domingo, 4 de abril de 2010

MAIS UMA PÁSCOA


COM TANTA recomendação de que o essencial para nos aliviarmos desta angústia da crise que nos anda a castigar há tanto tempo, reside na questão de termos de aumentar substancialmente as exportações dos nossos produtos, esse desejo vem constantemente à baila e a impressão com que se fica é que se trata de muita conversa dos políticos, sobretudo dos mais responsáveis, mas nada se verifica quanto a passarmos das palavras às acções.
Com efeito, não basta que se apontem os caminhos, ficando-se sempre na zona da teoria, posto que não é tarefa fácil colocar os produtos de origem portuguesa nos mercados estrangeiros que os podem consumir. Já me referi a este tema em blogue anterior e não posso deixar de referir sempre o AISEP, instituição que existe há vários anos (antes apenas com o nome ICEP) e que tem como objectivo precisamente o de abrir portas lá fora para facilitar aos empresários exportadores portugueses a maneira de comunicarem com os eventuais prováveis interessados. Sendo há algum tempo seu presidente o antigo ministro da Economia do CDS, Basílio Horta, o que importa que seja encarado com enorme entusiasmo é avaliar se aquele organismo conta com os meios essenciais para poder levar a cabo, com eficiência, a responsabilidade que lhe está confiada já há vários anos e, sobre este assunto, não volto agora a bater na tecla da forma como, em meu entender, se deveria desenvolver a acção do referido sector oficial. Está dito atrás.
Mas agora, e depois de ter feito uma visita demorada a um supermercado na área de Lisboa, precisamente num dia em que se verificava grande afluência de público, pude constatar que a atenção que os potenciais compradores dedicavam nas prateleiras que observavam era aos preços e não à origem dos artigos que lhes poderiam interessar. É verdade que, precisamente neste período, o dinheiro que tem de ser despendido é o que mais importa a quem tem de se abastecer, especialmente na zona dos produtos de consumo imediato, mas também não é de pôr de parte a questão que diz respeito à zona de onde esses produtos vêm para Portugal. E nisso é que eu, nesta minha abordagem, faço questão em me deter, pois entendo que não basta que as forças vivas do governação só alertem para a necessidade de se exportar o mais que pudermos, posto que, por outro lado, também importa que as importações de mercadorias estrangeiras sejam reduzidas, não por imposições legais – que essas, obviamente, trariam retaliações que não convém de forma nenhuma - mas sim pela baixa de consumo que a população nacional se encarregaria de fomentar.
E uma forma legítima de fazer correr essa conveniência entre todos os portugueses é a de utilizar o estímulo natural, com o lançamento de promoções que, sendo bem executadas, algum resultado encontrariam por parte dos portugueses, sobretudo se forem tocados por argumentos que tanto afligem hoje as famílias. O do desemprego, por exemplo, seria um forte mote para levar todos os nossos compatriotas a serem motivados pela preferência dos produtos inteiramente nacionais.
A televisão, concretamente a RTP, até pelo facto de ser uma estação suportada pelos impostos dos que habitam em Portugal, deveria ser utilizada para convencer a nossa gente a passar a ter esse cuidado patriótico – para lhe dar este nome – de não olharem apenas os preços quando efectuam compras, mas irem mais além: à origem.
Eu sei. Não me iludo de que estas opiniões, aos homens que têm nas mãos o comando dos problemas cá do burgo lhes interessem três pepinos. Como é costume dizer-se. E cada um faz o que pode. E eu, mais não posso!
Neste Domingo de Páscoa, para não fugir aos Hábitos, aqui deixo também o meu voto de que todos aqueles que terão a paciência de me ir seguindo diariamente ou mesmo só de vez em quando, possam contemplar em breve um País melhor do que aquele que temos agora e, ao mesmo tempo, desejo que haja alguma coisa que ilumine os governantes para conseguirem ir visualizando soluções, que se não forem de sua autoria, pelo menos, que atentem nas que lhes dão alguns outros.

sábado, 3 de abril de 2010

PERGUNTO

O que é isto afinal
esta coisa onde ando
não agora, mas de há muito?
Será que me dão sinal
e se sim, como e quando
respondendo ao meu intuito?
Quem me dera p’ra mudar
e saber por onde andar

Eu pergunto: vale a pena
que se ganha em esperar?
É bem grande o desengano
em toda a vida plena
na ânsia de retirar
a mancha suja do pano.
Eu bem quero, bem insisto
mas não saio nunca disto

Sei onde e como estou
e como cheguei aqui
o que andei até vir
mas não sei p’ra onde vou
se algo eu aprendi
se tem valor p’ro porvir
agora só o talento
me pode levar ao vento

Mas como esse só foge
e não consigo agarrá-lo
m’escapa cada segundo
não faço com que s‘aloje
muito menos amarrá-lo
p’ra m’ajudar neste mundo.
Assim fico cada dia
nesta profunda agonia

SUBMARINOS TÃO PRECISOS!


NÃO VALE A PENA termos aspirações de que o problema encontra, aqui, no nosso País, a solução que se gostaria de conhecer, porque, como é sabido, sempre que se trata de descobrir falcatruas que têm ligações ao alto poder nacional, que mete personalidades que dispõem de meios e de influências bastantes para fazer parar todas as investigações, sejam elas sujeitas a que departamento jurídico ou judiciário for, é sabido que nada avança e passam os tempos, por mais longos que eles sejam, e tudo fica coberto pelo silêncio e a própria demora, muitas vezes de anos, faz afastar o interesse, até porque, entretanto, apareceu outro caso do mesmo estilo e repetem-se todas a manigâncias para não se descobrir nada e não serem encontrados culpados. Os beneficiados, se os há, com os subornos que uma revista alemã, “Der Spiegel”, denunciou, antecipando-se a qualquer notícia na Imprensa portuguesa.
Para o Partido Socialista e, em especial, no que diz respeito a José Sócrates, esta “bronca” agora desenterrada calha que nem canja, posto que, tanto o CDS como o PSD, por lhes caber a quota parte mais importante, dado que eram Governo na época – Barroso e Santana Lopes seguidos –, têm de baixar o tom das críticas até hoje desenvolvidas e, por isso, não têm mais remédio senão contemplar que o desenvolvimento do dito tema náutico está a ofuscar, tanto quanto for possível, os “Freeports” e as “Face Ocultas” que muito têm arreliado o “engenheiro”, também com este título académico massacrado.
Pois, já que ninguém faz caso das indignações que deveriam ser manifestadas pelos portugueses comuns, segundo se verifica que lhes interessa muito mais o que se passa nos futebóis, por isso mesmo, nesta era dos blogues haja quem não se conforme e deposite nos seus espaços o que revolta qualquer cidadão que bem gostaria de viver num País onde a justiça, a dos Tribunais e a dos sentimentos, não fosse um exercício vão.
Tenho evitado referir-me ao caso dos submarinos, por muitas razões, uma delas porque, apesar de se tratar de um acontecimento que envolve à volta de 880 milhões de euros ainda não se tinha verificado, ao longo de seis anos que decorreram desde que a encomenda foi executada aos alemães, qualquer movimento governamental que procurasse pôr a limpo tamanha “borrada”, e só agora, provavelmente porque foi descoberto nesta caso uma “bronca” que pode distrair os cidadãos para outras preocupações actuais, é que saiu à liça o assunto que, por sinal, não tem o Partido Socialista envolvido, porque o Governo na altura da encomenda estava nas mãos de outra força política. E depois, porque a figura que fazia o papel de ministro da Defesa, logo quem assinou o contrato de compra dos dois “monstros”, em valor e em empecilhos na nossa Marinha, é a de Paulo Portas, a quem me ligam dois factos que interferem na divulgação da minha opinião: a de ter sido eu quem autorizou que lhe fosse dado o primeiro emprego, quando ainda era estudante, no semanário “Tempo”, de que eu era subdirector e dei autorização ao chefe de Redacção para o experimentar na estreia do jornalismo, muito embora essa minha determinação tivesse coincidido com a minha saída para fundar outro semanário, “o País”, e também, não menos importante, porque sou amigo de sua Mães, uma Senhora que me merece o maior respeito.
Mas, nesta altura, tratando-se já de um problema que nada justifica que se mantenha na obscuridade, acabo por dedicar algum espaço ao tema. Não consigo ficar mais tempo no silêncio.
Já nem vou ao ponto de querer saber quem embolsou, como se suspeita, muitos milhões com a decisão tomada de serem comprados dois submarinos para fazerem parte da nossa esquadra, dado que, sem nenhuma espécie de dúvida, o que teria de ser a última opção que tomaria qualquer governante com boa cabeça, já não só pelo seu elevado custo mas, acima de tudo, porque a necessidade que temos na nossa larga costa é de navios de grande velocidade para fiscalizar as entradas de todo o tipo de produtos e mercadorias que constituem enorme poluição quer alfandegaria quer na área dos estupefacientes, sobretudo destes, essa decisão de fim de linha é que constitui motivo para nos perguntarmos o que terá passado pela cabeça de quem decidiu, em última análise, tal aquisição. Eu, se tivesse sido escolhido para ocupar o cargo de ministro da Defesa, dado que tenho consciência que se trata de uma área que se encontra absolutamente fora do meu domínio, não teria aceite. Mas, Paulo Portas, que está sempre disponível para assumir funções que ele considera ser capaz de dominar – e assim, desde que o conheci como estudante ainda, tem sido vista a sua ascensão nas múltiplas actividades por que tem seguido -, não hesitou em desempenhar um lugar que, ao contrário do que ele faz hoje, naquela altura ou mesmo agora, não se situava dentro da sua capacidade de executar bem o papel que lhe foi proposto.
Por isso, antes de me preocupar em saber quem arrecadou, parece que alguma coisa que anda na casa de mais de um milhão de euros, mesmo tendo em conta que a aquisição dos tais animais marítimos pretendia obrigari por parte dos fornecedores, de adquirirem no mercado português produtos de origem nacional (mas nunca ficou esclarecido que tipo de mercadorias do nosso fabrico ou produção poderiam equivaler-se ao custo monstruoso dos referidos submarinos, o que resultou, até agora, que nada ou muito pouco foi concretizado), a verdade é que se tratou de um contrato redigido sem as devidas precauções, admitindo-se até que, se tal tivesse sucedido, provavelmente os vendedores “tedescos” não teria aceite a encomenda.
Tenho muita pena Paulo Portas, mas quem se perfila sempre com um ar muito explícito em causas que o colocam na oposição aos Governos, o que, reconheço, faz com certa mestria, ainda que nem sempre com razão, não é desculpável que, numa posição como a que exerceu num Governo, tivesse sido tão leviano, ocasionando que, nesta altura agora, tenha perdido bastante autoridade para discutir os erros de Sócrates, o que é uma pena, pois o actual primeiro-ministro não merece ajudas. E essa, a dos submarinos, é das maiores provas de incompetência que se têm verificado em Portugal.
Por fim e à última hora, chegou a notícia, ainda por confirmar no momento em que escrevo, que o Governo vai interferir no sentido de anular o contrato de compra dos submarinos, embora exista a consciência da dificuldade em dar esse passo, pois que, repete-se, o documento efectuado, apesar de ter sido preparado por um gabinete de advogados que bem cara debitou a sua actuação, não será facilmente considerado nulo. Vamos a ver o que dá isto tudo… pois “temos para peras” este assunto que vai entreter o PS e manter em algum sentido as Oposições de direita…

sexta-feira, 2 de abril de 2010

CANSADO

Estou cansado do que fiz
do muito que já foi feito
ter querido o que não quis
levado coisas a peito
no fundo
confundo
o que neste mundo
é sempre segundo

Queria coisa melhor
ter vaidade numa obra
com a escrita ou pintor
mostrando arte de sobra
ser primeiro
de pé, pinheiro,
sem berreiro
bom viveiro

E se eu não me acredito
se ao alto eu não cheguei
o muito que deixo escrito
eu nunca renegarei
seja o que for
é suor
algum amor
muita dor

Mas a busca do talento
aquele que nunca fica
causa grande sofrimento
nem sempre se justifica
quem procura
com agrura
vive numa tortura
pode cair na loucura

Fatigado eu estou
mas se paro por momentos
já não sei p’ra onde vou
encontro outros tormentos
prossigo
castigo
afadigo
me obrigo

O que não quero é queixar-me
não vale já a lamúria
o que posso é castigar-me
rogar por génio com fúria
combater
querer vencer
e se perder
refazer

Chegado a esta altura
com tantos anos p’ra trás
este vício não tem cura
e mudar não sou capaz
aguentar
sem queixar
esperar
por outro ar

Cansado lá isso estou
p’ra isto não há remédio
eu sei bem p’ra onde vou
libertar-me deste tédio
então adeus
sonhos meus
enfiados nos seus breus
tapados por negros véus

DESCANSAR, DESCANSAR


VALERÁ, de facto, a pena preocuparmo-nos com os mais complicados problemas de Portugal se, ao fim e ao cabo, aquilo a que assistimos no dia-a-dia desta nossa Terrinha é à importância que se dá aos acontecimentos que não influem, nem de perto nem de longe, na vida da nossa Nação, delegando-se para segundo e terceiro planos, pelo menos nos títulos mais relevantes dos nossos jornais, as situações que tocam directamente no bom ou mau estar da nossa existência. E, quanto aos noticiários televisivos, não se faz excepção.
Aquilo que ocorreu com as entrevistas, por sinal em simultâneo, que a RTP e a SIC fizeram a Pinto da Costa e Filipe Vieira, ambos presidentes de dois clubes de futebol, que, pelos vistos são, para além de rivais nas competições desportivas, sobretudo inimigos figadais, e em que o que foi dito mereceu tanto espavento na Imprensa do dia seguinte que passaram para pleno secundário as notícias que, essas sim, constituíam informação importante, ao ponto de também as televisões terem ocupado muito do seu espaço a retransmitir sucessivamente aquilo que foi dito pelas duas figuras em causa, tal fenómeno, que não pode ser considerado de outra maneira, ultrapassou o que poderia ser imaginável, Mas, na verdade, falaram as duas eminências… e o mundo parou!
Tive ocasião de confirmar a importância dada por alguns diários, ao ponto de, nas primeiras páginas, os títulos que sobressaíram suplantavam o resto do noticiário, deixando para segundo plano, por exemplo, o caso do suborno com a compra à Alemanha, em 2004, de dois submarinos. Quer dizer, os dois presidentes dos clubes futebolistas valem mais do que os milhões que já foram dispendidos e os que ainda falta pagar com a aquisição de duas máquinas de guerra… que tanta falta nos fazem!
Tendo passado ontem o Dia das Mentiras, que não mereceu o tratamento brincalhão que era costume noutros tempos, não foi aproveitada essa data para que se tivesse divulgado que os governantes tinham passado o dia a “queimar as pestanas” e que acabaram por encontrar forma de solucionar os problemas do País. Era uma boa forma de dar uma notícia agradável aos portugueses… mesmo não sendo verdade.
Mas a realidade não foi nem é essa. Não importa se os problemas que nos afligem são de uma dimensão monstruosa, pois se os pusermos a par com uma situação de intriga de vizinhas, do mal dizer de gente sem qualificação que não justifique sequer tomarmos conta do sucedido, só o facto de equacionarmos os dois temas ou de, até, colocarmos as afirmações dos dois presidentes acima de noticiário de extrema importância para os dias de hoje e para o futuro, só isso mostra como uma enorme parte de cidadãos do nosso País se desprende do importante e fica ligado ao acessório.
Será que, nesta linguagem dos blogues, pelo menos dos do tipo como este que eu acarinho, deverá também, para chamar a atenção de leitores, seguir o caminho da Informação que, segundo parece, é a que mais se vende? Percorri, há dias, alguns blogues que dão a ideia de que se destacam na panóplia de escritas que ocupam agora os computadores e, com surpresa, verifiquei que muitos deles utilizam a linha do “vazio de conteúdo”. Não procuram dizer nada!
Se, para ser merecedor de um aumento de leitores, tenho de seguir essa linha, então que me perdoem, mas não irei muito mais longe. Para quê esforçar-me na busca de temas que, ainda que, modestamente, poderão ter a utilidade de fazer pensar?
Hoje, Sexta-Feira Santa, um feriado que vem mesmo a calhar nesta nossa Terra em que o trabalho não provoca grande apetite, que se fique mais um bocado na cama, pois amanhã, que é Sábado e depois com o Domingo de Páscoa, o que está a dar é descansar, descansar… descansar!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

UM GÉNIO

Quem sou eu?
Que ando cá a fazer?
Pouca coisa, mas com grandes desejos
algumas esperanças
uns dias mais do que outros.
Daqui, da vitrina do meu café
sou um mais
só me distingo porque venho sempre
para escrever.
De vez em quando paro para pensar
para apelar à imaginação
a procurar uma palavra
um sinónimo
às vezes uma rima
a tentar não ouvir o que dizem
nas outras mesas
por vezes rindo
falando alto
dizendo coisas
e eu, quedo e mudo,
preocupado com o tempo
que me pode restar ainda com cabeça.
E escrevo, escrevo,
mas para quê?
Para quem?
Quem encontrará valor no que ponho no papel?
Procuro convencer-me que
para alguma coisa servirá
o que me dita a cabeça
.Mas toda essa gente que entra no café,
que se senta,
pede um café
assim como toda aquela
que salpica lá fora a rua,
nenhum desse povo
me parece
vir a interessar-se por aquilo que
me esforço para que mereça
algum apreço.
Apetece-me pôr uma placa sobre a mesa
AQUI ESTÁ UM GÉNIO
porque qualquer produto
precisa de publicidade

CRAVINHO E A CORRUPÇÃO


NAS MINHAS deambulações jornalísticas nunca tive oportunidade de me encontrar com João Cravinho. Este ex-ministro socialista, durante o período de António Guterres, só surgiu no ambiente político numa época em que já eu me encontrava de partida de tais andanças. Isso não impediu, no entanto que, da minha parte o tivesse perdido de vista e muito menos que não me fosse pondo em dia no que respeita à sua caminhada quando, por exemplo, como deputado no Parlamento, deu mostras de se preocupar com o problema da corrupção e chegou ao ponto de se insurgir contra o seu próprio Partido, o PS, por “não ter qualquer estratégica explícita na luta anti-corrupção”, o que lhe valeu um claro afastamento daquele grupo político.
Nesta altura, João Cravinho é administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, situação esta que mais provoca admiração de como uma personalidade que, saído da área da política, encontrou uma actividade que dá todas as mostras de ser confortável e, mesmo assim, não abandonou a luta que procura travar à tal corrupção e que considera que é indispensável ser criada uma lei-quadro anticorrupção, cabendo ao Parlamento o papel fundamental de comandar tal acção contra as vaga de acções criminosas que fazem com que, subitamente, surjam fortunas fabulosas que não têm possibilidade de ser justificados os meios legais para terem sido conseguidas.
A corrupção política, então essa, anda à solta. Todos sabem que é assim, mas dificilmente aparece alguém que queira participar num plano para pôr fim a uma malévola actuação de bastantes que, aguardando a sua vez, não querem fazer parte de qualquer agrupamento que esteja disposto a jogar a cabeça numa arriscada e até quixotesca atitude de limpar o País de tanta malvadez endinheirada.
De facto, constitui uma tentação inscrever-se num partido político, aconchegar-se junto dos principais membros dessa organização, dar muitas horas da sua vida por forma a comparecer nos actos que, sobretudo os mediáticos, dão mais nas vistas e, com paciência, aguardar pela altura em que um “padrinho” lhe proporcione a oportunidade de encarreirar num cargo que possa compensá-lo de todo o investimento de tempo e até mesmo de dedicação que despendeu com a causa.
É nessa altura, que nem todos conseguem, que se verifica a “paga” mais do que aspirada.
Pode-se chamar a isto corrupção? Quanto a mim não é este o caso. Lá que se verifique o apadrinhamento de membros partidários para os colocar em lugares que não são ocupados pela competência, mas apenas e só pelo pagamento da dedicação, isso talvez seja compreensível, pois é preferível ter por perto quem já deu mostras de fidelidade do que correr o risco de proporcionar cargos chorudos a quem não se sabe se um dia mais tarde não pagará com a facada nas costas… mas, o que é completamente condenável é quando tais favores que se concedem têm por objectivo organizar jogadas que envolvem manigâncias ligadas à corrupção, em que depois há que distribuir, pataca a mim pataca a ti, com as negociatas que estão previstas logo no início das nomeações “amistosas e partidárias”.
O que fazer para que não sucedam estas situações, é que não está muito à mão para o encontrar e os que são mal-formados, que abundam por aí, esses têm a esperteza suficiente para serem uma coisa e parecerem outra. É assim o ser humano, que eu não me canso de denunciar.
Só que isto sucede em Democracia, como, em igual dose, se passa em qualquer outro regime. Então, nos ditatoriais, que nós bem conhecemos por esse mundo fora, nem se fala. Aí são os parentes que vão enriquecendo fartamente… como é bem sabido!”

quarta-feira, 31 de março de 2010

BUSCA DE ACALMIA

Mar que em mim existe revoltado
na busca continuada de acalmia
não consegue manter-se sossegado
no longo caminhar do dia-a-dia
e os ventos que sopram em redor
não deixam que as ondas me descansem
cada vez a angústia é maior
sem haver alguns que me esperancem

Os seis mil milhões que por todo o mundo
se movimentam cada um à sua
tendo de viver em cada segundo
desejando que nada os obstrua
uns conseguindo outros nem por isso
a grande maioria se debate
com o que na vida é grande enguiço
e torna o dia-a-dia em combate

Por isso se escuta tanta queixa
de gente p’lo desânimo tocada
a quem a felicidade não deixa
alegre marca da sua passada
as excepções existem, são bastantes
causando inveja aos que ao contrário
têm razão para ser protestantes
por sofrerem penas neste calvário

Eu, por mim, luto contra o mar revolto
as ondas permanentes que atormentam
vendo o vento que anda sempre solto
todos minha inspiração atormentam
num vai e vem de baixos e de altos
nos bons poemas, noutros um horror
em pensamentos, tristes sobressaltos
que deixam marca de enorme dor

Mas é esse, do poeta o martírio
encontrar o sítio e o momento
p’ralcançar conveniente delírio
em que se estando a sentir o vento
ele traga por vezes bons auspícios
e talento que quase sempre falta
e que provoca tantos sacrifícios
até fazer chegar algo à ribalta

Acalmia é coisa que se busca
bastante para o espírito sossegar
p’ra não haver aquilo que ofusca
o que esteja pronto para dar
mas quando por muito que se procure
a tranquilidade não aparece
não há ninguém que bem se aventure
porque o génio fugiu, não se merece

PRÉDIOS ENTAIPADOS


CADA VEZ que me disponho a escrever um texto para colocar neste meu blogue diário, portanto, como diria o M. de La Palisse, todos os dias, o trabalho maior que encontro é tentar descobrir algum tema que não se enquadre com o ambiente de tristeza, de pessimismo, de maus presságios que, infelizmente, é o que não nos falta e que, por isso mesmo, é aquele que salta imediatamente ao pensamento.
Não se perfila hoje uma excepção. Corri as notícias todas e, nem no nosso País nem no panorama internacional deparei com alguma coisa que me levasse a cantar hossanas e a transmitir esse contentamento aos leitores deste meu trabalho. E não encontrei nada que me conduzisse em tal direcção. Lá por fora, as acções terroristas – agora até em Moscovo, o que fará com que muitos russos se recordem do sanguinário Estaline, que no seu tempo, era apenas ele que “tinha o exclusivo” de liquidar aqueles que não lhe agradavam, não deixando que, nem terroristas nem ninguém, colocassem bombas em comboios ou onde quer que fosse -, assim como todas as ameaças e os tiroteios que, em diferentes zonas, ocorrem e que não mostram sinais de ter fim, tudo isso não serve de exemplo a nada nem a ninguém anima a que se encontrem razões para olharmos para o Mundo com optimismo. E até a Europa unida, como tanto tem sido desejada, até essa leva tempo excessivo a dar mostras de um entendimento e de se conseguir um dia o máximo que os sonhadores, cada vez menos, ainda esperam ver: a concretização dos Estados Unidos da Europa.
E então cá, neste nosso burgo? Com a necessidade imperiosa que existe de se encontrar forma de diminuir o desemprego – porque acabá-lo, é coisa impensável -, tudo que possa contribuir para se chegar perto desse objectivo deveria ser aplaudido e entusiasmado. Logo, por esse Portugal fora, as licenças de construção, devidamente reguladas de acordo com as conveniências de ordenamento, isso sim, mas sem demoras de licenças que os Municípios passam, essa atitude contribui para que as empresas do sector, sobretudo as mais pequenas, e, portanto, os operários respectivos, vissem as suas actividades apoiadas. Isso, sem dúvida. Mas o que não poderia deixar de ser rigorosa é a chamada fiscalização, por parte dos elementos que, em muitos casos (é do que se queixam largamente os arquitectos), talvez também porque as suas remunerações não sejam de acordo com a responsabilidade que lhes cabe, se deixam enredar pela atitude do facilitismo, que á uma forma de chamar a corrupção, que, ao contrário de poder apressar as decisões, o que faz é que os custos das obras se eleve excessivamente e que as regras sejam obscurecidas, contribuindo para o permitir a utilização de materiais que não oferecem garantia de duração.
E, no capítulo de cumprimento de prazos, nesse particular o fechar de olhos dos tais fiscais, especialmente quanto ao tempo que é permitido permanecerem os taipais à frente dos prédios para lá do fim das obras, aí todos os cidadãos se deparam com os inconvenientes que resultam de tamanho desleixo.
Todos nós, sobretudo em Lisboa, nos incomodamos com esse abandalhamento dos espaços ocupados nos passeios com trabalhos de construção que se prolongam por tempos indefinidos, mas que podem fazer os contribuintes se é a própria Câmara Municipal que não fiscaliza os seus fiscais e contribui para que a tão usual corrupção funcione em pleno?
Só que não quer, no seio do Município lisboeta, é que não se dá conta dessa rebaldaria que ocorre na capital e tanto faz mudarem presidentes, vereadores e outras figuras que lá estão a ganhar os seus vencimentos… porque tudo se mantém sempre na
mesma!

terça-feira, 30 de março de 2010

CHEGA P'RA LÁ!

Somos demais neste mundo
não cabem tantos milhões
estamos a bater no fundo
são muitas as confusões
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Cinquenta anos atrás
dois mil milhões sobre a Terra
calcula se és capaz
quanta gente hoje encerra
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Três vezes ela aumentou
seis mil milhões agora
as cidades atulhou
estão a deitar por fora
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Há sítios que esvaziaram
nasceram desertos novos
os que lá estavam mudaram
só há velhos nesses povos
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Há quem muitos filhos tenha
são os que vêm de fora
por cá há quem se sustenha
à espera de melhor hora
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Por isso a cor das gentes
na Europa se cambia
há cada vez mais nascentes
de outra raça e etnia
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Os velhos mais vão vivendo
a morte tarda em chegar
os novos que vão crescendo
não dão p’ra equilibrar
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Com este acotovelar
de multidões que s’apertam
já é grande a falta de ar
de sufoco não libertam
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...




GENTE A SÉRIO?


DIGAM-ME LÁ se nós, portugueses, somos todos assim. Refiro-me, está bem de ver, à maioria, porque os restantes, os “chatos”, os que se podem considerar mais ou menos perfeitos, esses não contam para efeitos de apreciação global.
Eu sei que os jornais, uns tantos, tiram partido da insuficiência mental daqueles que se dedicam a ler com entusiasmo determinadas “notícias” que só podem chamar a atenção a quem, de facto, não encontra outros motivos de maior interesse para preencher a sua curiosidade, pois, com franqueza, há que ter uma certa pena dos que, com tantos problemas sérios que têm de nos afligir cá por este nosso País, ainda dedicam algum tempo a assuntos que não merecem nem sequer a leitura dos títulos.
Então, que pode chamar a atenção dos portugueses para o caso agora divulgado da ex-mulher de Pinto da Costa ter voltado a casar com o seu ex-marido?
Eu, por mim, entendo que os periódicos deveriam pôr ponto final em todas as referências que são feitas a essa figura que, não se sabe bem porquê, é, sobretudo nas televisões, denominado pelo seu nome completo: Jorge Nuno Pinto da Costa. É que, na maioria das situações, ou se dão notícias de tipo amoroso do homem ou então são aproveitadas as frequentes afirmações que saem da boca do “homem do Porto” e, tal como sucede com Jardim, da Madeira, são aproveitadas pelas suas características bizarras, por vezes ofensivas, ou, no mínimo, sem a menor base de senso que um responsável, seja ele de que tipo for, não deve perder de vista.
Como complemento desta referência, eu reafirmo o que já disse aqui neste espaço: independentemente do espaços reservado por certa comunicação social no que se refere ao relacionamento de ordem pessoal do Pinto da Costa, no capítulo da sua actividade como presidente de um clube de futebol, tal como o Alberto João, na sua qualidade de presidente do Governo da Madeira, se, num caso, eu fosse adepto do Futebol Clube do Porto e, no outro, se me coubesse ser um habitante da Ilha da Madeira, provavelmente eu seria adepto destas duas figuras, pois, parece não haver grandes dúvidas de que ambos têm cumprido com agrado os lugares que ocupam, e essa circunstância permite desculpar-se a falta de condições de ambos para serem capazes de terem o chamado tento na língua.
Agora, que qualquer deles – e, no que se refere a Jardim, não há motivos para se lhe apontar algum desvio – tenha mudado de amores, que os filhos casem ou descasem, que sejam vistos com alguma nova parceira, que mude de casa ou se mantenha na mesma, tudo isso não deveria constituir razão para ocupar espaço nos jornais ou nas televisões. Não faz a menor diferença seja a quem seja.Mas, infelizmente, nós, portugueses, bastantes, apesar de tudo, talvez para disfarçar as más notícias de ordem social e económica que nos afectam diariamente, não deixamos de dar importância a essas “notícias” de pátio que nos querem enfiar pela cabeça dentro. Nem haveria outra forma de dizer isto!

segunda-feira, 29 de março de 2010

QUEIMAR AS PESTANAS

Lá vai o tempo, atrasado
em que queimar as pestanas
tinha o seu significado
por serem acções humanas

Sobretudo a juventude
que estudava à luz da vela
mantinha essa atitude
não vinha luz da janela

Hoje, com tanto avanço
não há perigo em queimar
as pestanas, um descanso

Nem estudo é de arrasar
e a vela só usa o tanso
a frase é só p’ra lembrar!

POUCAS VERGONHAS


NÃO, NÃO DESARMO em relação ao alvo que mantenho na mira e que diz respeito a, com a assistência que me assista – que é quem lê o meu blogue diário -, denunciar permanentemente as poucas vergonhas que ocorrem em Portugal, e que, em vez de se verificarem actuações por parte de quem ainda possui algum mando (porque também esse está em vias de se extinguir), pelo contrário, aquilo a que dedicam atenção é somente aos casos de segunda ordem e de importância secundária.
Cada vez que a comunicação social dá conta de situações de verdadeiro escândalo com as remunerações e outras benesses que os administradores de empresas, as públicas e as não públicas, recebem das empresas em que actuam, a esmagadora maioria de portugueses que conseguem manter-se na corda bamba dos orçamentos caseiros não podem fazer outra coisa que não seja roer as unhas e aumentar o seu stress que, no caso dos miseráveis, tem de ter outro nome, simplesmente revolta.
Veio agora a lume que a administração do Banco Espírito Santo, uma empresa privada, é sabido, mas que a sua existência e os enormes lucros que lhe cabem resultam de uma actuação junto do população nacional, essa instituição gastou, em 2009, 12,1 milhões de euros com remunerações e prémios aos seus 27 membros da administração, dos quais 11 executivos e 16 não executivos, cabendo ao presidente da comissão executiva, Ricardo Espírito Santo Salgado, 1,050 milhões divididos em 435 mil em ordenados, 603 mil em prémios e 12 mil em subsídios.
Pois bem, repito que cada empresa privada renumera os seus administradores conforme entende e de acordo com a decisão tomada em assembleia de accionistas, mas, no caso dos Bancos, quando se chega à conclusão, como sucede com o BPP, que está prestes a ser declarado falido, e que, até se assiste a que um administrador desse Banco se tenha transferido para outra instituição dependente da Caixa Geral de Depósitos, isso, enquanto cerca de 100 colaboradores do BPP se encontram em vias de despedimento, nestas circunstâncias não é possível mantermo-nos impassíveis face ao que se passa à nossa volta.
Eu, por mim, volto a afirmá-lo, não desarmo. Pode não servir para nada, pelo menos de imediato, todas as denúncias que aqui registo e as escandaleiras que só num País de “brandos costumes” – como foi conhecido durante muito tempo – é que podem ocorrer. Mas eu confio que, num futuro, que pode até não ser assim tão próximo, alguém recorde quem teve uma vida de inconformismo, antes em relação ao estado ditatorial que se vivia e que, a mim pessoalmente, atingiu de forma bem efectiva, ao longo da minha profissão de jornalista. Pois não poderia ser agora, em que tanto se proclama a vida democrática, que o sistema da “rolha” volte a ser implantado.Se quem ler este blogue lhe der a expansão para outros destinos, então o seu efeito será ainda mais efectivo. E não digam quem é o autor, que eu não preciso de publicidade.

domingo, 28 de março de 2010

FUTURO

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro




FUTURO NEGRO


NÃO TÊM CONTA as vezes a que me tenho referido a este tema que, digam lá o que disserem, é aquele que mais me preocupa e que, no fundo, mais deveria fazer pensar aqueles que me lêem, incluindo, principalmente, os que não crêem nos meus presságios em relação ao futuro do nosso Pais. Mas eu vou insistindo, primeiro porque estou suficientemente convencido de que não andarei muito longe quanto ao panorama que se perfila no horizonte e que as gerações que, estando já vivas, dentro de algum tempo tomarão nas mãos, pelo que lhes caberá a vez de o enfrentar; e, depois, porque ainda mantenho certa esperança de que existirão algumas possibilidades, ainda que remotas, de se tomarem determinadas medidas para tentar reduzir os enormes dissabores e dificuldades que se perfilam num futuro cada vez mais próximo.
Quem segue com atenção alguns programas televisivos que, nos últimos tempos, têm procurado pôr os portugueses ao corrente do que se passa, nas áreas económica e social, principalmente essas, em Portugal e não se limitam os tais cidadãos a contemplar as bacoradas que certos políticos, completamente ignorantes, debitam apenas para fazer prevalecer a sua imagem junto do público que, não se tirando de cuidados, acredita em tudo que lhe dizem tais figurões, se, sobretudo aos domingos, no canal SIC Notícias, pelas 20 horas, num programa que tem o título “Plano Inclinado”, tal público mais desejoso de não ser enganado puder assistir a uma exposição feita por três economista, Medina Carreira, Bagão Félix e um professor Roque, nessa ocasião tem possibilidade de tomar consciência da realidade que se atravessa no nosso País e daquilo com que iremos deparar, os que forem ainda vivos, a um não muito longo espaço de tempo.
A preocupação de que tenho dado nota neste meu blogue de que os dinheiros públicos, tal como eles se apresentam hoje e que, apenas através de contas bem feitas, serão os que puderem ser utilizados algum tempo mais lá para a frente – e estas expressões tão simples, despidas de preconceitos de linguagem vaidosa que não se adapta à rudeza do que há para descrever, pretendem apenas ser bem compreendidos pela maioria dos cidadãos -, esses fundos, perante sobretudo o aumento desmedido das reformas, antecipadas sobretudo, que estão a ser concedidas nesta altura e que aumentarão ainda mais, dado o pavor que mostram os que trabalham ainda e que preferem mudar de forma de vida, terão, inevitavelmente, que não chegar para fazer face aos montantes totais das reformas. Nesta altura, segundo notícias recentes, o montante que o Estado despende por dia com tal pagamento atinge já os 51 milhões de euros. Por dia, repito!....
Esta situação tem de ser compreendida e mesmo que os poderes públicos prefiram não revelar aos portugueses o que será inevitável que suceda, alguém tem de ir lançando o seu grito de alarme, pois, como tenho sempre defendido, é preferível ir prevenindo agora do que, depois, se apanhar o susto clamoroso face à realidade dos acontecimentos.
Aqui deixo o que os economistas acima referidos têm vindo a dizer, o que me deixa bem acompanhado quando tenho falado bem claro quanto a esta situação. Não se sabe quando, mas que, numa altura que surgirá a determinado prazo, as notícias avassaladoras começarão por anunciar o fim do 14º mês, depois o 13.º e o caminho posterior poderá ser o da redução sucessiva dos montantes mensais das reformas, tudo isso, a menos que se verifique um “milagre”, é o que, para os naturais de Portugal, deve constituir uma inevitabilidade.
Andaram os governantes a gastar o dinheiro a torto e a direito, suspenderam agora as grandes obras de loucura, mas se as tivessem iniciado já, o que aconteceria era a sua suspensão a meio e as dívidas a atormentarem ainda mais os nossos vindouros, foi necessário lançar um PEC, mas outro aparecerá a breve trecho, aumentando ainda mais o custo que a população terá de pagar… nem se cabe como, e é este o futuro que os optimistas dos Governos, os que nunca se enganam, os que sabem tudo e não precisam de lições de ninguém, são esses todos que, quando se retirarem da vida publica, talvez levem algum pecúlio bem guardado que lhes retirará a necessidade de estenderem a mão à caridade, como vai suceder à população que não tem outro remédio que não seja o de suportar as consequências.
Fim do primeiro acto…

sábado, 27 de março de 2010

BOM SENSO

O que tanta falta faz
p’ra que o mund’ande melhor
e que não acabe a paz
e se propague o amor
é só preciso bom senso
em todos gestos humanos
e na busca do consenso
procurar não fazer danos

Pensar sempre antes de agir
estudar consequências
evitar o agredir
aceitar certas cedências
isso é da vida um modo
de quem tem compreensão
se tem a dar dar-se todo
e fazê-lo com paixão

Se há na vida ideal
para manter o convívio
procurando o menos mal
e sentindo certo alívio
o bom senso lá faz falta
para fazer amizades
com toda e qualquer malta
de poucas e mais idades

Numa palavra por isso
o Homem bem necessita
assumir o compromisso
de uma atitude bonita
só o bom senso indica
comportamento perfeito
e por isso bem lhe fica
utilizá-lo a seu jeito

REMÉDIOS GENÉRICOS


E DIGAM LÁ que o nosso País não é o campeão das dificuldades, das burocracias, das limitações ao progresso, tudo provocado pela nossa maneira própria de ser que parece fazer gosto em dificultar a vida ao próximo, como gozo pessoal ou colectivo de alguns, de quem alguma coisa podia fazer para as coisas correrem ao contrário.
Esta, de os laboratórios de medicamentos genéricos se debaterem com a maior das incompreensíveis dificuldades para poderem lançá-los no mercado, quando as respectivas fórmulas de composição já caíram no domínio público, ao ponto de se terem de aguardar largo tempo até que os serviços oficiais dêem permissão para tal acontecer, isto com elevado prejuízo de toda a gente, em primeiro lugar os doentes que necessitam de utilizar as respectivas receitas e que não têm posses suficientes para poder comprar os remédios, geralmente com preços elevadas, dos mesmos sem a classificação de genéricos, mas também do próprio Estado, pois é forçado a despender verbas superiores como compensação dos gastos farmacêuticos, tal demora não se consegue ultrapassar porque, como é sabido, em Portugal, para resolver até os assuntos fáceis, é necessário dar tempo ao tempo, sentarmo-nos todos a contemplar e só, passado muito período perdido, é que lá aparece alguém, com alguma vista mais alargada, que toma a iniciativa de fazer andar o que estava adormecido por um sr. Silva qualquer que, por azar, é o que tem intervenção na matéria. Até nesta situação nos encontramos longe da Europa, quando o aproximarmo-nos se trata de coisa bem fácil.
E tudo isto para não referir, de novo, o atraso com que se aguarda que saiam as leis que possibilitam a venda das unidoses de determinadas medicinas, medida essa que, em muitos países da Europa, como a Grã Bretanha, por exemplo, há muitos anos que se encontra em vigor.
E nós, que nos queixamos somente dos políticos. Acusamos permanentemente do sr. Sócrates de ser um incapaz – e é -, mas, ao fim e ao cabo, o que o nosso País tem em demasia é gente que o iguala, portuguesismos da silva que, por todos os lados, o que são capazes é de fazer a vida negra aos outros cidadãos, aos outros, que, por sinal, se dependesse então desses a solução de muitos problemas também tudo ficaria na mesma, pois que o melhor é estar quietinhos e não ter maçadas.
Pois sim, chamem-me o que quiserem, acusem-me de não ser um fervoroso amante do estilo nacional de se actuar e de não gabar, por tudo e por nada, os nacionais deste País. Mas, por muito que gostasse de poder “dourar a pílula”, a minha verdade é que não consigo impor ao meu pensamento elogios à forma como nos costumamos comportar, sobretudo nas áreas da governação, posto que, por razões que se encontrão talvez na área antropológica, ao longo dos séculos e apesar de termos marcado a História com feitos que nos colocaram no cume dos acontecimentos de valor de todo o Mundo, de há umas temporadas para cá e já lá irão demasiados anos, excessivas décadas, não temos razões para, honestamente, nos considerarmos como exemplos ao cima da Esfera terrestre.
Provavelmente precisaremos de sofrer os efeitos de um aperto bem forte para conseguirmos dar a volta à nossa maneira de ser, para despertarmos deste torpor em que temos andado, para merecermos mesmo a posição geográfica privilegiada que nos foi entregue e de que nem somos capazes de tirar o respectivo proveito.
Agora, que o novo “comandante” do PSD já foi escolhido, Passos Coelho, se estivesse ele a ocupar as funções de primeiro-ministro teria a capacidade para pôr a andar milhentas situações que se encontram empenadas e que só necessitam de expediente para sim desse empanamento? É a dúvida que passou a existir desde ontem à noite, quando foi dada a notícia do resultado das eleições nos sociais-democratas.Eu, que sou também um portuguesinho da Silva, não me sinto capacitado para acrescentar mais ao que acabei de escrever. No livro que tenho para publicar – se um editor, claro que tem de ser português, for capaz de pegar nele – e que tem o título “Desencanto… por enquanto”, talvez consiga adiantar mais ao que acabo de expressar. Esperemos que, ainda em minha vida, eu veja um editor expedito querer ter a iniciativa de pegar numa obra que promete ter grande acolhimento dos portugueses. E se escrevo isto aqui é porque a vontade que eu tenho de passar para o papel o que a minha intuição me indica, me dá, julgo eu, autoridade para verificar que, afinal, neste País, não existem apenas editores que vendem livros como quem vende batatas

sexta-feira, 26 de março de 2010

EUROPA

Essa Europa de que tanto se fala
e de que muitos querem fazer parte
não encontrou ainda o caminho
anda confusa
anda perdida
está a consumir tempo
corre o risco de ficar pelo caminho.
A Europa das Nações é um sonho
ter esse objectivo comum
uma Constituição para todos
um governo geral
uma moeda igual (que já tem quase)
com línguas diferentes
costumes desiguais
bandeiras distintas
regiões autónomas
conseguir tal objectivo, não é fácil.
E porquê
se todos desejam fazer parte do grupo?
A resposta é simples:
é que a Europa é constituída por seres humanos
também ela
como o resto do mundo
e é por isso que o entendimento
a comunhão de ideias
e de interesses
a capacidade de não exigir o comando
o desprezar interesses pessoais
o atender ao bem geral
o não ser invejoso
tudo isso falta ao Homem.
Querer ser o chefe
o que manda
desejar a melhor parte
é isso que destrói as comunidades
é por aí que s partem as uniões.
A Europa chegou até onde está
Conseguirá avançar mais um pouco?
Mas quando?
E a que preço?
Até que ponto assistirá pacificamente às discordâncias?
Restará um mito?
Abdicarão os Homens do mau pelo pouco bom?
E as regiões que, por essa Europa,
lutam por independência
estão a passar de moda?Já eram?
Que isso de querer ser dono da sua ruas
deixou de ter razão de ser?
Pois não parece…

E a emigração de que este Continente
está a atrair tantas populações
os milhões de pessoas não europeias
que já se instalaram
e os que virão a caminho
instalando-se
tendo filhos
muitos
o dobro
o triplo
o quádruplo
dos naturais europeus
que mudanças irão provocar
nos hábitos
costumes
língua
cor de pele
da tradição europeia?
Daqui a cinquenta anos
quem cá estiver ainda
e os que nasçam
descendentes dos actuais europeus de origem
Paris
Londres
Madrid
Berlim
Lisboa
todas as grandes cidades
deste Continente
não encontrará nada igual ao que existe hoje.
Os que tenham a capacidade
de ler no futuro
que sejam capazes de desvendar
o futuro.
Embora talvez seja preferível
não se ficar a saber já…

Contemplando todos os Homens de hoje
não será difícil
fazer um exercício de reflexão.
A pergunta impõe-se:
Como é possível continuar a existir
Uma Europa
Com este material humano?
Essa Europa de todos por um
e de um por todos
é um desejo
um mito
toda a realidade dos dias de hoje
é outra.
Podemos ainda ter esperança?
Será preferível persistir numa Europa
Ideal
Unida
Amiga
Sonhada para ser diferente
do que se conseguiu até hoje
capaz de juntar vontades
interesses
forças?

Deixo aqui a pergunta
esta e outras.
e sei que há duas respostas possíveis
antagónicas
divergentes.

Têm fé de que os Homens
acreditam no êxito
têm fé que os Homens
apesar das suas características
encontrem o bom senso
mas outros
talvez a maioria
perderam a esperança

Europa unida?
Um bloco?
Vivendo todos os europeus
em comunhão?

Que sonho mais
lindo!...






EUROPA, VAI OU NÃO VAI?


É UMA ENORME desilusão, para todos os que, como eu, sempre acreditaram nas vantagens da criação e existência da União Europeia, verificar que os comportamentos de alguns dos participantes no Grupo não correspondem ao que se esperaria de um conjunto que deveria marchar bem coeso. Sobretudo neste período tão difícil para todos os países e que, no nosso Continente, se tem feito sentir de forma bem evidente, sendo que uns tantos dos aderentes ao bloco europeu, como é o caso actual da Grécia mas que se poderá estender a outras Nações, se encontram em situação declaradamente difícil, particularmente em termos financeiros, pois é precisamente neste período que se verifica um desencontro de opiniões e em que a falta de unificação de interesses mais se faz observar.
É verdadeiramente incompreensível que, também neste particular, os Homens se estejam a mostrar separados, isto é, quando a união da Europa deveria estar mais actuante e, dando o exemplo ao mundo, é quando os interesses privados de cada Nação mais se fazem projectar, abandonando o sentido da harmonia que tinha de estar presente quando as necessidades mais o impõem.
É certo que a Europa, ao longo da sua História, sempre fez questão de evidenciar os desencontros, sobretudo entre vizinhos, e as guerras que ocorreram pelo passado fora fizeram prova disso mesmo. A Europa Central, neste particular, tomou várias vezes as rédeas dessas inimizades e as invasões de uns e outros, que ocorreram por motivos diferentes, ficaram a marcar as atitudes de confronto que alguns condutores da política mostraram uns aos outros.
Mas então, não foi por isso mesmo que nasceu a iniciativa da União Europeia, sob diversas matrizes, é certo, até mesmo como o do estatuto de Estados Unidos da Europa? Não terá sido com o objectivo de fazer coincidir os interesses dos diferentes povos deste Continente, que se criou a moeda única e que tem vindo a ser desenvolvida, ainda que demoradamente, uma política de unidade, com um Banco comum, uma Parlamento que junte os interesses de todos os membros de variadas línguas e outras medidas que têm vindo a ser desenvolvidas, sempre com espírito de um por todos e todos por um?
Foi. Claro que sim. Só que o ser humano não consegue entender que é com uma verdadeira e sã união que se consegue enfrentar as dificuldades que surgem, também elas criadas pelo mesmo Homem. E, o maldito egoísmo, a desprezível inveja, a malfadada ambição, a ridícula vaidade, tudo isso consegue que as vantagens da comunhão de interesses seja suplantada pela mesquinhes. E, precisamente no momento em que o auxílio deve ser prestado, é nessa altura que surgem as tendências para a separação, para o abandono do auxílio que deve ser prestado aos que o pedem.
Enfim, não estamos ainda nessa situação que, a dar-se, porá fim ao ideal de uma Europa solidária. Mas, por minha parte começo a ter receios de que, com o exemplo da Grécia e, quem sabe, quando chegar a vez de outro País que se encontre nas mesmas condições complicadas precisar de auxílio dos “Irmãos”, se assista a um virar de costas que porá fim a um sonho que, até esta altura, ainda se situa na área das realidades.
Até ao último momento, por minha parte ainda vou conservando a esperança de que os habitantes deste Continente e, em particular, os seus dirigentes políticos, não perderam de vez o juízo. Há que ter fé nos Homens!...

quinta-feira, 25 de março de 2010

AQUILO QUE EU VEJO

Aquilo que vejo
que atrai meus olhos
que me causa ensejo
mesmo sendo aos molhos
eu acredito?
É verdade pura?
Não será um mito?
Uma desventura?
Mas vejo e pergunto:
poderei eu crer
constitui assunto
para eu ver
e aquilo que é dado
algo como queixa
será um recado
que a vida me deixa
uma prevenção
com certa importância
chama-me a atenção
provoca-me ânsia
abre-me o sentido
mas olho parando
e o despercebido
agora pensando
com calma observo
a ideia apurada
por fim lá conservo
a vista do nada
e aquilo que eu via
e que os olhos liam
tinha mais valia
e todos deviam
cá por este mundo
ter algum rigor
olhar sempre a fundo
que tudo tem valor

Por isso m’interrogo
procuro resposta
faço-o como um jogo
é quase uma aposta
tudo por que passo
e atrai minha vista
se causa embaraço
constitui uma pista?
Como em tanto assunto
não sei responder
até ser defunto
terei de aprender