segunda-feira, 21 de setembro de 2009

DESEMPREGADOS



Ainda nos encontramos a caminho das próximas eleições legislativas, essas que, sem sombras de dúvidas, sejam quais forem os resultados e portanto não interessando conhecer, para este efeito, qual o partido político que se vai colocar em primeiro lugar no número de votos, mesmo neste fase podemos dar-nos ao luxo de colocar a imaginação a trabalhar e anteciparmos alguns acontecimentos que resultarão da tomada de posse de um novo Governo, seja uma repetição dos socialistas ou quer se trate de uma mudança para outra força política, só ou em coligação.
Explico melhor: depois do próximo dia 27, conhecida que seja a posição dos vários movimentos políticos que concorrem ao lugar cimeiro, haverá apenas que aguardar pela formação do novo Executivo, dado que os membros superiores dos ministérios actuais terão de encarar a saída dos respectivos lugares e, sendo o PS o partido vencedor, a aguardar que José Sócrates os renomeie ou, pelo contrário, os substitua por quem julgar mais conveniente. O mais natural, por certo, é que, nesta altura só tenham uma vaga ideia do seu futuro imediato.
Mas, tratando-se de uma amostra seguinte que seja consequência dos socialistas não obterem o lugar cimeiro nas votações dos portugueses, nesse caso pode-se considerar como absolutamente certo que os detentores actuais dos lugares no Conselho de Ministros, todos sem excepção irão à sua vida, pelo que abandonarão os cadeirões onde se têm sentado ao longo da vigência do Executivo que tem estado em funções.
Perante a nova situação que surgirá em qualquer das circunstâncias apontadas, a pergunta que tem lógica ser feita é a do que vai acontecer aos actuais governantes, se ficarão desempregados, como sucede a qualquer trabalhador que é despedido ou foi vítima da falência da empresa onde actuava, ou já tem em vistas um “lugarão”, daqueles que se preparam para a eventualidade de correrem mal as coisas no sítio onde se encontrava.
Pelos exemplos a que temos assistido por cá ao longo dos trinta e tantos anos de Democracia em Portugal – não que este regime tenha a culpa, mas porque as circunstâncias permitem que as coisas sejam favoráveis aos arranjinhos dos amigos, camaradas ou parceiros que se ajudam uns aos outros -, tendo em vista o que se têm passado, é de esperar que os vários participantes no Governo de Sócrates já contem com boas posições em administrações de empresas de grande porte, na maioria dos casos públicas, e em que as suas remunerações até serão bem mais acolhedoras para os próprios.
Alguém tem dúvidas quanto a este prognóstico?
Vão ficar os coitadinhos todos nas ruas da amargura, sem emprego e sem modo de vida?
Vai o Fundo de Desemprego ter de actuar no sentido de dar protecção aos que, tendo feito tão bons lugares e contribuído para o progresso do País e dos portugueses, passam de um dia para o outro a não ter como sustentar as suas famílias?
Era para me referir hoje ao problema agora trazido à liça do confronto institucional entre Belém e S.Bento, no que se refere a escutas que abalam a segurança que fica abalada por suposições que, afinal, já vêm desde Agosto passado mas que foi considerado ser agora o momento ideal para criar a desestabilidade política. Por mim e enquanto o assunto não estiver devidamente esclarecido não aceito essa guerra com valor suficiente para me pronunciar. Lá irei.

domingo, 20 de setembro de 2009

ENCHER O PAPEL

Aqui estou eu à frente do papel
à espera que a inspiração me chegue
olhando para a rua a ver passar
aqueles que não olham para a folha
em branco à espera de estar cheio
de letras, de palavras e de versos

Serão felizes esses que não puxam
por um génio que não lhes faz falta?
Quem sabe se não seria melhor
conhecer tudo sobre o futebol
preocupar-me só com o meu clube
e andar em dia com o jet-set?

Se fosse assim, poemas não fazia
e descansava quem viesse a ler
todos os versos livres e bem livres
porque de rima mesmo nada têm
e a cadência é o que lhes resta
mas mesmo assim encheram o papel

GATOS FEDORENTOS



Como não podia deixar de ser tenho assistido às entrevistas feitas por um dos Gatos Fedorentos (peço desculpa mas não fixo os nomes) aos líderes dos partidos principais que concorrem às eleições legislativas (e não só) que estão aí à porta e, talvez ao contrário do que serão as opiniões gerais, tenho ficado com água na boca, isto é, esperava que as questões postas, tanto mais que são preparadas com antecedência, se revestissem de maior interesse e até proporcionassem um grau elevado de dificuldade aos entrevistados, tudo, já se vê, dentro de um espírito de gozo, que é o que se pretende com tal programa televisivo.
É que, em boa verdade, qualquer das figuras que aceitaram estar presente nesse espaço que se dedica à ironia – e, quanto a isso, há que reconhecer que os participantes, embora não pudessem fazer outra coisa que não fosse comparecer, pois a falta de um deles constituiria uma prova de ausência de humor e tiraria votos no próximo dia 27 –, qualquer deles já sabia ao que ia e, por muito ar aparente de alegria que tivessem mostrado, no fundo não estariam a achar graça nenhuma e bem prefeririam andar pelas ruas a distribuir sorrisos e papeis de propaganda a quem não lhe pusesse questões.
Mas, numa passagem breve de apreciação no que diz respeito à ideia do programa em si, tenho de elogiar quem tenha sido o autor, mas, como me compete na qualidade de espectador e de cidadão, confesso que cheguei a admitir que se ia tratar de um espectáculo que faria com que alguns dos interpelados dessem mostras de bastante incómodo, pois as questões que se podiam pôr numa sessão como estas são, sem a responsabilidade de se ser excessivamente sério e escondendo por detrás da graciosidade algumas rasteiras daquelas que até fazem corar os perguntados. Mas isso não sucedeu na generalidade com a dimensão que se poderia aguardar. Terá sido por ausência de génio no grupo que preparou as perguntas ou foi porque se revestiu de certo receio em abarcar temas que, de uma forma geral, andam no pensamento dos próximos votantes e até, ou sobretudo, na cabeça daqueles que não fazem tenção de participar na votação, mas que poderiam levar a atitudes incómodas por parte de quem manda e que, como se tem verificado – pelo menos fala-se nisso – toma atitudes que não são muito meigas?
Não vou deixar aqui nenhuma pergunta que eu faria. Não posso, não me cabe interferir na orientação de um esquema que foi posto de pé com as possibilidades de que dispunham os seus responsáveis. Mas marco o meu desapontamento. Esperava muito mais. Perdeu-se uma oportunidade que ficaria gravada na memória dos que ainda assistem aos preâmbulos de uma eleição de importância, como é a que vai ocorrer em 27 de Setembro.
Quem cá estiver que aguarde por uma ocasião que permita repetir a experiência. E até, quem sabe, nem seja preciso esperar assim tanto tempo…

sábado, 19 de setembro de 2009

ESCRITOR

Isto de ser escritor
porque muito escreve
com fervor
e se atreve
e o querer ser poeta
sem desistir
e de uma forma secreta
persistir
este afã, tal teimosia
como agora é o que faço
na esperança de que algum dia
me compensem o cansaço
e tenha valido a pena
por exemplo
ter afastado a pintura
que era um outro templo
a pertencer à tortura
só espero que o meu fim
seja no momento exacto
sem toques de clarim
e não firmando contrato
não ficando texto a meio
nem verso por acabar
p’ra não haver remedeio
e ser outro a emendar
o que estava feito antes
com susto e suor
e surjam alguns pedantes
a roubarem o autor

Mas isto de ser escritor
e de pouco génio poeta
se não o fez com primor
e usou mal a caneta
em vida
despercebido
não teve boa guarida
e mal foi ouvido
resta ainda a boa esperança
de passados muitos anos
tenha a bem-aventurança
de reconhecidos enganos
porque isso já se passou
com figuras conhecidas
e foi algo que marcou
algumas vidas sofridas
entre elas bem destaco
alguém que por Lisboa
consumiu muito tabaco
esse Fernando Pessoa
que deixou a papelada
espalhada por gavetas
que só depois foi juntada
e inspirou mais poetas
como sucedeu comigo
que o tenho sempre presente
e bem alto eu o digo
e nisso eu sou um crente
por um Pessoa ter havido
reconhecido só depois
se agora sou desvalido
mais tarde seremos dois

Se há quem tanto se gabe
sem razão para o fazer
não sei se a mim me cabe
gozar de tal prazer
presunção
e água benta
isso está na nossa mão
basta que nos dê na venta

Pois isto de ser escritor
e de também versejar
o preciso é ter amor
e em si acreditar
boa escrita
bons poemas
é tudo uma desdita
dificuldades extremas
à espera que um editor
jogue na carta certa
e acredite que o autor
é uma sua descoberta
que valha a pena
apostar
que nesta vida terrena
para mais tarde ganhar
o respeito dos leitores
que são sempre os julgadores.



GATOS E RANGEL



E digam lá se nós, portugueses de gema, não somos uns complicadinhos da silva, gostando de complicar o que, só por si, já oferece dificuldades de resolução mas que, não chegando para criar um drama, lhe acrescentamos algumas parcelas de problemas para enredar ainda mais o panorama. É o que está a ocorrer nesta fase bem perto das eleições legislativas, e em que alguém se lembrou de lançar na discussão política o mote das escutas que estarão a ter lugar na Presidência da República por conta do Governo de Sócrates.
Pois, nem mais nem menos. A uma semana do fim da campanha eleitoral, embora o assunto já venha desde Agosto, a verdade é que é precisamente nesta altura que alguém achou conveniente fazê-lo saltar para a discussão pública. Casualmente? Ou, como já não é a primeira vez, nos momentos em que a população está preocupada com temas que absorvem a sua atenção, convém causar a confusão e há que divulgar alguma coisa que a deixe ainda mais baralhada?
Não vou por aí além. E, já agora, aproveitando a circunstância de ter calhado ontem a Paulo Rangel o ter sido a figura ouvida pelos Gatos Fedorentos, sempre reafirmo o que já era minha opinião: a de que os cómicos da SIC não têm aproveitado bem o tempo que lhes é concedido por aquela estação televisiva, pois havia tanto para “enrascar” o deputado europeu do PSD e aquilo a que se assistiu foi a um diálogo sonso e desinteressante. No meu blogue de amanhã referir-me-ei aos “Gatos”. Há que esperar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

ENVERGONHADOS



Já sei que os “conformadinhos da silva” desta nossa Terra saltam à liça para me acusar de pessimista e de estar sempre a depreciar as nossas características, pois o serem os portugueses – e não os estrangeiros, que esses, sim, é que eu não gosto – a criticar significa, para tal gente, isso representa um sinal de falta de patriotismo. Claro que eu não penso assim. E entendo mesmo que o facto de apontarmos a nós próprios, os defeitos que podem ser solucionados, é uma forma de pretender rectificar o que está mal e contribuir para que Portugal, ao cabo de tantos séculos de existência, deixe de olhar só para o seu umbigo e tenha a humildade suficiente para reconhecer aquilo em que anda errado.
Não me canso, é certo, de referir a vergonha a que chegou o nosso sistema de Justiça, pois que não sendo nada que só agora é que se revelou ineficiente, chegou a um ponto em que não é possível andarmos a fazer papel de distraídos e a permitir que tudo continue na mesma… até um dia!
Também já constituiu matéria dos meus blogues, o caso denominado de “Casa Pia”, em que o julgamento em causa dura há 56 meses, nada mais nada menos do que cerca de 5 anos. E, até à data, ainda se permanece a aguardar que seja marcada a sessão final, em que se apurarão quem são os réus condenados ou se, pelo contrário, tudo fica na mesma, sem responsáveis a ter de cumprir o que quer que seja.
O longo período em que os dinheiros públicos têm sido desbaratados com a extensão do julgamento em causa, foi ocupado com 440 sessões, até agora, em que foram ouvidas 990 testemunhas em 1722 horas úteis de audiências, todas registadas em 1055 CDs, tudo guardado em 265 volumes.
Quanto custou tudo isto ao erário público é uma operação que não sei se já foi feita, mas que não será uma verba insignificante, quanto a isso não deve haver grandes dúvidas.
A pergunta, pois, a fazer ao Governo que já Sócrates anunciou que vai modificar se vencer as próximas eleições, termine por isso no próximo dia 27 e, concretamente ao ministro da Justiça que ocupou esse lugar durante todo este tempo, a pergunta é se não existiu a menor preocupação nas cabeças dos respectivos responsáveis, ao ponto de, pelo menos, terem aparecido em público a demonstrar a sua inquietação por se estar a passar tal situação e tivessem dado mostras de querer meter mão numa vergonha que dá a pior imagem daquilo que somos e do que fazemos.
Eu não entendo como essa gente que governa e que tem influência na resolução dos problemas graves com que nos defrontamos, como é que tais pessoas não se revoltam por dentro e não conseguem dar mostras de querer acabar de vez com as múltiplas vergonhas que deviam fazer andarem todos de carapuça na cabeça.
Tudo isto vai mudar alguma coisa? As eleições alteram o que está mal? As esperanças de uns e as contrariedades de outros depararão com o assistir-se a continuar tudo na mesma?
Ainda será cedo para encontrar resposta inequívoca a estas dúvidas. E cá ficamos nós, portugueses, como sempre, a manter, ainda que com muito custo, a esperança no dia melhor que alguma vez virá. O que se deseja é que seja, connosco ainda vivos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

PENSAR



Deixem-me pensar, ter memória
E calar o mundo ao redor
Matutar na minha história
Quero silêncio por favor

Coisas tristes e coisas belas
Numa corrida infernal
Apressado ou com cautelas
Tal o trajecto afinal

Parar para pensar, que bom
Se somente a nós pertencemos
Não se escuta nenhum som
E névoas é o que vemos

Se tudo o que passou por mim
E que guardei cá bem no fundo
Teve um princípio e um fim
É porque se deu neste mundo

Morrer a pensar bom será
Sobretudo em coisas belas
Pois quem cá ficar ficará
A acender as suas velas

PAULINHO DAS FEIRAS



Tenho evitado referir-me neste meu blogue aos manos Portas, cada um situado no seu extremo político. E o motivo é simples: é que a consideração e amizade que mantenho com a sua Mãe, a economista e nisso minha colega – embora eu nunca tivesse exercido -, Helena Sacadura Cabral, não permite que eu me abra em considerações, ainda que apenas de aspecto político, sobre o modo de estar dos dois participantes em atingir a posição de chefe de um Governo de Portugal.
Vou deixar, por agora, Miguel Portas, pois que este não se tem defrontado com adversários nos frente-a-frente que se têm realizado nas televisões. Faço, pois, uma simples passagem, tão cuidadosa quanto possível, em relação ao presidente do CDS.
Tenho-me debatido comigo mesmo e até porque não obtenho em minha casa a concordância total com o que opino, no sentido de procurar ser o mais independente possível e não levar em conta as teses que são defendidas por este líder da Direita. Mas, já me coloquei, em mais de uma vez, na posição de oponente nos confrontos a que tenho assistido e, apenas com tal papel, não posso deixar de constatar que Paulo Portas, no aspecto de seguidor dos princípios democráticos, não conseguiu fugir da luta das palavras e do desrespeito pelo tempo concedido a cada um dos intervenientes. E já nem vale a pena apontar as caras que fez sempre que, no outro lado da mesa, surgia um ponto de vista com o qual não concorda e dos risinhos de gozo, de complacência, de desculpa a quem não sabe do que fala que se nota no comportamento do Paulo. Mas, há que dizê-lo, que, neste aspecto, pode ser feito o paralelo com o comportamento de José Sócrates nas mesmas circunstâncias, posto que este, também mau seguidor das regras democráticas, até na troca de palavras com Manuela Ferreira Leite, marcou claramente as formas de desatenção quanto ao respeito pela opinião dos outros.
A forma autoritária que cada um utiliza nos seus discursos não pode servir de padrão em democracia. Enquanto uns, poucos, são mais tranquilos a expor os seus pontos de vista, outros sacam de toda a força da sua voz para não deixar dúvidas de que o seu pensamento é o autêntico e não admite réplicas. Mas o que tem de ser criticado e é isso que faço agora é o ter sido utilizado o tempo que corresponde ao oponente para o desmentir, para expressar o contrário, para não o ter deixado ser dono do que lhe cabia nos minutos que lhe eram atribuídos.
Nisso, meu caro Paulo Portas, não posso deixar de o acusar de dar mostras de dificuldade em aceitar as regras democráticas e, por isso, eu recear que um mandato político que lhe viesse a calhar seria utilizado para não ouvir as opiniões dos outros, só aceitando as suas como as autênticas. E, nisso, já nos basta ter de suportar o José Sócrates.
Vou agora dizer uma coisa de que o Paulo provavelmente já nem se recorda: quando se foi oferecer ao semanário “Tempo”, para ali se poder estrear no jornalismo, ainda eu era seu Director Adjunto, deixei o chefe de Redacção Peixe Dias atendê-lo e dar-me depois uma opinião. Foi, de facto, esse profissional que contou muito para a sua entrada na Imprensa, pois eu, que já estava de saída para fundar outro semanário, “o País”, não quis interferir nessa tomada de posição. Mas recordo-me de me ter sido dito que o “rapaz que se propunha ser jornalista” mostrava um grande sentido de confiança em si próprio e debitava já muitas opiniões que lhe foi dito que era conveniente resguardar para si, se queria ser um jornalista com sentido de independência. Mais tarde fundou um semanário com um título que dizia tudo - o Independente” -, mas sobre essa característica não me quero pronunciar. É que o meu ponto de vista sobre a ética profissional do jornalismo já foi aqui expresso e julgo que os meus colegas sabem bem o que penso.
Desculpa-me, minha querida Helena Sacadura Cabral, se não me expressei em completa defesa da actuação do teu filho Paulo, mas eu adiei o mais que pude este comentário e quem se expões tem de se sujeitar às opiniões dos outros. Mesmo que não condizentes.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

DEIXAR ALGUMA COISA

Há quem não se preocupe com isso
que o depois não seja um problema
se a vida já é algo tão maciço
para que serve aumentar o tema
o depois pertence ao infinito
a esse campo do desconhecido
porquê então andar por cá aflito
se o que a vida dá é bem sabido
e chega p’ra ocupar atenção
façamos bem o que há que fazer
e deixemos a preocupação
de pensar no que vem após morrer
lá está a cova e um caixão
e se acabou é só esquecer
também há quem prefira a cremação
pois por cá há bastante que fazer
e não dar que fazer é o melhor
aos outros depois de dar a partida
seja qual o caminho seja qual for
não há volta é apenas a ida
o melhor p’ra eles é esquecer
a vida vai seguindo cá no mundo
por grande que seja o desprazer
porque afinal no fundo, bem no fundo
ninguém se lembra nem na nossa rua
pois o tempo é o melhor remédio
cada um cá na vida continua
para matar saudades e desgostos
porque também propriamente o tédio
é coisa que muito foge dos rostos
Vale a pena deixar alguma cousa
que depois já não estando por cá eu
não se sabendo onde a alma repousa
se no tal Inferno ou se no Céu?
Isso para todos que têm fé
que acreditam que um depois existe
conhecendo-me a mim José
por certo mostram um semblante triste

Porque todos os outros, a maioria
raramente o que fui recordam
estavam bem longe do que eu sentia
por isso também depois não discordam
essa a razão por que quero deixar
alguma coisa que dê a ideia
do que procurei ser e sem mostrar
o que ocupou uma vida cheia

Antes papeis jaziam nas gavetas
cheios de bolor, grande confusão
era no tempo do uso das canetas
quando ainda não havia a paixão
por internet e computadores
porque hoje fica tudo no disco
que conserva bem todos os labores
durante anos sem menor belisco
aí fica o que hoje produzo
à espera de mais tarde ser visto
a menos que surja algum intruso
que não seguindo as regras de Cristo
entenda destruir só por maldade
ou até nova ciência humana
a tecnologia d’hoje altere
reapareça outra traquitana
que nem disco gravado recupere

Mas não, há que manter a esperança
de que algo de meu sempre resista
e de que certa bem-aventurança
permita que seja feita justiça
e que daqui a anos, muitos mesmo
o meu nome passe a ser falado
que não como um qualquer aventesmo
jornalista, escritor, poeta honrado

A esperança é grande desidério
e o seu fim é só no cemitério

GAFFES



Já não nos devíamos admirar das “gaffes” cometidas pelos nossos políticos, por aqueles que são considerados os principais da cena que nos é apresentada permanentemente, pois aquilo a que nos é dado assistir só tem servido para, cada vez mais, perdermos a confiança no futuro aceitável do nosso País.
Ainda haverá quem tenha esperanças de ver Portugal ascender à fasquia dos menos mal situados no panorama europeu. E, por isso, considere que todos os avisos e até desconsolos que sejam evidenciados por compatriotas só representem falta de amor à Pátria. Pois eu entendo exactamente o contrário. Quando nós, em nossa própria casa, no seio da nossa família não somos capazes de reconhecer os erros que praticamos e avisar para procurar emendá-los, quando preferimos fingir que tudo corre bem e silenciar, nesse caso, digo eu, é que não contribuímos para que a situação se altere.
Lá ouvir os de fora apontar os nossos erros, isso é que custa. Ninguém fica agradado ao escutar um estranho indicar-nos os defeitos que temos. Mas se somos nós os primeiros a interferir para que as asneiras não se voltem a repetir, nesse caso é bom que isso se verifique.
Vem a propósito tal desabafo em face dos erros praticados pelos concorrentes às próximas eleições legislativas e, em particular, por Manuela Ferreira Leite, quando se referiu ao TGV e introduziu as relações nacionais com a vizinha Espanha no frente-a-frente que manteve com José Sócrates e em que deu mostras de uma agressividade aljubarrotista que já está completamente fora de moda há muito tempo.
É certo que a nossa situação financeira nesta altura obriga a que façamos bem as contas antes de nos metermos em dispêndios que podem aguardar por momento mais adequado. É o caso dos tais submarinos que devia calar o Paulo Portas quando ele surge a atacar os concorrentes na fúria eleitoralista que faz com que não se pense bem nos telhados de vidro de cada um. Mas, no que diz respeito a tudo fazermos para que não fiquemos acocorados nesta ponta da Europa, nessa situação, por muito que tenhamos que pedir mais emprestado, não podemos aceitar que nos assemelhemos agora à Albânia de que ainda nos lembramos, nesta ponta extrema da Europa.
E o TGV, não na ligação ao Porto, mas quanto a ficarmos em comunicação moderna com os outros países do nosso Continente, nesse aspecto não podemos hesitar.
É que não se trata de defender os interesses dos espanhóis, como afirmou a presidente do PSD, mas sim lutar abertamente pelo que a nós diz respeito, não só porque cria postos de trabalho essa abertura de portas à alta velocidade, como as infra-estruturas nacionais que têm de ser utilizadas representam dar que fazer à industria pesada portuguesa.
Levantar questiúnculas com os nosso vizinhos, numa altura em que o bom convívio constitui um imperativo de toda a família europeia, pois é com a união que todos poderemos lutar contra a crise que abalou e abala as economias não só do nosso Continente, mas também, tomar essa posição não representa uma medida ajustada à situação que se vive.
Esta “gaffe” de Manuela Ferreira Leite não deu votos à concorrente ao primeiro lugar nas eleições que se aproximam. E, se for o partido dela a ficar na primeira posição, como chefe de um governo terá que emendar a mão e justificar-se perante os vizinhos. A ver vamos!...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

APODRECER

Como ele passa, o grande atrevido
Nem nos dá descanso para pensar
O que fica p’ra trás cai no olvido
Tudo se conjuga no verbo amar

Mas esse tempo, o tão necessário
P’ra levar a vida que nos impõem
Acaba por ser enorme calvário
Da via que os outros nos dispõem

Tal como um verme, roe-nos e tortura
Vai corroendo a carne e a alma
Quase nos tira o que é bom de viver

E é do lado de cá da sepultura
Com o seu tempo e sem perder a calma
Que nós começamos a apodrecer


TODOS IGUAIS



Todos têm que se lhes diga. Uns são convencidos de que aquilo que fizeram foi tudo perfeito. Outros que o que propõem efectuar será o melhor para o País. Há os que repetem o de sempre, sem capacidade para acompanharem o evoluir do mundo. Da mesma maneira que deparamos com aqueles que gritam “eu quero”, como se fossem donos de tudo e todos, enquanto assistimos também aos que se baralham nas questões e têm pouca habilidade para expor os seus pontos de vista. Ao contrário, há os que se mostram muito explícitos e lá vão fazendo esforços para tentar convencer os mais assustados com as teses que defendem. Têm sido variadas as características dos vários concorrentes às eleições legislativas que estão à vista.
Há de tudo. Mas não assistimos à demonstração por parte de um só desses participantes a formar governo que tire as dúvidas quanto à dificuldade que vai surgir logo a seguir ao dia 27, isto em relação a reunir um consenso mínimo que lhe permita fazer funcionar um executivo. De igual modo, também não existiu oportunidade de constatar a existência de um só proponente que tivesse a coragem, para não dizer a honestidade, de evidenciar que não tem certezas absolutas e que, pelo contrário, será eventualmente com alguns erros que se conseguirá encontrar o melhor caminho para o Portugal que temos. E, quando os equívocos se praticam, o que há a fazer é reconhecer de seguida os erros e tentar emendar a mão. Isto ninguém é capaz de afirmar. É demais para o nosso feitio.
Como é sabido e disso tivemos larga experiência, em ditadura não há ninguém que se engane e que reconheça as faltas publicamente. E toda a população tem de aceitar e de bico calado. Agora, em Democracia, fica bem que, quem escolheu ou foi escolhido para exercer as funções de primeira figura, assuma os maus passos dados e o diga com clareza. Quando aparecer o primeiro a demonstrar isso, seguramente que obterá a maior simpatia por parte da população. Foi assim que Obama alcançou tanta popularidade, não só nos E.U.A. mas em todo o mundo.
Afinal, só temos cá 35 anos de regime democrático. É pouco. Serão necessárias, pelo menos, mais quatro gerações a viver nestas circunstâncias, com a pequenada a aprender desde o berço o que é respeitar a opinião dos outros, para sermos capazes de reconhecer os nossos erros e não pensarmos que a razão está sempre do nosso lado. Há que esperar!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

AGONIA


Os meus poemas são feitos com esforço
para lá mesmo do que posso
e insisto
e persisto
e quero convencer-me
que vale a pena.
É uma pena !
Não leiam, não,
faço questão
são um desastre.
Mas vou escrevendo
lá vou fazendo
e, se possível, com certa rima
que se aproxima
da perfeição
que é p’ra agradar
ao paladar
de quem os sabe saborear
devagar
p’ra não ter indigestão

Assim lá saem
maduros caem
triste figura
pobre do homem que não resiste
e que insiste
nesta falsura
de ser poeta
que é uma treta
digo eu, não sei,
se houvesse lei
que dominasse
e não deixasse
ser poeta quem não pode sê-lo
não estaria aqui a escrevê-lo,
e a lê-lo.
Poupava-os a este flagelo

Será que isso de ser poeta, cabe em mim?
Por fim !
Ou sou eu quem não cabe na poesia?
Que agonia !

POLITÓLOGOS



Esta designação apareceu recentemente para classificar alguns interventores opinativos nas televisões, sobretudo em relação aos confrontos que têm existido entre responsáveis partidários que concorrem às próximas eleições legislativas. Seguramente que a dúvida que eu levanto no que respeita a esta denominação dada pelas direcções televisivos também será levantada por muitos dos que seguem tais programas e que foram apanhados de surpresa com uma profissão que nunca foi utilizada entre nós.
Seja como for, esta ridicularia só poderia acontecer no nosso País, onde a política serve para tudo e existe uma camada apreciável de população que tudo faz para se situar nas redondezas dos partidos, na esperança de que possa surgir uma ocasião em que alguma migalha dos ganhos que se obtêm naquelas áreas possa saltar inadvertidamente para o seu colo.
Não teria excessiva importância que se tivesse inventado tal designação – que não consta em nenhum dicionário da língua portuguesa dos muitos que existem e que foram consultados quase todos, muito embora o sufixo de origem grega “ólogo” seja aplicado com justificação gramatical, como as palavras “homólogo”, “astrólogo” e outras -, se não ficasse nitidamente à vista que a razão por que algumas televisões as puseram nos écrans se deve ao simples facto de pretenderem justificar o motivo pelo qual pretenderam criar audiências com opiniões de conhecidos e desconhecidos e que aparecem para contribuir para causar ainda mais confusão nas cabeças dos cidadãos que, já por si, se encontram bastante baralhados.
E é pena que valha tudo para pretender mostrar que existem critérios honestos para ajudar a população a alinhar os seus pensamentos numa altura tão crucial como é esta de formar opinião no que respeita a colocar a cruz na lista de votos no próximo dia 27.
Isto de andar a insistir nas posições dos dois partidos mais conhecidos, o PS e o PSD, nas sondagens que garantem servir de orientação para os desnorteados, pode muito bem resultar, como já aconteceu antes, numa demonstração de que o povo não se decida muitas vezes senão na altura em que se encontra perante o boletim de voto.
Eu, por mim, continuo a insistir nalguma surpresa que pode muito bem sair no final da contagem. Que não vai aparecer um grupo partidário com maioria absoluta, por forma a conceder-lhe inteira força para formar Governo e que tenha capacidade para exercer a sua vontade sem o auxílio de um outro, quanto a isso julgo que não terão dúvidas nem mesmo os protagonistas dos referidos dois partidos. Logo, aquilo com que os portugueses se vão deparar é com o passo que são obrigados a contemplar a seguir a serem conhecidas as somas dos votos. E esse passo, seja para o PS seja para o PSD, vai criar muitos amargos de boca. Vão ser engolidos sapos vivos, como se costuma dizer. Aquilo que foi assegurado de que não seriam feitos acordos entre este e aquele, essa relutância em serem enfrentados juntos os problemas que, de outra forma, não têm forma de andar, isso vai cair no esquecimento. E o que os políticos melhor sabem fazer é olhar para o lado e esquecerem as promessas declaradas em período de eleições.
A ver vamos

domingo, 13 de setembro de 2009

ESFERA


Fala-se aí do futuro
do que vai p’ralém do muro
daquilo que não se vê
que hoje não está â mercê.
Daqui a mil anos, pois
do mundo nesse depois
bem se pode imaginar
e tudo fantasiar

Que o Homem, suponhamos
perdeu todos os seus ramos
desapareceu da Terra
a sua mão já não erra
e outros seres ficaram
e até se multiplicaram
libertos do ser humano
e de todo o seu dano

Ao deixar de haver humanos
desapareciam planos
aquilo que fosse, seria
com toda a assimetria
da força da Natureza
seria então a beleza
a nascer por sua conta
sem a mais plena afronta
de quem se julga melhor
e se arma em patrão-mor
de tudo à sua volta
causando a maior revolta
na Natureza calada
sujeita à mão desvairada
de quem de tudo é dono
e se arvorou colono
da Esfera terrestre, enfim
fazendo disso um festim

Quando o Homem for, em suma
o resto de coisa nenhuma
lembrança arqueológica
em que já não conta a lógica
talvez outra espécie venha
diferente, mas que tenha
um espírito melhor
eu seja mais consciente
que traga sempre na mente
defender tudo o que é belo
tratar com grande desvelo
aquilo que é natural
animal e vegetal
na terra como no mar
consumir sem desgastar
conservar o mais possível
mas sem chegar ao horrível
de extinguir o que existe
tornando a vida tão triste
já com tantas raridades
frutos das barbaridades
do Homem tão egoísta
e mais que o Papa, papista
. quem vier em seu lugar
que aprenda com todo o mal
que quem estava deixou
e a tristeza cavou.
Esta é uma esperança
de quem crê que a herança
que os terrestres vão deixar
a quem tomar seu lugar
daqui a miles de anos
já com distintos fulanos
com outra mentalidade
e plenos de puridade
aproveitando a ciência
mas usando-a com prudência
p’ra manter o Natural
entre Homem e animal
entre Homem e plantas
e muitas mais coisas, tantas.

Sim senhor, é optimismo
num futuro bem distante
pode chamar-se ateísmo
nenhum deus disse quejante
mas como este mundo está
a cair no precipício
o Homem já não vai lá
já nem vale o sacrifício

A Terra no infinito
ficará p’ra sempre à espera
venham outros com seu fito
dar à Esfera outra quimera

VOTAR, LÁ TEM DE SER!



Cada vez sinto maior dificuldade em optar pelo partido político que vai ser objecto da minha escolha no próximo dia em que, todos nós portugueses, temos obrigação cívica de não faltar na sala dos votos. E, ao assistir atentamente aos frente-a-frente que se têm realizado em diferentes estações televisivas, aumentaram ainda mais as minhas dúvidas. Não deparei, em nenhum dos participantes, uma posição que me desse confiança absoluta na sua capacidade de chefiar um governo em Portugal, particularmente nesta altura em que enfrentamos as maiores dificuldades de todos os tipos, com preponderância para a economia e para o social.
Aqueles que se mostram mais pretensiosos, com ar de serem sabedores absolutos daquilo que poderão fazer, que têm uma compostura que, em vez de atrair os eleitores, lhes causam alguma distanciação, que é o meu caso pois sempre me levantaram grandes desconfianças os que nunca se enganam e põem um ar de gozo aos que se encontram perante as suas afirmações, esses não conseguem chamar-me para colocar a cruzinha no seu quadrado. Os outros, ou apresentam dificuldades em expor os seus pontos de vista e baralham as explicações ou referem sempre o mesmo e não adiantam propostas que sejam claras para que o povo, mal preparado, sinta atracção por essa escolha.
Depois, e para mim o mais importante no meio de tudo isto, é que o partido – e, portanto, a figura que o representa – que vier a obter maior número de votos, nem que seja só mais um, se vai debater perante uma situação de enorme dificuldade em dar andamento àquilo que constituem ainda simples programas, propostas, intenções que, na maioria dos casos, são promessas que, mais tarde, não têm viabilidade de ser executadas.
Sendo assim, como é de esperar que venha a acontecer, dado que, perante a impossibilidade de dar andamento aos programas por insuficiência de posições partidárias no Parlamento, durante seis meses a seguir à data das eleições o Presidente da República não tem poder para dissolver o Executivo e, como a escolha para Belém que também se aproxima tira a possibilidade de Cavaco Silva ter idêntico gesto no prazo de seis meses antes da escolha para o lugar que ocupa hoje, tudo isso quer dizer que vamos enfrentar um período em que a governação de Portugal fica entregue à sorte, às disputas entre adversários políticos, a um marca-passo que, perante a urgência que tem o País em solucionar os inúmeros problemas que se foram amontoando desde há muitos tempos, será caso para nos irmos preparando para um futuro próximo que só servirá para nos afastar cada vez mais do progresso que a Europa tentará alcançar.
É pessimismo exagerado? Oxalá seja isso. Bem desejo estar equivocado neste juízo. Mas, como não tenho que dar satisfações a qualquer administração que comande este blogue, não hesito em expressar aquilo que me vai dentro e que, tenho consciência de que os portugueses fariam bem em encarar aquilo que pode muito bem suceder.
O confronto que teve lugar ontem, entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, ainda mais desconsolado me deixou. Ambos não adiantaram nada que sirva para efectuar a minha escolha. Foram iguais a si mesmos e não conseguiram convencer os que têm dúvidas. Irei votar nalgum deles? Provavelmente não, nem que seja para ver se alguma coisa muda!

sábado, 12 de setembro de 2009

ESTAÇÕES DO ANO


É bem certo que sim, todos sabem,
Que, qual relógio, o tempo corre
E que as quatro Estações todas cabem
Num ano que anda, nasce e morre

Com bastante frio surge o Inverno
E a Primavera chega então
Pois na verdade nada é eterno
Por isso, depressa, é Verão

O Outono sorri em beleza
Eis portanto as quatro Estações
Brindemos pela variedade

Saudemos os tons da Natureza
Afastemos as desilusões
E partamos plenos de saudade

AGRICULTURA PORTUGUESA



Quem, como sucedeu comigo, teve já a responsabilidade de fundar e dirigir uma publicação portuguesa dedicada à agricultura, com a qual desenvolveu uma luta profunda para que o nosso País procurasse sair da mediocridade de sempre no que se refere a modernização do sector, um jornalista, como foi o meu caso, que também se preocupou com esta tão importante área da nossa economia e produtividade, teve ocasião de aprofundar os problemas que, não sendo de hoje, são os que não deixam que Portugal, apesar das suas característica benévolas em termos de clima, se situe numa posição que lhe permita não se encontrar longe da média europeia.
É verdade que a distância geográfica que nos separa do centro dos países europeus, sobretudo no que diz respeito aos dois mercados agrícolas mais importantes ali situados, em Paris e Londres, não nos beneficia no caso da colocação das novidades temporais, em que conseguimos a antecipação de uma ou duas semanas em relação aos mesmos produtos prontos a comercializar. Mas isso não é suficiente para conseguirmos entrar na competitividade, pois que a quantidade nacional oferecida ao consumo não é suficiente para lutar com os preços conseguidos com as grandes produções europeias e até com as espanholas.
Logo, a possibilidade de Portugal se posicionar face ao mercado que pode absorver o que produzimos nos campos situa-se na área da qualidade excepcional que formos capazes de oferecer. E é aí que tem de ser desenvolvida a nossa agricultura de exportação.
“o País Agrícola”, que foi a revista que lutou pela actualização dos meios de produção da agricultura em Portugal, levantou repetidamente este problema e, através de múltiplas visitas dos agricultores portugueses que promoveu a Israel, onde o Estado dá enorme apoio aos seus cidadãos, no sentido de lhes prestar grande auxílio técnico, esforçou-se para conseguir transportar para cá o espírito que ali se vive e que é o da produção em conjunto – os “kibbutz” -, não tendo, no entanto, conseguido interessar o Ministério da Agricultura da época, que se comportou como que hoje está no lugar, pois que, da parte dos judeus, criou-se uma abertura de apoio que bem poderia ter sido aproveitada. E tudo ficou na mesma.
Levanto agora esta questão, pois os partidos políticos que se apresentam às próximas eleições, especialmente o CDS, têm insistido no acento tónico da agricultura portuguesa, mas não apontando para as soluções que poderiam servir para deixarmos a miséria agrícola que sempre foi o nosso fraco. E a solução assenta na necessidade de terminarmos de vez com as pequenas produções agrícolas – e aqui é ao contrário dos PME, que são as pequenas e médias empresas, o que é preciso é juntar forças – e, mantendo as propriedades nas mãos dos seus donos, no capítulo da obtenção de resultados nas culturas estes só são rentáveis quando são fruto de produção mecânica, actualizada e com recurso a pouca mão-de-obra.
Este resumo dá ideia de como, por mais anos e séculos que tivermos como Nação, não conseguimos aprender nada com os exemplos vindos de fora. E com a própria Espanha aqui ao lado, com os custos agrícolas mais baixos do que os nossos, graças às áreas trabalhadas, não aprendemos nada. Mantemo-nos fieis às enxadas, ao tractorzito, quando não é ainda à junta de bois, e ao produzirmos sem haver um estudo que indique onde se pode vender e quais as características que os mercados requerem para nos comprar. As Cooperativas Agrícolas que pululam por esse País fora, deviam ser reduzidas a um terço, com mais força técnica e com capacidade de efectuarem os estudos que o Ministério da Agricultura que temos, com os engenheiros engravatados todos sentados às secretárias, tem obrigação de realizar.
Mas isto não passa de sonhos de quem parece que não sabe em que País vive. Fomos, somos e, infelizmente, parece que vamos continuar a ser assim.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

CÍRIO

As lágrimas que correm neste mundo
A fome, a doença, os desgostos
Obrigam a que lá muito no fundo
Os homens escondam nas mãos os rostos

Sofrer é caos que ataca os mortais
Ricos e pobres, de todas as cores
É alguém que nos envia sinais
De que p’ra viver há que sofrer dores

É isso, a vida fácil não é
P’ra uns melhor, p’ra outros um martírio
Mas é quando se chega ao rodapé

Que já na fase final do delírio
Se toma consciência do que é
Quando então p’ra nada serve um círio

LIVROS ESCOLARES



Tenho em mente publicar um texto que pretende ser uma ideia a dar aos concorrentes às eleições autárquicas que se aproximam e, sobretudo aos que têm em vista a Câmara de Lisboa. Quem estiver interessado em saber o que penso sobre o assunto e a proposta que faço para vencer, basta dar passagem à ida às urnas legislativas, que é que interessa agora debater, e depois, se tiverem curiosidade para tanto e algum dos seus companheiros de luta lhes der notícia da novidade, o que é necessário é apenas consultar este blogue. E não pagam nada!
Mas, tendo visto todos os confrontos até agora realizados pelos vários proponentes aos lugares cimeiros da próxima legislativa, e analisando aquilo que cada um teve oportunidade de dizer perante as câmaras de televisão, não consegui descortinar uma única proposta que se referisse ao custo que as famílias têm de suportar com a entrada das crianças das suas famílias na escolas que se abriram nesta altura para o ano lectivo. Parece impossível que, sendo este um assunto que interessa a uma grande maioria de cidadãos que vão apresentar-se perante as urnas, nenhum dos partidos, todos eles carregados de cabeças ditas pensantes e actualizadas, teve imaginação suficiente para trazer à disputa aquilo que seria ouvido com a maior atenção e que, se trouxesse alguma solução para alívio dos pais, teria muitas hipóteses de influenciar na votação que vai ter lugar. Nem o CDU, sabido que, nos antigos países seguidores da política soviética, o custo dos estudos era de zero, quer quanto à frequência de aulas, em todos os escalões desde o infantil até ao universitário, e que os livros necessários para todos os anos eram emprestados, com obrigação de serem devolvidos em perfeitas condições, nem o Partido Comunista teve imaginação levantar este problema fulcral. E é triste ver como são supérfluos todos os políticos que andam por aí!...
Pois, o apoio às editoras de livros escolares, que obtêm grandes lucros com os lançamentos, todos os anos, de novos instrumentos de aprendizagem (ao contrário do que sucedia no meu tempo, em que havia obras que serviam para mais do que um ano), essa protecção não foi denunciada por nenhum grupo partidário.
Qual o motivo? E, por que razão, não surge uma proposta que vise criar condições para que os alunos sem meios possam utilizar toda a literatura que serve para alimentar os conhecimentos obrigatórios das aprendizagens?
É evidente que os fundos do Estado não dão para tudo, pelo que há que tomar opções. Mas será que um Governo que afirma tudo dever ser jogado na instrução da juventude, não encontra forma de reduzir gastos numa zona para investir noutra?
Não vou aqui, evidentemente, apontar onde se poderia cortar. Há muito sítio. E é por isso mesmo que me pergunto a razão por que não apareceu um único partido concorrente às legislativas que tivesse levantado este problema.
São estas situações que, embora não me retirem do meu dever de votar, me desconsolam e me fazem compreender que são uns bem piores do que os outros. Mas há que escolher!...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

VALE A PENA?

Tudo o que se faz nesta vida
os esforços, empurrões
os desgostos na corrida
até as desilusões
na estrada que sendo curta
leva tempo a passar
é coisa que se furta
a encontrar

Repetir
voltar a ter
bem gostaria de ouvir
pergunto a quem entender
qual será o porvir
e se já cá estiveram
uma vez
o que foi que fizeram
com alguma lucidez

Ninguém recorda
é verdade
e se tal tema aborda
só com dificuldade
lá convence os parceiros
de que por cá já passou
que algumas carreiras
também calcorreou

Se é certo
que o repetir
mesmo não tendo sido perto
há-de vir
em consciência plena
para perguntar
afinal valeu a pena
a esta vida voltar?

TOLERÃNCIA



É dos comportamentos mais difíceis de manter no dia-a-dia do ser humano. A compreensão das atitudes dos outros, o respeito pela maneira como cada um reage aos problemas que se lhe apresentam, o tentarmo-nos pôr no lugar dos parceiros para tomarmos consciência do papel que cada um desempenha perante uma situação concreta, essa é a tolerância que, com grande frequência, se constata que falta ao Homem, seja qual for a posição social que ocupe no panorama em que está inserido.
E, sem ser por acaso, quanto mais alta é a craveira em que se movimenta, mais destacada é a demonstração de intolerância que oferece ao mundo que o rodeia.
Os políticos, por certo nos regimes democráticos – porque nos outros nem será necessário referir – são os que mais se sobressaem na escala da não-aceitação das posições dos outros seus adversários, pois o papel que representam nas sociedades obrigam-nos a contemplar esses como sendo uns sem razão, uns inimigos que é preciso abater. Aí, a tolerância não tem lugar e nem se verifica qualquer esforço em se posicionarem do outro lado da barreira.
No fundo, a luta do Homem por lugares e posições que lhe possibilitam regalias e benesses, essa ambição, sobrenatural quando é desmedida, se entra no campo do “custe o que custar” não permite que seja efectuada uma paragem para reflectir, para serem encontradas formas de entendimento resultantes da compreensão mútua dos seus papeis.
Se a tolerância fizesse parte da relação de atitudes mais usuais, quantas indisposições seriam travadas a meio, quantas zangas não passariam de breves questiúnculas, até quantas guerras sangrentas que ocorreram pelo mundo não teriam ficado em soluções pacíficas por acordos.
A tolerância tem a ver e muito com a prática democrática. O não ter certezas absolutas, o procurar-se encontrar razões aceitáveis do lado a que nos opomos, o ser-se suficientemente humilde para reconhecer os eventuais enganos em que tenhamos caído, essa atitude de “dar a mão à palmatória” só contribui para que alinhemos na prática de não fazermos finca-pé naquilo que consideramos ser a “verdade absoluta”.
Dito tudo isto, vem-me à ideia um desabafo que alguém me largou uma vez, quando se falou acerca de outro que não tinha tido um comportamento muito recomendável. E, em forma de arrependimento, deixou registada esta frase de que não me esqueci durante largo tempo: “Pois é, eu fui tolerante com esse fulano… e bem me lixei!...”

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

MEMÓRIA



Que coisa preciosa é a capacidade que cada um tem de conservar na memória imagens, ideias, frase, acontecimentos que, quando a ocasião se proporciona, voltam a surgir na nossa imaginação.
É, de facto, agradável reter no subconsciente aqueles momentos que nos deram satisfação. Tenham eles ocorrido recentemente ou sejam recordações mais remotas, até da nossa distante infância.
Eu memorizo, com frequência, a minha situação quando entrei para a primeira classe na escola da D. Beatriz., sentado num banquinho comprado pelos meus pais e colocado logo à frente da aula e em que guardava um respeito e um comportamento respeitoso que eram impostos naquela altura à rapaziada que passava a frequentar as escolas.
E, se bem que a palmatória, tão em uso nessa época, constituísse o pavor maior, mesmo assim a minha memória fixa-se nesse momento. E não é com desconsolo ou com azedume que a minha memória funciona com tal recordação. Pelo contrário, tenho saudades de tal período e da imagem da professora.
Porém, as memórias também pregam partidas. Sem constituir o nosso desejo, algumas vezes nos conduzem a situações que bem desejaríamos que fossem esquecidas. Mas a nossa vontade não é suficiente para arredar da cabeça o que aparece sem pedir licença.
Também mantemos no registo muita aprendizagem que se fixou por necessidade de a repetir nos tempos de estudo, por exemplo enunciar as preposições, tal como na minha época se tinham que repetir de cor os nomes dos rios portugueses e seus afluentes, e ainda hoje, sem ser necessário dar mostras dessa sapiência, nos saem da boca várias dessas memorizações antes impostas. De facto, esse saber não incomoda nada e tudo indica que o que hoje se aprende é menos do que nas quatro classes iniciais dos estudos na infância dos hoje bastante seniores.
Seja como for, a memória é um bem de que o Homem saudável dispõe e quando, por razões de enfermidade, se perde tão agradável recôndito, nessa altura é que se dá conta da falta que faz chamar à cena o que só nós, os proprietários das lembranças, perdemos.
Mas, sejamos também justos. Há ocasiões em que a falha de memória nos é útil. Sendo autêntica, não há outro remédio que não seja declará-lo com honestidade. Mas também serve de desculpa para falhas que outras razões provocam. E, nessa altura, o “ai esqueci-me!” serve mesmo de desculpa para aliviar uma falta que tenha sido cometida.
“Esta cabeça!...” é uma frase que se aceita dos mais velhos. Mas aquela cabeça, ainda que com algumas “brancas” que atrapalhem, continua a ser, enquanto se anda por cá, a servir para ocupar os momentos de silêncio, de repouso, de conversação com nós próprios. E esses, nos animais racionais, são situações que merecem a compreensão de todos.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

NÃO VOU!

Não quero ir
não vou
não vou fugir
daquilo que sou
não me convencem
sigo o caminho
e não me vencem
mesmo sozinho
o que pretendo
é eu mandar
não me arrependo
se me enganar

Propósito ter
saber que sabe
tudo fazer
sem que se gabe
da posição
firme e tenaz
de ter razão
de ser capaz
de não perder
o pensar seu
e bem manter
o que sempre creu
isso é a força
da convicção
nada há que torça
tal posição

Afinal, eu que não quero
que estou bem seguro
e som tão severo
atrás do meu muro
acabei por ir
por ser convencido
até de fugir
sem soltar gemido

E por tudo isto
é que se conclui
está mais do que visto:
Fui !...

JORNALISMO INDEPENDENTE




Por mais que surjam opiniões diversas sobre o que cada um interpreta como independência jornalística, não é fácil chegar a uma conclusão que contemple todas as regras de uma autêntica independência de informação, posto que, queira-se ou não admiti-lo, enquanto os órgãos que servem para levar as notícias ao conhecimento público estiverem dependentes da sua aceitação por parte dos leitores, ouvintes ou espectadores dos vários meios que se utilizam, isto é, da difusão através da venda e, consequentemente, a publicidade que suporta os elevados gastos desses órgãos, enquanto os investidores tiverem de suportar as empresas proprietárias e, por isso, defender os seus interesses, face a essa verdade não é possível assegurar-se que um Jornal, uma Rádio ou uma Televisão não siga uma corrente política que constitua a garantia de manutenção de tal fonte de informação.
Evidentemente, no que diz respeito aos corpos redactoriais, estes, formados por escolha dos seus responsáveis, os Directores, ao aceitarem as condições que lhes são apresentadas pelas Administrações, não podem queixar-se de que existe um controlo interno no que diz respeito à orientação política que é transmitida para o exterior. E o mesmo sucede em relação aos jornalistas, pois que nenhum é obrigado a sentar-se nas secretárias redactoriais, sabendo de antemão que a linha de conduta imposta é uma determinada.
Depois do 25 de Abril, já houve em Portugal pelo menos um exemplo de jornalismo independente. E, por muito que me acusem de opinar em causa própria, não posso deixar de salientar neste espaço de que disponho agora, que o semanário “o País”, que fundei em 1976 e durou dez anos, que essa publicação primou pela defesa absoluta da não subordinação a qualquer orientação política e, embora com grandes sacrifícios, o não se ter sujeitado nunca ao poder do dinheiro.
Um Jornal que, apesar das aflições financeiras por que passou, conseguiu abrir e manter uma livraria de características culturais que marcaram uma era, que foi o primeiro semanário a possuir a sua própria fotocomposição e que, em certas tiragens, chegou a atingir os cem mil exemplares, como foi, por exemplo, o número em que se atreveu a entrevistar António Champalimaud, então emigrado no Brasil, e manteve sempre as suas colunas de Esquerda e de Direita, preenchidas por partidárias das duas frentes., um órgão destes tem de merecer o respeito dos que o conheceram.
Só que o povo leitor não dá grande valor a essa independência. As preferências vão, de uma forma geral, para os órgãos de Informação que se situam num lado ou no outro.
Quem me conhece, pessoal e profissionalmente, sabe que eu procuro sempre não garantir que estou do lado da verdade. Sempre andei à procura dela e as incertezas rodeiam-me permanentemente. Ter dúvidas não produz muita felicidade, mas dá, pelo menos, a consolação de não encaminhar ninguém para caminhos de que não se conhecem profundamente as saídas.
Democracia, sim. Pois sendo a menos má das políticas, terá, no mínimo a consciência de que não faz finca-pé numa determinada posição, deixando que as opiniões dos outros busquem também as suas soluções.
Só que o Homem, por natureza, por muito que afirme o contrário, não é grande amante da Liberdade de opinião. Gosta de se ouvir e de ser ouvido. Veja-se o que se passa por cá e o que, nesta altura de propagandas políticas, cada um grita, babando-se com as suas posições e atacando, a ferro e fogo, as que os outros proclamam.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

FUTURO

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro




HÁBITO



A vida é um hábito. Com a idade vamo-nos acostumando. Contrariados, muitas vezes, demasiadas, mas suportando o que o dia-a-dia nos reserva. Mas a esperança em alguma coisa de favorável, que valha a pena, a ânsia de que certos desejos se realizem, uma réstia de confiança em nós próprios, uma certa dose de optimismo dentro das dúvidas que sempre nos acompanham, tudo isso resiste à tentação de desistir, de não lutar pela mudança e o conformismo com o que temos e o aceitar-se que não vale a pena qualquer tentativa de contrariar o que se aceita resignadamente por ter sido marcado pelo destino, tudo isso é a sombra que nos faz companhia até ao resto da vida.
Porém, e felizmente, não será este o comportamento de todo o habitante do Globo. Há os que lutam, os que se arreganham, aqueles que teimam em não aceitar e também não desistem. Mantêm as paixões. Igualmente são os que se confrontam com mais desilusões, os que sofrem as consequências da sua rebeldia. Os que nunca se habituam ao que lhes calhou na rifa.
Os grandes gestos, as espectaculares descobertas, as obras de nomeada, todos os actos que ficam e ficaram marcadas historicamente resultam, quase sempre, de atitudes saídas da mediania, de passos dados fora dos hábitos. Foram os que não se conformaram que apresentaram resultados. E, algumas vezes que isso sucedeu no passado, foi paga com a vida a ousadia de terem saltado da carruagem do tido como correcto.
De entre os que não se aclimatam ao hábito de viver acomodados aos contornos do comportamento tido como recomendável, há os que dão nas vistas, que se movimentam, que mostram o seu desconforto, que atiram abertamente ao mundo as culpas de os não deixarem dar mostras do que entendem ser uma revolução para melhor do que é seguido obedientemente, e esses, ou acabam por ser ouvidos ou são escorraçados ridiculamente do meio em que se situam. E há os outros, os que não se dispõem a lutar na praça pública, os que não conseguem ter voz bastante para serem ouvidos, os que consideram que o ambiente que os rodeia não merece o esforço de tentar convencer e são esses, os que, em muitas ocasiões, só são descobertos muito mais tarde, geralmente depois do seu passamento, e nunca chegam a ver compensado o esforço que vão dispersando pela vida fora.
O exemplos dos dois casos não são assim tão raros. E a verdade é que, por esse mundo fora, sabe-se lá quantos génios se terão perdido, terão passado despercebidos, terão percorrido a vida sem o menor louvor ou reconhecimento.
No fundo, o Homem tem de ser, acima de tudo, atrevido. O seu valor conta muito, como é óbvio. Mas é a sua ânsia de saliência, a força dos seus cotovelos para afastar os que lhe fazem sombra, o não ter medo de se expor e a ausência de consciência das suas próprias limitações, tudo isso ajuda a sobressair dos tímidos e a ir ganhando suportes de outros humanos que acabam por ter inveja dessas características de líder… não de mais sabedor.
Na política, sobretudo aí, é que se encontram os que se sobressaem. Não são os que mais sabem que exercem os seus saberes, mas são os que melhor se adaptam às características da via que escolheram.
É uma injustiça, pois é. Mas é assim.

domingo, 6 de setembro de 2009

DESCONSOLADO

Aqui estou eu, desconsolado
a ver passar o mundo
à minha volta
sem que nele interfira
sem que o melhore
mas também pouco
o piorando.
Sou mais um
dos milhares de milhões
que por cá andam
a consumir o ar,
a água, o ambiente,
o espaço e que contribui para que o amanhã
seja muito pior,
mais escasso de tudo,
menos belo,
menos natural.

Aqui estou, enfastiado
já sem me importar
com o que vem a seguir,
com o que vai ser o futuro,
aquele que não me vai encontrar...
para me desconsolar

CARTAZES DE PROPAGANDA POLÍTICA



Isto da invasão de tudo que é sítio nos espaços públicos com fácil visibilidade com cartazes de propaganda eleitoral, sempre que se está em vésperas de eleições, sobretudo porque as facilidades que as leis concedem para o efeito são muito benignas para os nelas interessados, esta atitrude faz com que se assista a uma invasão de fotografias dos que pretendem mostrar-se, e, sobretudo, sejam apresentadas frases que nos deixam pensativos sobre a qualidade publicitária dos autores das ideias.
È que. não só que diz respeito ao lado estético, se tratem, quase todos, de demonstrações de mau gosto, sobretudo como mensagem convencedora de que vale a pena votar naquela figura, e, no que diz respeito ao slogan lá colocado, ainda pior disposição nos causa.
Não vou aqui deixar exemplos, dos muitos que poderia apontar, basta-me concluir que, nas fileiras dos partidos políticos que se acotovelam para competir, não existem cabeças que tenham um mínimo de capacidade para interpretar o efeito que causa nos passantes a visão global daquela propaganda.
É verdade que, hoje em dia, os produtos comerciais que recorrem a agências especializadas para conseguirem obter bons resultados de venda no mercado onde são distribuídos, pelo que assistimos nos anúncios televisivos não mostram capacidade para captar a atenção dos clientes. Por isso, o mesmo se passa com a propaganda política e aí, é pena, porque é o dinheiro dos contribuintes que está em causa, através das participações do Estado nos agrupamentos políticos que concorrem a eleições.
Não vou mais adiante. Nem vale a pena pôr mais na carta. Afinal será um desses partidos que terminará por obter mais votos e, por via disso, uma colocação prioritária na formação de Governo. E depois, é o que se sabe. São uma série de anos a aguentar com a mediocridade. E o País a sofrer as consequências. E os portugueses a marcarem passo e a verem os outros a progredir. E uns tantos a arrepelarem-se por não conseguirem um pouco de progresso.
Não, não é a Democracia que tem culpa disto. São os homens que, sendo seguidores dessa ainda menos má forma de politica ou, pelo contrário, preferindo os regimes de mão forte e violenta, que não são capazes, eem nenhuma circunstância, de saber conduzir a sua própria vivência e estragam sempre aquilo que, em princípio, serão boas intenções. O Homem é o maior inimigo de si próprio. E os defeitos que lhe estão incutidos na alma, a inveja, a vaidade, a presunção, são sobretudo estas características que fazem com que se sinta sempre com razão e superior ao próximo.
Os cartazes de propaganda eleitoral representam a demonstração de que todos os políticos gozam de prazer infinito em ver-se reproduzidos nesses painéis, em enorme formato, geralmente com um risinho cínico e, ainda pior, com uma frase geralmente estúpida, numa demonstração clara de que, se autorizou que saísse o que escreveram, então tem de ser qualificado com o que está exposto.
A mim, se os cartazes servissem para me aconselhar a escolher, não votaria nunca. E não é isso que eu quero fazer.

sábado, 5 de setembro de 2009

ÉTICA JORNALÍSTICA



O que se tem falado e discutido, ao longo destes dias, sobre a questão do afastamento de Manuela Moura Guedes do seu programa de Informação, surgindo perante as câmaras de televisão tudo que pretende ser sabedor sobre uma matéria que, digam o que disserem, se trata de algo especializado que os jornalistas, especialmente os mais antigos, é que podem ainda ter alguma experiência e debitar considerações com pés e cabeça, tudo isso, no que a mim diz respeito, não deve passar sem o mínimo de acréscimo que pode ajudar a fazer luz no que se refere a este tema.
Em primeiro lugar, atendendo à Lei mas, sobretudo, à ética profissional, o director de um órgão de Informação, enquanto a Administração mantiver nesse lugar quem lá se encontra, é quem tem autoridade absoluta para orientar o que se escreve e o que é transmitido ao público espectador, ouvinte ou leitor. O corpo redactorial, por sua vez, só tem de atender às directrizes e aos acordos que sejam recebidos e feitos com a Direcção e seus adjuntos. O direito que cabe a um jornalista, na circunstância de não se mostrar disposto a acatar as orientações que lhe sejam comunicadas na respectiva escala hierárquica, é apenas o de se demitir ou então sujeitar-se às pressões que sejam feitas.
Da mesma forma, um profissional do jornalismo que apresente aos seus superiores na Redacção uma notícia que levante dúvidas ou que implique um mau acolhimento por parte dos superiores hierárquicos do órgão, sendo-lhe pedido para identificar a fonte que deu origem a tal texto, a Lei também dá cobertura ao secretismo e permite que o portador da novidade oculte a origem do que é apresentado. A escala jornalística superior pode impedir que saia à luz o referido texto, o que não pode é aplicar qualquer tipo de penalização ao profissional que foi o seu portador.
Tudo isto é claro e não justifica movimentações de opiniões contrárias. Só que, evidentemente, quando se levantam estes problemas no interior dos órgãos de Informação, o ambiente já tem de ser excessivamente pesado, o que não é, de forma alguma, aconselhável que aconteça num local onde a criatividade tem de estar sempre fresca e pouco abalada por questiúnculas internas.
Há que dizer, no entanto, que, na actualidade, a interferência do chamado interesse financeiro, dos valores representados pelos proprietários dos jornais, escritos e falados, como também tem importância a área política em que os órgãos se situam, tudo isso pesa na orientação jornalística de tais veículos de Informação. É triste, mas é verdade. E, sobretudo, se a orientação jornalística do órgão colide com interesses publicitários de empresas cujo uso da sua imagem é de elevado valor, também aí, por vezes essa força pesa bastante e força a alterações de caminhos a percorrer.
Tendo o caso da TVI essencialmente na base deste conflito e, acima de tudo, o estilo da subdirectora de Informação e apresentadora do Jornal de sexta-feira, há que dizê-lo com total franqueza que a forma que Manuela Moura Guedes utilizava para efectuar entrevistas e para transmitir notícias, não assentavam no espírito isento e independente que deve caracterizar um jornalista que tem obrigação de não emitir opiniões no decorrer desse trabalho concreto.
Eu aprendi, há mais de cinquenta anos, que um entrevistador não deve nem pode misturar uma pergunta com uma opinião pessoal. Deve saber ouvir e, quando muito, apresentar outra questão que tenha como objectivo esclarecer a resposta que foi dada antes pelo seu interlocutor. E essa função é quanto mais difícil quanto maior for o desencontro de opiniões – no íntimo – que separe o entrevistador do entrevistado. Só que, do lado do que tem o encargo de dar respostas, não deve nunca surgir a suspeita de que o jornalista se apresenta como adversário das suas ideias e em contradição com os seus pontos de vista.
Isso, Manuel Moura Guedes, que, reconheçamos, nunca foi capaz de exercer o papel de jornalista, parece ter gozado sempre da protecção do marido, o recentemente saído director-geral da TVI. E esse lugar também lhe terá provocado um sentimento de mando que não se coadunava com o simples papel de directora-adjunta de Informação. Tudo isso lhe fez mal.
E depois, a circunstancia também de ter exercido, durante algum tempo, as funções de deputada pelo CDS no Parlamento – o que é uma actividade incompatível com a que exercia na TVI -, tudo isso só contribuiu para não lhe dar bagagem suficientemente sólida para se fixar com firmeza no papel de jornalista.
No fundo, todos procederam mal. A visada e a administração da TVI, esta sobretudo porque não foi capaz de entender que o “time” em que actuou com aquela firmeza foi o mais despropositado possível. Devia ter esperado pela realização das eleições no dia 27, por muito que isso lhe custasse.
Mas, aquilo que eu sei de José Luís Cébrian, o homem forte da Prisa espanhola, dona e senhora do comando da TVI e do grupo que tem a posição maioritária, não me causa admiração no que diz respeito ao mau passo dado. E foi pena que, aqueles que, do lado de cá, olham sempre com azedume as tomadas de posições de Madrid com relação a Lisboa, aproveitem esta ocasião para se regozijarem com a má intervenção dos vizinhos.
Vamos a ver como é que isto fica tudo. Mas, que José Sócrates, não beneficiará nada, na hora das eleições, com este passo de que até poderá não ter tido influência, lá quanto a isso tenho poucas dúvidas.
Depois falamos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

IMAGINAÇÃO


Eu sei que, à falta de outro atributo que me pudesse dar mais prazer e que tivesse grande utilidade, recorro ao que me assalta constantemente e que é a grande imaginação que preenche grande parte do tempo de que disponho. E, com ela, faço e desfaço, vou ao fundo dos problemas mais complicados, resolvo situações que, na vida prática, não encontram formas fáceis de ser solucionadas. É a vantagem de se ser muito activo, sentado numa cadeira.


Pois, uma das enormes dificuldades que se vai pôr aos habitantes da Terra, quando chegar o momento, vai ser o do excesso de população e, consequentemente, o da falta de géneros que sejam bastantes para permitir a subsistência dos que por cá andarem na altura.


Já me tenho referido a este assunto em diferentes ocasiões, mas basta recorer à matemática para analisarmos a questão. Se, no final da II Guerra Mundial, a população humana em toda a Esfera era de cerca de dois mil milhões de almas e, nesta altura, ultrapassamos já os seis mil milhões, isto quer dizer que, em cerca de 60 anos, triplicámos o número de viventes. E, embora a distribuição das gentes não seja a equivalente a todos os espaços ainda disponíveis, o certo é que, por preferência do Homem por zonas específicas, as enchentes verificam-se já aí, tornando asfixiante a acomodação de pessoas que desejem o mínimo de liberdade de espaço.


E é aqui que ponho a minha imaginação a funcionar. Se, em pouco mais de meio século, o crescimento da população foi de três vezes, o que poderá suceder lá para o início do século XXII? Três vezes seis mil milhões são dezoito mil milhões. Cabem neste Globo?


Claro que as áreas mais vazias de hoje têm de deixar de o ser nessa altura. A Europa, já super atafulhada de população, sobretudo devido à preferências das invasões por oriundos de outros Continentes, com as consequentes mudança da cor de pele e, de certa maneira, de religiões, já não irá ter capacidade para albergar mais habitantes. Por outro lado, embora a velocidade, sempre a aumentar, do transporte de bens de consumo desde a origem até ao seu aproveitamento, permita uma maior expansão do que se produz, seja onde for, só eventualmente a eventual descoberta de novas formas de alimentação permitirá que, quimicamente, se supram as necessidades de elementos fundamentais à vida humana. Imaginemos, pois. E, já que o saboroso pastelinho de bacalhau e um dos deliciosos doces de convento com que ainda hoje nos regalamos já não serão, admite-se, no futuro complementos da apreciação gustativa do Homem,. talvez a saída seja a de mudarmos também de sítio onde continue a existência, por exemplo a Lua ou Marte, planetas onde a falta de água que se sentirá na Terra lá não se venha a notar. Imaginemos!!!...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

INCENDIÁRIOS



Todos os anos sucede o mesmo. Não constitui qualquer surpresa constatar que são muitos os hectares de propriedades que ardem por esse País fora, restando apenas apurar os números para saber se a época que corre é pior do que o que passou. E contentamo-nos quando se verifica alguma baixa de valores consumidos, registando essa melhoria, por pequena que seja, como demonstração de que os incendiários foram mais benevolentes agora do que no mesmo período do ano anterior.
Também, perante iguais catástrofes que ocorrem noutros países, damo-nos por satisfeitos sempre que os elementos apurados se apresentam por lá mais drásticos do que aqueles que são aqui anunciados. E respiramos de satisfação.
No entanto, vale a pena pararmos um pouco para pensar nas características daqueles que são os causadores criminosos dos fogos que provocam as destruições de valores, campesinos ou até de residências, que se repetem de ano para ano. Quem e como serão essas criaturas? São gente nova, diz-se, alguns são até apanhados mas, de uma forma geral, não são divulgados os perfis de tais incendiários. E continua-se sem ter uma ideia do tipo de pessoas que se dedica a tamanha malfeitoria.
Já tenho procurado colocar-me na mente de tais arrepiantes criaturas, tentando apanhar as sensações do prazer que poderão sentir no momento em que se encontram a provocar o foco inicial do incêndio que se há-de estender pelo campo fora. Terá de ser forçosamente de noite, para não ser notada a presença, logo em plena escuridão. E, em tais circunstâncias, iria assistir ao alargamento rápido das labaredas que tinham nascido de um simples fósforo que aterá as folhagens secas. E, logo de seguida, a imaginação mandar-me-ia abandonar o local, indo-me colocar numa zona de observação para satisfazer a contemplação da obra executada. Mas sempre cuidando para não ser visto. Sendo possível, faço por repetir a operação a certa distância e em que a linha da zona a incendiar seja contínua, por forma a criar uma fronteira de fogo.
Que prazer que isso me daria! E, na manhã seguinte iria assistir à azáfama de centenas de bombeiros, às aflições e choros de habitantes a verem as suas propriedades já a arder ou em perigo de serem atingidas e despejando baldes de água como se isso servisse para resolver o problema, ao mesmon tempo que o ruído das sirenes e até a minha própria participação na ajuda da tentativa de extinção, tudo isso serviria para aumentar o cenário do grande e impressionante espectáculo de que eu tinha sido o produtor.
Mas, saindo de cena, deixando de me pertencer o papel de protagonista, coloco-me agora no lugar de puro espectador, tentando interpretar os sentimentos dos actores, sobretudo daqueles cujos papeis são os de maior relevo, como sejam os incendiários propriamente ditos. E, como admito que se tratam de jovens que ainda se situam na fase da experiência de vida (porque os casos de vinganças e confrontos pertencem aos mais velhos executarem), imagino que é o prazer da experiência que leva a praticar tais actos.
E é nessas circunstâncias que encontro mais facilidade em expor o motivo do prazer de assistir ao incêndio provocado. E mesmo que me custe chegar a tal extremo, sou levado a transpor o acto do incendiário ao de certa e excessiva juventude que encontra desmedido prazer em, através dos “sprays” de tintas de diversas cores, cobrir as superfícies, sejam elas quais forem, com o que resulta do seu espírito destrutivo. Tanto faz que sejam monumentos valiosos, de muita antiguidade, como placas indicadoras de informações preciosas aos cidadãos, de paredes, portas, traseiras de autocarros, tudo que receba essa tinta horrorosa para dar largas ao acto de selvajaria que existe no íntimo de muitos desses jovens.
Por muito que possa escandalizar os que cheguem a ler estas linhas, eu não consigo distanciar assim tanto a horrorosa atitude dos incendiários, dos destruidores de campos, florestas, arborizações, celeiros, currais cheios de animais, as residências dos que habitam por perto, com a forma de actuar dos que, nas cidades, sujam tudo, destroem coisas bonitas que os homens fazem para outros se deleitarem a contemplar ou para sua informação, só pelo simples prazer de encher de tinta e de escrevinhar frases sem sentido, ilegíveis, afrontosas quase sempre, inestéticas. Ambas as atitudes correspondem a um gozo lúgubre, a uma contribuição para um dia de amanhã pior do que o de hoje.
Cá por mim, essa camada de cidadãos, embora ainda não seniores, que nos torna mais negro o espectáculo do nosso dia-a-dia, não faz grande diferença uma da outra. Uns destroem, com prazer, o que a Natureza nos põe à disposição, nos campos, nas montanhas, nas aldeias. Os outros, também para seu gozo pessoal, conspurcam os locais mais habitados, nas cidades, nos sítios onde o Homem já empregou a sua arte e o seu saber, estragam o ambiente.
Causam-me fúrias os dois.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

SOCIALISMO OU CAPITALISMO?



Houve uma altura na História do mundo em que as posições políticas estiveram divididas em duas teses, uma, a do chamado lado ocidental, em que as competições se faziam (e fazem) com base na economia, no poder financeiro e, a outra, tendo o comando das operações nas mãos dos Estados super poderosos. Face ao princípio de que o Estado é o povo, logo os donos de tudo seriam as populações dos países onde o denominado comunismo imperava e impera. Foi assim, ao longo de muito tempo e permanece dessa forma, embora menos e com certa moderação, na actualidade.
Esta uma definição simplista, despretensiosa, a roçar a inocência, sobre o que constituem as duas maiores forças políticas que, na sua essência e sem mais pormenores, separam o que chegaram a ser dois blocos que se defrontaram e que ainda não mostram vontade de ser compatíveis.
O Homem, no decorrer de um século, com a sua imaginação prodigiosa e o requinte de certa malvadez que lhe vai na alma, foi introduzindo alterações, acrescentos, nuances que têm produzido desvios dos princípios rígidos originais e recorreu também ao que os gregos tinham experimentado, bastantes séculos atrás, servindo-se até da própria palavra original, a Democracia, com o fito de tornar mais credível a aplicação da liberdade de escolha dos cidadãos e, na área onde o Estado é quem mais ordena – mas aí, excluindo a opinião directa do povo – entendeu que essa tal opinião popular não tinha aplicação prática nos princípios marxistas implantados, para, no lado contrário, exactamente onde o capitalismo se impunha e os mais ricos é que dispunham da palavra de ordem, aí, como compensação, permitiu que todos os habitantes de todas as escalas sociais escolhessem quem queriam que os governasse.
Em princípio parece que tudo se processou ao contrário e ainda hoje se mantém essa forma de actuação política que contradiz as práticas económicas e financeiras dos respectivos países.
Do outro lado, o comunismo clássico foi-se desvanecendo em muitas zonas do Globo e o poder do Estado tem vindo a sofrer revezes que são difíceis de colmatar, a menos que se voltem a verificar revoluções semelhantes às que deram origem às mudanças forçadas dos sistemas políticos, vigentes até então, como, por exemplo, a que deu origem à implementação do marxismo-leninismo inicial, esta como exemplo mas a própria Revolução Francesa constituiu muito antes uma forma de modificar o que estava implantado até então como regime político.
O socialismo, a social-democracia, bem como outras formas deles descendentes, como a democracia popular, a frente unida, a Esquerda desta ou daquela maneira, a Direita mais arrogante ou mais condescendente, sempre criando a ilusão de que é o povo que escolhe a via por que quer optar, são formas políticas que, ainda hoje, se procura que se encontre a que será menos má.
Estamos, assim, a viver num mundo que, já no segundo milénio da história moderna, ainda anda à busca da forma ideal de governação, a que seja capaz de contentar a a maior imensidão possível de habitantes, que termine de vez com as misérias humanas, que reduza ao número moralmente aceitável os muito ricos e que dê protecção aos desafortunados, bem como aos que acabam de chegar a esta vida e os que se encontram na fase de despedida, ambos sem poderem, por si só, ter uma ambiente feliz.
Por fim pergunta-se: e existe a tal política ideal? Ela reside no lado do capitalismo selvagem ou do populismo que grita que é ele quem mais ordena?
O meio termo, dirão alguns que são sempre os defensores da teoria de que nomeio é que se encontra a virtude. Mas o ser humano contenta-se em não atingir o máximo? Sujeita-se a descortinar à distância o seu ideal e a não dar um passo para o atingir, mesmo que essa ânsia roube espaço ao outro participante?
Prefiro não emitir a minha opinião, sobretudo levando em conta a pouca ou nenhuma confiança que deposito no animal racional. Racional?!...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

UM PAÍS SÉRIO?



Um País a sério, como eu entendo que deve ser, é aquele que, entre outros factores dignos de servirem de exemplo ao mundo, tem como preocupação principal, para além de levar com eficiência a governação nas suas diferentes áreas, o defender os interesses dos seus habitantes até ao extremo das suas possibilidades. Um português, tanto em Portugal como em qualquer parte do mundo, que tenha um contratempo e necessite do auxílio dos seus compatriotas, deve ter confiança de que não lhe faltará o préstimo indispensável para se libertar da dificuldade em que esteja envolvido. E, tomando como exemplo o que ocorre com os americanos dos E.U.A., em que é conhecido que um súbdito daquela Nação nunca fica sem ajuda sempre que é tomado conhecimento de um problema que atravessa, chegando ao ponto de, caso seja imperioso, a sua Pátria toma o encargo de se encarregar do retorno do cidadão americano até à origem, custe o que custar, essa característica não é coisa que se verifique, nem de perto nem de longe, cá pelos nossos sítios.
Eu tenho um exemplo de que nunca me esquecerei. Vale a pena referi-lo. Uma vez que fui a convite do Governo indiano visitar aquele País e em que tive oportunidade de me deslumbrar com Goa, ali foi-me dito até por um padre que deveria ir ver o que estava guardado na cave de uma igreja que estava completamente em ruínas. E não me revelou o que ali ia encontrar. Fui, tive de me dobrar para atravessar a porta que estava meio desfeita e, no recinto apertado onde entrei, deparei com um espectáculo horroroso: uma série de 9 caixões, todos com a identificação nas tampas, por exemplo, com uma chapa em que estava descrito “soldado n.º tal, José qualquer coisa, Companhia tal”, e encontrando-se no chão espalhado, caído de um caixão que tinha rebentado, o esqueleto de um morto que pertencia àquele grupo.
Publiquei no meu Jornal, em “o País”, a reportagem da visita à Índia, dando conta de todos os pormenores, salientei o episódio do abandono da Pátria a esses soldados que tinham morrido ao nosso serviço no confronto com a tropa indiana, quando se deu a expulsão portuguesa dos territórios de Goa, Damão e Diu, e não aconteceu nada. Ninguém do Governo da época – e falamos nós agora do Executivo que temos nesta altura! – se preocupou em procurar saber pormenores sobre o acontecimento que tinha sido alvo do meu trabalho jornalístico. Por aqui se vê como interessa ao Estado Português o que os cidadãos do País precisam da sua Pátria quando enfrentam qualquer dificuldade, especialmente fora do País. E estejam eles vivos ou mortos.
O acontecimento ocorrido agora no Hospital de Santa Maria, em que vários doentes ficaram cegos ou com a visão muito reduzida, por culpa dos serviços médicos, seja por aplicação errada dos medicamentos ou fosse porque, já na origem esses remédios tenham sido fornecidos com rótulos errados, tudo estando por esclarecer como sucede sempre no nosso País, a verdade porém é que os chamados responsáveis governamentais não enfrentam como têm obrigação de fazer as situações que requerem a atenção particular do Estado português. O abandono, o deixar andar é o princípio que se segue. E os portugueses ficam sempre entregues a si próprios. Sem apoio. Abandonados. Que se desenrasquem!
Vamos lá ver se o caso morre assim, como tantos outros de que já nos habituámos, ou se sai ainda alguma determinação superior que, responsabilizando os culpados pelo grave acontecimento, não deixa de, pelo menos, indemnizar as vítimas, portugueses como nós todos, ainda que o vil metal não possam compensar suficientemente a perda de um bem tão importante como é a visão.
E vejam lá se algum partido político que vai concorrer às próximas legislativas levantou este problema e se insurgiu contra a indiferença com que tem sido tratado o problema. Claro, o PS fica mudo, mas e os outros?

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

MARCELO DISSE...



Se Marcelo disse, então está dito! Isto para repetir uma fase de um cronista social que pretende dar crédito às suas afirmações através desta afirmação.
Mas, de facto, na passada semana, na crónica televisiva que tem a sua assinatura, o antigo presidente do PSD e também antes jornalista, que começou já depois de eu andar há bastante tempo por aquelas fainas, a afirmação feita, a espécie de garantia que saiu da sua previsão quanto ao resultado das próximas eleições legislativas, em que só faltou garantir que os sociais-democratas sairiam com maior número de votos do que o segundo classificado, foi a de que o PS sairia derrotado e que cairia nas mãos do PSD o encargo de formar Governo. Mas, claro, este sem maioria absoluta.
Posto isto, previsão que eu não desdenho se bem que não despreze a possibilidade de os portugueses virem a deparar com alguma surpresa por parte da Esquerda, o que parece vir a ser um panorama para que todos devemos estar preparados é o de, perante as dificuldades de governação que surgirão face aos resultados que venham a ser obtidos, não ser possível dar andamento aos actos governativos que serão essenciais para serem cumpridas as regras mínimas de conduta de quem tem de decidir, sobretudo a ausência de apoio parlamentar, e, nestas circunstâncias, cumprindo-se os prazos previstos na Constituição, serem obrigados os vencedores sem força a depor a batuta e a entregarem ao Presidente da República o encargo de resolver a situação que, como sucedeu já antes, terá mais de uma forma de tentar o equilíbrio político.
Mas não. Eu não faço esta afirmação dando garantias de que nunca me engano e se fui eu que disse, então não há que replicar. Agora, que as próximas eleições vão mudar muito o panorama político que se tem vivido em Portugal, lá isso parece-me que não andarei muito longe da verdade.
No que diz respeito a José Sócrates, o seu período de detentor da certeza absoluta está a terminar e, por certo, o povo deste País não quererá voltar a encontrar alguém minimamente semelhante a esta figura política. E é pena, porque, no fim, quem perde é o Partido Socialista que, apesar das más imagens que tem dado com os elementos ministeriais, por escolha deficiente do seu responsável, a posse da chefia de um Governo nas mãos de vários dos elementos de valor que existem no Rato, constituiria a maneira de evitar os conflitos que se aproximam e de que Portugal necessita não ter de confrontar, sobretudo nesta altura em a tal crise económica, social e financeira que nos apanhou também não podr ser resolvida.
Haja paciência e fé. Que é o que nos tem valido, não digo salvado, mas valido, pois umas rezas e uma idas a pé a Fátima, se não resolvem os problemas, pelo menos disfarçam-nos.

domingo, 30 de agosto de 2009

GREVES E ETC.



Era só o que faltava nesta altura, a um mês de eleições e em pleno momento de dificuldades de toda a espécie, económicas, financeiras e sociais, para além do problema por ventura mais grave que é o do desemprego que grassa pelo País inteiro. Pois, com este panorama, os funcionários da TAP entenderam efectuar uma greve e provocaram com isso o que sucede sempre em tais circunstâncias: a paralisação e o atraso do movimento aéreo daquele empresa e a má imagem que se transmite a todos os viajantes que utilizam a nossa transportadora aérea.
Não vou aqui analisar as razões que os sindicatos utilizaram para fomentar tal paragem de actividade. Poderão existir razões que ajudem a compreender o descontentamento dos trabalhadores, quer os dessa companhia quer os da sua associada que tem a responsabilidade de dar caminho às bagagens dos passageiros, as Groundforce. O que os portugueses, de uma forma geral e sem estarem subordinados a uma qualquer força política que se encontre sempre aliada dos movimentos grevistas, devem pensar nestas circunstâncias é que, se pedissem aos desempregados nacionais para serem admitidos em qualquer das duas empresas agora em litígio com os trabalhadores, uma esmagadora maioria nem olharia para trás e correria a pôr-se ao dispor fossem quais fossem as condições apresentadas. Logo, para substituir os grevistas, formar-se-ia certamente uma fila de cerce de 500 mil desocupados, que nem precisavam de saber quanto iam ganhar e que cargo lhes era oferecido.
Não se trata de dar a ideia de aproveitamento de situações precárias de centenas de milhar de portugueses sem trabalho, mas sim de chamar a atenção para o momento mal escolhido para que saltem exigências daqueles que estão empregados e sem perigo de ficarem na rua, pois há alturas para tudo e, na actual vida de Portugal, só dirigentes sindicais bem protegidos pelos lugares que ocupam e em que se mantêm, alguns há muitos anos, só esses é que impulsionam os trabalhadores a arriscarem-se e esse risco pode chegar a fecharem empresas e a tudo ficar pior do que antes.
Devo esclarecer que, sendo a greve um direito que pode e deve ser praticado com razões positivas nos países democráticos, qualquer grupo empresarial está sujeito a aceitar negociações de molde a tentar resolver descontentamentos que surgem do seu quadro de trabalho. Mas, quando uma firma se encontra em perigo de falência, de fechar as suas portas por maus resultados que esteja a obter, por sua culpa ou devido à conjuntura, nesse caso provocar greves representa a forma de dar o golpe final no que ainda possa ser salvo do pior.
Pelo menos, neste caso da TAP, chegou-se a um acordo entre as partes e a greve foi ultrapassada. Durou um dia e já foi muito. Oxalá todos tenham aprendido alguma coisa com o susto que pairou sobre as cabeças de milhares de pessoas que dependem da companhia aérea. E os passageiros que não viram chegar as suas malas nos respectivos destinos dos voos, esses terão que encolher os ombros. São as coisa que acontecem em toda a parte, mas que nesta altura não seria tão esperada.

Confesso que, com o calor que tem feito e que nos assusta se pensarmos que este fenómeno vai ter influência na falta de água que se pode verifcar, tem me retirado a vontade de preencher o meu blogue. Também, apesar dos tempos não estarem para tal, sempre se verificam as fugas para férias e nem apetece sequer ouvir as acusações dos políticos, uns aos outros, não surgindo que seja capaz de pôr de parte os ataques aos adversários. Estou farto!....