sexta-feira, 19 de junho de 2009

PROBLEMAS PARA RESOLVER



Num só texto vou-me referir a dois temas que, no fundo, estão intimamente ligados: o da chamada alteração de estilo que mostra agora José Sócrates, segundo alguns devido ao revês que sofreu o PS nas eleições europeias e à moção de censura que o CDS entendeu apresentar no Parlamento para obter não se sabe bem que resultado.
No que diz respeito à aparente humildade que o primeiro-ministro terá apresentado na entrevista dada na SIC, devo referir que, de facto, em relação a comportamentos a que nos habituara no que diz respeito à sua determinação de que só ele tem razão e que os outros, os adversários, andam sempre enganados, não se pode concluir daí que Sócrates terá feito um exame à forma como se apresenta sempre perante os cidadãos, sejam quais forem os motivos, pois a referida entrevista foi conduzida por uma jornalista que, ou estava já industrializada para não “apertar” excessivamente o convidado ou as condições impostas pelo político já impunham tais condições de o deixarem falar livremente.
Porque, há que referir que, ao contrário do estilo de Manuela Moura Guedes, que essa não põe questões mas faz afirmações e críticas, o que não é admissível num jornalista, esta perguntadora deu enorme margem de exposição dos seus pontos de vista, não fez trabalho e casa e, por isso, não foi capaz de pôr questões que obrigariam José Sócrates a mostrar se, de facto, adoptou um estilo novo de se explicar. E, sobretudo, nunca deixaria que o entrevistado alguma vez lhe pusesse a situação de “se me pergunta…”, pois que um jornalista de verdade logo diria que “peço desculpa, mas não antecipe perguntas que só eu faço…”
Enfim, não foi através deste trabalho jornalístico que se ficou a saber se o primeiro-ministro que temos já se encaixou num estilo que não se aproxima sequer da arrogância e do saber tudo.
A outra questão que ponho agora é a da moção de censura que o CDS entendeu dever apresentar no Parlamento, o que foi a demonstração perca de perca de tempo, pois eram sabidos de antemão os resultados de tal proposta política. E, com as eleições à vista, em que se adivinha que os resultados não serão os da repetição do passado escrutínio que colocou o PS em maioria, apenas uma demonstração de pretenso mediatismo e marcação de presença numa intervenção parlamentar que se sabia que era transmitida televisivamente, só isso poderá estar na base da iniciativa tomada por Paulo Portas, que é mestre em dar mostras de que está vivo, mesmo quando os resultados conseguidos em eleições não sejam de molde a lançar foguetes.
Eis-nos, pois, todos nós cidadãos portugueses, mais uma vez a aguardar que alguma coisa de importante ocorra na nossa vida política e não continuemos a marcar passo que, na situação actual, representa irmos perdendo cada vez mais posição de vencimento em relação à crise de todos os tipos que nos entram pelas portas dentro.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

MEMÓRIA

Tanta falta que ela faz
quando a ela recorremos
e se ela se compraz
não mostra o que queremos

É assim a tal memória
faz-nos sofrer com desgraças
recordar-nos cada história
que nem vê-la com mordaças

Certos nomes, certas caras
que precisamos lembrar
são situações bem claras
que a memória faz passar

Coisas passadas há anos
que os tempos já tinham posto
no fundo dos oceanos
não nos causam o desgosto

Mas ocorrências de há pouco
essas de que ‘inda paira o cheiro
deixam-nos como um bacoco
ardeu tudo num fumeiro

Pois a memória é assim
muitas vezes nos ajuda
compensa a dizer que sim
quando não teima em ser muda

Queixamo-nos muitas vezes
da falta que ela nos faz
então a nós portugueses
muita arrelia nos traz

Memórias da ditadura
é coisa que ninguém quer
é matéria muito dura
não é algo de prazer

Mas recordar coisas belas
bons momentos já passados
é como acender as velas
em honra de seres amados

Temo-nos que conformar
com as lembranças melhores
que já não querem voltar
a fazer seus favores

Memórias más nem pensar
mas são essas as que chegam
só dão para enfadar
e nos aconchegam

Se no botão eu pudesse
escolher o que me apraz
talvez nunca eu fizesse
olhar sempre para trás

Memória que até dá jeito
para lembrar os favores
que me trouxeram proveito
no que conta a desamores
então já não acho graça
mais vale não ter memória
que isso de mulheraça
é tema p’ra outr história

NOVO SÓCRATES?



Não podia deixar passar esta ocasião para, logo na manhã do dia seguinte, fazer referência à entrevista que José Sócrates concedeu à SIC, após o telediário da noite.
Confesso que, depois da sessão de ontem, na Assembleia da República, em que as oposições, todas elas, com saliência para Paulo Portas que tomou o comando das acusações ao primeiro-ministro, e face às afirmações surgidas de que se tinha alterado profundamente o comportamento do chefe do Governo, tendo passado – provavelmente só nessa ocasião – de arrogante a humilde, coisa que eu nunca considerei como sendo uma mudança assim tão visível, face a tudo isso sempre pensei que surgiria na entrevista televisiva um político que aproveitasse aquela ocasião (provavelmente programada para permitir uma visibilidade estudada), com um ar completamente modesto e em que, sem receio até do exagero, conseguiria transmitir alguns pedidos de perdão por certas falhas cometidas ao longo do seu mandato governamental. A minha ingenuidade chegou ao ponto de pensar que o exemplo de Obama, que não teve medo de afirmar em certa altura logo no início da sua presidência, que não sabia tudo, poderia ter influenciado o secretário geral do PS, no papel de principal responsável pela condução do País ao longo deste mandato que vai terminar em Outubro.
Como me enganei! Afinal, o entrevistado, ou não foi capaz de assumir esse papel ou era já assim que poderia ter estado combinado aquilo que se designou por “entrevista”. A jornalista, aliás simpática, não lhe fez qualquer pergunta difícil de responder. Não fez um bom trabalho de casa. Ali esteve a suportar uma propaganda socratiana, aquela que passou para as antenas dos televisores e que, atrevo-me a afirmar, mais uma vez enfastiou os portugueses que não se situam na sua área. E não se trata apenas de serem ou não socialistas os que ligaram as televisões para tomarem nota de um Sócrates que, se admitia, poderia aparecer e provocar uma surpresa a todos.
Pouco mais tenho a dizer quanto ao espectáculo bem conhecido que foi oferecido a quem se sujeitou ao discurso propagandístico. Nada de novo. O convencido que tem sempre razão não conseguiu – nem sei se estaria disposto a isso – falar das suas falhas e dos erros que, como seria natural, teriam de ser cometidos durante toda a legislatura.
Tratou-se de mais um atestado de pobreza política o que foi oferecido na dita entrevista. E foi uma pena. Tenho, de facto, um dó infinito deste homem que se julga o primeiro, o único, o certo, o indiscutível. Todo o mundo circula à sua volta e que não se dá conta de que aqui existe um homem-modelo, um político exemplar, alguém que ficará na História e, se não for assim, então todos terão de ser uns ingratos.
A pergunta a fazer aos portugueses – como se isso fosse possível! – é se, depois deste espectáculo televisivo, teria subido a pontuação de José Sócrates no conceito político. Dentro de todas as probabilidades, a minha opinião é a de que não foi acrescentado qualquer valor, se é que não desceu até na escala.
Digo isto, mas devo sublinhar que me transmite enorme preocupação que tal aconteça. É que o nosso País atravessa um período de enorme perigo social. E não é com a falta de uma política bem estruturada e firme que se consegue fazer com que não caiamos num atoleiro ainda pior do que aquele que atravessamos nesta altura. Bem desejaria deixar aqui boas esperanças em relação ao que se vai passar depois das próximas eleições que, segundo parece, ocorrerão em Outubro que aí vem. Mas não sou capaz de mentir…

quarta-feira, 17 de junho de 2009

ALTA VELOCIDADE?


Os homens têm destas coisas. Começam por teimar na posição que tomaram e depois, perante as circunstâncias que insistem em mostrar outro caminho, lá entendem dever aceder às propostas que não são as que antes consideravam inabaláveis. Mas, em todo o caso, é bom sinal quando se dá um passo atrás e se resolve adiar uma atitude que tinha sido tomada ou, dentro de outra hipótese, cancelá-la definitivamente.
Digo isto porquê? Perante a posição tomada agora pelo Governo de Sócrates de suspender, para depois das próximas eleições, ou seja deixando a solução do problema para o Executivo que vier a tomar posse em Outubro, face ao que se esperava há já algum tempo só agora foi accionada a não adjudicação neste altura do primeiro troço nacional da rede de alta velocidade, entre o Poceirão e o Caia, na fronteira com Espanha, o que corresponde à preocupação expressa pelo Presidente da República quanto à necessidade de não se comprometer o futuro no que diz respeito a gastos excessivos, ao tomar-se agora conhecimento deste volte-face em relação ao que era uma medida estabelecida, o que os portugueses têm de reconhecer é que aquilo que não contava com um enorme aplauso nacional foi levado em conta por José Sócrates.
Quais serão as consequências desta atitude? - pode-se perguntar. Para além da satisfação que será generalizada, julgo eu, tal decisão vai influenciar a votação que terá lugar em Outubro próximo. E como? Se fica nas mãos do próximo poder executivo o investimento na linha de caminho de ferro de alta velocidade, então será admissível que a orientação do voto seja a de colocar nas mãos dos opositores ao PS o comando das operações.
Quer dizer: os socialistas oferecem, de bandeja, aos seus adversários a posse do Executivo. Já não bastava a má colocação obtida no acto das europeias, para agora surgir nova e valiosa prenda para que os outros partidos, ainda que tenham de actuar posteriormente em coligação, pelos vistos de Direita, deem mostras da sua capacidade.
Ou não! Será que esta perspectiva assusta o eleitorado? Irá o PS, desta vez, actuar de forma a incutir confiança nos cidadãos, ou seja, apresentará um programa que conseguirá convencer os nacionais que já não se farão mais promessas que se sabe serem impossíveis de realizar?
Com as mesmas caras? Com os mesmos “jamais”? Com as teimosas ministras que não arredam um passo das medidas impopulares que tomam? Com os incompetentes que deram mostras de não serem capazes de enveredar por caminhos de bom senso?
Iisto não me parece possível, mas o povo está sempre disposto a acreditar, na ânsia de ver a sua vida melhorada. Por iso há que esperar para ter acerteza.

terça-feira, 16 de junho de 2009

MUDANÇAS


Será que se vai verifica uma mudança importante no panorama político nacional, na área que se tem de encarregar de levar por diante a governação que nos é proporcionada, ao ponto daqueles ministérios que mais fragilidades têm demonstrado virem a ser substituídos nas cabeças que os dirigem?
Esta pergunta é feita antes das eleições legislativas, pois seja qual for o grupo político, só ou acompanhado, que venha a tomar conta da governação portuguesa, mantenha-se ou não o PS com maior número de votos, mesmo que com maioria mas sobretudo sem ela, é sempre de ter esperanças de que sejam mandados para casa – se é que, como de costume, não se lhes arranjam aqueles “tachos” com que é habitual premiar mesmo os mais incompetentes – aqueles ministros que deram largas mostras de não serem capazes e, com isso, possamos vir a beneficiar de outra gente que seja capaz de encarar os problemas que nos atormentam e, de uma vez, meter a mão sem medo e andar para a frente com soluções.
Se for o caso da alteração governativa se produzir na totalidade, nestas condições será mais fácil não existirem compromissos e as escolhas dos que forem os substitutos se faça com maior cuidado e conhecendo-se de antemão quais são os pontos fracos, também haverá mais facilidade em atacar as situações mal conduzidas e mudar radicalmente de formas de as encarar.
Só vou aqui deixar uma amostra dos pelouros que necessitam urgentemente de medidas de fundo, posto que não é admissível que se mantenham as quezílias que se arrastam por tempos indefinidos. Claro que a Justiça é o que me salta em primeiro lugar, e não pode aqui haver desculpas com a crise internacional para que um ministro capaz, rodeando-se dos assessores que saibam da matéria, ouvindo todas as partes e não deixando de atender ao que o Bastonário da Ordem dos Advogados lhe poderá transmitir – visto que tem sido uma figura que surge frequentemente a apontar erros -, acabe com a vergonha das demoras e das decisões dos tribunais como aquelas que andam agora na boca de todos, a protecção dos menores, por exemplo, essa Justiça é a que está pedir a rapidez de uma mão salvadora.
Mas outros ministérios têm de ser alvo de urgente intervenção política: a educação, sem dúvida, para que se resolva o caso dos professores, mas não só isso, como seja as mudanças no ensino que, como é sabido, anda pelas ruas da amargura e a nossa juventude bem precisa de ser bem preparada. As Finanças, se bem que se trate de um sector que depende em grande percentagem do que ocorra no meio internacional, mas também aí se necessita de uma cara nova, mais convincente, para dar confiança aos cidadãos, pois que a que está já não consegue sequer essa mudança. A Economia não pode manter o mesmo detentor do pelouro. Já aqui, num blogue, lhe dediquei um espaço, mas é notório que o sector difícil, é certo, da produção nacional, não pode manter-se num marasmo como se encontra e é nos momentos difíceis que se tem de jogar na mudança, para permitir novos meios e novas perspectivas.
Enfim, as eleições têm de servir para alguma coisa. Porque, para ficar tudo na mesma não é necessário incomodar os cidadãos com idas às urnas.
É o que se espera que saia do próximo acto eleitoral. Porque, para ficarmos na mesa, entregues aos “milagres”, então mais vale sentarmo-nos às portas das nossas casas e rezarmos, se é que temos fé bastante…


segunda-feira, 15 de junho de 2009

ÁGUA

Já cá estavas quando eu nasci
bebi-te ainda sem saber quem eras
terei gostado, sim, gostei deveras
matando a sede, por isso sorri

Ó água pura que ainda existes
nem nisso pensam as gentes de hoje
se algum dia esse bem nos foge
será então que ficamos mais tristes

E esse dia terá que chegar
mesmo dizendo não os optimistas
é preciso não desviar as vistas
do mal que poderá todos matar

Água salgada, essa aumentará
mas tirar-lhe o sal é difícil cousa
na terra a que ainda repousa
virá o dia em que acabará

A Igreja chama-lhe água benta
e com esta baptiza as criancinhas
serão elas talvez, as pobrezinhas,
que terão de enfrentar tal tormenta

É ainda o líquido precioso
que tem servido para enganar
misturado no que se vai provar
pois é vício deste mundo enganoso

E na vida faz bem ter certa fé
é muito bom crer no que quer que seja
e em vez de água beber cerveja
como em seu lugar tomar água pé

Mas para ambas é essencial
essa água que não pode faltar
da mesma forma que não haver ar
é morte certa p‘ra qualquer mortal

Mas será que neste mundo em mudança
onde tudo se inventa cada dia
alguém conseguirá a utopia
de atingir a bem-aventurança?

Não sendo a água já tão necessária
ficamos nesse caso descansados
temos de olhar para outros lados
para outra coisa também primária

Porque não acabam as aflições
excesso de gente causa problemas
e serão tais os vários dilemas
que o melhor é não ter ilusões

ÁGUA



Já aqui me referi, em tempo oportuno, ao problema que o mundo tem que enfrentar daqui a algum tempo, a anos de vista, mais ou menos de acordo com a disposição dos que são mais ou menos pessimistas, e que se refere à escassez de água que vai ocorrer no nosso globo terrestre.
Serão 50 anos de expectativa? Serão mais? Ou nem isso? Seja o tempo que tardar até se confrontarem os humanos com tal descalabro, os cientistas, aqueles que estufam estes problemas não escondem que, a seu tempo, isso acontecerá. É uma fatalidade a que os que cá estiverem não escaparão.
Portanto, avisados os habitantes do mundo, lá isso estão. Se bem, nos dias em que vivemos agora, não haja motivos para deitarmos as mãos à cabeça. Por enquanto podemos desperdiçar esse precioso líquido, como fazemos todos que deixamos as torneiras abertas e que enchemos o copo e deitamos o resto fora do que sobrou por não termos bebido toda a água. Isso, para não falar de outros gastos supérfluos a que assistimos e não ficamos muito preocupados por isso.
No entanto, se não se trata de uma fantasia pessimista este aviso que a ciência já não esconde, a pergunta a fazer é o motivo por que os diversos governos espalhados pela Terra não deram ainda mostras de tomar medidas de modo a que se dê início a uma campanha de grande aproveitamento da água que cai das chuvas e a que sobra das enxurradas bem a que sobra dos rios em tempos de Inverno, encaminhando-a para depósitos construídos para o efeito, não a deixando perder-se nos mares e oceanos.
No que diz respeito ao nosso País, já que a Península Ibérica é apontada como sendo o primeiro território a vir a sofrer as consequências da escassez do referida líquido, não teria sido uma medida de prudência ter já investido numa política de poupança, com a criação de estruturas que contribuam para reservar o que é imprescindível para a vida humana?
Andam as cabeças políticas dos diferentes governos que têm passado pelo poder a dedicarem a sua atenção para diversos problemas que, também de facto, constituem preocupações que não podem ser postas de lado, como seja a substituição do petróleo, da electricidade, do carvão e de outros produtos que, até agora, têm estado no primeiro plano das utilizações humanas, mas, no que diz respeito à água, aí parece que se trata de algo de que o Homem pode prescindir e que já se conhece o que pode ser utilizado com o mesmo efeito.
Aí está aquilo a que o Executivo de José Sócrates poderia ter dado a maior atenção e até mostrar a sua preocupação que transmitiria aos portugueses, desenvolvendo medidas que iriam contra o não aproveitamento e criando condições para a armazenagem em condições próprias e renovando essas guardas, pois a água é um produto que não pode ficar preservado infinitamente.
Mas não. Isso era uma medida excessiva para a cabeça do primeiro ministro que temos tido. Ainda vamos a tempo?

domingo, 14 de junho de 2009

PERGUNTA



Eu pergunto-me, pergunto-me, procuro saber a resposta mas ela não aparece e não consigo descortinar a forma de obter satisfação a esta minha dúvida: qual a razão que me leva a este extremo de estar a perder, cada dia que passa, cada vez mais consideração pelos políticos tidos como profissionais dessa actividade. Eu que, pela profissão que exerci ao longo dos anos, antes e depois do 25 de Abril, tive oportunidade de conviver com tantas personalidades situadas nessa área e que conheci, como pessoas, um apreciável número de indivíduos que tinha e tenho de considerar como gente merecedora de consideração e, em certos casos, de amizade, ao analisar os feitos que saíram de uns tantos entra-me um azedume que só disfarço com a escrita a que me dedico, para fazer desviar a atenção para situações bem diferentes daquilo que constitui a sua actividade relacionada com a vida no nosso País.
Tenho que dizer isto, se bem que possa soar a elogio em boca própria: é que se me calhasse a mim assumir a responsabilidade de algum lugar visível e de importância quanto ao desenvolvimento nacional em alguma área considerada prioritária, não tomaria nunca o ar de ser portador da sabedoria total e muito menos assumiria a arrogância de afirmar que nunca me enganava e as dúvidas eram coisas que nunca passariam pelas minhas decisões. Estaria sempre pronto a mostrar que me tinha equivocado em alguma atitude tomada antes, pois não é por um ser humano se encontrar circunstancialmente num lugar em que pesam sobre si enormes responsabilidades de decisão, não é por isso que tem de estar sempre certo no que diz e no que faz. Por isso, o reconhecer um engano não pode constituir um crime pesado. O que sim tem de ser objecto de crítica e de admoestação é praticar esse erro e insistir nele, sem dar a mão à palmatória, não fazendo o possível para ir ainda a tempo de proceder à emenda.
Ora bem, aquilo a que se assiste cada vez com mais insistência é precisamente à prática de equívocos políticos originários de elementos que foram escolhidos pelos responsáveis principais dos Executivos, os quais tomam posse por via da indicação dos votos da população. E essas incompetências custam fortunas ao erário público, sem que exista uma determinação que lhes indique o caminho da porta da rua e, os faça responsavelmente pagar pela falta de capacidade de gerir os bens que são de todos os cidadãos.
As obras que são feitas e pagas pelo Estado, em que são verdadeiros rios de dinheiro que se perdem em virtude da falta de cumprimento dos orçamentos estabelecidos para efeitos dos concursos públicos, estes que ultrapassam em dobro e em triplo os valores indicados nos cadernos, ao que se têm de somar os prazos que também não são respeitados, prolongando-se anos e anos as datas de finalização estabelecidas, isto também representa custos que têm de ser suportados pelo erário que os cidadãos sustentam.
Foi agora tomada uma decisão de ser criado um organismo que (segundo parece vai oferecer mais alguns postos de actuação em que lá caberão, como é costume, uns tantos protegidos políticos) tem como objectivo fiscalizar o cumprimento de execução das obras públicas, no que respeita a custos finais e prazos de acabamento. Quer dizer, a Revolução ocorreu há 35 anos, passaram pelos Governos dezenas de bem instalados, desde sempre que têm lugar as saídas de milhões de euros dos cofres do Estado para liquidar as contas das obras públicas, sempre, ao longo de todo este tempo se tem verificado, mas só agora é que se “acordou” para esta necessidade de não deixar à solta a fiscalização dessa área tão importante. É obra!
A casa da Música (com uma derrapagem de 62 milhões e um atraso de 4,6 anos), antes a ponte Vasco da Gama (com aquele prolongamento em curva que não se entende outro motivo que não seja o fazê-la mais cara), o túnel do Rossio, o mesmo no Terreiro do Paço – esse então até faz dó saber que tem a mão de técnicos nacionais e isso provocou um desvio orçamental de 29 milhões de euros -, tudo isso para além de múltiplos outros que são o sinónimo de obras que nunca mais acabam, o que se passa por esse País fora em que as autarquias fazem das suas, com pouca fiscalização honesta, tudo isso é que constitui o Pão Nosso de cada dia neste nosso cantinho.
Eu, que recebi em minha casa, durante muito tempo, todas as sextas-feiras, tudo o que eram políticos desta Terra, de Esquerda e de Direita, e simultaneamente, muitos em actividade também hoje, em jantares em que a minha Mulher se esmerava, tudo para poder contribuir para a convivência entre adversários partidários, verificando que existia, na realidade, um relacionamento que permitia a troca de opiniões com absoluta boa vontade, perante essa situação tenho dificuldade em aceitar o motivo por que cheguei a este ponto de falta de consideração pelos profissionais da política que actualmente se sentam nos cadeirões de qualquer poder.
Eis, pois, a explicação do meu desencantamento (tenho até um livro pronto a ser editado, com o título “Desencanto… por enquanto!”) no que diz respeito ao que me é proporcionado assistir na Terra onde nasci. Se ainda existisse o meu antigo semanário, “o País”, que sempre primou pela independência absoluta, seguramente que seriam muitos os inimigos que teria que enfrentar, pois isso da Democracia, da aceitação das opiniões dos outros, da convivência salutar com aqueles que têm opiniões diferentes das nossas, não chegou ainda cá com inteira pureza. Trinta tal anos de liberdade não chegaram para educar este povo e, como já escrevi neste blogue, enquanto não existir uma classe para a miudagem do primeiro ciclo que ensine e estimule os princípios democráticos, essa prática não se instalará em Portugal. Continuaremos a ser como sempre fomos. A nossa opinião é que conta e o resto não merece importância!
Daí o meu azedume em relação aos políticos que temos. Eles saem da massa popular…

sábado, 13 de junho de 2009

CRISE - QUE PODIA SER?



Já com a devida distância em relação ao momento em que se tomou conhecimento dos resultados em todos os países europeus, dos que votaram para o seu Parlamento, talvez seja possível agora, com a conveniente tranquilidade, fazer uma análise mais apropriada quanto aos motivos possíveis que proporcionaram os números que foram divulgados.
É sabido que, nos casos da maioria das nações do nosso Continente, os governos que se encontram a governar na data em que se apuraram os resultados das eleições europeias sofreram revezes, pois não foram os mais votados e, nalgumas circunstâncias, até se colocaram em lugares secundários.
Quer isto dizer que o apuramento através dos votos depositados naquele momento pode reflectir o que se irá verificar quando ocorrerem as eleições legislativas? Esta a pergunta que vale a pena colocar a todos os cidadãos que costumam reflectir cuidadosamente quando analisam a evolução dos acontecimentos políticos, em vez de, com uma rapidez pouco aconselhada, tirarem logo conclusões que podem provocar equívocos.
Em primeiro lugar, há que ter em conta que se atravessa há já algum tempo um período de crise económica, financeira e social em todo o mundo, que tem conduzido os cidadãos dos diferentes países para uma situação amarga, de vida plena de dificuldades. E só esta circunstância chega para que as populações vão moendo um descontentamento em relação aos políticos que se encontram nos pelouros da governação, pois não vendo solucionarem-se as diferentes dificuldades que vão surgindo o natural é que admitam que outra característica políticas possa dar uma volta e trazer alguns benefícios que até agora têm faltado. “Pior do que aquilo que temos não poderá vir!”, é o que, provavelmente, os cidadãos pouco identificados com regimes partidários admitirão na hora de votarem.
No entanto, ao contrário de alguns “sábios” que, perante as câmaras de televisão e em algumas coluna dos jornais, não perdem a ocasião para difundir as suas opiniões, ditas e escritas com um ar estranho de grandes certezas, eu, cautelosamente, prefiro deixar a dúvida quanto ao que se vai passar nas legislativas que serão apresentadas. Isto, no que se refere ao nosso País, porque o que vai ocorrer em cada parceiro europeu, sobre isso nem me atrevo a dar palpites.
É certo que a figura pública de José Sócrates, só com grande mudança do próprio no que diz respeito à sua forma de se dirigir aos portugueses é que talvez seja ou venha a ser possível conquistar o apoio popular. Se o mesmo conseguir entender que deveria ter sido, ao longo do seu mandato, suficientemente modesto e compreensivo em relação às formas de actuar dos outros, não garantindo que só a sua é que é a perfeita, se ainda for a tempo para isso e, simultaneamente, faça uma mudança rápida no seu elenco governativo, aceitando e afirmando-o que, de facto, ocorreram situações que deveriam ter tido outro tratamento por parte de alguns ministros que mereceram a sua confiança, se ainda for a tempo de pedir desculpa aos portugueses por tudo isso e apresente agora soluções viáveis em relação ao futuro imediato, quem sabe se a população descontente não lhe dê ainda alguma “chance”, nem que seja para poder formar um Executivo de coligação.
Tudo é possível, pois, por vezes, o povo actua de forma absolutamente inesperada…

sexta-feira, 12 de junho de 2009

CAVACO EXISTE



Tenho tido os meus motivos para, ultimamente, dedicar algum espaço ao nosso Presidente da República que, no meu ponto de vista, tem tido um comportamento digno dos maiores elogios, pois, não pertencendo o Governo à orientação política que está instalada em Cavaco Silva, não é por isso que não se verifica uma independência, ainda que forçada, no convívio com José Sócrates e que, no que chega ao conhecimento público, até dá mostras de uma suportável convivência que só pode ser útil para não se criarem cisões entre dois órgãos de poder que só ganham em fazer caminhar o País para um desenvolvimento mínimo que se aguarda há tanto tempo que chegue. E se essa convivência não resulta de um sentimento muito profundo, ainda maior valor se tem de atribuir à aparência que é transmitida aos cidadãos portugueses.
Mas, há que atender que o Presidente da República, dentro das funções que lhe cabem, nem sempre poderá estar absolutamente de acordo com as propostas de leis saídas do Executivo, mesmo que as mesmas tenham sido aprovadas na Assembleia da República, onde o Partido Socialista detém a maioria, sendo-lhe, por isso, fácil fazer passar as suas deliberações. E, dentro desta realidade, já por dez vezes Cavaco Silva devolveu ao Parlamento outras tantas propostas que, no seu entender, merecem ser mais maduramente pensadas e, sobretudo, analisadas se estarão conformes os ditames da nossa Constituição.
Esta última decisão de Belém, de terem sido colocadas objecções de fundo quanto ao “aumento substancial do financiamento pecuniário não titulado dos partidos políticos e das receitas provenientes de iniciativas de angariação de fundos”, permitindo a obtenção de lucros nas campanhas eleitorais o aumento do limite de despesas de campanhas, este veto presidencial só pode ser analisada pelos portugueses como um resguardo dos dinheiros públicos que, segundo opinião bastante generalizada, ficariam sujeitas ao “assalto” por parte dos partidos a ainda mais dinheiros do que aquilo que já recebem.
O que deixa os cidadãos do nosso País ainda mais incomodados em relação aos políticos que, nos vários partidos, exercem as suas funções, é que, na Assembleia da República, todos eles, sem excepção, votaram positivamente a proposta de aumento do financiamento dos seus agrupamentos, entendendo-se claramente que o que lhes interessará sobretudo será a entrada de dinheiros públicos nos cofres de cada um desses grupos, ficando insensíveis no que respeita à míngua de fundos que assola Portugal, e desejando somente que, no seu “reino”, não se verifiquem dificuldades para fazer uma vida desafogada.
Cavaco Silva mostrou que é preciso ter sentido de Estado e que, para além disso, é obrigação de todos, mas especialmente aos que se encontram na montra da política, dar visibilidade ao seu “amor a Portugal” e não apenas “amor às suas conveniências”, sejam pessoais sejam colectivas.
E depois queixam-se os comandos dos partidos da falta de comparência dos portugueses perante as urnas, deixando-as tão vazias, ao ponto de serem mais os que não votam do que os lá vão dando a sua opinião. É que os que vivem da política não são capazes de suster o seu apego quanto a beneficiarem, o mais que podem, dos dinheiros públicos. Enquanto não ocupam os lugares em funções do Estado e depois de lá já estarem, por via dos impostos e de inúmeras mordomias.
É isto que temos que nos faz reflectir quando somos forçados a opinar sobre essa actividade dos políticos, onde o Homem, sempre o Homem, mostra bem o que lhe vai no seu íntimo!...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

POPULAR

Já ouvi alguém chamar-me
de poeta popular
como querendo alvejar-me
de algo muito vulgar

Será por querer encontrar
formas simples de dizer
aquilo que no falar
não se afasta do escrever?

Sendo assim, eu não renego
aos simples quero chegar
nessas águas eu navego

Por isso, sendo fluente
meu jeito de versejar
aceito: sou diferente!

MARCAR PASSO



É evidente que, após se ter tido conhecimento do resultado das eleições europeias, o actual Governo português, saído do Partido Socialista, o que perdeu uma larga percentagem de votos naquele tipo de consulta popular, terá que encarar a sua posição e, dentro dos princípios da ética, reservar-se no que diz respeito a grandes decisões que possam brigar com a vontade do que poderá surgir na posição de substituto, quer isolado quer em coligação, como se pensa que pode ser o que venha a suceder.
Não, que não exista absoluta legalidade no exercício das funções governativas por parte do grupo político que, nas eleições passadas, venceu com larga maioria. Por isso, trata-se apenas de uma posição de respeito por uma orientação política nova que foi dada nas eleições agora ocorridas. E esse comportamento pode vir a ter um peso substancial na opinião pública, o que também poderá contribuir para que se verifique um certo respeito dos cidadãos e, quem sabe, essa posição pode até ter algum peso no que respeita à próxima escolha que os portugueses venham a fazer. Ou não.
Mas tudo isto não passa de conjecturas. Sobre o que irá ocorrer de verdade só se conhecerá em Outubro que aí vem, depois de fecharem as urnas, da mesma maneira que, feitas bem as contas, antes do início do ano de 2010 não será do domínio público o programa financeiro do novo Governo, o qual ficará sujeito a aprovação parlamentar.
Este é o panorama com que temos de deparar a partir de agora. Quer dizer, perante as dificuldades com que o nosso País se debate, não há outro remédio que não seja marcarmos passo e sermos pacientes e sofredores. Mas o que não pode suceder, em circunstância alguma, é o aumentarmos o endividamento com decisões que, por muito que contribuam para envaidecer algum membro do actual Governo, só servem para criar dificuldades ao sucessor governamental que vier a surgir, ainda que nele venha a fazer parte o Partido Socialista que, neste momento, actua sem parceiros.
José Sócrates tem que reflectir profundamente sobre a forma como tem de enfrentar, a partir de agora, o povo português. Já o deveria ter feito há muito tempo, mas não é do seu estilo dar razão aos outros, ouvir as opiniões para além da sua, ser capaz de prestar explicações sem querer tirar partido de uma propaganda própria. E, se continuar assim, não se lhe poderá augurar um futuro auspicioso na política portuguesa.
Não temo fazer esta afirmação. Nem todos podem ser como Mário Soares que, com vitórias e com derrotas, se vai mantendo na política e, seja com que idade for, não deixa de ser respeitado por todos, mesmo os que o detestam.
Referindo-me agora ao discurso pronunciado ontem pelo Chefe do Estado, aproveitando a comemoração do 10 de Junho, e hoje, que volta a ser feriado, este religioso, também os portugueses param para ir à praia, pois parece haver condições climatéricas para tal gozo, presto a minha homenagem a Cavaco Silva que, contrariando a sua participação discutível quando exerceu as funções de primeiro-ministro, agora tem dado mostras de uma louvável ponderação, pelo menos até agora. E, tendo posto o dedo em várias feridas que nos têm atormentado, só o critico por não se ter referido à situação que a nossa Justiça atravessa e que, mal como outras, é a que mais impede que a verdadeira Democracia funcione entre nós.
Mas, há que dizê-lo, deu mostras, nas suas palavras, de que não estamos a caminhar por uma boa via e que há bastante a fazer para tentarmos endireitar a estrada da vida que nos compete atravessar. Será bom que a formação política que vier a sair das próximas Legislativas guarde o discurso agora proferido. E não o meta na gaveta.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

QUEM SOU?

Quem sou eu?
Que ando cá a fazer?
Pouca coisa, mas com grandes desejos
algumas esperanças
uns dias mais do que outros.
Daqui, da vitrina do meu café
sou um mais
só me distingo porque venho sempre
para escrever.
De vez em quando paro para pensar
para apelar à imaginação
a procurar uma palavra
um sinónimo
às vezes uma rima
a tentar não ouvir o que dizem
nas outras mesas
por vezes rindo
falando alto
dizendo coisas
e eu, quedo e mudo,
preocupado com o tempo
que me pode restar ainda com cabeça.
E escrevo, escrevo,
mas para quê?
Para quem?
Quem encontrará valor no que ponho no papel?
Procuro convencer-me que
para alguma coisa servirá
o que me dita a cabeça
.Mas toda essa gente que entra no café,
que se senta,
pede um café
assim como toda aquela
que salpica lá fora a rua,
nenhum desse povo
me parece
vir a interessar-se por aquilo que
me esforço para que mereça
algum apreço.
Apetece-me pôr uma placa sobre a mesa
Aqui está UM GÉNIO
porque qualquer produto
precisa de publicidade

PORTUGUÊS DA SILVA



Se nem para encontrar uma personalidade que satisfaça as características exigidas para exercer o cargo de Provedor da Justiça, os dois partidos, PS e PSD, têm deparado com tantas dificuldades em chegar a um acordo, arrastando durante largos meses a discussão e, neste caso, o lugar vazio depois da saída anunciada e verificada do titular que lá se encontrava, Nascimento Rodrigues, repito, se nem nisso aqueles dois partidos políticos foram capazes de se entender com facilidade, como vai ser possível, depois do resultado das eleições europeias que tiveram lugar e depois, nas legislativas que se aproximam, ter esperanças de que os dois grupos partidários em causa vão abdicar das suas teimosias partidárias e, na eventualidade, muito duvidosa, de virem a ser, em conjunto, os grupos partidários mais escolhidos e seja necessário que formem maioria parlamentar, ao ocorrer a possibilidade – que não é absolutamente segura - de serem forçados a unirem-se para formar governo, pergunta-se se daí sairá uma alternativa minimamente credível. É uma pergunta longa, esta, mas não vai ser uma resposta rápida aquela que os portugueses terão de contemplar, na altura em que se confrontarem com o resultado das eleições legislativas, essas que ainda vão ocorrer.
O que é preciso é que todos nós tenhamos a consciência de que não se trata de uma opção simples aquela que nos cabe tomar, cada um por si, mas todos para formar a resposta que, depois das contagens, será a que levará à decisão que, verdade seja dita, nesta altura bastante preocupação nos tem de causar.
Se não for possível voltar a uma posição já antes tomada, com ou sem CDS no conjunto, com os resultados também ainda presentes na memória dos portugueses, se isso não puder ocorrer, então, governar em minoria parlamentar terá de ser a obrigação do partido que ficar na primeira linha das escolhas. E essa situação também a conhecemos todos e não nos deixa grande vontade de ter de a encarar de novo.
Bem gostaria eu de poder apontar, neste meu escrito, uma nota de optimismo no que respeita à caminhada que nos espera após as eleições legislativas que vêm a caminho. Mas, com a maior franqueza que me caracteriza, não posso deixar de sublinhar uma preocupação que reina no meu íntimo. As nossas características de não sermos capazes de solucionar os problemas internos que nos atormentam, o que não vem só dos tempos recentes, apontam para prosseguirmos nessa linha sempre confusa.
Fomos capazes, como mostra a História, de descobrir novos mundos, de desbravar caminhos, de mostrar aos outros o que eles depois aproveitaram, mas o que nunca constituiu a nossa especialidade foi a governação e a descoberta de riqueza, só serviu para nós, num ou dois reinados (D. João V e D. José), os descobridores, mas não foi além disso. O caso do Brasil foi uma excepção, embora os rastos das nossas características lá se tivessem implantado durante muitos anos, pois o carimbo da portugalidade é difícil de apagar.
Mas, voltando ao presente e ao futuro próximo, Outubro já não está muito longe e, por isso, o que irá sair nessa altura das urnas, quer primeiro as autárquicas e depois as legislativas, tem de nos causar enorme expectativa. Até lá, pensemos bem naquilo que iremos fazer nos dias das opções.
Entretanto, comemora-se hoje o 10 de Junho, o Dia de Camões, e, aproveitando-se dois feriados seguidos aí estão umas mini férias que os portugueses nunca desaproveitam. Esta semana trabalhou-se pouco e, por esse facto, contribuiu-se quase nada para ajudar a fazer andar o País. Mas é sabido que não se pode contar excessivamente com o esforço dos cidadãos da nossa Terra para aumentar os rendimentos e, chova ou faça sol, lá saem de bandeira erguida as famílias para fugir de onde vivem.
Conformemo-nos com aquilo que somos. Se não podemos mudar a nossa maneira de ser, então mantenhamos a esperança de que, no futuro, os jovens de hoje serão capazes de encarar as realidades e alterar o que existe hoje.

terça-feira, 9 de junho de 2009

É A HORA


Já Pessoa alto gritava
Sua Mensagem divina
Que esta Pátria mal andava
Que navegava à bolina
Sujeita a toda a rapina
De quem bem se colocava

É a hora, dizia ele
P’ra sair do nevoeiro
Surgir a força que impele
Em momento derradeiro
Que transforma o fel em mel
E que venha um novo obreiro

Mas atenção, olho alerta
Que seja alguém desta terra
Que não tenha ordem por certa
Que fuja de qualquer guerra
Sendo denso o nevoeiro
Liberdade por inteiro
É sempre janela aberta

Se Pessoa ‘inda existisse
Cantando a sua “É a Hora”
Diria o que então não disse
Deitava p’la boca fora
Que em lugar de um Bandarra
De alguém com força e mão dura
Seja quem com uma fanfarra
Toque contra a ditadura

Outro rei Sebastião
Mas sem ares de salvador
E com determinação
Que se empenhe com rigor
Na governação do País
É o que se espera afinal
Para um futuro feliz
Desta Pátria: Portugal

DESCONSOLO



E pronto. Ficámos a conhecer o resultado das eleições para os eurodeputados que saíram do primeiro acto eleitoral que ocorreu por cá. E, com isso, preparamo-nos para enfrentar as que se seguem. Será, pois, altura para se fazer esta pergunta aos cidadãos do nosso País:
Terá a maioria dos portugueses consciência daquilo que pode vir a acontecer num futuro próximo, caso as condições financeiras do Estado não se alterem no sentido positivo e se prolongue o afundamento de carência de fundos nos cofres públicos, assim como não se verifique uma reviravolta absoluta nas dívidas clamorosas que existem em relação aos credores estrangeiros?
Esta é uma questão que tem de ser posta por quem tem o mínimo de consciência quanto à situação que se vive nos nossos dias e no nosso caso. E uma resposta clara impõe-se por parte dos responsáveis governamentais, posto que não se admite que se mantenha, agora que o PS tem de tomar consciência de que alguma coisa mudou no panorama político nacional, que continue a observar-se o cenário de falta de esclarecimento, não alertando os cidadãos para a realidade que, a muitos, pode ainda apanhar de surpresa. E é sempre mais doloroso e difícil de enfrentar uma situação que não é esperada, do que, mesmo que difícil, um panorama já aguardado.
É verdade que há que manter um ambiente de relativa acalmia na população, pois é sabido que existe gente que, apavorada, deixa cair os braços e não contribui para ajudar a solucionar uma situação. Mas há sempre maneiras de preparar as massas para um futuro que não será tão agradável como aquele que se deseja.
Impõe a realidade que enfrentamos, que os governantes que surgirem como resultado das próximas eleições legislativas em Outubro, caso estes sintam a responsabilidade que lhes vai caber e não pensem apenas em querer manter a população superficialmente contentinha, ainda que de forma artificial, é obrigação desses novos homens que poderão ir assumir o poder, que devem dar a volta por cima, como é costuma agora dizer-se, de modo a que o panorama passe a ser mais benévolo, se bem que não se podem nem devem esperar milagres.
Podem os leitores dos meus blogues acusar-me de falta de optimismo como já me chegaram sinais dessas opiniões – mas também recebo e bastantes, a dar-me razão pelo facto de não esconder aquilo que tem de ser dito -, mas a minha convicção é a de que mais vale ir prevenindo do que criar a ilusão de que os ainda piores tempos já não se instalarão em Portugal.
As empresas que todos os dias fecham, as centenas de milhar de trabalhadores que são despedidos, por falta de rendimento de fábricas, lojas e escritórios de todos os tipos, as transferências para países estrangeiros de grupos fabris de renome internacional, o fim de exportações de produtos nacionais e, em contrapartida, a manutenção excessiva de artigos importados, a diminuição de ingresso de divisas dos portugueses emigrantes e, de igual forma, a baixa considerável de turismo estrangeiro, o que também contribui para outra baixa significativa de dinheiro vindo de fora e, não por fim mas igualmente importante, a falta de trabalho em Espanha e não só, o que provoca o regresso de milhares de operários nacionais que, tempo atrás, efectuava saídas provisórias para ali arrecadar algum dinheiro que cá não era conseguido, tudo isso faz parte do molho de contrariedades que nos colocam na situação em que estamos. E o desemprego por cá, que já chegou a um dos pontos mais altos da Europa, na casa dos 9,3 %, não ajuda em nada o desconsolo em que nos encontramos.
Nada disto constitui o panorama nacional nos dias de hoje? Trata-se de um quadro pintado com base na fantasia? Estamos em condições de prever que a situação actual vai melhorar a breve trecho?
Pois eu sou o primeiro a desejar que assim seja. Mas o que não podemos fazer é enfiar a cabeça na areia e aguardar a ocasião favorável, criada por “milagres”, esses que só acontecem a quem tem fé bastante para os aceitar.
Uma palavra apenas para referir o que sucuedeu ontem em que a polícia resolveu atirar os seus bonés para o meio da rua, em forma de protesto por não verem as reclamações atendidas. Tenham ou não razão, é preciso dialogar e não deicar que as situações cheguem a este ponto. Mas já voltarei ao tema, por merecer uma apreciação muito especial.
Perante tudo isto, continua, portanto, a ser imprescindível votar. Não bastou apenas no passado domingo. É forçoso irmos a todas as eleições. Para depois, em plena consciência, podermos dar largas à nossa opinião desagradada. E se o que sair não for do nosso gosto, pois que nos conformemos com isso, mas que contribuamos com o que nos for possível, para que o que temos de deixar aos vindouros não venha a merecer o reparo e o desprezo dos que têm então de modificar as circunstâncias.
E já agora, uma palavra final de desconsolo perante os resultados das eleições em todos os países europeus que concorreram para preencher o seu Parlamento: é que os cidadãos da Europa parece não terem apreendido que é extremamente importante que a União avance rapidamente no sentido de constituir uma força conjunta e sólida que possa lutar contra os problemas económicos, financeiros e sociais que atormentam o mundo e que, neste espaço terrestre situado a norte das áfricas, bem poderia ter podido salvar-se melhor dos efeitos da tal epidemia que atacou fortemente e sem piedade.
E isso é que constitui uma ausência de vitória, independentemente dos ganhos e perdas dos partidos de cada nação europeia. Tendo sido dadas as mãos dos componentes da chamada União Europeia, sem egoísmos nacionalistas e invejas de comandos de cada participante, talvez o efeito da crise tivesse sido outro. Seria, sem dúvida.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

ATRASADO



Estou de facto atrasado
já não vou chegar a tempo
se é que alguém está parado
por qualquer contratempo
eu que fui toda a vida
pontual, cumpridor
não era nesta corrida
que ia ser fautor.
Tenho ânsias de partir
porque aqui não faço nada
o que me resta é sair
pois já passou a minha vez
de ser útil
de acabar com o talvez
não quero mais parecer fútil
e de já não ter valor
pois agora só me resta
sem pavor
ver terminar a festa
sentar-me e contemplar
que isto de ir embora
é com paciência esperar
pelo dia e pela hora
e se não foi antes, então
é porque era esse o destino
e ninguém tem na própria mão
o fim de ser peregrino

Pelo comboio eu aguardo
bem sentado na estação
não vale a pena ir-me embora
assim fico mais à mão
e como o que eu não quero
é lugar sentado, marcado
o que pedi e espero
é que o lume seja ateado
p’ra nada de mim restar
nem ninguém por mim chorar

Estou atrasado, é tarde
bem queria antes partir
sempre sem fazer alarde
é o caminho a seguir
andei de relógio em punho
p’ra cumprir a minha sina
não preparei nem rascunho
porque morrer é rotina
o próprio não manda nela
como também p’ra nascer
pertence tudo à novela
do fazer e desfazer

Tudo tem a sua altura
mesmo sem nos conformarmos
ter cumprido a aventura
de esperar por abalarmos

é o preço que se paga
até chegar ao fim da praga!




FOI ONTEM!...




Já se esperava. Não constituiu qualquer surpresa o elevado número de abstenções que se registou na votação ontem verificada em Portugal, para escolher os representantes no Parlamento Europeu. E, verdade seja dita, essa grande percentagem de não votantes não ocorreu apenas no nosso País, pois verificou-se por todo o Continente, o que quer dizer que os cidadãos europeus não se mostram muito interessados em participar no acompanhamento dos problemas que ocorrem no território a que pertencem ou haverá outros factores que terão interferido no desinteresse verificado. Dizem alguns que a crise mundial que se instalou por toda a parte faz desviar as atenções dos problemas políticos de cada área geográfica e, se for assim, não existe actualmente outra matéria que possa superar a preocupação dos naturais de diferentes países.
Bem, eu não sustento esta tese como única e definitiva, se bem que, sem dúvida, os gravíssimos problemas que absorvem os cidadãos de diferentes nações seja o do desemprego, que se encontra espalhado como tratando-se de uma bactéria que penetra por todos os sítios, e face a essa situação não há eleições que valham para colocá-las como prioritárias em relação a todos os outros casos.
No nosso caso, sendo evidente que qualquer força política que se tenha mantido na governação, não poderia ser beneficiada face à vida dificílima que se enfrenta por cá, tendo a acrescer uma má política seguida pelo Partido Socialista e uma imagem desagradada do primeiro-ministro José Sócrates, não era de aguardar que, nestas eleições europeias em que os resultados não servem senão de uma amostragem do que poderá suceder em Outubro próximo, nas eleições legislativas, o PS viesse a ocupar o lugar de mais escolhido, em comparação com os restantes partidos concorrentes.
Seja quais forem as opiniões que surjam em favor desta ou daquela formação política portuguesa, o grave de tudo isto é que se está a verificar um desinteresse por parte dos europeus em relação a um problema que se está a agudizar e que consiste num afastamento deplorável dos cidadãos pelo futuro de um conjunto de países da Europa que, esse sim, deveria constituir uma preocupação de milhões de habitantes neste Continente e que se vê caminhar com grandes dificuldades, com interesses limitados a questões nacionalistas, em lugar de se ir formando uma união forte em todas as zonas que possam oferecer bem-estar, progresso, fim das misérias, que é o que a Europa tem de enfrentar.
Quando ainda se discutem Tratados, como o de Lisboa, o qual ainda aguarda pela aprovação geral e inequívoca da totalidade dos países membros da União, que são 27, quando os milhões de europeus não se consciencializaram de que 2/3 das leis que ali são discutidas interferem nas actuações dos países participantes, ao arrastarem-se excessivamente passos decisivos que precisam ser dados para tornar a União Europeia naquilo que se espera dela, não se pode estranhar que as abstenções verificadas não eram de todo esperadas.
O PS não saiu colocado no primeiro lugar na contagem dos votos de ontem. O PSD substituiu-o nessa posição. E com mais um representante em Estrasburgo, do que o seu concorrente. Por seu lado, o BE também ultrapassou o CDU, ou seja colocou três representantes, quando contava com um no esquema anterior. O CDS mantém-se, isto é, não constituiu novidade.
Em resumo, tendo a abstenção conseguido cerca de 63%, foi ela a vencedora.
Vamos esperar por Outubro próximo, altura em que as eleições legislativas irão ter lugar. E, nessa altura, há que esperar que os cidadãos, os que estão descontentes com o Governo e os que o apoiam, não deixem de comparecer perante as urnas e ali irem colocar os seus votos. Porque aí é que se decide quem vai ocupar o lugar da governação, só ou ac0mpanhado.
Daqui até lá, como parece evidente, José Sócrates terá de fazer o seu profundo exame de consciência, por forma a analisar se deve permanecer com o comportamento que tem mostrado até agora ou se, pelo contrário, dá uma volta completa à forma como surge perante os portugueses e, por outro lado, faz também uma renovação no seu elenco governamental. Se não fizer nem uma coisa nem outra, então bem se pode preparar para uma repetição do que ocorreu ontem. Aqui fica o aviso.

domingo, 7 de junho de 2009

VOTEMOS, POIS!


É hoje. Dentro do primeiro grupo de chamada dos portugueses às urnas, a escolha para representantes nacionais em Estrasburgo, no Parlamento Europeu, calhou nesta data.
Já fiz referência à obrigatoriedade cívica de todos os cidadãos não se furtarem a esta oportunidade que é proporcionada pelos regimes democráticos e, por isso, não vou, nesta altura, repetir os apelos que larguei, na esperança de serem seguidos por alguns leitores deste meu blogue.
Claro que não é possível, a esta hora da manhã, saber mais quanto a resultados do que conhecia ontem na mesma altura. Amanhã poder-se-á contar com a informação suficiente para opinar se a Europa foi apelo suficiente para que os portugueses se tivessem pronunciado. Mas, se também os que se dispuseram para obter os votos dos nacionais não foram capazes de expor, durante a campanha eleitoral, o que estava nos seus propósitos fazer nos lugares que ocupariam se lá chegassem, por isso grande parte da culpa da abstenção que se verifique hoje pertence às caras que surgiram para tentar convencer os portugueses.
E, dito isto, não acrescento mais ao meu discurso. Vamos esperar por duas coisas: a primeira é que sejam escolhidos os vencedores e a segunda é que esses, depois de estarem sentados nos lugares, façam obra que valha a pena acompanhar e que o resultado favoreça o nosso País, que bem precisa de ajuda europeia.
Como sempre, cá ficamos agarrados a alguma esperança, que é sempre o que nos resta manter.

sábado, 6 de junho de 2009

AMANHÃ

Chegado aqui
a esta hora da vida
já percebi
como foi triste a corrida
desenfreada
cheia de baixos e altos
desencantada
não faltaram sobressaltos
só compensada
pelo intercalar de sonhos
na busca imensa
da fuga dos enfadonhos
e com descrença
contemplo esta vida chã
e no escuro
não me censuro:
pois bem temo o amanhã!...

VOTEMOS EUROPA



Pois é já amanhã que o primeiro passo, no conjunto de eleições que foram programadas em Portugal para este período, é dado. E os votos recolhidos destinam-se a escolher os representantes nacionais para estarem presentes no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Isto já é conhecido e, portanto, não estou aqui a dar novidade nenhuma.
No que se refere aos resultados, que serão conhecidos, mesmo que não sejam números definitivos em absoluto, no final do dia, essa dúvida pairará nesta altura no espírito de alguma gente, se bem que, pelos alvitres que foram lançados ao longo da campanha eleitoral, tenham bastantes prognosticadores antecipado uma coisa certa e segura: as abstenções atingirão percentagens elevadas.
Não devendo essa obrigação cívica dos cidadãos ser instigada para que as mesas dos votos permaneçam amanhã despidas de interessados, o certo, porém, é que não foi feito muito pelos partidos concorrentes para atrair os simpatizantes por uma causa e evitar que os mesmos fiquem em casa no domingo. É que o importante não era terem ocupado todo o período de propaganda a dizer mal uns dos outros – que é uma atitude que, de princípio democrático terá muito pouco ou mesmo nada -, mas sim ter deixado claro qual iria ser a sua actuação no referido Parlamento, por forma a deixar os participantes na escolha uma ideia quanto ao valor do trabalho que teriam programado, caso fossem escolhidos para serem integrados nas respectivas funções.
Nenhum dos participantes, de uma forma geral, dedicou o seu tempo de campanha a explicar o que era importante, o que talvez queira significar que nem esses concorrentes terão uma ideia muito clara quanto às propostas por que julgam importante lutar.
Pois é. A Democracia é o tal sistema político que se apresenta como o menos mau de todos os que o Homem inventou. E é com isto que todos, por esse mundo fora, têm de conviver. Todos não! Há os que ainda se encontram subjugados por ditaduras ferozes e esses, pobres criaturas, nem terão de criticar as más escolhas, porque ninguém lhes pede a opinião!...
E, quanto mais não seja só por isso, é de extrema importância que todos os cidadãos que, por mais descontentes que se encontrem com os governantes que lhes calharam, devem dar-se ao pequeno incómodo de agradecer a situação democrática que, finalmente, lhes dá esse oportunidade de poder falar claro, de reclamar, de mostrar abertamente o seu desagrado em relação aos executores que se encontrarem no comando. Não se resolve nada daquilo que cada um gostaria de poder usufruir, é verdade, mas só o facto de se poder dizer que se escolheu outra coisa que afinal não ganhou, só isso já vale a pena.
Eu, o tal pessimista, como alguns contentinhos me chamam, penso desta forma. Digo mal agora. Mas durante quarenta anos, nem isso podia fazer. E quando o fiz, fui preso!.-..

sexta-feira, 5 de junho de 2009

ERRAR

Quem não fez ainda isso ?
Que erro não praticou ?
Só não fez esse serviço
Quem a vida não gozou

Há uns que mais, outros menos
Mas um homem sem pecado
Só p’ra fugir aos Infernos
É que escapou desse fado

Há que perder petulância
Evitar que se atropele
De errar é tal abundância

Que há que escrever na pele
O erro ganha importância
Quando se aprende com ele

ELEIÇÕES EUROPEIAS



Temos que ter consciência das realidades. E uma delas é de que, não só acontecerá em Portugal mas, provavelmente, em todos os países europeus nas datas respectivas, as próximas eleições, no domingo dia 7, não atraem muito as populações a deslocarem-se até às mesas dos votos e aí deixarem a sua opção.
Eu próprio, quero confessá-lo, cheguei, há dias, a passar por essa fase em que admiti não praticar aquele meu dever de cidadão, por considerar que se trata de uma opção, essa de escolher os deputados, segundo as suas posições partidárias, que não nos traz grandes benefícios. De facto, os representantes nacionais que lá se juntarão aos dos outros países das mesmas famílias políticas e aí procurarão contribuir para aumentar a união dos países que fazem parte do grupo de uma Europa una, esses, pela pequenez da nossa posição não terão grande força e não existe nenhuma garantia de que sejam tais deputados capazes de puxar em nosso favor. Mas, dentro do princípio de que há sempre que ter esperanças e de que, enquanto formos resistindo às malvadezas do mundo, a nossa obrigação é dar tudo por tudo, encarando o problema sob essa matriz eu, por mim, e digo-o a quem me lê, lá irei no domingo depositar o meu papelinho com a cruz colocada no sítio que me parecerá o que conseguirá desempenhar melhor papel lá na Europa.
Mas, não será novidade para ninguém se os resultados forem decepcionantes, dado o largo número de abstenções que são esperadas. No entanto, alguma indicação poderão surgir no que dirá depois respeito às eleições legislativas, já que provavelmente, esse ensaio no domingo permitirá antecipar o que vai acontecer na altura em que forem escolhidos os partidos políticos que formarão o número de deputados na Assembleia da República e, por via disso, qual a formação mais votada que ficará com o encargo de formar governo. E, só por isso, se justifica que os portugueses tomem a iniciativa de não ficar em casa no dia 7 de Junho, quanto mais não seja para se ficar com uma ideia do que sucederá a seu tempo. No entanto, o que se devia esperar dos candidatos dos diversos grupos que se perfilam para saber o que lhes cabe no dia 7, era que, em lugar de se andarem a atacar uns aos outros, num comportamento que não se justifica, aquilo que teria sido útil até agora era conhecer o que cada um pretende fazer lá nos lugares que lhes estarão destinados, se o conseguirem alcançar, para, perante essa perspectiva, captar as preferências dos que se dispõem a participar na escolha.
Cá estamos, pois, na expectativa de aguardar o futuro deste País. É legitimamente aspirado por todos nós que termine, de uma vez, a má actuação dos políticos que temos tido a governar a nossa Terra e isso desde há já bastante tempo – e não é só de agora, desde que o Sócrates se situa no lugar cimeiro!
Quem tem pago por isso é este Portugal que, sendo um País com glórias que o mundo deve reconhecer, sempre pecou por não saber governar-se a si próprio. E nesta ponta da Europa, situados geograficamente com um panorama mundial todo à nossa frente, descobrimos muito do que estava para lá, mas quando se tratou de cuidar da nossa vida, aí pecámos por falta de capacidade. Olhemos agora para as nossas costas e apreciemos o que a Europa tem e que pode dividir connosco. Mas é preciso saber como fazê-lo.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

VENTOS


Bem longe de mim estão esses ventos
Que sopram a outros e por mim passam
Sem parar, sem olhar os meus tormentos
Que também tenho e me trespassam

Quero agarrar o silvo desse vento
Pleno de saber, de compreensão
Quero-o para mim e bem o tento
Mas é todo um esforço em vão

Brisa que passa cheia de alegria
Envolta em bem e com boas notícias
Se eu pudesse nunca partiria

Só tempo agreste é que quer ficar
O que vem carregado de sevícias
E que insiste à minha volta rodar

CLARA PINTO CORREIA


Habituei-me a ler, semanalmente, no suplemento dos sábados do jornal “24 Horas”, as crónicas de Clara Pinto Correia, uma bióloga que viveu largos anos no estrangeiro e que, instalada agora em Lisboa, apresenta as suas críticas à forma de vida no seu e nosso País. E esses comentários, que está no seu pleno direito de fazer, são, muitas vezes, no meu entender, oportunos, muito embora, também me permito expor a minha opinião, o estilo da escrita seja muito original. Mas não é isso que me faz dedicar este blogue ao tema em causa.
Acontece que num desses seus textos o objectivo da escrita é o comportamento das editoras portuguesas no que se refere à escolha dos originais para publicação de livros. E, quanto a isto, o que me apetece acrescentar é que, na verdade, essa actividade comercial que tem de ter o objectivo de ser lucrativa, não pode nem deve ser comparada a uma exploração económica como qualquer outra, pois arrasta consigo uma responsabilidade que tem de estar sempre presente em cada obra que é lançada no mercado.
Trata-se, portanto, de um mister que não tem de ter apenas a preocupação de colocar no mercado livreiro títulos que “cheirem” aos responsáveis das editoras vir a atrair a sua compra em quantidade, não pela sua qualidade literária mas sim por se tratarem de autores de caras mediáticas, conhecidas noutras actividades, que suscitam escândalos, afastando completamente a ideia de se tratarem de obras que contribuam para a riqueza intelectual dos leitores e/ou proporcionem a autores menos conhecidos a possibilidade de conquistarem um lugar que, muitas vezes, só é conseguido após a morte dos escritores ou poetas. E exemplos deste tipo têm-se contado às centenas na história da literatura de todo o mundo.
Porém, como as editoras não são organizações de beneficência, não pertencem a organismos oficiais com a responsabilidade de promoverem autores literários (como poderia haver também de autores musicais e de outros sectores artísticos), mas sim a sua razão de existência é facturar o mais possível com a venda de títulos que caiam bem nos leitores, logo as suas preocupações não se desviam dos títulos comercialmente garantidos na expansão.
Tem, portanto, razão Clara Pinto Correia quando aflora o assunto na crónica referida. Mas a vida é isso mesmo e, por mais que uns tantos, poucos, se insurjam contra os vícios que ocorrem na Humanidade e que não dão mostras de vir a ser alterados com facilidade, o que pode ser feito é insistir na discordância dos métodos e dos comportamentos do ser humano, tendo a paciência suficiente para aguardar por um dia em que as coisas dêem a volta e se aproximem do ideal.
Até lá, o que resta aos autores menos conhecidos é manter a sua produção para meter nas gavetas. Fernando Pessoa, um ajudante de guarda-livros de um escritório na Baixa, encheu folhas de papel com verdadeiras obras-primas que só chegaram às mãos do grande público muitos anos depois da sua morte.
É uma consolação? Evidentemente que não. Mas que se pode fazer?

quarta-feira, 3 de junho de 2009



Sendo pequeno ou grande
não o tendo lá faz falta
o preciso é que o pé ande
em perna curta ou alta

É isso mesmo o pé
que há quem o mostre exaltando
pois se não cheira a chulé
é muito útil andando

Há quem tenha um pé de meia
se ponha em pé de igualdade
e quem tenha a alma cheia
de sorte e felicidade

A água pé é bem boa
bebida em hora certa
na província ou em Lisboa
sabe bem se a sede aperta

Ter-te aqui ao pé de mim
agarradinha ao teu macho
é como uma tampa assim
a tapar sempre o seu tacho

Se o magoo lá vou eu
a andar ao pé coxinho
pois foi o que aconteceu
ao meu querido pezinho

No transporte, se está cheio
lá tenho de ir de pé
de outra forma não há meio
ali não há canapé

Para fazer o caldito
à lareira, lá na terra
no tripé o caldeirito
se usa e nunca erra

A montanha lá no alto
mostra ao longe e mostra ao pé
cá em baixo no asfalto
só se vê é o sopé

Quando incomoda o ruído
e não dá para banzé
não se ouve nem gemido
andar só pé ante pé


Também há aquele ainda
que põe a postura falsa
e não será muito linda
é mesmo um pé de salsa

E quem actua com manha
usando a falsa fé
não podendo ser aranha
vai sempre em bico de pé

Com tudo isto, afinal
para quem procura paz
aqui neste Portugal
deve andar de pé atrás






MANUEL PINHO o da ECONOMIA


Assiste-se frequentemente a posições tomadas por alguns membros do Governo que nos deixam a nós, simples cidadãos que temos de confiar na honorabilidade daqueles que foram colocados em lugares de estaque na condução do País, presenciamos verdadeiramente surpresos, para não dizer até revoltados.
A notícia surgida de que o ministro da Economia, Manuel Pinho, se recusou a revelar à Assembleia da República o teor do contrato, efectuado em 2003, que cedeu ao grupo Pestana a exploração das pousadas de Portugal, espalhadas pelo País, essa posição assumida pelo sector de Manuel Pinho não pode deixar de ser considerada como atitude de quem não assumiu ainda as regras de uma Democracia e que mantém um comportamento próprio de um comando ditatorial e sem respeito pelas regras de clareza em todos os actos que não podem fugir à apreciação pública.
Vem o Ministério da Economia afirmar que o motivo por que não divulga o teor do contrato é porque existe nele uma cláusula que obriga a ambos os participantes, o Estado e a empresa Pestana, a “estrita confidencialidade” face a terceiros no que respeita às condições dessa concessão. Ora, se todos os participantes governamentais aceitassem ou fizessem incluir nos acordos formulados com empresas privadas estas características de segredo, então não haveria forma de prestar contas a todos os actos em que interferissem. E, através dessa estranha cláusula, não poderia nunca a Assembleia da República, como elemento fiscalizador das actuações dos governos, tomar as decisões que lhe competem, ficando-se perante as recusas dos responsáveis governativos e não podendo actuar em tais circunstâncias.
Desde logo, se um responsável ministerial se esconde por detrás deste tipo de escudos, é previsível que alguma coisa destorcida pretende que não seja divulgada. E isso é logo o primeiro motivo para ser chamado à sua responsabilidade. É sabido que um grande número de perguntas e inquirições que são apresentadas no Parlamento não obtêm respopsta por parte do Executivo. Ficam de apresentar mais tarde as justificações pedidas, mas nunca surgem as explicações que os deputados, no seu pleno direito, exigem que sejam dadas.
Este ministro, de nome Manuel Pinho, não tem sido exemplar na conduta do departamento de tão grande importância como é esse de fomento económico de Portugal que, como se sabe, quanto mais desenvolvido se encontrar, maior possibilidade de empregos possibilita. Da sua actividade positiva e do sentido de imaginação de que dispuser pode melhorar ou não o panorama social (através da empregabilidade) do nosso País. É ele, em coadjuvação com o AINEM, dirigido por Basílio Horta, que depende, em grande dose, a expansão económica nacional, em todas as áreas e de que o turismo é um elemento essencial. Infelizmente, não têm sido muito positivas as áreas abrangidas por essa área.
Claro que, numa altura em que a votação que se aproxima e em que os portugueses têm de se servir para ser encontrado o próximo futuro governativo do nosso País, são estes tipos de condução dos nossos interesses que muito contam para a resolução dos portugueses. E não é com contratos feitos por debaixo da mesa que se consegue dar confiança aos que por cá têm de decidir.

terça-feira, 2 de junho de 2009

VERDADE VERDADEIRA

Oh verdade, verdadinha
que bem quero tê-la ao pé
segura por ser a minha
como a tua ela não é

É bem assim o que penso
sem duvidar o que sinto
pouco importa o consenso
porque sei bem que não minto

A minha verdade é única
não há outra é só esta
assim singela ou com túnica
porque ela é bem honesta

A tal que se lhe opõe
que diz que a sua é a certa
por vezes até corrói
e deixa uma porta aberta

Porque a dúvida persiste
qual será a verdadeira?
afinal a boa existe
uma será faladeira

Se depois de procurar
a verdade verdadeira
eu tiver de me espantar
por haver uma terceira?

E essa, nem tua ou minha
é que é a tal verdade
a que toda a razão tinha
e não era só metade

ELEIÇÕES Á VISTA



Não poderá haver dúvidas de que, se este Governo que ainda se encontra no poder, tivesse actuado, durante a totalidade dos quatro anos do seu exercício, na maioria das vezes com a mais perfeita das condutas, mesmo assim não se livraria de críticas que os seus adversários lhe dedicariam. E, igualmente por parte de muitos cidadãos não relacionados com partidos políticos, a má disposição quanto a várias das medidas tomadas estariam sempre na primeira linha dos seus comentários. Ninguém se livra de ter seguidores e, da mesma maneira, de acumular adversários.
É verdade que, quem se expões à crítica pública, seja qual for a área da sua actuação, tem de aceitar de bom modo as opiniões que são formadas a seu respeito. Na zona da política não tem de haver excepções. Quem não deseja andar na boca da população, o que tem a fazer é não dar nas vistas, é não se expor, é não surgir a falar alto e a pretender mostrar qualidades, só estando disposto a escutar elogios.
Agora, manda a verdade dizer que, no caso do grupo chefiado por José Sócrates, especialmente com a conhecida crise que não fez do nosso País um ponto fora da sua acção, a actuação do Governo actual ainda foi mais objecto de crítica, dado que as condições de vida dos portugueses têm vindo a degradar-se sucessivamente ao longo das últimas temporadas e, também não se pode negar, em demasiadas circunstâncias as formas de resolução seguidas pelo conjunto governativo não foram nem são merecedoras de elogios, antes pelo contrário.
Se, pelo menos, se tivesse verificado, da parte do comportamento político do primeiro-ministro, um espírito de compreensão quanto às diversas opiniões surgidas de diferentes pontos, incluindo as oposições oficiais, se não fosse um orgulho e um ilustrador do seu próprio ego que foi mantido ao longo de diversas ocasiões, se a arrogância não tivesse feito parte dos seus discursos e declarações sempre que se prestava a intervir – e fê-lo em demasia, sempre no mesmo estilo -, então haveria uma boa percentagem de desculpa no que se refere aos erros cometidos. Ora, da parte de todos os membros do Governo Sócrates parece ter comandado sempre essa postura, pelo que se assistiu a um coro uníssono.
Não admira, pois, que as eleições que se aproximam, sobretudo as Legislativas, não constituam um problema difícil de resolver por parte dos votantes. Maioria ao PS, tudo indica que é situação que não volta a repetir-se. Subida dos votos do PSD é coisa que não é esperada, porque não se encontrou, durante o período dos últimos quatro anos, uma postura no interior desse partido que aponte para uma melhoria, o CDS, esse, devido à posição de tão falsa importância do seu dirigente, Paulo Portas, nada aponta para que seja por aí que as votações subam. Já no lado contrário da política, o Bloco de Esquerda, pelo facto de ser muito crítico e de utilizar uma linguagem que chega mais facilmente aos ouvidos e à compreensão dos cidadãos, é natural que se verifique aí um aumento de percentagem de preferências, ainda que não seja suficiente para governar sozinho, nem por sombras, e, no que respeita a coligações antecipadas, essa posição está fora da sua preferência. Resta o PCP que, como sempre sucede com este grupo, ali se encontra a aguardar que os seus partidários fiéis não se desviem daquilo que representa a sua vocação tradicional. Mas esses também envelhecem muito rapidamente.
Que dizer, portanto? Os portugueses têm, nas suas mãos, o futuro do País. Que é como quem diz, pelo menos em tese.
Só podemos desejar que, após o apuramento dos resultados, seja possível encontrar-se uma situação que tenha as chamadas “pernas para andar”. Maiorias, é natural que não sejam aguardadas. Logo, há que ter esperança de que seja visível um espírito de compreensão entre os vários intervenientes na governação que se aprontem para tal. Tudo depende dos homens, dos seres humanos que tenham ocasião de fazer parte do grupo que poderá contribuir para que o bem-estar dos portugueses seja o principal motivo de fazerem parte da política.
Se isso não for conseguido, se os homens se mantiverem apenas a olhar para os seus interesses pessoais, então que nos agarremos a alguma coisa e preparemos para o pior. Não posso ser optimista, por mais que o deseje!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

VEM CÁ ABAIXO Ó MARQUÊS!...



O Marquês de Pombal foi um político da sua época que teve o privilégio de ter a sorte pelo seu lado. Se um terramoto se pode considerar como uma ajuda que a Providência põe à disposição de quem governa, no caso Sebastião de Carvalho e Mello, então conclua-se que a derrocada física que deixou Lisboa num estado de destruição de que, ainda hoje, se encontram alguns vestígios, proporcionou que um homem, pleno de sentido de dinamismo e de aproveitamento das circunstâncias, tivesse feito um trabalho que, no caso de se tratar de um outro governante sem as mesmas características, teria resultado numa paralisação de actividades e de mãos na cabeça a proclamar a infelicidade que tinha ocorrido.
Daqui se conclui que é precisamente nos períodos de maior descalabro que se podem encontrar seres humanos que se distinguem pelas suas iniciativas e pelo acerto em utilizar todos os meios para tirar partido dos maus momentos que se atravessam. Se não tivesse existido um Marquês de Pombal, rodeado dos técnicos respectivos que foram aproveitados para porem em prática os seus méritos, sobretudo arquitectónicos, a capital portuguesa não se apresentaria, sobretudo na chamada Baixa, como a vemos hoje. E, verdade seja dita, também valeu o rei dessa época, D. José I, ser uma personagem que facilitou a maior liberdade de acção ao seu ministro principal, o que não sucedeu com a sua filha, D. Maria I, que sempre mostrou a maior aversão pelo político poderoso que tão útil foi à reconstrução da velha e destruída Lisboa. Havia razões de ordem religiosa que provocaram tamanha perseguição da Soberana, mas quem ficou a perder foi a Nação, que não viu prosseguirem as remodelações que eram necessárias.
Seja como for, se hoje em dia surgisse um político com as características realizadoras do prestigiado Marquês, ainda que fosse republicano, para estar dentro da época, claro que teria de enfrentar outras “donas marias”, que as há por aí com fartura, mas faria pela capital de Portugal e por outras zonas que também necessitam de grandes remodelações, aquilo que não há forma de se ver realizar, do mesmo modo que, no capítulo da governação e dentro das regras democráticas que têm de estar sempre presentes, poderia pôr em prática o sentido prático e deixar de lado as quezílias paralisantes que são tanto do agrado dos políticos dos nossos dias.
Todos os detentores do poder cometem erros e o Marquês não se livrou desse pormenor, mas, quando a História aponta mais tarde os feitos que merecem ser recordados e esses têm efeitos positivos inegáveis, então uma imponente estátua colocada no lugar mais visível da capital constitui bem a prova de agradecimento dos que se lhe sucederem.
Será que, neste período pós-25 de Abril (e mesmo antes) passou por cá algum português que tenha deixado uma obra semelhante à que saiu das decisões daquele governante? Talvez o engenheiro Duarte Pacheco, que foi autor de obras que melhoraram bastante alguns pontos nacionais, especialmente em redor de Lisboa, possa merecer uma comparação, ainda que distante, mas, muito rebuscando na memória, não se descortina outra figura que valha a pena referir.
Por muito que faça saltar de indignação este comentário que aqui deixo, a impressão que muita gente terá no seu íntimo é de que talvez viesse a calhar ocorrer outro terramoto que obrigasse a planificar nova “Baixa” lisboeta, para, deste vez, ser reconstruída mais de acordo com a circulação rodoviária actual, assim como bem necessitavam outras zonas ser levadas em conta para se lhes emprestar as características que lhes faltam, quer as do respeito pela sua antiguidade e manutenção histórica, e Alfama será um exemplo, quer com a modernidade que estão a precisar de assumir.
Vem cá abaixo, oh Marquês… que “eles” não existem de vez!

domingo, 31 de maio de 2009

EUROPA

Essa Europa de que tanto se fala
e de que muitos querem fazer parte
não encontrou ainda o caminho,
anda confusa,
Essa Europa de que tanto se fala
anda perdida,
está a gastar tempo,
está a correr o risco de ficar pelo caminho.
A Europa das Nações é um sonho,
ter um objectivo comum
uma Constituição para todos,
um governo geral,
uma moeda igual – que já tem,
com línguas diferentes
costumes desiguais
bandeiras distintas
regiões autónomas,
conseguir tal objectivo, não é fácil.
E porquê,
se todos desejam fazer parte do grupo?
A resposta é simples:
é que a Europa é constituída por seres humanos,
também ela
como o resto do mundo
e é por isso que o entendimento,
a comunhão de ideias
e de interesses,
a capacidade de não exigir o comando,
o desprezar interesses pessoais,
o atender ao bem geral,
tudo isso falta ao Homem.
Querer ser o chefe,
o que manda,
desejar a melhor parte
é isso que destrói as comunidades,
é por aí que se partem as uniões.
A Europa chegou até onde está,
conseguirá avançar mais um pouco?
Mas quando?
E por quanto?
Até que ponto resistirá às discordâncias?
Ficará num mito?
Abdicarão os homens do muito mal pelo pouco bom?
E as regiões que, por essa Europa,
lutam por independência
estão a passar de moda?
Já eram?
Que isso de querer ser dono da sua rua
deixou de ter razão de ser?
Pois não parece…

E a emigração de que este Continente
está a ser alvo?
Os milhões de populações não europeias
que já entraram
e os milhões que virão a caminho,
instalando-se
tendo filhos,
muitos,
o dobro,
o triplo,
o quádruplo
dos naturais da Europa,
que mudança já provoca
e muito provocará
ainda mais
nos hábitos, costumes, língua,
cor da pele
na tradição europeia?
Daqui a cinquenta anos
quem cá estiver
e os que venham a ocupar
as terras europeias,
Paris,
Londres,
Madrid,
Berlim
todas as grandes cidades
deste Continente,
não encontrará nada igual ao que existe hoje.
Os adivinhos
que tenham a capacidade de ler no futuro
que desvendem esse mistério.
Talvez seja preferível, agora,
não saber…

Contemplando os homens de hoje
não será inevitável fazer
um exercício de reflexão
cauteloso?
E a pergunta impõe-se:
Como é possível existir uma Europa
com este material humano?
Essa Europa do todos por um
e do um por todos,
que vem nos livros
e se coloca nas bandeiras dos clubes
é uma forma de actuar
à moda antiga,
Porque a realidade de hoje é outra.
Afinal podemos ter esperança?
Será melhor persistir na Europa
ideal,
unida,
sonhada para ser eficiente,
capaz de juntar vontades,
interesses,
forças?

Deixo aqui a pergunta
esta e todas
e sei que há duas respostas,
antagónicas,
contrárias.
Uns, os crentes por natureza,
acreditam no êxito,
têm fé que os homens
encontrem o bom senso.
Outros, nos quais me incluo,
perderam a esperança.
Andamos a enrolar o tempo,
assistiremos aos altos e baixos,
aos avanços e aos recuos,
às reuniões,
aos banquetes
às discussões,
aos abraços,
às viagens para um e para outro lado,
aos discursos inflamados,
aos processos de intenções,
aos amuos,
aos sorrisos forçados,
às fotografias de grupo
todos em bicos de pés,
mas não passará disso,
ficará sempre nisso…

Europa unida,
em bloco
toda igual,
vivendo todos bem, os europeus?

Que sonho mais lindo!

UM FUTURO COMPLICADO




Ter sido determinado que as três eleições, que ocorrem este ano em Portugal, se efectuassem umas após as outras num curto espaço de tempo, muito embora não se admita que essa opção surgisse propositadamente para cansar os eleitores e dar-lhes as condições para faltarem ao seu dever, sobretudo sabendo-se que a atracção das praias se sobrepõe a um acto civilizacional que, por cá, se coloca sempre em lugar secundário, em particular na classe dos mais novos, terem os políticos, tidos como experientes, acordado nessa escolha de período não pode deixar de surpreender quem anda preocupado com o amanhã de Portugal.
Domingo, dia 7 de Junho, é o primeiro dia e, por sinal, destinado às eleições europeias, as que, precisamente, menos atraem os votantes. Vamos ver como se comporta o povo, de Norte a Sul, e tenhamos todos a esperança de que não se vai verificar uma ausência assustadora, mas se tal for comprovado não será de esperar que os partidos políticos e as entidades que se encontram ligadas a estas situações não venham demonstrar grande espanto, como se não fosse aguardado este comportamento dos cidadãos nacionais. Cá estamos para ver e ouvir.
Mas também pode ser que a situação que ocorra no domingo sirva de lição e dê argumentos para que os intervenientes em todo o processo abalem as estruturas e tudo façam, dentro dos seus limites de actuação nesta altura, já excedido o tempo mais indicado para chamar a atenção dos portugueses, de molde a que os actos eleitorais que se seguem proporcionem uma maior deslocação dos votantes em potência aos respectivos locais de escolha dos seus preferidos.
Numa ocasião em que, neste blogue ou noutro qualquer meio de comunicação mais influente, já pouco há a fazer, cada um procede da maneira que tem mais à mão para influenciar os próximos a fazer esse sacrifício de se colocarem na fila para efectuarem o seu dever de votar. Mas, provavelmente desta vez, não se formarão as tais “bichas” que sucederam em situações passadas. E oxalá esteja enganado na minha perspectiva. Mas a desmotivação dos portugueses é tão grande que, ao contrário do que seria de esperar, pois, quanto mais aflitos nos encontramos, maior tem de ser a motivação para interferirmos nas soluções.
Repito: seria bom que este prognóstico se encontrasse completamente fora da realidade. Não se trata de um desejo, como os que me conhecem sabem que não seria capaz de pensar assim. Mas, pelo contrário, de um texto de alguém que se encontra aflito com o futuro que não é estranho que, embora não se deseje, se espere que aconteça neste País!...

sábado, 30 de maio de 2009

ODE A PESSOA



Oh! Pessoa
tu que me inspiras, que me orientas
na minha cabeça ecoa
o que em mim sustentas
com o teu génio ou o dos teus heterónimos
com rima ou sem ela
mas sempre bela
afastando os demónios.
Ajuda-me, oh! Pessoa
a escrever esta ode
pensando em Lisboa
saindo como pode
com esforço, com rompantes
contrariando o ruído do café que me acolhe
que tem algo de igual ao teu que era dantes
mas que, tal como contigo,
é o café que escolhe
a freguesia, qual porto de abrigo
é ele que anima a que olhe
e veja o que me rodeia, o mau e o bom
aquilo que me foi dado apreciar,
deleitar
e ouvir o som
com agrado ou sem ele
E desde que me conheço
é o que peço:
que Aquele,
o que comanda,
não deixe a banda
à solta.
Pessoalmente penso assim
não me importa saber
se outros julgam igual a mim,
eu sei o que fazer
com a inspiração do poeta,
não basta pegar na caneta
e divagar,
pessoar,
procurar
no íntimo do sentimento
o que tiver mais cabimento
para saudar,
gritar
que poeta serei quem for
mas por amor
ao génio de um poeta dedico
e por aqui me fico
a compreendê-lo
e a relê-lo.

Ele, que dizia não ser nada
era tudo
perdido em frente da sua janela
ou sentado no café, à mesa,
procurando a frase mais bela
e encontrando com certeza
a sua inspiração
interpretando os sonhos do mundo
com devoção
bem no fundo
carregando a carroça da vida
com o fervor de um crente
que sabe que só há ida
por isso olhando sempre em frente
sem saber que o futuro
lhe traria tanta aclamação,
que transporia o muro
da vulgarização.

Oh! Fernando
tu que não sabias o que eras
nem como nem quando
que não crias deveras
nas certezas do mundo,
que só a Tabacaria era verdadeira
porque a vias ao fundo
da tua rua inteira
onde compravas os cigarros
da mesma maneira
que sacudias os catarros
e bebias a tua jeropiga
para acalmar a ânsia de versejar
e respirar
e produzir outra cantiga
sem fadiga,
naturalmente,
mas preocupadamente
a pensar que os versos criavam nada
que acontecia zero
que não havia fada
capaz de mudar, mesmo em desespero
a vida sensaborona,
triste e pesada,
qual matrona
pavoneada.
Hoje, o mundo sempre igual continua
parece diferente, mas nada mudou
aqui nesta como em qualquer outra rua
quer para quem trabalha e também estudou
porque os políticos continuam a falar
na busca de eleitor,
a dissertar
mas não são capazes, nem querem mudar
seja o que for
lá se vão enchendo
porque o que dá lucro vai-se mantendo
que o povo, esse fica,
a gritar pelo Benfica
sem eira nem beira
agarrado à bandeira
como se fosse da Pátria a salvação
a gritar nos estádios com emoção
contra quem seja
tendo na mão a cerveja
que dá calor
tremor
mas não altera os resultados
dos futebóis ou dos pecados.
Hoje está tudo na mesma
como a lesma.

Vês, Pessoa ?
Não fui capaz.
Estás onde estás
e eu estou onde estou
e não sei quando vou.
Verás que a minha intenção era boa
que me esforcei
mas o génio não agarrei.
Não digo como tu
que não sei o que serei,
sei sim, foi o génio que ficou no baú
e que também nada herdei
e como deixei de fumar
continuo sem achar
a Tabacaria
a que te trazia
o fumo da inspiração,
a divinização.

Perdoa-me, Fernando
Continuarei procurando
mas será tarde
para fazer alarde
de algo que me falta
para trazer à ribalta
coisa de valor,
mas amor
esse sim, não perdi
e como mostro aqui
não serei capaz
mas lá contumaz
é o que até agora tenho sido
e estou decidido
a prosseguir
enquanto a vida mo permitir.

Pessoa houve um,
não haverá mais nenhum
e se alguém o prometeu
não fui nem serei eu.