domingo, 19 de julho de 2009

DESILUSÃO


Ilusões, todos as têm
é sinal de se estar vivo
esperanças que mantêm
e que provoca incentivo

Esperar por alcançar
algo que se tem em mente
e ter mesmo de esperar
todo o tempo pela frente

Quem espera sempre alcança
e o que nos salva é a fé
lá diz o sábio povão

Mas quem anda nesta dança
tem de saber como é
sentir a desilusão

JARDINAGEM EM CUECAS



Eu já tinha resolvido não me referir a esse homem que comanda na Madeira, pois os seus modos completamente totalitários, insultuosos perante tudo com que não concorda, mesmo quando terá razão, e demonstrativos de que abomina a Democracia, tudo isso, aliado a uma imagem que, dentro da estética, também não apetece observar, determinou que o ignorasse, pura e simplesmente.
Mas manda a verdade dizer que metermos a cabeça na areia sempre que surge alguma figura que agride os princípios fundamentais das liberdades mínimas é abrir-lhes campo de acção em que eles se deliciam e continuam a proceder dentro de comportamentos que têm, no mínimo, que ser rebatidos.
A última do homem que leva o nome de Alberto João Jardim e que se saiu agora com a declarar que a posição comunista, como partido político, deveria ser proibida no nosso sistema constitucional, alegando, e aí com razão, de que se o fascismo está contemplado nesse conjunto de leis básicas nacionais e é proibido, então também aquilo que ele considera ser o antagónico político, o comunismo, também não deveria ser permitido. É bizarro, totalitarista, mas não eia de ter lógica, embora reprovável.
Ora bem, como princípio de falta de liberdade de exercerem a sua crença política de todos os grupos que entendam praticá-las, é certo que não sendo autorizadas as que se situam num dos lados do panorama, então as outras, as que tomam acento na ponta adversa, também não terão razão de existir.
O que está mal, para quem acredita na completa liberdade de ideias, sejam elas quais forem, desde que sejam praticadas sem interferir na mesma liberdade de todas as outras, por mais contrárias que sejam, não existe razão democrática para não serem autorizadas nas sociedades que se dizem e são abertamente livres. E, no caso do Partido Comunista Potuguès, é fundamental não riscar da História que, durante o período salazarista, foi esta força, durante muito tempo a única, que lutou e sofreu por mostrar a sua actividade persistente contra o regime que vigorava.
Custa, de facto, assistir, em pleno ano 2001, a confrontos entre agrupamentos, políticos ou não, que se digladiam apenas porque pensam ou têm gostos antagónicos. São necessários muitos anos de prática democrática para se poder constatar que as populações cumprem basicamente as regras de aceitação dos pensamentos alheios. E o que se verifica passar-se, neste momento, na Irlanda, em que os cidadãos cristãos atacam os outros também cidadãos, mas protestantes, por não aceitarem a existência dessas gentes, essa atitude é, a todos os títulos, reprovável. E o Vaticano não deveria ficar calado perante estas demonstrações de mau comportamento.
Ora, pretendermos que Alberto João Jardim seja capaz de aceitar a existência de práticas políticas com as quais não concorda, é o mesmo que esperar que, na Madeira, se passe a viver, em todas as áreas, numa confortável convivência dos que aceitam os modos e os procedimentos do seu Presidente com aqueles que o consideram um bizarro ditador. Estes últimos são considerados madeirenses de segunda e terceira ordem e nunca com seguem levantar a cabeça na sua própria terra. Há que esperar como sucedeu com Salazar: por uma cadeira.

sábado, 18 de julho de 2009

SÓ, EU ESTOU

Mesmo acompanhado eu estando
com ruído à minha volta
quieto ou mesmo andando
no meio do mundo à solta
só, eu estou
assim me sinto
falando com meus botões
que são eles companheiros
de todas minhas paixões
que vivem nos meus galheiros

A pensar passo as horas
sem assim resolver nada
também tenho demoras
não serve alargar passada
só, eu estou
e precinto
os outros não têm culpa
por me verem isolado
nem serve minha desculpa
p’ra não m’olharem de lado

Se p’ra eu falar não falta
que eu tenha companhia
o que sobra é a malta
sendo muita m’enfastia
só, eu estou
no recinto
e olhando para dentro
p’ro fundo da minha alma
dessa forma me concentro
e me entra toda a calma


ERRARE!...



Se olharmos, com olhos de ver, para todo o mundo, temos de concluir que as asneiras que são feitas por aqueles que mandam não ocorrem apenas por cá. Onde há homens, para seguirmos a frase de origem latina (errar é próprio dos homens), logo surgem as más actuações. Portanto, isso não constitui um exclusivo dos portugueses e, especialmente, na época que atravessamos.
Veja-se o caso da Islândia que, nesta altura, se encontra em situação económica e financeira de declarada banca rota, isso depois de ter arvorado em exemplo para todo o mundo pelo salto qualitativo que tinha dado tempos antes. Agora, face à impossibilidade de se ressarcir do estado deplorável a que chegou, sempre tendo declarado a sua aversão quanto a aderir à Europa da maioria, veio mostrar que estavam enganados os seus políticos e resolveu, por consenso interno, pedir a adesão à União Europeia, esperando por aí, se for aceite o seu pedido, obter os auxílios de que tanto necessita, por forma a afastar a horrorosa crise que também ali faz das suas. Perante isto, se bem que o mal dos outros não nos provoque alegrias, sempre causa algum consolo no que diz respeito às asneiradas que por cá se praticam.
E a mais recente é aquela da ASAE, que foi criada por decreto em 2005 e que, em 2007, viu a sua actuação alargada pelo Governo, tendo sido atribuída competência policial criminal, com o uso de arma de defesa, tendo sido esquecida a necessidade da aprovação de tal medida pela Assembleia da República. Resultado: todas as medidas tomadas por esta instituição, de resto considerada necessária pela população, sempre que forem tomadas com as devidas regras de bom senso e sem violência, têm de ser anuladas pelos tribunais e isso não está fora de causa vir a suceder. É pena que os tais “homens”, que incluem mulheres, que participam nestas medidas de protecção da higiene e do da regras fiscais que se impõem, não levem em conta o mínimo da boa educação e utilizem meios e palavras que não são admissíveis mesmo em quem exerce funções de tipo policial. E é disso que toda a gente se queixa.
Mas, em resumo, o que se verifica é que o governo, agora este mas aplica-se a outros antes, não estude bem as medidas que resolve tomar, para não passarem pela vergonha de, tempo passado, ter de dar o braço a torcer e desfazer o que se empenhou em que ficasse feito.
Errare humanum est! – não nos cansamos de clamar. Mas bem poderíamos evitar andar sempre a repetir o mesmo.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

SOLIDÃO ENTRE MUITA GENTE


Andar pelo mundo
ouvir o ruído
mas bem lá no fundo
não ver o sentido
de tudo que passa
da gente que fala
da enorme massa
que nunca se cala
não ver os sentidos
daquilo que dizem
ter dor de ouvidos
sem ver se condizem
os sons que lhe saem
das bocas teimosas
parece que atraem
palavras folosas
com a vastidão
´é o que se sente
grande solidão
entre muita gente

ÁFRICA DEMOCRÁTICA!...




O Presidente Americano escolheu Gana como País africano para fazer uma visita. Lá teve as suas razões para ter escolhido esta Nação subsariana, que foi a primeira daquela região a obter a independência, e admite-se que o facto se deve a terem os seus antepassados saído daquela zona quando partiram para a América e por ter sido ali que se verificou o maior tráfico de escravos a serem enviados para o exterior.
O que importa, pois, nesta ocasião é na afirmação feita por Barack Obama de que acredita que a África pode vir a ser democrática. E talvez tenha fortes esperanças de que isso venha a suceder num futuro sabe-se lá quando.
É verdade que é importante termos confiança no mundo de amanhã para que se consiga atingir aqueles objectivos que muitos dos actuais cidadãos do mundo tanto aguardam, essa posição de optimismo provoca, pelo menos, um certo conforto. Mas há determinados passos na vida humana que precisam de muito forte convicção para que se façam afirmações que as circunstâncias não ajudam a que se tenha excessiva fé no seu cumprimento.
Plena Democracia em África, com povos que têm os seus hábitos enraizados em costumes tribais que não aceitam que os vizinhos pratiquem acções que não condizem com as suas, isso será muito apreciável, o que não poderá ser, admito, é que, assim de uma geração para a outra, seja tudo posto de parte e os indígenas passem a seguir normas de que estão completamente afastados.
É verdade que as migrações maciças que se têm observado nos últimos anos, fazendo com que milhões de naturais africanos partam para destinos distantes, antes obrigados pelo sistema da escravatura e nisso o Brasil foi um receptor privilegiado, seguindo-se depois os E.U.A., que essas saídas de África se tenham transformado depois em partidas desejadas pelos próprios, invadindo outras paragens mesmo à revelia dos países acolhedores à força, ao ponto de hoje existirem já milhões de descendentes dos naturais das diferentes Áfricas que hoje já têm nacionalidades várias, como sucede agora na Europa, lá isso é sabido. E Portugal não escapa à regra.
Tudo isso é certo. Porém, com excepção dos africanos letrados, que há bastantes e que não se distinguem dos de outras cores e em igualdade de condições, os outros mantêm-se enfeudados aos hábitos dos progenitores, vivem em regime de separação, formam clãs, guetos, bairros próprios e, com necessidade de ser exercida alguma repressão, como se vê ainda hoje suceder, para os tentar chamar ao convívio dos países onde agora habitam.
Por isso, muito embora Obama esteja a dar mostras de enorme boa vontade no sentido de tentar modificar alguma coisa que, no seu País, ainda não corre muito bem e de que o seu predecessor teve algumas culpas, no aspecto de aguardar que em África a autêntica Democracia seja praticada é uma aspiração que nem ele nem os cidadãos com a sua idade terão a sorte de contemplar. Talvez os netos ou bisnetos, nunca antes…

quinta-feira, 16 de julho de 2009

CONTENTE

Mesmo sem saber porquê
pois que tal não é preciso
é gostar do que se vê
e mostrar sempre um sorriso
contente,
contente
maravilha estar assim
sempre com ar de festim

Pode parecer doença
coisa física e mental
pois ter alegria intensa
lembra logo carnaval
contente,
contente
todos ao lado a chorar
quem ri a dissimular

Em época de tristeza
mostrar que é diferente
é p’ra já uma proeza
e que se anda a Poente
contente,
contente
será preciso inconsciência
ou deste mundo ausência?

Contente, contente
só com muita aguardente

PRESIDENTE PRECISA-SE...


A entrevista que Santana Lopes concedeu na televisão, agora como candidato à presidência do Município lisboeta, mostrou um político que não tem muito a ver com a ideia que dele se fazia quanto à sua personalidade. Pelo menos foi o que eu achei, admitindo, no entanto, que esta minha visão não coincida com a que todos os espectadores tenham retido.
Eu esclareço. Caiu bem que o candidato tenha afirmado que não iria fazer referências às actuações dos anteriores responsáveis da Câmara Municipal e, nesta sua presença, teve o cuidado de não agredir o outro concorrente, António Costa, assim como se absteve de criticar o presidente que o antecedeu quando ocupou aquele lugar e com quem, segundo parece, não mantém muito salutares relações.
Em resumo, pois: não sendo habitual assistir-se a comportamentos públicos dos políticos que não são capazes de se abster de fazer más referências às actuações dos que se situam em plataformas diferentes, tendo visto Santana Lopes, que, por sinal, ainda mantém a imagem de “Play boy”, mesmo já não se encontrando em idade para exercer esse cognome, foi agradável poder verificar que algo de diferente foi dado assistir no panorama político português. E, para além disso, não é possível esquecer que o então presidente camarário da cidade não foi capaz de solucionar o problema do Parque Mayer e deu um passo mais longo do que perna, tendo encarregado um arquitecto de nomeada, é certo, para efectuar o plano da reestruturação do local, o que custou uma fortuna, para tudo ter ficado em águas de bacalhau. Foi uma decisão apressada daquelas que não podem tomar os responsáveis por um lugar. Isso conta a seu desfavor.
Seja como for e como o que interessa é ter confiança sobre o que pretende fazer por Lisboa no lugar a que concorre nas próximas eleições autárquicas, a verdade é que não dei conta de que o seu programa ofereça completa garantia de que, nesta capital tão necessitada de intervenção para recuperar o mínimo de condições para nos dar a nós, alfacinhas, o mínimo de contentamento, o que me deixou foi a dúvida quanto à escolha que devo fazer na data eleitoral.
É certo que o actual detentor da presidência, António Costa, não mostrou, até agora, ter feito grande coisa para que a bela capital portuguesa tivesse dado já os primeiros passos para sair da modorra em que tem andado há imensos anos. Bem sei que se queixou sempre da debilidade financeira que se vive dentro da Autarquia e que não conseguiu obter a maioria de votos para lhe ser permitido efectuar os empréstimos bancários que considera essenciais. E sem dinheiro não é fácil dar grandes passos. Mas, perante outras opções tomadas, entre elas a das obras no Terreiro do Paço, estas que estão a ser realizadas, as quais eu considero não serem as correctas (e já há largos anos e por várias vezes as minhas preferências), há que levantar suspeitas sobre António Costa, se será ele a pessoa ideal para tomar as rédeas do poder alfacinha.
O panorama mostra, assim, duas escolhas possíveis. No caso do elemento socialista, mesmo tendo agora António Costa feito um acordo com Helena Roseta - o que não me parece grande escolha -, o problema também se liga ao resultado das eleições legislativas, sendo necessário saber se o Governo actual se mantém ou se haverá modificações e, nesses caso, o PS deixará de ser o partido prioritário (e o contario também se pode admitir, ou seja se for o PSD a vencer as legislativas as inclinações autárquicas também caiam no PS). É admissível pensar que, sendo LIsboa uma autarquia excepcionalmente importante, a mesma procure fazer a escolha ao contrário do que ocorre na área governamental.
Deixo aqui, portanto, uma chamada de atenção. Está em causa uma situação que muito interessa a todos e não só aos lisboetas. É a capital do País que se encontra a aguardar por uma mão de enorme capacidade imaginativa e operativa, por forma a recuperar a beleza natural que possui e tirando todo o partido da sua posição geográfica, com um belo rio a seus pés, as sete colinas a prestarem-lhe mudanças de fisionomia, uma Baixa que lhe foi deixada por um grande amigo da cidade, Marquês de Pombal, e os bairros antigos que, se se encontrassem noutra cidade europeia, seriam aproveitados em todo o seu esplendor, juntando o velho com a modernidade, como se encontra, por exemplo, nalgumas cidades italianas.
Eu tenho esperanças de que surja, ainda no meu tempo, um homem que seja possuidor da capacidade suficiente para dar a volta indispensável à nossa linda Lisboa.
Será Costa? Será Santana? Será outro? Aguardar e ter esperança é sempre o fado do lisboeta.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

COM LICENÇA


Deixem-me passar, tenho pressa
não tenho tempo a perder
é que eu fiz uma promessa
e não me quero abster.
Com licença,
com licença
abram alas, lá vou eu
quem não correu já perdeu

Tenho de chegar primeiro
outros que fiquem p’ra traz
que isso de ser ronceiro
não deixa ser-se sagaz.
Com licença,
com licença
não vou chegar atrasado
não tenho por isso agrado

Para mim pontualidade
até parece doença
e cheguei a esta idade
trazendo-a já de nascença.
Com licença,
com licença
de ter chegado são horas
não sou homem p’ra demoras

Até ao último dia
o relógio me comanda
ando sempre de vigia
e a pressa não abranda.
Com licença,
com licença
mesmo na hora final
eu serei bem pontual

DEPUTADO ONDE SEJA



Isto de ser permitido, dentro dos cânones legais, que um cidadão se candidate simultaneamente a mais do que um lugar sujeito a escrutínio eleitoral, da mesma maneira que qualquer pessoa pode responder ao mesmo tempo a diversos anúncios de emprego a ver qual deles sai e, se possível, a escolher entre aqueles que, por ventura, se mostrem disponíveis, tal atitude não tem classificação de mérito e merece, pelo contrário, a censura dos eleitores que têm de escolher na hora do voto.
E tanto é criticável aquele que se prontifica a participar nessa situação como o agrupamento partidário que acolhe, protege e divulga a referida disposição.
Pois foi exactamente esse caso, aliás mais do que um, que se apresentou ao eleitorado, com disposição de aceitar o cargo de deputado europeu como de presidente de uma Câmara Municipal. As eleições europeias já ocorreram e as municipais irão ocorrer. Vamos a ver os resultados.
Os políticos profissionais que temos por cá já conseguiram obter as piores classificações que são dadas pelos cidadãos aos que se alinham para ocupar esses lugares, mas, com esta atitude agora, ainda piora a consideração que lhes é atribuída. E os Partidos que dão acolhimento a essas disposições também não ficam bem na fotografia, pois representa uma protecção que não pode ser considerada como saudável, honesta e politicamente correcta.
Neste nosso País tudo tem sido feito, desde que a Democracia se implantou por cá, para denegrir a actuação dos cidadãos que optaram pela profissão, em “part” ou em total “time”, para poderem ter uma vida desafogada. Vale tudo! Desde que as condições de subsistência sejam muito melhores do que as dos cidadãos comuns.
Mas não podem os cidadãos fazer outra coisa que não seja suportá-los e, mesmo criticando as suas actuações, aspirar por obter idênticas posições. É isto o Homem. O que consegue alcançar uma actividade bastante lucrativa e o que, sem poder atingir tal posição, aspirar por lá chegar. E, enquanto isso, criticar…

terça-feira, 14 de julho de 2009

O MEU JARDIM

Que lindo é o meu jardim
Todo feito sem esforço
Com seu cheirinho a jasmim
E cavado sem remorso

Os gatos do meu vizinho
Vêm dormitar ao sol
Há odor de azevinho
E lá vai um caracol

As rosas quando florescem
Fazem esquecer os espinhos
Aqueles que as conhecem
Procuram-nas pelos caminhos

Buganvílias lindas são
E há-as de várias cores
Caem folhas para o chão
Mas são sempre os meus amores

A terra e o seu cheiro
Que o estrume agudiza
Preenchem cada canteiro
E refrescam mais a brisa

De manhã, de manhã cedo
Ouvem-se as avezinhas
Não posso mexer um dedo
Que não se assustem ‘tadinhas

Minha mulher cuida delas
Das ervas de cheiro, úteis,
O seu fim são as panelas
Não se diga que são fúteis

Com a pazinha de cabo
E o sachinho de furar
Lá se mandam p’ró diabo
Ervas daninhas danar

Os cactos que alguns não gostam
São afinal bem bonitos
Coitados, até se encostam
Aos que acreditam em mitos

Quando chega o fim do dia
Meu jardim é uma festa
Um melro co’a sua cria
Ao nosso enlevo se presta

Que lindo é o meu jardim
Não me canso de cantar
Se o perdesse, então sim,
Alguém me via chorar

RASGAR


Cá neste nosso País as modas pegam com excessiva facilidade. Então na linguagem, nesta que é a nossa e que merece muito mais do que a repetição de palavras que saem de repente da imaginação de um qualquer e que, de imediato, passam a ser repitas por tudo e por nada e sem atender ao sentido que as mesmas têm, isso tornou-se numa espécie de vício que, durante um largo tempo, são ditas e reditas, atingindo mesmo a exaustão e o ridículo. Por exemplo, essa do “digamos” que, por tudo e por nada, é acrescentada nos diálogos que são transmitidos, quer nas rádios quer nas televisões e sobretudo por individualidades, políticas e não só, que têm obrigação de não aderir a modismos tontos.
Agora, o que apareceu em todas as declarações que são feitas por figuras públicas, tantos as ligadas ao Governo como as que pertencem às oposições, sobretudo nesta altura do PSD, desde que Manuel Ferreira Leite declarou que não iria “rasgar” decisões tomadas pelo PS depois das próximas eleições legislativas, esse verbo serve para encher a boca de todos os que, agora então ainda com mais frequência por motivos do período em que se sobressaem as declarações eleitoralistas, não querem ficar atrás uns dos outros e todos utilizam a palavra para defender os seus pontos de vista.
Que pena que isto aconteça e que seja tão mal tratada a língua portuguesa por aqueles que, não se contentando em actuar mal na política, pertençam a que partido pertençam, estendem a sua participação naquilo que lhes competia defender com unha e dentes.
Olhem lá, senhores políticos profissionais: esta de se ter descoberto que os cadernos eleitorais se apresentam bastante falseados, sendo verdadeiramente assustador que surjam repetições de nomes do mesmo eleitor e que façam parte dos cadernos imensos outros que já não se encontram no número dos vivos. Isto dá bem ideia de que, afinal, pertencendo Portugal ao grupo de países europeus que devem estar perfeitamente actualizados com todos os elementos que se utilizam nas autêntica democracias, o que sucede é que bem podemos ombrear com as nações em que, até de propósito, os eleitores que são considerados para considerar nos poderes uns tantos ditadores encapotados, ao fim e ao cabo, só existem para ser utilizados para falsear os resultados.
É evidente que o que se verifica aqui não tem tal intenção. É apenas provas de incompetência, de trapalhice, de falta de rigor por parte dos serviços públicos que temos por cá. E conforme acontece isto…

segunda-feira, 13 de julho de 2009

ONDE ANDAS TALENTO?


Quando acordo cada manhã
e realizo que tenho mais um dia
para fazer o meu papel
de estar vivo
e, a pouco e pouco,
vou despertando, sem vontade de me mexer
então, confronto-me
com a realidade,
não é mais um
é um a menos
se contar, como é natural,
o que ma falta, na caminhada
e não o que eu já percorri.
Então, perco toda a vontade
de me meter ao caminho
pois é uma estrada que eu já conheço
onde transito todos os dias
e em que aspiro
encontrar o que nunca me apareceu.
Nesse trajecto
repito o exercício de escrever
na esperança de que
na ponta da caneta
me surja essa tão desejada
personagem que,
ao longo se tantos anos,
não há forma de vir ter comigo.
Mas eu teimo,
no fundo acredito que mereço
esse encontro,
quanto mais não seja
pelo tempo que tenho dedicado a essa busca,
pelo exercício permanente
que absorve as minhas energias mentais
e porque, apesar de tudo,
confio na sorte,
se tiver tempo para esperar.

Quando desperto pela manhã
passa-me tudo isto pela cabeça
e o desconsolo toma conta de mim
sem que transmita esse sentimento a ninguém.
É demasiado íntimo,
é excessivamente ridículo
para ser comunicado.
Não é entendível pelos outros,
porque consideram
que é um descontentamento vaidoso
porque interpretam a minha revolta como uma
demonstração de injustiça.
E talvez seja.
Afinal, quem levou uma vida
a tentar construir uma distinção,
quem sempre sonhou com o reconhecimento alheio
ao não ter encontrado o essencial
não pode andar conformado.

Onde andas tu, oh grandeza?
Por que não entras em mim, oh talento?

CASTIGO


Já não bastava a maldita crise, que apanha com todas as culpas para tudo que de mal acontece na área económica, financeira e social, e eis que invade o mundo outro emplastro, desta vez na área da saúde dos cidadãos, a gripe A, que, alastrando todos os dias e atacando por todo o mundo, irá, segundo os que dizem que sabem, agredir ainda mais lá para os princípios do Outono, isso no nosso País.
Todos os dias, em Portugal, se anuncia mais algum acréscimo no número de atacados pela sorrateira maleita, tendo-se chegado nesta altura já a um número que se aproxima da centena. E as recomendações médicas vão no sentido de que, ao mais pequeno sinal, os atacados devem permanecer em casa. O que se compreende.
Porém, conhecendo-nos como nos conhecemos, está-se mesmo a ver que o portuguesinho da silva vai começar a espirrar nos empregos, que é como quem diz, avisar que no dia seguinte não vai comparecer, pois não quer contagiar os colegas… E até pode ser verdade, mas, desconfiados como somos, podemos bem duvidar da verdade de tais sintomas.
Seja como for, o problema que se apresenta para aqueles que têm crenças religiosas é o de que estamos perante um problema que nos leva a admitir que o mundo se encontra numa espécie de posição de castigo pelos pecados que tenha cometido. Ter-se chegado a esta situação tão calamitosa para os habitantes terrestres, tudo ao mesmo tempo, poderia levar a que as mais altas figuras das diferentes posições de culto se propusessem a levantar as mãos para os Céus e, cada um por seu lado, implorasse clemência às Divindades da sua área.
È que, todo o panorama que se apresenta aos mortais de hoje, acrescido das atitudes violentas que ocorrem por autoria dos inúmeros terroristas que, cada um com a sua causa, provocam mortes todos os dias nos mais diferentes sítios do Globo, para não se falar já dos terramotos, como aquele ocorrido recentemente em Áquila, na Itália, tudo isso já é demais para a população que, neste século XXI, já tem a dose que chegue de contratempos.
O que vale é que os cidadãos do mundo, pelo menos os que se encontram a viver em zonas tidas como desenvolvidas, já se habituaram aos noticiários de tristeza que a Informação moderna divulga. E já ouve as novidades sem grande preocupação. É todo uma questão de hábito!...

domingo, 12 de julho de 2009

MORREU O "REI"





A morte, seja de quem for, não merece, certamente, a alegria de ninguém. É uma situação que sucede a todo o ser, a que ninguém escapa e, vistas bem as coisas, até é necessário que isso aconteça, pois que, conforme se está a verificar nas contas que se estão a fazer, a população mundial já excede alguma coisa aquilo que deveria ser o razoável, no sentido de ocupação de espaço, de consumo de bens de primeira necessidade, sobretudo da água, e, no caso das migrações, das mudanças de local, deixando vazios zonas em que se verificam vazios e sobrelotando outros em que já não cabem.
Mas, não é propriamente deste tema que vou tratar neste texto. É sobre a morte de um artista americano, sem dúvida com largas camadas de “fãs” espalhadas por todo o mundo, e de que se levantam até grandes dúvidas sobre a forma como se passou, mas que, desde que isso aconteceu já há tempo suficiente para deixar de ser notícia, não deixou de ocupar espaços em tudo que é elemento de divulgação, incluindo as televisões que se espalham por todo o espaço terrestre. Todos os dias, a todas as horas, lá surgem comentários, opiniões, situações já conhecidas e outras ainda em fase de novidade que se referem ao homem que, durante a sua existência, pela excentricidade da sua actuação se tornou figura apreciada e, digo mesmo, idolatrada por uma enorme camada de gente. Trata-se, está bem de ver, de Michaael Jackson.
Pois bem, pode haver multidões que tinham pelo intérprete musical de um estilo muito peculiar enorme paixão e que não se conformem com o seu desaparecimento da Terra. Ninguém tem nada a criticar quanto a isso. O que será pena, lá isso será, que outras figuras que mereceram o mesmo ou mais no capítulo de idolatria, por feitos que, mesmo não sendo comparáveis, não será descabido, ao colocá-los na balança dos préstimos ao mundo, que sejam considerados como tendo sido de muito menor importância do que aquele que, nesta altura, se encontra no alto de uma espécie de altar dos famosos.
Está-se mesmo a ver que, da minha parte, não existe uma apreciação fora do comum no que diz respeito ao artista Michael Jackson. Será por falta de gosto que tem de me ser atribuída. Não discuto. E, no que respeita a maiorias, eu nunca defronto aqueles que pensam de forma diferente da minha. Por isso, contra a barulheira que é feita à volta dessa personalidade, eu me fico por este humilde blogue que não tem audiência que valha a pena levar em conta.
Mas, independentemente da sua forma de vestir – tal, como por cá, existe quem se mostre assim -, da sua maneira de cantar e de dançar, o que me levou sempre a não poder ser compreensivo com o artista, foi a repugnância que mostrou ter pela cor natural da sua pele, querendo ser branco à força, para o que usou todas as formas que a ciência ainda pode servir, atitude essa que, perdoem-me, não pode ser encarada com bonomia.
Temos de aceitar abertamente aquilo que a Natureza e as circunstâncias nos destinam, em termos de raça, cor, nacionalidade, etc., dado o restante, isso sim, é possível modificar através da educação, das preferências religiosas e até da formas de ser, do caminho na vida que entendemos ou podemos adoptar.
Esse o motivo por que nunca achei grande graça ao falecido Jacky.

sábado, 11 de julho de 2009

FILIPA VACONDEUS



Não sei se me fica bem escrever sobre este assunto. Mas também não dizer nada quando sou eu próprio que assisto à enorme popularidade que a minha própria Mulher alcançou com o seu livro que acabou de ser publicado e já vai na quarta edição, com “tops” de venda em tudo que são centros comerciais e antes até de chegar às livrarias normais, não fazer uma só referência no meu blogue pode parecer que não estou de acordo com esse acréscimo de reconhecimento público que lhe é atribuído, pois com este livro já é o décimo de que é autora.
Esta edição, que tem o nome de RECEITAS LOW COST, trata de exercer a arte da cozinha com o menor custo possível, pelo que não podia estar mais adequado às dificuldades que se atravessam neste momento, quer em Portugal quer em todas as partes do mundo. O lançamento do livro ocorreu há dias no El Corte Inglês, onde esteve muita gente e foi um agradável momento de convívio.
Não vou, obviamente, alongar-me numa referência mais pormenorizada a esta obra que, na verdade, está primorosamente editada. Mas não podia deixar de, aos meus leitores, prestar-lhes esta indicação. Se eu dedico grande atenção ao que me rodeia e a crise que se atravessa constitui uma das preocupações, não poderia, repito, passar em branco no que diz respeito ao trabalho notável da autoria de Filipa Vacondeus.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

LUSOFONIA

Parte de um poema de 10 cantos, bastante longo, com o título LUSOFONIA, que será divulgado logo que existam condições para o mesmo poder chegar às mãos dos portugueses, mais tranquilos e depois do calamitoso momento que se vive nesta altura
Canto IV (parte)

Depois de bem lançadas as amarras
das nossas naus por esse mundo afora
sendo acompanhados por bandarras
em que poucos pensavam vir-se embora
a língua ia criando raízes
que essa não custava infiltrar
podendo ir servindo de matrizes
daquilo que queríamos deixar

Era essa ao menos a esperança
não nos podia faltar o engenho
já que tínhamos feito tanta andança
havia que tomar tal com empenho
pois era o que estava mais à mão
ou seja, na ponta da nossa língua
e ao mais novo ou ao ancião
do nosso falar não havia míngua

Com tanto século bem pela frente
o futuro podia esperar
não era preciso ser de repente
a fala lusa tinha de entrar
tal como a música só de ouvido
que o escrever só mais tarde ia
se é que não caíra no olvido
dos navegantes, da maioria

E Deus, como Luís de Camões disse
ajudaria a levar tal tarefa
mesmo parecendo uma tolice
algo mais seria que sinalefa
levar a língua a distante espaço
e deixá-la plantada em terreno
onde desfloraria com cansaço
tendo que ser dado tudo em pleno

Se tal esforço préstimos traria
ninguém pensava então em resultados
nessa altura o que se conseguia
era muito e era que os achados
soubessem quem éramos e trocassem
mútua compreensão e favores
por muito que no fundo conservassem
a troca de sinais com seus tambores

O necessário era falar
a preciosa forma de entender
não constituísse nunca um faltar
nas relações que havia que acender
e para isso o ensinar faltava
a Cruz de Cristo seguia à frente
e o caminho virgem desbravava
pondo em comunhão lá toda a gente




SANTANA AÍ VEM



Santana Lopes, na sua qualidade de candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, nas próximas eleições autárquicas, já surgiu a afirmar que vai levar a peito a intenção de construir o novo túnel da avenida Fontes Pereira de Melo, para completar a ligação ao outro túnel que sai no Marquês de Pombal.
Não ponho em questão se esta obra é necessária ou não. O que pergunto, da mesma maneira que apresentei a mesma dúvida aos grandes empreendimentos que Sócrates defendia com tanto ardor – agora, entendeu deixar tais iniciativas para o próximo Governo, o que é de aplaudir -, é se o Município lisboeta dispões de fundos suficientes para se meter em tamanhos gastos, pois é sabido que os últimos responsáveis principais da Câmara deixaram a tesouraria exangue e tanto é assim que se levantaram lutas quanto ao pedido de auxílio bancário, o que só foi conseguido em parte.
No que se refere a este candidato que pretende repetir uma experiência anterior que não lhe saiu bem e todos nos recordamos do caso do Parque Mayer, em que o o projecto foi entregue a um arquitecto americano que, por muito competente que seja – e é, para além de promotor de nomeada daquilo em que se mete -, faz-se pagar principescamente e não tem de saber se, em termos oficiais, o terreno em causa está disponível para a obra ser executada – e não estava, pelo que tudo se encontra no estado em que se arrasta há imensos anos.
Também, quanto a Lisboa, os trabalhos que estão a ser escutados no Terreiro do Paço, por muito necessário que sejam – e não está provado que sejam estas as que mais serão indicadas para o local em causa -, não podem os lisboetas deixar de perguntar-se se não seria mais lógico que se começasse por arranjar os pisos das ruas mais movimentadas, pois os solavancos e os estragos nas viaturas não podem continuar por todos os motivos.
Afinal, quer seja no Governo quer na presidência da C.M.L., aquilo a que se assiste é a não serem atendidas devidamente as opções no capítulo de serem colocadas por ordem de urgência as obras que serão precisas. É um mal que vem de longe e que os nossos políticos parecem querer repetir sucessivamente. O que importa é o que dá mais nas vistas e não o que se torna inadiável para o conforto e o bem-estar dos cidadãos. Aguentemos, pois!...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

MILHÕES DE EUROS



Cinco milhões de euros ganhos em meia-hora é obra! Nem o Ronaldo consegue tamanha proeza. É necessário ter imensa habilidade, ser prodigioso, um verdadeiro artista para alcançar tal proeza. Mas, afinal, por cá, por este País de pelintras, isso é possível. E quem sabe não deixa que outros façam o mesmo. É um exclusivo, uma artimanha que apenas os beneficiados de alguma coisa conseguem. Vamos lá explicar:
Primeiro é preciso ter um lugar de destaque numa instituição que pertence ao Estado e que pode ser, por exemplo, a organização dos CTT; depois é necessário possuir influências, para poder exercer certo tráfego nesse ambiente e se for militante de um partido que tenha destaque na política, pois ainda melhor. E, se puder contar com companheiros que ajudem na execução de um plano bem elaborado, então a coisa tem todas as possibilidades de resultar em cheio e de escapar a investigações que, por ventura, possam surgir posteriormente, dado que, se for o conjunto de participantes todos ele formado por gente bem colocada no meio público, então as eventuais consequências de acusações que venham a ser feitas, as mesmas não terão condições para levar por diante qualquer processo que acabará por se perder na complicada teia jurídica.
Estou mesmo a entender a pergunta que bailará na boca de alguns que leiam este escrito: e como é que isso pode ocorrer? Muito fácil, digo eu. Pois escutem: essa instituição que pertence ao Estado, através do conjunto de administradores entende vender um edifício bem situado, de valor indiscutível e de fácil colocação no mercado. Sem efectuar aquilo que é o normal, parece até que o obrigatório, como seja abrir um concurso público, efectua essa venda a um comprador já antes definido e faz um preço que está longe de corresponder ao montante que lhe deve ser atribuído. Muito menor. Pois, sem deixar arrefecer a situação, esse comprador combinado, meia hora depois efectua, por sua vez, a venda do mesmo prédio a outro interessado, só que o produto agora da venda é de muitos milhões acima do que fez parte da escritura realizada no mesmo cartório que ainda está quente da operação anterior.
Com isto, tão simples, os vários milhões da diferença têm, naturalmente, que ser repartidos por vários intervenientes que deram possibilidade ao negócio.
Houve alguém prejudicado no meio de toda esta trapalhada? Traduzido em pessoas físicas conhecidas, não. Porque quem perdeu tem o nome de cidadãos portugueses. Contribuintes. E esses só tem voz para se defenderem e mal dos ataques ferozes das Finanças e de grande número de organismos estatais que não perdoam ao povinho comum.
O que não vale a pena é tentar imitar este tipo de acções, pois só os privilegiados é que têm direito a estas roubalheiras.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

VERSOS LIVRES


Aqui estou eu à frente do papel
à espera que a inspiração me chegue
olhando para a rua a ver passar
aqueles que não olham para a folha
em branco à espera de estar cheio
de letras, de palavras e de versos

Serão felizes esses que não puxam
por um génio que não lhes faz falta?
Quem sabe se não seria melhor
conhecer tudo sobre o futebol
preocupar-me só com o meu clube
e andar em dia com o jet-set?

Se fosse assim, poemas não fazia
e descansava quem viesse a ler
todos os versos livres e bem livres
porque de rima mesmo nada têm
e a cadência é o que lhes resta
mas mesmo assim encheram o papel