domingo, 20 de setembro de 2009

GATOS FEDORENTOS



Como não podia deixar de ser tenho assistido às entrevistas feitas por um dos Gatos Fedorentos (peço desculpa mas não fixo os nomes) aos líderes dos partidos principais que concorrem às eleições legislativas (e não só) que estão aí à porta e, talvez ao contrário do que serão as opiniões gerais, tenho ficado com água na boca, isto é, esperava que as questões postas, tanto mais que são preparadas com antecedência, se revestissem de maior interesse e até proporcionassem um grau elevado de dificuldade aos entrevistados, tudo, já se vê, dentro de um espírito de gozo, que é o que se pretende com tal programa televisivo.
É que, em boa verdade, qualquer das figuras que aceitaram estar presente nesse espaço que se dedica à ironia – e, quanto a isso, há que reconhecer que os participantes, embora não pudessem fazer outra coisa que não fosse comparecer, pois a falta de um deles constituiria uma prova de ausência de humor e tiraria votos no próximo dia 27 –, qualquer deles já sabia ao que ia e, por muito ar aparente de alegria que tivessem mostrado, no fundo não estariam a achar graça nenhuma e bem prefeririam andar pelas ruas a distribuir sorrisos e papeis de propaganda a quem não lhe pusesse questões.
Mas, numa passagem breve de apreciação no que diz respeito à ideia do programa em si, tenho de elogiar quem tenha sido o autor, mas, como me compete na qualidade de espectador e de cidadão, confesso que cheguei a admitir que se ia tratar de um espectáculo que faria com que alguns dos interpelados dessem mostras de bastante incómodo, pois as questões que se podiam pôr numa sessão como estas são, sem a responsabilidade de se ser excessivamente sério e escondendo por detrás da graciosidade algumas rasteiras daquelas que até fazem corar os perguntados. Mas isso não sucedeu na generalidade com a dimensão que se poderia aguardar. Terá sido por ausência de génio no grupo que preparou as perguntas ou foi porque se revestiu de certo receio em abarcar temas que, de uma forma geral, andam no pensamento dos próximos votantes e até, ou sobretudo, na cabeça daqueles que não fazem tenção de participar na votação, mas que poderiam levar a atitudes incómodas por parte de quem manda e que, como se tem verificado – pelo menos fala-se nisso – toma atitudes que não são muito meigas?
Não vou deixar aqui nenhuma pergunta que eu faria. Não posso, não me cabe interferir na orientação de um esquema que foi posto de pé com as possibilidades de que dispunham os seus responsáveis. Mas marco o meu desapontamento. Esperava muito mais. Perdeu-se uma oportunidade que ficaria gravada na memória dos que ainda assistem aos preâmbulos de uma eleição de importância, como é a que vai ocorrer em 27 de Setembro.
Quem cá estiver que aguarde por uma ocasião que permita repetir a experiência. E até, quem sabe, nem seja preciso esperar assim tanto tempo…

sábado, 19 de setembro de 2009

ESCRITOR

Isto de ser escritor
porque muito escreve
com fervor
e se atreve
e o querer ser poeta
sem desistir
e de uma forma secreta
persistir
este afã, tal teimosia
como agora é o que faço
na esperança de que algum dia
me compensem o cansaço
e tenha valido a pena
por exemplo
ter afastado a pintura
que era um outro templo
a pertencer à tortura
só espero que o meu fim
seja no momento exacto
sem toques de clarim
e não firmando contrato
não ficando texto a meio
nem verso por acabar
p’ra não haver remedeio
e ser outro a emendar
o que estava feito antes
com susto e suor
e surjam alguns pedantes
a roubarem o autor

Mas isto de ser escritor
e de pouco génio poeta
se não o fez com primor
e usou mal a caneta
em vida
despercebido
não teve boa guarida
e mal foi ouvido
resta ainda a boa esperança
de passados muitos anos
tenha a bem-aventurança
de reconhecidos enganos
porque isso já se passou
com figuras conhecidas
e foi algo que marcou
algumas vidas sofridas
entre elas bem destaco
alguém que por Lisboa
consumiu muito tabaco
esse Fernando Pessoa
que deixou a papelada
espalhada por gavetas
que só depois foi juntada
e inspirou mais poetas
como sucedeu comigo
que o tenho sempre presente
e bem alto eu o digo
e nisso eu sou um crente
por um Pessoa ter havido
reconhecido só depois
se agora sou desvalido
mais tarde seremos dois

Se há quem tanto se gabe
sem razão para o fazer
não sei se a mim me cabe
gozar de tal prazer
presunção
e água benta
isso está na nossa mão
basta que nos dê na venta

Pois isto de ser escritor
e de também versejar
o preciso é ter amor
e em si acreditar
boa escrita
bons poemas
é tudo uma desdita
dificuldades extremas
à espera que um editor
jogue na carta certa
e acredite que o autor
é uma sua descoberta
que valha a pena
apostar
que nesta vida terrena
para mais tarde ganhar
o respeito dos leitores
que são sempre os julgadores.



GATOS E RANGEL



E digam lá se nós, portugueses de gema, não somos uns complicadinhos da silva, gostando de complicar o que, só por si, já oferece dificuldades de resolução mas que, não chegando para criar um drama, lhe acrescentamos algumas parcelas de problemas para enredar ainda mais o panorama. É o que está a ocorrer nesta fase bem perto das eleições legislativas, e em que alguém se lembrou de lançar na discussão política o mote das escutas que estarão a ter lugar na Presidência da República por conta do Governo de Sócrates.
Pois, nem mais nem menos. A uma semana do fim da campanha eleitoral, embora o assunto já venha desde Agosto, a verdade é que é precisamente nesta altura que alguém achou conveniente fazê-lo saltar para a discussão pública. Casualmente? Ou, como já não é a primeira vez, nos momentos em que a população está preocupada com temas que absorvem a sua atenção, convém causar a confusão e há que divulgar alguma coisa que a deixe ainda mais baralhada?
Não vou por aí além. E, já agora, aproveitando a circunstância de ter calhado ontem a Paulo Rangel o ter sido a figura ouvida pelos Gatos Fedorentos, sempre reafirmo o que já era minha opinião: a de que os cómicos da SIC não têm aproveitado bem o tempo que lhes é concedido por aquela estação televisiva, pois havia tanto para “enrascar” o deputado europeu do PSD e aquilo a que se assistiu foi a um diálogo sonso e desinteressante. No meu blogue de amanhã referir-me-ei aos “Gatos”. Há que esperar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

ENVERGONHADOS



Já sei que os “conformadinhos da silva” desta nossa Terra saltam à liça para me acusar de pessimista e de estar sempre a depreciar as nossas características, pois o serem os portugueses – e não os estrangeiros, que esses, sim, é que eu não gosto – a criticar significa, para tal gente, isso representa um sinal de falta de patriotismo. Claro que eu não penso assim. E entendo mesmo que o facto de apontarmos a nós próprios, os defeitos que podem ser solucionados, é uma forma de pretender rectificar o que está mal e contribuir para que Portugal, ao cabo de tantos séculos de existência, deixe de olhar só para o seu umbigo e tenha a humildade suficiente para reconhecer aquilo em que anda errado.
Não me canso, é certo, de referir a vergonha a que chegou o nosso sistema de Justiça, pois que não sendo nada que só agora é que se revelou ineficiente, chegou a um ponto em que não é possível andarmos a fazer papel de distraídos e a permitir que tudo continue na mesma… até um dia!
Também já constituiu matéria dos meus blogues, o caso denominado de “Casa Pia”, em que o julgamento em causa dura há 56 meses, nada mais nada menos do que cerca de 5 anos. E, até à data, ainda se permanece a aguardar que seja marcada a sessão final, em que se apurarão quem são os réus condenados ou se, pelo contrário, tudo fica na mesma, sem responsáveis a ter de cumprir o que quer que seja.
O longo período em que os dinheiros públicos têm sido desbaratados com a extensão do julgamento em causa, foi ocupado com 440 sessões, até agora, em que foram ouvidas 990 testemunhas em 1722 horas úteis de audiências, todas registadas em 1055 CDs, tudo guardado em 265 volumes.
Quanto custou tudo isto ao erário público é uma operação que não sei se já foi feita, mas que não será uma verba insignificante, quanto a isso não deve haver grandes dúvidas.
A pergunta, pois, a fazer ao Governo que já Sócrates anunciou que vai modificar se vencer as próximas eleições, termine por isso no próximo dia 27 e, concretamente ao ministro da Justiça que ocupou esse lugar durante todo este tempo, a pergunta é se não existiu a menor preocupação nas cabeças dos respectivos responsáveis, ao ponto de, pelo menos, terem aparecido em público a demonstrar a sua inquietação por se estar a passar tal situação e tivessem dado mostras de querer meter mão numa vergonha que dá a pior imagem daquilo que somos e do que fazemos.
Eu não entendo como essa gente que governa e que tem influência na resolução dos problemas graves com que nos defrontamos, como é que tais pessoas não se revoltam por dentro e não conseguem dar mostras de querer acabar de vez com as múltiplas vergonhas que deviam fazer andarem todos de carapuça na cabeça.
Tudo isto vai mudar alguma coisa? As eleições alteram o que está mal? As esperanças de uns e as contrariedades de outros depararão com o assistir-se a continuar tudo na mesma?
Ainda será cedo para encontrar resposta inequívoca a estas dúvidas. E cá ficamos nós, portugueses, como sempre, a manter, ainda que com muito custo, a esperança no dia melhor que alguma vez virá. O que se deseja é que seja, connosco ainda vivos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

PENSAR



Deixem-me pensar, ter memória
E calar o mundo ao redor
Matutar na minha história
Quero silêncio por favor

Coisas tristes e coisas belas
Numa corrida infernal
Apressado ou com cautelas
Tal o trajecto afinal

Parar para pensar, que bom
Se somente a nós pertencemos
Não se escuta nenhum som
E névoas é o que vemos

Se tudo o que passou por mim
E que guardei cá bem no fundo
Teve um princípio e um fim
É porque se deu neste mundo

Morrer a pensar bom será
Sobretudo em coisas belas
Pois quem cá ficar ficará
A acender as suas velas

PAULINHO DAS FEIRAS



Tenho evitado referir-me neste meu blogue aos manos Portas, cada um situado no seu extremo político. E o motivo é simples: é que a consideração e amizade que mantenho com a sua Mãe, a economista e nisso minha colega – embora eu nunca tivesse exercido -, Helena Sacadura Cabral, não permite que eu me abra em considerações, ainda que apenas de aspecto político, sobre o modo de estar dos dois participantes em atingir a posição de chefe de um Governo de Portugal.
Vou deixar, por agora, Miguel Portas, pois que este não se tem defrontado com adversários nos frente-a-frente que se têm realizado nas televisões. Faço, pois, uma simples passagem, tão cuidadosa quanto possível, em relação ao presidente do CDS.
Tenho-me debatido comigo mesmo e até porque não obtenho em minha casa a concordância total com o que opino, no sentido de procurar ser o mais independente possível e não levar em conta as teses que são defendidas por este líder da Direita. Mas, já me coloquei, em mais de uma vez, na posição de oponente nos confrontos a que tenho assistido e, apenas com tal papel, não posso deixar de constatar que Paulo Portas, no aspecto de seguidor dos princípios democráticos, não conseguiu fugir da luta das palavras e do desrespeito pelo tempo concedido a cada um dos intervenientes. E já nem vale a pena apontar as caras que fez sempre que, no outro lado da mesa, surgia um ponto de vista com o qual não concorda e dos risinhos de gozo, de complacência, de desculpa a quem não sabe do que fala que se nota no comportamento do Paulo. Mas, há que dizê-lo, que, neste aspecto, pode ser feito o paralelo com o comportamento de José Sócrates nas mesmas circunstâncias, posto que este, também mau seguidor das regras democráticas, até na troca de palavras com Manuela Ferreira Leite, marcou claramente as formas de desatenção quanto ao respeito pela opinião dos outros.
A forma autoritária que cada um utiliza nos seus discursos não pode servir de padrão em democracia. Enquanto uns, poucos, são mais tranquilos a expor os seus pontos de vista, outros sacam de toda a força da sua voz para não deixar dúvidas de que o seu pensamento é o autêntico e não admite réplicas. Mas o que tem de ser criticado e é isso que faço agora é o ter sido utilizado o tempo que corresponde ao oponente para o desmentir, para expressar o contrário, para não o ter deixado ser dono do que lhe cabia nos minutos que lhe eram atribuídos.
Nisso, meu caro Paulo Portas, não posso deixar de o acusar de dar mostras de dificuldade em aceitar as regras democráticas e, por isso, eu recear que um mandato político que lhe viesse a calhar seria utilizado para não ouvir as opiniões dos outros, só aceitando as suas como as autênticas. E, nisso, já nos basta ter de suportar o José Sócrates.
Vou agora dizer uma coisa de que o Paulo provavelmente já nem se recorda: quando se foi oferecer ao semanário “Tempo”, para ali se poder estrear no jornalismo, ainda eu era seu Director Adjunto, deixei o chefe de Redacção Peixe Dias atendê-lo e dar-me depois uma opinião. Foi, de facto, esse profissional que contou muito para a sua entrada na Imprensa, pois eu, que já estava de saída para fundar outro semanário, “o País”, não quis interferir nessa tomada de posição. Mas recordo-me de me ter sido dito que o “rapaz que se propunha ser jornalista” mostrava um grande sentido de confiança em si próprio e debitava já muitas opiniões que lhe foi dito que era conveniente resguardar para si, se queria ser um jornalista com sentido de independência. Mais tarde fundou um semanário com um título que dizia tudo - o Independente” -, mas sobre essa característica não me quero pronunciar. É que o meu ponto de vista sobre a ética profissional do jornalismo já foi aqui expresso e julgo que os meus colegas sabem bem o que penso.
Desculpa-me, minha querida Helena Sacadura Cabral, se não me expressei em completa defesa da actuação do teu filho Paulo, mas eu adiei o mais que pude este comentário e quem se expões tem de se sujeitar às opiniões dos outros. Mesmo que não condizentes.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

DEIXAR ALGUMA COISA

Há quem não se preocupe com isso
que o depois não seja um problema
se a vida já é algo tão maciço
para que serve aumentar o tema
o depois pertence ao infinito
a esse campo do desconhecido
porquê então andar por cá aflito
se o que a vida dá é bem sabido
e chega p’ra ocupar atenção
façamos bem o que há que fazer
e deixemos a preocupação
de pensar no que vem após morrer
lá está a cova e um caixão
e se acabou é só esquecer
também há quem prefira a cremação
pois por cá há bastante que fazer
e não dar que fazer é o melhor
aos outros depois de dar a partida
seja qual o caminho seja qual for
não há volta é apenas a ida
o melhor p’ra eles é esquecer
a vida vai seguindo cá no mundo
por grande que seja o desprazer
porque afinal no fundo, bem no fundo
ninguém se lembra nem na nossa rua
pois o tempo é o melhor remédio
cada um cá na vida continua
para matar saudades e desgostos
porque também propriamente o tédio
é coisa que muito foge dos rostos
Vale a pena deixar alguma cousa
que depois já não estando por cá eu
não se sabendo onde a alma repousa
se no tal Inferno ou se no Céu?
Isso para todos que têm fé
que acreditam que um depois existe
conhecendo-me a mim José
por certo mostram um semblante triste

Porque todos os outros, a maioria
raramente o que fui recordam
estavam bem longe do que eu sentia
por isso também depois não discordam
essa a razão por que quero deixar
alguma coisa que dê a ideia
do que procurei ser e sem mostrar
o que ocupou uma vida cheia

Antes papeis jaziam nas gavetas
cheios de bolor, grande confusão
era no tempo do uso das canetas
quando ainda não havia a paixão
por internet e computadores
porque hoje fica tudo no disco
que conserva bem todos os labores
durante anos sem menor belisco
aí fica o que hoje produzo
à espera de mais tarde ser visto
a menos que surja algum intruso
que não seguindo as regras de Cristo
entenda destruir só por maldade
ou até nova ciência humana
a tecnologia d’hoje altere
reapareça outra traquitana
que nem disco gravado recupere

Mas não, há que manter a esperança
de que algo de meu sempre resista
e de que certa bem-aventurança
permita que seja feita justiça
e que daqui a anos, muitos mesmo
o meu nome passe a ser falado
que não como um qualquer aventesmo
jornalista, escritor, poeta honrado

A esperança é grande desidério
e o seu fim é só no cemitério

GAFFES



Já não nos devíamos admirar das “gaffes” cometidas pelos nossos políticos, por aqueles que são considerados os principais da cena que nos é apresentada permanentemente, pois aquilo a que nos é dado assistir só tem servido para, cada vez mais, perdermos a confiança no futuro aceitável do nosso País.
Ainda haverá quem tenha esperanças de ver Portugal ascender à fasquia dos menos mal situados no panorama europeu. E, por isso, considere que todos os avisos e até desconsolos que sejam evidenciados por compatriotas só representem falta de amor à Pátria. Pois eu entendo exactamente o contrário. Quando nós, em nossa própria casa, no seio da nossa família não somos capazes de reconhecer os erros que praticamos e avisar para procurar emendá-los, quando preferimos fingir que tudo corre bem e silenciar, nesse caso, digo eu, é que não contribuímos para que a situação se altere.
Lá ouvir os de fora apontar os nossos erros, isso é que custa. Ninguém fica agradado ao escutar um estranho indicar-nos os defeitos que temos. Mas se somos nós os primeiros a interferir para que as asneiras não se voltem a repetir, nesse caso é bom que isso se verifique.
Vem a propósito tal desabafo em face dos erros praticados pelos concorrentes às próximas eleições legislativas e, em particular, por Manuela Ferreira Leite, quando se referiu ao TGV e introduziu as relações nacionais com a vizinha Espanha no frente-a-frente que manteve com José Sócrates e em que deu mostras de uma agressividade aljubarrotista que já está completamente fora de moda há muito tempo.
É certo que a nossa situação financeira nesta altura obriga a que façamos bem as contas antes de nos metermos em dispêndios que podem aguardar por momento mais adequado. É o caso dos tais submarinos que devia calar o Paulo Portas quando ele surge a atacar os concorrentes na fúria eleitoralista que faz com que não se pense bem nos telhados de vidro de cada um. Mas, no que diz respeito a tudo fazermos para que não fiquemos acocorados nesta ponta da Europa, nessa situação, por muito que tenhamos que pedir mais emprestado, não podemos aceitar que nos assemelhemos agora à Albânia de que ainda nos lembramos, nesta ponta extrema da Europa.
E o TGV, não na ligação ao Porto, mas quanto a ficarmos em comunicação moderna com os outros países do nosso Continente, nesse aspecto não podemos hesitar.
É que não se trata de defender os interesses dos espanhóis, como afirmou a presidente do PSD, mas sim lutar abertamente pelo que a nós diz respeito, não só porque cria postos de trabalho essa abertura de portas à alta velocidade, como as infra-estruturas nacionais que têm de ser utilizadas representam dar que fazer à industria pesada portuguesa.
Levantar questiúnculas com os nosso vizinhos, numa altura em que o bom convívio constitui um imperativo de toda a família europeia, pois é com a união que todos poderemos lutar contra a crise que abalou e abala as economias não só do nosso Continente, mas também, tomar essa posição não representa uma medida ajustada à situação que se vive.
Esta “gaffe” de Manuela Ferreira Leite não deu votos à concorrente ao primeiro lugar nas eleições que se aproximam. E, se for o partido dela a ficar na primeira posição, como chefe de um governo terá que emendar a mão e justificar-se perante os vizinhos. A ver vamos!...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

APODRECER

Como ele passa, o grande atrevido
Nem nos dá descanso para pensar
O que fica p’ra trás cai no olvido
Tudo se conjuga no verbo amar

Mas esse tempo, o tão necessário
P’ra levar a vida que nos impõem
Acaba por ser enorme calvário
Da via que os outros nos dispõem

Tal como um verme, roe-nos e tortura
Vai corroendo a carne e a alma
Quase nos tira o que é bom de viver

E é do lado de cá da sepultura
Com o seu tempo e sem perder a calma
Que nós começamos a apodrecer


TODOS IGUAIS



Todos têm que se lhes diga. Uns são convencidos de que aquilo que fizeram foi tudo perfeito. Outros que o que propõem efectuar será o melhor para o País. Há os que repetem o de sempre, sem capacidade para acompanharem o evoluir do mundo. Da mesma maneira que deparamos com aqueles que gritam “eu quero”, como se fossem donos de tudo e todos, enquanto assistimos também aos que se baralham nas questões e têm pouca habilidade para expor os seus pontos de vista. Ao contrário, há os que se mostram muito explícitos e lá vão fazendo esforços para tentar convencer os mais assustados com as teses que defendem. Têm sido variadas as características dos vários concorrentes às eleições legislativas que estão à vista.
Há de tudo. Mas não assistimos à demonstração por parte de um só desses participantes a formar governo que tire as dúvidas quanto à dificuldade que vai surgir logo a seguir ao dia 27, isto em relação a reunir um consenso mínimo que lhe permita fazer funcionar um executivo. De igual modo, também não existiu oportunidade de constatar a existência de um só proponente que tivesse a coragem, para não dizer a honestidade, de evidenciar que não tem certezas absolutas e que, pelo contrário, será eventualmente com alguns erros que se conseguirá encontrar o melhor caminho para o Portugal que temos. E, quando os equívocos se praticam, o que há a fazer é reconhecer de seguida os erros e tentar emendar a mão. Isto ninguém é capaz de afirmar. É demais para o nosso feitio.
Como é sabido e disso tivemos larga experiência, em ditadura não há ninguém que se engane e que reconheça as faltas publicamente. E toda a população tem de aceitar e de bico calado. Agora, em Democracia, fica bem que, quem escolheu ou foi escolhido para exercer as funções de primeira figura, assuma os maus passos dados e o diga com clareza. Quando aparecer o primeiro a demonstrar isso, seguramente que obterá a maior simpatia por parte da população. Foi assim que Obama alcançou tanta popularidade, não só nos E.U.A. mas em todo o mundo.
Afinal, só temos cá 35 anos de regime democrático. É pouco. Serão necessárias, pelo menos, mais quatro gerações a viver nestas circunstâncias, com a pequenada a aprender desde o berço o que é respeitar a opinião dos outros, para sermos capazes de reconhecer os nossos erros e não pensarmos que a razão está sempre do nosso lado. Há que esperar!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

AGONIA


Os meus poemas são feitos com esforço
para lá mesmo do que posso
e insisto
e persisto
e quero convencer-me
que vale a pena.
É uma pena !
Não leiam, não,
faço questão
são um desastre.
Mas vou escrevendo
lá vou fazendo
e, se possível, com certa rima
que se aproxima
da perfeição
que é p’ra agradar
ao paladar
de quem os sabe saborear
devagar
p’ra não ter indigestão

Assim lá saem
maduros caem
triste figura
pobre do homem que não resiste
e que insiste
nesta falsura
de ser poeta
que é uma treta
digo eu, não sei,
se houvesse lei
que dominasse
e não deixasse
ser poeta quem não pode sê-lo
não estaria aqui a escrevê-lo,
e a lê-lo.
Poupava-os a este flagelo

Será que isso de ser poeta, cabe em mim?
Por fim !
Ou sou eu quem não cabe na poesia?
Que agonia !

POLITÓLOGOS



Esta designação apareceu recentemente para classificar alguns interventores opinativos nas televisões, sobretudo em relação aos confrontos que têm existido entre responsáveis partidários que concorrem às próximas eleições legislativas. Seguramente que a dúvida que eu levanto no que respeita a esta denominação dada pelas direcções televisivos também será levantada por muitos dos que seguem tais programas e que foram apanhados de surpresa com uma profissão que nunca foi utilizada entre nós.
Seja como for, esta ridicularia só poderia acontecer no nosso País, onde a política serve para tudo e existe uma camada apreciável de população que tudo faz para se situar nas redondezas dos partidos, na esperança de que possa surgir uma ocasião em que alguma migalha dos ganhos que se obtêm naquelas áreas possa saltar inadvertidamente para o seu colo.
Não teria excessiva importância que se tivesse inventado tal designação – que não consta em nenhum dicionário da língua portuguesa dos muitos que existem e que foram consultados quase todos, muito embora o sufixo de origem grega “ólogo” seja aplicado com justificação gramatical, como as palavras “homólogo”, “astrólogo” e outras -, se não ficasse nitidamente à vista que a razão por que algumas televisões as puseram nos écrans se deve ao simples facto de pretenderem justificar o motivo pelo qual pretenderam criar audiências com opiniões de conhecidos e desconhecidos e que aparecem para contribuir para causar ainda mais confusão nas cabeças dos cidadãos que, já por si, se encontram bastante baralhados.
E é pena que valha tudo para pretender mostrar que existem critérios honestos para ajudar a população a alinhar os seus pensamentos numa altura tão crucial como é esta de formar opinião no que respeita a colocar a cruz na lista de votos no próximo dia 27.
Isto de andar a insistir nas posições dos dois partidos mais conhecidos, o PS e o PSD, nas sondagens que garantem servir de orientação para os desnorteados, pode muito bem resultar, como já aconteceu antes, numa demonstração de que o povo não se decida muitas vezes senão na altura em que se encontra perante o boletim de voto.
Eu, por mim, continuo a insistir nalguma surpresa que pode muito bem sair no final da contagem. Que não vai aparecer um grupo partidário com maioria absoluta, por forma a conceder-lhe inteira força para formar Governo e que tenha capacidade para exercer a sua vontade sem o auxílio de um outro, quanto a isso julgo que não terão dúvidas nem mesmo os protagonistas dos referidos dois partidos. Logo, aquilo com que os portugueses se vão deparar é com o passo que são obrigados a contemplar a seguir a serem conhecidas as somas dos votos. E esse passo, seja para o PS seja para o PSD, vai criar muitos amargos de boca. Vão ser engolidos sapos vivos, como se costuma dizer. Aquilo que foi assegurado de que não seriam feitos acordos entre este e aquele, essa relutância em serem enfrentados juntos os problemas que, de outra forma, não têm forma de andar, isso vai cair no esquecimento. E o que os políticos melhor sabem fazer é olhar para o lado e esquecerem as promessas declaradas em período de eleições.
A ver vamos

domingo, 13 de setembro de 2009

ESFERA


Fala-se aí do futuro
do que vai p’ralém do muro
daquilo que não se vê
que hoje não está â mercê.
Daqui a mil anos, pois
do mundo nesse depois
bem se pode imaginar
e tudo fantasiar

Que o Homem, suponhamos
perdeu todos os seus ramos
desapareceu da Terra
a sua mão já não erra
e outros seres ficaram
e até se multiplicaram
libertos do ser humano
e de todo o seu dano

Ao deixar de haver humanos
desapareciam planos
aquilo que fosse, seria
com toda a assimetria
da força da Natureza
seria então a beleza
a nascer por sua conta
sem a mais plena afronta
de quem se julga melhor
e se arma em patrão-mor
de tudo à sua volta
causando a maior revolta
na Natureza calada
sujeita à mão desvairada
de quem de tudo é dono
e se arvorou colono
da Esfera terrestre, enfim
fazendo disso um festim

Quando o Homem for, em suma
o resto de coisa nenhuma
lembrança arqueológica
em que já não conta a lógica
talvez outra espécie venha
diferente, mas que tenha
um espírito melhor
eu seja mais consciente
que traga sempre na mente
defender tudo o que é belo
tratar com grande desvelo
aquilo que é natural
animal e vegetal
na terra como no mar
consumir sem desgastar
conservar o mais possível
mas sem chegar ao horrível
de extinguir o que existe
tornando a vida tão triste
já com tantas raridades
frutos das barbaridades
do Homem tão egoísta
e mais que o Papa, papista
. quem vier em seu lugar
que aprenda com todo o mal
que quem estava deixou
e a tristeza cavou.
Esta é uma esperança
de quem crê que a herança
que os terrestres vão deixar
a quem tomar seu lugar
daqui a miles de anos
já com distintos fulanos
com outra mentalidade
e plenos de puridade
aproveitando a ciência
mas usando-a com prudência
p’ra manter o Natural
entre Homem e animal
entre Homem e plantas
e muitas mais coisas, tantas.

Sim senhor, é optimismo
num futuro bem distante
pode chamar-se ateísmo
nenhum deus disse quejante
mas como este mundo está
a cair no precipício
o Homem já não vai lá
já nem vale o sacrifício

A Terra no infinito
ficará p’ra sempre à espera
venham outros com seu fito
dar à Esfera outra quimera

VOTAR, LÁ TEM DE SER!



Cada vez sinto maior dificuldade em optar pelo partido político que vai ser objecto da minha escolha no próximo dia em que, todos nós portugueses, temos obrigação cívica de não faltar na sala dos votos. E, ao assistir atentamente aos frente-a-frente que se têm realizado em diferentes estações televisivas, aumentaram ainda mais as minhas dúvidas. Não deparei, em nenhum dos participantes, uma posição que me desse confiança absoluta na sua capacidade de chefiar um governo em Portugal, particularmente nesta altura em que enfrentamos as maiores dificuldades de todos os tipos, com preponderância para a economia e para o social.
Aqueles que se mostram mais pretensiosos, com ar de serem sabedores absolutos daquilo que poderão fazer, que têm uma compostura que, em vez de atrair os eleitores, lhes causam alguma distanciação, que é o meu caso pois sempre me levantaram grandes desconfianças os que nunca se enganam e põem um ar de gozo aos que se encontram perante as suas afirmações, esses não conseguem chamar-me para colocar a cruzinha no seu quadrado. Os outros, ou apresentam dificuldades em expor os seus pontos de vista e baralham as explicações ou referem sempre o mesmo e não adiantam propostas que sejam claras para que o povo, mal preparado, sinta atracção por essa escolha.
Depois, e para mim o mais importante no meio de tudo isto, é que o partido – e, portanto, a figura que o representa – que vier a obter maior número de votos, nem que seja só mais um, se vai debater perante uma situação de enorme dificuldade em dar andamento àquilo que constituem ainda simples programas, propostas, intenções que, na maioria dos casos, são promessas que, mais tarde, não têm viabilidade de ser executadas.
Sendo assim, como é de esperar que venha a acontecer, dado que, perante a impossibilidade de dar andamento aos programas por insuficiência de posições partidárias no Parlamento, durante seis meses a seguir à data das eleições o Presidente da República não tem poder para dissolver o Executivo e, como a escolha para Belém que também se aproxima tira a possibilidade de Cavaco Silva ter idêntico gesto no prazo de seis meses antes da escolha para o lugar que ocupa hoje, tudo isso quer dizer que vamos enfrentar um período em que a governação de Portugal fica entregue à sorte, às disputas entre adversários políticos, a um marca-passo que, perante a urgência que tem o País em solucionar os inúmeros problemas que se foram amontoando desde há muitos tempos, será caso para nos irmos preparando para um futuro próximo que só servirá para nos afastar cada vez mais do progresso que a Europa tentará alcançar.
É pessimismo exagerado? Oxalá seja isso. Bem desejo estar equivocado neste juízo. Mas, como não tenho que dar satisfações a qualquer administração que comande este blogue, não hesito em expressar aquilo que me vai dentro e que, tenho consciência de que os portugueses fariam bem em encarar aquilo que pode muito bem suceder.
O confronto que teve lugar ontem, entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, ainda mais desconsolado me deixou. Ambos não adiantaram nada que sirva para efectuar a minha escolha. Foram iguais a si mesmos e não conseguiram convencer os que têm dúvidas. Irei votar nalgum deles? Provavelmente não, nem que seja para ver se alguma coisa muda!

sábado, 12 de setembro de 2009

ESTAÇÕES DO ANO


É bem certo que sim, todos sabem,
Que, qual relógio, o tempo corre
E que as quatro Estações todas cabem
Num ano que anda, nasce e morre

Com bastante frio surge o Inverno
E a Primavera chega então
Pois na verdade nada é eterno
Por isso, depressa, é Verão

O Outono sorri em beleza
Eis portanto as quatro Estações
Brindemos pela variedade

Saudemos os tons da Natureza
Afastemos as desilusões
E partamos plenos de saudade

AGRICULTURA PORTUGUESA



Quem, como sucedeu comigo, teve já a responsabilidade de fundar e dirigir uma publicação portuguesa dedicada à agricultura, com a qual desenvolveu uma luta profunda para que o nosso País procurasse sair da mediocridade de sempre no que se refere a modernização do sector, um jornalista, como foi o meu caso, que também se preocupou com esta tão importante área da nossa economia e produtividade, teve ocasião de aprofundar os problemas que, não sendo de hoje, são os que não deixam que Portugal, apesar das suas característica benévolas em termos de clima, se situe numa posição que lhe permita não se encontrar longe da média europeia.
É verdade que a distância geográfica que nos separa do centro dos países europeus, sobretudo no que diz respeito aos dois mercados agrícolas mais importantes ali situados, em Paris e Londres, não nos beneficia no caso da colocação das novidades temporais, em que conseguimos a antecipação de uma ou duas semanas em relação aos mesmos produtos prontos a comercializar. Mas isso não é suficiente para conseguirmos entrar na competitividade, pois que a quantidade nacional oferecida ao consumo não é suficiente para lutar com os preços conseguidos com as grandes produções europeias e até com as espanholas.
Logo, a possibilidade de Portugal se posicionar face ao mercado que pode absorver o que produzimos nos campos situa-se na área da qualidade excepcional que formos capazes de oferecer. E é aí que tem de ser desenvolvida a nossa agricultura de exportação.
“o País Agrícola”, que foi a revista que lutou pela actualização dos meios de produção da agricultura em Portugal, levantou repetidamente este problema e, através de múltiplas visitas dos agricultores portugueses que promoveu a Israel, onde o Estado dá enorme apoio aos seus cidadãos, no sentido de lhes prestar grande auxílio técnico, esforçou-se para conseguir transportar para cá o espírito que ali se vive e que é o da produção em conjunto – os “kibbutz” -, não tendo, no entanto, conseguido interessar o Ministério da Agricultura da época, que se comportou como que hoje está no lugar, pois que, da parte dos judeus, criou-se uma abertura de apoio que bem poderia ter sido aproveitada. E tudo ficou na mesma.
Levanto agora esta questão, pois os partidos políticos que se apresentam às próximas eleições, especialmente o CDS, têm insistido no acento tónico da agricultura portuguesa, mas não apontando para as soluções que poderiam servir para deixarmos a miséria agrícola que sempre foi o nosso fraco. E a solução assenta na necessidade de terminarmos de vez com as pequenas produções agrícolas – e aqui é ao contrário dos PME, que são as pequenas e médias empresas, o que é preciso é juntar forças – e, mantendo as propriedades nas mãos dos seus donos, no capítulo da obtenção de resultados nas culturas estes só são rentáveis quando são fruto de produção mecânica, actualizada e com recurso a pouca mão-de-obra.
Este resumo dá ideia de como, por mais anos e séculos que tivermos como Nação, não conseguimos aprender nada com os exemplos vindos de fora. E com a própria Espanha aqui ao lado, com os custos agrícolas mais baixos do que os nossos, graças às áreas trabalhadas, não aprendemos nada. Mantemo-nos fieis às enxadas, ao tractorzito, quando não é ainda à junta de bois, e ao produzirmos sem haver um estudo que indique onde se pode vender e quais as características que os mercados requerem para nos comprar. As Cooperativas Agrícolas que pululam por esse País fora, deviam ser reduzidas a um terço, com mais força técnica e com capacidade de efectuarem os estudos que o Ministério da Agricultura que temos, com os engenheiros engravatados todos sentados às secretárias, tem obrigação de realizar.
Mas isto não passa de sonhos de quem parece que não sabe em que País vive. Fomos, somos e, infelizmente, parece que vamos continuar a ser assim.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

CÍRIO

As lágrimas que correm neste mundo
A fome, a doença, os desgostos
Obrigam a que lá muito no fundo
Os homens escondam nas mãos os rostos

Sofrer é caos que ataca os mortais
Ricos e pobres, de todas as cores
É alguém que nos envia sinais
De que p’ra viver há que sofrer dores

É isso, a vida fácil não é
P’ra uns melhor, p’ra outros um martírio
Mas é quando se chega ao rodapé

Que já na fase final do delírio
Se toma consciência do que é
Quando então p’ra nada serve um círio

LIVROS ESCOLARES



Tenho em mente publicar um texto que pretende ser uma ideia a dar aos concorrentes às eleições autárquicas que se aproximam e, sobretudo aos que têm em vista a Câmara de Lisboa. Quem estiver interessado em saber o que penso sobre o assunto e a proposta que faço para vencer, basta dar passagem à ida às urnas legislativas, que é que interessa agora debater, e depois, se tiverem curiosidade para tanto e algum dos seus companheiros de luta lhes der notícia da novidade, o que é necessário é apenas consultar este blogue. E não pagam nada!
Mas, tendo visto todos os confrontos até agora realizados pelos vários proponentes aos lugares cimeiros da próxima legislativa, e analisando aquilo que cada um teve oportunidade de dizer perante as câmaras de televisão, não consegui descortinar uma única proposta que se referisse ao custo que as famílias têm de suportar com a entrada das crianças das suas famílias na escolas que se abriram nesta altura para o ano lectivo. Parece impossível que, sendo este um assunto que interessa a uma grande maioria de cidadãos que vão apresentar-se perante as urnas, nenhum dos partidos, todos eles carregados de cabeças ditas pensantes e actualizadas, teve imaginação suficiente para trazer à disputa aquilo que seria ouvido com a maior atenção e que, se trouxesse alguma solução para alívio dos pais, teria muitas hipóteses de influenciar na votação que vai ter lugar. Nem o CDU, sabido que, nos antigos países seguidores da política soviética, o custo dos estudos era de zero, quer quanto à frequência de aulas, em todos os escalões desde o infantil até ao universitário, e que os livros necessários para todos os anos eram emprestados, com obrigação de serem devolvidos em perfeitas condições, nem o Partido Comunista teve imaginação levantar este problema fulcral. E é triste ver como são supérfluos todos os políticos que andam por aí!...
Pois, o apoio às editoras de livros escolares, que obtêm grandes lucros com os lançamentos, todos os anos, de novos instrumentos de aprendizagem (ao contrário do que sucedia no meu tempo, em que havia obras que serviam para mais do que um ano), essa protecção não foi denunciada por nenhum grupo partidário.
Qual o motivo? E, por que razão, não surge uma proposta que vise criar condições para que os alunos sem meios possam utilizar toda a literatura que serve para alimentar os conhecimentos obrigatórios das aprendizagens?
É evidente que os fundos do Estado não dão para tudo, pelo que há que tomar opções. Mas será que um Governo que afirma tudo dever ser jogado na instrução da juventude, não encontra forma de reduzir gastos numa zona para investir noutra?
Não vou aqui, evidentemente, apontar onde se poderia cortar. Há muito sítio. E é por isso mesmo que me pergunto a razão por que não apareceu um único partido concorrente às legislativas que tivesse levantado este problema.
São estas situações que, embora não me retirem do meu dever de votar, me desconsolam e me fazem compreender que são uns bem piores do que os outros. Mas há que escolher!...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

VALE A PENA?

Tudo o que se faz nesta vida
os esforços, empurrões
os desgostos na corrida
até as desilusões
na estrada que sendo curta
leva tempo a passar
é coisa que se furta
a encontrar

Repetir
voltar a ter
bem gostaria de ouvir
pergunto a quem entender
qual será o porvir
e se já cá estiveram
uma vez
o que foi que fizeram
com alguma lucidez

Ninguém recorda
é verdade
e se tal tema aborda
só com dificuldade
lá convence os parceiros
de que por cá já passou
que algumas carreiras
também calcorreou

Se é certo
que o repetir
mesmo não tendo sido perto
há-de vir
em consciência plena
para perguntar
afinal valeu a pena
a esta vida voltar?

TOLERÃNCIA



É dos comportamentos mais difíceis de manter no dia-a-dia do ser humano. A compreensão das atitudes dos outros, o respeito pela maneira como cada um reage aos problemas que se lhe apresentam, o tentarmo-nos pôr no lugar dos parceiros para tomarmos consciência do papel que cada um desempenha perante uma situação concreta, essa é a tolerância que, com grande frequência, se constata que falta ao Homem, seja qual for a posição social que ocupe no panorama em que está inserido.
E, sem ser por acaso, quanto mais alta é a craveira em que se movimenta, mais destacada é a demonstração de intolerância que oferece ao mundo que o rodeia.
Os políticos, por certo nos regimes democráticos – porque nos outros nem será necessário referir – são os que mais se sobressaem na escala da não-aceitação das posições dos outros seus adversários, pois o papel que representam nas sociedades obrigam-nos a contemplar esses como sendo uns sem razão, uns inimigos que é preciso abater. Aí, a tolerância não tem lugar e nem se verifica qualquer esforço em se posicionarem do outro lado da barreira.
No fundo, a luta do Homem por lugares e posições que lhe possibilitam regalias e benesses, essa ambição, sobrenatural quando é desmedida, se entra no campo do “custe o que custar” não permite que seja efectuada uma paragem para reflectir, para serem encontradas formas de entendimento resultantes da compreensão mútua dos seus papeis.
Se a tolerância fizesse parte da relação de atitudes mais usuais, quantas indisposições seriam travadas a meio, quantas zangas não passariam de breves questiúnculas, até quantas guerras sangrentas que ocorreram pelo mundo não teriam ficado em soluções pacíficas por acordos.
A tolerância tem a ver e muito com a prática democrática. O não ter certezas absolutas, o procurar-se encontrar razões aceitáveis do lado a que nos opomos, o ser-se suficientemente humilde para reconhecer os eventuais enganos em que tenhamos caído, essa atitude de “dar a mão à palmatória” só contribui para que alinhemos na prática de não fazermos finca-pé naquilo que consideramos ser a “verdade absoluta”.
Dito tudo isto, vem-me à ideia um desabafo que alguém me largou uma vez, quando se falou acerca de outro que não tinha tido um comportamento muito recomendável. E, em forma de arrependimento, deixou registada esta frase de que não me esqueci durante largo tempo: “Pois é, eu fui tolerante com esse fulano… e bem me lixei!...”