quinta-feira, 4 de março de 2010

ILUSÃO

Ter ilusão sempre ajuda
a vencer o dia-a-dia
ir pensando na taluda
provoca muita alegria

Viver uma vida inteira
a manter tais esperanças
é colocar feiticeira
num jardim só de crianças

Mas na falta de melhor
esperançoso ajuda
pois olhando ao redor

E vendo que nada muda
já serve seja o que for
esperança nos acuda

É T I C A ?


A AUDIÇÃO que ocorreu ontem, com Manuela Moura Guedes, a tão falada “locutora” – desculpem-me, mas é assim que eu ainda classifico os intervenientes das notícias nas televisões -, em que foi-lhe dada a palavra para esclarecer quanto aos diversos temas que lhe foram apresentadas pelos representantes partidários na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura (que nome mais estranho!) e em que lhe foi dado tempo para se explicar com clareza, devo confessar que esse acto me provocou o maior fastio e enorme convicção de que, quer de um lado quer do outro, de quem pergunta e de quem responde, o sentido de utilidade em esclarecer andou muito longe de um objectivo que deveria estar sempre presente nessa mesma Comissão.
As perguntas feitas, longas, mastigadas, empasteladas, não transmitiram aos espectadores, portanto aos portugueses, uma preocupação em aclarar o que andará confuso na cabeças dos interessados em conhecer o que ocorre cá pelo País e, em vias disso, pôr ponto final nas barafundas que se verificam na governação, sobretudo no que diz respeito ao tema do “Jornal de Sexta-feira”, em que Manuela Moura Guedes foi a protagonista de todo o “drama” ocorrido e que meteu também os espanhóis da Prisa no capítulo da interferência nas acções tomadas quanto à mudança de atitude nas notícias que aquela estação televisiva, a TVI, transmitia.
Mas, no que se refere às resposta dadas por Manuela Moura Guedes, também elas se situaram no campo da confusão e do recalcamento das mesmas expressões, da repetição do antes dito, da introdução de casos que nada tinham a ver com o assunto que ali era preciso deixar esclarecido. Foi um enfastiamento que, sobretudo para os mais atentos e muito interessados em tirar dúvidas, entristeceu bastante, dando prova de que há, entre mesmo gente que tem obrigação de ser clara, até pela profissão que exercem, não se verifica a simplicidade de expressão e, antes pelo contrário, o que ocorre é uma dificuldade bem visível de utilizar a nossa língua, com vocábulos apropriados e deixando de lado os “embrulhos”, agora tanto na moda, que só castigam os ouvidos de quem pretende ser esclarecido.
Eu, por mim, só posso acrescentar o que já disse na altura própria: os jornalistas de agora, os que não tiveram ocasião de aprender antes com verdadeiros mestres da profissão – o que aconteceu comigo com o grande professor que foi Norberto Lopes, que me disse em diferentes ocasiões que “os jornalistas quando entrevistam não expressam a sua opinião, por mais em desacordo que estejam com os entrevistados, nem comentam, apenas colocam as questões e podem complicar com novas perguntas para tentar conseguir o maior esclarecimento possível” -, essa classe de jornalismo não entende hoje que este princípio não pode nem deve ser violado. E com isto digo tudo!
Claro que José Sócrates merece e precisa de ser apontado e criticado abertamente. É um princípio da Democracia. Para isso existem os comentadores, os editoriais e outros modos de expressar opiniões. Mas nunca em entrevistas.
Só que hoje, infelizmente, os profissionais dessa difícil actividade, o que pretendem é salientar-se e pôr-se em bicos de pés. Eu, como sou do tempo em que os nomes dos profissionais dos jornais, das rádios e depois televisões, nem sequer eram conhecidos, reajo mal a quem desconhece este princípio. E, no caso de Manuela Moura Guedes, não posso concordar com a sua actuação como “jornalista”, o que não quer dizer que esteja de acordo com o comportamentoJosé Sócrates. Isso é que não!

quarta-feira, 3 de março de 2010

DIREITOS E DEVERES

O Homem tem seus direitos
os gregos foram primeiros
e a Demo com seus defeitos
teve aí os seus obreiros

Os romanos se seguiram
as Doze Tábuas criaram
mas os plebeus não se riram
longe dos nobres ficaram

A Revolução Francesa
fez algo p’lo cidadão
trouxe alguma firmeza
na sua Declaração

Mas só a França lucrou
a Europa estava fora
e o mundo nem se atinou
com tais sinais de aurora

Foi precisa uma guerra
que espalhou p’lo Universo
malefícios de quem erra
mostram o Homem perverso

No fim as Nações Unidas
lá do Homem se lembraram
p’ra tapar muitas feridas
a Declaração criaram

A segunda, a que existe
extensiva a todo o mundo
mantendo o dedo em riste
mas pouco eficaz no fundo

Muçulmanos, por exemplo
tolerância não conhecem
e mesmo crentes no templo
as mulheres só obedecem

Respeitar opiniões
é coisa que não aceitam
provocando explosões
aos que no Islão rejeitam

Porém há tantos que tais
que aos outros não dão direitos
e mandando querem mais
julgando-se até perfeitos

Pois todas as ditaduras
de quaisquer ideologias
têm as mesmas posturas
de severas tutorias

Mas de direitos falando
úteis p’ra todos os seres
é bom não ir olvidando
que também há os deveres

Uns e outros são irmãos
até gémeos por sinal
e todos os cidadãos
devem ter esse ideal

Direitos têm de haver
essa regra é de ouro
mas deveres não esquecer
fazem parte do tesouro

Nunca é demais lembrar
quem os direitos quer ter
que os deveres têm de estar
ao lado de cada ser

DINHEIRO SEM PÁTRIA


ESTÁ MAIS QUE DITA esta frase que vem de longe: o dinheiro não tem pátria. E, cada dia que passa, sobretudo nesta época em que os capitais circulam livremente, através desses circuitos denominados como paraísos fiscais, os “offshores”, se confirma que não existem impedimentos para que os investimentos, sobretudo em produtos financeiros atinjam montantes não previstos em tempos atrás. A fuga de poupanças portuguesas para esses tais “paraísos” ascendeu a 12,6 mil milhões de euros em 2009, o que significa cerca de 44% superior ao registado no ano anterior, representando tal montante a possibilidade de ter a fuga aos impostos a razão principal de tais movimentações. Por outro lado, se esse montante tivesse sido aplicado em operações económicas, industrias e comerciais do nosso País, teria sido uma enorme ajuda para o relançamento da nossa situação económica.
Mas não vale a pena chorarmos o que poderia ter sido feito e não foi, pois quem dispõe de fundos que se encontram livres de aplicações e, de uma forma geral, não se dispõe a aplicá-los em benefício deste nosso País que atravessa um período de enormes dificuldades, mas sim em lugares que prestem todas as garantias de permanecerem seguros de não serem utilizados em fins que, como sucedeu com os bancos que não devolvem aos “depositantes” as quantia lá colocadas, e em que estes se defrontam agora com situações verdadeiramente calamitosas, esses investidores só têm que reflectir se lhes interessa ou não ajudar Portugal ou preferem cuidar a todo o custo dos seus interesses pessoais.
Porém, o que caberia aos governantes fazer era criar as condições e divulgá-las abertamente de que a aplicação dos dinheiros guardados e sem aplicação poderiam ser utilizados em fundos de garantia absoluta, tanto quanto ao juro como no que respeita à segurança. Se o Estado precisa de recorrer a empréstimos estrangeiros para suportar os encargos que tem de enfrentar, pagando juros que até aumentaram recentemente, dada a descida de confiança que é resultante da actuação do Executivo que temos, então bem poderia estimular os portugueses poupados para não se servirem dos “offshores”, mas deslocando-se apenas à Caixa Geral de Depósitos mais próxima e ficarem sossegados de que não se trataria de um dinheiro mal aplicado.
Se Basílio Horta, presidente do AICEP, anda a clamar que “seria mais fácil atrair investimento se a Justiça fosse melhor”, como quem diz que a imagem que Portugal transmite para o estrangeiro não ajuda a que capitais de fora se instalem em Portugal. Mas, quanto às funções que o AICEP exerce, e em relação às quais sempre fui muito exigente e não só pelo elevado custo deste departamento que possui escritórios em diversos pontos do mundo, mas sobretudo por é nestas mãos que se encontra a nossa possibilidade de exportar produtos nacionais e de atrair investimentos estrangeiros, neste aspecto há muito a dizer e haveria, por parte do primeiro-ministro, a obrigação de prestar a maior atenção a tão importante sector.
Isto é uma “descoberta” de alguém com enorme imaginação? É evidente que não. Trata-se apenas de uma atitude que não sai da cabeça dos governantes, que esses, coitados, andam preocupados com outros problemas, os das difamações, os da defesa da sua honra e, claro, com as viagens, que essas gozam-se e já ninguém as tira, mesmo se o Executivo for à sua vida!

terça-feira, 2 de março de 2010

QUANTOS

Não é fácil ir contando
o que na vida fizemos
e se vai avolumando
e chega a atingir extremos

Daquilo que desistimos
os erros que cometemos
até o que conseguimos
e aquilo que não demos

Felicidade perdida
quantos amigos morreram
o que ficou nesta vida

Quanto outros perderam
por falta de acolhida
que de nós não receberam


HÁ MALES....



HÁ QUE DIZÊ-LO, sem medo de sermos olhados como lamechas, pois se apontamos os erros que transportamos desde a nossa nascença como povo, também as virtudes, que nos acompanham ao longo de igual período, essas saltam à vista cada vez que as oportunidades se nos deparam, embora em menor quantidade. Também, se fossem apenas de defeitos as nossas características, mais valia que mudássemos quanto antes de nacionalidade, pois que as perspectivas de nos transformarmos em algo de útil para nós mesmos estariam definitivamente perdidas.
É certo que perdemos com bastante frequência todas as esperanças e nos entregamos ao desânimo que não nos ajuda a arregaçar as mangas e a darmos a tal volta por cima, mas, quando menos esperamos, um acontecimento inesperado transforma-nos em gente igual às outras, tão boa e tão má como a que existe por esse mundo fora e, de certa maneira, até com algumas qualidades que nos distinguem para melhor.
Então não foi isso que se passou com o desastre que deixou a Ilha da Madeira numa situação que nos atingiu a todos, aqui no Continente, de lágrima ao canto do olho e com o maior desejo de ajudar os que tanto precisam do nosso auxílio? E, no que respeita aos próprios habitantes das zonas madeirense que foram atingidas drasticamente pelo excesso de água que ali se verificou, não foi revelada uma actuação que nos tem de deixar a todos nós, portugueses, deslumbrados com a capacidade de trabalho e de recuperação do muito destruído que foram mostradas pelos que viram as suas casas afundadas, os seus negócios destroçados e até as vidas de parentes e amigos perdidas?
Pois, é neste modesto blogue que eu entendo dever fazer o meu acto de contrição no que respeita às críticas que deixo expressas sempre que, não conformado, tenho de chamar a atenção dos que nos governam e dos que são governados para os maus caminhos que são percorridos. Reconheço que, nessas ocasiões, não escondo a minha indignação, sobretudo quando existem formas de solucionar os problemas e não se vê que alguém, os que mandam e os que obedecem, faça o mínimo de esforço para melhorar o que está mal.
E agora? Nesta ocasião tão especial? Não é verdade que servimos de exemplo com a actuação que se verifica na nossa querida Madeira?
Pois, foi necessário acontecer uma desgraça para até podermos ter assistido a um Alberto João Jardim a redimir-se da sua linguagem e da sua sempre continuada posição de reclamante em relação ao que é decido no Governo da República, como ele tantas vezes diz. E apareceu uma pessoa normal, procurando encaixar-se no consenso, pondo de lado quezílias políticas e pessoais, dando as mãos ao conjunto de País que somos e sem espírito separatistas.
Há males que vêm por bem, é o apanágio popular que, também este tem aplicação na altura em que é relembrado. Pois sendo assim, talvez tenha surgido o momento para que todos nós, os que governam e os outros, tenhamos capacidade para fazer como os madeirenses e empregar todos os esforços ao nosso alcance para sairmos desta tempestade em que temos vivido. Há que lavar as ruas, reconstruir o destruído, emendar os erros feitos, tudo isso, mas, sobretudo, pôr a cabeça em ordem…

segunda-feira, 1 de março de 2010

BONITA BURRA

Grandes olhos
bem expressivos
simpatia, essa aos molhos
em momentos bem furtivos
ancas firmes reboludas
peitos de frango encorpado
sem necessidade de ajudas
pernas altas, bem formadas
cintura de bailarina
andar de gazela airosa
boca rasgada, bem fina
dentes de pedra preciosa
mãos fluentes, expressivas
quais belas pombas voando
mostrando que são activas
de tudo não destoando
bracinhos bem torneados
essa é ela, a beleza
o que deixa extasiados
e sem perder a firmeza
homens, mulheres e quem for
sem gostar
ou com amor
calada
firme
esticada
ainda há quem o afirme
é um prazer para a vista
e fica bem no retrato
qual obra de grande artista
de olhar não se fica farto.
Porém
mal deixa sair da boca
seja o que for para além
mesmo que seja pouca
qualquer palavra que seja
aí, beleza que foste
tudo de mais sobeja
nem m’encostando a um poste
aguento ter de ouvir
cada palavra um erro
cada som de afligir
toda tu és um berro
misturado com gemidos
que saem em vez de voz
parecida com balidos
que só podem causar dós

Chego assim à conclusão
que mais vale mulher feia
deselegante, podão
gorda que nem baleia
mas que como companhia
seja um grande consolo
que nos encha de alegria
de cabeça com miolo
se a vista não se regala
ao menos enche os ouvidos
e a alma se exala
e afasta pr’os olvidos
as desgraças desta vida

Melhor que lindo e brilhante
um bom feio deslumbrante

PEC - A SALVAÇÃO?



ESSE PEC – Programa de Estabilidade e Crescimento, que o Governo anda a anunciar há já um certo tempo que vai dar a conhecer aos portugueses, parece que vai incluir um corte em toda a despesa pública, incluindo gastos nos investimentos, nos salários e prestações sociais e, provavelmente, em muitos outros sectores que poderão suportar tais reduções. O ministro Teixeira dos Santos tem atrasado bastante a conclusão desse documento e por isso o segredo mentem-se até ao dia em que não puder ocultar mais o que, provavelmente, que lhe vai proporcionar grandes críticas. É natural.
Não se conhecendo ainda o teor do tal PEC, mas podendo-se antever que se deve tratar de algo que tem de causar preocupações por não poder apresentar-se como um documento simpático, que cairá no agrado de toda a nossa população, o que se espera é que a selecção do imprescindível do não urgente seja levada em conta com afinado sentido de responsabilidade, pois o que se tem observado no decorrer da acção deste Governo, agora na fase actual mas já antes, quando detinha a maioria absoluta, é que, quer na sede governamental quer nas múltiplas dependências dos dinheiros do Estado, incluindo as Câmaras Municipais, essa escolha do urgente tem sido muito confundida com apetites de outra ordem que, no fundo, fazem despender muitas verbas que poderiam aguardar por melhor altura para serem efectuadas.
Eu tenho, aqui neste meu blogue, pois continuo a considerá-lo como de utilidade no sentido de deixar expressa a opinião de um cidadãos que, pelo seu passado, tem obrigação de não ficar indiferente aos erros – na minha opinião pessoa, está bem de ver – tenho denunciado muitas atitudes políticas que merecem ser apontadas, para que a História do futuro, quando forem relatados todos os passos dados por esta geração de políticos, não caiam no esquecimento e possam ser encontrados os culpados de terem conduzido Portugal ao estado em que ele se encontra agora e, quem sabe, de como ficará amanhã.
A minha opinião julgo que não deixa dúvidas a ninguém de que, independentemente da tal crise mundial que causou e causa prejuízos económicos e sociais em muita partes do Globo, por cá poderíamos ter actuado com mais cautela e antecipando-nos, pelos exemplos vindo de fora, de nos atolarmos em dívidas só para darmos mostras de que somos muito activos e enérgicos e de que temos uma visão antecipada das necessidades não adiáveis, como o aeroporto, as auto-estradas, o TGV e todos gastos exagerados que havia que deixar para outra ocasião mais propícia.
E é isto que eu não me canso de repetir. E se tivesse havido alguém no Governo que mostrasse o mesmo espírito de escolha das prioridades dentro dos fundos disponíveis, nesta altura não estaríamos a elaborar PRECs com as características de retirada de regalias existentes, suponho eu, e que não se sabe quando poderão voltar a ser concedidas aos portugueses.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

SABER POUCO

Quanto mais nós aprendemos
se tomamos consciência
ver o pouco que sabemos
como anda longe a ciência
ignorância
abundância
o saber pouco é melhor
não nos deixa entender
não põe ao nosso dispor
o comparar para ver

Por isso o não aspirar
a ser o mais sabedor
é deixar-se só ficar
no seu próprio corredor
paciência
sem ciência
a não ser sábio aspirar
que outros o queiram ser
p’ra depois não suspirar
ou ter de se arrepender

Saber só quanto baste
ficar-se no mediano
p’ra não servir de contraste
e não sentir-se ufano
modéstia
sem moléstia
se não sabe pois não fale
que o ouvir é o melhor
ninguém diga que se cale
antes mereça louvor

TERRAMOTOS, CHEIAS, TSUNAMIS


HOJE, domingo, com a notícia acabada de chegar do terramoto ocorrido no Chile, a sete dias apenas das derrocadas monstruosas na Ilha da Madeira e ainda mantendo na memória o acontecimento dramático no Haiti, a pergunta que podará ser formulada no interior de cada cidadão que não vive agarrado a uma crença religiosa é das razões de tamanha devastação, com imensas mortes, feridos, desalojados e prejuízos materiais de todas a ordem e de elevados custos.
Não sou eu que vou adiantar o que me salta à imaginação. Eu, que não sei nada e que mantenho constantes dúvidas, faço a tal interrogação mas não encontro resposta. E como não acredito em vinganças seja de que ser superior seja, pois o que aprendi em criança e que, apesar de tudo não desvio completamente do meu comportamento, é que quem manda acima do poder humano será um ser misericordioso, que tudo perdoa e ninguém castiga. Mas recordo-me também daquilo que nos diziam na nossa pequenez de que, pelo contrário, o Diabo, esse sim está sempre à espreita para aplicar a sua mão vingativa, e, metendo-me na pele da criança que ouviu estas “lições”, sou levado a não contrariar a ideia de que o comportamento que tem evidenciado o Homem por esse mundo fora, de há uns tempos a esta parte para cá, talvez justifique “um puxão de orelhas” que, infelizmente, se traduz nos enormes malefícios a que temos assistido e que castiga gente inocente a torto e a direito.
Mas, falando agora noutra vertente, acreditando que a própria Natureza que, sem consciência dos desastres que ocasiona, de vez em quando desperta as suas fúrias, quer por excesso quer por falta, e, com chuva a mais, com frio demasiado, com calor que não se suporta, com tremores do sues intestinos e, pelo contrário, com falta disso tudo, faz lembrar o Homem de que não pode nem deve andar distraído com as precauções que é forçoso tomar para prevenir com tempo, em vez de remediar quando já é tarde para acudir.
E esses descalabros sucedem-se de tempos a tempos, às vezes com intervalos grandes, só que o ser humano, confiante e preguiçoso como é, cuida de muita coisa, moderniza-se sem descanso, inventa a cada passo, só que não faz o essencial e que é o cuidar de não dar cabo do mundo em que vive, de não exceder o espaço que lhe é concedido, não o sujar sem se importar com o amanhã, e quando sucedem os inesperados é que admite que deveria ter-se defendido das consequências da sua própria falta de acautelamento em relação ao futuro.
E por aí iremos, sempre iguais, aumentando as populações em números assustadores, alargando cada vez mais a ocupação de espaços que deveriam ser resguardados, e só chorando as consequências quando somos apanhados de surpresa.
Não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Isto tudo vai continuar assim!...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

REVOLTA

Que revolta
desconsolo
ansiedade
bem queria dar a volta
e ir até ao miolo
da minha obscuridade

Verdade
mistérios
respostas claras
estou pleno de vontade
que me mostrem factos sérios
sem inventos e sem taras

A suceder
a dar-se
ter fé como crentes
não terei o que temer
que usar qualquer disfarce
para me mostrar às gentes

Séculos passados
dois mil anos foram
sem provar
nem fanáticos nem letrados
nem aqueles que tanto oram
no que eu quero acreditar

Ter fé é preciso
querer saber
respostas das questões
terei de perder o siso
basta entregar-me ao crer
sem pôr quaisquer condições

Triste ignorância
querer aprender
com independência
só me restará a ânsia
de ir sem satisfazer
tão grande impaciência

Sacanices
e invejas
grandes perseguições
um mundo de aldrabices
só beatas nas igrejas
o perdão com confissões

É o céu
e o inferno
bondade e Satanás
desconfiam do ateu
e até o próprio Governo
não quer fazer marcha atrás

Ser sério,
honesto
frontal
não aceitar o mistério
há que não dar o pretexto
de sem saber dizer mal

Será assim
vida fora
sempre igual
pergunto à volta e a mim
mas não sei aonde mora
quem me dê algum sinal

Por isso
contrariado
temente
fechado no meu ouriço
sem fé e amargurado
não sinto o que outrem sente

No Além
fora do mundo
ali
será que haverá alguém
que me faça ver bem fundo
aquilo que nunca vi ?

CARROS PARA AS EXCELÊNCIAS



COM TANTA conversa fiada de que é forçoso reduzir as despesas públicas, andando o primeiro-ministro a apregoar os seus feitos dando a ideia do atleta que chega em último lugar mas que sente a satisfação do vencedor, nós, os que nos encontramos apenas na posição de espectadores, sem podermos interferir na acção do Governo, o que nos resta é, em vez de nos conformarmos com as gabarolices de Sócrates, tentarmos dar mostras das razões que nos assistem ainda que o nosso desassossego não alcance os objectivos de fazer os governantes enfrentarem as realidades. E, se houver quem oiça e raciocine quanto à possibilidade de existir alguma razão por parte dos que não concordam com as medidas que têm sido tomadas por aqueles que possuem nas mãos as rédeas do poder, então sempre valerá a pena ir insistindo enquanto, pelo menos, ainda houver tempo para a frente que chegue para actuar.
Eu sou daqueles que considera que ainda existe uma larga margem de manobra para se reduzirem substancialmente os gastos do Estado e, por outro lado, também se encontram algumas formas de aumentar o activo que permita resultar em ingressos monetários de grande utilidade para fazer frente às exigências mais urgentes e depois de bem seleccionadas. Refiro-me, por exemplo, aos carros que a Segurança Social penhora e que, desde Janeiro, segundo notícia publicada, este ano, desde Janeiro, atingiu o número de 2.000 viaturas. E, sendo evidente que se trata de uma operação dolorosa, pois refere-se a cobranças violentas de dívidas ao fisco, se esse passo tem de ser dado, então que o objectivo final seja cumprido: o de reverter para o Estado o valor em dinheiro dessa acção.
A pergunta que há que fazer é qual o destino e em que espaço de tempo é que as entidades oficiais transformam em atitude prática as medidas em causa. Quer dizer, essas viaturas são, por exemplo, postas ao serviço de departamentos estatais e no mais curto espaço de tempo, de forma a não se desvalorizarem pela antiguidade? Evitam-se, com tais medidas, as compras de automóveis novos para os serviços oficiais, sabendo-se, como se sabe, que muitos chefes de departamentos e até mesmo gestores de empresas públicas adquirem à vontade carros novos logo que acham que os que estão ao seu serviço já não correspondem ao nível social que atribuem a si próprios?
E, no que respeita a toda a enormidade de carros que, segundo se sabe, entram na posse das autoridades, seja pelas mesmas razões fiscais seja porque são confiscadas por outros motivos, como roubos e outras causas, onde vão parar tais viaturas? Com tanta matéria jornalística que este assunto daria, onde estão esses profissionais da investigação para a notícia que perde tempo com matérias fúteis, em lugar de prestar atenção ao que nos interessa verdadeiramente?
Confirmo, de novo, aquilo que tenho proclamado em escritos vários: o que deveria existir no esquema administrativo do Estado era um serviço de compra, manutenção e facilitação de viaturas, sempre que requisitadas para cada actuação, saindo o carro que fosse e o motorista que estivesse disponível na altura, para recolher de novo à garagem e ficando disponível para atender ao pedido seguinte, desde que devidamente justificado. Assim, sim, se poupavam compras desnecessárias de automóveis, bastantes dos quais se encontram estacionados à porta dos utilizadores que, com excepção dos ministros e secretários de Estado, desde Directores-gerais e daí para baixo não deveriam ser carros e os motoristas respectivos exclusivamente aos serviço de um única individualidade.
É doloroso, para quem tem gozado, até hoje, das benesses de ter o “seu” carro e o “seu” motorista parado todo o dia à porta da sua repartição. Mas, que querem? Então não estamos em plena crise e não temos também todos de nos sacrificar para não vermos Portugal seguir o caminho da Grécia?E não digo mais nada. Estou farto de pregar aos peixes

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

CONFISSÃO

Dizer a outro, em segredo
o mal que tenhamos feito
confessar
libertar
fazê-lo até com medo
mostrando o que é defeito

Fazendo-o na sacristia
também no confessionário
recolhido
escondido
para alguns é agonia
será até um calvário

Mas com a fé a mandar
no dizer de quem confessa
liberta-se
desperta-se
pode outra vez começar
quanto ao mau de trás esqueça

Dessa forma a consciência
volta a dormir descansada
liberta
aberta
p’ra dar nova sequência
a seguinte caminhada

Já livre então dos pecados
tranquilo fica o crente
ar puro
passado o muro
malefícios perdoados
só há que seguir em frente

É assim o ser humano
Dizer a outro, em segredo
o mal que tenhamos feito
confessar
libertar
fazê-lo até com medo
mostrando o que é defeito

Fazendo-o na sacristia
também no confessionário
recolhido
escondido
para alguns é agonia
será até um calvário

Mas com a fé a mandar
no dizer de quem confessa
liberta-se
desperta-se
pode outra vez começar
quanto ao mau de trás esqueça

Dessa forma a consciência
volta a dormir descansada
liberta
aberta
p’ra dar nova sequência
a seguinte caminhada

á livre então dos pecados
tranquilo fica o crente
ar puro
passado o muro
malefícios perdoados
só há que seguir em frente

É assim o ser humano
inventa religiões
esperteza
ardileza
como uma nódoa no pano
tudo sai com esfregões

Quem não crê que por contar
lá vem perdão para asneiras
realista
ateísta
será até acabar
portador dessas besteiras

E se for homem de bem
dos seus erros consciente
pensador
com rigor
para sempre lá retém
e paga por não ser crente

inventa religiões
esperteza
ardileza
como uma nódoa no pano
tudo sai com esfregões

Quem não crê que por contar
lá vem perdão para asneiras
realista
ateísta
será até acabar
portador dessas besteiras

E se for homem de bem
dos seus erros consciente
pensador
com rigor
para sempre lá retém
e paga por não ser crente







AH! SE EU FOSSE!...


SE EU FOSSE – salvo seja! – o José Sócrates e me encontrasse na posição dele, com a imagem tão pouco apetecida que ele transporta, tenho até a sensação de que nunca teria chegado ao extremo em que ele se encontra, nesta altura tão difícil de ultrapassar julgo que conseguiria dar a volta e mudar a opinião que os portugueses, em grande número, mantêm do primeiro-ministro. Sem pretensões de querer ser exemplar, atrevo-me a expor a minha ideia. Aqui vai:
A primeira atitude que tomaria, mas com uma declaração prévia para não deixar possibilidades de ser explorada a mudança de que daria mostras e que, logo no início do actual Executivo, serviu bastante para tema de comentários dos observadores e dos jornalistas, em que nessa “fala” aos portugueses me abriria, com o ar da maior modéstia possível, mesmo que tivesse que ensaiar com especialistas essa minha nova imagem. E aí, tiraria todas as dúvidas, com uma confissão aberta de que o meu novo comportamento era fruto da necessidade imperiosa do País fazer todos os esforços que estivessem ao alcance dos portugueses e eu, como natural desta Terra, não pretendia fugir a tal sacrifício que, na minha situação, era o de passar a actuar de forma diferente daquilo que a minha convicção tinha imposto ao longo do comando do Governo actual e do anterior, não escondendo, no entanto, que essa mudança não tinha outro significado que não fosse esse de pôr os interesses de Portugal acima da minha forma de governar.
Com esta declaração, seguramente os portugueses, dentro do seu feitio de perdoar e de considerar que os que morrem “no fundo não eram más pessoas”, fariam as pazes com o seu governante e passariam a suportar de melhor maneira as decisões que saíssem de S. Bento. Sendo que, era chegada a altura de manter um diálogo permanente com os cidadãos e cada medida que adoptasse teria de ser bem explicada, com os prós e os contras, e com a declaração que estaria aberto a todas as propostas que surgissem e que fossem melhores do que as que tinha adoptado.
Claro que esta actuação democrática levada ao cúmulo da sua aplicação, tem, na prática, um aspecto quase ridículo. E seria. Mas, tendo atingido a imagem de Sócrates um nível de não aceitação que dá ideia de ser irrecuperável o suportar-se tal político, face ao complicado que se apresenta o panorama económico, financeiro e social do nosso País que não resistirá a umas eleições nos próximos tempos mais chegados, somente uma actuação de recurso, um remendo bem à portuguesa, seria capaz de produzir o “milagre” de ser mostrado um Sócrates com completa e total aceitação por parte da maioria dos portugueses, ao ponto de aceitarem todos os grandes sacrifícios que têm que4 ser rogados para que, sem necessidade de mudança de Governo nesta altura, possamos fazer frente á crise e sair dela de cabeça levantada.
Como vêem, também sou capaz de recorrer a um optimismo desmedido para encontrar formas de puxar para cima um barco que se encontra em v ias de afundamento.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

HARMONIA

Quem sou eu ? Pergunto todos os dias
que faço aqui, que posso acrescentar
Que ganha a terra e que bem pr’ó mar
Com o que são as minha energias?

Se nada trago, se sou só mais um
Apenas números faço mover
Teria valido a pena nascer?
Digo que não como homem comum

Se queria saber mais e não sei
Se gostava ter um dom e não tenho
Se para muito me falta o engenho
Pr’a quê acabar o que comecei

Só vejo em mim algo de perfeito
Que não adianta mas não atrasa
Que não tem nada de golpe de asa
Mas, isso sim, não esconde o defeito

A coragem de dizer o que sinto
De expressar o que me vai na alma
De ser tão sincero, o que me acalma
Mas pelo menos não dizem que minto

Se na pintura me atrevo tanto
E a escrever vou por mares revoltos
Embrenhando-me nos versos bem soltos
Assim vou ao encontro do quebranto

Mas não, porque é a música que falta
Porque é a harmonia dos sons
E a delícia encantada dos tons
Que é do resto o que mais me exalta

Trocava tudo pela melodia
E deixava de lado a pintura
A música, essa sim, quando é pura
É também ela grande poesia

Mas, se tivesse andado em sinfonia
Em vez de me arrastar pela escrita
Como pela pintura, que desdita,
A vida me traria outra harmonia

Mas como não atingi tal desejo
Fico-me com o que me deu a sorte
Pois o que tenho certa é a morte
E o resto só lastimo e só invejo


A ENTREVISTA


APESAR dos desconsolos que nos atormentam, sempre que parece surgir uma ocasião para alterarmos a tristeza que nos invade todos os dias, agarramo-la com unhas e dentes e procuramos que esteja ali a solução para os males que nos atormentam no nosso País, que é o que sentimos na pele, muito embora não estejamos indiferentes ao que se passa fora de portas. Só que as comparações não servem rigorosamente para nada, como é uso e costume José Sócrates fazer, para tentar defender-se de que os outros também sofrem com a crise.
Agora, segundo foi divulgado, o Governo quer garantir a Bruxelas, através do seu Programa de Estabilidade e Crescimento, que os impostos não serão aumentados até 2013. O que quer dizer que a equipa socratiana não pára de lançar achas de boas perspectivas para o futuro, procurando esconder as realidades com pinceladas cor de rosa, dentro de um espírito que não sei se se filia no princípio de que o importante é iludir a realidade e manter o povo com algum ânimo para se queixar pouco.
A minha opinião não é essa, como tenho afirmado repetidamente, pois entendo que o prevenir é melhor do que o remediar e se os portugueses forem informados da verdade, estarão mais bem preparados para os acontecimentos que podem surgir a seguir e esses não apontam para uma tranquilidade porque o pior já passou – dizem os optimistas.
Pois causou uma certa ânsia ver e ouvir na televisão o que iria ser mostrado na entrevista que Sócrates deu a Miguel Sousa Tavares. Conhecendo-se o feitio forte do escritor, eu, pelo menos, previ que se iria assistir a uma questionário que não daria ocasião ao primeiro-ministro de fugir a respostas claras, sem aproveitar mais essa oportunidade para fazer propaganda da boa execução do seu mandato e apontando erros aos outros, que esses, sim, não serão capazes de fazer melhor do que ele. E acabou, por fim, por suceder isso mesmo.
Bem sei que o Miguel não tem experiência de jornalista (e, por um lado ainda bem), mas mesmo assim, tendo feito seguramente o trabalho de casa, deveria estar prevenido para as habilidosas fugas do seu entrevistado e interrompendo-o sempre que as respostas que eram dadas não se limitavam a esclarecer o conteúdo de cada questão. E, sobretudo, deveria ter feito, perante as câmaras e antes do início da entrevista, a advertência a Sócrates de que os portugueses estavam ansiosos por ser informados com clareza e não com argumentos que estão fartos de ouvir.
Dentro deste princípio, havia que apresentar situações que necessitavam, muitas delas apenas um sim ou um não, por muito difícil que seja, em determinadas perguntas não acrescentar algum esclarecimento. Mas reduzido. Porque é aí que Sócrates aproveita para meter as suas considerações propagandísticas que desvirtuam a importância de se ficar a saber a realidade.
Ora, foi isso precisamente que sucedeu no espectáculo que Sousa Tavares apresentou na sua estreia com o referido programa. Ter ido José Sócrates para esclarecer os portugueses sobre a sua actuação, face aos acontecimentos que o têm denegrido aos olhos dos portugueses, ou não ter lá aparecido, foi a mesma coisa. Portugal se tinha uma opinião quanto ao chefe de Governo que está actualmente nas suas funções, manteve-a. Se era má, não a melhorou. Se era de confiança, então conservou-a.
Para quê, portanto, andar a esconder o que tanta gente antevê? Não é que já saiu a notícia de que a idade da reforma vai passar para os 67 anos? Isso, apesar de haver ainda muita gente que se habilita a deixar de trabalhar aos 50 e poucos anos! E as reformas? Ninguém, no Governo quer falar nisso?
Eu, que tenho sido acusado de ter razão antes de tempo, não o faço por puro prazer, antes pelo contrário. Leiam o meu blogue de datas atrasadas e logo verão o que o que antevejo. E não tenho pretensões de ser bruxo!...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

É A HORA!

Já Pessoa alto gritava
Sua Mensagem divina
Que esta Pátria mal andava
Que navegava à bolina
Sujeita a toda a rapina
De quem bem se colocava

É a hora, dizia ele
P’ra sair do nevoeiro
Surgir a força que impele
Em momento derradeiro
Que transforma o fel em mel
E que venha um novo obreiro

Mas atenção, olho alerta
Que seja alguém desta terra
Que não tenha ordem por certa
Que fuja de qualquer guerra
Sendo denso o nevoeiro
Liberdade por inteiro
É sempre janela aberta

Se Pessoa ‘inda existisse
Cantando a sua “É a Hora”
Diria o que então não disse
Deitava p’la boca fora
Que em lugar de um Bandarra
De alguém com força e mão dura
Seja quem com uma fanfarra
Toque contra a ditadura

Outro rei Sebastião
Mas sem ares de salvador
E com determinação
Que se empenhe com rigor
Na governação do País
É o que se espera afinal
Para um futuro feliz
Desta Pátria: Portugal

APROVEITEM ENQUANTO HÁ!


EU JÁ DEVERIA ter entendido que não vale a pena prosseguir nesta senda de insubmissão quanto ao que ocorre errado no nosso País, pois não é por expressar para o exterior o que me vai no íntimo que se conseguem obter resultados positivos que provoquem uma reviravolta nos procedimentos dos portugueses, incluindo, claro está, os que têm a seu cargo a condução da vida nacional. Mas, que querem que eu faça? Não me sai do hábito que vem de trás, da minha antiga profissão de jornalista, esta espécie de vício que me leva a servir-me da escrita para dar mostras do meu direito à indignação. Não serve para nada, mas não me podem acusar de ser um insatisfeito mudo.
Aqui vai, pois, mais uma: eu tinha alguma consideração longínqua por esse homem que tem dedicado grande parte da sua actividade à Câmara Municipal de Lisboa, Refiro-me a José Sá Fernandes. Parecia que se tratava de alguém que, pondo de parte interesses pessoais, estava disposto a lutar para que as coisas tortas dentro do Município lisboeta corressem com a maior limpeza possível, pelo que as suas denúncias de alguns casos deixavam essa ideia. Mas vejam lá como são as coisas, é que sendo um português como todos nós, afinal o que parecia não correspondia à realidade, isto se se levar em conta um mail que chegou ao meu computador e que relata, com pormenores, que, afinal, não há grande diferença entre este “exemplar” e todos os outros que pululam por aí e que só se servem das regalias do Estado para obterem mordomias e posições chorudas.
Vejamos, então: esta figura recebe do orçamento da Câmara o simpático pagamento mensal de 20.880 euros. Mas não é só isso. Ao seu serviço no Município conta com nove assessores técnicos, uma secretária e um coordenador de gabinete, para além do motorista destinado ao cargo de vereador, de um outro motorista para o gabinete e de um contínuo… tudo a recibo verde!
Ora bem, este vereador que, por sinal não tem pelouro atribuído, é ele quem apadrinha os tais 9 assessores, alguns a tempo inteiro e outros com 50% de actividade, e em que os seus vencimentos andam na ordem dos 1.530 e dos 2.500 euros.
Este procedimento tem de nos levar a não conservar qualquer esperança de que consigamos assistir, na nossa existência, nós os que já não pertencemos à juventude, a um rejuvenescimento de Portugal em qualquer das suas vertentes principais, económica, política, financeira e, sobretudo, social, pois torna-se necessário mudar completamente de cidadãos para que outros que os substituam consigam impor alguma ordem moral e decência nos seus procedimentos, dando sobretudo o exemplo, que é o que tanta alta faz neste nosso espaço terrestre.
Como é que gente que anda a proclamar que é forçoso actuar com competência, com honestidade, com bom senso, tendo como ideal, acima de tudo, o País e não qualquer corrente política, como é que pessoas com tais características afinal não se diferenciam das outras que são só dão mostras de falta de qualidade e de ética para exerceram posições superiores?
Eu, por mim, não escondo e continuo a usar da sinceridade naquilo que expresso para afirmar que deixei, há muito tempo, de depositar confiança nos homens e que aqueles que cá temos não se preocupam já em esconder os seus defeitos. O que é preciso é aproveitar em pleno todos os benefícios que se consigam obter, não importando se se trata de alguma coisa que deixa más marcas no curriculum.
Claro, que eu também sou humano. Por isso, não me excluo da regra geral. E é isso que me preocupa seriamente.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CALADO

Ter que fazer
não ser capaz
nem querer morrer
sem deixar p’ra trás
obra aceitável
para recordar
ser memorável
não ser vulgar

Mas e o génio?
bem que o procuro
qual oxigénio
em túnel escuro
se não o alcanço
fica por fazer
não terei descanso
sem desfalecer
até conseguir
antes de partir

Só os papéis
manuscritos no café
esforços cruéis
de quem faz finca-pé
em não ser um qualquer
quem cá ficar que diga
o que lhe aprouver
pois ninguém é obrigado
a manter esta luta
e se calhar é calado
que é a melhor conduta
dizer alto é vergonha
de se ficar a saber
o que cada um sonha
e, sem o conseguir… morrer

CRISTIANAS NOTÍCIAS


A AUSÊNCIA de sentido de oportunidade, de respeito pelos acontecimentos sérios, até do mínimo de bom senso, essa característica anda à solta por este País e não é só nas cabeças dos governantes e do seu chefe que se pode apontar tal defeito, a própria comunicação social, alguma dela, perdeu completamente a noção do que são notícias sérias, boas ou más, das que devem chegar ao conhecimento dos leitores, ouvintes ou espectadores, ao ponto de dedicarem capas, páginas inteiras, títulos a toda a largura das folhas a assuntos que só servem para indignar ainda mais este povo que já está tão causticado e que merece um certo cuidado para não levar ao extremo a sua falta de capacidade para aguentar sucessivas dificuldades para conduzir a sua vida, mesmo mediana que seja, em Portugal. Eu, que na minha vida jornalística, aprendi com mestres de grandeza e ensinei depois aos meus redactores que não se pode perder o respeito pelos seguidores das notícias, transmitindo sempre o que havia para divulgar tendo em atenção o conjunto da situação do País – e,. nessa altura, a própria Censura se encarregava de usar o lápis azul para cortar o que lhe parecia poder criar situações difíceis no ambiente dos cidadãos -, obviamente que não tinha outro remédio que não fosse o de escolher entre a notícia importante e o vazio de conteúdo.
E porquê venho eu agora com este arrazoado? É que, no meio das maiores catástrofes por esse mundo fora, para não falar até da que ocorreu no Haiti e que entristeceu todo o mundo, o que se passou agora na Madeira, portanto em plena Terra lusitana, é tema para ser considerado prioritário em tudo que se transmite nos vários órgãos de Informação nacionais. Não pode haver outra coisa que seja mais importante nos nossos noticiários do que o que transformou a “Pérola do Atlântico” num mar de lodo, de ribeiras loucas a descarregar água pelas colinas abaixo e tudo isso com as consequências destruidoras que foram causadas pelas chuvas torrenciais que caíram na Ilha. Para além das mortes, dos feridos e dos inúmeros desalojados.
Mesmo assim, não pararem de surgir páginas inteiras dedicadas ao que o Cristiano Ronaldo compra, quem ele namora, o que ele faz na sua intimidade ou em plena praça pública, para além de enfastiar a repetição constitui até uma espécie de falta de assuntos importantes por parte de uma certa Imprensa. Eu sei que esse tipo de actuação cabe a um departamento tido como de “jornalismo social”, que eu pessoalmente nunca pratiquei, mas, mesmo assim, sempre há quem dirija tais folhas e deva ter a capacidade de orientar os seus redactores a variar de assunto.
Agora, numa fase de verdadeira crise, de desemprego aflitivo, de carências das famílias em suportar as despesas mensais, o ser dada espectacularmente a “notícia” de que Carlos Cruz comprou uma vivenda com piscina e tudo em Cascais, com a indicação de que a casa anterior era pequena, essa ofensa à maioria esmagadora dos portugueses não pode passar sem uma reprimenda, pelo menos neste meu blogue, já que, até agora, ainda não se notou qualquer tipo de cortes, por parte de quem seja, para impedir que se digam as coisas que apoquentam quem anda atento ao que ocorre em Portugal e não anda satisfeito com as atitudes de um certo número de portugueses.