domingo, 24 de maio de 2009

GERAÇÃO SOFRIDA


Que esperanças tinha que houvesse Abril
o que eu ansiava por fim do inferno
bem dentro guardava sonhos mil
e que apodrecesse o que era governo

Levou tempo, tempo demais, demais
vivi o antes até demasiado tarde
passei por excessivos vendavais
tropecei em muita gente cobarde

Até que chegou, não era sem tempo
veio com armas, não era o ideal
para tantos terá sido um contratempo
não estava no programa tamanho funeral

Foi a euforia, a loucura nas ruas
tirou-se o tampão da garrafa fechada
tal como quem tira por fim as gazuas
do portão de uma quinta trancada

Uns quantos tinham razão de estar felizes
terão sofrido muito até então
não tiveram conta por quantas crises
passaram, apenas por dizerem não

Mas terá sido assim com a maioria,
toda essa gente que se mascarou
vestiu a farda do revolucionário, seria,
por dentro aquilo que mostrou ?

Quantos apanhada a carruagem em giro,
não foram os que ganharam com a troca ?
Fizeram tal e qual como o vampiro
e puseram-se, matreiros, bem à coca

Como ganharam com isso os aproveitas
chorudo futuro festejaram
valeu a pena a troca, largas colheitas
tiraram do campo que outros lavraram

Aqueles que tinham idade para tanto
e passado que sangrava em ferida
quase que foram postos a um canto
tratava-se, afinal, da geração sofrida

Sofrer antes e sofrer depois é muito
não é justo, há que reconhecer
poderá não ter sido esse o intuito
mas é algo que dá para entristecer

Geração sofrida, tem que se dizer,
ela existe, obscura e triste,
a juventude nem pode agradecer
ninguém mostrou e disse em que consiste

E assim se vai escrevendo a História
com lacunas, esquecimentos, inverdades
a geração sofrida escapa à memória
quem não sabe não alimenta saudades

Geração sofrida,
O que não pode estar é arrependida

JUVENTUDE DE HOJE

Numa altura destas, em que as perspectivas em relação ao futuro que nos espera, a nós como cidadãos do mundo, que enfrentamos as maiores dificuldades económicas e sociais que não poderiam ser esperadas uns tempos atrás, e que, em Portugal, por ser um País pobre e ainda longe dos avanços que já chegaram a muitas nações mesmo europeias, já atingiram proporções que estão a ser sentidas com enorme preocupação, neste momento preciso não será descabido dedicarmos a maior atenção ao que se passa com a juventude nacional que anda por aí e, de uma forma geral, não tomou ainda consciência do que a espera num futuro que não será muito longínquo.
É vulgar ver uma rapaziada estudantil que, nas horas de vaga nas escolas, se reúne em cafés perto das instalações liceais e aí dá mostras da uma irreverência e de um comportamento que, pelo menos para as pessoas que rondam agora idades entre os 60 e 70 anos, não poderão ser as mais aconselhadas, sobretudo se, de memória, efectuarem a comparação com o que ocorria nas suas épocas de infância.
Pois, com um vestuário despreocupado e que, pelos vistos, nem todos os estabelecimentos de ensino criam estatutos para que eles e elas se apresentem com limpeza e minimamente composto, especialmente no que diz respeito aos agora tão usuais decotes femininos exagerados, o que, de facto, não é o mais importante, o que se nota de seguida é o uso e abuso do tabaco, abrindo consecutivamente os maços de cigarros que é preciso ter dinheiro para suportar tamanho gasto. E, para além das despesas que fazem nesses estabelecimentos de bolos e de cafés e refrigerantes, a linguagem que usam e que fazem gala em utilizar aos gritos, de forma a que todos os clientes oiçam com clareza as asneiras que pronunciam, essa demonstração de falta de instrução escolar e de mau acompanhamento educacional por parte dos parentes caseiros provoca a quem os escuta, mesmo sem querer, uma repulsa e uma justificada preocupação no que diz respeito à confiança que é preciso depositar nos chamados homens de amanhã.
Há que fazer alguma coisa em relação a esta juventude que vive num mundo que não entendeu ainda como se encontra. Sem criar falta de confiança e um espírito de excessivo pessimismo, porque essa posição também não será a mais aconselhável a quem tem o futuro para gerir, o que terá verdadeira utilidade é dar a conhecer a essa rapaziada, que hoje anda pelos 14/16 anos, que o excesso de facilidades para gastos que podem ser evitados – como o tabaco e as bebidas que os pais suportam – talvez dentro de algum tempo não possam continuar a ser pagos, ou porque o desemprego atingiu a sua família mais próxima ou até porque a própria vida de todos os dias não permite que “caia” assim o dinheiro do “céu”, coisa que, no tempo dos antigos, não sucedia e nem por isso essa escassez causou revolta ou fez com que os homens saídos dessas fornadas tivessem tido maus comportamentos provocados pelas circunstâncias vividas em tal período.
Já, num blogue atrás, me referi à conveniência indiscutível de serem introduzidas nas aulas do primeiro ciclo uma classe de aprendizagem prática da Democracia, porque isso, sim, constitui uma necessidade que a juventude já hoje necessita e que será da maior utilidade para orientar o comportamento de todos os cidadãos que precisam de saber conviver e, sobretudo, ter capacidade para ouvir primeiro e contestar depois. E até, no que respeita aos palavrões que tanto saem das suas bocas, essa prática se perderá com o estudo e a prática das actuações democráticas.
Se não se verificar preocupação em instruir hoje os homens de amanhã, para que o mundo seja capaz de enfrentar as dificuldades que não desaparecerão assim tão depressa, ainda na nossa vivência, então comecemos já a preocupar-nos com o que acontecerá aos nossos descendentes. Os que cá ficam é que sofrerão.






sábado, 23 de maio de 2009

Pergunto-me muitas vezes se este exercício diário de preencher o meu blogue com opiniões que, no meu entender, têm razão para ser difundidos, na verdade são justificáveis e merecem a pena ser lidos.
No relatório que, periodicamente, recebo sou informado de que haverá ainda alguma gente que se detém a tomar conhecimento desta escrita.
Não se tratará de um masoquismo da minha parte o convencer-me que o direito que me assiste de colocar no exterior o que me vai no espírito, ao fim e ao cabo, não acabará por ser uma perda de tempo, quer da minha parte quer do lado dos que, pacientemente, tomam conhecimento do que entendo dever fazer no computador?
Por meu lado, costumo ir seguindo alguns blogues de pessoas conhecidas que, pelos vistos, merecem a atenção de um determinado público.
E faço-o para poder comparar com os temas que eu abordo e a forma como o faço.
E, tenho de ser autêntico, na maioria dos casos não lhes encontro razão para serem classificados como obras-primas.
Mas isso passa-se também com a literatura que vou acompanhando lançada por certos editores.
Não ponho mais na carta…

JORNALISMO, ISSO?



Para dizer a verdade, já há muito tempo que esperava deparar com um espectáculo semelhante, como o que o Bastonário da Ordem dos Advogados, dr. Marinho Pinto, ocasionou ao ser “entrevistado” pela “jornalista” Manuela Moura Guedes.
De facto, sendo eu um jornalista com mais de 50 anos de profissão e que passou por todas as etapas da carreira, desde o de aprendiz até de director de periódicos, tenho, no que respeita ao exercício da actividade, uma posição de respeito e de cumprimento de regras que não se conforma com atitudes que prejudicam a ideia do que é, de facto, a actividade jornalística.
Fui ensinado por vários mestres que desempenhavam funções em plena época do antigo regime, em que me foi sucessivamente recomendado que a função do entrevistador jornalista, não sendo fácil, deve ser exercida com a maior seriedade, pois que, antes que tudo, a opinião de quem pergunta nunca deve servir para corromper aquilo que o entrevistado tem para dizer. Por muito que o registador das respostas às perguntas feitas pense de maneira diferente, até contraditória, daquilo que é defendido pelo solicitado a apresentar os seus pontos de vista, de forma nenhuma essa distância de posições deve interferir na limpidez da transmissão plena daquilo que é afirmado para efeitos de registo para transmissão jornalística.
Dito isto de outra maneira, o entrevistador não pode exercer as funções de julgador, muito menos de acusador. O que tem a fazer é perguntar bem e, depois disso, ouvir tranquilamente a resposta. E se entender que esta não satisfará a curiosidade dos leitores, ouvintes ou espectadores televisivos, o que tem a fazer é procurar o esclarecimento com outra pergunta, deixando claro que o faz para retirar eventuais dúvidas que poderão ter surgido de uma contestação pouco esclarecedora.
Quando muito, para tirar partido da função que está a exercer, podem ser feitas perguntas maldosas, de difícil ou comprometedora resposta, e apenas nestas circunstâncias é possível introduzir uma determinada rasteira, mas sempre com ausência de opiniões inadequadas por parte de quem interroga.
Posto isto, voltando ao que se poderá admitir como uma espécie de entrevista feita por Manuel Moura Guedes ao Bastonário da Ordem dos Advogados, todo o tempo dedicado a essa tarefa foi preenchido, não por perguntas mas sim por acusações e por uma infinidade de opiniões prestadas por quem, em frente das câmaras da TVI, ali se encontrava unicamente como jornalista entrevistadora com o intuito de esclarecer a posição tomada por aquela figura que representa os advogados portugueses e que, por sinal, está a ser bastante contestada por motivo das afirmações públicas que o dr. Marinho Pinto tem vindo a fazer em diferentes ocasiões, pelo que se levantaram já contestações de alguns advogados, também membros da referida Ordem.
O que se tornava útil, pois, saber era se esses desagrados têm razão de ser a nível dos advogados ou se seria a permanente posição incómoda que tem sido tomada pelo Bastonário contra actuações, em diferentes áreas, de elementos bem situados em múltiplas interesses criados na vida pública, o que levou a que se levantasse uma fileira de descontentes que terão influenciado a opinião de Manuela Moura Guedes.
Seja como for, o que não pode passar sem reparo é, da parte dos profissionais da Imprensa, uma profunda repulsa pela maneira como esta participante da classe jornalística – mesmo pouco experiente como se sabe – tem de ser revelada. Provavelmente, se não existisse uma cobertura por parte da direcção da TVI, não se iria repetir aquela conduta que, publicamente, foi de forma clara denunciada.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

CACILHEIROS

Apeteceu-me um dia
recordar o passado,
andar para trás
muitos anos,
pôr o saudosismo em acção.
E fui ao Cais das Colunas
às que lá não estão
mas que eu as vi
na memória
e descendo aqueles degraus
molhei os pés no Tejo,
que frescura!
que odor!
que beleza as gaivotas em liberdade.
Como me recordo
dos cacilheiros que saiam logo dali
e chegavam ao mesmo sítio,
os cabos para os prender ao cais
eram atirados
com precisão
fixavam-se nas amarras
e as gentes,
sem aguardar o encosto completo
saltavam,
corriam para os seus destinos,
os imediatos,
enfiavam-se na praça,
nessa bela praça,
no Terreiro do Paço,
que podia ser ainda mais bonito,
muito mais bonito,
mas as gentes nem dão por isso,
a Praça do Comércio (que nome!)
não tem ajuda do poder
para a tornar muito mais atractiva.
Correm para a vida,
os populares,
os cacilheiros, já bem encostados,
deixam sair os passageiros,
os mais calmos,
também esses já sem se importar
que o Cais das Colunas
já não seja o que era antes.
É gente da outra Banda
que dorme lá
que ganha a vida deste lado,
que transformou Cacilhas,
o Ginjal,
Trafaria,
Caparica
em dormitórios.
Tu, cacilheiro, foste o culpado.
Antes da ponte
eras dono e senhor
do rio,
só tu ligavas as margens
do Tejo que,
no final, parece um oceano.
Eras o patrão do Tejo.
Agora, já não és essencial,
imprescindível,
única solução.
Mas continuas a ser útil,
desejado,
e, sobretudo, manténs a tradição
alimentas o saudosismo,
és uma relíquia preciosa
para a memória,
mas também os que não usam a ponte,
a que já teve dois nomes,
que são bastantes,
e ainda bem,
porque tu,
ó cacilheiro dos velhos tempos
pode ser que acabes por vencer
a modernidade,
a que deitou abaixo as colunas
e arredou para mais longe
o local onde te encostas para descansar,
de cada viagem,
fazendo-te perder a graça,
essa de ver entrar e sair a populaça,
no sítio certo, junto às colunas.
Foi isso que a imaginação
trouxe até mim,
o olhar para o Tejo e contemplar,
sentado em frescos bancos
de pedra,
com a barra ao fundo,
vária navegação circulando,
respirando o ar marítimo,
mastigando pipocas
e pevides,
compradas ao velho do tabuleiro,
que sonho!
E, de repente,
caí em mim.
Esta Lisboa que faz a inveja
de outras grandes capitais
que não têm este rio
a seus pés,
esta cidade que deslumbra as outras,
mas que, em lugar de olhar para fora,
para a água salgada,
para as ondas com a sua espuma,
para o reluzir do Sol no Tejo,
vira-se para dentro,
para o seu umbigo,
e nem parece ser
terra de Navegadores,
antigos mas recordados,
ficando-se com a impressão de que
se tem vergonha
de ficar à borda do mar das Descobertas.
Não merecemos o que temos,
e tu, ó cacilheiro,
ainda serás algo,
já pouco,
que tem de nos avivar a memória,
chamar a atenção para
o pouco que nos resta.
A modernidade?
Pois sim, mas sem destruir
as jóias do passado.
Que bonito é ver o cacilheiro
encolhidinho,
ao lado do grande paquete,
majestoso,
que passa
a abarrotar de tecnicismo,
orgulhoso do seu porte,
transportando uma multidão
a olhar sobranceiro
o pequeno cacilheiro,
a ínfima embarcação
a cruzar o Tejo na sua humildade
como um pedinte
se aproxima
do carro de luxo
num semáforo.
Ó cacilheiro,
modesto trabalhador que
nasce, vive e morre
sempre com o mesmo mister,
com a mesma viagem,
repetitiva,
monótona,
mas prestando um serviço,
sendo útil,
indispensável,
com gente sempre à sua espera,
que o aguarda a olhar para o relógio,
como quem combinou com o namorado
um encontro.
Ó cacilheiro,
Tu, em que as gaivotas
tuas conhecidas
poisam na amurada
saudando-te,
lembrando-te quem és,
não te deixando sonhar com fantasias,
com luxos,
com atitudes que não são as tuas.
Tu és o que és
e nós queremos-te assim.

A CÃMARA DE LISBOA QUE NECESSITAMOS


No grupo de eleições que, este ano, vão ocorrer por cá, as municipais também fazem parte da possibilidade dos cidadãos participarem na escolha dos seus candidatos preferidos. E, naturalmente, o caso de Lisboa pertence ao conjunto que poderá manter-se como se encontra agora ou ser modificado se os eleitores assim o considerarem útil.
Ao longo dos vários anos que ocorreram depois da Revolução – e já antes constituía uma preocupação minha muito própria -, tenho, dentro da minha capacidade de contribuir com as minha opiniões escritas, feito as minhas críticas mas, sobretudo, apresentado várias propostas que, na maioria das circunstâncias, não foram levadas em consideração por quem se propunha encabeçar a presidência municipal. E, desde o ter-me atirado ao saudoso (como pessoa) Kruss Abecassis, pela ideia e concretização daquele monstro em pleno Martim Moniz, do centro comercial destinado a chineses, indianos, gente das áfricas e muita variedade de contrabandistas de produtos escusos, o que o fez amuar comigo durante algum tempo, até outras medidas tomadas por diferente camarários que deram provas de total falta de imaginação e bom gosto, a tudo assisti e a todos dediquei as minhas profundas discordâncias, sem que, na maioria dos casos, tivesse assistido a uma confissão de que, realmente, tinham enveredado pelo pior caminho e que quem pagou foi a nossa bela capital que, de dia para dia, tem vindo a ver estragada na sua beleza intrínseca.
A minha cansada luta para que o Terreiro do Paço, começando por expulsar dali os vários ministérios que deveria ser colocados num só local que, como sucedeu em Madrid, é chamado de “Barrio de los Ministerios”, substituindo-os por hotéis de charme que se encarregariam de colocar aquela zona dentro de um movimento de qualidade que é o que falta em toda a baixa lisboeta – o que, bem sei, é uma medida que pertence ao Governo tomar, mas que acabará por ser encarada, espero -, nesta altura o que se vê aos domingos é, nas arcadas da Praça do Comércio, uma série de vendedores ambulantes de produtos que ali ficam bem, como selos, moedas e outros artigos que mostram o nosso artesanato, mas que mereciam que as suas ofertas ao público fossem feitas em embelezadas mesas, ao mesmo tempo que seria agradável que se instalasse uma música própria da nossa cidade, o que prestaria um ambiente de gosto apurado. O que é preciso é só bom gosto e imaginação.
Agora, a notícia que surgiu de que não tinha sido levada em consideração a instalação de um bonito e confortável hotel de charme no lugar onde esteve, durante décadas, o tribunal da Boa-Hora, esse medo de proceder a mudanças que distingam o centro da capital e o torne bem visível aos nossos visitantes estrangeiros que levam sempre lá fora a ideia de que Lisboa não tem vida e que é uma cidade triste, apesar de ter todas as características para ser considerada como uma das mais belas da Europa, esse passo atrás dado pelos “chefes” que temos e que não são capazes de dar mostras de desenvoltura de imaginação, colocou-nos, de novo, no marca passo que insistimos em manter e de que não somos capazes de nos libertar.
Estas e outras medidas que podem ser levadas a cabo sem necessidade de dispêndios dos nossos fundos, porque há sempre empresários, nacionais ou estrangeiros, que estão dispostos a arriscar em iniciativas que prometem lucros, continuam por não ser encaradas.
Vamos a ver o que nos oferece de novidade o resultado do próximo movimento eleitoral para a Câmara de Lisboa. Estamos condenados a repetir sempre o mesmo prato, mesmo que estejamos enfartados com a comida enjoativa que nos é oferecida?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

SOMOS O QUE SOMOS


Somos o que somos
Fomos o que fomos
Nós os portugueses
Estamos onde estamos
Às vezes
Algo prestamos
Nem sempre !

Pouco confiantes
Agora e dantes
Somos assim
Algo descontentes
Até ao fim
Talvez crente
Nem todos

Já fomos enormes
Mesm’até disformes
Sem pulso p’ra tanto
A deixar fugir
Com espanto
O nosso porvir
Será ?

Podia ser pior
Ter’inda mais dor
Como diz o povo
Sempre paciente
Não movo
Daqui p’ra frente
E espero

Fé e esperança
Mas sem confiança
É o que nos resta
Com o que nós temos
Não nos falte a festa
Que sempre soubemos
Fingir

Valerá a pena
Cambiar a cena ?
Pergunta-se por fim
Há quem não duvide
Quem ficar assim
É que não progride
Eis-nos

E hoje, afinal
Neste Portugal
Em pleno apuro
Todos perguntamos
Que futuro ?
Se inda prestamos
P’ra quê ?

A ver a Europa
Com a melhor roupa
Comemos as unhas
Roídos d’inveja
E metemos cunhas
P’ra alguém que veja
Ao longe

Que grande distância
Dizemos com ânsia
Contando os tostões
Não há quem governe
E quem venha depois
Que sej’um alterne
Melhor

E o povo, enfim,
O que neste jardim
Aceita o qu’está
Temendo o pior
Que a muda trará
Tem sempre pavor
Do depois

Somos o que somos
E assim nos pomos
No fim da Europa
Fomos o que fomos
Já ninguém nos poupa
Assim como somos
Choramos !

SEXOLOGIA



Ter assistido, em mais do que um noticiário na televisão, a uma filmagem clandestina e à reprodução da voz de uma “professora”, dita da disciplina de História, a, na sua aula, tratar do tema da sexologia e questionar aos gritos os alunos sobre a sua virgindade e as práticas que seguem no exercício do relacionamento e de apetites na área sexual, para além de até se referir à sua prática com o seu marido, ter tomado conhecimento desse acto que, pelos vistos, não foi ocasional pois teve repetições em diferentes classe da mesma “senhora professora” que, se classificou ela própria de “senhora doutora”, fazendo referência à mãe de uma aluna que a teria interpelado antes revoltando-se contra o caminho que os ensinamentos na classe não tinham nada a ver com a disciplina de História, não podia ter deixado de impressionar todos os que tomaram conhecimento da inqualificável demonstração de loucura de quem tem uma profissão que só aponta numa direcção, a de instruir os estudantes e a prepará-los, com conhecimentos básicos para enfrentar a vida com a melhor bagagem educativa que for possível.
Ainda bem que uma aluna teve possibilidade de gravar aquilo que se passava na sua aula, para poder provar no exterior que aquele espectáculo degradante acontecia, pois, caso contrário, seguramente que não seria crível e as coisas continuariam a ocorrer sem possibilidade de lhes pôr fim.
Agora, o que espantará muita gente é que, sendo a gravação efectuada servido para suspender a referida professora, a utilização deste meio permitiu igualmente punir a aluna, por ter sido violado o n.º 20 do Regulamento Interno. Imagine-se!...
Sim senhor, que não seja permitido que os estudantes, dentro das salas de aula, utilizem telemóveis, gravadores e máquinas fotográficas, ainda se compreende, agora, que um aluno, pelo facto de ter consigo um destes aparelhos – o que não quer dizer que os utilize sem um motivo forte -, ser punido por, numa situação daquelas em que era evidente estar a passar-se um acontecimento que não poderia passar sem ser analisada pelos pais e pelos serviços superiores de uma escola, isso parece levar demasiado à letra o teor da determinação escolar.
Faz-me, no entanto, pensar o comportamento da referida professora. É que, ao terem sido ouvidos alguns alunos sobre a actuação da referida mestra, foram vários que se prontificaram a prestar-lhe aplauso e até em considerá-la como uma “boa amiga” e que se preocupava com eles, considerando-a como “espectacular”, que é o adjectivo agora tão usado pela rapaziada., acrescentando que recebiam dela apoio “sempre que estavam tristes”.
Sendo assim, a pergunta a fazer é se esta senhora que, pelos vistos, de História ensinava pouco, não teria utilidade em ser utilizada em classes facultativas de sexologia, o que, segundo parece, também faz falta preparar a juventude, coisa que nós, no nosso tempo, tivemos de aprender à custa de cada um e na vida prática. Para alguns resultou, para outros nem por isso…

quarta-feira, 20 de maio de 2009

POETAS

Isto de querer ser poeta
pode bem nada dizer
há os que acham uma treta
e não ter mais que fazer
nem saber bem o que quer

Quem vai compor poesia
com esforço irá tentando
na ideia de que quem cria
sem saber como e quando
lá acabará rimando

Mas também sem rima vai
usando seu versejar
pois o que mais sobressai
é o que fica no ar
aquilo que faz cantar

Só que o poeta em geral
não consegue que em vida
o achem ser genial
e só depois da partida
a fama lhe dê guarida

Poetas mortos há muitos
quantos terão produzido
em lampejos bem fortuitos
alguns graças ao Cupido
face a coração partido

Sentir a vida de frente
descobrir suas fraquezas
faz que haja alguma gente
sem esconder suas belezas
também cante as tristezas

Deixar em verso bem escrito
aquilo que na alma vai
é como quem solta um grito
que nem por isso atrai
quem do seu mundo não sai

Gavetas cheias de versos
à espera que alguém os leia
que saiam em livro dispersos
mesmo não sendo epopeia
mas que mostrem certa veia

Há editores valorosos
que acham que a poesia
não tem que ter nos saudosos
exclusivo de valia
não deixando que teimosos
possam ver a luz do dia

LOPES DA MOTA




Até parece que não temos por cá problemas que nos atormentem o bastante e que, por isso, desperdiçamos tempo com situações que, pelo menos para a maioria dos cidadãos portugueses, não têm o menor merecimento e cujas soluções não trazem qualquer acréscimo ao afastamento das dificuldades que temos de enfrentar. As forças tidas como mediáticas ocupam os seus poderes a chamar a atenção para situações que, em muitos casos, deixam indiferentes os portugueses que, nem sequer se apercebem bem do que se passa em relação aos temas tão divulgados.
É o que tem acontecido, por exemplo, com Lopes da Mota, nome só agora conhecido nas ruas e que exerce as funções de presidente do Eurojust, um organismo que também a massa popular não tem a menor noção de que se trata. E, segundo o que tem vindo a lume, aquele responsável pelo departamento europeu que coordena as investigações sobre o caso Freeport, o tal que envolve o engenheiro Sócrates e que se tem arrastado ao longo dos anos, ao ponto de não haver nada decidido quanto a culpados que tenham que ser levados a tribunal, pois Lopes da Mota parece que terá exercido influência junto de magistrados para que actuem em favor do actual primeiro-ministro.
Quer dizer, não bastava já que o problema Freeport continue a manter-se na obscuridade de apuramento do ou dos responsáveis, para se juntar agora outro mistério, este do homem que dizem ter tentado silenciar os intervenientes na busca de culpados. E lá vão os partidos políticos, que não terão outras matérias de extrema importância para tratar, entrar na questiúncula, uns a pretender que o visado apareça no Parlamento para prestar depoimento e outros a impedir que isso aconteça…
Por sua vez, o actual bastonário da Ordem dos Advogados, que, sempre que tem oportunidade, surge a mostrar publicamente as suas opiniões sobre factos que, como cidadão, o incomodam – e aí também se verifica existir uma guerrilha entre oficiais do mesmo ofício que, ou estão de acordo com o seu representante ou se situam do outro lado da barreira -, e em que, em lugar de se discutir o desastre em que se encontra a Justiça no nosso País e surgirem propostas radicais de rectificar essa desgraça que atinge todos os portugueses, o que acontece é que se aproveitou a barafunda criada à volta do caso Lopes da Mota para também aí acrescentar alguma acha para a fogueira da distracção.
Estamos condenados, cá em Portugal, a andar tempos sem conta agarrados a situações que, na maioria dos casos, não deviam distrair a população nacional do principal que se situa, neste período, no centro das preocupações nacionais e internacionais.
Já não se pode esconder mais que o futuro, próximo e mais longínquo, que nos aguarda é de verdadeiro tormento. Há os que defendem o princípio de que não podemos perder a esperança, pois que é isso que nos resta “enquanto há vida”. E ficarmos por aí. Mas, como se não tivesse bastado que, desde o período pós-Revolução, tenhamos andado enganados com a ideia de que somos ricos e de que a Democracia é isso, o termos todos o direito de gastar o que não temos – mesmo sem nada fazermos para que consigamos esse benefício -, teimamos em manter uma ideia que, quando chegar a realidade, então o sofrimento é muito maior do que se estivéssemos conscientes há certo tempo de que as circunstâncias não nos foram favoráveis e que, por cá, todos se endividaram e acordaram tarde para constatar que aquilo que se deve, mais cedo ou mais tarde, tem de ser pago!...
Então, por exemplo, estarmos já a rondar os 10 por cento de gente desempregada no nosso País, não é questão muitíssimo mais importante do que aquilo que, comparado com tal flagelo, não passa de reles mexerico a que pretendem que fiquemos atentos?

terça-feira, 19 de maio de 2009

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Pergunto-me com frequência: se tivesse nascido noutro País e lá continuasse a viver, o meu pensamento seria o mesmo que mantenho agora?
Se sim, então o Homem comporta-se, em relação ao exterior de si próprio e quanto a si mesmo, de acordo apenas com o seu modo de ser.
Se varia conforme o ambiente que o rodeia, nesse caso é de fora para dentro que funciona a forma de ser de cada um.
Eu prefiro ser como sou, independentemente do lugar onde vivo.
Só não sei se o consigo

AS ANDORINHAS

Em hora da mais profunda tristeza
Dessa que não se sabe bem porquê
Deixa a nossa alma indefesa
E fica da angústia à mercê

Nessa altura em que o apoio nos falta
Muita coisa nos pode ajudar
E entre elas uma que sobressalta
É a Primavera, ei-la a chegar

Plena de perfumes vindos das flores
Surgem ao de cima grandes amores
Na nossa alma soam campainhas

E para compor tão bela pintura
Entram e cabem na mesma moldura
Os voos rasantes das andorinhas

SALÁRIOS CHORUDOS


Aproximando-se a data da chamada às urnas dos portugueses que se interessam por escolher, em consciência, os partidos que entendem que serão capazes de responder com mais competência às necessidades e problemas nacionais, o natural é que essas organizações políticas se esmerem em dar mostras de que se encontram preparados para a disputa e, para isso, em vez de se preocuparem em atacar os concorrentes – luta essa que não leva a nada – antes apresentam quais as medidas que tencionam pôr em prática caso tenham o privilégio de ir a fazer parte do Governo.
E como há tantos problemas que se encontram em “banho Maria” há imenso tempo, há anos, não será assim tão difícil apontar medidas que caiam bem no ambiente popular e que, sem demagogias, não sendo necessário prometer o que se sabe que não será viável cumprir, constituam a demonstração de que, quem se apronta a exercer responsavelmente o exercício do poder, tem projectos que são exequíveis e que fazem parte das inúmera queixas que, a todos os momentos, se ouvem por onde passamos.
Pois, uma dessas questões que se encontra dentro das possibilidades de quem vier a instalar-se em S. Bento é meter mão, já e sem demoras, nos salários que auferem vários dos gestores de empresas públicas, seja qual for a percentagem do Estado no capital delas, e que, em bastantes casos, constituem verdadeiras ofensas à pobreza nacional. Para não falar também que esses encargos são suportados com o dinheiro que os cidadãos entregam à Nação para serem bem geridos.
Pois, um desses maus exemplos foi divulgado agora na Imprensa e refere-se ao que é pago mensalmente ao presidente da EDP, António Mexia, e que corresponde a 12 vezes mais do que ganha o Presidente da República. Essa notícia saiu no dia 11 de Maio, no jornal “24 Horas” e, se não corresponde à verdade, então deve ser desmentido quanto antes e esclarecida qual é, de facto, o ordenado de tal personalidade que comanda uma empresa que tem o exclusivo da distribuição de electricidade no nosso País, impondo as tarifas que entende e sem o custo dos utentes poderem mudar de fornecedor.
Este exemplo é um dos que, entre muitos, precisa de ser aclarado por quem se perfilar para discutir a vontade dos cidadãos nacionais no acto eleitoral.
Quem avisa amigo é dos que precisam de ideias e desejam vir a beneficiar das mordomias que um Executivo sempre oferece. Bem basta que, depois de colocados nos postos de comando, façam ouvidos surdos e não se interessem em acompanhar, com a maior atenção, aquilo que os portugueses tanto clamam e apenas considerem que são importantes as suas próprias opiniões.
Estamos fartos disso. Não queremos mais ter de suportar essa situação. Com ditadura, que Deus nos livre… mas com democratas autoritários, isso também não!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

MUNDO NOVO

Eu imagino um mundo todo novo
nada parecido com o que temos
albergando também outro povo
outro povo, porém com outros demos

Tudo nada igual ao que temos hoje
nem parecido sequer ao que há
se não, quero um sítio que m’aloje
que me acolha ou me acolherá

No futuro talvez isso aconteça
quem sabe se será a salvação
não é que a geração d’hoje mereça
outro planeta com melhor visão

Mas se não se der tamanho abanão
se tudo se mantiver como agora
nesse caso o que temos então
será a terra sumida de aurora

O ocaso põe-se todos os dias
lembrando os mortais no fim da vida
e que bom seria se as alegrias
sarassem de vez todas as feridas

As feridas com que o homem briga
as doenças, os desgostos, enfim
todos esses males que o obriga
a ser perverso e a ser ruim

Somente com homem diferente e novo
será possível um mundo melhor
podemos esperar algo de um povo
que lhe seja igual ir p’ra onde for ?

Borrar la pizarra y empezar de nuevo
dizem os espanhóis para animar
será que isso pode ter relevo
e a solução é essa: começar!

Segundo as Escrituras foi assim
Deus criou as coisas bem a seu gosto
haverá opiniões e por fim
faz falta ter um mundo mais composto

Já basta de castigo por pecado
oh! Maldita maçã que foi mordida
Eva e Adão pertencem ao passado
Não se quer a História revivida

Gritarão os ventos que a memória
faz parte do viver dos nossos dias
mas por mais que não se esqueça a História
não se pode viver só de agonias

Por mais certo que seja o Testamento
tantos milhões de anos que passaram
justificam que a força do vento
arraste as ideias que pararam

Há que pedir agora ao Senhor
com fé ou sem ela, mas com despacho
que Deus ordene o Paraíso pôr
onde ele faz falta, cá em baixo


EUROPA UNIDA



Eu fui um dos entusiastas pela Europa una, desde que comecei a tomar consciência das vantagens e da importância deste Continente funcionar a uma voz colectiva, no capítulo dos interesses que beneficiam todos em geral, reunindo num só bloco todas as diversidades que não se justifica que funcionem em contra-ponto uns com os outros.
E a partir do momento em que foi determinada a utilização da moeda única – que parecia, antes, ser uma das dificuldades mais longínquas de ultrapassar -, maior empenho pelo alargamento da área comunitária cresceu no meu pensamento. Mesmo levando em conta que, ainda hoje, existem alguns poucos países que se mantêm de fora dessa decisão importante de arredar da união a variedade de moedas, o que não se pode admitir que ainda se mantenha, até nesse particular há que manter a confiança de que, a breve trecho, se convencerão os extraviados de que a sua conduta os coloca distantes do espírito de conjunto que não pode deixar de existir, se a intenção é a de participar no objectivo principal.
Mas, há que reconhecê-lo, não tem sido tarefa fácil abranger todos os participantes na ideia fundamental de que uma Europa a caminhar toda para o mesmo lado, é a única forma de se atingirem os propósitos para que foi imaginada desde a primeira hora. Os homens, sempre eles, não sendo capazes de perder esse seu princípio egoísta de protagonismo de lideranças, têm sido os causadores da lentidão e, até por vezes, retrocessos em fazer caminhar na boa direcção todos de uma só vez, pelo que ainda se encontra por firmar por todos os participantes o Tratado de Lisboa, seja olhado com alguma desconfiança o tema dos direitos humanos e a política externa europeia não siga um tratamento uniforme por todos os participantes, isso entre outras questões que se vão prolongando a aguardar que alguns acabem por desistir de pormenores.
Enquanto não se generalizar a ideia de que a Europa somos todos nós, europeus, e não cada um a defender as suas ideias nacionalistas, enquanto a Constituição Europeia não for aceite com a vontade de unir e não de dividir, enquanto a aplicação da justiça não tiver equivalência em todos os participantes e os programas governamentais de cada nação não assentarem basicamente nos princípios da unidade europeísta, ainda que atendendo às particularidades de cada caso, enquanto se mantiverem sejam quais forem os intentos divisionistas no seio da Europa da comunhão, então estaremos distantes do ideal que é existir uma força capaz de fazer frente a todos os tipos de crises que possam surgir do exterior. E, na situação que se vive actualmente, melhor do que nunca se tem de compreender esta realidade.
Que é fundamental manterem-se as características de cada povo, os seus fundamentos históricos, as suas tradições, as suas línguas, os seus hábitos e costumes, isso é uma realidade que não pode ser afastada. Mas o que não deve é constituir um obstáculo a que se unam as forças no sentido de se poder beneficiar das vantagens que representa o darem as mãos todos ao mesmo tempo e de se protegerem uns aos outros.
Será que podemos manter esperanças de que objectivo final será conseguido? Podemos confiar que os homens europeus terão a capacidade de caminhar no sentido certo?
A ser positiva a resposta, não será já amanhã que a obteremos. E até à decisão final ainda se depararão muitas contrariedades e bastantes retrocessos.

domingo, 17 de maio de 2009

GERAÇÃO SOFRIDA

Que esperanças tinha que houvesse Abril
o que eu ansiava por fim do inferno
bem dentro guardava sonhos mil
e que apodrecesse o que era governo

Levou tempo, tempo demais, demais
vivi o antes até demasiado tarde
passei por excessivos vendavais
tropecei em muita gente cobarde

Até que chegou, não era sem tempo
veio com armas, não era o ideal
para tantos terá sido um contratempo
não estava no programa tamanho funeral

Foi a euforia, a loucura nas ruas
tirou-se o tampão da garrafa fechada
tal como quem tira por fim as gazuas
do portão de uma quinta trancada

Uns quantos tinham razão de estar felizes
terão sofrido muito até então
não tiveram conta por quantas crises
passaram, apenas por dizerem não

Mas terá sido assim com a maioria,
toda essa gente que se mascarou
vestiu a farda do revolucionário, seria,
por dentro aquilo que mostrou ?

Quantos apanhada a carruagem em giro,
não foram os que ganharam com a troca ?
Fizeram tal e qual como o vampiro
e puseram-se, matreiros, bem à coca

Como ganharam com isso os aproveitas
chorudo futuro festejaram
valeu a pena a troca, largas colheitas
tiraram do campo que outros lavraram

Aqueles que tinham idade para tanto
e passado que sangrava em ferida
quase que foram postos a um canto
tratava-se, afinal, da geração sofrida

Sofrer antes e sofrer depois é muito
não é justo, há que reconhecer
poderá não ter sido esse o intuito
mas é algo que dá para entristecer

Geração sofrida, tem que se dizer,
ela existe, obscura e triste,
a juventude nem pode agradecer
ninguém mostrou e disse em que consiste

E assim se vai escrevendo a História
com lacunas, esquecimentos, inverdades
a geração sofrida escapa à memória
quem não sabe não alimenta saudades

Geração sofrida,
O que não pode estar é arrependida

GUERRA MUNDIAL



Toda a gente que não sentiu directamente os efeitos da Guerra Mundial, nem mesmo ao ter decorrido há dias o 64.º aniversário do fim desse flagelo, se pode dar conta do que representou essa convulsão universal que alguns, ainda conservados, viveram. Mesmo que Portugal não tenha participado directamente no conflito, não se deixou de, por cá, tomar contacto com os efeitos da referida catástrofe, sobretudo na falta de produtos principalmente alimentícios e com racionamentos impostos.
O momento de crise económica, financeira e social que se atravessa faz recordar, de certa maneira, as carências daquela época de conflito, se bem que, nesta altura, seja a pequenez do poder de compra que mais se reflecte no dia-a-dia dos cidadãos.
Seja como for, quem hoje tem uma idade superior a 70 anos, quem, mesmo que ainda criança na altura, tenha participado nas enormes filas que se formavam para adquirir alguns elementos essenciais à alimentação, como são o azeite, o arroz, o açúcar e até o pão, tendo de gerir muito bem as senhas de racionamento, não pode deixar de estabelecer um paralelo com as dificuldades passadas em tal período.
No entanto, esse exercício de estabelecer uma relação entre as duas épocas provocará uma tendência para tentar comparar as suas situações e estabelecer qual das duas será a mais difícil de suportar. É que, para se adquirirem produtos alimentares essenciais à vida da família se tornava necessário assumir diversas habilidades e passar longas horas da noite em “bichas”, mas, para se conseguir dinheiro, que é o que escasseia cada vez mais, não há fila que valha… E também para se arranjar emprego, seja qual for a idade do pretendente e a preparação académica de que disponha, há quem se mantenha meses e até anos na esperança de alcançar tal desiderato.
Daí que não se possa considerar tão disparatado estabelecer este paralelo. É que, actualmente, em que não se descortina forma de pôr fim a esta arrasadora crise internacional e em que, por toda a parte, se contempla o espectáculo degradante da queda social de famílias inteiras, com os filhos sem poderem ser atendidos, as percas das residências e as carências de alimentação, numa palavra, com a miséria sem tréguas a atacar gente que não tinha experiência em defrontar-se com as faltas de tudo, não será assim tão estranho que se ponha a questão de se não estará a fazer falta uma guerra que, por um lado reduza o excesso de população que atingiu proporções insustentáveis para o que a produção mundial pode suportar e, por outro, transforme o desemprego em abundância de trabalho para todos. A construção civil, essa, pelo menos, beneficiará muitíssimo com as destruições. Mas não só essa.
É verdade que um texto deste tipo provoca a revolta em muita gente. A mim também, que o escrevi. Mas, perante a incapacidade, já admitida universalmente, de não se saber se e quando se porá fim de vez à situação aflitiva que se atravessa há já demasiado tempo, em vez de assistirmos a este estado de definhar cada vez mais, tal como sucede com os transtornos de saúde que obrigam a cortar uma parte do corpo para o resto se salvar, assim também poderá ser a forma de revitalizar o mundo de uma enfermidade lenta e crónica, essa que, como agora se assiste, torna os ricos cada vez mais ricos e os miseráveis sucessivamente com mais carências.
É doloroso ter de admitir esta possibilidade. Lá isso é. Mas se não existir outra alternativa?

sábado, 16 de maio de 2009

DIREITOS E DEVERES


O Homem tem seus direitos
os gregos foram primeiros
e a Demo com seus defeitos
teve aí os seus obreiros

Os romanos se seguiram
as Doze Tábuas criaram
mas os plebeus não se riram
longe dos nobres ficaram

A Revolução Francesa
fez algo p’lo cidadão
trouxe alguma firmeza
na sua Declaração

Mas só a França lucrou
a Europa estava fora
e o mundo nem se atinou
com tais sinais de aurora

Foi precisa uma guerra
que espalhou p’lo Universo
malefícios de quem erra
mostram o Homem perverso

No fim as Nações Unidas
lá do Homem se lembraram
p’ra tapar muitas feridas
a Declaração criaram

A segunda, a que existe
extensiva a todo o mundo
mantendo o dedo em riste
mas pouco eficaz no fundo

Muçulmanos, por exemplo
tolerância não conhecem
e mesmo crentes no templo
as mulheres só obedecem

Respeitar opiniões
é coisa que não aceitam
provocando explosões
aos que no Islão rejeitam

Porém há tantos que tais
que aos outros não dão direitos
e mandando querem mais
julgando-se até perfeitos

Pois todas as ditaduras
de quaisquer ideologias
têm as mesmas posturas
de severas tutorias

Mas de direitos falando
úteis p’ra todos os seres
é bom não ir olvidando
que também há os deveres

Uns e outros são irmãos
até gémeos por sinal
e todos os cidadãos
devem ter esse ideal

Direitos têm de haver
essa regra é de ouro
mas deveres não esquecer
fazem parte do tesouro

Nunca é demais lembrar
quem os direitos quer ter
que os deveres têm de estar
ao lado de cada ser

CRIMINALIDADE



Acontece seguramente a todos os que têm por propósito escrever artigos com regularidade: ao acompanhar a comunicação social escrita, sempre que deparam com um tema que pode servir de base a um texto próximo, recortam a página e guardam-na para ser lida mais pausadamente na altura em que vai servir de inspiração. Algumas vezes esse artigo acaba por ser redigido, mas outras vezes não, pelo que, com o tempo, se vão acumulando, o que obriga a que, periodicamente, seja limpo esse arquivo improvisado, com lástima por não ter sido escrito o que estava previsto.
Pois passou-se isso mesmo comigo e já depois de ter redigido o parágrafo acima. Ao tomar conhecimento de que a PSP, depois desta ter sido confrontada com a entrevista televisiva prestada por um participante nos tumultos ocorridos no Bairro Azul da Bela Vista, em Setúbal, analisou o seu cadastro e procedeu a uma busca domiciliária. E, com tudo junto, encontrou matéria suficiente para o deter, incluindo um cocktail Molotoff e outras provas da sua má actuação. Foi um e quantos não se encontrarão em idênticas condições?
Mas o que ocorreu depois, quando o juiz de instrução decidiu julgar o caso? Simplesmente ordenou apenas que o detido ficasse sujeito a apresentações semanais na esquadra da PSP local!... E assim se ficou perante uma situação de indiscutível gravidade!
O problema não é, de facto, de resolução fácil. Constitui uma questão de ordem social, sem dúvida, mas não é exclusivamente isso. Não se trata apenas da cor negra dos participantes que enfrenta problemas de falta de recursos, para além de não ser forma de encararmos este tipo de situações quando os complexos racistas tomam conta das situações que devem ser encaradas. As leis que castigam as criminalidades devem ser aplicadas sejam quais forem os tipos ou grupos de pessoas que prevaricaram. Aqueles que são atingidos pelo mau comportamento de uma minoria populacional não têm de sofrer com a falta de vigilância ou a ausência de punição por parte daqueles que são pagos pelo Estado para manter a ordem.
Se se organizam grupos violentos de protesto pelo facto de um elemento da sua etnia ou classe de amizade ter sido preso ou mesmo acidentalmente morto quando enfrentou a força policial, não pode assistir-se a manifestações de protesto, e ainda por cima quando utilizam meios destruidores e desafiantes. Não podemos assistir a campanhas de amedrontação provocadas por gente com atitudes separatistas. E, ainda por cima, quando o alvo da revolta se tratou de um tal Antonino, que desde tempos recuados tinha participado em assaltos, roubos e em agressões violentas e foi apanhado com um carro roubado momentos antes.
Já chega de crises de que não se conhecem ainda formas de a solucionar. A grande falta de trabalho, para os que o querem ter, é, sem dúvida, só por si, uma enfermidade social de monta que pode conduzir a caminhos que, noutras circunstâncias, não ocorreriam. Ter família e não ter recursos para lhe dar nem sequer alimento, faltarem os meios mínimos para ser cumprida uma missão familiar por muito modesta que seja, quando se chega a essa situação tem de ser entendida a perca de cabeça que leva a um menos bom comportamento. Mas, se a condescendência das autoridades for ao ponto de não actuar dentro das regras para evitar que essa mancha já se situe dentro dos foros da criminalidade, então o que se pode esperar é que, de um dia para o outro, surja um confronto de forças populares cujas consequências são sempre difíceis de imaginar.
Foi assim que já nasceram algumas guerras civis!...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

DEIXEI DE FALAR

De repente, perdi a palavra
deixei de falar
fiquei mudo
nenhum som sai da minha boca
as mãos não chegam
para me expressar
só por escrito
posso transmitir o que me vai na alma
mas ninguém está disposto
a conversar comigo
só a ler o que eu escrevo.

Eu oiço, mas não falo,
faço caretas
para mostrar se estou satisfeito
ou triste
se concordo ou discordo
mas não exponho os meus pontos de vista
não consigo manter um diálogo
para além do curto sim ou não
e o uso da mímica
não chega para ser expressivo.

Por isso, uso o papel
e a caneta
como sempre fiz, antes, quando falava
mas é como quem argumenta sozinho
sem se ouvir
sem ter uma ideia do tom que deve utilizar
sem perguntas
sem respostas
e só sim porque sim
ou o contrário




As mesmas caras, as mesmas vozes, as mesmas frases,
o mesmo comportamento, tudo igual há 30 anos neste País.
A monotonia instalou-se, o grupo de privilegiados é sempre aquele,
desinteressante, enfastiador, repetitivo.
Por isso nada muda, nem melhora.
Portugal continua igual a si mesmo,
mas sempre há aqueles que se sentem satisfeitos com o que os rodeia.
E fazem o possível para manter o status quo.

JORNAIS



Quem, desde que se interesse pelo que se passa à sua volta ou mesmo mais distante, é cliente habitual dos jornais, os diários e os outros, e, num momento em que é forçoso fazer contas antes de se dirigir ao quiosque que vende publicações, como todos os dias faço, entende que se tem de enfrentar a realidade e reduzir o seu consumo, nesta altura da crise vê-se forçado a diminuir o gasto desse “pasto espiritual”, como lhe chamava um amigo que também era habitual consumidor de tal alimento.
Verdade seja, há produtos que se podem considerar mais de primeira necessidade do que os periódicos noticiários. Por isso, em plena época de redução de despesas, catalogando o que se gasta e que pode passar a ser omitido dos costumes, esse dispêndio situar-se-á numa primeira fila, até porque, mesmo que não seja do agrado, sempre se pode recorrer à análise dos computador e buscar aí as noticias que saem diariamente. E que muita gente já se encontra nessa situação e deixou de considerar indispensável adquirir um, dois ou três periódicos, essa demonstração tenho-a eu através das queixas que passaram a fazer parte da conversa do João, o proprietário do quiosque que me atende há anos, que pinta sempre o panorama que está a viver, apontando os diversos títulos e enumerando a quantidade de invendidos que está a devolver diariamente aos distribuidores. E, segundo a sua descrição, é cada vez maior o monte de jornais e revistas que voltam para trás por não encontrarem compradores.
Os editores de periódicos lá vão inventando acessórios para juntar às suas publicações, por forma a tentarem os leitores a escolher os seus títulos. E, segundo o João, é cada vez mais difícil arranjar espaço para guardar os copos, os talheres, os dvd, os volumes que são oferecidos e todo o tipo de outras bugigangas, não sendo por aí que se conseguem aumentar as tiragens daqueles títulos que não conseguem convencer os leitores fugidios.
Por outro lado, embora esse aspecto não seja, por completo, do conhecimento do público, a publicidade, que é o suporte mais importante nas receitas dos meios de comunicação, incluindo, está bem de ver, a televisão, tem vindo a reduzir-se de dia para dia, o que obriga a que cada um procure defender-se como pode e recorra a preços mais baixos e, sobretudo, as ofertas de bónus constituam uma maneira de atrair a canalização dos anúncios, mas mesmo assim está a ser cada vez mais difícil suportar os gastos que cada empresa do ramo tem de enfrentar.
Só quem já passou pelo calvário de pretender aumentar as vendas ou as audiências televisivas ou radiofónicas é que pode compreender a angústia de, por lado, não faltar a prestar o serviço informativo credível e, por outro, não entrar em manobras escuras de atrair esse público, seja a que preço for, incluindo o campo das difamações, das mentiras jornalísticas e dos escândalos.
Por aqui me fico. Deixo à imaginação dos meus leitores o porem-se no lugar dos responsáveis pelos órgãos de comunicação. E, nesta fase de crise profunda, não vale a pena pôr mais na carta, dado que todos compreendem o que representa a necessidade de fazer com que o dinheiro dê para suportar os gastos mensais obrigatórios…

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Crescer sem voltar a aprender,
sem recordar o aprendido
e sem se esforçar para não esquecer,
é perder todo o tempo de que dispomos
sem aproveitar o essencial da vida

A VELHINHA

Velha, velhinha, à minha porta dorme
Envolta em trapos, num volume enorme
Guarda em seus sacos relíquias, saudades
Lembranças boas, também de maldades

Já viveu melhor, talvez confortável
A vida traiu-a, não foi afável
Teve a sua casa, mesmo que alugada
Perdeu o que tinha, ficou sem nada

Agora a pobre anda pelas escadas
De dia, os jardins são o seu conforto
Depara às vezes com portas fechadas

Um saco, porém, não perde de vista
São cartas, senhores, pequenos nadas
D’alguém que deixou p’ra trás uma pista

FAVORES



Já ninguém procura esconder esta realidade: Portugal, nesta fase, em que nos encontramos, dá mostras de estar envelhecido e de continuar, neste caminho que se apresenta, a aumentar o número de gente idosa. E é o próprio Instituto Nacional de Estatística que prevê que, daqui a cinquenta anos, haverão 271 idosos por cada 100 jovens, isto levando em conta que o nosso País contará com dez milhões de habitantes e que esse número se deverá ao volume migratório e a níveis de fecundidade elevada resultante dessas populações oriundas do exterior.
Ora bem, a dúvida que será legítimo levantar é se as características do povo português, nessa altura, se manterão como têm vindo a ser uma constante desde tempos remotos e que ainda hoje constituem uma espécie de marca própria. O comportamento dos portugueses tem um estilo muito seu, e quer as demonstrações favoráveis quer as outras, ambas têm estado na base dos resultados que obtivemos e que continuamos a conseguir. Quanto ao futuro, aos anos que ainda vêm a uma certa distância, ninguém pode fazer uma antecipação segura.
Mas, ao analisarmos o que se passa à nossa volta neste rectângulo situado na ponta final (ou inicial) da Europa, sobre isso temos possibilidade de verificar que alguma coisa desfigura o que deveria já ter sido rectificado, especialmente por parte dos governantes que, por mais que se apontem deficiências de execução e se alvitrem caminhos mais certos, no que diz respeito ao Governo de Sócrates - e não podemos pensar noutra coisa - não há forma de encontrarmos uma saída, de que tanto precisamos, desta situação dramática que atravessamos.
Bem pode o próprio Presidente da República pedir rigor nos investimentos públicos, sobretudo nos casos de teimosia socratiana de prosseguir com a ideia de obras públicas que, ou são desnecessárias ou seria aconselhável que essa situação fosse enfrentada só mais tarde, quando as finanças públicas o puderem suportar sem sacrificar outras exigências. Mas o Executivo mantém as orelhas mocas e faz questão de deixar dívidas para os vindouros, quando os responsáveis de hoje, que já se encontrarão reformados, não tiverem que prestar contas ao País.
E, a propósito de reformados, no caso do pagamento das respectivas reformas, bem se podem preocupar os que tiverem que sofrer as consequências de existirem mais velhos do que novos. Conseguirá esta minoria descontar o bastante para manter os que trabalharam antes e depois têm direito a ser recompensados? Que medidas são hoje tomadas de molde a precaver essa maldição que não é preciso ser-se pessimista para imaginar tal possibilidade?
Mas, muito mais há a criticar os que, nos dias de hoje, já que não têm meios para superar a crise pelo menos que não a agravem com sonhos delirantes. Que, por exemplo, metam mão nas regalias de ordenados sumptuosos e outras mordomias que continuam a ser atribuídos a administradores em instituições ligadas ao Estado, como se pôde ler na notícia saída de que o Banco de Portugal fixou o pagamento de um salário mensal de 19.500 euros ao administrador provisório do Banco Privado Português e acrescentou na nota que aquele funcionário tem direito a todas as regalias de natureza social, para além, está bem de ver, de uma viatura para utilização pessoal.
Será, portanto, por isso que existe a preocupação, por parte daqueles que têm nas mãos a condução da Pátria em diferentes sectores, de garantir uma reforma áquelas que hoje se enontram em posições de destaque? Se sim, teremos neste caso um exemplo.
E esta é uma pequena amostra do que ocorre por aí, em que os favores são prestados uns aos outros, porque nunca se sabe o que pode passar amanhã e é bom garantir que os que são agora favorecidos não se esqueçam de que podem vir a ter nas mãos decisões que interessem aos que agora são os favorecedores.
Ora aqui está uma característica dos portugueses. Mais uma vez pergunto: será que se vai manter, pelos anos fora, esta situação de que é bom “ir pondo as barbas de molho” e, para isso, há toda a conveniência em salvaguardar a necessidade de recordar que “agora fiz por ti… depois fazes tu por mim!”?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

BURROS


Ter sempre razão
É tão doentio
Como a discussão
Vem do mau feitio

Não saber ouvir
Fechar-se ao diálogo
É como cair
Num triste monólogo

Aqueles que insistem
E são tão casmurros
Enfim, não desistem
O que são é burros

E mesmo na hora
De partir p'ra outra
Se já estão de fora
Dizem que estão noutra

Se fica p'ra trás
O mal que foi feito
Já tanto lhes faz
Estão noutro pleito

Mas nada já muda
Seguem sem razão
Até sem ajuda
Têm ares de leão

São burros, são burros
Dizem os sensatos
Mas eles dão urros
E chamam-lhes chatos

Então na política
São mesmo teimosos
É a ver quem fica
Sempre mais vaidosos

Quando muda a coisa
Outros lhes sucedem
P'ra partir a loiça
Licença não pedem

O povo assim fica
A chuchar no dedo
E já nem critica
Tem medo, tem medo

Na vida, afinal
Quem ganha tem lata
Meter não faz mal
Na poça, a pata

Os burros quem são
Pergunto por fim
São os que no chão
Dizem sempre sim

Burros, pobrezinhos
Nobres animais
Esses, coitadinhos
Não são seus iguais

PS E PSD JUNTOS?



Nem sempre o que parece irreconciliável é assim tão difícil de solucionar como dá ideia à primeira vista. Basta que as circunstâncias se alterem e os prejuízos com o manter teimosamente uma posição não possam ser ultrapassados e logo uma das partes em litígio, se não forem mesmo as duas em simultâneo, dá o braço a torcer e se prontifica a rectificar uma posição que parecia antes ser irredutível.
Não será este o caso do que se está agora a passar com o PS e o PSD?
Até se compreende que, a esta distância das eleições que se aproximam, os dois partidos políticos tomem a posição de galos de capoeira, pois que cada um não pretende criar a imagem, perante as galinhas que se situam no mesmo espaço, de que não vai sair vencedor absoluto na luta que irá ocorrer para mostrar qual dos dois fica a mandar, sem possibilidade de contestação válida por parte do outro galo. Que, por muito que o vencido cante não lhe chegue a força de voz para se impor ao vencedor.
Porém, quando os dois empertigados, após terem escutado os pontos de vista possíveis no interior do galinheiro, chegam à conclusão de que as circunstâncias se terão alterado em relação à contagem feita tempos atrás, e que nenhum dos dois galináceos conseguirá o aplauso de uma maioria comportável que não permita a outra parte destruir o comando absoluto naquela área, então o que entendem dever fazer é a criação de um apaziguamento, mesmo a contra-gosto, das duas posições e começar a combinar uma forma de entendimento com o objectivo de conseguirem o apoio de uma percentagem confortável de galinhas, já que os seus ovos, que são a base de sustentação de todo o conjunto, se faltarem ou não forem mesmo em quantidade suficiente para permitir uma vida longe da miséria, irão provocar uma revolta generalizada com o propósito de conseguirem uma modalidade diferente de convívio, provavelmente com o aparecimento de um galo oportunista que se aproveitará do desentendimento para, sem querer saber quais são as opiniões de toda a população galinácea, passe a impor a sua única vontade. Existe ainda uma possibilidade que tem de ser levada em conta: a de que os dois galos mais bem situados para, num acordo firmado, se disporem a tomar o comando, mesmo assim não pretenderem querer assumir as grandes responsabilidades que passam a cair sobre as suas asas, encarados que sejam os enormes problemas que se vão agravar ainda mais nos tempos que se aproximam. Pois, nesse caso, não chegarão dois galos para tomar conta do comando do local onde se movimentam os galináceos e haverá que recorrer à intervenção de, pelo menos, mais um parceiro para, mesmo tendo-se mostrado sempre mais crítico em relação à administração dos ovos, nessa altura haverá que aceitar mais esse interveniente para não serem criados obstáculos à conduta do conjunto.
Dando o salto do subentendido panorama do galinheiro para a realidade portuguesa, com a população humana cansada de suportar maus-tratos, sem descortinar uma escolha que garanta sermos capazes de gerir o momento difícil que ocorre em todo o mundo e se vai agravar nos próximos tempos, se os “galos” que existem por aí não forem capazes de colocar os interesses do País acima das conveniências partidárias e até pessoais, então temos de estar preparados psicologicamente para uma situação que não haverá português que tenha capacidade de suportar.
Não haverá, é como quem diz, porque, no meio da multidão de necessitados que compõem o manancial de nacionais, há sempre aqueles que, tendo-se aproveitado da situação que se tem vivido, foram capazes de ir acumulando riquezas e, seja qual for o panorama político que possa surgir, cá dentro ou noutro qualquer sítio protector, poderão sempre enfrentar as situações. Mas esses, só se houver castigo divino, é que um dia pagarão…

terça-feira, 12 de maio de 2009

EMIGRANTES PORTUGUESES

Portugueses emigrantes
que partistes à deriva
estais melhor do que antes
daí a alternativa

Sem saber falar a língua
do país que te acolheu
foi mesmo sair à míngua
de quem por aí se benzeu

Chegados p’ra trabalhar
onde seja e o que seja
é preciso começar
por vezes dura peleja

Mas o espírito de luta
grande ânsia de viver
faz com que qualquer labuta
seja aceite p’ra vencer

Sacrifício, economias
e força p’ra trabalhar
sem tempo para folias
e nunca desanimar

Submissos mas contentes
respeitadores do à volta
são aceites pelas gentes
nunca expressam revolta

Trabalham mais do que todos
produzem com ambição
juntam dinheiro a rodos
p’ra regressar à Nação

Se voltam nunca se sabe
pois filhos nascem lá fora
e a decisão só cabe
no tempo exacto e na hora

Seja como for então
a pergunta sempre fica
não sendo seres de ficção
que mistério os modifica?

Porquê os que cá estão
como os outros portugueses
só sabem dizer que não
e ao trabalho poucas vezes?

Se dentro das nossas portas
fôssemos como os de fora
não havia horas mortas
nem havia que ir embora

Portugal outro seria
competindo com maiores
grande inveja causaria
sem precisar de favores

Só que quando os emigrantes
ao solo pátrio regressam
ficam logo como antes
e na moleza tropeçam

Será pois do nosso solo
ou do Sol que alumia
que não se encontra consolo
e se perde a energia?

Se não há superstições
e a verdade outra será
é porque lá fora os patrões
não são iguais aos de cá?

Que responda quem souber
e pertença aos temerosos
com sindicatos teimosos
a lutar é de temer

Fica cada um na sua
a cura é bem remota
a mudança não se nota
e o mal não se atenua

Leis do trabalho estão
fora da realidade
e sendo esta a verdade
não se verá solução

MAUS COMPORTAMENTOS



As polícias portuguesas, especialmente nesta altura a PSP, andam na boca dos cidadãos, em virtude dos desacatos de grande monta que se têm verificado em diferentes bairros tidos como problemáticos, como é o caso, por exemplo, do da Belavista, em Setúbal, onde existem os chamados “gangs” que praticam movimentações, até com ataques a esquadras policiais, incluindo disparos com armas de fogo, não se ficando por aí pois os incêndios em automóveis e outras malfeitorias altamente criminosas, tudo isso tem lugar e não se encontrou ainda forma de pôr cobro a tais distúrbios tão perigosos.
Como é que a população tida como normal pode confiar na segurança que os profissionais das vistorias policiais devem conceder-lhes? É com deslocações de efectivos, de mais de uma centena dessas forças, prolongando-se a sua presença até por mais do que uma noite, em que, no final, somente detêm um eventual perturbador da ordem, por sinal até menor, que se conformam e dão como concluída a sua missão? E foi isso que sucedeu nesta altura.
Verifica-se que a maior parte dos perturbadores da ordem pertencem a grupos étnicos que, embora bastantes tenham nascido em Portugal e, por isso, tenham a nacionalidade portuguesa, não podendo, por isso, ser considerados como imigrantes directos, ainda que sejam, em grande parte, descendentes de populações que terão chegado anteriormente de vários sítios de África, não é por isso que podem ser ilibados das responsabilidades cívicas que lhes cabem. Também, em igualdade de circunstâncias, residem nessa área etnias ciganas, as quais, por sua vez, mantêm más relações com os de cor negra.
Seja como for, não interessa saber qual o tom da pele nem qual o estilo de vida em grupo que seguem na sua permanência entre nós. Todas as cores, todas a raças, todas as religiões têm de se sujeitar às leis que temos e devem comportar-se dentro das normas que nós, em Portugal, seguimos. As leis são iguais para todos e as obrigações e deveres que cabem a cada um são exactamente as mesmas sem exclusão de situações particulares.
Agora, o complexo que se verifica em demasia de não enfrentar a necessidade de serem executadas as punições que estão previstas, sendo mal visto que as polícias utilizem, à partida, os meios de que dispõem para pôr ponto final nas situações em que até são agredidos com pedras e mesmo com tiros e depois, sejam os tribunais a entrar rapidamente em funções, aplicando a legislação que consta dos códigos, por forma a que não se verifique a soltura imediata de quem é apanhado em flagrante, o que permite criar o espírito de impunidade e de não terminarem os maus comportamentos que se estão a generalizar para além do que seria suportável pelos cidadãos comuns e correctos, que não entendem as excepções judiciárias que se implantaram no nosso País.
Basta de se assistir a este regime de mau comportamento por parte de gente que, tendo sido acolhida no nosso País para poder levar uma melhor vida do que tinha nas suas origens – mesmo que se tratem de descendentes de imigrantes -, pois que, se não formos capazes de impor a justiça correcta e rápida em todas as áreas, então teremos de ser nós a procurar um outro país onde nos defendam das anormalidades de comportamento.Emigrantes, os portugueses têm sabido ser, ao longo das diásporas que têm muitas décadas de prática, bem comportados. Então temos de suportar os maus imigrantes que aqui se instalam?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

ESQUECIMENTO


Esqueço-me de tudo e de nada
do importante e do singelo
e de forma desvairada
já não sei se vou fazê-lo
e até o que eu prometi
e do que nunca esqueci
o olvido é constante
o puxar pela memória
é acção de cada instante
dava p’ra longa história
pôr em ordem todo o drama
a lista dos esquecimentos
que arde como uma chama
e que voa com os ventos

Este esquecer sem fim
me faz olvidar de mim

FEIRA DO LIVRO



A Feira do Livro, em Lisboa, cumpriu mais um ano a sua presença no parque Eduardo VII, deixando os lamentos daqueles que a gostavam mais de a percorrer ao longo da avenida da Liberdade, como acontecia anos atrás, o que é o meu caso, pois, para além de não ser necessário subir as duas encostas, de ambos os lados, para poder meter o nariz em todos os stands que se perfilam, provocava uma maior aproximação dos visitantes que, pelo que representa aquela exposição e venda da produção literária, sempre é bom dar maior convivência aos que se consideram membros de uma classe que está cada vez mais diminuída e que tem o cognome de “ratas das livrarias”.
Pois eu, desde que há muitos anos atrás comecei o meu percurso de trabalho a prestar a minha actividade na Livraria Bertrand, tendo a meu cargo a secção de assinaturas de publicações estrangeiras, fiquei, desde então, amarrado aos livros, aos seus autores, cujos nomes mantinha de cor, e aos editores que, nessa época, eram pessoas com quem se conversava e trocava opiniões e ideias. E ajudaram-me muito nessa paixão personalidades literárias que comungavam comigo os seus ideais, incluindo os políticos e contrários do situacionismo que então existia, entre eles Aquilino Ribeiro que, à hora do chá, tomava comigo o seu cafezinho ali em frente, no saudoso Café Chiado.
Na minha ronda pelo conjunto, como sempre faço, preocupei-me em obter catálogos editoriais da maioria dos stands que os tinham, para analisar em pormenor os tipos de edições a que se dedicam e para contactar algumas no sentido de propor o interesse pelos originais que tenho prontos para que algum responsável editorial me contacte, no sentido de averiguar se vale a pena investir neste pouco exibicionista autor de trabalhos, em poesia, ficção, teatro e o que for do gosto dos que têm de arriscar para ver se as obras pegam junto do público.
Na verdade, não tenho habilidade para andar de volumes debaixo do braço a bater às portas dos encarregados em descobrir “génios” em potência, pois que os nomes que estão na moda e que são os que mais interessam às editoras, têm de ser caras conhecidas da televisão, ou porque entraram num “Big Brother” qualquer, ou porque são gente dos futebóis ou a eles ligados ou então locutores e apresentadores televisivos que nem precisam de mostrar grande talento para despertarem o interesse junto do público que deseja saber os seus segredos amorosos ou o que têm a contar sobre a sua vida privada.
E lá fica a Feira do Livro deste ano, a que deveria ser um verdadeiro local que abrisse o apetite dos que se dedicam pouco a leituras, com zonas apropriadas em que, de passagem, fosse possível tomar contacto com obras que seriam postas à disposição para, em lugares confortáveis, poderem ser apreciadas, com uma música de fundo acolhedora, e até talvez uma bebidazinha que refrescasse o ambiente, lá fica, um ano mais, sem acrescentar nada ao que já é conhecido.
Mas isto sou eu a recorrer, como sempre, a uma imaginação que é o que mais falta, agora e sempre, nos meios em que seria aconselhável não fazermos sempre igual, a mesma coisa, a rotina. Deixem-me sonhar…

domingo, 10 de maio de 2009

CERTEZAS



Mas que bom é ter certezas
e nunca se enganar
é para dissimular
muitas de outras fraquezas

Não se pode acreditar
em quem se julga perfeito
porque um ser sem defeito
deve ser de agoniar

Por pequenina que seja
qualquer saída da norma
é ser-se de qualquer forma
alguém que às vezes graceja

Mas são assim os sisudos
e por certo convencidos
têm de ser atrevidos
e estar muito tempo mudos

Reconheço erros meus
não me deixo equivocar
estou-me sempre a enganar
tal qual sucede a Deus

Quando aceita homens desses
que se julgam infalíveis
o Criador baixa os níveis
e não ouve bem as preces

Ainda bem, eu cá digo
que as dúvidas não me deixam
como disso alguns se queixam
não será pois um castigo

Antes dúvida aparece
para ajudar a saber mais
em abrir novos canais
e é prova do interesse

Gente, pois, só com certezas
e a isso um dom chamam
estão nos que as não proclamam
e não entendem as defesas

O BENEFÍCIO DA DÚVIDA



A forma mais prudente de analisarmos aquilo que chega até nós como notícia e que nos faz suspeitar da sua veracidade, logo o termos o cuidado de não transmitir a outros o que não constitui uma certeza, esse é o comportamento mais aconselhável, sobretudo neste mundo em que se verifica causar tanto prazer o espalhar-se alguma coisa que se anseia por que seja autêntico, porque prejudica o bom nome de um terceiro que, por sinal, se situa na área dos pouco apreciados aos nossos olhos.
Se não é verdade, até devia ser, porque fulano, se não fez ou não disse tal coisa, pois poderia bem ser o autor dessa, por ter um comportamento que, aos meus olhos, se adapta perfeitamente ao estilo utilizado – esta é a forma de escusa que normalmente se observa naqueles que não hesitam em propagar um feito que provoca prazer de saber que, se não é autêntico, poderia muito bem ter acontecido.
A verdade, infelizmente, é que o chamado beneficio da dúvida é poucas vezes prestado quando ocorre uma acusação no mundo social a alguém que, por não haver provas palpáveis de que tenha sucedido, mesmo assim é posta a circular como tratando-se de uma notícia autêntica e que, com a reprodução de vozes que se vão multiplicando, cada vez se vai tornando como indiscutível e, mesmo que, nas situações em que os tribunais são chamados a intervir, não se consiga provar por dois mais dois que são quatro, o resultado é que o visado por tal “diz-se” acaba por não se poder livrar, para toda a sua vida, do que começou por ser um “parece”.
Esta minha observação destina-se, como é óbvio, a todos os casos e a nenhum em particular. Só serve para justificar que, na minha perspectiva e quanto ao tão divulgado caso do Freeport, tal como escrevi num blogue logo na altura em começou a correr a história em que José Sócrates era o visado principal, que o tema não faria parte dos meus comentários enquanto não surgissem provas concretas de que existia um culpado e quem é que tinha beneficiado com o negócio daquele complexo comercial na outra banda, a verdade é que o processo em causa não tem andado com a rapidez que se exigia para que se chegasse a uma conclusão que não levantasse dúvidas.
Porém, não me deixam as críticas de que, com o silêncio, estou a provocar a suspeita de que pretendo defender o primeiro-ministro. E essa é uma falsidade. O que tenho é apenas isso mesmo, suspeitas de tipo pessoal e, por isso, mantenho a maior das dúvidas. E, por mais que me incline para essa possibilidade, dadas as circunstâncias ocorridas na vida de Sócrates, no campo do desafogo financeiro que lhe permitiu comprar um andar de prestígio em Lisboa e ter a sua Mãe beneficiado de condições especiais para também o fazer no mesmo prédio, com todo o “romance” criado à volta das facilidades criadas pela empresa vendedora, apesar disso, repito, em consciência não posso afirmar que houve, sem sombras de dúvida, uma actuação condenável. E isso não o faço, antes que saia uma conclusão jurídica que não deixe suspeitas a ninguém.
Para mim, o benefício da dúvida, é uma característica que não deixarei nunca de utilizar em todas as circunstância em que a certeza se encontre fora do nosso alcance. Mas, lá que tenho a maior das dúvidas, lá isso tenho!…

sábado, 9 de maio de 2009

MUNDO QUE FOGE



E o mundo avança
numa triste dança
certo desconforto
na busca de um porto
não se avista já
sempre longe está
ódios e paixões
lutas, ilusões,
sem tempo nem espaço
p’ra qualquer abraço
p’ra se construir
o que é o porvir

A democracia
é pura ironia
o ser não aceita
e até rejeita
todos iguais
cada vez quer mais
mais e mais direito
quer ser o maior
só pôr e dispor
Quanto mais se avança
Mais desconfiança
Mais tecnologia
Perde-se alegria
Foge a consciência
falta paciência
para o que se faz
acaba a paz
e a harmonia
a vida em sinfonia
prazer de existir
ter fé no porvir
no que vem depois
em grupo ou a dois
com quem está à volta
só resta a revolta
e surge a inveja
esteja onde esteja
sempre sem saber
e sem entender
se isto vale a pena
longa ou pequena
a vida que temos
em que tanto cremos
nos desiludir
p’ra por fim fugir

Fugir para onde ?
quem é que responde
com total verdade
e sinceridade
esteja longe ou perto;
o que vem por fim
é mistério sim,
só o que sabemos
é que nós morremos
é que o mundo foge
amanhã ou hoje.


O MUNDO DE AMANHÃ



Segundo estudos que foram trazidas ao conhecimento dos habitantes da Terra e que dizem respeito ao futuro que espera a nossa Esfera, as quais, na maioria dos casos, não são nada animadoras, como é habitual passo-as a este blogue, pois que se já tenho a fama de pessimista, arrecado também o proveito da mesma.
Pois bem, o aquecimento global já não constitui novidade e, pelos vistos, já todos se conformaram com a ideia de que os espaços dos dois pólos estão a diminuir a uma velocidade tal que não deixa dúvidas a ninguém que, dentro de algum tempo, os icebergs desaparecerão e a subida da água do mar ameaça reduzir a dimensão do espaço terrestre. Mas, se esse fenómeno ainda levará algum tempo até constituir uma preocupação apavorante para os habitantes no nosso Planeta, já a mudança das temperaturas que surgem nas diferentes estações do ano e conforme a respectiva posição geográfica, lá isso, que representa na nossa vivência actual o sentir de alguma diferença em relação ao que sucedia tempos recentes atrás, tem de provocar uma preocupação bem nítida para os cidadãos que vivem nesta altura.
Mas, o que não é ainda tão notado pela população mundial, pelo menos na dimensão exacta do que representa este facto, é o crescimento acelerado do número de habitantes que já estão instalados em diferentes pontos globais, com especial incidência para a Europa, em que a fluência de naturais de outras zonas vai criando uma acumulação de gente que, dentro de algum tempo, e que não será até muito, faz com que os residentes neste Continente se acotovelem de tal maneira que não ficará espaço para uma vida sem aquela competitividade aflitiva que torna o vizinho um inimigo que se odeia, em lugar de constituir um complemento da labuta do dia-a-dia.
Existe ainda espaço bastante nos interiores dos países, nas zonas menos invadidas? De facto há. Mas, o natural é que as populações procurem defender-se, deslocando-se para os sítios com maiores condições naturais, económicas e educacionais que lhes facilite a sobrevivência.
O crescimento desmesurado da população do Planeta já está a ser apontado por cientistas que se dedicam a estudar este fenómeno, alegando que isso não será fácil evitar. Uma organização inglesa, denominada Optimum Population Trust, já alertou para a necessidade do controlo do aumento populacional de todo o mundo, pois que os sete biliões que já enchem o espaço estão em vias de criar problemas de respiração, de fome, de sede e de um viver aceitável, pois que este número que já é sete vezes superior ao registado há dois séculos e que cresce anualmente cerca de 78 milhões, se não for controlado, chegará em 2050 ao número assustador de 9 mil milhões. No entanto, no que respeita aos cidadãos europeus de origem, verifica-se uma contenção de natalidade que se ajusta à necessidade de não aumentar incontrolavelmente o número de habitantes, mas, com as imigrações desmedidas de populações oriundas de zonas onde esta preocupação não se verifica, o que resulta daí é que, num espaço de tempo que está bem estabelecido, aquilo que se definia por característica típicas dos europeus vai desaparecer e as cores das peles alteram-se completamente. Não haverá perigo por esse efeito, mas trata-se de uma mudança que estatisticamente será levada em conta.
Quem cá estiver que tome as medidas que forem possíveis e até pode ser que a água seja substituída por algum produto químico e as receitas culinárias se alterem por completo, ao ponto de não fazerem falta os espaços terrestres e marítimos para serem cultivados alimentos, criados gados e encontrados peixes que, no tempo actual, são a base da nossa vivência.
Qual poderá ser a solução para este grave problema que se vai apresentar aos futuros habitantes? Se calhar, na altura já se poderão optar, como alimentos, produtos servidos como receitas médicas. Uma pastilhinha de bacalhau com batatas e uns pós de bife com batatas fritas. Grandes banquetes! …

sexta-feira, 8 de maio de 2009

APODRECER

Como ele passa, o grande atrevido
Nem nos dá descanso para pensar
O que fica p’ra trás cai no olvido
Tudo se conjuga no verbo amar

Mas esse tempo, o tão necessário
P’ra levar a vida que nos impõem
Acaba por ser enorme calvário
Da via que os outros nos dispõem

Tal como um verme, roe-nos e tortura
Vai corroendo a carne e a alma
Quase nos tira o que é bom de viver

E é do lado de cá da sepultura
Com o seu tempo e sem perder a calma
Que nós começamos a apodrecer


ELEIÇÕES Á VISTA



As eleições que se aproximam têm de ser encaradas pelos portugueses como uma das mais comprometedoras que já houve ocasião de enfrentar. Todas são importantes, é verdade, mas depende bastante das circunstâncias que se atravessam na altura de ir às urnas para aquela, em particular, que vai sair da preferência da maioria dos cidadãos, poder provocar maior ou menor preocupação no que diz respeito à solução que se vai encontrar.
Fazendo bem as contas e memoriando com absoluta seriedade aquilo que o actual Governo tem feito ao longo do seu mandato, levando em conta que também se tratou de um período que não se pode considerar fácil, especialmente a partir da altura em que o mundo se viu envolvido numa crise dramática que não se sabe como nem quando vai terminar, mesmo assim, não pensando apenas nos casos pessoais de cada um ou cada grupo, há que pesar bem na balança aquilo que saiu bem e o que foi produto de uma má actuação, ainda que se trate de um ou outro ministro em especial, mas sabendo-se que é ao chefe do Governo que cabe toda a responsabilidade.
A minha visão de José Sócrates já a expus no meu blogue sem recurso a qualquer subterfúgio. Critiquei, especialmente, o seu comportamento pessoal e a falta de falar frontalmente ao povo português, expondo-lhe os problemas e indicando as medidas que tenciona adoptar, em lugar de se referir apenas ao que foi feito, como sendo o melhor que pode sair da cabeça de quem nunca se equivoca. E foi essa ausência de ouvir os outros, mesmo os adversários políticos, que o levou, bastas vezes, por caminhos que não eram os mais aconselháveis.
Bom primeiro-ministro, na minha óptica, não foi. Não soube meter na ordem alguns dos seus ministros, até mesmo demiti-los por não terem sido capazes de exercer o seu trabalho com completa competência – o da Agricultura, por exemplo, por não ter aproveitado em pleno os subsídios da Europa, o da Justiça, por não ter sido capaz de pôr aquele sector tão importante a funcionar com destreza e rectidão, a da Educação, pelos movimentos de professores e alunos que se verificaram por esse País fora, o das Obras Públicas que, com o seu “jamais” e com a teimosia das obras que só vão endividar os futuros cidadãos, já há muito que deveria ter sido mandado para casa e não para um lugar chorudo, como é habitual fazer com os que saem do Poder – e isto é apenas uma amostra rápida do que Sócrates não foi capaz de fazer quando teve na mão todas as possibilidades de mostrar a sua eventual capacidade de mandar.
É sobre isto tudo que os portugueses têm de começar a reflectir profundamente e, na altura de colocar o seu voto nas urnas, serem capazes de escolher por forma a que o próximo panorama não se mostre como tratando-se de ter sido pior a emenda do que o soneto.
Mais do que isto não devo dizer. Eu próprio sinto a dificuldade de escolher uma alternativa que não constitua um verdadeiro problema de governação, sendo certo que, dadas as circunstâncias que atravessamos, o menos mau ainda seria que se repetisse um Sócrates mas acompanhado de alguém que o obrigasse a não ser tão fechado no seu umbigo e que não tivesse complexos em modificar as teorias que defendeu até agora em diferentes sectores. E não digo mais, por agora.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

ENGANADOS

Todos nos olham, ficam espantados
estamos na montra do mundo real
afinal, todos nós os enganados
fiámo-nos na pureza ideal

Um raio de luz
chegará um dia
qu’alegria
em que a nossa cruz
terá um bom fim
enfim

O Homem verá
que é bom sorrir
e aí partir
para o que será
um mundo melhor
o maior!

E é o Homem o maior culpado
porque é grande a sua ambição
nem os maus exemplos do passado
mostram dever ser outra a sua acção

FACULDADE DE MEDICINA



Então, mesmo tendo-se chegado oficialmente agora, só agora, à conclusão de que faltam médicos em Portugal, e que, por exemplo, na área da obstetrícia, de que são precisos, urgentemente, 400, sobretudo para os hospitais que estão a ter de contratar estrangeiros para ocupar tal especialidade que está numa situação de ruptura, não sendo já um problema que não seja do domínio público, a pergunta que insisto em fazer, pois já nestes meus blogues ataquei tal defeito, é se o Governo que temos, que, tal como os seus antecessores, nada fez para tentar aliviar tal situação, não entende que é altura de alterar os mínimos exigidos de média escolar para que os alunos que sintam vocação para a medicina possam ser admitidos na Faculdade respectiva, em vez do que está a suceder nesta altura, em que se vêem obrigados a recorrer a instituições semelhantes estrangeiras, por exemplo aqui ao lado, em Espanha, onde é mais fácil e acessível enveredar por esse tipo de estudo?
E o mais caricato de tudo isto é que, na falta de médicos portugueses, o Estado apela para a vinda de técnicos da mesma área de origem espanhola! Não se trata de uma situação verdadeiramente ridícula?
Eu, por mim, não consigo compreender o que vai na cabeça dos diferentes Executivos que passaram pelo Poder e em que, tendo decorrido 35 anos sobre a data da mudança política nacional, ninguém foi capaz de contemplar este problema e, quer chefes do governo quer responsáveis pelo sector ministerial adequado, deram o passo essencial para ter sido posto fim a tal questão.
Estamos mesmo condenados a não conseguir tratar dos nossos assuntos, até aqueles que só dependem do mínimo de bom senso que é fundamental para tentar levar este País por diante? Só conseguimos prestar atenção aos grandes empreendimentos, especialmente aqueles que envolvem enormes investimentos e duvidosos resultados a curto e médio prazo, embora representem grandes responsabilidades económicas para os futuros cidadãos portugueses?
Pois, se assim for, eu, por mim, lastimo o futuro que nos espera. Faço o que posso, que é avisar, levantar as questões, pedir atenção. Mais do que isto não está nas minhas mãos. Se bem que, digo-o sem falsas modéstias, se fosse eu que mandasse… tinha resolvido este problema com a maior facilidade.
Mas não seria esta uma pergunta adequada a ter sido feita a Sócrates, na tal entrevista televisiva que não deixou explicação nenhuma que valesse a pena por parte do principal responsável pelo Executivo que temos?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

LOGO MAIS

Mas que mal anda a língua portuguesa
tão mal tratada pela juventude
perdeu-se por aí tanta pureza
do que é belo e não quer que se mude

Palavras novas, até se aceita
a vida não deixa nada imutável
mas mau sentido é que se rejeita
matar a língua não é tolerável

Quando se ouvem novos locutores
espalhar pelo ar mau português
aí a revolta atinge os anais

E não se podem conter os furores
quando dizem tamanha barbarez
como seja essa do “logo mais”