sábado, 6 de fevereiro de 2010

O VETO


DEPOIS de todo o alvoroço que tem tido lugar neste nosso País e que ainda se vai manter, julgo eu, durante largo tempo, primeiro em relação ao Orçamento do Estado e também quanto à revisão da Lei das Finanças Regionais, isso por agora, em que os milhares de milhões andam continuamente nas bocas de todos os intervenientes que temos por cá, isso enquanto as centenas e até dezenas de magros euros constituem as preocupações dos outros milhões, esses sim, de portugueses que lutam pelo seu dia-a-dia, aguarda-se agora pela atitude que vai tomar Cavaco Silva e se o seu eventual veto porá, por agora, um ponto final na “guerra” em que estão envolvidos partidos e Governo. No confronto sim, não na solução.
Atrevo-me a antecipar este texto à decisão do Presidente, pois que não vai ser fácil a posição que for tomada e isso porque, seguramente, a sua opinião pessoal, como simples cidadão, será uma e, na qualidade de próximo futuro concorrente à reeleição para Belém, então tem de ser outra em termos e em conveniência política. Isto, porque lhe convém não afastar do seu horizonte os votos de muitos militantes socialistas que, naturalmente, podem não ficar satisfeitos por ver o seu partido não ser favorecido na passagem das propostas saídas do Parlamento e sujeitas à decisão presidencial. Ainda que, nestas circunstâncias, a darem-se, ainda haja o recurso ao Tribunal Constitucional que, provavelmente, será o caminho que se deparará antes da decisão final. Tudo isto, claro, são conjecturas minhas, mas não estarão totalmente fora de virem a constituir uma realidade.
Mas, no fundo, todos os participantes no panorama actual da política portuguesa acumulam sérias dúvidas e muitos receios quanto ao resultado dos passos que devem dar na conjuntura que se apresenta. No que se refere a Cavaco Silva, está dito acima com o que o tem de preocupar. Já do ponto de vista de José Sócrates, este, perante a imagem desfavorável que tem vindo a acumular, ninguém lhe pode garantir que, em eventuais próximas eleições, venha a atingir a tão desejada maioria absoluta. No caso das várias oposições de hoje, especialmente as que se podem situar na área da possibilidade de obterem votos suficientes para governar – mas nunca maiorias parlamentares -, essas não terão provavelmente qualquer atracção pelo chamado poder, pois, a não ser para depois se lastimarem do estado em que encontraram as contas públicas, o que lhes caberia enfrentar seriam os graves problemas que já existem hoje e que, dia após dia, se vão tornando de mais difícil solução. E de choradeiras e críticas ao que ocorreu durante a actuação dos Executivos anteriores, dessas acusações estão os portugueses fartos e não podem suportar mais desculpas para não governar de forma minimamente razoável. Todos os Executivos que ocuparam as cadeiras do poder, sendo de ideologias diferentes dos anteriores, desde o início do período democrático que se têm servido desse argumento, de culpar quem ocupou os seus lugares, para mostrar que lhes coube a eles emendar os erros dos antecessores. Nunca apareceu um novo protagonista que se preocupasse apenas em enfrentar o futuro deixando para trás o que tinha passado. É, pelos vistos, outra característica dos portugueses, pois que todos somos detentores de determinados comportamentos que são bem característicos da nossa raça.
Vamos lá ver o que acontece na fase seguinte daquilo a que já chamei folhetim ou telenovela com actores de segunda categoria. Tudo é possível.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

CHORAR

Em tempo de magras vacas
só apetece é chorar
se são poucas as patacas
quem tem fé é só orar

É o que por cá se passa
já sem rumo este País
em que nem mesmo a chalaça
põe a maioria feliz

Afinal é a saída
já antiga e de agora
acalma qualquer ferida

Porque chorar não tem hora
sempre serve de guarida
e o palhaço também chora

AMEAÇAS


O CONSELHO DE ESTADO, reunido por iniciativa do Presidente da República e para tentar servir de apelo ao bom senso de todos os participantes principais nos problemas que envolvem o nosso País, acabou, ao cabo de cinco horas de reunião, por, como era de esperar, apenas deixar sair para o exterior a preocupação de que, se não forem capazes os intervenientes no caminhar político da Nação de encontrar um consenso mínimo, o futuro que se apresenta ao virar da esquina será ainda mais negro do aquele que já se contempla na actualidade. E todos os que estiveram presentes nesse Conselho e que tiveram oportunidade de expor as suas razões, sobretudo aqueles que mais influem na solução dos casos que se encontram agora na montra, sabe-se que se limitaram a seguir o programa pré-estabelecido e, quanto ao resto, limitaram-se a usar da palavra para aconselhar o bom senso e fazer o pedido de responsabilidade a todos os intervenientes nas eventuais soluções dos problemas existentes.
Ao fim e ao cabo, as ameaças, depois desmentidas, que foram espalhadas da demissão do Governo face às exigências de o Estado ter de contribuir financeiramente para o Executivo madeirense, e em que, tanto Sócrates como o ministro das Finanças, foram referidos de que seria esse o seu gesto na eventualidade de não conseguirem o apoio parlamentar à sua recusa de desviar dinheiros públicos para o arquipélago madeirense, pelo menos essa atitude terá ficado, por agora, fora de conjecturas. Por agora.
Ao mesmo tempo que ocorreu este encontro de alto nível, em Bruxelas, o comissário europeu Almunia, responsável pelos assunto económicos e financeiros desta área da Comissão Europeia, fazia declarações aos jornalistas em que a posição de Portugal foi apontada como atravessando um período de enormes dificuldades, até mesmo muito críticas, e com sucessiva perda de competitividade. E, em vistas disso, logo a nossa dívida pública excessivamente elevada serviu de comparação com outros casos, com alguma distância em relação ao da Grécia, salientando que este País merece algum desanuviamento da tensão existente dado o plano de austeridade que ali começou já a ser executado. No que a nós diz respeito, as atenções voltaram-se todas para a situação perigosa que atravessamos, recomendando a penalização de imediato da emissão da dívida pública, tendo desde logo, a partir dessa altura, Portugal sofrido a subida do preço dos empréstimos que sejam, a partir de agora, solicitados. E o resultado foi o de terem baixado rapidamente os valores cotados na nossa Bolsa.
Enfim, não vou aqui expor, mais uma vez, o retrato da posição portuguesa no panorama internacional. O que tenho vindo a anunciar como aviso está aí, infelizmente, a dar-me razão.
Agora, estas ameaças, agora desmentidas, vindas do sector governamental de abandonarem o “barco”, deixando-o navegar ao sabor das ondas numa altura em que a tempestade mais estragos provoca no casco da embarcação, uma atitude deste tipo não beneficiaria ninguém e menos ainda o capitão que, não se tendo acautelado mesmo face aos repetidos avisos que os passageiros lhe lançaram, correria o risco de só passar a dispor de um salva-vidas que não chegaria sequer para acomodar toda a sua tripulação.
Uso esta linguagem marítima, porque talvez seja só esta que José Sócrates entenderá, não por ter sido marinheiro mas porque, quem está habituado a meter tanta água, pode respeitar um ambiente conhecido.
Não é altura para graças, lá isso não. Mas chorar já não resolve nada!
Ainda algum alargamento de opinião no que respeita às declarações prestadas pelo ministro das Finanças, ao fim da tarde, que, ao serem anunciadas, provocaram algum alvoroço. Seria que, por fim, o responsável pelos dinheiros públicos nacionais, não se conformaria com a decisão tomada pelas oposições, contrariando o decidido pelo PS de fechar a torneira de financiamentos ao Governo da Madeira e iria então apresentar a sua demissão? Foi o que se pensou antes de ouvir Teixeira dos Santos. Mas não foi isso que aconteceu. E, ao mesmo tempo que se ouviam as queixas do ministro, em S. Bento José Sócrates recebia, a seu pedido, Manuela Ferreira Leite, para uma troca urgente de pontos de vista. Não se sabe, na altura em que escrevo, o que saiu desse encontro.
Continua, pois, o folhetim dramático a que os portugueses assistem, deixando o final do enredo para a altura em que ficaremos a conhecer quem casa com quem e se os maus da fita sempre terão o castigo que merecem. Nesta caso, são os espectadores que vão pagar e bem caro…

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

AQUILO QUE VEJO

Aquilo que vejo
que atrai meus olhos
que me causa ensejo
mesmo sendo aos molhos
eu acredito?
É verdade pura?
Não será um mito?
Uma desventura?
Mas vejo e pergunto:
poderei eu crer
constitui assunto
para eu ver
e aquilo que é dado
algo como queixa
será um recado
que a vida me deixa
uma prevenção
com certa importância
chama-me a atenção
provoca-me ânsia
abre-me o sentido
mas olho parando
e o despercebido
agora pensando
com calma observo
a ideia apurada
por fim lá conservo
a vista do nada
e aquilo que eu via
e que os olhos liam
tinha mais valia
e todos deviam
cá por este mundo
ter algum rigor
olhar sempre a fundo
que tudo tem valor



Por isso m’interrogo
procuro resposta
faço-o como um jogo
é quase uma aposta
tudo por que passo
e atrai minha vista
se causa embaraço
constitui uma pista?
Como em tanto assunto
não sei responder
até ser defunto
terei de aprender




PESSIMISMO


PODEM acusar-me de não ser suficientemente optimista por forma a transmitir aos leitores que acompanharão este meu blogue alguma dose de esperança em relação ao futuro português que nos aguarda. Aceito essa acusação. Mas o que não poderão dizer é que, só para agradar, ando aqui a inventar boas perspectivas no horizonte, porque sempre é mais agradável pintar quadros com cores alegres do que deixar nas telas imagens tenebrosas que fazem até arrepiar.
Seja como for, quem, daqui a um certo tempo tiver memória e encontre interesse em referir os que têm razão antes de tempo – do que tenho sido várias vezes apelidado -, poderá fazer-me justiça. E a razão deste meu ponto de vista é a de que considero preferível avisar o pior a tempo, para dar ocasião a que se criem as condições mínimas de defesa, do que depois, já em plena catástrofe, sendo forçados a remendar as situações e não conseguindo executar uma obra que mereça ser recordada na História. Vejamos o que se tem passado no Haiti, onde dizem que existiram sinais de que o terramoto era previsível, mas que não se verificou o mínimo, pelo menos de aviso, de maneira a que a surpresa não fosse tão prejudicial.
Quanto ao que pode suceder a Portugal, como consequência de vários factores e em que a crise mundial tem um peso assinalável, mas que também a menos boa atitude por parte dos políticos que têm tido a responsabilidade de conduzir a governação nos últimos tempos contribuiu com enorme irresponsabilidade para a situação que se atravessa – e para a que vem aí -, devido a tudo isso é condenável que se continue a não querer falar verdade aos portugueses, avisando-os de que, mais do que nunca, é obrigatório que cada um dos cidadãos, seja qual for a actividade que desenvolva, deve assumir a sua responsabilidade, procurando não criar ainda mais estragos do que aqueles que suportamos e são alheios às nossas vontades.
Se um primeiro-ministro e todos os seus sequazes tiverem (ou já tivessem tido) a coragem de falar claro e não esconder o que, por muito duro que seja, tem de ser dado a conhecer aos cidadãos nacionais, talvez se pudessem ter evitado certas greves que já ocorreram e as que se anunciam, pois que, quando um devedor se abre honestamente perante um credor e lhe comunica que não tem meios materiais que possam saldar a dívida e que a única via pela qual será possível encontrar solução é através de um acordo de bom senso, nesta altura, face a uma realidade bem explicada, convincente, que poderá acontecer que devedor e credor se juntem num esforço comum e, daí saia a solução dos problemas.
Agora, como o Governo não tomou nem dá sinais de tomar essa posição, e apenas o Chefe do Estado, que não tem meios governativos para actuar, foi capaz de ser claro no sue último discurso, ainda muitos portugueses andam a viver num mundo da fantasia e exigem do Estado aquilo que ele não pode dar, mas que também não explica claramente que se encontra numa posição complicada em termos financeiros, sobretudo porque, no capítulo dos gastos, não consegue entrar a fundo e de cortar tudo, mas mesmo tudo, que possa ser evitado. Por exemplo – e apenas um, de fugida – os gastos que se anunciam com a proclamação do centenário da implantação da República (e atenção, que eu sou republicano), em que são de dezenas de milhares de euros que estão previstos, isso e muito mais que faz parte de uma lista que, há muito, deveria estar feita, não há ninguém que seja capaz de rasgar das folhas de despesas. Festas, festanças, jantaradas, comemorações, viagens… nesta altura, nem pensar!
E se for bem entendido que metade da riqueza produzida em Portugal é gasta pelo Estado, então se compreenderá a verdade nua e crua. E como, no Orçamento do Estado, agora apresentado, se encontra o “compromisso” de, até ao ano de 2048, se liquidarem todas as dívidas, internas e externas, então fica bem claro que é o próprio Governo actual que subscreve a duração do martírio em que vivemos.
O Conselho de Estado que decorreu ontem e de que ainda não são conhecidos elementos que ajudem a prever o futuro, não pode v ir aliviar este texto que eu bem gostaria de ter escrito com outro espírito.
Chamem-me derrotista, chamem-me. E eu não serei o último a rir, só porque não acho graça nenhuma e tenho esperança de que não me caberá a mim o apagar a luz e o fechar a porta!...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

ODE A PESSOA


Oh! Pessoa
tu que me inspiras, que me orientas
na minha cabeça ecoa
o que em mim sustentas
com o teu génio ou o dos teus heterónimos
com rima ou sem ela
mas sempre bela
afastando os demónios.
Ajuda-me, oh! Pessoa
a escrever esta ode
pensando em Lisboa
saindo como pode
com esforço, com rompantes
contrariando o ruído do café que me acolhe
que tem algo de igual ao teu que era dantes
mas que, tal como contigo,
é o café que escolhe
a freguesia, qual porto de abrigo
é ele que anima a que olhe
e veja o que me rodeia, o mau e o bom
aquilo que me foi dado apreciar,
deleitar
e ouvir o som
com agrado ou sem ele
E desde que me conheço
é o que peço:
que Aquele,
o que comanda,
não deixe a banda
à solta.
Pessoalmente penso assim
não me importa saber
se outros julgam igual a mim,
eu sei o que fazer
com a inspiração do poeta,
não basta pegar na caneta
e divagar,
pessoar,
procurar
no íntimo do sentimento
o que tiver mais cabimento
para saudar,
gritar
que poeta serei quem for
mas por amor
ao génio de um poeta dedico
e por aqui me fico
a compreendê-lo
e a relê-lo.

Ele, que dizia não ser nada
era tudo
perdido em frente da sua janela
ou sentado no café, à mesa,
procurando a frase mais bela
e encontrando com certeza
a sua inspiração
interpretando os sonhos do mundo
com devoção
bem no fundo
carregando a carroça da vida
com o fervor de um crente
que sabe que só há ida
por isso olhando sempre em frente
sem saber que o futuro
lhe traria tanta aclamação,
que transporia o muro
da vulgarização.

Oh! Fernando
tu que não sabias o que eras
nem como nem quando
que não crias deveras
nas certezas do mundo,
que só a Tabacaria era verdadeira
porque a vias ao fundo
da tua rua inteira
onde compravas os cigarros
da mesma maneira
que sacudias os catarros
e bebias a tua jeropiga
para acalmar a ânsia de versejar
e respirar
e produzir outra cantiga
sem fadiga,
naturalmente,
mas preocupadamente
a pensar que os versos criavam nada
que acontecia zero
que não havia fada
capaz de mudar, mesmo em desespero
a vida sensaborona,
triste e pesada,
qual matrona
pavoneada.
Hoje, o mundo sempre igual continua
parece diferente, mas nada mudou
aqui nesta como em qualquer outra rua
quer para quem trabalha e também estudou
porque os políticos continuam a falar
na busca de eleitor,
a dissertar
mas não são capazes, nem querem mudar
seja o que for
lá se vão enchendo
porque o que dá lucro vai-se mantendo
que o povo, esse fica,
a gritar pelo Benfica
sem eira nem beira
agarrado à bandeira
como se fosse da Pátria a salvação
a gritar nos estádios com emoção
contra quem seja
tendo na mão a cerveja
que dá calor
tremor
mas não altera os resultados
dos futebóis ou dos pecados.
Hoje está tudo na mesma
como a lesma.

Vês, Pessoa ?
Não fui capaz.
Estás onde estás
e eu estou onde estou
e não sei quando vou.
Verás que a minha intenção era boa
que me esforcei
mas o génio não agarrei.
Não digo como tu
que não sei o que serei,
sei sim, foi o génio que ficou no baú
e que também nada herdei
e como deixei de fumar
continuo sem achar
a Tabacaria
a que te trazia
o fumo da inspiração,
a divinização.

Perdoa-me, Fernando
Continuarei procurando
mas será tarde
para fazer alarde
de algo que me falta
para trazer à ribalta
coisa de valor,
mas amor
esse sim, não perdi
e como mostro aqui
não serei capaz
mas lá contumaz
é o que até agora tenho sido
e estou decidido
a prosseguir
enquanto a vida mo permitir.

Pessoa houve um,
não haverá mais nenhum
e se alguém o prometeu
não fui nem serei eu.

CEM DIAS - CEM ANOS!...


ULTRAPASSADO que está o susto de não se ver a aceitação maioritária, no Parlamento, do Orçamento do Estado, pois nenhum partido correu o risco de assumir a responsabilidade de fazer cair o Governo actual e com isso provocar eleições – que seria um presente envenenado a quem viesse a vencer de seguida e fosse obrigado a tomar conta de um Executivo com a tarefa de tomar conta de um País num período que será, sem dúvida, um dos mais difíceis da História política, económica e social portuguesa dos últimos tempos -, passada, pois, essa preocupação, como o tempo corre velozmente logo surgiu a data da comemoração dos cem dias de governação socratiana, neste seu segundo mandato.
Pois bem, neste País em que qualquer situação serve de motivo para uma comemoração, com o festim, maior ou menor que a data proporciona, tal tinha que suceder. E lá se aproveitou para se colocar a primeira pedra no local para onde vai ser transferido o Museu dos Coches, com a pompa e a circunstância que serviram para José Sócrates e a sua vasta comitiva fazerem folga na procura de soluções para os problemas graves e urgentes que há que enfrentar, sem descanso, nesta nossa Terra. E o momento foi aproveitado também, como os bajuladores tanto gostam, para ouvir as bacoradas do costume proferidas pelo primeiro-ministro. Só que ninguém pensou no tempo perdido com tal acto, especialmente porque não se tratou de uma acção considerada urgente, pois o Museu, onde se encontra há imensos anos, podendo não ser o ideal poderia muito bem esperar por uma ocasião onde todos os gastos devem ser evitados pois fazem falta para atender a inúmeras situações de absoluta urgência.
E é isto o País que temos. E é este o Governo que nos calhou, por sinal escolhido pelos portugueses. Toda a atenção que é forçoso dedicar e para o que já estamos largamente atrasados para vencer a crise, fazendo sobressair dessa tarefa o enorme perigo, que está mais perto do que imaginamos. O de o dinheiro para pagar as reformas começar a dar mostras de, dentro de certo tempo, não vir a ser suficiente para atender os cada vez em maior número de retirados da vida activa pela idade, sendo que, para que isso possa ser evitado, e até mesmo retardado o mais possível, se tenham que encarar as situações que nos estão a bater à porta há largo tempo e sejam postas por ordem de urgência todas as que fazem parte da longa lista de malefícios.
A redução do défice público situa-se nos primeiros lugares desse rol, bem como o ataque ao desemprego tem de figurar também na prioridade das prioridades, logo seguido do fomento da exportação (para o que o organismo chamado agora AICEP, existente há muitos anos sem a letra inicial A, que foi só a mudança que se verificou, seja chamado à responsabilidade de efectuar um trabalho positivo e com resultados à vista, pois é esta instituição que tem a obrigação de abrir portas e de lutar pelo estudo das possibilidades de vendas dos produtos portugueses no estrangeiro, assim como no capítulo de procurar investidores de fora para dentro).
Mas outros temas têm de ser encarados com toda a coragem, como é o caso da Madeira, em que as “birras” de Jardim devem ser denunciadas e havendo que chamá-lo publicamente à realidade da situação financeira de Portugal, de que a Madeira faz parte.
O que o conjunto governativo de Sócrates deverá fazer é deixar-se de fantasias folclóricas e meter cabeça e ombros à tarefa de tudo fazer para que a situação dificílima que atravessamos seja alterada, por mais impopulares que tenham der ser os meios utilizados, sempre, claro, dentro dos preceitos democráticos.
O Plano de Estabilidade e Crescimento, que vai até 2013, título muito falado mas cujo conteúdo minucioso não é do conhecimento da generalidade dos cidadãos, por forma a mostrar que há motivos para, apesar de tudo, reinar ainda, por pouca que seja, alguma esperança, mas sempre divulgando a verdade dos factos, não escondendo nada e chamando os portugueses a participarem na luta que tem de ser conjunta, tal Plano pode talvez constituir aquilo que o Governo entende ser uma saída. Provavelmente a única. Oxalá não esteja mais uma vez enganado.
Mas, ainda duas palavras para referir o almoço realizado nas instalações do primeiro-ministro, em que foram convidados todos os elementos femininos do Executivo actual. Tratou-se de mais uma fantasia de Sócrates. Este homem não consegue ter uma ideia que seja a tradução de uma boa cabeça, de uma noção correcta das acções correctas. Que interessa fazer esta diferença, que talvez tivesse justificação se fosse Santana Lopes o chefe do Governo, dando largas à atracção indesmentível do referido político pelo sexo oposto?
Mas é com isto que vamos assistindo ao desmoronamento de um País que tanto custou a erguer. Fica-se contente por saber que a Grécia está muito pior do que nós, que a Espanha tem mais desempregados do que deste lado do fronteira, que a nossa área marítima é a maior da Europa (mesmo que não a saibamos utilizar). Mas, quanto ao resto, é o que sabemos e é ao que assistimos.
Cem dias passaram. Mais de três meses. E, entretanto, nada ocorreu que possa constituir um activo de bom trabalho levado a cabo pelo elenco de Sócrates. E não se trata de perseguição ao homem. Não há já tempo para estes pormenores. Mas que a aflição vai aumentando e que o fim da linha não está muito longe, lá isso…
O que se passará em Portugal daqui a cem anos? Haverá algum sábio, desses que usufruem nesta altura de bons rendimentos salariais e de pensões, que seja capaz de prever o futuro?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

DESPERDIÇAR O TEMPO

Só quando se chega a uma certa etapa da vida
é que descobrimos o tempo que desperdiçámos
o que não aproveitámos na corrida
e tudo aquilo que não alcançámos
o mal que com que utilizámos aquilo que tivemos
a pouca atenção que dedicámos ao que valia a pena
porque saber não soubemos
tirar partido de cada cena
e as preocupações que nos absorveram
distraindo toda a ilusão
não nos favoreceram
retirando grande parte da nossa atenção.

Só muito tarde é que entendemos
que a vida é tão passageira
que tudo o que perdemos
que deixamos sem eira nem beira
ficando pelo caminho da nossa andança
não aproveitando o melhor possível
e que, num prato da balança,
de forma bem visível
devem ser colocadas as boas situações
enquanto, no outro lado,
envergonhados como ladrões
sem querer dar grande brado
se podem olvidar os maus momentos,
olvidar não, talvez esconder
porque mesmo sem os largar aos quatro ventos
e isso não dê grande prazer
sempre será bom trazer à nossa memória,
de vez em quando, pelo menos,
aquilo que não tendo grande história
por serem males pequenos
o que poderia não ter sido feito
mas que, de certa maneira,
na altura deu algum jeito
e que mesmo sendo asneira
constituiu uma aprendizagem,
se é que serviu para não se repetir
e até para dar certa coragem
para conseguir fugir
de um possível desterro
e não voltar
ao mesmo erro
praticar.

Agora, com um passado que existiu,
com alguma coisa para contar,
pois houve gente que não viu
e por isso não pode divulgar
aquilo que merecer a pena
ser ouvido
e colocar em cena
para não cair no olvido.
Mesmo que não se diga nada
serve de lastro
para a longa caminhada
e faz parte de um cadastro
que, volta não volta,
saltará à memória
provocando ou não revolta
conforme seja a sua história
e a consciência de cada qual
filtrará o que ainda animará a existência
procurando talvez não voltar a fazer igual
pois para tanto não haverá paciência
e por muito que não haja já
grande vontade de mais longe ir
quem sabe o que se passará por cá
e daquilo de que teremos de fugir

Aqueles que estiverem agora
com a idade que já tivemos,
os que falta ainda muito para se irem embora
e sabem mais do que aquilo que soubemos
esses podem fazer melhor ideia
de que o tempo que têm para percorrer
nesta vida que é uma cadeia
em que se é feliz e há sofrer

deve ser o melhor aproveitado quanto puderem,
emendando sempre o mais rapidamente possível
o que sair mal e não souberem
como fazer melhor e ter nível
esses, por muito que não estejam interessados
em aprender mais alguma coisa
precisam de ser motivados
para deixar obra jeitosa
será pelos seus próprios meios
que evitarão fazer asneiras
e defrontar bloqueios
tendo de ultrapassar barreiras
tendo então ocasião de verificar,
e oxalá não seja demasiado tarde
que às vezes há que parar
sem medo de que lhes chamem cobarde
e então aí fazer a prova dos nove
fazendo aparecer a tal balança e nessa altura,
imitando aquele que sempre se comove
sujeitar-se à tortura
de nos dois pratos equilibrados
poder confirmar qual de ambas posições
pode dar maiores cuidados
se entre as duas acções
umas que boa disposição deixaram
e outras que apetece esquecer
sendo que todas ensinaram
a melhor conseguir viver

Se for preferível
partir na ignorância,
como tudo é discutível
é relativa a importância
e se julgar melhor para os outros deixar
o apuramento das suas acções,
assim deve ficar
e atender as suas opiniões
se é que alguém se interessará por isso,
então, não deixe cair os braços,
e faça o seu serviço
que é como quem diz
ponha o cérebro a funcionar
e ainda que não seja muito feliz
aceite o que lhe vier a calhar
aguarde apenas pelo dia da partida
sem reclamar contra nada
que todos têm a sua ida
seja qual for a via usada

Embora eu não me sinta capaz
de me deixar facilmente entregue
só ao que a vida nos traz
seja o que for que se segue
com o passar dos dias
enquanto funcionar a minha cabeça
não me deixo dominar por apatias
e não me peçam que esqueça
só me entregando ao que vem a seguir
mesmo já sabendo do que se trata
nunca pude sacudir
muita coisa mesmo chata
tanto o que deixei de fazer
como o que saiu menos bem

E agora,
com os meios técnicos que já estão
a ser usados sem demora
e à nossa disposição
que esse computador tão eficaz
a que eu não aderi com entusiasmo
mostra daquilo que é capaz
provocando tanto pasmo
e deixando o muito que fará adivinhar
não sendo já necessário guardar papéis
já valerá a pena deixar
tanto os feles como os méis
pois o tal “disco” pode tudo arquivar
e depois alguém poderá haver
que se incomode com a divulgação
que dê a conhecer
aquilo que constituiu a preocupação
do que ficou feito
não deixar escondido
e que de qualquer jeito
seja bastante difundido
que ponha nos pratos da tal balança
o que aqui deixo bem gravado
e que no final de tal dança
diga se de facto causa agrado
porque se não, bem simples é
deitar fora o disco e pronto…
nem vale a pena chamar-me tonto!

´É GASTAR VILANAGEM!...



NÃO HÁ PALAVRAS que cheguem para mostrar o que nos vai no íntimo como irritação quanto aos procedimentos dos governantes, desses que se esgotam a elogiar-se em boca própria, afirmando descaradamente que não há ninguém melhor do que eles e que, verdade verdadeira, são todos piores uns do que os outros, venham eles de que partido vierem e que, não é por serem substituídos nos postos de comando em que lutam para serem escolhidos, que as coisas melhoram neste País em vias de cair da tripeça.
Tomei hoje conhecimento de uma notícia que, mesmo farto de contemplar disparates, não acreditaria que pudesse suceder, sobretudo nesta fase da difícil vida nacional. Então não é que, por via do Orçamento do Estado que acabou por passar na rede das oposições, ficou definido que a equipa de ministros do grupo de Sócrates (e não incluindo secretários de Estado), vai gastar, em 2010, mais 3,2 % do que foi atribuído no ano findo, sendo certo que, na época passada, foram as seguintes as verbas atribuídas e gastas pelos detentores dos referidos cargos público e isso em milhares de euros: viagens e hotéis 1437,8; combustível 818,1; telemóveis 558,5; carros 1.004,3; ajudas de custo 533,3; estudos 247; horas extraordinárias 1.124,3.
Pois bem, não entrando em pormenores, a minha atenção fica-se sobretudo na rubrica horas extra, sendo certo que a maior parte se atribui aos motoristas, aos seguranças e às secretárias que têm de aguardar que suas excelências libertem os seus serviços, já que não se encontrou ainda forma de solucionar este problema que, no que se refere sobretudo aos condutores das viaturas, apontei já, tempos atrás, o modo de acabarem esses gastos. Não vou repetir agora o que ficou escrito.
Mas a pergunta a deixar aqui expressa tem a ver com a falta de capacidade de, em vez de se recomendarem cortes drásticos em tais gastos improvisados, se dá mais uma margem para que nada falte aos diferentes ministros que se preparam para atravessar o ano que está à frente. Por aqui se pode ficar com uma ideia da falta de disposição governamental de ser aí, no alto da pirâmide, que deve surgir o exemplo de poupança, mostrando a todos os portugueses que a época que se viveu (e que nunca deveria ter existido nas circunstâncias autênticas que jamais foram de grandes extravagâncias) das “vacas gordas”, nesta altura, mais do que sempre, é ideal fora de questão.
Custa-me a admitir que o Governo, como lhe compete, recomende mais produtividade aos portugueses e, ao mesmo tempo, contenção nos gastos desnecessários, quando não mostra disposição em reduzir, naquilo que lhe diz respeito, todas as despesas que têm de ser evitadas.
No fundo, a dificuldade existe na descoberta do remédio capaz de solucionar a grave crise em que estamos envolvidos e que, por muito que se ande a esconder a verdade no que respeita ao futuro, mesmo o mais próximo, no íntimo dos governantes não pode permanecer uma extrema esperança de que tudo correrá sobre rodas e que Portugal não vai sofrer dificuldades acrescidas.
Sendo assim, mais vale ir aproveitando o que ainda existe, porque depois logo se vê como nos safaremos dos problemas. É um princípio bem português e que, até à data, tem desenrascado a malta de cá.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

MENTIRA

Espalhar uma mentira
sempre com um ar sisudo
provocará certa ira
e deixa o da verdade mudo

Tanto se espalha uma peta
convencendo os que a escutam
que ninguém diz que é treta
e até quase a desfrutam

A mentira construída
com jeito e habilidade
é como uma ferida

Que só tratada a metade
provoca uma recaída
e nem se salva a verdade

MENTIR



ATRAVESSAMOS toda uma vida e, ao termos por isso passado por múltiplas situações inevitáveis, não somos capazes de trazer à memória todas as mentiras com que fomos confrontados e nem sequer enumerar aquelas que tiveram origem em nós próprios.
É verdade que, a grande maioria dessas apelidadas “petas”, pela sua insignificância nem merecem ser retidas no pensamento. São aquelas de ocasião que não provocam danos e que, na maior parte dos casos, servem para desculpar os autores de qualquer falta passageira cometida.
Depois, a maior parte dos que mentem sem grande necessidade de o fazerem, praticam mal esse acto, engasgam-se, coram, usam até mal os gestos para ajudar ao convencimento do que dizem, mas a construção da mentira tem pouco fundamento e, por isso, deixam incrédulos os que os ouvem.
Pelo contrário, é preciso ter cuidado com os mentirosos treinados, os que não se equivocam e têm a lição bem estudada, que utilizam mesmo pormenores que ajudam a tornar mais aceitável uma mentira difícil de convencer.
Pior é quando uma verdade, da maior importância em ser divulgada, é recebida com desconfiança e logo considerada falsa à partida. Aí, perde-se a expansão de um argumento útil a muita gente.
Quem são, afinal, os maiores mentirosos? É bem conhecida a opinião generalizada dos cidadãos terrestres. E esse ponto de vista aplica-se também e com forte razão fundamentada ao que se passa no nosso País.
Nos sistemas ditatoriais faz pouca falta recorrerem os seus praticantes superiores ao uso da mentira. Não se consulta a opinião pública para conhecer se agradam ou não as medidas tomadas ou as que se venham a tomar. Nestas circunstâncias não se torna necessário recorrer à mentira para tentar convencer os cidadãos. Basta não dizer nada. Já em Democracia, em que a conquista do voto popular é imprescindível para se alcançar o poder, prometer o desejável mas impossível de atingir é o princípio mais comum dos praticantes da política. Criar ilusões de que serão atingidas benesses de que os cidadãos irão gozar se optarem por determinada escolha, essa é a atitude fundamental para que as urnas se encham de aderentes a uma causa. Depois, o não se cumprir o prometido, isso é consequência futura e até lá sempre passa algum tempo.
A mentira é uma característica própria do ser humano. Até dá a impressão de que o Homem não sabe viver sem utilizar no dia-a-dia a sua mentirinha. Nem que seja aquela que é considerada como piedosa que, muitas vezes, ajuda a que os mais infelizes sofram menos.

domingo, 31 de janeiro de 2010

ABRE-TE

Abre-te, abre-te caminho
deixa-me ver para a frente
eu quero sair do ninho
mostrar como sou valente

Mesmo sem depois saber
se no fim da caminhada
algo de bom lá estiver
que agrade à minha chegada
quero partir, eu confio
onde estou é que não fico
eu aceito o desafio
não serei mais mafarrico

Abre-te, abre-te minha estrada
estás em frente, é só andar
ocupo a minha jornada
estou pronto para me cansar

Tem sido assim toda a vida
na busca de algo melhor
à procura da saída
mesmo que seja com dor

Se só com muito trabalho
com dor e grande cansaço
aproveitando um atalho
e sem medo de fracasso
for possível lá chegar
eu espero não desistir
até em mim se acabar
a força p’ra poder ir

Mesmo de rastos lá vou
até ver que se acabou!...


CONSELHO DE ESTADO


CHEIRA a princípio de uma caminhada para reocupar o lugar de Belém e, quanto a isso, cada um faz o que pode para preparar o seu futuro, sempre que seja dentro das normas legais e éticas. É o que parece querer representar a convocatória de Cavaco Silva para a reunião do Conselho de Estado ainda esta semana. Mas, por outro lado, dadas as circunstâncias amargas que se vivem no nosso País e as dificuldades nítidas em encontrar resposta positiva, todas as iniciativas são bem aceites e a esperança de que alguma coisa de bom saia dos que ainda têm nas mãos alguma possibilidade de procurar saída, todas elas serão bem vindas. Realize-se, pois, mais esse Conselho e que os seus membros não utilizem tal reunião apenas para mostrar que estão vivos, mas que façam ouvir as suas vozes no sentido de tentarem acrescentar algo de útil, não receando referir as verdades e já que a ordem de trabalhos incide sobre os desafios do futuro e para uma análise da situação política.
Sendo a quinta vez que, com este Presidente da República, tem lugar um encontro desta instituição, dada a situação muito delicada que Portugal atravessa há que esperar que não se trate de uma reunião, por sinal a 40ª desde que foi constituída, sem resultados palpáveis, visíveis, úteis, e que os seus 20 membros, com o Presidente, não saiam da mesa com a sensação de que foi infrutífera a iniciativa.
Os portugueses que começam a estar pausadamente conscientes da situação que se vive e do que ainda virá a enegrecer o panorama, e de como são duvidosas as medidas positivas que esperam do poder, quando se sabe que a dívida pública, só em juros, atingirá os 5,5 milhões de euros no final deste ano, para além de o saldo das contas públicas se apresentar negativo em mais de 14 mil milhões de euros, tudo isto acrescido da taxa do desemprego que, segundo tudo indica, já chegou os dois dígitos, ao não presenciarem os cortes que se impõem nos gastos públicos em termos de verdadeira necessidade, e de não assistirem a só serem feitas despesas no que é absolutamente essencial, é evidente que, face a essa situação, têm de aguardar por qualquer “milagre”, seja ele qual for, que surja de um sector que mantendo, pelo menos, alguma tranquilidade política, seja capaz de trazer certa esperança para os espíritos mais atingidos pela realidade económica, financeira, social que se vive no nosso País.
Será que o próximo Conselho de Estado anunciará possibilidades de ultrapassarmos o desassossego em que vivemos? Mostrará esta Instituição, que não serve apenas para dar lugares honrosos a personalidades que, tendo já exercido funções importantes ou encontrando-se ainda dentro delas, que os seus parceiros não aparecem somente para dar lustro às suas honrarias?
Se ao menos os nossos vizinhos espanhóis se encontrassem numa situação que pudesse constituir uma ajuda de valor ao nosso caso, nem que fosse com a continuidade de importações dos produtos portugueses e com a contratação de muita mão-de-obra nacional como sucedeu antes, ainda poderíamos antever uma saída por essa porta! Mas, tal como se encontram, embora dispondo de meios mais viáveis de sair da crise, ainda levará algum tempo até isso suceder. Se este conjunto peninsular já estivesse integrado numa nação ibérica, sem sujeição de nenhuma das partes à outra e mantendo a suas características próprias, seria possível que o drama comum fosse solucionado com maior força e determinação. Mas como essa comunhão sempre encontrou aljubarrotistas dispostos a estarem orgulhosamente sós, não é essa a posição e cada um chora os seus problemas isoladamente.
Já sei. Os mesmos de sempre revoltam-se perante esta ideia que defendo há muitops anos, desde os tempos em que a Censura me proibiu de voltar a este tema. Mas o
futuro dirá se se trata de ter razão antes de tempo.

sábado, 30 de janeiro de 2010

LIBERDADE

O teu nome só por si vale ouro
gritar por ele enche de luz a alma
gozar a liberdade é miradouro
em que a boa vista nos acalma

Nação livre é país abençoado
é luz que alumia os caminhos
onde ninguém está amordaçado
todos podem voar quais andorinhos

Ser livre é ir mais longe mais distante
sem fronteiras e sem impedimentos
mudando de via em qualquer instante
rumando com marés e com bons ventos

Quando depois de estar anos trancado
se atinge muito a custo a liberdade
bem parece um sonho ser acordado
sem ter na frente a pesada grade

Respirar fundo o bom ar liberto
mostrar ao alto toda a alegria
deixar de haver medo encoberto
viver correndo atrás da fantasia

Há que manter, porém, toda a atenção
para vários valores bem definidos
porque o que se ganhou com paixão
não pode retornar aos abatidos

Se não for a prudência a comandar
e o bom senso a ditar os passos
tudo se pode num ápice esfumar
e pôr a liberdade em estilhaços

A minha liberdade bem cumprida
não pode, não deve pisar a tua
posto que o que se levou de vencida
ainda espreita por aí na rua

A tentação do poder está viva
desejosos de o ter há bastantes
p’ra apanhar em contrapé, à deriva
os mais descuidados e confiantes

Os tempos mudam, mudam-se os propósitos
as vontades também não são as mesmas
se antes iguais hoje apósitos
agora lindos antes abantesmas

Mas o que se mantém é a verdade
mesmo que esquecidos os princípios
por muito que falte hoje a lealdade
e por isso abundem os mancípios

Mais do que nunca falta-nos gritar
para que oiçam todos muito alto
a liberdade só pode restar
se estiver presente na ribalta

Liberdade não é libertinagem
não dá p’ra agredir os que mal a usam
só os anos de muita aprendizagem
ajudam os que dela não abusam

Quem não sabe viver em liberdade
quem aspira por uma ditadura
o que merece é a descaridade
de seguir vivendo em noite escura

Liberdade é só pr’a quem merece
para todos que outros deixam soltos
só desta maneira é que apetece
que vivamos alegres, desenvoltos

Mas liberdade milagres não faz
não basta tê-la pr’a mudar o mundo
é preciso usá-la, ser capaz
de entendê-la bem, do princípio ao fundo

O risco de a perder está sempre à esquina
basta abusar da sua brandura
sobretudo nesta terra latina
onde há gente que aspira p’la censura

Para ser livre só com gerações
e sem justiça não há liberdade
pois não basta que hajam eleições
faz falta grande dose de humildade

Humildade sim, dos outros ouvir
aceitar os que não pensam igual
e até nunca se deixar cair
no triste afã de pregar moral

Terrorismo, agora tão na moda
da liberdade enorme inimigo
é verdade, tira a vontade toda
de ainda conservá-la como abrigo

Mas há que resistir à tentação
de combatê-lo só com violência
e ter a força como solução
pois também é preciso paciência

Se o terror o que quer é destruir
aquilo que não tem: a liberdade
então o que faz falta é instruir
abrindo-se as portas à verdade

Mostrando que cada um pode crer
naquilo que lhe parecer mais certo
não tem é o direito de fazer
com que os outros os sigam de perto

Enfim, ser livre não é fácil cousa
é preciso ser forte e consciente
bem enganado anda quem repousa
na crença qu’isso é p’ra toda a gente

JUSTIÇA, QUEM A ACODE?


TANTOS a falar de Justiça. Tantos a queixarem-se do seu mau uso neste País, que é o nosso. Tantos de acordo com a necessidade de ser feito com urgência o necessário para que tudo entre nos eixos e que, por fim, possam os portugueses usar do direito de terem uma Justiça célere, competente, justa. Nisto, pelo menos, há entendimento e mesmo os intervenientes profissionalmente nesse sector da maior importância, embora discordando por vezes de certas medidas que são apontadas, no fundo são unânimes em reconhecer que como estão as coisas é que não devem continuar.
Ocorreu há dias mais uma abertura do Ano Judicial. E, como sempre, esse acto revestiu-se da solenidade tradicional, com a presença das mais altas figuras do sector e o apadrinhamento do Presidente da República. Como é tradicional, não faltaram os discursos proferidos pelas entidades mais envolvidas no sector, todos eles reveladores de que nos encontramos num “centro de um furacão que os tribunais já começaram a sentir e pelo qual vão pagar”, e de que “um novo boom de acções de dívida desabará nos tribunais”, segundo o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, assim como o Bastonário dos Advogados deixou sair de que “há sinais de que a Justiça está politizada”.
Mas foi Cavaco Silva, na sua posição presidencial, que não deixou dúvidas quanto ao seu pensamento referente à situação que se vive neste campo. De entre o muito que afirmou, ficou claro da sua parte que “muitas das leis produzidas entre nós não têm adequação à realidade, sendo necessário legislar com maior rigor”, assim como “a Justiça em Portugal atravessa um momento delicado”, e ainda que “os atrasos na Justiça alcançaram níveis preocupantes para a imagem de Portugal”, acrescentando ainda que “as leis para a corrupção não são ajustadas”.
Esta posição de revolta quanto ao estado em que se encontra a Justiça no nosso País tem constituído um tema repetidamente aludido neste meu blogue. Inquietamo-nos muito com a deficiência, a incompetência e o desleixo com que correm determinadas áreas da vida pública nacional, mas, no que se refere a uma das mais importantes armas da Democracia, aí não somos capazes de colocar os seus participantes em sentido e de responsabilizar os culpados de tão vergonhoso cumprimento da actividade dos tribunais, começando pelas acções que são necessárias antes, por forma a que, quando chegam aos julgamentos, não existam impedimentos para que os magistrados actuem com rapidez e com absoluta justeza.
Na abertura do Ano Judicial, também esteve presente José Sócrates. Mas o primeiro-ministro, que é tão falador quando se trata de lançar os elogios em causa própria, ali nem abriu o bico. Poderia não ser o local ideal para o fazer, admito, mas que, antes ou depois, deveria dar mostras da sua posição e do que estará nas mãos do Governo fazer para que acabem de vez as anomalias judiciárias.
Depois, também a separação da política e da Justiça, que tem razão de ser quando não existem motivos para intervir porque o sector que representa os cidadãos não é confrontado com as reclamações que são notórias há anos, essa separação tem permitido que não haja forma do ministro da Justiça, em nome do Executivo, meta a mão a fundo e, com o apoio do Parlamento, efectue as alterações que todos concordam em dever ser feitas.
Andamos neste jogo do empurra, tão ao gosto dos portugueses, e assim prosseguimos até já termos ar para respirar.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

AGONIA


Os meus poemas são feitos com esforço
para lá mesmo do que posso
e insisto
e persisto
e quero convencer-me
que vale a pena.
É uma pena !
Não leiam, não,
faço questão
são um desastre.
Mas vou escrevendo
lá vou fazendo
e, se possível, com certa rima
que se aproxima
da perfeição
que é p’ra agradar
ao paladar
de quem os sabe saborear
devagar
p’ra não ter indigestão

Assim lá saem
maduros caem
triste figura
pobre do homem que não resiste
e que insiste
nesta falsura
de ser poeta
que é uma treta
digo eu, não sei,
se houvesse lei
que dominasse
e não deixasse
ser poeta quem não pode sê-lo
não estaria aqui a escrevê-lo,
e a lê-lo.

Poupava-os a este flagelo
Será que isso de ser poeta, cabe em mim?
Por fim !
Ou sou eu quem não cabe na poesia?
Que agonia !



COMPARAR - NEM A BRINCAR!



QUALQUER COMPARAÇÃO, ainda que remota, constitui uma afronta a todos aqueles muito milhares que foram e estão ainda a ser vítimas da catástrofe do Haiti. Tamanho sofrimento, provavelmente só semelhante ao que ocorreu em Lisboa, em 1755, sendo que, nessa altura, a ajuda de países estrangeiros não terá sido tão prestimosa e positiva como a que se tem verificado actualmente na ilha em questão, essa enorme desgraça não pode ser posta em confronto com outra mesmo semelhante, até porque a evolução tecnológica que se desfruta hoje não existia no século XVIII. Por isso, faço questão de deixar bem claro que não é intenção deste texto estabelecer qualquer tipo de quadro comparativo na presente situação em que vivemos.
No entanto, e levando em conta as reuniões que já tiveram lugar por cá, com o objectivo de tentar antever o que se passaria no nosso território se um terramoto semelhante ocorresse nesta capital, como a imaginação é pródiga vale a pena, não o elaborarmos um quadro de como se apresentaria Lisboa se se repetisse o que o tormentoso desastre da época do Marquês de Pombal provocou, mas sim falarmos da nossa cidade tal como ela se apresenta hoje. E, salvaguardadas as respectivas distâncias no que respeita ao descalabro que, felizmente, não aconteceu por cá, sempre poderemos aproveitar a ocasião para nos concentrarmos naquilo a que se assiste no dia-a-dia lisboeta, que é o que vemos e de que não nos é dada esperança para descortinamos forma de melhorar dentro de um período aceitável.
Não se trata, claro, de uma brincadeira, porque se assim fosse não teria outra classificação que não de muito mau gosto. Mas apenas de um exercício que poderá ter alguma utilidade, chamando a atenção para algo que, pelo menos com o que faço nos meus variados escritos, considero como tratando-se de um desmazelo progressivo que os múltiplos presidentes da Edilidade lisboeta não têm dado mostras de conseguir ultrapassar. Claro que não haverá alguém que pense que um terramoto de grau 7 seria a maneira mais rápida de fazer com que os milhares de casas que se encontram por cá em absoluto estado de degradação – como todos os dias as contemplamos e que as televisões também não escondem -, as ruas aos altos e baixo, quer nos passeios quer nas vidas de rodagem atormentam os que têm de as utilizar, os múltiplos buracos que as viaturas enfrentam, mas que também nos passeios deixam os peões enfurecidos -, tudo isso viesse a ser alvo obrigatório de obras. Não é admissível chegar tão longe nos desejos dos habitantes alfacinhas. Mas que não podemos prolongar indefinidamente uma actuação que é indiscutivelmente obrigatória, agora, claro, com a desculpa da falta de meios que a crise impõe, mas que, mesmo assim, deveria ser objecto de uma escala de prioridades, dando mostras de que não se está paralisado de todo, tal é o desafio que se tem vindo a prolongar a todos os que, vivendo e trabalhando na capital, estão condenados a ver a degradação progressiva de uma cidade que, com as suas sete colinas e o Tejo a seus pés, bem merece um tratamento particular de Rainha portuguesa.
Diz-se agora que a cidade de Port-au-Prince, a capital do Haiti, ao ter de ser totalmente recuperada, só assim poderá vir a apresentar um aspecto que nunca consegui possuir. De outra maneira, sem o revoltante acidente que a vitimou, permaneceria eternamente como sempre esteve. Ou seja, não habitável.
Repito, por isso. Não se trata de estabelecer qualquer grau comparativo. Mas que, em 1755, se não existisse um Marquês de Pombal que deitou as mãos à obra e que transformou uma Lisboa feia numa cidade que nos orgulhava, essa realidade não é possível desmentir. E a partir daí, que ponha cada um de nós a imaginação a trabalhar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

GRITAR BEM ALTO

Penso nisso muitas vezes
se melancólico estou
chegam-me à cabeça teses
direito ao papel eu vou
vontade vem-me da alma
de dizer alto e bom som
não fazendo apelo à calma
nem mostrar ser de bom tom
porque no tempo é que penso
no que me falta ainda
ponho de parte o bom senso
porque já nada se alinda
e face a tal realidade
se tudo que fiz não conta
não deixo nada a metade
vamos a isso: à afronta !

Portugal está num beco
bem difícil a saída
é como um País já seco
sem água nem na descida
há que fazer qualquer cousa
e jamais ficar parado
não desculpar quem repousa
e se põe sempre de lado
por muito que esteja errado.

Faz falta gritar bem alto
apontar o que está mal
se o País não der o salto
mantendo-se sempre igual
então as crianças de hoje
amanhã descobrirão
que em Terra do bate e foge
não há qualquer salvação
e o mais perto aqui ao lado
que também foi ditadura
já oferece o seu telhado
para vida menos dura
e não se queixem depois
os do aljubarrotismo
que se julgam heróis
mesmo deixando um abismo

Penso nisso a miúdo
e não sendo exemplar
ponho na balança tudo
e paro para analisar
o que passa à minha volta
e é ao estudar o mundo
que me ressalta a revolta
à superfície e no fundo
e ao pela manhã ler
os jornais que tenho à mão
fico logo a saber
que se vive em tensão
que há mortes e há guerras
que só vencem os mais fortes
os que dominam nas terras
mesmo provocando mortes
os mais ricos, poderosos
que têm primos e primas
e não são os valorosos
os que merecem estimas.
Fico, pois, desanimado
só me resta é gritar
ver onde chega meu brado
não passa do poemar
mas se mais longe não vou
se só me ouvem ao pé
não vou sair donde estou
na mesa do meu café

Estou limitado por isso
ao que a minha voz alcança
poder dos outros cobiço
dos que usam a gritança
mas que posso fazer eu
para além de encher papel
tal como pobre plebeu
perante um rei cruel
de manhã escrevo poemas
poemas… que fantasia !
abordo somente uns temas
com rima, por teimosia
são centenas, já milhares
que acumulo sem saber
se serão assim vulgares
mas dão-me tanto prazer
ao vê-los surgir na folha
que descubro a qualidade
numa miragem zarolha
que desperta caridade.
E de tarde vou pintando
quadritos a óleo puro
e com isso vou gritando
para mim e sem futuro.

Pensando sempre assim
pois isso ninguém me impede
sigo a gritar para mim
sequinho cheio de sede
sede de ver melhorar
este mundo, tão maldoso
sem crença já de chegar
a tempo de ter o gozo
de ver o Homem mudar.
Morrerei desiludido
o depois a lastimar
que eu não fui um protegido
pois a vera felicidade
está naquele que acredita
que o Homem tem qualidade
para mudar onde habita
que a água não faltará
e oxigénio também
e a cura haverá
p’ra se viver mais além
E em todo o globo cabe
cada um no seu lugar
a fazer só o que sabe
sem andar a empurrar
o vizinho que incomoda.
S os velhos forem tantos
mesmo não estando na moda
não se afastando p’ros cantos
mas com amor para dar
se vier a ser assim
se tudo se alterar
coisa em que eu não creio
não é preciso chinfrim
e muito menos receio.

Se o mundo se endireita
Portugal imitará
e a malta satisfeita
as hossanas cantará
eu é que não acredito
nem no mundo ou só cá
e é por isso que eu grito
p’ra me ouvir Deus e Alá
qualquer Buda ou seu parente
que p’ro caso tanto faz
já que o Homem é que não sente
o mal que lhe vem de traz
do jardim do Paraíso
no tempo de Adão e Eva
quando se perdeu o siso
e se caiu na treva
como dizem Escrituras
e a maçã desfez perdão
e s’inventaram figuras
e com nova situação
os cristão recomeçaram
a encarar o seu mundo
e nunca mais descansaram
convencidos bem no fundo
de toda a sua verdade

Faço, pois, mal em gritar
contra quem contente diz
tudo vai continuar
o ser humano é feliz ?
Tenho de dar grito alto
mesmo sem ter resultados
a vida é um sobressalto
nós andamos enganados
e num futuro qualquer
mais próximo ou nem por isso
seja homem ou mulher
verá que não foi enguiço
aquilo de que avisaram
os que estavam mais atentos
para o pior alertaram
apelando aos sentimentos
.

GREVES RESOLVEM?



NÃO HÁ DÚVIDA de que um grande número de portugueses não se deu ainda conta de estado real da nossa Nação, continuando a supor que todas as difíceis situações que sucessivamente somos obrigados a enfrentar não passam de coisas passageiras e que, numa rápida mudança, tudo se comporá e o mundo encontra uma nova e feliz vivência. E, tanto os mais antigos como os que se movem com relativa juventude no actual ambiente, todos, os que são optimistas doentios, não se dispõem a aceitar a realidade e a tentar fazer um esforço para prever o que será o futuro que se aproxima.
Não é aconselhável, de facto, que passemos os nossos dias amargurados com os piores quadros que possam ser pintados na nossa imaginação e sobretudo face às realidades que temos vivido ultimamente, mas o resguardar uma certa prudência, por forma a não virmos a ser surpreendidos com aquilo que pode vir a surgir no caso de não ser de todo agradável, essa posição tem algumas vantagens e sempre ajuda a que, na altura própria, se possa contar com a preparação mais útil para solucionar os problemas que nos afectarem.
De entre os que vivem ainda num mundo de sonho e não realizam a real situação portuguesa há que dizer que alguns sectores dos chamados “trabalhadores” – e uso as aspas porque, para mim, todos trabalham, excepto os que não fazem nada e vivem dos rendimentos - , sobretudo os seus sindicatos que têm à frente profissionais que, com o seu ordenado garantido, movimentam camadas de população para protestar continuamente, sem serem capazes de solucionar os problemas reais, como seja os das falências das empresas, esses exigem que o Estado aumente os seus ordenados, seja como for, sem cuidar de saber se os dinheiros públicos podem suportar tais necessidades (que ninguém discute).
O que ocorre com os enfermeiros que, na verdade, com os seus 1200 euros mensais, os iniciados, não têm condições de vida aceitáveis, a greve que faz paralisar gente que é fundamental nos hospitais e nos centros de saúde, deixando uma população necessitada de tratamentos entregues à sua sorte, tal exigência de aumento de ordenados demonstra a ignorância absoluta de que os dinheiros públicos não chegam para satisfazer a imensidão de necessidades que se conhecem em todo o nosso País.
E o mesmo espírito de descontentamento ocorre em todos os funcionários públicos, esses que, apesar das enormes deficiências de actuação que se conhecem e que, por mais de uma vez, aqui denunciei em casos concretos, por desleixo, incompetência, desinteresse, movimentam as suas organizações sindicais com aquela figura carismática sempre à frente, com um ar muito composto no vestuário e na faladura, de nome Bettencourt Picanço.
Seja como for, o que importa é que, como digo logo no início, existe uma enorme camada de portugueses que não se dispuseram ainda a entender profundamente a realidade do nosso País, em termos de capacidade de fazer frente a todas as situações de défice financeiro, pois que aquilo que Portugal deve em muitas áreas, sobretudo ao estrangeiro, faz-nos correr o risco de, um dia destes, se fecharem as portas e, tal como sucede quando a mercearia encerra o crédito e não nos deixa mais lá ir buscar o que faz falta para comer sem ser com o dinheiro na mão, também poderá, noutra escala, passar-se em relação ao nosso País.
Não se compenetrem dessa realidade, não! E depois bem podem fazer greves os senhores dos sindicatos, que só serve para gastar solas nas avenidas e nem para os cartazes vão chegar as ajudas…

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

MARCHA DE LISBOA

(lETRA PARA UMA MARCHA)
Lisboa do Sol brilhante
Lisboa do Tejo aos pés
Tu tens a força gigante
Tu és assim como és
Mesmo a olhar p´ro futuro
Tens sempre o passado atrás
E sou fiel, isso juro
Ao amor que tu me dás

Cantiga da rua
Tu és para nós
A força da voz
Que actua
Esperança, tão boa
Que vem já de trás
Que o povo é capaz
Oh! Lisboa
Cidade velhinha
Não julgues que a história
Parou na escadinha
Na rua estreitinha
E é só memória
Olhar para a frente
E força alfacinha
Que o coração sente
A ânsia da gente
Que canta e caminha

Mas se o passado morreu
E o orgulho permanece
Uma nova fé nasceu
No coração que amanhece
Lá no alto, o castelo
Sempre estava e há-de estar
A olhar tudo que é belo
E a Lisboa namorar

DISCRIMINAÇÃO OU DESCRIMINAÇÃO


FALA-SE muito de discriminação, do não cumprimento do direito que todos têm de ser iguais, de não haver uns e haver outros. E é verdade que não se pode aceitar que se estabeleçam diferenças de tratamento por motivo da cor da pele, da religião que se pratica, das preferências sexuais, dos que fumam e dos que não fumam, dos que não são iguais fisicamente aos considerados do padrão normal e até por antagonismos políticos ou mesmo clubísticos e todas as diferenciações que se façam.
Quanto a todo este panorama, em Democracia, o princípio é o de que não é legalmente permitido que não sejam encarados todos os seres humanos da mesma maneira, salvaguardadas as nacionalidades de cada pessoa que, em cada caso, goza das regalias específicas pelo seu próprio país.
Até aqui tudo bem. Acontece, no entanto, que, por cá em Portugal, se têm verificado situações que, segundo exemplos conhecidos noutros países por onde passaram os imigrantes que atravessaram a Europa em busca de local onde mais lhes apraz viver, concretamente no caso dos romenos, são os oriundos dessa parte do Leste que mais demonstrações têm dado de que o seu comportamento não é de modo a permitir que se mantenham a criar problemas onde já existem os nossos próprios. Obviamente que, generalizar do mesmo modo todos os naturais daquela nação, por sinal com língua também baseada no latim, não é a atitude mais apropriada. Haverá seguramente gente da Roménia que é merecedora da toda a consideração que é devida a quem escolhe Portugal para continuar a sua vida. Mas, dada a percentagem de gente desta nacionalidade que tem dado provas de não merecer o nosso acolhimento, pois é conhecida a sua forma de viver, vindo em caravanas e em que os homens se de dedicam a acções pouco recomendáveis e as mulheres, essas, novas e de mais idade, o que fazem é colocar-se à porta de supermercados e junto dos semáforos a pedir esmola, numa choradeira ensaiada e, normalmente, de bebes, verdadeiros ou falsos, ao colo, face a esta característica não é aceitável que não se tomem as necessárias medidas para que se ponha fim a tal panorama.
Já foram descritos casos de raparigas romenas que entram em casas, sabendo que estão vazias, sobretudo durante o dia e depois de terem ficado a observar as saídas dos moradores e, ainda pior do que isso, são os assaltos à mão armada que grupos de romenos, dizem, têm estado a efectuar e que, particularmente agora no Algarve, a residências de estrangeiros, e que provocam o clima de terror que ali se vive, com o prejuízo que tal representa na área do turismo estrangeiro.
É preciso atingir-se este ponto para que as medidas necessárias, por mais drásticas que possam ser, venham a ser aplicadas? E, nestas circunstâncias, trata-se de qualquer discriminação ou não será antes uma pura descriminação dos culpados?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

FELICIDADE, O QUE É ISSO?

Quando me ponho a pensar
e a tentar entender
o valor do respirar
satisfação de viver
felicidade, bem grito
para que longe me oiçam
com este ar de aflito
e com isso se convençam
que é difícil alcançar
essa tão grata benesse
podendo então proclamar
que por vezes aparece
sendo assim é não largar
já que ela sendo rara
e que não é só amar
que por vezes a mascara
da ilusão do feliz
todo o mais esquecendo
e não ligando à raiz
do que se está vivendo

‘Inda bem que não se sabe
felicidade o que é
já que ao todo não cabe
por maior que seja a fé
em pleno no humano
e em qualquer condição
e nem mesmo por engano
ela se encontra à mão
ser feliz um dia sim
infeliz um dia não
isso acontece em mim
e me serve de lição
p’ra suportar os desgostos
de que é bem farta a vida
podendo ajudar os gostos
tudo antes da partida


Fico então a perguntar
se isso de feliz ser
se pode a alguém roubar
só porque nos dá prazer.
No outro a felicidade
cabe em mim na perfeição
basta que tenha vontade
p’rassentar no coração?
Que não, é a resposta a dar
cada um terá a sua
não há pois que invejar
a felicidade qu’é tua

Saúde, amor e dinheiro
dizem ser trio venturoso
qual deles o primeiro
já é coisa mais custosa
muita gente muito rica
do roubo tem muito medo
outra alarmada fica
do amor acabar cedo
a saúde essa sim
a todos é bem precisa
mas ela também tem fim
e sozinha é indecisa

A felicidade total
se alguém a tem neste mundo
encontrou o ideal
mas no fundo, bem no fundo
lá andará assustado
a menos que em consciência
não se haja ainda dado
conta de uma vivência
única, quase anormal
pois será até doente
a pedir o hospital
para tratar su mente


O MISTÉRIO DO FUTURO



HAVERÁ ALGUÉM que consiga descrever o que será a vida de todos os habitantes terrestres daqui a cinquenta anos, para nos limitarmos a apenas esse espaço de tempo? Por muita imaginação de que sejamos possuídos, é possível acertarmos em pormenor com a maneira como se comportarão, de uma forma geral, os que, nessa altura, andarão por este mundo?
Com a velocidade com que, desde as últimas décadas do século XX e já agora no que estamos a percorrer, se desenvolveram e continuam em progresso as descobertas científicas e tecnológicas em diferentes sectores, poderemos prever que atrás de cada novidade outros inventos não irão surgir e que aquilo que hoje mesmo nos causa surpresa será rapidamente ultrapassado por novas invenções, ao ponto de nem haver ocasião para se gozar em pleno o que o homem é capaz de ir produzindo continuadamente.
Os que têm idade agora para isso recordam-se, sem dúvida, dos tempos em que o telefone estava limitado a formatos e a utilizações restritas aos locais para isso instalados. Ninguém imaginaria, cinquenta anos atrás, que se passaria mais tarde a andar com esse objecto de comunicação imediata connosco no bolso, embora, hoje em dia, já se saiba que os telemóveis que usamos, pelo menos os que não têm posses para modelos muito sofisticados, dentro de muito pouco tempo serão substituídos por aparelhos que, num só objecto, darão satisfação ao ser humano em áreas que, já hoje, se conseguem através da utilização de diferentes mecanismos muito sofisticados. Este é um exemplo, porque, no campo da evolução inventiva, sabe-se lá o que vai ainda aparecer que transformará completamente a forma de viver dos sempre insatisfeitos humanos de hoje.
Mas, ficando-nos apenas pelo sector da informática, com a invasão de quase todo o espaço de actuação dos habitantes do Globo desses aparelhos que, progressivamente, foram ocupando o espaço das diversas idades, ao ponto de serem mesmo os mais jovens que, nesta fase, dominam o seu uso, aquilo que tem de constituir uma preocupação é que o contacto face a face dos mais novos – e não só – vai sendo substituído pelo teclado dos computadores, pois que as conversas que, provavelmente, nem existiriam de via voz, ocorrem agora através dos “Messengers”, dos “Facebooks”, dos “mails” e de outros modos de comunicação que os “écrans” facilitam.
Será que, num futuro, as trocas de impressões, amigáveis ou antagónicas, o contacto pessoal, com o cheiro que ajuda a caracterizar os parceiros, deixará de existir?
Hoje em dia, as saudosas tertúlias de outros tempos, que constituíram muitas criações de grupos culturais de que eu me recordo constantemente, já só muito raramente se verificam. A leitura dos livros, embora ainda se mantenha e não se tenha perdido ainda também o apalpar do papel, tudo indica que, cada vez mais, vai ser a Internet que fará o funeral das livrarias, essas instituições comerciais que sempre constituíram - e talvez se mantenham por algum tempo – o ponto de encontro dos “perdidos pelos livros”.
Eu prefiro não amachucar a minha imaginação com a “pintura” do que será o futuro. Como também já cá não estarei, quem não teve contacto com o panorama que foi vivido antes não tem possibilidade de estabelecer a comparação.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

SE EU FOSSE UM HOMEM RICO

Hoje estou num desses dias
com ganas de fazer nada
todos nós temos manias
ou gosto pela vida airada
tenho livros para ler
mais de dez na escrivaninha
pinturas para fazer
mas caí nesta morrinha
é preguiça
enfermiça

Olho só, mas nada vejo
nem isso quero fazer
tudo me causa bocejo
mas que maçada viver
e falar não é comigo
que trabalho isso me dá
andar também não consigo
dar uns passitos vá lá
mandriice
que lesmice
vou falando com quem passa
poesia escreverei
mirarei a mulheraça
e tudo que sei farei
com vontade
e qualidade

Postas as coisas assim
parando para pensar
ponho esta questão a mim
em prosa ou a versejar
pode-se ser mais feliz
estando atento à nossa volta
e sendo sempre juiz
ou seguir na vida à solta
divertido
extrovertido?

Boa questão está no ar
que responda quem souber
cada um faça o que achar
o que mais lhe aprouver
porém o mundo não deixa
que cada qual faça a escolha
pois muita porta se fecha
quem anda à chuva se molha
aguenta
que tormenta

Sendo pobre, coisa má
mais difícil a opção
não há por perto o sofá
e p’ra dormir há o chão
por isso não fazer nada
não é escolha para ter
e andar na vida airada
não é questão de querer
o trabalho quando falta
sem ser por própria vontade
mesmo doente com alta
não dispõe de liberdade
desemprego
desassossego

Comigo não é assim
não sou pobre nem sou rico
é só por não estar afim
não quero e nem abdico
já nesta altura da vida
de ser de outra maneira
o momento é que convida
seja certo ou seja asneira
dolência
independência

Não posso ser mentiroso
pôr em questão meus desejos?
É que dá certo gozo
fingir que tenho bocejos
não, nunca estou desse modo
no “dolce fare niente”
por mim nunca me incomodo
na posição de ausente
é que tenho consciência
de que o tempo que me falta
me desperta a exigência
de não m’entregar à sesta
essa a razão por que faço
esforços p’ra produzir
e afugento o cansaço
em troca do insistir
teimosia
rebeldia

Estou num dia portanto
ao contrário do que disse
em que p’ra dentro canto
não vejo nisso chatice
acrescento mais poemas
ao rol imenso em arquivo
são quase todos algemas
que eu deixo em donativo
aos que ainda cá ficarem
nada têm de nocivo
mesmo sem apreciarem
testamento
sem talento

Só se for rico
o mafarrico




SE EU MANDASSE...


TENHO PENSADO muitas vezes nesta situação, sobretudo quando escuta as múltiplas notícias que apontam para as deficiências que se notam nos mais variados sectores da administração pública, incluindo até a falta de cumprimento de disposições que são tomadas legalmente pelos sectores hierarquicamente colocados para ter esse poder.
O primeiro alvo das críticas que fazemos sempre que se aponta alguma falha por parte dos elementos da governação é, obviamente, desde logo o primeiro-ministro, neste caso José Sócrates. É verdade que o próprio também se põe sempre a jeito, pela sua pouca habilidade em falar claramente ao povo que somos, por ser muito repetitivo nos elogios em causa própria e por utilizar expressões que não são as mais apropriadas para se fazer compreender com clareza e sem margem para interpretações dúbias, mas também é forçoso que tenhamos todos consciência de que, sendo a administração pública uma pirâmide que, desde o topo e pelo seu corpo abaixo, apresenta inúmeros sectores com chefias próprias e em vários desses níveis existem comandos que não têm capacidade para actuar em benefício dos cidadãos e, constantemente, nem sequer cumprem as determinações legais que são estabelecidas acima pelos sectores apropriados.
Ora, o que eu já dei comigo a reflectir é, que se eu ocupasse as funções de chefe do Governo, teria de contar com a ajuda de um grupo, limitado mas eficiente, de assessores que estivessem permanentemente ao corrente das queixas que a população fizesse, através sobretudo dos meios de comunicação social, e esses elementos, depois de me comunicarem, numa conferência diária de uma hora, os casos mais gritantes, terem posição credível suficiente para, em meu nome, exercerem a influência para que as situações se mudassem e dando disso conta aos principais visados pelos erros de actuação. E não seria - disso fazia questão - de mais assessores só para dar emprego a amigos, mas sim um grupo de colaboradores que teriam de mostrar serviço, sob pena de serem imediatamente afastados, coisa que não se verifica nos casos conhecidos.
Claro, que, para poder dispor de tempo para dedicar uma atenção proveitosa a estes pormenores, teria que abdicar das “passeatas” que são excessivas para efectuar inaugurações fictícias, posto que, para serem colocadas primeiras pedras, só nas situações que se justificassem tais exibições de propaganda teriam lugar.
Há muitas formas de publicitar o que se pretende ir acumulando na memória dos portugueses para efeitos de serem colhidos os votos nos momentos das eleições. Andar constantemente a puxar o lustro ao umbigo, atribuindo méritos constantes a si próprios, para além do ridículo dessa representação significa retirar tempo para as acções que merecem ser bem cumpridas e não atender às verdadeiras prioridades – falo sempre neste pormenor – que Portugal precisa de ver atendidas.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O QUE SOU E O QUE FUI

Se eu não sou quem imagino ser
se não fui o que julgava ter sido
quem fui e quem sou, finalmente
e que de útil foi tudo o que fiz
se me resta fazer mais alguma coisa?
Vasculho na memória, sem resposta
desperto a consciência e é igual
não encontro nada de destaque
algo que mereça ser mencionado
tudo foi arrancado com esforço
muito me custou bastante desgosto
porém, espremido agora é zero
não provoca espanto a ninguém
também não haverá razão para isso.

Sei que não é excesso de modéstia
não acredito que se trate disso
eu que desconfio dos que se adulam
dos que só pensam bem de si mesmos
que não avaliam os seus defeitos
e que acham que o mundo é ingrato
por não reconhecer valor nos próprios
eu que sou muito exigente comigo
o que não me falta é teimosia
e é graças a ela que persisto
que repito, que vou continuando
até aquele momento decisivo
em que já não puder deslocar-me
e nem mesmo isto que faço agora
seja capaz de levar a cabo.

Não, de facto eu não sou nem nunca fui
o que cheguei a admitir que era
alguma coisa que valesse a pena.
Ao menos ainda fui a tempo
de encarar a realidade.

QUEM É O RESPONSÁVEL?


CONTINUAMOS a não exigir responsabilidades aos culpados de vários erros graves que, por terem pesados custos de diversas espécies a Portugal, não deveriam sequer passar despercebidos e, muito pelo contrário, impunha-se que, até para evitar outros casos que se podem perfilar para aparecer, marcassem um rigor de punição, pois não nos encontramos em condições de suportar falta de profissionalismo e de eficiência nos diversos sectores públicos que temos.
A notícia que foi agora divulgada de que a Segurança Social tem por receber uma enorme verga de prestações pagas indevidamente e isso situa-se na casa dos cerca de 300 milhões de euros, de acordo com dados publicados pelo Tribunal de Constas sobre a Caixa Geral do Estado de 2008, pois que o Ministério de Trabalho de Segurança Social não apresentou ainda valores para 2009.
A realidade é esta: enquanto existem milhares de desempregados sem acesso ao subsídio, por outro lado a Segurança Social atribuiu esse auxílio de desemprego, rendimento social e baixas por doença que não deveriam ter sido pagas, mas que o foram por fraude ou simplesmente por falta de cruzamento de dados. Numa palavra, por má actuação dos serviços que têm a seu cargo efectuar um trabalho limpo e correcto.
Não me alongo mais por hoje. Tomam-se conhecimento dos desleixos do sector do Estado, do tal que custa ao erário público valores muito elevados que faltam noutras áreas, mas não se fica a saber qual a actuação punitiva que se impõe mas que se faz por esconder e por deixar cair no esquecimento.
É a tal coisa. Uns protegem os outros e a corporação funciona, como sucede também quando se organizam manifestações para fazer subir os ordenados dos funcionários públicos. A que têm direito como todos os portugueses, mas só depois de darem mostras de que se empenham para que o serviço aos cidadãos – que são os seus verdadeiros patrões – seja impecável.

sábado, 23 de janeiro de 2010

AVARO

No poupar há algum ganho
dizem os tais cautelosos
mas isso de ser tacanho
só pertence aos mais medrosos.
Poupar hoje, ter depois
se é assim já se aceita
pois se um mais um são dois
é conta que está perfeita

Mas guardar bem guardadinho
e na vida passar mal
é como ave no ninho
a sofrer o temporal.
Deixar tudo o que tem
só para olhar a beleza
e não ajudar ninguém
é prova de avareza

Entre dois males humanos
um de só desperdiçar
e outro que causa enganos
de tudo que tem guardar
eu não sei qual o pior
porque no meio a virtude
certa dose de rigor
é o que não desilude

Por isso o ir gastando
com a devida cautela
é como ir caminhando
guiado por boa estrela.
Ter a noção do que tem
ajudando quem precisa
é deitar mão a alguém
ao mesmo tempo qu’avisa

ORDENADOS CHORUDOS



JÁ AQUI me referi a este tema e voltarei a ele as vezes que forem precisas, por muito que as entidades que deveriam, há muito tempo, pôr termo a esta vergonha, não dêem mostras de meter mão no assunto ou só o vão fazendo, como agora foi tornado público, de modo cauteloso, para não causar grandes desconsolos naqueles que, usufruindo de regalias inaceitáveis dentro da crise geral que atravessamos, não convém aos amigos que governam que amuem demasiado.
Pois quero referir-me ao que chegou agora – só agora – ao conhecimento da generalidade dos cidadãos portugueses, de que o Ministério das Finanças, através do seu braço empresarial, a Parpública, que tem o subtítulo Participações Públicas e gere as participações do Estado nas empresas com participação estatal, deu instruções para que as empresas com estas características não procedam a “actualizações”, este ano, dos vencimentos dos seus administradores.
Não me vou gabar de que este blogue terá tido influência numa decisão do Governo que só admirava que não tivesse sido tomada já um ou dois anos atrás, dado que a crise que nos ataca fortemente não começou em 2010, mas, de qualquer forma, como sempre é melhor tarde do que nunca, não podemos deixar de nos congratularmos por acabar por ser considerada uma decisão que, ao fim e ao cabo, muito pouco afecta a vida regalada que levam alguns dos detentores de certos cargos, pois os vencimentos que obtêm são mais do que suficientes para não sentirem faltas de grandes coisas.
E, só para ficarmos com uma ideia daquilo que digo, aqui deixo alguns dos ordenados desses privilegiados que, este ano, não vão ver aumentados esses benefícios:
O que ganha mais de todos é o presidente dos TAP, Fernando Pinto, que recebe por ano 420.000 euros; e logo a seguir vem Faria de Oliveira, que aufere 371 mil; seguindo-se Fernando Nogueira, do ISP, com 247.938; e depois Vítor Constâncio, do Banco de Portugal e Carlos Tavares, com 245.552. E a lista prossegue, daqueles que foram tornados públicos os seus vencimentos: Vítor Santos, 233.857, do ERSE; José Plácido Pires, 134.197, da Parpública; Guilhermino Rodrigues, 133.000, da ANA e por aí abaixo até ao último de que se tem conhecimento público, o “pobrezinho”, da Carris, José Manuel Rodrigues, que aufere apenas 58.865 euros por ano.
Pretendendo seguir o mesmo exemplo, no sector das instituições de crédito, por imposição do CMVM, as remunerações das suas administrações são divulgadas publicamente, o que, pelo menos, deixa de ser uma “caixinha” no segredo dos deuses.
Quando as pensões dos reformados aumentaram ao Estado mais de 1,1 mil milhões de euros em 2009, do sector privado e de ex-funcionários públicos, ou seja, atingiram os 16 mil e 196 milhões, a pergunta a fazer é quanto pesa neste montante os que, pertencendo já este grupo, em quanto é que contribuem para atingir tal montante. E se não influencia ainda, estará a chegar a altura em que pesarão bastante.
A pouco e pouco, sem grandes pressas, vamos progredindo, pelo menos no sector da vergonha. É já um passo em frente. Vamos a ver se ainda iremos a tempo de conseguir que não nos aproximemos do estado em que se encontra a Grécia. Pois que não é à falta de avisos que os que ainda poderão fazer alguma coisa de mais positivo, poderão desculpar-se depois de que ninguém lhes disse nada.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O MUNDO QUE TEMOS

Oh Deus que estás contemplando a Terra
contente não creio com obra feita
o homem por Ti feito só quer guerra
não seria essa Tua receita
De início Caim matou Abel
por diante esse homem foi mau
abriu asas ao seu fundo cruel
à maldade contida em alto grau

Até hoje nada mudou no ser
segue agarrado ao seu egoísmo
e Deus lá deverá estar a ver
sem evitar a queda no abismo

Se não é prudente pensar assim
se mandam os cânones ser prudente
pois que então quando chegar ao fim
mude o meu pensar e passe a ser crente

Será tarde, não valerá a pena
pois que por cá é que se deve crer
ainda que nesta vida terrena
a fé não nos retire o sofrer

Pois se Deus nos protege de verdade
eu me pergunto que seria então
deste mundo de tamanha maldade
sem contar com a Sua protecção


JUSTIÇA DIVINA



QUANDO assistimos a todas as catástrofes que ocorrem pelo mundo, em que as vítimas são, quase por norma, multidões de famintos, crianças, gente que se arrasta na vida nas piores condições, não podemos, de facto, ficar indiferentes. Eu não serei excepção, assumo, e, tal como muita gente, espero, são essas situações que me fazem ir ao fundo da questão e provocar em mim ainda maiores interrogações do que aquelas que acarreto desde que me conheço como pensador. Se não com a mesma intensidade, talvez com alguma semelhança.
O caso é o seguinte: como não sabemos, de ciência certa, se o Universo acarreta planetas com características iguais ou parecidas com a que temos na Terra, ficamo-nos por aqui e teremos de sujeitar a nossa preocupação ao que se passa à nossa volta. E, admitindo os princípios religiosos que são mais seguidos nesta Esfera, de que um Deus criou no princípio, e que, depois disso, passou a olhar e a acompanhar os seres terrestres, por isso é-lhe atribuída a função de “Todos Poderoso”, ao darmo-nos conta de ocorrências como aquela que abalou agora o território do Haiti, provocando a mortandade e o sofrimento que afectou uma vasta mancha de seres humanos, os que viram o fim da sua existência e aqueles que, provavelmente ainda piores, se vêm mutilados fisicamente ou que sofrem a perda de parentes que não resistiram à catástrofe, que se pode face a isso que se pode concluir no que diz respeito ao que cada crente espera da bondade divina, já que se admitirá que tudo que ocorre na crosta terrestre tem de ter “autorização” da mão de Deus?
Bem sei que a fé encontra sempre resposta para acontecimentos na vida humana que, os que não se encontram tão ligados a esse tipo de crenças, têm dificuldade em digerir. E, para além do princípio, a que eu já me referi em blogue atrasado, de que o excesso de população mundial está a ser também causador da crise que se debate a população na sua maioria, não encontro outra resposta que satisfaça minimamente os que não se conformam com as vilanias que a Natureza pratica.
Pouco mais tenho a acrescentar ao que já dei mostras de constituir mais uma dúvida às que me atormentam sempre que me proponho reflectir na área dos mistérios divinos. E a desejar que não constitua mais uma preocupação às muitas que os mortais já têm de suportar. Mas também, deixar passar e somente cuidar dos vivos e enterrar os mortos, sem entrar nos meandros espirituais, isso parece-me pouco ambicioso.
Eu, pelo menos, não me fico por aí. Embora não encontre qualquer resposta e não tenha conhecimento se os sábios, os que contribuem constantemente para os grandes avanços tecnológicos, alguma vez serão capazes de fazer desaparecer o grande mistério que envolve os que têm pretensões a querer saber mais. E só facto dele existir já dá que pensar.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ANGÚSTIA

Angústia
é ter dor no vazio
e não nos podermos queixar
de um ponto qualquer do corpo
é sentir a falta de algo
e o estar farto do demasiado
é o não poder respirar bem fundo
e o ter ar a mais no peito
o ler e arrepelar-se
e o não ver nas escritas
aquilo que consolaria
é o fazer a sua própria obra
e ficar insatisfeito
arrependido
por a ter iniciado

Angústia
é o estar só
ou mal acompanhado
é o ter gosto pela música
e só ouvir ruído
é querer fazer poesia
e só lhe sair rima
é ver nas livrarias as obras saídas
e interrogar-se: e as minhas
que continuam guardadas?

Sim, angústia
quando aparece
custa a ir-se embora
se é que vai algum dia
enquanto por cá se anda.

Logo pela manhã, ao despertar
ela aí está
matreira, à espreita
a castigar o cérebro
a implicar com os projectos
quando os há
a encher os ouvidos
com o não vale a pena
com o porquê e para quê
com o desconsolo

Angústia
é má conselheira
pode provocar a inveja
se não for bem interiorizada
e aí
deixa de ser um mal próprio
para passar
a ser mal ao próximo
e isso há que evitar

Angústia
cada um tem a sua
e rege-a conforme pode
se é que pode
porque quem não a sente
também não terá consciência
de que há algo
que deve mudar
em si
e no que se encontra
à sua volta

Angústia
como a minha
já me habituei
incomoda-me
mas também me desperta
para tentar emendar os erros
para mudar de caminho
para o outro ao lado
que não será muito distante
só que não é o mesmo
o de antes

Oh Angústia
se não a tivesse
sentia-me envolvido pelo rebanho
era igualzinho aos outros
não havia nada em mim
que me despertasse
que criasse a revolta interior
aquela que me faz escrever
o que escrevo
e não me obrigasse a fazer a pergunta:
para quê?


O DESÂNIMO



HÁ QUEM, por aí, proclame a necessidade de ser bem difundida uma dose de esperança de que Portugal, não obstante as amostras que têm sido dadas, de falta de competência para conseguir sair do estado de menoridade governativa que se instalou entre nós, conseguirá resolver a situação em que se encontra. E o argumento é o de que esta situação de crise, com estas características ou com outras, não constituem novidade portuguesa, pois, no decorrer da nossa longa História, já fomos actores de acontecimentos que nos atingiram seriamente, e sempre conseguimos ultrapassá-los e prosseguir na caminhada minimamente possível que nos foi estabelecida pelas circunstâncias.
Porém, a diferença que poderemos encontrar entre aquilo que se pode designar por descontentamento da população nos dias de hoje e o que ocorreu em múltiplas situações que tiveram lugar pelos séculos fora, é que hoje, com o desenvolvimento técnico das comunicações, que em poucos segundos faz com que os estados de espírito, os aplausos e as críticas cheguem de uma ponta à outra em escassos segundos, também o desânimo se transmite mais rapidamente do que uma epidemia e faz com que, em Portugal, sejam já muito raros os que ainda acreditam que o nosso futuro acabará por ser aceitável e que os homens que estão ou irão ainda passar pelos executivos e pelas oposições acabarão por usar do bom senso para não conduzir o nosso destino para um buraco cada vez mais fundo.
Andam as Câmaras Municipais a clamar pela falta de dinheiro para pagar os salários dos seus funcionários e a exigir que o Governo lhes devolva o IRS em atraso? Pois isso vai ter solução.
Até os Correios são vítimas de roubos realizados nos marcos públicos, sendo desviados cheques e outros pertences do público, num valor que atingiu cerca de 1 milhão de euros? Pois, não é por aí que vem mal ao mundo!
As baixas de trabalhadores no nosso País atingiram em 2009 o triplo do ano anterior? Mas que desgraça constitui que todos os motivos sirvam para em Portugal se trabalhar pouco e mal?
Desânimo? Que palavra tão antipática, num povo tão simpático!
Pode até ser que, com as eleições presidenciais, se verifique uma reviravolta no macambuzismo nacional. E que o nome Alegre, do Manuel que já anunciou estar disponível para se instalar em Belém, provoque a mudança para ânimo, pois que qualquer coisa já serve para fazer com que o Sol ilumine as cabeças dos portugueses.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

COMENDADORES

Ilustres personagens elas são
fazem sempre lembrar as honrarias
convencem-se que não foi por bizarrias
que lhes coube na rifa tal brasão

Um rei, um presidente, tanto faz
acordou de manhã com tal lembrança
ou foi a consorte que com bonança
recomendou alguém como capaz

E assim nasce mais um premiado
é alguém que, de facto tem valor?
será ele quem vai ficar babado

Porque há quem mereça sem favor
que seja e muito bem condecorado,
mas a maior parte comendador?