terça-feira, 20 de outubro de 2009

JUSTIÇA Á PORTUGUESA



Numa entrevista dada pelo bastonário da Ordem dos Advogados ao Jornal 24 Horas de ontem, em que foi entrevistadora Luísa Castel-Branco, este frontal Homem que não esconde as suas declarações por detrás de sofismas ou de desculpas não convincentes, não hesitou, como tem feito noutras ocasiões, em acusar aqueles que, sendo personalidades com responsabilidades públicas, praticam frequentemente faltas que acabam por vitimizar os cidadãos, que são sempre os últimos a sofrer com as consequências.
Marinho Pinto, pois é dele que se trata, não deixou por meias palavras aquilo que teve a dizer e não se recusou a fazer referência ao detentor da referida pasta, afirmando que esse actual responsável é “de papel e de palha”, deixando claro que, de uma forma geral, “os ministros da Justiça não têm capacidade de influir em muito daquilo que está mal”.
Ora, numa altura em que se aguarda a mudança de vários membros que exerceram a sua actividade no Governo de Sócrates que está de saída, o que nos falta ver é por quem é que o chefe do Executivo substitui aquelas figuras que prestaram um mau serviço à Nação e de que não existiu a coragem de os substituir mesmo na altura em que se encontravam em funções. É o mal de um responsável maior pelo Governo que está em exercício não ter visão suficiente para verificar que alguns dos elementos antes escolhidos representam erros que deveriam ser rectificados logo que deram mostras da sua falta de competência.
Não é necessário reafirmar aqui que um País com uma Justiça deficiente, demorada e sem fiscalização sobre as decisões proferidas em Tribunais, não sendo alteradas as circunstâncias em que funciona, pode ter boas actuações nas outras áreas mas peca sempre pelo principal que é a ausência de confiança da população no que respeita a ser protegida face às injustiças que possam ser praticadas.
Marinho Pinto põe o dedo na ferida dizendo, de forma clara, que “há irresponsabilidade a mais nos nossos tribunais” e que “os magistrados não prestam contas a ninguém, a não ser a si próprios”. Acrescentando que “as suas prerrogativas funcionais acabaram transformadas em privilégios pessoais; todos são independentes, irresponsáveis, vitalícios, inamovíveis; escolhem-se uns aos outros, avaliam-se uns aos outros, nomeiam-se uns aos outros e, quando lhes convém, fazem greve em conjunto”. E deixa a pergunta: “neste quadro, qual a capacidade dos ministros da Justiça mudarem esses estado de coisas?”.
Ora aqui está o que um Bastonário da Ordem dos Advogados, falando daquilo que conhece, deixa bem claro o estado em que se encontra a Justiça portuguesa.
Será que, face a tão claras acusações, não existe em Portugal nenhuma força com capacidade para solucionar de vez o problema? Temos de viver nestas condições toda a nossa vida?
Talvez a resposta caiba ao Presidente da República, que em vez de se preocupar com discussões de pátio, possa interferir na busca de uma solução que urge ser encontrada.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O QUE VEJO

Aquilo que vejo
que atrai meus olhos
que me causa ensejo
mesmo sendo aos molhos
eu acredito?
É verdade pura?
Não será um mito?
Uma desventura?
Mas vejo e pergunto:
poderei eu crer
constitui assunto
para eu ver
e aquilo que é dado
algo como queixa
será um recado
que a vida me deixa
uma prevenção
com certa importância
chama-me a atenção
provoca-me ânsia
abre-me o sentido
mas olho parando
e o despercebido
agora pensando
com calma observo
a ideia apurada
por fim lá conservo
a vista do nada
e aquilo que eu via
e que os olhos liam
tinha mais valia
e todos deviam
cá por este mundo
ter algum rigor
olhar sempre a fundo
que tudo tem valor
Por isso m’interrogo
procuro resposta
faço-o como um jogo
é quase uma aposta
tudo por que passo
e atrai minha vista
se causa embaraço
constitui uma pista?
Como em tanto assunto
não sei responder
até ser defunto
terei de aprender



O MUNDO A ACABAR


Sim senhor, já me referi a este tema em blogue anterior e, ao longo da minha actividade jornalística, abordei em várias ocasiões o tema por o considerar, não uma longínqua hipótese, mas algo que pode muito bem ocorrer como sendo uma enorme fatalidade que o mundo corre o risco de vir a suportar, pois o Homem é um ser imprevisível e ninguém está em condições de garantir que um desses mandões de uns países que já deram mostras de grande irresponsabilidade, não dará ordens para que seja carregado o botão.
Todos nós desejamos que isso nunca venha a acontecer, mas uma coisa é a esperança de que o bom senso vencerá as raivas e os ódios que pululam nalguns chefes de governos e outra, bem diferente, é a garantia de que nunca ocorrerá tamanha calamidade.
As situações criadas na Coreia do Norte, cuja ameaça passou de pai para filho e não se sabe se o neto, prestes a tomar posse, como tratando-se de uma monarquia dinástica, não virá a seguir as pisadas da família, assim como as afrontas que são oriundas do Irão, desconhecendo-se se outros países de religião muçulmana não dispõem do conhecimento do poder nuclear, posto que o permanente confronto que mostram em relação às nações com credos diferentes não deixa tranquilos todas as restantes nações, vizinhas ou mais distantes. Israel, por exemplo, podará vir a ser a primeira vítima desse ódio e, se tal acontecer, a resposta não se fará esperar e aí existe o risco de ser um início do uso generalizado da terrível bomba atómica.
Mas, já que estou a referir-me a um acção malévola do ser humano, entendo que, tal como a preocupação com a crise que envolveu todo o Planeta foi alvo de uma atenção generalizada para tentar-se pôr cobro a esse vírus económico com consequências sociais terríveis, os povos deveriam estar atentos ao renascimento de uma onda de juventude, mas não só, de adeptos que cultivam os princípios tidos como fascistas, com grupos que se vêem em estúdios de futebol, bandos de rock, subscritores de atitudes agressivas contra os estrangeiros nos seus países, negros, homossexuais, etc., os quais já deram mostras de existência em França e que, agora em Itália, não escondem que seguem com entusiasmo esse princípio hitleriano. Até na Polónia já surgiram tais manchas de adeptos, imagine-se…
Pois é isto tudo que não deve ser escondido, ignorando-se a sua existência só porque é incómodo e não desejamos ver por perto. As Democracias têm esta fraqueza de não serem suficientemente severas com as forças que pretendem terminar com a Liberdade. E elas sabem que, se implantarem a sua ideologia totalitária, não deixarão que regresse a possibilidade de se discordar e as revoluções não são fáceis de levar a cabo.
Não devia escrever isto? Eu, por mim, que não corro o risco de vir a assistir a este descalabro, pois o tempo ainda decorrerá durante algum tempo suficientemente longo até esse perigo ocorrer, se ficasse calado só tinha a ganhar. Mas manda a consciência que não proceda assim. E oxalá nunca venha alguém dizer, daqui a uns tantos anos… tinha razão aquele José Vacondeus, quando alertou para o que está a decorrer.

domingo, 18 de outubro de 2009

Fazer fortuna facilmente é uma questão de sorte, de engenho e, por vezes, de processos inconfessáveis para o conseguir.
Fazer obra genial já não depende de subtilezas da vida.
Quem faz fortuna, goza-a; quem é génio, quase nunca o aproveita em vida.

CENTENÁRIOS



JÁ é uma realidade dos nossos dias. Nos sítios onde vivemos, seja qual for a cidade, a vila, a aldeia, quer isso ocorra em Portugal ou em qualquer outro país do mundo, com excepção de várias partes de África em que as crianças abundam mas em que se assiste à sua mortalidade em magotes, quer por doenças quer pela própria fome, aquilo a que se assiste é ao predomínio de gente idosa. Ora reparem a partir de agora se, na mesma direcção na sua rua ou em sentido contrário, não abundam as pessoas isoladas ou aos pares que atingiram já uma idade que ultrapassa bastante a sua.
E, a ser verdade o que veio publicado recentemente na revista médica “The Lancet”, todos os nascidos a partir do ano 2000 vão durar bastante para lá dos 75 anos, o que não provoca nenhuma estranheza posto que, já hoje, essa idade não é considerada como tratando-se do fim da vivência, então teremos que antecipar o que se passará no século seguinte ao nosso, em que os centenários abundarão por esse mundo fora. E isso devido ao desenvolvimento da ciência médica que torna capazes os de muitos anos de vida de aguentarem esse prolongamento sem os incómodos tão visíveis que ocorrem com os que ainda resistem por aí e que se arrastam até ao dia final.
Nem quero fazer contas e entrar no plano económico, em que os reformados se manterão a receber as suas participações nos montantes que lhes cabem por terem trabalhado até aos 65 anos e que esses encargos caberem aos mais novos de serem pagos. Os que cá estiverem na altura que resolvam a questão, pois que, dando voz aos optimistas, existirá sempre uma solução para os mais agudos problemas.
O que aflige também, porque me pode caber a mim enfrentar tal situação dos 100 anos, é pensar na inutilidade de tal prolongamento da existência, pois a rapidez das novas técnicas que invadem os mercados não dão sequer tempo aos mais velhos de se actualizarem e, desse modo, ficam com a sensação de que pertencem a outro planeta. É o caso dos computadores que, já hoje, deixam muita gente de fora por se convencer de que é demasiado tarde para entrarem nos meandros de uma “confusão” que têm dificuldade em aceitar.
Fazem mal, digo eu, pois que, enquanto de tem um palmo de cabeça, não se deve deixar de procurar acompanhar a evolução das tecnologias correntes. Mas não é essa a generalidade dos seres humanos que se situam para lá dos 70 anos. O que ajudará alguma coisa será a compreensão da gente nova que, sendo muito sapiente no que respeita a todas estas maquinetas que invadem o mercado, no capítulo do conhecimento do que constitui a história, os costumes e usos que vêm de trás, de alguma ciência que a velhice transporta, sobretudo no que diz respeito ao bom senso e à preparação para enfrentar o futuro, nisso é importante que os novos levem em conta e aproveitem a sabedoria dos antigos. Foi o que sucedeu connosco, com alguns que tiveram a felicidade de poder ouvir os mais velhos e com eles terem aprendido alguma coisa

sábado, 17 de outubro de 2009

IGNORÃNCIA

Feliz é a ignorância
dos que não sabem que a têm
nunca lhes chega a ânsia
porque não sentem nem vêem

O mal é se por isso dão
e alguém lhes faz notar
que não sendo sabichão
poucos lhe podem ligar

Pois quando algo já sabem
lá falha a felicidade
não têm do que se gabem

Enfrentam a realidade
os saberes que acabem
infelizes com verdade

A INFELICIDADE



SERÁ que nós, os que atravessamos esta época de um mundo acabrunhado e, particularmente, um País que, embora habituado por séculos de poucas felicidades, suporta nesta altura uma das maiores crises económicas, financeiras e sociais que já teve ao longo da sua História, será que a geração a que pertenço e de que sobram ainda muitos cidadãos, aquela que, ao longo de várias décadas, viveu sob o jugo de uma ditadura que deixou as suas marcas de que, por sinal, ainda muita gente não se desabituou, repito ainda, será que não teremos a alegria de vir a contemplar um Portugal, ainda durante a nossa vivência, que seja uma Nação que só terá razões para se regozijar com o que oferece aos seus cidadãos? Pergunto de novo: acabaremos todos por partir com a mágoa de nos ter sido oferecido um espaço de nascimento em que os desgostos e as dificuldades preencheram todo o tempo em que nos movimentámos como portugueses?
Já sabem os que me lêem desde sempre que eu não costumo cantar hossanas só para mostrar que anda tudo bem, que não têm os nacionais razões de queixa no que diz respeito ao ambiente em que são forçados a viver, não só quanto às determinações políticas superiores como igualmente ao comportamento de outros cidadãos e até de empresas, sobretudo as estatais, que não se habituaram ainda a cumprir os seus deveres, com competência e como é obrigação de quem tem de atender a sua clientela com competência.
Todos nós sabemos que, na vida quotidiana que somos forçados a acompanhar, frequentemente deparamos com o desleixo, com a ausência de atenção no trabalho, com o desinteresse dos funcionários, sejam eles públicos ou privados. Há, na verdade um número aflitivo de desocupados em Portugal, mas o que falta, por outro lado, é gente, portugueses, que sejam aprumados no cumprimento das suas obrigações na actividades que exercem.
Não é verdade que todos nós, enquanto consumidores, temos repetidamente razões de queixa no que diz respeito à forma como somos tratados, especialmente pelas empresas públicas, quando deparamos com faltas de bom atendimento, de rapidez nas execuções, de boa vontade em solucionar os problemas?
Quem vê diariamente o programa na RTP, com o nome “Nós por cá”, em que são denunciadas situações escandalosas de incompetência, de ausência de cumprimento de obrigações, de verdadeiro desleixo na execução de erros que têm obrigação de ser rapidamente ultrapassados e que levam tempos infinitos em ser atendidos, nesse programa, que merece o louvor de todos nós, assiste-se a escândalos do tal portuguesismo não operativo, que começa nos responsáveis superiores e que logo se transmite a toda a escala de operacionais.
As Brisas, as Estradas de Portugal, as companhias de água, electricidade, e por aí adiante são a prova provada de que actuam à solta e criam a imagem daquilo que todos nós somos: uns “deixa para lá”, uns não apressados que preferimos estar ao telefone todo o dia do que cumprir com rigor o trabalho para que somos pagos, uns ditos trabalhadores que fazemos horas extraordinárias porque, durante o horário estabelecido, nos entretemos com outras coisas… e por aí adiante. É que, nesta Terra ninguém é assume as suias responsabilidades, são sempre os outros os culpados. E é com esse sacudir a água do capote que lá vamos vivendo... mal mal!
Fico-me por aqui, porque a lista de casos que tenho para contar é de tal forma extensa que, seguramente, enfastiaria o leitores que estarão cansados de saber que tudo isto é verdade, mas que preferem fingir que não é tanto assim. Eu é que tenho este costume de não andar a fingir que estou vivo e, por isso, pago com as queixas que faço a mim próprio.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A EUROPA QUE QUEREMOS



Essa Europa de que tanto se fala
e de que muitos querem fazer parte
não encontrou ainda o caminho,
anda confusa,
anda perdida,
está a gastar tempo,
está a correr o risco de ficar pelo caminho.
A Europa das Nações é um sonho,
ter um objectivo comum
uma Constituição para todos,
um governo geral,
uma moeda igual – que já tem,
com línguas diferentes
costumes desiguais
bandeiras distintas
regiões autónomas,
conseguir tal objectivo, não é fácil.
E porquê,
se todos desejam fazer parte do grupo?
A resposta é simples:
é que a Europa é constituída por seres humanos,
também ela
como o resto do mundo
e é por isso que o entendimento,
a comunhão de ideias
e de interesses,
a capacidade de não exigir o comando,
o desprezar interesses pessoais,
o atender ao bem geral,
tudo isso falta ao Homem.
Querer ser o chefe,
o que manda,
desejar a melhor parte
é isso que destrói as comunidades,
é por aí que se partem as uniões.
A Europa chegou até onde está,
conseguirá avançar mais um pouco?
Mas quando?
E por quanto?
Até que ponto resistirá às discordâncias?
Ficará num mito?
Abdicarão os homens do muito mal pelo pouco bom?
E as regiões que, por essa Europa,
lutam por independência
estão a passar de moda?
Já eram?
Que isso de querer ser dono da sua rua
deixou de ter razão de ser?
Pois não parece…

E a emigração de que este Continente
está a ser alvo?
Os milhões de populações não europeias
que já entraram
e os milhões que virão a caminho,
instalando-se
tendo filhos,
muitos,
o dobro,
o triplo,
o quádruplo
dos naturais da Europa,
que mudança já provoca
e muito provocará
ainda mais
nos hábitos, costumes, língua,
cor da pele
na tradição europeia?
Daqui a cinquenta anos
quem cá estiver
e os que venham a ocupar
as terras europeias,
Paris,
Londres,
Madrid,
Berlim
todas as grandes cidades
deste Continente,
não encontrará nada igual ao que existe hoje.
Os adivinhos
que tenham a capacidade de ler no futuro
que desvendem esse mistério.
Talvez seja preferível, agora,
não saber…

Contemplando os homens de hoje
não será inevitável fazer
um exercício de reflexão
cauteloso?
E a pergunta impõe-se:
Como é possível existir uma Europa
com este material humano?
Essa Europa do todos por um
e do um por todos,
que vem nos livros
e se coloca nas bandeiras dos clubes
é uma forma de actuar
à moda antiga,
Porque a realidade de hoje é outra.
Afinal podemos ter esperança?
Será melhor persistir na Europa
ideal,
unida,
sonhada para ser eficiente,
capaz de juntar vontades,
interesses,
forças?

Deixo aqui a pergunta
esta e todas
e sei que há duas respostas,
antagónicas,
contrárias.
Uns, os crentes por natureza,
acreditam no êxito,
têm fé que os homens
encontrem o bom senso.
Outros, nos quais me incluo,
perderam a esperança.
Andamos a enrolar o tempo,
assistiremos aos altos e baixos,
aos avanços e aos recuos,
às reuniões,
aos banquetes
às discussões,
aos abraços,
às viagens para um e para outro lado,
aos discursos inflamados,
aos processos de intenções,
aos amuos,
aos sorrisos forçados,
às fotografias de grupo
todos em bicos de pés,
mas não passará disso,
ficará sempre nisso…

Europa unida,
em bloco
toda igual,
vivendo todos bem, os europeus?

Que sonho mais lindo!

JAMAIS


É VÊ-LOS deixar o que faziam e regressar uma vez mais à vida política profissional, isto é com remuneração adequada que, bem vistas as coisas, de uma forma geral, é sempre superior à normalidade dos pagamentos que se praticam por aí por qualquer actividade que se tenha. O que foi agora tornado público é que uma série de indivíduos que já são conhecidos pelas suas intervenções que os “media” transmitem, essas caras surgem de novo no ambiente partidário e, em particular, como deputados na Assembleia da República.
Vou enumerar alguns deles, por serem os mais visíveis desde há bastante tempo, pois nunca se afastaram completamente dessa área e agora, por razões que os próprios poderão esclarecer, fazem uma reaparição. São eles: Pacheco Pereira, Maria José Nogueira Pinto, Francisco Assis, José Ribeiro e Castro e João de Deus Pinheiro (este, à última hora, renunciou ao mandato, talvez porque o golfe tenha falado mais alto!). Haverá ainda outros, mas passarão mais despercebidos.
A pergunta que se poderá fazer, dado que ter dúvidas e querer ser informado é uma atitude absolutamente respeitável, é se, então, pessoas que já deram mostras do que foram capazes no mundo da actividade partidária, e tendo sido afastadas ou tendo dado esse passo por vontade própria, acham que nesta altura o País necessita assim tanto da sua nova intervenção. O preferível, de facto, é que caras não conhecidas – o que, aliás, acontece também agora nesta nova Legislatura, com 105 rostos que se estreiam -, apareçam a querer mostrar que um sangue novo será capaz de modificar muitos dos vícios que estão instalados na vida política e, sobretudo, na partidária, ao ponto de passar a existir um maior e melhor entendimento entre adversários, pois que a Democracia portuguesa carece de fazer uma análise do seu comportamento e de confessar que não existe por cá a capacidade de ouvir as opiniões dos outros e de admitir que as nossas ideias nem sempre são as melhores.
É evidente que José Sócrates, recolocado no lugar de primeiro-ministro de um Governo minoritário, tem de dar mostras de ser, desta vez, capaz de apelar para a modéstia que lhe faltou no período terminado, isto se quiser que o nosso País não paralise perigosamente por falta de condições para serem executadas as disposições tomadas governamentalmente. Estamos todos cá para observar se o resultado da votação que ocorreu se justifica e se o Povo é tão sábio como se diz muitas vezes. E também estamos ansiosos por verificar se Sócrates tem desta vez capacidade para dirigir uma equipa ministerial que, se der mostras, um ou outro dos seus membros, de não se adaptar às circunstâncias, o que deve fazer com a maior rapidez é encaminhá-los para a saída, pois que os dinheiros públicos não se compadecem com desperdícios de pagamentos de ordenados a políticos incompetentes.
Neste particular a actuação do chefe do Executivo tem de ser de rigor e sem contemplações com amizades e com compromissos. Será que, desta vez, vamos encontrar uma personalidade diferente da anterior?
É preciso gritar bem alto “Jamais” a ocupantes de lugares ministeriais que não sirvam o País e que lá se mantenham não obstante as manifestações públicas que têm lugar e a que o chefe do Governo, como sucedeu no mandato findo, fez vista grossa.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

PENSAMENTO

Há tantos burros a mandar em
homens inteligentes que,
às vezes, penso que a burrice
é uma ciência.

É preciso fingir que se é burro
para se vencer na política

PECADOS

Confesso os meus pecados
que são muitos sem ter conta
os piores estão bem guardados
do princípio até à ponta

Que faço p’ros destruir?
Nada, são erros de origem
o que me resta é fugir
mesmo causando vertigem

As falhas que eu escondo
p’ra não verem um só erro
algum sorriso vou pondo

E dentro de mim encerro
faltas pelas quais respondo
até dia do enterro

MAITÉ OPINA



SE NÃO vivesse nesta País, se não estivesse completamente conformado com muitas das nossas manias e preocupações infantis, se me tivessem contado o que ocorreu esta semana como tratando-se de acontecimento que merecia a maior divulgação e escândalo por parte dos portugueses, não acreditaria que tal fosse possível. Mas, ao contrário do que seria razoável, sim, passou-se. E nem um terramoto que tivesse destruído cidades, ou algum ataque terrorista ou mesmo um caso de origem política que tivesse alterado profundamente a regra que estava implantada, nem tudo isso faria tanto alarme no seio do nosso povinho que, como é natural, é muito conduzido por aquilo que a comunicação social considera merecer alarde bastante e até exagero naquilo que divulga.
A que me refiro? Pois bem, ao noticiário repetido, cansativo, fora de propósito que surgiu acerca do mau gosto demonstrado pela artista brasileira Maité Proença.
As televisões, todas elas, repetiram em edições sucessivas e em dias seguidos o espectáculo, feio e triste, que deu a protagonista de várias telenovelas do outro lado do Atlântico. E digo feio e triste, não por ser apenas uma espécie de gozo à maneira de ser dos portugueses – segundo sua interpretação própria -, mas, na realidade, por constituir uma intervenção desprovida de graça, pois que se se destinava a fazer rir os brasileiros, não me parece que tenha atingido esse objectivo, tanto mais que não faltam nos arquivos dos humoristas motivos muito graciosos acerca das várias formas de ser dos naturais desta terra lusitana. Aquele cuspir desajeitado e a história que contou com o que se passou num hotel lisboeta, não dão ideia, de longe ou de perto, do comportamento do nosso burgo.
Este acontecimento recorda-me um caso, ocorrido com Raul Solnado, numa altura em que este saudoso artista e amigo esteve no Brasil e em que, num jantar, em que se contaram muitas histórias picarescas acerca dos portugueses que vivem naquele País, lhe perguntaram se nós, por cá, também troçávamos dos naturais das terras de Vera Cruz, o nosso Raul, naquele seu estilo muito próprio, respondeu: “nós, lá em Portugal, quando falamos de brasileiros, desatamos logo a rir!”
Bom, mas na verdade, pondo de lado a ausência de graça de Maité, que, de resto, nem é uma das mais valiosas artistas no seu País – e não afirmo isto por pura vingança, que seria descabida -, não constitui a mais pequena ofensa que, quem quer que seja no estrangeiro, deixe escapar comentários sobre os portugueses. Eu, nestes casos, repito aquela afirmação do “falem de nós, ao menos mal!”. E, por muito que não fique satisfeito quando as críticas ao que somos vêm de fora – porque nós, isso sim, não devemos deixar passar despercebidas todas as críticas que entendamos fazer -, aceito que todo o mundo tem o direito de expressar as suas opiniões e a nós compete-nos apenas verificar se têm razão e, nesse caso, emendarmo-nos, não levando a peito como ofensa máxima o que encontram e fazem graça com isso.
Agora, o exagero em que caímos, sobretudo a comunicação social lusitana, de levantar lamúrias exageradas e de nos arrepelarmos contra uma figura que pouco conta no panorama geral (imagine-se o que seria se tem sido Barak Obama a dizer aquelas coisas!), essa choraminga de pátio é que dá motivo para outro gozo.
Pensemos nos nossos problemas e arreganhemo-nos para os tentar resolver, sobretudo o novo Governo que tem matéria para lhe ocupar todo o seu tempo. Talvez assim deixasse para oportunidade mais própria essa de se incomodar com os animais selvagens que, sendo bem tratados nos circos, motivaram a saída, nesta altura, da portaria que não deixa que procriem nesses locais de trabalho. Fica para depois este assunto.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

MENTIRA

Espalhar uma mentira
sempre com um ar sisudo
provocará certa ira
e deixa o da verdade mudo

Tanto se espalha uma peta
convencendo os que a escutam
que ninguém diz que é treta
e até quase a desfrutam

A mentira construída
com jeito e habilidade
é como uma ferida

Que só tratada a metade
provoca uma recaída
e nem se salva a verdade

PROMESSAS HÁ MUITAS!



SÃO BASTANTE conhecidas as afirmações feitas pelos políticos, quando desejam receber das populações o seu apoio para obterem algum proveito em competições em que se encontrem envolvidos e que dependa da força do voto. Nisso há até campeões, dos que não hesitam em garantir feitos futuros, dos mais difíceis de conseguir, sem levarem em conta de que o que prometem não têm maneira de concretizar. Mas como fazer promessas não custa, bastando apenas ter a chamada “lata”, é esse o procedimento de muitos dos que sobem ao palanque para lançar esperanças infundadas que depois logo se vê se o povo se lembra do que foi dito.
Cada vez que se realizam eleições, nos períodos chamados de campanhas, surgem variadíssimos ofertantes de benesses que não têm receio em afiançar que o que fica prometido é para depois ser cumprido. E a verdade, dura e crua, aparece depois e o desconsolo também. Mas, segundo um princípio político, quem não promete não ganha eleições e não consegue ser aplaudido pelos cidadãos.
Não vou aqui apontar casos que retenho na memória e que, ao longo da minha vida jornalística, roçaram por mim e me deram para receber vários piscar de olhos de prometedores que sabiam, tal como eu, que não se tratava de algo para ser levado a sério. Por agora, quero somente enumerar a lista que António Costa tornou pública e que se diz disposto a levar a cabo.
São as seguintes: criação de uma rede de eléctricos rápidos, com ligação a Alcântara, Ajuda e Restelo; instalar, por toda a Lisboa, mil postos de abastecimento de automóveis eléctricos; plantar cinco mil árvores por ano em arruamentos e a criação de parques e hortas urbanas em diferentes pontos lisboetas; criar 76 novas creches; criar o programa Apoio/Lisboa, para atender, 24 horas por dia, serviços para pequenas reparações domésticas; dinamizar o mercado habitacional de Lisboa para garantir casas mais baratas para jovens casais; um projecto-piloto para que defenda um comércio étnico na avenida Almirante Reis, com uma feira semanal no largo do Intendente e no Martim Moniz; projectar Lisboa no mundo, fazendo da capital uma cidade Erasmus, para atrair estudantes universitários, de forma a fazer “novos embaixadores” das tradições lisboetas pelo resto do mundo; através de uma aplicação na Internet, chamada “Na Minha Rua”, onde se poderá assinalar a necessidade de intervenção dos serviços municipais; por último, requalificar o Mercado da Ribeira, através de bancadas que dignifiquem os produtos para venda.
E aqui fica o que foi tornado público por António Costa, ao qual não faço comentários, nem de apoio nem de repúdio. Basta-me ver se a palavra dada pelo repetente Presidente camarário vai ser cumprida.
Mas, não resisto a sublinhar o aspecto de que Costa não dedica nem uma só palavra ao que se encontra num completo abandono e que são as ruas de circulação de automóveis e os passeios em que os peões sofrem autênticas torturas. Não repito aqui o que tem sido uma constante nos meus escritos. Quem me lê sabe a que me refiro.
Por sinal, também Santana não se esqueceu de fazer menção destes “pormenores”. Por aqui se vê como andam distraídos os nossos autarcas.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

CONFIANÇA

Levar a vida sem ela
a mínima, a que chega
é andar de pé atrás
é nem chegar à janela
é jogar à cabra cega
e de pouco ser capaz

E mesmo a que se tem
sendo pouca até dá jeito
algumas dúvidas deixa
nem sempre se diz ámen
o que pode ser defeito
e provoca certa queixa

Quando se tem com fartura
com ela se entrega a alma
nenhuma dúvida resta
se mostra a maior candura
vive-se em completa calma
cada dia é uma festa

O que é isso afinal
que tão feliz torna o mundo
e lhe provoca esperança
será só um ideal?
Vistas as coisas a fundo
descobrimos: confiança




O DIÁLOGO


Agora que o Presidente da República já atribuiu a formação de Governo ao Partido Socialista, cabe de novo a José Sócrates a responsabilidade de escolher a sua equipa e de colocar-se à frente do Executivo que, não sendo agora maioritário, enfrenta uma situação que difere completamente da que dispunha na fase anterior às eleições legislativas. Mas, sobre isto, já se falou o suficiente para não ser necessário repisar quanto às dificuldades que se deparam na fase actual.
O professor Adriano Moreira, ouvido recentemente numa entrevista conduzida na televisão, deu mais uma vez demonstração da sua capacidade de raciocínio e de exposição, o que demonstra que, apesar da sua idade, não perdeu nada das suas características de docente universitário e de pensador político, fruto de uma experiência que vem bastante de trás e que só pode ser também atribuída ao professor José Hermano Saraiva, este igualmente com bastantes anos de vida e que fez parte igualmente de um governo do Estado Novo. Pois Adriano Moreira, que acaba de publicar um livro de análise em relação aos tempos actuais da política nacional, referiu-se ao que se torna rigorosamente necessário ser levado às últimas consequências na circunstância em que o País se encontra no aspecto político: o diálogo entre o Governo, que tem de lutar com as outras forças se pretende manter-se no seu lugar, e os adversários que, nalguns casos, já declararam que não podia haver consonância possível com o PS. Não vai ser tarefa fácil.
É certo que o professor não deu qualquer novidade, mas dito por si torna mais forte a convicção de que, como diz o povo, há que engolir muitos sapos vivos se José Sócrates quiser manter as portas fechadas para uma saída abrupta do cenário da governação.
Nós, portugueses, que isso de saber ouvir as opiniões dos outros e de sermos capazes de dar razão aos que se opõem às nossas convicções é coisa que não cabe no comportamento enraizado na nossa Terra – e bem recordo eu o que tenho escrito sobre a necessidade de ser iniciada na instrução primária a classe de Democracia, para que, ainda crianças, se formem as mentalidades sobre isso mesmo: o diálogo -, pelo que haverá razões para não se estar muito optimista quanto aos resultados que serão obtidos nas buscas de consenso com os adversários políticos.
Há, no entanto, que acreditar em milagres e ter fé em José Sócrates que werá capaz de modificar totalmente o seu comportamento anterior e passar a saber ouvir os outros e a não declarar que tem sempre razão. Só assim se constitui um diálogo profícuo e os resultados podem aparecer para benefício de Portugal.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

COMO, QUANDO, PORQUÊ

Nós, que apenas povo somos
que só nos cabe aceitar
do País só nos dão gomos
e bastantes de amargar
há também quem descrê
e bem pergunta porquê

Sempre aguardando resposta
e nunca ninguém lha dando
sabe quem perdeu a aposta
conformado vai ficando
em nada e em ninguém crê
para saber para quê

Neste mundo foi cá posto
e não deu opinião
e agora a contragosto
bem pode gritar que não
mesmo com certo assomo
se interroga: e como?

Se há que seguir em frente
pois parado é morrer
tem de fazer de inocente
dar mostras de não saber
esperar por quem responde
e lhe diga para onde

E não serve qualquer hora
há momentos ideais
quando se quer ir embora
nem todas são mesmo iguais
há que ir até andando
a questão é saber quando

Ir sozinho é um dilema
sempre é bom ter companhia
para defrontar problema
mesmo o do dia-a-dia
mas p’ra pedir a alguém
tem sempre de saber quem



VOTOS DE DOMINGO



Não consegui aguentar até altas horas da noite para poder tomar conhecimento dos resultados das eleições autárquicas, as quais constituem o final da série de consultas aos cidadãos no que respeita a três diferentes objectivos.
Sabido que já é, na altura em que escrevo este início de blogue, que, nos casos de Lisboa e Porto, sem dúvida as duas forças políticas mais destacadas são as que atraem mais a atenção política e que, logo no início, por via das sondagens, se constatou a melhor posição de António Costa, na capital, e de Rui Rio, na cidade Invicta, talvez se verifique um maior desapontamento pelo facto de Pedro Santana Lopes não ter conseguido dar mostras de uma projecção mais destacável, face ao combate que foi mantido e as promessas do candidato social-democrata no que diz respeito a não dar seguimento aos projectos “Costista” de manter a acumulação de contentores nos cais lisboetas e de prosseguir com uma obras contestáveis. Mas, por seu lado, Santana também não conseguiu convencer os cidadãos alfacinhas de que a sua actuação provocaria uma alteração profunda da imagem que Lisboa nos dá, tendo ainda muito presente a “borrada” feita com o Parque Mayer.
Seja como for, o que é fundamental ser deixado claro, nos casos das eleições nas autarquias, é que os partidos políticos, na maioria das situações, têm pouco a ver com os resultados conseguidos, sobretudo nas povoações mais pequenas, pois o que conta são os indivíduos que se apresentam para presidir a cada local de escolha, com predominância para as Juntas de Freguesia, como é natural, e mesmo nas Câmaras Municipais, conta bastante a simpatia pessoal para que a escolha recaia neste ou naquele candidato.
Não vale a pena, pois, nesta altura, referir-me aos grupos partidários que, através das declarações que estou a ouvir nas televisões, se encontram cada um que conseguiu uma boa posição, a arvorar-se em grande vencedor como ideal político.
Acabaram as deslocações da população às mesas do voto, depois de uma fartura de demonstrações de que a Democracia está já instalada em Portugal com profunda convicção de todos os naturais do nosso País. É verdade que, pelo menos no que se refere ao gesto de pôr as cruzinhas nos boletins que são apresentados para fins das opções de cada um, esse acto reveste-se de um significado que não pode ser desvirtuado. Mas, daí a concluir-se que o povo português, passados 35 anos sobre a mudança de regime, já se encontra absolutamente inserido no espírito da Democracia, isto é, o aceitar as opiniões dos outros sem brigas e o não limitar as suas relações às posições políticas, religiosas, até desportivas dos outros cidadãos, sabendo ouvir e não temendo dar razão aos adversários, se essas opiniões podem ser sustentadas com razoabilidade.
É por isso que eu tenho repetido sem me cansar que é nas escolas primárias que se deve começar a instruir as crianças a entender o que representa essa prática do dia-a-dia. Oxalá os políticos no poder entendam esta recomendação.

domingo, 11 de outubro de 2009

PASTOR

Se tivesse que ser outra coisa
na vida
e me dessem a escolher
logo à partida
se soubesse o que sei hoje
por pouco que seja
esteja como esteja
talvez tivesse optado por ser pastor
por certo estranho
junto do meu rebanho
para os outros que me olhariam
andando por montes e vales
entregue ao não te rales
mas sempre com papel e caneta
a inspirar-me na Natureza
e a reproduzir sua beleza
e só pensar nos bons actos
que o ser humano poderia fazer
e pondo bem longe a hora de morrer

Que bom seria ser pastor
viver isolado das maldades
ser feliz
de raiz
ouvir apenas os balidos
das minhas companheiras
as ovelhas
e de vez em quando os ladridos
do fiel amigo
sempre atento ao perigo
que possa existir
de alguma fugir
do grupo que me dá
esta profissão de pastor

De manhã à noite
ter a imaginação
sempre em acção
ver passar as estações do ano
todas elas úteis e benéficas
sentir o sol e o vento,
mas ter presente o talento
beijando cada flor do caminho
cuidando em raízes não pisar
e deslumbrando o olhar
sem ambições, sem maldades
pegando no cordeirinho
que também quer o seu caminho
e, de vez em quando,
fazendo saltar os poemas
agarrado ao cajado
que também puxa pelos temas
sem pretender compreender
o mundo que se atravessa
e que desde ali não se pode ver

E à noite, recolhidas as ovelhas,
abrigado no curral, pensar
à luz do petróleo, sonhar
lembrar-me que os ricos
sofrem por querer mais
que eu com os meus nicos
sou feliz, por demais.

Ser pastor neste mundo
é o que eu queria no fundo.






OBAMA, NOBEL DA PAZ... JÁ?


Eu confesso que, desde que foi eleito o actual Presidente dos Estados Unidos da América, tenho tido um grande apreço pelo homem que conseguiu substituir o seu tão mau antecessor, George Bush, por muitas razões e sobretudo porque, tendo lutado num País que mantêm bem enraizado o espírito de separatismo em relação à raça negra, obteve, desde o início do seu mandato, uma larga mancha de admiradores e, no que diz respeito à população geral do mundo, também se tem verificado uma adesão de simpatizantes por Barak Obama, de seu nome.
Com excepção dos grupos de religião muçulmana, especialmente aqueles que seguem cegamente os princípios ditos sagrados da sua fé e que, por tal motivo, aplaudem as acções que andam próximas dos ataques terroristas que deflagram por toda a parte, tirando esses e uns tantos outros naturais de diferentes países que nunca alimentaram uma grande admiração pelos chamados “americanos”, pode-se dizer que Obama tem merecido uma especial consideração do exterior da sua Pátria, e isso devido a um estilo de compreensão e simpatia que, nestas coisas da política, são fundamentais para que a imagem caia bem à primeira impressão.
Há que reconhecer que o seu ar de não pretender mostrar que sabe muito e de que tudo que decide é o melhor, sendo ou não autêntica esta compostura – só os mais íntimos podem garantir -, tal comportamento público tem-lhe trazido uma onda de apreço que pesa favoravelmente na balança da sua análise.
Posto este preâmbulo, vou agora referir-me ao Prémio Nobel, visto que acaba de lhe ser atribuído o referente à Paz e essa distinção merece que, da minha parte e sem ter certezas de nada, faça uma reflexão que tem a importância que tem mas que, em virtude de poder dispor deste blogue que alguns interessados acompanham e me enviam os seus comentários, é o espaço de que disponho agora e que serve de escape às minhas reflexões.
No que diz respeito ao propriamente dito Prémio Nobel, tratando-se de um galardão de enorme prestígio e que tem sido atribuído, ao longo dos anos, a personalidades que deram mostras claras e indiscutíveis do seu merecimento, em certas ocasiões, sobretudo no capítulo da literatura, a sua entrega tem motivado interrogações e certas dúvidas que se relacionam com inclinação politica dos premiados. Aqui fica o reparo.
No capítulo da característica da Paz, haverá que apontar a ausência de atribuição do Prémio a figuras que, tendo dado grandes provas de contributo mundial para diminuírem os confrontos guerreiros, embora esse facto não diminua a importância e a honraria que significa serem homenageados os contemplados.
Agora, falemos de Barak Obama. Será que ele merece a distinção com que acabou de lhe ser atribuída? Vou ser franco: provavelmente, dentro de um ou dois anos, se se concretizarem aquelas que parecem ser as intenções do desejado interveniente no capítulo de moderar bastante do que se passa de condenável na Esfera terrestre, no que se refere às relações entre os povos, se o Afeganistão deixar de ser um espaço de confronto bélico, se entre Israel e a Palestina for posto ponto final na agressividade que dura há demasiado tempo, se, por sua influência e exemplo, forem afastados os desentendimentos de que o ser humano é o principal culpado – e não vale a pena apontar aqui os múltiplos exemplos em que o E.U.A. podem contribuir para pôr alguma serenidade onde ela não existe -, se isso vier a verificar-se e Obama tiver a mínima influência nos êxitos que se esperam, então sim, o Prémio Nobel da Paz caber-lhe-ia que nem uma luva e o mundo inteiro aplaudiria, até provavelmente os que não apreciam em demasia o Presidente negro.
Mas já está. Quiseram pôr o carro adiante dos bois. E o Homem agora fica com a responsabilidade de dar mostras universais de que é merecedor de tal honraria. Oxalá o consiga. E eu nem quero admitir a hipótese de virmos a assistir a uma frustração mundial!...