sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O MUNDO QUE TEMOS

Oh Deus que estás contemplando a Terra
contente não creio com obra feita
o homem por Ti feito só quer guerra
não seria essa Tua receita
De início Caim matou Abel
por diante esse homem foi mau
abriu asas ao seu fundo cruel
à maldade contida em alto grau

Até hoje nada mudou no ser
segue agarrado ao seu egoísmo
e Deus lá deverá estar a ver
sem evitar a queda no abismo

Se não é prudente pensar assim
se mandam os cânones ser prudente
pois que então quando chegar ao fim
mude o meu pensar e passe a ser crente

Será tarde, não valerá a pena
pois que por cá é que se deve crer
ainda que nesta vida terrena
a fé não nos retire o sofrer

Pois se Deus nos protege de verdade
eu me pergunto que seria então
deste mundo de tamanha maldade
sem contar com a Sua protecção


JUSTIÇA DIVINA



QUANDO assistimos a todas as catástrofes que ocorrem pelo mundo, em que as vítimas são, quase por norma, multidões de famintos, crianças, gente que se arrasta na vida nas piores condições, não podemos, de facto, ficar indiferentes. Eu não serei excepção, assumo, e, tal como muita gente, espero, são essas situações que me fazem ir ao fundo da questão e provocar em mim ainda maiores interrogações do que aquelas que acarreto desde que me conheço como pensador. Se não com a mesma intensidade, talvez com alguma semelhança.
O caso é o seguinte: como não sabemos, de ciência certa, se o Universo acarreta planetas com características iguais ou parecidas com a que temos na Terra, ficamo-nos por aqui e teremos de sujeitar a nossa preocupação ao que se passa à nossa volta. E, admitindo os princípios religiosos que são mais seguidos nesta Esfera, de que um Deus criou no princípio, e que, depois disso, passou a olhar e a acompanhar os seres terrestres, por isso é-lhe atribuída a função de “Todos Poderoso”, ao darmo-nos conta de ocorrências como aquela que abalou agora o território do Haiti, provocando a mortandade e o sofrimento que afectou uma vasta mancha de seres humanos, os que viram o fim da sua existência e aqueles que, provavelmente ainda piores, se vêm mutilados fisicamente ou que sofrem a perda de parentes que não resistiram à catástrofe, que se pode face a isso que se pode concluir no que diz respeito ao que cada crente espera da bondade divina, já que se admitirá que tudo que ocorre na crosta terrestre tem de ter “autorização” da mão de Deus?
Bem sei que a fé encontra sempre resposta para acontecimentos na vida humana que, os que não se encontram tão ligados a esse tipo de crenças, têm dificuldade em digerir. E, para além do princípio, a que eu já me referi em blogue atrasado, de que o excesso de população mundial está a ser também causador da crise que se debate a população na sua maioria, não encontro outra resposta que satisfaça minimamente os que não se conformam com as vilanias que a Natureza pratica.
Pouco mais tenho a acrescentar ao que já dei mostras de constituir mais uma dúvida às que me atormentam sempre que me proponho reflectir na área dos mistérios divinos. E a desejar que não constitua mais uma preocupação às muitas que os mortais já têm de suportar. Mas também, deixar passar e somente cuidar dos vivos e enterrar os mortos, sem entrar nos meandros espirituais, isso parece-me pouco ambicioso.
Eu, pelo menos, não me fico por aí. Embora não encontre qualquer resposta e não tenha conhecimento se os sábios, os que contribuem constantemente para os grandes avanços tecnológicos, alguma vez serão capazes de fazer desaparecer o grande mistério que envolve os que têm pretensões a querer saber mais. E só facto dele existir já dá que pensar.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ANGÚSTIA

Angústia
é ter dor no vazio
e não nos podermos queixar
de um ponto qualquer do corpo
é sentir a falta de algo
e o estar farto do demasiado
é o não poder respirar bem fundo
e o ter ar a mais no peito
o ler e arrepelar-se
e o não ver nas escritas
aquilo que consolaria
é o fazer a sua própria obra
e ficar insatisfeito
arrependido
por a ter iniciado

Angústia
é o estar só
ou mal acompanhado
é o ter gosto pela música
e só ouvir ruído
é querer fazer poesia
e só lhe sair rima
é ver nas livrarias as obras saídas
e interrogar-se: e as minhas
que continuam guardadas?

Sim, angústia
quando aparece
custa a ir-se embora
se é que vai algum dia
enquanto por cá se anda.

Logo pela manhã, ao despertar
ela aí está
matreira, à espreita
a castigar o cérebro
a implicar com os projectos
quando os há
a encher os ouvidos
com o não vale a pena
com o porquê e para quê
com o desconsolo

Angústia
é má conselheira
pode provocar a inveja
se não for bem interiorizada
e aí
deixa de ser um mal próprio
para passar
a ser mal ao próximo
e isso há que evitar

Angústia
cada um tem a sua
e rege-a conforme pode
se é que pode
porque quem não a sente
também não terá consciência
de que há algo
que deve mudar
em si
e no que se encontra
à sua volta

Angústia
como a minha
já me habituei
incomoda-me
mas também me desperta
para tentar emendar os erros
para mudar de caminho
para o outro ao lado
que não será muito distante
só que não é o mesmo
o de antes

Oh Angústia
se não a tivesse
sentia-me envolvido pelo rebanho
era igualzinho aos outros
não havia nada em mim
que me despertasse
que criasse a revolta interior
aquela que me faz escrever
o que escrevo
e não me obrigasse a fazer a pergunta:
para quê?


O DESÂNIMO



HÁ QUEM, por aí, proclame a necessidade de ser bem difundida uma dose de esperança de que Portugal, não obstante as amostras que têm sido dadas, de falta de competência para conseguir sair do estado de menoridade governativa que se instalou entre nós, conseguirá resolver a situação em que se encontra. E o argumento é o de que esta situação de crise, com estas características ou com outras, não constituem novidade portuguesa, pois, no decorrer da nossa longa História, já fomos actores de acontecimentos que nos atingiram seriamente, e sempre conseguimos ultrapassá-los e prosseguir na caminhada minimamente possível que nos foi estabelecida pelas circunstâncias.
Porém, a diferença que poderemos encontrar entre aquilo que se pode designar por descontentamento da população nos dias de hoje e o que ocorreu em múltiplas situações que tiveram lugar pelos séculos fora, é que hoje, com o desenvolvimento técnico das comunicações, que em poucos segundos faz com que os estados de espírito, os aplausos e as críticas cheguem de uma ponta à outra em escassos segundos, também o desânimo se transmite mais rapidamente do que uma epidemia e faz com que, em Portugal, sejam já muito raros os que ainda acreditam que o nosso futuro acabará por ser aceitável e que os homens que estão ou irão ainda passar pelos executivos e pelas oposições acabarão por usar do bom senso para não conduzir o nosso destino para um buraco cada vez mais fundo.
Andam as Câmaras Municipais a clamar pela falta de dinheiro para pagar os salários dos seus funcionários e a exigir que o Governo lhes devolva o IRS em atraso? Pois isso vai ter solução.
Até os Correios são vítimas de roubos realizados nos marcos públicos, sendo desviados cheques e outros pertences do público, num valor que atingiu cerca de 1 milhão de euros? Pois, não é por aí que vem mal ao mundo!
As baixas de trabalhadores no nosso País atingiram em 2009 o triplo do ano anterior? Mas que desgraça constitui que todos os motivos sirvam para em Portugal se trabalhar pouco e mal?
Desânimo? Que palavra tão antipática, num povo tão simpático!
Pode até ser que, com as eleições presidenciais, se verifique uma reviravolta no macambuzismo nacional. E que o nome Alegre, do Manuel que já anunciou estar disponível para se instalar em Belém, provoque a mudança para ânimo, pois que qualquer coisa já serve para fazer com que o Sol ilumine as cabeças dos portugueses.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

COMENDADORES

Ilustres personagens elas são
fazem sempre lembrar as honrarias
convencem-se que não foi por bizarrias
que lhes coube na rifa tal brasão

Um rei, um presidente, tanto faz
acordou de manhã com tal lembrança
ou foi a consorte que com bonança
recomendou alguém como capaz

E assim nasce mais um premiado
é alguém que, de facto tem valor?
será ele quem vai ficar babado

Porque há quem mereça sem favor
que seja e muito bem condecorado,
mas a maior parte comendador?

CONDECORAÇÕES



EU SEMPRE TIVE alguma dificuldade em aceitar, de bom grado, as notícias que me chegavam e continuam a ser do meu conhecimento de individualidades a quem são concedidas condecorações. Tanto as caseiras como as internacionais, incluindo até os tão cobiçados Prémios Nobel. E faço este intróito como forma de preparar o que não é fácil de explicar e sobre o qual tenho as maiores dúvidas sobre se estarei minimamente dentro da razão.
Não é que não haja seres humanos que, em virtude de feitos que excedem muito a média, pela sua importância, pela excepção que representam e sobretudo pelo bem que podem resultar em favor dos outros habitantes da Terra, não sejam merecedores de ser distinguidos com honrarias que os façam colocar em pedestais para melhor visibilidade. E se tal actuação se verifica após o desaparecimento do campo dos vivos, se os distinguidos não têm já possibilidade de evidenciar reconhecimento pelos prémios que lhes são atribuídos, nestes casos até considero que tem mais razão de ser que o mundo se vergue perante a maioridade, o génio, a demonstração de superioridade que foi reconhecida aos visados.
As concessões de prémios, sobretudo daqueles que gozam do estatuto de excepcional importância, são o resultado de uma escolha efectuada por um júri, o qual obedecerá a um critério que, de uma forma geral, não é dado a conhecer ao público e pode ser susceptível de certa discussão. E, por muito democrático que seja o apuramento, haverá, seguramente, quem, de entre esse grupo, não esteja de acordo total com a preferência encontrada. Para além disso, é evidente que há sempre quem tenha o privilégio de efectuar a primeira selecção dos candidatos às honrarias. E aí mesmo começa logo a suspeita sobre se não terão sido excluídos nomes que mereceriam ser avaliados. Mas, como o Homem não tem o privilégio de ser perfeito, dado que existem correntes que são favoráveis às concessões de honrarias a quem se encontra ainda a movimentar-se na Esfera terrestre, neste caso, os que, como eu, não apreciam estes actos, não têm mais do que se submeter às justiças e às injustiças que se praticam e, através dos meios de que dispuserem, expor os seus pontos de vista. É o que estou a fazer.
Falemos então do último Prémio Nobel da Paz que foi concedido a Obama, o actual presidente dos E.U.A. que tem idade para poder praticar ainda grandes erros pela vida fora. Julgo que, neste caso, nem vale a pena gastar muito espaço do meu blogue, pois terá causado grande surpresa que se tivesse verificado tanta pressa em distinguir um político internacional de que ainda se pode esperar bastante de positivo, mas que, sobretudo quanto à paz mundial, não fez nada por enquanto que justifique tamanha honraria. E condecorar por antecipação não representa uma atitude demonstrativa de bom senso.
Ora, esta parte do texto apropria-se ao facto de Cavaco Silva ter condecorado Santana Lopes com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, isto apenas por ser um hábito honorificar aqueles que passaram pelo lugar de primeiro-ministro em Portugal.
Mais uma razão, portanto, para eu confirmar o meu desagrado em ver condecoradas certas personalidades, especialmente vivas ainda, tanto mais que, no caso de Santana Lopes, este exerceu aquele cargo político durante apenas oito meses e não se procurou esclarecer se a figura em causa cumpriu bem ou mal a respectiva missão, ainda que haja muitas opiniões, contrárias umas das outras, e portanto tanta ligeireza só pode servir para desinteressar prováveis futuros chefes de Governo portugueses em serem também agraciados, pois que essa atribuição não corresponderá a um prémio mas apenas a um certificado de presença e a um hábito estabelecido.
Não digo mais nada. Não vale a pena. Cada um que faça o julgamento que achar mais adequado. Por mim tenho muitas dúvidas de que os cidadãos do nosso País atribuam algum respeito a todos os que, vaidosamente, exibem na botoeira dos seus casacos aquele sinal de que se trata de alguém que já recebeu alguma comenda. Por muito que evidenciem “orgulho” por serem chamados de “ senhores comendadores”!...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A VIDA

A vida passa com baixos e altos
rindo p’ra uns, gozando com outros
sorrateira ou correndo aos saltos

Não é a mesma para toda a gente
muda de face em cada momento
torna difícil caminhar em frente

Mas como os mortais, tem seus preferidos
há os que escolhe p’ra bem servir
e os que mantém sempre desvalidos

É cínica e traiçoeira a magana
ataca muitas vezes pelas costas
à bruta ou com ares de filigrana

Mas eis que de repente se arrepende
e no meio de enorme confusão
a uma prece avulsa lá atende

E tudo muda como por feitiço
de um grande azar algo se compõe
e dá também aos males um sumiço

A vida deixa assim seu conteúdo
tem de se atravessar com paciência
já que o tempo é borracha p’ra tudo

HUGO CHAVEZ - AINDA ELE!



ADOLFO HITLER também arrebatava multidões. Todos, os daquele tempo e os que tiveram ocasião de ver imagens colhidas na época e agora transmitidas, não terão dúvidas de que o ditador, que deixou a sua marca mortífera em tudo onde pôs a mão, foi ultra-aplaudido por diversas populações que ficaram deslumbradas pelas característica do poderoso chefe alemão que, por sinal, nasceu na Áustria. Isto quer dizer que não basta ter o aplauso de centenas de milhar de cidadãos no local onde se encontra e até mesmo fora do próprio país para significar que a razão se encontra do seu lado e que, por isso, deve prosseguir na sua ânsia de espalhar opiniões próprias que, analisadas com a necessária tranquilidade e longe da euforia que os aglomerados provocam, sejam merecedoras do mínimo de concordância.
Esta ideia surge-me pelo facto de ter assistido à raiva que saia dos olhos do homem forte da Venezuela que, a propósito do apoio que os E.U.A. têm estado a dar ao pobre do Haiti, País que não tem cabeças que percam tempo agora a avaliar as questiúnculas políticas entre partidários desta ou daquela corrente, não reviu outra forma de se exprimir que não fosse a de acusar o presidente Obama de “ocupar o terreno haitiano” com forças militares, numa espécie de “invasão”, em lugar de enviar bombeiros, médicos e dinheiro. Como ele não fez! Isto, como se não estivesse a verificar naquele local, onde falta tudo, o que comer e o que beber, para não falar em medicamentos, verificando-se a movimentação de conflitos, mesmo armados, quer para serem obtidos alimentos como por motivo dos roubos que ali têm lugar em grande escala. Tudo porque não existe autoridade própria e tudo esteja entregue aos apetites dos homens.
Por aqui se vê como, até nos momentos mais dramáticos de uma zona do mundo, há sempre quem apareça a lançar os seus venenos, a desvirtuar as qualidades que se tenham demonstrado por quem pretenda ajudar, a querer apenas sobressair do panorama geral, proclamando o contrário daquilo que a maioria, julgo eu, forma a sua opinião. Hugo Chavez, como já se tornou hábito, não escondendo nunca a sua aversão perante os vizinhos norte-americanos, usando sempre de formas de se expressar que não se coadunam com um desejo mínimo de espalhar harmonia e captar boas vontades, não lhe pertencendo sequer o direito de criticar a maneira como outros países, cada um com as possibilidades de que dispõe, procure menorizar a agonia tremenda por que passa o Haiti, essa figura que muitos venezuelanos, por agora, ainda aplaudem, é bem o exemplo de que alguns seres humanos, sendo neste caso um chefe de um Estado, não são capazes de contribuir para que o mundo caminhe num ambiente de harmonia e procure ultrapassar as situações difíceis que, nesta altura, infelizmente, atacam em vários campos.
Esta de um homem-menor, sobretudo com aquelas responsabilidades, saltar no panorama triste a que se assiste, descarregando o seu rancor, deveria merecer de todos os outros chefes de Estado, no mínimo, uma demonstração de desprezo. Já que outra coisa não se pode fazer.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

ESFARRAPADO

Muito calado
menino esfarrapado
que passas na minha rua
que não é a tua.
Não brincas, não ris,
infeliz,
eis a sombra
que assombra
a tristeza,
a pobreza.
Eis o retrato deste mundo egoísta,
capitalista,
que olha só para o seu umbigo,
que não se importa contigo
e fica contente com o que vê
porque só em si mesmo crê.
O mundo,
profundo,
está para lá
nem conta se dá
das tristezas,
das vilezas,
que o Homem sofre
e não tem cofre



Pobre rapaz, sem paz,
vais crescer assim,
enfim,
que dó,
só,
desamparado,
amargurado,
e olhas em redor,
com dor
revoltas-te
e perguntas-te
como qualquer ateu:
Porquê eu?

HAITI


DECIDI AGORA, nem que seja apenas por uns dias, reconciliar-me com o ser humano. De facto, atingiu-me profundamente a onde de solidariedade e de ajuda desinteressada de países, de instituições e até de pessoas singulares que se tem verificado em relação ao estrondoso desastre que ocorreu e se prolonga no Haiti. As imagens que chegam a todo o mundo de centenas de milhares e sabe-se lá se chegam a números ainda difíceis de concretizar de seres vivos que terminaram ali a sua existência e a quantidade daqueles que, talvez ainda pior, se encontram a enfrentar os efeitos das derrocadas que o terramoto produziu, esse espírito que há muito tempo não era mostrado pelos homens despertou-me a atenção para a sensibilidade que ainda existe em muita gente, fazendo-me reflectir sobre uma situação que deveria estar presente, com mais frequência em todos nós, os que não somos vítimas de tamanhas calamidades terrenas. E, se é verdade que as ajudas têm custado a chegar junto dos necessitados, também é certo que se trata de um país que não tem organização, que não há quem oriente e que é difícil dar uma certa ordem que se impõe em qualquer circunstância, mas sobretudo num caso como este.
Por um lado, veio-me à memória uma alusão que já fiz em textos anteriores, daqueles que não ficam registados senão de passagem, em que eu afirmei que o mundo estava a necessitar de uma boa guerra para ver se acalmava as raivas e as perseguições que ocorrem entre religiões, ideologias, posses de terras, domínios de qualquer tipo. E, quando expus essa minha opinião logo surgiram inúmeros pareceres contrários, acusando-me de má índole, de ser propagandista das más acções, de não amar a paz entre os homens. E a isso respondi na altura, com a tese de que os seres humanos andam demasiado ocupados com interesses egoístas e é isso precisamente que faz com que se verifiquem tanta quezílias e prolongados maus estares que dificilmente conduzem a que todos façam esforços para encontrar caminhos em comum que só ajudariam a tornar a vida mais feliz de todos. Que é, afinal, o que ocorre na própria Europa, em que se têm arrastado os meios de conseguir acordos comuns, para bem de todos, porque existe sempre quem lute pelos seus interesses e não condescenda em aceitar o que pode servir a todos.
Mas voltando ao tema principal, o do abanão da Terra que foi e ainda é o causador do tristíssimo panorama que se está a contemplar e que não terá fim tão cedo, foi a movimentação que surgiu logo de seguida por parte de povos e nações que se comoveram com tanta desgraça, foi isso que deu lugar a que tenhamos ocasião para tirar o chapéu a todos aqueles que não ficaram indiferentes e que, mesmo no meio de uma crise de todos os tipos que continua a abalar as potencialidades económicas de muitos países, não deixaram de querer contribuir para auxiliar aqueles que se contorcem com os prejuízos que os atingiram e que, mesmo habituados que estariam a uma vida nada fértil, não deixam de sofrer as graves consequências de uma “zanga” do Planeta.
Porém, não posso deixar de expor uma opinião que me causa algum incómodo, mesmo que me arrisque a que aqueles que são seguidores incontestáveis das doutrinas católicas, apostólicas e romanas, se recusem a alinhar nesta observação: é que o Vaticano, para além das rezas proferidas pelo Papa – como se Deus não estivesse ao corrente do que se passa! -, não se tivesse assistido a um gesto concreto de ajuda, nem que fosse com a dádiva de uma pequena parte dos bens materiais, ouro e outros objectos preciosos, com o objectivo de minorar as faltas que o povo haitiano sente nas circunstâncias em que se encontra. Não teria sido até um gesto de angariação de novos crentes, o ter o Papado disposto de um cálice de oiro e diamantes e outros objectos semelhantes, para venda aos ricos, por forma a colaborar significativamente na ajuda aos haitianos? Deus não se congratularia com tal gesto?O mundo inteiro pode dedicar uma oração aos que morreram e aos que sofrem, mas se cada um contribuísse com um dólar que fosse, os muitos milhões que se poderiam arrecadar chegavam para compensar, pelo menos economicamente, os haitianos que foram vítimas de tamanha fúria terrena

domingo, 17 de janeiro de 2010

TEMPO PERDIDO


Quem já fez muito pela vida fora
e não tem apoio para fazer mais
tem até razão p’ra dizer agora
já passou o tempo dos jogos florais

O que fica feito por aí anda
guardado está mas sem grande aprumo
e como sempre se o autor desanda
corpo e papeis ficarão em fumo

Lágrimas, soluços não valem a pena
o melhor será ficar conformado
ninguém valoriza toda esta cena
pois o destino é ser ignorado

Por aqui me fico, a pensar no ar
e a ir escrevendo coisas sem sentido
mas com consciência de que o meu estar
já só representa um tempo perdido

POBRES REFORMADOS RICOS



QUEM, NESTE País que é o nosso, chegou à idade (e não antes disso) de beneficiar do direito de receber mensalmente o montante que lhe está atribuído como importância relativa à sua reforma, o que para o afeito descontou durante o tempo que lhe foi imposto, na maioria esmagadora dos casos arrepela-se ao verificar o pouco que lhe cabe e as dificuldades cada vez maiores com que tem de enfrentar o custo da vida que ainda tem pela frente.
O que se estranha, por isso, é que, como sucedeu por estes dias, surjam indicações de valores de que estão a beneficiar algumas figuras que por aí circulam e que, por qualquer motivo, encontrando-se já na situação de reformados, merecem a preferência da comunicação social para serem divulgados tais pormenores. Não vou, por isso, divulgar nenhum segredo, limitando-me a transcrever o que foi tornado público nas páginas dos jornais.
A propósito do caso que se arrasta nos tribunais há mais de cinco anos, o da pedofilia na Casa Pia, e em que estão envolvidos, embora ainda não acusados (nem se sabe se o virão a ser algum dia), nomes que são bem conhecidos publicamente, foram dadas a conhecer as verbas que correspondem a cada um dos envolvidos e que, só por curiosidade, passo a repetir: ao antigo apresentador televisivo Carlos Cruz cabem-lhe 3.100 euros de reforma; a Carlos Ritto, ex-embaixador, 3.045; ao antigo provedor da Casa Pia, 2.200 euros mensais; e ao principal implicado Carlos Silvino, ex-motorista da mesma instituição, apenas 450 euros por mês.
Por esta pequena amostra, se pode verificar como existem grandes diferenças entre cidadãos do mesmo Pais, sendo certo que os valores que correspondem a cada caso dependem daquilo que foi descontado nos pagamentos recebidos no passado por cada um. Mas, seja como for, existem situações que fazem pensar.
E, como é evidente, não figuram nesta pequena lista os montantes atribuídos a determinadas personalidades que, tendo exercido funções de enorme gabarito, mesmo que tenha sido por pouco tempo, sobretudo em empresas públicas, instituições bancárias e noutros cargos a que são atribuídas benesses especiais que não figuram nas regras gerais dos trabalhadores, essas excepções, que são excessivas no panorama nacional, permitem que haja gente que, ou não exercendo já qualquer profissão ou acumulando com outra que entretanto lhes tenha sido favorecida, podem gozar de disponibilidades financeiras que lhe dão descanso quanto a enfrentar a chamada crise que só afecta as maiorias.
Isto, só para mostrar como são tratados os portugueses, sendo que uns são de primeira e outros, como nas antigas carruagens dos comboios, de segunda e de terceira classes, para não dizer que também há aqueles que são acumulados a monte nas destinadas às mercadorias.
Mas, deitem-se as mãos ao Céu, porque poderá chegar uma altura em que até acabam de vez os tais meios de transporte, sendo certo que sempre existirão os que conseguiram juntar bastante dinheiro até lá e, nessa altura, mudando mesmo de País, utilizarão os meios próprios… e, se calhar, de luxo!

sábado, 16 de janeiro de 2010

A CONSCIÊNCIA

Será que isso é vulgar
que obriga a grande ciência
para neste mundo andar
pôr de parte a consciência?
Não tê-la sempre presente
até sem mostrar p’ra fora
é não querer ser prudente
falhando na própria hora

Ser consciente dos actos
antes de os praticar
evitando espalhafatos
que possam embaraçar
esse é princípio ideal
que muito ajuda a viver
e evita muito mal
impedindo de sofrer

Mas então a consciência
é coisa que se explique?
É mais do que uma tendência
mas de que não se abdique
é a forma de pensar
ver a fundo consequência
e não tem de hesitar
se é boa a consciência


CONSCIÊNCIA TRANQUILA


ISTO DE SERMOS o que somos, de não aspirarmos ser outra coisa ou de, dentro daquilo que reconhecemos ser, não desejarmos melhorar o que fazemos, portanto, de andarmos satisfeitos com o que nos calhou ser, tal posição representa a felicidade plena, seja porque temos as características de conformados por natureza ou porque não atingimos um grau de conhecimentos que nos mostre o que existe acima das nossas capacidades, tal situação é mais tranquila do que o não aceitarmos permanentemente o grau e a posição na vida que nos coube em sorte, olhando sempre para cima, para os que, com mérito ou sem ele, alcançaram um posto que servia para nos consolarmos por termos sido colocados no mundo em que nos puseram, sem auscultar previamente a nossa opinião.
Penso demasiadas vezes neste conflito e chego à conclusão de que, na maioria esmagadora dos casos por essa Terra fora, a posição que vingará será a de multidões inteiras que não ocupam o seu tempo a imaginar o que poderiam ser em vez de serem o que são. E isso, para bem da manutenção de um certo bem estar, pois a aceitação daquilo que se encaixa no dia-a-dia de cada um, o conformismo sem sacrifício e sem invejas terá de ocasionar um mínimo de contentamento na actuação nas diversas áreas onde o ser humano se movimente.
Esta será, penso eu, a forma de ser dos cidadãos normais na generalidade. Mas o que se passará na cabeça daqueles que chegam a ocupar postos de elevado nível, seja onde for que se situem esses lugares, inclusive no meio político ou, sobretudo, com essa mesma responsabilidade? Um chefe político de um país, e não me refiro àquele que alcançou uma posição desse nível e que, dispondo de meios que podem levar a que todo um povo, sob o seu comando, atinja um nível de grande prosperidade, mas sim, ao que, pelo contrário, tenha colocado a população no mais baixo grau de pobreza, esse também aspirará a atingir a craveira de competência que possa ser observado num outro responsável de outra nação que, nessa mesma altura, se encontre a desfrutar de glória e de aprovação de todos os habitantes dessa área?
A resposta parece não ser diferente da afirmativa. Isto dentro de uma certa lógica. Mas, face ao que se assiste à nossa volta e ao que a História também mostrou em diversas ocasiões, nos tempos das ditaduras que se instalaram por esse mundo fora e que provocaram tantos males aos seus compatriotas, a ideia com que se fica é que esses tais detentores de tanto poder, uns mais moderados mas outros bastante sanguíneos, ou não observaram o que se passava com colegas que assumiram (e hoje ainda assumem demasiados) a ascensão ao posto máximo ou, considerando-se senhores da razão total, sem necessidade de mudar a sua forma de actuar, insistiram em prosseguir na linha de conduta que impuseram aos outros.
Hoje em dia, seria bom que os chefes, especialmente porque não estão colocados na lista dos ignorantes absolutos, fizessem, de vez em quando, uma análise do que fazem, do que são e do que resulta das suas tomadas de posição. O andarem satisfeitos com as decisões que tomam, sejam elas quais forem, o não fazerem comparações com o que resultou de outras atitudes de parceiros que passaram pelos mesmos problemas, o serem indiferentes a críticas e o não atenderem a conselhos que saiam mesmo de adversários políticos, essa teimosia tem preços muitos elevados e acarretam, muitas vezes, o descalabro que, posteriormente, já não têm solução.
José Sócrates, que é o que temos por cá, deveria embrenhar-se numa humildade que o levasse a pensar naquilo que seria se não fosse o que é. Teria a sua utilidade.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

CABEÇA PERFEITA

Ter cabeça instalada
e o corpo, num quase nada
com funcionamento sofrível
mostrar que está disponível
ter ou não ter crença
pois quem assim não pensa
é pior do que o contrário
não precisa de rosário
basta entender o que passa
aceitar ou não o que faça
mas reflectir
que é sentir
que nada já é igual
que o que ocorre está mal
que as pernas não obedecem
e que os músculos fenecem
a ligeireza perdeu-se
e a força varreu-se
agora só devagar
e a cabeça a pensar
a entender
a sofrer
a aceitar a velhice
bem longe da meninice
essa que foi e não volta
sem ser razão para revolta
antes tem de ser aceite
mesmo que sem deleite
e no fundo agradecer
por não ter acontecido perder
o que resta
e fazer até bela festa
pela cabeça que impera
e que, por isso, espera
o dia do adeus final
em que já não se sente o mal.

ALGARVE - GANGS



É CERTO que as coisas não estão bem para a maioria dos portugueses – e isto se falarmos apenas de nós -, mas que não sejamos capazes de solucionar os problemas, aqueles que estão mais à mão das possibilidades dos governantes, que contemplemos os erros e não sejamos capazes de, no mínimo, dar a cara publicamente e mostrar que estão a ser tomadas medidas urgentes para que se solucionem as situações que estão a provocar danos em várias áreas nacionais, isso é que merece ser criticado por todos nós e os que dispõem deste meio dos blogues devem fazê-lo com a revolta que lhes tem de ir no íntimo.
Refiro-me à série de pesadelos que estão a ocorrer na zona mais turística de Portugal, o Algarve, onde vivem bastante reformados estrangeiros que ali adquiriram principalmente moradias, e em que, segundo parece, gangues estrangeiros estão a tomá-los como alvos dos seus assaltos nas suas próprias residências, tendo ocorrido já um assassinato e diversos feridos, para além de mulheres violadas.
É evidente que as vítimas, sejam quais forem a suas nacionalidades, por sofrerem os crimes dentro do nosso País têm direito à protecção que qualquer pessoa espera quando se encontra no interior da nossa casa. E é para isso que existem as chamadas forças de segurança que devem, no mínimo, dar mostras da sua capacidade de cumprimento do que delas se aguarda, sendo para esse efeito que os superiores hierárquicos têm de fornecer todos os meios para uma actuação eficiente e rápida. Agora, ocorrer um caso numa zona concreta, o Algarve nesta circunstância, e nos tempos que se seguem repetirem-se crimes semelhantes, dando mostras de que se trata de grupos organizados que se aproveitam da falta de vigilância e de castigo dos males que praticam e não se verificar, perante os portugueses, mas também para tranquilidade dos residente estrangeiros naquela província do Sul, uma actuação convincente da parte dos serviços policiais, tal atitude passiva é que não é tolerável.
O Reino Unido, a Dinamarca e a Alemanha, são três países cujos governos já deram mostras de inquietação no que diz respeito à ausência de protecção dos seus súbditos que optaram vir acabar os seus dias em Portugal, e esta amostra corre o risco de se alargar por outras nações. Sendo que, já não será apenas o aconselhamento para não adquirirem casa no lindo território algarvio, mas também recomendarem outros destinos turísticos para os seus nacionais e, com isso, contribuírem para que a crise económica portuguesa aumente ainda mais.
As demonstrações que damos permanentemente de ausência de prioridade das medidas que têm de ser tomadas no nosso território, por forma a que, no mínimo, as aparências não sejam defendidas, essa característica tão própria dos que têm a missão de tomar as decisões mais urgentes, relegando para segunda actuação os actos que podem esperar um pouco ou mesmo muito, são precisamente esses males que ocasionam que nos perguntemos constantemente o motivo por que foi tomada esta decisão, em lugar de outra que se está mesmo a ver que é mais necessária.
O exemplo, claro, tem vindo a surgir de cima, com as atitudes de José Sócrates, por exemplo a inaugurar hospitais, com enorme comitivas, que só serão abertos daqui a anos, perdendo tempo e gastando dinheiro com esses actos, em lugar de meter mão nas situações urgentes, é essa demonstração de falta de oportunidade que transmite a todos os serviços públicos a mesma falta de jeito em ter sempre presente uma lista de prioridades e actuar por essa ordem. Mas temos de suportar o que somos e aguentar… até que!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

DAR DE BEBER À DOR

Quem bebe pelo que for
nem precisa de motivo
o dar de beber à dor
é coisa de quem está vivo

O normal não era isso
mas sim beber p’la saúde
mas p’ra ser um bom castiço
assim bem melhor s’ilude

O fado pede desgraça
bem choradinha a canção
com navalha e com murraça

E se se apanha um pifão
a coisa tem mesmo graça
e a dor já tem razão

NÓS POR CÁ!


TODOS OS DIAS úteis, pelas 19 horas, a estação SIC de televisão apresenta um programa que tem o nome “Nós por cá” e em que todos os portugueses que quiserem podem assistir a situações verdadeiramente vergonhosas, sobretudo para os serviços oficiais de diferentes instituições públicas, que dão bem a mostra de que o nosso País enferma pela falta de profissionalismo, de vontade de proceder correctamente nas funções de cada um, pela indiferença no que respeita aos resultados das actuações que cabem a cada funcionário, seja qual for a sua categoria e pior ainda quando se trata de cargos superiores, desde ministro e por aí abaixo, e, mesmo tratando-se de mostras claras dessa prova de mau cumprimento das obrigações de quem é pago para servir o Estado, logo o País, apesar disso não param as evidências de tais actuações e nunca surge perante os espectadores televisivos a amostragem de que se verifica o apuramento de responsabilidades e, por via disso, o castigo que é aplicado aos incumpridores.
Esta entrada, naturalmente bem longa, só serve para mostrar a indignação que sinto perante um Portugal onde muito poucos cuidam de dar mostras de bons cidadãos e, para cúmulo, tratando-se de funcionários públicos os que são os autores da maioria dos erros que, até com certo ar de graça, são mostrados nos écrans televisivos, então, nesse particular, maior tem de ser a preocupação que devemos evidenciar e, em vez de nos calarmos, para não sermos apodados de pessimistas crónicos, o que temos de fazer é chamar a atenção dos que se sentam nos lugares cimeiros da Nação e proclamar por uma actuação rectificativa do estado a que chegámos. O de assistirmos às reclamações de uns tantos profissionais das reclamações para maiores benefícios dos funcionários públicos e o não vermos um único gesto a pedir para que sejam todos o mais dedicados possível e superiormente exigentes nos seus lugares.
Quando é o próprio primeiro-ministro a, com aquele sorriso irritante, clamar que Portugal se encontra no bom caminho, que até somos exemplares nisto e naquilo, que se delicia a, sempre com comitivas de bajuladores a acompanhá-lo em “inaugurações” ridículas, proclamar que não há motivos para estarmos pessimistas, pois se é o próprio José Sócrates quem não dá mostras de sentir vontade de meter a mão nos vários sectores que não podem continuar a andar à rédea solta, então é caso para reflectirmos se é pior prosseguirmos com este tipo de governação ou se, em derradeiro momento, não beneficiaríamos com uma mudança de gente que agora lá se encontra.
Eu falo por mim e recordo-me do que fui obrigado a fazer durante toda a minha existência como responsável de diferentes actuações: é que nunca deixei de atender as queixas que me chegavam, preocupei-me em conhecer a sua razoabilidade, e, quando havia razões para actuar, não perdia tempo a alterar os defeitos e, se necessário, a procurar responsabilizar os seus culpados.
É isto que tem de ser feito, quanto antes, neste nosso País. Não podemos continuar com a mandriice, a indiferença, a falta de vergonha perante os casos dados a conhecer aos cidadãos, em que os responsáveis, desde os governantes máximos até aos chefes dos vários sectores públicos, sejam eles quais forem, só se interessando pelas suas benesses, os salários, as suas férias, pelas “pontes” que os feriados propiciam e, quanto ao resto, um encolher de ombros já será o que se pode imaginar como “esforço” de tais figuras pagas pelo dinheiro do Estado.
Nós por cá somos assim. Quando os portugueses emigram, lá fora trabalham bem e muito. Porque sabem o que lhes pode suceder se não derem mostras de competência e aplicação. Mas em casa própria!...Ora vejam lá se Durão Barroso, nas funções em Bruxelas que exerce, não cumpre satisfatoriamente com o trabalho que lhe é atribuído! E quando foi cá primeiro-ministro?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A ILUSÃO

Ter ilusão sempre ajuda
a vencer o dia-a-dia
ir pensando na taluda
provoca muita alegria

Viver uma vida inteira
a manter tais esperanças
é colocar feiticeira
num jardim só de crianças

Mas na falta de melhor
esperançoso ajuda
pois olhando ao redor

e vendo que nada muda
já serve seja o que for
esperança nos acuda

CORRUPÇÃO



ESTE TEMA tem vindo a ser voz corrente a propósito de muita irregularidade que ocorre no nosso País. Não sendo, de facto, uma exclusividade portuguesa, posto que, por toda a parte neste mundo, o homem é o maior comprador das acções de outros parceiros, sobretudo quando se trata de obter benefício, mesmo ilícito, em seu proveito próprio, mesmo assim, é o que cá se passa que nos interessa directamente e o que mais nos apoquenta. E, para não falar já nas grandes corrupções que, especialmente nesta altura, são anunciadas, ainda que vagamente com alusão de nomes – não se brinca com as consequências que podem advir das queixas em tribunal – mas onde se advinha a intervenção de figuras públicas de destaque, é nas corrupçõezinhas, naquelas que cabem num envelope passado debaixo da mesa, que se sabe actuarem os interesses que necessitam da protecção de mãos dispostas a aceitar um acréscimo aos ordenados que recebem os corruptíveis.
A notícia publicada agora de que as maiores câmaras municipais do País não cumpriram, dentro do prazo estabelecido, até 31 de Dezembro passado, com o Plano de Prevenção de Riscos de Corrupção, emitido pelo Tribunal de Contas, contando-se, entre as 200 entidades públicas que faltaram a essa obrigação, os maiores Municípios portugueses e entre eles o de Lisboa.
É evidente que, nos grandes negócios em que as Câmaras interferem é aí que as corrupções volumosas têm maior evidência, por exemplo nas vendas de imóveis como foi o caso recentemente tornado público de uma negociata feita no mesmo dia, da compra barato e na venda caro de um prédio, em que os intermediários lucraram grandemente com a operação e quem perdeu foi a própria Câmara Municipal que recebeu uma ninharia, pois é nessas habilidades que a corrupção tem de ser largamente perseguida e os seus autores devidamente castigados. Mas qual? Até agora, nem nesse caso concreto nem em tantos que nem aparecem a lume, todos ficam silenciosamente a gozar dos proveitos obtidos.
Mas, o que eu pretendo com este texto é divulgar as situações que são múltiplas por esse Portugal dentro, em que os fiscais das chamadas obras fazem vista grossa para o não cumprimento dos prazos que são atribuídos para derrubar um edifício e, no mesmo lugar, erguer outro. Sobretudo nestas situações é que os encarregados de fazer as obras e que, ou porque lhes falta o dinheiro ou porque lhes é mais conveniente atrasar o processo, permanecem, às vezes muitos anos, com os taipais colocados no local do derrube, prejudicando as áreas de estacionamento e o aparcar de veículos em toda a zona onde tudo está paralisado, isso porque, segundo se sabe nos arredores, existe um entendimento sub-reptício entre quem tem obrigação de fazer cumprir os prazos e quem tem conveniência em manter a situação parada.
Então esta corrupção, a que atinge directamente todos os moradores das áreas onde se verificam, a que desfeia cada vez mais a cidade que, no caso de ser Lisboa, tem influência na má opinião que fazem os turistas que nos visitam, não merece a atenção privilegiada dos responsáveis camarários?
Devia existir, não só em Lisboa mas sobretudo na capital, um departamento (que funcionasse) e onde os citadinos depositassem as suas queixas contra as malfeitorias que são praticadas no aspecto da capital, por forma a que se verificasse um maior receio por parte dos fiscais municipais, para que não se deixem subornar facilmente.
É uma aspiração ingénua? Pois será, mas que os responsáveis da C.M.L., esses além de todos os outros, deveriam interessar-se pela matéria em causa,. lá isso deveriam.