terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CRISTIANAS NOTÍCIAS


A AUSÊNCIA de sentido de oportunidade, de respeito pelos acontecimentos sérios, até do mínimo de bom senso, essa característica anda à solta por este País e não é só nas cabeças dos governantes e do seu chefe que se pode apontar tal defeito, a própria comunicação social, alguma dela, perdeu completamente a noção do que são notícias sérias, boas ou más, das que devem chegar ao conhecimento dos leitores, ouvintes ou espectadores, ao ponto de dedicarem capas, páginas inteiras, títulos a toda a largura das folhas a assuntos que só servem para indignar ainda mais este povo que já está tão causticado e que merece um certo cuidado para não levar ao extremo a sua falta de capacidade para aguentar sucessivas dificuldades para conduzir a sua vida, mesmo mediana que seja, em Portugal. Eu, que na minha vida jornalística, aprendi com mestres de grandeza e ensinei depois aos meus redactores que não se pode perder o respeito pelos seguidores das notícias, transmitindo sempre o que havia para divulgar tendo em atenção o conjunto da situação do País – e,. nessa altura, a própria Censura se encarregava de usar o lápis azul para cortar o que lhe parecia poder criar situações difíceis no ambiente dos cidadãos -, obviamente que não tinha outro remédio que não fosse o de escolher entre a notícia importante e o vazio de conteúdo.
E porquê venho eu agora com este arrazoado? É que, no meio das maiores catástrofes por esse mundo fora, para não falar até da que ocorreu no Haiti e que entristeceu todo o mundo, o que se passou agora na Madeira, portanto em plena Terra lusitana, é tema para ser considerado prioritário em tudo que se transmite nos vários órgãos de Informação nacionais. Não pode haver outra coisa que seja mais importante nos nossos noticiários do que o que transformou a “Pérola do Atlântico” num mar de lodo, de ribeiras loucas a descarregar água pelas colinas abaixo e tudo isso com as consequências destruidoras que foram causadas pelas chuvas torrenciais que caíram na Ilha. Para além das mortes, dos feridos e dos inúmeros desalojados.
Mesmo assim, não pararem de surgir páginas inteiras dedicadas ao que o Cristiano Ronaldo compra, quem ele namora, o que ele faz na sua intimidade ou em plena praça pública, para além de enfastiar a repetição constitui até uma espécie de falta de assuntos importantes por parte de uma certa Imprensa. Eu sei que esse tipo de actuação cabe a um departamento tido como de “jornalismo social”, que eu pessoalmente nunca pratiquei, mas, mesmo assim, sempre há quem dirija tais folhas e deva ter a capacidade de orientar os seus redactores a variar de assunto.
Agora, numa fase de verdadeira crise, de desemprego aflitivo, de carências das famílias em suportar as despesas mensais, o ser dada espectacularmente a “notícia” de que Carlos Cruz comprou uma vivenda com piscina e tudo em Cascais, com a indicação de que a casa anterior era pequena, essa ofensa à maioria esmagadora dos portugueses não pode passar sem uma reprimenda, pelo menos neste meu blogue, já que, até agora, ainda não se notou qualquer tipo de cortes, por parte de quem seja, para impedir que se digam as coisas que apoquentam quem anda atento ao que ocorre em Portugal e não anda satisfeito com as atitudes de um certo número de portugueses.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

ÁGUA


Já cá estavas quando eu nasci
bebi-te ainda sem saber quem eras
terei gostado, sim, gostei deveras
matando a sede, por isso sorri

Ó água pura que ainda existes
nem nisso pensam as gentes de hoje
se algum dia esse bem nos foge
será então que ficamos mais tristes

E esse dia terá que chegar
mesmo dizendo não os optimistas
é preciso não desviar as vistas
do mal que poderá todos matar

Água salgada, essa aumentará
mas tirar-lhe o sal é difícil cousa
na terra a que ainda repousa
virá o dia em que acabará

A Igreja chama-lhe água benta
e com esta baptiza as criancinhas
serão elas talvez, as pobrezinhas,
que terão de enfrentar tal tormenta

É ainda o líquido precioso
que tem servido para enganar
misturado no que se vai provar
pois é vício deste mundo enganoso

E na vida faz bem ter certa fé
é muito bom crer no que quer que seja
e em vez de água beber cerveja
como em seu lugar tomar água pé

Mas para ambas é essencial
essa água que não pode faltar
da mesma forma que não haver ar
é morte certa p‘ra qualquer mortal

Mas será que neste mundo em mudança
onde tudo se inventa cada dia
alguém conseguirá a utopia
de atingir a bem-aventurança?

Não sendo a água já tão necessária
ficamos nesse caso descansados
temos de olhar para outros lados
para outra coisa também primária

Porque não acabam as aflições
excesso de gente causa problemas
e serão tais os vários dilemas
que o melhor é não ter ilusões

A MADEIRA ERA UM JARDIM...


ESTÁ demonstrado que as circunstâncias da vida têm mais força e influência do que a vontade dos homens. Quem seria capaz de adivinhar que, na altura em que se levantou aquela luta tão discutida, da concessão ao arquipélago da Madeira da verba de milhões de euros que constavam do Orçamento do Estado e que eram muito inferiores ao montante que era desejado pelos defensores do apoio, dito excepcional em relação ao restante distrital do território do Continente, nessa ocasião quem poderia imaginar que um desastre ecológico da dimensão do que sucedeu na Ilha iria conduzir à necessidade de o mesmo Governo de Sócrates se ver obrigado a desviar para o território chefiado pelo “inimigo”, Alberto João Jardim, o que, ainda há dias, se bamboleava nas ruas do Funchal mascarado de Vasco da Gama, dizia ele, a propósito do Carnaval, que iria descobrir o Portugal Continental, e volto à pergunta formulada logo de inicio: quem poderia antever tal situação?
Nesta altura, o custo do apoio que há que dar aos madeirenses, será forçosamente muito superior ao montante que foi recusado e estava previsto no O.G.E. Picardias do destino!
Também, face às ocorrências e às inúmeras obras que, por iniciativa de Jardim, foram sendo feitas ao longo da sua gerência política, verifica-se agora que, se não tivesse o Presidente do Governo do Arquipélago investido tanto em tais construções – o que fez com que se o tenha acusado de ser mais "consumidor” dos dinheiros do Estado que qualquer distrito da zona continental portuguesa -, as consequências da devastação pelas águas teriam atingido um ponto muito mais grave do que aquele a que chegou. O que não se sabe ainda é se os técnicos que interferiram em tais construções (estradas, pontes, túneis, etc.) terão sido suficientemente prudentes e selectivos ao ponto de terem optado por outros caminhos mais urgentes, como agora se verificou.
Infelizmente, a experiência que têm os cidadãos portugueses em relação à competência de muitos técnicos nacionais – acentue-se o túnel do Terreiro do Paço, que dura há anos e tem sido dadas provas bastantes de falta de capacidade dos responsáveis, como inúmeras obras públicas que tardam o dobro do tempo a ficar concluídas e custam três vezes mais do que é previsto no papel -, essas constantes faltas por parte dos que saem dos institutos técnicos nacionais fazem com que se levante essa dúvida, embora nada se possa já fazer para a remediar.
Seja como for, a verdade é que Jardim, que, como político tem dado provas da sua má educação, do péssimo comportamento e dos ataques sucessivos ao que é originário do Continente, mais uma vez cai nas graças dos naturais da sua Ilha. E eu repito aqui o que tenho afirmado em várias ocasiões: eu não aprecio Alberto João Jardim, como pessoa e como político, mas se fosse natural e vivesse na Madeira seguramente era um seu fiel votante!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

ANDAR POR CÁ

Andar por cá a arrastar-se
sem que a idade ajude
vá lá a gente fiar-se
pois tudo nos desilude
e os dias vão passando
vem mais um aniversário
sem saber como e quando
acaba este calvário

O sofrer com a doença
ninguém quer mas tal sucede
lá se vai mantendo a crença
de vir o que bem se pede
p’ra não fugirmos à sina
de dar com o inesperado
situação que mofina
mesmo passando ao lado

Mas, p’ros novos ensinar
devem cá estar os mais velhos
se dizem não precisar
sempre metem os bedelhos
mesmo p’ra não repetir
os erros já praticados
para poder prosseguir
caminhos novos traçados

Ao menos que o sacrifício
que cada idoso suporta
preste algum benefício
e ajude a abrir a porta
qu’aos novos a vida oferece
com teoria sem prática
e a juventude merece

São assim as gerações
e os que ainda se movem
assumem obrigações
por isso não se comovem

EM QUEDA LIVRE. QUEM NOS SEGURA?


TEM LEVADO o seu tempo, porque não gosto de tomar posições definitivas sem, conscientemente, analisar, sob todos os ângulos, as pessoas ou os factos que podem levar-me a prosseguir na opinião que mantenho ou a escolher outra alternativa. É o que se passa em relação ao primeiro-ministro que se encontra, já na sua segunda experiência naquele lugar. Quis espreitar, por todos os lados, aquilo que constitui a forma de ser do homem e acompanhar tal análise do modo como ele tem desempenhado as funções que, particularmente nesta altura, não suportam mais erros de extrema gravidade e, a par disso, têm de pôr fora de cena quaisquer demonstrações ridículas de vaidade, como aquelas que têm sido fartamente demonstradas pelo actor principal, de nome José Sócrates. Os textos que tenho deixado neste meu blogue diário têm sido bem explícitos em relação ao que acabo de afirmar. E o grave também tem sido o facto do elenco governativo escolhido pelo seu responsável principal, na generalidade dos seus actores, não tem contribuído para tentar provocar alterações substanciais no caminho que tem sido seguido.
Este blogue vai ser extenso, já o prevejo, mas estamos na altura em que nós, portugueses, se temos algum sentido de responsabilidade na parte que nos cabe, não podemos eximirmo-nos de dizer, com toda a responsabilidade, aquilo que julgamos ser um contributo, por pequeno que seja, para ajudar Portugal. Assumo, pois, a minha opinião e sujeito-me a que haja quem não esteja de acordo e prefira que larguemos balões em vez de dizer aquilo que consideramos verdades duras.
É altura, pois, de não rodear o tema e falar claro: José Sócrates, realmente, não é um governante que vá deixar saudades e que fique na História como alguém que tenha evitado que o nosso País se envolvesse progressivamente numa teia de problemas, incluindo as dívidas que todos os dias aumentam em muito milhões de euros, que, apesar da crise que seria complicada resolver para qualquer responsável, mesmo assim havia formas de, com bom senso, humildade e sabedoria, ter limitado a queda que nos conduziu ao estado deplorável em que nos encontramos. E não foi nada disso que aconteceu ao longo deste período duplo de governação.
Aqui deixo, pois, bem clara a minha opinião: José Sócrates é o grande culpado histórico da posição ultra-deficitária em que nos encontramos. Seria da maior utilidade que fosse viável substituir o actual chefe do Governo por outro político, não valendo agora a pena apontar qual a figura que melhor poderia desempenhar essas funções. Mas o problema não é só esse. A questão que se põe é a de analisar, com a maior clareza possível, a generalidade da situação de Portugal, em todas as suas vertentes mais importantes, para poder decidir se, nesta altura e face também aos compromissos políticos que nos rodeiam, seria aconselhável provocar uma luta de forças partidárias para se decidir qual a que conseguiria obter uma posição maioritária.
Em conclusão, portanto, e segundo a minha opinião: em circunstâncias diferentes, o ideal seria que José Sócrates fosse afastado, de imediato, da condução do Governo em Portugal, só que as condições, tais como as que defrontamos nesta altura, desaconselham que, fosse qual fosse o método seguido, tivéssemos de presenciar o que constituiria um abanão ainda maior na nossa imagem no ambiente internacional e não ajudaria a criar reforço da credibilidade económica e financeira junto dos parceiros que, mesmo assim, ainda vão concedendo algum crédito, cada vez menor e com juros que vão aumentando de forma já insuportável, às nossas necessidades.
Os múltiplos erros praticados pelo conjunto chefiado por Sócrates, especialmente no capítulo da redução drástica das despesas públicas, tendo a humildade de terminar com as auto-estradas, o aeroporto e todos os dispêndios que podem bem esperar, anos que sejam, por uma altura apropriada com as nossas posses, tudo isso é mais do que suficiente para fazer com que a cotação do primeiro-ministro se encontre nas chamadas ruas da amargura. E o não aceitar que os técnicos da imagem modifiquem o seu parecer, arrogante e ultra-sabedor de tudo, lhe alterem o palavreado, o tornem mais credível naquilo que afirma, todo esse conjunto torna-o sucessivamente menos aceite pela opinião pública. E só não acredita nisto quem não anda pelas ruas e ouve o que dizem os cidadãos comuns.
E nem vale a pena referir aqui a lista enorme de situações que, mesmo do caso das escutas não ter saído (ainda) nada de esclarecedor com provas, em parte porque existem, de facto, alguns sectores que muita preocupação mostram em proteger a figura em causa (provavelmente também para se irem protegendo a si mesmos), até sem os esclarecimentos que deveriam partir, em primeiro lugar, do próprio atacado, já não existem formas de libertar José Sócrates da montanha de dúvidas, em parte, e de certezas por outros lados, que o libertem de, até ao fim da sua carreira, carregar a imagem de “personna non grata” para um número muito elevado de portugueses. Justo ou injusto, o que interessa é que não vale a pena encobrir este facto com desculpas que não “colam” na opinião dos cidadãos lusitanos. O que custa também a entender, por muito que os regulamentos judiciais ponham obstáculos à decisão, é que não tenha surgido ainda um elemento da magistratura que, enfrentando o problema com a maior valentia, resolva retirar todas as dúvidas e dê mostra pública do que as tais escutas, enquanto não forem conhecidos os seus conteúdos, se justificam ou não, para que terminem de vez as explorações jornalísticas que, fazendo o seu papel, usufruem dos segredos que se teimam em manter. É que o que está em causa, acima de tudo, é a acalmia da turbulência pública, sobretudo quando o alvo é a primeira figura do Governo. Inaceitável!
Face a isto, o que os naturais do nosso País têm de suportar é a manutenção no lugar de um político não desejado por um elevado número de cidadãos e aguardar pelas circunstâncias favoráveis para que se efectue a mudança democrática sem levantar problemas graves no sistema que mantemos e dentro do calendário apropriado. Enquanto Sócrates se conservar naquele lugar as quezílias políticas não têm fim… e o resto são só paninhos quentes.
De facto, o PSD não se encontra ainda com a casa arrumada, de modo a que esteja em condições de lutar por uma posição maioritária no Parlamento; de igual modo, é forçoso que, no interior do próprio PS, estejam devidamente esclarecidas as tendências e que, com coragem, as inclinações dos seus membros venham a lume, sabendo-se, como se sabe, que já se notam movimentos que não desejam estar enfileirados no socratismo.
Cavaco Silva, tendo em conta as datas que lhe dão possibilidade de actuar dentro dos seus poderes para derrubar o Governo, terá a precaução de não se arriscar a tomar essa atitude antes de terem lugar as eleições para o mandato que se segue em Belém.
Todos os restantes partidos, com assento na Assembleia, não possuindo número suficiente de cadeiras que lhes permita a aspiração de assumir o topo de um Executivo, esses estarão sempre dependentes de acordos, junções, subalternidades. Não resolvem.
Enquanto o País se encontra condicionado por tais impedimentos, assiste-se à perda de tempo, que nos faz tanta falta para enfrentar os problemas mais graves, com folhetins de escutas, de perseguições à comunicação social, de alimentação de verdades e de mentiras que nem adiantam nem atrasam no que diz respeito à preparação dos nossos problemas mais aflitivos. E de entre eles, está sempre em lugar cimeiro, a praga do desemprego, que esse sim é excessivamente amargurante e não se tem conseguido solucionar. Mas não é apenas isso. Trata-se de que, em cada dia que passa, os muitos milhões de euros que aumentam o défice do nosso Orçamento – e o que até passou no Parlamento não vai ser cumprido, isto no dizer de economistas e até antigos ministros, como Medina Carreira e José Silva Lopes, que são os mais abertos e não escondem que se torna irremediavelmente necessário que até os salários têm de ser reduzidos, isso desde já, pois não há milagres e o corte nas reformas está aí a caminho!... É uma tristeza mas é uma realidade que temos à porta.
O que eu tenho afirmado neste blogue, que tem provocado revolta de alguns leitores, que são partidários de que o povo deve andar enganado para não desanimar, essa previsão matemática que não é preciso ser bruxo para a estar a cheirar, de tão perto que já está, é o que me tem desconsolado depois de tantos anos de trabalho e de desconto e de pensar nos jovens que vão pagar tudo junto. Mas nessa altura não haverá greves para exigir aumentos e o Sócrates já se encontrará bem longe, provavelmente com a vida organizada para não sofrer as consequências da sua incompetência governativa.
Eu, do Sócrates já não desejo falar mais. É uma praga que nos foi rogada e que temos de suportar. O que me assusta nesta altura ainda mais é a dúvida quanto ao sucessor que passar a instalar-se em S. Bento. É que já não temos margem para enganos. Ou se acerta na próxima… ou temos de pôr o papel na porta – “Fechados para balanço”!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

AS TERMAS

Há-as de todos os tipos
Lindas e apalaçadas
As que só usam os ricos
Que aí passam temporadas

Como há as medianas
Que bolsos magros suportam
São quase sempre espartanas
Os clientes não se importam

A que eu uso é especial
Há anos que a escolhi
Para mim é uma praxe

No centro de Portugal
Amei-a logo que a vi
Tem por nome Alcafache

RICAS REFORMAS


QUE OUTROS temas poderão ser abordados numa fase de preocupação máxima no que diz respeito ao futuro, do que o que tem a ver com as reformas dos portugueses? É óbvio que, o dia-a-dia que temos de enfrentar, já dá suficiente trabalho e muito sofrimento para que nos consigamos manter na corda bamba em que somos forçados a tentar o equilíbrio. Mas ao pensarmos no que nos poderá suceder quando chegar a hora de nos retirarmos da actividade profissional que exercemos num determinado momento, esses que ainda não atingiram tal meta terão de sentir uma certa inquietação quanto ao não poderem pôr de parte o admitirem que as condições financeiras do sector que couber quanto à responsabilidade de sustentar tal obrigação possam vir a sofrer alterações substanciais.
Pois é isso. O assunto das reformas não pode, por mais alheios que andemos da análise da situação actual, encontrar-se longe dos nossos pensamentos e, aqueles que começam a vislumbrar a data em que se despedirão dos companheiros de trabalho, esses, particularmente, mais sentirão a vontade de lá chegar mas, ao mesmo tempo, andarão algo apreensivos pela dúvida quanto a ser ultrapassada a ameaça de que a crise também atingirá o sector dos que só vivem ajudados pelo valor que lhes cabe na pensão resultante das contas feitas em relação ao que descontaram ao longo da sua vida profissional.
É verdade que, bem no íntimo, manterão a tal esperança, a última a morrer, de que conseguirão escapar a essa desgraça que, a passar-se realmente, será um descalabro que não haverá política que consiga suster as consequências da demonstração de que não há dinheiro publico que chegue para liquidar as reformas dos portugueses. E é bom que essa esperança nunca morra, pelo menos para que se consigam terminar as derradeiras caminhadas pela vida com o pouco, sendo só pouco, que vier todos os meses aquecer os bolsos dos mais velhos.
Não falo agora, por demasiado debatida, na situação daqueles que, sendo as excepções mas, mesmo assim excessivos, auferem reformas verdadeiramente escandalosas e não merecidas. Não serão os que mais valem, mas tiveram a esperteza, a habilidade, sobretudo a cunha partidária, a manha de conseguir serem colocados em posições de privilégio. E, se falarmos, por exemplo, nas reformas vitalícias dos ex-políticos, que, em 2010, recebem um valor médio de 1.900 euros mensais, pelo que a despesa pública com as respectivas subvenções se fixam na casa dos 8,8 milhões, mais 5,6 por cento do que no ano passado e que, no que vem a seguir, crescerá ainda mais, então haverá muito a colocar no papel. Os ex-deputados, por exemplo, fazem parte dos beneficiários que têm garantida a pensão enquanto forem vivos.
Agora, a possibilidade que dá a lei de os portugueses poderem recorrer à reforma antecipada, isto é, antes de atingirem os 65 anos, mesmo sofrendo alguma penalização por esse motivo – desde que não tenha a ver com a saúde ou com acidente laboral -, essa antecipação provoca custos de vária ordem, tanto no capítulo financeiro como no social. Por um lado, se a saída do mercado de trabalho no período estabelecido não deixa margem para que outros, mais novos, possam preencher os seus lugares, pois que é sabido que as empresas privadas se esforçam para não substituir trabalhadores saídos por outros novos, no que resulta que o desemprego continue a constituir a aflição que tanto está a pesar no campo social do nosso País, por outro lado, uma diminuição nas receitas da segurança social, pois os descontos que deixam de ser feitos proporciona o não ir arrecadando verbas para fazerem face, durante o maior tempo que for possível, às pensões dos que se mantém já no descanso da reforma, essa situação também é da maior gravidade.
Trata-se, portanto, de um problema que os governos têm nas mãos. Ou o prolongarem o período de trabalho e não ser aos 65 anos, mas mais tarde, que os trabalhadores passam a ter acesso a esse regalia, o que representa a não possibilidade de abrir portas aos que se encontram no desemprego e são muitíssimos, ou, actuando de forma exactamente contrária e atender, acima de tudo, à redução de gente sem encontrar forma de ocupação profissional, fomentando a corrida à reforma e deixando para depois, para os futuros governantes, o problema de conseguir dinheiro para fazer frente ao pagamento das reformas.
Há quem saiba responder a este dilema? Não vale a pena preocuparmo-nos hoje com o que pode muito bem vir a passar-se no horizonte que anda por aí a rondar-nos?
Não. Essa do copo meio cheio e meio vazio é uma forma de dizer coisas sem querer dizer nada. Para isso mais vale não haver sequer copo. E será que o tal copo, que é de vidro, até mesmo de cristal se vai manter inteiro, não se quebrando entretanto?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

AS QUINAS

Em certa manhã de nevoeiro
Vai despertar aqui no País
A esperança de ser feliz
Trazida por um alvissareiro?
II
Em Terra de tantos pacientes
Ainda há fé em epopeias
Pois o sangue que corre nas veias
Vem de outrora, de antigas gentes
III
Por mais que se julgue adormecida
A ânsia do Mostrengo matar
Grande coragem não vai faltar
Sempre se vai dar a acometida
IV
Tanta apagada e vil tristeza
Que é apanágio do Português
Não quererá que um dias, talvez
Ponha à mostra a sua sageza
V
Para os últimos deixarem de ser
P’ra entrarem no comboio perdido
Há que soltar o ar abatido
E sem demora correr, correr
VI
Olhemos aqui para os vizinhos
Esses, doutros tempos, Castelhanos
E honremos os velhos Lusitanos
Seguindo então novos caminhos
VII
Por mais que estejam adormecidos
Mesmo que pouco e mal se lute
Não se há-de perder o azimute
No fim não sairemos vencidos

O CÁOS COMPLETO



EXISTEM, de facto, razões de sobra para que os portugueses, aqueles que procuram acompanhar a evolução, positiva ou negativa, do seu País, obviamente mais nas áreas da política, a que se liga o sector económico, financeiro, social e outros, se encontrem cada vez mais confusos quanto até às suas preferências no que diz respeito a escolher quem se encontrará em melhores condições para procurar salvar Portugal da derrocada em que se encontra e que, à primeira vista, não se encontra muito à mostra ao ponto de transmitir confiança suficiente à maioria dos lusitanos.
Fixando a atenção no Partido Socialista, por mais que se recordem, os que têm idade para isso, do período em que ocorreu a manifestação da Alameda e em que os socialistas de Mário Soares foram decisivos para acabar com a ameaça de uma ditadura comunista que as condições que se viviam no pós-Revolução tanto favoreciam que se seguisse esse caminho, os tempos agora são outros e, com excepção da Almeida Santos que interferiu nessa histórica actuação socialista e de poucos que ainda se encontram no largo do Rato, todo o resto não tem nada a ver com o espírito de tal época… e muito menos José Sócrates. Eu que, na altura da Fonte Luminosa, actuei dentro das minhas possibilidades e prestei a minha colaboração de apoio a tal busca de se instalar a Democracia no nosso País, agora não posso encontrar-me mais desassossegado face a um cenário que se apresenta cada vez mais escuro e perigoso que ameaça conduzir-nos para uma hecatombe cuja solução é muito difícil de conceber.
O Sócrates, gozando do privilégio das oposições não estarem organizadas de forma a poderem tomar a responsabilidade de assumir a governação, também no interior do seu próprio partido, por mais que tenha querido mobilizar os seus membros para fazerem frente aos ataques sucessivos, sobretudo por parte da comunicação social, quanto aos vários casos em que se vê envolvido e sem acusação formalizada, como sejam a Freeport e a Face Oculta, com isso o que deu foi criar a ocasião para que surgissem alguns sinais pouco claros de divisão no interior do PS, mas, até agora, ninguém se mostrou com capacidade para afirmar, alto e bom som, que há condições para substituir o actual secretário-geral por outro socialista que possa exercer o lugar de primeiro-ministro, e isso sem necessidade de eleições. Estas, também, numa altura tão periclitante para conseguirmos ultrapassar as dificuldades que atravessamos, a terem lugar fora do período estabelecido com normalidade, só constituiria um problema ainda maior do que já temos em mãos. No caso do Presidente da República, no exercício do seu poder, demitir o Governo, esta atitude, para além das razões apontadas, na sua situação concreta não seria o mais conveniente, pois que a luta que terá de desenvolver para renovar o seu mandato em Belém não lhe proporcionaria um benefício visível para a conquista de votos.
Isto quer dizer, em resumo, que José Sócrates que, por sua livre vontade, não dá sinais de demitir-se das funções que ocupa, está o que se chama “de pedra e cal”. Nem tenho muito a certeza de que, se o PSD conseguir eleger um comandante que implante a união dentro das suas hostes, ficará em condições para convencer o eleitorado a dar-lhe uma maioria parlamentar.
Quem, no meio disto tudo, anda a espreitar a sua oportunidade é o Paulo Portas. Ele, que já foi ministro até de uma pasta que seria a última a atribuir-lhe (e que deixou a marca dos submarinos adquiridos, tema que ainda irá dar muito que falar, sobretudo se chegar a ocupar de novo um posto governamental), com o gosto que se lhe conhece de subir a um poleiro que lhe encha o ego, não espanta nada que não recuse fazer uma perninha do seu PP com o PS, se esta for uma saída que convenha aos dois grupos partidários.
Mais barafunda do que esta em que estamos metidos é quase impossível de atingir. E o triste também é que a nossa vizinha Espanha, não tendo conseguido ultrapassar a sua própria crise, com um desemprego nesta altura que já alcançou níveis altíssimos, não nos deixe grandes margens de esperança para uma ajuda que bem útil seria vinda daquele lado.
É, realmente, o que se chama um cáos geral!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

EMIGRANTES PORTUGUESES

Portugueses emigrantes
que partistes à deriva
estais melhor do que antes
daí a alternativa

Sem saber falar a língua
do país que te acolheu
foi mesmo sair à míngua
de quem por aí se benzeu

Chegados p’ra trabalhar
onde seja e o que seja
é preciso começar
por vezes dura peleja

Mas o espírito de luta
grande ânsia de viver
faz com que qualquer labuta
seja aceite p’ra vencer

Sacrifício, economias
e força p’ra trabalhar
sem tempo para folias
e nunca desanimar

Submissos mas contentes
respeitadores do à volta
são aceites pelas gentes
nunca expressam revolta

Trabalham mais do que todos
produzem com ambição
juntam dinheiro a rodos
p’ra regressar à Nação

Se voltam nunca se sabe
pois filhos nascem lá fora
e a decisão só cabe
no tempo exacto e na hora

Seja como for então
a pergunta sempre fica
não sendo seres de ficção
que mistério os modifica?

Porquê os que cá estão
como os outros portugueses
só sabem dizer que não
e ao trabalho poucas vezes?

Se dentro das nossas portas
fôssemos como os de fora
não havia horas mortas
nem havia que ir embora

Portugal outro seria
competindo com maiores
grande inveja causaria
sem precisar de favores

Só que quando os emigrantes
ao solo pátrio regressam
ficam logo como antes
e na moleza tropeçam

Será pois do nosso solo
ou do Sol que alumia
que não se encontra consolo
e se perde a energia?

Se não há superstições
e a verdade outra será
é porque lá fora os patrões
não são iguais aos de cá?

Que responda quem souber
e pertença aos temerosos
com sindicatos teimosos
a lutar é de temer

Fica cada um na sua
a cura é bem remota
a mudança não se nota
e o mal não se atenua

Leis do trabalho estão
fora da realidade
e sendo esta a verdade
não se verá solução

PORTUGUESES FORA DE PORTAS


NÃO É nenhuma novidade da minha parte. Já aqui me referi ao êxito que têm os nossos emigrantes e isso não é só de hoje mas sempre sucedeu ao longo da história das vivências de portugueses em terras estrangeiras. São tão raros os casos de insucessos que, de uma forma geral, não são conhecidas situações de desventura dos que são forçados ou optam pela vida fora das nossas fronteiras, sendo as mais antigas as que ocorriam no Brasil, desde a época da sua descoberta, e em que, mesmo com as anedotas que eram divulgadas dos “portugas” que ali se instalavam e deram mostras de grande vontade de trabalhar e de sucessos empresariais, apesar disso ou talvez por via disso serviram de exemplo ao próprios “brasucas”, que não demonstravam tanta apetência pela labuta diária.
E, pelo mundo fora, fosse e seja o destino que os acolheu e acolhe, há que reconhecer que os bons resultados constituem uma demonstração de que os portugueses, fora das suas fronteiras, são exemplares pela sua dedicação ao trabalho e ao bom comportamento como cidadãos.
E se isso se deu sempre em relação aos emigrantes lusitanos de todas as classes, na época actual temos exemplos bem nítidos de figuras que, por cá, nas suas actuações destacadas, nem por isso deram mostras de excepcional capacidade e, deixadas essas funções, ao ocuparem posições salientes no estrangeiro têm-se distinguido ao nível internacional. E, se queremos apontar dois casos paradigmáticos, não precisamos de ir mais longe, fixando a nossa atenção nas duas figuras que são bem conhecidas lá fora, em Durão Barroso e António Guterres, um mais do que o outro mas ambos com actuações merecedoras de louvor e com um sucesso indesmentível. No entanto, tendo sido os dois primeiros-ministros em Portugal, nessas funções não deixaram nada de notável e os seus sucessores até se queixaram publicamente de heranças políticas merecedoras de críticas. Já sabemos que Vítor Constâncio foi admitido como vice-governador do Banco Europeu, lugar que ocupará em Junho próximo e essa importante função lá fora poderá constituir a demonstração de competência de mais um português que dará mostras de que, passadas as nossas fronteiras, profissionalmente servimos de exemplo, como sucede a tantos outros, com as mais diversas ocupações.
Tudo isto para levantar a questão de, mesmo tratando-se de uma interrogação com certa dose de ironia, se os portugueses se deslocassem em bloco para outra zona diferente deste na Península Ibérica, não nasceria um país perfeito, com um povo impecável, trabalhador, cumpridor das regras, disposto a exercer as suas tarefas em bloco e com o intuito único de construir o seu futuro pleno de sucessos. E, obviamente, daí surgiriam os políticos, também eles portugueses, que, então sim, seriam profissionais que não seriam merecedores das críticas que, para cá das fronteiras, lhes são feitas e com toda a razão. Que grande sonho!...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A FORÇA

Esta força que temos e desconhecemos
e que está muito bem escondida
pelo que não sabemos
que a temos em vida

E é melhor assim, não haver consciência
para não a usar mal
e sempre haver clemência
num momento fulcral

A força das palavras é melhor
do que a força dos braços
é a razão que impera onde for
preferem ser usados em abraços

Se a força que podemos ter
for mal utilizada
será ocasião para aprender
que a vida é um quase nada

A força de vontade essa sim
é bem útil ao ser humano
ajuda a chegar até ao fim
sem nunca sofrer grande dano

A força
Não reforça
Mesmo que torça

PAÍS DE VELHOS


ESTÁ DITO E REDITO que Portugal é, cada vez mais, um País de velhos. Nem é preciso irmos propositadamente a uma terra do interior, a uma pequena aldeia seja onde for por esses campos fora, onde a juventude praticamente não existe, pois se nos sentarmos algum tempo numa rua de Lisboa ou do Porto ou mesmo de alguma das nossas cidades maiores a assistirmos ao movimento, para descobrirmos que o número maior de pessoas que passam é constituído por gente que deixou, há bastante tempo, de fazer parte dos homens de amanhã.
Dizem as estatísticas que o número de portugueses de idade é três vezes maior ao de novos. E isso quer dizer, entre outras coisas, que o futuro do nosso País está seriamente comprometido e que só contando com as crianças que nasçam entretanto, filhos de imigrantes, pessoas de outras origens e sem tradição lusitana, só concedendo a nossa nacionalidade a essas crianças de cores diferentes das nossas e de línguas e costumes paternos que não se assemelham aos que assumimos, apenas dessa forma será possível solucionar o escasso nascimento dos chamados portugueses de gema, o que, valha a verdade, até será possível que altere e melhore bastante a qualidade daquilo que somos hoje.
Como historicamente é sabido, aquilo que se pode chamar de características específicas dos portugueses surgiu de uma mistura de diferentes povos que, nos longínquos antanhos, resolveram vir instalar-se nesta Península e que, com as suas misturas em que interferiram os muçulmanos nos primeiros séculos da nossa era até à altura da sua expulsão, para além de franceses que, na sua invasão na zona das Beiras deixaram alguma marca, não esquecendo o que, no tempo de Afonso Henriques, surgiu da comunhão galaico-lusitana que, ainda hoje, constitui uma marca específica, este modelo situado nesta Península que, verdade seja dita, deveria ter grande satisfação (não gosto de usar a expressão orgulho) em ser bem diferente de todos os outros da Europa, nesta altura da vida e face às vagas de imigrantes que se instalam nesta ponta deveria cuidar de aumentar o rejuvenescimento das suas hostes, de forma a que não se confrontasse, daqui a poucos anos, perante a realidade de ver perdidas as ligações às suas origens.
Digo acima e reflicto sobre as consequências. Na verdade, perante os caminhos que têm sido seguidos no nosso País pelos maiores responsáveis da conduta nacional, face ao comportamento pouco recomendável, pelo menos dentro de portas, dos cidadãos portugueses, ninguém pode garantir que a introdução de sangue exterior no vaso que tem sido usado por cá não constitua uma melhoria que leve a que muito se altere no que diz respeito a levantarmos esta Pátria, com um passado histórico que muito nos honra, ao nível que nos deveria caber.
É mais uma esperança das muitas que acalentamos. E mais uma menos uma, não e por aí que se perde ou ganha alguma coisa. Toda a vida foi aí que constituiu a resistência que, a muito custo, conseguiu fazer com que tivéssemos chegado até aqui. Mal, mas vivos!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

FUTURO

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro




CARNAVAL PORTUGUÊS



AINDA NÃO ENTENDI o motivo por que recebo seguidamente mails com denúncias sobre situações que ocorrem neste nosso País e que dão bem mostras do assalto a que está sujeito todo um povo que não tem forma de colocar tudo nos eixos, pois que as revoluções que tiveram lugar em Portugal sempre foram bastante desajeitadas e se o antes estava mal, o que veio a seguir nem por isso foi bem aproveitado.
Mas, vamos ao assunto que me ocupa hoje. E apenas reproduzo aquilo que me apareceu no écran do computador.
Trata-se de mais uma situação revoltante e sobre a qual não vão existir esperanças de que alguma chamada autoridade nacional se dê ao incómodo de reagir, não sei mesmo se o conseguiria se quisesse ou se, por razões de cooperativismo profissional e de conveniência para que não lhe chegue também a vez de assistir ao seu caso também denunciado, faz ar de distraído e cala a boca bem caladinha. Preparem-se então para o tema:
Um senhor que me dizem chamar-se Jorge Viegas Vasconcelos, que foi presidente de uma coisa chamada ERSE, por extenso Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos e que, segundo parece, é um organismos que ninguém conhece e muito menos para o que serve, esse senhor pediu a demissão do cargo que exercia porque, afirma-se, não concordou com os aumentos do preço da electricidade que o próprio considerou serem insuficientes.
Pois bem, ao ir para casa em virtude da sua decisão de terminar com as funções que exercia, de acordo com o estabelecido na própria empresa referida, partiu com um pagamento mensal e durante dois anos de 12 mil euros, isso até encontrar outro emprego.
Consta que alguém procurou saber no Ministério da Economia, de que depende a dita ERSE, que legalidade havia nesta atribuição de um vencimento a alguém que se despede por livre vontade e a resposta parece ter sido de que se trata de um acordo no interior da dita empresa e que os seus administradores têm o estatuto de gestores públicos, os quais criaram um esquema vantajoso para eles próprios, não podendo ser alterado por qualquer determinação oficial.
Mas a notícia que está a gora ser divulgada e que chegou ao meu computador acrescenta que o demissionário senhor Vasconcelos vencia mensalmente 18 mil euros mensais, mais ajudas de custo e dentro do tempo legal de 14 meses. E ainda acrescenta a referida informação sobre a actividade da referida ERSE, esclarecendo que consiste em “fazer cumprir as disposições legislativas para o sector energético”.
Compreende-se então a “utilidade” daquele organismo. É que afinal não é o Governo, os tribunais, até a polícia que fazem cumprir as leis. Esta entidade reguladora, que foi inventada nitidamente só para ajudar uns amigos, tem actividade para tentar a conciliação entre as partes envolvidas, o consumidor e o prestador de serviços eléctricos. E é tudo. E, tal como ela, tantos outros organismos existem e gastam dinheirões ao Estado apenas para servirem os interesses de grupos.
Ainda querem que seja feita uma lista das economias nas despesas estrondosas que causam o descontrolo das contas públicas? Que andam a fazer os ministros, já que, no que se refere a Sócrates, esse só sabe colocar primeiras pedras e fazer discursos revoltantes!...
Então não é um Carnaval permanente que se vive no nosso País? Nada se pode levar a sério, pois só à gargalhada é que se têm de enfrentar as situações que um grande número de sortudos (para lhes chamar só assim) mostra nos sambódromos cá da nossa terra. É rir, é rir, para ver se se atrasa o choro…

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

CONFIANÇA

Ter confiança
em toda a gente
com esperança
ir para a frente,
avante, avante
há que vencer
ser-se gigante
é só querer
basta lutar
e a cara dar
aguentar
sem desarmar
faz falta fé
na tal vitória
com finca-pé
lá se faz história.
Bater, bater
no mesmo ponto
até vencer
sem ficar tonto
mas confiança
perdê-la não
desde criança
com devoção
porque ganhar
é sempre o lema
e avançar
soa a poema.
Bater, bater
grito de guerra
e a combater
é nossa a Terra.

Quem lança tal
grito histérico
não tem igual
é bem esférico
mas o que tem
é vozeirão
convence bem
qualquer pavão
mesmo medroso
sob a plumagem
mas desejoso
de molduragem
mas no seu caso
por incapaz
dá sempre azo
a Frei Tomás
faz o que eu digo
não o que faço
no meu abrigo
só ameaço
não custa tanto
estimular
lançar o canto
do atacar
desde que o perigo
não bata à porta
porque comigo
a coisa é torta.

Ter confiança
em todo o mundo
só esperança
que lá no fundo
fique quieta
sossegadinha
por ser só treta
que desalinha
esta cabeça
que bem sossega
por mais que peça
pois não se entrega
a outro afazer
por mais confuso
pois tal querer
é quase abuso

Mas p’ra viver
assim de lado
até morrer
bem estafado
sem ter cumprido
um lema certo
nem ter perdido
rumo de perto
há que deixar
dogmas cair
e caminhar
já sem sentir
censuras vagas
que fazem rir
por serem gagas
e não parar
mesmo no erro
até entrar
no seu enterro.

Que a vida é isso
tempo a passar
não há feitiço
é só esperar
qu’algo aconteça
sem s’ímportar
sem ter pressa
se vê depois
que a tal vida
só ou a dois
terá saída
deixa saudades
aos que cá ficam
poucas vontades
até debicam
algo que resta
que vai ficando
já pouco presta
p’ra todo o bando

Cá fica o mundo
entregue aos bichos
já tão imundo
pleno de lixos
e tal confiança
diz o poeta
nem por herança
nem como treta
se vai manter.
Vitória fica
noutro viver
em chafarica
que então houver
s’é que haverá
onde viver
já sem maná.
Avante, pois,
mas para onde
se o depois
já não responde.
É pôr de parte
entusiasmo
pois quem reparte
o seu orgasmo
mas já não goza
sequer fecunda
tem fraca prosa
que bem se afunda
se não houver
mudança tal
que deixe ter
um mundo igual
ao que há hoje
qu’está perdido
que bate e foge
solta um gemido.

Não vale a pena
fingir que sim
que é outra cena
nada é ruim
deixa-te estar
lá no teu canto
porque o gritar
não te faz santo.
Todo alarido
que aqui se faz
não tem sentido
não é capaz
de dar a volta
de despertar
quem anda à solta
sem acordar
para a verdade
p’ra não andar
pela cidade
sem rumo certo
sem qualquer norte
longe ou perto
da sua sorte.
Porque afinal
ter confiança
no bem, no mal
com esperança
sonho perdido
desperdiçado
não conseguido
o desejado.

Avante, pois
p’ra quê, senhores
se então depois
perdem-se amores.
Fica quieto
no teu cantinho
no teu espeto
sossegadinho
dizer que sim
dizer que não
é sempre fim de uma ilusão.

MINISTÉRIO ANUNCIA


NÃO É DE AGORA que, quando um membro do Governo amua com um órgão de informação, sobretudo a escrita, aquilo que faz de seguida é dar ordens aos serviços respectivos para cortar a publicidade que conste do orçamento do seu pelouro, como forma de castigar aquele meio da falta de namoro por parte do jornal ou revista em causa. Aconteceu agora, no que respeita ao semanário “Sol”, por razões bem conhecidas de todos nós que seguimos as notícias ainda bem frescas, como ocorreu no tempo em que Manuel Pinho, o dos “cornos”, era ministro da Economia e retirou a publicidade à TVI – veio agora a público -, especialmente aquela referente ao sector do turismo, em 2009, organismo presidido por Luís Patrão, ex-chefe de gabinete de José Sócrates, cujos montantes ascendiam a cerca de 150 mil euros, tendo beneficiado do desvio a RTP e a SIC. Porém, acrescento eu agora, no tempo em que Basílio Horta foi ministro da Economia (e é quase sempre este o sector que comanda a distribuição da publicidade pelos meios de informação), dado a uma campanha que o semanário que eu dirigi durante dez anos, “o País”, ter mantido uma campanha contra a inexplicável – e nunca isso ficou esclarecido – falta de bacalhau no nosso País, quando em Espanha o mesmo produto, que ali não é tão usado como cá, era até colocado pendurado nas árvores das estradas que ligavam Portugal à Galiza, a Badajoz e na fronteira do Algarve, pois de cá faziam-se excursões para ir adquirir no outro lado o que tinha desaparecido misteriosamente do mercado. E como havia rumores que se tratava de uma atitude nunca aclarada por parte de Basílio Horta, tendo aparecido o fiel amigo à venda, com fartura, depois da campanha do referido semanário, o custo de tal posição foi o de o Ministério ter desviado muitas centenas de contos de publicidade para outros órgãos que não levaram a peito a estranha ausência de bacalhau. Haverá quem se lembre.
Isto tudo quer dizer o quê? Que os homens que ocupam lugares de comando nos governos, sejam eles de que partido forem, quando se querem vingar de alguém ou de alguma coisa não olham a meios e esquecem as suas obrigações públicas, as éticas, os valores que obrigam que quem está ao serviço do Estado é forçado a pôr de lado questões pessoais e ter em vista somente, exclusivamente, aquilo que melhor convém ao País e à sua população.
Isso de explicar os problemas e de pedir até desculpa por ter sido cometido algum erro, é atitude que os governantes têm dificuldade em assumir. Pode ser que tirando unas e pondo lá outros as coisas mudem. Pode ser. Mas, até isso suceder, como tanto se deseja nesta altura, as dúvidas têm de persistir. Já nem é preciso um bom… basta um menos mau!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

OUVE BEM

Ouve bem, por favor, o que te digo
Não tapes os ouvidos quando falo
Talvez não seja sempre um livro aberto
Mas, por certo,
Não é só quando calo
Que podes aparecer ao postigo

As coisas que eu tenho p’ra dizer
Julgo eu, não são despiciendas
Algo terão de importância
São a ânsia
De fazer com que entendas
Até onde vai o meu querer

Mas se convencer-te eu não consigo
Se não é bastante o meu esforço
Fico-me por aqui e não avanço
Não alcanço
Também se não atinjo não me torso
Só pode ouvir-me quem é meu amigo

ESCUTAS... DIVULGUEM-NAS!


ESTÁ POR DEMAIS falado e escrito o tema das escutas em que José Sócrates tem vindo a sair, cada vez mais, muito mal nas diversas “fotografias” em cada intervenção do próprio ou de qualquer dos seus apaniguados em que a sua imagem se afunda sem aparente solução. Eu, por mim, como não tive acesso aos tais telefonemas que, segundo dizem, se verifica uma perigosa situação em que a Democracia é bastante abalada – mas, até agora, ainda não foi possível tornar conhecidas essas escutas, pelo que o segredo que tem sido mantido tem contribuído largamente para piorar, digo eu, o verdadeiro conteúdo das conversas -, dado que a minha posição é semelhante, penso eu, à de todas as outras que têm vindo a ser divulgadas, tenho-me reservado a exprimir uma atitude radical, o que não quer dizer que não alimente também as minhas suspeitas, reservando por ora para mim a opinião final que poderá surgir na altura em que se passe a conhecer concretamente tudo aquilo que se disse nos tais telefonemas.
Bem, no entanto aquilo que se pode exprimir é que o que tem sido classificado como tentativa de “censura” à comunicação social, se não se verificou, de facto, andou por lá perto, e tudo indica ter sido produzida, não por via directa do sector oficial, mas com a intervenção da área financeira e através de empresas que, essas sim, ou dependem, total ou parcialmente, do dinheiros públicos, ou estão muito sujeitas à boa vontade dos poderes dependentes do Governo. Não é, portanto, a mesma coisa, mas o resultado é muito parecido.
Quer dizer, pelo que já foi divulgado e provocou a venda maciça de alguns títulos que até se encontravam em má situação financeira, o que, por isso, muito gratos ficaram aos erros praticados pelo grupo de Sócrates – que também aqui tem dado largas provas de inaptidão para gerir os seus próprios interesses -, todas as acções que tinham como objectivo calar a TVI, nem que fosse pela sua compra através da PT que, como é sabido, se trata de uma empresa próspera que se encontra muito dependente do Estado, as manobras que levaram José Eduardo Moniz a deixar aquela televisão e se ter transferido para uma outra organização da mesma área mas ainda com canal por abrir, o que lhe valeu, segundo apareceu a notícia, um lucro de alguns milhões de euros (ao menos isso), toda essa manobra, a pretensão de afastar Mário Crespo e o mais que ainda faltará divulgar constitui o enredo do folhetim que tem ocupado os noticiários e cujo final poderá constituir um drama pesado para alguém, para não dizer para o nosso próprio País. E isso se acabar, por exemplo, por resultar numas eleições antecipadas, perante o descalabro em que nos encontramos, se se chegar à também à saída forçada, ainda voluntária que seja do actual primeiro-ministro que, não podemos escondê-lo, está a representar um empecilho à necessária e urgente solução dos nossos autênticos problemas e que dizem respeito ao agravamento constante da crise que e não tem ninguém no Governo com cabeça fria capaz de encontrar soluções (é uma frase demasiado comprida, mas também este romance está-se a prolongar excessivamente), perante isso, a saída de Sócrates parece não representar um saneamento absoluto dos problemas actuais.
O que tem de custar a admitir, sejam quais forem as razões, aliás contradizentes por parte de especialistas na área do Direito, é que, para pôr ponto final na série de informações que aparecem constantemente a pretender relatar o conteúdo das tais conversas telefónicas entre diversos elementos relacionados com o primeiro-ministro, é que não sejam passadas para o conhecimento público, com absoluta limpidez, o que foi que se disse que tanto alvoroço tem provocado. Se José Sócrates não se sente atingido pelo que for divulgado, então que seja ele próprio a fazer essa declaração, para que os juízes, que parecem estar a querer protegê-lo, não fiquem limitados a um receio de se mostrarem contrários ao Governo. Urge acabar com o que parece ser para que não se exager em demasia o que a imaginação produz.
Se isso não for feito, então não se queixem os que estão a ser acusados nas ruas, uns pelo que fizeram ou não e outros por aquilo que tudo indica que tentaram encobrir.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

AS SAUDADES

As saudades que levo quando parto
E deixo para trás tudo o que gosto
Dizer adeus à vida mesmo que farto
É tristeza que lembra um sol posto

E logo que partem as andorinhas
Vinda a hora de mais outras viagens
Deixam-nos saudades as pobrezinhas
Cujos destinos são outras paragens

Saudades temos nós de quem morreu
E deixou na nossa alma um vazio
Ficando só à vista escuro véu

Aquilo que passou de ser verdade
A imagem de quem se foi, partiu
Porque o que nos resta é a saudade

DURÃO BARROSO CONTINUA


BARROSO conseguiu a reeleição para presidente da comissão europeia, como também viu a sua nova comissão obter um largo apoio do Parlamento, apesar de algumas críticas e exigências que, nestes casos são até naturais e desejáveis. Quer dizer, Durão Barroso obteve na Europa aquilo que lhe faltou quando exerceu as funções de primeiro-ministro em Portugal. Tal como os nossos emigrantes, distinguiu-se pela sua actuação acertada no estrangeiro, quando aqui, na sua Terra, não deixou saudades e foi mesmo o princípio da continuidade que veio depois e se mantém ainda hoje de governações sucessivas que têm conduzido o País à situação que hoje atravessa. Com a crise tornou-se tudo mais difícil, é verdade, mas mesmo sem ela não estaríamos a gozar de uma vida desafogada, também não é mentira.
Mas, nas suas funções que desempenha no grupo concreto do Continente Europeu, há que dizer que perdeu, nos últimos momentos, alguma capacidade de liderança, tendo utilizado certas manobras de equilíbrio para conseguir ir mantendo alguma aceitação por parte de todos os membros da Comunidade. Por isso se espera que, nesta reeleição, venha agora com maior espírito empreendedor e consiga provocar uma maior união entre todos os membros de um conjunto que só se compreende a sua existência se se verificar uma união de interesses e uma força que possa fazer frente às contrariedades que estão bem presentes nesta altura.
A legitimidade democrática de que goza novamente o português Barroso não lhe dá margem para desculpas, se não conseguir dirigir uma orquestra que não pode desafinar. Todos os seus membros, cada um com o instrumento que lhe cabe, têm que encontrar a harmonia para que não sejam dadas fífias.
Nós por cá apenas podemos desejar que o nome de Durão Barroso fique registado pelo seu bom trabalho e que o período que vai ocorrer durante esta nova eleição deixe o nome de Portugal, ao menos aí, sobressaído do panorama europeu. E a ambição nacional é também a de que os nossos deputados em Bruxelas dêem mostras de ser capazes de não fazer má figura. Pelo menos, que não se repitam as queixinhas que fez recentemente o representante do PSD e também agora candidato às eleições para presidente desse grupo partidário, pois não é no Parlamento Europeu que se têm de debater os problemas internos do nosso País e quem não tem o bom senso necessário para entender esse princípio básico, então que regresse a casa… e se explique.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A VELHINHA

Velha, velhinha, à minha porta dorme
Envolta em trapos, num volume enorme
Guarda em seus sacos relíquias, saudades
Lembranças boas, também de maldades

Já viveu melhor, talvez confortável
A vida traiu-a, não foi afável
Teve a sua casa, mesmo que alugada
Perdeu o que tinha, ficou sem nada

Agora a pobre anda pelas escadas
De dia, os jardins são o seu conforto
Depara às vezes com portas fechadas

Um saco, porém, não perde de vista
São cartas, senhores, pequenos nadas
D’alguém que deixou p’ra trás uma pista

ASSESSORES À FARTA!



FRANCAMENTE, nem sei já por que é que dou comigo a incomodar-me com certas notícias que surgem na comunicação social, sobretudo referentes ao nosso País, pois o habitual é que as asneiras se sucedam e que as que são originárias dos nossos governantes, dada a sua frequência, já nem nos deverem causar surpresa.
A que nos agrediu nesta altura foi a das nomeações efectuadas no segundo Governo de José Sócrates que, em grandes títulos nos jornais, se dizem superarem as que foram feitas por Santana Lopes e por Durão Barroso. E a lista é bem clara, pois que, nos cinco meses que durou a coligação PSD/PP foram colocadas mais de 1250 pessoas, das quais 940 para gabinetes ministeriais e no período de dois meses e meio em que Pedro Santana Lopes exerceu funções de líder do Executivo, em termos globais colocaram-se mais de 1.000 funcionários, sendo que 946 para servirem os ministros. Se, no tempo de António Guterres que foi primeiro-ministro entre Outubro de 1995 e Junho de 1999, o número total de empregos criados no funcionalismo público atingiu os 5.597 indivíduos, dos quais, só para quadros dirigentes, o número subiu a 3.465, pois não é que, em pouco mais de três meses, José Sócrates não perdeu tempo e para os respectivos ministérios permitiu a entrada de 997 pessoas?
Ora, haverá alguém neste Portugal que não se sinta seriamente preocupado por estes números, num período que, não tendo começado agora, já há muito tempo que deveria ter criado um espírito de precaução governativa para evitar que o futuro, como se verifica hoje, se apresentasse com extremas dificuldades para sairmos do atoleiro em que o País se encontra?
Por estes números se pode concluir que os governantes maiores, quando se sentam nos seus cadeirões, apenas dedicam atenção ao que ocorre na altura das suas governações, deixando para os futuros substitutos das suas funções a solução dos problemas que cada um deixa. O que importa é que, em cada momento, a imagem não seja degradada e que as populações se mostrem satisfeitas com as actuações dos que têm o encargo de governar… o que, verdade seja dita, não tem acontecido nos períodos menos antigos.
É por estes motivos que mantenho um grande desconsolo com o que nos é mostrado pelos governantes, aqueles que deveriam ser os primeiros a dar o exemplo e a pensar bem antes de agir. O livro que tenho há bastante tempo para publicar e que, com o andar dos acontecimentos cada vez tem mais matéria a aumentar as suas páginas, com o título “Desencanto por Enquanto” – há, por aí, algum editor disposto a fazer o lançamento que julgo merecer? - , essa obra vai acumulando razões de queixa que, divulgadas com bonomia, poderão servir para alimentar algum futuro contador de história autênticas que esteja pronto a relatar um período da nossa vida pública.
Por enquanto, parte dos textos ficam relatados neste blogue diário e. a seu tempo, alguns passarão a aumentar o número de páginas do volume que, por ventura, vier a sair. É só aparecer editor a oferecer-se, que eu, bater à porta de senhores tão importantes, é coisa que não faço. E, sobretudo nesta altura em que as acusações saltam por todos os lados de que José Sócrates anda a perseguir a comunicação social que não o adula, e isso é uma posição que não tomo nem nunca tomei quando exerci as minhas funções jornalísticas, quem sabe se não haverá algum sector editorial que não se queira colocar na posição incómoda de dar cobertura a quem se julgue no direito de fazer críticas, como é o meu caso, se bem que sempre com a devida compostura e tentando interpretar o pensamento dos outros, pois todos cometemos erros… mas nem todos somos chefes de governos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

REFORMA

Trabalhar toda uma vida
à espera que chegue a hora
de terminar a corrida
de se dar o bota-fora
do trabalho já se vê
isso sem ser despedido
e s’o sossego antevê
se não está iludido
a reforma é mesmo isso
ficar na cama até tarde
não ter nenhum compromisso
fazer da preguiça alarde

Mas tudo na vida finda
e com o tempo até farta
sendo ao princípio bem-vinda
chega a não pôr mais na carta
a pensar-se no trabalho
no tempo da confusão
e até de algum zangalho
que fez parte da função
e se tempo não se ocupa
com algo que encha o ego
pois o que mais preocupa
é não ter desassossego

Que quer afinal o homem
esse ser insatisfeito
que não gosta que o domem
e em tudo põe defeito?
Se trabalha, reclama
se descansa, se aborrece
fica farto do pijama
pôr gravata lh’apetece
e agora que o tempo sobra
já usa mais o dinheiro
reclama a quem lhe cobra
e até se sente solteiro

Quando s’entra na reforma
pois chega a terceira idade
por um lado se conforma
e por outro não lhe agrade
o passar a ser um velho
que só recebe e não paga
pouco se vê ao espelho
e recordações apaga
dos jovens tem certa inveja
mas também deles tem pena
é-lhes dada de bandeja
crise que não é pequena



REFORMAS AMIGAS


QUE OUTROS temas poderão ser abordados numa fase de preocupação máxima no que diz respeito ao futuro, do que o que tem a ver com as reformas dos portugueses? É óbvio que, o dia-a-dia que temos de enfrentar, já dá suficiente trabalho e muito sofrimento para que nos consigamos manter na corda bamba em que somos forçados a tentar o equilíbrio. Mas ao pensarmos no que nos poderá suceder quando chegar a hora de nos retirarmos da actividade profissional que exercemos num determinado momento, esses que ainda não atingiram tal meta terão de sentir uma certa inquietação quanto ao não poderem pôr de parte o admitirem que as condições financeiras do sector que couber quanto à responsabilidade de sustentar tal obrigação possam vir a sofrer alterações substanciais.
Pois é isso. O assunto das reformas não pode, por mais alheios que andemos da análise da situação actual, encontrar-se longe dos nossos pensamentos e, aqueles que começam a vislumbrar a data em que se despedirão dos companheiros de trabalho, esses, particularmente, mais sentirão a vontade de lá chegar mas, ao mesmo tempo, andarão algo apreensivos pela dúvida quanto a ser ultrapassada a ameaça de que a crise também atingirá o sector dos que só vivem ajudados pelo valor que lhes cabe na pensão resultante das contas feitas em relação ao que descontaram ao longo da sua vida profissional.
É verdade que, bem no íntimo, manterão a tal esperança, a última a morrer, de que conseguirão escapar a essa desgraça que, a passar-se realmente, será um descalabro que não haverá política que consiga suster as consequências da demonstração de que não há dinheiro publico que chegue para liquidar as reformas dos portugueses. E é bom que essa esperança nunca morra, pelo menos para que se consigam terminar as derradeiras caminhadas pela vida com o pouco, sendo só pouco, que vier todos os meses aquecer os bolsos dos mais velhos.
Não falo agora, por demasiado debatido, na situação daqueles que, sendo as excepções mas, mesmo assim demasiados, auferem reformas verdadeiramente escandalosas e não merecidas. Não serão os que mais valem, mas tiveram a esperteza, a habilidade, a manha de conseguir serem colocados em posições de privilégio. E, se falarmos, por exemplo, nas reformas vitalícias dos ex-políticos, que, em 2010, recebem um valor médio de 1.900 euros mensais, pelo que a despesa pública
com as respectivas subvenções se fixam na casa dos 8,8 milhões, mais 5,6 por cento do que no ano passado e que, no que vem a seguir, crescerá ainda mais. Os ex-deputados, por exemplo, fazem parte dos beneficiários que têm garantida a pensão enquanto forem vivos.
Agora, a possibilidade que dá a lei de os portugueses poderem recorrer à reforma antecipada, isto é, antes de atingirem os 65 anos, mesmo sofrendo alguma penalização por esse motivo – desde que não tenha a ver com a saúde ou com acidente laboral -, essa antecipação provoca custos de vária ordem, tanto no capítulo financeiro como no social. Por um lado, se a não saída total do mercado de trabalho no período estabelecido não deixa margem para que outros, mais novos, possam preencher os seus lugares, dando ocasião a que o desemprego continue a constituir outra aflição que tanto está a pesar no campo social do nosso País, representa, por outro lado, uma não diminuição nas receitas da segurança social, pois os descontos que continuam a produzir proporciona o ir arrecadando verbas para fazerem face, durante o maior tempo que for possível, às pensões dos que se mantém já no descanso da reforma.
Trata-se, portanto, de um problema que os governos têm nas mãos. Ou o prolongarem o período de trabalho e não ser aos 65 anos, mas mais tarde, que os trabalhadores passam a ter acesso a esse regalia, o que representa a não possibilidade de abrir portas aos que se encontram no desemprego e são muitíssimos, ou, actuando de forma exactamente contrária e atender, acima de tudo, à redução de gente sem encontrar forma de ocupação profissional, fomentando a corrida à reforma e deixando para depois, para os futuros governantes, o problema de conseguir dinheiro para fazer frente às reformas.
Há quem saiba responder a este dilema? Não vale a pena preocuparmo-nos hoje com o que pode muito bem vir a passar-se no horizonte que anda por aí a rondar-nos?
Não. Essa do copo meio cheio e meio vazio é uma forma de dizer coisas sem querer dizer nada. Para isso mais vale não haver sequer copo. E será que o tal copo, que é de vidro, até mesmo de cristal se vai manter inteiro, não se quebrando entretanto?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

RIR DE MIM PRÓPRIO

Não sou muito de me rir
sobretudo a contra-gosto
o que é preciso é sentir
para se ver bem no rosto

A gargalhada sentida
de dentro da alma sai
essa sim por mim querida
como chega também vai

Vistas as coisas no fundo
se há algo p’ra me rir
o melhor deste mundo

P’ra mim é de mim fugir
este pobre moribundo
nem sabe p’ra onde ir

FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS



CADA VEZ me convenço mais de que não existe em Portugal a consciência da situação real que o nosso País atravessa e que, por sinal, também é sofrida por diferentes nações, da Europa mas não só. E esse afastamento do concreto, se é notado no que ocorre na actualidade, mais ainda se constata em relação ao futuro e não só ao distante mas sobretudo o que estará aí a bater à porta.
Quando surgem manifestações de vários agrupamentos laborais a exigir que o Estado – e particularmente este – proceda a melhorias das condições de trabalho, com o aumento dos ordenados e das regalias subsequentes, pondo os sindicatos em primeiro plano para organizar tais reclamações, a ideia que tem de nos saltar é que ainda há muita gente por aí que se encontra alheada do panorama generalizado que somos forçados a viver.
Ninguém duvida de que os salários da maioria esmagadora dos trabalhadores por conta de outrem são cada vez mais insuficientes para fazer face ao custo de vida em Portugal, mas é igualmente certo que aqueles que não se encontram na situação de estar à porta das empresas a reclamar o pagamento de salários em atraso e na esperança de que a mesma não feche as portas, esses, seguramente, não fazem manifestações a pedir aumentos salariais. E só pedem às alminhas para que, pelo menos, aquilo que têm tido, não acabe…
No que se refere aos funcionários públicos, os que encontram agora, por via dos seus sindicatos, em fase de expandirem a sua reclamação pelo facto de não lhes ter sido comunicada a melhoria dos seus vencimentos e até das condições que existem das suas reformas, sabendo-se que o número de trabalhadores naquela área é, por cá, elevadíssimo e que, pelo menos por agora, se trata de uma contratação que salvaguarda qualquer tipo de despedimento, o que se esperaria em último lugar era que, por muito justos que sejam os seus anseios de melhoria de condições de vida, fosse dessa área de trabalho que saltassem, neste momento concreto, as ameaças de manifestações de rua e, eventualmente, de greves.
Neste blogue, que me parece que algumas pessoas lêem, pelo menos pelos comentários que recebo, tenho dados mostras da minha preocupação pela inconsciência que existe ainda por aí quanto ao que nos devemos precaver em relação ao futuro que se aproxima e que, em face das múltiplas notícias que chegam todos os dias, não são de molde a permitir-nos atitudes desacauteladas. E, quem tem a sua vida ligada ao sector público, maior obrigação tem de não enfileirar em aventuras que podem aumentar ainda mais o risco em que se vive em Portugal.
Bem bastam as insustentáveis situações de ordenados altíssimos e todas as condições excepcionais de que usufruem uns tantos fulanos que, pelo facto de estarem instalados em altos cargos e especialmente em empresas com ligação ao erário público, se regalam com o que lhes cabe nesta Democracia nacional, em que as desigualdades sociais são tão exploradas.
Não se compenetrem os funcionários públicos da camisa de onze varas em que se metem, com as exigências a uma “patrão” que se encontra em vias de fechar a porta., que está a dar mostras claras de que é muito debilitada a sua posição financeira e não importa agora perdermos tempo a investigar a quem ca
be a culpa, não pensem bem, não e depois não se queixem de que, tal como uma fábrica, uma empresa, uma organização particular, chegam um dia ao ministério ou a uma das suas dependências e encontrem a porta fechada e um aviso pendurado no portão a indicar que se encontra “encerrado para balanço”, que é o mesmo que dizer que está ser feito apuramento dos activos para pagar aos credores externos.
Parece uma gracinha, pois parece. Mas há que ver depois se também se fazem manifestações para ver quem ri mais alto… ou se, pelo contrário, é para ver quem chora arrependido.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ACERTAR

Ter sempre razão
é uma doença
é provocação
pode até ser crença

Melhor é por vezes
dizer coisas tontas
ignorar as teses
fazer poucas contas

É bom enganar-se
s’aprender com isso
do certo fartar-se
não ter compromisso

Falhar no que diz
depois emendar
é mostrar cariz
senso salutar

Agora esse orgulho
de estar sempre certo
tem ar de entulho
pregar no deserto

O normal humano
que pensa acertado
aceita o engano
é bem educado

Pela vida fora
razão lá vai tendo
na última hora
já não tem remendo

GREGOS


ESTAMO-NOS A VER gregos com tudo isto que, numa rapidez impressionante, está a ocorrer e que diz directamente respeito ao nosso País. O panorama que foi apresentado em Bruxelas, em que um comissário europeu comparou – ou quase o fez – a nossa situação económica e financeira com a que está a passar-se na Grécia, essa semelhança criou, de imediato, um mal estar no ambiente mundial, sobretudo junto dos países e das instituições que, até agora, acorriam a responder às nossas solicitações de empréstimos, no que resultou que, nesse mesmo dia, tivessem subido os juros que estavam a ser praticados e que, na praça portuguesa, a Bolsa sofresse uma baixa espectacular que, para os grandes investidores, foi motivo de elevadas perdas, ao ponto de se terem desvalorizado acções, com o reflexo de percas que atingiram milhares de milhões de euros, não tendo escapado desse descalabro alguns bancos nacionais. A fuga à Bolsa ocasionou que se tivesse transaccionado de imediato o triplo das acções que se movimentaram no mês anterior e, obviamente, o que marcou foi o sentido da venda em correria.
E, perante esta situação assustadora, o ministro das Finanças Teixeira dos Santos, depois de, na véspera, ter dado sinais de que se iria demitir perante o caso do financiamento à Madeira, em entrevista concedida à cadeia americana de televisão CNN, declarou abertamente que “Portugal não precisa de qualquer espécie de ajuda externa”, acrescentando que não vamos solicitar a intervenção de instituições internacionais. Uma confusão instalada na cabeça de Teixeira dos Santos!
Se não estamos a vermo-nos gregos com o que sucede, com o que se diz e com o que se faz, então começa a não ter sentido essa frase tão antiga que representava uma situação aflitiva que nos colocava em má posição.
Já não nos bastava a embrulhada em que nos envolveram com a situação denominada “Face Oculta”, com as suas escutas e as demonstrações de que se tinha passado por uma estranha conversa tida pelo primeiro-ministro, com sintomas de compadrios com figuras públicas e em que se deram mostras bem nítidas de que alguma atitude antidemocrática estava a ser preparada para pôr cobro a incómodos elementos da comunicação social que não aceitavam o comportamento de Sócrates como governante, situação essa que, com a ajuda de elementos da Justiça, não foi esclarecida junto dos portugueses, como se impunha que tivesse sucedido, não chegou esse perturbador acontecimento e logo a seguir apareceu aquela da comparação com o mau momento que a Grécia atravessa.
A nós, seguidores linguísticos do idioma grego, tendo presente a Ilíada e a Odisseia nas obras literárias que nos foram ensinadas e em que a própria palavra “filosofia” representa a “fala grega”, tem de nos custar assistir a esta dificuldade que ocorre lá longe no Mar Egeu. Mas, amigos- -amigos, problemas aparte, e só isso nos chega para ter de seguir o caminho contrário e procurarmos resolver as questões económicas e financeiras que também nos afectam, aproveitando até o exemplo que motivou a situação que se vive na Grécia, para actuar de maneira a não poderem ser feitas comparações.
Vermo-nos gregos para deixar pelo caminho esta denominação que nos foi aplicada é já uma séria tarefa. Vamos a ver se conseguimos vencer esta dura provação, o que será bem difícil. Venham lá os optimistas do costume, que essa não é a minha especialidade nesta altura em que nos encontramos, sobretudo com os governantes que temos.
Já sei, a mim não me vai calhar nenhuma posição bem remunerada como tantas que por aí têm feito calar muita gente. Mas também não me fiz nunca e agora muito menos a tais bandalhices!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

BALANÇA

Tudo na vida é uma balança
dois pratos estão sempre a aguardar
no fundo sempre existe a esperança
de ver alguma coisa a balançar

A balança da vida bem assusta
sobem e descem pratos que lá estão
e o nosso nem sempre está em cima
dado o peso da insatisfação

Os grandes desencontros com a sorte
tudo isso faz pesar mais no prato
mas o bem estar, o sentir-se forte
chega-nos alegria até no trato

Que o nosso prato suba é o desejo
que todos nós levamos nesta vida
o preciso é que não falta ensejo
e que se acabe vencendo a corrida

Contrabalançar o bom e o mau
lembrar tudo aquilo que já passou
subindo na vida cada degrau
descendo sempre que se enganou

E a balança está a observar
para que lado cai mais cada braço
para dar algum tempo a emendar
o que terá sido algum fracasso

Orientar na balança o fiel
é missão que só a cada um cabe
é nisso que constitui o papel
daquele que disto pouco sabe

ELE É ASSIM...



QUE NINGUÉM GOSTA que os outros falem da sua vida privada e tornem públicas situações que só dizem respeito ao próprios, isso é o mais natural deste mundo. Mas, como diz o povo, quem anda à chuva molha-se e se não quer ser salpicado por essa água o que tem a fazer é não sair de casa quando o mau tempo faz a sua aparição.
Por outras palavras: se o Manuel do talho só canta nos fundos da sua loja e não faz demonstrações públicas daquilo que entoa, ninguém tem o direito de criticar se canta bem ou mal, é lá com ele; agora, se o mesmo Manuel do talho resolve abrir a porta do seu estabelecimento e se põe aos gritos a dar mostras da sua voz para que toda a rua o oiça, nesse caso fica sujeito a que haja pessoal que se revolte e que exija que se cale, porque não gosta, fazendo críticas severas ao seu procedimento.
Escrevo isto para fazer a comparação com o caso José Sócrates. Parece pouco esclarecedor mas, no fundo, não é tanto. Se o primeiro-ministro tem tanta aversão à comunicação social e se até poderá ter alguma razão no que diz respeito a certa pouca ética que se verifica em determinados casos concretos, na sua posição de chefe de um Governo não pode, nem deve, enfrentar a classe, pois as suas funções são outras e inegavelmente muito mais importantes do que fiscalizar o comportamento das televisões e dos jornais. Se não está nem nunca esteve disposto a não se melindrar com as opiniões dos que, na actual Imprensa, seja ela escrita ou falada, então não teria concorrido ao lugar que ocupa, fosse com maioria absoluta ou só relativa, a menos que tivesse esperanças de actuar em regime de força, com domínio total e com uma maioria confortável.
Porém, as circunstâncias políticas em que vivemos não lhe dão essa possibilidade. E ainda bem, digo eu. Logo, perante o desconforto que José Sócrates sente perante os casos em que se julga atingido por críticas que ele próprio interpreta como injustas, aquilo a que deita a mão, não medindo o limite a que está sujeito, é o utilizar o pouco poder de que dispõe e, procurando não olhar a meios, seguir vias antidemocráticas, tudo fazendo para arredar do seu caminho essas incomodidades, não hesitando em servir-se também de ajudas que sempre tem, dada a posição privilegiada de que goza, de elementos que não hesitam em servir o poder a troco de qualquer benesse. E casos desses têm-se visto com fartura.
A pouco e pouco a situação no nosso ambiente governamental foi-se agravando e, como é natural, a imagem do primeiro-ministro é a que sai, em primeiro lugar, mais mal tratada no conjunto de figuras que se encontram relacionadas com os problemas mais sérios do dia-a-dia actual. Nem podia ser de outra maneira. E aqui volto a referir a comparação, mesmo desfigurada, com o Manuel do talho que desatou a cantar à porta da loja. Ninguém o mandou exercer esse papel e se o fez não se pode queixar de haver quem não goste e o diga claramente. Tem de suportar.
Mas não há nada a fazer em relação ao José Sócrates. Ele é assim e, no nosso País, verdade seja dita, não se encontra sozinho. É um feitiozinho bem português, em que queremos dar nas vistas, mas não aceitamos que haja quem não pense de igual modo como nós o fazemos de nós próprios. A Democracia enche-nos a boca. Todos, logo no dia a seguir ao 25 de Abril, saímos à rua a proclamar a nossa condição de autênticos democratas … de sempre! Ninguém foi capaz de assimilar modestamente que essa atitude de saber ouvir os outros, de não nos considerarmos como tendo sempre razão, de não insistirmos para que os outros concordem connosco, de aceitar que a nossa juventude de hoje ainda tem muito que aprender para que, daqui a três gerações, talvez nos possamos gabar de que a Democracia se encontra já a ser uma prática natural dos portugueses, disso estamos laionda bem longe de poder encarar tal realidade.
E este José Sócrates, que não teve bastante vida anterior à Revolução que lhe possa dar uma ideia clara da diferença entre as duas situações, não estando também muito bem acompanhado, talvez porque nem isso lhe interesse excessivamente pois que a adulação ao redor de certa gente é uma espécie de medicina para lhe dar força, não admira que não esteja em muito boas condições para exercer um lugar que requer, para além de competência, bom senso, saber e outras características em que não deve faltar uma dose apreciável de humildade.
Mas isso é coisa que não sai apenas das eleições, dado que o essencial é que os proponentes a determinados lugares se sintam preparados para disputá-los. E não é de esperar que o ser humano, na sua ânsia de ser sempre aquele que está acima dos outros, seja capaz de fazer tão importante exame de consciência.
Parece-me que disse tudo!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

RUMORES

A verdade dita assim
sem antes ser preparada
pode ser algo ruim
ter efeito de pedrada

Por outro lado a mentira
tem de ser sempre danosa
pode provocar a ira
mesmo sendo piedosa

Mas ela dita à socapa
usando d’alguns primores
disfarçada sempre escapa

Espalhada aos arredores
lá se agarra como lapa
disfarçada de rumores

ORDENADOS CHORUDOS


JÁ AQUI me referi a este tema e voltarei a ele as vezes que forem precisas, por muito que as entidades que deveriam, há muito tempo, pôr termo a esta vergonha, não dêem mostras de meter mão no assunto ou só o vão fazendo, como agora foi tornado público, de modo cauteloso, para não causar grandes desconsolos naqueles que, usufruindo de regalias inaceitáveis dentro da crise geral que atravessamos, não convém aos amigos que governam que amuem demasiado.
Pois quero referir-me ao que chegou agora – só agora – ao conhecimento da generalidade dos cidadãos portugueses, de que o Ministério das Finanças, através do seu braço empresarial, a Parpública, que tem o subtítulo Participações Públicas e gere as participações do Estado nas empresas com participação estatal, deu instruções para que as sociedades com estas características não procedam a “actualizações”, este ano, dos vencimentos dos seus administradores. E vem já a propósito referir que o presidente desta Instituição, José Plácido Reis, aufere mensalmente apenas 134.197 euros.
Não me vou gabar de que este blogue terá tido influência numa decisão do Governo, pois só admirava que não tivesse sido tomada já um ou dois anos atrás, dado que a crise que nos ataca fortemente não começou em 2010, mas, de qualquer forma, como sempre é melhor tarde do que nunca, não podemos deixar de nos congratularmos por acabar por ser considerada uma decisão que, ao fim e ao cabo, muito pouco afecta a vida regalada que levam alguns dos detentores de certos cargos, pois os vencimentos que obtêm são mais do que suficientes para não sentirem faltas de grandes coisas.
E, só para ficarmos com uma ideia daquilo que digo, aqui deixo alguns dos ordenados desses privilegiados que, este ano, não vão ver aumentados esses benefícios:
O que ganha mais de todos é o presidente dos TAP, o brasileiro Fernando Pinto, que recebe 420.000 euros; e logo a seguir vem Faria de Oliveira, que aufere 371 mil; depois Henrique Granadeiro, da PT, com 365 mil; vindo atrás Guilherme Costa, da RTP, com 250 mil; seguindo-se Fernando Nogueira, do ISP, com 247.938; e depois Vítor Constâncio, do Banco de Portugal e Carlos Tavares, com 245.552. E a lista prossegue, daqueles que foram tornados públicos os seus vencimentos: Vítor Santos, 233.857, do ERSE; Guilhermino Rodrigues, 133.000, da ANA e por aí abaixo até ao último de que se tem conhecimento público, o “pobrezinho”, da Carris, José Manuel Rodrigues, que aufere apenas 58.865 euros por ano.
Pretendendo seguir o mesmo exemplo, no sector das instituições de crédito, por imposição do CMVM, as remunerações das suas administrações são divulgadas publicamente, o que, pelo menos, deixa de ser uma “caixinha” no segredo dos deuses.
Quando as pensões dos reformados aumentaram ao Estado mais de 1,1 mil milhões de euros em 2009, do sector privado e de ex-funcionários públicos, ou seja, atingiram os 16 mil e 196 milhões, a pergunta a fazer é quanto pesa neste montante os que, pertencendo já este grupo, em quanto é que contribuem para atingir tal montante. E se não influencia ainda, estará a chegar a altura em que pesarão bastante.
A pouco e pouco, sem grandes pressas, vamos progredindo, pelo menos no sector da vergonha. É já um passo em frente. Vamos a ver se ainda iremos a tempo de conseguir que não nos aproximemos é à falta de avisos que os que ainda poderão fazer alguma coisa de mais positivo, e em que não terão desculpa depois de que ninguém lhes disse nada.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

ADIAR

Tem razão quem não tem pressa
e para depois se deixa
sem medo de que se esqueça
nem de ouvir qualquer queixa
confiando na cabeça

P’ra quê andar a correr
afogueado labor
esteja onde estiver
algo se faz com rigor
tudo pode dar prazer

O cansaço não é prova
de que o labor sai perfeito
e se é matéria nova
pode sair sem defeito
seja prosa ou seja trova

Esperar com paciência
dar tempo ao tempo, então
é apostar na cadência
à corrida dizer não
e mostrar a sã prudência

O adiar é bem cómodo
o depois logo se vê
é um dito popular
em que muita gente crê
sem sair do patamar

Assim sem fazer alarde
Sem gritos de ter razão
Muito menos ser cobarde
Pensar com os pés no chão
Que amanhã pode ser tarde

O VETO


DEPOIS de todo o alvoroço que tem tido lugar neste nosso País e que ainda se vai manter, julgo eu, durante largo tempo, primeiro em relação ao Orçamento do Estado e também quanto à revisão da Lei das Finanças Regionais, isso por agora, em que os milhares de milhões andam continuamente nas bocas de todos os intervenientes que temos por cá, isso enquanto as centenas e até dezenas de magros euros constituem as preocupações dos outros milhões, esses sim, de portugueses que lutam pelo seu dia-a-dia, aguarda-se agora pela atitude que vai tomar Cavaco Silva e se o seu eventual veto porá, por agora, um ponto final na “guerra” em que estão envolvidos partidos e Governo. No confronto sim, não na solução.
Atrevo-me a antecipar este texto à decisão do Presidente, pois que não vai ser fácil a posição que for tomada e isso porque, seguramente, a sua opinião pessoal, como simples cidadão, será uma e, na qualidade de próximo futuro concorrente à reeleição para Belém, então tem de ser outra em termos e em conveniência política. Isto, porque lhe convém não afastar do seu horizonte os votos de muitos militantes socialistas que, naturalmente, podem não ficar satisfeitos por ver o seu partido não ser favorecido na passagem das propostas saídas do Parlamento e sujeitas à decisão presidencial. Ainda que, nestas circunstâncias, a darem-se, ainda haja o recurso ao Tribunal Constitucional que, provavelmente, será o caminho que se deparará antes da decisão final. Tudo isto, claro, são conjecturas minhas, mas não estarão totalmente fora de virem a constituir uma realidade.
Mas, no fundo, todos os participantes no panorama actual da política portuguesa acumulam sérias dúvidas e muitos receios quanto ao resultado dos passos que devem dar na conjuntura que se apresenta. No que se refere a Cavaco Silva, está dito acima com o que o tem de preocupar. Já do ponto de vista de José Sócrates, este, perante a imagem desfavorável que tem vindo a acumular, ninguém lhe pode garantir que, em eventuais próximas eleições, venha a atingir a tão desejada maioria absoluta. No caso das várias oposições de hoje, especialmente as que se podem situar na área da possibilidade de obterem votos suficientes para governar – mas nunca maiorias parlamentares -, essas não terão provavelmente qualquer atracção pelo chamado poder, pois, a não ser para depois se lastimarem do estado em que encontraram as contas públicas, o que lhes caberia enfrentar seriam os graves problemas que já existem hoje e que, dia após dia, se vão tornando de mais difícil solução. E de choradeiras e críticas ao que ocorreu durante a actuação dos Executivos anteriores, dessas acusações estão os portugueses fartos e não podem suportar mais desculpas para não governar de forma minimamente razoável. Todos os Executivos que ocuparam as cadeiras do poder, sendo de ideologias diferentes dos anteriores, desde o início do período democrático que se têm servido desse argumento, de culpar quem ocupou os seus lugares, para mostrar que lhes coube a eles emendar os erros dos antecessores. Nunca apareceu um novo protagonista que se preocupasse apenas em enfrentar o futuro deixando para trás o que tinha passado. É, pelos vistos, outra característica dos portugueses, pois que todos somos detentores de determinados comportamentos que são bem característicos da nossa raça.
Vamos lá ver o que acontece na fase seguinte daquilo a que já chamei folhetim ou telenovela com actores de segunda categoria. Tudo é possível.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

CHORAR

Em tempo de magras vacas
só apetece é chorar
se são poucas as patacas
quem tem fé é só orar

É o que por cá se passa
já sem rumo este País
em que nem mesmo a chalaça
põe a maioria feliz

Afinal é a saída
já antiga e de agora
acalma qualquer ferida

Porque chorar não tem hora
sempre serve de guarida
e o palhaço também chora

AMEAÇAS


O CONSELHO DE ESTADO, reunido por iniciativa do Presidente da República e para tentar servir de apelo ao bom senso de todos os participantes principais nos problemas que envolvem o nosso País, acabou, ao cabo de cinco horas de reunião, por, como era de esperar, apenas deixar sair para o exterior a preocupação de que, se não forem capazes os intervenientes no caminhar político da Nação de encontrar um consenso mínimo, o futuro que se apresenta ao virar da esquina será ainda mais negro do aquele que já se contempla na actualidade. E todos os que estiveram presentes nesse Conselho e que tiveram oportunidade de expor as suas razões, sobretudo aqueles que mais influem na solução dos casos que se encontram agora na montra, sabe-se que se limitaram a seguir o programa pré-estabelecido e, quanto ao resto, limitaram-se a usar da palavra para aconselhar o bom senso e fazer o pedido de responsabilidade a todos os intervenientes nas eventuais soluções dos problemas existentes.
Ao fim e ao cabo, as ameaças, depois desmentidas, que foram espalhadas da demissão do Governo face às exigências de o Estado ter de contribuir financeiramente para o Executivo madeirense, e em que, tanto Sócrates como o ministro das Finanças, foram referidos de que seria esse o seu gesto na eventualidade de não conseguirem o apoio parlamentar à sua recusa de desviar dinheiros públicos para o arquipélago madeirense, pelo menos essa atitude terá ficado, por agora, fora de conjecturas. Por agora.
Ao mesmo tempo que ocorreu este encontro de alto nível, em Bruxelas, o comissário europeu Almunia, responsável pelos assunto económicos e financeiros desta área da Comissão Europeia, fazia declarações aos jornalistas em que a posição de Portugal foi apontada como atravessando um período de enormes dificuldades, até mesmo muito críticas, e com sucessiva perda de competitividade. E, em vistas disso, logo a nossa dívida pública excessivamente elevada serviu de comparação com outros casos, com alguma distância em relação ao da Grécia, salientando que este País merece algum desanuviamento da tensão existente dado o plano de austeridade que ali começou já a ser executado. No que a nós diz respeito, as atenções voltaram-se todas para a situação perigosa que atravessamos, recomendando a penalização de imediato da emissão da dívida pública, tendo desde logo, a partir dessa altura, Portugal sofrido a subida do preço dos empréstimos que sejam, a partir de agora, solicitados. E o resultado foi o de terem baixado rapidamente os valores cotados na nossa Bolsa.
Enfim, não vou aqui expor, mais uma vez, o retrato da posição portuguesa no panorama internacional. O que tenho vindo a anunciar como aviso está aí, infelizmente, a dar-me razão.
Agora, estas ameaças, agora desmentidas, vindas do sector governamental de abandonarem o “barco”, deixando-o navegar ao sabor das ondas numa altura em que a tempestade mais estragos provoca no casco da embarcação, uma atitude deste tipo não beneficiaria ninguém e menos ainda o capitão que, não se tendo acautelado mesmo face aos repetidos avisos que os passageiros lhe lançaram, correria o risco de só passar a dispor de um salva-vidas que não chegaria sequer para acomodar toda a sua tripulação.
Uso esta linguagem marítima, porque talvez seja só esta que José Sócrates entenderá, não por ter sido marinheiro mas porque, quem está habituado a meter tanta água, pode respeitar um ambiente conhecido.
Não é altura para graças, lá isso não. Mas chorar já não resolve nada!
Ainda algum alargamento de opinião no que respeita às declarações prestadas pelo ministro das Finanças, ao fim da tarde, que, ao serem anunciadas, provocaram algum alvoroço. Seria que, por fim, o responsável pelos dinheiros públicos nacionais, não se conformaria com a decisão tomada pelas oposições, contrariando o decidido pelo PS de fechar a torneira de financiamentos ao Governo da Madeira e iria então apresentar a sua demissão? Foi o que se pensou antes de ouvir Teixeira dos Santos. Mas não foi isso que aconteceu. E, ao mesmo tempo que se ouviam as queixas do ministro, em S. Bento José Sócrates recebia, a seu pedido, Manuela Ferreira Leite, para uma troca urgente de pontos de vista. Não se sabe, na altura em que escrevo, o que saiu desse encontro.
Continua, pois, o folhetim dramático a que os portugueses assistem, deixando o final do enredo para a altura em que ficaremos a conhecer quem casa com quem e se os maus da fita sempre terão o castigo que merecem. Nesta caso, são os espectadores que vão pagar e bem caro…