terça-feira, 8 de setembro de 2009

NÃO VOU!

Não quero ir
não vou
não vou fugir
daquilo que sou
não me convencem
sigo o caminho
e não me vencem
mesmo sozinho
o que pretendo
é eu mandar
não me arrependo
se me enganar

Propósito ter
saber que sabe
tudo fazer
sem que se gabe
da posição
firme e tenaz
de ter razão
de ser capaz
de não perder
o pensar seu
e bem manter
o que sempre creu
isso é a força
da convicção
nada há que torça
tal posição

Afinal, eu que não quero
que estou bem seguro
e som tão severo
atrás do meu muro
acabei por ir
por ser convencido
até de fugir
sem soltar gemido

E por tudo isto
é que se conclui
está mais do que visto:
Fui !...

JORNALISMO INDEPENDENTE




Por mais que surjam opiniões diversas sobre o que cada um interpreta como independência jornalística, não é fácil chegar a uma conclusão que contemple todas as regras de uma autêntica independência de informação, posto que, queira-se ou não admiti-lo, enquanto os órgãos que servem para levar as notícias ao conhecimento público estiverem dependentes da sua aceitação por parte dos leitores, ouvintes ou espectadores dos vários meios que se utilizam, isto é, da difusão através da venda e, consequentemente, a publicidade que suporta os elevados gastos desses órgãos, enquanto os investidores tiverem de suportar as empresas proprietárias e, por isso, defender os seus interesses, face a essa verdade não é possível assegurar-se que um Jornal, uma Rádio ou uma Televisão não siga uma corrente política que constitua a garantia de manutenção de tal fonte de informação.
Evidentemente, no que diz respeito aos corpos redactoriais, estes, formados por escolha dos seus responsáveis, os Directores, ao aceitarem as condições que lhes são apresentadas pelas Administrações, não podem queixar-se de que existe um controlo interno no que diz respeito à orientação política que é transmitida para o exterior. E o mesmo sucede em relação aos jornalistas, pois que nenhum é obrigado a sentar-se nas secretárias redactoriais, sabendo de antemão que a linha de conduta imposta é uma determinada.
Depois do 25 de Abril, já houve em Portugal pelo menos um exemplo de jornalismo independente. E, por muito que me acusem de opinar em causa própria, não posso deixar de salientar neste espaço de que disponho agora, que o semanário “o País”, que fundei em 1976 e durou dez anos, que essa publicação primou pela defesa absoluta da não subordinação a qualquer orientação política e, embora com grandes sacrifícios, o não se ter sujeitado nunca ao poder do dinheiro.
Um Jornal que, apesar das aflições financeiras por que passou, conseguiu abrir e manter uma livraria de características culturais que marcaram uma era, que foi o primeiro semanário a possuir a sua própria fotocomposição e que, em certas tiragens, chegou a atingir os cem mil exemplares, como foi, por exemplo, o número em que se atreveu a entrevistar António Champalimaud, então emigrado no Brasil, e manteve sempre as suas colunas de Esquerda e de Direita, preenchidas por partidárias das duas frentes., um órgão destes tem de merecer o respeito dos que o conheceram.
Só que o povo leitor não dá grande valor a essa independência. As preferências vão, de uma forma geral, para os órgãos de Informação que se situam num lado ou no outro.
Quem me conhece, pessoal e profissionalmente, sabe que eu procuro sempre não garantir que estou do lado da verdade. Sempre andei à procura dela e as incertezas rodeiam-me permanentemente. Ter dúvidas não produz muita felicidade, mas dá, pelo menos, a consolação de não encaminhar ninguém para caminhos de que não se conhecem profundamente as saídas.
Democracia, sim. Pois sendo a menos má das políticas, terá, no mínimo a consciência de que não faz finca-pé numa determinada posição, deixando que as opiniões dos outros busquem também as suas soluções.
Só que o Homem, por natureza, por muito que afirme o contrário, não é grande amante da Liberdade de opinião. Gosta de se ouvir e de ser ouvido. Veja-se o que se passa por cá e o que, nesta altura de propagandas políticas, cada um grita, babando-se com as suas posições e atacando, a ferro e fogo, as que os outros proclamam.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

FUTURO

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro




HÁBITO



A vida é um hábito. Com a idade vamo-nos acostumando. Contrariados, muitas vezes, demasiadas, mas suportando o que o dia-a-dia nos reserva. Mas a esperança em alguma coisa de favorável, que valha a pena, a ânsia de que certos desejos se realizem, uma réstia de confiança em nós próprios, uma certa dose de optimismo dentro das dúvidas que sempre nos acompanham, tudo isso resiste à tentação de desistir, de não lutar pela mudança e o conformismo com o que temos e o aceitar-se que não vale a pena qualquer tentativa de contrariar o que se aceita resignadamente por ter sido marcado pelo destino, tudo isso é a sombra que nos faz companhia até ao resto da vida.
Porém, e felizmente, não será este o comportamento de todo o habitante do Globo. Há os que lutam, os que se arreganham, aqueles que teimam em não aceitar e também não desistem. Mantêm as paixões. Igualmente são os que se confrontam com mais desilusões, os que sofrem as consequências da sua rebeldia. Os que nunca se habituam ao que lhes calhou na rifa.
Os grandes gestos, as espectaculares descobertas, as obras de nomeada, todos os actos que ficam e ficaram marcadas historicamente resultam, quase sempre, de atitudes saídas da mediania, de passos dados fora dos hábitos. Foram os que não se conformaram que apresentaram resultados. E, algumas vezes que isso sucedeu no passado, foi paga com a vida a ousadia de terem saltado da carruagem do tido como correcto.
De entre os que não se aclimatam ao hábito de viver acomodados aos contornos do comportamento tido como recomendável, há os que dão nas vistas, que se movimentam, que mostram o seu desconforto, que atiram abertamente ao mundo as culpas de os não deixarem dar mostras do que entendem ser uma revolução para melhor do que é seguido obedientemente, e esses, ou acabam por ser ouvidos ou são escorraçados ridiculamente do meio em que se situam. E há os outros, os que não se dispõem a lutar na praça pública, os que não conseguem ter voz bastante para serem ouvidos, os que consideram que o ambiente que os rodeia não merece o esforço de tentar convencer e são esses, os que, em muitas ocasiões, só são descobertos muito mais tarde, geralmente depois do seu passamento, e nunca chegam a ver compensado o esforço que vão dispersando pela vida fora.
O exemplos dos dois casos não são assim tão raros. E a verdade é que, por esse mundo fora, sabe-se lá quantos génios se terão perdido, terão passado despercebidos, terão percorrido a vida sem o menor louvor ou reconhecimento.
No fundo, o Homem tem de ser, acima de tudo, atrevido. O seu valor conta muito, como é óbvio. Mas é a sua ânsia de saliência, a força dos seus cotovelos para afastar os que lhe fazem sombra, o não ter medo de se expor e a ausência de consciência das suas próprias limitações, tudo isso ajuda a sobressair dos tímidos e a ir ganhando suportes de outros humanos que acabam por ter inveja dessas características de líder… não de mais sabedor.
Na política, sobretudo aí, é que se encontram os que se sobressaem. Não são os que mais sabem que exercem os seus saberes, mas são os que melhor se adaptam às características da via que escolheram.
É uma injustiça, pois é. Mas é assim.

domingo, 6 de setembro de 2009

DESCONSOLADO

Aqui estou eu, desconsolado
a ver passar o mundo
à minha volta
sem que nele interfira
sem que o melhore
mas também pouco
o piorando.
Sou mais um
dos milhares de milhões
que por cá andam
a consumir o ar,
a água, o ambiente,
o espaço e que contribui para que o amanhã
seja muito pior,
mais escasso de tudo,
menos belo,
menos natural.

Aqui estou, enfastiado
já sem me importar
com o que vem a seguir,
com o que vai ser o futuro,
aquele que não me vai encontrar...
para me desconsolar

CARTAZES DE PROPAGANDA POLÍTICA



Isto da invasão de tudo que é sítio nos espaços públicos com fácil visibilidade com cartazes de propaganda eleitoral, sempre que se está em vésperas de eleições, sobretudo porque as facilidades que as leis concedem para o efeito são muito benignas para os nelas interessados, esta atitrude faz com que se assista a uma invasão de fotografias dos que pretendem mostrar-se, e, sobretudo, sejam apresentadas frases que nos deixam pensativos sobre a qualidade publicitária dos autores das ideias.
È que. não só que diz respeito ao lado estético, se tratem, quase todos, de demonstrações de mau gosto, sobretudo como mensagem convencedora de que vale a pena votar naquela figura, e, no que diz respeito ao slogan lá colocado, ainda pior disposição nos causa.
Não vou aqui deixar exemplos, dos muitos que poderia apontar, basta-me concluir que, nas fileiras dos partidos políticos que se acotovelam para competir, não existem cabeças que tenham um mínimo de capacidade para interpretar o efeito que causa nos passantes a visão global daquela propaganda.
É verdade que, hoje em dia, os produtos comerciais que recorrem a agências especializadas para conseguirem obter bons resultados de venda no mercado onde são distribuídos, pelo que assistimos nos anúncios televisivos não mostram capacidade para captar a atenção dos clientes. Por isso, o mesmo se passa com a propaganda política e aí, é pena, porque é o dinheiro dos contribuintes que está em causa, através das participações do Estado nos agrupamentos políticos que concorrem a eleições.
Não vou mais adiante. Nem vale a pena pôr mais na carta. Afinal será um desses partidos que terminará por obter mais votos e, por via disso, uma colocação prioritária na formação de Governo. E depois, é o que se sabe. São uma série de anos a aguentar com a mediocridade. E o País a sofrer as consequências. E os portugueses a marcarem passo e a verem os outros a progredir. E uns tantos a arrepelarem-se por não conseguirem um pouco de progresso.
Não, não é a Democracia que tem culpa disto. São os homens que, sendo seguidores dessa ainda menos má forma de politica ou, pelo contrário, preferindo os regimes de mão forte e violenta, que não são capazes, eem nenhuma circunstância, de saber conduzir a sua própria vivência e estragam sempre aquilo que, em princípio, serão boas intenções. O Homem é o maior inimigo de si próprio. E os defeitos que lhe estão incutidos na alma, a inveja, a vaidade, a presunção, são sobretudo estas características que fazem com que se sinta sempre com razão e superior ao próximo.
Os cartazes de propaganda eleitoral representam a demonstração de que todos os políticos gozam de prazer infinito em ver-se reproduzidos nesses painéis, em enorme formato, geralmente com um risinho cínico e, ainda pior, com uma frase geralmente estúpida, numa demonstração clara de que, se autorizou que saísse o que escreveram, então tem de ser qualificado com o que está exposto.
A mim, se os cartazes servissem para me aconselhar a escolher, não votaria nunca. E não é isso que eu quero fazer.

sábado, 5 de setembro de 2009

ÉTICA JORNALÍSTICA



O que se tem falado e discutido, ao longo destes dias, sobre a questão do afastamento de Manuela Moura Guedes do seu programa de Informação, surgindo perante as câmaras de televisão tudo que pretende ser sabedor sobre uma matéria que, digam o que disserem, se trata de algo especializado que os jornalistas, especialmente os mais antigos, é que podem ainda ter alguma experiência e debitar considerações com pés e cabeça, tudo isso, no que a mim diz respeito, não deve passar sem o mínimo de acréscimo que pode ajudar a fazer luz no que se refere a este tema.
Em primeiro lugar, atendendo à Lei mas, sobretudo, à ética profissional, o director de um órgão de Informação, enquanto a Administração mantiver nesse lugar quem lá se encontra, é quem tem autoridade absoluta para orientar o que se escreve e o que é transmitido ao público espectador, ouvinte ou leitor. O corpo redactorial, por sua vez, só tem de atender às directrizes e aos acordos que sejam recebidos e feitos com a Direcção e seus adjuntos. O direito que cabe a um jornalista, na circunstância de não se mostrar disposto a acatar as orientações que lhe sejam comunicadas na respectiva escala hierárquica, é apenas o de se demitir ou então sujeitar-se às pressões que sejam feitas.
Da mesma forma, um profissional do jornalismo que apresente aos seus superiores na Redacção uma notícia que levante dúvidas ou que implique um mau acolhimento por parte dos superiores hierárquicos do órgão, sendo-lhe pedido para identificar a fonte que deu origem a tal texto, a Lei também dá cobertura ao secretismo e permite que o portador da novidade oculte a origem do que é apresentado. A escala jornalística superior pode impedir que saia à luz o referido texto, o que não pode é aplicar qualquer tipo de penalização ao profissional que foi o seu portador.
Tudo isto é claro e não justifica movimentações de opiniões contrárias. Só que, evidentemente, quando se levantam estes problemas no interior dos órgãos de Informação, o ambiente já tem de ser excessivamente pesado, o que não é, de forma alguma, aconselhável que aconteça num local onde a criatividade tem de estar sempre fresca e pouco abalada por questiúnculas internas.
Há que dizer, no entanto, que, na actualidade, a interferência do chamado interesse financeiro, dos valores representados pelos proprietários dos jornais, escritos e falados, como também tem importância a área política em que os órgãos se situam, tudo isso pesa na orientação jornalística de tais veículos de Informação. É triste, mas é verdade. E, sobretudo, se a orientação jornalística do órgão colide com interesses publicitários de empresas cujo uso da sua imagem é de elevado valor, também aí, por vezes essa força pesa bastante e força a alterações de caminhos a percorrer.
Tendo o caso da TVI essencialmente na base deste conflito e, acima de tudo, o estilo da subdirectora de Informação e apresentadora do Jornal de sexta-feira, há que dizê-lo com total franqueza que a forma que Manuela Moura Guedes utilizava para efectuar entrevistas e para transmitir notícias, não assentavam no espírito isento e independente que deve caracterizar um jornalista que tem obrigação de não emitir opiniões no decorrer desse trabalho concreto.
Eu aprendi, há mais de cinquenta anos, que um entrevistador não deve nem pode misturar uma pergunta com uma opinião pessoal. Deve saber ouvir e, quando muito, apresentar outra questão que tenha como objectivo esclarecer a resposta que foi dada antes pelo seu interlocutor. E essa função é quanto mais difícil quanto maior for o desencontro de opiniões – no íntimo – que separe o entrevistador do entrevistado. Só que, do lado do que tem o encargo de dar respostas, não deve nunca surgir a suspeita de que o jornalista se apresenta como adversário das suas ideias e em contradição com os seus pontos de vista.
Isso, Manuel Moura Guedes, que, reconheçamos, nunca foi capaz de exercer o papel de jornalista, parece ter gozado sempre da protecção do marido, o recentemente saído director-geral da TVI. E esse lugar também lhe terá provocado um sentimento de mando que não se coadunava com o simples papel de directora-adjunta de Informação. Tudo isso lhe fez mal.
E depois, a circunstancia também de ter exercido, durante algum tempo, as funções de deputada pelo CDS no Parlamento – o que é uma actividade incompatível com a que exercia na TVI -, tudo isso só contribuiu para não lhe dar bagagem suficientemente sólida para se fixar com firmeza no papel de jornalista.
No fundo, todos procederam mal. A visada e a administração da TVI, esta sobretudo porque não foi capaz de entender que o “time” em que actuou com aquela firmeza foi o mais despropositado possível. Devia ter esperado pela realização das eleições no dia 27, por muito que isso lhe custasse.
Mas, aquilo que eu sei de José Luís Cébrian, o homem forte da Prisa espanhola, dona e senhora do comando da TVI e do grupo que tem a posição maioritária, não me causa admiração no que diz respeito ao mau passo dado. E foi pena que, aqueles que, do lado de cá, olham sempre com azedume as tomadas de posições de Madrid com relação a Lisboa, aproveitem esta ocasião para se regozijarem com a má intervenção dos vizinhos.
Vamos a ver como é que isto fica tudo. Mas, que José Sócrates, não beneficiará nada, na hora das eleições, com este passo de que até poderá não ter tido influência, lá quanto a isso tenho poucas dúvidas.
Depois falamos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

IMAGINAÇÃO


Eu sei que, à falta de outro atributo que me pudesse dar mais prazer e que tivesse grande utilidade, recorro ao que me assalta constantemente e que é a grande imaginação que preenche grande parte do tempo de que disponho. E, com ela, faço e desfaço, vou ao fundo dos problemas mais complicados, resolvo situações que, na vida prática, não encontram formas fáceis de ser solucionadas. É a vantagem de se ser muito activo, sentado numa cadeira.


Pois, uma das enormes dificuldades que se vai pôr aos habitantes da Terra, quando chegar o momento, vai ser o do excesso de população e, consequentemente, o da falta de géneros que sejam bastantes para permitir a subsistência dos que por cá andarem na altura.


Já me tenho referido a este assunto em diferentes ocasiões, mas basta recorer à matemática para analisarmos a questão. Se, no final da II Guerra Mundial, a população humana em toda a Esfera era de cerca de dois mil milhões de almas e, nesta altura, ultrapassamos já os seis mil milhões, isto quer dizer que, em cerca de 60 anos, triplicámos o número de viventes. E, embora a distribuição das gentes não seja a equivalente a todos os espaços ainda disponíveis, o certo é que, por preferência do Homem por zonas específicas, as enchentes verificam-se já aí, tornando asfixiante a acomodação de pessoas que desejem o mínimo de liberdade de espaço.


E é aqui que ponho a minha imaginação a funcionar. Se, em pouco mais de meio século, o crescimento da população foi de três vezes, o que poderá suceder lá para o início do século XXII? Três vezes seis mil milhões são dezoito mil milhões. Cabem neste Globo?


Claro que as áreas mais vazias de hoje têm de deixar de o ser nessa altura. A Europa, já super atafulhada de população, sobretudo devido à preferências das invasões por oriundos de outros Continentes, com as consequentes mudança da cor de pele e, de certa maneira, de religiões, já não irá ter capacidade para albergar mais habitantes. Por outro lado, embora a velocidade, sempre a aumentar, do transporte de bens de consumo desde a origem até ao seu aproveitamento, permita uma maior expansão do que se produz, seja onde for, só eventualmente a eventual descoberta de novas formas de alimentação permitirá que, quimicamente, se supram as necessidades de elementos fundamentais à vida humana. Imaginemos, pois. E, já que o saboroso pastelinho de bacalhau e um dos deliciosos doces de convento com que ainda hoje nos regalamos já não serão, admite-se, no futuro complementos da apreciação gustativa do Homem,. talvez a saída seja a de mudarmos também de sítio onde continue a existência, por exemplo a Lua ou Marte, planetas onde a falta de água que se sentirá na Terra lá não se venha a notar. Imaginemos!!!...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

INCENDIÁRIOS



Todos os anos sucede o mesmo. Não constitui qualquer surpresa constatar que são muitos os hectares de propriedades que ardem por esse País fora, restando apenas apurar os números para saber se a época que corre é pior do que o que passou. E contentamo-nos quando se verifica alguma baixa de valores consumidos, registando essa melhoria, por pequena que seja, como demonstração de que os incendiários foram mais benevolentes agora do que no mesmo período do ano anterior.
Também, perante iguais catástrofes que ocorrem noutros países, damo-nos por satisfeitos sempre que os elementos apurados se apresentam por lá mais drásticos do que aqueles que são aqui anunciados. E respiramos de satisfação.
No entanto, vale a pena pararmos um pouco para pensar nas características daqueles que são os causadores criminosos dos fogos que provocam as destruições de valores, campesinos ou até de residências, que se repetem de ano para ano. Quem e como serão essas criaturas? São gente nova, diz-se, alguns são até apanhados mas, de uma forma geral, não são divulgados os perfis de tais incendiários. E continua-se sem ter uma ideia do tipo de pessoas que se dedica a tamanha malfeitoria.
Já tenho procurado colocar-me na mente de tais arrepiantes criaturas, tentando apanhar as sensações do prazer que poderão sentir no momento em que se encontram a provocar o foco inicial do incêndio que se há-de estender pelo campo fora. Terá de ser forçosamente de noite, para não ser notada a presença, logo em plena escuridão. E, em tais circunstâncias, iria assistir ao alargamento rápido das labaredas que tinham nascido de um simples fósforo que aterá as folhagens secas. E, logo de seguida, a imaginação mandar-me-ia abandonar o local, indo-me colocar numa zona de observação para satisfazer a contemplação da obra executada. Mas sempre cuidando para não ser visto. Sendo possível, faço por repetir a operação a certa distância e em que a linha da zona a incendiar seja contínua, por forma a criar uma fronteira de fogo.
Que prazer que isso me daria! E, na manhã seguinte iria assistir à azáfama de centenas de bombeiros, às aflições e choros de habitantes a verem as suas propriedades já a arder ou em perigo de serem atingidas e despejando baldes de água como se isso servisse para resolver o problema, ao mesmon tempo que o ruído das sirenes e até a minha própria participação na ajuda da tentativa de extinção, tudo isso serviria para aumentar o cenário do grande e impressionante espectáculo de que eu tinha sido o produtor.
Mas, saindo de cena, deixando de me pertencer o papel de protagonista, coloco-me agora no lugar de puro espectador, tentando interpretar os sentimentos dos actores, sobretudo daqueles cujos papeis são os de maior relevo, como sejam os incendiários propriamente ditos. E, como admito que se tratam de jovens que ainda se situam na fase da experiência de vida (porque os casos de vinganças e confrontos pertencem aos mais velhos executarem), imagino que é o prazer da experiência que leva a praticar tais actos.
E é nessas circunstâncias que encontro mais facilidade em expor o motivo do prazer de assistir ao incêndio provocado. E mesmo que me custe chegar a tal extremo, sou levado a transpor o acto do incendiário ao de certa e excessiva juventude que encontra desmedido prazer em, através dos “sprays” de tintas de diversas cores, cobrir as superfícies, sejam elas quais forem, com o que resulta do seu espírito destrutivo. Tanto faz que sejam monumentos valiosos, de muita antiguidade, como placas indicadoras de informações preciosas aos cidadãos, de paredes, portas, traseiras de autocarros, tudo que receba essa tinta horrorosa para dar largas ao acto de selvajaria que existe no íntimo de muitos desses jovens.
Por muito que possa escandalizar os que cheguem a ler estas linhas, eu não consigo distanciar assim tanto a horrorosa atitude dos incendiários, dos destruidores de campos, florestas, arborizações, celeiros, currais cheios de animais, as residências dos que habitam por perto, com a forma de actuar dos que, nas cidades, sujam tudo, destroem coisas bonitas que os homens fazem para outros se deleitarem a contemplar ou para sua informação, só pelo simples prazer de encher de tinta e de escrevinhar frases sem sentido, ilegíveis, afrontosas quase sempre, inestéticas. Ambas as atitudes correspondem a um gozo lúgubre, a uma contribuição para um dia de amanhã pior do que o de hoje.
Cá por mim, essa camada de cidadãos, embora ainda não seniores, que nos torna mais negro o espectáculo do nosso dia-a-dia, não faz grande diferença uma da outra. Uns destroem, com prazer, o que a Natureza nos põe à disposição, nos campos, nas montanhas, nas aldeias. Os outros, também para seu gozo pessoal, conspurcam os locais mais habitados, nas cidades, nos sítios onde o Homem já empregou a sua arte e o seu saber, estragam o ambiente.
Causam-me fúrias os dois.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

SOCIALISMO OU CAPITALISMO?



Houve uma altura na História do mundo em que as posições políticas estiveram divididas em duas teses, uma, a do chamado lado ocidental, em que as competições se faziam (e fazem) com base na economia, no poder financeiro e, a outra, tendo o comando das operações nas mãos dos Estados super poderosos. Face ao princípio de que o Estado é o povo, logo os donos de tudo seriam as populações dos países onde o denominado comunismo imperava e impera. Foi assim, ao longo de muito tempo e permanece dessa forma, embora menos e com certa moderação, na actualidade.
Esta uma definição simplista, despretensiosa, a roçar a inocência, sobre o que constituem as duas maiores forças políticas que, na sua essência e sem mais pormenores, separam o que chegaram a ser dois blocos que se defrontaram e que ainda não mostram vontade de ser compatíveis.
O Homem, no decorrer de um século, com a sua imaginação prodigiosa e o requinte de certa malvadez que lhe vai na alma, foi introduzindo alterações, acrescentos, nuances que têm produzido desvios dos princípios rígidos originais e recorreu também ao que os gregos tinham experimentado, bastantes séculos atrás, servindo-se até da própria palavra original, a Democracia, com o fito de tornar mais credível a aplicação da liberdade de escolha dos cidadãos e, na área onde o Estado é quem mais ordena – mas aí, excluindo a opinião directa do povo – entendeu que essa tal opinião popular não tinha aplicação prática nos princípios marxistas implantados, para, no lado contrário, exactamente onde o capitalismo se impunha e os mais ricos é que dispunham da palavra de ordem, aí, como compensação, permitiu que todos os habitantes de todas as escalas sociais escolhessem quem queriam que os governasse.
Em princípio parece que tudo se processou ao contrário e ainda hoje se mantém essa forma de actuação política que contradiz as práticas económicas e financeiras dos respectivos países.
Do outro lado, o comunismo clássico foi-se desvanecendo em muitas zonas do Globo e o poder do Estado tem vindo a sofrer revezes que são difíceis de colmatar, a menos que se voltem a verificar revoluções semelhantes às que deram origem às mudanças forçadas dos sistemas políticos, vigentes até então, como, por exemplo, a que deu origem à implementação do marxismo-leninismo inicial, esta como exemplo mas a própria Revolução Francesa constituiu muito antes uma forma de modificar o que estava implantado até então como regime político.
O socialismo, a social-democracia, bem como outras formas deles descendentes, como a democracia popular, a frente unida, a Esquerda desta ou daquela maneira, a Direita mais arrogante ou mais condescendente, sempre criando a ilusão de que é o povo que escolhe a via por que quer optar, são formas políticas que, ainda hoje, se procura que se encontre a que será menos má.
Estamos, assim, a viver num mundo que, já no segundo milénio da história moderna, ainda anda à busca da forma ideal de governação, a que seja capaz de contentar a a maior imensidão possível de habitantes, que termine de vez com as misérias humanas, que reduza ao número moralmente aceitável os muito ricos e que dê protecção aos desafortunados, bem como aos que acabam de chegar a esta vida e os que se encontram na fase de despedida, ambos sem poderem, por si só, ter uma ambiente feliz.
Por fim pergunta-se: e existe a tal política ideal? Ela reside no lado do capitalismo selvagem ou do populismo que grita que é ele quem mais ordena?
O meio termo, dirão alguns que são sempre os defensores da teoria de que nomeio é que se encontra a virtude. Mas o ser humano contenta-se em não atingir o máximo? Sujeita-se a descortinar à distância o seu ideal e a não dar um passo para o atingir, mesmo que essa ânsia roube espaço ao outro participante?
Prefiro não emitir a minha opinião, sobretudo levando em conta a pouca ou nenhuma confiança que deposito no animal racional. Racional?!...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

UM PAÍS SÉRIO?



Um País a sério, como eu entendo que deve ser, é aquele que, entre outros factores dignos de servirem de exemplo ao mundo, tem como preocupação principal, para além de levar com eficiência a governação nas suas diferentes áreas, o defender os interesses dos seus habitantes até ao extremo das suas possibilidades. Um português, tanto em Portugal como em qualquer parte do mundo, que tenha um contratempo e necessite do auxílio dos seus compatriotas, deve ter confiança de que não lhe faltará o préstimo indispensável para se libertar da dificuldade em que esteja envolvido. E, tomando como exemplo o que ocorre com os americanos dos E.U.A., em que é conhecido que um súbdito daquela Nação nunca fica sem ajuda sempre que é tomado conhecimento de um problema que atravessa, chegando ao ponto de, caso seja imperioso, a sua Pátria toma o encargo de se encarregar do retorno do cidadão americano até à origem, custe o que custar, essa característica não é coisa que se verifique, nem de perto nem de longe, cá pelos nossos sítios.
Eu tenho um exemplo de que nunca me esquecerei. Vale a pena referi-lo. Uma vez que fui a convite do Governo indiano visitar aquele País e em que tive oportunidade de me deslumbrar com Goa, ali foi-me dito até por um padre que deveria ir ver o que estava guardado na cave de uma igreja que estava completamente em ruínas. E não me revelou o que ali ia encontrar. Fui, tive de me dobrar para atravessar a porta que estava meio desfeita e, no recinto apertado onde entrei, deparei com um espectáculo horroroso: uma série de 9 caixões, todos com a identificação nas tampas, por exemplo, com uma chapa em que estava descrito “soldado n.º tal, José qualquer coisa, Companhia tal”, e encontrando-se no chão espalhado, caído de um caixão que tinha rebentado, o esqueleto de um morto que pertencia àquele grupo.
Publiquei no meu Jornal, em “o País”, a reportagem da visita à Índia, dando conta de todos os pormenores, salientei o episódio do abandono da Pátria a esses soldados que tinham morrido ao nosso serviço no confronto com a tropa indiana, quando se deu a expulsão portuguesa dos territórios de Goa, Damão e Diu, e não aconteceu nada. Ninguém do Governo da época – e falamos nós agora do Executivo que temos nesta altura! – se preocupou em procurar saber pormenores sobre o acontecimento que tinha sido alvo do meu trabalho jornalístico. Por aqui se vê como interessa ao Estado Português o que os cidadãos do País precisam da sua Pátria quando enfrentam qualquer dificuldade, especialmente fora do País. E estejam eles vivos ou mortos.
O acontecimento ocorrido agora no Hospital de Santa Maria, em que vários doentes ficaram cegos ou com a visão muito reduzida, por culpa dos serviços médicos, seja por aplicação errada dos medicamentos ou fosse porque, já na origem esses remédios tenham sido fornecidos com rótulos errados, tudo estando por esclarecer como sucede sempre no nosso País, a verdade porém é que os chamados responsáveis governamentais não enfrentam como têm obrigação de fazer as situações que requerem a atenção particular do Estado português. O abandono, o deixar andar é o princípio que se segue. E os portugueses ficam sempre entregues a si próprios. Sem apoio. Abandonados. Que se desenrasquem!
Vamos lá ver se o caso morre assim, como tantos outros de que já nos habituámos, ou se sai ainda alguma determinação superior que, responsabilizando os culpados pelo grave acontecimento, não deixa de, pelo menos, indemnizar as vítimas, portugueses como nós todos, ainda que o vil metal não possam compensar suficientemente a perda de um bem tão importante como é a visão.
E vejam lá se algum partido político que vai concorrer às próximas legislativas levantou este problema e se insurgiu contra a indiferença com que tem sido tratado o problema. Claro, o PS fica mudo, mas e os outros?

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

MARCELO DISSE...



Se Marcelo disse, então está dito! Isto para repetir uma fase de um cronista social que pretende dar crédito às suas afirmações através desta afirmação.
Mas, de facto, na passada semana, na crónica televisiva que tem a sua assinatura, o antigo presidente do PSD e também antes jornalista, que começou já depois de eu andar há bastante tempo por aquelas fainas, a afirmação feita, a espécie de garantia que saiu da sua previsão quanto ao resultado das próximas eleições legislativas, em que só faltou garantir que os sociais-democratas sairiam com maior número de votos do que o segundo classificado, foi a de que o PS sairia derrotado e que cairia nas mãos do PSD o encargo de formar Governo. Mas, claro, este sem maioria absoluta.
Posto isto, previsão que eu não desdenho se bem que não despreze a possibilidade de os portugueses virem a deparar com alguma surpresa por parte da Esquerda, o que parece vir a ser um panorama para que todos devemos estar preparados é o de, perante as dificuldades de governação que surgirão face aos resultados que venham a ser obtidos, não ser possível dar andamento aos actos governativos que serão essenciais para serem cumpridas as regras mínimas de conduta de quem tem de decidir, sobretudo a ausência de apoio parlamentar, e, nestas circunstâncias, cumprindo-se os prazos previstos na Constituição, serem obrigados os vencedores sem força a depor a batuta e a entregarem ao Presidente da República o encargo de resolver a situação que, como sucedeu já antes, terá mais de uma forma de tentar o equilíbrio político.
Mas não. Eu não faço esta afirmação dando garantias de que nunca me engano e se fui eu que disse, então não há que replicar. Agora, que as próximas eleições vão mudar muito o panorama político que se tem vivido em Portugal, lá isso parece-me que não andarei muito longe da verdade.
No que diz respeito a José Sócrates, o seu período de detentor da certeza absoluta está a terminar e, por certo, o povo deste País não quererá voltar a encontrar alguém minimamente semelhante a esta figura política. E é pena, porque, no fim, quem perde é o Partido Socialista que, apesar das más imagens que tem dado com os elementos ministeriais, por escolha deficiente do seu responsável, a posse da chefia de um Governo nas mãos de vários dos elementos de valor que existem no Rato, constituiria a maneira de evitar os conflitos que se aproximam e de que Portugal necessita não ter de confrontar, sobretudo nesta altura em a tal crise económica, social e financeira que nos apanhou também não podr ser resolvida.
Haja paciência e fé. Que é o que nos tem valido, não digo salvado, mas valido, pois umas rezas e uma idas a pé a Fátima, se não resolvem os problemas, pelo menos disfarçam-nos.

domingo, 30 de agosto de 2009

GREVES E ETC.



Era só o que faltava nesta altura, a um mês de eleições e em pleno momento de dificuldades de toda a espécie, económicas, financeiras e sociais, para além do problema por ventura mais grave que é o do desemprego que grassa pelo País inteiro. Pois, com este panorama, os funcionários da TAP entenderam efectuar uma greve e provocaram com isso o que sucede sempre em tais circunstâncias: a paralisação e o atraso do movimento aéreo daquele empresa e a má imagem que se transmite a todos os viajantes que utilizam a nossa transportadora aérea.
Não vou aqui analisar as razões que os sindicatos utilizaram para fomentar tal paragem de actividade. Poderão existir razões que ajudem a compreender o descontentamento dos trabalhadores, quer os dessa companhia quer os da sua associada que tem a responsabilidade de dar caminho às bagagens dos passageiros, as Groundforce. O que os portugueses, de uma forma geral e sem estarem subordinados a uma qualquer força política que se encontre sempre aliada dos movimentos grevistas, devem pensar nestas circunstâncias é que, se pedissem aos desempregados nacionais para serem admitidos em qualquer das duas empresas agora em litígio com os trabalhadores, uma esmagadora maioria nem olharia para trás e correria a pôr-se ao dispor fossem quais fossem as condições apresentadas. Logo, para substituir os grevistas, formar-se-ia certamente uma fila de cerce de 500 mil desocupados, que nem precisavam de saber quanto iam ganhar e que cargo lhes era oferecido.
Não se trata de dar a ideia de aproveitamento de situações precárias de centenas de milhar de portugueses sem trabalho, mas sim de chamar a atenção para o momento mal escolhido para que saltem exigências daqueles que estão empregados e sem perigo de ficarem na rua, pois há alturas para tudo e, na actual vida de Portugal, só dirigentes sindicais bem protegidos pelos lugares que ocupam e em que se mantêm, alguns há muitos anos, só esses é que impulsionam os trabalhadores a arriscarem-se e esse risco pode chegar a fecharem empresas e a tudo ficar pior do que antes.
Devo esclarecer que, sendo a greve um direito que pode e deve ser praticado com razões positivas nos países democráticos, qualquer grupo empresarial está sujeito a aceitar negociações de molde a tentar resolver descontentamentos que surgem do seu quadro de trabalho. Mas, quando uma firma se encontra em perigo de falência, de fechar as suas portas por maus resultados que esteja a obter, por sua culpa ou devido à conjuntura, nesse caso provocar greves representa a forma de dar o golpe final no que ainda possa ser salvo do pior.
Pelo menos, neste caso da TAP, chegou-se a um acordo entre as partes e a greve foi ultrapassada. Durou um dia e já foi muito. Oxalá todos tenham aprendido alguma coisa com o susto que pairou sobre as cabeças de milhares de pessoas que dependem da companhia aérea. E os passageiros que não viram chegar as suas malas nos respectivos destinos dos voos, esses terão que encolher os ombros. São as coisa que acontecem em toda a parte, mas que nesta altura não seria tão esperada.

Confesso que, com o calor que tem feito e que nos assusta se pensarmos que este fenómeno vai ter influência na falta de água que se pode verifcar, tem me retirado a vontade de preencher o meu blogue. Também, apesar dos tempos não estarem para tal, sempre se verificam as fugas para férias e nem apetece sequer ouvir as acusações dos políticos, uns aos outros, não surgindo que seja capaz de pôr de parte os ataques aos adversários. Estou farto!....

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

TER PRESSA


Que pressa que eu tinha
quando comecei
faltava-me o tempo
não dava para descansar
os planos eram muitos
a ambição desmedida
o desejo de fazer tudo
de não deixar nada a meio
roubou-me a juventude
retirou-me a alegria

E muita coisa fiz
até demais
mal tinha acabado uma
já estava metido noutra
não parava
lutava contra os desconsolos
ia à frente dos acontecimentos
não respirnva
os projectos sucediam-se
muitos tinham pernas
outros não

E os anos corriam
outros disseram
que eu não era deste tempo
que andava demasiado à frente
que tinha razão
mas antecipadamente
o que queria dizer que deveria esperar
sentar-me a ver o mundo avançar
e só depois actuar
na hora apropriada

E para quê tanta pressa?
Quem ganhou com isso?
Eu?
Não creio, não dei por isso
não deparei com qualquer vantagem
não beneficiei
só me cansei
e o mundo não deu por nada
nem reparou
tinha mais que fazer
do que perder-se com ninharias
havia outros que interessavam mais
que davam nas vistas
que faziam ruído
esses interessavam

Passados todos estes anos
chegado aqui onde estou
olhando para trás
tenho de conformar-me
que dar razão aos que não deram por mim
que não encontraram motivo
para reparar
no que um qualquer
se teria esforçado por fazer
e que se perdeu
no meio da azáfama
dos milhões de cidadãos
que enchem este mundo

Que me resta?
Aguardar pela partida
e ficar quieto
conformado
não culpando ninguém
e só me culpando a mim
por não ter escolhido outro caminho
que, mesmo sem me satisfazer,
chamasse mais a tenção
e não desafiasse os invejosos

Estarei conformado
por fora
pois, por dentro,
ninguém dá por isso









ÉTICA, QUEM A TEM?


O ter aparecido Luís Marques Mendes, antigo presidente do PSD e agora fora da actividade política, a falar para uns alunos de uma faculdade mas tendo tido grande repercussão junto da comunicação social – provavelmente porque foram montadas as antenas para estarem presentes jornalistas -, tendo batido na tecla da ética política, como sendo algo que falta em demasia na prática dos actuais participantes nacionais nessa área, essa tomada de posição leva-me agora a atacar tal tema e a relacioná-lo com o comportamento dos cidadãos em geral, sem especificar as suas características de actividades.
De facto, referir a ética apenas no que respeita à aérea da política é restringir demasiado a sua prática, pois que, no que respeita a cumprirmos as regras éticas, nós os portugueses, somos avessos a seguir normas que digam respeito à correcta actuação, respeitando princípios e apelando sempre à tentação de ter presente a tendência de improvisarmos e de seguirmos a intuição, mesmo quando depois verificamos que saiu errada. Veja-se o caso das obras, públicas e privadas, que se efectuam em Portugal, de Norte a Sul, em que prazos nunca são alcançados e os custos ainda muito menos. Aí, a ética de serem cumpridos estudos profundos antes de terem início as actuações dos operários e de ficarem devidamente apurados os preços imaginados e mal calculado, bem como as datas dos respectivos términos, tudo isso é devido à ausência completa da tal ética.
Mas será que, na Educação, na Justiça, na Saúde e em todas outras áreas da vida de um País, a referida ética está sempre presente nos que têm a responsabilidade de gerir com competência este Portugal?
E, de uma forma geral, os portugueses, cada um na sua área de actuação e no comportamento social tem presente, sem falta, a ética que deve conduzir os seus actos?
Ponhamos a mão na consciência e olhemos para o lado, sem deixar de pôr também a vista no nosso próprio comportamento e sejamos sérios. Quando andamos a pé mas, sobretudo, quando conduzimos uma viatura mecânica, temos sempre a preocupação de cumprir as regras que podem evitar empurrões e acidentes ou, no mínimo, que os outros apanhem uns sustos? Aí a ética está presente?
Poderia aqui enumerar uma lista infinita de provas de como os cidadãos, no nosso caso os portugueses mas, olhando mais longe, os habitantes do mundo, e isso perdoaria, de certa maneira, os políticos, pois eles saem da massa daquilo que somos todos e não é pelo facto de se terem colocado numa profissão que lhes dá a ideia de serem melhores do que os outros, não é por terem seguido essa via que a ética não é utilizada.
O ser humano precisava de fazer um profundo exame de consciência para tomar conta dos infinitos males que praticam e, sobretudo, desse enorme pecado que é o de estarem a destruir todos os dias este Planeta em que vivemos. As crianças de hoje ou até os seus descendentes pagarão a falta de ética que todos nós, políticos à frente mas todos os outros habitantes mundiais, estamos a praticar.
Já me tenho referido aqui à falta de água que vai acontecer dentro de algum tempo. Pois, nesta altura, a nossa televisão já está a anunciar a necessidade de serem os bombeiros a abastecer diariamente os habitantes de duas zonas de Portugal, pois os rios que ali passam estão secos, devido às suas nascentes serem em Espanha e a sua água não chegar a terra lusa. É falta de ética que resulta em falta d água!
Vem agora Marques Mendes falar de ausência de ética na política! Como se em todas as outras áreas ela existisse!...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

RESPONSABILIDADE


Os portugueses poderão vir a ter nas mãos a possibilidade de contribuir para participar na remodelação de um País que necessita que se encontre a solução para resolver os graves problemas que atravessa e que, mesmo sem necessidade de se ser muito pessimista, se situam muito distantes de poderem ser ultrapassados.
Mas eu clarifico melhor esta afirmação: com as eleições legislativas à vista e após um período em que o Governo que se encontrou a actuar não deu mostras de ser capaz de solucionar os variadíssimos problemas que se nos depararam, quem convive com a população no seu dia-a-dia, coisa que não acontece àqueles que se sentam nos cadeirões dos poder, sabe perfeitamente que o descontentamento é muito maior do que os que dão ares de se encontrarem conformados com aquilo que somos e com o que fazemos.
Por esta amostra empírica, não é difícil adiantar que os portugueses, de uma forma bem geral, não se mostram dispostos a querer repetir o que lhes foi proporcionado ao longo dos quatro anos com os dias contados. Logo, em termos de percentagem, não será muito difícil antever que bastantes por cento não deitarão o seu voto com a cruzinha no PS. Que é como quem diz, no José Sócrates.
A dúvida surge, porém, quanto à opção que os nossos compatriotas encontrarão para substituir aquela escolha antes feita, no que resultou a maioria absoluta que foi tão mal aproveitada. No que a mim diz respeito, não me atrevo a dar conselhos, pois bem gostaria eu de ter confiança em qualquer dos grupos partidários que se apresentam perante o eleitorado, se bem que tenha as minhas preferências, pois em branco é que não fico e faltar com a minha presença nas bancadas eleitorais também garanto que não ocorre.
Claro que faltam uns dias largos para a data da nossa tomada de posição e até lá ainda ocorrerão alguns frente-a -frente em que os propostos falarão o que entenderem e, da nossa parte, só é necessário conseguir distinguir as promessas exequíveis das que não passam de mentiras claras. Para já, os milhões que serão gastos com a promoção dos vários partidos, especialmente em cartazes que, no meu entender, constituem a primeira “burrice” dos que comandam essas propagandas políticas, pois não é por aí que os cidadãos fazem as suas opções tratam-se de um dinheiro inteiramente deitado à rua. E por aí se pode aquilatar a qualidade de vários dos responsáveis pelos agrupamentos partidários.
Seja qual for o resultado das eleições, o que é possível antever nesta altura é que uma maioria absoluta de qualquer partido não será conseguida. E como já foram tomadas posições de não junção de forças daqueles que seria mais natural conseguirem uma soma com capacidade de dominar a Assembleia da República, o mais provável será que o Governo que sair em Setembro não terá capacidade de tomar conta da direcção do Estado que somos e do estado em que se encontra.
No que diz respeito aos partidos de Esquerda assumida, se acontecer por cá o que já ocorreu noutros países, pode daí surgir uma surpresa. É que, esses agrupamentos que, nas oposições, dão mostras de excessivamente dogmáticos, ao chegar ao Poder diminuem tais características e optam por posições mais moderadas. Quem sabe o que poderia suceder por cá?
Vamos continuar a falar disto .É tema que não se esgota, nem antes nem depois. O que sim, se esgota é a paciência.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

ROUBALHEIRAS



Nunca assistimos a tantos roubos, assaltos, formas cada vez mais sofisticadas de retirar ao próximo o que lhe pertence como nos tempos que se atravessam. Ladrões houve em todas as épocas. Gente que encontrou forma mais fácil de conseguir dinheiro através da apropriação daquilo que não lhe pertence do que obtê-lo através do seu próprio trabalho foi maneira que o ser humano, provavelmente desde o seu aparecimento, milhões de anos atrás, descobriu. Só que, com os tempos, essa brutalidade tem vindo a crescer e a refinar-se, ao ponto de, nos nossos dias, não se tratar somente do arrancar alguma coisa das mãos do seu proprietário, de roubar para matar a fome, de melhorar da vida miserável que se leve através do que se retira a outros. Não, não são só os mais pobres que se defendem da má vida que levam… isso era antes!
Porque hoje, embora com nomes diferentes, com técnicas apuradas, usando meios que até obtêm nomes específicos, como seja o tal dos “colarinhos brancos”, usurpar valores que não deviam estar ao alcance dos seus novos proprietários, isso já é forma corrente em todo o mundo e, de uma maneira geral, poder-se-á afirmar, sem grande margem para erro, que os muito ricos assim se encontram porque ou eles próprios ou seus progenitores e antepassados, usaram meios que lhes permitiram alcançar fortunas e as deixaram para os que vieram depois na sucessão da família. A História está cheia de episódios que atestam estes factos.
Mas o que se trata agora é de referir os roubos que se praticam nos nossos dias. E isso deve-se, em grande parte, à situação social de muita gente que, sem emprego, alguns, e com pouca vontade de o ter, outros, as condições que o ambiente lhes proporciona leva-os a uma primeira experiência e, obtendo sucesso, a repetir depois a proeza. E assim nascem os grupos que, normalmente em bairros ditos problemáticos, criam as condições para actuar em conjunto. E como o sistema judicial no nosso País é aquilo que se sabe, a vergonha que ninguém é capaz de solucionar, e as cadeias também só servem para apurar ainda mais os que lá entram, nem sendo muito largo o tempo em que lá se encontram, tudo isso proporciona as condições para, cada vez mais, estarem os cidadãos bem comportados sujeitos a tantas malfeitorias.
Por cá temos as nossas razões de queixa, mas a verdade é que se trata de um mal generalizado por toda a Esfera terrestre, nuns locais mais e noutros um pouco menos. É verdade também, que, nos países onde o regime é de apertada ditadura, por vias da actuação das polícias que são sempre severas, as actuações dos gatunos são mais reduzidas, pelo que se fica a pensar se é melhor viver em regimes autoritários ou se, apesar de tudo, a Democracia é o que se deseja. Eu, por mim, escolho a Liberdade com boa Justiça. Se não for pedir muito!
Agora, aquela roubaria que em Portugal já se tornou uma vulgaridade, em que os milhões são extraídos nos mais altos postos e com um descaramento que nos deixa a todos banzados, essa, num País pobre como o nosso, é que deveria ser, de uma vez por todas, erradicada, nem que fosse necessário arranjar uma cadeia própria, com todas as comodidades e bons serviços, mas em que os “moradores” teriam que entregar à entrada, os vastos milhões que meteram ao bolso por formas ilícitas.
Mas alguém, com poder, teria coragem para tomar essa decisão? Duvido. Se nem a “roubalhice” rasca é tratada com a devida competência, dentro das regras apropriadas aos países civilizados, muito menos somos nós por cá capazes de meter na ordem esses espertalhões que, na alta finança e na política privilegiada, metem ao bolso valores fabulosos que, vagamente referidos nalguma comunicação social, acabam sempre por cair no esquecimento e partir para outra… E qual crise?...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

ALENTEJO QUERIDO



Estive três dias em Elvas, a convite de uma amiga que tem ali um monte que é uma delícia, dessas coisas que ainda existem em Portugal e que são cada vez mais raras, pois muitas das belezas alentejanas que, durante muitíssimos anos, eram ignoradas pelos portugueses e que, a partir de certa altura, os espanhóis as descobriram e até outros oriundos de diversas nacionalidades, por lá se instalaram, a ponto de hoje começar a ser proibitivo adquirir nessa zona um cantinho que nos recompense da balbúrdia das cidades, sobretudo de Lisboa.
Eu, por mim, fico muitas vezes a pensar nas razões que levam ainda bastantes dos nossos compatriotas a procurar locais para férias por esse mundo, sobretudo desconhecendo o que ainda resta por tantos sítios portugueses que merecem bem ser visitados e procurados como regiões de descanso. Bem sei que esta minha opinião resulta do facto de, por consequência da minha profissão de jornalista, ter visitado 64 países, o que me retirou a ânsia de andar por esse mundo à busca de descobertas, e exactamente por isso, não deixo de, nesta altura da minha vida, ter reduzido o interesse em viajar à tripa forra. Os meus apetites nesta altura reduzem-se a ir à busca, em Itália, daqueles locais maravilhosos que se encontram inesperadamente quando se faz uma visita de carro – e que eu, apressadamente, encontrei muitas vezes sem esperar, e também passar uma semana em Viena de Áustria, quando ali se realizam os grandes concertos a propósito de aniversários de grandes compositores e em que o ambiente que se vive é de completo transporte a épocas passadas.
Mas volto a falar do nosso País e não posso deixar de criticar figuras políticas que surgem frequentemente nos noticiários que, em lugar de darem o exemplo, permanecendo por cá durante as suas férias, escolhem sítios no estrangeiro. Sócrates, claro, está incluído nesta crítica, mas nesta altura é bem melhor não referir o primeiro-ministro que, em breve, terá que enfrentar uma luta política que não o deixará descansado.
O Alentejo, sem desprestigiar outras províncias nacionais que também merecem a preferência dos portugueses, é uma das regiões que, nos tempos passados, antes e durante a ditadura, tanto sofreu com o abandono e com a fome que ali grassou largamente, merece agora ser preferido por aqueles que desejam descansar das labutas do trabalho nas cidades. Sobretudo Lisboa.
Aqui deixo o meu conselho. E, se outras coisas não houvessem que dão razão à escolha que indico, a sua gastronomia é uma bandeira que deve ter honras especiais para consolar os visitantes.
Os dias que ali passei, longe do computador e das notícias que só servem para nos criar tormentos, não foram excessivos, antes pelo contrário. Mas, pelo menos, criaram um certo ânimo para voltar ao quotidiano citadino.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

IBÉRIA Á VISTA!...



Esta paragem que eu fiz não durou muito tempo. Surgiu-me logo a vontade de debitar um trecho que tem a ver com o estado em que nos encontramos e com as férias que, tranquilamente, o País goza como se não se atravessasse um período em que as condições de vida não fossem das piores com que já se deparou em Portugal, pelo menos no período da Democracia. E, sobretudo com o mês de Setembro à vista e, portanto, com a data em que se vão realizar as eleições que apresentarão o que se vai seguir no que diz respeito a Governo da Nação, nesta tranquilidade aparente em que nos encontramos há tempo para, conscientemente, aqueles que ainda haverá, cada vez menos, se anteciparem ao que sairá dessa escolha do povo.
No que se refere a José Sócrates, é verdade que o homem contou com condições que lhe permitiram deixar uma obra capaz e, se não tivesse deparado com uma crise económico, financeira e social que, por sinal, atingiu todo o mundo, poder-se-ia dizer que o chefe do Partido Socialista foi um sortudo no capítulo das condições de que dispôs, desde uma maioria parlamentar que, com os seus defeitos, é a maneira mais tranquila de exercer o poder
sem contrdições. Só que, por não caber a Sócrates a qualidade de saber ouvir e de ter a modéstia suficiente para seguir os conselhos daqueles que, mesmo situados nas oposições políticas, até por isso muitas vezes prestam indicações que podem ser seguidas, nesse particular o chefe do Governo pecou sempre pela arrogância e por considerar que a razão se encontra permanentemente do seu lado. E, neste aspecto, cometeu demasiados erros e perdeu uma legislatura em que se poderia, apesar das circunstâncias desapropriadas, ter avançado alguma coisa, em vez do que se perdeu ao longo de quatro anos e meio.
Face às críticas que, de todos os lados, surgem em relação à sua actuação, não é de crer que José Sócrates consiga renovar uma posição semelhante à que teve ao seu dispor no decorrer da governação que ainda se encontra em fase de despedida.
Eu, por mim, lastimo que o País tenha desperdiçado um período que, nos tempos que se avizinham, se constatará que vai fazer muita falta quanto ao esforço que tem de ser feito para não nos atrasarmos ainda mais da média de vida dos outros países europeus. E esse atraso em todos os campos ir-nos-á conduzir a uma cada vez maior dependência das nações que, também sofrendo os efeitos da tal crise, mesmo assim começam agora a dar mostras de que já deram início ao sacudir os efeitos de tamanha maleita.
Não vou persistir na tese que, apesar das realidades de vida com que nos deparamos, o caminho que seremos forçados a seguir tem a ver com uma harmonia económica que eu chamo, há muitos anos, de Comunidade Ibérica. Nunca fomos capazes de ter a humildade de reconhecer que a união faz a força. E que, sem Portugal perder a mais pequena característica das suas gentes e da sua História, sobretudo da sua língua e da lusofonia que constitui uma riqueza que nunca ficará pelo caminho, a força económica que resulta de uma parceria de que a Europa, sobretudo a França e a Grã Bretanha, nunca mostrou agrado, se isso vier a ser levado em conta, então talvez o caminho que temos de passar a percorrer se apresente muito mais facilitado.
Já sei que surgirão, de novo, alguns comentários anónimos que, com uma linguagem dos que não têm argumentos para discutir um problema com serenidade, e em que os aljubarrotistas se enfurecem com tal passo. Mas o futuro dirá se, na verdade, não existe outra saída para a Península Ibérica, para os dois países, que não seja a tal junção de forças.
O resultado das eleições que se aproximam dirá se o que se vai seguir a José Sócrates trará a solução para os graves problemas que nos não deixam ocupar o lugar de parceria com os restantes países europeus? Por mais optimista que deseje ser, eu, por mim, infelizmente, não acredito nessa eventualidade. Atrasámo-nos em demasia e só um milagre conseguirá poder fazer com que recuperemos o que deixámos escapar.
Manuela Ferreira Leite, desgraçadamente, não mostra características para operar a mudança que se impõe, por muito bem que possam ser escolhidos os ministros para as diferentes pastas que fazem parte de um Executivo – ao contrário da maior parte dos indivíduos que ocuparam o lugares no Gabinete socratiano. Também ela mostra uma teimosia de que estamos fartos e isso verificou-se agora na escolha que fez para os deputados do seu partido, o que provocou grande descontentamento no seio do PSD.
Eu dou, pois, a cara com esta minha opinião. Digo o que penso e não fraquejo perante as acusações de alguns de que é falta de patriotismo ponderar sobre a junção económica com Espanha. Os que estiverem ainda vivos daqui a alguns anos, poucos, creio, lembrar-se-ão do que aqui fica escrito e que constitui um ponto de vista que mantenho há mais de 50 anos e que, ao contrário do que julgam alguns facciosos, é a melhor forma de conservar a existência de Portugal, não de alpargatas e a pedir esmola ao mundo, mas de cabeça bem levantada e a mostrar uma situação geográfica que faz inveja, como sempre tem feito, aos restantes países que não gozam do nosso privilégio de ter mar por todos lados e de se situar nesta ponta que foi a causadora dos descobrimentos e, por isso, da lusofonia que saiu nas nossas naus.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

VELHOS E NOVOS




Chegar a uma idade enfastiante, com setenta e tantos anos e pedir a quem quer que seja que tenha condições para ouvir la do alto e dar resposta para não se avançar mais para diante, ultrapassar os oitenta, então, será um horror, viver nessa angústia é asfixiante, por muito que a cabeça esteja ainda no seu sítio e que, por via disso, funcione, pense, dê ainda resposta ao que dela se pede – com excepção dos esquecimentos, que esses são a demonstração permanente de que existe uma parte do cérebro que anda distraído -, ter passado todo esse tempo não perdendo de vista aquele que ainda estará à frente para percorrer, tudo isso não constitui razão para que exista alguma ânsia para que o tal momento surja, ainda que sem dar muito nas vistas e o ideal será até que ocorra uma manhã em que o acordar não se verifica.
Mas, ao mesmo tempo, sabendo-se que Moisés dirigiu o Êxodo aos oitenta aons, e que Rubinstein interpretou magistralmente Chopin, com noventa, e que, com uma elevadíssima idade, Goethe, terminou essa obra imortal que é o “Fausto”, isto entre tantos outros autores de grande nomeada que, já no fim da vida, produziram o que se mantém ao longo dos séculos, contemplando tais feitos, mesmo sem efectuar qualquer tipo de comparação, alguma consolação renasce no nosso período de velhice.
Mas, por outro lado, também darmo-nos conta de que a juventude de hoje, aquela que é agora o que fomos nós noutros tempos, com as enormes diferenças que não podem deixar de ser notadas, sem sabermos se é mais fácil hoje encontrarem a felicidade do que aquilo que se passou connosco na devida altura, constarmos que essa onda de jovens se vai debater com problemas que eram impensáveis cinquenta anos atrás, como por exemplo o que se anuncia que vai constituir uma aflição do próximo futuro, o ser considerada a água um bem escasso, entre outros factores como o aquecimento global, não pode deixar de nos fazer reflectir sobre a sorte que temos de não fazermos já parte desses tormentos quando os mesmos tocarem o mundo.
Esse é um tormento que os mais velhos acumulam com um sentimento simultâneo de inveja e de pena em relação às rapaziadas de hoje, se bem que esses, tendo as perspectivas de vir a alcançar a idade que nós temos hoje, nada nem ninguém lhes garante que tal consigam. Mas o que sim tem de constituir uma ambição e uma esperança é que, caso o Homem consiga solucionar os problemas graves que se anunciam hoje, pois o seu espírito inventivo promete que, até os bons pratos gastronómicos que são nos dias de hoje as delícias dos apreciadores e nós, os portugueses, bem sabemos o que isso significa, venham a ser substituídos por pastilhas de bacalhau com batatas e outras e bons vinhos por uns pós que venham a ser inventados.
E o excesso de população que, de dia para dia, constitui uma ameaça para toda a humanidade, essa ameaça terá de ser resolvida, por ventura, com a invasão da Lua e de Marte, pois cá já não cabem os residentes terrestres.
Perante tão arrepiante panorama, o melhor é conformarmo-nos por não passarmos muito mais tempo por cá. Pode ser que haja forma de assistir, do outro local onde se repouse, às modificações que se operarem na Esfera terrestre. É a esperança que ainda envolve aqueles que têm a sorte de ter alguma fé, seja ela qual for.
Por agora basta-nos fechar os olhos e pôr a imaginação a funcionar. E, para alguns, aqueles que se julgam com capacidade para deixar certa coisa feita, então que o façam. Pode ser que nem tudo se perca e que, daqui a certo tempo, sobretudo agora com os arquivos nos discos dos televisores, se descubra que não foram devidamente honrados os trabalhos que mereceriam algum mérito.
Que sejam os velhos a dizer isto, já que os novos não se preocupam, não têm tempo, não dão importância. E ainda bem.