domingo, 13 de dezembro de 2009

VELHICE

Que fazes aqui tu velho
sentado neste jardim
aguardas acaso o fim
farto de te veres ao espelho?

Olha que o tempo passado
bom ou mau, seja qual for
deves guardar com amor
e não apartá-lo ao lado

O que viveste foi vida
ninguém t’a pode tirar
o que se pode guardar
é sempre antes da partida

Há quem fosse mais feliz
que a sorte lhe não faltasse
mas talvez a quem amasse
vivesse noutro país

Conforma-te, pois, meu velho
que chorar não vale a pena
se a vida não foi pequena
deixo-te aqui um conselho


GASTEM, GASTEM!...



EU SÓ CONTINUO a perguntar se este nosso País não terá forma de encontrar, no vasto ambiente governamental, o actual e nos que passaram recentemente, gente capaz de tomar consciência de que, nas alturas de maiores dificuldades financeiras, é exigido que se verifique uma actuação condizente com a necessidade de economizar nos gastos que podem e devem ser deixados para alturas de visível fartura. É que, apesar da situação que se vive, dá a impressão que, com frequência, os governantes não são capazes de, explicando-se claramente aos portugueses, eliminar certas resoluções que seriam perfeitamente compreendidas e até aplaudidas pelos cidadãos, apesar dos seus hábitos e de algumas tradições.
Explico o que acabo de referir. Não seria natural que, este ano, e dadas as circunstâncias bem conhecidas e sofridas da maioria dos naturais deste País, se pudessem ultrapassar algumas posições que constituem prosseguimento do que te acontecido em épocas anteriores. As iluminações das ruas da maioria das cidades portuguesas, motivadas pela época natalícia que se atravessa, dado o gasto que provocam e, ainda por cima, contrariando o que ficou acordado na recente Cimeira e Copenhaga, deixariam alguém revoltado, sobretudo se fossem claramente explicadas as razões dessa medida? E, conforme essa, outras atitudes do mesmo cariz seriam bem recebidas e teriam efeitos positivos na conjuntura actual.
Anda-se já a preparar o Centenário da Comemoração da República, isso no próximo ano e em 5 de Outubro. A Comissão que foi criada para o efeito conta com um orçamento, proveniente de dinheiros públicos, de dez milhões de euros, sendo que já foi contratada a construção de um site cujo design custou 99.500 euros e está também estabelecida uma Comissão Consultiva que conta com 17 pessoas, a qual provavelmente terá um pagamento não conhecido. Quer dizer, são tudo gastos que, sem discutir se as intenções das manifestações são justas ou não – e o caso da comemoração do centenário da República é-o certamente -, mesmo assim deveriam ser encontradas formas de haver prudência nos dispêndios.
Mas, posta esta questão sobre a qual não me adianto mais, refiro-me agora à notícia de que o antigo presidente dos CTT, Horta e Costa, juntamente com mais dezasseis arguidos, foi acusado o Ministério Público de dois crimes, de participação económica em negócio e administração danosa, que o mesmo declara não terem fundamento, mas em que os prejuízos causados à empresa dos correios se cifra em 13 milhões de euros.
A corrupção passiva e activa, o branqueamento de capitais, a participação económica em negócios, a administração danosa e a fraude fiscal, entre 2002 e 2005, tudo isso faz parte de uma série de danos de que os CTT terão sido vítimas, faltando assim conhecer, no final do processo, o que os Tribunais decidirão.
E estamos assim. Por um lado os gastos exagerados e perfeitamente evitáveis por parte do Estado, e, por outro, as roubalheiras de que o mesmo Portugal é vítima. Tudo isso à custa dos cidadãos que, arrastando-se com as dificuldades, só tomam conhecimento – quando tomam! – do que lhes sai dos bolsos.



sábado, 12 de dezembro de 2009

NÓS QUE SOMOS POETAS

Dizem que nós os poetas
só compomos tristes temas
meto na consciência a mão
e dou-lhes a razão a todos
tendo vidas inquietas
como fazer uns poemas
seguindo outro padrão
e escolhendo outros modos?

De facto a poesia
encaixa mais na tristeza
é a chorar que ela sai
até com lágrima seca
não se trata de mania
ninguém tem essa certeza
nem para onde ela vai
caminhando seca e Meca

O poeta aperta a alma
obriga-a a deitar para fora
o que sempre a atormenta
que lhe corrói o semblante
escrevendo sempre acalma
mandando de todo embora
toda a parte mais cinzenta
podendo até ser brilhante

Outra coisa é fazer rir
e seu mérito terá
nem todos serão capazes
e tristes alguns serão
mas lá podem conseguir
dar alegria quiçá
a raparigas, rapazes
e até ao mais tristão

Mas aos poetas não cabe
cumprir tamanha missão
é deles outro destino
outra vontade é a sua
esse caminho não sabe
não está na sua mão
agarrar-se a esse sino
é como partir p’ra Lua





ACUPCUNTURA



POR ESSA EUROPA fora, a tal que andamos sempre a proclamar que queremos estar completamente inseridos, as medicinas alternativas e a tradicional chinesa, que já não oferece dúvidas aos cientistas de que presta tratamento a muitos tipos de doenças que a utilizada na zona Ocidental não consegue chegar, lá fora funcionam com regulamentos absolutamente legalizados e com cursos de formação reconhecidos pelas entidades oficiais.
No nosso País, provavelmente por pressão de certas forças de protecção à medicina que sempre tivemos, essas curas não são autorizadas, antes são vistas com grande desconfiança, isso apesar de muitos médicos de cá, às escondidas, recorrerem por vezes aos conhecimentos dos curadores que se instalaram em Portugal, quase sempre de origem chinesa, e que são chamados de “mestres”, pois que doutores é título que só cabe aos que são formados pelas Faculdades de Medicina nacionais.
Posto isto, resta acrescentar que se um doente for a Espanha, França, Alemanha e a outros países europeus, para não falar do resto do mundo, aí encontra, com total liberdade e protecção dos serviços oficiais, os consultórios e até hospitais onde, com a maior confiança, todos os tratamentos e mesmo intervenções cirúrgicas são efectuados e os resultados são satisfatórios, porque se não os mesmos já teriam sido encerrados e proibidos.
Não vou, como é natural, referir-me em pormenor ao que se pode obter como benefícios e curas nessas áreas de medicina. A falta de conhecimentos obriga-me a não entrar em detalhe no tema. Mas o que não pode fazer parte da ignorância do Ministério da Saúde e de todos os elementos que estão ligados a esse sector oficial é que se têm verificado muitas melhoras e mesmo fins de algumas doenças por via da chamada medicina tradicional chinesa. No que respeita à acupunctura, por exemplo, quem foi objecto desse tratamento pode testemunhar, com isenção, se os resultados obtidos foram ou não de molde a ser recomendada a sua prática.
Agora, no nosso caso português, em que se verifica nesta altura uma enorme falta de médicos saídos das faculdades nacionais – em que as entradas estão dificultadas pela obrigação de as médias das notas dos proponentes a seguirem tal curso -, não estudar o Governo a conveniência de seguir os passos da Europa nesse capítulo representa mais uma atitude daquelas que tanto gostamos de dar no sentido de ficarmos cada vez mais na cauda do Mundo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

OS DIAS VÃO PASSANDO

Andar por cá a arrastar-se
e a idade não ajuda
vá lá a gente fiar-se
que nada nos desiluda
e os dias vão passando
e mais um aniversário
sem saber como e quando
acaba este calvário

O sofrer com a doença
ninguém quer mas tal sucede
lá se vai mantendo a crença
não vir o que não se pede
mas ninguém foge à sina
de dar com o inesperado
é situação que amofina
mesmo que se passe ao lado

Vai passando cada dia
na ânsia de ser melhor
que o a seguir tenha magia
que não cause tanto ardor
pois bem basta o tormento
da vida que cá se leva
é de facto um lamento
esta tão continua treva

Os dias que vão passando
dão azo ao dia seguinte
não é por irmos chorando
por dar ares de pedinte
que melhore situação
pois há que lutar com força
que dê p’lo menos p’ro pão
evitar que algo torça

O que custa é ver os ricos
levar vida flauteada
nada falta aos mafarricos
bem lhes chega a mesada
mas cada um tem o seu
não há porque invejar
e quem quer ganhar o Céu
o que lhe resta é rezar

Os dias que vão passando
leva-os a pagar cá
pecados de quando em quando
toda a atitude má
porque depois de passarem
o final é sempre igual
não é por muito agarrarem
que não dão passo mortal





E SÓ DÍVIDAS!...



ENQUANTO na Assembleia da República se assiste aos insultos, coisa que, na verdade, não sucede apenas entre nós, dado que já não é a primeira vez que a televisão nos deixa ver, em Parlamentos do terceiro mundo, até pancadaria entre representantes do povo, pois em S. Bento, Maria José Nogueira Pinto, pelo PSD, e Ricardo Gonçalves, pelo PS, envolveram-se numa troca absurda de palavras que não se devem proferidas por pessoas que, com responsabilidade acrescida, têm obrigação absoluta de manter o respeito mútuo e de dar o exemplo aos cidadãos.
Especialmente neste período que atravessamos e em que outras preocupações muito avassaladoras nos atingem, é nesta altura que se necessita de assistir, por parte das personalidades que ocupam lugares de visibilidade pública, de um comportamento que transmita alguma tranquilidade. Sim, que a ocasião não está nada para arrelias suplementares, dado que é forçoso dar tudo por tudo para que se tente conseguir vencer aquilo que pode vir a ser uma situação de certo dramatismo.
Que afirmem os técnicos economistas que a economia portuguesa, afinal, regista uma recuperação inferior à antecipada pelo INE, em Novembro que acaba de passar, pois só crescemos 0,7 %, o que quer dizer que esse crescimento afinal resultou numa queda de 2,5% no último trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, que seja apresentado esse panorama, dito assim ao cidadão comum não provoca grande reacção. E a prova é de que as compras do Natal continuam a fazer-se, como prova de que existe uma enorme insensibilidade no que respeita ao futuro que nos espera.
E como o primeiro-ministro, como sempre actua, lança pela boca fora uma lufada de optimismo enganador que, embora possa ter intenções de criar ambiente apaziguador para os que se encontram sem emprego, não corresponde, no entanto à realidade, eu por mim não sei se esta atitude será a melhor para quem desempenha umas funções que só poderão admitir a verdade absoluta dos factos e não ilusões, e, pelo contrário, procuro, pelo menos neste meu blogue, chamar a atenção para o caminho que se nos depara e isso por considerar que é sempre melhor prevenir do que depois remediar.
E, mesmo tratando-se de uma época em que, por ser natalícia, tudo parece ter a cor de rosa, não é por tal motivo que devemos fechar os olhos, por exemplo ao panorama que, ainda hoje, foi traído pela comunicação social ao conhecimento público: o de que o endividamento público já atingiu os 130 milhões de euros, pois é esse o valor dos juros por ano que o Estado tem de pagar, o que, só para se ter uma ideia, equivale a metade do acréscimo da despesa com pensões dos funcionários públicos em 2009.
E também é importante não se perder de vista, para acréscimo da nossa consciência, que a dívida pública nacional já ronda os 132 mil milhões, isto de acordo com o segundo Orçamento que vai ser discutido no Parlamento. Depois, é fundamental que tenhamos todos consciência de que a dívida pública directa do Estado duplicou desde 2001 e que o Governo, no âmbito do Orçamento rectificativo que apresentou, vai pedir autorização para aumentar o endividamento líquido directo para mais 15 mil milhões de euros ainda este ano.
É por isso que eu ponho a questão de saber se, perante uma linguagem da verdade que o Executivo devia utilizar num panorama como aquele que estamos a passar, todos os gastos extraordinários não seriam justificados e até agradecidos pelos portugueses? E há ainda tanto para economizar! Por exemplo, as iluminações de Natal em todo o País, não poderiam este ano ter sido evitadas? A Nação inteira não compreenderia tal medida, desde que devidamente explicada? Claro que não me refiro já ao que é considerado investimento e que tem a ver com os aeroportos, os comboios de alta velocidade, as auto-estradas e tanta coisa que só irresponsáveis é que clamam por querermos “ser os primeiros”, “ser os melhores”, “ser os exemplares”!...
O pior é que se não forem estes a deter o Executivo nas mãos, serão outros! E quais? Haja quem responda e tome a responsabilidade.
E festejemos então o Natal, esperando que alguns Reis Magos nos tragam o ouro, já que a essência podemos nós substituir pela inteligência e a mirra por bom senso…

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

LUSOFONIA e RECADO

TIVE de eliminar o meu texto, com data do dia 8 deste mês, intitulado Combate à Corrupção, porque quis introduzir uma reprodução das capas das minhas duas obras por editar, a LUSOFONIA e o RECADO, a primeira com inspiração de Os Lusíadas e a outra, por ter sido também inspirado pela Mensagem, de Fernando Pessoa.
Aqui deixo essas duas capas feitas no computador, porque se existir um editor que as deseje publicar, então será outro o aspecto.

FUTURO - QUE MISTÉRIO?

Cheguei a uma altura
em que ando pelo mundo
sem saber para onde olhar
já não me interessa a figura
nem procuro ver o fundo
para onde vou ficar

Para trás foi o que foi
já nada será mudado
não vale a pena lembrar
e se agora algo dói
o melhor é pôr de lado
e o futuro adivinhar

Mas futuro? Que mistério!
Nesta ânsia de escrever
acumular prosa e verso
já não é nada de sério
mesmo dando algum prazer
serve tanto como um terço



COMBATE Á CORRUPÇÃO



ESTÁ o Parlamento com o encargo de encontrar uma resposta ao problema que tanto tem dado que falar nos últimos tempos, se bem que se trate de uma matéria que vem de longe, que deu mais nas vistas no decorrer do período democrático que se vive em Portugal, mas que também antes, na época da ditadura, ocorria com grande escala. Só que não surgia nas páginas dos jornais, porque existia uma coisa chamada Censura que não era para graças.
Refiro-me, está bem de ver, à proposta apresentada pelo PSD e que se sabe que os socialistas não votam contra, de ser criada uma comissão que fique com a responsabilidade de analisar e encontrar solução para acabar com a escalada da corrupção que atingiu foros de excessiva prática.
Bem se sabe que isto de ser criada uma comissão, de uma maneira geral significa a nomeação de uns tantos amigos e quem os escolhe, pois é sempre definida uma remuneração e umas tantas benesses que se encaixam na execução desses lugares. Não se sabe ainda se será este o caso, mas teremos de ficar com os olhos bem abertos para ir acompanhando a evolução dos resultados que forem saindo de tais escolhidos. Agora, que tais pessoas vão ter muito que fazer, lá isso têm.
Existem por aí, e até há pouco tempo estiveram escondidos nas gavetas, casos que representam valores elevadíssimos que cheiram a ter existido desvios de altas verbas que bastante falta fazem aos cofres do Estado. Ninguém se aprestou ainda para servir de testemunha, até porque, naturalmente, serão vários os beneficiados que se regalaram com comissões que foram atribuídas e esses coniventes não desejam, em qualquer caso, vir a dar nas vistas.
O exemplo da compra ao estrangeiro de submarinos e de helicópteros (até agora sem se entender com clareza porquê terem sido estes os armamentos considerados de primeira necessidade), aquisição essa sujeita a contrato de permuta, por parte dos exportadores estrangeiros, por valores consideráveis, ao não terem sido formalizados esses documentos de compra de forma a não deixar dúvidas ou fugas que permitissem o não cumprimento por parte dos fornecedores das suas obrigações. E o resultado é que, neste momento, Portugal é devedor de fabulosas verbas pela aquisição e não são cumpridas as obrigações das contrapartidas. Pergunta-se, então: as deficiências na elaboração dos contratos resultou, da nossa parte, de incompetência e de irresponsabilidade ou terá sido por fazer parte de uma artimanha de corrupção que, ao ter existido, têm, como sempre, de nela fazerem parte dois intervenientes – o corruptor e o corruptido.
O que se torna necessário é que não seja colocada uma pedra sobre este assunto e que, para dar início à sua actuação, a comissão que vai ser constituída no Parlamento inclua na sua tarefa esta estranha situação que nos foi criada. Estamos cá para ver.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

POETAS RESISTEM

Já foi tempo, isso já foi
em que a poesia invadia a vida
o que se dizia
aquilo que se escrevia
o que se vivia
estava cheio de poesia
e hoje que tanto se destrói
não há quem lhe dê guarida

Com toda a tecnologia
A velocidade, os avanços
O que se diz
Neste País
Não faz feliz
Não tem cariz
por isso a poesia
é só pr’os tansos

Porém, que pena
que tal texto doce
tenham partido
fugido
sumido
sem um gemido
saindo de cena
um bem escapou-se

Hoje o que mais importa
são as novas descobertas
várias
revolucionárias
originárias
imaginárias
é assim a vida torta
sempre com novos alertas

Mas a poesia, essa pobre
poucos lhe dão importância
desgraçada
escorraçada
desprezada
arrumada
perdeu o seu ar de nobre
mas nunca sua elegância

Enquanto houver quem a ame
mesmo que poucos existam
ainda que lhes chamem patetas
e lhes façam caretas
e só lhes paguem umas chetas
os poetas
nem impondo-lhes grosso açame
impedem qu’eles persistam




VALE MAIS TARDE DO QUE NUNCA!


O TEMPO que levou para que os senhores que têm obrigação de andar atentos às deficiências que ocorrem no nosso País tivessem despertado da sonolência em que andam envolvidos há anos é coisa que custa muito a suportar. Refiro-me ao tema que constituiu, mais de uma vez, assunto dos meus escritos em diferentes órgãos públicos e que, segundo parece – ainda não tenho a certeza total, pois que a notícias saída num Jornal não passou de um recanto de uma coluna, quando deveria ter sido à largura das quatro colunas -, entrou em vigor uma legislação que obriga os proprietários de prédios assegurar a reabilitação dos mesmos, quando necessitam de obras, e caso os respectivos donos não tenham meios financeiros para o fazer, havendo a devida ajuda camarária, após quatro meses das mesmas concluídas, terão de colocá-los para arrendamento.
Esta, uma forma de voltar a verificar-se, especialmente em Lisboa, aquilo que anos atrás era bastante corrente observarem-se nos vidros das janelas dos prédios os quadrados de papel colados (ou triângulos, quando se tratavam de casas mobiladas), permitindo as visitas de eventuais interessados ou simples curiosos em arrendar (que ocupavam os domingos nessas passeatas de bisbilhotice), e quando não se tinha instalado ainda a tão aspirada compra a prazos de muitos anos e com os empréstimos dos bancos, o que veio a ser a grande vítima da famigerada crise e as preocupações depois decorrentes dos milhares de casais que se viram forçados e entregar o que se encontrava pouco pago e não existia maneira de completar o 0resto do compromisso.
Toda essa fuga dos jovens casais para os arredores da capital, pois no seio de Lisboa era quase impossível encontrar residências a preços aceitáveis, assim como se verificou o desaparecimento quase completo de andares para alugar, provocando o esvaziamento do movimento residencial na “baixa” e, por via disso, a desertificação que passou a existir constituiu um mal para a parte mais antiga e talvez mais bela da nossa cidade capital, esse panorama, que eu não escondi nos meus escritos, parece que mereceu agora a atenção de alguns poderes municipais que têm nas mãos fazer alguma coisa para alterar o que nunca deveria ter acontecido. Mas, claro, devendo existir a garantia de que as rendas são pagas a tempo, não deixando de ser exigidos fiadores que prestem a garantia de que não haverá atrasos ou fugas às obrigações dos ocupantes das casas alugadas.
Mas, finalmente, toda a proclamação que fiz do assunto não caiu em saco totalmente roto. Isso, se não se tratar de um simples fogo fátuo que ficará de novo no esquecimento e em que nada muda do mau que tem estado.
Não me quero intitular ser o condutor de ideias. Mas, segundo já houve quem dissesse uma vez de mim: tenho o defeito de ter razão antes de tempo!
E eu acrescento: e para que me tem servido isso?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

VOU OU NÃO VOU

Não fui, não vou, quero ir?
Pergunto-me sem saber
o caminho a tomar
há que experimentar
primeiro tenho de ver
se se pode conseguir
encontrar felicidade
esse prazer que se busca
e nem sempre s’encontrar
porque essa coisa d’amar
em novo ou com idade
é coisa que nos ofusca

Por fim, se vamos embora
se então nos atrevemos
se pomos pés ao caminho
e encontramos espinho
a partir d’então sabemos
que essa não é a hora
de seguir por essa via
há qu’escolher outra tal
com direcção diferente
que nos mostre que em frente
que não sendo bem igual
terá a sua mestria

P’ra qualquer sítio há que ir
ficar parado isso não
o movimento dá jeito
ajuda a encher o peito
e sempre dá ilusão
de se conseguir fugir
já não digo que não vou
mesmo sem saber o fim
atrevo-me a caminhar
logo vejo o que vai dar
se é algo de ruim
ou coisa que já passou

Se não vou ou já andei
é coisa que nem eu sei

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

SER HUMANO

É triste, mas é verdade
mesmo com muita idade
a esfera onde vivemos
em que toda a fé que temos
nos leva a acreditar
no pouco que vai mudar,
é mistério o futuro
tudo para lá é escuro
só nos resta ir vivendo
gozando o que vamos tendo

Mas enquanto cá andamos
mesmo se muito falamos
vidas não vão melhorando
e se tal for assim, quando?
as guerras, essas não param
há sempre os que disparam
para matar do outro lado
os que têm o mau fado
de não estar no sítio certo
quer vivam longe ou perto
porque o que importa é ganhar
diz quem anda a matar
sem saber bem porquê
pois aquilo que se vê
é que o ser humano é mau
impiedoso em alto grau

Pode ser que isto mude
que surja outra atitude
e que algo de eficaz
traga ao mundo então a paz.
Pode ser, não acredito,
mas basta estar-se aflito
para surgir solução
e passar a ser irmão
quem antes se detestava
e o Homem que não amava
passa a ser melhor amigo
só p’ra fugir ao perigo.

Mesmo que seja a fingir
e tendo até que fugir
mais vale isso do que a guerra
pois o mal da nossa Terra
é sofrer de muita inveja
e nunca achar que sobeja
tudo aquilo que já tem
o Homem, filho da mãe…

E o mundo, esse avança
não pára e não descansa
até que em certa altura
se acaba a fartura,
a agua é bem escasso
o ar falta no espaço
a terra deixa de dar
de comer e até o mar
farto de se explorado
diz que peixe foi riscado
do mapa das iguarias
pertence às velharias
e que o Homem, inventor,
descobre que com pastilhas
se come como as ervilhas.

E o ser humano, então,
aprenderá a lição
de que o mundo encheu de mais
e que tais biliões, tais,
de gente que já não cabe
e rejeita que não sabe
que o fim é inevitável
e que pr’a ser habitável
vê que o caminho a seguir
é só o de reduzir
todos aqueles que sobram
e que, por estarem cá… cobram !
,


COPENHAGA RESOLVE?



ARRANCA hoje em Copenhaga, na Dinamarca, a conferência levada a cabo pela ONU que tem como propósito discutir o sucessor do Protocolo de Quioto, o que definiu a redução da emissão de gases com efeito de estufa que existem na atmosfera e os quais são responsáveis pelas más condições de vida na Terra.
Não tendo sido conseguida essa diminuição de tamanha concentração de CO2, a qual surgiu em enorme profusão com a Revolução Industrial, os perigos em que o Mundo está envolvido fazem com que comecem a preocupar certas organizações internacionais, as quais, não tendo força suficiente para transmitir tal inquietação aos responsáveis governamentais de vários países, conseguiram agora movimentar milhares de pessoas que saíram na ultima semana à rua em diversas cidades europeias clamando por um acordo climático global, exigindo aos líderes mundiais o cumprimento das promessas feitas no que se refere a ser feito um protocolo climático indispensável para que o enorme perigo do aquecimento global em que vive toda a Esfera terrestre seja controlado. A presença prometida de Barak Obama no encerramento da referida Conferência prestará, sem dúvida, maior importância ao que ali ficar definido e servirá de garantia que os E.U.A., um dos países que mais contribui para a “sujidade” do Planeta, não vai deixar de ter um cuidado particular na parte que lhe cabe. Seria bom que a China seguisse esse exemplo, por ser também um poluidor de grande volume.
É fundamental que cada cidadão que ocupa o seu respectivo espaço no local onde vive tome atenção de que, se as coisas continuarem como até aqui, isto é, se individualmente não existir uma consciencialização de que o lixo que produz, a sujidade do ar que provoca, o derrube de árvores e a não criação de novos espaços verdes que substituam rapidamente o que tem vindo a ser destruído para substituição por cidades, constituindo poluições de toda a espécie, então, num espaço de tempo que não é possível determinar com rigor, mas que não virá muito longe, assistiremos ao que já hoje é uma realidade, e à subida de temperatura de uma forma geral, o que está a provocar com enorme rapidez o desfasamento dos icebergs nos pólos e a subida das águas dos oceanos que, conforme avisam os cientistas, pode vir a inundar cidades que se situem mais perto do espaço marítimo. E, neste caso, o nosso País, que se encontra banhado em seu redor pelo lindo Atlântico, será uma das parcelas da Terra que sofrerá em primeira-mão as consequências do referido aumento da altura dos mares. Lisboa, naturalmente, poderá assistir a uma espécie de repetição daquilo de que foi vítima na altura do Terramoto de 1755, em que, segundo os historiadores, as águas subiram a tal ponto que deram origem ao dito popular de “ré-vés Campo de Ourique”.
Ainda que, no caso português, a grande maioria da população seja de idade avançada, portanto liberta provavelmente do caos que poderá ocorrer dentro de alguns anos devido às enchentes, mesmo assim é sua obrigação aconselhar os mais novos a não contribuírem para que o CO2 persista em aumentar, e com o seu exemplo mostrar que alguma coisa pode e deve ser feita individualmente.
Claro que o papel principal cabe às entidades governativas que, por diferentes vias, tem poder para não deixar que a situação, nesse particular, piore em relação ao que está. Mas, poderemos nós confiar nesses homens que têm a defesa do Ambiente a seu cargo? E, a propósito, exerceu com mestria, José Sócrates, um papel de relevo quando ocupou o lugar de ministro da referida pasta?

domingo, 6 de dezembro de 2009

QUEM SABE QUE O DIGA

Árvore amiga
que aí se encontra
sozinha, perdida
merece uma montra
quem a pôs ali?
quanto tempo tem?
nem mesmo sorri
não conhece ninguém
mas ela e milhões
em toda a Esfera
são nossos pulmões
limpam atmosfera
o Homem porém
esse desalmado
nem cabeça tem
despreza o legado
corta, corta, corta
a árvore amiga
que depois de morta
lhe enche barriga
mas deixa-o sem ar
sem chuva preciosa
isso vai pagar
em época dolorosa.

Quero vê-la aí
arvore bem de pé
e passar por si
dizer-lhe um olé
dar-lhe de beber
feliz por enquanto
vendo-a crescer
até que o encanto
deixe de existir
por obra do Homem

Florestas imensas
são cada vez menos
curaram doenças
mostraram terrenos
quando as cortaram
sem complacência
não se importaram
com a sua ausência
mas o ambiente
que muito se queixa
é ele que sente
e cada vez nos deixa
pobres e mais pobres
da boa Natureza
julgando-nos nobres
mas é a fraqueza
aquilo que fica
para que o futuro
que já não estica
não seja seguro.

Oh árvore isolada
que dá o exemplo
mesmo maltratada
serve de exemplo
essa ou outra qualquer
deve servir de amostra
é como uma mulher
que bem demonstra
que mãe querendo ser
ter um filho seu
acaba por morrer
sem ver o que deu.

O futuro aguarda
as mãos esfregando
não é atoarda
é só saber quando
em que as invenções
são postas à prova
em que os sabichões
mostrem coisa nova
o que substitua
a linda madeira
e se conclua
que foi uma asneira
as árvores amar
pois falta não fazem
nem para respirar
pois o ar que trazem
alguém o dará
um Deus, um Allah…

Quem sabe que o diga
mas opinião amiga






A POLÍTICA TAMBÉM TEM TEATRO



PERANTE o que se está a verificar na Assembleia da República, em que tanto o Partido Socialista como as Oposições não mostram um comportamento de compreensão das suas responsabilidades e, em vez de procurarem encontrar soluções para os graves problemas que temos de enfrentar no nosso País, pelo contrário só dão mostras de enfrentamento, não procurando medidas que, mesmo não satisfazendo os interesses de cada uma das partes, pelo menos irão ao encontro do interesse do País, face a tal panorama que parece vir a ser, em breve, uma situação que surgirá perante todos os portugueses, é a queda do Governo, seja por sua própria iniciativa ou porque, dentro das regras que a Constituição admite, o Chefe do Estado recorrer à dissolução da Assembleia da República que resultará na imposição de novas eleições.
O problema, porém, é que, para efeitos de escolha por parte dos eleitores, o maior partido da Oposição, o PSD, atravessa nesta altura uma luta interna que não oferece perspectivas de poder vir a ser uma força credível que possa atrair a confiança dos portugueses. E, perante tal situação, com um Partido Socialista que também não teve uma actuação governamental com maior absoluta merecedora de elogio e agora sem saber levar a sua avante neste estado de maioria relativa, o que se deparará aos eleitores será uma confusão política que, provavelmente, dará a vitória às abstenções, o que não constitui, de forma alguma, uma resposta que seja a mais desejável num Estado democrático.
A Justiça que temos por cá também não ajuda nada a que se crie um clima de acalmia e de confiança num futuro próximo. Todos os problemas que têm vindo a lume, sobretudo aqueles em que, com razão ou sem ela, o nome de José Sócrates se encontra envolvido nos casos, essa falta de respeito por figuras públicas que deveriam manter uma postura de completo afastamento de dúvidas, todo o panorama que se vive não facilita uma disposição popular de correr às urnas para deixar a sua preferência. A péssima Justiça que temos e que não há ninguém que seja capaz de lhe meter a mão e de resolver de vez a doença – e é verdade que o sistema democrático não facilita a solução, embora não o impeça -, essa realidade tem muitas culpas de grande parte dos problemas que nos assolam.
Seria bom, perante tudo isto, que as Oposições se organizassem, tomassem consciência da enorme responsabilidade que lhes cabe e, especialmente o Partido Social Democrático, pusesse de parte as baronias e encontrasse um líder que conseguisse unificar as tendências egoístas que ocorrem no seu seio.
Da mesma forma, o PS, deixando de venerar em demasia o seu secretário-geral, chamando-o à realidade de lhe competir ter maiores ouvidos e menor umbigo, também a este grupo político deveria chegar um maior sentido da realidade nacional.
Claro que esta cena tem como pano de fundo a realização em breve de novas eleições, o que ninguém pode garantir que seja esta a peça que estará para ser representada. O ideal é que os protagonistas do espectáculo que se avisa que pode ser anunciado se entendam entre si e não venha a ser necessário apresentá-lo, pelo menos pelos tempos próximos. É sinal de que o que se encontra nesta altura em palco ainda consegue obter a satisfação do público, mesmo que não aplauda em demasia e não esteja a achar grande graça às piadas que vão sendo apresentadas.

sábado, 5 de dezembro de 2009

VALER A PENA

O Pessoa é que sabia
é sua a bonita frase
no café onde escrevia
usou isso como base
se a alma não é pequena
é preciso experimentar
se de facto vale a pena
na vida assim caminhar

Mas da alma a medida
é coisa que não se apura
nos caminhos desta vida
ainda que com candura
muita coisa faz sentir
que algo vale a pena
pelo menos o sorrir
mesmo com alma pequena

O poeta é assim
descobre no infinito
tal como fazer jardim
sem o menor requisito
mas inventar frases belas
que soam bem ao ouvido
como atirar às donzelas
canções sem menor sentido

O Fernando que adoramos
um génio na nossa escrita
que brilhou em vários ramos
sendo longa a sua pista
nisto da alma medida
de ser grande ou ser pequena
em mim não obtém guarida
acho que não vale a pena

DÍVIDAS A RODOS



NÃO CONSIGO escrever, em dias seguidos, textos que transmitam boas notícias aos meus leitores. E, a propósito, bem gostaria que fossem aos milhares, pois habituado que estive, durante toda a minha vida de jornalista, a saber que os jornais onde escrevia tinham grande audiência, agora, sujeito a um blogue, pouco sei de quem me lê e alguns até me enviam comentários (por sinal um deles, que não se identifica, e que utiliza a má criação, no que está no seu direito…), mais valendo existirem do que ficarem na mudez.
Mas, como também acabei de escrever um poema longo, intitulado LUSOFONIA, que foi inspirado no Lusíadas, de Camões, pois claro, e que tem também 10 cantos, e estou a terminar um outro, este inspirado pela Mensagem, de Fernando Pessoa, com o título RECADO, ambos que talvez fiquem para publicar depois do meu “passamento”, caso nessa altura já haja algum editor que entenda que merece tal divulgação e então aparecerá a lume, mas, dizia eu, como tenho estado ocupado com essa tarefa só debito neste espaço o que vem saliente na Imprensa e que não deve ficar no esquecimento, dada a importância que representa para os portugueses comuns.
Começa a verificar-se que os responsáveis do Governo já não circundam tanto os problemas do País e já os apontam, embora com certa relutância. O homem das Finanças, apertado no Parlamento, não escondeu que o défice global das contas públicas não estará abaixo dos 8%, que representa cerca de 140 mil milhões de euros e que esse “buraco” ainda subirá. E isto quer dizer que cada português tem o encargo às costas de 1.380 euros. E terminou por “pedir” aos deputados das Oposições para aprovarem o Orçamento Rectificativo, caso contrário, segundo suas palavras, o Governo não terá possibilidade de pagar as despesas que lhe competem…
É preciso acrescentar algo mais a esta declaração do responsável pelas Finanças públicas? Faz falta dizer que estamos em estado de falência?
Por outro lado, no que diz respeito ao caso do Banco Privado Português, já ficou claro que a dívida que o BPP tem não é suportável pelos activos da mesma instituição que tem a porta fechada. Traduzido em miúdos, quer dizer que os depositantes que não conseguem reaver os seus dinheiros bem podem perder as esperanças de, algum dia, poderem ver resolvido o seu prejuízo.
E por aqui me fico. Mais um dia com palavras de desconsolo. E sem poder deixar sinais de esperança, que é coisa que eu também não consigo descobrir no horizonte.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O QUE NÃO SE FEZ

Estou
e não estou
e eu sei que vou
quem tanto andou
e se cansou
agora não dou
não tenho para dar
não sei agradar
o que devo é ficar
no mesmo lugar
perdi os anseios
os raros receios
não encontro os meios
descobrir recreios
mesmo belos seios
agora é só ir
não é para fugir
há que reagir
sem nunca carpir
porque a seguir
o que resta é rir



IMPOSTOS, SEMPRE IMPOSTOS!



A POUCO e pouco vão aparecendo as medidas que o Governo diz ser obrigado a tomar para fazer face aos enormes desequilíbrios financeiros que continuam a verificar-se e que não apresentam sinais de efectuar uma inversão de marcha, antes pelo contrário, cada vez dão mais sinais de aumentarem. Agora, a notícia que surgiu sub-repticiamente de que o tecto para as despesas de saúde, que podem ser deduzidas do IRS pelos contribuintes, vai deixar de ser de 30 por cento, não se sabendo ainda para quanto passará essa ajuda em 2010, pelo que esse corte representa uma contra-partida do que o Governo garantiu de que não aumentará os impostos no próximo ano, esta notícia também não é animadora.
A carga fiscal que, entre nós, já se situa na casa dos 36,4 por cento do PIB (em Espanha é de 37,2), constitui, para o baixo nível de vida que suportam os portugueses, um peso difícil de suportar, mas, face ao que sucede nas nossas barbas, aos roubos infames que se praticam nas altas esferas, não pode deixar de constituir uma afronta tudo que representa diminuir ainda mais os parcos rendimentos dos lusitanos.
Só ao tomar conhecimento de que, no caso escandaloso do Banco Português de Negócios, o desvio que ali foi efectuado totaliza 9,7 mil milhões de euros, num esquema que envolveu alguns dos administradores que, desde 2003, se encheram e, por enquanto, só um se encontra detido mas a aguardar ainda julgamento, perante este caso que se pode juntar a tantos outros que se mantêm escondidos, vir-nos o governador do Banco de Portugal dar indícios de que se necessita recorrer a aumento de impostos para suportar os encargos estatais, podendo ser um facto real – e parece até que é -, torna ainda mais infelizes os naturais deste País à beira mar plantado.
Claro que os erros que têm sido cometidos pelos governantes não devem ser apontados apenas ao que é chefiado por José Sócrates, se bem que este seja o que está mais perto da nossa memória e tem mostrado inúmeros defeitos piorados na nossa paciência pela sua arrogância. Já vem de trás o mal que estamos a pagar e que os vindouros encontrarão quando chegar a sua vez. O caso dos submarinos em que Paulo Portas, quando exerceu as funções de ministro da Defesa, comprometeu os nosso dinheiros e que foi produto de um contrato de aquisição, em 21 de Abril de 2004 com um custo que ascende a mais de 830 milhões de euros, esta bizarria que, ainda por cima, está a ser alvo de uma investigação por parte do DCIAP, em que já foram constituídos dez arguidos, sete portugueses e três alemães por suspeita de corrupção, este berbicacho vai dar ainda pano para mangas e também faz parte do grandioso grupo de gastos indevidos que têm de ser compensados pelo sacrifício dos contribuintes.
Vai ficar na História futura a descrição de um período em que uns tantos se encarregaram de pretender demonstrar que a Democracia foi pior do que a horrorosa ditadura em que vivemos, nós os que somos desse tempo.
Por tudo isso não há perdão que lhes caiba.