alimentação de verdades e de mentiras que nem adiantam nem atrasam no que diz respeito à preparação dos nossos problemas mais aflitivos. E de entre eles, está sempre em lugar cimeiro, a praga do desemprego, que esse sim é excessivamente amargurante e não se tem conseguido solucionar. Mas não é apenas isso. Trata-se de que, em cada dia que passa, os muitos milhões de euros que aumentam o défice do nosso Orçamento – e o que até passou no Parlamento não vai ser cumprido, isto no dizer de economistas e até antigos ministros, como Medina Carreira e José Silva Lopes, que são os mais abertos e não escondem que se torna irremediavelmente necessário que até os salários têm de ser reduzidos, isso desde já, pois não há milagres e o corte nas reformas está aí a caminho!... É uma tristeza mas é uma realidade que temos à porta.
O que eu tenho afirmado neste blogue, que tem provocado revolta de alguns leitores, que são partidários de que o povo deve andar enganado para não desanimar, essa previsão matemática que não é preciso ser bruxo para a estar a cheirar, de tão perto que já está, é o que me tem desconsolado depois de tantos anos de trabalho e de desconto e de pensar nos jovens que vão pagar tudo junto. Mas nessa altura não haverá greves para exigir aumentos e o Sócrates já se encontrará bem longe, provavelmente com a vida organizada para não sofrer as consequências da sua incompetência governativa.
Eu, do Sócrates já não desejo falar mais. É uma praga que nos foi rogada e que temos de suportar. O que me assusta nesta altura ainda mais é a dúvida quanto ao sucessor que passar a instalar-se em S. Bento. É que já não temos margem para enganos. Ou se acerta na próxima… ou temos de pôr o papel na porta – “Fechados para balanço”!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

AS TERMAS

Há-as de todos os tipos
Lindas e apalaçadas
As que só usam os ricos
Que aí passam temporadas

Como há as medianas
Que bolsos magros suportam
São quase sempre espartanas
Os clientes não se importam

A que eu uso é especial
Há anos que a escolhi
Para mim é uma praxe

No centro de Portugal
Amei-a logo que a vi
Tem por nome Alcafache

RICAS REFORMAS


QUE OUTROS temas poderão ser abordados numa fase de preocupação máxima no que diz respeito ao futuro, do que o que tem a ver com as reformas dos portugueses? É óbvio que, o dia-a-dia que temos de enfrentar, já dá suficiente trabalho e muito sofrimento para que nos consigamos manter na corda bamba em que somos forçados a tentar o equilíbrio. Mas ao pensarmos no que nos poderá suceder quando chegar a hora de nos retirarmos da actividade profissional que exercemos num determinado momento, esses que ainda não atingiram tal meta terão de sentir uma certa inquietação quanto ao não poderem pôr de parte o admitirem que as condições financeiras do sector que couber quanto à responsabilidade de sustentar tal obrigação possam vir a sofrer alterações substanciais.
Pois é isso. O assunto das reformas não pode, por mais alheios que andemos da análise da situação actual, encontrar-se longe dos nossos pensamentos e, aqueles que começam a vislumbrar a data em que se despedirão dos companheiros de trabalho, esses, particularmente, mais sentirão a vontade de lá chegar mas, ao mesmo tempo, andarão algo apreensivos pela dúvida quanto a ser ultrapassada a ameaça de que a crise também atingirá o sector dos que só vivem ajudados pelo valor que lhes cabe na pensão resultante das contas feitas em relação ao que descontaram ao longo da sua vida profissional.
É verdade que, bem no íntimo, manterão a tal esperança, a última a morrer, de que conseguirão escapar a essa desgraça que, a passar-se realmente, será um descalabro que não haverá política que consiga suster as consequências da demonstração de que não há dinheiro publico que chegue para liquidar as reformas dos portugueses. E é bom que essa esperança nunca morra, pelo menos para que se consigam terminar as derradeiras caminhadas pela vida com o pouco, sendo só pouco, que vier todos os meses aquecer os bolsos dos mais velhos.
Não falo agora, por demasiado debatida, na situação daqueles que, sendo as excepções mas, mesmo assim excessivos, auferem reformas verdadeiramente escandalosas e não merecidas. Não serão os que mais valem, mas tiveram a esperteza, a habilidade, sobretudo a cunha partidária, a manha de conseguir serem colocados em posições de privilégio. E, se falarmos, por exemplo, nas reformas vitalícias dos ex-políticos, que, em 2010, recebem um valor médio de 1.900 euros mensais, pelo que a despesa pública com as respectivas subvenções se fixam na casa dos 8,8 milhões, mais 5,6 por cento do que no ano passado e que, no que vem a seguir, crescerá ainda mais, então haverá muito a colocar no papel. Os ex-deputados, por exemplo, fazem parte dos beneficiários que têm garantida a pensão enquanto forem vivos.
Agora, a possibilidade que dá a lei de os portugueses poderem recorrer à reforma antecipada, isto é, antes de atingirem os 65 anos, mesmo sofrendo alguma penalização por esse motivo – desde que não tenha a ver com a saúde ou com acidente laboral -, essa antecipação provoca custos de vária ordem, tanto no capítulo financeiro como no social. Por um lado, se a saída do mercado de trabalho no período estabelecido não deixa margem para que outros, mais novos, possam preencher os seus lugares, pois que é sabido que as empresas privadas se esforçam para não substituir trabalhadores saídos por outros novos, no que resulta que o desemprego continue a constituir a aflição que tanto está a pesar no campo social do nosso País, por outro lado, uma diminuição nas receitas da segurança social, pois os descontos que deixam de ser feitos proporciona o não ir arrecadando verbas para fazerem face, durante o maior tempo que for possível, às pensões dos que se mantém já no descanso da reforma, essa situação também é da maior gravidade.
Trata-se, portanto, de um problema que os governos têm nas mãos. Ou o prolongarem o período de trabalho e não ser aos 65 anos, mas mais tarde, que os trabalhadores passam a ter acesso a esse regalia, o que representa a não possibilidade de abrir portas aos que se encontram no desemprego e são muitíssimos, ou, actuando de forma exactamente contrária e atender, acima de tudo, à redução de gente sem encontrar forma de ocupação profissional, fomentando a corrida à reforma e deixando para depois, para os futuros governantes, o problema de conseguir dinheiro para fazer frente ao pagamento das reformas.
Há quem saiba responder a este dilema? Não vale a pena preocuparmo-nos hoje com o que pode muito bem vir a passar-se no horizonte que anda por aí a rondar-nos?
Não. Essa do copo meio cheio e meio vazio é uma forma de dizer coisas sem querer dizer nada. Para isso mais vale não haver sequer copo. E será que o tal copo, que é de vidro, até mesmo de cristal se vai manter inteiro, não se quebrando entretanto?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

AS QUINAS

Em certa manhã de nevoeiro
Vai despertar aqui no País
A esperança de ser feliz
Trazida por um alvissareiro?
II
Em Terra de tantos pacientes
Ainda há fé em epopeias
Pois o sangue que corre nas veias
Vem de outrora, de antigas gentes
III
Por mais que se julgue adormecida
A ânsia do Mostrengo matar
Grande coragem não vai faltar
Sempre se vai dar a acometida
IV
Tanta apagada e vil tristeza
Que é apanágio do Português
Não quererá que um dias, talvez
Ponha à mostra a sua sageza
V
Para os últimos deixarem de ser
P’ra entrarem no comboio perdido
Há que soltar o ar abatido
E sem demora correr, correr
VI
Olhemos aqui para os vizinhos
Esses, doutros tempos, Castelhanos
E honremos os velhos Lusitanos
Seguindo então novos caminhos
VII
Por mais que estejam adormecidos
Mesmo que pouco e mal se lute
Não se há-de perder o azimute
No fim não sairemos vencidos

O CÁOS COMPLETO



EXISTEM, de facto, razões de sobra para que os portugueses, aqueles que procuram acompanhar a evolução, positiva ou negativa, do seu País, obviamente mais nas áreas da política, a que se liga o sector económico, financeiro, social e outros, se encontrem cada vez mais confusos quanto até às suas preferências no que diz respeito a escolher quem se encontrará em melhores condições para procurar salvar Portugal da derrocada em que se encontra e que, à primeira vista, não se encontra muito à mostra ao ponto de transmitir confiança suficiente à maioria dos lusitanos.
Fixando a atenção no Partido Socialista, por mais que se recordem, os que têm idade para isso, do período em que ocorreu a manifestação da Alameda e em que os socialistas de Mário Soares foram decisivos para acabar com a ameaça de uma ditadura comunista que as condições que se viviam no pós-Revolução tanto favoreciam que se seguisse esse caminho, os tempos agora são outros e, com excepção da Almeida Santos que interferiu nessa histórica actuação socialista e de poucos que ainda se encontram no largo do Rato, todo o resto não tem nada a ver com o espírito de tal época… e muito menos José Sócrates. Eu que, na altura da Fonte Luminosa, actuei dentro das minhas possibilidades e prestei a minha colaboração de apoio a tal busca de se instalar a Democracia no nosso País, agora não posso encontrar-me mais desassossegado face a um cenário que se apresenta cada vez mais escuro e perigoso que ameaça conduzir-nos para uma hecatombe cuja solução é muito difícil de conceber.
O Sócrates, gozando do privilégio das oposições não estarem organizadas de forma a poderem tomar a responsabilidade de assumir a governação, também no interior do seu próprio partido, por mais que tenha querido mobilizar os seus membros para fazerem frente aos ataques sucessivos, sobretudo por parte da comunicação social, quanto aos vários casos em que se vê envolvido e sem acusação formalizada, como sejam a Freeport e a Face Oculta, com isso o que deu foi criar a ocasião para que surgissem alguns sinais pouco claros de divisão no interior do PS, mas, até agora, ninguém se mostrou com capacidade para afirmar, alto e bom som, que há condições para substituir o actual secretário-geral por outro socialista que possa exercer o lugar de primeiro-ministro, e isso sem necessidade de eleições. Estas, também, numa altura tão periclitante para conseguirmos ultrapassar as dificuldades que atravessamos, a terem lugar fora do período estabelecido com normalidade, só constituiria um problema ainda maior do que já temos em mãos. No caso do Presidente da República, no exercício do seu poder, demitir o Governo, esta atitude, para além das razões apontadas, na sua situação concreta não seria o mais conveniente, pois que a luta que terá de desenvolver para renovar o seu mandato em Belém não lhe proporcionaria um benefício visível para a conquista de votos.
Isto quer dizer, em resumo, que José Sócrates que, por sua livre vontade, não dá sinais de demitir-se das funções que ocupa, está o que se chama “de pedra e cal”. Nem tenho muito a certeza de que, se o PSD conseguir eleger um comandante que implante a união dentro das suas hostes, ficará em condições para convencer o eleitorado a dar-lhe uma maioria parlamentar.
Quem, no meio disto tudo, anda a espreitar a sua oportunidade é o Paulo Portas. Ele, que já foi ministro até de uma pasta que seria a última a atribuir-lhe (e que deixou a marca dos submarinos adquiridos, tema que ainda irá dar muito que falar, sobretudo se chegar a ocupar de novo um posto governamental), com o gosto que se lhe conhece de subir a um poleiro que lhe encha o ego, não espanta nada que não recuse fazer uma perninha do seu PP com o PS, se esta for uma saída que convenha aos dois grupos partidários.
Mais barafunda do que esta em que estamos metidos é quase impossível de atingir. E o triste também é que a nossa vizinha Espanha, não tendo conseguido ultrapassar a sua própria crise, com um desemprego nesta altura que já alcançou níveis altíssimos, não nos deixe grandes margens de esperança para uma ajuda que bem útil seria vinda daquele lado.
É, realmente, o que se chama um cáos geral!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

EMIGRANTES PORTUGUESES

Portugueses emigrantes
que partistes à deriva
estais melhor do que antes
daí a alternativa

Sem saber falar a língua
do país que te acolheu
foi mesmo sair à míngua
de quem por aí se benzeu

Chegados p’ra trabalhar
onde seja e o que seja
é preciso começar
por vezes dura peleja

Mas o espírito de luta
grande ânsia de viver
faz com que qualquer labuta
seja aceite p’ra vencer

Sacrifício, economias
e força p’ra trabalhar
sem tempo para folias
e nunca desanimar

Submissos mas contentes
respeitadores do à volta
são aceites pelas gentes
nunca expressam revolta

Trabalham mais do que todos
produzem com ambição
juntam dinheiro a rodos
p’ra regressar à Nação

Se voltam nunca se sabe
pois filhos nascem lá fora
e a decisão só cabe
no tempo exacto e na hora

Seja como for então
a pergunta sempre fica
não sendo seres de ficção
que mistério os modifica?

Porquê os que cá estão
como os outros portugueses
só sabem dizer que não
e ao trabalho poucas vezes?

Se dentro das nossas portas
fôssemos como os de fora
não havia horas mortas
nem havia que ir embora

Portugal outro seria
competindo com maiores
grande inveja causaria
sem precisar de favores

Só que quando os emigrantes
ao solo pátrio regressam
ficam logo como antes
e na moleza tropeçam

Será pois do nosso solo
ou do Sol que alumia
que não se encontra consolo
e se perde a energia?

Se não há superstições
e a verdade outra será
é porque lá fora os patrões
não são iguais aos de cá?

Que responda quem souber
e pertença aos temerosos
com sindicatos teimosos
a lutar é de temer

Fica cada um na sua
a cura é bem remota
a mudança não se nota
e o mal não se atenua

Leis do trabalho estão
fora da realidade
e sendo esta a verdade
não se verá solução

PORTUGUESES FORA DE PORTAS


NÃO É nenhuma novidade da minha parte. Já aqui me referi ao êxito que têm os nossos emigrantes e isso não é só de hoje mas sempre sucedeu ao longo da história das vivências de portugueses em terras estrangeiras. São tão raros os casos de insucessos que, de uma forma geral, não são conhecidas situações de desventura dos que são forçados ou optam pela vida fora das nossas fronteiras, sendo as mais antigas as que ocorriam no Brasil, desde a época da sua descoberta, e em que, mesmo com as anedotas que eram divulgadas dos “portugas” que ali se instalavam e deram mostras de grande vontade de trabalhar e de sucessos empresariais, apesar disso ou talvez por via disso serviram de exemplo ao próprios “brasucas”, que não demonstravam tanta apetência pela labuta diária.
E, pelo mundo fora, fosse e seja o destino que os acolheu e acolhe, há que reconhecer que os bons resultados constituem uma demonstração de que os portugueses, fora das suas fronteiras, são exemplares pela sua dedicação ao trabalho e ao bom comportamento como cidadãos.
E se isso se deu sempre em relação aos emigrantes lusitanos de todas as classes, na época actual temos exemplos bem nítidos de figuras que, por cá, nas suas actuações destacadas, nem por isso deram mostras de excepcional capacidade e, deixadas essas funções, ao ocuparem posições salientes no estrangeiro têm-se distinguido ao nível internacional. E, se queremos apontar dois casos paradigmáticos, não precisamos de ir mais longe, fixando a nossa atenção nas duas figuras que são bem conhecidas lá fora, em Durão Barroso e António Guterres, um mais do que o outro mas ambos com actuações merecedoras de louvor e com um sucesso indesmentível. No entanto, tendo sido os dois primeiros-ministros em Portugal, nessas funções não deixaram nada de notável e os seus sucessores até se queixaram publicamente de heranças políticas merecedoras de críticas. Já sabemos que Vítor Constâncio foi admitido como vice-governador do Banco Europeu, lugar que ocupará em Junho próximo e essa importante função lá fora poderá constituir a demonstração de competência de mais um português que dará mostras de que, passadas as nossas fronteiras, profissionalmente servimos de exemplo, como sucede a tantos outros, com as mais diversas ocupações.
Tudo isto para levantar a questão de, mesmo tratando-se de uma interrogação com certa dose de ironia, se os portugueses se deslocassem em bloco para outra zona diferente deste na Península Ibérica, não nasceria um país perfeito, com um povo impecável, trabalhador, cumpridor das regras, disposto a exercer as suas tarefas em bloco e com o intuito único de construir o seu futuro pleno de sucessos. E, obviamente, daí surgiriam os políticos, também eles portugueses, que, então sim, seriam profissionais que não seriam merecedores das críticas que, para cá das fronteiras, lhes são feitas e com toda a razão. Que grande sonho!...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A FORÇA

Esta força que temos e desconhecemos
e que está muito bem escondida
pelo que não sabemos
que a temos em vida

E é melhor assim, não haver consciência
para não a usar mal
e sempre haver clemência
num momento fulcral

A força das palavras é melhor
do que a força dos braços
é a razão que impera onde for
preferem ser usados em abraços

Se a força que podemos ter
for mal utilizada
será ocasião para aprender
que a vida é um quase nada

A força de vontade essa sim
é bem útil ao ser humano
ajuda a chegar até ao fim
sem nunca sofrer grande dano

A força
Não reforça
Mesmo que torça

PAÍS DE VELHOS


ESTÁ DITO E REDITO que Portugal é, cada vez mais, um País de velhos. Nem é preciso irmos propositadamente a uma terra do interior, a uma pequena aldeia seja onde for por esses campos fora, onde a juventude praticamente não existe, pois se nos sentarmos algum tempo numa rua de Lisboa ou do Porto ou mesmo de alguma das nossas cidades maiores a assistirmos ao movimento, para descobrirmos que o número maior de pessoas que passam é constituído por gente que deixou, há bastante tempo, de fazer parte dos homens de amanhã.
Dizem as estatísticas que o número de portugueses de idade é três vezes maior ao de novos. E isso quer dizer, entre outras coisas, que o futuro do nosso País está seriamente comprometido e que só contando com as crianças que nasçam entretanto, filhos de imigrantes, pessoas de outras origens e sem tradição lusitana, só concedendo a nossa nacionalidade a essas crianças de cores diferentes das nossas e de línguas e costumes paternos que não se assemelham aos que assumimos, apenas dessa forma será possível solucionar o escasso nascimento dos chamados portugueses de gema, o que, valha a verdade, até será possível que altere e melhore bastante a qualidade daquilo que somos hoje.
Como historicamente é sabido, aquilo que se pode chamar de características específicas dos portugueses surgiu de uma mistura de diferentes povos que, nos longínquos antanhos, resolveram vir instalar-se nesta Península e que, com as suas misturas em que interferiram os muçulmanos nos primeiros séculos da nossa era até à altura da sua expulsão, para além de franceses que, na sua invasão na zona das Beiras deixaram alguma marca, não esquecendo o que, no tempo de Afonso Henriques, surgiu da comunhão galaico-lusitana que, ainda hoje, constitui uma marca específica, este modelo situado nesta Península que, verdade seja dita, deveria ter grande satisfação (não gosto de usar a expressão orgulho) em ser bem diferente de todos os outros da Europa, nesta altura da vida e face às vagas de imigrantes que se instalam nesta ponta deveria cuidar de aumentar o rejuvenescimento das suas hostes, de forma a que não se confrontasse, daqui a poucos anos, perante a realidade de ver perdidas as ligações às suas origens.
Digo acima e reflicto sobre as consequências. Na verdade, perante os caminhos que têm sido seguidos no nosso País pelos maiores responsáveis da conduta nacional, face ao comportamento pouco recomendável, pelo menos dentro de portas, dos cidadãos portugueses, ninguém pode garantir que a introdução de sangue exterior no vaso que tem sido usado por cá não constitua uma melhoria que leve a que muito se altere no que diz respeito a levantarmos esta Pátria, com um passado histórico que muito nos honra, ao nível que nos deveria caber.
É mais uma esperança das muitas que acalentamos. E mais uma menos uma, não e por aí que se perde ou ganha alguma coisa. Toda a vida foi aí que constituiu a resistência que, a muito custo, conseguiu fazer com que tivéssemos chegado até aqui. Mal, mas vivos!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

FUTURO

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro




CARNAVAL PORTUGUÊS



AINDA NÃO ENTENDI o motivo por que recebo seguidamente mails com denúncias sobre situações que ocorrem neste nosso País e que dão bem mostras do assalto a que está sujeito todo um povo que não tem forma de colocar tudo nos eixos, pois que as revoluções que tiveram lugar em Portugal sempre foram bastante desajeitadas e se o antes estava mal, o que veio a seguir nem por isso foi bem aproveitado.
Mas, vamos ao assunto que me ocupa hoje. E apenas reproduzo aquilo que me apareceu no écran do computador.
Trata-se de mais uma situação revoltante e sobre a qual não vão existir esperanças de que alguma chamada autoridade nacional se dê ao incómodo de reagir, não sei mesmo se o conseguiria se quisesse ou se, por razões de cooperativismo profissional e de conveniência para que não lhe chegue também a vez de assistir ao seu caso também denunciado, faz ar de distraído e cala a boca bem caladinha. Preparem-se então para o tema:
Um senhor que me dizem chamar-se Jorge Viegas Vasconcelos, que foi presidente de uma coisa chamada ERSE, por extenso Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos e que, segundo parece, é um organismos que ninguém conhece e muito menos para o que serve, esse senhor pediu a demissão do cargo que exercia porque, afirma-se, não concordou com os aumentos do preço da electricidade que o próprio considerou serem insuficientes.
Pois bem, ao ir para casa em virtude da sua decisão de terminar com as funções que exercia, de acordo com o estabelecido na própria empresa referida, partiu com um pagamento mensal e durante dois anos de 12 mil euros, isso até encontrar outro emprego.
Consta que alguém procurou saber no Ministério da Economia, de que depende a dita ERSE, que legalidade havia nesta atribuição de um vencimento a alguém que se despede por livre vontade e a resposta parece ter sido de que se trata de um acordo no interior da dita empresa e que os seus administradores têm o estatuto de gestores públicos, os quais criaram um esquema vantajoso para eles próprios, não podendo ser alterado por qualquer determinação oficial.
Mas a notícia que está a gora ser divulgada e que chegou ao meu computador acrescenta que o demissionário senhor Vasconcelos vencia mensalmente 18 mil euros mensais, mais ajudas de custo e dentro do tempo legal de 14 meses. E ainda acrescenta a referida informação sobre a actividade da referida ERSE, esclarecendo que consiste em “fazer cumprir as disposições legislativas para o sector energético”.
Compreende-se então a “utilidade” daquele organismo. É que afinal não é o Governo, os tribunais, até a polícia que fazem cumprir as leis. Esta entidade reguladora, que foi inventada nitidamente só para ajudar uns amigos, tem actividade para tentar a conciliação entre as partes envolvidas, o consumidor e o prestador de serviços eléctricos. E é tudo. E, tal como ela, tantos outros organismos existem e gastam dinheirões ao Estado apenas para servirem os interesses de grupos.
Ainda querem que seja feita uma lista das economias nas despesas estrondosas que causam o descontrolo das contas públicas? Que andam a fazer os ministros, já que, no que se refere a Sócrates, esse só sabe colocar primeiras pedras e fazer discursos revoltantes!...
Então não é um Carnaval permanente que se vive no nosso País? Nada se pode levar a sério, pois só à gargalhada é que se têm de enfrentar as situações que um grande número de sortudos (para lhes chamar só assim) mostra nos sambódromos cá da nossa terra. É rir, é rir, para ver se se atrasa o choro…