terça-feira, 29 de setembro de 2009

GRATIDÃO

Quantas vezes, vida fora
alguém nos deita uma mão
e se chora?
talvez não
pois ser grato é coisa rara
e olvidar os favores
é ferida que não sara
mas há coisas bem piores

Esquecer o bem que alguém
fez só para ajudar
tem porém?
faz mudar?
seria bom que assim fosse
e que no fundo marcasse
tivesse sabor de doce
que nunca mais se largasse

Mas isso da gratidão
por aí não se vê bem
com razão?
ainda há alguém?
o vulgar é esquecer
quando muito disfarçar
recordar não dá prazer
partir p’ra outra e andar

O Homem tem qualidades
mas não lhe cabe ser grato
vaidades?
ter pouco tacto?
algo será mas não gosta
de ter de dever favores
e não poder dar resposta
bem menos tecer louvores

Obrigado lá se diz
no momento do favor
ar infeliz?
de actor?
mostrando submissão
logo cai no esquecimento
dando grande safanão
que tudo leva o vento

Não tenhamos ilusões
ser grato p’ra toda a vida
sem paixões?
sem ferida?
não passa no Planeta
ver fiel agradecido
no Homem é pura treta
melhor cair no olvido


ELEIÇÕES - PERSPECTIVAS



Ao contrário do que talvez bastante gente suporia – e eu incluído – a soma dos votos do PS com o Bloco de Esquerda não conseguiu alcançar o mínimo necessário para que uma decisão governamental possa, a partir de agora, passar no Parlamento. Com efeito, os 117 que se impõem para que, perante uma Assembleia completa, os socialistas façam aprovar uma determinada lei que saída por decisão do Governo, somando os resultados do BE com os 96 do PS o total fica-se em 112, o que não chega para atingir tal objectivo. A verificar-se um entendimento desse lado do Hemiciclo, entre o PSD e o CDS, a junção dos 78 sociais democratas com os 21 cristãos democratas permitirá vetar todas as decisões que saiam da bancada socialista, pelo que este partido necessita entender-se com os opositores que dêem mostras de maior adversidade, isto se quiser mostrar obra nas suas funções governativas.
Em resumo: o CDU, com os escassos 15 elementos de que dispõe, mesmo juntando-se ao Bloco de Esquerda, o que parece impensável, e consiga totalizar 31 deputados, não fica em condições para bater o pé a nenhuma das outras presenças parlamentares. Isto é o que a matemática explica.
Sendo assim, como é, o panorama a que se vai assistir a partir desta altura é o de que José Sócrates é o grande derrotado decorrente das votações ocorridas no domingo. Continua a ocupar o lugar de primeiro-ministro do Executivo que venha a ser nomeado, mas a maneira de actuar muda completamente. De um chefe de Governo arrogante e sempre certo das suas decisões, passaremos, será o desejo da maioria, a ter um dócil e subalternizado condutor do novo grupo de ministros. E, quanto a estes, também se assistirá a um elenco diferente, espera-se, pois que os que se encontravam nesses lugares, a maioria deles, não têm possibilidade de prosseguir com as orientações que deram aos seus ministérios, não sendo sequer necessário mencionar aqueles que não podem manter-se ao lado do antigo chefe.
Quanto a ser conseguido prosseguir na tentativa de resolução dos inúmeros problemas que são transportados do Executivo anterior, lutando contra a crise avassaladora, externa e interna, o desemprego que não para de aumentar, a enorme dívida externa que nos compromete agora e no futuro, as situações inadmissíveis com a Justiça que temos, os problemas que se mantêm por resolver na área da Educação, a urgente necessidade de alargar os cuidados de saúde aos portugueses, sobretudo aos de categoria social mais débil, o enfrentar-se com realismo o estado a que chegou a nossa agricultura e, também importante, não deixar que se mantenhas as benesses inaceitáveis que são concedidas aos detentores de lugares oferecidos aos amigos do sistema, tudo isto entre uma enormidade de problemas que não podem continuar a existir num País que já merece, há muito, fazer parte dos mais desenvolvidos da Europa.
José Sócrates venceu? Não é esse o meu entendimento. Mas oxalá esteja equivocado. E passemos a assistir a um governante que entendeu, por fim, que não é com arrogância que se convence um povo. E que, pelo contrário, é admitindo os enganos, reconhecendo dúvidas, pedindo desculpa quando as coisas não correm bem, é com essa modéstia que, sobretudo com estes portugueses que estão sempre dispostos a desculpar, que se poderá, talvez - quem sabe? -, atravessar o período tão difícil que se apresenta a S. Bento.
Ainda aí vêm as eleições autárquicas e essas, sendo importantes, não interferem directamente na governação do País. É outro assunto a que voltarei.
Já quanto ao Presidente da República, por enquanto mantém-se tudo numa incógnita. E será bom que não se criem mistérios, que não ajudam nada a animar os portugueses.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

GÉNIO E TALENTO

Quem não tem génio e talento
E sabe que assim é
É um conformado
Desconsolado

Quem não tem génio e talento
Mas luta pata os ter, sem conseguir
É um destroçado
Um infeliz

Quem tem génio e talento
Mas não acredita
É um desconsolado
Um mártir

Quem tem génio e talento
E os outros o festejam
Não sente nada
Já está morto

AMORES E DESAMORES



Hoje, em que o assunto principal é o do resultado das eleições de ontem, com os sociais-democratas bastante surpreendidos com a posição secundária que obtiveram e os do PP a congratularem-se por terem ficado à frente do Bloco de Esquerda, o tema que escolhi para preencher o meu blogue diário foi o de focar duas figuras que, tanto na política como no futebol, provocam amores e desamores que, se fossem alvo de um escrutínio nacional, obteriam também posições que surpreenderiam muita gente.
Vamos, pois, ao assunto:
Tenho a impressão que já escrevi isto numa outra altura. Mas como, quando mantenho uma opinião, só quando me convencem do contrário é que altero ou rectifico – porque nunca digo que não mudarei nada de mim, haja o que houver -, por isso volto a referir aquilo que continua a fazer parte do meu ponto de vista. Refiro-me a duas pessoas do nosso País que, cada vez que divulgam os seus pontos de vista, utilizando uma linguagem e uma posição que não se pode considerar como sendo pacíficas, mais me colocam à distância, ainda que, confesso, com reservas.
Eu explico. Tratam-se de Pinto da Costa, sempre referido, nem sei porquê, nas televisões pelo seu nome completo, e de Jardim, também, seguramente por casualidade, denominado desde o primeiro nome e até ao apelido final.
No que se refere a Jorge Nuno Pinto da Costa, o seu porte e a arrogância – que, por sinal, não constitui um exclusivo seu, pois outras figuras mediáticas também dão mostras desse comportamento – tais formas de surgir perante os outros constituem tanta certeza sobre aquilo que dizem que não hesitam em fazer o seu elogio próprio à custa de achincalhar os adversários, no caso os outros clubes que competem com o Futebol Clube do Porto.
Quanto a Alberto João Jardim, este político utiliza igual forma de mostrar o seu próprio valor atacando os outros que não comungam das suas ideias e, o que é grave, evidenciando um confronto doentio em relação ao Continente.
Não vou entrar em pormenores no que diz respeito aos dois casos. O que sim reconheço é que, em ambas as situações, as duas personalidades têm feito obra que agrada aos que são seguidores das suas lideranças, o clube nortista consegue fazer frente, sobretudo no futebol, aos seus parceiros de todo o País e, como se verifica, tem saído vencedor de um grande número de campeonatos que têm lugar no nosso País e até fora.
Por isso, eu tenho de reconhecer que, se fosse partidário do F.C. Porto, é natural que também tivesse uma grande admiração pelo Pinto da Costa. Isto, naturalmente, se também tivesse outra ideia acerca da forma como os cidadãos se devem comportar, seja qual for a sua cor partidária, desportiva, social, etc.
No que diz respeito ao Jardim, o que conheço da Madeira pelas várias vezes que ali me desloquei mostra-me que, na realidade, grandes melhorias se têm produzido, sobretudo no capítulo das obras públicas. E, embora se diga que a maior parte foi feita com dinheiro ido do Continente, mesmo assim há que reconhecer que o homem se tem interessado em fazer progredir a sua terra. Mas isso não lhe dá o direito de ter uma língua e um ar de majestade que só lhe tira razão naquilo que afirma. E esta última de que está “farto da ocupação colonial” só mostra como o político não sabe respeitar o lugar que ocupa.
Mas aqui também me dá para afirmar que, se eu fosse madeirense, provavelmente votava sempre em Jardim, por muito que me desagradasse a forma como a primeira figura da Madeira faz frente aos que lhe desagradam, com razão ou sem ela.
Tanto um como outro, dos dois aqui referidos, têm resultados positivos com as suas actuações. O que desagrada é o não serem capazes de, precisamente por terem ganho muitas vezes as votações a que se sujeitaram, conseguirem conservar simpaticamente e sem raivas os lugares que ocupam. Não há ninguém perfeito!...

domingo, 27 de setembro de 2009

DEIXAR DE ESCREVER

Se eu não escrevesse o que faria?
Se não pudesse passar ao papel
o que arde dentro e faz azia
seria de mim próprio infiel
estoirava
acabava
guardar só p’ra mim sem desabafar
recalcar no fundo as amarguras
já porque quem não gosta de falar
nas letras se vinga e nas pinturas

Quem escreve debita desalentos
em texto simples ou mesmo poemas
é uma forma d’abrir sentimentos
e igualmente de quebrar algemas
libertar-se
superar-se
no dia em que deixar de escrever
quando vier a sentir-me incapaz
é então a hora de perceber
que o que resta nada me traz
melhor é partir
deixar de existir
e quem cá ficar que faça as contas
que julgue os que primeiro partiram
e se conseguir que agarre as pontas
dos que quiseram mas não conseguiram

São assim os alcatruzes da vida
sobem p’ra encher descem e despejam
mesmo aqueles que passam de corrida
sem tempo que chegue p’ra o qu’almejam
mas génio mostram
mais tarde gostam
depois de cá não estarem p’ra ver
e de não lhes chegar a admiração
não tendo já por isso o prazer
de merecer especial menção

Enquanto por cá eu puder pensar
e possa escolher o que mais gosto
ao menos que não tenha de guardar
p’ra mim e tenha de esconder o rosto
envergonhado
culpado
por isso o qu’escrevo, o que pinto
melhor ou pior é para mostrar
porque o que deixo é bem o que sinto
outros que guardem ou queiram queimar

O HOMEM E AS CIRCUNSTÃNCIAS



Em dia de eleições, não me cabe falar do tema que vai estar na cabeça da maioria da população deste País. Por isso, para preencher este blogue diário para o que faço questão de não deixar em branco, ocorre-me deitar a mão a um caso que merece ser divulgado e que dá que pensar, por isso considero propositado para preencher o tempo que os portugueses têm hoje a aguardar pelos resultados que as televisões, lá para a noite, começam a divulgar. Aqui deixo, pois, o tema:
O ser humano divide-se em variadíssimas categorias e, pelo menos graças a isso, não constitui uma amálgama de indivíduos, todos a pensar da mesma forma e a ter as mesmas reacções. São as regiões onde habitam, os hábitos e costumes que influenciaram o seu crescimento, o grau de instrução que conseguem obter, a língua, a cor da pele, a religião que segue, o ambiente em que estão envolvidos, a profissão em que estão incluídos, as condições climatéricas que criam os hábitos de vivência, o núcleo familiar a que pertencem, tudo isso forma os indivíduos mas, acima de todos, são as circunstâncias que originam as práticas e os confrontos das condicionantes que a vida apresenta a cada um dos habitantes da Terra.
Ortega y Gasset foi o filósofo que defendeu com insistência esta teoria e, ao segui-la sempre que posso, concluo que, na verdade, o Homem está mais dependente das oportunidades que se deparam perante cada um dos viventes do que, em muitos casos, da estafada perseguição de objectivos que se pretendem alcançar.
É certo que o trabalho é muito importante para se tentarem obter os resultados que se aspiram e esse trabalho custa suor, esforço, persistência e, seguramente, contrariedades e, por vezes, lágrimas. E é precisamente essa tarefa que leva, em muitas ocasiões – para não dizer quase sempre – a que o ser humano proporcione e se confronte com as más intenções que constituem a normalidade do animal racional que todos nós somos.
E é este o destino: ou conformado com o que nos calha na estrada da vida, não levantando por isso obstáculos e não obstruindo os outros, ou ser batalhador e, aí, acotovelar, empurrar, pregar rasteiras. Venha o Diabo e escolha!
É evidente que o Homem, com muita regularidade, perde as ocasiões que se lhe deparam, não aproveita todas as oportunidades que surgem, por desconfiança quanto a resultados, por temor a mudanças, por simples mandria ou seja lá pelo que for, entende que o lugar onde a caminhada da vida o colocou é aquele que deve conservar e assim permanece até ao último dia. Mas existe o outro, o irrequieto, o desconsolado com o que lhe saiu na rifa, o aspirante a melhor ou simplesmente a diferente do que tem e esse busca todas as oportunidades que se lhe depararem. É o que aproveita as circunstâncias, as que saltam ao caminho. E essas podem ser boas ou piores do que a maneira de viver que seguia então.
Daí nasceu o princípio de que o ser humano, sem as circunstâncias que busca ou que se lhe deparam, não seria aquilo que, cada dia, aparece no panorama. Um pastor que, desde pequenino, exerce esse ofício e assim permaneceria até à velhice se não deparasse com uma oportunidade que lhe foi proporcionada em determinado momento. E essa ocasião pode ser, por exemplo, a de encontrar no alto da montanha, por uma casualidade espantosa, um citadino que, tendo apreciado a esperteza do garoto, o levou para a cidade e lhe proporcionou os estudos idênticos aos dos seus filhos e daí ter surgido um cientista de renome. Então, se não fosse essa circunstância, não se teria perdido um cidadão de grande craveira?
E o contrário também ocorre: o fulano bem comportado, com família decente, que, tendo encontrado circunstancialmente um malandrão que lhe meteu no corpo o hábito de roubar e que se transformou, de um dia para o outro, num fora da lei a contas com a polícia. No caso dos drogados, então, esta transformação circunstancial é mais do que infelizmente corrente.
Há quem dê outro nome às circunstâncias da vida. Sorte ou azar. Mas é ser simplista demais ficar-se por esta classificação.
Ora, as eleições fazem parte do número das circunstâncias que são proporionadas ao Homem . E elas constituem uma forma de se alterar o sistema em que se está inserido ou o de se ficar na mesa, que também constitui uma maneira de se prosseguir, não mudando nada.
O dia de hoje, para os portugueses, representa o termos de aceitar o que as circunstânciass políticas facultam aos cidadãos. Mais tarde se verá.

sábado, 26 de setembro de 2009

O QUE NOS FALTA

Se medirmos bem o que nos falta
Se fizermos contas ao que nos sobra
Concluiremos que muita malta
Acha que a vida é um bico de obra

É essa malta angustiada
Que ambiciona o bem alheio
Que julga sempre que não tem nada
E não lhe agrada ficar no meio

Tudo que não presta deita fora
Sem cuidar saber qual o destino
Porque ainda não chegou a hora
De ter razão pr’a tocar o sino

Preciso é ver quanto nos resta
Olhar bem os que não têm nada
Aquilo que para nós não presta
Para outros é conto de fada





CADASTRO



Digam-me lá se este Portugal que é nosso desde o ano de 1143, quando Afonso Henriques resolveu separar-se da mãe e seguir o seu caminho desde o sul da Galiza e na conquista aos mouros do que estava para baixo, este território que se afirma ser a Nação mais antiga do espaço europeu já se pode considerar como consciente do que é, do que tem e a quem pertencem todas as terras que estão incluídas no rectângulo que se situa na ponta extremo oeste do Continente Europeu.
Esta pergunta justifica-se porque, em pleno século XXI, no ano de 2009 em que nos encontramos, não se sabe a quem pertence um quinto do País. É isso que vejo afirmado no “Expresso” da passada semana, em que se descreve que o levantamento cadastral do espaço geográfico que é nacional custará perto de mil milhões de euros e, se for feito, só depois é que se fica a saber quem são os verdadeiros donos de terrenos que não estão inscritos nas várias conservatórias do registo predial.
Por outras palavras, chegou-se à conclusão de que vinte por cento daquilo que constitui o território de Portugal não tem dono legítimo, devidamente registado. Trata-se de uma questão que é, simultaneamente, dramática e gargalheante. Só cá é que poderia acontecer isto! Nos casos dos incêndios que ocorrem com frequência nem sequer sabemos quem tem os prejuízos. Quanto a serem pagos impostos pela posse de haveres terrenos, nesse particular o Estado não tem possibilidade de actuar fiscalmente. E, quanto a serem cuidadas as florestas, limpando-as para prevenir contra os fogos que lá surgem, não há a quem pedir tais responsabilidades.
Dizem os técnicos que efectuar o trabalho do cadastro para serem definidos os proprietários dos terrenos sem “paternidade” custaria cerca de mil milhões de euros, mas que esse investimento provocaria, por outro lado, uma entrada no fisco de cerca de 300 milhões por ano para além de que essa tarefa criaria cerca de 3.700 empregos, a maioria dos quais de gente bem qualificada. Isso, para não falar no que se pouparia em litígios nos tribunais para a disputa de propriedades cuja posse provoca a briga entre vizinhos.
Mas, pondo de parte toda esta situação e suas consequências, o que não se pode admitir numa Nação devidamente demarcada é que se viva, ainda nos dias de hoje, com a ignorância oficial de quem é dono do quê. Uma vergonha!
E agora a interrogação: assistiu-se, durante a campanha eleitoral que terminou ontem, a algum partido ter tomado em mãos este problema e, perante os cidadãos, tenha assegurado que iria constituir uma das suas funções pôr ordem nesta desordem das propriedades em todo o País? É evidente que não. Nem os que são considerados os maiores, nem os outros, os pequenos, que tinham aí oportunidade de mostrar interesse pelos temas que não são levados em consideração pelos tidos como grandes. Nesta altura já é tarde para rectificar o que tenha saído mal. E esta crítica também não vem adiantar nada.
Mas, pelo menos cabe-nos apontar esta falta, no meio de tantas ocorridas. E verificar, constrangidos, que estamos todos bem entregues a uma gente que nem sabe escolher assuntos que precisam urgentemente de quem lhes deite a mão!... Nem mesmo num período de propagada eleitoral se viu um assunto como este referido por ninguém. E, para além deste, tantos temas que mereciam ser tratados pelos concorrentes acabaram por ficar no esquecimento! Só lhes interessou atacarem-se uns aos outros e falarem do passado.
Vamos lá amanhã escolher. Entre maus e péssimos há de tudo. Mas a nossa obrigação é não faltar na mesa dos votos. Isso de votar em branco ou ficar em casa são atitudes que um interessado na sua Pátria não tem o direito de fazer.
Sobretudo para que não apareçam depois os espertos da companhia a afirmar que as abstenções eram escolhas que lhes cabiam…

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

CONHECER-ME POR DENTRO

Gostava de me conhecer bem por dentro
fazer como se faz a qualquer fato
esmiuçar
desencantar
abrir as bainhas
tirar as linhas
ir fundo avançar até ao centro
não deixar qualquer coisa ao desbarato

Tudo aquilo que mostro cá por fora
o que está à vista vêem todos
É bonito?
É esquisito?
Será que agrada?
É só fachada?
é apenas o que eu tenho agora
o que não quero é causar engodos

Porém, as minhas dúvidas persistem
eu próprio como sou não saberei
pergunto-me
consulto-me
bisbilhoto as entranhas
p’ra descobrir coisas estranhas
todas as portas fechadas resistem
e respondo a mim mesmo que não sei

No entanto, há dias em que acerto
será quando não ando angustiado
aceito-me melhor
dou-me mais valor
pareço-me normal
nada encontro mal
e sobretudo quando eu desperto
não sinto ânsias de olhar p’ro lado

Mas nada disto assim me dá resposta
fico sem saber o que tanto quero
conhecer-me
entender-me
saber tudo sobre mim
não ter dúvidas assim
saber se existe alguma proposta
que me tire todo este desespero

Para ser o juiz de própria causa
sendo muito suspeito no apreço
não serei eu
a tirar o véu
não será honesto
pois darei pretexto
a que esse gesto provoque náusea
e não tenha jus a qualquer sucesso

Que gostava de me conhecer fundo
lá isso dúvidas não oferece
não desanimo
por isso primo
enquanto cá ando
não perco o mando
já que faço questão de neste mundo
perseguir tudo que tem interesse

Se não o que me resta é esperar
espreitando de lá do outro lado
onde estiver
hoje sem crer
se vê depois
lá direi pois, pois
aceitando o real e tolerar
seja ou não seja do meu agrado





ELEIÇÕES Á VISTA




Neste último dia de campanha eleitoral, já pouco há a opinar. O que suceder no próximo domingo terá que ser aceite pelos portugueses e, gostem ou não dos resultados, é com isso que há que viver. Durante o tempo que for possível segurar o Governo eleito. Mas, por hoje, ainda se pode acrescentar alguma coisa, apenas como desabafo. Isto, por exemplo:
“Digam o que disserem, mas ainda está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor do que eu fiz…” – esta a frase que José Sócrates entendeu que caía bem num almoço em que esteve presente há umas semanas e no qual, como é seu hábito, no discurso proferido alargou-se em elogios à actuação do seu Governo.
Por aqui se pode concluir que, afinal, o responsável pelo Executivo não alterou nada do que foi sempre o seu estilo de arrogância, de vaidade própria, de elogios em boca própria. Não tem remédio aquele que, mesmo tendo à vista a possibilidade de não repetir o mandato maioritário de que tem gozado, apesar disso e talvez porque não admite encaixar na sua mente essa alternativa, José Sócrates não quis ouvir eventuais conselhos que lhe sejam dados por gente por perto e muito menos ligou às críticas que lhe foram dirigidas em muitos órgãos de Informação. E uma maneira de ser e ninguém vai conseguir mudar de um dia para o outro.
Mas, se nos pusermos a pensar seriamente no que diz respeito ao que se vai passar depois de domingo, não sei se estará para nascer quem faça melhor do que ele, mas o que seguramente aquilo a que assistiremos é a uma luta titânica para ser conseguido começar tudo de novo e desta vez com viabilidade de vir a ser melhor do que antes. Mesmo que lhe calhe a ele voltar a pegar no leme. Como dizem as sondagens.
Cada um que se agarre às suas crenças e aspire para que não sofre desilusões. Só com fé se lá irá. Por agora, basta deslocarmo-nos no domingo, ao local que nos está destinado para metermos o voto na urna. E depois, não se tratando de um dia de trabalho e havendo ainda tempo para a maioria da população poder reflectir sobre o que terá acontecido, poderá ver um pouco de televisão, mastigar os textos dos jornais, acabar de ler o livro que ficou em meio e, à noite, lá pelas 22 horas, começar a contemplar os primeiros resultados. Todo esse período permitirá uma de duas coisas: ou conformar-se ou arrepelar-se por não ter saído o que alimentava como esperança.
Depois, há que ir para a cama, que no dia seguinte é novo dia de trabalho (para os que não estão desempregados, os mais de quinhentos mil), e deve procurar não ter uma longa insónia. É que o andarmos de olhos bem abertos até que seja decidido o nosso futuro, disso é que ninguém nos livra.
Ninguém? Quem sabe se não surgirá uma surpresa que nos faça abrir a boca de espanto!... Tudo é possível neste mundo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

BLÁ, BLÁ...

Isto de ouvir os outros falarem
dizerem aquilo que não sabemos
nossos conhecimentos aumentarem
acrescentar algo ao que já temos

Acumular no cérebro matéria
juntar ao que já lá está guardado
melhor ainda se for coisa séria
que ajude a levar o nosso fado

Porém, não é bem o que sucede
muito do que ouvimos é sabido
ter de escutar o que não se pede

Por isso é muito o tempo perdido
é como bater contr'a parede
e apenas cansar o nosso ouvido

QUAL É O MELHOR'?



“Digam o que disserem, mas ainda está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor do que eu fiz…” – esta a frase que José Sócrates entendeu que caía bem num almoço em que esteve presente há umas semanas e no qual, como é seu hábito, no discurso proferido alargou-se em elogios à actuação do seu Governo.
Por aqui se pode concluir que, afinal, o responsável pelo Executivo não alterou nada do que foi sempre o seu estilo de arrogância, de vaidade própria, de elogios em boca própria. Não tem remédio aquele que, mesmo tendo à vista a possibilidade de não repetir o mandato maioritário de que tem gozado, apesar disso e talvez porque não admite encaixar na sua mente essa alternativa, José Sócrates não quer ouvir eventuais conselhos que lhe sejam dados por gente por perto e muito menos liga às críticas que lhe são dirigidas em muitos órgãos de Informação. E uma maneira de ser e ninguém vai conseguir mudar de um dia para o outro.
Mas, se nos pusermos a pensar seriamente no que diz respeito ao que se vai passar depois das próximas eleições, não sei se estará para nascer quem faça melhor do que ele, mas o que seguramente aquilo a que assistiremos é a uma luta titânica para ser conseguido começar tudo de novo e desta vez com viabilidade de vir a ser melhor do que antes. Mesmo que lhe calhe a ele voltar a pegar no leme.
Cada um que se agarre às suas crenças e aspire para que não sofre desilusões. Só com fé se lá irá. Por agora, basta deslocarmo-nos no domingo, dia 27, ao local que nos está destinado para metermos o voto na urna. E depois, não se tratando de um dia de trabalho e havendo ainda tempo para a maioria da população poder reflectir sobre o que terá acontecido, poderá ver um pouco de televisão, mastigar os textos dos jornais, acabar de ler o livro que ficou em meio e, à noite, lá pelas 22 horas, começar a contemplar os primeiros resultados. Todo esse período permitirá uma de duas coisas: ou conformar-se ou arrepelar-se por não ter saído o que alimentava como esperança.
Depois, há que ir para a cama, que no dia seguinte é novo dia de trabalho (para os que não estão desempregados, os tais quinhentos mil), e deve procurar não ter uma longa insónia. É que o andarmos de olhos bem abertos até que seja decidido o nosso futuro, disso é que ninguém nos livra.
Ninguém? Quem sabe se não surgirá uma surpresa que nos faça abrir a boca de espanto!... Tudo é possível neste mundo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

GRATIDÃO

Quantas vezes, vida fora
alguém nos deita uma mão
e se chora?
talvez não
pois ser grato é coisa rara
e olvidar os favores
é ferida que não sara
mas há coisas bem piores

Esquecer o bem que alguém
fez só para ajudar
tem porém?
faz mudar?
seria bom que assim fosse
e que no fundo marcasse
tivesse sabor de doce
que nunca mais se largasse

Mas isso da gratidão
por aí não se vê bem
com razão?
ainda há alguém?
o vulgar é esquecer
quando muito disfarçar
recordar não dá prazer
partir p’ra outra e andar

O Homem tem qualidades
mas não lhe cabe ser grato
vaidades?
ter pouco tacto?
algo será mas não gosta
de ter de dever favores
e não poder dar resposta
bem menos tecer louvores

Obrigado lá se diz
no momento do favor
ar infeliz?
de actor?
mostrando submissão
logo cai no esquecimento
dando grande safanão
que tudo leva o vento

Não tenhamos ilusões
ser grato p’ra toda a vida
sem paixões?
sem ferida?
não passa no Planeta
ver fiel agradecido
no Homem é pura treta
melhor cair no olvido

SOARES DISSE...



Soares foi bem claro, quando entendeu dever participar na campanha eleitoral do seu PS e, em Matosinhos, declarou que “não lhe repugnava que, no cenário de coligação pós-eleições, os socialistas se juntassem com o Bloco de Esquerda”, perante a necessidade de encontrar uma maioria com dimensão suficiente para governar. Já o difícil será acreditar que os bloquistas aceitem tal possibilidade, dado que Francisco Louçã tem repetido a sua decisão de não fazer alianças com ninguém.
Claro que, na ânsia do CDS desejar participar num novo governo, convém-lhe que corra por aí a ideia de ser possível operar-se uma coligação dos socialistas com os cristãos-democratas, mas, se for bem analisada tal eventualidade, custa a acreditar que José Sócrates venha a aceitar no eventual executivo que possa formar uma personalidade tão imperativa como é a de Paulo Portas.
Aquilo que eu, num blogue passado, considerei como sendo de admitir uma surpresa vinda da Esquerda no panorama governativo pós-eleições, talvez comece a não ser tão grande estranheza, pois que o PS sozinho, como começa a ser admitido que suceda, é que não conseguirá solucionar os problemas graves, económicos e sociais principalmente, que Portugal enfrenta.
Resta saber se o desejo apresentado por Mário Soares será levado em conta pelos superiores do BE, isto caso o PS consiga obter o primeiro lugar no dia 27 tão à vista. E, admitindo tudo correr no sentido afirmativo, se o entendimento entre duas esquerdas, uma muito moderadinha, como é o caso da comandada por José Sócrates e a outra bastante arrojada, se essa associação reúne condições para levar por diante as decisões que vierem a ser tomadas em Conselho de Ministros.
Tudo isso, claro está, aceitando que o PSD não será o partido vencedor, que é o que as sondagens indicam – mas não é prudente confiar excessivamente nos prognósticos dos sabichões.
E, a tão pouco tempo de distância do domingo próximo, o que nos resta é esperar. E, até lá, o melhor é não termos grandes certezas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

ERRAR

Quem não fez ainda isso ?
Que erro não praticou ?
Só não fez esse serviço
Quem a vida não gozou

Há uns que mais, outros menos
Mas um homem sem pecado
Só p’ra fugir aos Infernos
É que escapou desse fado

Há que perder petulância
Evitar que se atropele
D' errar é tal abundância

Que há que escrever na pele
O erro ganha importância
Quando se aprende com ele

ASSESSOR - UM DRAMA!...




Portugal não tem, de facto, problemas graves que precisem de ser solucionados. Tudo corre às mil maravilhas, não há desemprego, o País não deve muitos milhões de euros ao estrangeiro, as empresas, a grande maioria delas, vivem um período de grande sucesso e não encerram diariamente por falência, o povo anda em grande euforia com todo o ambiente que o rodeia. Nem as próximas eleições são motivo para preocupações quanto ao que se vai passar a seguir.
Por isso, o despedimento do assessor de Imprensa do Presidente da República tem de constituir uma dor de cabeça a todos nós e justifica-se perfeitamente que toda a comunicação social dedique largos espaços ao assunto. E agora? Pergunta-se. O que vai ser de todos nós com o Fernando Lima afastado de Belém? E o Cavaco Silva nem dorme perante um caso de tão grande gravidade? Será que vai cair o Governo?
Eu procuro colocar-me no lugar da maioria dos portugueses que, por esse País fora, no litoral e no interior, andam seriamente apreensivos por o principal Magistrado da Nação ter tomado decisão tão séria. A senhora Maria, o António das alfaces, o Joaquim que tem a seu cargo a oficina lá da terra, o Alberto, que não se descuida com as escritas no escritório, a Teresa, que atende diariamente ao balcão da sua loja, todos eles vivem numa aflição desde que tomaram conhecimento que Belém deixou de ter assessor de Imprensa que lá estava já há anos.
Se eu fosse ainda director de um Jornal, por certo que dava instruções para que a capa do meu periódico ser toda ocupada com uma grande fotografia e a tal notícia de tamanha importância para o futuro de Portugal. Todo o mais iria para o interior, para rodapé, para noticiário secundarizado. Não tinha a menor importância jornalística.
Realmente, eu já não pertenço a este mundo!...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

QUAL VERDADE?

Que é isso da verdade?
Existe?
Resiste?
Tem alguma validade?
Cada um chama-lhe sua
e os outros também
há os que lhe chamam falcatrua
encaram-na com desdém
nem a minha nem a tua
afinal
o que é real
é que há outra verdade
a que tem tudo a ver
com a realidade
e ser a única a merecer
por estar limpa de interesses
a que é independente
que não recebe benesses
a única que não mente.
Mas, por fim,
é tão difícil assim
saber onde verdade está?
Se mais longe ou mais perto
se aqui ou acolá
talvez só no deserto
onde o Homem não se encontra
onde não pode inventar
onde não existe montra
que serve para se mostrar

DESEMPREGADOS



Ainda nos encontramos a caminho das próximas eleições legislativas, essas que, sem sombras de dúvidas, sejam quais forem os resultados e portanto não interessando conhecer, para este efeito, qual o partido político que se vai colocar em primeiro lugar no número de votos, mesmo neste fase podemos dar-nos ao luxo de colocar a imaginação a trabalhar e anteciparmos alguns acontecimentos que resultarão da tomada de posse de um novo Governo, seja uma repetição dos socialistas ou quer se trate de uma mudança para outra força política, só ou em coligação.
Explico melhor: depois do próximo dia 27, conhecida que seja a posição dos vários movimentos políticos que concorrem ao lugar cimeiro, haverá apenas que aguardar pela formação do novo Executivo, dado que os membros superiores dos ministérios actuais terão de encarar a saída dos respectivos lugares e, sendo o PS o partido vencedor, a aguardar que José Sócrates os renomeie ou, pelo contrário, os substitua por quem julgar mais conveniente. O mais natural, por certo, é que, nesta altura só tenham uma vaga ideia do seu futuro imediato.
Mas, tratando-se de uma amostra seguinte que seja consequência dos socialistas não obterem o lugar cimeiro nas votações dos portugueses, nesse caso pode-se considerar como absolutamente certo que os detentores actuais dos lugares no Conselho de Ministros, todos sem excepção irão à sua vida, pelo que abandonarão os cadeirões onde se têm sentado ao longo da vigência do Executivo que tem estado em funções.
Perante a nova situação que surgirá em qualquer das circunstâncias apontadas, a pergunta que tem lógica ser feita é a do que vai acontecer aos actuais governantes, se ficarão desempregados, como sucede a qualquer trabalhador que é despedido ou foi vítima da falência da empresa onde actuava, ou já tem em vistas um “lugarão”, daqueles que se preparam para a eventualidade de correrem mal as coisas no sítio onde se encontrava.
Pelos exemplos a que temos assistido por cá ao longo dos trinta e tantos anos de Democracia em Portugal – não que este regime tenha a culpa, mas porque as circunstâncias permitem que as coisas sejam favoráveis aos arranjinhos dos amigos, camaradas ou parceiros que se ajudam uns aos outros -, tendo em vista o que se têm passado, é de esperar que os vários participantes no Governo de Sócrates já contem com boas posições em administrações de empresas de grande porte, na maioria dos casos públicas, e em que as suas remunerações até serão bem mais acolhedoras para os próprios.
Alguém tem dúvidas quanto a este prognóstico?
Vão ficar os coitadinhos todos nas ruas da amargura, sem emprego e sem modo de vida?
Vai o Fundo de Desemprego ter de actuar no sentido de dar protecção aos que, tendo feito tão bons lugares e contribuído para o progresso do País e dos portugueses, passam de um dia para o outro a não ter como sustentar as suas famílias?
Era para me referir hoje ao problema agora trazido à liça do confronto institucional entre Belém e S.Bento, no que se refere a escutas que abalam a segurança que fica abalada por suposições que, afinal, já vêm desde Agosto passado mas que foi considerado ser agora o momento ideal para criar a desestabilidade política. Por mim e enquanto o assunto não estiver devidamente esclarecido não aceito essa guerra com valor suficiente para me pronunciar. Lá irei.

domingo, 20 de setembro de 2009

ENCHER O PAPEL

Aqui estou eu à frente do papel
à espera que a inspiração me chegue
olhando para a rua a ver passar
aqueles que não olham para a folha
em branco à espera de estar cheio
de letras, de palavras e de versos

Serão felizes esses que não puxam
por um génio que não lhes faz falta?
Quem sabe se não seria melhor
conhecer tudo sobre o futebol
preocupar-me só com o meu clube
e andar em dia com o jet-set?

Se fosse assim, poemas não fazia
e descansava quem viesse a ler
todos os versos livres e bem livres
porque de rima mesmo nada têm
e a cadência é o que lhes resta
mas mesmo assim encheram o papel

GATOS FEDORENTOS



Como não podia deixar de ser tenho assistido às entrevistas feitas por um dos Gatos Fedorentos (peço desculpa mas não fixo os nomes) aos líderes dos partidos principais que concorrem às eleições legislativas (e não só) que estão aí à porta e, talvez ao contrário do que serão as opiniões gerais, tenho ficado com água na boca, isto é, esperava que as questões postas, tanto mais que são preparadas com antecedência, se revestissem de maior interesse e até proporcionassem um grau elevado de dificuldade aos entrevistados, tudo, já se vê, dentro de um espírito de gozo, que é o que se pretende com tal programa televisivo.
É que, em boa verdade, qualquer das figuras que aceitaram estar presente nesse espaço que se dedica à ironia – e, quanto a isso, há que reconhecer que os participantes, embora não pudessem fazer outra coisa que não fosse comparecer, pois a falta de um deles constituiria uma prova de ausência de humor e tiraria votos no próximo dia 27 –, qualquer deles já sabia ao que ia e, por muito ar aparente de alegria que tivessem mostrado, no fundo não estariam a achar graça nenhuma e bem prefeririam andar pelas ruas a distribuir sorrisos e papeis de propaganda a quem não lhe pusesse questões.
Mas, numa passagem breve de apreciação no que diz respeito à ideia do programa em si, tenho de elogiar quem tenha sido o autor, mas, como me compete na qualidade de espectador e de cidadão, confesso que cheguei a admitir que se ia tratar de um espectáculo que faria com que alguns dos interpelados dessem mostras de bastante incómodo, pois as questões que se podiam pôr numa sessão como estas são, sem a responsabilidade de se ser excessivamente sério e escondendo por detrás da graciosidade algumas rasteiras daquelas que até fazem corar os perguntados. Mas isso não sucedeu na generalidade com a dimensão que se poderia aguardar. Terá sido por ausência de génio no grupo que preparou as perguntas ou foi porque se revestiu de certo receio em abarcar temas que, de uma forma geral, andam no pensamento dos próximos votantes e até, ou sobretudo, na cabeça daqueles que não fazem tenção de participar na votação, mas que poderiam levar a atitudes incómodas por parte de quem manda e que, como se tem verificado – pelo menos fala-se nisso – toma atitudes que não são muito meigas?
Não vou deixar aqui nenhuma pergunta que eu faria. Não posso, não me cabe interferir na orientação de um esquema que foi posto de pé com as possibilidades de que dispunham os seus responsáveis. Mas marco o meu desapontamento. Esperava muito mais. Perdeu-se uma oportunidade que ficaria gravada na memória dos que ainda assistem aos preâmbulos de uma eleição de importância, como é a que vai ocorrer em 27 de Setembro.
Quem cá estiver que aguarde por uma ocasião que permita repetir a experiência. E até, quem sabe, nem seja preciso esperar assim tanto tempo…