quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

CAVACO SILVA - PROPOSTA


PERANTE a situação amarga que não há maneira de a vermos ser combatida com medidas eficientes, que se sabe que não são fáceis de pôr em prática já que se deixou chegar tão longe o que talvez pudesse ter sido alguma coisa aliviado, mas que, por isso mesmo, implicam agora em soluções que têm de ser bem pensadas e, melhor ainda, executadas, face a tamanho problema que nos calhou em sina enfrentar é natural que surjam, nas opiniões de vários interessados pelo problema da política, as chamadas soluções que são julgadas por cada um como tratando-se do remédio possível para curar este doente que se chama Portugal. Ainda agora, um jornal diário de existência recente publicou, na mesma edição, o que chamou de “25 propostas para recuperar o País”. E foi interessante ter tomado contacto com o que cada um entende ser a maneira de colocar Portugal fora da crise em que se encontra.
Pois bem, se me é permitido, também acrescentarei neste blogue, para juntar ao que tenho vindo a afirmar em escritos anteriores, aquilo que eu considero ser algo que tem a sua importância e que, por razões que cada um defenderá, não vi ainda expresso em pontos de vista postos à disposição da leitura. Não se trata de uma cura, mas é uma análise que tem a ver com a actuação do nosso Presidente da República.
É certo que a Constituição é bem clara quando se refere aos poderes do Chefe do Estado. E, na condução directa da política, a sua intervenção resume-se a pedir explicações ao primeiro-ministro, a emitir-lhe as suas opiniões e, através delas, a dar mostras do seu agrado ou desagrado no respeitante à governação. Só em última análise e mediante o acatamento de diversos passos intermédios é que pode recorrer ao extremo do seu poder, que é o de demitir o Executivo.
Mas, muito antes disso, Cavaco Silva, neste caso, pode e deve falar ao povo. O seu afastamento do contacto com os cidadãos não é o comportamento ideal, especialmente se a maioria da população portuguesa dá mostras de um descontentamento que começa a poder considerar-se como perigosa, por poder resvalar para posições extremistas. E tanto as de Esquerda como as do outro lado não são boas conselheiras.
O Presidente já deveria ter utilizado os meios para recomendar à população o seu dever de não perder a confiança, que as dificuldades existem realmente e que elas não são ligeiras, mas que compete aos portugueses não contribuírem para que a situação piore ainda mais. A produção só aumenta e os custos da mesma serão mais baixos se os trabalhadores cumprirem o melhor possível a sua parte e derem o contributo que lhe cabe para que as falências diminuam tanto quanto possível. Aquilo que o Governo não é capaz de expor, até porque já perdeu a credibilidade mínima para ser levado em conta e porque os seus ministros, sobretudo os que saíram, dizem e desdizem sem deixarem margem para que sejam acreditados, poderá ainda Cavaco Silva conseguir, mesmo que a sua imagem e a sua dialéctica não sejam as mais adequadas para cair em condições ideais na cabeça dos portugueses. Mas é o que temos!
O Presidente deveria informar-se bem, junto até de personalidades que não ser situam na área da governação actual, quanto ao que deveria dizer publicamente, no sentido de tentar provocar estímulo e de afastar a desconfiança que se instalou na população. Mesmo que seja obrigado a abraçar temas que sejam desagradáveis para quem se encontra no teatro político, são as verdades que têm de ser ditas, sem hesitações e sem complexos. E tudo isso, em proclamações sucessivas, não apenas numa única conversa apressada, ficando-lhe bem tentar ser escutado pela maioria dos lusitanos que, nesta altura, andam muito descorçoados com os que se situam no comando governamental, com Sócrates à cabeça., que esse já não consegue ser ouvido senão pelos seus correligionários e os mais próximos. E as palavras do Presidente também poderiam e deveriam servir para chamar a atenção das Oposições, no sentido de lhes incutir o espírito da responsabilidade e não actuarem apenas com o fito de derrubarem o Governo a todo o custo.
Porque se essa fosse a solução nesta altura!...
E, bem a propósito para que não fique um amargo de boca na leitura deste texto, ainda que tendo que expandir o espaço que costuma ter o blogue que escrevo, não quero deixar passar a ocasião sem fazer referência à entrada em vigor do Tratado de Lisboa, que foi firmado no fim de semana que passou. Aqui vieram vários chefes de Estado e primeiros-ministros de diferentes países de língua lusa e castelhana. E foram bem recebidos como é costume da nossa maneira de ser. Pelo menos isso, é algo de que temos que nos vangloriar, pois se foi daqui que saíram as caravelas que descobriram o mundo e que é preciso que, de vez em quando, recordemos às sociedades modernas do mundo que essa honra ninguém nos pode recusar. É o que nos vale nesta altura, em que não conseguimos manter esse estatuto de sermos os primeiros. Haja esperança!...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

COSTUME

Ao que nos costumamos
o difícil é mudar
parece bem como estamos
para quê pois variar?
O costume é um vício
nem é preciso pensar
representa benefício
porquê portanto mudar?

O costume da leitura
de comprar no mesmo lado
de não alterar figura
de preferir estar calado
cada um tem seu costume
e às vezes bem estranho
como usar um perfume
que só sai depois do banho

No comer se impõe também
o que nos habituamos
há quem olhe com desdém
pr’aquilo que nós gostamos
cada um e cada qual
tem seu costume de anos
até mesmo num casal
não há comunhão de manos

Quando se perde um costume
sendo hábito antigo
é com algum azedume
como quem perde um amigo
são os outros normalmente
que nos forçam a mudar
pois nunca nasce da gente
um costume afastar

ADEGA MACHADO - UM SÍMBOLO



PODERIA não servir de tema para este blogue, porque outros acontecimentos de maior dimensão ocorrem cá pelo nosso País e seria natural que eu não me ocupasse dele com certo relevo. Mas serve de exemplo e, neste caso, a morte de uma andorinha pode significar que a Primavera está a atingir o seu fim.
Que quero eu dizer com esta espécie de metáfora? Pois que, assistindo nós ao encerramento, todos os dias, de grandes empresas com centenas de empregados, a notícia de que a Adega Machado, a tão antiga casa de fados do Bairro Alto, que vem desde 1937, fechou a suas portas, tendo deixado sem trabalho 28 pessoas, tal acontecimento poderá parecer que não constitui excessiva preocupação perante o panorama geral da Nação. Sobretudo, quem não vem de gerações anteriores, os que só circulam por Lisboa, sobretudo à noite, não ficarão muito impressionados com o fim triste que acaba de suceder com uma “catedral” da canção nacional. E isso compreende-se.
Mas o que tem de causar justificada tristeza naqueles que, ao longo da sua vivência, tiveram ocasião de frequentar aquele estabelecimento, nem que fosse apenas para escutar os fadinhos castiços cantados por diferentes vozes que fizeram parte do elenco da casa – e, desde 1937 foram v árias as gerações que gozaram desse privilégio -, esses não podem deixar de evidenciar a pena lhes causa o referido desaparecimento.
Porém, não é somente pelo facto de encerrar um estabelecimento comercial que nos poderemos lastimar. É o significado desse acontecimento, é a demonstração de que, em Portugal, as fábricas com muito pessoal, as firmas internacionais partindo para outras paragens, as empresas de boa dimensão, todos esses contribuintes para a economia portuguesa que não suportam os malefícios dessa crise que tem posto todo o mundo em polvorosa. Não, são também, as de pequeno volume de negócio, as que se encontram na área da distracção do Homem, as que oferecem momentos de prazer a nacionais e aos turistas, são igualmente essas que apagam a luz e fecham as portas, deixando um rastro de saudade que entristece ainda mais os portugueses, mesmo aqueles que só conheciam a Adega Machado de nome.
Andamos todos desorientados. E não entendemos completamente o que se está a passar. É que, ao mesmo tempo que se sucedem estes casos de falências sucessivas de empresas, surgiu a noticia de que os agentes de viagem nacionais regozijam com o facto das viagens para o Brasil na época do fim do ano estão quase esgotadas. Incompreensível! Será devido aos altos rendimentos de bastantes administradores e directores de empresas públicas, como veio agora difundida a notícia de que uns tantos levam todos os meses para casa escandalosos salários? Por exemplo, o pagamento do ordenado de Fernando Pinto atinge os 816 mil euros por ano, para além de ainda ter uma pensão (?) de 13.700 euros, assim como o de Faria de Oliveira, da Caixa Geral de Depósitos, cujo montante ascende a 700 mil euros, também com uma pensão de 115 mil, essas situações a que se juntam muitas outras de também protegidos pelas empresas em que o Estado interfere podem possivelmente explicar as excepções, que não são tão poucas como isso, que dão azo a que haja quem e veja passar a crise sem a menor preocupação. Revolta isto!
É este o panorama injusto que se vive nesta ponta da Europa. E eu quero lá saber que não seja só aqui, que o mesmo se passe noutros países! É aqui que nós vivemos e é aqui que exigimos que haja decência…

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

FELIZES E INFELIZES

Quando nós bramamos aos quatro ventos
infelicidade que nos calhou
não podemos esconder os lamentos
a que a má vida nos obrigou
queremos que saiba a maioria
o muito que sofremos nesta vida
o que é isso da grande agonia
o que nos coube na grande corrida

Só posso dizer num breve poema
que esse mal da infelicidade
que consideramos grave dilema
seria a maior felicidade
para os mais infelizes ainda
aqueles que não tendo mesmo nada
considerariam mudança linda
chamando a isso obra de fada

Não sejamos então grandes chorões
aceitemos aquilo que nos fez
sofrer constantemente abanões
e desfazendo as rugas da tez
chegar a este ponto cá da vida
trocar a nossa infelicidade
com tanta boa gente mais sofrida
p’ra eles seria felicidade

DESAPARECER



Vou ficando mais conformado à medida que o tempo passa e tomo contacto com as opiniões expressas por várias figuras da nossa praça, em textos, entrevistas e afirmações avulso que aparecem nos diferentes órgãos de comunicação social, e em que os desconsolos e as declarações pessimistas já não são escondidas. Pelos vistos, pois, já não me encontro isolado na análise do amargo caminhar que o nosso País percorre, embora seja com enorme tristeza que verifico que não ando enganado nas referências que tenho feito ao futuro que parece esperar-nos.
António Barreto, que já foi ministro após o 25 de Abril, deputado e dirigente partidário do PS, agora limitado a ser observador atento ao que se passa no nosso País, em entrevista publicada num diário não hesita em afirmar que “Portugal está à beira do desaparecimento” e não esconde que “se não houvesse Europa, já teríamos tido golpes de Estado”… Pode-se ser mais claro?
Quem segue diariamente os meus blogues sabe que, dito assim ou por outras palavras, semelhante estado de espírito já revelei e os comentários que me são dirigidos, poucos é certo, mostrando desacordo quanto às preocupações que, sendo legítimas, podem não atingir todos os portugueses, talvez reflictam melhor se virem aumentar o número (e a qualidade) de pessoas que não podem andar satisfeitas.
Com um Governo que já deu mostras de não ser capaz de exerce as suas funções sem contar com o suporte de uma maioria parlamentar – o que, de facto, não é coisa fácil – e com uma oposição que, aproveitando-se da ocasião que os votos lhe proporcionaram, só com uma abertura total para as negociações e para um saber escutar as opiniões dos outros é que o Executivo de Sócrates terá possibilidades de levar por diante a carga que aceitou e a qual não é de boa atitude patriótica que desista pelo caminho, sabendo-se que essa posição só iria criar um ainda mais pesado fardo para ser resolvido pelo nosso País.
Como já afirmei anteriormente, mesmo com a protecção da Europa comunitária, que tudo faria para ajudar a evitar que tal sucedesse no nosso País, não é garantido que estejamos livres desse perigo: o do golpe de Estado, à semelhança do que ocorreu na Primeira República.
Também, a hipótese de Portugal “desaparecer” será apenas uma força de expressão que António Barreto utilizou de passagem. E é pena que a Espanha também não atravesse nesta altura uma situação descansada no aspecto económico e financeiro. Mas, como se trata de um vizinho com uma dimensão que o deixa mais descansado e com um número de habitantes que quintuplica o nosso, as possibilidades de recuperação são muito maiores do que as nossas. Por isso, de braço dado e com as características individuais de cada região, a força que a Península Ibérica tem condições para atingir constituem a esperança de que essa ideia de “desaparecimento” de um País deve ser posta de lado.
É o que eu penso.

domingo, 29 de novembro de 2009

TRISTE LISBOA

Rua vazia
de gente viva
onde é que pára
população?
Eu bem queria
cidade activa
não fosse rara
certa tensão
mas não se vê
o movimento
a alegria
duma cidade
neste café
onde eu assento
não há quem ria
só alta idade
estamos pois
a caminhar
no tal sentido
do cemitério
p’ra um depois
um certo esgar
sem alarido.
Esta é a sina
de um País
em decadência
já sem vontade
força latina
nem cicatriz
se vê essência
cá na cidade
até faz sol
e pouco frio
o clima é bom
não é por isso
velho briol
sem desafio
perdeu o tom
e o feitiço
e as tabernas
que alegravam
já pouco existem
sem freguesia.
Há poucas pernas
que não integram
e não resistem
à correria
ruas bem tristes
de ti Lisboa
já não existes
já foste boa.

GASTOS DO ESTADO


JÁ ME referi, há bastante tempo, neste meu blogue, ao assunto do exagero dos gastos públicos com automóveis ao serviço de figuras detentoras de cargos oficiais e até dos motoristas que, em exclusivo, se encontram às ordens dos respectivos utilizadores. Mas, claro que os detentores do poder, aqueles que um dia (mais tarde ou mais cedo) terão forçosamente de prestar contas pela sua desgovernação, não ligam ao que se lhes aconselha e continuam na sua cega-rega enquanto detiverem nas mãos a possibilidade de serem eles a decidir. E refiro-me aos actuais, não esquecendo os anteriores e não confiando naqueles que virão a seguir. São tudo gente que, na ausência de um sentido de responsabilidade, sem uma Justiça que funcione neste País, apontando sempre para o lado os culpados dos erros que são praticados – e nesse lado nunca se encontra ninguém -, encolhem os ombros e lá vão continuando a fazer das suas.
Refiro-me ao abuso de compra e utilização de automóveis, muitos deles de alta cilindrada e de luxo, que são postos à disposição de entidades, sem haver ninguém que ponha cobro a tais exageros, isso em qualquer altura mas, evidentemente, no período que atravessamos e em que qualquer cabeça sabe que o País não suporta despesas que podem e devem ser contidas.
A nota refere-se ao Tribunal Constitucional que entendeu comprar carros de luxo para cada um dos juízes (que são 13 e de nomeação política), concretamente BMW, no valor total de 665.504 euros, acrescentando-se que este tribunal é o único onde os juízes têm direito a automóvel como parte de sua remuneração, ou seja, podem usá-lo a título pessoal…
Não vale a pena referir, mais uma vez, a situação da Justiça no nosso País, e o mau serviço que está a ser prestado aos cidadãos. Já nem é preciso tocar nesse ponto que é bem conhecido de todos os portugueses. Mas, já que a Democracia dá a liberdade de se apontarem os erros do sector oficial, pois que outra coisa não está nas mãos dos cidadãos, não deixemos de sublinhar todos os erros que chegam ao conhecimento dos que são obrigados – e bem – a cumprir com os seus impostos.
E aproveito esta ocasião para repetir o que também escrevi tempos atrás. É que, para além dos ministros e dos secretários de Estado que se compreendem que tenham um carro ao seu serviço e um motorista também em exclusivo, dessas funções para baixo e em regime de excepção o que se impõe nas circunstâncias actuais é que sejam criados serviços especiais numa garagem do Estado, onde se encontrem vários automóveis e motoristas disponíveis, e, sempre que um funcionário que tenha a classificação necessária para poder utilizar as viaturas oficiais, deveria efectuar a respectiva requisição bem fundamentada e a viatura que seria posta à disposição ocasional seria a que estivesse disponível e o motorista igualmente que se encontrasse nas suas funções. Isso dos automóveis atribuídos a personalidades deveria ter terminado a partir do momento em que a crise se instalou e começou a fazer os seus efeitos maléficos que se conhecem.
Então não seria compreensível que se tivesse tomado esta medida? Quanto se teria até agora poupado de dinheiros públicos? Alguém se teria que considerar como desprestigiado com essa actuação?
A última que veio a lume, do choque violento de dois automóveis de alta potência e grande luxo, em que o que se encontrava ao serviço do secretário-geral da Segurança Interna, indo a alta velocidade, embateu, na avenida da Liberdade, no que serve para o presidente da Assembleia da República, tendo ficado ambos destruídos, este acontecimento só serve para recordar que há, de facto, excessivos carros luxuosos ao dispor de demasiada gente importante.
Mas, uma vez mais, ninguém vai ligar a estas e outras recomendações. Os Sócrates deste País são muitos. Não é só ele…

sábado, 28 de novembro de 2009

CALVÁRIO

Há ou não razão p’ra desanimar
neste calvário imenso em que vivemos?
se um dia isto tiver de acabar
e d’algo pior ainda tememos
e não se passa só em Portugal
o mundo inteiro não está melhor
para se conseguir fugir do mal
tanto faz que se vá p’ra onde for

A Terra anda toda ela às voltas
acalmia é pouco que se encontra
pois muitos malvados andam às soltas
já não escapa nada em qualquer montra
e nas finanças grandes roubalheiras
na política grassa a corrupção
pouca vergonha já não tem fronteiras
ao nosso lado pode estar ladrão

Não é bem assim, dizem confiados
os que ainda não sofreram danos
mas um dia destes ficam calados
se os atingirem alguns fulanos
é que isto de trabalhar não dá
não é bastante p’ra levar a vida
se é isso que se passa por cá
é igual aos que vêm de fugida

Calvário da vida não chega a todos
há os que conseguem bem escapar
para uns tantos os terem a rodos
outros nunca precisam de suar
ainda bem, pois não é regra geral
o ser feliz é coisa que existe
para os que só enfrentam o mal
há sempre aquele que a tudo resiste

OPOSIÇÕES CONSCIENTES PRECISAM-SE



DEPOIS do negro panorama que pintei no meu blogue de ontem, bem rebusquei nas notícias que circulam por aí alguma que me propusesse matéria para redigir um texto que fosse a antítese do que foi posto ontem à disposição de leitura. Mas não encontrei nada desse tipo. E percorri toda a Imprensa e, nas televisões, saltitei por todos os canais nacionais e o mesmo sucedeu.
Um dos temas que mais amargura me causou foi o de, depois de ter assistido às justificadas lamúrias dos desempregados, eles e elas mas ainda maior número no sector feminino, me ter sido dado conhecimento dos salários que recebem dois dos participantes no caso “Face Oculta”, precisamente aqueles que se encontram suspensos das suas actividades por determinação judicial, Armando Vara e José Penedos, um que ainda faz parte do Conselho de administração do BCP e o outro que acabou de interromper a sua posição de presidente da REN.
Pois, embora seja difícil aceitar que, na fase que atravessamos, onde a maioria esmagadora do povo português se debate contra as carências de todos os níveis com que as famílias sofrem, se verifiquem pagamentos de ordenados do nível que se divulgou serem os das duas personagens em causa. São centenas de milhar de euros anuais que calham a cada um, mas o mesmo acontece com os companheiros de ambos nas actividades que desempenham. O que quer dizer, o que não é novidade para nenhum português que se arrasta por esta Terra, que os salários atribuídos na zona bancária superior e nas empresas com alguma ligação ao Estado (porque as outras, as privadas, não têm que ser incluídas neste julgamento), são umas mãos abertas que devem envergonhar aqueles que recebem e os que fazem parte do conluio porque aprovam esse comportamento.
Por outro lado, perante as medidas que estão a ser tomadas pelas oposições na Assembleia da República, o exemplo agora dado de terem sido vetadas disposições do Governo, agora que já não tem a maioria, tal passo pode querer representar que os governantes se encontram numa posição bem difícil e não poderá, em muitos casos, actuar nas mais apropriadas condições. Se é que é capaz.
É evidente que as oposições políticas existem para isso mesmo, para fiscalizar na Assembleia e para propor medidas que se apresentem de maior valor do que aquelas que os governantes sujeitem à votação. Mas o momento que atravessamos exige que todos os passos sejam dados com profunda consciência e que não é pior a emenda do que o soneto!
Todos sabemos que o partido de Sócrates, embora vencedor nas últimas eleições, não tendo obtido a maioria absoluta, se encontra agora com a obrigação de seguir o que a maioria parlamentar votar. E, como as condições de Portugal no campo da economia e das finanças pública – para não referir o sector social, com o enorme desemprego que nos afoga – são deveras inquietantes, muito perigosas mesmo, o que possa sair do Parlamento, se a soma dos votos das bancadas não corresponder a uma melhoria para os graves problemas que Portugal tem para enfrentar., então bem podemos estar preparados para tudo e que de bom não será.
Soframos mais um pouco!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

NÓS POR CÁ

É o que dizem os nossos emigrantes
os que lá longe
enviam notícias
e não querem desconsolar
os que deixaram
os que por aqui ficaram
e que não sabem se a aventura
valeu a pena
se o sacrifico vai compensar
se o mistério do desconhecido
não é tão difícil de suportar.

"Nós por cá todos bem
vamos vivendo tranquilos
os salários são suficientes
os pequenos andam nas escolas
a Maria e eu
levamos os trabalhos
com satisfação
os patrões gostam de ambos
vamos juntando um dinheirinho
e o que enviamos todos os meses
dá para ir avançando
com a casinha no nosso terreno
aí na terra.
Nas férias já veremos
como vão andando as obras
se já puseram as janelas da frente
se o Manel colocou as macieiras
para irem crescendo
para no Verão já vermos um ou outro
fruto pendurado.
E os velhinhos?

Temos muitas saudades deles
da Mãe, do Pai e da Avó
que ainda se vão aguentando.
Como nos lembramos
do bom vinho da adega
e das frescas couves que a horta nos dava
e das ricas farinheiras
penduradas na lareira!
Aqui temos de comprar tudo
nada sai das nossas mãos
o que não é a mesma coisa,
mas haja dinheiro
e esse não falta
graças a Deus.
Comprámos um carrinho
vamos levá-lo nas férias
e é muito lindo
tanto eu como a Maria
tirámos cá a carta de conduzir
e temos todos os nossos papéis em ordem.”

Até ao mês de Agosto
de vez em quando vem uma cartinha
que pouco acrescenta
pois a vida vai correndo
com normalidade
e só se espera que as dificuldades
que grassam por todo o mundo
não venham a atingir também
os emigrantes portugueses.

Muitas cartas destas
é o que se deseja
que continuem a ser recebidas.


PRESTAR CONTAS


POR muito que alguém, maldosamente, julgue o contrário, a minha grande aspiração é conseguir ver o nosso querido País, antes da minha partida final, entrar na via correcta e em que a sua população, que é apenas de cerca de dez milhões, consiga atingir a felicidade mínima que qualquer habitante tem direito a usufruir. Bem bastaram os quase nove séculos que constituíram, até hoje, toda a vida de Portugal como Nação independente, em que as circunstâncias que foram proporcionadas aos lusitanos em todo esse tempo não se situaram, de uma forma geral, na área da prosperidade, para, nesta altura, em que se está a atravessar uma crise que não se consegue vislumbrar forma de sair dela, como se isso já não chegasse, ainda nos tenhamos de confrontar com um comportamento do sector político, todo ele, que tem de envergonhar qualquer ser humano responsável.
Não hesito em afirmar, alto e bom som, que esses portugueses, que se situam nas áreas das decisões importantes de Portugal, só têm dado mostras indesmentíveis de que não são capazes de utilizar o regime democrático que foi tão difícil introduzir, depois de um longo período de ditadura, e que parecem apostados em clamar por uma mudança igual à que se operou quando foi posto fim à Primeira República.
Esta afirmação escandaliza uma boa parte dos portugueses? Pois também a mim. Mas, ao ver, todos os dias, o que os noticiários mostram quanto às tentativas de verdadeiros assassinatos que estão a ter lugar, em que o regime afasta, cada vez mais, adeptos, mesmo os que, com idade para isso, deram largas e efusivas mostras de alegria no 25 de Abril, ao ouvir o que se diz nas ruas e até mesmo o que começa a ser escrito e dito por alguns chamados politólogos, entra-me na consciência a convicção de que, como as coisas estão a correr, não é possível prolongar por muito mais tempo a situação que se atravessa.
E, no que respeita aos mais novos, aos que não sofreram na pele os efeitos do antigo regime, então esses ainda mais inclinados se encontram para que o sistema actual sofra uma volta de 180 graus, e nós, os antigos, bem sabemos o que isso significa.
Nesta altura só basta que o Governo venha declarar que não tem forma de continuar a pagar as reformas e que, de um dia para o outro, a enorme quantidade de aposentados fica de mãos a abanar. Juntando-se os desempregados aos reformados, a multidão que constitui essas duas categorias da população ninguém sabe se não chegará para tomar iniciativas políticas que não têm nada a ver com a prática democrática.
Estou mesmo a ver que, se não existir outra solução para sairmos do buraco negro em que nos encontramos, os culpados de tamanha catástrofe, se lhes chegar a hora de terem de fazer contas, vão seguir o exemplo de Marcelo Caetano e de tantas outras gentes que, naquela altura, embarcaram rapidamente para o Brasil. E ali conspirarão contra os malvados que os fazem repetir a “injustiça” que calhou há trinta e cinco anos aos que já cá não encontravam lugar para viver.
Bem sei que este é um cenário catastrófico e quase ficcionista. Mas tem acontecido tantas vezes a realidade acabar por surgir dos romances, que nem sei bem se será assim tão pouco viável. Que todos os santinhos nos livrem de tão grande descalabro!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

SE

Sempre que algo queremos
e fazer não conseguimos
o primeiro que dizemos
e nisso muito insistimos
é esse pronome útil
que é sinal de precaução
e não sendo nada fútil
é o que está mais à mão

Se eu puder não faltarei
é a garantia dada
por quem do que diz faz lei
mesmo com boca fechada
se me sair a taluda
farei isso de seguida
e não preciso de ajuda
depois o se que decida

Se eu tivesse saúde
já veriam a genica
e a veloz atitude
do que nunca abdica
e se eu chegar atrasado
façam favor d’esperar
esse se é um malvado
provoca o desesperar

Ah, se isto e aquilo
sempre se a qualquer jeito
ninguém fica tranquilo
considera-o suspeito
é do Homem a desculpa
para não ficar mal visto
e não quer p’ra si a culpa
imitando a Jesus Cristo

CASA PIA, HAJA PIEDADE!



VÃO lá dizer isso a qualquer habitante dos 27 países da Comunidade Europeia e nenhum deles acredita que isso possa acontecer. Garanto que sim, que é uma realidade, que tal sucede nesta Nação chamada Portugal e então o incrédulo transforma-se em duvidoso. “Ah! Se é aí, então já não digo nada!” É a resposta.
E que assunto é então que provocou esta conversa? Pois, nada mais, nada menos do que o julgamento do caso da pedofilia da Casa Pia que, tendo tido início em 25 de Novembro de 2004, cinco exactos depois ainda não terminou e ninguém sabe quando terá o seu final.
De todos os intervenientes, os réus continuam a envelhecer, as consideradas vítimas, que eram rapazes no início, cresceram e alguns já constituíram família, houve até um que tentou suicidar-se. E o início do problema foi denunciado há sete anos, registando-se aí que se realizaram cerca de 450 audiências nos diferentes tribunais por onde passou o caso, o qual ocupou até agora o espaço escrito de 60 mil folhas, tendo prestado depoimentos mais de mil pessoas. E quanto custou tudo isto? Ninguém faz contas. Mas será uma barbaridade!
No meio de todo este panorama, só um arguido se confessou culpado, pois que os restantes seis reclamaram a sua inocência. Será que, no términos deste drama, se chegará a alguma conclusão no que respeita à acusação de culpados e, se os mesmos forem definidos, que penas lhes cabem? Ou, pelo contrário, a surpresa será a de só terem existido vítimas?
Esta situação que ocorre na Justiça portuguesa é a mais espectacular das muitas que, não sendo divulgadas na Informação, também se arrastam, por tempos infinitos, nas salas de audiências que temos. O que bem demonstra que, há muito tempo, há anos, que teria sido absolutamente necessário rever todo o sistema e que alguém ou alguma instituição jurídica ou política gritasse o “basta” ao tão aparatoso escândalo. Mas nada disso sucedeu e, da mesma maneira que inúmeros problemas que temos para resolver em Portugal se mantêm em “banho-Maria”, que é o processo mais cómodo que seguimos na nossa Terra, assim prossegue o tempo infinito que é forçoso aguardar numa situação tão importante para que a Democracia seja respeitada.
Por isso, estamos como estamos! E o primeiro-ministro, para espanto de todos, menos para os que o bajulam, é de que continua Sócrates a dar enormes demonstrações de que tudo corre bem no País e que não há ninguém que seja capaz de fazer melhor do que ele.
O dramático é se essa afirmação não anda longe da realidade!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

EXASPERAR

A esperança que andou sempre comigo
desde os inícios da longa caminhada
foi perdendo força, estava cansada
e agora longe está não a persigo

Também eu fui desistindo de a manter
não aguentava já não me dar frutos
a contar os meses, horas, minutos
e a esperança acabei por perder

Portanto o que me aguarda é a surpresa
chegar alguma coisa sem esperar
embora tenha já perdido a certeza

O que me resta agora é só esperar
não me deixando envolver pela tristeza
nem me valendo a pena exasperar

MEDINA CARREIRA - O PESSIMISTA!


CADA vez que Medina Carreira surge na televisão e expõe os seus pontos de vista sobre a situação económica portuguesa, não se ocultando por detrás de panoramas cor de rosa que, conforme são as suas exposições, estão muito longe de constituírem as que nos envolvem desde há uns tantos anos e que, nesta altura, dão mostras de se encontrarem a piorar rapidamente, ao ponto de num futuro, que não virá muito longe, passarmos a ser uns “pedintes da Europa”, repito, cada vez que o professor e economista e antigo membro de um governo, sem papas na língua, lança o aviso de que o caminho que levamos, se não mudarmos rapidamente de opção, se nos sentirmos satisfeitos com a situação que temos, se preferirmos ser optimistas para simples sossego dos nossos espíritos, mesmo que tenhamos consciência de que nos estamos a enganar a nós próprios, a sensação que tenho é que o que eu tenho andado a escrever há certo tempo neste meu blogue poderá constituir uma cópia de algum desabafo que tenha saído da boca de Medina Carreira. Mas a verdade é que as teses que tenho defendido neste espaço são mais antigas do que o surgimento do economista em público, o que me dá certo consolo pelo acerto que terei mantido com as minhas observações.
De resto, quem seguiu anos atrás, os meus editoriais no semanário que dirigi ao longo de uma década, “o País”, não se admirará das posições que tomo, pois sempre fui defensor de que, politicamente, os governantes têm obrigação de expor permanentemente a verdade, serem francos e abertos, não iludir os cidadãos, sobretudo quando as situações são mais complicadas, até mesmo num estado preocupante, não fazendo como se tem visto com o actual Governo mas já sucedeu o mesmo com anteriores – e bem nos bastou o estilo de mentira que aguentamos na época da Ditadura -, em que o falseamento das situações é que se encontra na primeira linha do interesse dos governantes.
No meu caso, até porque já passei por muitas situações ao longo do meu caminho profissional, que teve início em 1954, e em que paguei bem caro, perante a Censura e a polícia politica da época, o não me ter completamente calado e a ser obrigado a usar as metáforas e as entrelinhas para tentar fazer passar o que ia na cabeça, não será agora que deixo de apontar os erros, ainda que seja neste singelo blogue.
Este caso recente das escutas e da limpeza das mesmas por intervenção judicial, por muito que queiram disfarçar recorda os tempos antigos do fascismo. Ter visto uma peça de teatro proibida de ser representada, uma revista de que fui director a ser encerrada, a de um número deixado a Angola que escrevi numa deslocação que ali fiz, terem sido cortadas 64 páginas e, logo a seguir, ter sido preso, ter o então ministro da Presidência de Salazar, Correia de Oliveira, dado ordens ao Jornal do Comércio, onde eu mantinha uma coluna onde defendia a comunhão económica com Espanha, para não publicar mais a palavra “Ibéria”, substituindo-a por peninsular, sendo essa expressão também depois proibida até que acabou na minha exclusão como colunista, tudo isso e muitas situações que levam tempo a contar foi o que tive de suportar antes do 25 de Abril.
E depois? Bem, aí, com a chamada Liberdade em acção, aquilo a que assistimos é à intervenção sub-reptícia de deferentes poderes, por forma a que não possa ser exercida em absoluto a Democracia. Já naquele período, por ter clamado contra a inoperância de um ministro da Economia – que ainda está por aí a exercer cargos que lhe garantem a subsistência -, devido ao facto ridículo, de que ainda haverá quem se lembre, de ter desaparecido o bacalhau do mercado nacional e ter de se ir às fronteiras com Espanha, onde o fiel amigo se encontrava pendurado nas árvores nas entradas fronteiriças do País vizinho, obrigando os portugueses irem alí às comprasse se queriam adquirir tão precioso alimento, por esse facto, a publicidade daquele ministério foi cortada a “o País” e era grande o valor que era destinado a essa propaganda. E venham-me agora mostrar, como novidade, o que se passou também no início da era da Revolução!...
Não posso prolongar-me muito mais para descrever imensas situações por que me fizeram passar. Por isso mesmo escrevia num texto anterior que “estou farto!”. E ainda por cima, tenho de tomar conta das queixas que são agora feitas por gente que não vem de longe e que não tem possibilidade de efectuar a comparação do antes com o depois. O que não é ocaso de Medina Carreira que, embora não tenha passado por situações semelhantes à minha, tem idade para ter vivido a época salazarista e caetanista e também tem memória.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

VALEU A PENA?


Tudo o que se faz nesta vida
os esforços, empurrões
os desgostos na corrida
até as desilusões
na estrada que sendo curta
leva tempo a passar
é coisa que se furta
a encontrar

Repetir
voltar a ter
bem gostaria de ouvir
pergunto a quem entender
qual será o porvir
e se já cá estiveram
uma vez
o que foi que fizeram
com alguma lucidez

Ninguém recorda
é verdade
e se tal tema aborda
só com dificuldade
lá convence os parceiros
de que por cá já passou
que algumas carreiras
também calcorreou

Se é certo
que o repetir
mesmo não tendo sido perto
há-de vir
em consciência plena
para perguntar
afinal valeu a pena
a esta vida voltar?

COMPORTAMENTOS



COMO é possível que um Governo que tenha verdadeira consciência das suas possibilidades financeiras, que não perca nunca de vista o limite dos seus gastos e não ultrapasse o seu potencial actual e as responsabilidades que acabam por cair nos vindouros, como é que um tantos senhores que fazem parte de um Executivo, incluindo o chefe dos mesmos, neste caso o primeiro-ministro José Sócrates, aprovaram um pagamento ao falido Banco Português de Negócios, pela sua nacionalização, de 3 mil e quinhentos milhões de euros, sem saber na altura se o poderia voltar a privatizar e, nestas circunstâncias, por que valor o conseguiria fazer?
Se qualquer destes membros governativos que aprovaram a arrojada e impensada medida, fossem eles individualmente gerentes de uma empresa teriam a coragem de dar esse passo de despender uma verba que lhes faria tanta falta para outros investimentos e sem saber se a poderiam reaver noutra ocasião da sua vida empresarial? A resposta nem é preciso imaginá-la e como os que nos governam não sofrem no próprio bolso as consequências das as eiras que fazem!
No caso dos milhares de milhões entregues pelo Estado, basta dizer que esse dinheiro daria para 2 anos de subsídios de desemprego, como faria frente a inúmeras iniciativas que são absolutamente necessárias e que se encontram por realizar, nas áreas da educação, da saúde, da Justiça, sim dessa Justiça que não há forma de ter um comportamento digno, e até do auxílio ao empresariado que dê provas de poder prosseguir e apenas necessita de uma pequena ajuda.
Mas é o costume. No nosso País, no capítulo das opções, todos sabemos que não existe uma tomada de consciência e de responsabilidade dessa gente que tem a seu cargo o Governo – e não me refiro só a estes que lá estão agora, mas a todos que têm passado pelos lugares superiores. Esta tomada agora de posição, quanto à nova ponte sobre o Tejo, que está a dar a “guerra” que coloca frente-a-frente uma empresa luso-espanhola, que apresentou uma proposta mais barata e que parece que não vai ganhar o concurso, porque a empresa Mota-Engil (e, a propósito, o lucro desta sociedade subiu 16,5 por cento até Setembro passado, em elação ao mesmo período do asno passado, o que corresponde a 25,08 milhões de euros, segundo anunciou a própria em comunicado ao CMVM), a referida empresa, já tão conhecida pelo favor que recebeu no respeitante ao ser a escolhida para dar solução ao caso dos contentores no cais de Alcântara, e sem concurso, tudo indica que será a mesma que, apesar de ter apresentado uma proposta de valor superior, será a favorecida. Se é que, nesta altura, não estará já tudo decidido.
Isto só para mostrar como Portugal faz tudo para merecer estar colocado nos lugares cimeiros da Europa no capítulo das injustiças, dos favores a amigos, por isso também das corrupções, naturalmente com o apoio de alguns governantes, por tal motivo, repito, a maioria dos portugueses atentos concordarão que, se fossem competentes e cuidassem convenientemente dos dinheiros públicos, não deixariam de meter a mão nos casos escandalosos que ocorrem e não permitiriam que avançassem as situações que põem em perigo o futuro económico do nosso País.
E se me refiro a favores aos amigalhaços (pá!), não posso deixar em claro o que é do domínio público de que Armando Vara, esse ainda jovem ex-tudo, aufere por ano da Caixa Geral de Aposentações o montante de 25.996 euros, isso por ter sido deputado, secretário de Estado e ministro, para além de perto de 700 mil euros anuais que lhe são conferidos pelo total dos outros cargos em que esteve colocado e que, nesta altura, o de administrador do BCP (496.317 euros) está suspenso, devido ao caso em curso da Face Oculta.
Eu não sei que mais escrever no capítulo da prevenção de anormalidades que ocorrem cá nesta Pátria e que são consequência da deficiente actuação dos governantes. Mas se eles mudam e tudo continua mal na mesma?...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

DIÁRIO DA REPÚBLICA

Este texto não é da minha autoria, mas foi-me enviado por mail e pedido para divulgar. Como não têm conta os meus sobressaltos no capítulo da acção da Justiça em Portugal, não tenho dúvidas em incluir no meu blogue o que resulta da publicação no "Diário da República". E digam lá se não tenho razão para proclamar que ESTOU FARTO DISTO TUDO, como foi o que transmiti num blogue de há dias.
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Quando o magistrado Rui Teixeira é vetado para uma promoção a que temdireito pela nota meritória da sua avaliação, certamente por ter cometido oerro??!! De mandar prender suspeitos de pedofilia, pasmem meus senhores ,pois neste mesmo país, o NOSSO, o acisado pedófilo Hugo Marçal vai poderfrequentar um estágio para Juiz...Custa acreditar. Mas, o melhor, para quem tem dúvida, é consultar o Diárioda República. Isto é uma vergonha.Meu pobre país, para onde vais!!!...DIVULGUEM O MAIS POSSÍVELEscandaloso: HUGO MARÇAL ... JUÍZ ...!!!Digam-me que isto é mentira!!!!!Hugo Marçal... JUÍZ!!!!Este processo das crianças violadas vai mesmo ficar em "águas de bacalhau".É incrível a passividade do povo português face a este escândalo dapedofilia. Tem que se fazer justiça!Façam fwd do mail !!!!"Hugo Marçal está em vias de ser admitido a frequentar o curso de auditorde justiça do Centro de Estudos Judiciários.O nome do arguido no processo de pedofilia da Casa Pia vem publicado noDiário da República de ontem, entre centenas de candidatos a frequentar aescola que forma os juízes portugueses, mas ao contrário dos outros,
Hugo Marçal não vai prestar provas....Pelo facto de ser doutor em Direito - grau académico que terá obtido emEspanha - está por lei «isento da fase escrita e oral» e tem ainda«preferência sobre os restantes candidatos».Resultado: o advogado de Elvas está na prática à beira de ser seleccionadopara o curso que formará a próxima geração de magistrados!
O nome de Hugo Manuel S. Marçal surge na página 4961 do Diário daRepública - 2.ª série, com o número 802, na lista de candidatos a ingressar no CEJ.
Se concluir o curso com aproveitamento e iniciar uma carreira nos tribunais- primeiro como auditor de justiça, depois... Como juiz de direito - Marçalterá também o privilégio de não ser julgado num tribunal de primeirainstância.» AH, POIS É !!! É O PAÍS QUE TEMOS !!!ISTO É ESCANDALOSO E UM ATENTADO À DIGNIDADE DESTE PAÍS, SERÁ QUE O POVO NÃOVAI SABER E ATUAR EM CONFORMIDADE COM ESTE ESCÂNDALO OU JÁ NÃO TEM DIGNIDADE E NÃO SE IMPORTA?

VERGONHA

Se há razão para a ter
se algo te faz corar
merecer
chorar
a consciência ajuda
a dar um passo atrás
se não há quem acuda
para encontrar a paz
fugir
corar
não resolve só partir
há que de frente encarar
e fazer por conseguir
e o mal reparar
a vergonha
é remédio
de nada serve a ronha
que só provoca tédio
tapar a cara
esconder-se
com isso não mascara
o que pode é precaver-se
p’ro futuro
ter cuidado
fazer tudo com apuro
para não ser perdoado
a vergonha
não é peçonha



SUBORNOS



POR QUE será que não apareceu ainda a questão de saber se é mais culpado o que suborna ou o que é subornado? É estranho, mas parece que todos os comentadores e noticiaristas procuram não abarcar esse tema, preferindo colocar todas as culpas no negociante de sucatas, Manuel Godinho, por sinal o único que se encontra na cadeia, não mencionando claramente os outros, os que foram beneficiados com as “luvas” que os fizeram meter ao bolso proventos que a outra parte propôs para obter os resultados que esperava.
Com excepção de Armando Vara, que se encontra agora na berlinda das notícias, e cujas conversas telefónicas com José Sócrates poderiam aclarar as dúvidas que andam por aí espalhadas pela opinião pública, se não tivesse sido estranhamente mandada arquivar e, caso se pudesse confirmar que o primeiro-ministro não teve nada a ver com o que se passou na altura, no capítulo de intervenção nas situações dos jornais que atravessaram situações financeiras graves, se essa atitude medrosa não tivesse sido tomada talvez, nesta altura, já se pudessem pôr os pontos nos iis e a definição entre corruptores e corruptados não constituísse uma nebulosa que não serve a ninguém.
Afinal, por muito que o primeiro-ministro se defenda com a ajuda de uma rede protectora que, perante os portugueses, não consegue retirar as dúvidas que cada vez mais se adensam, a realidade é outra: da História já ninguém consegue tirar a suposição de que existiu um principal governante português que deixou as maiores suspeitas de que se terá deixado envolver por uma cadeia de corrupção e que, com maior ou menor escala, não conseguiu deixar claro se a sua participação foi efectiva ou apenas superficial.
São bem conhecidos os velhos ditados populares de que “quem não deve não teme” ou de que “mais vale sê-lo do que parecê-lo” ou ainda de que “quem não quer ser lobo não lhe veste a pele”, pois, com todos estes conselhos, bem poderia José Sócrates ter seguido um deles e não se via, por muito que queira garantir que é alheio a tudo, envolvido no pacote que não lhe deixa buraco para fuga.
Mas será que sou eu que me julgo sapiente ao ponto de encontrar soluções para os problemas dos nossos governantes ou, pelo contrário, o que eu possuo é uma ingenuidade em demasia, que me permite acreditar que todos são pessoas honestas, intocáveis no que respeita à sua honorabilidade e merecedoras da confiança absoluta quanto aos seus procedimentos?
Já ando baralhado com aquilo que sou e o que deveria ser!,…