domingo, 12 de julho de 2009

MORREU O "REI"





A morte, seja de quem for, não merece, certamente, a alegria de ninguém. É uma situação que sucede a todo o ser, a que ninguém escapa e, vistas bem as coisas, até é necessário que isso aconteça, pois que, conforme se está a verificar nas contas que se estão a fazer, a população mundial já excede alguma coisa aquilo que deveria ser o razoável, no sentido de ocupação de espaço, de consumo de bens de primeira necessidade, sobretudo da água, e, no caso das migrações, das mudanças de local, deixando vazios zonas em que se verificam vazios e sobrelotando outros em que já não cabem.
Mas, não é propriamente deste tema que vou tratar neste texto. É sobre a morte de um artista americano, sem dúvida com largas camadas de “fãs” espalhadas por todo o mundo, e de que se levantam até grandes dúvidas sobre a forma como se passou, mas que, desde que isso aconteceu já há tempo suficiente para deixar de ser notícia, não deixou de ocupar espaços em tudo que é elemento de divulgação, incluindo as televisões que se espalham por todo o espaço terrestre. Todos os dias, a todas as horas, lá surgem comentários, opiniões, situações já conhecidas e outras ainda em fase de novidade que se referem ao homem que, durante a sua existência, pela excentricidade da sua actuação se tornou figura apreciada e, digo mesmo, idolatrada por uma enorme camada de gente. Trata-se, está bem de ver, de Michaael Jackson.
Pois bem, pode haver multidões que tinham pelo intérprete musical de um estilo muito peculiar enorme paixão e que não se conformem com o seu desaparecimento da Terra. Ninguém tem nada a criticar quanto a isso. O que será pena, lá isso será, que outras figuras que mereceram o mesmo ou mais no capítulo de idolatria, por feitos que, mesmo não sendo comparáveis, não será descabido, ao colocá-los na balança dos préstimos ao mundo, que sejam considerados como tendo sido de muito menor importância do que aquele que, nesta altura, se encontra no alto de uma espécie de altar dos famosos.
Está-se mesmo a ver que, da minha parte, não existe uma apreciação fora do comum no que diz respeito ao artista Michael Jackson. Será por falta de gosto que tem de me ser atribuída. Não discuto. E, no que respeita a maiorias, eu nunca defronto aqueles que pensam de forma diferente da minha. Por isso, contra a barulheira que é feita à volta dessa personalidade, eu me fico por este humilde blogue que não tem audiência que valha a pena levar em conta.
Mas, independentemente da sua forma de vestir – tal, como por cá, existe quem se mostre assim -, da sua maneira de cantar e de dançar, o que me levou sempre a não poder ser compreensivo com o artista, foi a repugnância que mostrou ter pela cor natural da sua pele, querendo ser branco à força, para o que usou todas as formas que a ciência ainda pode servir, atitude essa que, perdoem-me, não pode ser encarada com bonomia.
Temos de aceitar abertamente aquilo que a Natureza e as circunstâncias nos destinam, em termos de raça, cor, nacionalidade, etc., dado o restante, isso sim, é possível modificar através da educação, das preferências religiosas e até da formas de ser, do caminho na vida que entendemos ou podemos adoptar.
Esse o motivo por que nunca achei grande graça ao falecido Jacky.

sábado, 11 de julho de 2009

FILIPA VACONDEUS



Não sei se me fica bem escrever sobre este assunto. Mas também não dizer nada quando sou eu próprio que assisto à enorme popularidade que a minha própria Mulher alcançou com o seu livro que acabou de ser publicado e já vai na quarta edição, com “tops” de venda em tudo que são centros comerciais e antes até de chegar às livrarias normais, não fazer uma só referência no meu blogue pode parecer que não estou de acordo com esse acréscimo de reconhecimento público que lhe é atribuído, pois com este livro já é o décimo de que é autora.
Esta edição, que tem o nome de RECEITAS LOW COST, trata de exercer a arte da cozinha com o menor custo possível, pelo que não podia estar mais adequado às dificuldades que se atravessam neste momento, quer em Portugal quer em todas as partes do mundo. O lançamento do livro ocorreu há dias no El Corte Inglês, onde esteve muita gente e foi um agradável momento de convívio.
Não vou, obviamente, alongar-me numa referência mais pormenorizada a esta obra que, na verdade, está primorosamente editada. Mas não podia deixar de, aos meus leitores, prestar-lhes esta indicação. Se eu dedico grande atenção ao que me rodeia e a crise que se atravessa constitui uma das preocupações, não poderia, repito, passar em branco no que diz respeito ao trabalho notável da autoria de Filipa Vacondeus.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

LUSOFONIA

Parte de um poema de 10 cantos, bastante longo, com o título LUSOFONIA, que será divulgado logo que existam condições para o mesmo poder chegar às mãos dos portugueses, mais tranquilos e depois do calamitoso momento que se vive nesta altura
Canto IV (parte)

Depois de bem lançadas as amarras
das nossas naus por esse mundo afora
sendo acompanhados por bandarras
em que poucos pensavam vir-se embora
a língua ia criando raízes
que essa não custava infiltrar
podendo ir servindo de matrizes
daquilo que queríamos deixar

Era essa ao menos a esperança
não nos podia faltar o engenho
já que tínhamos feito tanta andança
havia que tomar tal com empenho
pois era o que estava mais à mão
ou seja, na ponta da nossa língua
e ao mais novo ou ao ancião
do nosso falar não havia míngua

Com tanto século bem pela frente
o futuro podia esperar
não era preciso ser de repente
a fala lusa tinha de entrar
tal como a música só de ouvido
que o escrever só mais tarde ia
se é que não caíra no olvido
dos navegantes, da maioria

E Deus, como Luís de Camões disse
ajudaria a levar tal tarefa
mesmo parecendo uma tolice
algo mais seria que sinalefa
levar a língua a distante espaço
e deixá-la plantada em terreno
onde desfloraria com cansaço
tendo que ser dado tudo em pleno

Se tal esforço préstimos traria
ninguém pensava então em resultados
nessa altura o que se conseguia
era muito e era que os achados
soubessem quem éramos e trocassem
mútua compreensão e favores
por muito que no fundo conservassem
a troca de sinais com seus tambores

O necessário era falar
a preciosa forma de entender
não constituísse nunca um faltar
nas relações que havia que acender
e para isso o ensinar faltava
a Cruz de Cristo seguia à frente
e o caminho virgem desbravava
pondo em comunhão lá toda a gente




SANTANA AÍ VEM



Santana Lopes, na sua qualidade de candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, nas próximas eleições autárquicas, já surgiu a afirmar que vai levar a peito a intenção de construir o novo túnel da avenida Fontes Pereira de Melo, para completar a ligação ao outro túnel que sai no Marquês de Pombal.
Não ponho em questão se esta obra é necessária ou não. O que pergunto, da mesma maneira que apresentei a mesma dúvida aos grandes empreendimentos que Sócrates defendia com tanto ardor – agora, entendeu deixar tais iniciativas para o próximo Governo, o que é de aplaudir -, é se o Município lisboeta dispões de fundos suficientes para se meter em tamanhos gastos, pois é sabido que os últimos responsáveis principais da Câmara deixaram a tesouraria exangue e tanto é assim que se levantaram lutas quanto ao pedido de auxílio bancário, o que só foi conseguido em parte.
No que se refere a este candidato que pretende repetir uma experiência anterior que não lhe saiu bem e todos nos recordamos do caso do Parque Mayer, em que o o projecto foi entregue a um arquitecto americano que, por muito competente que seja – e é, para além de promotor de nomeada daquilo em que se mete -, faz-se pagar principescamente e não tem de saber se, em termos oficiais, o terreno em causa está disponível para a obra ser executada – e não estava, pelo que tudo se encontra no estado em que se arrasta há imensos anos.
Também, quanto a Lisboa, os trabalhos que estão a ser escutados no Terreiro do Paço, por muito necessário que sejam – e não está provado que sejam estas as que mais serão indicadas para o local em causa -, não podem os lisboetas deixar de perguntar-se se não seria mais lógico que se começasse por arranjar os pisos das ruas mais movimentadas, pois os solavancos e os estragos nas viaturas não podem continuar por todos os motivos.
Afinal, quer seja no Governo quer na presidência da C.M.L., aquilo a que se assiste é a não serem atendidas devidamente as opções no capítulo de serem colocadas por ordem de urgência as obras que serão precisas. É um mal que vem de longe e que os nossos políticos parecem querer repetir sucessivamente. O que importa é o que dá mais nas vistas e não o que se torna inadiável para o conforto e o bem-estar dos cidadãos. Aguentemos, pois!...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

MILHÕES DE EUROS



Cinco milhões de euros ganhos em meia-hora é obra! Nem o Ronaldo consegue tamanha proeza. É necessário ter imensa habilidade, ser prodigioso, um verdadeiro artista para alcançar tal proeza. Mas, afinal, por cá, por este País de pelintras, isso é possível. E quem sabe não deixa que outros façam o mesmo. É um exclusivo, uma artimanha que apenas os beneficiados de alguma coisa conseguem. Vamos lá explicar:
Primeiro é preciso ter um lugar de destaque numa instituição que pertence ao Estado e que pode ser, por exemplo, a organização dos CTT; depois é necessário possuir influências, para poder exercer certo tráfego nesse ambiente e se for militante de um partido que tenha destaque na política, pois ainda melhor. E, se puder contar com companheiros que ajudem na execução de um plano bem elaborado, então a coisa tem todas as possibilidades de resultar em cheio e de escapar a investigações que, por ventura, possam surgir posteriormente, dado que, se for o conjunto de participantes todos ele formado por gente bem colocada no meio público, então as eventuais consequências de acusações que venham a ser feitas, as mesmas não terão condições para levar por diante qualquer processo que acabará por se perder na complicada teia jurídica.
Estou mesmo a entender a pergunta que bailará na boca de alguns que leiam este escrito: e como é que isso pode ocorrer? Muito fácil, digo eu. Pois escutem: essa instituição que pertence ao Estado, através do conjunto de administradores entende vender um edifício bem situado, de valor indiscutível e de fácil colocação no mercado. Sem efectuar aquilo que é o normal, parece até que o obrigatório, como seja abrir um concurso público, efectua essa venda a um comprador já antes definido e faz um preço que está longe de corresponder ao montante que lhe deve ser atribuído. Muito menor. Pois, sem deixar arrefecer a situação, esse comprador combinado, meia hora depois efectua, por sua vez, a venda do mesmo prédio a outro interessado, só que o produto agora da venda é de muitos milhões acima do que fez parte da escritura realizada no mesmo cartório que ainda está quente da operação anterior.
Com isto, tão simples, os vários milhões da diferença têm, naturalmente, que ser repartidos por vários intervenientes que deram possibilidade ao negócio.
Houve alguém prejudicado no meio de toda esta trapalhada? Traduzido em pessoas físicas conhecidas, não. Porque quem perdeu tem o nome de cidadãos portugueses. Contribuintes. E esses só tem voz para se defenderem e mal dos ataques ferozes das Finanças e de grande número de organismos estatais que não perdoam ao povinho comum.
O que não vale a pena é tentar imitar este tipo de acções, pois só os privilegiados é que têm direito a estas roubalheiras.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

VERSOS LIVRES


Aqui estou eu à frente do papel
à espera que a inspiração me chegue
olhando para a rua a ver passar
aqueles que não olham para a folha
em branco à espera de estar cheio
de letras, de palavras e de versos

Serão felizes esses que não puxam
por um génio que não lhes faz falta?
Quem sabe se não seria melhor
conhecer tudo sobre o futebol
preocupar-me só com o meu clube
e andar em dia com o jet-set?

Se fosse assim, poemas não fazia
e descansava quem viesse a ler
todos os versos livres e bem livres
porque de rima mesmo nada têm
e a cadência é o que lhes resta
mas mesmo assim encheram o papel

DESEMPREGADOS



Já era esperado que Manuel Pinho não ficasse desempregado, depois de ter pedido a demissão ou fosse obrigado a aceitá-la, após a cena ocorrida na Assembleia da República. Isto só vem provar que o que proporciona boa vida aos políticos não é propriamente o exercício dessas funções, onde até, na verdade, os ordenados que auferem não são nada que escandalize, mas que, após terminar a passagem pelos Governos, lhes caiam aos pés situações que, “por acaso”, constituem autênticos manas no que diz respeito às condições proporcionadas.
Lugares em bancos, em companhias que, no exercício anterior das suas funções, beneficiaram de alguma atitude que lhes proporcionou posições lucrativas de monta, uma panóplia de ofertas que têm de ser bem pensadas para ser escolhida a melhor, tudo isso faz parte do pós-Governo em que participaram os despedidos de funções ou que tenham tomada essa iniciativa por sua vontade.
Isso acontece agora, sucedeu ao longo de todos os Executivos e não só pós Revolução, mas era uma prática que vem do tempo da outra senhora, e seguramente que continuará a verificar-se pela vida política fora. Então, vão os homens renunciar à ginja sobre o bolo que lhes é oferecida sempre que deixam um lugar onde, digam lá o que disserem, se não fizeram favores de moto próprio, pelo menos criaram a ilusão de que isso sucedeu?
Claro que nem tudo são rosas. Pode acontecer que situações ocorridas antes venham a trazer amargos de boca tempos mais tarde. E não é por isso que o caso Freeport está a dar tanto que falar no período que atravessamos?
Mas, de facto, o mais vulgar não é isso, mas sim o contrário, ou seja ser alvo de ofertas de posições que, por vezes, se acumulam, tendo apenas que marcar presença e não exercer funções efectivas, o que é até o ideal, dado que as remunerações não falham.
Falar a essa gente de crise, de reformas que não chegam nem para pagar a renda da casa e muito menos para a farmácia e até para comer decentemente, é como contar-lhes uma história de fada má, pois nunca a vida lhes correu tão bem como nas condições em que se encontram. Joe Berardo, que andava à procura de um administrador da sua Fundação, nem hesitou. Tinha de fazer a oferta antes que outro empresário se antecipasse. E, pelo menos por antecipação, já ganhou!...

terça-feira, 7 de julho de 2009

CRISTIANOMANIA



Assim lhe chama a Imprensa espanhola, pois a chegada do jogador português a Madrid, que ontem foi apresentado no estádio Santiago Bernabéu ao público presente que, segundo parece, atingiu 80.000 o número de pessoas que ali estiveram, mas esta expressão adapta-se perfeitamente a uma espécie de enfermidade que, de vez em quando, ataca as multidões, pois já sucedeu o mesmo com os Beattles, o cantor que morreu agora, Michael Jackson, a Elvis Presley e a algumas personalidades mais que, por qualquer motivo, atingiram o ponto mais alto da popularidade.
Sendo um português que, na área do futebol, chegou a esta popularidade, um pouco da mesma forma como, em seus tempos, Eusébio foi tão aclamado e depois Figo também andou nas bocas do mundo, é verdade que, pelo menos por isso, muitos ignorantes o por esse Planeta fora ficam a saber que existe um País chamado Portugal e, talvez por curiosidade, tenham ido ao mapa para ver onde se situa.
Digo isto porque, em variadas ocasiões, nas muitas viagens que fiz profissionalmente, deparei com gente que, ao identificar-me eu como português, me perguntaram onde ficava o meu País de origem.
É, pois, de utilidade que estas manias aconteçam, o que talvez se deveesse fazer era, no aspecto económico e de difusão daquilo que ainda teremos possibilidade de vender no estrangeiro, aproveitar a deixa e utilizar o futebolista nessa missão tão patriótica. Ainda que fosse necessário pagar-lhe, pois claro, que, quando se atinge tamanho gabarito, todos os “cachets” são bem aplicados. O que, porém, as nossas instituições que existem para lançar a nossa imagem e dai trazer proventos em nosso benefício, essas deveriam ter a noção das oportunidade se fossem capazes de executar a sua missão com o mínimo de rentabilidade.
As vezes a que eu me refiro aqui ao ICEP, que existe há uma quantidade de anos e nunca se entende muito bem o que faz, se bem que disponha de uma quantidade apreciável de escritórios situados nas principais cidades do mundo e custa uma enormidade ao erário público – depende do Ministério de Economia -, e a sua razão de existir é precisamente a de abrir portas por esse mundo de forma a que possamos exportar o mais possível e, ao mesmo tempo, obtenhamos bons resultados na expansão da nossa imagem para fins turísticos, sendo esse o motivo de existir, todas as vezes que falo de tal instituição serve para não ser benévolo e não perdoar se esse IAPMEI não faz o que deve. Basílio Horta tem de estar debaixo de olho, pois é ele agora quem é o responsável pelo referido Instituto.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

GAVETA



Gaveta que guarda
segredos de outrora
é coisa que tarda
‘inda não é hora
de querer abrir
p’ra não recordar
e ter de engolir
o que a guardar
ficou na gaveta

Era então desgosto
mazelas d’antanho
hoje é já sol posto
papéis não apanho
reler hoje em dia
o que então guardei
isso não faria
nem jamais farei
não abro a gaveta

Não vou eu abri-la
falta-me a vontade
não quero senti-la
dar-lhe liberdade
outros que o façam
sem eu estar a ver
e que se desfaçam
não quero saber
Não estando presente
no mundo dos vivos
quem não vê não sente
nem dá mesmo ouvidos

Também não importa
não estarei p’ra ver
fechou-se a porta
que posso fazer?

Gaveta não puxo
falta-me a coragem
será mesmo um luxo
oferecer viagem
ao que há tantos anos
está encafuado
não causando danos
por estar olvidado

Não vejo agora
quem ficando cá
após minha hora
s’interesse quiçá
por ler o que fica
pois se enquanto vivo
não ligam nem nica
ao que é meu activo
de escrita, pudera,
que o outro se houvesse
seria quimera
seria benesse
bem apetecida
coisa que um poeta
ao longo da vida
não deixa em gaveta.



MULTIDÕES



Quando, mesmo sem querer, sobretudo sem desejar fazê-lo, me ponho a pensar em temas da vida, os quais se encontram completamente fora da minha possibilidade de resolução, para além de só estar a dar trabalho ao cerebelo não consigo chegar a uma conclusão que se possa considerar indiscutível. Talvez fosse preferível que eu me considerasse infalível, que não tivesse nunca dúvidas, que achasse que os outros é que são os ignorantes. Não era bonito, lá isso não seria, mas, no terreno da felicidade, quem assim procede anda mais contente consigo mesmo do que o contrário.
Ora vamos lá ao que eu vinha a mastigar comigo, enquanto caminhava para casa: que, se fosse possível dividir as grandes e majestosas fortunas que existem em todo o globo terrestre e que se encontram na posse de uns tantos, mesmo sendo muitos, por todos aqueles que se situam na área dos miseráveis, sem meios para nada e, esfarrapados, que buscam comida nos mais incríveis locais, se se amontoassem num local, ainda que tivesse de ser enorme, os bens que excedem as necessidades, que sobram, que não fazem falta a quem os possui, que constituem apenas luxos e demonstrações de grandeza ofensiva, se, ao serem contabilizados todos esses valores se apurasse o montante em dinheiro e, por outro lado, fosse possível dividir tamanha quantia pela totalidade dos necessitados do essencial mais básico, seria que o que coubesse a cada um chegaria para o retirar da situação degradada em que se encontra?
Pois aí está a pergunta que me veio à cabeça e cuja resposta não é possível obter, por mais estatísticas que existam e por muitas contas que alguns mais metódicos consigam apurar.
Eu, por mim, punha a questão desta maneira: numa grande família, dessas que acumulam montes de filhos e infinidades de tios, sobrinhos, etc., todos a viver na maior precariedade, se aparecesse um familiar que teria antes emigrado e que mostrasse ter conseguido uma enorme fortuna, ao contemplar todos aqueles numerosos parentes resolvesse dividir por eles o total do que tinha conseguido amealhar, provavelmente seria ele a aumentar em mais um o número de necessitados do grupo familiar, pois o montante de que era possuidor não chegava para solucionar a miséria de tantos os que o rodeavam. E, em vez de haver um grupo familiar pobre com um parente rico, passaria a existir o mesmo grupo de parentes, com mais um, mas todos sem condições para enfrentar a vida com o mínimo de sustentabilidade.
Se assim fosse, a solução seria, segundo parece, a de eliminar parte da grande família e, desta forma, então o valor apurado na fortuna do parente rico já chegaria para deixar todos mais ou menos em condições de saírem da situação miserável em que viviam. E, ao transpor este tipo de problema para o mundo inteiro, não me resta, no meu pensamento, outra saída que não seja a de reduzir drasticamente a população de todo o mundo, e isso de forma a que o bem estar na vida se encontrasse ao alcance dos habitantes que se arrastam pelo nosso Planeta nas piores condições humanas que são bem conhecidas.
Agora, a forma de tornar mais equilibrada a quantidade de seres humanos que habitam na nossa Esfera é, perante os números calamitosos existentes de mais de seis mil milhões de pessoas, seria, por um lado, a limitação do nascimento de nova gente, o que causaria, a breve trecho, aquilo que já hoje é um problema, ou seja o excesso de população velha, mas, por outro, surgir uma epidemia que, numa rápida passada, levasse desta Terra uma quantidade esmagadora de viventes. Ambas as situações não parecem ser as mais aconselháveis.
Deste modo, dizia-me o meu pensamento quando caminhava atormentado por tal problema, que, por muito drástica que pareça a solução, ela não seria nova para os homens. Ao longo da História ela tem surgido e a última, a chamada Grande Mundial, deixou este problemático Globo com uma certa margem de manobra quanto a construir um espaço novo para haver trabalho para muito mais gente.
Bem sei. Não é preciso que me venham com comentários de que eu pareço doido. É óbvio que, só ao falar de guerra, toda a gente se levanta escandalizada. Mas digam-me lá se têm outra forma de acabar com o dramático desemprego e com todas as injustiças que o excesso de população provoca, desde o Pólo Norte e até ao do Sul? Para além disso, se não é em guerra que vivemos há imenso tempo, não é embrenhados em guerrilhas permanentes que somos forçados a aceitar, sejam chamados terroristas ou outra coisa qualquer?

domingo, 5 de julho de 2009

UMA TENTAÇÂO



Nem a Lili Caneças ou qualquer outra figura que é habitual aparecer com frequência nas páginas das publicações portuguesas, assim como, por exemplo, aquele dito “conde” que também usa um nome que não é o dele, pois não passa de um indiano do fim do escalão como o que se vê agora todos os dias no folhetim brasileiro que passa na SIC, nenhum deles teve alguma vez tamanha difusão simultânea em todos os jornais portugueses, saindo também nos estrangeiros. O que eles dariam para terem oportunidade de lhes suceder idêntico privilégio!
Mas, de facto, uma coisa é serem fotografados, de braço dado com um parceiro ou de copo na mão, em uma qualquer dessas festarolas que ocorrem por aí, e outra, bem diferente, é serem apanhados de dedos esticados em cima da cabeça a imitarem os cornos de um touro. Cheira-me que esta imagem se vai repetir, protagonizada por algum dessas ditas figuras mediáticas, pois descobriram que não chega fazerem um sorriso para as câmaras e que o essencial é utilizarem as mãos para quererem dizer qualquer coisa ao parceiro que se encontra por ali. Já o Cristiano Ronaldo também foi fotografado há dias, quando se serviu dos dedos para, do automóvel que conduzia, “dialogar” com um fotógrafo.
Pode esta forma de se dirigir aos outros provocar um sorriso de condescendência, mas que parece que a nossa língua já não chega para trocarmos impressões, sendo necessário passarmos a utilizar a expressão dos gestos, como se vê por vezes a um canto dos écrans de televisão, quando se pretende transmitir aos surdos os noticiários que são ouvidos por todos, essa é uma realidade.
Quem havia de dizer que seria por aqui que José Sócrates se tinha de preparar para fazer as malas e partir do lugar de chefe do Governo? Pelo menos, esta atitude do seu ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, serve de desculpa para uma derrota eleitoral que se poderá prever que vai ser uma realidade. Não há outras razões, não se trata de pouca eficiência governativa, não tem nada a ver com o seu estilo discursivo e a sua arrogância de convicções. Nada disso! É apenas aquele par de cornos caricaturado por um membro do seu grupo governativo que vai ficar com as culpas todas. Se não fosse isso, é evidente que o partido do Governo voltava a obter a maioria absoluta… ou, no mínimo, obter o melhor resultado.
A mim faz-me pena que transformemos este País num Campo Pequeno. As touradas, apesar de eu não ser um aficionado, constituem uma tradição que, por muito que desgoste os amigos dos animais, quanto a mim defendo que têm o mérito de proteger a continuidade da vida dos belos touros… que, se não fosse isso, acabariam todos em bifes nos pratos gastronómicos.
E, desta vez, serviram de razão para Sócrates ter feito, mesmo à força, uma remodelação no seu Governo. Coisa que estava a faltar e se mantém até à saída final.
Custa-me ter de usar este tom jocoso para me referir a um acontecimento no nosso meio político. Estamos a viver um período que não dá para brincarmos com coisas tão sérias. O que necessitamos é de tranquilidade e de uma condução governativa que seja capaz de nos libertar do mal que nos invadiu e que está a causar grandes danos nos portugueses. Danos? Que digo eu? Só na maioria dos casos, porque há por aí uns tantos que, até nestas ocasiões, se enchem num fartar vilanagem!...

sábado, 4 de julho de 2009

HARMONIA

Quem sou eu ? Pergunto todos os dias
Que faço aqui, que posso acrescentar
Que ganha a terra e que bem pr’ó mar
Com o que são as minha energias?

Se nada trago, se sou só mais um
Apenas números faço mover
Teria valido a pena nascer?
Digo que não como homem comum

Se queria saber mais e não sei
Se gostava ter um dom e não tenho
Se para muito me falta o engenho
Pr’a quê acabar o que comecei

Só vejo em mim algo de perfeito
Que não adianta mas não atrasa
Que não tem nada de golpe de asa
Mas, isso sim, não esconde o defeito

A coragem de dizer o que sinto
De expressar o que me vai na alma
De ser tão sincero, o que me acalma
Mas pelo menos não dizem que minto

Se na pintura me atrevo tanto
E a escrever vou por mares revoltos
Embrenhando-me nos versos bem soltos
Assim vou ao encontro do quebranto

Mas não, porque é a música que falta
Porque é a harmonia dos sons
E a delícia encantada dos tons
Que é do resto o que mais me exalta

Trocava tudo pela melodia
E deixava de lado a pintura
A música, essa sim, quando é pura
É também ela grande poesia

Mas, se tivesse andado em sinfonia
Em vez de me arrastar pela escrita
Como pela pintura, que desdita,
A vida me traria outra harmonia

Mas como não atingi tal desejo
Fico-me com o que me deu a sorte
Pois o que tenho certa é a morte
E o resto só lastimo e só invejo


AICEP



Era inevitável. Ainda ontem se assistiu ao espectáculo que o ex-ministro da Economia deu no Parlamento e já são inúmeros os mails jocosos que circulam pelos computadores. E as próprias televisões parece que não têm mais assunto para transmitir, pois aquela imagem bem infeliz de Manuel Pinho surge repetidas vezes nos écrans e os temas a propósito repetem-se sucessivamente. Então a TVI, ontem sexta-feira, dia em que Manuela Moura Guedes faz bem o gostinho ao dedo não escondendo o seu desamor pelo Governo de Sócrates – se é que depende apenas dela essa atitude ou se é o facto de ser a mulher do responsável principal pela emissora que lhe dá esse direito – e ontem deleitou-se com o tema que tinha à disposição.
Bem sei que, em termos jornalísticos, se trata de um assunto que, na verdade, permite tirar grande partido de informação e, ainda por cima, o facto de o ministro se ter (ou ter sido) demitido – tanto faz -, mas tudo que é demais cheira mal, como diz o povo.
É verdade que este acontecimento caiu que nem sopa no mel no interesse das oposições a José Sócrates, sendo mais do que certo que o caso Economia e, por ajuntamento, Manuel Pinho, vai servir de grande apoio às campanhas que aí virão para sustentar as eleições à vista. Além disso, a circunstância da pasta da Economia ficar entregue a outro ministro, o das Finanças, que tem já que lhe chegue para enfrentar os problemas da crise, essa situação não é abonatória para contribuir no que diz respeito a vermo-nos livres dessa grande dor de cabeça.
Não vou aproveitar a ocasião para descarregar no meu blogue alguns azeites que todos nós temos quanto à pouco boa governação que tem sido executada, mas sempre sou forçado a deitar as vistas para aquela agência que foi criada por este Executivo: o AICEP. Tendo sido acrescentada a primeira letra ao antigo organismo ICEP, que era, nem mais nem menos, que o Instituto que regulava os escritórios de apoio às exportações no estrangeiro, pertencendo-lhe propagar o turismo que temos para oferecer e que, desta vez, albergou a presidência de Basílio Horta – que foi ministro da Economia quando pertencia ao CDS -, no que se refere a este Instituto sempre faço a pergunta que interessa a todos nós conhecer a resposta: como vai ficar um departamento que, se funcionar bem, tem a enorme responsabilidade de desenvolver as nossas exportações e de fazer com que os turistas de fora cheguem em número apreciável.
A pergunta faço-a, mas quanto a resposta não há ninguém que a possa dar. Que nos desenrasquemos!...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

BENFICA E GOVERNO



Apenas meia dúzia de palavras, porque o assunto merece um comentário, mas eu ando muito ocupado com outros escritos que pretendo deixar e que, mesmo não sendo assim tão “aplaudidíveis”, o esforço que estou a fazer não me deixa cabeça para muitas outras coisas.
Mas não posso deixar passar tanto a questão das eleições no Benfica, como a “bronca” a que assisti pela televisão do ex-ministro Manuel Pinho, com aquela figura que fez no Parlamento.
No fundo, trataram-se de duas situações que podem ter alguma semelhança. No interior de um clube, em que todos têm obrigação de puxar para o mesmo lado, pois o afã clubista é sempre a principal motivação para que não se observem ataques intestinos, no caso do mesmo grupo desportivo não é isso que se está a contemplar. Um grupo contra o outro, os ataques com atitudes e palavras feias, tudo por causa de umas eleições que criam confrontos, essa situação não era coisa que se previsse tempos atrás. Mas está a suceder e as conclusões a que se têm de chegar é que o ser humano, pertencendo ou não ao mesmo conjunto, quando lhe tocam nos seus interesses pessoais é capaz de tudo.
Na Assembleia da República, o ministro que era da Economia não foi capaz de se conter e de se lembrar que a sua posição no Governo e o local onde se encontrava não permitiam que se excedesse e que tomasse a atitude de que foi protagonista. Aquela de colocar os dedos indicadores na cabeça a imitar o toiro, ainda que não se entenda bem a que vinha aquilo a talho de foice, foi o toque decisivo na imagem que já não é grande coisa do Executivo de José Sócrates.
Sem nenhuma intenção de procurar a comparação entre os dois casos, mesmo sem querer somos forçados a pô-los no prato da balança, pois tratam-se de duas situações em que são feitas feridas no interior dos conjuntos a que pertencem.
Quem mais perdeu com isto foi, sem dúvida, a imagem do primeiro-ministro que, nesta altura e mais do que nunca, necessita de melhorar a opinião que sobre ele e o seu ministério é concedida por uma grande parte do povo português.
Mas, quando a má sorte bate à porta, até parece que todos os azares se encaminham para essa entrada.
Quanto ao Benfica, embora se trate de um problema que só interessa aos admiradores desse clube, também se trata de uma machadada desagradável, mas isso, com o tempo, passa.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

IDA AOS CÉUS

As nuvens que ao longe vejo
passando sem muita pressa
criou certo ensejo
de arejar minha cabeça
com pensamentos bonitos
e esquisitos

Imaginei-me no céu
no meio do Universo
com as estrelas como véu
formando um longo terço
que me embala
me faz gala

E eu, bem alto observo
a Terra que vai girando
no fundo sempre conservo
saudades de sempre e quando
passeava
e olhava

E via o que não gostava
No mundo que me acolhera
era lá onde eu estava
não fora eu que escolhera
preciso, pois, sair
e da Terra fugir

No céu onde me imagino
estou longe de ser humano
onde não há um destino
possa até ser marciano
aqui todos são iguais
não há os menos e os mais

Este céu é Universo
não o outro dos perdões
não há sim nem o reverso
nem escolhas ou opções
aqui viver é estar
tranquilo a gozar

Isto que eu imagino
quando estou só a pensar
pode parecer não ter tino
mas faz-me bem descansar
da tal luta inglória
de querer ter memória

Quando o sonho terminar
e puser os pés no chão
triste será acordar
acabar a ilusão
cá estou de novo na Terra
preparado para a guerra

RUAS E NOMES



Uma forma que ainda temos em Portugal de prestar homenagem a cidadãos que se salientaram no bom sentido do resto da população, ainda é o de ser dado o seu nome a uma rua no local mais adequado para essa referência. E, verdade seja dita, há sempre algum motivo que justifica essa recordação feita através de uma placa na esquina da rua escolhida.
O que se verifica, porém, não é tanto isso, pois, com excepção talvez das terras da província, onde a população e os municípios vivem perto dos homenageados, ainda em vida ou já depois do seu desaparecimento do mundo dos vivos, no que se refere às cidades esse gesto já é menos frequente, não se sabe se por ausência de conhecimento da existência de habitantes nesses centros ou se por desinteresse em reconhecer figuras que merecem ou mereceram ser recordadas nas placas identificas das avenidas, ruas e até travessas. Então, nos bairros novos, é vulgar encontrarem-se locais identificativos das residências dos locatários com a designação de rua A ou rua B, e por aí fora, quando há tantas personalidades que justificam plenamente que, pelo papel que desempenham ou desempenharam, têm jus a que sejam recordadas, pelo menos através daquela indicação do nome do local público.
Lisboa, deveria dar o exemplo neste particular. Não sei se a preocupação em atribuir nomes a novos arruamentos ou a antigos que ainda são conhecidas por denominações sem sentido ou sem razão de ser pertence a alguma departamento especial ou mesmo seja uma atribuição dos vereadores. Seja como for, o que deveria existir era a possibilidade de os próprios munícipes se dirigirem à Câmara Municipal de Lisboa, não só com propostas relacionadas com este tema como com ideias de outras espécies, isso no sentido de terem oportunidade de mostrar a sua participação e de ajudarem os serviços municipais com ajudas que podem ser preciosas.
Esta mania, que tem o seu cúmulo nos Governos que temos tido, antigos e mais modernos, de não dar a oportunidade aos cidadãos de fazer ouvir as suas vozes, mesmo sabendo-se que, em muitos casos, as opiniões que são expressas pelo povo em geral não têm condições para serem atendidas, mas, com esse costume de auto convencimento dos governantes os cidadãos vão-se desinteressando de contribuir para o bom caminho das governações, sejam elas quais forem.
A acção das Juntas de Freguesia, já aqui referidas em blogue anterior, seria da maior importância para colocar os munícipes com a ideia de que as suas propostas seriam sempre bem acolhidas e seguidas na medida do possível.
Mas esta ideia de abrir os ouvidos e prestar a maior atenção ao que a população tem para alvitrar acerca de muitos assuntos em que as ideias oriundas dessas bases podem ter grane significado, tal forma de aceitar o comportamento democrático sem restrições é coisa que ainda se encontra muito distante da forma de actuar dos que têm o comando nas mãos, mas que não devem fechar os olhos e os ouvidos às opiniões dos que, em certos casos, sabem mais.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

ELEIÇÕES




Estão marcadas as datas das duas eleições que faltam para que o nosso País, no meio da crise que tem colocado o mundo em prantos e que, sem poder ser excepção, a nós nos tem atacado ferozmente, especialmente no capítulo do desemprego que, acima de todas as outras aflições, é o pior mal que pode chegar a uma Nação como a nossa que, por sinal, não tem razões para se gabar de, ao longo de toda a sua História, por mais brilhante em feitos que tenha sido – e foi -, nunca teve razões para se considerar como pertencendo ao número das mais favorecidas pela sorte em termos de fartura de meios, essas eleições, repito, poderão ser uma forma de darmos uma volta por cima quanto ao panorama que se apresenta no futuro imediato. Ou não!...
Sem entrar em lamúrias, a verdade é que nos vai calhar ter de escolher, em 27 de Setembro e em 11 de Outubro, primeiro o grupo parlamentar que poderá encontrar a forma de Governo que vai ocupar as funções de tentativa de conseguir ultrapassar a tremenda situação económica, financeira e social que enfrentamos e, na segunda chamada, terem os cidadãos de colocar a sua cruz nos respectivos quadrados que indicam os vencedores das autárquicas. Ambas têm a sua importância específica.
Foi esta a conclusão a que se chegou quando foram ouvidos os responsáveis respectivos para definir se deveria proceder-se ou a um escrutínio no mesmo dia das duas escolhas nas urnas ou se, como vai suceder, se terão os cidadãos que se deslocar, em dois dias diferentes, para exercer o seu direito de voto.
Se esta foi a melhor opção, não vale já a pena opinar. Ambas as formas têm as suas vantagens e os seus inconvenientes e, como é bem conhecida a definição, a Democracia é a menos má das políticas.
Mas que estão os portugueses perante um verdadeiro dilema, lá isso estão. Que existem razões de queixa no que se refere à actuação do Governo de Sócrates, parece isto ser uma verdade que transborda das bocas dos portugueses que não se encontram vinculados a um determinado partido. Mas que, por outro lado, não haverá certezas absolutas, por parte do mesmo tipo de votantes chamados a mostrar a sua opinião e isso no que respeita à escolha de outra força política que se apresente disposta a formar Governo, também aí não está fácil a alternativa.
Seja como for, até esta altura ainda não surgiram propostas de nenhuma espécie, no que respeita ao que os grupos políticos opositores que se perfilam para serem os escolhidos, de forma a que convençam, se falarem verdade – o que poucas vezes acontece nestas circunstâncias -, para que os portugueses tomem a decisão final. Ainda é cedo, dirão alguns, mas, face ao que se tem passado e não se vendo para amanhã o fim da tal crise que não foi possível ultrapassar, e perante um estilo socratiano que foi seguido ao longo de quatro anos de legislatura e de maioria absoluta, é natural que seja necessário que as forças das oposições precisem de repetir argumentos e de apresentar convencimentos bem formulados para conseguir que os cidadãos tomem a sua decisão a tempo e horas.
Já no que diz respeito ao Partido Socialista, o facto de não ir evidentemente suceder aquilo que talvez constituísse uma forma de mudar o pensamento de muitos votantes tradicionais desse grupo - refiro-me à possibilidade de José Sócrates ceder, desde já, o lugar a outro membro do seu agrupamento --, as dúvidas que se levantam não são pequenas. E, a esta distância, atrevo-me a afirmar que não acredito que, mesmo que os socialistas apresentassem agora o seu “mea culpa” pela forma autoritária como foi conduzido o poder, nem assim uma maioria absoluta poderá ter hipóteses de ser conseguida. Logo, o que resta, para além do PS poder perder o Governo, é surgir uma maioria relativa, o que obrigue aos entendimentos entre partidos, o qual, tendo em vista experiências anteriores, pode fazer correr o risco de ficarmos a viver num País ingovernável.
Tudo depende, em grande parte, da forma como José Sócrates se apresentar ao eleitorado. Convencer os portugueses que, na verdade, está completamente arrependido do estilo utilizado e de que já compreendeu que ouvir as opiniões dos outros é uma obrigação de quem tem a responsabilidade de conduzir um País, pois a razão não está sempre do nosso lado, adoptar essa mudança não será fácil para o próprio e para fazer acreditar os pouco crentes.
Até chegarem os dias das decisões nacionais ainda terei tempo para ir debitando neste blogue as opiniões que for formando. Estarei atento aos acontecimentos e também eu próprio procurarei ir formando uma base de credibilidade que seja suficiente para exercer o meu direito.

terça-feira, 30 de junho de 2009

OPÇÕES


Não me posso esquivar a comentar sempre que ocorrem quaisquer obras na nossa cidade de Lisboa ou quando, pelo contrário, não se avança com trabalhos que estão à vista de todos que têm de ser levados a cabo com urgência, com bom senso e com competência. Por isso, uso este espaço para me referir agora aos trabalhos que estão a prosseguir no Terreiro do Paço e em que o presidente da Câmara Municipal da cidade parece estar a usar todo o seu empenho.
Quem me acompanha, desde sempre, nos escritos que produzo respeitantes à nossa capital sabe que todas as actuações que têm como objectivo introduzir alterações em Lisboa, no capítulo da sua melhoria – e quando isso não sucede, também intervenho -, sabe perfeitamente que uma das minhas preocupações jornalísticas se tem pautado por forçar a que a beleza da nossa cidade seja aproveitada ao máximo e que a tristeza implantada na ruas, sobretudo a partir dos fins de tarde e em particular na chamada “Baixa”, esse aspecto tão desagradável e que espanta os turistas que nos visitam seja alterado.
Pois bem, não quero pronunciar-me ainda sobre se as mudanças que estão a produzir-se na Praça do Comércio são as mais adequadas ou não. Guardo essa apreciação para quando estiver concluída a obra que ali se faz. Mas, no plano geral das finanças públicas e ao ter recebido agora mesmo a notícia televisiva de que as esquadras da polícia de Lisboa estão desguarnecidas de viaturas para acudir às chamadas urgentes que os cidadãos fazem, o que me ocorre é, mais uma vez, uma questão de prioridades. E nisso, haveria que existir uma concordância entre o Município e o Governo, pois que se trata, como acontece frequentemente, de um problema de opções.
Quando tanto se apregoam obras públicas de custos monstruosos, em que o endividamento sobretudo ao estrangeiro é a única forma de se fazer face a tamanhos encargos – por muito que eles sejam precisos, mas a seu tempo -, isso da segurança dos cidadãos e do cumprimento das obrigações que cabem à polícia assegurar não poder ser cumprida, tem forçosamente que criar nos portugueses uma atitude de indignação.
E é só isto que me ocorre dizer no capítulo das obras no Terreiro do Paço e na falta de tanta coisa que se situa no campo das urgências.
A linda praça junto ao Tejo, que tanto agrada aos alfacinhas, apesar de, a partir das 20 horas, se encontrar deserta, merece e precisa de arranjos. Não há dúvidas quanto a isso. Mas não se poderia ter começado por outra coisa? Bem sei que aquilo dá mais nas vistas e sempre estamos
à porta de eleições municipais!...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O MUNDO DE AMANHÃ


São já várias as preocupações que são trazidas ao conhecimento dos habitantes da Terra e que dizem respeito ao futuro que espera a nossa Esfera, a quaL, na maioria dos casos, não É nada animadora.
Isso do aquecimento global já não constitui novidade e, pelos vistos, já todos se conformaram com a ideia de que os espaços dos dois pólos estão a diminuir a uma velocidade tal que não deixa dúvidas a ninguém que, dentro de algum tempo, os icebergs desaparecerão e a subida da água do mar ameaça reduzir a dimensão da área terrestre. Mas, se esse fenómeno ainda levará algum tempo até constituir uma preocupação apavorante para os habitantes no nosso Planeta, já a mudança das temperaturas que surgem nas diferentes estações do ano e conforme a respectiva posição geográfica, lá isso, que representa na nossa vivência actual o sentir de alguma diferença em relação ao que sucedia tempos recentes atrás, tem de provocar uma preocupação bem nítida para os cidadãos que vivem nesta altura.
Mas, o que não é ainda tão notado pela população mundial, pelo menos na dimensão exacta do que representa este facto, é o crescimento acelerado do número de habitantes que já estão instalados em diferentes pontos globais, com especial incidência para a Europa, em que a fluência de naturais de outras zonas vai criando uma acumulação de gente que, dentro de algum tempo, e que não será até muito, faz com que os residentes neste Continente se acotovelem de tal maneira que não ficará espaço para uma vida sem aquela competitividade aflitiva que torna o vizinho um inimigo que se odeia, em lugar de constituir um complemento da labuta do dia-a-dia.
Existe ainda espaço bastante nos interiores dos países, nas zonas menos invadidas? De facto há. Mas, o natural é que as populações procurem defender-se, deslocando-se para os sítios com maiores condições naturais, económicas e educacionais que lhes facilite a sobrevivência.
O crescimento desmesurado da população do Planeta já está a ser apontado por cientistas que se dedicam a estudar este fenómeno, alegando que isso não será fácil evitar. Uma organização inglesa, denominada Optimum Population Trust, já alertou para a necessidade do controlo do aumento populacional de todo o mundo, pois que os sete biliões que já enchem o espaço estão em vias de criar problemas de respiração, de fome, de sede e de um viver aceitável, pois que este número que já é sete vezes superior ao registado há dois séculos e que cresce anualmente cerca de 78 milhões, se não for controlado, chegará em 2050 ao número assustador de 9 mil milhões. No entanto, no que respeita aos cidadãos europeus de origem, verifica-se uma contenção de natalidade que se ajusta à necessidade de não aumentar incontrolavelmente o número de habitantes, mas, com as imigrações desmedidas de populações oriundas de zonas onde esta preocupação não se verifica, o que resulta daí é que, num espaço de tempo que está muito bem definido, aquilo que se definia por característica típicas dos europeus vai desaparecer e as cores das peles alteram-se completamente. Não haverá perigo por esse efeito, mas trata-se de uma mudança que estatisticamente será levada em conta.
Quem cá estiver que tome as medidas que forem possíveis e até pode ser que a água seja substituída por algum produto químico e as receitas culinárias se alterem por completo, ao ponto de não fazerem falta os espaços terrestres e marítimos para serem cultivados alimentos, criados gados e encontrados peixes que, no tempo actual, são a base da nossa vivência.
Qual poderá ser a solução para este grave problema que se vai apresentar aos futuros habitantes? Se calhar, na altura já se poderão optar, como alimentos, produtos servidos como receitas médicas. Uma pastilhinha de bacalhau com batatas e uns pós de bife com batatas fritas. Grandes banquetes!…

domingo, 28 de junho de 2009

MANIFESTO E CONTRA MANIFESTO


Só quem não os conhece a quase todos é que fica na dúvida quanto a isso de uns tantos se terem reunido para apresentar um abaixo-assinado contra os investimentos vultosos por parte do Estado e, logo a seguir, surgirem mais uns quantos a apresentar a sua opinião exactamente contrária. É evidente que expressar pontos de vista é um direito que cabe aos cidadãos quando se vive em regime democrático. E ninguém tem nada que se inquietar perante opiniões divulgadas com pompa e circunstância, como se costuma dizer agora, como também se é livre de fazer comentários, especialmente se, como é o caso, se descortina, de entre os nomes de ambas as partes, figuras que, tempos atrás, davam mostras de não seguir as linhas políticas que abraçam nesta altura, antes pelo contrário.
Nesta altura já não nos admiramos que, desde 1974, se depare com saltitões políticos que, quando parece haver conveniência, passam de uma opção partidária para outra e isso ocorre geralmente em favor dos grupos que se encontram mais bem situados no plano governativo. E o PS, que conquistou o poder há quatro anos, tem, naturalmente, sido, até esta altura, o mais beneficiado com as mudanças. São vários os exemplos que podiam ser aqui apontados, mas, como é sabido, não gosto de usar este meu blogue para fazer acusações que podem parecer perseguições seja a quem for. No entanto, dada a minha caminhada no meio jornalístico, é natural que, não tendo perdido a memória, tenha de fazer algum esforço para não trazer a lume certos casos que não consigo arredar do cerebelo.
Só acrescento algumas palavras no que diz respeito ao problema de fundo que divide os dois manifestos: é que, tanto de um lado como de outro, existem razões para serem levadas em conta as opiniões suportadas, ou seja, não é admissível que não se executem mais obras públicas, aquelas que são suportadas pelo Orçamento do Estado; mas o que sim é preciso ter bem presente é que há que usar opções bem discutidas e, sobretudo, não deixar para os vindouros dívidas que, nos anos que aí vêm, poderão constituir encargos impossíveis de cumprir.
Portanto, o que eu quero deixar expresso é que, pelos vistos, faz falta um terceiro auper-manifesto, este deixando bem claro aquilo que o Governo actual e o que vier a seguir, se se verificar uma mudança, em que se expresse aquilo que deve constituir uma preocupação do poder, quais as opções que não podem ficar a aguardar por futuras decisões, já que a mão-de-obra nacional disponível tem de ser ajudada a sair do desemprego e as empresas precisam de ser estimuladas. Mas sempre fazendo bem as contas, estudando impecavelmente os projectos, sendo exigentes com as datas de finalização de cada obra, e, acima de tudo, responsabilizando exemplarmente as incompetências e as falcatruas que se verificam para encaminhar dinheiros sujos para os bolsos dos sem-vergonha.
Isto quer dizer que, quase seguramente, vai surgir mais um grupo de manifestantes que, de acordo com os responsáveis do próximo Executivo, após as eleições legislativas, assim como as seguintes, as autárquicas, ambas já definidas as datas, apresentarão propostas e opiniões que se adaptem melhor ao espírito partidário que se situar mais bem colocado. É inevitável.
Mas, por mais que faça para disfarçar, a verdade é que, ao contemplar alguns nomes de ambos os subscritores dos dois manifestos, não posso deixar de me revoltar. Há lá cada menino que já passou por tudo e por todas as tendências políticas. Que rica Democracia, que permite tantas aldrabices!...

sábado, 27 de junho de 2009

RONALDINHO



Vou ser curto e grosso. Não é necessário alongar-me demasiado no texto a seguir para dar expressão ao que me vai na alma no que se refere a uma notícia que anda a encher os jornais e que, se me coubesse ainda a mim dirigir um órgão de Informação, evitaria que se ocupasse demasiado espaço com tal assunto.
Cá vai então o que pretendo tratar, mesmo de raspão, no meu desabafo de hoje: trata-se do escandaloso dinheiro que Cristiano Ronaldo ganha e, mais do que isso, sobretudo como ele o gasta.
Cada pessoa tem todo o direito de progredir na vida e de se fazer pagar o melhor que conseguir. Desde que sejam utilizados os meios rigorosamente legais, que os seus méritos sejam a razão base para justificar aquilo com que o mercado entende dever contribuir, se até pode proporcionar que outros usufruam simultaneamente da sua participação na sociedade, cobrando também a sua parte, numa palavra, se um indivíduo, através da raridade e da qualidade da sua actuação, é considerado como uma peça pouco igualável na sociedade humana, é evidente que tudo isso lhe proporciona a vantagem de elevar o mais que é possível a fasquia da sua notoriedade.
Isso é uma coisa, agora, que a Imprensa, não se contendo em resguardar o que não é notícia que valha a pena ser divulgada com tanto espavento, como seja a forma como o futebolista gasta a sua vasta riqueza, dando mostras de enorme desperdício, de um esbanjamento imoral e de afronta aos que se arrastam por aí à mingua de emprego e, por isso, com meios mínimos de sobrevivência, tal atitude é que me condói e me obriga a pensar que a actividade jornalística, se não tem hoje regras, já as teve tempos atrás. Mas tudo muda nesta vida!
Deixo uma palavra a Cristiano Ronaldo, mesmo que ele a não leia, como é mais do que certo! Claro que o próprio não tem culpa daquilo que divulgam acerca dele e do caminho que percorre. Poderia ser um pouco mais discreto no capítulo das casas que compra e que aluga e nos carros que estão ao seu dispo e que constantemente troca por outros. Lá isso podia. Mas há que não perder de vista que o rapaz teve uma infância pouco abundante de meios, quer de fundos quer de outra ordem, e isso explica muita coisa Também, toda aquela gente, da família e não só, que o rodeia, poderia ser mais cautelosa no capítulo do exibicionismo e retrair-se mais, não dando oportunidade que os “paparazzi” e outros se regalassem com os pontos fracos que conseguem obter para publicar nos órgãos que lhos compram.
Mas, seja como for, o jogador tão disputado pelo interesse mediático, não é o culpado maior do que ocorre. Até pode ser que ele veja o seu ego ser transportado a alturas que nunca imaginou que subissem a esse ponto e se sinta, por isso, como o melhor do mundo e considerando que os outros têm obrigação de o venerar.
Mas seria bom que algum amigo o protegesse. É que nunca se sabe qual será o dia de amanhã e já não é o primeiro jogador de futebol que conseguiu gozar de prazeres exagerados enquanto foi novo, mas que, quando chegou à idade de ser posto de lado, aí, por não ter sabido gerir com prudência os enormes dinheiros ganhos, encontrou-se, de repente, numa penúria onde, nessa altura, os seus antigos amigos desapareceram todos!...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

EUROPA


Essa Europa de que tanto se fala
e de que muitos querem fazer parte
não encontrou ainda o caminho,
anda confusa,
anda perdida,
está a gastar tempo,
está a correr o risco de ficar pelo caminho.
A Europa das Nações é um sonho,
ter um objectivo comum
uma Constituição para todos,
um governo geral,
uma moeda igual – que já tem,
com línguas diferentes
costumes desiguais
bandeiras distintas
regiões autónomas,
conseguir tal objectivo, não é fácil.
E porquê,
se todos desejam fazer parte do grupo?
A resposta é simples:
é que a Europa é constituída por seres humanos,
também ela
como o resto do mundo
e é por isso que o entendimento,
a comunhão de ideias
e de interesses,
a capacidade de não exigir o comando,
o desprezar interesses pessoais,
o atender ao bem geral,
tudo isso falta ao Homem.
Querer ser o chefe,
o que manda,
desejar a melhor parte
é isso que destrói as comunidades,
é por aí que se partem as uniões.
A Europa chegou até onde está,
conseguirá avançar mais um pouco?
Mas quando?
E por quanto?
Até que ponto resistirá às discordâncias?
Ficará num mito?
Abdicarão os homens do muito mal pelo pouco bom?
E as regiões que, por essa Europa,
lutam por independência
estão a passar de moda?
Já eram?
Que isso de querer ser dono da sua rua
deixou de ter razão de ser?
Pois não parece…

E a emigração de que este Continente
está a ser alvo?
Os milhões de populações não europeias
que já entraram
e os milhões que virão a caminho,
instalando-se
tendo filhos,
muitos,
o dobro,
o triplo,
o quádruplo
dos naturais da Europa,
que mudança já provoca
e muito provocará
ainda mais
nos hábitos, costumes, língua,
cor da pele
na tradição europeia?
Daqui a cinquenta anos
quem cá estiver
e os que venham a ocupar
as terras europeias,
Paris,
Londres,
Madrid,
Berlim
todas as grandes cidades
deste Continente,
não encontrará nada igual ao que existe hoje.
Os adivinhos
que tenham a capacidade de ler no futuro
que desvendem esse mistério.
Talvez seja preferível, agora,
não saber…

Contemplando os homens de hoje
não será inevitável fazer
um exercício de reflexão
cauteloso?
E a pergunta impõe-se:
Como é possível existir uma Europa
com este material humano?
Essa Europa do todos por um
e do um por todos,
que vem nos livros
e se coloca nas bandeiras dos clubes
é uma forma de actuar
à moda antiga,
Porque a realidade de hoje é outra.
Afinal podemos ter esperança?
Será melhor persistir na Europa
ideal,
unida,
sonhada para ser eficiente,
capaz de juntar vontades,
interesses,
forças?

Deixo aqui a pergunta
esta e todas
e sei que há duas respostas,
antagónicas,
contrárias.
Uns, os crentes por natureza,
acreditam no êxito,
têm fé que os homens
encontrem o bom senso.
Outros, nos quais me incluo,
perderam a esperança.
Andamos a enrolar o tempo,
assistiremos aos altos e baixos,
aos avanços e aos recuos,
às reuniões,
aos banquetes
às discussões,
aos abraços,
às viagens para um e para outro lado,
aos discursos inflamados,
aos processos de intenções,
aos amuos,
aos sorrisos forçados,
às fotografias de grupo
todos em bicos de pés,
mas não passará disso,
ficará sempre nisso…

Europa unida,
em bloco
toda igual,
vivendo todos bem, os europeus?

Que sonho mais lindo!

CONFUNDIDO


Inegavelmente confundido no que diz respeito à escolha que me cabe fazer nas próximas eleições, em que os portugueses têm o dever de pensar seriamente nas preferências que vão assumir em duas eleições que ainda faltam, no que se refere a esse dever de apontar os responsáveis camarários e, acima de todas as outras opções, quanto aos governantes que poderão vir a assumir a condução política de Portugal, repito, seriamente preocupado com a obrigação de ter de depositar os meus votos nas urnas, com o intento de errar o menos possível, com o tempo que vai faltando para enfrentar essa melindrosa acção, cada vez me encontro mais distante de ser capaz de acreditar que esse meu gesto irá ser o mais adequado.
É que, em cada zona que se situa na área abrangida pelos votos, com o tempo que vai avançando deparo sucessivamente com erros, falta de profissionalismo, ausência de bom senso, exibições de vaidades caricatas, gastos consentidos em todo o País e por determinação de diferentes poderes, mesmo locais, e em situações que não se podem considerar como inadiáveis, ausência de atribuições bem estudadas, a todos os níveis, de responsáveis, pois que se continuam a esconder as faltas dos culpados directos em cumprir mal as suas obrigações, teimosias em manter determinações equivocadas, mesmo que sejam audíveis as reclamações populacionais que já não escondem o seu descontentamento de Norte a Sul do País, tudo isso contribui para provocar a minha hesitação em depositar a minha escolha neste ou naquele partido. É que, no que respeita às Oposições, também as dúvidas me assaltam. Vamos a ver se, até ao dia decisivo, surgem propostas concretas, mesmo que se saiba, de antemão, que bastante do que se diz antes passa a não ter valor mais tarde.
O Presidente da República entendeu, e bem, ouvir os partidos mais salientes para conhecer se as duas eleições que restam se efectuarão num dia ou em dois separados. Nesta altura em que escrevo este texto estão a realizar-se os encontros em Belém, para apurar a decisão final. E já é conhecido que só em 12 de Agosto é que Cavaco Silva dá a conhecer o que entende que seja feito. Eu, por mim, optava pela economia de meios e de esforço dos eleitores, sobretudo numa época em que a praia é a maior contribuinte para o desvio de eleitores. Isto é, juntar tudo num só dia.
Enfim, chegámos a um momento em que a confiança se encontra completamente diluída, sobretudo porque a esperança não pode ser excessiva, sobretudo quando é cada vez maior o número de privilegiados que são, os que auferem pagamentos de ordenados e de reformas que são inadmissíveis num País afogado em dívidas, como é o nosso. E essa gente também é oriunda de grupos partidários que já estiveram em Executivos anteriores. Têm experiência disso.
O que é de recear é que, exactamente por este motivo, as massas não venham a mostrar grande entusiasmo em se deslocar aos pontos da votação e esse é o grande perigo, porque as abstenções podem resultar num panorama posterior de ingovernabilidade que é, por sinal, o que os escolhidos até preferirão, dado que as condições actuais e as mais graves que ainda se aproximam podem servir de desculpa para a falência de um País que se arrisca a bater no fundo e a não ser capaz de voltar à superfície.
É que, para tentar pôr de pé o que se encontra doente com remédio escasso para salvamento, pode-se, apesar de tudo, esperar que algumas falhas perigosas em que nos meteram sejam solucionadas, por exemplo que a Justiça consiga vir a desempenhar o seu papel com absoluta justeza em todos os seus aspectos e que terminem, de vez, as demoras e as soluções revoltantes que têm marcado a actuação dos Tribunais. Será um passo positivo, se bem que não chegue para pôr em ordem todo o conjunto de maleitas que nos invadiram.
Passarão as escolas, especialmente as primárias (e continuo a chamar-lhes desta maneira, porque isso dos ciclos não melhorou em nada o ensino), a colocar nos estudos secundários os rapazes e raparigas devidamente preparados, como sucedia no tempo das gerações de há 40 e 50 anos, sobretudo quando o que seria necessário, nesta altura precisa que atravessamos, era ensiná-los com convicção como se deve praticar a Democracia?
Seremos capazes de resolver à distância problemas de enorme urgência, como é o da falta de médicos por todo o País, sobretudo no interior, deixando, como se encontra, a população mais carenciada desprotegida de saúde, mesmo que seja, por agora, com a contratação de técnicos estrangeiros, já que não se foi capaz de prever durante anos a fio que havia que tomar as medidas essenciais na Faculdade de Medicina?
Conseguiremos caminhar seguramente para a diminuição progressiva do desemprego que grassa já a níveis de transformar a população nacional em pedintes que não conseguem sobreviver com a situação de miséria em que se encontra?
Acabarão as falências sucessivas que se vêem por toda a parte de tantas empresas grandes, mas igualmente de pequenas e médias?
Haverá esperanças de que iremos assistir a um corpo governamental de confiança, formado por políticos, para além de honestos, sobretudo competentes? Sim, isso mesmo: competentes!...
Chegará algum dia um Parlamento cuja composição não seja formada por elementos que só ali se situam para garantir uma reforma confortável e passar uma temporada a descansar em bons cadeirões e a fazer telefonemas e a entreterem-se no computador, nos intervalos em que não fazem a sua soneca, deixando os que ali estão para isso, a atacar de viva voz, mas sem resultados práticos, os adversários de partido?
Será que o Governo que vier a tomar posse não insistirá na loucura de endividar ainda mais Portugal com obras transcendentais que, por muito úteis que venham a ser no futuro, também deixarão os cidadãos de amanhã com encargos muito difíceis de liquidar?
Mas quanto ainda mais poderia aqui deixar neste texto, no capítulo da dificuldade em fazer a cruz nos boletins de voto com o mínimo de consciência que se tratou do mal menor. Mas a verdade é que os portugueses, precisamente por se estar a atravessar um período de muito difíceis, quase impossíveis, soluções, é que todos os portugueses devem analisar bem as suas consciências e não ficar em casa à espera que outros façam por si o que lhes compete. Que é votar!
Temos todos de tomar consciência de que o que corre enorme perigo, tanto por cá como noutros países onde já se começaram a verificar desacatos populares, é a própria Democracia. E a História já nos ensinou, mesmo no corpo de alguns, como custa estar-se sujeito a uma Ditadura…

quinta-feira, 25 de junho de 2009

CAMPO DE OURIQUE

É neste bairro de Campo d’Ourique
Nesta Lisboa que já foi alegre
Que mais apetece pedir que fique
E se não é d’aqui que se integre

Ruas planas e gente agradável
Lojas vistosas, também populares
Andar às voltas é até saudável
E há ainda quem tome bons ares

Mas tudo muda nesta Capital
Os mais velhos notam a diferença
E vai-se perdendo a tradição

O que se pode esperar, afinal,
De uma vida que é toda tensa
Onde a cabeça mata o coração?

MUDANÇA




Mas qual mudança, qual carapuça! Aquele José Sócrates continua na mesma, convencido de que ele é que sabe e que todos os que não concordam é que estão enganados. E o resto é pura conversa!...
Persistindo em aparecer, em que os seus modos, os seus gestos, com as mãos a fortalecerem as afirmações, e a consistência nas aprovações dos actos do seu Governo, em nada mudaram, essa mística que correu para aí de que o primeiro-ministro teria adoptado uma nova faceta, dando mostras de humildade e de arrependimento pelo modo como se comportou ao longo da legislatura que está próximo de terminar, tal falácia não passou de um desejo dos que ainda mantém alguma esperança de que uma reviravolta se tinha operado na cabeça daquela personalidade.
Mas não parece muito fácil que um vaidoso, um totalmente convencido que o seu caminho é sempre o certo, por muito que um acontecimento venha quebrar um pouco essa teimosia, não é normal que um indivíduo com tais característica seja capaz de se contemplar com tranquilidade e, de moto próprio, se auto-convença que necessita de alterar o seu estilo e de, nem que seja apenas para dar mostras no exterior, tentar convencer que não é exactamente o mesmo que se mostrava antes.
O inesperado - pelo menos para ele - resultado nas eleições europeias e a necessidade de reconhecer publicamente que o PS tinha dado mostras de uma quebra de força no ambiente nacional, apesar dessa circunstância, a verdade é que não foi suficiente para levar Sócrates a tomar as medidas que se impunham para tentar recuperar uma parte importante desse eleitorado. E uma das atitudes seria a de empreender acções que dessem bem nas vistas, sendo uma delas a de mudar espectacularmente de estilo nas discursatas que tanto gosta de fazer, a torto e a direito, sempre com o propósito único de se bajular a si e ao que fez o seu Executivo.
A outra medida que poderia ser levada a cabo – se bem que, há que reconhecê-lo, acarretasse uma enorme dose de dificuldades entre elas a de não encontrar substitutos, a tão pouco tempo de distância de não haver a certeza de o mesmo Executivo venha a repetir a sua actuação -, um outro gesto de grande importância eleitoralista seria a de substituir ou anunciar a substituição nesta altura, dos ministros que maior desagrado provocaram no decorrer da suas actuação. E esta teria de ser também uma medida em extremo de causa, mas quando as previsões não são muito optimistas, se Sócrates não estivesse tão convencido de que vai conseguir ultrapassar a prova a que se vai sujeitar, certamente que daria tal passo, fossem quais fossem as dificuldades e as consequências. Pelo menos admito a possibilidade.
Depois da entrevista concedida por Manuela Ferreira Leite à SIC, em que o estilo utilizado permitiu a possibilidade de comparar com a forma usada por Sócrates, independentemente de a situação do País poder vir a melhorar ou não, após essa demonstração e sem interferir na opinião qualquer influência de tipo partidário, tenho muitas dúvidas de que a opção pública não comece a deteriorar-se em relação ao secretário-geral do Partido Socialista. Parece-me evidente, mas até ao lavar dos cestos…
E quando me arrisco a dar mostras desta minha opinião, é porque estou convencido de que a oportunidade política de José Sócrates está a terminar talvez definitivamente, caso não consiga recuperar da derrocada que ele não preveria. É que, dentro do próprio P.S., já não poderá ser assim tão grande o apoio que poderá vir a obter, dado o desconsolo que é constatado um pouco à voz baixa.
Tenho pena de ter chegado a esta conclusão, mas, realmente, quem fecha os ouvidos e os olhos ao que já não pode ser escondido, como é o caso do que venho apontando, é porque, pelo menos esta impressão já não se consegue disfarçar: a de que Sócrates está a ensaiar o seu suicídio político.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

CANTAR

Cantar, cantar
é melhor que falar
sem dizer nada.
Cantar ao amor,
cantar de cor
com fervor
ou com humor.
Cantar à felicidade,
cantar à amizade,
cansar de tanto cantar,
não parar.

Cantar à esperança
no futuro,
trespassar o muro
do obscuro.
Cantar à poesia,
à fantasia,
à paz no mundo,
ao mar sem fundo,
à beleza
da Natureza.

Cantar até faltar o ar,
em qualquer lugar
sob o Sol a escaldar
ou com chuva a fustigar.
Cantar de pé,
olaré,
ou sentado,
sem enfado.
Cantar sempre muito
com o intuito
de expandir a alma
e dar voz a Talma
do teatro, sim senhor,
um autor
exemplar
para ver, ouvir,
sentir
… e cantar !

AUTOEUROPA


Bem sabemos que nestas coisas em que são chamados a intervir sindicato, estes, por sua vez, sujeitos a orientações políticas que advêm de radicalismos que nem sempre garantem defender melhor os interesses dos cidadãos que vivem do seu trabalho, em tais situações não é garantido que sejam encontradas as saídas mais convenientes nos desencontros que surgem com as empresas respectivas.
Este caso tornado público do conflito dentro da Autoeuropa, em que, alegando razões de economia de gastos com o pessoal, a construtora internacional de automóveis situada na outra banda de Lisboa, que até à data pagava o dobro do salário aos funcionários que exerciam a sua actividade aos sábados, propôs que esses mesmos trabalhadores passassem a receber o que paga todos os dias da semana, ou seja o ordenado singelo. E, como contrapartida desta medida, garantiu que não dispensaria, num prazo alargado, um número apreciável de colaboradoresa (cerca de 250) que ali se encontram em regime de trabalho provisório.
Abstenho-me de comentar esta proposta, pois prefiro pôr-me no lugar de um dos muitos trabalhadores que se reuniram em assembleia para decidir se aceitavam ou não a referida alternativa. É evidente que, situando-me no número dos que não se encontravam contratados a termo pré-estabelecido, teria que avaliar se me cabia o direito de pôr em causa a estabilidade desses colegas. E, nestas circunstâncias, nem hesitava em contribuir para que o seu problema ficasse solucionado.
O que ocorreu, no entanto? Da referida assembleia de trabalhadores saiu que havia que discutir com firmeza a decisão superior da administração da Autoeuropa, pois não foi encarada de ânimo leve a proposta de não continuar a ser pago em dobro o trabalho aos sábados. Isso, quando rumores que chegavam, provavelmente com o apoio das altas esferas empresariais na Alemanha, eram de que havia que tomar todas as precauções para evitar que a empresa em Portugal acabasse por ter fechar as portas e, nesse caso, não seriam duzentos e tal a ir para rua, mas umas centenas largas, ou seja a totalidade dos que ali exercem funções.
Dizem as notícias que este diferendo recorre de posições contrárias tomadas pela UGT e a UGTP, esta última colocando-se numa postura radical, o que aliás é seu costume de não atender às conveniências directas daqueles que têm os seus empregos em risco, preferindo actuar levada por princípios políticos que, mesmo merecendo alguma consideração, nem sempre atendem a esse princípio básico de que mais vale ceder alguma coisa do que perder tudo.
Se empresas internacionais, que tanto benefício oferecem ao nosso País, não só pela ocupação de muita mão-de-obra nacional, mas também pelas divisas que as suas exportações ocasionam, não são acarinhadas dentro das possibilidades que lhe podem ser conferidas, ainda que obtenham favoritismos superiores aos que recebem as portuguesas, o risco que se corre e que tem vindo a ser observado já com transferências de sociedades que fazem as malas e partem para outros países, é que continue a verificar-se essa fuga.
Há que pensar bem nisto, por muito que nos revolte a necessidade da nossa cedência…

terça-feira, 23 de junho de 2009

CARTAZES DE RUA




Claro que quem ocupa lugares de mando por via das eleições está ligado a um partido político e, por via disso, não toma medidas que, um dia, podem vir a prejudicar o seu grupo, não se dispõe a meter a mão em situações que lhe podem incomodar mais tarde. Esta será a única explicação que pode ser encontrada quanto a determinadas medidas que deviam ser tomadas e não constam das actuações desses mesmos mandões nas alturas em que têm a faca e o queijo na mão.
Vem esta reflexão a propósito dos inúmeros cartazes relativos às últimas eleições, as europeias, e que se mantêm em exibição espalhados por tudo que é sítio. Os responsáveis partidários por tal propaganda, depois dos respectivos actos terem ocorrido há já um certo tempo, não se preocupam em mandar retirar o que constitui uma afronta visual, talvez admitindo que, mesmo fora de prazo, continua a fazer alarde de pessoas e de organizações políticas que sempre desejam alardear. Mas, a verdade é que as leis fazem-se para serem cumpridas e, sobretudo no que diz respeito aos municípios, teriam de ser estes a aplicar coimas pesadas aos responsáveis partidários que não procedessem à limpeza total de toda a agressão visual que é feita num período que terá a sua justificação.
Mas, repito, os responsáveis pelo cumprimento das regras democráticas neste particular, pelo facto de, alguns, terem beneficiado dessa propaganda ou, mesmo não tendo sido assim, por fazerem parte de um partido que, nessa ou noutra ocasião, utiliza os meios publicitários por tudo que é sítio e sem pagarem a ocupação do espaço, não se esforçam por ser rigorosos em tal cumprimento, pois nunca se sabe se amanhã não lhes caberá a eles serem os propagandeados e quanto mais tempo estiverem as suas fotos expostas mais popularidades lhes é facultada.
É assim o ser humano e não há Democracia que resista à acção do Homem, pois todo esse produto, que os crentes afirmam ser fruto da mão de Deus, tem forçosamente o seu íntimo comandado por sentimentos que procuram sempre abonar em seu favor.
Daí assistirmos, a cada passo, a atitudes, acções, comportamentos que nos deixam a interrogar os motivos que levam este ou aquele a enveredar por determinado caminho. Da mesma forma que será natural que os outros se espantem quando nós actuamos de determinada maneira, sendo mais natural que tivéssemos escolhida outra via. Somos todos o tal produto e, com Democracia ou sem ela, temos dificuldade em praticar o que menos agride os outros e, se calhar, quando o fazemos somos apelidados de ingénuos, quando não nos aplicam outra classificação mais agressiva.
Enquanto houver Homens, será sempre assim…

segunda-feira, 22 de junho de 2009

CERTEZAS

Mas que bom é ter certezas
e nunca se enganar
é para dissimular
muitas de outras fraquezas

Não se pode acreditar
em quem se julga perfeito
porque um ser sem defeito
deve ser de agoniar

Por pequenina que seja
qualquer saída da norma
é ser-se de qualquer forma
alguém que às vezes graceja

Mas são assim os sisudos
e por certo convencidos
têm de ser atrevidos
e estar muito tempo mudos

Reconheço erros meus
não me deixo equivocar
estou-me sempre a enganar
tal qual sucede a Deus

Quando aceita homens desses
que se julgam infalíveis
o Criador baixa os níveis
e não ouve bem as preces

Ainda bem, eu cá digo
que as dúvidas não me deixam
como disso alguns se queixam
não será pois um castigo

Antes dúvida aparece
para ajudar a saber mais
em abrir novos canais
e é prova do interesse

Gente, pois, só com certezas
e a isso um dom chamam
estão nos que as não proclamam
e não entendem as defesas

NAMOROS



Agora, que estamos já em pleno Verão e em que o calor surgiu em sua plenitude, não existindo, na maior parte dos portugueses correntes, uma preocupação de tipo político, como seja a responsabilidade de ter de ir votar nos próximos dias e, mesmo que tal houvesse, o que chama mais a atenção são casos do tipo Cristiano Ronaldo, onde está, o que faz e com quem namora, a camada populacional que dá nas vistas, por este ou por aquele motivo mesmo que não seja de grande valor a razão, interessa-se sobremaneira sobre temas que, para quem coloca em segundo plano os problemas que têm forçosamente que assustar Portugal, por se tratarem de imagens do que acontece já hoje mas, sobretudo, do que ocorrerá num futuro, próximo ou mais distante, com consequências que, mesmo que previsíveis, o optimismo de muitos não deixa que os apoquentem, essa camada de cidadãos dedica a sua atenção a situações que, só através de análises de peritos psiquiátricos, poderão ser entendidos profundamente.
Eu explico. Talvez numa atitude que se pode considerar, no meu caso, de punição própria, uma espécie de masoquismo, resolvi, neste fim de semana, fornecer-me de umas tantas publicações, semanais e diárias, que se ocupam dos amores e desamores de umas tantas figuras de jovens e nem por isso que, no mercado que lhes é oferecido, beijam, namoram, desnamoram casam, descasam, pertencem agora a uns e umas que já andaram com outros e outras, que se falam ou estão de relações cortadas, que vaio de férias juntos para aqui e para ali, enfim, uma série de consideradas “notícias” que, vistas bem as coisas, até têm consumo e conseguem vender papel…
E o mais curioso é que, na maioria das situações, nem eu e até quem está ao meu redor e até acompanha mais estes problemas conhecemos os indivíduos, eles e elas, que vêm referidos em tais ditos noticiários. E, quando são acompanhados de fotografias, elas, sobretudo elas, aparecem retratadas, quase sempre, ou em fatos bonitos de se verem ou, melhor ainda, em corpos bem exibidos com a menor roupa possível.
Numa rápida passagem por essas publicações que, pelos vistos se vendem bem, apanhei os seguintes títulos: “Carla Matadinhio deu o primeiro beijo aos 13 anos”, “Patrícia Tavares foi madrinha de casamento de Simão e Zé Pedro declarou-se à ex-mulher de Sousa Tavares”, “Mário Esteves andou com Cinha depois de se ter envolvido com Elsa Raposo”, “Depois do casamento com Penim, Clara de Sousa namorou com Ricardo Oliveira e André Marques”, “Isabel Figueira casou com César Peixoto, que hoje namora com Diana Chaves”, “Antes de casar com Fernanda Serrano, ex-de Terruta, Pedro Miguel Ramos casou-se com Bárbara guimarães, que hoje é casada com Miguel Maria Carrilhe”, “Marta Leite Castro tem uma filha de Leonel Vieira, o ex- de Mafalda Pinto”. E mais, muito mais que não cabe aqui neste espaço, nem vale a pena referir porque não estou a dar nenhuma novidade a ninguém.
É evidente que não fere em nada os meus escrúpulos tomar conhecimento das aproximações e do voltar de costas que ocorrem por aí. Esta é a vida que hoje se leva e cada um sabe de si. Agora, o meu espírito jornalístico, aquele que eu considero o autêntico nesta profissão, é que me deixa perplexo. Então estes casos, assim tão vulgares, são, de facto, notícia? Quando antes se dizia na classe que, se o cão mordesse o homem, não havia que noticiar, agora se era o homem que mordesse o cão, então sim já se justificava ocupar um espaço na publicação a que se estava vinculado, quando era assim antes não posso deixar de me inquietar quando andam por aí tantos assuntos que acabam por morrer por falta de interesse dos jornalistas e se perde tanto tempo com mesquinhezes…
Por estes dias referir-me-ei à situação Casa Pita, que se arrasta desde 2003 e também ao que está a acontecer agora no Irão. Ou será que isso são acontecimentos menores?...

domingo, 21 de junho de 2009

DIZER MAL


Eu tive sempre uma grande preocupação durante a minha longa actividade jornalística, sobretudo depois da Revolução, pois antes lá estava a Censura para aplicar o seu lápis vermelho, em não referir demasiado explicitamente as faltas de figuras públicas, especialmente até as políticas, para dar margem às defesas próprias a que têm direito os visados, se bem que, como também tenho afirmado, quem se apronta para sobressair no quadro que se encontra, fica disponível para sofrer as consequências das opiniões diversas e não se pode queixar se existem pontos de vista que não são os que os próprios gostariam de receber. Mas, em todo o caso, há sempre que deixar uma margem e não ir ao fundo em ataques, sobretudo se se trata apenas de uma opinião pessoal ou se, nos casos de acusações mais directas, não existem entretanto provas irredutíveis daquilo que se afirma.
Está neste caso e no que se refere ao meu blogue, a situação conhecida por Freeport, pois, enquanto não existir uma acusação fundamentada em relação a José Sócrates, não me julgo capacitado para assumir esse papel de julgador pois tenho de me colocar na minha posição que é a de comentador. Assim procedi enquanto tive a responsabilidade de dirigir órgãos de informação e sempre exigi dos jornalistas sob minha responsabilidade que não utilizassem a sua opinião pessoal e a sua tendência política para redigirem os seus textos e conduzirem entrevistas.
Nos tempos que correm verifica-se, no que se refere a alguns jornalistas, um vago cumprimento desta regra que, quando comecei há cerca de 50 anos, me foi incutida por mestres que marcaram pela sua passagem na carreira tão difícil e que é essa de transmitir notícias e conhecimentos de uns para outros. E isso sem faltar à verdade, por muito que custe aos profissionais, por terem a tentação de informar que as coisas correm de outra maneira.
Este um desabafo que vem a calhar numa altura em que acabaram de se realizar umas eleições e caminhamos para outras ocasiões em que se vão defrontar, de novo, partidos políticos que são mais do agrado uns do que outros.
Impõe-se grande sentido de independência e cumprimento escrupuloso dos princípios democráticos, não só aos oficiais da informação mas também a todos os cidadãos, pois que estes só têm a ganhar se, depois de 35 anos de prática deste tipo político, derem algumas mostras de que não nos encontramos assim tão distantes do que a Europa necessita com urgência e em que cada País deve fazer os seus próprios esforços para contribuir no sentido de fortalecer a maneira livre de actuar no Continente.
O ideal nem sempre se consegue na vida. E, independentemente de gostos políticos, para uma Nação que tem de defrontar problema complicados, é sempre preferível que o Governo que teve a responsabilidade de conduzir um País, se se portou bem, isto é, se o seu saldo tiver sido positivo, que esse conjunto se mantenha, para conseguir concretizar o que se considera ser o menos mau. Mas não foi o caso que ocorreu connosco, temos que concordar, o seu Chefe não soube entender o que são prioridades e não soube ouvir as opiniões dos outros, mesmo os que pertencem a grupos políticos diferentes e, por isso, neste momento, o mais natural é que sofra as consequências de tal atitude.
Ele não perde muito, para além do ordenado de primeiro-ministro (isso se não tiver já, debaixo de olho, assim como os membros do seu Executivo, lugares chorudos à espera). Mas, se houver quwe encontrar novo Governo, é Portugal que tem de voltar ao princípio, ou seja estudar tudo de novo e a sofrer os custos que isso implica.
Mas sempre é preferível isso, do que continuar-se na má direcção.

sábado, 20 de junho de 2009

BOMBA ATÓMICA


As notícias não eram inesperadas. Há já bastante tempo, anos até, que países que conseguiram obter os elementos e a fórmula para construir armas atómicas, isso devido à passagem de cientistas da então União Soviética para outras nações que lhes deram guarida, constituíam uma ameaça mundial pelo indevido uso diabólico de pequenas nações, mas com meios financeiros poderosos, graças alguns à produção própria de petróleo, e outros por serem geridos por loucos e ambiciosos ditadores políticos.
Que se saiba com rigor, dois países têm feito lançamentos de bombas que são portadoras desse perigoso elemento atómico, aprofundando as experiências e, dessa forma, mostrando a todo o mundo que não têm que temer em relação às ameaças que já lhes foram dirigidas mesmo como potências dominadoras nessa área, como são os casos dos Estados Unidos da América e da Rússia actual. O Irão e a Coreia do Norte fazem até gala em não desmentir que dominam essa área. Por outro lado, Israel, se bem que não faça dessa posse um elemento assustador, prestam por seu lado um elemento de garantia de que, se vierem a ser atacados por tal via, possuem forma de ripostar com a mesma moeda. E todos sabem que os judeus não brincam em serviço e que, no capítulo do domínio das armas mais modernas e mais destruidoras, os seus cientistas não têm estado na posição de contempladores.
Que quer dizer isto? Que, se por qualquer atitude de loucura e de irresponsabilidade que possa ser iniciada por um desses pequenos países, um dos ditadores de qualquer de tais “sítios” resolver, num impulso de mau génio, carregar no botão que devem ter preparado, desenrola-se de seguida uma guerra atómica, cujas consequências não podem ser avaliadas com antecipação. Poderá ser o fim do mundo.
Esta minha preocupação não é apenas de hoje. Já há muitos anos, pelo nosso calendário antes mesmo da nossa Revolução, escrevi uma peça de teatro que foi até premiada e que tem o nome de “E a Terra, indiferente, continua rodando”. A então detentora da exploração do nosso Teatro Nacional de D. Maria II, D. Amélia Rey Colaço, quis colocá-la em cena, mas a censura da época não o permitiu. É que o tema da peça aborda uma guerra atómica mundial, com a destruição por toda a parte. Tendo ficado somente, por ter construído um albergue subterrâneo em condições, um cientista, de nome Adam e a sua secretária, chamada Eve, ao terem saído à luz do dia deparam-se com um mundo vazio do ser humano.
Conto isto porque, como guardo nos meus baús muita papelada que vou aumentando de conteúdo, pode ser que um dia apareça quer mostrada por mim quer por quem cá estiver depois da minha partida. Por agora, limito-me a continuar a dedicar-me à escrita, prosa e poesia, e a alguma pintura em acrílico, que não faz qualquer inveja aos génios que temos por aí.
E é tudo o que tenho para dizer.