TIVE de eliminar o meu texto, com data do dia 8 deste mês, intitulado Combate à Corrupção, porque quis introduzir uma reprodução das capas das minhas duas obras por editar, a LUSOFONIA e o RECADO, a primeira com inspiração de Os Lusíadas e a outra, por ter sido também inspirado pela Mensagem, de Fernando Pessoa.
Aqui deixo essas duas capas feitas no computador, porque se existir um editor que as deseje publicar, então será outro o aspecto.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
FUTURO - QUE MISTÉRIO?
Cheguei a uma altura
em que ando pelo mundo
sem saber para onde olhar
já não me interessa a figura
nem procuro ver o fundo
para onde vou ficar
Para trás foi o que foi
já nada será mudado
não vale a pena lembrar
e se agora algo dói
o melhor é pôr de lado
e o futuro adivinhar
Mas futuro? Que mistério!
Nesta ânsia de escrever
acumular prosa e verso
já não é nada de sério
mesmo dando algum prazer
serve tanto como um terço
em que ando pelo mundo
sem saber para onde olhar
já não me interessa a figura
nem procuro ver o fundo
para onde vou ficar
Para trás foi o que foi
já nada será mudado
não vale a pena lembrar
e se agora algo dói
o melhor é pôr de lado
e o futuro adivinhar
Mas futuro? Que mistério!
Nesta ânsia de escrever
acumular prosa e verso
já não é nada de sério
mesmo dando algum prazer
serve tanto como um terço
COMBATE Á CORRUPÇÃO

ESTÁ o Parlamento com o encargo de encontrar uma resposta ao problema que tanto tem dado que falar nos últimos tempos, se bem que se trate de uma matéria que vem de longe, que deu mais nas vistas no decorrer do período democrático que se vive em Portugal, mas que também antes, na época da ditadura, ocorria com grande escala. Só que não surgia nas páginas dos jornais, porque existia uma coisa chamada Censura que não era para graças.
Refiro-me, está bem de ver, à proposta apresentada pelo PSD e que se sabe que os socialistas não votam contra, de ser criada uma comissão que fique com a responsabilidade de analisar e encontrar solução para acabar com a escalada da corrupção que atingiu foros de excessiva prática.
Bem se sabe que isto de ser criada uma comissão, de uma maneira geral significa a nomeação de uns tantos amigos e quem os escolhe, pois é sempre definida uma remuneração e umas tantas benesses que se encaixam na execução desses lugares. Não se sabe ainda se será este o caso, mas teremos de ficar com os olhos bem abertos para ir acompanhando a evolução dos resultados que forem saindo de tais escolhidos. Agora, que tais pessoas vão ter muito que fazer, lá isso têm.
Existem por aí, e até há pouco tempo estiveram escondidos nas gavetas, casos que representam valores elevadíssimos que cheiram a ter existido desvios de altas verbas que bastante falta fazem aos cofres do Estado. Ninguém se aprestou ainda para servir de testemunha, até porque, naturalmente, serão vários os beneficiados que se regalaram com comissões que foram atribuídas e esses coniventes não desejam, em qualquer caso, vir a dar nas vistas.
O exemplo da compra ao estrangeiro de submarinos e de helicópteros (até agora sem se entender com clareza porquê terem sido estes os armamentos considerados de primeira necessidade), aquisição essa sujeita a contrato de permuta, por parte dos exportadores estrangeiros, por valores consideráveis, ao não terem sido formalizados esses documentos de compra de forma a não deixar dúvidas ou fugas que permitissem o não cumprimento por parte dos fornecedores das suas obrigações. E o resultado é que, neste momento, Portugal é devedor de fabulosas verbas pela aquisição e não são cumpridas as obrigações das contrapartidas. Pergunta-se, então: as deficiências na elaboração dos contratos resultou, da nossa parte, de incompetência e de irresponsabilidade ou terá sido por fazer parte de uma artimanha de corrupção que, ao ter existido, têm, como sempre, de nela fazerem parte dois intervenientes – o corruptor e o corruptido.
O que se torna necessário é que não seja colocada uma pedra sobre este assunto e que, para dar início à sua actuação, a comissão que vai ser constituída no Parlamento inclua na sua tarefa esta estranha situação que nos foi criada. Estamos cá para ver.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
POETAS RESISTEM
Já foi tempo, isso já foi
em que a poesia invadia a vida
o que se dizia
aquilo que se escrevia
o que se vivia
estava cheio de poesia
e hoje que tanto se destrói
não há quem lhe dê guarida
Com toda a tecnologia
A velocidade, os avanços
O que se diz
Neste País
Não faz feliz
Não tem cariz
por isso a poesia
é só pr’os tansos
Porém, que pena
que tal texto doce
tenham partido
fugido
sumido
sem um gemido
saindo de cena
um bem escapou-se
Hoje o que mais importa
são as novas descobertas
várias
revolucionárias
originárias
imaginárias
é assim a vida torta
sempre com novos alertas
Mas a poesia, essa pobre
poucos lhe dão importância
desgraçada
escorraçada
desprezada
arrumada
perdeu o seu ar de nobre
mas nunca sua elegância
Enquanto houver quem a ame
mesmo que poucos existam
ainda que lhes chamem patetas
e lhes façam caretas
e só lhes paguem umas chetas
os poetas
nem impondo-lhes grosso açame
impedem qu’eles persistam
em que a poesia invadia a vida
o que se dizia
aquilo que se escrevia
o que se vivia
estava cheio de poesia
e hoje que tanto se destrói
não há quem lhe dê guarida
Com toda a tecnologia
A velocidade, os avanços
O que se diz
Neste País
Não faz feliz
Não tem cariz
por isso a poesia
é só pr’os tansos
Porém, que pena
que tal texto doce
tenham partido
fugido
sumido
sem um gemido
saindo de cena
um bem escapou-se
Hoje o que mais importa
são as novas descobertas
várias
revolucionárias
originárias
imaginárias
é assim a vida torta
sempre com novos alertas
Mas a poesia, essa pobre
poucos lhe dão importância
desgraçada
escorraçada
desprezada
arrumada
perdeu o seu ar de nobre
mas nunca sua elegância
Enquanto houver quem a ame
mesmo que poucos existam
ainda que lhes chamem patetas
e lhes façam caretas
e só lhes paguem umas chetas
os poetas
nem impondo-lhes grosso açame
impedem qu’eles persistam
VALE MAIS TARDE DO QUE NUNCA!

O TEMPO que levou para que os senhores que têm obrigação de andar atentos às deficiências que ocorrem no nosso País tivessem despertado da sonolência em que andam envolvidos há anos é coisa que custa muito a suportar. Refiro-me ao tema que constituiu, mais de uma vez, assunto dos meus escritos em diferentes órgãos públicos e que, segundo parece – ainda não tenho a certeza total, pois que a notícias saída num Jornal não passou de um recanto de uma coluna, quando deveria ter sido à largura das quatro colunas -, entrou em vigor uma legislação que obriga os proprietários de prédios assegurar a reabilitação dos mesmos, quando necessitam de obras, e caso os respectivos donos não tenham meios financeiros para o fazer, havendo a devida ajuda camarária, após quatro meses das mesmas concluídas, terão de colocá-los para arrendamento.
Esta, uma forma de voltar a verificar-se, especialmente em Lisboa, aquilo que anos atrás era bastante corrente observarem-se nos vidros das janelas dos prédios os quadrados de papel colados (ou triângulos, quando se tratavam de casas mobiladas), permitindo as visitas de eventuais interessados ou simples curiosos em arrendar (que ocupavam os domingos nessas passeatas de bisbilhotice), e quando não se tinha instalado ainda a tão aspirada compra a prazos de muitos anos e com os empréstimos dos bancos, o que veio a ser a grande vítima da famigerada crise e as preocupações depois decorrentes dos milhares de casais que se viram forçados e entregar o que se encontrava pouco pago e não existia maneira de completar o 0resto do compromisso.
Toda essa fuga dos jovens casais para os arredores da capital, pois no seio de Lisboa era quase impossível encontrar residências a preços aceitáveis, assim como se verificou o desaparecimento quase completo de andares para alugar, provocando o esvaziamento do movimento residencial na “baixa” e, por via disso, a desertificação que passou a existir constituiu um mal para a parte mais antiga e talvez mais bela da nossa cidade capital, esse panorama, que eu não escondi nos meus escritos, parece que mereceu agora a atenção de alguns poderes municipais que têm nas mãos fazer alguma coisa para alterar o que nunca deveria ter acontecido. Mas, claro, devendo existir a garantia de que as rendas são pagas a tempo, não deixando de ser exigidos fiadores que prestem a garantia de que não haverá atrasos ou fugas às obrigações dos ocupantes das casas alugadas.
Mas, finalmente, toda a proclamação que fiz do assunto não caiu em saco totalmente roto. Isso, se não se tratar de um simples fogo fátuo que ficará de novo no esquecimento e em que nada muda do mau que tem estado.
Não me quero intitular ser o condutor de ideias. Mas, segundo já houve quem dissesse uma vez de mim: tenho o defeito de ter razão antes de tempo!
E eu acrescento: e para que me tem servido isso?
Esta, uma forma de voltar a verificar-se, especialmente em Lisboa, aquilo que anos atrás era bastante corrente observarem-se nos vidros das janelas dos prédios os quadrados de papel colados (ou triângulos, quando se tratavam de casas mobiladas), permitindo as visitas de eventuais interessados ou simples curiosos em arrendar (que ocupavam os domingos nessas passeatas de bisbilhotice), e quando não se tinha instalado ainda a tão aspirada compra a prazos de muitos anos e com os empréstimos dos bancos, o que veio a ser a grande vítima da famigerada crise e as preocupações depois decorrentes dos milhares de casais que se viram forçados e entregar o que se encontrava pouco pago e não existia maneira de completar o 0resto do compromisso.
Toda essa fuga dos jovens casais para os arredores da capital, pois no seio de Lisboa era quase impossível encontrar residências a preços aceitáveis, assim como se verificou o desaparecimento quase completo de andares para alugar, provocando o esvaziamento do movimento residencial na “baixa” e, por via disso, a desertificação que passou a existir constituiu um mal para a parte mais antiga e talvez mais bela da nossa cidade capital, esse panorama, que eu não escondi nos meus escritos, parece que mereceu agora a atenção de alguns poderes municipais que têm nas mãos fazer alguma coisa para alterar o que nunca deveria ter acontecido. Mas, claro, devendo existir a garantia de que as rendas são pagas a tempo, não deixando de ser exigidos fiadores que prestem a garantia de que não haverá atrasos ou fugas às obrigações dos ocupantes das casas alugadas.
Mas, finalmente, toda a proclamação que fiz do assunto não caiu em saco totalmente roto. Isso, se não se tratar de um simples fogo fátuo que ficará de novo no esquecimento e em que nada muda do mau que tem estado.
Não me quero intitular ser o condutor de ideias. Mas, segundo já houve quem dissesse uma vez de mim: tenho o defeito de ter razão antes de tempo!
E eu acrescento: e para que me tem servido isso?
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
VOU OU NÃO VOU
Não fui, não vou, quero ir?
Pergunto-me sem saber
o caminho a tomar
há que experimentar
primeiro tenho de ver
se se pode conseguir
encontrar felicidade
esse prazer que se busca
e nem sempre s’encontrar
porque essa coisa d’amar
em novo ou com idade
é coisa que nos ofusca
Por fim, se vamos embora
se então nos atrevemos
se pomos pés ao caminho
e encontramos espinho
a partir d’então sabemos
que essa não é a hora
de seguir por essa via
há qu’escolher outra tal
com direcção diferente
que nos mostre que em frente
que não sendo bem igual
terá a sua mestria
P’ra qualquer sítio há que ir
ficar parado isso não
o movimento dá jeito
ajuda a encher o peito
e sempre dá ilusão
de se conseguir fugir
já não digo que não vou
mesmo sem saber o fim
atrevo-me a caminhar
logo vejo o que vai dar
se é algo de ruim
ou coisa que já passou
Se não vou ou já andei
é coisa que nem eu sei
Pergunto-me sem saber
o caminho a tomar
há que experimentar
primeiro tenho de ver
se se pode conseguir
encontrar felicidade
esse prazer que se busca
e nem sempre s’encontrar
porque essa coisa d’amar
em novo ou com idade
é coisa que nos ofusca
Por fim, se vamos embora
se então nos atrevemos
se pomos pés ao caminho
e encontramos espinho
a partir d’então sabemos
que essa não é a hora
de seguir por essa via
há qu’escolher outra tal
com direcção diferente
que nos mostre que em frente
que não sendo bem igual
terá a sua mestria
P’ra qualquer sítio há que ir
ficar parado isso não
o movimento dá jeito
ajuda a encher o peito
e sempre dá ilusão
de se conseguir fugir
já não digo que não vou
mesmo sem saber o fim
atrevo-me a caminhar
logo vejo o que vai dar
se é algo de ruim
ou coisa que já passou
Se não vou ou já andei
é coisa que nem eu sei
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
SER HUMANO
É triste, mas é verdade
mesmo com muita idade
a esfera onde vivemos
em que toda a fé que temos
nos leva a acreditar
no pouco que vai mudar,
é mistério o futuro
tudo para lá é escuro
só nos resta ir vivendo
gozando o que vamos tendo
Mas enquanto cá andamos
mesmo se muito falamos
mesmo com muita idade
a esfera onde vivemos
em que toda a fé que temos
nos leva a acreditar
no pouco que vai mudar,
é mistério o futuro
tudo para lá é escuro
só nos resta ir vivendo
gozando o que vamos tendo
Mas enquanto cá andamos
mesmo se muito falamos
vidas não vão melhorando
e se tal for assim, quando?
as guerras, essas não param
há sempre os que disparam
para matar do outro lado
os que têm o mau fado
de não estar no sítio certo
quer vivam longe ou perto
porque o que importa é ganhar
diz quem anda a matar
sem saber bem porquê
pois aquilo que se vê
é que o ser humano é mau
impiedoso em alto grau
Pode ser que isto mude
que surja outra atitude
e que algo de eficaz
traga ao mundo então a paz.
Pode ser, não acredito,
mas basta estar-se aflito
para surgir solução
e passar a ser irmão
quem antes se detestava
e o Homem que não amava
passa a ser melhor amigo
só p’ra fugir ao perigo.
Mesmo que seja a fingir
e tendo até que fugir
mais vale isso do que a guerra
pois o mal da nossa Terra
é sofrer de muita inveja
e nunca achar que sobeja
tudo aquilo que já tem
o Homem, filho da mãe…
E o mundo, esse avança
não pára e não descansa
até que em certa altura
se acaba a fartura,
a agua é bem escasso
o ar falta no espaço
a terra deixa de dar
de comer e até o mar
farto de se explorado
diz que peixe foi riscado
do mapa das iguarias
pertence às velharias
e que o Homem, inventor,
descobre que com pastilhas
se come como as ervilhas.
E o ser humano, então,
aprenderá a lição
de que o mundo encheu de mais
e que tais biliões, tais,
de gente que já não cabe
e rejeita que não sabe
que o fim é inevitável
e que pr’a ser habitável
vê que o caminho a seguir
é só o de reduzir
todos aqueles que sobram
e que, por estarem cá… cobram !
,
e se tal for assim, quando?
as guerras, essas não param
há sempre os que disparam
para matar do outro lado
os que têm o mau fado
de não estar no sítio certo
quer vivam longe ou perto
porque o que importa é ganhar
diz quem anda a matar
sem saber bem porquê
pois aquilo que se vê
é que o ser humano é mau
impiedoso em alto grau
Pode ser que isto mude
que surja outra atitude
e que algo de eficaz
traga ao mundo então a paz.
Pode ser, não acredito,
mas basta estar-se aflito
para surgir solução
e passar a ser irmão
quem antes se detestava
e o Homem que não amava
passa a ser melhor amigo
só p’ra fugir ao perigo.
Mesmo que seja a fingir
e tendo até que fugir
mais vale isso do que a guerra
pois o mal da nossa Terra
é sofrer de muita inveja
e nunca achar que sobeja
tudo aquilo que já tem
o Homem, filho da mãe…
E o mundo, esse avança
não pára e não descansa
até que em certa altura
se acaba a fartura,
a agua é bem escasso
o ar falta no espaço
a terra deixa de dar
de comer e até o mar
farto de se explorado
diz que peixe foi riscado
do mapa das iguarias
pertence às velharias
e que o Homem, inventor,
descobre que com pastilhas
se come como as ervilhas.
E o ser humano, então,
aprenderá a lição
de que o mundo encheu de mais
e que tais biliões, tais,
de gente que já não cabe
e rejeita que não sabe
que o fim é inevitável
e que pr’a ser habitável
vê que o caminho a seguir
é só o de reduzir
todos aqueles que sobram
e que, por estarem cá… cobram !
,
COPENHAGA RESOLVE?

ARRANCA hoje em Copenhaga, na Dinamarca, a conferência levada a cabo pela ONU que tem como propósito discutir o sucessor do Protocolo de Quioto, o que definiu a redução da emissão de gases com efeito de estufa que existem na atmosfera e os quais são responsáveis pelas más condições de vida na Terra.
Não tendo sido conseguida essa diminuição de tamanha concentração de CO2, a qual surgiu em enorme profusão com a Revolução Industrial, os perigos em que o Mundo está envolvido fazem com que comecem a preocupar certas organizações internacionais, as quais, não tendo força suficiente para transmitir tal inquietação aos responsáveis governamentais de vários países, conseguiram agora movimentar milhares de pessoas que saíram na ultima semana à rua em diversas cidades europeias clamando por um acordo climático global, exigindo aos líderes mundiais o cumprimento das promessas feitas no que se refere a ser feito um protocolo climático indispensável para que o enorme perigo do aquecimento global em que vive toda a Esfera terrestre seja controlado. A presença prometida de Barak Obama no encerramento da referida Conferência prestará, sem dúvida, maior importância ao que ali ficar definido e servirá de garantia que os E.U.A., um dos países que mais contribui para a “sujidade” do Planeta, não vai deixar de ter um cuidado particular na parte que lhe cabe. Seria bom que a China seguisse esse exemplo, por ser também um poluidor de grande volume.
É fundamental que cada cidadão que ocupa o seu respectivo espaço no local onde vive tome atenção de que, se as coisas continuarem como até aqui, isto é, se individualmente não existir uma consciencialização de que o lixo que produz, a sujidade do ar que provoca, o derrube de árvores e a não criação de novos espaços verdes que substituam rapidamente o que tem vindo a ser destruído para substituição por cidades, constituindo poluições de toda a espécie, então, num espaço de tempo que não é possível determinar com rigor, mas que não virá muito longe, assistiremos ao que já hoje é uma realidade, e à subida de temperatura de uma forma geral, o que está a provocar com enorme rapidez o desfasamento dos icebergs nos pólos e a subida das águas dos oceanos que, conforme avisam os cientistas, pode vir a inundar cidades que se situem mais perto do espaço marítimo. E, neste caso, o nosso País, que se encontra banhado em seu redor pelo lindo Atlântico, será uma das parcelas da Terra que sofrerá em primeira-mão as consequências do referido aumento da altura dos mares. Lisboa, naturalmente, poderá assistir a uma espécie de repetição daquilo de que foi vítima na altura do Terramoto de 1755, em que, segundo os historiadores, as águas subiram a tal ponto que deram origem ao dito popular de “ré-vés Campo de Ourique”.
Ainda que, no caso português, a grande maioria da população seja de idade avançada, portanto liberta provavelmente do caos que poderá ocorrer dentro de alguns anos devido às enchentes, mesmo assim é sua obrigação aconselhar os mais novos a não contribuírem para que o CO2 persista em aumentar, e com o seu exemplo mostrar que alguma coisa pode e deve ser feita individualmente.
Claro que o papel principal cabe às entidades governativas que, por diferentes vias, tem poder para não deixar que a situação, nesse particular, piore em relação ao que está. Mas, poderemos nós confiar nesses homens que têm a defesa do Ambiente a seu cargo? E, a propósito, exerceu com mestria, José Sócrates, um papel de relevo quando ocupou o lugar de ministro da referida pasta?
Não tendo sido conseguida essa diminuição de tamanha concentração de CO2, a qual surgiu em enorme profusão com a Revolução Industrial, os perigos em que o Mundo está envolvido fazem com que comecem a preocupar certas organizações internacionais, as quais, não tendo força suficiente para transmitir tal inquietação aos responsáveis governamentais de vários países, conseguiram agora movimentar milhares de pessoas que saíram na ultima semana à rua em diversas cidades europeias clamando por um acordo climático global, exigindo aos líderes mundiais o cumprimento das promessas feitas no que se refere a ser feito um protocolo climático indispensável para que o enorme perigo do aquecimento global em que vive toda a Esfera terrestre seja controlado. A presença prometida de Barak Obama no encerramento da referida Conferência prestará, sem dúvida, maior importância ao que ali ficar definido e servirá de garantia que os E.U.A., um dos países que mais contribui para a “sujidade” do Planeta, não vai deixar de ter um cuidado particular na parte que lhe cabe. Seria bom que a China seguisse esse exemplo, por ser também um poluidor de grande volume.
É fundamental que cada cidadão que ocupa o seu respectivo espaço no local onde vive tome atenção de que, se as coisas continuarem como até aqui, isto é, se individualmente não existir uma consciencialização de que o lixo que produz, a sujidade do ar que provoca, o derrube de árvores e a não criação de novos espaços verdes que substituam rapidamente o que tem vindo a ser destruído para substituição por cidades, constituindo poluições de toda a espécie, então, num espaço de tempo que não é possível determinar com rigor, mas que não virá muito longe, assistiremos ao que já hoje é uma realidade, e à subida de temperatura de uma forma geral, o que está a provocar com enorme rapidez o desfasamento dos icebergs nos pólos e a subida das águas dos oceanos que, conforme avisam os cientistas, pode vir a inundar cidades que se situem mais perto do espaço marítimo. E, neste caso, o nosso País, que se encontra banhado em seu redor pelo lindo Atlântico, será uma das parcelas da Terra que sofrerá em primeira-mão as consequências do referido aumento da altura dos mares. Lisboa, naturalmente, poderá assistir a uma espécie de repetição daquilo de que foi vítima na altura do Terramoto de 1755, em que, segundo os historiadores, as águas subiram a tal ponto que deram origem ao dito popular de “ré-vés Campo de Ourique”.
Ainda que, no caso português, a grande maioria da população seja de idade avançada, portanto liberta provavelmente do caos que poderá ocorrer dentro de alguns anos devido às enchentes, mesmo assim é sua obrigação aconselhar os mais novos a não contribuírem para que o CO2 persista em aumentar, e com o seu exemplo mostrar que alguma coisa pode e deve ser feita individualmente.
Claro que o papel principal cabe às entidades governativas que, por diferentes vias, tem poder para não deixar que a situação, nesse particular, piore em relação ao que está. Mas, poderemos nós confiar nesses homens que têm a defesa do Ambiente a seu cargo? E, a propósito, exerceu com mestria, José Sócrates, um papel de relevo quando ocupou o lugar de ministro da referida pasta?
domingo, 6 de dezembro de 2009
QUEM SABE QUE O DIGA
Árvore amiga
que aí se encontra
sozinha, perdida
merece uma montra
quem a pôs ali?
quanto tempo tem?
nem mesmo sorri
não conhece ninguém
mas ela e milhões
em toda a Esfera
são nossos pulmões
limpam atmosfera
o Homem porém
esse desalmado
nem cabeça tem
despreza o legado
corta, corta, corta
a árvore amiga
que depois de morta
lhe enche barriga
mas deixa-o sem ar
sem chuva preciosa
isso vai pagar
em época dolorosa.
Quero vê-la aí
arvore bem de pé
e passar por si
dizer-lhe um olé
dar-lhe de beber
feliz por enquanto
vendo-a crescer
até que o encanto
deixe de existir
por obra do Homem
Florestas imensas
são cada vez menos
curaram doenças
mostraram terrenos
quando as cortaram
sem complacência
não se importaram
com a sua ausência
mas o ambiente
que muito se queixa
é ele que sente
e cada vez nos deixa
pobres e mais pobres
da boa Natureza
julgando-nos nobres
mas é a fraqueza
aquilo que fica
para que o futuro
que já não estica
não seja seguro.
Oh árvore isolada
que dá o exemplo
mesmo maltratada
serve de exemplo
essa ou outra qualquer
deve servir de amostra
é como uma mulher
que bem demonstra
que mãe querendo ser
ter um filho seu
acaba por morrer
sem ver o que deu.
O futuro aguarda
as mãos esfregando
não é atoarda
é só saber quando
em que as invenções
são postas à prova
em que os sabichões
mostrem coisa nova
o que substitua
a linda madeira
e se conclua
que foi uma asneira
as árvores amar
pois falta não fazem
nem para respirar
pois o ar que trazem
alguém o dará
um Deus, um Allah…
Quem sabe que o diga
mas opinião amiga
que aí se encontra
sozinha, perdida
merece uma montra
quem a pôs ali?
quanto tempo tem?
nem mesmo sorri
não conhece ninguém
mas ela e milhões
em toda a Esfera
são nossos pulmões
limpam atmosfera
o Homem porém
esse desalmado
nem cabeça tem
despreza o legado
corta, corta, corta
a árvore amiga
que depois de morta
lhe enche barriga
mas deixa-o sem ar
sem chuva preciosa
isso vai pagar
em época dolorosa.
Quero vê-la aí
arvore bem de pé
e passar por si
dizer-lhe um olé
dar-lhe de beber
feliz por enquanto
vendo-a crescer
até que o encanto
deixe de existir
por obra do Homem
Florestas imensas
são cada vez menos
curaram doenças
mostraram terrenos
quando as cortaram
sem complacência
não se importaram
com a sua ausência
mas o ambiente
que muito se queixa
é ele que sente
e cada vez nos deixa
pobres e mais pobres
da boa Natureza
julgando-nos nobres
mas é a fraqueza
aquilo que fica
para que o futuro
que já não estica
não seja seguro.
Oh árvore isolada
que dá o exemplo
mesmo maltratada
serve de exemplo
essa ou outra qualquer
deve servir de amostra
é como uma mulher
que bem demonstra
que mãe querendo ser
ter um filho seu
acaba por morrer
sem ver o que deu.
O futuro aguarda
as mãos esfregando
não é atoarda
é só saber quando
em que as invenções
são postas à prova
em que os sabichões
mostrem coisa nova
o que substitua
a linda madeira
e se conclua
que foi uma asneira
as árvores amar
pois falta não fazem
nem para respirar
pois o ar que trazem
alguém o dará
um Deus, um Allah…
Quem sabe que o diga
mas opinião amiga
A POLÍTICA TAMBÉM TEM TEATRO

PERANTE o que se está a verificar na Assembleia da República, em que tanto o Partido Socialista como as Oposições não mostram um comportamento de compreensão das suas responsabilidades e, em vez de procurarem encontrar soluções para os graves problemas que temos de enfrentar no nosso País, pelo contrário só dão mostras de enfrentamento, não procurando medidas que, mesmo não satisfazendo os interesses de cada uma das partes, pelo menos irão ao encontro do interesse do País, face a tal panorama que parece vir a ser, em breve, uma situação que surgirá perante todos os portugueses, é a queda do Governo, seja por sua própria iniciativa ou porque, dentro das regras que a Constituição admite, o Chefe do Estado recorrer à dissolução da Assembleia da República que resultará na imposição de novas eleições.
O problema, porém, é que, para efeitos de escolha por parte dos eleitores, o maior partido da Oposição, o PSD, atravessa nesta altura uma luta interna que não oferece perspectivas de poder vir a ser uma força credível que possa atrair a confiança dos portugueses. E, perante tal situação, com um Partido Socialista que também não teve uma actuação governamental com maior absoluta merecedora de elogio e agora sem saber levar a sua avante neste estado de maioria relativa, o que se deparará aos eleitores será uma confusão política que, provavelmente, dará a vitória às abstenções, o que não constitui, de forma alguma, uma resposta que seja a mais desejável num Estado democrático.
A Justiça que temos por cá também não ajuda nada a que se crie um clima de acalmia e de confiança num futuro próximo. Todos os problemas que têm vindo a lume, sobretudo aqueles em que, com razão ou sem ela, o nome de José Sócrates se encontra envolvido nos casos, essa falta de respeito por figuras públicas que deveriam manter uma postura de completo afastamento de dúvidas, todo o panorama que se vive não facilita uma disposição popular de correr às urnas para deixar a sua preferência. A péssima Justiça que temos e que não há ninguém que seja capaz de lhe meter a mão e de resolver de vez a doença – e é verdade que o sistema democrático não facilita a solução, embora não o impeça -, essa realidade tem muitas culpas de grande parte dos problemas que nos assolam.
Seria bom, perante tudo isto, que as Oposições se organizassem, tomassem consciência da enorme responsabilidade que lhes cabe e, especialmente o Partido Social Democrático, pusesse de parte as baronias e encontrasse um líder que conseguisse unificar as tendências egoístas que ocorrem no seu seio.
Da mesma forma, o PS, deixando de venerar em demasia o seu secretário-geral, chamando-o à realidade de lhe competir ter maiores ouvidos e menor umbigo, também a este grupo político deveria chegar um maior sentido da realidade nacional.
Claro que esta cena tem como pano de fundo a realização em breve de novas eleições, o que ninguém pode garantir que seja esta a peça que estará para ser representada. O ideal é que os protagonistas do espectáculo que se avisa que pode ser anunciado se entendam entre si e não venha a ser necessário apresentá-lo, pelo menos pelos tempos próximos. É sinal de que o que se encontra nesta altura em palco ainda consegue obter a satisfação do público, mesmo que não aplauda em demasia e não esteja a achar grande graça às piadas que vão sendo apresentadas.
O problema, porém, é que, para efeitos de escolha por parte dos eleitores, o maior partido da Oposição, o PSD, atravessa nesta altura uma luta interna que não oferece perspectivas de poder vir a ser uma força credível que possa atrair a confiança dos portugueses. E, perante tal situação, com um Partido Socialista que também não teve uma actuação governamental com maior absoluta merecedora de elogio e agora sem saber levar a sua avante neste estado de maioria relativa, o que se deparará aos eleitores será uma confusão política que, provavelmente, dará a vitória às abstenções, o que não constitui, de forma alguma, uma resposta que seja a mais desejável num Estado democrático.
A Justiça que temos por cá também não ajuda nada a que se crie um clima de acalmia e de confiança num futuro próximo. Todos os problemas que têm vindo a lume, sobretudo aqueles em que, com razão ou sem ela, o nome de José Sócrates se encontra envolvido nos casos, essa falta de respeito por figuras públicas que deveriam manter uma postura de completo afastamento de dúvidas, todo o panorama que se vive não facilita uma disposição popular de correr às urnas para deixar a sua preferência. A péssima Justiça que temos e que não há ninguém que seja capaz de lhe meter a mão e de resolver de vez a doença – e é verdade que o sistema democrático não facilita a solução, embora não o impeça -, essa realidade tem muitas culpas de grande parte dos problemas que nos assolam.
Seria bom, perante tudo isto, que as Oposições se organizassem, tomassem consciência da enorme responsabilidade que lhes cabe e, especialmente o Partido Social Democrático, pusesse de parte as baronias e encontrasse um líder que conseguisse unificar as tendências egoístas que ocorrem no seu seio.
Da mesma forma, o PS, deixando de venerar em demasia o seu secretário-geral, chamando-o à realidade de lhe competir ter maiores ouvidos e menor umbigo, também a este grupo político deveria chegar um maior sentido da realidade nacional.
Claro que esta cena tem como pano de fundo a realização em breve de novas eleições, o que ninguém pode garantir que seja esta a peça que estará para ser representada. O ideal é que os protagonistas do espectáculo que se avisa que pode ser anunciado se entendam entre si e não venha a ser necessário apresentá-lo, pelo menos pelos tempos próximos. É sinal de que o que se encontra nesta altura em palco ainda consegue obter a satisfação do público, mesmo que não aplauda em demasia e não esteja a achar grande graça às piadas que vão sendo apresentadas.
sábado, 5 de dezembro de 2009
VALER A PENA
O Pessoa é que sabia
é sua a bonita frase
no café onde escrevia
usou isso como base
se a alma não é pequena
é preciso experimentar
se de facto vale a pena
na vida assim caminhar
Mas da alma a medida
é coisa que não se apura
nos caminhos desta vida
ainda que com candura
muita coisa faz sentir
que algo vale a pena
pelo menos o sorrir
mesmo com alma pequena
O poeta é assim
descobre no infinito
tal como fazer jardim
sem o menor requisito
mas inventar frases belas
que soam bem ao ouvido
como atirar às donzelas
canções sem menor sentido
O Fernando que adoramos
um génio na nossa escrita
que brilhou em vários ramos
sendo longa a sua pista
nisto da alma medida
de ser grande ou ser pequena
em mim não obtém guarida
acho que não vale a pena
é sua a bonita frase
no café onde escrevia
usou isso como base
se a alma não é pequena
é preciso experimentar
se de facto vale a pena
na vida assim caminhar
Mas da alma a medida
é coisa que não se apura
nos caminhos desta vida
ainda que com candura
muita coisa faz sentir
que algo vale a pena
pelo menos o sorrir
mesmo com alma pequena
O poeta é assim
descobre no infinito
tal como fazer jardim
sem o menor requisito
mas inventar frases belas
que soam bem ao ouvido
como atirar às donzelas
canções sem menor sentido
O Fernando que adoramos
um génio na nossa escrita
que brilhou em vários ramos
sendo longa a sua pista
nisto da alma medida
de ser grande ou ser pequena
em mim não obtém guarida
acho que não vale a pena
DÍVIDAS A RODOS

NÃO CONSIGO escrever, em dias seguidos, textos que transmitam boas notícias aos meus leitores. E, a propósito, bem gostaria que fossem aos milhares, pois habituado que estive, durante toda a minha vida de jornalista, a saber que os jornais onde escrevia tinham grande audiência, agora, sujeito a um blogue, pouco sei de quem me lê e alguns até me enviam comentários (por sinal um deles, que não se identifica, e que utiliza a má criação, no que está no seu direito…), mais valendo existirem do que ficarem na mudez.
Mas, como também acabei de escrever um poema longo, intitulado LUSOFONIA, que foi inspirado no Lusíadas, de Camões, pois claro, e que tem também 10 cantos, e estou a terminar um outro, este inspirado pela Mensagem, de Fernando Pessoa, com o título RECADO, ambos que talvez fiquem para publicar depois do meu “passamento”, caso nessa altura já haja algum editor que entenda que merece tal divulgação e então aparecerá a lume, mas, dizia eu, como tenho estado ocupado com essa tarefa só debito neste espaço o que vem saliente na Imprensa e que não deve ficar no esquecimento, dada a importância que representa para os portugueses comuns.
Começa a verificar-se que os responsáveis do Governo já não circundam tanto os problemas do País e já os apontam, embora com certa relutância. O homem das Finanças, apertado no Parlamento, não escondeu que o défice global das contas públicas não estará abaixo dos 8%, que representa cerca de 140 mil milhões de euros e que esse “buraco” ainda subirá. E isto quer dizer que cada português tem o encargo às costas de 1.380 euros. E terminou por “pedir” aos deputados das Oposições para aprovarem o Orçamento Rectificativo, caso contrário, segundo suas palavras, o Governo não terá possibilidade de pagar as despesas que lhe competem…
É preciso acrescentar algo mais a esta declaração do responsável pelas Finanças públicas? Faz falta dizer que estamos em estado de falência?
Por outro lado, no que diz respeito ao caso do Banco Privado Português, já ficou claro que a dívida que o BPP tem não é suportável pelos activos da mesma instituição que tem a porta fechada. Traduzido em miúdos, quer dizer que os depositantes que não conseguem reaver os seus dinheiros bem podem perder as esperanças de, algum dia, poderem ver resolvido o seu prejuízo.
E por aqui me fico. Mais um dia com palavras de desconsolo. E sem poder deixar sinais de esperança, que é coisa que eu também não consigo descobrir no horizonte.
Mas, como também acabei de escrever um poema longo, intitulado LUSOFONIA, que foi inspirado no Lusíadas, de Camões, pois claro, e que tem também 10 cantos, e estou a terminar um outro, este inspirado pela Mensagem, de Fernando Pessoa, com o título RECADO, ambos que talvez fiquem para publicar depois do meu “passamento”, caso nessa altura já haja algum editor que entenda que merece tal divulgação e então aparecerá a lume, mas, dizia eu, como tenho estado ocupado com essa tarefa só debito neste espaço o que vem saliente na Imprensa e que não deve ficar no esquecimento, dada a importância que representa para os portugueses comuns.
Começa a verificar-se que os responsáveis do Governo já não circundam tanto os problemas do País e já os apontam, embora com certa relutância. O homem das Finanças, apertado no Parlamento, não escondeu que o défice global das contas públicas não estará abaixo dos 8%, que representa cerca de 140 mil milhões de euros e que esse “buraco” ainda subirá. E isto quer dizer que cada português tem o encargo às costas de 1.380 euros. E terminou por “pedir” aos deputados das Oposições para aprovarem o Orçamento Rectificativo, caso contrário, segundo suas palavras, o Governo não terá possibilidade de pagar as despesas que lhe competem…
É preciso acrescentar algo mais a esta declaração do responsável pelas Finanças públicas? Faz falta dizer que estamos em estado de falência?
Por outro lado, no que diz respeito ao caso do Banco Privado Português, já ficou claro que a dívida que o BPP tem não é suportável pelos activos da mesma instituição que tem a porta fechada. Traduzido em miúdos, quer dizer que os depositantes que não conseguem reaver os seus dinheiros bem podem perder as esperanças de, algum dia, poderem ver resolvido o seu prejuízo.
E por aqui me fico. Mais um dia com palavras de desconsolo. E sem poder deixar sinais de esperança, que é coisa que eu também não consigo descobrir no horizonte.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
O QUE NÃO SE FEZ
Estou
e não estou
e eu sei que vou
quem tanto andou
e se cansou
agora não dou
não tenho para dar
não sei agradar
o que devo é ficar
no mesmo lugar
perdi os anseios
os raros receios
não encontro os meios
descobrir recreios
mesmo belos seios
agora é só ir
não é para fugir
há que reagir
sem nunca carpir
porque a seguir
o que resta é rir
e não estou
e eu sei que vou
quem tanto andou
e se cansou
agora não dou
não tenho para dar
não sei agradar
o que devo é ficar
no mesmo lugar
perdi os anseios
os raros receios
não encontro os meios
descobrir recreios
mesmo belos seios
agora é só ir
não é para fugir
há que reagir
sem nunca carpir
porque a seguir
o que resta é rir
IMPOSTOS, SEMPRE IMPOSTOS!

A POUCO e pouco vão aparecendo as medidas que o Governo diz ser obrigado a tomar para fazer face aos enormes desequilíbrios financeiros que continuam a verificar-se e que não apresentam sinais de efectuar uma inversão de marcha, antes pelo contrário, cada vez dão mais sinais de aumentarem. Agora, a notícia que surgiu sub-repticiamente de que o tecto para as despesas de saúde, que podem ser deduzidas do IRS pelos contribuintes, vai deixar de ser de 30 por cento, não se sabendo ainda para quanto passará essa ajuda em 2010, pelo que esse corte representa uma contra-partida do que o Governo garantiu de que não aumentará os impostos no próximo ano, esta notícia também não é animadora.
A carga fiscal que, entre nós, já se situa na casa dos 36,4 por cento do PIB (em Espanha é de 37,2), constitui, para o baixo nível de vida que suportam os portugueses, um peso difícil de suportar, mas, face ao que sucede nas nossas barbas, aos roubos infames que se praticam nas altas esferas, não pode deixar de constituir uma afronta tudo que representa diminuir ainda mais os parcos rendimentos dos lusitanos.
Só ao tomar conhecimento de que, no caso escandaloso do Banco Português de Negócios, o desvio que ali foi efectuado totaliza 9,7 mil milhões de euros, num esquema que envolveu alguns dos administradores que, desde 2003, se encheram e, por enquanto, só um se encontra detido mas a aguardar ainda julgamento, perante este caso que se pode juntar a tantos outros que se mantêm escondidos, vir-nos o governador do Banco de Portugal dar indícios de que se necessita recorrer a aumento de impostos para suportar os encargos estatais, podendo ser um facto real – e parece até que é -, torna ainda mais infelizes os naturais deste País à beira mar plantado.
Claro que os erros que têm sido cometidos pelos governantes não devem ser apontados apenas ao que é chefiado por José Sócrates, se bem que este seja o que está mais perto da nossa memória e tem mostrado inúmeros defeitos piorados na nossa paciência pela sua arrogância. Já vem de trás o mal que estamos a pagar e que os vindouros encontrarão quando chegar a sua vez. O caso dos submarinos em que Paulo Portas, quando exerceu as funções de ministro da Defesa, comprometeu os nosso dinheiros e que foi produto de um contrato de aquisição, em 21 de Abril de 2004 com um custo que ascende a mais de 830 milhões de euros, esta bizarria que, ainda por cima, está a ser alvo de uma investigação por parte do DCIAP, em que já foram constituídos dez arguidos, sete portugueses e três alemães por suspeita de corrupção, este berbicacho vai dar ainda pano para mangas e também faz parte do grandioso grupo de gastos indevidos que têm de ser compensados pelo sacrifício dos contribuintes.
Vai ficar na História futura a descrição de um período em que uns tantos se encarregaram de pretender demonstrar que a Democracia foi pior do que a horrorosa ditadura em que vivemos, nós os que somos desse tempo.
Por tudo isso não há perdão que lhes caiba.
A carga fiscal que, entre nós, já se situa na casa dos 36,4 por cento do PIB (em Espanha é de 37,2), constitui, para o baixo nível de vida que suportam os portugueses, um peso difícil de suportar, mas, face ao que sucede nas nossas barbas, aos roubos infames que se praticam nas altas esferas, não pode deixar de constituir uma afronta tudo que representa diminuir ainda mais os parcos rendimentos dos lusitanos.
Só ao tomar conhecimento de que, no caso escandaloso do Banco Português de Negócios, o desvio que ali foi efectuado totaliza 9,7 mil milhões de euros, num esquema que envolveu alguns dos administradores que, desde 2003, se encheram e, por enquanto, só um se encontra detido mas a aguardar ainda julgamento, perante este caso que se pode juntar a tantos outros que se mantêm escondidos, vir-nos o governador do Banco de Portugal dar indícios de que se necessita recorrer a aumento de impostos para suportar os encargos estatais, podendo ser um facto real – e parece até que é -, torna ainda mais infelizes os naturais deste País à beira mar plantado.
Claro que os erros que têm sido cometidos pelos governantes não devem ser apontados apenas ao que é chefiado por José Sócrates, se bem que este seja o que está mais perto da nossa memória e tem mostrado inúmeros defeitos piorados na nossa paciência pela sua arrogância. Já vem de trás o mal que estamos a pagar e que os vindouros encontrarão quando chegar a sua vez. O caso dos submarinos em que Paulo Portas, quando exerceu as funções de ministro da Defesa, comprometeu os nosso dinheiros e que foi produto de um contrato de aquisição, em 21 de Abril de 2004 com um custo que ascende a mais de 830 milhões de euros, esta bizarria que, ainda por cima, está a ser alvo de uma investigação por parte do DCIAP, em que já foram constituídos dez arguidos, sete portugueses e três alemães por suspeita de corrupção, este berbicacho vai dar ainda pano para mangas e também faz parte do grandioso grupo de gastos indevidos que têm de ser compensados pelo sacrifício dos contribuintes.
Vai ficar na História futura a descrição de um período em que uns tantos se encarregaram de pretender demonstrar que a Democracia foi pior do que a horrorosa ditadura em que vivemos, nós os que somos desse tempo.
Por tudo isso não há perdão que lhes caiba.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
VIVER A VIDA
O que é isso de viver
é ocupar uma data
devagar ou a correr
tormentosa ou pacata?
Deve ser algo de mais
ter até certa razão
com risos e com uns ais
a vida é uma ilusão
Que bom que nos iludamos
dá força p’ra sustentar
aquilo que nós amamos
E com o que dá azar
sempre nos aguentamos
com ilusões a pairar
é ocupar uma data
devagar ou a correr
tormentosa ou pacata?
Deve ser algo de mais
ter até certa razão
com risos e com uns ais
a vida é uma ilusão
Que bom que nos iludamos
dá força p’ra sustentar
aquilo que nós amamos
E com o que dá azar
sempre nos aguentamos
com ilusões a pairar
REFORMADOS

É O QUE FAZ ter razão antes de tempo. Já me referi a esta situação quando afirmei que, no meu caso, o ter-me sucedido o mesmo em diferentes ocasiões, só me trouxe críticas de outros que sempre assentam na esperança o futuro que os espera. E daí, depois, as desilusões, pois o esquecimento é geral em relação a quem previu, com tempo, o que poderia passar-se mais tarde.
Tenho aqui, neste espaço, prevenido acerca da situação altamente dramática do que não estará fora das conjecturas: o poder acontecer que os fundos da segurança social não venham a chegar para pagamento das reformas. Felizmente ainda não se atingiu este extremo, mas o que foi agora anunciado de que as pensões de 2010 vão sofrer um corte de 1,65% e que, aos 65 anos, os novos pensionistas terão de trabalhar mais dois a cinco meses para anular o efeito do factor de sustentabilidade, o qual, traduzido por miúdos, quer dizer que, segundo os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, os portugueses vivem, em média, 18 a 19 anos para além dos 65 de idade.
Temos de nos começar a habituar à ideia de que não vai ser num ambiente de completa facilidade que Portugal vai atravessar um período que, estando já a decorrer, tem muito de difícil contorno e que, se daqui até lá não forem tomadas medidas profundas e descomplexadas na área da governação, as piores situações não ficam fora das eventualidades.
Tendo-se alcançado essa percentagem tão pouco desejada dos dois dígitos no número de desempregados, já com 10,2 %, coisa que, algum tempo atrás, não era tão gravemente previsto, que dúvidas podem ainda persistir de que os descontos dos que têm trabalho são cada vez menores e as arrecadações para suportar as reformas vão também diminuindo.
E quem avisa, nosso amigo é. Não é por metermos a cabeça num saco e por taparmos os ouvidos com algodão, para não dizer o que é mais vulgar, o olharmos para o lado, que as maldições por que temos de atravessar não ocorram.
Bem gostaria de poder dizer coisas bem diferentes, mas não é tal que pressinto. E, neste exame, não estou sozinho. Cada dia que passa aumenta o número de gente com conhecimentos de economia que já não mostra receio em aparecer e dizer o que chama de verdades.
Tenho aqui, neste espaço, prevenido acerca da situação altamente dramática do que não estará fora das conjecturas: o poder acontecer que os fundos da segurança social não venham a chegar para pagamento das reformas. Felizmente ainda não se atingiu este extremo, mas o que foi agora anunciado de que as pensões de 2010 vão sofrer um corte de 1,65% e que, aos 65 anos, os novos pensionistas terão de trabalhar mais dois a cinco meses para anular o efeito do factor de sustentabilidade, o qual, traduzido por miúdos, quer dizer que, segundo os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, os portugueses vivem, em média, 18 a 19 anos para além dos 65 de idade.
Temos de nos começar a habituar à ideia de que não vai ser num ambiente de completa facilidade que Portugal vai atravessar um período que, estando já a decorrer, tem muito de difícil contorno e que, se daqui até lá não forem tomadas medidas profundas e descomplexadas na área da governação, as piores situações não ficam fora das eventualidades.
Tendo-se alcançado essa percentagem tão pouco desejada dos dois dígitos no número de desempregados, já com 10,2 %, coisa que, algum tempo atrás, não era tão gravemente previsto, que dúvidas podem ainda persistir de que os descontos dos que têm trabalho são cada vez menores e as arrecadações para suportar as reformas vão também diminuindo.
E quem avisa, nosso amigo é. Não é por metermos a cabeça num saco e por taparmos os ouvidos com algodão, para não dizer o que é mais vulgar, o olharmos para o lado, que as maldições por que temos de atravessar não ocorram.
Bem gostaria de poder dizer coisas bem diferentes, mas não é tal que pressinto. E, neste exame, não estou sozinho. Cada dia que passa aumenta o número de gente com conhecimentos de economia que já não mostra receio em aparecer e dizer o que chama de verdades.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
UTOPIA
Para que nos serve a utopia
P’ra nós próprios nos iludirmos ?
Será bom viver a fantasia
E no sonho fingir que partimos ?
Se calhar é, sim, grande prazer
Fugir do que à nossa volta anda
Pairar sem ter nada que fazer
Todas as maçadas pôr de banda
Utopia é a felicidade,
O ponto alto da liberdade,
O que se quer e não se alcança ?
Se assim é, temos o que queremos
Atingimos os bens mais supremos
E entramos no reino da Bonança
P’ra nós próprios nos iludirmos ?
Será bom viver a fantasia
E no sonho fingir que partimos ?
Se calhar é, sim, grande prazer
Fugir do que à nossa volta anda
Pairar sem ter nada que fazer
Todas as maçadas pôr de banda
Utopia é a felicidade,
O ponto alto da liberdade,
O que se quer e não se alcança ?
Se assim é, temos o que queremos
Atingimos os bens mais supremos
E entramos no reino da Bonança
CAVACO SILVA - PROPOSTA

PERANTE a situação amarga que não há maneira de a vermos ser combatida com medidas eficientes, que se sabe que não são fáceis de pôr em prática já que se deixou chegar tão longe o que talvez pudesse ter sido alguma coisa aliviado, mas que, por isso mesmo, implicam agora em soluções que têm de ser bem pensadas e, melhor ainda, executadas, face a tamanho problema que nos calhou em sina enfrentar é natural que surjam, nas opiniões de vários interessados pelo problema da política, as chamadas soluções que são julgadas por cada um como tratando-se do remédio possível para curar este doente que se chama Portugal. Ainda agora, um jornal diário de existência recente publicou, na mesma edição, o que chamou de “25 propostas para recuperar o País”. E foi interessante ter tomado contacto com o que cada um entende ser a maneira de colocar Portugal fora da crise em que se encontra.
Pois bem, se me é permitido, também acrescentarei neste blogue, para juntar ao que tenho vindo a afirmar em escritos anteriores, aquilo que eu considero ser algo que tem a sua importância e que, por razões que cada um defenderá, não vi ainda expresso em pontos de vista postos à disposição da leitura. Não se trata de uma cura, mas é uma análise que tem a ver com a actuação do nosso Presidente da República.
É certo que a Constituição é bem clara quando se refere aos poderes do Chefe do Estado. E, na condução directa da política, a sua intervenção resume-se a pedir explicações ao primeiro-ministro, a emitir-lhe as suas opiniões e, através delas, a dar mostras do seu agrado ou desagrado no respeitante à governação. Só em última análise e mediante o acatamento de diversos passos intermédios é que pode recorrer ao extremo do seu poder, que é o de demitir o Executivo.
Mas, muito antes disso, Cavaco Silva, neste caso, pode e deve falar ao povo. O seu afastamento do contacto com os cidadãos não é o comportamento ideal, especialmente se a maioria da população portuguesa dá mostras de um descontentamento que começa a poder considerar-se como perigosa, por poder resvalar para posições extremistas. E tanto as de Esquerda como as do outro lado não são boas conselheiras.
O Presidente já deveria ter utilizado os meios para recomendar à população o seu dever de não perder a confiança, que as dificuldades existem realmente e que elas não são ligeiras, mas que compete aos portugueses não contribuírem para que a situação piore ainda mais. A produção só aumenta e os custos da mesma serão mais baixos se os trabalhadores cumprirem o melhor possível a sua parte e derem o contributo que lhe cabe para que as falências diminuam tanto quanto possível. Aquilo que o Governo não é capaz de expor, até porque já perdeu a credibilidade mínima para ser levado em conta e porque os seus ministros, sobretudo os que saíram, dizem e desdizem sem deixarem margem para que sejam acreditados, poderá ainda Cavaco Silva conseguir, mesmo que a sua imagem e a sua dialéctica não sejam as mais adequadas para cair em condições ideais na cabeça dos portugueses. Mas é o que temos!
O Presidente deveria informar-se bem, junto até de personalidades que não ser situam na área da governação actual, quanto ao que deveria dizer publicamente, no sentido de tentar provocar estímulo e de afastar a desconfiança que se instalou na população. Mesmo que seja obrigado a abraçar temas que sejam desagradáveis para quem se encontra no teatro político, são as verdades que têm de ser ditas, sem hesitações e sem complexos. E tudo isso, em proclamações sucessivas, não apenas numa única conversa apressada, ficando-lhe bem tentar ser escutado pela maioria dos lusitanos que, nesta altura, andam muito descorçoados com os que se situam no comando governamental, com Sócrates à cabeça., que esse já não consegue ser ouvido senão pelos seus correligionários e os mais próximos. E as palavras do Presidente também poderiam e deveriam servir para chamar a atenção das Oposições, no sentido de lhes incutir o espírito da responsabilidade e não actuarem apenas com o fito de derrubarem o Governo a todo o custo.
Porque se essa fosse a solução nesta altura!...
E, bem a propósito para que não fique um amargo de boca na leitura deste texto, ainda que tendo que expandir o espaço que costuma ter o blogue que escrevo, não quero deixar passar a ocasião sem fazer referência à entrada em vigor do Tratado de Lisboa, que foi firmado no fim de semana que passou. Aqui vieram vários chefes de Estado e primeiros-ministros de diferentes países de língua lusa e castelhana. E foram bem recebidos como é costume da nossa maneira de ser. Pelo menos isso, é algo de que temos que nos vangloriar, pois se foi daqui que saíram as caravelas que descobriram o mundo e que é preciso que, de vez em quando, recordemos às sociedades modernas do mundo que essa honra ninguém nos pode recusar. É o que nos vale nesta altura, em que não conseguimos manter esse estatuto de sermos os primeiros. Haja esperança!...
Pois bem, se me é permitido, também acrescentarei neste blogue, para juntar ao que tenho vindo a afirmar em escritos anteriores, aquilo que eu considero ser algo que tem a sua importância e que, por razões que cada um defenderá, não vi ainda expresso em pontos de vista postos à disposição da leitura. Não se trata de uma cura, mas é uma análise que tem a ver com a actuação do nosso Presidente da República.
É certo que a Constituição é bem clara quando se refere aos poderes do Chefe do Estado. E, na condução directa da política, a sua intervenção resume-se a pedir explicações ao primeiro-ministro, a emitir-lhe as suas opiniões e, através delas, a dar mostras do seu agrado ou desagrado no respeitante à governação. Só em última análise e mediante o acatamento de diversos passos intermédios é que pode recorrer ao extremo do seu poder, que é o de demitir o Executivo.
Mas, muito antes disso, Cavaco Silva, neste caso, pode e deve falar ao povo. O seu afastamento do contacto com os cidadãos não é o comportamento ideal, especialmente se a maioria da população portuguesa dá mostras de um descontentamento que começa a poder considerar-se como perigosa, por poder resvalar para posições extremistas. E tanto as de Esquerda como as do outro lado não são boas conselheiras.
O Presidente já deveria ter utilizado os meios para recomendar à população o seu dever de não perder a confiança, que as dificuldades existem realmente e que elas não são ligeiras, mas que compete aos portugueses não contribuírem para que a situação piore ainda mais. A produção só aumenta e os custos da mesma serão mais baixos se os trabalhadores cumprirem o melhor possível a sua parte e derem o contributo que lhe cabe para que as falências diminuam tanto quanto possível. Aquilo que o Governo não é capaz de expor, até porque já perdeu a credibilidade mínima para ser levado em conta e porque os seus ministros, sobretudo os que saíram, dizem e desdizem sem deixarem margem para que sejam acreditados, poderá ainda Cavaco Silva conseguir, mesmo que a sua imagem e a sua dialéctica não sejam as mais adequadas para cair em condições ideais na cabeça dos portugueses. Mas é o que temos!
O Presidente deveria informar-se bem, junto até de personalidades que não ser situam na área da governação actual, quanto ao que deveria dizer publicamente, no sentido de tentar provocar estímulo e de afastar a desconfiança que se instalou na população. Mesmo que seja obrigado a abraçar temas que sejam desagradáveis para quem se encontra no teatro político, são as verdades que têm de ser ditas, sem hesitações e sem complexos. E tudo isso, em proclamações sucessivas, não apenas numa única conversa apressada, ficando-lhe bem tentar ser escutado pela maioria dos lusitanos que, nesta altura, andam muito descorçoados com os que se situam no comando governamental, com Sócrates à cabeça., que esse já não consegue ser ouvido senão pelos seus correligionários e os mais próximos. E as palavras do Presidente também poderiam e deveriam servir para chamar a atenção das Oposições, no sentido de lhes incutir o espírito da responsabilidade e não actuarem apenas com o fito de derrubarem o Governo a todo o custo.
Porque se essa fosse a solução nesta altura!...
E, bem a propósito para que não fique um amargo de boca na leitura deste texto, ainda que tendo que expandir o espaço que costuma ter o blogue que escrevo, não quero deixar passar a ocasião sem fazer referência à entrada em vigor do Tratado de Lisboa, que foi firmado no fim de semana que passou. Aqui vieram vários chefes de Estado e primeiros-ministros de diferentes países de língua lusa e castelhana. E foram bem recebidos como é costume da nossa maneira de ser. Pelo menos isso, é algo de que temos que nos vangloriar, pois se foi daqui que saíram as caravelas que descobriram o mundo e que é preciso que, de vez em quando, recordemos às sociedades modernas do mundo que essa honra ninguém nos pode recusar. É o que nos vale nesta altura, em que não conseguimos manter esse estatuto de sermos os primeiros. Haja esperança!...
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
COSTUME
Ao que nos costumamos
o difícil é mudar
parece bem como estamos
para quê pois variar?
O costume é um vício
nem é preciso pensar
representa benefício
porquê portanto mudar?
O costume da leitura
de comprar no mesmo lado
de não alterar figura
de preferir estar calado
cada um tem seu costume
e às vezes bem estranho
como usar um perfume
que só sai depois do banho
No comer se impõe também
o que nos habituamos
há quem olhe com desdém
pr’aquilo que nós gostamos
cada um e cada qual
tem seu costume de anos
até mesmo num casal
não há comunhão de manos
Quando se perde um costume
sendo hábito antigo
é com algum azedume
como quem perde um amigo
são os outros normalmente
que nos forçam a mudar
pois nunca nasce da gente
um costume afastar
o difícil é mudar
parece bem como estamos
para quê pois variar?
O costume é um vício
nem é preciso pensar
representa benefício
porquê portanto mudar?
O costume da leitura
de comprar no mesmo lado
de não alterar figura
de preferir estar calado
cada um tem seu costume
e às vezes bem estranho
como usar um perfume
que só sai depois do banho
No comer se impõe também
o que nos habituamos
há quem olhe com desdém
pr’aquilo que nós gostamos
cada um e cada qual
tem seu costume de anos
até mesmo num casal
não há comunhão de manos
Quando se perde um costume
sendo hábito antigo
é com algum azedume
como quem perde um amigo
são os outros normalmente
que nos forçam a mudar
pois nunca nasce da gente
um costume afastar
ADEGA MACHADO - UM SÍMBOLO

PODERIA não servir de tema para este blogue, porque outros acontecimentos de maior dimensão ocorrem cá pelo nosso País e seria natural que eu não me ocupasse dele com certo relevo. Mas serve de exemplo e, neste caso, a morte de uma andorinha pode significar que a Primavera está a atingir o seu fim.
Que quero eu dizer com esta espécie de metáfora? Pois que, assistindo nós ao encerramento, todos os dias, de grandes empresas com centenas de empregados, a notícia de que a Adega Machado, a tão antiga casa de fados do Bairro Alto, que vem desde 1937, fechou a suas portas, tendo deixado sem trabalho 28 pessoas, tal acontecimento poderá parecer que não constitui excessiva preocupação perante o panorama geral da Nação. Sobretudo, quem não vem de gerações anteriores, os que só circulam por Lisboa, sobretudo à noite, não ficarão muito impressionados com o fim triste que acaba de suceder com uma “catedral” da canção nacional. E isso compreende-se.
Mas o que tem de causar justificada tristeza naqueles que, ao longo da sua vivência, tiveram ocasião de frequentar aquele estabelecimento, nem que fosse apenas para escutar os fadinhos castiços cantados por diferentes vozes que fizeram parte do elenco da casa – e, desde 1937 foram v árias as gerações que gozaram desse privilégio -, esses não podem deixar de evidenciar a pena lhes causa o referido desaparecimento.
Porém, não é somente pelo facto de encerrar um estabelecimento comercial que nos poderemos lastimar. É o significado desse acontecimento, é a demonstração de que, em Portugal, as fábricas com muito pessoal, as firmas internacionais partindo para outras paragens, as empresas de boa dimensão, todos esses contribuintes para a economia portuguesa que não suportam os malefícios dessa crise que tem posto todo o mundo em polvorosa. Não, são também, as de pequeno volume de negócio, as que se encontram na área da distracção do Homem, as que oferecem momentos de prazer a nacionais e aos turistas, são igualmente essas que apagam a luz e fecham as portas, deixando um rastro de saudade que entristece ainda mais os portugueses, mesmo aqueles que só conheciam a Adega Machado de nome.
Andamos todos desorientados. E não entendemos completamente o que se está a passar. É que, ao mesmo tempo que se sucedem estes casos de falências sucessivas de empresas, surgiu a noticia de que os agentes de viagem nacionais regozijam com o facto das viagens para o Brasil na época do fim do ano estão quase esgotadas. Incompreensível! Será devido aos altos rendimentos de bastantes administradores e directores de empresas públicas, como veio agora difundida a notícia de que uns tantos levam todos os meses para casa escandalosos salários? Por exemplo, o pagamento do ordenado de Fernando Pinto atinge os 816 mil euros por ano, para além de ainda ter uma pensão (?) de 13.700 euros, assim como o de Faria de Oliveira, da Caixa Geral de Depósitos, cujo montante ascende a 700 mil euros, também com uma pensão de 115 mil, essas situações a que se juntam muitas outras de também protegidos pelas empresas em que o Estado interfere podem possivelmente explicar as excepções, que não são tão poucas como isso, que dão azo a que haja quem e veja passar a crise sem a menor preocupação. Revolta isto!
É este o panorama injusto que se vive nesta ponta da Europa. E eu quero lá saber que não seja só aqui, que o mesmo se passe noutros países! É aqui que nós vivemos e é aqui que exigimos que haja decência…
Que quero eu dizer com esta espécie de metáfora? Pois que, assistindo nós ao encerramento, todos os dias, de grandes empresas com centenas de empregados, a notícia de que a Adega Machado, a tão antiga casa de fados do Bairro Alto, que vem desde 1937, fechou a suas portas, tendo deixado sem trabalho 28 pessoas, tal acontecimento poderá parecer que não constitui excessiva preocupação perante o panorama geral da Nação. Sobretudo, quem não vem de gerações anteriores, os que só circulam por Lisboa, sobretudo à noite, não ficarão muito impressionados com o fim triste que acaba de suceder com uma “catedral” da canção nacional. E isso compreende-se.
Mas o que tem de causar justificada tristeza naqueles que, ao longo da sua vivência, tiveram ocasião de frequentar aquele estabelecimento, nem que fosse apenas para escutar os fadinhos castiços cantados por diferentes vozes que fizeram parte do elenco da casa – e, desde 1937 foram v árias as gerações que gozaram desse privilégio -, esses não podem deixar de evidenciar a pena lhes causa o referido desaparecimento.
Porém, não é somente pelo facto de encerrar um estabelecimento comercial que nos poderemos lastimar. É o significado desse acontecimento, é a demonstração de que, em Portugal, as fábricas com muito pessoal, as firmas internacionais partindo para outras paragens, as empresas de boa dimensão, todos esses contribuintes para a economia portuguesa que não suportam os malefícios dessa crise que tem posto todo o mundo em polvorosa. Não, são também, as de pequeno volume de negócio, as que se encontram na área da distracção do Homem, as que oferecem momentos de prazer a nacionais e aos turistas, são igualmente essas que apagam a luz e fecham as portas, deixando um rastro de saudade que entristece ainda mais os portugueses, mesmo aqueles que só conheciam a Adega Machado de nome.
Andamos todos desorientados. E não entendemos completamente o que se está a passar. É que, ao mesmo tempo que se sucedem estes casos de falências sucessivas de empresas, surgiu a noticia de que os agentes de viagem nacionais regozijam com o facto das viagens para o Brasil na época do fim do ano estão quase esgotadas. Incompreensível! Será devido aos altos rendimentos de bastantes administradores e directores de empresas públicas, como veio agora difundida a notícia de que uns tantos levam todos os meses para casa escandalosos salários? Por exemplo, o pagamento do ordenado de Fernando Pinto atinge os 816 mil euros por ano, para além de ainda ter uma pensão (?) de 13.700 euros, assim como o de Faria de Oliveira, da Caixa Geral de Depósitos, cujo montante ascende a 700 mil euros, também com uma pensão de 115 mil, essas situações a que se juntam muitas outras de também protegidos pelas empresas em que o Estado interfere podem possivelmente explicar as excepções, que não são tão poucas como isso, que dão azo a que haja quem e veja passar a crise sem a menor preocupação. Revolta isto!
É este o panorama injusto que se vive nesta ponta da Europa. E eu quero lá saber que não seja só aqui, que o mesmo se passe noutros países! É aqui que nós vivemos e é aqui que exigimos que haja decência…
