segunda-feira, 22 de junho de 2009

NAMOROS



Agora, que estamos já em pleno Verão e em que o calor surgiu em sua plenitude, não existindo, na maior parte dos portugueses correntes, uma preocupação de tipo político, como seja a responsabilidade de ter de ir votar nos próximos dias e, mesmo que tal houvesse, o que chama mais a atenção são casos do tipo Cristiano Ronaldo, onde está, o que faz e com quem namora, a camada populacional que dá nas vistas, por este ou por aquele motivo mesmo que não seja de grande valor a razão, interessa-se sobremaneira sobre temas que, para quem coloca em segundo plano os problemas que têm forçosamente que assustar Portugal, por se tratarem de imagens do que acontece já hoje mas, sobretudo, do que ocorrerá num futuro, próximo ou mais distante, com consequências que, mesmo que previsíveis, o optimismo de muitos não deixa que os apoquentem, essa camada de cidadãos dedica a sua atenção a situações que, só através de análises de peritos psiquiátricos, poderão ser entendidos profundamente.
Eu explico. Talvez numa atitude que se pode considerar, no meu caso, de punição própria, uma espécie de masoquismo, resolvi, neste fim de semana, fornecer-me de umas tantas publicações, semanais e diárias, que se ocupam dos amores e desamores de umas tantas figuras de jovens e nem por isso que, no mercado que lhes é oferecido, beijam, namoram, desnamoram casam, descasam, pertencem agora a uns e umas que já andaram com outros e outras, que se falam ou estão de relações cortadas, que vaio de férias juntos para aqui e para ali, enfim, uma série de consideradas “notícias” que, vistas bem as coisas, até têm consumo e conseguem vender papel…
E o mais curioso é que, na maioria das situações, nem eu e até quem está ao meu redor e até acompanha mais estes problemas conhecemos os indivíduos, eles e elas, que vêm referidos em tais ditos noticiários. E, quando são acompanhados de fotografias, elas, sobretudo elas, aparecem retratadas, quase sempre, ou em fatos bonitos de se verem ou, melhor ainda, em corpos bem exibidos com a menor roupa possível.
Numa rápida passagem por essas publicações que, pelos vistos se vendem bem, apanhei os seguintes títulos: “Carla Matadinhio deu o primeiro beijo aos 13 anos”, “Patrícia Tavares foi madrinha de casamento de Simão e Zé Pedro declarou-se à ex-mulher de Sousa Tavares”, “Mário Esteves andou com Cinha depois de se ter envolvido com Elsa Raposo”, “Depois do casamento com Penim, Clara de Sousa namorou com Ricardo Oliveira e André Marques”, “Isabel Figueira casou com César Peixoto, que hoje namora com Diana Chaves”, “Antes de casar com Fernanda Serrano, ex-de Terruta, Pedro Miguel Ramos casou-se com Bárbara guimarães, que hoje é casada com Miguel Maria Carrilhe”, “Marta Leite Castro tem uma filha de Leonel Vieira, o ex- de Mafalda Pinto”. E mais, muito mais que não cabe aqui neste espaço, nem vale a pena referir porque não estou a dar nenhuma novidade a ninguém.
É evidente que não fere em nada os meus escrúpulos tomar conhecimento das aproximações e do voltar de costas que ocorrem por aí. Esta é a vida que hoje se leva e cada um sabe de si. Agora, o meu espírito jornalístico, aquele que eu considero o autêntico nesta profissão, é que me deixa perplexo. Então estes casos, assim tão vulgares, são, de facto, notícia? Quando antes se dizia na classe que, se o cão mordesse o homem, não havia que noticiar, agora se era o homem que mordesse o cão, então sim já se justificava ocupar um espaço na publicação a que se estava vinculado, quando era assim antes não posso deixar de me inquietar quando andam por aí tantos assuntos que acabam por morrer por falta de interesse dos jornalistas e se perde tanto tempo com mesquinhezes…
Por estes dias referir-me-ei à situação Casa Pita, que se arrasta desde 2003 e também ao que está a acontecer agora no Irão. Ou será que isso são acontecimentos menores?...

domingo, 21 de junho de 2009

DIZER MAL


Eu tive sempre uma grande preocupação durante a minha longa actividade jornalística, sobretudo depois da Revolução, pois antes lá estava a Censura para aplicar o seu lápis vermelho, em não referir demasiado explicitamente as faltas de figuras públicas, especialmente até as políticas, para dar margem às defesas próprias a que têm direito os visados, se bem que, como também tenho afirmado, quem se apronta para sobressair no quadro que se encontra, fica disponível para sofrer as consequências das opiniões diversas e não se pode queixar se existem pontos de vista que não são os que os próprios gostariam de receber. Mas, em todo o caso, há sempre que deixar uma margem e não ir ao fundo em ataques, sobretudo se se trata apenas de uma opinião pessoal ou se, nos casos de acusações mais directas, não existem entretanto provas irredutíveis daquilo que se afirma.
Está neste caso e no que se refere ao meu blogue, a situação conhecida por Freeport, pois, enquanto não existir uma acusação fundamentada em relação a José Sócrates, não me julgo capacitado para assumir esse papel de julgador pois tenho de me colocar na minha posição que é a de comentador. Assim procedi enquanto tive a responsabilidade de dirigir órgãos de informação e sempre exigi dos jornalistas sob minha responsabilidade que não utilizassem a sua opinião pessoal e a sua tendência política para redigirem os seus textos e conduzirem entrevistas.
Nos tempos que correm verifica-se, no que se refere a alguns jornalistas, um vago cumprimento desta regra que, quando comecei há cerca de 50 anos, me foi incutida por mestres que marcaram pela sua passagem na carreira tão difícil e que é essa de transmitir notícias e conhecimentos de uns para outros. E isso sem faltar à verdade, por muito que custe aos profissionais, por terem a tentação de informar que as coisas correm de outra maneira.
Este um desabafo que vem a calhar numa altura em que acabaram de se realizar umas eleições e caminhamos para outras ocasiões em que se vão defrontar, de novo, partidos políticos que são mais do agrado uns do que outros.
Impõe-se grande sentido de independência e cumprimento escrupuloso dos princípios democráticos, não só aos oficiais da informação mas também a todos os cidadãos, pois que estes só têm a ganhar se, depois de 35 anos de prática deste tipo político, derem algumas mostras de que não nos encontramos assim tão distantes do que a Europa necessita com urgência e em que cada País deve fazer os seus próprios esforços para contribuir no sentido de fortalecer a maneira livre de actuar no Continente.
O ideal nem sempre se consegue na vida. E, independentemente de gostos políticos, para uma Nação que tem de defrontar problema complicados, é sempre preferível que o Governo que teve a responsabilidade de conduzir um País, se se portou bem, isto é, se o seu saldo tiver sido positivo, que esse conjunto se mantenha, para conseguir concretizar o que se considera ser o menos mau. Mas não foi o caso que ocorreu connosco, temos que concordar, o seu Chefe não soube entender o que são prioridades e não soube ouvir as opiniões dos outros, mesmo os que pertencem a grupos políticos diferentes e, por isso, neste momento, o mais natural é que sofra as consequências de tal atitude.
Ele não perde muito, para além do ordenado de primeiro-ministro (isso se não tiver já, debaixo de olho, assim como os membros do seu Executivo, lugares chorudos à espera). Mas, se houver quwe encontrar novo Governo, é Portugal que tem de voltar ao princípio, ou seja estudar tudo de novo e a sofrer os custos que isso implica.
Mas sempre é preferível isso, do que continuar-se na má direcção.

sábado, 20 de junho de 2009

BOMBA ATÓMICA


As notícias não eram inesperadas. Há já bastante tempo, anos até, que países que conseguiram obter os elementos e a fórmula para construir armas atómicas, isso devido à passagem de cientistas da então União Soviética para outras nações que lhes deram guarida, constituíam uma ameaça mundial pelo indevido uso diabólico de pequenas nações, mas com meios financeiros poderosos, graças alguns à produção própria de petróleo, e outros por serem geridos por loucos e ambiciosos ditadores políticos.
Que se saiba com rigor, dois países têm feito lançamentos de bombas que são portadoras desse perigoso elemento atómico, aprofundando as experiências e, dessa forma, mostrando a todo o mundo que não têm que temer em relação às ameaças que já lhes foram dirigidas mesmo como potências dominadoras nessa área, como são os casos dos Estados Unidos da América e da Rússia actual. O Irão e a Coreia do Norte fazem até gala em não desmentir que dominam essa área. Por outro lado, Israel, se bem que não faça dessa posse um elemento assustador, prestam por seu lado um elemento de garantia de que, se vierem a ser atacados por tal via, possuem forma de ripostar com a mesma moeda. E todos sabem que os judeus não brincam em serviço e que, no capítulo do domínio das armas mais modernas e mais destruidoras, os seus cientistas não têm estado na posição de contempladores.
Que quer dizer isto? Que, se por qualquer atitude de loucura e de irresponsabilidade que possa ser iniciada por um desses pequenos países, um dos ditadores de qualquer de tais “sítios” resolver, num impulso de mau génio, carregar no botão que devem ter preparado, desenrola-se de seguida uma guerra atómica, cujas consequências não podem ser avaliadas com antecipação. Poderá ser o fim do mundo.
Esta minha preocupação não é apenas de hoje. Já há muitos anos, pelo nosso calendário antes mesmo da nossa Revolução, escrevi uma peça de teatro que foi até premiada e que tem o nome de “E a Terra, indiferente, continua rodando”. A então detentora da exploração do nosso Teatro Nacional de D. Maria II, D. Amélia Rey Colaço, quis colocá-la em cena, mas a censura da época não o permitiu. É que o tema da peça aborda uma guerra atómica mundial, com a destruição por toda a parte. Tendo ficado somente, por ter construído um albergue subterrâneo em condições, um cientista, de nome Adam e a sua secretária, chamada Eve, ao terem saído à luz do dia deparam-se com um mundo vazio do ser humano.
Conto isto porque, como guardo nos meus baús muita papelada que vou aumentando de conteúdo, pode ser que um dia apareça quer mostrada por mim quer por quem cá estiver depois da minha partida. Por agora, limito-me a continuar a dedicar-me à escrita, prosa e poesia, e a alguma pintura em acrílico, que não faz qualquer inveja aos génios que temos por aí.
E é tudo o que tenho para dizer.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

LUSOFONIA

ESTE POEMA TEM SIDO FEITO AOS POUCOS E NÃO SEI SE TENHO CORAGEM BASTANTE PARA PROSSEGUI-LO, COMO PRETENDO. VOU ACRECSENTANDO O QUE CONSEGUIR AINDA QUE SAIA E QUEM TIVER PACIÊNCIA E JULGAR QUE VALE A PENA PERDER TEMPO COM A SUA LEITURA, QUE O FAÇA E ME DIGA SE DEVO OU NÃO CONTINUAR. MUITO OBRIGADO



Canto I


Como foi bom ter visto o que deixaram
os homens desse século passado
pedra sobre pedra que lá juntaram
foi marca que ficou do nosso lado
onde conseguiram ir nossas naus
idas da bela praia lusitana
mostrando que não éramos tão maus
nós que fomos além da Taprobana

Por terras para nós desconhecidas
quiseram nossos Reis dar mostra viva
sabia-se que existiam partidas
o regresso seria expectativa
sempre p’ró Sul era o caminho certo
que a África ali estava aos pés
fosse o que fosse nada era perto
havia era que enfrentar marés

Por cá os Soberanos aguardavam
que notícias a chegar fossem boas
porque as más bastante cá estavam
só verdades queriam não as loas
e os nossos navegadores largados
a derrocadas chegaram de primeira
e não sendo por lá bem esperados
mesmo assim deixaram nossa bandeira

Havia que guardar o conquistado
deixar pelo caminho sinal do Norte
não podia ficar abandonado
o que tinha custado alguma morte
a nossa fé ali nos muçulmanos
não era fácil de introduzir
havia que esperar bem longos anos
e mesmo assim talvez não conseguir

Por isso o que havia que fazer
era ali deixar como um suporte
algo que não fácil de esquecer
como um altivo e majestoso forte
que pudesse olhar de perto a cidade
e como soldado e fiel cristão
por lá se deixou também um alcaide
em Marrocos, onde está Mazagão

Mais para baixo se foi encontrando
terra perdida, ninguém conhecia
havia que cuidar e ir zelando
o que o mistério oferecia
furando as ondas do Oceano
sonhou-se o que seria Santiago
sem deixar que nada nem ninguém vergue
não ficando um único lugar vago
lá está até hoje Cabo Verde

Mas muito mais longe donde partiram
já lá no Índico, outro Oceano
foi para aí que as nossas naus fugiram
levando nas mãos pendor lusitano
e outras gentes descobridor viu
já não tinha a mesma cor da pele
que onde se estava já era Diu
e que a fortaleza vos acautele

Ainda na Índia, mais adiante
a basílica de Bom Jesus é
o que é para nós o bandeirante
e ao mesmo tempo faz finca-pé
nessa mesma Índia onde estivemos
que descobrimos para todo o mundo
e por sermos assim não soubemos
conservar o que estava bem no fundo
que é a língua e aquilo que valemos

Enfrentando mares tão enfurecidos
e com povos nem sempre acolhedores
tardava a ficarem convencidos
houve até que sofrer amargores
mas a pouco e pouco conseguimos
mostrar quer eram boas intenções
e por fim aquilo que ali vimos
não deixou que fôssemos os brigões

Capitães das naus e seus marinheiros
que viam tudo por primeira vez
souberam que não eram os dinheiros
que fazia impor o português
havia que usar bem outros meios
o sorriso e até boas maneiras
ofertas a que não eram alheios
tudo isso destruía barreiras

Por vezes as armas eram precisas
a força e a destreza lá estava
o pior eram acções indecisas
e não estar certo da caminhada
mas sempre a tal força se evitou
não era essa a nossa intenção
foi sempre igual aonde se chegou

Após isso voltava-se ao mar
havia que seguir o seu caminho
muita coisa estava por achar
e não se dispunha de adivinho
colocado o padrão no seu lugar
deixada gente nossa nessas terras
não era hora de capitular
nem de nos metermos em grandes guerras

O português que foi deixou rastilhos
por lá restaram algumas palavras
talvez que uns tantos dos seus bons filhos
as usassem como sendo suas lavras
mas os séculos que foram correndo
e liquidaram a velha memória
fizeram prática de dessabendo
também é assim que se faz História

Encaminhando as naus mais p’ra diante
surgiu a China também vivente
com séculos de vida celebrante
mas sem ter ideia do Ocidente
e aí se subiu mais um degrau
até há pouco criámos o que durou
deixámos lá S. Paulo, em Macau
que a partir para a China até chorou

Também no Atlântico, noutro lado,
não esperavam os portugueses
os índios que lá tinham seu passado
não contando com uns tantos revezes
S. Francisco também abriu a porta
e sendo de Assis e da Penitência
ali português não foi letra morta
e se propagou com toda a coerência

Em tudo que era sítio, nossos frades
transpuseram a sua fé em Cristo
puderam mostrar suas qualidades
e nos indígenas pôr o seu visto
mesmo com a sua vida em perigo
por lutarem com crenças muito próprias
nada por lá seria inimigo
e as intenções não eram utópicas

Depois de tantos nomes tão famosos
de um Vasco da Gama bem certeiro
de outros descobridores valorosos
todos a quererem ser o primeiro
mais tarde calhou a outra figura
poder dar o passo memorial
tido como o da Boaventura
de nome Pedro Álvares Cabral

Uma lista enorme de valentes
como Albuquerque, o conquistador
foram na História expoentes
todos a merecerem seu louvor
pois cada um à sua vez
que deu enorme passo de gigante
dando mostras de que o português
quando quer vai pelo mundo adiante

Foram muitos os que marcaram ponto
na fila grande das celebridades
ainda que hoje se dê desconto
a quem não o fez p’ra deixar saudades
o mundo ingrato só um recorda
aquele que tal em voo de pomba
mesmo preso por uma certa corda
connosco aprendeu, Cristóvão Colombo

Os que depois de terras conhecidas
lá se instalaram p’ras defender
construindo fortes, até ermidas
que outros também as queriam ter
deixaram seus nomes lá bem gravados
e a Cruz de Cristo p’ra recordar
que por lá passaram gentes de fados
que tinham chegado do verde-mar

E as igrejas, os mosteiros ficaram
a marcar a presença portuguesa
e bastantes deles se conservaram
até hoje com a sua grandeza
são maravilhas, estão noutras mãos
não são nossas as terras onde ficam
porém serão assim nossos irmãos
que como tal até nos dignificam

Hoje em dia, tantos séculos passados
cada sítio escolheu seu caminho
não estamos na época dos Cruzados
e cada um pode fazer seu ninho
onde as circunstâncias o permitam
navegadores abriram as portas
fizeram primeiro a caminhada
pois nada disso foram horas mortas
realidade é p’ra ser aceitada

Somos mais pequenos face ao mundo?
na realidade grandes nunca fomos
estamos como nascemos, no fundo
temos de aceitar tal como somos
e se lá fora tanto nos mostrámos
em casa só ficámos reduzidos
ao muito pouco em que nos aflorámos
conformados com tempos já fugidos

O amanhã é incógnita de dor
não construímos para nós gozarmos
e por mais que surta hoje o clamor
depende daquilo que nos armarmos
para o futuro que nos espreita
o malvado que até prega partidas
e isso da Esquerda e da Direita
é coisa que pertence a datas idas

A juventude tem de preparar
aquilo que a espera na esquina
pois que não há mais terra para achar
a que existe já tem quem a domina.
Fiquemos assim Os Lusíadas lendo
que ainda pode dar-nos mais valia
aquilo que continuamos tendo
‘inda é a nossa lusofonia




Canto II

O mundo dormindo à nossa volta
não se preocupava com uns loucos
como nós, portugueses, cá à solta
e que por sinal éramos bem poucos
não levando em conta os nossos feitos
não se apercebendo da importância
e menos dos seus futuros proveitos

Só séculos depois lá despertaram
assustados entendera então
que as terras onde as nossas naus chegaram
passaram a ser da nossa comunhão
Que horror! Que injustiça, gritaram
um País tão pequeno não merece
aquilo que nos dizem que ganharam
mas que a nós, grandes, só enfurece

Todas as invejas não se esconderam
mais a mais se em terras africanas
grandes riquezas lá apareceram
e nem mesmo trovas camonianas
cantaram o que nós não descobrimos
estiveram lá anos enterradas
e o seu bom valor nunca sentimos
pois não chegaram lá nossas enxadas

Hoje, a nossa visita a terras velhas
será p’ra recordar só os heróis
mas também para construir grelhas
para ajudar futuro no depois
de onde saímos escorraçados
sem jeito para mostrar nosso amor
levamos lá hoje alguns recados
mostramos nosso lado sedutor

E a verdade sim deve ser dita
recordando nosso comportamento
com toda aquela gente bem aflita
foi com alguma pena o momento
em que o nosso coração ficou
metade por lá onde estivemos
e até hoje não se explicou
como entendermo-nos não soubemos

Em África nossa língua ficou
melhor ou pior igual se fala
o luso-afro lá se implantou
e os naturais disso fazem gala
por muitos outros sítios se perdeu
a semente não pegou bem na terra
na Ásia e na China lá morreu
aquilo que a lusíada encerra

Cantarmos os Lusíadas só resta
a quem já pouco fica para dar
não é agora altura para festa
e o que foi antes um patamar
não é já hoje em dia um trampolim
muito embora olhando a geografia
continuemos a ser um jardim
onde pouco paira a alegria

Devíamos por tal tudo fazer
para que nossa língua portuguesa
constituísse grande comprazer
e fosse hoje enorme grandeza
falada muito longe, toda a parte
pois que se noutros tempos desbravámos
agora só faltava engenho e arte
para deixar à solta o que bramámos

E as Tágides do Tejo saindo
nos corpos levariam os poemas
talvez assim iriam conseguindo
deixar lá longe lusitanos temas
difundir como fazem os ingleses
eles que não foram descobridores
ao contrário de mós os portugueses
que fomos primeiros velejadores

Injustiça esta de os outros ver
espalharem língua pelos lugares
quando era a nós que calhava fazer
e que em vez de usarem militares
ser o próprio povo a si chamar
essa função de ensinar tão nobre
e levá-lo por esse verde-mar
tanto ao rico como até ao pobre

Não soubemos nunca arrecadar
em proveito próprio distribuir
e sós uns poucos puderam gozar
e com isso também usufruir
das riquezas bem longe conseguidas
à custa de indígenas esforços
para isso valeram nossas idas
aqui e qlém com alguns remorsos

Os demais que já depois partiram
sabendo que encontravam firme terra
não provocou surpresa o que viram
pois não havia que enfrentar guerra
florestas adentro se instalaram
que as populações eram amenas
e os homens até se deslumbraram
com as mulheres que havia às centenas

E assim os filhos de sangue luso
foram nascendo com cores mais claras
e não se tratou de nenhum abuso
antes o fruto de novas searas
e por onde os portugueses passaram
deixaram sua marca lusitana
pois que esse convívio provocaram
nem que fosse mesmo numa cabana

Pretos ou índios havia por lá
as suas cores eram bem notadas
mas os que as naus levavam de cá
e o que depois foram as fornadas
eram homens ávidos de mulher
que eles com prazer aceitaram
e com espírito de bem me quer
à farta muitos filhos procriaram

Novas cores de pele foram surgindo
e cada vez que os nossos partiam
em que as fêmeas de cá não sorriam
tão somente no cais se despediam
eles sem parceiros nos seus destinos
e não sendo esquisitos de raça
não se importavam de fazer meninos
não lhes ocorria qualquer desgraça

E os meio-brancos assim nasceram
pois que os portugueses os fabricaram
e outros povos se surpreenderam
de poucos escrúpulos acusaram
para eles misturar era falta
fazer mulatos e indianos claros
era aquilo que nunca se exalta
só representavam grandes descaros

Não foi só sémen o que levámos
o falar era o que se impunha
foi assim com a língua que falámos
que foi entrando e formando cunha
em muitos sítios ela foi imposta
gentes de além as foram ouvindo
e como havia que lhes dar resposta
sem esforço se foi introduzindo

Grande diferença entre o outrora
e o que ocorre séculos passados
se o povo é o mesmo nesta hora
por cá não se igualam antepassados
o que está, está, fiar focou
cada um com o seu caminho andado
se na altura própria não mudou
não adianta agora o revoltado

Somos o que somos e como estamos
para onde vamos pouco ou nada altera
e temos ao lado nossos “hermanos”
que também gozaram mesma quimera
quando o ideal era a descoberta
e tendo passado já nossas ilhas
assinámos acordo pela certa
que foi o Tratado das Tordesilhas

E com o mundo dividido a meio
para não haver brigas de chegadas
havia então apenas o anseio
de das nossas naus e das amuradas
sermos primeiros a ver firme terra
que a nós competia descobrir
e junto ao mar ou no alto da serra
um Padrão colocar e assumir

O castelhano que hoje se fala
para lá da europeia Ibéria
foi obra de quem com enorme gala
levou a peito tarefa tão séria
por nosso lado, nessa mesma zona
com Atlântico a beijar a costa
havia que dar-lhe com certa fona
tarefa sido já antes sido imposta

E em Vera cruz, seu primeiro nome
os índios estavam e eram amenos
ainda por lá não havendo fome
nossos contactos foram bem serenos
nossos costumes logo empreenderam
até parece que deles gostavam
e os nossos vícios compreenderam
as relações dos dois nada custavam

Mas eram poucos, grande território
fazia falta levar nova gente
do outro lado havia fartório
e o clima era igualmente quente
não fazia mal, de cor mais escura
mas eram braços para trabalhar
havia que aproveitar fartura
chegava para todos sustentar

A escravatura assim se implantou
os brancos abusaram do poder
e por bastante tempo ela durou
fechar os olhos e fazer sofrer
de África vindas grandes famílias
levar acorrentados os maridos
sem liberdade alguma p’ra quezílias
pois se assim fizessem eram banidos

E por muitos anos isso durou
mesm’até depois da independência
patrão anafado não se fartou
e viveu à custa dessa demência
as casa grandes muito aumentaram
as sanzalas cresceram ‘inda mais
e assim todos se alimentaram
e nada do que vinha era demais

O açúcar nessas terras nascia
até da cana ele se tirava
e isso e outras coisas se podia
conseguir, pois o campo tudo dava
mas o Homem é bem mais exigente
e não lhe basta o que vê em cima
e no íntimo tinha bem assente
que a riqueza causa boa estima

O cheiro a ouro surgia de repente
indígenas nem caso lhe faziam
logo isso atraiu aquela gente
a que os lusitanos pertenciam
e foi nesse século dezasseis
que as naus de retorno cá trouxeram
o que para fazer muitos anéis
e o mais que aos tantos aprouveram

Foram monumentos e catedrais
e nos palácios festas deslumbrantes
que nessa época nada demais
só o povo ficou como era dantes
a ver chegar tantas fortunas
que diziam porvir lá de longe
pois as benesses só são oportunas
e nem todos se parecem com monge

Com índios, pretos, brancos e sem zanga
e a Família Régia lá então
foi fácil dar o grito de Ipiranga
nascendo o Brasil da comunhão
com gente de cá já tinha ido
e outra de lá já natural
foi em ambiente bem colorido
que se separou de Portugal
VOLTEI ATRÁS PARA ESCREVER QUE, NO DIA 8 DE JULHO, TERMINEI 50 PÁGINAS DESTE POEMA QUE QUIS DEDICAR À NOSSA LÍNGUA E QUE TEVE COMO INSPIRAÇÃO O NOSSO GRANDE LUSÍADAS, SEM PODER EVIDENTEMENTE FAZER A MENOR COMPARAÇÃO.















PROBLEMAS PARA RESOLVER



Num só texto vou-me referir a dois temas que, no fundo, estão intimamente ligados: o da chamada alteração de estilo que mostra agora José Sócrates, segundo alguns devido ao revês que sofreu o PS nas eleições europeias e à moção de censura que o CDS entendeu apresentar no Parlamento para obter não se sabe bem que resultado.
No que diz respeito à aparente humildade que o primeiro-ministro terá apresentado na entrevista dada na SIC, devo referir que, de facto, em relação a comportamentos a que nos habituara no que diz respeito à sua determinação de que só ele tem razão e que os outros, os adversários, andam sempre enganados, não se pode concluir daí que Sócrates terá feito um exame à forma como se apresenta sempre perante os cidadãos, sejam quais forem os motivos, pois a referida entrevista foi conduzida por uma jornalista que, ou estava já industrializada para não “apertar” excessivamente o convidado ou as condições impostas pelo político já impunham tais condições de o deixarem falar livremente.
Porque, há que referir que, ao contrário do estilo de Manuela Moura Guedes, que essa não põe questões mas faz afirmações e críticas, o que não é admissível num jornalista, esta perguntadora deu enorme margem de exposição dos seus pontos de vista, não fez trabalho e casa e, por isso, não foi capaz de pôr questões que obrigariam José Sócrates a mostrar se, de facto, adoptou um estilo novo de se explicar. E, sobretudo, nunca deixaria que o entrevistado alguma vez lhe pusesse a situação de “se me pergunta…”, pois que um jornalista de verdade logo diria que “peço desculpa, mas não antecipe perguntas que só eu faço…”
Enfim, não foi através deste trabalho jornalístico que se ficou a saber se o primeiro-ministro que temos já se encaixou num estilo que não se aproxima sequer da arrogância e do saber tudo.
A outra questão que ponho agora é a da moção de censura que o CDS entendeu dever apresentar no Parlamento, o que foi a demonstração perca de perca de tempo, pois eram sabidos de antemão os resultados de tal proposta política. E, com as eleições à vista, em que se adivinha que os resultados não serão os da repetição do passado escrutínio que colocou o PS em maioria, apenas uma demonstração de pretenso mediatismo e marcação de presença numa intervenção parlamentar que se sabia que era transmitida televisivamente, só isso poderá estar na base da iniciativa tomada por Paulo Portas, que é mestre em dar mostras de que está vivo, mesmo quando os resultados conseguidos em eleições não sejam de molde a lançar foguetes.
Eis-nos, pois, todos nós cidadãos portugueses, mais uma vez a aguardar que alguma coisa de importante ocorra na nossa vida política e não continuemos a marcar passo que, na situação actual, representa irmos perdendo cada vez mais posição de vencimento em relação à crise de todos os tipos que nos entram pelas portas dentro.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

MEMÓRIA

Tanta falta que ela faz
quando a ela recorremos
e se ela se compraz
não mostra o que queremos

É assim a tal memória
faz-nos sofrer com desgraças
recordar-nos cada história
que nem vê-la com mordaças

Certos nomes, certas caras
que precisamos lembrar
são situações bem claras
que a memória faz passar

Coisas passadas há anos
que os tempos já tinham posto
no fundo dos oceanos
não nos causam o desgosto

Mas ocorrências de há pouco
essas de que ‘inda paira o cheiro
deixam-nos como um bacoco
ardeu tudo num fumeiro

Pois a memória é assim
muitas vezes nos ajuda
compensa a dizer que sim
quando não teima em ser muda

Queixamo-nos muitas vezes
da falta que ela nos faz
então a nós portugueses
muita arrelia nos traz

Memórias da ditadura
é coisa que ninguém quer
é matéria muito dura
não é algo de prazer

Mas recordar coisas belas
bons momentos já passados
é como acender as velas
em honra de seres amados

Temo-nos que conformar
com as lembranças melhores
que já não querem voltar
a fazer seus favores

Memórias más nem pensar
mas são essas as que chegam
só dão para enfadar
e nos aconchegam

Se no botão eu pudesse
escolher o que me apraz
talvez nunca eu fizesse
olhar sempre para trás

Memória que até dá jeito
para lembrar os favores
que me trouxeram proveito
no que conta a desamores
então já não acho graça
mais vale não ter memória
que isso de mulheraça
é tema p’ra outr história

NOVO SÓCRATES?



Não podia deixar passar esta ocasião para, logo na manhã do dia seguinte, fazer referência à entrevista que José Sócrates concedeu à SIC, após o telediário da noite.
Confesso que, depois da sessão de ontem, na Assembleia da República, em que as oposições, todas elas, com saliência para Paulo Portas que tomou o comando das acusações ao primeiro-ministro, e face às afirmações surgidas de que se tinha alterado profundamente o comportamento do chefe do Governo, tendo passado – provavelmente só nessa ocasião – de arrogante a humilde, coisa que eu nunca considerei como sendo uma mudança assim tão visível, face a tudo isso sempre pensei que surgiria na entrevista televisiva um político que aproveitasse aquela ocasião (provavelmente programada para permitir uma visibilidade estudada), com um ar completamente modesto e em que, sem receio até do exagero, conseguiria transmitir alguns pedidos de perdão por certas falhas cometidas ao longo do seu mandato governamental. A minha ingenuidade chegou ao ponto de pensar que o exemplo de Obama, que não teve medo de afirmar em certa altura logo no início da sua presidência, que não sabia tudo, poderia ter influenciado o secretário geral do PS, no papel de principal responsável pela condução do País ao longo deste mandato que vai terminar em Outubro.
Como me enganei! Afinal, o entrevistado, ou não foi capaz de assumir esse papel ou era já assim que poderia ter estado combinado aquilo que se designou por “entrevista”. A jornalista, aliás simpática, não lhe fez qualquer pergunta difícil de responder. Não fez um bom trabalho de casa. Ali esteve a suportar uma propaganda socratiana, aquela que passou para as antenas dos televisores e que, atrevo-me a afirmar, mais uma vez enfastiou os portugueses que não se situam na sua área. E não se trata apenas de serem ou não socialistas os que ligaram as televisões para tomarem nota de um Sócrates que, se admitia, poderia aparecer e provocar uma surpresa a todos.
Pouco mais tenho a dizer quanto ao espectáculo bem conhecido que foi oferecido a quem se sujeitou ao discurso propagandístico. Nada de novo. O convencido que tem sempre razão não conseguiu – nem sei se estaria disposto a isso – falar das suas falhas e dos erros que, como seria natural, teriam de ser cometidos durante toda a legislatura.
Tratou-se de mais um atestado de pobreza política o que foi oferecido na dita entrevista. E foi uma pena. Tenho, de facto, um dó infinito deste homem que se julga o primeiro, o único, o certo, o indiscutível. Todo o mundo circula à sua volta e que não se dá conta de que aqui existe um homem-modelo, um político exemplar, alguém que ficará na História e, se não for assim, então todos terão de ser uns ingratos.
A pergunta a fazer aos portugueses – como se isso fosse possível! – é se, depois deste espectáculo televisivo, teria subido a pontuação de José Sócrates no conceito político. Dentro de todas as probabilidades, a minha opinião é a de que não foi acrescentado qualquer valor, se é que não desceu até na escala.
Digo isto, mas devo sublinhar que me transmite enorme preocupação que tal aconteça. É que o nosso País atravessa um período de enorme perigo social. E não é com a falta de uma política bem estruturada e firme que se consegue fazer com que não caiamos num atoleiro ainda pior do que aquele que atravessamos nesta altura. Bem desejaria deixar aqui boas esperanças em relação ao que se vai passar depois das próximas eleições que, segundo parece, ocorrerão em Outubro que aí vem. Mas não sou capaz de mentir…

quarta-feira, 17 de junho de 2009

ALTA VELOCIDADE?


Os homens têm destas coisas. Começam por teimar na posição que tomaram e depois, perante as circunstâncias que insistem em mostrar outro caminho, lá entendem dever aceder às propostas que não são as que antes consideravam inabaláveis. Mas, em todo o caso, é bom sinal quando se dá um passo atrás e se resolve adiar uma atitude que tinha sido tomada ou, dentro de outra hipótese, cancelá-la definitivamente.
Digo isto porquê? Perante a posição tomada agora pelo Governo de Sócrates de suspender, para depois das próximas eleições, ou seja deixando a solução do problema para o Executivo que vier a tomar posse em Outubro, face ao que se esperava há já algum tempo só agora foi accionada a não adjudicação neste altura do primeiro troço nacional da rede de alta velocidade, entre o Poceirão e o Caia, na fronteira com Espanha, o que corresponde à preocupação expressa pelo Presidente da República quanto à necessidade de não se comprometer o futuro no que diz respeito a gastos excessivos, ao tomar-se agora conhecimento deste volte-face em relação ao que era uma medida estabelecida, o que os portugueses têm de reconhecer é que aquilo que não contava com um enorme aplauso nacional foi levado em conta por José Sócrates.
Quais serão as consequências desta atitude? - pode-se perguntar. Para além da satisfação que será generalizada, julgo eu, tal decisão vai influenciar a votação que terá lugar em Outubro próximo. E como? Se fica nas mãos do próximo poder executivo o investimento na linha de caminho de ferro de alta velocidade, então será admissível que a orientação do voto seja a de colocar nas mãos dos opositores ao PS o comando das operações.
Quer dizer: os socialistas oferecem, de bandeja, aos seus adversários a posse do Executivo. Já não bastava a má colocação obtida no acto das europeias, para agora surgir nova e valiosa prenda para que os outros partidos, ainda que tenham de actuar posteriormente em coligação, pelos vistos de Direita, deem mostras da sua capacidade.
Ou não! Será que esta perspectiva assusta o eleitorado? Irá o PS, desta vez, actuar de forma a incutir confiança nos cidadãos, ou seja, apresentará um programa que conseguirá convencer os nacionais que já não se farão mais promessas que se sabe serem impossíveis de realizar?
Com as mesmas caras? Com os mesmos “jamais”? Com as teimosas ministras que não arredam um passo das medidas impopulares que tomam? Com os incompetentes que deram mostras de não serem capazes de enveredar por caminhos de bom senso?
Iisto não me parece possível, mas o povo está sempre disposto a acreditar, na ânsia de ver a sua vida melhorada. Por iso há que esperar para ter acerteza.

terça-feira, 16 de junho de 2009

MUDANÇAS


Será que se vai verifica uma mudança importante no panorama político nacional, na área que se tem de encarregar de levar por diante a governação que nos é proporcionada, ao ponto daqueles ministérios que mais fragilidades têm demonstrado virem a ser substituídos nas cabeças que os dirigem?
Esta pergunta é feita antes das eleições legislativas, pois seja qual for o grupo político, só ou acompanhado, que venha a tomar conta da governação portuguesa, mantenha-se ou não o PS com maior número de votos, mesmo que com maioria mas sobretudo sem ela, é sempre de ter esperanças de que sejam mandados para casa – se é que, como de costume, não se lhes arranjam aqueles “tachos” com que é habitual premiar mesmo os mais incompetentes – aqueles ministros que deram largas mostras de não serem capazes e, com isso, possamos vir a beneficiar de outra gente que seja capaz de encarar os problemas que nos atormentam e, de uma vez, meter a mão sem medo e andar para a frente com soluções.
Se for o caso da alteração governativa se produzir na totalidade, nestas condições será mais fácil não existirem compromissos e as escolhas dos que forem os substitutos se faça com maior cuidado e conhecendo-se de antemão quais são os pontos fracos, também haverá mais facilidade em atacar as situações mal conduzidas e mudar radicalmente de formas de as encarar.
Só vou aqui deixar uma amostra dos pelouros que necessitam urgentemente de medidas de fundo, posto que não é admissível que se mantenham as quezílias que se arrastam por tempos indefinidos. Claro que a Justiça é o que me salta em primeiro lugar, e não pode aqui haver desculpas com a crise internacional para que um ministro capaz, rodeando-se dos assessores que saibam da matéria, ouvindo todas as partes e não deixando de atender ao que o Bastonário da Ordem dos Advogados lhe poderá transmitir – visto que tem sido uma figura que surge frequentemente a apontar erros -, acabe com a vergonha das demoras e das decisões dos tribunais como aquelas que andam agora na boca de todos, a protecção dos menores, por exemplo, essa Justiça é a que está pedir a rapidez de uma mão salvadora.
Mas outros ministérios têm de ser alvo de urgente intervenção política: a educação, sem dúvida, para que se resolva o caso dos professores, mas não só isso, como seja as mudanças no ensino que, como é sabido, anda pelas ruas da amargura e a nossa juventude bem precisa de ser bem preparada. As Finanças, se bem que se trate de um sector que depende em grande percentagem do que ocorra no meio internacional, mas também aí se necessita de uma cara nova, mais convincente, para dar confiança aos cidadãos, pois que a que está já não consegue sequer essa mudança. A Economia não pode manter o mesmo detentor do pelouro. Já aqui, num blogue, lhe dediquei um espaço, mas é notório que o sector difícil, é certo, da produção nacional, não pode manter-se num marasmo como se encontra e é nos momentos difíceis que se tem de jogar na mudança, para permitir novos meios e novas perspectivas.
Enfim, as eleições têm de servir para alguma coisa. Porque, para ficar tudo na mesma não é necessário incomodar os cidadãos com idas às urnas.
É o que se espera que saia do próximo acto eleitoral. Porque, para ficarmos na mesa, entregues aos “milagres”, então mais vale sentarmo-nos às portas das nossas casas e rezarmos, se é que temos fé bastante…


segunda-feira, 15 de junho de 2009

ÁGUA

Já cá estavas quando eu nasci
bebi-te ainda sem saber quem eras
terei gostado, sim, gostei deveras
matando a sede, por isso sorri

Ó água pura que ainda existes
nem nisso pensam as gentes de hoje
se algum dia esse bem nos foge
será então que ficamos mais tristes

E esse dia terá que chegar
mesmo dizendo não os optimistas
é preciso não desviar as vistas
do mal que poderá todos matar

Água salgada, essa aumentará
mas tirar-lhe o sal é difícil cousa
na terra a que ainda repousa
virá o dia em que acabará

A Igreja chama-lhe água benta
e com esta baptiza as criancinhas
serão elas talvez, as pobrezinhas,
que terão de enfrentar tal tormenta

É ainda o líquido precioso
que tem servido para enganar
misturado no que se vai provar
pois é vício deste mundo enganoso

E na vida faz bem ter certa fé
é muito bom crer no que quer que seja
e em vez de água beber cerveja
como em seu lugar tomar água pé

Mas para ambas é essencial
essa água que não pode faltar
da mesma forma que não haver ar
é morte certa p‘ra qualquer mortal

Mas será que neste mundo em mudança
onde tudo se inventa cada dia
alguém conseguirá a utopia
de atingir a bem-aventurança?

Não sendo a água já tão necessária
ficamos nesse caso descansados
temos de olhar para outros lados
para outra coisa também primária

Porque não acabam as aflições
excesso de gente causa problemas
e serão tais os vários dilemas
que o melhor é não ter ilusões

ÁGUA



Já aqui me referi, em tempo oportuno, ao problema que o mundo tem que enfrentar daqui a algum tempo, a anos de vista, mais ou menos de acordo com a disposição dos que são mais ou menos pessimistas, e que se refere à escassez de água que vai ocorrer no nosso globo terrestre.
Serão 50 anos de expectativa? Serão mais? Ou nem isso? Seja o tempo que tardar até se confrontarem os humanos com tal descalabro, os cientistas, aqueles que estufam estes problemas não escondem que, a seu tempo, isso acontecerá. É uma fatalidade a que os que cá estiverem não escaparão.
Portanto, avisados os habitantes do mundo, lá isso estão. Se bem, nos dias em que vivemos agora, não haja motivos para deitarmos as mãos à cabeça. Por enquanto podemos desperdiçar esse precioso líquido, como fazemos todos que deixamos as torneiras abertas e que enchemos o copo e deitamos o resto fora do que sobrou por não termos bebido toda a água. Isso, para não falar de outros gastos supérfluos a que assistimos e não ficamos muito preocupados por isso.
No entanto, se não se trata de uma fantasia pessimista este aviso que a ciência já não esconde, a pergunta a fazer é o motivo por que os diversos governos espalhados pela Terra não deram ainda mostras de tomar medidas de modo a que se dê início a uma campanha de grande aproveitamento da água que cai das chuvas e a que sobra das enxurradas bem a que sobra dos rios em tempos de Inverno, encaminhando-a para depósitos construídos para o efeito, não a deixando perder-se nos mares e oceanos.
No que diz respeito ao nosso País, já que a Península Ibérica é apontada como sendo o primeiro território a vir a sofrer as consequências da escassez do referida líquido, não teria sido uma medida de prudência ter já investido numa política de poupança, com a criação de estruturas que contribuam para reservar o que é imprescindível para a vida humana?
Andam as cabeças políticas dos diferentes governos que têm passado pelo poder a dedicarem a sua atenção para diversos problemas que, também de facto, constituem preocupações que não podem ser postas de lado, como seja a substituição do petróleo, da electricidade, do carvão e de outros produtos que, até agora, têm estado no primeiro plano das utilizações humanas, mas, no que diz respeito à água, aí parece que se trata de algo de que o Homem pode prescindir e que já se conhece o que pode ser utilizado com o mesmo efeito.
Aí está aquilo a que o Executivo de José Sócrates poderia ter dado a maior atenção e até mostrar a sua preocupação que transmitiria aos portugueses, desenvolvendo medidas que iriam contra o não aproveitamento e criando condições para a armazenagem em condições próprias e renovando essas guardas, pois a água é um produto que não pode ficar preservado infinitamente.
Mas não. Isso era uma medida excessiva para a cabeça do primeiro ministro que temos tido. Ainda vamos a tempo?

domingo, 14 de junho de 2009

PERGUNTA



Eu pergunto-me, pergunto-me, procuro saber a resposta mas ela não aparece e não consigo descortinar a forma de obter satisfação a esta minha dúvida: qual a razão que me leva a este extremo de estar a perder, cada dia que passa, cada vez mais consideração pelos políticos tidos como profissionais dessa actividade. Eu que, pela profissão que exerci ao longo dos anos, antes e depois do 25 de Abril, tive oportunidade de conviver com tantas personalidades situadas nessa área e que conheci, como pessoas, um apreciável número de indivíduos que tinha e tenho de considerar como gente merecedora de consideração e, em certos casos, de amizade, ao analisar os feitos que saíram de uns tantos entra-me um azedume que só disfarço com a escrita a que me dedico, para fazer desviar a atenção para situações bem diferentes daquilo que constitui a sua actividade relacionada com a vida no nosso País.
Tenho que dizer isto, se bem que possa soar a elogio em boca própria: é que se me calhasse a mim assumir a responsabilidade de algum lugar visível e de importância quanto ao desenvolvimento nacional em alguma área considerada prioritária, não tomaria nunca o ar de ser portador da sabedoria total e muito menos assumiria a arrogância de afirmar que nunca me enganava e as dúvidas eram coisas que nunca passariam pelas minhas decisões. Estaria sempre pronto a mostrar que me tinha equivocado em alguma atitude tomada antes, pois não é por um ser humano se encontrar circunstancialmente num lugar em que pesam sobre si enormes responsabilidades de decisão, não é por isso que tem de estar sempre certo no que diz e no que faz. Por isso, o reconhecer um engano não pode constituir um crime pesado. O que sim tem de ser objecto de crítica e de admoestação é praticar esse erro e insistir nele, sem dar a mão à palmatória, não fazendo o possível para ir ainda a tempo de proceder à emenda.
Ora bem, aquilo a que se assiste cada vez com mais insistência é precisamente à prática de equívocos políticos originários de elementos que foram escolhidos pelos responsáveis principais dos Executivos, os quais tomam posse por via da indicação dos votos da população. E essas incompetências custam fortunas ao erário público, sem que exista uma determinação que lhes indique o caminho da porta da rua e, os faça responsavelmente pagar pela falta de capacidade de gerir os bens que são de todos os cidadãos.
As obras que são feitas e pagas pelo Estado, em que são verdadeiros rios de dinheiro que se perdem em virtude da falta de cumprimento dos orçamentos estabelecidos para efeitos dos concursos públicos, estes que ultrapassam em dobro e em triplo os valores indicados nos cadernos, ao que se têm de somar os prazos que também não são respeitados, prolongando-se anos e anos as datas de finalização estabelecidas, isto também representa custos que têm de ser suportados pelo erário que os cidadãos sustentam.
Foi agora tomada uma decisão de ser criado um organismo que (segundo parece vai oferecer mais alguns postos de actuação em que lá caberão, como é costume, uns tantos protegidos políticos) tem como objectivo fiscalizar o cumprimento de execução das obras públicas, no que respeita a custos finais e prazos de acabamento. Quer dizer, a Revolução ocorreu há 35 anos, passaram pelos Governos dezenas de bem instalados, desde sempre que têm lugar as saídas de milhões de euros dos cofres do Estado para liquidar as contas das obras públicas, sempre, ao longo de todo este tempo se tem verificado, mas só agora é que se “acordou” para esta necessidade de não deixar à solta a fiscalização dessa área tão importante. É obra!
A casa da Música (com uma derrapagem de 62 milhões e um atraso de 4,6 anos), antes a ponte Vasco da Gama (com aquele prolongamento em curva que não se entende outro motivo que não seja o fazê-la mais cara), o túnel do Rossio, o mesmo no Terreiro do Paço – esse então até faz dó saber que tem a mão de técnicos nacionais e isso provocou um desvio orçamental de 29 milhões de euros -, tudo isso para além de múltiplos outros que são o sinónimo de obras que nunca mais acabam, o que se passa por esse País fora em que as autarquias fazem das suas, com pouca fiscalização honesta, tudo isso é que constitui o Pão Nosso de cada dia neste nosso cantinho.
Eu, que recebi em minha casa, durante muito tempo, todas as sextas-feiras, tudo o que eram políticos desta Terra, de Esquerda e de Direita, e simultaneamente, muitos em actividade também hoje, em jantares em que a minha Mulher se esmerava, tudo para poder contribuir para a convivência entre adversários partidários, verificando que existia, na realidade, um relacionamento que permitia a troca de opiniões com absoluta boa vontade, perante essa situação tenho dificuldade em aceitar o motivo por que cheguei a este ponto de falta de consideração pelos profissionais da política que actualmente se sentam nos cadeirões de qualquer poder.
Eis, pois, a explicação do meu desencantamento (tenho até um livro pronto a ser editado, com o título “Desencanto… por enquanto!”) no que diz respeito ao que me é proporcionado assistir na Terra onde nasci. Se ainda existisse o meu antigo semanário, “o País”, que sempre primou pela independência absoluta, seguramente que seriam muitos os inimigos que teria que enfrentar, pois isso da Democracia, da aceitação das opiniões dos outros, da convivência salutar com aqueles que têm opiniões diferentes das nossas, não chegou ainda cá com inteira pureza. Trinta tal anos de liberdade não chegaram para educar este povo e, como já escrevi neste blogue, enquanto não existir uma classe para a miudagem do primeiro ciclo que ensine e estimule os princípios democráticos, essa prática não se instalará em Portugal. Continuaremos a ser como sempre fomos. A nossa opinião é que conta e o resto não merece importância!
Daí o meu azedume em relação aos políticos que temos. Eles saem da massa popular…

sábado, 13 de junho de 2009

CRISE - QUE PODIA SER?



Já com a devida distância em relação ao momento em que se tomou conhecimento dos resultados em todos os países europeus, dos que votaram para o seu Parlamento, talvez seja possível agora, com a conveniente tranquilidade, fazer uma análise mais apropriada quanto aos motivos possíveis que proporcionaram os números que foram divulgados.
É sabido que, nos casos da maioria das nações do nosso Continente, os governos que se encontram a governar na data em que se apuraram os resultados das eleições europeias sofreram revezes, pois não foram os mais votados e, nalgumas circunstâncias, até se colocaram em lugares secundários.
Quer isto dizer que o apuramento através dos votos depositados naquele momento pode reflectir o que se irá verificar quando ocorrerem as eleições legislativas? Esta a pergunta que vale a pena colocar a todos os cidadãos que costumam reflectir cuidadosamente quando analisam a evolução dos acontecimentos políticos, em vez de, com uma rapidez pouco aconselhada, tirarem logo conclusões que podem provocar equívocos.
Em primeiro lugar, há que ter em conta que se atravessa há já algum tempo um período de crise económica, financeira e social em todo o mundo, que tem conduzido os cidadãos dos diferentes países para uma situação amarga, de vida plena de dificuldades. E só esta circunstância chega para que as populações vão moendo um descontentamento em relação aos políticos que se encontram nos pelouros da governação, pois não vendo solucionarem-se as diferentes dificuldades que vão surgindo o natural é que admitam que outra característica políticas possa dar uma volta e trazer alguns benefícios que até agora têm faltado. “Pior do que aquilo que temos não poderá vir!”, é o que, provavelmente, os cidadãos pouco identificados com regimes partidários admitirão na hora de votarem.
No entanto, ao contrário de alguns “sábios” que, perante as câmaras de televisão e em algumas coluna dos jornais, não perdem a ocasião para difundir as suas opiniões, ditas e escritas com um ar estranho de grandes certezas, eu, cautelosamente, prefiro deixar a dúvida quanto ao que se vai passar nas legislativas que serão apresentadas. Isto, no que se refere ao nosso País, porque o que vai ocorrer em cada parceiro europeu, sobre isso nem me atrevo a dar palpites.
É certo que a figura pública de José Sócrates, só com grande mudança do próprio no que diz respeito à sua forma de se dirigir aos portugueses é que talvez seja ou venha a ser possível conquistar o apoio popular. Se o mesmo conseguir entender que deveria ter sido, ao longo do seu mandato, suficientemente modesto e compreensivo em relação às formas de actuar dos outros, não garantindo que só a sua é que é a perfeita, se ainda for a tempo para isso e, simultaneamente, faça uma mudança rápida no seu elenco governativo, aceitando e afirmando-o que, de facto, ocorreram situações que deveriam ter tido outro tratamento por parte de alguns ministros que mereceram a sua confiança, se ainda for a tempo de pedir desculpa aos portugueses por tudo isso e apresente agora soluções viáveis em relação ao futuro imediato, quem sabe se a população descontente não lhe dê ainda alguma “chance”, nem que seja para poder formar um Executivo de coligação.
Tudo é possível, pois, por vezes, o povo actua de forma absolutamente inesperada…

sexta-feira, 12 de junho de 2009

CAVACO EXISTE



Tenho tido os meus motivos para, ultimamente, dedicar algum espaço ao nosso Presidente da República que, no meu ponto de vista, tem tido um comportamento digno dos maiores elogios, pois, não pertencendo o Governo à orientação política que está instalada em Cavaco Silva, não é por isso que não se verifica uma independência, ainda que forçada, no convívio com José Sócrates e que, no que chega ao conhecimento público, até dá mostras de uma suportável convivência que só pode ser útil para não se criarem cisões entre dois órgãos de poder que só ganham em fazer caminhar o País para um desenvolvimento mínimo que se aguarda há tanto tempo que chegue. E se essa convivência não resulta de um sentimento muito profundo, ainda maior valor se tem de atribuir à aparência que é transmitida aos cidadãos portugueses.
Mas, há que atender que o Presidente da República, dentro das funções que lhe cabem, nem sempre poderá estar absolutamente de acordo com as propostas de leis saídas do Executivo, mesmo que as mesmas tenham sido aprovadas na Assembleia da República, onde o Partido Socialista detém a maioria, sendo-lhe, por isso, fácil fazer passar as suas deliberações. E, dentro desta realidade, já por dez vezes Cavaco Silva devolveu ao Parlamento outras tantas propostas que, no seu entender, merecem ser mais maduramente pensadas e, sobretudo, analisadas se estarão conformes os ditames da nossa Constituição.
Esta última decisão de Belém, de terem sido colocadas objecções de fundo quanto ao “aumento substancial do financiamento pecuniário não titulado dos partidos políticos e das receitas provenientes de iniciativas de angariação de fundos”, permitindo a obtenção de lucros nas campanhas eleitorais o aumento do limite de despesas de campanhas, este veto presidencial só pode ser analisada pelos portugueses como um resguardo dos dinheiros públicos que, segundo opinião bastante generalizada, ficariam sujeitas ao “assalto” por parte dos partidos a ainda mais dinheiros do que aquilo que já recebem.
O que deixa os cidadãos do nosso País ainda mais incomodados em relação aos políticos que, nos vários partidos, exercem as suas funções, é que, na Assembleia da República, todos eles, sem excepção, votaram positivamente a proposta de aumento do financiamento dos seus agrupamentos, entendendo-se claramente que o que lhes interessará sobretudo será a entrada de dinheiros públicos nos cofres de cada um desses grupos, ficando insensíveis no que respeita à míngua de fundos que assola Portugal, e desejando somente que, no seu “reino”, não se verifiquem dificuldades para fazer uma vida desafogada.
Cavaco Silva mostrou que é preciso ter sentido de Estado e que, para além disso, é obrigação de todos, mas especialmente aos que se encontram na montra da política, dar visibilidade ao seu “amor a Portugal” e não apenas “amor às suas conveniências”, sejam pessoais sejam colectivas.
E depois queixam-se os comandos dos partidos da falta de comparência dos portugueses perante as urnas, deixando-as tão vazias, ao ponto de serem mais os que não votam do que os lá vão dando a sua opinião. É que os que vivem da política não são capazes de suster o seu apego quanto a beneficiarem, o mais que podem, dos dinheiros públicos. Enquanto não ocupam os lugares em funções do Estado e depois de lá já estarem, por via dos impostos e de inúmeras mordomias.
É isto que temos que nos faz reflectir quando somos forçados a opinar sobre essa actividade dos políticos, onde o Homem, sempre o Homem, mostra bem o que lhe vai no seu íntimo!...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

POPULAR

Já ouvi alguém chamar-me
de poeta popular
como querendo alvejar-me
de algo muito vulgar

Será por querer encontrar
formas simples de dizer
aquilo que no falar
não se afasta do escrever?

Sendo assim, eu não renego
aos simples quero chegar
nessas águas eu navego

Por isso, sendo fluente
meu jeito de versejar
aceito: sou diferente!

MARCAR PASSO



É evidente que, após se ter tido conhecimento do resultado das eleições europeias, o actual Governo português, saído do Partido Socialista, o que perdeu uma larga percentagem de votos naquele tipo de consulta popular, terá que encarar a sua posição e, dentro dos princípios da ética, reservar-se no que diz respeito a grandes decisões que possam brigar com a vontade do que poderá surgir na posição de substituto, quer isolado quer em coligação, como se pensa que pode ser o que venha a suceder.
Não, que não exista absoluta legalidade no exercício das funções governativas por parte do grupo político que, nas eleições passadas, venceu com larga maioria. Por isso, trata-se apenas de uma posição de respeito por uma orientação política nova que foi dada nas eleições agora ocorridas. E esse comportamento pode vir a ter um peso substancial na opinião pública, o que também poderá contribuir para que se verifique um certo respeito dos cidadãos e, quem sabe, essa posição pode até ter algum peso no que respeita à próxima escolha que os portugueses venham a fazer. Ou não.
Mas tudo isto não passa de conjecturas. Sobre o que irá ocorrer de verdade só se conhecerá em Outubro que aí vem, depois de fecharem as urnas, da mesma maneira que, feitas bem as contas, antes do início do ano de 2010 não será do domínio público o programa financeiro do novo Governo, o qual ficará sujeito a aprovação parlamentar.
Este é o panorama com que temos de deparar a partir de agora. Quer dizer, perante as dificuldades com que o nosso País se debate, não há outro remédio que não seja marcarmos passo e sermos pacientes e sofredores. Mas o que não pode suceder, em circunstância alguma, é o aumentarmos o endividamento com decisões que, por muito que contribuam para envaidecer algum membro do actual Governo, só servem para criar dificuldades ao sucessor governamental que vier a surgir, ainda que nele venha a fazer parte o Partido Socialista que, neste momento, actua sem parceiros.
José Sócrates tem que reflectir profundamente sobre a forma como tem de enfrentar, a partir de agora, o povo português. Já o deveria ter feito há muito tempo, mas não é do seu estilo dar razão aos outros, ouvir as opiniões para além da sua, ser capaz de prestar explicações sem querer tirar partido de uma propaganda própria. E, se continuar assim, não se lhe poderá augurar um futuro auspicioso na política portuguesa.
Não temo fazer esta afirmação. Nem todos podem ser como Mário Soares que, com vitórias e com derrotas, se vai mantendo na política e, seja com que idade for, não deixa de ser respeitado por todos, mesmo os que o detestam.
Referindo-me agora ao discurso pronunciado ontem pelo Chefe do Estado, aproveitando a comemoração do 10 de Junho, e hoje, que volta a ser feriado, este religioso, também os portugueses param para ir à praia, pois parece haver condições climatéricas para tal gozo, presto a minha homenagem a Cavaco Silva que, contrariando a sua participação discutível quando exerceu as funções de primeiro-ministro, agora tem dado mostras de uma louvável ponderação, pelo menos até agora. E, tendo posto o dedo em várias feridas que nos têm atormentado, só o critico por não se ter referido à situação que a nossa Justiça atravessa e que, mal como outras, é a que mais impede que a verdadeira Democracia funcione entre nós.
Mas, há que dizê-lo, deu mostras, nas suas palavras, de que não estamos a caminhar por uma boa via e que há bastante a fazer para tentarmos endireitar a estrada da vida que nos compete atravessar. Será bom que a formação política que vier a sair das próximas Legislativas guarde o discurso agora proferido. E não o meta na gaveta.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

QUEM SOU?

Quem sou eu?
Que ando cá a fazer?
Pouca coisa, mas com grandes desejos
algumas esperanças
uns dias mais do que outros.
Daqui, da vitrina do meu café
sou um mais
só me distingo porque venho sempre
para escrever.
De vez em quando paro para pensar
para apelar à imaginação
a procurar uma palavra
um sinónimo
às vezes uma rima
a tentar não ouvir o que dizem
nas outras mesas
por vezes rindo
falando alto
dizendo coisas
e eu, quedo e mudo,
preocupado com o tempo
que me pode restar ainda com cabeça.
E escrevo, escrevo,
mas para quê?
Para quem?
Quem encontrará valor no que ponho no papel?
Procuro convencer-me que
para alguma coisa servirá
o que me dita a cabeça
.Mas toda essa gente que entra no café,
que se senta,
pede um café
assim como toda aquela
que salpica lá fora a rua,
nenhum desse povo
me parece
vir a interessar-se por aquilo que
me esforço para que mereça
algum apreço.
Apetece-me pôr uma placa sobre a mesa
Aqui está UM GÉNIO
porque qualquer produto
precisa de publicidade

PORTUGUÊS DA SILVA



Se nem para encontrar uma personalidade que satisfaça as características exigidas para exercer o cargo de Provedor da Justiça, os dois partidos, PS e PSD, têm deparado com tantas dificuldades em chegar a um acordo, arrastando durante largos meses a discussão e, neste caso, o lugar vazio depois da saída anunciada e verificada do titular que lá se encontrava, Nascimento Rodrigues, repito, se nem nisso aqueles dois partidos políticos foram capazes de se entender com facilidade, como vai ser possível, depois do resultado das eleições europeias que tiveram lugar e depois, nas legislativas que se aproximam, ter esperanças de que os dois grupos partidários em causa vão abdicar das suas teimosias partidárias e, na eventualidade, muito duvidosa, de virem a ser, em conjunto, os grupos partidários mais escolhidos e seja necessário que formem maioria parlamentar, ao ocorrer a possibilidade – que não é absolutamente segura - de serem forçados a unirem-se para formar governo, pergunta-se se daí sairá uma alternativa minimamente credível. É uma pergunta longa, esta, mas não vai ser uma resposta rápida aquela que os portugueses terão de contemplar, na altura em que se confrontarem com o resultado das eleições legislativas, essas que ainda vão ocorrer.
O que é preciso é que todos nós tenhamos a consciência de que não se trata de uma opção simples aquela que nos cabe tomar, cada um por si, mas todos para formar a resposta que, depois das contagens, será a que levará à decisão que, verdade seja dita, nesta altura bastante preocupação nos tem de causar.
Se não for possível voltar a uma posição já antes tomada, com ou sem CDS no conjunto, com os resultados também ainda presentes na memória dos portugueses, se isso não puder ocorrer, então, governar em minoria parlamentar terá de ser a obrigação do partido que ficar na primeira linha das escolhas. E essa situação também a conhecemos todos e não nos deixa grande vontade de ter de a encarar de novo.
Bem gostaria eu de poder apontar, neste meu escrito, uma nota de optimismo no que respeita à caminhada que nos espera após as eleições legislativas que vêm a caminho. Mas, com a maior franqueza que me caracteriza, não posso deixar de sublinhar uma preocupação que reina no meu íntimo. As nossas características de não sermos capazes de solucionar os problemas internos que nos atormentam, o que não vem só dos tempos recentes, apontam para prosseguirmos nessa linha sempre confusa.
Fomos capazes, como mostra a História, de descobrir novos mundos, de desbravar caminhos, de mostrar aos outros o que eles depois aproveitaram, mas o que nunca constituiu a nossa especialidade foi a governação e a descoberta de riqueza, só serviu para nós, num ou dois reinados (D. João V e D. José), os descobridores, mas não foi além disso. O caso do Brasil foi uma excepção, embora os rastos das nossas características lá se tivessem implantado durante muitos anos, pois o carimbo da portugalidade é difícil de apagar.
Mas, voltando ao presente e ao futuro próximo, Outubro já não está muito longe e, por isso, o que irá sair nessa altura das urnas, quer primeiro as autárquicas e depois as legislativas, tem de nos causar enorme expectativa. Até lá, pensemos bem naquilo que iremos fazer nos dias das opções.
Entretanto, comemora-se hoje o 10 de Junho, o Dia de Camões, e, aproveitando-se dois feriados seguidos aí estão umas mini férias que os portugueses nunca desaproveitam. Esta semana trabalhou-se pouco e, por esse facto, contribuiu-se quase nada para ajudar a fazer andar o País. Mas é sabido que não se pode contar excessivamente com o esforço dos cidadãos da nossa Terra para aumentar os rendimentos e, chova ou faça sol, lá saem de bandeira erguida as famílias para fugir de onde vivem.
Conformemo-nos com aquilo que somos. Se não podemos mudar a nossa maneira de ser, então mantenhamos a esperança de que, no futuro, os jovens de hoje serão capazes de encarar as realidades e alterar o que existe hoje.

terça-feira, 9 de junho de 2009

É A HORA


Já Pessoa alto gritava
Sua Mensagem divina
Que esta Pátria mal andava
Que navegava à bolina
Sujeita a toda a rapina
De quem bem se colocava

É a hora, dizia ele
P’ra sair do nevoeiro
Surgir a força que impele
Em momento derradeiro
Que transforma o fel em mel
E que venha um novo obreiro

Mas atenção, olho alerta
Que seja alguém desta terra
Que não tenha ordem por certa
Que fuja de qualquer guerra
Sendo denso o nevoeiro
Liberdade por inteiro
É sempre janela aberta

Se Pessoa ‘inda existisse
Cantando a sua “É a Hora”
Diria o que então não disse
Deitava p’la boca fora
Que em lugar de um Bandarra
De alguém com força e mão dura
Seja quem com uma fanfarra
Toque contra a ditadura

Outro rei Sebastião
Mas sem ares de salvador
E com determinação
Que se empenhe com rigor
Na governação do País
É o que se espera afinal
Para um futuro feliz
Desta Pátria: Portugal

DESCONSOLO



E pronto. Ficámos a conhecer o resultado das eleições para os eurodeputados que saíram do primeiro acto eleitoral que ocorreu por cá. E, com isso, preparamo-nos para enfrentar as que se seguem. Será, pois, altura para se fazer esta pergunta aos cidadãos do nosso País:
Terá a maioria dos portugueses consciência daquilo que pode vir a acontecer num futuro próximo, caso as condições financeiras do Estado não se alterem no sentido positivo e se prolongue o afundamento de carência de fundos nos cofres públicos, assim como não se verifique uma reviravolta absoluta nas dívidas clamorosas que existem em relação aos credores estrangeiros?
Esta é uma questão que tem de ser posta por quem tem o mínimo de consciência quanto à situação que se vive nos nossos dias e no nosso caso. E uma resposta clara impõe-se por parte dos responsáveis governamentais, posto que não se admite que se mantenha, agora que o PS tem de tomar consciência de que alguma coisa mudou no panorama político nacional, que continue a observar-se o cenário de falta de esclarecimento, não alertando os cidadãos para a realidade que, a muitos, pode ainda apanhar de surpresa. E é sempre mais doloroso e difícil de enfrentar uma situação que não é esperada, do que, mesmo que difícil, um panorama já aguardado.
É verdade que há que manter um ambiente de relativa acalmia na população, pois é sabido que existe gente que, apavorada, deixa cair os braços e não contribui para ajudar a solucionar uma situação. Mas há sempre maneiras de preparar as massas para um futuro que não será tão agradável como aquele que se deseja.
Impõe a realidade que enfrentamos, que os governantes que surgirem como resultado das próximas eleições legislativas em Outubro, caso estes sintam a responsabilidade que lhes vai caber e não pensem apenas em querer manter a população superficialmente contentinha, ainda que de forma artificial, é obrigação desses novos homens que poderão ir assumir o poder, que devem dar a volta por cima, como é costuma agora dizer-se, de modo a que o panorama passe a ser mais benévolo, se bem que não se podem nem devem esperar milagres.
Podem os leitores dos meus blogues acusar-me de falta de optimismo como já me chegaram sinais dessas opiniões – mas também recebo e bastantes, a dar-me razão pelo facto de não esconder aquilo que tem de ser dito -, mas a minha convicção é a de que mais vale ir prevenindo do que criar a ilusão de que os ainda piores tempos já não se instalarão em Portugal.
As empresas que todos os dias fecham, as centenas de milhar de trabalhadores que são despedidos, por falta de rendimento de fábricas, lojas e escritórios de todos os tipos, as transferências para países estrangeiros de grupos fabris de renome internacional, o fim de exportações de produtos nacionais e, em contrapartida, a manutenção excessiva de artigos importados, a diminuição de ingresso de divisas dos portugueses emigrantes e, de igual forma, a baixa considerável de turismo estrangeiro, o que também contribui para outra baixa significativa de dinheiro vindo de fora e, não por fim mas igualmente importante, a falta de trabalho em Espanha e não só, o que provoca o regresso de milhares de operários nacionais que, tempo atrás, efectuava saídas provisórias para ali arrecadar algum dinheiro que cá não era conseguido, tudo isso faz parte do molho de contrariedades que nos colocam na situação em que estamos. E o desemprego por cá, que já chegou a um dos pontos mais altos da Europa, na casa dos 9,3 %, não ajuda em nada o desconsolo em que nos encontramos.
Nada disto constitui o panorama nacional nos dias de hoje? Trata-se de um quadro pintado com base na fantasia? Estamos em condições de prever que a situação actual vai melhorar a breve trecho?
Pois eu sou o primeiro a desejar que assim seja. Mas o que não podemos fazer é enfiar a cabeça na areia e aguardar a ocasião favorável, criada por “milagres”, esses que só acontecem a quem tem fé bastante para os aceitar.
Uma palavra apenas para referir o que sucuedeu ontem em que a polícia resolveu atirar os seus bonés para o meio da rua, em forma de protesto por não verem as reclamações atendidas. Tenham ou não razão, é preciso dialogar e não deicar que as situações cheguem a este ponto. Mas já voltarei ao tema, por merecer uma apreciação muito especial.
Perante tudo isto, continua, portanto, a ser imprescindível votar. Não bastou apenas no passado domingo. É forçoso irmos a todas as eleições. Para depois, em plena consciência, podermos dar largas à nossa opinião desagradada. E se o que sair não for do nosso gosto, pois que nos conformemos com isso, mas que contribuamos com o que nos for possível, para que o que temos de deixar aos vindouros não venha a merecer o reparo e o desprezo dos que têm então de modificar as circunstâncias.
E já agora, uma palavra final de desconsolo perante os resultados das eleições em todos os países europeus que concorreram para preencher o seu Parlamento: é que os cidadãos da Europa parece não terem apreendido que é extremamente importante que a União avance rapidamente no sentido de constituir uma força conjunta e sólida que possa lutar contra os problemas económicos, financeiros e sociais que atormentam o mundo e que, neste espaço terrestre situado a norte das áfricas, bem poderia ter podido salvar-se melhor dos efeitos da tal epidemia que atacou fortemente e sem piedade.
E isso é que constitui uma ausência de vitória, independentemente dos ganhos e perdas dos partidos de cada nação europeia. Tendo sido dadas as mãos dos componentes da chamada União Europeia, sem egoísmos nacionalistas e invejas de comandos de cada participante, talvez o efeito da crise tivesse sido outro. Seria, sem dúvida.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

ATRASADO



Estou de facto atrasado
já não vou chegar a tempo
se é que alguém está parado
por qualquer contratempo
eu que fui toda a vida
pontual, cumpridor
não era nesta corrida
que ia ser fautor.
Tenho ânsias de partir
porque aqui não faço nada
o que me resta é sair
pois já passou a minha vez
de ser útil
de acabar com o talvez
não quero mais parecer fútil
e de já não ter valor
pois agora só me resta
sem pavor
ver terminar a festa
sentar-me e contemplar
que isto de ir embora
é com paciência esperar
pelo dia e pela hora
e se não foi antes, então
é porque era esse o destino
e ninguém tem na própria mão
o fim de ser peregrino

Pelo comboio eu aguardo
bem sentado na estação
não vale a pena ir-me embora
assim fico mais à mão
e como o que eu não quero
é lugar sentado, marcado
o que pedi e espero
é que o lume seja ateado
p’ra nada de mim restar
nem ninguém por mim chorar

Estou atrasado, é tarde
bem queria antes partir
sempre sem fazer alarde
é o caminho a seguir
andei de relógio em punho
p’ra cumprir a minha sina
não preparei nem rascunho
porque morrer é rotina
o próprio não manda nela
como também p’ra nascer
pertence tudo à novela
do fazer e desfazer

Tudo tem a sua altura
mesmo sem nos conformarmos
ter cumprido a aventura
de esperar por abalarmos

é o preço que se paga
até chegar ao fim da praga!




FOI ONTEM!...




Já se esperava. Não constituiu qualquer surpresa o elevado número de abstenções que se registou na votação ontem verificada em Portugal, para escolher os representantes no Parlamento Europeu. E, verdade seja dita, essa grande percentagem de não votantes não ocorreu apenas no nosso País, pois verificou-se por todo o Continente, o que quer dizer que os cidadãos europeus não se mostram muito interessados em participar no acompanhamento dos problemas que ocorrem no território a que pertencem ou haverá outros factores que terão interferido no desinteresse verificado. Dizem alguns que a crise mundial que se instalou por toda a parte faz desviar as atenções dos problemas políticos de cada área geográfica e, se for assim, não existe actualmente outra matéria que possa superar a preocupação dos naturais de diferentes países.
Bem, eu não sustento esta tese como única e definitiva, se bem que, sem dúvida, os gravíssimos problemas que absorvem os cidadãos de diferentes nações seja o do desemprego, que se encontra espalhado como tratando-se de uma bactéria que penetra por todos os sítios, e face a essa situação não há eleições que valham para colocá-las como prioritárias em relação a todos os outros casos.
No nosso caso, sendo evidente que qualquer força política que se tenha mantido na governação, não poderia ser beneficiada face à vida dificílima que se enfrenta por cá, tendo a acrescer uma má política seguida pelo Partido Socialista e uma imagem desagradada do primeiro-ministro José Sócrates, não era de aguardar que, nestas eleições europeias em que os resultados não servem senão de uma amostragem do que poderá suceder em Outubro próximo, nas eleições legislativas, o PS viesse a ocupar o lugar de mais escolhido, em comparação com os restantes partidos concorrentes.
Seja quais forem as opiniões que surjam em favor desta ou daquela formação política portuguesa, o grave de tudo isto é que se está a verificar um desinteresse por parte dos europeus em relação a um problema que se está a agudizar e que consiste num afastamento deplorável dos cidadãos pelo futuro de um conjunto de países da Europa que, esse sim, deveria constituir uma preocupação de milhões de habitantes neste Continente e que se vê caminhar com grandes dificuldades, com interesses limitados a questões nacionalistas, em lugar de se ir formando uma união forte em todas as zonas que possam oferecer bem-estar, progresso, fim das misérias, que é o que a Europa tem de enfrentar.
Quando ainda se discutem Tratados, como o de Lisboa, o qual ainda aguarda pela aprovação geral e inequívoca da totalidade dos países membros da União, que são 27, quando os milhões de europeus não se consciencializaram de que 2/3 das leis que ali são discutidas interferem nas actuações dos países participantes, ao arrastarem-se excessivamente passos decisivos que precisam ser dados para tornar a União Europeia naquilo que se espera dela, não se pode estranhar que as abstenções verificadas não eram de todo esperadas.
O PS não saiu colocado no primeiro lugar na contagem dos votos de ontem. O PSD substituiu-o nessa posição. E com mais um representante em Estrasburgo, do que o seu concorrente. Por seu lado, o BE também ultrapassou o CDU, ou seja colocou três representantes, quando contava com um no esquema anterior. O CDS mantém-se, isto é, não constituiu novidade.
Em resumo, tendo a abstenção conseguido cerca de 63%, foi ela a vencedora.
Vamos esperar por Outubro próximo, altura em que as eleições legislativas irão ter lugar. E, nessa altura, há que esperar que os cidadãos, os que estão descontentes com o Governo e os que o apoiam, não deixem de comparecer perante as urnas e ali irem colocar os seus votos. Porque aí é que se decide quem vai ocupar o lugar da governação, só ou ac0mpanhado.
Daqui até lá, como parece evidente, José Sócrates terá de fazer o seu profundo exame de consciência, por forma a analisar se deve permanecer com o comportamento que tem mostrado até agora ou se, pelo contrário, dá uma volta completa à forma como surge perante os portugueses e, por outro lado, faz também uma renovação no seu elenco governamental. Se não fizer nem uma coisa nem outra, então bem se pode preparar para uma repetição do que ocorreu ontem. Aqui fica o aviso.

domingo, 7 de junho de 2009

VOTEMOS, POIS!


É hoje. Dentro do primeiro grupo de chamada dos portugueses às urnas, a escolha para representantes nacionais em Estrasburgo, no Parlamento Europeu, calhou nesta data.
Já fiz referência à obrigatoriedade cívica de todos os cidadãos não se furtarem a esta oportunidade que é proporcionada pelos regimes democráticos e, por isso, não vou, nesta altura, repetir os apelos que larguei, na esperança de serem seguidos por alguns leitores deste meu blogue.
Claro que não é possível, a esta hora da manhã, saber mais quanto a resultados do que conhecia ontem na mesma altura. Amanhã poder-se-á contar com a informação suficiente para opinar se a Europa foi apelo suficiente para que os portugueses se tivessem pronunciado. Mas, se também os que se dispuseram para obter os votos dos nacionais não foram capazes de expor, durante a campanha eleitoral, o que estava nos seus propósitos fazer nos lugares que ocupariam se lá chegassem, por isso grande parte da culpa da abstenção que se verifique hoje pertence às caras que surgiram para tentar convencer os portugueses.
E, dito isto, não acrescento mais ao meu discurso. Vamos esperar por duas coisas: a primeira é que sejam escolhidos os vencedores e a segunda é que esses, depois de estarem sentados nos lugares, façam obra que valha a pena acompanhar e que o resultado favoreça o nosso País, que bem precisa de ajuda europeia.
Como sempre, cá ficamos agarrados a alguma esperança, que é sempre o que nos resta manter.

sábado, 6 de junho de 2009

AMANHÃ

Chegado aqui
a esta hora da vida
já percebi
como foi triste a corrida
desenfreada
cheia de baixos e altos
desencantada
não faltaram sobressaltos
só compensada
pelo intercalar de sonhos
na busca imensa
da fuga dos enfadonhos
e com descrença
contemplo esta vida chã
e no escuro
não me censuro:
pois bem temo o amanhã!...

VOTEMOS EUROPA



Pois é já amanhã que o primeiro passo, no conjunto de eleições que foram programadas em Portugal para este período, é dado. E os votos recolhidos destinam-se a escolher os representantes nacionais para estarem presentes no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Isto já é conhecido e, portanto, não estou aqui a dar novidade nenhuma.
No que se refere aos resultados, que serão conhecidos, mesmo que não sejam números definitivos em absoluto, no final do dia, essa dúvida pairará nesta altura no espírito de alguma gente, se bem que, pelos alvitres que foram lançados ao longo da campanha eleitoral, tenham bastantes prognosticadores antecipado uma coisa certa e segura: as abstenções atingirão percentagens elevadas.
Não devendo essa obrigação cívica dos cidadãos ser instigada para que as mesas dos votos permaneçam amanhã despidas de interessados, o certo, porém, é que não foi feito muito pelos partidos concorrentes para atrair os simpatizantes por uma causa e evitar que os mesmos fiquem em casa no domingo. É que o importante não era terem ocupado todo o período de propaganda a dizer mal uns dos outros – que é uma atitude que, de princípio democrático terá muito pouco ou mesmo nada -, mas sim ter deixado claro qual iria ser a sua actuação no referido Parlamento, por forma a deixar os participantes na escolha uma ideia quanto ao valor do trabalho que teriam programado, caso fossem escolhidos para serem integrados nas respectivas funções.
Nenhum dos participantes, de uma forma geral, dedicou o seu tempo de campanha a explicar o que era importante, o que talvez queira significar que nem esses concorrentes terão uma ideia muito clara quanto às propostas por que julgam importante lutar.
Pois é. A Democracia é o tal sistema político que se apresenta como o menos mau de todos os que o Homem inventou. E é com isto que todos, por esse mundo fora, têm de conviver. Todos não! Há os que ainda se encontram subjugados por ditaduras ferozes e esses, pobres criaturas, nem terão de criticar as más escolhas, porque ninguém lhes pede a opinião!...
E, quanto mais não seja só por isso, é de extrema importância que todos os cidadãos que, por mais descontentes que se encontrem com os governantes que lhes calharam, devem dar-se ao pequeno incómodo de agradecer a situação democrática que, finalmente, lhes dá esse oportunidade de poder falar claro, de reclamar, de mostrar abertamente o seu desagrado em relação aos executores que se encontrarem no comando. Não se resolve nada daquilo que cada um gostaria de poder usufruir, é verdade, mas só o facto de se poder dizer que se escolheu outra coisa que afinal não ganhou, só isso já vale a pena.
Eu, o tal pessimista, como alguns contentinhos me chamam, penso desta forma. Digo mal agora. Mas durante quarenta anos, nem isso podia fazer. E quando o fiz, fui preso!.-..

sexta-feira, 5 de junho de 2009

ERRAR

Quem não fez ainda isso ?
Que erro não praticou ?
Só não fez esse serviço
Quem a vida não gozou

Há uns que mais, outros menos
Mas um homem sem pecado
Só p’ra fugir aos Infernos
É que escapou desse fado

Há que perder petulância
Evitar que se atropele
De errar é tal abundância

Que há que escrever na pele
O erro ganha importância
Quando se aprende com ele

ELEIÇÕES EUROPEIAS



Temos que ter consciência das realidades. E uma delas é de que, não só acontecerá em Portugal mas, provavelmente, em todos os países europeus nas datas respectivas, as próximas eleições, no domingo dia 7, não atraem muito as populações a deslocarem-se até às mesas dos votos e aí deixarem a sua opção.
Eu próprio, quero confessá-lo, cheguei, há dias, a passar por essa fase em que admiti não praticar aquele meu dever de cidadão, por considerar que se trata de uma opção, essa de escolher os deputados, segundo as suas posições partidárias, que não nos traz grandes benefícios. De facto, os representantes nacionais que lá se juntarão aos dos outros países das mesmas famílias políticas e aí procurarão contribuir para aumentar a união dos países que fazem parte do grupo de uma Europa una, esses, pela pequenez da nossa posição não terão grande força e não existe nenhuma garantia de que sejam tais deputados capazes de puxar em nosso favor. Mas, dentro do princípio de que há sempre que ter esperanças e de que, enquanto formos resistindo às malvadezas do mundo, a nossa obrigação é dar tudo por tudo, encarando o problema sob essa matriz eu, por mim, e digo-o a quem me lê, lá irei no domingo depositar o meu papelinho com a cruz colocada no sítio que me parecerá o que conseguirá desempenhar melhor papel lá na Europa.
Mas, não será novidade para ninguém se os resultados forem decepcionantes, dado o largo número de abstenções que são esperadas. No entanto, alguma indicação poderão surgir no que dirá depois respeito às eleições legislativas, já que provavelmente, esse ensaio no domingo permitirá antecipar o que vai acontecer na altura em que forem escolhidos os partidos políticos que formarão o número de deputados na Assembleia da República e, por via disso, qual a formação mais votada que ficará com o encargo de formar governo. E, só por isso, se justifica que os portugueses tomem a iniciativa de não ficar em casa no dia 7 de Junho, quanto mais não seja para se ficar com uma ideia do que sucederá a seu tempo. No entanto, o que se devia esperar dos candidatos dos diversos grupos que se perfilam para saber o que lhes cabe no dia 7, era que, em lugar de se andarem a atacar uns aos outros, num comportamento que não se justifica, aquilo que teria sido útil até agora era conhecer o que cada um pretende fazer lá nos lugares que lhes estarão destinados, se o conseguirem alcançar, para, perante essa perspectiva, captar as preferências dos que se dispõem a participar na escolha.
Cá estamos, pois, na expectativa de aguardar o futuro deste País. É legitimamente aspirado por todos nós que termine, de uma vez, a má actuação dos políticos que temos tido a governar a nossa Terra e isso desde há já bastante tempo – e não é só de agora, desde que o Sócrates se situa no lugar cimeiro!
Quem tem pago por isso é este Portugal que, sendo um País com glórias que o mundo deve reconhecer, sempre pecou por não saber governar-se a si próprio. E nesta ponta da Europa, situados geograficamente com um panorama mundial todo à nossa frente, descobrimos muito do que estava para lá, mas quando se tratou de cuidar da nossa vida, aí pecámos por falta de capacidade. Olhemos agora para as nossas costas e apreciemos o que a Europa tem e que pode dividir connosco. Mas é preciso saber como fazê-lo.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

VENTOS


Bem longe de mim estão esses ventos
Que sopram a outros e por mim passam
Sem parar, sem olhar os meus tormentos
Que também tenho e me trespassam

Quero agarrar o silvo desse vento
Pleno de saber, de compreensão
Quero-o para mim e bem o tento
Mas é todo um esforço em vão

Brisa que passa cheia de alegria
Envolta em bem e com boas notícias
Se eu pudesse nunca partiria

Só tempo agreste é que quer ficar
O que vem carregado de sevícias
E que insiste à minha volta rodar

CLARA PINTO CORREIA


Habituei-me a ler, semanalmente, no suplemento dos sábados do jornal “24 Horas”, as crónicas de Clara Pinto Correia, uma bióloga que viveu largos anos no estrangeiro e que, instalada agora em Lisboa, apresenta as suas críticas à forma de vida no seu e nosso País. E esses comentários, que está no seu pleno direito de fazer, são, muitas vezes, no meu entender, oportunos, muito embora, também me permito expor a minha opinião, o estilo da escrita seja muito original. Mas não é isso que me faz dedicar este blogue ao tema em causa.
Acontece que num desses seus textos o objectivo da escrita é o comportamento das editoras portuguesas no que se refere à escolha dos originais para publicação de livros. E, quanto a isto, o que me apetece acrescentar é que, na verdade, essa actividade comercial que tem de ter o objectivo de ser lucrativa, não pode nem deve ser comparada a uma exploração económica como qualquer outra, pois arrasta consigo uma responsabilidade que tem de estar sempre presente em cada obra que é lançada no mercado.
Trata-se, portanto, de um mister que não tem de ter apenas a preocupação de colocar no mercado livreiro títulos que “cheirem” aos responsáveis das editoras vir a atrair a sua compra em quantidade, não pela sua qualidade literária mas sim por se tratarem de autores de caras mediáticas, conhecidas noutras actividades, que suscitam escândalos, afastando completamente a ideia de se tratarem de obras que contribuam para a riqueza intelectual dos leitores e/ou proporcionem a autores menos conhecidos a possibilidade de conquistarem um lugar que, muitas vezes, só é conseguido após a morte dos escritores ou poetas. E exemplos deste tipo têm-se contado às centenas na história da literatura de todo o mundo.
Porém, como as editoras não são organizações de beneficência, não pertencem a organismos oficiais com a responsabilidade de promoverem autores literários (como poderia haver também de autores musicais e de outros sectores artísticos), mas sim a sua razão de existência é facturar o mais possível com a venda de títulos que caiam bem nos leitores, logo as suas preocupações não se desviam dos títulos comercialmente garantidos na expansão.
Tem, portanto, razão Clara Pinto Correia quando aflora o assunto na crónica referida. Mas a vida é isso mesmo e, por mais que uns tantos, poucos, se insurjam contra os vícios que ocorrem na Humanidade e que não dão mostras de vir a ser alterados com facilidade, o que pode ser feito é insistir na discordância dos métodos e dos comportamentos do ser humano, tendo a paciência suficiente para aguardar por um dia em que as coisas dêem a volta e se aproximem do ideal.
Até lá, o que resta aos autores menos conhecidos é manter a sua produção para meter nas gavetas. Fernando Pessoa, um ajudante de guarda-livros de um escritório na Baixa, encheu folhas de papel com verdadeiras obras-primas que só chegaram às mãos do grande público muitos anos depois da sua morte.
É uma consolação? Evidentemente que não. Mas que se pode fazer?