segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ECONOMISTAS DIZEM



VÁRIOS economistas portugueses de renome do nosso País, em reunião que os juntou no CCB, não sendo para causar admiração, pintaram um cenário bem negro do futuro do nosso País. Num estudo com o título “Economia no Futuro de Portugal”, foi deixado bem claro que, neste nosso País, que “vale tudo para enriquecer de qualquer maneira e depressa, sem critério, e isto dito de uma maneira elegante”.
Ernani Lopes, autor de um livro a propósito, foi bem claro na declaração que fez, deixando expresso que “é a golpadazeca do ordinareco que faz umas jogadas, umas burlas, umas corrupções, umas porcarias, condenando o País”, isto respeitante ao caso “Face Oculta” que acaba de surgir e de que se esperam as conclusões que a Justiça terá que apresentar aos portugueses, isto se não se tratar de mais um esquema, daqueles que acabam no fundo da gavetas.
Mas faço aqui um resumo do que foi afirmado na dita reunião de técnicos da economia:
- Portugal está a viver um cenário de definhamento. Este é o principal problema da economia nacional. Está há uma década sem garra, sem ideias”.
- É um erro a realização de grandes obras e investimentos públicos numa altura em que não temos a casa arrumada nem definida uma linha futura”.
- Vamos ser para a Europa o que Trás-os-Montes é para Portugal: uma região empobrecida. O País dificilmente sairá da armadilha de empobrecimento relativo”.
Ora, é com este panorama e com tais opiniões de pessoas tidas como sabendo o que dizem, que se apresenta o que nos espera no tempo que se encontra pela frente.
Não quero ser eu a acrescentar mais cenas escuras ao espectáculo que é oferecido aos portugueses, aos que viveram nos tempos anteriores e atravessaram a fronteira para a entrada na Democracia – e com a alegria e a esperança bem compreensíveis –, aos que nasceram depois do 25 de Abril, agora na escala dos 40 anos e, sobretudo, aqueles que se situam nesta altura no período da alegre infância.
Os que atravessam a escala da reforma, esses já perderam todas as aspirações em assistir a um fim de caminhada nacional que venha a compensar todos os revezes que preencheram o recheio de uma vida passada de trabalho. Só lhes resta (aos crentes) deitar as mãos ao Céu para que, no mínimo, não se esgotem as reservas que ainda poderão existir para que, todos os meses, caia a tão desejada verba que, por muito reduzida que ela seja, sempre serve para suportar parte dos gastos mensais de cada um. Os outros, os que não se situam no vasto agrupamento dos desempregados, utilizam todos os meios de que ainda poderão dispor para não virem a preencher essa dramática lista. Resta a juventude. E que poderão esperar os seus progenitores que, em consciência, por mais instrução escolar que façam o sacrifício de lhes proporcionar – e essa também não se situa num paralelo competitivo com o que ocorre lá fora -, sabem que as perspectivas não são de molde a sentirem-se minimamente seguros?
É este VIII Executivo, com o José Sócrates, que tem a responsabilidade de tudo fazer para que não sejam cometidos os habituais erros de governação, as teimosias em seguir caminhos equivocados, o não saber emendar a tempo o que possa sair mal. E as Oposições, a essas cabe-lhes a tarefa de tudo fazer para que não se perca tempo com quezílias inúteis e que indique caminhos que sejam positivos para que o Governo, apesar de tudo, não se queixe de que não recebe indicações úteis e claras dos que não pertencem ao seu Partido.
Não é tarefa fácil, pois não. Mas ou queremos que Portugal não caia numa situação de falência irresolúvel, ou continuamos como até aqui e, ainda por cima, com as roubalheiras que a Justiça não é capaz de travar.
Eu bem não me calo com avisos aos que cá vão ficar na próxima década. E os que são governantes hoje, com a idade que têm, bem pagarão também o mau trabalho que fazem agora!...

domingo, 8 de novembro de 2009

PERGUNTO

O que é isto afinal
esta coisa onde ando
não agora, mas de há muito?
Será que me dão sinal
e se sim, como e quando
respondendo ao meu intuito?
Quem me dera p’ra mudar
e saber por onde andar

Eu pergunto: vale a pena
que se ganha em esperar?
É bem grande o desengano
em toda a vida plena
na ânsia de retirar
a mancha suja do pano.
Eu bem quero, bem insisto
mas não saio nunca disto

Sei onde e como estou
e como cheguei aqui
o que andei até vir
mas não sei p’ra onde vou
se algo eu aprendi
se tem valor p’ro porvir
agora só o talento
me pode levar ao vento

Mas como esse só foge
e não consigo agarrá-lo
m’escapa cada segundo
não faço com que s‘aloje
muito menos amarrá-lo
p’ra m’ajudar neste mundo.
Assim fico cada dia
nesta profunda agonia




NÓS, PORTUGUESES, QUE POR CÁ ANDAMOS



SERÁ que nós, os que atravessamos esta época de um mundo acabrunhado e, particularmente, um País que, embora habituado por séculos de poucas felicidades, suporta nesta altura uma das maiores crises económicas, financeiras e sociais que já teve ao longo da sua História, será que a geração a que pertenço e de que sobram ainda muitos cidadãos, aquela que, ao longo de várias décadas, viveu sob o jugo de uma ditadura que deixou as suas marcas de que, por sinal, ainda muita gente não se desabituou, repito ainda, será que não teremos a alegria de vir a contemplar um Portugal, ainda durante a nossa vivência, que seja uma Nação que só terá razões para se regozijar com o que oferece aos seus cidadãos? Pergunto de novo: acabaremos todos por partir com a mágoa de nos ter sido oferecido um espaço de nascimento em que os desgostos e as dificuldades preencheram todo o tempo em que nos movimentámos como portugueses?
Já sabem os que me lêem desde sempre que eu não costumo cantar hossanas só para mostrar que anda tudo bem, que não têm os nacionais razões de queixa no que diz respeito ao ambiente em que são forçados a viver, não só quanto às determinações políticas superiores como igualmente ao comportamento de outros cidadãos e até de empresas, sobretudo as estatais, que não se habituaram ainda a cumprir os seus deveres, com competência e como é obrigação de quem tem de atender a sua clientela com competência.
Todos nós sabemos que, na vida quotidiana que somos forçados a acompanhar, frequentemente deparamos com o desleixo, com a ausência de atenção no trabalho, com o desinteresse dos funcionários, sejam eles públicos ou privados. Há, na verdade um número aflitivo de desocupados em Portugal, mas o que falta, por outro lado, é gente, portugueses, que sejam aprumados no cumprimento das suas obrigações nas actividades que exercem.
Não é verdade que todos nós, enquanto consumidores, temos repetidamente razões de queixa no que diz respeito à forma como somos tratados, especialmente por certas empresas públicas (a água, o gás e electricidade, os correios e outras com monopólios), quando deparamos com faltas de bom atendimento, de rapidez nas execuções, de boa vontade em solucionar os problemas?
Quem vê diariamente o programa na RTP, com o nome “Nós por cá”, em que são denunciadas situações escandalosas de incompetência, de ausência de cumprimento de deveres, de verdadeiro desleixo na execução de erros que têm obrigação de ser rapidamente ultrapassados e que levam tempos infinitos em ser atendidos, nesse programa, que merece o louvor de todos nós, assiste-se a escândalos do tal portuguesismo não operativo, que começa nos responsáveis superiores e que logo se transmite a toda a escala de operacionais.
As Brisas, as Estradas de Portugal, as companhias de água, electricidade, e por aí adiante são a prova provada de que actuam à solta e criam a imagem daquilo que todos nós somos: uns “deixa para lá”, uns não apressados que preferimos estar ao telefone todo o dia do que cumprir com rigor o trabalho para que somos pagos, uns ditos trabalhadores que fazemos horas extraordinárias porque, durante o horário estabelecido, nos entretemos com outras coisas… e por aí adiante.
Fico-me por aqui, porque a lista de casos que tenho para contar é de tal forma extensa que, seguramente, enfastiaria os leitores que estarão cansados de saber que tudo isto é verdade, mas que preferem ter a ilusão de que não é tanto assim.
Eu é que tenho este costume de não andar a fingir que estou vivo e, por isso, pago com as queixas que faço a mim próprio. Já que ninguém quer enfrentar as dificuldades e procurar resolvê-las…

sábado, 7 de novembro de 2009

ODE A PESSOA


Oh! Pessoa
tu que me inspiras, que me orientas
na minha cabeça ecoa
o que em mim sustentas
com o teu génio ou o dos teus heterónimos
com rima ou sem ela
mas sempre bela
afastando os demónios.
Ajuda-me, oh! Pessoa
a escrever esta ode
pensando em Lisboa
saindo como pode
com esforço, com rompantes
contrariando o ruído do café que me acolhe
que tem algo de igual ao teu que era dantes
mas que, tal como contigo,
é o café que escolhe
a freguesia, qual porto de abrigo
é ele que anima a que olhe
e veja o que me rodeia, o mau e o bom
aquilo que me foi dado apreciar,
deleitar
e ouvir o som
com agrado ou sem ele
E desde que me conheço
é o que peço:
que Aquele,
o que comanda,
não deixe a banda
à solta.
Pessoalmente penso assim
não me importa saber
se outros julgam igual a mim,
eu sei o que fazer
com a inspiração do poeta,
não basta pegar na caneta
e divagar,
pessoar,
procurar
no íntimo do sentimento
o que tiver mais cabimento
para saudar,
gritar
que poeta serei quem for
mas por amor
ao génio de um poeta dedico
e por aqui me fico
a compreendê-lo
e a relê-lo.

Ele, que dizia não ser nada
era tudo
perdido em frente da sua janela
ou sentado no café, à mesa,
procurando a frase mais bela
e encontrando com certeza
a sua inspiração
interpretando os sonhos do mundo
com devoção
bem no fundo
carregando a carroça da vida
com o fervor de um crente
que sabe que só há ida
por isso olhando sempre em frente
sem saber que o futuro
lhe traria tanta aclamação,
que transporia o muro
da vulgarização.

Oh! Fernando
tu que não sabias o que eras
nem como nem quando
que não crias deveras
nas certezas do mundo,
que só a Tabacaria era verdadeira
porque a vias ao fundo
da tua rua inteira
onde compravas os cigarros
da mesma maneira
que sacudias os catarros
e bebias a tua jeropiga
para acalmar a ânsia de versejar
e respirar
e produzir outra cantiga
sem fadiga,
naturalmente,
mas preocupadamente
a pensar que os versos criavam nada
que acontecia zero
que não havia fada
capaz de mudar, mesmo em desespero
a vida sensaborona,
triste e pesada,
qual matrona
pavoneada.
Hoje, o mundo sempre igual continua
parece diferente, mas nada mudou
aqui nesta como em qualquer outra rua
quer para quem trabalha e também estudou
porque os políticos continuam a falar
na busca de eleitor,
a dissertar
mas não são capazes, nem querem mudar
seja o que for
lá se vão enchendo
porque o que dá lucro vai-se mantendo
que o povo, esse fica,
a gritar pelo Benfica
sem eira nem beira
agarrado à bandeira
como se fosse da Pátria a salvação
a gritar nos estádios com emoção
contra quem seja
tendo na mão a cerveja
que dá calor
tremor
mas não altera os resultados
dos futebóis ou dos pecados.
Hoje está tudo na mesma
como a lesma.

Vês, Pessoa ?
Não fui capaz.
Estás onde estás
e eu estou onde estou
e não sei quando vou.
Verás que a minha intenção era boa
que me esforcei
mas o génio não agarrei.
Não digo como tu
que não sei o que serei,
sei sim, foi o génio que ficou no baú
e que também nada herdei
e como deixei de fumar
continuo sem achar
a Tabacaria
a que te trazia
o fumo da inspiração,
a divinização.

Perdoa-me, Fernando
Continuarei procurando
mas será tarde
para fazer alarde
de algo que me falta
para trazer à ribalta
coisa de valor,
mas amor
esse sim, não perdi
e como mostro aqui
não serei capaz
mas lá contumaz
é o que até agora tenho sido
e estou decidido
a prosseguir
enquanto a vida mo permitir.

Pessoa houve um,
não haverá mais nenhum
e se alguém o prometeu
não fui nem serei eu.

O BANQUEIRO ANARQUISTA


SE FERNANDO PESSOA ainda estivesse por cá e nos desse o enorme prazer de podermos acompanhar a sua genial composição literária, provavelmente neste ocasião aproveitaria o tema que está tanto em voga e referir-se-ia à tão comum corrupção que se instalou nos meios da alta finança e no empresariado com aproximação ao sector da política. Tinha pano para mangas!
Aquele livro, com um nome tão sugestivo, que foi certamente inspirado nalgum caso raro que terá ocorrido na sua época, “O Banqueiro Anarquista”, nesta altura, com este título e só mesmo por tal denominação, vinha a calhar para cobrir o que está a tornar-se uma forma normal de comportamento de uma série de gente que, tendo caído na profissão ligada aos vastos dinheiros, não se ficou apenas pelas chorudas retribuições que lhes são atribuídas e partiu para outras vias de alcançar fortunas fabulosas no mais curto espaço de tempo possível.
São já conhecidas várias situações de fulanos que, tendo tomado assento em administrações de empresas de crédito, vários deles vindos de cargos públicos ou, na inversa, saindo de onde estão por convite sendo-lhes oferecidos altos lugares de chefia no Estado, que, tempos depois, são focados pelos media por terem-se dado ocorrências que justificam a divulgação dos seus nomes, essas situações têm vindo a constituir aquilo que parece ter-se tornado num hábito sucessivo.
As enormes fortunas, vaidosamente mostradas, de formas de vida que não são explicáveis em face dos ingressos normais de dinheiros que se supõem constituir as suas profissões, os casarões onde passaram a residir, os carros de luxo em que se deslocam, tudo isso não pode deixar de fazer duvidar de que o enriquecimento súbito não foi obra de um totoloto milionário que alterou completamente o dia-a-dia dos visados. E como isso se constata em um grande número de sortudos, não podemos deixar de revelar estranheza por se tratarem, de uma geral, de figuras que estão colocadas em lugares de relevo, sendo que, em muitos casos, conhecendo-se o seu passado, maior espanto terá de causar, pois que não se passa de ter uma mão à frente e outra atrás para a demonstração de fartura estonteante sem que algum “milagre” tenha ocorrido…
Não vou aqui enumerar situações dignas de serem sublinhadas, pois que elas são tantas que ocupariam um largo espaço deste blogue. E, para além disso, o risco que se corre de ser apanhado pela tal Justiça que temos, com acusações de manchar o “bom nome” dos eventuais visados, tudo isso obriga a que haja cautela, dado que sabemos perfeitamente que os chamados poderosos têm muita força e comandam em várias zonas do nosso País. Para bom entendedor…
Mas como a esperança é sempre a última a morrer, dizem, com a entrada em funções do VIII Governo e com um novo ministro da Justiça, espera-se que aquela pasta mole, que se situa nos palácios onde se lê nas paredes de fora a palavra “justitiae”, leve agora uma volta de tal maneira grande que modifique de forma categórica aquilo que ocorre lá dentro.
E se não for desta…

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

TEJO

Este rio que por cá passa
tem um nome bem latino
chama-se Tejo
não é nenhuma ameaça
apontou-nos o destino
bem o vejo

Lisboa acolhe-o no fim
meio doce, meio salgado
vai a correr
faz contraponto ao jardim
que se encontra neste lado
e é um prazer

Esta cidade que eu gosto
mas ainda mais amaria
é uma pena
se aquilo em que eu mais aposto
me dessem a alegria
de fazer obra plena

Tuas ondas são revoltas
dão alegria ao teu cais
as colunas
que não se encontram soltas
aguentam vendavais
são fortunas

Rio que de longe vens
de mãe de fala espanhola
vais juntando
as águas de outros haréns
não sendo isso uma esmola
nem contrabando

Chegas ao mar desaguas
o Atlântico enriqueces
liberdade
ali também te habituas
nem por isso entristeces
sem saudade

O COVEIRO... SALVO SEJA!


LOGO na primeira aparição, no Parlamento, de José Sócrates, quando se poderia esperar que o chefe do XVIII Governo viesse dar mostras de ter aprendido alguma coisa com o seu comportamento anterior, ou seja com um ar compreensivo e uma atitude de moderação quanto às críticas que, naturalmente, as Oposições lhe movem, o que se viu foi aquilo que se usa agora muito dizer: mais do mesmo!
Não restam dúvidas de que não tem emenda aquele que se mantém a julgar que sabe tudo, que nunca se engana, que os outros é que cometem erros e não são capazes de aderir ao seu modo de conduzir o País. O seu discurso de inauguração perante os deputados de todas as bancadas, em vez de ter sido preparado, por ele próprio ou por assessores que devem fazer bem o seu papel de conselheiros construtivos, no sentido de deixar bem claro que não é necessário referir-se insistentemente ao passado, repisar que ganhou as eleições, como se tivesse alcançado uma maioria absoluta, que a sua disposição é utilizar na prática a palavra que ele insiste em repisar mas a não usar, o diálogo, em lugar disso aquilo a que se assistiu foi a uma repetição de comportamento, de linguagem e de ar impositivo, o que colocou de imediato toda a Assembleia da República, no que diz respeito à agora maioria, que são as Oposições, de pé atrás e com disposição para fazer uma frente ainda mais aguerrida do que aquela que, provavelmente, poderia ser diluída.
É evidente que um primeiro-ministro não é um actor. Não tem as características e as qualificações dos que pisam os palcos. Mas, tratando-se de uma personagem que é obrigada a saber adaptar-se às circunstâncias que a vida política impõe, o mínimo que se espera de tal figura é que não seja inflexível na maneira como se apresenta perante o País.
No fundo o que se pretende é que o Governo, já que foi o PS o partido que obteve maior número de votos, faça todos os esforços que estiverem ao seu alcance para conseguir afastar o perigo de uma queda, o que obrigaria a uma solução de emergência que, nas circunstâncias difíceis em que nos encontramos, provocariam uma ainda maior calamidade de todos os tipos que Portugal não tem condições para suportar.
Agora, armar-se o Governo actual em ufano, espalhando presunções fora de propósito, correndo o risco de desafiar os adversários que, ninguém garante, podem perder a cabeça e provocar a intervenção do Presidente da República que, em derradeira análise, se vê obrigado a meter a mão na fogueira, ser essa a posição que José Sócrates deu a entender que continua a ser da sua preferência, é, no mínimo, contribuir para que a História o deixe marcado com o cognome de “O Coveiro”. Que alguém o salve desse passo…
Felizmente, na sessão que se seguiu ontem por parte dos deputados que intervieram na primeira discussão parlamentar, houve ocasião para assistir a uma certa contenção e, como era natural, o tema da corrupção foi o que mais foi chamado à liça. E, se bem que, naturalmente, as críticas e as recomendações que não podiam faltar ali fossem expostas, não se notou um comportamento desse lado que leve ao pessimismo de admitir, desde já, que o confronto que se aguarda encaminhe para uma saída perigosa, se bem que, de uma forma geral, o conteúdo do Programa do Governo tenha sido também alvo de profunda crítica.
Talvez a época que se aproxima seja a que mais provocará a atenção dos portugueses que, apesar de tudo, acompanham passo a passo o que vai ocorrendo na zona daqueles que têm a obrigação tanto de governar como de criticar. Todos são responsáveis!...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

DEUS


O Deus de que se fala
é uma mancha
uma sombra
não tem imagem
não é visível
há quem O imagine sentado
com barba branca
olhos azuis
a roupagem até aos pés
pois não se pode idealizar
um Deus de gravata
de casaco e calças vincadas
com o cabelo cortado e penteado
de unhas arranjadas
e sapatos com sola
e atacadores.
Terá de ser uma névoa
que não fala
que soam as Suas palavras
nos nossos ouvidos
vindas de dentro de nós próprios
perguntamos-Lhe algo
e Ele responde sem som
fala sem ser ouvido
sentimos o Seu afago
mas sem que use as mãos
procuramos entender as Suas razões
não discutimos o que nos parece serem Seus erros
um Deus nunca se engana
mesmo quando nos inquietamos
com as injustiças que ocorrem no mundo
com a fome que mata as crianças
com os abanões da Natureza
com as guerras que não são evitadas
com as epidemias que matam milhões
aceitamos
seguimos em frente
dizemos “graças a Deus”.
O Homem é previdente
é prudente
é sobretudo temeroso
teme discordar do desconhecido
mesmo quando não vê
o melhor é não discutir
e colocar-se do outro lado.

Não tem certezas
mas, pelo sim pelo não,
manda o bom senso
não levantar dúvidas.

Seja o que Deus quiser!...

CORRUPÇÃO, ELA AÍ CONTINUA!



NUM PAÍS de dez milhões de habitantes quantos haverá que não têm consciência de que a roubalheira se instalou aqui onde vivemos hoje e que, em cada escalão social, esse extrair de valores que pertencem aos outros toma um nome
Aquele que rouba para satisfazer necessidades básicas, a esse chama-se simplesmente ladrão. Começa por meter no bolso o que lhe aparece à mão e que, perante a facilidade em executar tal acção, se apresenta como um convite aos que não têm escrúpulos, e que, com o hábito, vai assumindo proporções mais rotineiras. Assim se formam os gatunos que, por sua vez, ao actuarem em companhia, formam os “gangues”, também denominados quadrilhas.
E esses agrupamentos de malfeitores ainda se classificam por diferentes características. Há os que se limitam ao rapinanço puro, seja por roubos das carteiras nos transportes públicos, os dos classificados “esticões”, como aqueles que se introduzem nas casas alheias, mas só quando as mesmas não estão ocupadas.
Mas, mais perigosos são os que usam de meios violentos, como os modernos “carjackings”, assim como a introdução em residências com os proprietários lá dentro, o que leva a que se processem agressões e exigências para lhes serem entregues valores. Isto, para não falar dos assaltos a estabelecimentos comerciais, joalharias mas já não só, em pleno dia e com o uso de armas e que já provocaram mortes.
Por isso justifica-se a questão que ponho logo no início deste texto, de saber se existe plena consciência por parte da população nacional do estado a que chegámos por cá no capítulo da insegurança em que se vive nos tempos correntes e isso também devido à variedade de sistemas que são usados para apanhar os desprevenidos e deixá-los queixosos de terem sofrido as consequências dos “amigos do alheio”.
Porque ainda há outro meio que, sendo mais sofisticado, é utilizado cara a cara, entre ladrão e roubado: o do conto do vigário, que, valha a verdade, requer grande força de persuasão e convencimento do roubado.
Mas o que atingiu em Portugal proporções nunca imagináveis noutros períodos passados – embora essa forma seja antiga, mas mais rara do que sucede hoje -, é a via da apropriação de valores, geralmente excessivamente vultosos, que são extraídos de empresas, do próprio Estado, de bancos e que, pelas formas sofisticadas que se impõem, só podem ser executadas por figuras bem situadas no meio social e até com posições destacáveis no ambiente da política. A isso dá-se pomposamente o nome de corrupção, sendo que, na maioria dos casos, é necessário existirem pelo menos dois intervenientes, o do corruptor e o do corrompido.
Atravessamos neste momento um período em que são várias as situações que se impõe que sejam rapidamente esclarecidas judicialmente. A comunicação social tem trazido a lume variadas poucas-vergonhas que, a exemplo de outras já antigas que se arrastam por caminhos tortuosos, deixa-nos a impressão que nunca serão solucionadas. Os autores saem sempre impunes por pertencerem ao grupo dos “colarinhos brancos”.
É vergonhoso o que ocorre nesta Terra que sempre foi pobre, mas que nesta altura atravessa um período ainda mais difícil de ultrapassar. Seria natural que aqueles que se situam em lugares cimeiros na política se envergonhassem do que toda a gente sabe que se passa. E não deixasse que a Justiça continuasse a actuar da forma vergonhosa como se comporta, não arrastando os casos que se prolongam indefinidamente. É preciso enumerá-los? Já nem me refiro ao da Casa Pia. E ao da Freeport? E a todos os outros que acabam por prescrever, parece que de propósito para ninguém ser acusado de nada!...
Com Governo novo ou com todos os antigos, nunca houve ninguém que chamasse a si tamanhas poucas-vergonhas e se prontificasse a defrontar os problemas, pegando-lhes pela cabeça e não desistindo de os ver solucionados. Bem se sabe que essa posição fazia e faz correr riscos, com consequências que podem ser depois difíceis de vencer.
Portugal está condenado a ter de aceitar as faltas de coragem políticas para pôr as coisas em ordem. A tal valentia que existiu no período das descobertas esgotou-se e não sobrou nada para agora… que tanta falta nos faz!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

FALTA DE DEUS


Que falta me faz Deus,
que falta,
sobretudo quando exerço o direito de ser racional
e me revolto,
porque retenho na memória que,
em miúdo,
me impuseram a sua veneração
com missas, rezas, terços,
quando diziam que Deus
era a suprema e indiscutível autoridade
e que castigava
os que não lhe obedeciam ,
cegamente,
e aqueles que punham questões incómodas
não aceitando o que não entendiam,
discutindo as histórias do Evangelho,
contadas sem direito a perguntar
o porquê
das afirmações não demonstradas.
Ao recordar tudo isso
e ao confrontar-me
com a vida
já longa,
decorrida desde então,
não cheguei
ao ateísmo
porque nunca tive coragem
para tanto
e também porque não quero ser
fundamentalista.
Mas a razão leva-me
ao limite do agnosticismo
perante a dúvida quanto ao que é isso
do infinito,
que habilidade e imaginação foi essa
de fazer um mundo
cheio de defeitos, é certo,
mas com imensas maravilhas,
desde a criação dos seres vivos que se movimentam sobre a terra
até às extraordinárias paisagens
que nenhum pintor seria,
provavelmente, capaz
de imaginar.


Mas, e as vilezas ?
A maldade que se verifica por esse mundo ?
Que Deus pode permitir
que o homem seja capaz
de tanta destruição ?
Porquê as guerras,
as doenças incuráveis,
a fome,
a desgraça dos povos infelizes,
o ódio
que faz com que os humanos se guerreiem,.
até invocando o nome
de Deus ?
Afinal as igrejas servem quem
e para quê ?
As guerras, ditas santas, são as piores de todas,
porque, muito para além
do desejo de conquista
do poder material,
transportam a bandeira do que chamam fé,
lutando contra os outros,
os infiéis,
que é o mesmo que dizer
os que não acreditam
no mesmo Deus,
o que é o seu
e de que querem ter o exclusivo.


Perante tantas incongruências
navegando
entre o belo e o odiento
detenho-me
e não me atrevo
a ser ateu
e sinto, por vezes,
a falta de um Deus que me tire
desta angústia existencial
e me farte da busca
de uma explicação
dos mistérios profundos que nos rodeiam.


Se não houver o Deus
das igrejas,
das mesquitas,
das sinagogas,
dos santuários,
haverá, quero crer,
um Deus
com os olhos nos homens,
mesmo que muito distraído
ou talvez farto do mau comportamento
de um mundo que não saiu
como idealizaria
o seu Autor,
que não poderá ter sido construído para
estar a ser destruído
desta maneira.


Será castigo?
Mas Deus pune ?
Então não poderia actuar
doutra forma ?
Se Ele tudo pode
basta-Lhe pôr um ponto final
dar o murro na mesa do Céu
fazendo com que todos
se dêem bem,
uns com os outros.
Se não quiser fazer isso,
então bem podem,
as gerações que aí vêm,
preparar-se para apagar a luz
e fechar a porta
deste mundo.

DESENCANTO...POR ENQUANTO!

Pode-se chamar-lhe alma, espírito ou outro nome que pareça mais adequado. O que importa é sabermos que, para além da massa corpórea, daquilo que vemos, apalpamos e não desconhecemos que funciona dentro ou fora de nós mesmos, o coração, o estômago, os pulmões e os órgãos genitais, para dar alguns exemplos, têm peso fundamental na vivência humana e comanda mais do que todas as nossas acções, pois é o senhor da nossa vontade.
Todo o ser humano pode ter sede, fome, apetite de qualquer extravagância ou até de algo muito simples, mas, para satisfazer esse desejo, quem comanda se deve ou não cumprir tal vontade é o indivíduo invisível, que mora dentro de cada ser humana. E esse comandante da vontade é algo que o invólucro não conhece. Sabe que ele existe, mas nunca o tendo visto, não sabe como ele é e daquilo que é capaz de fazer.
Mandrião, nalguns casos, muito activo, noutros, é, por vezes, inesperado, incontrolável, repentino. E deixa, nalgumas ocasiões, o ser que está à sua disposição, mal disposto com a falta de razoabilidade nos actos que obriga a praticar, ou nas palavras que coloca para serem ditas.
Quando se diz que os bons espíritos sempre se encontram, está-se, obviamente, a utilizar uma metáfora. Porque está por provar que, aquilo que cada um leva dentro, tenha forma de contactar com o exterior de uma maneira directa. Mas sempre tem de ser admitido um intermediário. O dono do corpo, Que é o que se dá ao manifesto. Sermos conhecedores absolutos do que pode ser transferido de um espírito para outro espírito, por muito crédulos que sejamos quanto a estes mistérios, é fenómeno difícil de se levar a sério na ausência de uma profunda crença.
Porque o que mostra o Humano à superfície não tem forçosamente que coincidir com o que, no interior, está disponível para ver. Não andar excessivamente longe já não será mau de todo. E fiquemo-nos por aí.
Quando, através dos meios exteriores de que dispõe o Homem, é possível descobrir um pouco do que paira no espírito de um parceiro, essa descoberta pode constituir uma profunda desilusão e até causa de corte de relações que antes se iam mantendo. É o que acontece com os matrimónios que, em dada altura, se desfazem, para admiração dos outros que não esperavam tal desfecho.
O que fazemos e o que dizemos faz parte da máscara corporal que exibimos. Completa o vestuário que utilizamos para transmitir a imagem do que queremos parecer, de harmonia com os actos em que vamos estar presentes. Depois, as roupagens escondem a nudez humana, embora os corpos não apresentem grandes diferenças entre si. Já os espíritos, como nunca se vêm as suas formas, será impossível encontrar semelhanças ou desigualdades. E, se se conseguisse colocar-lhes um invólucro e exibi-los, pondo-os à mostra, possivelmente assistir-se-ia a uma parada de monstros, a um desfile de horrores que assustaria quem tivesse a curiosidade de os contemplar.
E aqueles que se referem aos espíritos dos que já se foram do mundo dos vivos, utilizando artimanhas mágicas e místicas julgadas eficazes, convencem-se e induzem os outros na ideia de que o mundo espiritual é eterno, encontrando-se atafulhado o espaço de criaturas gasosas, etéreas, que aguardam a sua vez para entrar em corpos que se encontrem em condições de efectuar uma nova viagem terrestre.
É, da mesma forma inútil, aceitar ou rejeitar tal crença. O que não se pode provar, também se encontra livre de desmentido.
A todos nós, simples mortais, já nos basta ter de suportar as realidades da vida. Mas, não nos deve ser permitido contrariar todos os que, muitos ou poucos, carregam a sua fé, seja ela qual for. Se são felizes assim, com espírito ou sem ele, pois prossigam nas suas convicções. Desde que não provoquem confrontos que sejam decorrentes de facciosismos, sectarismos doentios, todas as ideologias são próprias dos habitantes do Mundo.
Por não ter a mesma opinião do que eu, o outro não tem de ser meu inimigo. Eu, pelo menos, não o sou, dos que caminham por outras vias, por mais contrárias que sejam das que eu sigo. Sou um exemplo? Longe disso…




terça-feira, 3 de novembro de 2009

MEMÓRIA

Tanta falta que ela faz
quando a ela recorremos
e se ela se compraz
não mostra o que queremos

É assim a tal memória
faz-nos sofrer com desgraças
recordar-nos cada história
que nem vê-la com mordaças

Certos nomes, certas caras
que precisamos lembrar
são situações bem claras
que a memória faz passar

Coisas passadas há anos
que os tempos já tinham posto
no fundo dos oceanos
não nos causam o desgosto

Mas ocorrências de há pouco
essas de que ‘inda paira o cheiro
deixam-nos como um bacoco
ardeu tudo num fumeiro

Pois a memória é assim
muitas vezes nos ajuda
compensa a dizer que sim
quando não teima em ser muda

Queixamo-nos muitas vezes
da falta que ela nos faz
então a nós portugueses
muita arrelia nos traz

Memórias da ditadura
é coisa que ninguém quer
é matéria muito dura
não é algo de prazer

Mas recordar coisas belas
bons momentos já passados
é como acender as velas
em honra de seres amados

Temo-nos que conformar
com as lembranças melhores
que já não querem voltar
a fazer seus favores

Memórias más nem pensar
mas são essas as que chegam
só dão para enfadar
e nos aconchegam

Se no botão eu pudesse
escolher o que me apraz
talvez nunca eu fizesse
olhar sempre para trás

Memória que até dá jeito
para lembrar os favores
que me trouxeram proveito
no que conta a desamores
então já não acho graça
mais vale não ter memória
que isso de mulheraça
é tema p’ra outra história

DESENCANTO...POR ENQUANTO!

A memória das gentes, quando funciona, tem as suas vantagens. Recordar o que de bom se passou é rever um filme que ficou guardado no armazém dos prazeres. Já o lembrar situações tristes constitui um sofrimento que se repete. E se é por moto próprio, então será um acto masoquista.
Mas a memória nem sempre funciona a pedido. Ela abre as portas mesmo sem necessidade de apelos. Aparece subitamente e mais ainda quando nos encontramos sós. Também por comparação com o que se assiste em determinado momento. Por vezes, ela rebusca um passado longínquo. Transporta-nos, por exemplo, à meninice. Faz-nos ver caras antigas, quantas vezes de gente já desaparecida do nosso convívio. Até mortas.
Acontecimentos recentes nem valem a pena rememorar. Tudo que está fresco não tem interesse. Mas voltar atrás muitos anos, sejam factos animadores ou, pelo contrário, desagradáveis, para esse exercício não necessito de fazer grande esforço. Basta-me fechar os olhos, pois ajuda à mais conveniente. concentração. E deixar que a memória faça ela própria o trabalho, trazendo à presença o que achar
Quem têm má memória, quem só se preocupa com o que vive no momento, aqueles que entendem não ganhar nada com recordações, tais personagens também não são capazes de imaginar um futuro. Não crêem no princípio de que é muito útil lembrar os erros passados, para tentar não os repetir.
Conseguir fazer uma retrospectiva histórica, isenta de partidarismos, honesta na apreciação, é um passo para poder imaginar o que vem aí, é ser possuído da capacidade de viajar no desconhecido e tentar descobrir o ignorado que nos espera.
Isto digo eu, admitindo que poderá haver controvérsia aceitável.





segunda-feira, 2 de novembro de 2009

TESTAMENTO

Hoje estou num desses dias
com ganas de fazer nada
todos nós temos manias
ou gosto pela vida airada
tenho livros para ler
mais de dez na escrivaninha
pinturas para fazer
mas caí nesta morrinha
é preguiça
enfermiça

Olho só, mas nada vejo
nem isso quero fazer
tudo me causa bocejo
mas que maçada viver
e falar não é comigo
que trabalho isso me dá
andar também não consigo
dar uns passitos vá lá
mandriice
que lesmice

Amanhã será diferente
terei plena energia
pois nem sempre a gente sente
bem fundo a mesma agonia
vou falando com quem passa
poesia escreverei
mirarei a mulheraça
e tudo que sei farei
com vontade
e qualidade

Postas as coisas assim
parando para pensar
ponho esta questão a mim
em prosa ou a versejar:
pode-se ser mais feliz
estando atento à nossa volta
e sendo sempre juiz
ou seguir na vida à solta
divertido
extrovertido ?

Boa questão está no ar
que responda quem souber
cada um faça o que achar
o que mais lhe aprouver
porém o mundo não deixa
que cada qual faça a escolha
pois muita porta se fecha
quem anda à chuva se molha
aguenta
que tormenta

Sendo pobre, coisa má
mais difícil a opção
não há por perto o sofá
e p’ra dormir há o chão
por isso não fazer nada
não é escolha para ter
e andar na vida airada
não é questão de querer
o trabalho quando falta
sem ser por própria vontade
mesmo doente com alta
não dispõe de liberdade
desemprego
desassossego

Comigo não é assim
não sou pobre nem sou rico
é só por não estar afim
não quero e nem abdico
já nesta altura da vida
de ser de outra maneira
o momento é que convida
seja certo ou seja asneira
dolência
independência

Não posso ser mentiroso
pôr em verso meus desejos?
é que me dá certo gozo
fingir que tenho bocejos.
Não, nunca estou desse modo
no “dolce fare niente”
por mim nunca me acomodo
na posição de ausente
é que tenho consciência
de que o tempo que me resta
me desperta a exigência
de não m’entregar à sesta
essa a razão por que faço
esforços p’ra produzir
e afugento o cansaço
em troca do insistir
teimosia
rebeldia

Estou num dia portanto
ao contrário do que disse
em que p’ra dentro canto
não vejo nisso chatice
acrescento mais poemas
ao rol imenso em arquivo
são quase todos algemas
que deixo em donativo
aos que ainda cá ficarem
nada têm de nocivo
mesmo sem apreciarem
testamento
sem talento

CONFISSÃO



CONFESSO-ME farto de andar a tomar conhecimento dos problemas que nos envolvem, a nós cidadãos do mundo, e, no meu caso, obviamente, ao que diz respeito ao que se passa aqui, em Portugal, que é o quinhão natal que tanto gostaria de ver entrar no bom caminho, já que, aquilo que aprendemos na História não nos empresta muito conforto, mesmo levando em conta os feitos heróicos que algumas figuras de enorme destaque e que não podem ser olvidadas pelas gerações que estudam nas escolas, sobretudo nas primárias – e continuo a chamar-lhes assim, porque não me conformo em dar-lhes outra classificação -, e que, por isso mesmo, deveriam servir de exemplo para mostrar a estrada que nos falta percorrer e que, nesta altura, se situa numa encruzilhada de que ninguém se pode alvorar em adivinho do que será o amanhã, repito, farto de tomar conhecimento e de constatar a falta de medidas que alterem o que está a durar há excessivo tempo, entendo que se impõe mudar de forma de encarar a vida, especialmente por me encontrar já na situação de reformado.
É que eu, que não escondo e não disfarço a angústia que me vai no interior de não descortinar por aí portugueses exemplares que mostrem capacidade para nos tirar do buraco em que fomos enfiados, que, por mais que mudem as figuras de destaque no comando do nosso barco, não consigo retirar uma só que alastre confiança para, com bom senso, inteligência, capacidade organizativa, verdade e, bastante acima de tudo, de honestidade para merecer a confiança dos sacrificados lusitanos, mantendo este ponto de vista interrogo-me se valerá a pena continuar na senda de debitar num blogue, num livro ou num jornal – pois todas as formas já foram por mim utilizadas – e, apesar de me satisfazer o ego lançar para o exterior aquilo que mantenho na cabeça, que ainda funciona regularmente, cada vez me convenço mais de que se trata de tempo perdido e que, por outro lado, não sei se os eventuais leitores tiram algum proveito do meu esforço.
Sim, porque os nossos compatriotas talvez nem mereçam que um indivíduo se entregue a este trabalho, pois as reacções que recebo pelo eventual seguimento dos meus dislates não compensam a intenção que ponho neles. Este é um povo que nem faz nem liga ao que os outros fazem e se não vislumbram algum proveito com a adesão a uma causa – a menos que seja uma caravana sindical -, deixam-na cair e olham para o lado.
Talvez, por isso, vá dedicar maior atenção aos meus poemas do que aos textos que têm como preocupação principal chamar a atenção para o que nos rodeia e tem intervenção directa na vida que levamos por cá.
Deixem-me desabafar hoje desta maneira. Deixem-me ser sincero, ainda que possa não ter toda a razão do mundo. De facto, embora muitos dos blogues que eu leio não me pareçam nada merecedor de louvor excessivo, ainda que sejam originários de figuras bastante conhecidas no mundo da política, e se encontrem na lista dos que contam com milhares de leitores, eu, que não sou nada de louvar o que faço, sempre conservo uma determinada confiança quanto ao préstimo do que escrevo.
Deixem-me, por uma vez, olhar para o meu umbigo!...

domingo, 1 de novembro de 2009

UMA VIDA

Só agora publico este poema, porque talvez já seja altura de dar mostras, aos que são recentes e não viveram, por isso, difíceis tempos antigos, de que um tal José Vacondeus existiu e, casualmente, ainda existe, sempre sem querer dar nas vistas, que aqui andou por este Portugal e algumas coisas fez...
Toda a minha vida um desafio
desde que me conheço é assim
por isso terá sido um desfastio.

Na primária, quando dei por mim
já sabia a tabuada de cor
repetia-a tim-tim por tim-tim.

Na quarta-classe tive um professor
antigo preso político era
que ensinava, era sabedor,

tTnha sempre uma atitude austera
resultado de anos de cadeia
e do isolamento que sofrera.

Terei colhido aí uma boleia
sem dar por isso, era muito novo,
tal ser doente deu-me a ideia

De que se está descontente o povo
e critica em surdina um político
o que quer é recomeçar de novo.

Nasceu assim em mim sentido crítico
mas tão pequeno falava sozinho
não podia sequer ser analítico.

Foi aí o começo do caminho
com dez anos no liceu não entrava
fiquei a marcar passo um aninho,

Com tal professor fiquei onde estava
e ouvia com ele a BBC
da Situação também não gostava.

Tal como o que não se vê não se crê
a bondade do regime não vi
e passei a perguntar o porquê.

Para os estudos a sério nasci
a minha irmã mais velha ia à frente
com a vida então eu aprendi,

E essa pode ser mais complacente
ou conforme a conduzimos, madrasta
mesmo olhando bem o que vai à frente.

Lembro-me que nem sequer tinha pasta
e com cordéis os livros apertava
não deixando de ser entusiasta.

Passando todos os anos lá dava
à família prazer e alegria
que com dificuldade suportava

A despesa que o estudo cria
tratando-se de mais do que um filho
ambos sem razões para fantasia.

Entendi por isso de afogadilho
sem consultar ninguém nem os meus pais
que deveria evitar o sarilho

De criar preocupações demais
pelo que teria de trabalhar
como faziam outros tantos tais.

Então isso foi só um começar
e a estudar à noite fui andando
pois muito me faltava ainda andar.

Empregos menos maus fui arranjando
era sempre eu só que decidia
quando não gostava ia mudando,

Até que, por acaso, um belo dia
fui parar ao que seria o futuro
a Bertrand, a saudosa livraria,

Onde despertou em mim com apuro
a paixão pelos livros e leituras:
tinha de ser esse então o meu furo.

Convivi aí com grandes figuras
das artes, das letras, do jornalismo;
marcaram-me forte tais criaturas.

Pegado me ficou o fetichismo
mas estudar à noite lá se impunha
nada fazia com amadorismo.

Foi no jornalismo que entrei sem cunha
mantendo as duas obrigações
foi como pegar os touros à unha.

As Letras eram minhas intenções
mas a Economia me apanhou
onde fui andando aos tropeções.

Aquilo que desde então se passou
pertence ao desafio da minha vida
em que a política não faltou.

Não foi por isso geração perdida
vivi num mundo de intelectuais,
de gente pensante e bem sabida.

As tertúlias eram semanais
com Ortega y Gasset muito aprendi,
Ferreira de Castro e outros mais

Muitos já morreram, o que é duro,
Aquilino Ribeiro um de tantos
com todos eles fiquei mais maduro

E sem me agarrar a quaisquer santos
mantendo sempre a independência
entrei no jornalismo com encantos.

Não tendo a Censura complacência
e tendo à minha perna sempre a PIDE
o que me valeu foi a insistência

Para prosseguir nessa dura lide
para não desistir da profissão
seguindo exemplo de quem progride

Mesmo face a alguma decepção
podia aguentar, era solteiro,
e mais de uma vez conheci prisão,

Mas até aí tive bom parceiro
o Piteira Santos, que companhia!
boas conversas o tempo inteiro…

Em certa altura tive a ousadia
de escrever uma enciclopédia
um editor teve a valentia

Embora não fosse uma tragédia
eram vinte volumes, que corrida!
não se tratava de qualquer comédia…

Empenhei-me dois anos nessa lida
embora não deixando os jornais
mas foi uma aventura atrevida.

E a enfrentar tantos vendavais
a idade avançava sem parar
a vida não são só jogos florais.

Já bem trintão e quase sem esperar
num intervalo dos jornais, forçado,
surgiu a ocasião de casar,

Eu, esquerdista predestinado
entrar em família da direita
seria desviar todo o meu fado!

Mas já estava escrita a receita
não podia fugir de tal destino
nunca se sabe o que nos espreita

E mesmo quando se pensa ser fino
quando nos damos conta já fizemos
aquilo que dizemos não ter tino.

Depois da obra tudo esquecemos
o melhor é começar vida nova
engolir sapos vivos merecemos

E saber que dai até à cova
tudo o que dantes eu fazia, era,
o passado é coisa que se escova.

É verdade que a mulher sincera
abdica uma porção do seu antes
ainda que a família fique fera.

E perante todos esses obstantes
com a mobilidade reduzida
ela cristã, eu tal como Cervantes

A ver paisagem já indefinida
com moinhos de vento bem distantes
e com sanchos panzas de foragida.

Republicano sim, tal como dantes
monárquica Filipa por herança
mas nada disso criou rocinantes

A cavalgar diferente andança
desencontrada, destinos opostos,
mas cada um de nós com sua dança

Cá estamos os dois com nossos gostos
em bastantes coisas bem diferentes
pelo que certas vezes dá desgostos.

E dado que não temos descendentes
se não aquela que sentimos filha
não haverá guerra entre parentes,

Não ficará nada que dê guerrilha
só livros, muitos livros e pintura
que para alguns não é maravilha

Alguma coisa na minha cultura.
serviu para poder amealhar
o que fiz ao longo de vida dura.

Como isso não serve para dar
bem se perde com as cinzas da morte
não terá régua para avaliar

Reconheço que fui bastante forte
para preencher todo o meu programa
talvez pudesse ter feito um corte

Criando diferente panorama
mas já não seria eu o autor
do que fiz sem merecer qualquer fama.

A peça de teatro com rigor
até recebeu um prémio de ensaio
mas a Censura não a deixou pôr

Em cena no Nacional, mas que raio!
e até hoje nunca ninguém viu
nem espreitou mesmo até de soslaio

Ninguém se lembra a quente ou a frio
de uma revista que até deu brado
chamava-se Mercúrio, cumpriu

Aquilo que lhe estava destinado
que era difundir bom escritor
de contos e talvez pouco falado.

E o que então fez grande furor,
na época em que surgiu à venda
o Mundo Financeiro sim senhor

Que era quase uma oferenda
aos comerciantes que sem estudos
tinham as finanças como uma lenda.

Apesar de na rua sermos mudos
tive colaboradores comunistas
quer operários quer com canudos.

Eu, que nunca gostei de dar nas vistas
e a minha independência conservava
jamais figurei em qualquer das listas

Do único partido que reinava,
clandestino pudera, perseguido,
e que a PIDE então não largava

Quem o aceitasse era bandido
só tinha um destino, era a prisão
ou a U.N. o único partido.

Quando o Piteira Santos, de puxão,
tinha a polícia à perna p’ro prender
encontrou um amigo mesmo à mão,

Era eu, que o podia esconder
o que fiz numa casa emprestada
onde mais ninguém tinha de saber

Que era ali a última morada
antes de partir pr’a África norte
onde ficou com fé na alvorada.

Só que eu não tive a mesma sorte
denunciado por traidora vil
lá fui parar ao quinto andar do forte.

Tudo isto passou com ar hostil
mas como ainda não era casado
havia que voltar ao meu redil.

Começando de novo já cansado
deixei por uns tempos o jornalismo
tinha que me voltar p’ra outro lado

Assim, tornei de novo ao fatalismo
ao que está escrito no guião da vida
pensei muito, mas hoje já não cismo

Casado, era agora outra lida
para trás ficou o que eu fui então
não faz falta lamber hoje a ferida.

O dia dos cravos trouxe ilusão
pois novas perspectivas se abriam
e eu não teria qualquer perdão

Se não festejasse sonhos que haviam;
sem censura era o momento dado
para ver de facto o que valiam

Todos os que se diziam do lado
dos revoltosos, sempre tendo sido
gente que passou um mau bocado.

Isso diziam com ar convencido
levantando o punho com arrogância
qualquer um ficaria convencido

De que isso não era apenas ânsia
de que faziam parte do partido
desde sempre, desde sua infância!

Dessa forma fazia bem sentido
lançar semanário independente
mesmo no meio de tanto alarido

E continuando a ser intransigente
com os princípios da democracia
fundei o “Tempo” sem ficar contente

Tendo logo depois chegado o dia
em que decidi criar de raiz
jornal sem partido, grande utopia!

Durou dez anos, chamou-se “o País”
nasceu e viveu sempre com paixão
cumpriu o dever, nunca foi juiz

O seu fim foi só por uma traição
de um desses que fugiu p’ro Brasil
e toda a vida foi um aldrabão.

Pois essa gente que odeia Abril
mesmo os falidos que fingem que não
usam a política como ardil.

Já muito longe a Revolução
quem apanhou o comboio a andar
deixou para trás quem naquele então
sofreu bastante por não abdicar.

Só resta hoje a consolação
de ter a consciência tranquila
mesmo estando já no fim da fila.
por ter feito algo pela Nação

GOVERNO QUASE NOVO



AGORA, que já se conhece todo o elenco do XVIII Governo que acabou de tomar posse, e em que se aguarda apenas que José Sócrates anuncie formalmente qual é o programa que vai defender na Assembleia da República, isto depois de o mesmo já ser conhecido na sua generalidade, haverá muita gente a fazer contas à vida, alguns confiantes e contentes e outros desconsolados por não fazer parte daquele número de novos titulares de lugares públicos superiores quem seja das suas relações e por isso não possam contar com favores para colocações escolhidas, pois, por muito que desmintam tais personalidades, as cunhas sempre fizeram e farão parte do comportamento lusitano. Há os que pedem e os que concedem, a troco seja do que for…
De resto, nos actos de posse assiste-se sempre a uma verdadeira caravana de aduladores, de toda aquela gente que se veste a propósito e se apressa a felicitar os novos membros, curvando as espinhas e mostrando o melhor sorriso e, se possível, possibilitando um abraço que tem de ser aceite e que ajuda a compor um elogio a propósito. Nesta fase, dita de Democracia, nada mudou em relação ao que se passava no tempo da outra senhora. Haverá algumas caras diferentes, não na totalidade absoluta, mas os locais são os mesmos e as atitudes teatrais repetem-se. Um enjoo.
O que se aguarda agora, que vai começar a sério o trabalho que o Executivo novo tem de desempenhar, é verificar se existirá capacidade para enfrentar os verdadeiros problemas que o País apresenta e se, também com dificuldade, ultrapassará os “nãos” das Oposições, pois que, à falta de uma maioria absoluta no Parlamento, o entendimento tem de estar na ordem do dia.
Para já, face a uma debilidade financeira com que lutam os dinheiros do Estado, o número de ministérios que fazem parte deste Executivo talvez pudesse ser reduzido, tanto mais que ainda se encontra por fazer a remodelação da administração pública que constitui uma das queixas mais repetidas dos cidadãos. Não é por serem muitos que poderão ser melhores. E também outra interrogação que me ocorre fazer e que vem mesmo a propósito perante a “bronca” agora divulgada com o cognome de “Face Oculta” é a de ficarmos na expectativa sobre a intervenção dos poderes públicos para que o caso na Justiça, para saber se ocorrerá outra demora de anos como tem acontecido com a vergonha do Casa Pia. Sempre queremos ver se, com a mudança do ministro do pelouro, o chefe do Governo se satisfaz com uma situação que não dá louros a nenhum Executivo em qualquer parte do mundo.
Só nos resta, portanto, a todos nós, portugueses que temos obrigação de estar atentos ao que vai sucedendo e às maneiras como vão sendo encaradas as soluções encontradas, ir soltando a nossa opinião e, caso não nos encontremos em condições de participar num julgamento adequado, não deixando de ler e de ir ouvindo o que os mais sabedores (ou atrevidos) divulgam. Indiferentes é que nunca.
Por agora, no que me diz respeito, farei o que julgo estar ao meu alcance, com base em muitos anos de acompanhamento da vida de vários conjuntos governamentais, desde o que existia antes e após o que surgiu depois. Tem sido uma aprendizagem à força de sofrer na própria pele as consequências de não me encontrar satisfeito com o que considero merecedor de crítica. Antes, era a PIDE e a Censura que actuavam. E os custos não eram frouxos, sou eu que digo…
Agora, já só com este blogue, não fico mudo e quedo. E os que me lêem que digam se estão de acordo ou não. Mas não se calem!...

sábado, 31 de outubro de 2009

DESCONSOLADO

Aqui estou eu, desconsolado
a ver passar o mundo
à minha volta
sem que nele interfira
sem que o melhore
mas também pouco
o piorando.
Sou mais um
dos milhares de milhões
que por cá andam
a consumir o ar,
a água, o ambiente,
o espaço e que contribui para que o amanhã
seja muito pior,
mais escasso de tudo,
menos belo,
menos natural.

Aqui estou, enfastiado
já sem me importar
com o que vem a seguir,
com o que vai ser o futuro,
aquele que não me vai encontrar...
para me desconsolar

FACE OCULTA



EU BEM tomo conhecimento dos comentários que me enviam e, tirando aqueles, felizmente bastantes, de aplauso quanto ao que escrevo, surgem também os que tomam a posição de me acusar de ser excessivamente pessimista. Mesmo tratando-se de opiniões pouco frequentes, não deixo de me inquietar porque tomo sempre atenção ao que os outros opinam e tenho de levar em conta a razão que lhes poderá assistir.
Porém, como ainda hoje sucedeu, ao dar a volta a todas as notícias que busco nos vários meios de que disponho, por mais que quisesse encontrar assuntos que dessem para transmitir alguma satisfação, um certo optimismo, a verdade é que nada me chegou que pudesse nesse sentido aproveitar no meu blogue. E, bem ao contrário, os noticiários deram grande relevo ao caso dito de corrupção que envolve empresas com participação do Estado e a constituição de arguidos suspeitos de estarem envolvidos no que tem já o nome de “Operação Face Oculta”.
Poderia passar por cima, ignorar este caso e, para não dar assunto aos que me acusam de falta de optimismo, ir directamente às situações que também surgem nas primeiras páginas dos jornais e que dão grande relevo aos casamentos desfeitos, aos namoros que se interrompem, às gravidezes que algumas figuras mais ou menos conhecidas assumem e ficam satisfeitas de tornar públicas, assim como a outros assuntos de igual menoridade noticiosa. Mas não foi por aí que entendi seguir na preparação do texto que dou a conhecer. Não pude fugir de considerar como tema principal aquilo que está a ocupar o sector de investigações, policiais e já mais adiante, posto que a corrupção, num País como o nosso em que a situação social se encontra tão melindrosa, tem de ser devidamente apontada não permitindo que passe despercebida, já que o andamento nos Tribunais se encarrega sempre de fazer esquecer na opinião pública os problemas que deveriam ser mais rápidos a merecer os respectivos julgamentos.
Não vou demorar-me, por hoje, neste caso. Deixo para mais tarde referir-me ao que começar a sair como esclarecimento de quem são os envolvidos numa situação que cheira a milhões de euros, posto que situações deste tipo envolvem sempre quantias muito altas e beneficiados que pertencem ao grande grupo de figuras que se sabe que têm um nível de vida muito acima do normal.
Mas, sem entrar numa área por agora muito sensível, basta que deixe aqui referido o caso de Armando Vara, que não sendo uma excepção, antes pertence a um grupo de gente que muito tem beneficiado com a situação política que se tem vivido por cá, fará reflectir bastante os portugueses comuns, pois que a sua ascensão foi tão rápida e tão satisfatória para o próprio que leva a perguntar se não existe forma de impedir que casos semelhantes e tão extravagantes sucedam com tanta frequência. Este felizardo, que passou de funcionário simples da C.G.D. lá no interior do País, inexplicavelmente para a função de vice-presidência do BCP e que, não só isso, pois beneficiou da subida rápida de escalão dentro do Banco público, o que lhe dá uma reforma, a seu tempo, que excede enormemente o que os seus colegas antigos vão auferir quando chegarem a essa situação de reformados, pois tudo isso lhe sucedeu graças ao caminho que tomou dentro da política e que, como a tantos outros, permitiu acumular benesses verdadeiramente escandalosas.
Graças a António Guterres, conseguiu chegar a lugares no Governo, como secretário de Estado e como ministro, até que, no ano 2000, se viu envolvido por um escândalo que merece outro texto para o lembrar. Não lhe foi atribuída qualquer responsabilidade e Armando Vara, não sendo uma excepção, conseguiu sobreviver a todas as situações e coube-lhe agora uma nova referência a um caso que promete.
Promete o quê? Pois será mais uma situação que, se não for uma raridade de tudo a que estamos habituados a assistir, ficará nas conhecidas “águas de bacalhau”.
Sou pessimista? Digam que sim, digam… mas depois não se queixem!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

DIVERSOS

Muito amor diz-se eterno
são juras de namorados
ninguém diz que tais amados
mandam juras p’ro Inferno

Um bom livro é bom amigo
por muito mau que ele seja
também provoca inveja
se escrever eu não consigo

Ter a certeza é banal
naqueles que poucos sabem
e na dúvida não cabem
dentro do erro fatal

São sempre os negativos
que nunca dizem que sim
não concordam com o fim
usam mal os adjectivos

Sou daqueles que acredita
que quanto mais estudamos
mais ignorância alcançamos
descobrindo tal desdita

O tempo tal corredor
mesmo sendo conselheiro
acaba por ser coveiro
de tristeza ou grande amor

E quem não quer fazer nada
mas critica quem bem faz
fecha os olhos e zás-trás
desembainha a espada

Oposições aos Governos
estão lá mesmo p’ra isso
p’ra prestar um bom serviço
demitir os estafermos