terça-feira, 22 de dezembro de 2009

NATAL


ESTE PERIÍODO que está, uma vez mais, a preencher a atenção de uma esmagadora quantidade de seres humanos, uns porque a sua tradição religiosa conduz a que se sigam normas que, desde há milhares de anos, levam a que se sigam hábitos de veneração do Presépio, isso numas zonas mais tradicionais, que, por influência dos povos do norte europeu, o Pai Natal tomou o lugar do Menino nas Palhinhas.
Isso, claro, seguindo o Calendário Gregoriano, posto que outras culturas e crenças diversas não cultivam o hábito mais ocidental de entender este momento, que se repete anualmente, como sendo a altura de todos quererem dar mostras de fraternidade universal, de evidenciar generosidade em relação aos próximos.
Isso o que consta dos costumes, o dar as Boas Festas a torto e a direito, empregados aos patrões (pelo menos até há pouco tempo atrás era assim), pedintes que aproveitam a altura para tentar recolher algum benefício da eventual generosidade alheia, ministros que dão ares de enorme reverência perante o seu Chefe, enfim, um despejar de salamaleques que podem ter o seu efeito benéfico algum tempo depois.
Eu já o referi neste blogue do ano passado. Não tenho pelo período do Natal uma veneração que me leve a encontrar no meu interior uma grande felicidade. Não sou partidário de festividades com data certa, esta e outras, e muito menos me conformo com a ideia de que é no Natal que temos de ser bonzinhos, de dar esmola aos pobres e de nos incomodarmos com os maus momentos que estejam a passar outros cidadãos. E, particularmente neste momento, em que exitem centenas de milhar de famílias portugueses – e não só – que lutam com os problemas que o desemprego provoca, toda essa avalancha de gente que não faz parte das nossas relações, não será com os votos de Boas Festas e de um Ano Feliz que lhes traz o mínimo de consolo e de ajuda para que a mesa da consoada tenha alguma coisa para calar os estômagos.
Sou assim. Nu e cru. E é por tal motivo que encolho os ombros às falsidades que o Homem utiliza para esconder a sua indiferença em relação ao que se passa da sua porta para fora.
E, apesar de manter essa posição de afastamento em relação aos votos que circulam por aí, neta altura, agora através dos meios lectrónicos, o que rouba muita receita aos Correios, mesmo assim limito-me a responder aos que são dirigidos, pois não quero passar por mal educado.
Por aqui me fico. E como gostaria de ter escrito um texto de contentamento pelo Natal que está aí a chegar.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

TER AMIGOS

Ter amigos nos humanos
quem não tem esse desejo?
Melhor ainda que manos
que nem sempre dão ensejo
ambição
é uma sorte encontrar
tamanha felicidade
porque sempre pode dar
prova de fidelidade
comoção

Mas nos homens é seguro
encontrar até demais
o que quero é com apuro
ter amigos animais
são seguros
que não pedem nada em troca
dão-nos inteiro amor
chega-lhes uma beijoca
para sermos seu tutor
como muros

O pior é quando humano
sem o mesmo sentimento
sem temer de fazer dano
não cuida do seu sustento
se desleixa
deixando de ser patrono
já não sendo novidade
o gesto é o abandono
mas que grande crueldade
sem queixa
Isso mostra afinal
que o homem é bem pior
do que qualquer animal
seja ele o que for
perverso
por isso prefiro até
amigo de quatro patas
tê-lo aqui bem ao pé
passando horas pacatas
e converso

É ROUBAR ATÉ FARTAR!!



SE EU AINDQ FOSSE director de um jornal, como aconteceu durante muitos anos, eu não perdoaria a esta gente que nos governa, os de hoje como os que estiveram antes neste período pós-25 de Abril – pois que, no tempo da Ditadura, a Censura e a PIDE não permitiam que, abertamente, se criticassem os “patrões” deste País -, eu dava-lhes para baixo em relação à incompetência, à falta de senso, ao desmazelo e ao interesse único que demonstram possuir de zelar pelo seu próprio bem-estar e não cuidar de cumprir minimamente a obrigação de levar Portugal pelo melhor caminho que nos equivalha aos parceiros europeus. Disso podem estar certos os que não tiveram ocasião de ser leitores do semanário “o País”, entre outras publicações, um Jornal absolutamente independente, sem ligação a qualquer partido político e apenas respeitando os princípios da Democracia, isto é, permitindo que todas as correntes evidenciassem as suas opiniões.
Este preâmbulo serve para me insurgir contra a onda de assaltos à mão armada que se estão a realizar e cada vez em maior número, atacando estabelecimentos de todos os géneros e chegando até ao ponto de serem objecto desses roubos casas comerciais de pouco vulto. Mas, sobretudo ourivesarias, bancos e até carrinhas de transporte de valores, esses alvos constituem agora o dia-a-dia dos gatunos que, de uma forma organizada, não se intimidam e levam avante os mais sofisticados meios de actuação, até utilizando explosivos, como foi o caso de duas carrinhas que foram vítimas desses intentos.
Mas, o estranho é que, embora sem grandes explicações por parte da autoridades policiais – que utilizam o meio de que mais gosta também o Governo, de não dar satisfações aos cidadãos -, consta que os autores de tais vilanias serão gente com origem de países de Leste e, num e noutro caso, de gangs brasileiros. Quer dizer, não nos chegavam já os roubos ditos caseiros, para sermos alvos também de malfeitores vindos de fora que, para além dos prejuízos materiais que causam, ainda contribuem para que a imagem nacional sofra as consequências que se reflectem no turismo que, para acumulação com situações como as das crianças estrangeiras que são extorquidas das suas famílias, como sucedeu no Algarve e nunca foi descoberto o autor, só fazem criar um pavor daqueles que nos pretendem visitar mas que mudam de destino por começarem a considerar que Portugal é um “País perigoso”.
E o Governo, através dos meios de que dispõe – que não é o ministro do pelouro respectivo que, vindo do anterior grupo, só dá mostras de petulância e de pouca ou nenhuma capacidade de enfrentar os problemas com autoridade e saber –, é o Governo que tem obrigação de aparecer em público e falar das medidas que está disposto a tomar para que situações deste tipo não se repitam. E, claro, a pôr em ordem a Justiça que temos (ou não temos), para que os julgamentos, quando os haja, sejam céleres e de mão pesada, para dissuadir os potenciais bandidos a meterem-se em aventuras semelhantes.
O que é forçoso é que os governantes não permaneçam de bico calado e que vão dando contas aos portugueses das medidas que vão sendo tomadas, assim como o próprio Presidente da República, ainda que não lhe compita interferir na acção governativa, deve evidenciar o seu interesse para que a evolução da vida portuguesa corra da melhor maneira que for possível e, por isso, não permaneça sem dar mostras públicas de que também não se encontra satisfeito com as medidas que estejam a ser tomadas, isso por mais que as oposições se insurjam com afirmações de que o Chefe do Estado está a tomar partido, como têm feito cada vez que se nota uma afirmação de Cavaco Silva que pareça ser de inclinação para uma das partes.
O Presidente não pode, como já afirmei, é manter-se mudo quando é mais do que evidente de que os que têm nas mãos a condução das medidas que se devem tomar não estão a dar mostras de pretender solucionar os problemas.”Cada macacão no seu galho”, muito bem, mas se um dos galhos está a funcionar mal, então o outro deve arrepelar-se para que não continuem os erros.
Poderá parecer uma graça e até de mau gosto, mas os cidadãos deste País estão já tão fartos de burrices em série, que, à falta de outras medidas, pelo menos que se riam.

domingo, 20 de dezembro de 2009

ANDAR POR CÁ

Andar por cá a arrastar-se
sem que a idade ajude
vá lá a gente fiar-se
pois tudo nos desilude
e os dias vão passando
vem mais um aniversário
sem saber como e quando
acaba este calvário

O sofrer com a doença
ninguém quer mas tal sucede
lá se vai mantendo a crença
de vir o que bem se pede
p’ra não fugirmos à sina
de dar com o inesperado
situação que mofina
mesmo passando ao lado

Mas, p’ros novos ensinar
devem cá estar os mais velhos
se dizem não precisar
sempre metem os bedelhos
mesmo p’ra não repetir
os erros já praticados
para poder prosseguir
caminhos novos traçados

Ao menos que o sacrifício
que cada idoso suporta
preste algum benefício
e ajude a abrir a porta
qu’aos novos a vida of’rece
com teoria sem prática
e a juventude merece

São assim as gerações
e os que ainda se movem
assumem obrigações
por isso não se comovem

DESENTENDIMENTOS



ESTE SÉCULO que está a decorrer e que constitui o segundo que nos apanha em pleno, a nós que começámos a nossa vivência no decorrer de 1900, não se pode dizer que nos seus primórdios tenha trazido um bom ambiente de felicidade à maioria das populações da Terra. Esta crise que nos apanhou em cheio e que se mantém ainda por um tempo que não se sabe quando chegará ao fim faz recordar, a quem é desse tempo, o que se passou também por volta de 1929 e que, segundo dizem, também constituiu uma verdadeira atrapalhação para os habitantes terrestres que sofreram as consequências da escorregadela económica de então. Até parece que os inícios dos séculos não trazem a quem os aguarda um sinal de esperança e vontade de prosseguir nessa caminhada pelos anos fora.
Só que, nesta altura em que se beneficia (!?) das vantagens dos avanços tecnológicos que eliminam as distâncias e em que as comunicações se realizam num curtíssimo espaço de tempo, qualquer notícia, boa ou má, atravessa o Planeta de ponta a ponta e o que antes levava um certo tempo a chegar longe, agora é em fracção de segundos que se toma conta de que uma crise financeira começada noutro continente nos vai bater à porta logo de seguida. E o mesmo se passa com as epidemias, como está a ocorrer com a gripe A, que nem dá tempo para serem tomadas as medidas de precaução porque a notícia nos avisa ao mesmo tempo em que a doença se instala.
O que, porém, não decorre com a mesma ligeireza são os entendimentos entre os responsáveis maiores dos diferentes países que, mesmo reunindo-se temporariamente em congressos e outros tipos de encontros, dando abraços e distribuindo sorrisos, fazendo as fotografias clássicas que chamam de família”, apesar disso tudo e das boas almoçaradas partem depois para os seus pontos de origem e não dão garantias de prosseguirem afincadamente no que deveria constituir a principal preocupação de todos os humanos, os que mandam e os que obedecem, e que é o fazerem todos força para o mesmo lado, sobretudo neste período em que não se esconde mais o que vai constituir um risco grande para o Globo terrestre, o aquecimento da Terra e as mudanças radicais de temperaturas e das subidas das águas dos oceanos e dos mares, assim como, isso digo eu, o esgotamento da água doce e as alterações fulcrais que se verificarão na agricultura, alterando profundamente as gastronomias de todos os seres.
O resultado saído da Cimeira de Copenhaga é bem a prova de que não são de grande optimismo as perspectivas que se apresentam às gerações de hoje e às que surgem a seguir. Um acordo global que era essencial sair da referida reunião dos 119 líderes de 193 países que estiveram presentes na Dinamarca durante um recorde de 13 dias, isso só vagamente ocorreu. A China, actualmente uma das mais importantes economias mundiais, deu mostras de não admitir que lhe imponham regras que provoquem um travão no seu desenvolvimento. Os E.U.A. foram claros ao declarar que necessitam de mais um ano para se adaptarem às normas das alterações climáticas e a Europa não conseguiu a força negocial bastante para fazer frete aos E.U.A. à China e à Índia. E as expectativas quanto ao que poderá surgir em Fevereiro próximo e depois em Outubro de 2010, nos dois encontros programados, constituem uma derradeira esperança de que o que não se conseguiu agora em Copenhaga venha a encontrar um caminho mais satisfatório. A derradeira esperança só reside na eventualidade de, em Dezembro de 2010, ser assinado um compromisso que fixe a redução, em todo o mundo, da temperatura que será admissível para que a vida seja sustentável no globo em que existimos.
Ao fim e ao cabo, parece que se justifica a tarefa daqueles que, no mínimo, têm o mérito de procurar avisar com antecedência, de molde a que não cause surpresa aquilo que possa ocorrer num futuro neste mundo de Cristo. Esses, que chamam a atenção para situações possíveis, e que, por isso, são apelidados de “profetas da desgraça”, não estarão a contribuir para que se evitem as euforias perigosas que terminarão com desmedidas desilusões? Por agora, basta-nos aproveitar as consequências do susto que todo o mundo apanhou e ainda está a sentir, com a tal crise e com os seus resultados, sendo um deles, bem grave, o do alto nível de desemprego por todo o lado, tirando-se daí as lições que pudermos reter na memória. Isso, se o Homem for capaz de se emendar com os erros que pratica e de se precaver a tempo!
Mas o resultado obtido com a Cimeira de Copenhaga não veio, infelizmente, trazer, para já, razões para alimentarmos esperanças de que se pode contar com a sensatez dos homens dos diversos países para que se venha verificar, a curto e até a médio prazo, uma mudança radical que torne a vida aceitável da maioria dos muitos mil milhões de habitantes da Terra.
Bem gostaria eu de, após o encontro de tanta gente com poder de inúmeros países, constatar que o panorama é de melhoria indiscutível e que existem razões para começarmos a cultivar o optimismo. Mas é isso sério?

sábado, 19 de dezembro de 2009

ACORDAR MORTO

Não tenho medo da morte
é coisa que temos certa
não é por falta de sorte
disso ninguém se liberta

Passam Natais passam férias
a vida corre depressa
se alguns passam misérias
Nã a outros nada aconteça

À espera por cá se anda
de algo que vem depois
há quem leve vida branda
não precise de outros sois

A todos esses contemplo
e as minhas contas faço
há os servem d’exemplo
e provocam embaraço

A morte tem várias formas
por vezes é traiçoeira
não tem regras e nem normas
muito menos tem fronteiras

Porque mais cedo ou mais tarde
ter connosco lá vem ela
e sem fazer grande alarde
sempre provoca mazela

Com franqueza não invejo
dos outros o seu conforto
a coisa que eu mais desejo
é um dia acordar morto

BELÉM FUNCIONA?



ATÉ TEM RAZÃO Carlos Cruz quando, através do seu advogado Sá Fernandes, requereu ao tribunal que dissesse, uma vez por todas, no processo de pedofilia que já leva mais de cinco anos de julgamento, se é culpado ou inocente.
Claro que inocente é difícil que seja o veredicto, pois, neste caso, depois de ter estado sob prisão uma larga temporada, seguramente que iria exigir uma indemnização do Estado e esta não seria de pouca monta. Mas, se é culpado, ele e os outros envolvidos, então que não se prolongue por mais tempo o que já ultrapassou as 449 sessões e 1725 horas de tribunal, num caso em que são 32 as vítimas, muitas delas que passaram entretanto da juventude à maioridade.
Eu sei que estamos em Democracia e que, por esse facto, a política e a justiça situam-se em campos separados e uma não pode interferir na outra. Se vivêssemos um regime ditatorial, claro que já teria um Governo exercido pressão sobre os juízes que têm estado envolvidos no julgamento e o assunto teria sido resolvido num abrir e fechar de olhos. Mas, felizmente não é o caso. Mas, também nem tanto ao mar nem tanto à terra. Então, um Presidente da República, embora sem poder para intervir, não poderia ter já dado a cara e aparecer em público a expor com clareza a sua posição que, creio eu, não poderá ser de acordo com esta vergonha jurídica?
Permito-me opinar no que diz respeito à actuação do Chefe do Estado que, embora com poderes definidos na Constituição, não está proibido de expor os seus pareceres e de se colocar, pelo menos perante a opinião pública, ao lado de uma das partes, quando estão em causa situações que requerem tudo menos o mutismo da figura máxima da nossa República.
É verdade que, ao actuar desta maneira, o Homem grande de Belém se expõe a que surjam defensores da sua posição e adversários da mesma, mas essa tem de ser a penalização de quem não se situa naquele lugar apenas para presidir a inaugurações e a manifestações de qualquer ordem. Ficar mudo e quedo para defender a sua imagem pode ser muito prudente, mas não tem a menor utilidade. Assiste ao descalabro muito recolhido no seu palácio e os cidadãos que aguentem as vilanias que ocorrem!...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

REI INFELIZ


Todos nós temos histórias para contar
só que nem todos o sabemos fazer
e se temos pretensões
de ser poetas
então ainda mais difícil
se torna levar a cabo essa tarefa
Pois aqui vai:

Era uma vez um rei
que vivia infeliz
e que queria encontrar na sua grei
alguém com cariz
que lhe pudesse transmitir
alguma felicidade
que quisesse dividir
nem que fosse só metade
do prazer de estar vivo
e de transmitir aos demais
algo de positivo
como jogos florais

Mas havia um problema
é que um sábio do seu reino
transmitiu-lhe um esquema
que não se tratava de um treino:
pois o rei tinha de usar
do súbdito sua camisa
e com ela até suar
para resultar a pesquisa

Correram o território
na busca de um felizardo
deu até um falatório
podia ser um bastardo
mas tinha por força de ser
quem mais feliz fosse
que mesmo sem compreender
desse aos outros um ar doce

Tanto correram na busca
que por fim lá encontraram
a coisa mais patusca
que nem mesmo imaginaram:
foi lá no alto um pastor
que, com as suas ovelhas,
dava e recebia amor
quer das novas quer das velhas
passava o dia a rir
feliz com a sua vida
dali não queria sair
pois tinha cama e comida

Houve que lhe contar
a razão dessa visita
que era do rei precisar
de pôr fim a uma desdita
de feliz não conseguir
obter esse condão
por isso ter de pedir
com toda a compaixão
que do reino o mais feliz
lhe desse a sua camisa
para servir de chamariz
para quem a utiliza
pois só dessa maneira
o rei podia atingir
o alto da barreira
e a felicidade conseguir

Um problema então surgiu
e tal não era esperado
pois a todos confundiu
fez passar um mau bocado
é que o generoso pastor
o do reino, o mais feliz
o tal do grande amor
ficou então infeliz
pois a camisa para o rei
a que lhe tinha sido pedida
ele respondeu: eu não sei
como sarar essa ferida
pois desde o dia em que nasci
sabe quem comigo convive
eu camisas só as vi
eu camisa nunca tive!

CONSCIÊNCIA TRANQUILA


A CONSCIÊNCIA tranquila nem sempre reverte em benefícios para quem a tem. E hoje, eu só continuo a perguntar se este nosso País não terá forma de encontrar, no vasto ambiente governamental, o actual e nos que passaram recentemente, gente capaz de tomar consciência de que, nas alturas de maiores dificuldades financeiras, é exigido que se verifique uma actuação condizente com a necessidade de economizar nos gastos que podem e devem ser deixados para alturas de visível fartura. É que, apesar da situação que se vive, dá a impressão que, com frequência, os governantes não são capazes de, explicando-se claramente aos portugueses, eliminar certas resoluções que seriam perfeitamente compreendidas e até aplaudidas pelos cidadãos, apesar dos seus hábitos e de algumas tradições.
Explico o que acabo de referir. Não seria natural que, este ano, e dadas as circunstâncias bem conhecidas e sofridas da maioria dos naturais deste País, se pudessem ultrapassar algumas posições que constituem prosseguimento do que te acontecido em épocas anteriores. As iluminações das ruas da maioria das cidades portuguesas, motivadas pela época natalícia que se atravessa, dado o gasto que provocam e, ainda por cima, contrariando o que ficou acordado na recente Cimeira e Copenhaga, deixariam alguém revoltado, sobretudo se fossem claramente explicadas as razões dessa medida? E, conforme essa, outras atitudes do mesmo cariz seriam bem recebidas e teriam efeitos positivos na conjuntura actual.
Anda-se já a preparar o Centenário da Comemoração da República, isso no próximo ano e em 5 de Outubro. A Comissão que foi criada para o efeito conta com um orçamento, proveniente de dinheiros públicos, de dez milhões de euros, sendo que já foi contratada a construção de um site cujo design custou 99.500 euros e está também estabelecida uma Comissão Consultiva que conta com 17 pessoas, a qual provavelmente terá um pagamento não conhecido. Quer dizer, são tudo gastos que, sem discutir se as intenções das manifestações são justas ou não – e o caso da comemoração do centenário da República é-o certamente -, mesmo assim deveriam ser encontradas formas de haver prudência nos dispêndios.
Mas, posta esta questão sobre a qual não me adianto mais, refiro-me agora à notícia de que o antigo presidente dos CTT, Horta e Costa, juntamente com mais dezasseis arguidos, foi acusado o Ministério Público de dois crimes, de participação económica em negócio e administração danosa, que o mesmo declara não terem fundamento, mas em que os prejuízos causados à empresa dos correios se cifra em 13 milhões de euros.
A corrupção passiva e activa, o branqueamento de capitais, a participação económica em negócios, a administração danosa e a fraude fiscal, entre 2002 e 2005, tudo isso faz parte de uma série de danos de que os CTT terão sido vítimas, faltando assim conhecer, no final do processo, o que os Tribunais decidirão.
E estamos assim. Por um lado os gastos exagerados e perfeitamente evitáveis por parte do Estado, e, por outro, as roubalheiras de que o mesmo Portugal é vítima. Tudo isso à custa dos cidadãos que, arrastando-se com as dificuldades, só tomam conhecimento – quando tomam! – do que lhes sai dos bolsos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

HÁBITOS

O hábito é fazer sempre igual
repetir o conhecido
o homem, tal ser mortal
perde por vezes sentido
e o não ter que inventar
mudar de jeito e de forma
até dá para descansar
e com isso se conforma

O hábito faz o monge
diz o popular ditado
que já vem de muito longe
o dia em que foi criado
p’ra quê hábito mudar
se aquilo que vestir
é que parece indicar
a forma de seduzir

Há hábitos que são bons
e outros que são bem maus
tal e qual como os sons
que têm diferentes graus
eu costumo fazer isto
a isso não me acostumo
actuar como previsto
é um vício como o fumo

Assim é que me dá jeito
não me obriguem a mudar
não pretendo ser perfeito
só para a’lguém agradar
o seguir por um caminho
que eu há muito conheço
como cantar um fadinho
e conseguir o sucesso

UNS SOFREM, OUTROS RIEM-SE...



NÃO VALE A PENA insistir no assunto que eu costumo debater? É, como se diz normalmente, chover no molhado? Trata-se apenas de uma choramingueira que não leva a lado nenhum? Mas então, se ninguém levantar a voz, nem que seja escrevendo no computador, tudo continua na mesma ou caminha ainda para pior? Pois que seja, mas, mesmo tratando-se da época do Natal, em que a maioria das pessoas mete a viola no saco e dedica-se apenas a dar mostras do seu cinismo com os desejos de “boas festas” a torto e a direito, apesar disso não sigo esse caminho e não contenho dentro de mim toda a revolta que, como português e cidadão, não aceita o desleixo em que nos deixámos cair.
O drama que se generalizou pela maioria esmagadora da população portuguesa, o de não ter dinheiro mínimo que chegue para fazer face às despesas correntes de uma família e de, por isso, se irem acumulando dívidas que, em círculo vicioso, se transmitem em cadeia, esse panorama tornou-se uma vulgaridade na vida portuguesa, mas, completamente ao contrário, há por aí certa gente que, cada mês, vê acumularem-se fartos dinheiros pois que os seus vencimentos nos lugares que têm a sorte de ocupar são de tal maneira chorudos que não há crise que lhes chegue.
Já aqui tenho referido casos que têm de provocar revolta por parte dos que sofrem as consequências de baixos salários e sobretudo do desemprego, e esses casos correspondem aos altos cargos que são exercidos em múltiplas empresas públicas, onde as regalias de salários pomposos e de acréscimos com benesses sumptuosas originam o encher os bolsos de uns tantos privilegiados que, de uma forma geral, são constituídos por familiares ou amigos de governantes ou até de membros de partidos que, na altura, se encontram bem situados na escala política. Esta verdade ninguém está interessado em desmentir, sobretudo para não levantar ondas e procurar que o assunto passe o mais despercebido possível.
Mas não são apenas as empresas com intervenção do Estado que praticam tais exageros salariais. Veio agora à tona a notícia de que também os Bancos seguem a mesma norma e foi mesmo mais longe ao esclarecer que, no ano de 2008, período em que varais instituições bancárias abriram falência em todo o mundo (e por cá foi o que se conhece), cada gestor da banca portuguesa ganhou, em média, 698.081 euros, ou seja mais 13,7% do que no ano anterior.
E, para deixar bem claro o que serviu de informação ao público leitor, foi esclarecido que, por exemplo o presidente da Caixa Geral de Depósitos, Faria de Oliveira, só ele levou para casa, no final de 2008, 362.630 euros. Isto, claro, sem referir os pagamentos de despesas que terão sido consideradas como correspondendo ao cargo que exerce.
Mas, há ainda mais. Na área das reformas que, na maioria esmagadora dos cidadãos comuns da nossa Terra, andam por umas escassas centenas de euros mensais, no sector financeiro os administradores executivos, juntando o que lhes corresponde pela cessação de emprego a pagamentos baseados em acções e outras responsabilidades, auferem qualquer coisa como 20,5 milhões de euros.
Como lhes deve afligir o aumento para o próximo ano, e que está já autorizado, do custo do consumo de electricidade de 2,9% ! E que diferença lhes provoca que o poder de compra de Portugal seja inferior em 27% ao da nossa vizinha Espanha e seja só ultrapassado pela Polónia, Bulgária e Albânia, numa escala em que o Luxemburgo, esse pequeno País, se situa à cabeça no capítulo do tal poder de compra.
Repito, pois, o que afirmo acima: tem alguma utilidade, para além de transmitir a quem ler este meu blogue o que não pode passar desconhecido dos cidadãos deste País, fazer este como outros registos que, pelo menos graças à informática, pode ser divulgado. Mas só isso!...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

UM GÉNIO

Quem sou eu?
Que ando cá a fazer?
Pouca coisa, mas com grandes desejos
algumas esperanças
uns dias mais do que outros.
Daqui, da vitrina do meu café
sou um mais
só me distingo porque venho sempre
para escrever.
De vez em quando paro para pensar
para apelar à imaginação
a procurar uma palavra
um sinónimo
às vezes uma rima
a tentar não ouvir o que dizem
nas outras mesas
por vezes rindo
falando alto
dizendo coisas
e eu, quedo e mudo,
preocupado com o tempo
que me pode restar ainda com cabeça.
E escrevo, escrevo,
mas para quê?
Para quem?
Quem encontrará valor no que ponho no papel?
Procuro convencer-me que
para alguma coisa servirá
o que me dita a cabeça
.Mas toda essa gente que entra no café,
que se senta,
pede um café
assim como toda aquela
que salpica lá fora a rua,
nenhum desse povo
me parece
vir a interessar-se por aquilo que
me esforço para que mereça
algum apreço.
Apetece-me pôr uma placa sobre a mesa
AQUI ESTÁ UM GÉNIO
porque qualquer produto
precisa de publicidade

GASTAR DEMASIADO


E CÁ VOLTO EU ao tema que me desperta permanentemente a atenção, dado o panorama político, económico e social que atravessamos e de que não se vislumbra um volte-face tão depressa. Trata-se de encarar com firmeza uma atitude de suprimir os gastos desnecessários no imediato e isso, naturalmente, compete aos governantes, que são os responsáveis principais pelo desequilíbrio nas contas públicas e pelas dívidas astronómicas que já suportamos todos, sobretudo os que são mal governados.
É claro que os optimistas que existem por cá, sendo eles, de uma forma geral, pertencentes a classes que não sofrem mensalmente os efeitos dos apertos na carteira, esses insurgem-se contra os que, como afirmam, “só dizem mal” e não apontam formas de se mudar deste mal-estar. Não me podem dizer isso a mim, pois, quer neste blogue quer sempre na minha profissão de jornalista, fiz sempre questão de apontar erros mas nunca deixando de indicar os caminhos que eu considero como sensatos. Mário Soares, de quem eu não escondo o meu apreço e até uma certa amizade, num texto saído no “Diário de Notícias” veio, como sempre faz, defender a actuação de Sócrates e atacar os “pessimistas profissionais”, mas também ele não indica uma actuação clara que altere o que tem sido feito. Bonacheirão como é, nunca poderá Soares entender a má vida que a maioria esmagadora dos portugueses sofre, e ainda menos porque a sua reforma, aliada à de Maria Barroso, permitem ao casal um fim de vida agradável.
Mas eu aponto erros e indico aquilo que o Governo, este agora e os anteriores, deveria fazer e até já ter feito tempos atrás. Por exemplo, será que existe consciência das rendas que paga o Estado por espaços que estão desocupados de repartições públicas? Eu conheço vários, um mesmo na minha rua que se encontra fechado há mais de sete anos e que até o lugar de estacionamento da viatura do director, marcado por placas avisadoras, ali se encontra sem que ninguém o retire? E idênticos espaços que foram adquiridos por dinheiros públicos e que, nesta altura, não têm a mais pequena serventia? Claro que não é só em Lisboa, mas por esse Portugal fora. A notícia agora surgida de que o Ministério da Justiça gastou 15 mil euros por mês, durante quatro anos, por ter arrendado um andar em Castelo Branco, que custava 15 mil euros por mês, num imóvel degradado e muito antigo, num contrato com validade até 2005, e que nunca foi utilizado, essa asneirada (que, claro, não tem nenhum responsável!), é apenas um exemplo dos muitos que haverá que descobrir do Norte a Sul de Portugal. E, quem sabe, tudo isso talvez para “ajudar” uns amigos…
Aliás, as coisas estranhas que, no capítulo de alugueres, têm de deixar os portugueses de boca aberta, como o que foi divulgado pelo programa “Nós por cá”, da RTP1, em que o dispêndio de 2.400 milhões de euros por mês, com a utilização do novo Campus jurídico na zona da antiga Expo, nesse particular o Ministério da Justiça parece ser exímio em disparates. Então não se sabe onde poupar? Ninguém é capaz de meter mão no desvario que ataca muita gente que só faz asneiras neste País e tem nas mãos tanto poder?
Mas há mais, muito mais a assinalar. O caso dos tais submarinos que um Executivo atrasado, com Portas na pasta da Defesa, adquiriu, embora com contrapartidas que, afinal, não podem ser executadas, não se deveria anular, de imediato, esse encargo e tentar reaver o que já foi entregue? É que o próprio chefe do Estado-Maior das Forças Armadas já levantou publicamente dúvidas sobre a utilidade desse gasto de 1000 milhões de euros!
Não vou aqui, como é natural, fazer uma relação exaustiva de tudo o que poderia fazer parte de uma política de “economização” de dinheiros públicos, pois bastaria que um chefe do Governo metesse ombros ao assunto e, sem necessidade de criar mais uma comissão (isso, não!) que, com responsabilidade, se dedicasse com afinco à busca de casos concretos. E até, se fosse pedida a participação dos portugueses, através de indicações que seriam depois analisadas, por aí se encontrariam situações que poderiam ser resolvidas.
Como vê Mário Soares, como eu sempre lhe mostrei nas longas conversas que tivemos nas viagens que fizemos quando trocámos opiniões sobre o caso português, às vezes, o saber ouvir traz os seus benefícios. Mesmo que eles já não venham a tempo…

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

VOLTAR PARA TRÁS


Dizem: depois é melhor
que há perdão complacência
que do mal venha o menor
que não falte a paciência
porque p’ra trás ninguém volta

Que os que ficam, se aguentem
se tolerem aos demais
que chorem os que mais sentem
a falta de outros mortais
que p’ra trás não há quem volte

Sem perder a esperança
uns com fé outros sem ela
com ilusão de criança
se entra nessa viela
já que p’ra trás ninguém volta

Por cá já todos sabemos
o que é isso de estar vivo
e há razões quando tememos
o que há de mais nocivo
só que p’ra trás não se volta

E por muito mau que seja
mais vale ir suportando
e não há que ter inveja
daqueles que vão ficando
pois que p’tra trás ninguém volta

GENTE CONTENTE




POR MAIS que os contentinhos da silva se arrepelem e considerem que a nossa geração – porque é agora que nós vivemos – tem de andar satisfeita, eu sou dos muitos que entendem que a verdade é bem outra, pois que ela se defronta com uma bem difícil situação que os cidadãos do mundo poucas vezes terão suportado tão intensamente. É certo que as condições em que se vive actualmente, dentro das novas tecnologias e com a rapidez de conhecimentos que atravessa num segundo todo o Planeta, em que essas características permitem tanto dar as boas notícias como transmitir as desgraças e as crises, tal condição dá azo a que, como sucede actualmente, tanto uma gripe A como uma peste financeira se transmite com um simples espirro. E não vale a pena bater mais nesta tese, pois já não haverá muita gente que ainda se encontre longe da realidade da vida de hoje. Só os demasiado optimistas, que persistem em querer enganar-se com a esperança de que a felicidade se encontra basta apenas a desejarmos, são só esses que se iludem. Deixemo-los, pois, viver nessa fantasia.
Porém, quem pretende lutar, com todas as suas forças e, se bem que limitado ao poder que tiver, não esconde as realidades, esses preferem enfrentá-las, procurando ter conhecimento dos motivos que criam as dificuldades que nos envolvem. E falo pelo que se passa em todo o mundo e não apenas em Portugal. Por mim, nestes blogues tenho procurado prestar o contributo para não deixar na ignorância os que não se mostram muito dispostos a andar ao corrente do que se passa.
Nós vivemos neste País que, valha-nos pelo menos isso, tem uma História longa e que coloca o rectângulo mais a Ocidente da Europa numa posição histórica honrosa. Não nos podemos cansar de lançar aos quatro ventos tal verdade. Mas só isso não basta. Não temos apenas de nos conformar com um passado longínquo, é forçoso que demos mostras ao mundo actual que ainda somos capazes de sobressair das dificuldades que vão aparecendo e que não estamos dispostos a continuar a figurar nos lugares inferiores da escala das competências mais importantes. E é isso que, de há bastantes anos para cá, tem sucedido, quer no decorrer do regime ditatorial que tivemos quer após o 25 de Abril, em que não demos mostra de saber tirar proveito da Democracia mas de que enchemos a boca a propósito de tudo e de nada. E sobre isso nem faz falta fazer aqui uma lista dos desconsolos que enchem a memória dos que assinalam os acontecimentos.
Só nestes últimos dias se podem apontar muitas situações que têm de provocar o desânimo de todos nós, portugueses. Por exemplo, que Portugal está, cada vez mais, na mira das redes internacionais do crime, exactamente porque a Justiça por cá é coisa que até faz rir os que são hábeis no tráfico de drogas, no furto e no roubo, nas corrupções que se tornaram na coisa banal que dá fortunas a gente bem colocada e uma enormidade de comportamentos que se instalaram no nosso seio e de que não se assiste a uma maneira eficaz de lhes pôr cobro.
A política nacional, como é sabido, caiu num ciclo vicioso que nos faz a todos não confiar nos homens que se situam nos lugares cimeiros e até surgiu agora José Sócrates, ele mesmo a afirmar que “Portugal é ingovernável”, agora que não tem nas mãos o poder completo com uma maioria absoluta.
Há então razão para passarmos esta época natalícia a fazer pedidos ao Pai Natal, outros que não sejam o de fazer chegar ao nosso País um pouco de bom senso político, de entendimento entre todos os que tomam assento no Parlamento – PS e oposições - e que, por terem opções diferentes, perante o estado em que nos encontramos deveriam procurar não aumentar as dificuldades?
José Sócrates, ele de novo, fez ontem o aviso de que, se continuar a falta de acordos entre os vários partidos políticos, a renúncia a prosseguir na chefia do Governo é atitude que não será posta de lado. Poderá ser uma forma de se vitimizar, pois não quererá dar o braço a torcer e, perante a realmente difícil maneira de conduzir o Executivo sem ter na sua mão o mando absoluto, preferirá o caminho mais fácil para ele, mas bastante grandemente perigoso para o País!...
Devemos, então, andar contentinhos com tudo isto?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A MALA

Ter sempre a mala pronta para a viagem
não ser apanhado de surpresa,
sem bagagem
com destreza
com a roupa bem arrumada
isso ajuda a não perder a oportunidade
e a jogar essa cartada
não sei se com felicidade
não é fácil encontrar uma boleia
e adiar o que já estava determinado
sem ter nada de especial na ideia
e ficando bastantes assuntos de lado
e seguramente alguma coisa esquecida
não é por aí que se falta ao compromisso
e como não se pode recusar a ida
pois foi o destino que a estabeleceu
não nos competindo a nós alterar
e havendo sempre a esperança de ser o Céu

Não me escondam a mala já fechada
preparada para a viagem que for
basta apenas descer a escada
afastando todo e qualquer pavor
não sei quem irei encontrar à chegada
se será alguém conhecido
que também fez troca de morada
o que causou na altura alarido
que partiu antes e nem se despediu
numa linda tarde de primavera
houve gente que muito sentiu
mas se por mim não há ninguém à espera?

Seja como for a mala está pronta
não é por aí que chego atrasado
e é forçoso levar bem em conta
que não faço isto com completo agrado
nem importa se vou de boa vontade
vou, e pronto!
todo e não metade
meio tonto
é como tantas mais
é outra viagem
todas desiguais

Agora que estou cansado de viver
de aturar uma fatigante malta
só espero não ter de andar a correr
tranquilidade é o que me faz falta

Haja até quem me desfaça a mala
que arrume as roupas em bom local
que me conduza a bonita sala
tudo feito com ar informal
e me indique o local onde vou restar
não sei se será longa a estadia
porque bem preciso de descansar
e não me causará grande alegria
se for o mesmo que passei por cá
mas seja o que for
onde for
como for
terei sempre presente um oxalá
de que seja muito melhor do que aqui
de onde parto
e de cujo bem-estar sempre descri
por isso fiquei farto
mas de onde, apesar de tudo, levo saudades
das pessoas que me despertaram aonde fiz algumas amizades
e onde a luta me transmitiu calor
e que, mesmo com desenganos
que ocuparam uma parte da minha vida
houve sempre tempo para planos
Pode ser que um dia
seja eu à espera e a desfazer a mala
de quem terminou a correria
e me caiba a mim conduzir à sala
e a ajudar as malas arrumar
e a acompanhar para o lugar do sossego
a quem tenha chegado a hora de arrimar
e mereça também seu aconchego

Se cá fica algo são papéis
Mas também não valem cinco réis

MAROCAS!....



JÁ TIVE, NESTE ESPAÇO, ocasião para me referir a esse homem público que, ao ter passado, há dias, o seu 85.º aniversário, deu ocasião a que fosse referido, por esse motivo, nalguma comunicação social portuguesa. E, da minha parte, devido ao facto de ter sempre acompanhado, relativamente de perto, a caminhada de quem, apesar da idade a que já chegou, ainda dá mostras de estar em plena forma e de ter para dar ainda bastante da sua aptidão para, pelo menos, aconselhar os mais novos, não lhe recuso o reconhecimento de que, aprecie-se ou não a sua actuação política, se trata de alguém que foi de enorme utilidade na salvação do fundamental desse movimento militar contra a Ditadura, dado que foi graças à sua intervenção que a Democracia, então perigosamente ameaçada, conseguiu ser implantada em Portugal. A juventude de hoje e os que não assistiram ao descalabro que esteve para ocorrer nessa altura, não podem comungar do respeito que é devido a Mário Soares, dado que não é apenas pela sua actuação como Presidente da República e na posição de chefe de um Governo que se pode avalisar devidamente a sua enorme importância como pedra fundamental para ter sido dada a volta ao período ditatorial que se viveu por largo tempo no nosso País. A História, daqui a alguns anos, liberta de tendências, contará a verdade. Assim espero.
No que me diz respeito, por ter idade para isso e ainda porque a minha profissão de jornalista me deram oportunidade para andar atento às ocorrências que se foram desenvolvendo, antes e depois da Revolução, e também porque acompanhei Mário Soares em dez viagens que fez ao estrangeiro, na altura em que era fundamental obter o apoio de vários países para a nossa adesão ao Mercado Comum Europeu, tive oportunidade de constatar como o nosso político era favorecido com a consideração e respeito por parte de inúmeras figuras gradas de governos estrangeiros, facto que na altura não era tão corrente como hoje sucede. Sobre estas viagens tenho para contar muitas facetas que bem demonstram a maneira descontraída e natural como o nosso representante solucionava os problemas, mesmo os mais bicudos, com a maior naturalidade e simpatia.
Como director que fui do semanário “o País”, não pude deixar de levar em consideração a opinião que mantinha e conservo sobre o nosso político e por isso, nas alturas mais difíceis da sua actuação como chefe de um Governo, contra uma opinião que começou a correr por cá que dava mostras de não apoiar as medidas que eram tomadas na época, nunca deixei de encontrar motivos para justificar os passos que eram dados em S. Bento e isso porque não vislumbrava no ambiente político da altura quem pudesse prestar melhor contributo em relação aos problemas que, já então, existiam no nosso País.
Como sempre, tive razão antes de tempo, mas isso não obstou que tivesse passado um mau bocado, pois as vendas de “o País” ressentiram-se de tal facto. Só que eu nunca fui de torcer e sempre preferir quebrar, sobretudo se a causa que defendo me parece ser a perfeita. E, nessa altura, estava em causa preocuparmo-nos com a situação do nosso Portugal e havia que tomar uma posição em vez de procurar apenas seguir a corrente para vender mais Jornal. Não me arrependo.

domingo, 13 de dezembro de 2009

VELHICE

Que fazes aqui tu velho
sentado neste jardim
aguardas acaso o fim
farto de te veres ao espelho?

Olha que o tempo passado
bom ou mau, seja qual for
deves guardar com amor
e não apartá-lo ao lado

O que viveste foi vida
ninguém t’a pode tirar
o que se pode guardar
é sempre antes da partida

Há quem fosse mais feliz
que a sorte lhe não faltasse
mas talvez a quem amasse
vivesse noutro país

Conforma-te, pois, meu velho
que chorar não vale a pena
se a vida não foi pequena
deixo-te aqui um conselho


GASTEM, GASTEM!...



EU SÓ CONTINUO a perguntar se este nosso País não terá forma de encontrar, no vasto ambiente governamental, o actual e nos que passaram recentemente, gente capaz de tomar consciência de que, nas alturas de maiores dificuldades financeiras, é exigido que se verifique uma actuação condizente com a necessidade de economizar nos gastos que podem e devem ser deixados para alturas de visível fartura. É que, apesar da situação que se vive, dá a impressão que, com frequência, os governantes não são capazes de, explicando-se claramente aos portugueses, eliminar certas resoluções que seriam perfeitamente compreendidas e até aplaudidas pelos cidadãos, apesar dos seus hábitos e de algumas tradições.
Explico o que acabo de referir. Não seria natural que, este ano, e dadas as circunstâncias bem conhecidas e sofridas da maioria dos naturais deste País, se pudessem ultrapassar algumas posições que constituem prosseguimento do que te acontecido em épocas anteriores. As iluminações das ruas da maioria das cidades portuguesas, motivadas pela época natalícia que se atravessa, dado o gasto que provocam e, ainda por cima, contrariando o que ficou acordado na recente Cimeira e Copenhaga, deixariam alguém revoltado, sobretudo se fossem claramente explicadas as razões dessa medida? E, conforme essa, outras atitudes do mesmo cariz seriam bem recebidas e teriam efeitos positivos na conjuntura actual.
Anda-se já a preparar o Centenário da Comemoração da República, isso no próximo ano e em 5 de Outubro. A Comissão que foi criada para o efeito conta com um orçamento, proveniente de dinheiros públicos, de dez milhões de euros, sendo que já foi contratada a construção de um site cujo design custou 99.500 euros e está também estabelecida uma Comissão Consultiva que conta com 17 pessoas, a qual provavelmente terá um pagamento não conhecido. Quer dizer, são tudo gastos que, sem discutir se as intenções das manifestações são justas ou não – e o caso da comemoração do centenário da República é-o certamente -, mesmo assim deveriam ser encontradas formas de haver prudência nos dispêndios.
Mas, posta esta questão sobre a qual não me adianto mais, refiro-me agora à notícia de que o antigo presidente dos CTT, Horta e Costa, juntamente com mais dezasseis arguidos, foi acusado o Ministério Público de dois crimes, de participação económica em negócio e administração danosa, que o mesmo declara não terem fundamento, mas em que os prejuízos causados à empresa dos correios se cifra em 13 milhões de euros.
A corrupção passiva e activa, o branqueamento de capitais, a participação económica em negócios, a administração danosa e a fraude fiscal, entre 2002 e 2005, tudo isso faz parte de uma série de danos de que os CTT terão sido vítimas, faltando assim conhecer, no final do processo, o que os Tribunais decidirão.
E estamos assim. Por um lado os gastos exagerados e perfeitamente evitáveis por parte do Estado, e, por outro, as roubalheiras de que o mesmo Portugal é vítima. Tudo isso à custa dos cidadãos que, arrastando-se com as dificuldades, só tomam conhecimento – quando tomam! – do que lhes sai dos bolsos.



sábado, 12 de dezembro de 2009

NÓS QUE SOMOS POETAS

Dizem que nós os poetas
só compomos tristes temas
meto na consciência a mão
e dou-lhes a razão a todos
tendo vidas inquietas
como fazer uns poemas
seguindo outro padrão
e escolhendo outros modos?

De facto a poesia
encaixa mais na tristeza
é a chorar que ela sai
até com lágrima seca
não se trata de mania
ninguém tem essa certeza
nem para onde ela vai
caminhando seca e Meca

O poeta aperta a alma
obriga-a a deitar para fora
o que sempre a atormenta
que lhe corrói o semblante
escrevendo sempre acalma
mandando de todo embora
toda a parte mais cinzenta
podendo até ser brilhante

Outra coisa é fazer rir
e seu mérito terá
nem todos serão capazes
e tristes alguns serão
mas lá podem conseguir
dar alegria quiçá
a raparigas, rapazes
e até ao mais tristão

Mas aos poetas não cabe
cumprir tamanha missão
é deles outro destino
outra vontade é a sua
esse caminho não sabe
não está na sua mão
agarrar-se a esse sino
é como partir p’ra Lua