quinta-feira, 20 de agosto de 2009

VELHOS E NOVOS




Chegar a uma idade enfastiante, com setenta e tantos anos e pedir a quem quer que seja que tenha condições para ouvir la do alto e dar resposta para não se avançar mais para diante, ultrapassar os oitenta, então, será um horror, viver nessa angústia é asfixiante, por muito que a cabeça esteja ainda no seu sítio e que, por via disso, funcione, pense, dê ainda resposta ao que dela se pede – com excepção dos esquecimentos, que esses são a demonstração permanente de que existe uma parte do cérebro que anda distraído -, ter passado todo esse tempo não perdendo de vista aquele que ainda estará à frente para percorrer, tudo isso não constitui razão para que exista alguma ânsia para que o tal momento surja, ainda que sem dar muito nas vistas e o ideal será até que ocorra uma manhã em que o acordar não se verifica.
Mas, ao mesmo tempo, sabendo-se que Moisés dirigiu o Êxodo aos oitenta aons, e que Rubinstein interpretou magistralmente Chopin, com noventa, e que, com uma elevadíssima idade, Goethe, terminou essa obra imortal que é o “Fausto”, isto entre tantos outros autores de grande nomeada que, já no fim da vida, produziram o que se mantém ao longo dos séculos, contemplando tais feitos, mesmo sem efectuar qualquer tipo de comparação, alguma consolação renasce no nosso período de velhice.
Mas, por outro lado, também darmo-nos conta de que a juventude de hoje, aquela que é agora o que fomos nós noutros tempos, com as enormes diferenças que não podem deixar de ser notadas, sem sabermos se é mais fácil hoje encontrarem a felicidade do que aquilo que se passou connosco na devida altura, constarmos que essa onda de jovens se vai debater com problemas que eram impensáveis cinquenta anos atrás, como por exemplo o que se anuncia que vai constituir uma aflição do próximo futuro, o ser considerada a água um bem escasso, entre outros factores como o aquecimento global, não pode deixar de nos fazer reflectir sobre a sorte que temos de não fazermos já parte desses tormentos quando os mesmos tocarem o mundo.
Esse é um tormento que os mais velhos acumulam com um sentimento simultâneo de inveja e de pena em relação às rapaziadas de hoje, se bem que esses, tendo as perspectivas de vir a alcançar a idade que nós temos hoje, nada nem ninguém lhes garante que tal consigam. Mas o que sim tem de constituir uma ambição e uma esperança é que, caso o Homem consiga solucionar os problemas graves que se anunciam hoje, pois o seu espírito inventivo promete que, até os bons pratos gastronómicos que são nos dias de hoje as delícias dos apreciadores e nós, os portugueses, bem sabemos o que isso significa, venham a ser substituídos por pastilhas de bacalhau com batatas e outras e bons vinhos por uns pós que venham a ser inventados.
E o excesso de população que, de dia para dia, constitui uma ameaça para toda a humanidade, essa ameaça terá de ser resolvida, por ventura, com a invasão da Lua e de Marte, pois cá já não cabem os residentes terrestres.
Perante tão arrepiante panorama, o melhor é conformarmo-nos por não passarmos muito mais tempo por cá. Pode ser que haja forma de assistir, do outro local onde se repouse, às modificações que se operarem na Esfera terrestre. É a esperança que ainda envolve aqueles que têm a sorte de ter alguma fé, seja ela qual for.
Por agora basta-nos fechar os olhos e pôr a imaginação a funcionar. E, para alguns, aqueles que se julgam com capacidade para deixar certa coisa feita, então que o façam. Pode ser que nem tudo se perca e que, daqui a certo tempo, sobretudo agora com os arquivos nos discos dos televisores, se descubra que não foram devidamente honrados os trabalhos que mereceriam algum mérito.
Que sejam os velhos a dizer isto, já que os novos não se preocupam, não têm tempo, não dão importância. E ainda bem.

MERECEMOS A JUSTIÇA QUE TEMOS?



Cada vez que o tema da conversa dos portugueses assenta sobre a questão da Justiça que existe em Portugal, não deve haver muita gente que se considere satisfeita com a actuação desse importante sector da vida nacional. E isso não é só de agora, há muitos anos que se verifica uma ausência de capacidade de execução por parte dos diferentes intervenientes da aplicação de uma Justiça minimamente capaz, não excessivamente demorada e que dê confiança aos cidadãos de molde a não duvidarem das decisões dos Tribunais.
E, nesta altura, quando surge perante as câmaras de televisão o responsável principal do Governo pelo referido ministério, piscando os olhos e fazendo afirmações que não conduzem a nenhuma conclusão, então o afastamento dos portugueses em relação ao mínimo de confiança é ainda maior e até se compreende o motivo por que tudo caminha de mal a pior e são os próprios magistrados que, quando têm coragem para mostrar a sua opinião, atacam as circunstâncias que não se modificam e que os colocam em má posição perante todos nós que aqui vivemos.
E como o programa do PS, em relação às próximas eleições, segundo textos já publicados da autoria de juízes que sabem do que falam, e que afirmam que se trata de “mais do mesmo”, que é como quem diz, nada surge que mostre melhoras na Justiça, deparando-se que o século XXI não entrou ainda na cabeça dos que prepararam o referido documento.
Os quatro anos que decorreram durante o período legislativo que está a terminar não serviu rigorosamente para nada no sentido de serem introduzidas alterações profundas, sobretudo quanto à redução dos prazos de decisão dos processos. Sobretudo o Código do Processo Civil, que tanto precisava de sewr mexido, manteve-se na mesma em todo esse tempo. E um Governo que não foi capaz de analisar este problema e todos os outros que são os causadores das vergonhas a que se assistem no que se refere aos tempos de espra por soluções nos tribunais, esse Executivo não merece que seja de novo votado para repetir as asneiras.
Pode-se não saber quem será capaz de arregaçar as mangas e fazer o que tem de ser feito, mas insistir em que tanto faltou é que não parece ser aconslhável.
A situação do que se verificou com o problema Casa Pia – e não só esse -, é de tal maneira vergonhoso que não pode haver desculpas para uma calamidade daquela dimensão.
Um País sem Justiça capaz não pode constituir uma garantia para ninguém e muito menos para os seus compatriotas. E todo o resto que faz parte de uma Nação tem de sofrer as consequências de tanto desleixo. A crise económica que atravessamos é, na realidade, um pesadelo que tanto nos aflige, mas a situação da má Justiça que ninguém é capaz de solucionar também representa um martírio que não deixa que as restantes áreas populacionais se desenvolvam de acordo com a época a que chegámos e ao ano em que já estamos.
Se parámos no tempo, alguma coisa é devido à péssima Justiça que temos. Ela não é a culpado de tudo mau que temos por cá, mas que uma grande parte é da sua inteira responsabilidade, disso não se livram os que tinham obrigação de ter feito muita coisa e acabaram por não fazer quase. Nada. Não têm desculpa possível e só se espera que os responsáveis por isso não venham, após o acto legislativo, a ocupar lugares de altos vencimentos… e grandes regalias. Como é costume!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

JUNTAS DE FREGUESIA



Em face das eleições que se aproximam e que visam escolher os responsáveis principais nas zonas municipais, os concorrentes aos lugares cimeiros dessas Câmaras que estão espalhados pelo País, subordinadas aos partidos que os propõem, fazem as suas promoções com o objectivo de conseguirem a maioria de votos suficientes para obterem boas posições e, com isso, se classificarem nos postos principais de molde a que as assembleias municipais sejam dominadas e, por esse facto, o apoio aos presidentes constitua uma força dominadora. Esta é uma verdade de todos conhecida.
Perante tal regra e, do mesmo modo que nas restantes disputas eleitorais, os grupos partidários dão o seu melhor para atingirem o que mais desejam e que é, naturalmente, terem mais domínio do que os concorrentes na execução das tarefas que cabem em cada situação.
No caso da Câmara Municipal de Lisboa sucede exactamente o mesmo do que nas restantes que se situam por Portugal fora, e, por ser este caso o mais destacado no panorama geral, as atenções prendem-se às disputas que são relatadas pela comunicação social, e em particular, pelas televisões. A frontalidade do Santana Lopes, alguma confiança do António Costa, o apoio da Helena Roseta e também a argúcia por parte do Bloco de Esquerda, todos estes espectáculos televisivos têm procurado transmitir os pontos de vista de cada um dos grupos em confronto. Tudo bem e cada um procura ser o mais convincente possível.
No entanto, aqui nesta posição e apenas como munícipe, eu vou dar a minha achega: e é a da distância em que se mantém este município alfacinha dos cidadãos que têm a capital como seu ponto de residência. Trata-se, nem mais nem menos, da falta de relacionamento que têm as Juntas de Freguesia em função de cada zona que faz parte do seu mandato. E eu por mim falo.
Na verdade, se nas terras da província, sobretudo nas mais pequenas, toda a gente se conhece, já o mesmo não sucede na nossa cidade alfacinha. As freguesias já têm uma dimensão que não permite, sem ser por iniciativa própria dos presidentes das Juntas, o contacto com os diferentes munícipes. E é precisamente essa falta que eu considero grave e que, nas propagandas feitas pelos partidos que concorrem ao acto que se aproxima, não se verificou ainda uma proposta nesse sentido.
A Câmara Municipal de Lisboa devia dispor de uns serviços exclusivamente destinados a apoiar as Juntas de Freguesia e de lhes transmitir ideias que constituíssem aumentar o contacto e o conhecimento das famílias que fazem parte de cada aglomerado. Por seu lado, de fora para dentro dos municípios, conviria que as necessidades que fossem mais salientes passassem para o conhecimento da Casa-Mãe e dela serem obtidas as ajudas possíveis. Dirá o Município lisboeta que já diospõe de tais serviços. Pois se sim, não se dá por isso e o que importa não é que existam dependências, mas sim que funcionem bem.
Lisboa, que poderia ser uma cidade exemplar, até em relação às estrangeiras, pela sua situação geográfica, com um rio Tejo a seus pés e as sete colinas a embelezarem todo o conjunto, tem vindo, ao longo da sua existência e especialmente nos últimos cinquenta anos, a perder qualidade e a não serem aproveitadas as suas características particulares. As flores, por exemplo, não têm sido do agrado dos responsáveis municipais. Mas muito mais coisas do que isso. E eu bem tenho lutado, ao longo de muitos anos, pela melhoria da actuação dos responsáveis. Mas em vão…
Por isso, tenho proposto e insisto nisso que as Juntas de Freguesia cumpram o seu papel de aproximação dos cidadãos que residem nas respectivas áreas, não esperando que eles os procurem mas, pelo contrário, ps visitem e se proponham ajudar naquilo que for necessário.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

FELIZ OU INFELIZ



Haverá quem se preocupe em perguntar a si mesmo se conseguiu atingir a felicidade na vida ou se lhe calhou a outra face da moeda, isto é, se não alcançou sentir o prazer de gozar essa coisa de ser feliz. Poderá ser que, ainda que raramente, penso eu, exista gente que procure descobrir uma resposta a esta pergunta ou, no mínimo, queira tirar dúvidas que atormentem os pensamentos. É que não será fácil estabelecer os dois pratos da balança e colocar neles aquilo que cada um entende que pode fazer parte de ambas as situações. E como, naturalmente, o ser humano atravessa, ao longo da sua vida, situações que se podem encaixar numa ou noutra categoria, bastará ter a capacidade de somar a quantidade e a intensidade das duas fases e tirar a súmula para poder ver qual delas suplanta a outra.
Esta explicação é um pouco confusa, mas será o que se pode encontrar para tentar definir o que cada um considera ser a felicidade e a infelicidade.
O que será mais certo, porém, é que a maioria esmagadora dos habitantes terrestres não se debruce sobre essa questão de apurar qual a condição em que se situa a sua vivência. E ainda bem que o faz, pois, tal preocupação só serviria para, mesmo sem poder ser caso desesperado, grande parte dos cidadãos passar a ter uma vivência dentro do maior descontentamento. Os ricos, então, aqueles que só têm de se preocupar em ir acumulando mais fortuna e em salvaguardar a que conseguiram utilizando os meios financeiros que tal propiciam, tais fulanos devem viver envolvidos numa constante inquietação, consultando permanentemente as tabelas bolsistas e apanhando sustos frequentes sempre que a sua escolha temporária am acções não foi a mais indicada para resguardar o que antes foi adquirido em boas condições. E, no capítulo do relacionamento com outras pessoas, especialmente se se tratam de seres sem comparação possível quanto a haveres, a dúvida no que respeita a poderem depositar confianças nesses companheiros ou se o relacionamento deles só tem fundamento por se sentirem protegidos pelo contacto com quem lhes pode valer, se um dia for preciso. Com esses amigos mantêm sempre uma margem de dúvida, não entregando abertamente o seu coração, como aconteceria se não existisse preponderância de fortuna, de um em relação ao outro. Digo isto, porque tal posição já me foi comunicada por alguém que se angustiava com esta interrogação.
De facto, a felicidade é mais fácil de descobrir em gente desprovida de grandes valores materiais. E, não será descabido afirmá-lo, quanto mais ínfima é a sua situação, talvez mais perto de ser feliz se encontre tal criatura. Desde que tenha saúde, é preciso acrescentar, pois que esta é a base do afastamento de aflições e de existir uma preocupação permanente que não pode retirar desprazer da vida que se leva.
Sempre imaginei que o pastor, aquele que vive com o seu gado, que não toma conhecimento das notícias desagradáveis que a comunicação social transmite todos os dias, que fala com o seu companheiro, o cão, que, fiel como são estes nossos amigos, não lhe dá desgostos, que, na sombra de uma árvore protectora, a hora própria, come as suas fatias de pão, acompanhadas de troços de um belo queijo e bebendo uns golos de um vinho que não lhe custou muito caro, embora seja bom, esse guardador de gado poderá ser o indivíduo deste mundo que mais perto se encontra da tão desejada felicidade que os bem situados na vida muito procuram.
Mas o mundo está repleto de contradições e de injustiças. E o Homem é o grande culpado de contribuir para que o invólucro humano não permita que os habitantes terrestres atravessem as existências com menos infortúnios e com pleno prazer de por cá passar uma temporada.
Há as felicidades temporárias e até momentâneas. Jogar numa lotaria e ser premiado com uma boa quantia, constitui um desses prazeres que quase toda a gente aspira. O pior é depois. É o ocultar essa sorte, até da própria família, pois o receio de vir a ser “atacado” com pedidos de ajuda, com propostas de negócios, e até o medo de poder ser assaltado por profissionais do roubo que tomem conhecimento da ocorrência, tudo isso transforma uma felicidade na maior amargura que até então se teve.
Por todos estes factores, cabe-me a mim também pôr a questão de pretender saber se a felicidade me bateu à porta ou andei sempre por caminhos diferentes. E, pior do que isso, não encontro resposta para indicar a via que eu procuraria descobrir. Como, ao longo da minha via sacra sempre lá fui conseguindo obter alguns resultados com as minhas actuações, c om imenso esforço e enormes sustos, não escondo, mas tenho de reconhecer que lá consegui ultrapassar várias fasquias que a andança pela vida coloca no nosso caminho, mas, não o escondo, tendo sempre pela frente a luta para ultrapassar as dificuldades, especialmente as de recursos financeiros escassos em relação aos mínimos exigidos em cada caso, apesar disso não posso considerar que a felicidade me acompanhou todo o tempo, pois os sustos que se apanham sempre que parece que se está numa fase em que não se consegue vencer os contratempos, esses sobressaltos não conseguem tapar a sensação de infelicidade.



segunda-feira, 17 de agosto de 2009

FÉRIAS


Por mais que queira condescender e tentar entender a maneira de actuar de algumas personalidades que, por via da sua actuação, se encontram permanentemente na montra, muitas vezes me custa aceitar que essa gente não cuide de tomar todas as cautelas, no sentido de não prestar argumentos desfavoráveis à população que, sobretudo neste período difícil da vida quotidiana, mais atenta e crítica se encontra e, por isso mesmo, muito mais débil no capítulo de não abrir margens de desculpa aos faltosos, especialmente se se tratam de figuras políticas..
No caso do primeiro-Ministro, é óbvio que estas críticas surgem com mais facilidade. Ninguém tem de se admirar face a esta realidade. Por isso, a notícia, até com fotos e custos da diária das férias escolhidas por José Sócrates e a sua família, que excedem os 1.000 euros diários, isso na ilha espanhola de Menorca, no Mediterrâneo, tal informação que surgiu na Imprensa portuguesa não pôde deixar de criar um ambiente de má vontade contra quem tem a enorme obrigação de preferir passar férias cá dentro e de não dar exemplos negativos, especialmente agora que se torna obrigatório aos portugueses deixarem-se de luxos e fazerem todos os possíveis para não gastar fora do País.
Não quero ir mais além do que isto. E, numa altura em que estamos em vésperas de eleições, ainda mais confuso fico ao constatar estas atitudes de Sócrates, ao mesmo tempo que, por outro lado, me deixa grandes dúvidas a atitude de Manuela Ferreira Leite que, também nm momento de enorme preocupação para conseguir animar os portugueses a votarem PSD, mostrou aquela atitude que, dentro do seu próprio partido, levantou desentendimentos no capítulo das escolhas dos representantes aos lugares políticos fieis à sua bandeira.
É por isso que me pergunto muitas vezes que responsáveis partidários merecem o voto dos portugueses a fim de conseguirem, na próxima legislatura, cumprir com o mínimo respeito democrático por forma a levarem com competência a condução de Portugal com eficiência.
Claro que existem outros espectros que talvez mereçam ser levados em consideração para efeitos de escolha nos lugares que se prestam a ser ocupados. Não vou aqui referir quais, mas a negativa do PCP em fazer parceira com o PS, com o objectivo de se conseguir aí uma maioria e o BE também não se mostrar muito disponível para tal, a preocupação em relação ao pós-eleições tem de ser devidamente pensada.
Porque ficarmos com um País ingovernável, isso é que não aponta para um futuro tranquilo. É essa a gravidade!...

domingo, 16 de agosto de 2009

HOMENAGENS



Se se perguntar a qualquer pessoa se prefere ser homenageado depois de morto ou antes de partir desta vida, naturalmente que a resposta mais esperada será a de que as honrarias devem chegar enquanto por cá andamos e não quando já não podemos assistir e deslumbrarmo-nos com tais manifestações em nosso louvor.
Porém, segundo se toma conhecimento pela leitura dos factos históricos e, ainda no nosso tempo, por termos assistido a tais situações, verifica-se que um grande número de casos ocorreu e ocorre quando os visados não pertencem já ao número dos vivos. Mais recentemente e tratando-se de um português ilustre que bem merece situar-se num ponto bem alto dos valorosos portugueses, temos o exemplo de Fernando Pessoa que, enquanto por cá andou e ia tomar o seu cafezito ao Café da Arcada (agora em vias de desaparecimento devido às obras do Terreiro do Paço) e ganhava a vida como ajudante de guarda-livros num escritório na Baixa lisboeta, nessa altura só uns muito poucos se deram conta de que ali estava um escritor e poeta de grande nomeada, a que os editores não ligavam importância, pois só certo tempo após a sua despedida da vida é que lhe começou a ser dedicada alguma atenção para, passados anos, se ter verificado que ali esteve um homem de enorme importância intelectual.
O mundo é assim e este fenómeno não foi nem será um exclusivo nacional. Muitos acontecimentos foram denunciados ao longo dos anos e sabe-se lá quantos não poderiam ter sido encontrados se as circunstâncias da vida tivessem proporcionado descobertas idênticas.
Temos de concluir, por isso, que, apesar das injustiças cometidas com as não reveladas vocações e as genialidades que terão passado desconhecidas pelos quatro cantos da Terra, sempre será melhor que sejam lembrados os que, mesmo não podendo usufruir do prazer de ver-lhes ser prestado o agradecimento devido, apesar disso sempre os outros acabaram por descobrir um valor por mais tardiamente que seja.
O que ocorreu há pouco com as hossanas cantadas a Raul Solnado que, apesar de tudo, não levou de que se queixar, pois em vida não foi totalmente desprezado, coisa que não ocorreu com muitos dos seus colegas de igual valor ou mesmo mais destacáveis, como José Viana, por exemplo, mas temos tantos ao longo das vidas artísticas de que a juventude de hoje nem sabe que existiram, esse exemplo serve de prova de que os que morreram são mais importantes do que aqueles que ainda se encontram vivos.
Tudo isto serve para dizer que, mal por mal, sempre é melhor ser-se reconhecido quando já somos cinzas do que nem aí os outros encontrarem razão para se recordarem dos que cá é deixado com algum valor, quer se trate de descobertas científicas, quer sejam escritores e poetas, ou tenham sido pintores que nunca conseguiram chamar a atenção dos que estão vivos.
O que se passou depois da morte de Michael Jackson, esse um americano que arrebatou populações, daquelas que quando gostam perdem a cabeça e os que não entendem tais fúrias permanecem nos seus cantos, verificamos que os mistérios criados com o seu desaparecimento têm dado muitas fortunas a alguns, familiares e outros, tal caso também pode suceder e não há que procurar razões sensatas para explicar esses fenómenos.
A vaidade, ainda que depois de já não poder ser exibida, sempre é um defeito ou uma virtude que, quanto mais não seja, podem ser os familiares e amigos a puxá-la para si.

sábado, 15 de agosto de 2009

MEDINA CARREIRA



Medina Carreira, por mais amargo que seja, por muito pessimista que surja e por tanto desconsolado que se mostre, no fundo não deixa de ter razão. O que não quer dizer que, se fosse chefe de Governo, teria possibilidade de fazer aquilo que proclama ser essencial.
É verdade que os capitais que participam nas formações de empresas e que tanto necessitamos de receber vindos de fora, sejam c convenientemente acolhidos no nosso País e que uma eficiente e bem exposta programação junto dos potenciais investidores que existem pelo mundo possa ser apresentada nos mercados onde existe a possibilidade de serem conquistados E é para isso que o AICEP existe. Mas, antes de tudo, como diz Medina Carreira, é forçoso que saibamos as razões por que os capitais fogem de Portugal e, ao estar de posse desses elementos, tudo fazer para criar as condições que aliciam os investidores a dar o passo que desejamos.
É evidente que são muitos os obstáculos que existem no nosso País e que não animam os dinheiros de fora a serem colocados no nosso território. Ninguém arrisca um cêntimo que seja se não está seguro que o local onde pode aplicar os seus valores e conhecimentos dispões de mecanismos que proporcionam as condições ideais para tudo correr sobre rodas. E, nesse aspecto, todos nós sabemos que Portugal prima pelas dificuldades burocráticas que cria ao menor passo que se pretenda dar para abrir uma empresa e, depois dela existir, fazer com que não existam impedimentos para o seu andamento legal. Gostamos e sempre gostámos de dificultar a vida daqueles que dão provas de poder criar empregos e desenvolver iniciativas que constituam a criação de riquezas.
É verdade que um Governo, o que possa vir a nascer das próximas eleições, que se dedique a facilitar o nascimento e a vida das empresas, não só as grandes mas também as pequenas, só por isso deve merecer a preferência dos eleitores. E é isso que ainda não foi entendido por todos aqueles que se estão a predispor para concorrer à governação de Portugal. É pena. É triste. Mas demonstra bem como os políticos que existem por cá não são capazes de entender com profundidade aquilo que o nosso País necessita urgentemente.
Não vale a pena dizer mais nada. E ficamos todos a ver decorrer as campanhas que já se iniciaram e as que ainda virão, para analisar se algum partido entendeu o que constitui uma forma de poderem ser ganhas eleições. Nem sei mesmo se Medina Carreira, se estivesse colocado num lugar que lhe pudesse proporcionar a tal chefia, seria capaz de transformar a sua tese em medida prática. Com a AICEP que temos e seguindo uma actuação – aliás que nos sai bem cara – com vários escritórios espalhados pelo mundo, tenho dúvidas de que saibamos fazer o trabalho que, desde o início da sua existência, nunca foi capaz de cumprir com êxito. Era necessário formar todos os funcionários que se encontram lá fora, de modo a que fosse feito um trabalho que resultasse em verdadeiros benefícios para o nosso pobre País.
Já estou como Medina Carreira. Pessimista que dá pena!...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

DAR TEMPO AO TEMPO



Isto de sermos escravos do tempo, de estarmos sempre dependentes das regras que nos são impostas pelos relógios, de termos de obedecer ao que nos é estipulado por aquilo que consideramos obrigações em relação aos outros, a escravatura de não podermos ter as nossas próprias vontades, sejam quais forem as condições de vida que seguimos, é isto que, ao nascermos e durante todo o período que nos é atribuído até à data definitiva da partida, ninguém, sobretudo os que gozam de uma situação de benefício material desafogada, pode fugir. Se atendermos bem ao fenómeno da existência, serão até os mais desfavorecidos, aqueles que serão classificados como pobres, e até mesmo os miseráveis aqueles que gozam do privilégio de não estarem tão sujeitos às obrigações impostas pelo tempo. Quem sofre os efeitos da fome, da falta de um tecto, do abandono total das mínimas condições de vida, serão esses os que não necessitam de estar sempre atentos ao relógio, aos compromissos de faltar a um encontro ou de se apresentarem num local de trabalho.
Essa preocupação do “já ser tarde” ou do “ainda ser cedo”, de nos faltar o tempo ou de sobrar um bocadinho para podermos fazer ainda qualquer coisa antes, essa escravidão dos horários é uma constante que coloca os seres humanos, em todo o seu período de vida, sujeitos a um tiquetaque desses horrorosos aparelhos que, quer sejam umas simples “cebolas” sem valor material ou tratando-se de objectos de verdadeiro luxo, e neste caso, silenciosos e traiçoeiros, cobertos de material precioso, constituem, de igual modo, o ordenador do cumprimento de regras a que o Homem obedece sem discutir.
Se, para vir a este mundo, não estará rigorosamente definida uma hora, já quando se trata da despedida, o horário das cerimónias dos adeus e da guarda em local próprio ou da transformação em cinzas, isso obedece a cumprimento das marcações estabelecidas antes pelas organizações que se encarregam de todos os pormenores das partidas.
E enquanto por cá andamos, havendo os que são cumpridores rigorosos dos encontros marcados e aqueles que se atrasam sistematicamente e que sempre aparecem com desculpas que têm de ser aceites, pois só acontecem a eles, os contrários, por sua vez, põem má cara quando passa um minuto da hora estabelecida e, muitas amizades já foram desfeitas pela simples razão de haver quem não respeite combinações feitas com horário acordado.
Há países, como a Suíça, por exemplo, em que o respeito pelo cumprimento dos horários classifica os cidadãos e aqueles que se mostram desligados dessa regra são colocados na posição de gente de pouco valor e não merecedores da consideração dos outros.
Marcar um encontro com alguém dentro do largo espaço “por volta das 9 horas” ou “lá para as 11 horas”, ou ainda “entre as 10 e as 11”, esse comportamento é muito próprio dos portugueses e entre nós ninguém se admira por lhe ser estabelecida essa maneira de encontro. Quem chegar primeiro que espere.
E isto de não ter tempo para nada, expressão que também faz parte do nosso estilo de conversação, sobretudo quando se verifica alguma falta a um compromisso assumido, serve bem de desculpa de muita gente que se vê permanentemente a gozar de largas folgas.
O ainda ser cedo para já ser tarde deveria fazer pensar aqueles que se afligem com a escassez de ocasião para executar alguma tarefa que têm em mente, pois quer dizer que falta muito tempo para se chegar ao fim da viagem. Já o ser tarde para ainda ser cedo representa exactamente o contrário, ou seja que não vale a pena guardar para depois o que se tem de levar a cabo, pois o final da corrida está já à vista.
Dar tempo ao tempo é talvez o mais coerente que o Homem pode fazer. Não nos damos conta de que, afinal, nós próprios somos tempo e de que não nos podemos separar dele. Cada vez que dizemos que não temos tempo é o mesmo que dizer que não existimos.
O pior de tudo será quando constatamos, mesmo que vagamente, que o tempo se está a esgotar e que, sem olhar para o relógio, mal sentimos o tiquetaque do coração.


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

VENTO


Vento que sopras ligeiro
pões os cabelos à solta
és como aquele romeiro
que não se sabe se volta

que vai p’ra lá na estrada
em ligeira caminhada

Quando de mansinho vais
e não provocas pavor
ninguém pensa em vendavais
e menos no Bojador

vento nem sempre é chuvada
pode do ar ser lufada

Mas quando os deuses se zangam
e sopram com muita força
aí os ventos descangam
e não há quem não se torça

e a força da rajada
leva tudo de enfiada

Tal como o ser humano
só é bom o meio termo
moderado não faz dano
em excesso é um estafermo

a fúria de uma rajada
traz consigo a derrocada

Vento, vento és amigo
porque trazes as sementes
que acabam por ter abrigo
em locais que são nascentes

que são as melhores achadas
para as que estão despegadas

Os moinhos te aguardam
tua força dá a luz
dos mesmo que se resguardam
por baixo do seu capuz

sabem que uma ventoada
é boa se é bem usada

E o povo que é sábio
e que por vezes tem tento
diz sem ir ao alfarrábio:
palavras leva-as o vento


e até a própria abrilada
chegou numa madrugada…
…qual vento !

ORGULHO



Este é um País de orgulhosos. Por tudo e por nada, toda essa gente de cá que surge a prestar declarações, sobretudo na área da política mas não só, usa a expressão que mostra bem como somos todos uns contentinhos da silva com aquilo que é o produto das nossas actuações. Tornou-se um hábito, quase uma monotonia de expressão o afirmar-se que se está orgulhoso por isto ou por aquilo. E, nesse particular, o nosso José Sócrates, até agora no artigo que publicou no “Jornal de Notícias”, lá aparece a expressão tão do gosto daqueles que não têm dúvidas, que sempre estão convencidos de que aquilo que fazem é o único possível e aceitável que deve ser executado.
Eu confesso que não tenho grandes certezas de tudo o que faço. E, quanto ao que fiz, só depois de conhecer os resultados é que pude tirar conclusões sobre se se tratou da melhor opção ou se haveria outra que suplantava a que tomei. Mas como o arrependimento já não resolve as más escolhas, sou restava tirar proveito da lição e evitar que, de futuro, viesse a ser tomada uma dcisão equivalente.
Por isso, procuro não usar a expressão de ficar orgulhoso com alguma decisão que saiu certa, pois não fico seguro sobre se a próxima medida que me caiba tomar acabará por ser a certa ou não me equivocarei de novo. Enquanto estamos vivos, sempre que somos forçados a ter de optar por uma deliberação que as circunstâncias nos põem à frente, em cada um desses momentos, se temos consciência das nossas fraquezas, sendo obrigados a decidir damos o passo que não pode ficar no vazio. E se acertarmos, pois só temos que agradecer pela sorte que nos protegeu nessa altura.
Isso acontece, por exemplo, quando temos de aceitar a colaboração de alguém que se dispõe a prestar um serviço. Se acertarmos, melhor. Mas se a escolha foi desafortunada, pois não há outro remédio que não seja aceitar o que as circunstâncias nos proporcionaram. Em qualquer dos casos, o orgulho não é para aqui chamado.
A escolha dos elementos que, num Governo, fazem parte do elenco ministerial, também está pendente do acerto, se bem que conte, nesse caso, o conhecimento antecipado da qualidade das pessoas convidadas para os lugares. o que não constitui, de forma absoluta, uma garantia de que os resultados corresponderão ao que era esperado na altura dos convites. E também aí não há que ser orgulhoso da qualidade dos membros do Gabinete.
É, portanto, preferível não se ficar orgulhoso de nada, pois que mais vale argumentar com a sorte que foi favorável no capítulo de qualquer acção tomada e que tenha saído bem.
De gente orgulhosa devemos andar todos nós, portugueses, bastante fartos. Têm-se visto os resultados de tais orgulhos. É o País que temos e são as medidas que têm sido tomadas no decorrer dos últimos anos. Da mesma maneira que antes da Revolução, nós, os dessa época, temos bons motivos para exibir grandes orgulhos… Oh se temos!...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

JUDEUS

Sou feliz por ter amigos judeus
Aqui, no País e em Israel
Uns sendo crentes e outros ateus
Mas sempre com amizade fiel

São gente capaz, de alma bem pura
Gostando de ser aquilo que são
Sem perder nunca boa compostura
Tratando-me sempre como irmão

Só quem não quer ver não o acredita
Que sim, passou-se grande holocausto
Onde milhões sofreram a desdita
Depois de, um a um, ficar exausto

Antes a diáspora foi real
Por lá nos anos de mil e quinhentos
Esse rei Manuel foi-lhes fatal
Causando-lhes tantas dores, sofrimentos

Perderam eles, perdeu Portugal
A mais valia foi para além
Ficou-se por cá, neste lodaçal
E não lhes foi dada Jerusalém

Ganhou forais essa Inquisição
Que hoje tem um nome diferente
Andámos sempre no sim e no não
Sem ter chegado a um finalmente

Não sou judeu, porém melhor pensando
Chego a julgar que muito gostaria
De me poder aos poucos transformando
Num membro fiel de judiaria

Não que eu fosse total cumpridor
De regras como de ortodoxia
Bastava-me só ser um seguidor
Poder gozar de boa companhia

Com tal saber e tamanha mestria
Como provaram a todo o mundo
Não foi bastante tamanha sangria
Para os colocar lá bem no fundo

Foram inúmeros os Prémios Nobel
Mais do que os outros povos ganharam
Sempre lhes coube assim o papel
De calar muitos que os desamaram



terça-feira, 11 de agosto de 2009

PERDOAR


O perdão bem alivia
algo que pesa na alma
é menos uma agonia
sempre nos traz certa calma

Há porém que ter em conta
se é correcto o sentimento
sem ser algo que desponta
do fundo do fingimento

Tem sempre de ser verdade
e não algo fabricado
representar a bondade

E perdoar com vontade
não fazê-lo com enfado
menos por comodidade

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

PENSAR




Deixem-me pensar, ter memória
E calar o mundo ao redor
Matutar na minha história
Quero silêncio por favor

Coisas tristes e coisas belas
Numa corrida infernal
Apressado ou com cautelas
Tal o trajecto afinal

Parar para pensar, que bom
Se somente a nós pertencemos
Não se escuta nenhum som
E névoas é o que vemos

Se tudo o que passou por mim
E que guardei cá bem no fundo
Teve um princípio e um fim
É porque se deu neste mundo

Morrer a pensar bom será
Sobretudo em coisas belas

Pois quem cá ficar ficará
A acender as suas velas

PENSAMENTO



Ando seriamente a pensar em suspender, por uns tempos em princípio, mas também poderá ser em definitivo, este meu blogue que mantenho há já um certo tempo e que alimento diariamente. É que, metendo a mão na consciência, não chego à conclusão de que constitua alguma utilidade debitar aqui os meus pensamentos, transmitir aos outros aquilo que ninguém pediu para o fazer, dar opiniões que poderão encontrar-se bem distantes de um certo número de eventuais leitores, numa expressão simples, não estar a contribuir para melhorar em nada o modo de encarar a situação que vivemos no nosso País e que, por diferentes razões, mesmo que algumas soluções tenham sido abordadas nestes meus escritos, têm de ser pensadas e solucionadas por formas que cabem a cada família escolher.
É isso mesmo! Não me posso considerar como elemento indispensável, posição que, aliás, ninguém deve assumir e é natural que alguns me possam perguntar: quem te pediu a opinião?
Este texto tenho-o redigido há algum tempo. Tem-me faltado a coragem suficiente para o colocar no blogue como tema de despedida. Vou vendo, entretanto, se me chegam algumas opiniões que me levem a concluir que, afinal, sempre se reveste de um mínimo de utilidade aquilo que me sai cá do fundo do meu espírito. Na área da política, o problema mais grave que nos tem transportado ao estado em que nos encontramos – mas também não só, porque a crise mundial não pediu licença para se introduzir em Portugal -, esse não mostra sinais de nos proporcionar, mesmo com as mudanças que provavelmente sejam provocadas por eleições democráticas, mas não há que aguardar por “milagres”, pois, mesmo que aconteça uma mudança profunda, tudo leva muito tempo a recompor e o tempo perdido no passado ninguém consegue eliminá-lo da área dos prejuízos pesadíssimos que os cidadãos, como sempre, têm de pagar.
A conclusão, portanto, a que tenho de chegar é que, provavelmente como tantos outros blogues que por aí se podem ler, não contribuo em nada para fazer pensar as gentes, para levar-lhes alguma felicidade, para ajudar a resolver algum problema, e tudo isso porque aquilo que eu costumo deixar neste espaço todos os dias, mesmo que seja lido por alguns, não constitui nada de útil e de novo.
A mim, sim, tem-me feito bem. Primeiro, porque o escrever, tal como o ler, constituem uma forma de obrigar o meu cérebro a fazer ginástica mental. E, enquanto sou forçado a pensar nos temas que transformo em textos, nessa altura pensamentos mais tristes e tormentosos, por vezes, são absorvidos pelas palavras que sou obrigado a escolher para fazerem parte do conjunto, e as tristezas são ultrapassadas.
Essa a razão que me levou a entender que os meus blogues não aquecem nem arrefecem. Vamos a ver o que isto dá. E se recebo algum sinal de que estou enganado.

domingo, 9 de agosto de 2009

DESPERCEBIDO




Passar na vida sem nada acontecer
desde que saiu da mãe e até morrer
é algo de no túmulo se gravar
mas não é raridade, antes vulgar

Passar despercebido, ser boa gente
ser alguém entre muitos que ninguém sente
falar, falar às vezes e não ser ouvido
passar entre os homens e não ser sentido

Após morrer, chamarem boa pessoa
incapaz de ser alguém que atraiçoa
ninguém aponta um único defeito
mas também não se conhece qualquer feito

Eis o modelo de gente entre milhões
igual aos que não saíram dos padrões
mas a dúvida é ficar sem saber
se aquilo foi viver ou apodrecer

Quem não consegue viver em plenitude
anda por cá e não faz que algo mude

ESCREVER AS MEMÓRIAS



Já me referi neste meu blogue, tempos atrás, ao tema que, sendo verdadeiramente doloroso e muito preocupante, mesmo assim merece a reflexão dos portugueses, especialmente por se encontrarem todos sujeitos, neste período difícil que se atravessa e perante o comportamento de demasiados políticos que não sabem aproveitar a Democracia para terem um bom diálogo com os cidadãos, sujeitos, dizia eu, a uma má condução da vida do País.
Trata-se, nem mais nem menos, do eventual dia de amanhã que poderá vir a passar-se em Portugal. Quem acompanha a História do nosso País e tem conhecimento do que sucedeu na altura da I República, em que os políticos da época não foram capazes de se entender e acabaram por criar disputas até violentas, acabando isso por descambar na Ditadura que colocou António de Oliveira Salazar à frente do regime, o qual durou todo o tempo para tornar a vida na nossa Nação no inferno que foi.
Essa procura de “salva-pátrias” que alguns, saudosos do passado, clamam para que apareça, pega-se com a maior facilidade à juventude que, por não ter tomado contacto com o que foi o referido período, sustenta que o aperreamento então vivido, que o controlo das liberdades, que a condução de um regime político como sucede com as religiões, provoca melhor comportamento por parte dos adversários ideológicos, que aliás nem estes devem ter direito a sustentar caminhos diferentes daquele que é praticado pelo Poder.
As Revoluções políticas sempre aconteceram assim. As caídas das democracias e a implementação dos regimes de força tiveram a comparticipação desses amantes dos tais “salva-pátrias”.
Todos aqueles que, actuando no seio do regime democrático nacional, estão convencidos de que, aconteça o que acontecer, seja qual for o comportamento dos participantes na política que temos, não existe o perigo de a História do mundo se repetir e virmos, sabe-se quando e se, acabar a Democracia de que gozamos nesta altura, nem imaginam o que aconteceria no nosso País.
Não vale a pena fazer estes avisos de tipo pessimista. Eu, que venho do que foi, que andei metido nos perigos dessa altura, que estive marcado por não ser um aderente ao regime que vigorava, ao contrário de muitos que andam por aí hoje, mascarados de democratas de toda a vida e que, sobretudo na área da comunicação social, até ganharam bastante com a sua participação no então SNI (Secretariado Nacional de Informação, para os que não sabem), eu não posso andar satisfeito com o que se vê hoje por aí. E é também por essa razão que não acedi ao convite de escrever as minhas memórias, porque isso seria o descalabro e muita gente deixaria de me falar… com o qual também não perderia muito!

sábado, 8 de agosto de 2009

RAULZINHO



Recebi a notícia com avassalador desgosto. Não que eu, nestes últimos anos, tivesse assíduos contactos com ele. As nossas vidas não se cruzavam, muito embora tivesse sido ele que fez questão em ser padrinho das nossas entradas, da minha Mulher e minha, como sócios da APOIARTE, a Associação de Apoio aos Artistas, isso já há uma dúzia de anos, para ambos podermo-nos encontrar com ele na nossa fase final da vida. O que não veio a acontecer.
O nosso querido Solnado quis ir à frente. E, embora eu acompanhasse o seu estado de saúde, bastante debilitado, e sobretudo esta última intervenção cirúrgica, sempre se esperava que o Raul Solnado arrebitasse e ainda nos desse alguns anos de convívio.
As pessoas que me persistem em insistir comigo para eu escrever as minhas memórias, ao que eu me tenho sempre furtado por receio de trazer à baila assuntos que muitos não gostariam nada que fosse divulgados, ao lerem esta minha singela homenagem ao Raul logo virão dizer-me que faço mal em não transmitir para os outros aquilo que se passou ao longo da minha vida e que, segundo eles, constitui pedaços de história (com h pequeno) que interessava a uns tantos. Mas eu prefiro contar pequenos trechos quando eles vêm a propósito de alguma coisa. E este é o caso.
Pois o Raul, que tinha a mesma idade que eu, entrou nas minhas relações ainda ele não tinha aderido à profissão de actor. Nessa altura, há cerca de 56 anos, ainda ele ocupava a vida a vender piaçabas e vassouras que eram fabricados pelo seu pai e, nas horas disponíveis, frequentava a Academia Guilherme Cossul, já na ânsia de enveredar pela carreira de actor. Nessa ocasião, na minha juventude e por ser meu amigo o rapaz da mesma geração que dirigia o Cabaret Maxime, que tinha sido construído pelo seu pai Cabeleira, avô do agora conhecido pianista José Manuel Cabeleira, devido a essa circunstância frequentava assiduamente a referida casa de espectáculos e sentava-me à mesa do Carlos Cabeleira a gozar do prazer do ambiente que ali era vivido. Durou um ano, exactamente, o período dessa distracção, pois que, a partir daí, nunca mais entrei na referida casa que convidava a distracções das realidades da vida.
Pois foi nesse período que o responsável pelo Maxime, conhecendo a minha inclinação para a escrita e sendo já eu profissional do jornalismo, me convidou para escrever um número que fugisse completamente aos espectáculos que ali ocorriam, só à base de artistas espanholas, para desenfastiar um pouco o ambiente. E assim nasceu na minha ideia um texto em que surgisse um actor português a desempenhar a figura de um amolador de rua, graças ao empréstimo de uma bicicleta para o efeito. Para desempenhar esse papel convidou-se o ainda pouco conhecido José Viana, que também frequentava a Guilherme Cossul. Só que, na verdade, o número não causou grande efeito e foi o próprio Zé Viana que sugeriu que o texto fosse acrescentado para dar entrada a outro protagonista e indicou “um rapaz com habilidade” que também frequentava a Academia. Aderindo-se à proposta, surgiu, na noite seguinte, uma pequena figura, de casaco por cima do rabo e… gago. E eu fiquei espantado! Como ia escrever um texto para um tartamudo? Mas, perante a garantia do Zé de que o rapaz tinha habilidade, lá acrescentei o possível à cena que tinha o nome de “O Sol da Meia-Noite”. E assim se estreou Raul Solnado, como actor profissional, auferindo o primeiro dinheiro como tal. Cinquenta escudos por noite.
Anos mais tarde, ao conversar Raul comigo sobre este episódio, disse-me ele com entusiasmo: “Olha, pá, e depois fui aumentado para 60 escudos!...”
E foi daqui que saiu o grande Raul Solnado, o genial que teve a grande visão de seguir as pisadas do cómico espanhol Gila, o que lançou as conversas telefónicas engraçadíssimas e que o próprio teve a capacidade de, em português, as reproduzir, sem lhe retirar a alegria e a graça que já traziam de origem.
Vejam lá como as coisas são. E eu, que sempre clamo pelo princípio filosófico que Ortega y Gasset deu a conhecer (e que, também este, foi meu companheiro quando se encaixou em Lisboa, depois de se ter enfastiado de Franco), refiro-me ao “Homem e as circunstâncias”, não posso deixar de sublinhar, também aqui, que talvez tenham sido essas circunstâncias que surgiram no Maxime, há 56 anos, e as mesmas de eu ter escrito “O Sol da Meia-noite”, que fizeram com que nascesse um artista de grande valor como foi o meu querido Raul Solnado, agora desaparecido.
Lá estarei a despedir-me com uma recordação da nossa juventude. E das cenas que ocorreram durante os ensaios.
Como a vida, afinal, é curta!...

A SORRIR

Queria morrer a rir
ir assim até ao fim
para lá me divertir
a ouvir falar de mim

Muito mal, assim assim
tudo me faria rir
o que quisessem, enfim
continuava a sorrir

Digam coisas, mesmo más
não me fazem deprimir
lá onde só há paz
só teria que sorrir

O pior é se se calam
me olvidam mesmo a dormir
não dizem nada, não falam
deixava então de sorrir

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

CABEÇA PERFEITA

Ter cabeça instalada
e o corpo, num quase nada
com funcionamento sofrível
mostrar que está disponível
ter ou não ter crença
pois quem assim não pensa
é pior do que o contrário
não precisa de rosário
basta entender o que passa
aceitar ou não o que faça
mas reflectir
que é sentir
que nada já é igual
que o que ocorre está mal
que as pernas não obedecem
e que os músculos fenecem
a ligeireza perdeu-se
agora só devagar
e a cabeça a pensar
a entender
a sofrer
a aceitar a velhice
bem longe da meninice
essa que foi e não volta
sem ser razão para revolta
antes tem de ser aceite
mesmo que sem deleite
e no fundo agradecer
por não ter acontecido perder
o que resta
e fazer até bela festa
pela cabeça que impera
e que, por isso, espera
o dia do adeus final
em que já não se sente o mal.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

AMIGOS LIVROS

Livros amigos
novos e antigos
que nunca se zangam
e até nos mangam
que nos acompanham
e nunca estranham
também envelhecem
amarelecem
mas não se queixam
e não nos deixam
e dos que gostamos menos
fazem-nos acenos
se os pomos de lado
não se nota enfado
ficam na prateleira
com sua soneira
mas não os perdemos
somos nós que os temos
não os abandonamos
somos todos manos
e algo nos ensinam
mesmo se desafinam
sempre aprendemos
e não nos ofendemos
por os seus autores
não nos quererem leitores.
Um dia virá
que algo mudará
com mais paciência
e mais indolência
mudemos de gosto
e o que nos é exposto
passe a fazer parte
do que chamamos arte
e será um livro mais
ao lado dos tais
dos que gostamos
daqueles que amamos.
Oh livros amigos
novos e antigos
pena não poder
tê-los ao morrer

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

MISTÉRIO

Para esse mistério
do celeste infinito
é algo de muito sério
do âmbito do bendito
e ao contemplar o céu
nele a lua destacada
penso sempre no ateu
sem resposta para nada
depois do que não tem fim
algo tem de existir
um muro talvez, enfim
com força p’ra resistir
mas a dúvida manter
sobre o que não tem resposta
é o mesmo que não crer
em religião imposta

Agnóstico é o tal
que não sabendo a fundo
dar a resposta total
aos segredos deste mundo
prefere não se sujeitar
aos que apenas por fé
decidem acreditar
no que fazem finca-pé.
Outros, como S. Tomé
que são de ver para crer
ficam à espera até
q’os consigam convencer

Até lá há que aguardar
e fazê-lo com respeito
no qu’é de acreditar
no que parece perfeito
se é a fé ou a ciência
ou se nenhuma acerta
qual delas é a essência
de toda a verdade certa

E isso do infinito
resta sem explicação
continua a ser um mito
já vem do tempo de Adão
e até que descubra alguém
o que é que ele tem por trás
não se pod’ir mais além
ninguém se mostra capaz

Oh infinito, infinito
só tu me fazes temer
criar profundo conflito
naquilo em que devo crer
não pedir explicações
por quem as dê não haver
fazem nascer ilusões
e manter até morrer



terça-feira, 4 de agosto de 2009

Dado que surgiu uma avaria estranha no meu computador, em que não consigo escrever no Word com letra Activ Black, uso este meio para avisar que até à próxima semana, quando o técnico voltar de férias, só psso ir buscar poesias ao disco e metê-las no meu blogue.
Por um lado até é bom para quem gosta dos meus versos e para quem não aprecia as minhas considerações sobre a actualidade.
Até lá.

DIFERENTE-INDIFERENTE


O ser-se igual não anima
a estar-se um pouco contente
a ter o ego em cima
coisa de ser diferente

Imitar pode ser belo
se o retrato sair bem
se for feito com desvelo
cópia de um bom alguém

Mas p’ra se poder ser gente
que os outros olhem com gosto
tem de ser bem diferente

mostrar que não está ausente
que não tem qualquer desgosto
por não ser indiferente

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

PORTUGUÊS DA SILVA

Não deve haver outro igual
por esse mundo de Cristo
é nascido em Portugal
não há nada como isto

bem diferente
e é gente

Tudo que faz sem rigor
é preciso é ficar feito
ao princípio no frescor
quer usar todo o preceito

eu não sou
aí não estou

Mas no decorrer da obra
os defeitos aparecem
tempo afinal não sobra
complicações aborrecem

não é meu o engano
é de qualquer outro magano


Enquanto os meticulosos
perdem tempo a estudar
e querem ser rigorosos
o luso é de desenrascar

é preciso é ficar feito
sair de qualquer jeito

Nada é um problema
quando muito é um fado
há que encontrar um esquema
ele virá de algum lado

a vida é a madressilva
do bom português da silva


Enquanto houver por cá um
com outro, um seu igual
tudo isto é um fartum
que forma o Portugal

com todos estes fulanos
vivemos há longos anos


Querem mudar o País
igualá-lo ao de lá fora
mas p’ra se ser aprendiz
falta querer e demora

dos outros temos inveja
mas vontade não sobeja


Lá simpatia não falta
consolar outros do mal
perguntar pela malta
e o cumprimento formal

tendo na mão telefone
não há quem o abandone


Bem custam as despedidas
dizer adeus muito tarda
há sempre coisas esquecidas
porque falar é à barda

recado dá-se depressa
despedir essa é que é essa!


Os horários p’ra cumprir
é coisa que bem molesta
não há horas p’ra sair
mas p’ra entrar vem da festa

O relógio, que chatice
Segui-lo é uma tolice


O perfeito português
desses da antiga escola
p’ra entrar na sua vez
deixa os outros com cachola

passar à frente é lei
costume de toda a grei


A pé ou no seu carrinho
sem poder ultrapassar
até insulta o vizinho
p’ra ser primeiro a chegar

p’ra quê não se sabe bem
pois tem de esperar alguém


Lusitano é só defeitos?
Mas quem tal asneira disse?
Também tem os seus proveitos
usa sua doutorice

porque não faltam doutores
mesmo sendo só rumores


Cada um por esse mundo
tem suas debilidades
mas bem visto lá no fundo
descobrem-se habilidades

e os defeitos também
afinal quem os não tem?


Só que aqui, o País
mesmo sem ser ideal
podia ser mais feliz
mostrar outro Portugal

com gente hábil capaz
de mostrar ser eficaz


Há, porém que aceitar
o que deixou tal Henrique
se não se puder mudar
pois que seja e que fique


Até que mostre o futuro
sendo derrubado o muro

e que um Portugal diferente
honre o antigamente

das descobertas, enfim
que a essas dizemos sim

sábado, 1 de agosto de 2009

É PRECISO É ACABAR TUDO, ATÉ QUE...


Só tomei conhecimento agora, quando fui assistir a uma "vernissage" na Galeria de Arte do Casino Estoril e o presidente da Câmara Municipal de Cascais, que discursou na ocasião, anunciou que tinha sido encerrada a Junta de Turismo da Costa do Estoril, com 84 anos de existência. Foi um grande espanto para quem não sabia e o responsável pelo Município deu mostras de enorme consternação. Como era possível ter sido tomada tal medida? Quem, nesta fase da vida nacional, por muito grave que seja a crise que se atravessa, por isso mesmo maior razão existe para que, ao contrário de se encerrar uma instituição que serve para prestar um grande serviço ao turismo, quem, absolutamente fora das realidades, decidiu encerrar aquela Junta que, tal como outras tantas, a funcionar correctamente, constitui uma incontrolável ajuda para melhorar e aumentar o turismo na zona onde está instalada?
A indústria turística, que, é não só hoje mas desde sempre, uma fonte de entrada de dinheiro, em euros mas não só, e promove o desenvolvimento do comércio local, particularmente os estabelecimentos hoteleiros, essa riqueza que é das já poucas que ainda mantemos, posto que a grande maioria de indústrias tem sofrido ultimamente com a recessão que se espalhou por toda a parte, o que tem é de ser desenvolvida para proporcionar a expansão de muitas fontes de rendimento, particularmente pequenas e médias empresas. Mas, dentro do espírito que tem sido observado por parte das autoridades que têm tomado posse em muitas áreas públicas, ou seja de não desenvolver as áreas que, mesmo com crise, têm de ser objecto de uma actuação de competência, dentro de tal posição o que tem ocorrido no nosso País é uma paralisação e até rectrocesso na vida nacional.
E não me refiro a este Governo. Ele tem dado mostras de falta de capacidade para fazer andar Portugal para a frente. Mas os anteriores, a mioria deles não deu mostras de ser capaz de desenvolver aquilo que, mesmo com debilidades económicas, tinha e tem condições para avançar.
Confesso que não me sinto com ânimo para me referir mais a este assunto. Acabo de chegar da inauguração da exposição no Estoril e ainda não recuperei da notícia recebida. Talvez volte a este tema num altura mais favorável.

MÁ EDUCAÇÃO POLÍTICA




Mas não será possível que, em Portugal, se realizem eleições sem termos de assistir, nos períodos das campanhas, às acusações mútuas dos candidatos, entrando em confrontos que, na maioria dos casos, chegam atingir as ofensas de todas as espécies? Então, para se apresentar um programa, para se explicar aos desejados votantes na sua candidatura quais vão ser as acções que se têm em vista efectuar, para, mesmo desfilando promessas que mais tarde não serão cumpridas, deixar gulosamente a ideia de que vai ser um período de boas novas e de contentamento dos que puserem a cruzinha no seu nome, para tudo isso é necessário fazer acusações aos concorrentes, sair a terreiro com afrontas contra os que também fazem pela sua vida e que, por sua vez, para não variar, usam do mesmo processo acusativo, isto é, também ofendem os que estão do outro lado?
Poderão dizer que este procedimento não é um exclusivo de Portugal. Pois que não seja, mas então, se surgir um candidato a qualquer eleição e declarar e mostrar que não está disposto a atacar aqueles que estão situados no outro lado da barreira e que pretendem concorrer ao mesmo lugar, se as suas palavras forem exclusivamente para esclarecer a sua própria candidatura, fazendo questão em não fazer referência aos outros, por isso conduzirá sem resultados a sua caminhada para o posto em eleição? Será, de facto, assim?
Eu, talvez ingenuamente, penso que cairia muito bem nos cidadãos ouvir da boca de um concorrente a declaração de que não cairia na baixeza de denegrir os outros participantes, usando este sistema para tentar retirar votos aos demais, e se preocupasse exclusivamente de fazer realçar a sua própria candidatura.
Aquilo a que se tem assistido no confronto verbal entre António Costa e Pedro Santa Lopes, cada um a pretender realçar os erros do adversário – quando, afinal, nas duas partes existem actuações que merecem censuras - , ultrapassa já a vergonha. Dá tudo ideia de uma zaragata de pátio, em que o bom comportamento não é a especialidade dos intervenientes quando se zangam. Lisboa não merece este espectáculo.
Infelizmente, porém, é o que temos. E somos obrigados a chegar à conclusão que os políticos nacionais não são gente bem formada e, sobretudo, bem educada. Votemos, portanto, no menos mau.



sexta-feira, 31 de julho de 2009

DEIXAR ALGUMA COISA

Há quem não se preocupe com isso
que o depois não seja um problema
se a vida já é algo tão maciço
para que serve aumentar o tema
o depois pertence ao infinito
a esse campo do desconhecido
porquê então andar por cá aflito
se o que a vida dá é bem sabido
e chega p’ra ocupar atenção
façamos bem o que há que fazer
e deixemos a preocupação
de pensar no que vem após morrer
lá está a cova e um caixão
e se acabou é só esquecer
também há quem prefira a cremação
pois por cá há bastante que fazer
e não dar que fazer é o melhor
aos outros depois de dar a partida
seja qual o caminho seja qual for
não há volta é apenas a ida
o melhor p’ra eles é esquecer
a vida vai seguindo cá no mundo
por grande que seja o desprazer
porque afinal no fundo, bem no fundo
ninguém se lembra nem na nossa rua
pois o tempo é o melhor remédio
cada um cá na vida continua
para matar saudades e desgostos
porque também propriamente o tédio
é coisa que muito foge dos rostos

Vale a pena deixar alguma cousa
que depois já não estando por cá eu
não se sabendo onde a alma repousa
se no tal Inferno ou se no Céu?
Isso para todos que têm fé
que acreditam que um depois existe
conhecendo-me a mim José
por certo mostram um semblante triste

Porque todos os outros, a maioria
raramente o que fui recordam
estavam bem longe do que eu sentia
por isso também depois não discordam
essa a razão por que quero deixar
alguma coisa que dê a ideia
do que procurei ser e sem mostrar
o que ocupou uma vida cheia

Antes papeis jaziam nas gavetas
cheios de bolor, grande confusão
era no tempo do uso das canetas
quando ainda não havia a paixão
por internet e computadores
porque hoje fica tudo no disco
que conserva bem todos os labores
durante anos sem menor belisco
aí fica o que hoje produzo
à espera de mais tarde ser visto
a menos que surja algum intruso
que não seguindo as regras de Cristo
entenda destruir só por maldade
ou até nova ciência humana
a tecnologia d’hoje altere
r apareça outra traquitana
que nem disco gravado recupere

Mas não, há que manter a esperança
de que algo de meu sempre resista
e de que certa bem-aventurança
permita que seja feita justiça
e que daqui a anos, muitos mesmo
o meu nome passe a ser falado
que não como um qualquer aventesmo
jornalista, escritor, poeta honrado

A esperança é grande desidério
e o seu fim é só no cemitério

PROMESSAS



José Sócrates teima em querer andar na berra e não consegue sossegar para que a opinião pública não o mantenha permanentemente na ponta da sua observação. Talvez ele julgue que esta posição de não adormecer na óptica dos portugueses o torne mais popular e vá fortalecendo a possibilidade de voltar a ocupar a chefia do Governo que vier a sair das eleições que estão à porta. Nunca se sabe o que vai na cabeças das pessoas e, por mais estranha que nos pareça a atitude de uma personalidade que se encontra sempre na montra, deverá ser a sua constante presença nos noticiários que lhe transtorna a racionalidade e faz perder o bom senso e aquilo que é o mais conveniente.
Esta agora de fazer a promessa de que o próximo Executivo irá oferecer 200 Euros a cada bebe que nasça em Portugal, abrindo uma conta poupança que só poderá ser movimentada quando a criatura atinja os 18 anos de idade, não sendo nenhuma novidade no panorama políticos de muitos países, até por cá já alguns municípios se anteciparam com uma ideia semelhante e até melhor, como por exemplo, o de Carrazeda de Anciães que atribui 2.500 euros e o de Murça que atribui aos casais com poucos rendimentos um subsídio de 1.500 Euros, assim como o de Mora, no Alentejo, que dá 500 Euros pelo nascimento do primeiro filho, assim como às famílias que atinjam o terceiro filho.
Em resumo, o Governo de Sócrates, se vier a reocupar o lugar, não prima pela novidade e, em comparação com a vizinha Espanha, com um Executivo socialista de Zapatero, fica a uma distância assinalável, pois os espanhóis gozam de um privilégio de receber 2.500 Euros pelo nascimento de cada criança.
Mas José Sócrates, nesta altura de tudo prometer como é o período pré-eleitoral, isto depois de ter permanecido mais de quatro anos a governar, também acena com uma oferta de 5.000 euros aos cidadãos que adquiram um automóvel eléctrico, estendendo esse bónus também às empresas. E as creches vão ter horário alargado, segundo palavras do ainda primeiro-ministro.
É evidente que tudo que sejam melhorias de condições de vida dos portugueses é de elogiar, a pena, porém, é que só quando se aproximam os períodos eleitorais é que se acumulem as promessas, para depois, no decorrer das governações, aqueles que davam tudo, passem a cortar e a esquecer o que ficou dito.
Porém há situações que surgem exactamente ao contrário. O caso da EMEL, a que me referi em texto anterior, é a demonstração de como, por vezes, as oposições se movimentam no sentido de causar má impressão nos próximos eleitores e terem, por vezes, êxito nessas intervenções. O caso da empresa pública camarária ter, precisamente neste momento, aparecido com uma medida de aumento de custos de aparcamento nas ruas da freguesia de Santo Condestável, em Campo de Ourique, em Lisboa, o que está a provocar uma verdadeira revolta aos moradores e aos comerciantes do bairro, quando estamos a pouca distância das eleições, está a contribuir para que António Costa, presidente da Edilidade alfacinha, venha a pagar as “favas” na hora da escolha. E aí, Santana Lopes fica a ganhar.
Mas este caso ainda vai dar muito que falar, por isso me reservo para um texto posterior.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

PRESIDENTES




Já se vê que se trata de uma casualidade, mas que não deixa de ser curioso, lá isso é inegável. Pois não é que quatro ex-presidentes de grandes clubes de futebol portugueses se encontram ou se encontraram recentemente envolvidos em situações que levou a Justiça a tê-los chamado, em ocasiões distintas, para darem andamento a processos que se encontram em andamento.
O primeiro e já é longa a história do seu caso foi e é o antigo presidente do Sport Lisboa e Benfica, Vale e Azevedo, que, encontrando-se agora a viver em Londres, não conseguiu que a sua situação ficasse completamente solucionada e ainda terá provavelmente de sentir os efeitos dos tribunais. O outro, que foi sentindo durante largo tempo, as consequências de um desentendimento conjugal, foi Pinto da Costa, a quem alguma comunicação social teima, inexplicavelmente, em servir-se do nome completo de Jorge Nuno Pinto da Costa e que ainda exerce o lugar de presidente do Futebol Clube do Porto, parece só agora ter ficado livre da embrulhada em que esteve envolvido e que teve o nome de Apito Doirado. O terceiro, nesta altura já tornada pública a acusação que lhe cabe do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), José Roquette, que assumiu em tempos as funções de presidente do Sporting Clube de Portugal, viu a sua casa e o escritório invadidos para efeito de buscas por parte de investigadores da Polícia Judiciária, tendo sido notificado para prestar declarações às autoridades judiciais e constituído arguido no âmbito do escândalo no complicado caso do Banco Português e Negócios. O quarto, não estando já no activo futebolístico e tendo passado ao seu filho o comando do Boavista Futebol Clube, mas mantendo-se agora na presidência do Município de Gondomar, Valentim Loureiro, também tem tido problemas com os Tribunais.
É por estas quatro coincidências que eu digo que os clubes de futebol que se encontram mais ou menos na berra têm ou já tiveram os seus presidentes, actuais ou passados, a contas com a Justiça. E talvez seja caso para afirmar também que, por este andar, não haverá cidadãos que, por muito amor que tenham, aos clubes a que estão ligados, não vão aceitar, de futuro, propostas para ocuparem lugares de presidência nos mesmos. Parece que se trata de uma perseguição ou de um enguiço.
É só esperar para ver, em breve, nos anúncios dos jornais sair, um pedido nestes termos: PRESIDENTE O PARA CLUBE DE FUTEBOL, PRECISA-SE”.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

COSTA E SANTANA



O frente-a-frente televisivo que teve lugar ontem com os dois candidatos à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, que exerce actualmente aquelas funções, e Santana Lopes, que já ocupou o mesmo lugar, podia ter deixado alguma ideia quanto ao mais bem preparado político para tomar conta da capital portuguesa que, como tem sido objecto continuado das minhas crónicas, não teve a sorte, desde o Marquês de Pombal, de contar com uma figura que soubesse aproveitar as características ímpares da nossa cidade capital por forma a satisfazer as legítimas aspirações que os lisboetas conscientes da importância de tal realidade tanto aguardam ver.
Podia-se ter formado uma opinião, mas tal não aconteceu.
Pelo menos eu, que tinha esta entrevista como ponto fulcral para me ajudar a formar uma opinião mais concreta do que aquela que já tenho, não posso deixar expresso que, a partir do confronto, fortaleci a minha preferência por um ou por outro.
É que, como sucede sempre quando os políticos se enfrentam, estando presentes ou sendo apenas em declarações que deixam formuladas, a principal preocupação dos concorrentes não foi a de deixar bem claras as intenções, os planos, as propostas que querem apresentar aos eleitores. O que eles fazem sempre é agarrarem-se ao passado, é referir o que o adversário não fez ou fez mal, é denegrir as acções dos outros. Quanto a aclarar o que vai constituir a sua preocupação prioritária, isso fica sempre num vago, numa nebulosa, numa ligeira ideia do que será o futuro.
Quanto a mim, ambos os concorrentes neste caso tiveram, no passado de cada um quanto a terem a condução do Município alfacinha, alguma coisa que se pode considerar positiva. Como os dois também merecem ser criticados por algumas acções que bem poderiam e deveriam ter sido excluídas das suas preocupações enquanto deles dependeu o comando da municipalidade lisboeta. E, no caso de António Costa, a acção que tem sido a sua prioridade nesta altura, o Terreiro do Paço, aí posso eu avançar com a minha opinião: não é aquilo que, nesta fase de debilidade financeira, Lisboa está a pedir. Mas isso deixo para crónica separada, aliás como já me referi em textos anteriores, alguns deles com anos de vida, nas colunas do “Diário de Notícias”.
Estou triste. A capital portuguesa merece ter um presidente de Município com verdadeira competência de gestão, isto é, com muita imaginação e bom gosto e que seja capaz de provocar uma mudança radical em todo o seu aspecto, sobretudo fazendo-a ter vida, com população e comércio que contribuam para, aproveitando a beleza do Tejo e as outras de tipo tradicional que possui naturalmente, sobressaiam e surjam aos olhos dos portugueses e dos visitantes estrangeiros que cá se deslocam.
Não, não vejo em nenhum destes dois candidatos, nem mesmo naqueles comentadores que surgem na televisão, como sucedeu também ontem na SIC Notícias, quem dê mostras de ter capacidade para exercer tal cargo camarário. Somos, todos ou quase, uns tristinhos da silva, uns “desimaginativos” que dá pena. Vejam lá se, na entrevista, algum dos dois se referiu, por exemplo, a uma coisa que nem é cara e que tanta falta faz ver em Lisboa: as flores. E isso é um pormenor, dirão, mas é de muitos pormenores deste tipo que se dá a volta ao aspecto da nossa capital
E só mais uma palavra: há que fazer com que os milhares de casas abandonadas ou a cair aos bocados, muitas delas propriedade da C.M.L., sejam rapidamente habilitadas e postas ao serviço de habitantes (não escritórios!...) que são os que dão vida à cidade.Fico-me por aqui. Mas tenho tanto para dizer, que o melhor será aguardar pela escolha que os lisboetas vão fazer no dia das Autárquicas

terça-feira, 28 de julho de 2009

SONETO

Soneto amigo eu estou contigo
bem que te procuro e te persigo
quando começo a juntar os versos
penso a direito mas saem-me inversos

Primeiro são quatro versos seguidos
As sílabas e os tons bem aferidos
depois o motivo e o enredo
não há mistério nem há segredo

Eis aqui a prova bem clarinha
de que o soneto nasce bem na linha
sem se saber como lá vem o resto

Após ser feito lê-se bem contente
com certa fé e por isso crente
de que o caminho está ali: o cesto

ERROS DOS POLÍTICOS




Bem sei que a situação relativamente recente da tomada de posse de Barak Obama como presidente dos E.U.A. ainda o conserva em relativo “estado de graça”. Mas, em todo ocaso, já se pode considerar como sendo bem diferente de inúmeros Chefes de Estado que têm sido contemplados por todo o mundo, sobretudo pela sua comunicação com os cidadãos e pelo à vontade demonstrado em todas as situações que têm surgido. Repito: pelo menos até agora.
A mais recente situação tornada pública foi a de que Obama, depois de ter feito referências desagradáveis a um polícia americano, quando este deteve um amigo seu, por sinal de cor, por este, tendo-se esquecido das chaves de sua casa no interior da mesma, foi obrigado a arrombar a porta da rua e, depois disso, por um vizinho ter chamado a polícia, um guarda levou-o preso apesar da explicações dadas, face a este acontecimento o presidente americano fez uma acusação pública dura a esse polícia, mais tarde, perante a verdade dos factos, Barak Obama não hesitou em pedir desculpas à polícia de Cambridge, reconheceu que as palavras que escolheu para relatar a tal circunstância deveriam ter sido bem diferentes, para não deixar a impressão que estava a difamar toda a polícia.
Pois é exactamente isto que eu desejo sublinhar neste texto. De que todas as pessoas estão sujeitas a cometer enganos e a praticar injustiças. Porém, o que deve ser feito é rectificar publicamente a falta ocorrida.
Se isso ocorresse por cá, entre os nossos políticos, todos, os que se situam em áreas de comando e os que se encontram nos outros lugares, muita coisa poderia ser perdoada, e bem ficaria que os autores de erros os reconhecessem e pedissem desculpa.
Mas não. A começar pelo que tem exercido as funções de chefe do Governo, que nunca se engana, que faz tudo certo, que também não tem dúvidas e que são sempre os outros que estão equivocados, com início nesse José Sócrates bem diferentes iriam as coisas e bem mais simpáticos seriam todos os que surgem frequentemente a prestar declarações. Claro, os governantes e os outros, dado que todos, como bons portugueses, não admitem que erram.
Estamos todos fartos de gente ultra-competente. O pior, porém, é assistirmos a cada passo a equívocos, técnicos e outros, que, de uma forma geral, custam dinheiro ao erário público. Ou seja, aos nossos bolsos.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

OS PARDAIS


Quatro pardalinhos brincam no chão do meu jardim
picam o chão com entusiasmo
e eu olho-os com ternura
pensando no mundo dos homens
desses que se guerreiam uns aos outros
e não confraternizam como estes pássaros
não dividem o que há para comer
são egoístas, querem só para si

E estes pássaros inocentes
que não sabem o que é pecado
que só procuram defender-se
dos que são gulosos
dos que apreciam o petisco
dos passarinhos fritos
saltitando, piando
lá vão apanhando as migalhas que
sem querer
os homens deixam cair

Que bom seria
se o mundo fosse todo como o dos pardais
dividindo o amor e as migalhas

EMEL DE NOVO



Tinha de ser. Então não é que a EMEL, essa empresa camarária que, nascida em 1994, tem dado largas mostras, ao longo da sua existência, que se trata de uma entidade incompetente, pois não conseguiu até agora garantir a permanência do aparcamento das viaturas no tempo para que pagam e isso por ausência constante de vigilantes, como sucede, pelo menos, no bairro de Campo de Ourique, resolveu agora, não se sabe com autorização de quem mas que tem de se supor que pertencerá a responsabilidade disso ao Município lisboeta, entendeu agora e apenas com um vago comunicado transmitido aos residentes e comerciantes do bairro, que, a partir de 1 de Agosto, todos esses usuários dos serviços que ali moram ou têm estabelecimentos passarão a pagar também o aparcamento, mesmo possuindo, como possuem, o cartão afixado no pára-brisas que, até agora, lhes dava a liberdade de o fazerem nas zonas cobertas por essa autorização.
Quer dizer, a EMEL, abusando de um direito que não pode ter, pelo menos alterando o que estava estabelecido antes, criou a revolta em todo o bairro, ao ponto de estar a circular um abaixo-assinado para tentar impedir este excesso que ninguém compreende como poderá ter sido concedido e por quem e ainda se esse alguém tem poderes legais para tamanho ataque aos bolsos dos campo-ouriquenses.
E o mais curiosos disto tudo é que, tendo início essa “roubalheira” em 1 de Agosto, no dia 26 de Julho veio anunciado na Imprensa que a tal EMEL duplicou cargos de chefia, tendo passado de 3 directores e 7 chefes de serviço, respectivamente para 5 e 13 responsáveis da área, rondando as suas remunerações à volta dos 3 mil euros e alguns deles com direito a viatura e telemóvel. A directora geral da empresa, Marina Ferreira, que tinha pedido a demissão no final de 2008, foi, entretanto, reconduzida no lugar pelo presidente do Município da capital.
E isto a que nós, os cidadãos indefesos, assistimos sem poder protestar e obter resultados com o seu inconformismo. E se até o vereador camarário Cardoso da Silva alegou desconhecimento dos factos, afirmando que tais alterações “não passam pela Câmara”, pois esta “apenas dá orientações genéricas à EMEL”, como será possível impedir que uma EMEL qualquer entenda passar a meter a mão nos bolsos dos cidadãos, só porque sim?...
Vamos a ver como fica tudo isto, mas se é desta forma que se governa um País, então podemos estar bem descansados!

domingo, 26 de julho de 2009

DÍVIDAS



Todos nós sabemos que as dividas do sector público a terceiros, quer nacionais quer estrangeiros, constituem uma realidade que vem de sempre, pois que o Estado português e suas dependências habituaram todos a ter de esperar, por vezes tempos que excedem a capacidade de resistência dos credores, até que, por razões burocráticas ou por falta de verba nas tesourarias, surja o dia ansiado para serem liquidadas as contas pendentes.
Sobretudo porque quem contrai as dívidas públicas não sente na pele o horror de ter os cobradores a bater à porta e a fazer escândalos, pois que os responsáveis pelos compromissos assumidos não o são em nome próprio, mas sim com a cobertura de um sector oficial e, em muitas situações, esses autores de um gasto sem capacidade de ser cumprido o prazo de liquidação, acabam por sair do sector em que se encontravam e deixam para o sucessor o incómodo de procurar encontrar fundos para se libertar do encargo recebido em herança, devido a isso, desde que o nosso País é País e porque não existe a cultura da honradez do cumprimento dos cargos que lhes foram entregues, o tal comportamento da dívida tem vindo a passar de avós, para pais e para filhos, ficando certamente tal hábito para os que vierem a seguir.
Por tal motivo, não pode causar grande surpresa anunciar-se agora, com certo ar de espanto, que o nosso País se encontra endividado ao estrangeiro em muitos milhares de milhões de euros. Até que nos fechem definitivamente as porta de crédito e que comecemos a receber negas de empréstimos de outras Nações, enquanto não chegar essa altura cá iremos apenas olhar para os débitos e créditos da nossa contabilidade pública e iremos seguindo sem e4xcessivas preocupações. O pior será quando – e oxalá isso nunca suceda – já não pudermos sequer honrar os compromissos com os nossos reformados. Nem quero imaginar o que sucederá nessa altura!...
Por agora, basta que dê conhecimento da dívida que a Câmara Municipal de Lisboa já não pode esconder, pois os credores, empresas privadas que participaram na construção do túnel do Marquês, recorreram aos tribunais para tentar ressarcir-se do montante por cobrar e que, segundo já é público, atinge os 22 milhões de euros, do tempo em que Santana Lopes foi Presidente.
Pergunto eu: e quanto estão a custar as obras no Terreiro do Paço? Então não seria normal que, antes de tudo, se paguem aos credores e só depois se meter o Município em gastos suplementares?
Provavelmente não é assim que pensam os responsáveis pelas instituições oficiais e serei eu que estou completamente equivocado. Se quem criasse dívidas oficiais e nãos as pagasse dentro dos prazos normais tivesse de responder criminalmente, por abuso de compromissos com dinheiros públicos, esse deixa andar dos tais fulanos acabaria de vez. Mas o quê? Isso suceder em Portugal? É impensável!...
E, ainda a tempo: a notícia de que os serviços centrais do Estado ainda não pagaram vários milhões de euros que devem às câmaras municipais de todo o País poderá dar razão a que, por sua vez, os municípios também não paguem a tempo aos fornecedores. É um ciclo vicioso. Mas, sendo assim, que nem uns nem outros se metam em compromissos sem saberem primeiro como vão arranjar o dinheiro para não ficarem pendurados…

sábado, 25 de julho de 2009

ESPERANÇA


Todos nos olham, ficam espantados
estamos na montra do mundo real
afinal, todos nós os enganados
fiámo-nos na pureza ideal

Um raio de luz
chegará um dia
qu’alegria
em que a nossa cruz
terá um bom fim
enfim

O Homem verá
que é bom sorrir
e aí partir
para o que será
um mundo melhor
o maior!

E é o Homem o maior culpado
porque é grande a sua ambição
nem os maus exemplos do passado
mostram dever ser outra a sua acção

ANIMAÇÃO EM LISBOA



O que eu tenho clamado pela falta de imaginação dos vários responsáveis que já passaram pela Câmara Municipal de Lisboa no sentido de fazerem o que estiver ao alcance das possibilidades financeiras do Município por forma a aproveitarmos as belezas naturais da nossa capital e lhe proporcionarem uma acrescida movimentação que retire a tristeza característica desta cidade, mas, até hoje, não passou esse meu esforço de uma pregação aos peixes, pois que continuamos, por exemplo, sem aproveitar as flores baratas que poderiam e deveriam animar e alegrar muitas das ruas, praças e avenidas, para não dizer também monumentos deste nosso Ulissipo.
Não se compreende que não tenha aparecido e continue sem aparecer alguém que tenha a capacidade de descortinar formas de embelezar muitos dos locais que fazem parte do conjunto da capital portuguesa, assim como criar uma circulação de pessoas que sirva de demonstração de que se trata de uma cidade com gente que se move a todas as horas. Sim, porque é sobejamente conhecido que, a partir de certas horas do fim do dia, as ruas alfacinhas se encontram praticamente vazias de habitantes e esse panorama é ainda mais aflitivo no centro da cidade, na chamada Baixa e no seu vizinho Chiado. Os estrangeiros que nos visitam perguntam-se repetidamente o que sucederá por cá, pois que se vêem obrigados a recolher aos hotéis para jantar e depois nem sabem para onde se deverão dirigir, para não andarem sozinhos pelos centros pedonais.
Esta iniciativa, agora divulgada a medo, de serem criados cafés e restaurantes com animação no final das tardes, tomando-se como exemplo o que ocorre em Espanha, quer em Madrid quer na maioria das cidades do País vizinho, esse despertar de alguém que, por fim, descobriu que havia que fazer alguma coisa no nosso burgo, vem, pelo menos, despertar as consciências para o que tem constituído uma preocupação do autor deste blogue.
Mas deveria começar-se pelo princípio. E, da parte das autoridades superiores, seria fundamental que o Terreiro do Paço servisse de exemplo e que as suas arcadas sem movimento passassem a contar com cafés-esplanadas, sobretudo com música ao vivo, ao mesmo tempo que poderiam ser aproveitadas para venda de produtos de qualidade, como seja a filatelia, os livros antigos, a pintura, a numismática e outras actividades que trariam movimento e característica própria ao local.
A partir daí, seguir-se-iam outros locais que pudessem criar vida no centro de Lisboa, sendo que a Associação de Valorização do Chiado, de recente criação, tem a grande responsabilidade de meter mãos à obra e de dar mostras daquilo que pode valer, não se ficando apenas por intenções mas agarrando firmemente um projecto que tem de ser posto em acção no mais curto espaço de tempo possível.
É o que posso acrescentar ao que tenho vindo a clamar há muitos anos. A esperança de não me ir embora desta sem aparecer quem seja capaz de sair da cepa torta da governação camarária da capital é o que me resta. Apesar de não acderditar muito na capacidade lusitana, mesmo assim cá guardo alguma expectativa. É o que me resta!...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

VER DO OUTRO LADO

Por vezes sinto que estou morto
que já não pertenço ao mundo dos vivos
que estou onde não estou
que vejo do outro lado o que aqui se passa
não é nada comigo
é coisa estranha e distante
faz-me lembrar da última vez
que fui levado ao cemitério
havia gente a chorar
havia ?...
e lá me conduziram para onde eu queria
para o fogo
para as labaredas que rodearam o meu corpo
mas não senti nada
já não estava ali
vi de fora
tudo ardeu num instante
ficaram cinzas
foram despejadas num depósito
tem graça
nasci de uma gota e acabo em pó
atravessaram toda um vida
para isto
para terem havido preocupações
para coisa nenhuma
alegrias
zangas
esforços
canseiras
amores
desamores
ânsias
satisfações
prazeres
contradições
verdades
mentiras
pensamentos
esquecimentos
promessas
falsidades
disfarces
vaidades
tanta coisa e nada
uma vida
tão longa e tão curta
não deu tempo
para fazer o que era preciso
para ser útil
para sobressair
há quem diga que sim
que sou diferente
que me distingo
mas eu
que não estou apaixonado
por mim
não acredito
não me iludo
sei que me esforço
que procurei atingir a bitola
do bom
mas fiquei-me pelo sofrível
pelo mediano
a olhar para cima
a admirar
o que estava no alto

Por isso quase prefiro sentir-me perto do fim
fazer de morto
olhar à distância
ficar como que à janela
a ver-me
e a sentir o sofrimento
o meu sofrimento
o meu desgosto
não culpo o mundo de não me ter colocado
em qualquer pedestal
por pequeno que tivesse sido
e se não cheguei lá
foi porque não o merecia
também não me revolto
por outros se terem sobressaído
mesmo que sem mérito
mas isso só em minha opinião
discutível
provavelmente souberam aproveitar
as oportunidades
foram sagazes
atreveram-se
eu não
também não tive quem me entusiasmasse
em casa
fiquei-me metido para dentro
a encher papel
a colocar cores nas telas
e a esconder tudo
e a amar o que não estava ao meu alcance
a música
a composição
o uso dos instrumentos musicais
e em vez disso
só a utilizar
a caneta e o pincel
desajeitadamente

Sinto
que me vejo de longe
que contemplo os lugares que frequentei
sem mim
observo
as pessoas com quem me dei
sem estarem ao meu lado
vejo-me
sentado no café onde escrevo
olho para as ruas por onde passei
com outra gente
contemplo e reparo
já não conto
não estou lá
ninguém dá pela minha falta
é como se nunca tivesse existido
o mundo não parou
outra gente chora
alegra-se
sofre
diverte-se
tudo como dantes
como quando estava vivo
imagino eu

Julgo ver o mundo
Com muitos mais problemas
com a população aumentada
quase não cabe em nenhum sítio
tem carências
o ambiente é pesado
falta a água
a poluição é insustentável
a competição não perdoa


Quando sinto
que já não estou vivo
e contemplo o espectáculo
de lá de onde estou
já não me importo por não me encontrar
em qualquer pedestal
por mais ínfimo que seja
ao estar na Terra
preferiria estar preste a sair
a tempo
para fugir ao futuro que me esperava
para escapar do medonho
do horrível
dos muitos mil milhões de habitantes
que vão atafulhar o Mundo
e que apesar das múltiplas
antigas e novas doenças
que atacarão o Homem
como há raças que não perdoam
fazendo filhos
muitos
sobrepondo-se a outros
que são mais prudentes
fazendo mudar de cor
o Planeta
apesar disso não ser importante
porque os conflitos
não escolhem tons de pele
sendo seres humanos
por isso mal formados
e cada vez mais agarrados a crenças
a fés
a religiões
que julgam que lhes trarão a salvação
que serão perdoados depois de mortos
que terão benesses e regalias
no fim dos caminhos
só quando se encontrarem no outro lado da barreira
é que descobrirão
como eu julgo que concluirei
quando chegar a minha vez
e estiver a desfrutar
a gozar as vistas
sabendo que Inferno há só um
e é na Terra
nessa altura
e só então
darão gargalhadas surdas
e terão vontade de voltar atrás
e abanar o ser humano
gritando-lhes para terem juízo
para despertarem
e para aproveitarem todo o tempo
que mediou entre a gota e o pó
fazendo com que o Mundo melhore
tirando partido
da Vida.