domingo, 7 de junho de 2009

VOTEMOS, POIS!


É hoje. Dentro do primeiro grupo de chamada dos portugueses às urnas, a escolha para representantes nacionais em Estrasburgo, no Parlamento Europeu, calhou nesta data.
Já fiz referência à obrigatoriedade cívica de todos os cidadãos não se furtarem a esta oportunidade que é proporcionada pelos regimes democráticos e, por isso, não vou, nesta altura, repetir os apelos que larguei, na esperança de serem seguidos por alguns leitores deste meu blogue.
Claro que não é possível, a esta hora da manhã, saber mais quanto a resultados do que conhecia ontem na mesma altura. Amanhã poder-se-á contar com a informação suficiente para opinar se a Europa foi apelo suficiente para que os portugueses se tivessem pronunciado. Mas, se também os que se dispuseram para obter os votos dos nacionais não foram capazes de expor, durante a campanha eleitoral, o que estava nos seus propósitos fazer nos lugares que ocupariam se lá chegassem, por isso grande parte da culpa da abstenção que se verifique hoje pertence às caras que surgiram para tentar convencer os portugueses.
E, dito isto, não acrescento mais ao meu discurso. Vamos esperar por duas coisas: a primeira é que sejam escolhidos os vencedores e a segunda é que esses, depois de estarem sentados nos lugares, façam obra que valha a pena acompanhar e que o resultado favoreça o nosso País, que bem precisa de ajuda europeia.
Como sempre, cá ficamos agarrados a alguma esperança, que é sempre o que nos resta manter.

sábado, 6 de junho de 2009

AMANHÃ

Chegado aqui
a esta hora da vida
já percebi
como foi triste a corrida
desenfreada
cheia de baixos e altos
desencantada
não faltaram sobressaltos
só compensada
pelo intercalar de sonhos
na busca imensa
da fuga dos enfadonhos
e com descrença
contemplo esta vida chã
e no escuro
não me censuro:
pois bem temo o amanhã!...

VOTEMOS EUROPA



Pois é já amanhã que o primeiro passo, no conjunto de eleições que foram programadas em Portugal para este período, é dado. E os votos recolhidos destinam-se a escolher os representantes nacionais para estarem presentes no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Isto já é conhecido e, portanto, não estou aqui a dar novidade nenhuma.
No que se refere aos resultados, que serão conhecidos, mesmo que não sejam números definitivos em absoluto, no final do dia, essa dúvida pairará nesta altura no espírito de alguma gente, se bem que, pelos alvitres que foram lançados ao longo da campanha eleitoral, tenham bastantes prognosticadores antecipado uma coisa certa e segura: as abstenções atingirão percentagens elevadas.
Não devendo essa obrigação cívica dos cidadãos ser instigada para que as mesas dos votos permaneçam amanhã despidas de interessados, o certo, porém, é que não foi feito muito pelos partidos concorrentes para atrair os simpatizantes por uma causa e evitar que os mesmos fiquem em casa no domingo. É que o importante não era terem ocupado todo o período de propaganda a dizer mal uns dos outros – que é uma atitude que, de princípio democrático terá muito pouco ou mesmo nada -, mas sim ter deixado claro qual iria ser a sua actuação no referido Parlamento, por forma a deixar os participantes na escolha uma ideia quanto ao valor do trabalho que teriam programado, caso fossem escolhidos para serem integrados nas respectivas funções.
Nenhum dos participantes, de uma forma geral, dedicou o seu tempo de campanha a explicar o que era importante, o que talvez queira significar que nem esses concorrentes terão uma ideia muito clara quanto às propostas por que julgam importante lutar.
Pois é. A Democracia é o tal sistema político que se apresenta como o menos mau de todos os que o Homem inventou. E é com isto que todos, por esse mundo fora, têm de conviver. Todos não! Há os que ainda se encontram subjugados por ditaduras ferozes e esses, pobres criaturas, nem terão de criticar as más escolhas, porque ninguém lhes pede a opinião!...
E, quanto mais não seja só por isso, é de extrema importância que todos os cidadãos que, por mais descontentes que se encontrem com os governantes que lhes calharam, devem dar-se ao pequeno incómodo de agradecer a situação democrática que, finalmente, lhes dá esse oportunidade de poder falar claro, de reclamar, de mostrar abertamente o seu desagrado em relação aos executores que se encontrarem no comando. Não se resolve nada daquilo que cada um gostaria de poder usufruir, é verdade, mas só o facto de se poder dizer que se escolheu outra coisa que afinal não ganhou, só isso já vale a pena.
Eu, o tal pessimista, como alguns contentinhos me chamam, penso desta forma. Digo mal agora. Mas durante quarenta anos, nem isso podia fazer. E quando o fiz, fui preso!.-..

sexta-feira, 5 de junho de 2009

ERRAR

Quem não fez ainda isso ?
Que erro não praticou ?
Só não fez esse serviço
Quem a vida não gozou

Há uns que mais, outros menos
Mas um homem sem pecado
Só p’ra fugir aos Infernos
É que escapou desse fado

Há que perder petulância
Evitar que se atropele
De errar é tal abundância

Que há que escrever na pele
O erro ganha importância
Quando se aprende com ele

ELEIÇÕES EUROPEIAS



Temos que ter consciência das realidades. E uma delas é de que, não só acontecerá em Portugal mas, provavelmente, em todos os países europeus nas datas respectivas, as próximas eleições, no domingo dia 7, não atraem muito as populações a deslocarem-se até às mesas dos votos e aí deixarem a sua opção.
Eu próprio, quero confessá-lo, cheguei, há dias, a passar por essa fase em que admiti não praticar aquele meu dever de cidadão, por considerar que se trata de uma opção, essa de escolher os deputados, segundo as suas posições partidárias, que não nos traz grandes benefícios. De facto, os representantes nacionais que lá se juntarão aos dos outros países das mesmas famílias políticas e aí procurarão contribuir para aumentar a união dos países que fazem parte do grupo de uma Europa una, esses, pela pequenez da nossa posição não terão grande força e não existe nenhuma garantia de que sejam tais deputados capazes de puxar em nosso favor. Mas, dentro do princípio de que há sempre que ter esperanças e de que, enquanto formos resistindo às malvadezas do mundo, a nossa obrigação é dar tudo por tudo, encarando o problema sob essa matriz eu, por mim, e digo-o a quem me lê, lá irei no domingo depositar o meu papelinho com a cruz colocada no sítio que me parecerá o que conseguirá desempenhar melhor papel lá na Europa.
Mas, não será novidade para ninguém se os resultados forem decepcionantes, dado o largo número de abstenções que são esperadas. No entanto, alguma indicação poderão surgir no que dirá depois respeito às eleições legislativas, já que provavelmente, esse ensaio no domingo permitirá antecipar o que vai acontecer na altura em que forem escolhidos os partidos políticos que formarão o número de deputados na Assembleia da República e, por via disso, qual a formação mais votada que ficará com o encargo de formar governo. E, só por isso, se justifica que os portugueses tomem a iniciativa de não ficar em casa no dia 7 de Junho, quanto mais não seja para se ficar com uma ideia do que sucederá a seu tempo. No entanto, o que se devia esperar dos candidatos dos diversos grupos que se perfilam para saber o que lhes cabe no dia 7, era que, em lugar de se andarem a atacar uns aos outros, num comportamento que não se justifica, aquilo que teria sido útil até agora era conhecer o que cada um pretende fazer lá nos lugares que lhes estarão destinados, se o conseguirem alcançar, para, perante essa perspectiva, captar as preferências dos que se dispõem a participar na escolha.
Cá estamos, pois, na expectativa de aguardar o futuro deste País. É legitimamente aspirado por todos nós que termine, de uma vez, a má actuação dos políticos que temos tido a governar a nossa Terra e isso desde há já bastante tempo – e não é só de agora, desde que o Sócrates se situa no lugar cimeiro!
Quem tem pago por isso é este Portugal que, sendo um País com glórias que o mundo deve reconhecer, sempre pecou por não saber governar-se a si próprio. E nesta ponta da Europa, situados geograficamente com um panorama mundial todo à nossa frente, descobrimos muito do que estava para lá, mas quando se tratou de cuidar da nossa vida, aí pecámos por falta de capacidade. Olhemos agora para as nossas costas e apreciemos o que a Europa tem e que pode dividir connosco. Mas é preciso saber como fazê-lo.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

VENTOS


Bem longe de mim estão esses ventos
Que sopram a outros e por mim passam
Sem parar, sem olhar os meus tormentos
Que também tenho e me trespassam

Quero agarrar o silvo desse vento
Pleno de saber, de compreensão
Quero-o para mim e bem o tento
Mas é todo um esforço em vão

Brisa que passa cheia de alegria
Envolta em bem e com boas notícias
Se eu pudesse nunca partiria

Só tempo agreste é que quer ficar
O que vem carregado de sevícias
E que insiste à minha volta rodar

CLARA PINTO CORREIA


Habituei-me a ler, semanalmente, no suplemento dos sábados do jornal “24 Horas”, as crónicas de Clara Pinto Correia, uma bióloga que viveu largos anos no estrangeiro e que, instalada agora em Lisboa, apresenta as suas críticas à forma de vida no seu e nosso País. E esses comentários, que está no seu pleno direito de fazer, são, muitas vezes, no meu entender, oportunos, muito embora, também me permito expor a minha opinião, o estilo da escrita seja muito original. Mas não é isso que me faz dedicar este blogue ao tema em causa.
Acontece que num desses seus textos o objectivo da escrita é o comportamento das editoras portuguesas no que se refere à escolha dos originais para publicação de livros. E, quanto a isto, o que me apetece acrescentar é que, na verdade, essa actividade comercial que tem de ter o objectivo de ser lucrativa, não pode nem deve ser comparada a uma exploração económica como qualquer outra, pois arrasta consigo uma responsabilidade que tem de estar sempre presente em cada obra que é lançada no mercado.
Trata-se, portanto, de um mister que não tem de ter apenas a preocupação de colocar no mercado livreiro títulos que “cheirem” aos responsáveis das editoras vir a atrair a sua compra em quantidade, não pela sua qualidade literária mas sim por se tratarem de autores de caras mediáticas, conhecidas noutras actividades, que suscitam escândalos, afastando completamente a ideia de se tratarem de obras que contribuam para a riqueza intelectual dos leitores e/ou proporcionem a autores menos conhecidos a possibilidade de conquistarem um lugar que, muitas vezes, só é conseguido após a morte dos escritores ou poetas. E exemplos deste tipo têm-se contado às centenas na história da literatura de todo o mundo.
Porém, como as editoras não são organizações de beneficência, não pertencem a organismos oficiais com a responsabilidade de promoverem autores literários (como poderia haver também de autores musicais e de outros sectores artísticos), mas sim a sua razão de existência é facturar o mais possível com a venda de títulos que caiam bem nos leitores, logo as suas preocupações não se desviam dos títulos comercialmente garantidos na expansão.
Tem, portanto, razão Clara Pinto Correia quando aflora o assunto na crónica referida. Mas a vida é isso mesmo e, por mais que uns tantos, poucos, se insurjam contra os vícios que ocorrem na Humanidade e que não dão mostras de vir a ser alterados com facilidade, o que pode ser feito é insistir na discordância dos métodos e dos comportamentos do ser humano, tendo a paciência suficiente para aguardar por um dia em que as coisas dêem a volta e se aproximem do ideal.
Até lá, o que resta aos autores menos conhecidos é manter a sua produção para meter nas gavetas. Fernando Pessoa, um ajudante de guarda-livros de um escritório na Baixa, encheu folhas de papel com verdadeiras obras-primas que só chegaram às mãos do grande público muitos anos depois da sua morte.
É uma consolação? Evidentemente que não. Mas que se pode fazer?

quarta-feira, 3 de junho de 2009



Sendo pequeno ou grande
não o tendo lá faz falta
o preciso é que o pé ande
em perna curta ou alta

É isso mesmo o pé
que há quem o mostre exaltando
pois se não cheira a chulé
é muito útil andando

Há quem tenha um pé de meia
se ponha em pé de igualdade
e quem tenha a alma cheia
de sorte e felicidade

A água pé é bem boa
bebida em hora certa
na província ou em Lisboa
sabe bem se a sede aperta

Ter-te aqui ao pé de mim
agarradinha ao teu macho
é como uma tampa assim
a tapar sempre o seu tacho

Se o magoo lá vou eu
a andar ao pé coxinho
pois foi o que aconteceu
ao meu querido pezinho

No transporte, se está cheio
lá tenho de ir de pé
de outra forma não há meio
ali não há canapé

Para fazer o caldito
à lareira, lá na terra
no tripé o caldeirito
se usa e nunca erra

A montanha lá no alto
mostra ao longe e mostra ao pé
cá em baixo no asfalto
só se vê é o sopé

Quando incomoda o ruído
e não dá para banzé
não se ouve nem gemido
andar só pé ante pé


Também há aquele ainda
que põe a postura falsa
e não será muito linda
é mesmo um pé de salsa

E quem actua com manha
usando a falsa fé
não podendo ser aranha
vai sempre em bico de pé

Com tudo isto, afinal
para quem procura paz
aqui neste Portugal
deve andar de pé atrás






MANUEL PINHO o da ECONOMIA


Assiste-se frequentemente a posições tomadas por alguns membros do Governo que nos deixam a nós, simples cidadãos que temos de confiar na honorabilidade daqueles que foram colocados em lugares de estaque na condução do País, presenciamos verdadeiramente surpresos, para não dizer até revoltados.
A notícia surgida de que o ministro da Economia, Manuel Pinho, se recusou a revelar à Assembleia da República o teor do contrato, efectuado em 2003, que cedeu ao grupo Pestana a exploração das pousadas de Portugal, espalhadas pelo País, essa posição assumida pelo sector de Manuel Pinho não pode deixar de ser considerada como atitude de quem não assumiu ainda as regras de uma Democracia e que mantém um comportamento próprio de um comando ditatorial e sem respeito pelas regras de clareza em todos os actos que não podem fugir à apreciação pública.
Vem o Ministério da Economia afirmar que o motivo por que não divulga o teor do contrato é porque existe nele uma cláusula que obriga a ambos os participantes, o Estado e a empresa Pestana, a “estrita confidencialidade” face a terceiros no que respeita às condições dessa concessão. Ora, se todos os participantes governamentais aceitassem ou fizessem incluir nos acordos formulados com empresas privadas estas características de segredo, então não haveria forma de prestar contas a todos os actos em que interferissem. E, através dessa estranha cláusula, não poderia nunca a Assembleia da República, como elemento fiscalizador das actuações dos governos, tomar as decisões que lhe competem, ficando-se perante as recusas dos responsáveis governativos e não podendo actuar em tais circunstâncias.
Desde logo, se um responsável ministerial se esconde por detrás deste tipo de escudos, é previsível que alguma coisa destorcida pretende que não seja divulgada. E isso é logo o primeiro motivo para ser chamado à sua responsabilidade. É sabido que um grande número de perguntas e inquirições que são apresentadas no Parlamento não obtêm respopsta por parte do Executivo. Ficam de apresentar mais tarde as justificações pedidas, mas nunca surgem as explicações que os deputados, no seu pleno direito, exigem que sejam dadas.
Este ministro, de nome Manuel Pinho, não tem sido exemplar na conduta do departamento de tão grande importância como é esse de fomento económico de Portugal que, como se sabe, quanto mais desenvolvido se encontrar, maior possibilidade de empregos possibilita. Da sua actividade positiva e do sentido de imaginação de que dispuser pode melhorar ou não o panorama social (através da empregabilidade) do nosso País. É ele, em coadjuvação com o AINEM, dirigido por Basílio Horta, que depende, em grande dose, a expansão económica nacional, em todas as áreas e de que o turismo é um elemento essencial. Infelizmente, não têm sido muito positivas as áreas abrangidas por essa área.
Claro que, numa altura em que a votação que se aproxima e em que os portugueses têm de se servir para ser encontrado o próximo futuro governativo do nosso País, são estes tipos de condução dos nossos interesses que muito contam para a resolução dos portugueses. E não é com contratos feitos por debaixo da mesa que se consegue dar confiança aos que por cá têm de decidir.

terça-feira, 2 de junho de 2009

VERDADE VERDADEIRA

Oh verdade, verdadinha
que bem quero tê-la ao pé
segura por ser a minha
como a tua ela não é

É bem assim o que penso
sem duvidar o que sinto
pouco importa o consenso
porque sei bem que não minto

A minha verdade é única
não há outra é só esta
assim singela ou com túnica
porque ela é bem honesta

A tal que se lhe opõe
que diz que a sua é a certa
por vezes até corrói
e deixa uma porta aberta

Porque a dúvida persiste
qual será a verdadeira?
afinal a boa existe
uma será faladeira

Se depois de procurar
a verdade verdadeira
eu tiver de me espantar
por haver uma terceira?

E essa, nem tua ou minha
é que é a tal verdade
a que toda a razão tinha
e não era só metade

ELEIÇÕES Á VISTA



Não poderá haver dúvidas de que, se este Governo que ainda se encontra no poder, tivesse actuado, durante a totalidade dos quatro anos do seu exercício, na maioria das vezes com a mais perfeita das condutas, mesmo assim não se livraria de críticas que os seus adversários lhe dedicariam. E, igualmente por parte de muitos cidadãos não relacionados com partidos políticos, a má disposição quanto a várias das medidas tomadas estariam sempre na primeira linha dos seus comentários. Ninguém se livra de ter seguidores e, da mesma maneira, de acumular adversários.
É verdade que, quem se expões à crítica pública, seja qual for a área da sua actuação, tem de aceitar de bom modo as opiniões que são formadas a seu respeito. Na zona da política não tem de haver excepções. Quem não deseja andar na boca da população, o que tem a fazer é não dar nas vistas, é não se expor, é não surgir a falar alto e a pretender mostrar qualidades, só estando disposto a escutar elogios.
Agora, manda a verdade dizer que, no caso do grupo chefiado por José Sócrates, especialmente com a conhecida crise que não fez do nosso País um ponto fora da sua acção, a actuação do Governo actual ainda foi mais objecto de crítica, dado que as condições de vida dos portugueses têm vindo a degradar-se sucessivamente ao longo das últimas temporadas e, também não se pode negar, em demasiadas circunstâncias as formas de resolução seguidas pelo conjunto governativo não foram nem são merecedoras de elogios, antes pelo contrário.
Se, pelo menos, se tivesse verificado, da parte do comportamento político do primeiro-ministro, um espírito de compreensão quanto às diversas opiniões surgidas de diferentes pontos, incluindo as oposições oficiais, se não fosse um orgulho e um ilustrador do seu próprio ego que foi mantido ao longo de diversas ocasiões, se a arrogância não tivesse feito parte dos seus discursos e declarações sempre que se prestava a intervir – e fê-lo em demasia, sempre no mesmo estilo -, então haveria uma boa percentagem de desculpa no que se refere aos erros cometidos. Ora, da parte de todos os membros do Governo Sócrates parece ter comandado sempre essa postura, pelo que se assistiu a um coro uníssono.
Não admira, pois, que as eleições que se aproximam, sobretudo as Legislativas, não constituam um problema difícil de resolver por parte dos votantes. Maioria ao PS, tudo indica que é situação que não volta a repetir-se. Subida dos votos do PSD é coisa que não é esperada, porque não se encontrou, durante o período dos últimos quatro anos, uma postura no interior desse partido que aponte para uma melhoria, o CDS, esse, devido à posição de tão falsa importância do seu dirigente, Paulo Portas, nada aponta para que seja por aí que as votações subam. Já no lado contrário da política, o Bloco de Esquerda, pelo facto de ser muito crítico e de utilizar uma linguagem que chega mais facilmente aos ouvidos e à compreensão dos cidadãos, é natural que se verifique aí um aumento de percentagem de preferências, ainda que não seja suficiente para governar sozinho, nem por sombras, e, no que respeita a coligações antecipadas, essa posição está fora da sua preferência. Resta o PCP que, como sempre sucede com este grupo, ali se encontra a aguardar que os seus partidários fiéis não se desviem daquilo que representa a sua vocação tradicional. Mas esses também envelhecem muito rapidamente.
Que dizer, portanto? Os portugueses têm, nas suas mãos, o futuro do País. Que é como quem diz, pelo menos em tese.
Só podemos desejar que, após o apuramento dos resultados, seja possível encontrar-se uma situação que tenha as chamadas “pernas para andar”. Maiorias, é natural que não sejam aguardadas. Logo, há que ter esperança de que seja visível um espírito de compreensão entre os vários intervenientes na governação que se aprontem para tal. Tudo depende dos homens, dos seres humanos que tenham ocasião de fazer parte do grupo que poderá contribuir para que o bem-estar dos portugueses seja o principal motivo de fazerem parte da política.
Se isso não for conseguido, se os homens se mantiverem apenas a olhar para os seus interesses pessoais, então que nos agarremos a alguma coisa e preparemos para o pior. Não posso ser optimista, por mais que o deseje!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

VEM CÁ ABAIXO Ó MARQUÊS!...



O Marquês de Pombal foi um político da sua época que teve o privilégio de ter a sorte pelo seu lado. Se um terramoto se pode considerar como uma ajuda que a Providência põe à disposição de quem governa, no caso Sebastião de Carvalho e Mello, então conclua-se que a derrocada física que deixou Lisboa num estado de destruição de que, ainda hoje, se encontram alguns vestígios, proporcionou que um homem, pleno de sentido de dinamismo e de aproveitamento das circunstâncias, tivesse feito um trabalho que, no caso de se tratar de um outro governante sem as mesmas características, teria resultado numa paralisação de actividades e de mãos na cabeça a proclamar a infelicidade que tinha ocorrido.
Daqui se conclui que é precisamente nos períodos de maior descalabro que se podem encontrar seres humanos que se distinguem pelas suas iniciativas e pelo acerto em utilizar todos os meios para tirar partido dos maus momentos que se atravessam. Se não tivesse existido um Marquês de Pombal, rodeado dos técnicos respectivos que foram aproveitados para porem em prática os seus méritos, sobretudo arquitectónicos, a capital portuguesa não se apresentaria, sobretudo na chamada Baixa, como a vemos hoje. E, verdade seja dita, também valeu o rei dessa época, D. José I, ser uma personagem que facilitou a maior liberdade de acção ao seu ministro principal, o que não sucedeu com a sua filha, D. Maria I, que sempre mostrou a maior aversão pelo político poderoso que tão útil foi à reconstrução da velha e destruída Lisboa. Havia razões de ordem religiosa que provocaram tamanha perseguição da Soberana, mas quem ficou a perder foi a Nação, que não viu prosseguirem as remodelações que eram necessárias.
Seja como for, se hoje em dia surgisse um político com as características realizadoras do prestigiado Marquês, ainda que fosse republicano, para estar dentro da época, claro que teria de enfrentar outras “donas marias”, que as há por aí com fartura, mas faria pela capital de Portugal e por outras zonas que também necessitam de grandes remodelações, aquilo que não há forma de se ver realizar, do mesmo modo que, no capítulo da governação e dentro das regras democráticas que têm de estar sempre presentes, poderia pôr em prática o sentido prático e deixar de lado as quezílias paralisantes que são tanto do agrado dos políticos dos nossos dias.
Todos os detentores do poder cometem erros e o Marquês não se livrou desse pormenor, mas, quando a História aponta mais tarde os feitos que merecem ser recordados e esses têm efeitos positivos inegáveis, então uma imponente estátua colocada no lugar mais visível da capital constitui bem a prova de agradecimento dos que se lhe sucederem.
Será que, neste período pós-25 de Abril (e mesmo antes) passou por cá algum português que tenha deixado uma obra semelhante à que saiu das decisões daquele governante? Talvez o engenheiro Duarte Pacheco, que foi autor de obras que melhoraram bastante alguns pontos nacionais, especialmente em redor de Lisboa, possa merecer uma comparação, ainda que distante, mas, muito rebuscando na memória, não se descortina outra figura que valha a pena referir.
Por muito que faça saltar de indignação este comentário que aqui deixo, a impressão que muita gente terá no seu íntimo é de que talvez viesse a calhar ocorrer outro terramoto que obrigasse a planificar nova “Baixa” lisboeta, para, deste vez, ser reconstruída mais de acordo com a circulação rodoviária actual, assim como bem necessitavam outras zonas ser levadas em conta para se lhes emprestar as características que lhes faltam, quer as do respeito pela sua antiguidade e manutenção histórica, e Alfama será um exemplo, quer com a modernidade que estão a precisar de assumir.
Vem cá abaixo, oh Marquês… que “eles” não existem de vez!

domingo, 31 de maio de 2009

EUROPA

Essa Europa de que tanto se fala
e de que muitos querem fazer parte
não encontrou ainda o caminho,
anda confusa,
Essa Europa de que tanto se fala
anda perdida,
está a gastar tempo,
está a correr o risco de ficar pelo caminho.
A Europa das Nações é um sonho,
ter um objectivo comum
uma Constituição para todos,
um governo geral,
uma moeda igual – que já tem,
com línguas diferentes
costumes desiguais
bandeiras distintas
regiões autónomas,
conseguir tal objectivo, não é fácil.
E porquê,
se todos desejam fazer parte do grupo?
A resposta é simples:
é que a Europa é constituída por seres humanos,
também ela
como o resto do mundo
e é por isso que o entendimento,
a comunhão de ideias
e de interesses,
a capacidade de não exigir o comando,
o desprezar interesses pessoais,
o atender ao bem geral,
tudo isso falta ao Homem.
Querer ser o chefe,
o que manda,
desejar a melhor parte
é isso que destrói as comunidades,
é por aí que se partem as uniões.
A Europa chegou até onde está,
conseguirá avançar mais um pouco?
Mas quando?
E por quanto?
Até que ponto resistirá às discordâncias?
Ficará num mito?
Abdicarão os homens do muito mal pelo pouco bom?
E as regiões que, por essa Europa,
lutam por independência
estão a passar de moda?
Já eram?
Que isso de querer ser dono da sua rua
deixou de ter razão de ser?
Pois não parece…

E a emigração de que este Continente
está a ser alvo?
Os milhões de populações não europeias
que já entraram
e os milhões que virão a caminho,
instalando-se
tendo filhos,
muitos,
o dobro,
o triplo,
o quádruplo
dos naturais da Europa,
que mudança já provoca
e muito provocará
ainda mais
nos hábitos, costumes, língua,
cor da pele
na tradição europeia?
Daqui a cinquenta anos
quem cá estiver
e os que venham a ocupar
as terras europeias,
Paris,
Londres,
Madrid,
Berlim
todas as grandes cidades
deste Continente,
não encontrará nada igual ao que existe hoje.
Os adivinhos
que tenham a capacidade de ler no futuro
que desvendem esse mistério.
Talvez seja preferível, agora,
não saber…

Contemplando os homens de hoje
não será inevitável fazer
um exercício de reflexão
cauteloso?
E a pergunta impõe-se:
Como é possível existir uma Europa
com este material humano?
Essa Europa do todos por um
e do um por todos,
que vem nos livros
e se coloca nas bandeiras dos clubes
é uma forma de actuar
à moda antiga,
Porque a realidade de hoje é outra.
Afinal podemos ter esperança?
Será melhor persistir na Europa
ideal,
unida,
sonhada para ser eficiente,
capaz de juntar vontades,
interesses,
forças?

Deixo aqui a pergunta
esta e todas
e sei que há duas respostas,
antagónicas,
contrárias.
Uns, os crentes por natureza,
acreditam no êxito,
têm fé que os homens
encontrem o bom senso.
Outros, nos quais me incluo,
perderam a esperança.
Andamos a enrolar o tempo,
assistiremos aos altos e baixos,
aos avanços e aos recuos,
às reuniões,
aos banquetes
às discussões,
aos abraços,
às viagens para um e para outro lado,
aos discursos inflamados,
aos processos de intenções,
aos amuos,
aos sorrisos forçados,
às fotografias de grupo
todos em bicos de pés,
mas não passará disso,
ficará sempre nisso…

Europa unida,
em bloco
toda igual,
vivendo todos bem, os europeus?

Que sonho mais lindo!

UM FUTURO COMPLICADO




Ter sido determinado que as três eleições, que ocorrem este ano em Portugal, se efectuassem umas após as outras num curto espaço de tempo, muito embora não se admita que essa opção surgisse propositadamente para cansar os eleitores e dar-lhes as condições para faltarem ao seu dever, sobretudo sabendo-se que a atracção das praias se sobrepõe a um acto civilizacional que, por cá, se coloca sempre em lugar secundário, em particular na classe dos mais novos, terem os políticos, tidos como experientes, acordado nessa escolha de período não pode deixar de surpreender quem anda preocupado com o amanhã de Portugal.
Domingo, dia 7 de Junho, é o primeiro dia e, por sinal, destinado às eleições europeias, as que, precisamente, menos atraem os votantes. Vamos ver como se comporta o povo, de Norte a Sul, e tenhamos todos a esperança de que não se vai verificar uma ausência assustadora, mas se tal for comprovado não será de esperar que os partidos políticos e as entidades que se encontram ligadas a estas situações não venham demonstrar grande espanto, como se não fosse aguardado este comportamento dos cidadãos nacionais. Cá estamos para ver e ouvir.
Mas também pode ser que a situação que ocorra no domingo sirva de lição e dê argumentos para que os intervenientes em todo o processo abalem as estruturas e tudo façam, dentro dos seus limites de actuação nesta altura, já excedido o tempo mais indicado para chamar a atenção dos portugueses, de molde a que os actos eleitorais que se seguem proporcionem uma maior deslocação dos votantes em potência aos respectivos locais de escolha dos seus preferidos.
Numa ocasião em que, neste blogue ou noutro qualquer meio de comunicação mais influente, já pouco há a fazer, cada um procede da maneira que tem mais à mão para influenciar os próximos a fazer esse sacrifício de se colocarem na fila para efectuarem o seu dever de votar. Mas, provavelmente desta vez, não se formarão as tais “bichas” que sucederam em situações passadas. E oxalá esteja enganado na minha perspectiva. Mas a desmotivação dos portugueses é tão grande que, ao contrário do que seria de esperar, pois, quanto mais aflitos nos encontramos, maior tem de ser a motivação para interferirmos nas soluções.
Repito: seria bom que este prognóstico se encontrasse completamente fora da realidade. Não se trata de um desejo, como os que me conhecem sabem que não seria capaz de pensar assim. Mas, pelo contrário, de um texto de alguém que se encontra aflito com o futuro que não é estranho que, embora não se deseje, se espere que aconteça neste País!...

sábado, 30 de maio de 2009

ODE A PESSOA



Oh! Pessoa
tu que me inspiras, que me orientas
na minha cabeça ecoa
o que em mim sustentas
com o teu génio ou o dos teus heterónimos
com rima ou sem ela
mas sempre bela
afastando os demónios.
Ajuda-me, oh! Pessoa
a escrever esta ode
pensando em Lisboa
saindo como pode
com esforço, com rompantes
contrariando o ruído do café que me acolhe
que tem algo de igual ao teu que era dantes
mas que, tal como contigo,
é o café que escolhe
a freguesia, qual porto de abrigo
é ele que anima a que olhe
e veja o que me rodeia, o mau e o bom
aquilo que me foi dado apreciar,
deleitar
e ouvir o som
com agrado ou sem ele
E desde que me conheço
é o que peço:
que Aquele,
o que comanda,
não deixe a banda
à solta.
Pessoalmente penso assim
não me importa saber
se outros julgam igual a mim,
eu sei o que fazer
com a inspiração do poeta,
não basta pegar na caneta
e divagar,
pessoar,
procurar
no íntimo do sentimento
o que tiver mais cabimento
para saudar,
gritar
que poeta serei quem for
mas por amor
ao génio de um poeta dedico
e por aqui me fico
a compreendê-lo
e a relê-lo.

Ele, que dizia não ser nada
era tudo
perdido em frente da sua janela
ou sentado no café, à mesa,
procurando a frase mais bela
e encontrando com certeza
a sua inspiração
interpretando os sonhos do mundo
com devoção
bem no fundo
carregando a carroça da vida
com o fervor de um crente
que sabe que só há ida
por isso olhando sempre em frente
sem saber que o futuro
lhe traria tanta aclamação,
que transporia o muro
da vulgarização.

Oh! Fernando
tu que não sabias o que eras
nem como nem quando
que não crias deveras
nas certezas do mundo,
que só a Tabacaria era verdadeira
porque a vias ao fundo
da tua rua inteira
onde compravas os cigarros
da mesma maneira
que sacudias os catarros
e bebias a tua jeropiga
para acalmar a ânsia de versejar
e respirar
e produzir outra cantiga
sem fadiga,
naturalmente,
mas preocupadamente
a pensar que os versos criavam nada
que acontecia zero
que não havia fada
capaz de mudar, mesmo em desespero
a vida sensaborona,
triste e pesada,
qual matrona
pavoneada.
Hoje, o mundo sempre igual continua
parece diferente, mas nada mudou
aqui nesta como em qualquer outra rua
quer para quem trabalha e também estudou
porque os políticos continuam a falar
na busca de eleitor,
a dissertar
mas não são capazes, nem querem mudar
seja o que for
lá se vão enchendo
porque o que dá lucro vai-se mantendo
que o povo, esse fica,
a gritar pelo Benfica
sem eira nem beira
agarrado à bandeira
como se fosse da Pátria a salvação
a gritar nos estádios com emoção
contra quem seja
tendo na mão a cerveja
que dá calor
tremor
mas não altera os resultados
dos futebóis ou dos pecados.
Hoje está tudo na mesma
como a lesma.

Vês, Pessoa ?
Não fui capaz.
Estás onde estás
e eu estou onde estou
e não sei quando vou.
Verás que a minha intenção era boa
que me esforcei
mas o génio não agarrei.
Não digo como tu
que não sei o que serei,
sei sim, foi o génio que ficou no baú
e que também nada herdei
e como deixei de fumar
continuo sem achar
a Tabacaria
a que te trazia
o fumo da inspiração,
a divinização.

Perdoa-me, Fernando
Continuarei procurando
mas será tarde
para fazer alarde
de algo que me falta
para trazer à ribalta
coisa de valor,
mas amor
esse sim, não perdi
e como mostro aqui
não serei capaz
mas lá contumaz
é o que até agora tenho sido
e estou decidido
a prosseguir
enquanto a vida mo permitir.

Pessoa houve um,
não haverá mais nenhum
e se alguém o prometeu
não fui nem serei eu.

SÊ-LO E PARECÊ-LO...



Nem os políticos que estão no activo e que passam a vida a revelar faltas dos outros, nem esses que se julgam cumpridores absolutos das leis e que querem fazer crer aos cidadãos que são intocáveis e imunes de defeitos, até mesma essa camada de pessoas que deviam dar o exemplo mas passam a vida a cometer faltas, quando se lhes apontam tais erros dão-se ares de ofendidos, de perseguidos, de vítimas das más intenções de quem levanta a acusação.
Nem é preciso pôr mais na carta, dado que a opinião pública desfavorável que, cada vez mais, se avoluma em relação aos que se instalam nos lugares que lhe oferecem um elevado nível de vida que, fora disso, seria igual a todos os outros que enchem este País e que bem se queixam das agruras, a opinião pública, repito, não pode ser mais clara quanto à credibilidade que lhes merecem os chamados políticos profissionais. E, por vezes, alguns deles deixam-nos surpreendidos, pois que, apesar de tudo, sempre existem uns tantos que se podem julgar como pessoas de bom índole, razoáveis intenções de servir, diferentes da maioria que só procura entrar na vida pública com uma intenção: servir-se o mais possível das regalias e facilidade que são obtidas com os cargos que conseguem e, numa palavra, meter nos bolsos os maiores proventos que conseguirem, ao ponto de, em muitas situações, entrarem na política com uma mão à frente e outra atrás e, quando saem, surgirem com riquezas escandalosas.
As condescendências do Executivo de Sócrates, que não toma medidas quanto a dois casos noticiados esta semana de que o “patrão” da Telecom ganha quase 97 mil euros por mês e de que o similar de cargo na EDP leva para casa, mensalmente, outro tanto, quando recebia 4.800 euros quando exercia funções no Governo, não podem haver palavras que procurem justificar tamanha pouca vergonha!
Mas isto, sendo sabido por bastante de todos nós, os que estamos de fora e assistimos ao espectáculo sujo que nos é oferecido, não deixa de nos escandalizar. Agora, tanto os que se encontram lá no palco, como outros que já partiram para funções de que gozam agora as benesses que conseguiram com funções ultra bem remuneradas, graças à influência que exerceram, esses não podem alegar que desconhecem a lei que rege “a obrigatoriedade de aguardar três anos a partir da data da cessação da funções públicas, antes de exercer cargos em empresas privadas que prossigam actividades no sector tutelado anteriormente pelo próprio, desde que no período do respectivo mandato tenham sido alvo de benefícios fiscais de natureza contratual”.
Quantos não são, além dos enunciados atrás, quer nesta altura quer os que já beneficiaram antes, os ex-membros de governos que bem se regalam com lugares ultra-bem remunerados em empresas que, tempos atrás, estiveram sob a sua alçada política? Nem é preciso acrescentar mais casos à lista de tais personalidades.
Mas, o que me espantou recentemente foi ter tomado conhecimento do caso de uma figura que eu, apesar de tudo, ainda tenho na conta de se tratar de uma pessoa que não dá assim tanto nas vistas pela exibição de grandezas. Trata-se de Manuela Ferreira Leite. É sabido que exerceu as funções de ministra das Finanças durante o governo de Durão Barroso. Disso todos nos lembramos. Só que é menos do domínio público que, nessa ocasião, concedeu o regime de neutralidade fiscal à reestruturação do grupo Totta, que incluía, entre outros, o Santander Portugal. E essa determinação, cujos efeitos não vale a pena aqui reproduzir, custou ao Estado cerca de um milhão de euros.
Pois bem, apesar de serem conhecidas opiniões contrárias de técnicos fiscais quanto a dever a agora presidente do PSD cumprir ou não o que determina a lei descrita acima, o que é factual é que a D. Manuela, em 2007, exerceu as funções de administradora do Santander, auferindo, num ano, cerca de 83 mil euros de salário.
E, já se dizia em tempos recuados: não basta ser-se honesto, é preciso também parecê-lo… E, digo eu agora: todos têm o seu Freeport às costas!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

MENTIRA

Espalhar uma mentira
sempre com um ar sisudo
provocará certa ira
e deixa o da verdade mudo

Tanto se espalha uma peta
convencendo os que a escutam
que ninguém diz que é treta
e até quase a desfrutam

A mentira construída
com jeito e habilidade
é como uma ferida

Que só tratada a metade
provoca uma recaída
e nem se salva a verdade



JUIZO DOS JUIZES



Eu, por mim, não me canso de criticar todo o sistema de Justiça que existe em Portugal. Faço-o aqui frequentemente e, ao ter assistido num programa da SIC a uma reportagem feita no Supremo Tribunal da Justiça, em que foram ouvidos o Presidente e o Vice-presidente daquela Instituição, não posso deixar de expressar o meu completo desconsolo por verificar que, afinal, se compreende o motivo por que todo o processo de movimentação nesta área e precisamente cá no nosso País é tão criticado e perdeu toda a credibilidade por parte dos cidadãos.
As afirmações dos dois principais responsáveis pela Justiça no seu mais alto degrau não podiam dar melhores mostras de que estamos condenados a que nada se modifique, pois o agrado e os elogios que produziram ao trabalho que é feito nesse alto Tribunal, segundo eles, só é merecedor de elogios e não se ouviu uma só palavra que indicasse formas de modificar alguma coisa que contribuísse para o fim da tortura de longas esperas pelos resultados que têm de ser apresentados em cada julgamento.
Estão, pois, todos muito contentinhos. E, da parte do Governo que temos tido e dos anteriores, é preciso não esquecê-lo, nunca se verificou uma movimentação no sentido de modificar de vez uma situação que se tornou completamente vergonhosa.
É verdade que os advogados, especialmente o seu Bastonário, algumas vezes aludem a uma situação que tanto os prejudica, pois não é fácil convencer os seus clientes de que têm de aguardar longos meses e até vários anos para que as suas causas sejam resolvidas. E, sobretudo agora, que os custos judiciais também aumentaram, ainda mais se agravou a paciência dos cidadãos que, se, por um lado, não confiam muito na Justiça que temos, por outro, com o dinheiro que é preciso despender para tentar obter algum resultado, é difícil arriscar no escuro.
Será que, por mais eleições que tenham lugar e que se alterem as constituições governamentais, não se consegue que o nosso País se meta a fundo no problema e, doa a quem doer, altere substancialmente uma situação?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

AGNÓSTICO

Deus, sejas tu quem fores e onde estejas
aqui estou eu, perdido na vida
na esperança de que do alto me vejas
e que me indiques a melhor saída

Tens de existir porque o mistério há
pois há muita coisa por explicar
terá sido, sim, algum Jeová
que foi autor do que é de espantar

Não pode haver fundamentalismos
há que aceitar o sim e o não
ser ateu é aos deuses dar prazer

Estou por isso à beira dos abismos
mas não preciso de nenhum perdão
menos a condena de um qualquer

SÓ 10 MILHÕES DE EUROS!!!




Oliveira e Costa foi, a seu pedido, à Comissão de Inquérito da Assembleia da República para apresentar as suas razões em relação ao caso do PBN e, numa longuíssima exposição, pretendeu explicar muitas das situações que foram criadas e enfrentadas ao longo da existência da instituição bancária, surgindo, perante este panorama, para além da acusação directa ao comportamento de Dias Loureiro, o ainda Conselheiro de Estado, e de outras personalidades, incluindo accionistas do Banco em causa, que ele chamou de “grupo dos 10”, mas deixando a impressão de que se excluía de qualquer responsabilidade no que respeita aos acontecimentos no interior daquela instituição bancária. Foram expostos muitos problemas que merecem ser averiguados profundamente para que sejam encontrados os verdadeiros culpados e, face a isso, de uma vez por todas se verifiquem as punições que raramente são aplicadas quando se situam nas áreas de “colarinhos brancos”.
Teria valido a pena que Oliveira e Costa, em lugar da canseira que representou para ele e para quem o esteve a ouvir, a leitura mal entendida de um texto durante cerca de 3 horas, tivesse entregue anteriormente toda a declaração aos membros do Conselho de Inquérito, o que teria permitido estarem já as perguntas formadas pelos inquiridores e sendo mais fácil apontar apenas as questões que mereciam maior atenção.
Seja como for, o que não parece oferecer dúvidas é que o objectivo prioritário de Oliveira e Costa, que na primeira apresentação aos interrogatórios que existiram antes de ter sido condenado a prisão preventiva, que se encontra a cumprir, se manteve em silêncio, era agora ter-se prontificado a desmentir algumas das afirmações prestadas por outros intervenientes que compareceram dias trás.
O que também há que sublinhar é que, tendo-se desculpado com diversos argumentos de muitos factos que são apontados como causadores da situação fraudulenta que motivou a actuação governamental de meter mão no assunto, em nenhuma parte da longa leitura de Oliveira e Costa se ouviu declarar-se também principal conivente nas acções que contribuíram para a situação negativa de mil e setecentos milhões de euros a que o BPN chegou, como anunciou agora o sector oficial, que declarou não ir despender um cêntimo em indemnizações ao actual detentor das acções daquela instituição.
Não restam dúvidas de que decorrem actualmente na opinião pública casos e declarações que, pelo menos nisso, distraem os cidadãos para o problema principal que nos rodeia e que é o de mais difícil solução. Quer Marinho e Pinto, o Bastonários dos Advogados que manteve uma discussão acesa com Manuela Moura Guedes e deixou bem claro que não tem “papas na língua”, quer agora Oliveira e Costa, ambos, e não só, dão mostras de que este País caiu nas mãos de sorvedores de dinheiro mal ganho, o que constitui um verdadeira afronta em relação ao estado em que se vive neste Rectângulo.
E, a propósito, os dez milhões de euros que foram exigidos e recebidos por Miguel Cadilhe, quando lhe foi entregue pelo Estado a conduta do BPN por alguns meses, o que resultou num salário de mais de 60 mil euros por dia (!), esse gesto também não esconde como os “espertos” fazem facilmente fortuna. Afinal, Oliveira e Costa foi mais comedido. “Só” recebeu duas vezes e meia menos pelos dez anos que se encontrou à frente do Banco – disse ele!.
Enfim, é este o País onde vivemos. Que se pode fazer?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

VERSOS LIVRES


Aqui estou eu à frente do papel
à espera que a inspiração me chegue
olhando para a rua a ver passar
aqueles que não olham para a folha
em branco à espera de estar cheio
de letras, de palavras e de versos

Serão felizes esses que não puxam
por um génio que não lhes faz falta?
Quem sabe se não seria melhor
conhecer tudo sobre o futebol
preocupar-me só com o meu clube
e andar em dia com o jet-set?

Se fosse assim, poemas não fazia
e descansava quem viesse a ler
todos os versos livres e bem livres
porque de rima mesmo nada têm
e a cadência é o que lhes resta
mas mesmo assim encheram o papel

ELEIÇÕES Á VISTA



Inegavelmente confundido no que diz respeito à escolha que me cabe fazer nas próximas eleições, em que os portugueses têm o dever de pensar seriamente nas preferências que vão assumir em três eleições, na que diz respeito aos representantes nacionais no Conselho da Europa, na do capítulo de apontar os responsáveis camarários e, acima de todas essas opções, na que se refere aos governantes que poderão vir a assumir a condução política de Portugal, repito, seriamente preocupado com a obrigação de ter de depositar os meus votos nas urnas, com o intento de errar o menos possível, com o tempo que vai faltando para enfrentar essa melindrosa acção, cada vez me encontro mais distante de ser capaz de acreditar que esse meu gesto irá ser o mais adequado.
É que, em cada zona que se situa na área abrangida pelos votos, com o tempo que vai avançando deparo sucessivamente com erros, falta de profissionalismo, ausência de bom senso, exibições de vaidades caricatas, gastos consentidos em todo o País e por determinação de diferentes poderes, mesmo locais, e em situações que não se podem considerar como inadiáveis, ausência de atribuições bem estudadas, a todos os níveis, de responsáveis, pois que se continuam a esconder as faltas dos culpados directos em cumprir mal as suas obrigações, teimosias em manter determinações equivocadas, mesmo que sejam audíveis as reclamações populacionais que já não escondem o seu descontentamento de Norte a Sul do País, ainda que não assistamos a propostas concretas que sejam convincentes.
Enfim, chegámos a uma altura em que a confiança se encontra completamente perdida e a esperança já só existe nas cabeças dos privilegiados, que esses ainda por aí existem e sabe-se, de uma forma geral, quem são, os que auferem pagamentos de ordenados que são inadmissíveis num País afogado em dívidas, como é o nosso. O que é de recear é que, por este motivo, as massas não venham a mostrar grande entusiasmo em se deslocar aos pontos da votação e esse é o grande perigo, porque as abstenções podem resultar num panorama posterior de ingovernabilidade que é, por sinal, o que os escolhidos até preferirão, dado que as condições actuais e as mais graves ainda que se aproximam podem servir de desculpa para a falência completa de um País que se arrisca a bater no fundo e a não ser capaz de voltar à superfície.
É que, para tentar pôr de pé o que se encontra doente com pouco remédio para salvamento, pode-se, apesar de tudo, esperar que algumas falhas perigosas em que nos meteram sejam solucionadas, por exemplo que a Justiça consiga vir a desempenhar o seu papel com absoluta justeza em todos os seus aspectos e que terminem, de vez, as demoras e as soluções revoltantes que têm marcado a actuação dos Tribunais. Será um passo positivo, se bem que não chegue para pôr em ordem todo o conjunto de maleitas que nos invadiram.
Passarão as escolas, especialmente as primárias (e continuo a chamar-lhes desta maneira, porque isso dos ciclos não melhorou em nada o ensino), a colocar nos estudos secundários os rapazes e raparigas devidamente preparados, como sucedia no tempo das gerações de há 40 e 50 anos, sobretudo quando o que seria necessário, nesta altura precisa que atravessamos, era ensiná-los com convicção como se deve praticar a Democracia?
Seremos capazes de resolver à distância problemas de enorme urgência, como é o da falta de médicos por todo o País, sobretudo no interior, deixando, como se encontra, a população mais carenciada desprotegida de saúde, mesmo que seja, por agora, com a contratação de técnicos estrangeiros, já que não se foi capaz de prever durante anos a fio que havia que tomar as medidas essenciais na Faculdade de Medicina?
Conseguiremos caminhar seguramente para o terminus do desemprego que grassa já a níveis de transformar a população nacional em pedintes que não conseguem sobreviver com a miséria em que se encontram já a viver?
Acabarão as falências sucessivas que se vêem por toda a parte de tantas empresas grandes, como sobretudo pequenas e médias?
Haverá esperanças de que iremos assistir a um corpo governamental de confiança, formado por políticos, para além de honestos, sobretudo competentes?
Chegará algum dia um Parlamento cuja composição não seja formada por elementos que só ali se situam para garantir uma reforma confortável e passar uma temporada a descansar em bons cadeirões e a fazer telefonemas e a entreterem-se no computador, nos intervalos em que não fazem a sua soneca, deixando os que ali estão para isso, a atacar de viva voz, mas sem resultados práticos, os adversários de partido?
Será que o Governo que vier a tomar posse não insistirá na loucura de endividar ainda mais Portugal com obras transcendentais que, por muito úteis que venham a ser no futuro, também deixarão os cidadãos de amanhã com encargos muito difíceis de liquidar?
Mas quanto ainda mais poderia aqui deixar neste texto, no capítulo da dificuldade em fazer a cruz nos boletins de voto com o mínimo de consciência que se tratou do mal menor. Mas a verdade é que os portugueses, precisamente por se estar a atravessar um período de muito difíceis, quase impossíveis, soluções, é que todos os portugueses devem analisar bem as suas consciências e não ficar em casa à espera que outros façam por si o que lhes compete. Que é votar!
Temos todos de tomar consciência de que o que corre enorme perigo, tanto por cá como noutros países onde já se começaram a verificar desacatos populares, é a própria Democracia. E a História já nos ensinou, mesmo no nosso corpo, como custa estarmos sujeitos a uma Ditadura…

terça-feira, 26 de maio de 2009

VERDADE


O que é isso da verdade
é a tua igual à minha
depende ela da idade
nunca se encontra sozinha?

Ela própria não se ajusta
com a que nós defendemos
a que é certa e que é justa
não é bem a que queremos

Porque a minha bem me calha
a tua não me dá jeito
a terceira é que não falha

A que merece respeito
a que por vezes baralha
a verdade sem defeito

SONDAGENS



Se as sondagens constituíssem uma certeza no que respeita aos resultados das eleições que se aproximam, se, para além de uma indicação das probabilidades, fossem uma garantia daquilo que é espectável e não fossem objecto da mais pequena dúvida, então não valeria a pena os votantes incomodarem-se comos resultados da ida às mesas para depositarem a sua opção e bastaria manterem-se nas suas ocupações habituais a aguardar os resultados oficiais que, dentro do espírito de confiança nas inquirições prévias a uma percentagem da população, já tinham apresentado a resposta segura.
Claro que, se fosse esse o procedimento da maioria dos cidadãos, o que aconteceria era que os abstencionistas obteriam a maior percentagem e isso alteraria enormemente os mapas das sondagens. Por isso, o panorama descrito neste texto não tem cabimento em circunstâncias normais de ida às urnas.
O que importa, pois, numa análise ao problema das sondagens é discutir se as mesmas são úteis ou não, para orientar os votantes a decidir sobre as suas escolhas. É certo que surgem sempre, nas indicações apresentadas pelos prognosticadores antecipados das eleições, as percentagens de votos em branco, dos de não sabem ou não respondem e de abstenções. De igual forma, as percentagens de erros também são levadas em conta nos inquéritos, as quais podem servir de desculpa para algumas diferenças mais evidentes que se encontrem posteriormente no conhecimento oficial da consulta à população.
Porém, há também que ter presente que os resultados tornados públicos das consultas prévias poderão influenciar as opções dos votantes na hora de colocarem o seu sinal nas folhas respectivas. É que, ao darem-se conta de que um determinado partido se encontra mal colocado na tabela, tal má qualificação tanto pode servir para prestar uma ajuda com mais um voto, como, precisamente ao contrário, se já se situa numa posição que não lhe dá garantia de marcar presença no panorama nacional, então não valerá a pena desperdiçar um voto e será preferível optar por aquele concorrente que as sondagens apontam como provável vencedor.
Em qualquer dos casos, o que tudo indica é que, ao fim e ao cabo, as sondagens não terão um efeito benéfico nas vontades concretas das populações menos confiantes nas suas opções, que são, podemos opinar, a maioria dos cidadãos com menor esclarecimento político. Mas também, se não se efectuasse esses estudos quanto às probabilidades do que irá sair de uma determinada eleição, também a Democracia seria mais difícil de pôr em prática, sobretudo nos países onde a população não se encontra ainda muito familiarizada com o respectivo uso das normas.
Na vida há sempre prós e contras naquilo que entendemos fazer.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

FASCINANTE


O que é ser fascinante para mim?
por exemplo é ver a natureza
dos campos e também do meu jardim,
como ouvir o coração com pureza;
não invadir o espaço alheio
e aproveitar todos os momentos,
é ter todos os dias o anseio
de a humildade praticar aos centos;
só se arrepender do que não fez,
estimular a criatividade,
brincar, como em criança talvez
e também chorar a felicidade;
ter pensamentos positivos é
fascinação plena de auto-estima
e perdoar às pessoas até
a vida não ter de ser uma esgrima;
descobrir que dos outros precisamos,
como aceitar que tudo tem limites
e mesmo aquilo que não gostamos
deva ser razão para que tu grites;
respirar a bela brisa do mar,
como curtir as pequenas vitórias
são coisas fascinantes e sem par
ao mesmo tempo verdadeiras glórias;
não prometer se não podes cumprir
é algo sem qualquer fascinação;
falar dos outros mal só é servir
para provocar grande confusão;
ter fascínio por algo fascinante
é poder ficar contente consigo
não é ser santo mas estar constante
com um sentimento muito amigo.

Depois deste sonho bem acordado
do que gostaria de ser sem ser
encarando de frente o meu fado
reconheço em mim homem qualquer

ESPERANÇA



Sejamos hoje optimistas. Tenhamos esperanças de que o nosso País, a breve prazo, irá entrar numa fase de crescimento e que todas as dificuldades com que se debate cá a população já há uma dezena de anos, que vão ser debeladas e que entraremos, por fim, numa fase de pleno emprego e de um ambiente social que se pode igualar aos mais avançados da Europa. Aceitemos também que o mundo, dividido em religiões diferentes, se passará a entender e que acabarão as questões que têm posto em confronto os diferentes grupos com fés antagónicas, sendo posto fim ao diferendo tão profundo entre muçulmanos e judeus e todas as religiões aceitarão as crenças dos outros, sendo ultrapassado, por isso, o mau ambiente que está instalado e terminarão os grupos de terroristas que têm assolado por toda a parte. Enchamo-nos de alegria pelo facto de a Europa ser capaz de criar os elos de ligação que contribuam para que, depois da existência da moeda única praticada por todos, sem excepções, se firmem os acordos no sentido de passar a verificar-se a prática de uma unidade nas mais diversas áreas, de molde a que, embora respeitando-se os hábitos e costumes de cada zona, se passe a viver em uníssono, económica, financeira, política, militar e socialmente falando.
Ao mesmo tempo que se conseguem dar esses passos da maior importância para que o entendimento humano seja uma realidade e um comportamento decisivo para que se possa apenas pensar no bem estar das populações, que acabem as enormes disparidades entre os muito ricos e os miseráveis, que exista um controlo de natalidade para que a não se verifique um aumento descontrolado de nascimentos sobretudo de emigrantes de países longínquos, simultaneamente com a duração da vida humana garantida em excelentes condições.
Tudo isso faz parte de uma perspectiva que os optimistas desejam manter e que não admitem que os mais realistas abordem temas que não se encontrem dentro deste panorama do ideal.
Pois aqui estou eu a fazer-lhes a vontade. Como me iludi ao mimosear-me com tamanhas regalias que deveriam, de facto, ter uma existência real na vida do ser humano! Mas, ao chegar ao fim da escrita, ao reler todo o texto, caí na verdade dos factos. Tudo o que ficou enunciado não passa de uma quimera que, desde que o mundo foi construído com as características que se vão descobrindo e com o modo de vida que as invenções humanas foram aplicando no Globo terrestre, nunca se caminhou nesse sentido e o egoísmo do Homem não deixou que, em qualquer altura, ao longo de séculos e de milénios, se conseguisse a tal harmonia, o referido bem-estar, o entendimento fraterno entre as populações.
Mas faz bem, de vez em quando, termos ilusões de que o futuro será um Paraíso terrestre. Mais vale concordar com a sentença de que “a esperança é a última a morrer…”

domingo, 24 de maio de 2009

GERAÇÃO SOFRIDA


Que esperanças tinha que houvesse Abril
o que eu ansiava por fim do inferno
bem dentro guardava sonhos mil
e que apodrecesse o que era governo

Levou tempo, tempo demais, demais
vivi o antes até demasiado tarde
passei por excessivos vendavais
tropecei em muita gente cobarde

Até que chegou, não era sem tempo
veio com armas, não era o ideal
para tantos terá sido um contratempo
não estava no programa tamanho funeral

Foi a euforia, a loucura nas ruas
tirou-se o tampão da garrafa fechada
tal como quem tira por fim as gazuas
do portão de uma quinta trancada

Uns quantos tinham razão de estar felizes
terão sofrido muito até então
não tiveram conta por quantas crises
passaram, apenas por dizerem não

Mas terá sido assim com a maioria,
toda essa gente que se mascarou
vestiu a farda do revolucionário, seria,
por dentro aquilo que mostrou ?

Quantos apanhada a carruagem em giro,
não foram os que ganharam com a troca ?
Fizeram tal e qual como o vampiro
e puseram-se, matreiros, bem à coca

Como ganharam com isso os aproveitas
chorudo futuro festejaram
valeu a pena a troca, largas colheitas
tiraram do campo que outros lavraram

Aqueles que tinham idade para tanto
e passado que sangrava em ferida
quase que foram postos a um canto
tratava-se, afinal, da geração sofrida

Sofrer antes e sofrer depois é muito
não é justo, há que reconhecer
poderá não ter sido esse o intuito
mas é algo que dá para entristecer

Geração sofrida, tem que se dizer,
ela existe, obscura e triste,
a juventude nem pode agradecer
ninguém mostrou e disse em que consiste

E assim se vai escrevendo a História
com lacunas, esquecimentos, inverdades
a geração sofrida escapa à memória
quem não sabe não alimenta saudades

Geração sofrida,
O que não pode estar é arrependida

JUVENTUDE DE HOJE

Numa altura destas, em que as perspectivas em relação ao futuro que nos espera, a nós como cidadãos do mundo, que enfrentamos as maiores dificuldades económicas e sociais que não poderiam ser esperadas uns tempos atrás, e que, em Portugal, por ser um País pobre e ainda longe dos avanços que já chegaram a muitas nações mesmo europeias, já atingiram proporções que estão a ser sentidas com enorme preocupação, neste momento preciso não será descabido dedicarmos a maior atenção ao que se passa com a juventude nacional que anda por aí e, de uma forma geral, não tomou ainda consciência do que a espera num futuro que não será muito longínquo.
É vulgar ver uma rapaziada estudantil que, nas horas de vaga nas escolas, se reúne em cafés perto das instalações liceais e aí dá mostras da uma irreverência e de um comportamento que, pelo menos para as pessoas que rondam agora idades entre os 60 e 70 anos, não poderão ser as mais aconselhadas, sobretudo se, de memória, efectuarem a comparação com o que ocorria nas suas épocas de infância.
Pois, com um vestuário despreocupado e que, pelos vistos, nem todos os estabelecimentos de ensino criam estatutos para que eles e elas se apresentem com limpeza e minimamente composto, especialmente no que diz respeito aos agora tão usuais decotes femininos exagerados, o que, de facto, não é o mais importante, o que se nota de seguida é o uso e abuso do tabaco, abrindo consecutivamente os maços de cigarros que é preciso ter dinheiro para suportar tamanho gasto. E, para além das despesas que fazem nesses estabelecimentos de bolos e de cafés e refrigerantes, a linguagem que usam e que fazem gala em utilizar aos gritos, de forma a que todos os clientes oiçam com clareza as asneiras que pronunciam, essa demonstração de falta de instrução escolar e de mau acompanhamento educacional por parte dos parentes caseiros provoca a quem os escuta, mesmo sem querer, uma repulsa e uma justificada preocupação no que diz respeito à confiança que é preciso depositar nos chamados homens de amanhã.
Há que fazer alguma coisa em relação a esta juventude que vive num mundo que não entendeu ainda como se encontra. Sem criar falta de confiança e um espírito de excessivo pessimismo, porque essa posição também não será a mais aconselhável a quem tem o futuro para gerir, o que terá verdadeira utilidade é dar a conhecer a essa rapaziada, que hoje anda pelos 14/16 anos, que o excesso de facilidades para gastos que podem ser evitados – como o tabaco e as bebidas que os pais suportam – talvez dentro de algum tempo não possam continuar a ser pagos, ou porque o desemprego atingiu a sua família mais próxima ou até porque a própria vida de todos os dias não permite que “caia” assim o dinheiro do “céu”, coisa que, no tempo dos antigos, não sucedia e nem por isso essa escassez causou revolta ou fez com que os homens saídos dessas fornadas tivessem tido maus comportamentos provocados pelas circunstâncias vividas em tal período.
Já, num blogue atrás, me referi à conveniência indiscutível de serem introduzidas nas aulas do primeiro ciclo uma classe de aprendizagem prática da Democracia, porque isso, sim, constitui uma necessidade que a juventude já hoje necessita e que será da maior utilidade para orientar o comportamento de todos os cidadãos que precisam de saber conviver e, sobretudo, ter capacidade para ouvir primeiro e contestar depois. E até, no que respeita aos palavrões que tanto saem das suas bocas, essa prática se perderá com o estudo e a prática das actuações democráticas.
Se não se verificar preocupação em instruir hoje os homens de amanhã, para que o mundo seja capaz de enfrentar as dificuldades que não desaparecerão assim tão depressa, ainda na nossa vivência, então comecemos já a preocupar-nos com o que acontecerá aos nossos descendentes. Os que cá ficam é que sofrerão.






sábado, 23 de maio de 2009

Pergunto-me muitas vezes se este exercício diário de preencher o meu blogue com opiniões que, no meu entender, têm razão para ser difundidos, na verdade são justificáveis e merecem a pena ser lidos.
No relatório que, periodicamente, recebo sou informado de que haverá ainda alguma gente que se detém a tomar conhecimento desta escrita.
Não se tratará de um masoquismo da minha parte o convencer-me que o direito que me assiste de colocar no exterior o que me vai no espírito, ao fim e ao cabo, não acabará por ser uma perda de tempo, quer da minha parte quer do lado dos que, pacientemente, tomam conhecimento do que entendo dever fazer no computador?
Por meu lado, costumo ir seguindo alguns blogues de pessoas conhecidas que, pelos vistos, merecem a atenção de um determinado público.
E faço-o para poder comparar com os temas que eu abordo e a forma como o faço.
E, tenho de ser autêntico, na maioria dos casos não lhes encontro razão para serem classificados como obras-primas.
Mas isso passa-se também com a literatura que vou acompanhando lançada por certos editores.
Não ponho mais na carta…

JORNALISMO, ISSO?



Para dizer a verdade, já há muito tempo que esperava deparar com um espectáculo semelhante, como o que o Bastonário da Ordem dos Advogados, dr. Marinho Pinto, ocasionou ao ser “entrevistado” pela “jornalista” Manuela Moura Guedes.
De facto, sendo eu um jornalista com mais de 50 anos de profissão e que passou por todas as etapas da carreira, desde o de aprendiz até de director de periódicos, tenho, no que respeita ao exercício da actividade, uma posição de respeito e de cumprimento de regras que não se conforma com atitudes que prejudicam a ideia do que é, de facto, a actividade jornalística.
Fui ensinado por vários mestres que desempenhavam funções em plena época do antigo regime, em que me foi sucessivamente recomendado que a função do entrevistador jornalista, não sendo fácil, deve ser exercida com a maior seriedade, pois que, antes que tudo, a opinião de quem pergunta nunca deve servir para corromper aquilo que o entrevistado tem para dizer. Por muito que o registador das respostas às perguntas feitas pense de maneira diferente, até contraditória, daquilo que é defendido pelo solicitado a apresentar os seus pontos de vista, de forma nenhuma essa distância de posições deve interferir na limpidez da transmissão plena daquilo que é afirmado para efeitos de registo para transmissão jornalística.
Dito isto de outra maneira, o entrevistador não pode exercer as funções de julgador, muito menos de acusador. O que tem a fazer é perguntar bem e, depois disso, ouvir tranquilamente a resposta. E se entender que esta não satisfará a curiosidade dos leitores, ouvintes ou espectadores televisivos, o que tem a fazer é procurar o esclarecimento com outra pergunta, deixando claro que o faz para retirar eventuais dúvidas que poderão ter surgido de uma contestação pouco esclarecedora.
Quando muito, para tirar partido da função que está a exercer, podem ser feitas perguntas maldosas, de difícil ou comprometedora resposta, e apenas nestas circunstâncias é possível introduzir uma determinada rasteira, mas sempre com ausência de opiniões inadequadas por parte de quem interroga.
Posto isto, voltando ao que se poderá admitir como uma espécie de entrevista feita por Manuel Moura Guedes ao Bastonário da Ordem dos Advogados, todo o tempo dedicado a essa tarefa foi preenchido, não por perguntas mas sim por acusações e por uma infinidade de opiniões prestadas por quem, em frente das câmaras da TVI, ali se encontrava unicamente como jornalista entrevistadora com o intuito de esclarecer a posição tomada por aquela figura que representa os advogados portugueses e que, por sinal, está a ser bastante contestada por motivo das afirmações públicas que o dr. Marinho Pinto tem vindo a fazer em diferentes ocasiões, pelo que se levantaram já contestações de alguns advogados, também membros da referida Ordem.
O que se tornava útil, pois, saber era se esses desagrados têm razão de ser a nível dos advogados ou se seria a permanente posição incómoda que tem sido tomada pelo Bastonário contra actuações, em diferentes áreas, de elementos bem situados em múltiplas interesses criados na vida pública, o que levou a que se levantasse uma fileira de descontentes que terão influenciado a opinião de Manuela Moura Guedes.
Seja como for, o que não pode passar sem reparo é, da parte dos profissionais da Imprensa, uma profunda repulsa pela maneira como esta participante da classe jornalística – mesmo pouco experiente como se sabe – tem de ser revelada. Provavelmente, se não existisse uma cobertura por parte da direcção da TVI, não se iria repetir aquela conduta que, publicamente, foi de forma clara denunciada.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

CACILHEIROS

Apeteceu-me um dia
recordar o passado,
andar para trás
muitos anos,
pôr o saudosismo em acção.
E fui ao Cais das Colunas
às que lá não estão
mas que eu as vi
na memória
e descendo aqueles degraus
molhei os pés no Tejo,
que frescura!
que odor!
que beleza as gaivotas em liberdade.
Como me recordo
dos cacilheiros que saiam logo dali
e chegavam ao mesmo sítio,
os cabos para os prender ao cais
eram atirados
com precisão
fixavam-se nas amarras
e as gentes,
sem aguardar o encosto completo
saltavam,
corriam para os seus destinos,
os imediatos,
enfiavam-se na praça,
nessa bela praça,
no Terreiro do Paço,
que podia ser ainda mais bonito,
muito mais bonito,
mas as gentes nem dão por isso,
a Praça do Comércio (que nome!)
não tem ajuda do poder
para a tornar muito mais atractiva.
Correm para a vida,
os populares,
os cacilheiros, já bem encostados,
deixam sair os passageiros,
os mais calmos,
também esses já sem se importar
que o Cais das Colunas
já não seja o que era antes.
É gente da outra Banda
que dorme lá
que ganha a vida deste lado,
que transformou Cacilhas,
o Ginjal,
Trafaria,
Caparica
em dormitórios.
Tu, cacilheiro, foste o culpado.
Antes da ponte
eras dono e senhor
do rio,
só tu ligavas as margens
do Tejo que,
no final, parece um oceano.
Eras o patrão do Tejo.
Agora, já não és essencial,
imprescindível,
única solução.
Mas continuas a ser útil,
desejado,
e, sobretudo, manténs a tradição
alimentas o saudosismo,
és uma relíquia preciosa
para a memória,
mas também os que não usam a ponte,
a que já teve dois nomes,
que são bastantes,
e ainda bem,
porque tu,
ó cacilheiro dos velhos tempos
pode ser que acabes por vencer
a modernidade,
a que deitou abaixo as colunas
e arredou para mais longe
o local onde te encostas para descansar,
de cada viagem,
fazendo-te perder a graça,
essa de ver entrar e sair a populaça,
no sítio certo, junto às colunas.
Foi isso que a imaginação
trouxe até mim,
o olhar para o Tejo e contemplar,
sentado em frescos bancos
de pedra,
com a barra ao fundo,
vária navegação circulando,
respirando o ar marítimo,
mastigando pipocas
e pevides,
compradas ao velho do tabuleiro,
que sonho!
E, de repente,
caí em mim.
Esta Lisboa que faz a inveja
de outras grandes capitais
que não têm este rio
a seus pés,
esta cidade que deslumbra as outras,
mas que, em lugar de olhar para fora,
para a água salgada,
para as ondas com a sua espuma,
para o reluzir do Sol no Tejo,
vira-se para dentro,
para o seu umbigo,
e nem parece ser
terra de Navegadores,
antigos mas recordados,
ficando-se com a impressão de que
se tem vergonha
de ficar à borda do mar das Descobertas.
Não merecemos o que temos,
e tu, ó cacilheiro,
ainda serás algo,
já pouco,
que tem de nos avivar a memória,
chamar a atenção para
o pouco que nos resta.
A modernidade?
Pois sim, mas sem destruir
as jóias do passado.
Que bonito é ver o cacilheiro
encolhidinho,
ao lado do grande paquete,
majestoso,
que passa
a abarrotar de tecnicismo,
orgulhoso do seu porte,
transportando uma multidão
a olhar sobranceiro
o pequeno cacilheiro,
a ínfima embarcação
a cruzar o Tejo na sua humildade
como um pedinte
se aproxima
do carro de luxo
num semáforo.
Ó cacilheiro,
modesto trabalhador que
nasce, vive e morre
sempre com o mesmo mister,
com a mesma viagem,
repetitiva,
monótona,
mas prestando um serviço,
sendo útil,
indispensável,
com gente sempre à sua espera,
que o aguarda a olhar para o relógio,
como quem combinou com o namorado
um encontro.
Ó cacilheiro,
Tu, em que as gaivotas
tuas conhecidas
poisam na amurada
saudando-te,
lembrando-te quem és,
não te deixando sonhar com fantasias,
com luxos,
com atitudes que não são as tuas.
Tu és o que és
e nós queremos-te assim.

A CÃMARA DE LISBOA QUE NECESSITAMOS


No grupo de eleições que, este ano, vão ocorrer por cá, as municipais também fazem parte da possibilidade dos cidadãos participarem na escolha dos seus candidatos preferidos. E, naturalmente, o caso de Lisboa pertence ao conjunto que poderá manter-se como se encontra agora ou ser modificado se os eleitores assim o considerarem útil.
Ao longo dos vários anos que ocorreram depois da Revolução – e já antes constituía uma preocupação minha muito própria -, tenho, dentro da minha capacidade de contribuir com as minha opiniões escritas, feito as minhas críticas mas, sobretudo, apresentado várias propostas que, na maioria das circunstâncias, não foram levadas em consideração por quem se propunha encabeçar a presidência municipal. E, desde o ter-me atirado ao saudoso (como pessoa) Kruss Abecassis, pela ideia e concretização daquele monstro em pleno Martim Moniz, do centro comercial destinado a chineses, indianos, gente das áfricas e muita variedade de contrabandistas de produtos escusos, o que o fez amuar comigo durante algum tempo, até outras medidas tomadas por diferente camarários que deram provas de total falta de imaginação e bom gosto, a tudo assisti e a todos dediquei as minhas profundas discordâncias, sem que, na maioria dos casos, tivesse assistido a uma confissão de que, realmente, tinham enveredado pelo pior caminho e que quem pagou foi a nossa bela capital que, de dia para dia, tem vindo a ver estragada na sua beleza intrínseca.
A minha cansada luta para que o Terreiro do Paço, começando por expulsar dali os vários ministérios que deveria ser colocados num só local que, como sucedeu em Madrid, é chamado de “Barrio de los Ministerios”, substituindo-os por hotéis de charme que se encarregariam de colocar aquela zona dentro de um movimento de qualidade que é o que falta em toda a baixa lisboeta – o que, bem sei, é uma medida que pertence ao Governo tomar, mas que acabará por ser encarada, espero -, nesta altura o que se vê aos domingos é, nas arcadas da Praça do Comércio, uma série de vendedores ambulantes de produtos que ali ficam bem, como selos, moedas e outros artigos que mostram o nosso artesanato, mas que mereciam que as suas ofertas ao público fossem feitas em embelezadas mesas, ao mesmo tempo que seria agradável que se instalasse uma música própria da nossa cidade, o que prestaria um ambiente de gosto apurado. O que é preciso é só bom gosto e imaginação.
Agora, a notícia que surgiu de que não tinha sido levada em consideração a instalação de um bonito e confortável hotel de charme no lugar onde esteve, durante décadas, o tribunal da Boa-Hora, esse medo de proceder a mudanças que distingam o centro da capital e o torne bem visível aos nossos visitantes estrangeiros que levam sempre lá fora a ideia de que Lisboa não tem vida e que é uma cidade triste, apesar de ter todas as características para ser considerada como uma das mais belas da Europa, esse passo atrás dado pelos “chefes” que temos e que não são capazes de dar mostras de desenvoltura de imaginação, colocou-nos, de novo, no marca passo que insistimos em manter e de que não somos capazes de nos libertar.
Estas e outras medidas que podem ser levadas a cabo sem necessidade de dispêndios dos nossos fundos, porque há sempre empresários, nacionais ou estrangeiros, que estão dispostos a arriscar em iniciativas que prometem lucros, continuam por não ser encaradas.
Vamos a ver o que nos oferece de novidade o resultado do próximo movimento eleitoral para a Câmara de Lisboa. Estamos condenados a repetir sempre o mesmo prato, mesmo que estejamos enfartados com a comida enjoativa que nos é oferecida?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

SOMOS O QUE SOMOS


Somos o que somos
Fomos o que fomos
Nós os portugueses
Estamos onde estamos
Às vezes
Algo prestamos
Nem sempre !

Pouco confiantes
Agora e dantes
Somos assim
Algo descontentes
Até ao fim
Talvez crente
Nem todos

Já fomos enormes
Mesm’até disformes
Sem pulso p’ra tanto
A deixar fugir
Com espanto
O nosso porvir
Será ?

Podia ser pior
Ter’inda mais dor
Como diz o povo
Sempre paciente
Não movo
Daqui p’ra frente
E espero

Fé e esperança
Mas sem confiança
É o que nos resta
Com o que nós temos
Não nos falte a festa
Que sempre soubemos
Fingir

Valerá a pena
Cambiar a cena ?
Pergunta-se por fim
Há quem não duvide
Quem ficar assim
É que não progride
Eis-nos

E hoje, afinal
Neste Portugal
Em pleno apuro
Todos perguntamos
Que futuro ?
Se inda prestamos
P’ra quê ?

A ver a Europa
Com a melhor roupa
Comemos as unhas
Roídos d’inveja
E metemos cunhas
P’ra alguém que veja
Ao longe

Que grande distância
Dizemos com ânsia
Contando os tostões
Não há quem governe
E quem venha depois
Que sej’um alterne
Melhor

E o povo, enfim,
O que neste jardim
Aceita o qu’está
Temendo o pior
Que a muda trará
Tem sempre pavor
Do depois

Somos o que somos
E assim nos pomos
No fim da Europa
Fomos o que fomos
Já ninguém nos poupa
Assim como somos
Choramos !

SEXOLOGIA



Ter assistido, em mais do que um noticiário na televisão, a uma filmagem clandestina e à reprodução da voz de uma “professora”, dita da disciplina de História, a, na sua aula, tratar do tema da sexologia e questionar aos gritos os alunos sobre a sua virgindade e as práticas que seguem no exercício do relacionamento e de apetites na área sexual, para além de até se referir à sua prática com o seu marido, ter tomado conhecimento desse acto que, pelos vistos, não foi ocasional pois teve repetições em diferentes classe da mesma “senhora professora” que, se classificou ela própria de “senhora doutora”, fazendo referência à mãe de uma aluna que a teria interpelado antes revoltando-se contra o caminho que os ensinamentos na classe não tinham nada a ver com a disciplina de História, não podia ter deixado de impressionar todos os que tomaram conhecimento da inqualificável demonstração de loucura de quem tem uma profissão que só aponta numa direcção, a de instruir os estudantes e a prepará-los, com conhecimentos básicos para enfrentar a vida com a melhor bagagem educativa que for possível.
Ainda bem que uma aluna teve possibilidade de gravar aquilo que se passava na sua aula, para poder provar no exterior que aquele espectáculo degradante acontecia, pois, caso contrário, seguramente que não seria crível e as coisas continuariam a ocorrer sem possibilidade de lhes pôr fim.
Agora, o que espantará muita gente é que, sendo a gravação efectuada servido para suspender a referida professora, a utilização deste meio permitiu igualmente punir a aluna, por ter sido violado o n.º 20 do Regulamento Interno. Imagine-se!...
Sim senhor, que não seja permitido que os estudantes, dentro das salas de aula, utilizem telemóveis, gravadores e máquinas fotográficas, ainda se compreende, agora, que um aluno, pelo facto de ter consigo um destes aparelhos – o que não quer dizer que os utilize sem um motivo forte -, ser punido por, numa situação daquelas em que era evidente estar a passar-se um acontecimento que não poderia passar sem ser analisada pelos pais e pelos serviços superiores de uma escola, isso parece levar demasiado à letra o teor da determinação escolar.
Faz-me, no entanto, pensar o comportamento da referida professora. É que, ao terem sido ouvidos alguns alunos sobre a actuação da referida mestra, foram vários que se prontificaram a prestar-lhe aplauso e até em considerá-la como uma “boa amiga” e que se preocupava com eles, considerando-a como “espectacular”, que é o adjectivo agora tão usado pela rapaziada., acrescentando que recebiam dela apoio “sempre que estavam tristes”.
Sendo assim, a pergunta a fazer é se esta senhora que, pelos vistos, de História ensinava pouco, não teria utilidade em ser utilizada em classes facultativas de sexologia, o que, segundo parece, também faz falta preparar a juventude, coisa que nós, no nosso tempo, tivemos de aprender à custa de cada um e na vida prática. Para alguns resultou, para outros nem por isso…

quarta-feira, 20 de maio de 2009

POETAS

Isto de querer ser poeta
pode bem nada dizer
há os que acham uma treta
e não ter mais que fazer
nem saber bem o que quer

Quem vai compor poesia
com esforço irá tentando
na ideia de que quem cria
sem saber como e quando
lá acabará rimando

Mas também sem rima vai
usando seu versejar
pois o que mais sobressai
é o que fica no ar
aquilo que faz cantar

Só que o poeta em geral
não consegue que em vida
o achem ser genial
e só depois da partida
a fama lhe dê guarida

Poetas mortos há muitos
quantos terão produzido
em lampejos bem fortuitos
alguns graças ao Cupido
face a coração partido

Sentir a vida de frente
descobrir suas fraquezas
faz que haja alguma gente
sem esconder suas belezas
também cante as tristezas

Deixar em verso bem escrito
aquilo que na alma vai
é como quem solta um grito
que nem por isso atrai
quem do seu mundo não sai

Gavetas cheias de versos
à espera que alguém os leia
que saiam em livro dispersos
mesmo não sendo epopeia
mas que mostrem certa veia

Há editores valorosos
que acham que a poesia
não tem que ter nos saudosos
exclusivo de valia
não deixando que teimosos
possam ver a luz do dia

LOPES DA MOTA




Até parece que não temos por cá problemas que nos atormentem o bastante e que, por isso, desperdiçamos tempo com situações que, pelo menos para a maioria dos cidadãos portugueses, não têm o menor merecimento e cujas soluções não trazem qualquer acréscimo ao afastamento das dificuldades que temos de enfrentar. As forças tidas como mediáticas ocupam os seus poderes a chamar a atenção para situações que, em muitos casos, deixam indiferentes os portugueses que, nem sequer se apercebem bem do que se passa em relação aos temas tão divulgados.
É o que tem acontecido, por exemplo, com Lopes da Mota, nome só agora conhecido nas ruas e que exerce as funções de presidente do Eurojust, um organismo que também a massa popular não tem a menor noção de que se trata. E, segundo o que tem vindo a lume, aquele responsável pelo departamento europeu que coordena as investigações sobre o caso Freeport, o tal que envolve o engenheiro Sócrates e que se tem arrastado ao longo dos anos, ao ponto de não haver nada decidido quanto a culpados que tenham que ser levados a tribunal, pois Lopes da Mota parece que terá exercido influência junto de magistrados para que actuem em favor do actual primeiro-ministro.
Quer dizer, não bastava já que o problema Freeport continue a manter-se na obscuridade de apuramento do ou dos responsáveis, para se juntar agora outro mistério, este do homem que dizem ter tentado silenciar os intervenientes na busca de culpados. E lá vão os partidos políticos, que não terão outras matérias de extrema importância para tratar, entrar na questiúncula, uns a pretender que o visado apareça no Parlamento para prestar depoimento e outros a impedir que isso aconteça…
Por sua vez, o actual bastonário da Ordem dos Advogados, que, sempre que tem oportunidade, surge a mostrar publicamente as suas opiniões sobre factos que, como cidadão, o incomodam – e aí também se verifica existir uma guerrilha entre oficiais do mesmo ofício que, ou estão de acordo com o seu representante ou se situam do outro lado da barreira -, e em que, em lugar de se discutir o desastre em que se encontra a Justiça no nosso País e surgirem propostas radicais de rectificar essa desgraça que atinge todos os portugueses, o que acontece é que se aproveitou a barafunda criada à volta do caso Lopes da Mota para também aí acrescentar alguma acha para a fogueira da distracção.
Estamos condenados, cá em Portugal, a andar tempos sem conta agarrados a situações que, na maioria dos casos, não deviam distrair a população nacional do principal que se situa, neste período, no centro das preocupações nacionais e internacionais.
Já não se pode esconder mais que o futuro, próximo e mais longínquo, que nos aguarda é de verdadeiro tormento. Há os que defendem o princípio de que não podemos perder a esperança, pois que é isso que nos resta “enquanto há vida”. E ficarmos por aí. Mas, como se não tivesse bastado que, desde o período pós-Revolução, tenhamos andado enganados com a ideia de que somos ricos e de que a Democracia é isso, o termos todos o direito de gastar o que não temos – mesmo sem nada fazermos para que consigamos esse benefício -, teimamos em manter uma ideia que, quando chegar a realidade, então o sofrimento é muito maior do que se estivéssemos conscientes há certo tempo de que as circunstâncias não nos foram favoráveis e que, por cá, todos se endividaram e acordaram tarde para constatar que aquilo que se deve, mais cedo ou mais tarde, tem de ser pago!...
Então, por exemplo, estarmos já a rondar os 10 por cento de gente desempregada no nosso País, não é questão muitíssimo mais importante do que aquilo que, comparado com tal flagelo, não passa de reles mexerico a que pretendem que fiquemos atentos?

terça-feira, 19 de maio de 2009

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Pergunto-me com frequência: se tivesse nascido noutro País e lá continuasse a viver, o meu pensamento seria o mesmo que mantenho agora?
Se sim, então o Homem comporta-se, em relação ao exterior de si próprio e quanto a si mesmo, de acordo apenas com o seu modo de ser.
Se varia conforme o ambiente que o rodeia, nesse caso é de fora para dentro que funciona a forma de ser de cada um.
Eu prefiro ser como sou, independentemente do lugar onde vivo.
Só não sei se o consigo