quarta-feira, 13 de maio de 2009

PS E PSD JUNTOS?



Nem sempre o que parece irreconciliável é assim tão difícil de solucionar como dá ideia à primeira vista. Basta que as circunstâncias se alterem e os prejuízos com o manter teimosamente uma posição não possam ser ultrapassados e logo uma das partes em litígio, se não forem mesmo as duas em simultâneo, dá o braço a torcer e se prontifica a rectificar uma posição que parecia antes ser irredutível.
Não será este o caso do que se está agora a passar com o PS e o PSD?
Até se compreende que, a esta distância das eleições que se aproximam, os dois partidos políticos tomem a posição de galos de capoeira, pois que cada um não pretende criar a imagem, perante as galinhas que se situam no mesmo espaço, de que não vai sair vencedor absoluto na luta que irá ocorrer para mostrar qual dos dois fica a mandar, sem possibilidade de contestação válida por parte do outro galo. Que, por muito que o vencido cante não lhe chegue a força de voz para se impor ao vencedor.
Porém, quando os dois empertigados, após terem escutado os pontos de vista possíveis no interior do galinheiro, chegam à conclusão de que as circunstâncias se terão alterado em relação à contagem feita tempos atrás, e que nenhum dos dois galináceos conseguirá o aplauso de uma maioria comportável que não permita a outra parte destruir o comando absoluto naquela área, então o que entendem dever fazer é a criação de um apaziguamento, mesmo a contra-gosto, das duas posições e começar a combinar uma forma de entendimento com o objectivo de conseguirem o apoio de uma percentagem confortável de galinhas, já que os seus ovos, que são a base de sustentação de todo o conjunto, se faltarem ou não forem mesmo em quantidade suficiente para permitir uma vida longe da miséria, irão provocar uma revolta generalizada com o propósito de conseguirem uma modalidade diferente de convívio, provavelmente com o aparecimento de um galo oportunista que se aproveitará do desentendimento para, sem querer saber quais são as opiniões de toda a população galinácea, passe a impor a sua única vontade. Existe ainda uma possibilidade que tem de ser levada em conta: a de que os dois galos mais bem situados para, num acordo firmado, se disporem a tomar o comando, mesmo assim não pretenderem querer assumir as grandes responsabilidades que passam a cair sobre as suas asas, encarados que sejam os enormes problemas que se vão agravar ainda mais nos tempos que se aproximam. Pois, nesse caso, não chegarão dois galos para tomar conta do comando do local onde se movimentam os galináceos e haverá que recorrer à intervenção de, pelo menos, mais um parceiro para, mesmo tendo-se mostrado sempre mais crítico em relação à administração dos ovos, nessa altura haverá que aceitar mais esse interveniente para não serem criados obstáculos à conduta do conjunto.
Dando o salto do subentendido panorama do galinheiro para a realidade portuguesa, com a população humana cansada de suportar maus-tratos, sem descortinar uma escolha que garanta sermos capazes de gerir o momento difícil que ocorre em todo o mundo e se vai agravar nos próximos tempos, se os “galos” que existem por aí não forem capazes de colocar os interesses do País acima das conveniências partidárias e até pessoais, então temos de estar preparados psicologicamente para uma situação que não haverá português que tenha capacidade de suportar.
Não haverá, é como quem diz, porque, no meio da multidão de necessitados que compõem o manancial de nacionais, há sempre aqueles que, tendo-se aproveitado da situação que se tem vivido, foram capazes de ir acumulando riquezas e, seja qual for o panorama político que possa surgir, cá dentro ou noutro qualquer sítio protector, poderão sempre enfrentar as situações. Mas esses, só se houver castigo divino, é que um dia pagarão…

terça-feira, 12 de maio de 2009

EMIGRANTES PORTUGUESES

Portugueses emigrantes
que partistes à deriva
estais melhor do que antes
daí a alternativa

Sem saber falar a língua
do país que te acolheu
foi mesmo sair à míngua
de quem por aí se benzeu

Chegados p’ra trabalhar
onde seja e o que seja
é preciso começar
por vezes dura peleja

Mas o espírito de luta
grande ânsia de viver
faz com que qualquer labuta
seja aceite p’ra vencer

Sacrifício, economias
e força p’ra trabalhar
sem tempo para folias
e nunca desanimar

Submissos mas contentes
respeitadores do à volta
são aceites pelas gentes
nunca expressam revolta

Trabalham mais do que todos
produzem com ambição
juntam dinheiro a rodos
p’ra regressar à Nação

Se voltam nunca se sabe
pois filhos nascem lá fora
e a decisão só cabe
no tempo exacto e na hora

Seja como for então
a pergunta sempre fica
não sendo seres de ficção
que mistério os modifica?

Porquê os que cá estão
como os outros portugueses
só sabem dizer que não
e ao trabalho poucas vezes?

Se dentro das nossas portas
fôssemos como os de fora
não havia horas mortas
nem havia que ir embora

Portugal outro seria
competindo com maiores
grande inveja causaria
sem precisar de favores

Só que quando os emigrantes
ao solo pátrio regressam
ficam logo como antes
e na moleza tropeçam

Será pois do nosso solo
ou do Sol que alumia
que não se encontra consolo
e se perde a energia?

Se não há superstições
e a verdade outra será
é porque lá fora os patrões
não são iguais aos de cá?

Que responda quem souber
e pertença aos temerosos
com sindicatos teimosos
a lutar é de temer

Fica cada um na sua
a cura é bem remota
a mudança não se nota
e o mal não se atenua

Leis do trabalho estão
fora da realidade
e sendo esta a verdade
não se verá solução

MAUS COMPORTAMENTOS



As polícias portuguesas, especialmente nesta altura a PSP, andam na boca dos cidadãos, em virtude dos desacatos de grande monta que se têm verificado em diferentes bairros tidos como problemáticos, como é o caso, por exemplo, do da Belavista, em Setúbal, onde existem os chamados “gangs” que praticam movimentações, até com ataques a esquadras policiais, incluindo disparos com armas de fogo, não se ficando por aí pois os incêndios em automóveis e outras malfeitorias altamente criminosas, tudo isso tem lugar e não se encontrou ainda forma de pôr cobro a tais distúrbios tão perigosos.
Como é que a população tida como normal pode confiar na segurança que os profissionais das vistorias policiais devem conceder-lhes? É com deslocações de efectivos, de mais de uma centena dessas forças, prolongando-se a sua presença até por mais do que uma noite, em que, no final, somente detêm um eventual perturbador da ordem, por sinal até menor, que se conformam e dão como concluída a sua missão? E foi isso que sucedeu nesta altura.
Verifica-se que a maior parte dos perturbadores da ordem pertencem a grupos étnicos que, embora bastantes tenham nascido em Portugal e, por isso, tenham a nacionalidade portuguesa, não podendo, por isso, ser considerados como imigrantes directos, ainda que sejam, em grande parte, descendentes de populações que terão chegado anteriormente de vários sítios de África, não é por isso que podem ser ilibados das responsabilidades cívicas que lhes cabem. Também, em igualdade de circunstâncias, residem nessa área etnias ciganas, as quais, por sua vez, mantêm más relações com os de cor negra.
Seja como for, não interessa saber qual o tom da pele nem qual o estilo de vida em grupo que seguem na sua permanência entre nós. Todas as cores, todas a raças, todas as religiões têm de se sujeitar às leis que temos e devem comportar-se dentro das normas que nós, em Portugal, seguimos. As leis são iguais para todos e as obrigações e deveres que cabem a cada um são exactamente as mesmas sem exclusão de situações particulares.
Agora, o complexo que se verifica em demasia de não enfrentar a necessidade de serem executadas as punições que estão previstas, sendo mal visto que as polícias utilizem, à partida, os meios de que dispõem para pôr ponto final nas situações em que até são agredidos com pedras e mesmo com tiros e depois, sejam os tribunais a entrar rapidamente em funções, aplicando a legislação que consta dos códigos, por forma a que não se verifique a soltura imediata de quem é apanhado em flagrante, o que permite criar o espírito de impunidade e de não terminarem os maus comportamentos que se estão a generalizar para além do que seria suportável pelos cidadãos comuns e correctos, que não entendem as excepções judiciárias que se implantaram no nosso País.
Basta de se assistir a este regime de mau comportamento por parte de gente que, tendo sido acolhida no nosso País para poder levar uma melhor vida do que tinha nas suas origens – mesmo que se tratem de descendentes de imigrantes -, pois que, se não formos capazes de impor a justiça correcta e rápida em todas as áreas, então teremos de ser nós a procurar um outro país onde nos defendam das anormalidades de comportamento.Emigrantes, os portugueses têm sabido ser, ao longo das diásporas que têm muitas décadas de prática, bem comportados. Então temos de suportar os maus imigrantes que aqui se instalam?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

ESQUECIMENTO


Esqueço-me de tudo e de nada
do importante e do singelo
e de forma desvairada
já não sei se vou fazê-lo
e até o que eu prometi
e do que nunca esqueci
o olvido é constante
o puxar pela memória
é acção de cada instante
dava p’ra longa história
pôr em ordem todo o drama
a lista dos esquecimentos
que arde como uma chama
e que voa com os ventos

Este esquecer sem fim
me faz olvidar de mim

FEIRA DO LIVRO



A Feira do Livro, em Lisboa, cumpriu mais um ano a sua presença no parque Eduardo VII, deixando os lamentos daqueles que a gostavam mais de a percorrer ao longo da avenida da Liberdade, como acontecia anos atrás, o que é o meu caso, pois, para além de não ser necessário subir as duas encostas, de ambos os lados, para poder meter o nariz em todos os stands que se perfilam, provocava uma maior aproximação dos visitantes que, pelo que representa aquela exposição e venda da produção literária, sempre é bom dar maior convivência aos que se consideram membros de uma classe que está cada vez mais diminuída e que tem o cognome de “ratas das livrarias”.
Pois eu, desde que há muitos anos atrás comecei o meu percurso de trabalho a prestar a minha actividade na Livraria Bertrand, tendo a meu cargo a secção de assinaturas de publicações estrangeiras, fiquei, desde então, amarrado aos livros, aos seus autores, cujos nomes mantinha de cor, e aos editores que, nessa época, eram pessoas com quem se conversava e trocava opiniões e ideias. E ajudaram-me muito nessa paixão personalidades literárias que comungavam comigo os seus ideais, incluindo os políticos e contrários do situacionismo que então existia, entre eles Aquilino Ribeiro que, à hora do chá, tomava comigo o seu cafezinho ali em frente, no saudoso Café Chiado.
Na minha ronda pelo conjunto, como sempre faço, preocupei-me em obter catálogos editoriais da maioria dos stands que os tinham, para analisar em pormenor os tipos de edições a que se dedicam e para contactar algumas no sentido de propor o interesse pelos originais que tenho prontos para que algum responsável editorial me contacte, no sentido de averiguar se vale a pena investir neste pouco exibicionista autor de trabalhos, em poesia, ficção, teatro e o que for do gosto dos que têm de arriscar para ver se as obras pegam junto do público.
Na verdade, não tenho habilidade para andar de volumes debaixo do braço a bater às portas dos encarregados em descobrir “génios” em potência, pois que os nomes que estão na moda e que são os que mais interessam às editoras, têm de ser caras conhecidas da televisão, ou porque entraram num “Big Brother” qualquer, ou porque são gente dos futebóis ou a eles ligados ou então locutores e apresentadores televisivos que nem precisam de mostrar grande talento para despertarem o interesse junto do público que deseja saber os seus segredos amorosos ou o que têm a contar sobre a sua vida privada.
E lá fica a Feira do Livro deste ano, a que deveria ser um verdadeiro local que abrisse o apetite dos que se dedicam pouco a leituras, com zonas apropriadas em que, de passagem, fosse possível tomar contacto com obras que seriam postas à disposição para, em lugares confortáveis, poderem ser apreciadas, com uma música de fundo acolhedora, e até talvez uma bebidazinha que refrescasse o ambiente, lá fica, um ano mais, sem acrescentar nada ao que já é conhecido.
Mas isto sou eu a recorrer, como sempre, a uma imaginação que é o que mais falta, agora e sempre, nos meios em que seria aconselhável não fazermos sempre igual, a mesma coisa, a rotina. Deixem-me sonhar…

domingo, 10 de maio de 2009

CERTEZAS



Mas que bom é ter certezas
e nunca se enganar
é para dissimular
muitas de outras fraquezas

Não se pode acreditar
em quem se julga perfeito
porque um ser sem defeito
deve ser de agoniar

Por pequenina que seja
qualquer saída da norma
é ser-se de qualquer forma
alguém que às vezes graceja

Mas são assim os sisudos
e por certo convencidos
têm de ser atrevidos
e estar muito tempo mudos

Reconheço erros meus
não me deixo equivocar
estou-me sempre a enganar
tal qual sucede a Deus

Quando aceita homens desses
que se julgam infalíveis
o Criador baixa os níveis
e não ouve bem as preces

Ainda bem, eu cá digo
que as dúvidas não me deixam
como disso alguns se queixam
não será pois um castigo

Antes dúvida aparece
para ajudar a saber mais
em abrir novos canais
e é prova do interesse

Gente, pois, só com certezas
e a isso um dom chamam
estão nos que as não proclamam
e não entendem as defesas

O BENEFÍCIO DA DÚVIDA



A forma mais prudente de analisarmos aquilo que chega até nós como notícia e que nos faz suspeitar da sua veracidade, logo o termos o cuidado de não transmitir a outros o que não constitui uma certeza, esse é o comportamento mais aconselhável, sobretudo neste mundo em que se verifica causar tanto prazer o espalhar-se alguma coisa que se anseia por que seja autêntico, porque prejudica o bom nome de um terceiro que, por sinal, se situa na área dos pouco apreciados aos nossos olhos.
Se não é verdade, até devia ser, porque fulano, se não fez ou não disse tal coisa, pois poderia bem ser o autor dessa, por ter um comportamento que, aos meus olhos, se adapta perfeitamente ao estilo utilizado – esta é a forma de escusa que normalmente se observa naqueles que não hesitam em propagar um feito que provoca prazer de saber que, se não é autêntico, poderia muito bem ter acontecido.
A verdade, infelizmente, é que o chamado beneficio da dúvida é poucas vezes prestado quando ocorre uma acusação no mundo social a alguém que, por não haver provas palpáveis de que tenha sucedido, mesmo assim é posta a circular como tratando-se de uma notícia autêntica e que, com a reprodução de vozes que se vão multiplicando, cada vez se vai tornando como indiscutível e, mesmo que, nas situações em que os tribunais são chamados a intervir, não se consiga provar por dois mais dois que são quatro, o resultado é que o visado por tal “diz-se” acaba por não se poder livrar, para toda a sua vida, do que começou por ser um “parece”.
Esta minha observação destina-se, como é óbvio, a todos os casos e a nenhum em particular. Só serve para justificar que, na minha perspectiva e quanto ao tão divulgado caso do Freeport, tal como escrevi num blogue logo na altura em começou a correr a história em que José Sócrates era o visado principal, que o tema não faria parte dos meus comentários enquanto não surgissem provas concretas de que existia um culpado e quem é que tinha beneficiado com o negócio daquele complexo comercial na outra banda, a verdade é que o processo em causa não tem andado com a rapidez que se exigia para que se chegasse a uma conclusão que não levantasse dúvidas.
Porém, não me deixam as críticas de que, com o silêncio, estou a provocar a suspeita de que pretendo defender o primeiro-ministro. E essa é uma falsidade. O que tenho é apenas isso mesmo, suspeitas de tipo pessoal e, por isso, mantenho a maior das dúvidas. E, por mais que me incline para essa possibilidade, dadas as circunstâncias ocorridas na vida de Sócrates, no campo do desafogo financeiro que lhe permitiu comprar um andar de prestígio em Lisboa e ter a sua Mãe beneficiado de condições especiais para também o fazer no mesmo prédio, com todo o “romance” criado à volta das facilidades criadas pela empresa vendedora, apesar disso, repito, em consciência não posso afirmar que houve, sem sombras de dúvida, uma actuação condenável. E isso não o faço, antes que saia uma conclusão jurídica que não deixe suspeitas a ninguém.
Para mim, o benefício da dúvida, é uma característica que não deixarei nunca de utilizar em todas as circunstância em que a certeza se encontre fora do nosso alcance. Mas, lá que tenho a maior das dúvidas, lá isso tenho!…

sábado, 9 de maio de 2009

MUNDO QUE FOGE



E o mundo avança
numa triste dança
certo desconforto
na busca de um porto
não se avista já
sempre longe está
ódios e paixões
lutas, ilusões,
sem tempo nem espaço
p’ra qualquer abraço
p’ra se construir
o que é o porvir

A democracia
é pura ironia
o ser não aceita
e até rejeita
todos iguais
cada vez quer mais
mais e mais direito
quer ser o maior
só pôr e dispor
Quanto mais se avança
Mais desconfiança
Mais tecnologia
Perde-se alegria
Foge a consciência
falta paciência
para o que se faz
acaba a paz
e a harmonia
a vida em sinfonia
prazer de existir
ter fé no porvir
no que vem depois
em grupo ou a dois
com quem está à volta
só resta a revolta
e surge a inveja
esteja onde esteja
sempre sem saber
e sem entender
se isto vale a pena
longa ou pequena
a vida que temos
em que tanto cremos
nos desiludir
p’ra por fim fugir

Fugir para onde ?
quem é que responde
com total verdade
e sinceridade
esteja longe ou perto;
o que vem por fim
é mistério sim,
só o que sabemos
é que nós morremos
é que o mundo foge
amanhã ou hoje.


O MUNDO DE AMANHÃ



Segundo estudos que foram trazidas ao conhecimento dos habitantes da Terra e que dizem respeito ao futuro que espera a nossa Esfera, as quais, na maioria dos casos, não são nada animadoras, como é habitual passo-as a este blogue, pois que se já tenho a fama de pessimista, arrecado também o proveito da mesma.
Pois bem, o aquecimento global já não constitui novidade e, pelos vistos, já todos se conformaram com a ideia de que os espaços dos dois pólos estão a diminuir a uma velocidade tal que não deixa dúvidas a ninguém que, dentro de algum tempo, os icebergs desaparecerão e a subida da água do mar ameaça reduzir a dimensão do espaço terrestre. Mas, se esse fenómeno ainda levará algum tempo até constituir uma preocupação apavorante para os habitantes no nosso Planeta, já a mudança das temperaturas que surgem nas diferentes estações do ano e conforme a respectiva posição geográfica, lá isso, que representa na nossa vivência actual o sentir de alguma diferença em relação ao que sucedia tempos recentes atrás, tem de provocar uma preocupação bem nítida para os cidadãos que vivem nesta altura.
Mas, o que não é ainda tão notado pela população mundial, pelo menos na dimensão exacta do que representa este facto, é o crescimento acelerado do número de habitantes que já estão instalados em diferentes pontos globais, com especial incidência para a Europa, em que a fluência de naturais de outras zonas vai criando uma acumulação de gente que, dentro de algum tempo, e que não será até muito, faz com que os residentes neste Continente se acotovelem de tal maneira que não ficará espaço para uma vida sem aquela competitividade aflitiva que torna o vizinho um inimigo que se odeia, em lugar de constituir um complemento da labuta do dia-a-dia.
Existe ainda espaço bastante nos interiores dos países, nas zonas menos invadidas? De facto há. Mas, o natural é que as populações procurem defender-se, deslocando-se para os sítios com maiores condições naturais, económicas e educacionais que lhes facilite a sobrevivência.
O crescimento desmesurado da população do Planeta já está a ser apontado por cientistas que se dedicam a estudar este fenómeno, alegando que isso não será fácil evitar. Uma organização inglesa, denominada Optimum Population Trust, já alertou para a necessidade do controlo do aumento populacional de todo o mundo, pois que os sete biliões que já enchem o espaço estão em vias de criar problemas de respiração, de fome, de sede e de um viver aceitável, pois que este número que já é sete vezes superior ao registado há dois séculos e que cresce anualmente cerca de 78 milhões, se não for controlado, chegará em 2050 ao número assustador de 9 mil milhões. No entanto, no que respeita aos cidadãos europeus de origem, verifica-se uma contenção de natalidade que se ajusta à necessidade de não aumentar incontrolavelmente o número de habitantes, mas, com as imigrações desmedidas de populações oriundas de zonas onde esta preocupação não se verifica, o que resulta daí é que, num espaço de tempo que está bem estabelecido, aquilo que se definia por característica típicas dos europeus vai desaparecer e as cores das peles alteram-se completamente. Não haverá perigo por esse efeito, mas trata-se de uma mudança que estatisticamente será levada em conta.
Quem cá estiver que tome as medidas que forem possíveis e até pode ser que a água seja substituída por algum produto químico e as receitas culinárias se alterem por completo, ao ponto de não fazerem falta os espaços terrestres e marítimos para serem cultivados alimentos, criados gados e encontrados peixes que, no tempo actual, são a base da nossa vivência.
Qual poderá ser a solução para este grave problema que se vai apresentar aos futuros habitantes? Se calhar, na altura já se poderão optar, como alimentos, produtos servidos como receitas médicas. Uma pastilhinha de bacalhau com batatas e uns pós de bife com batatas fritas. Grandes banquetes! …

sexta-feira, 8 de maio de 2009

APODRECER

Como ele passa, o grande atrevido
Nem nos dá descanso para pensar
O que fica p’ra trás cai no olvido
Tudo se conjuga no verbo amar

Mas esse tempo, o tão necessário
P’ra levar a vida que nos impõem
Acaba por ser enorme calvário
Da via que os outros nos dispõem

Tal como um verme, roe-nos e tortura
Vai corroendo a carne e a alma
Quase nos tira o que é bom de viver

E é do lado de cá da sepultura
Com o seu tempo e sem perder a calma
Que nós começamos a apodrecer


ELEIÇÕES Á VISTA



As eleições que se aproximam têm de ser encaradas pelos portugueses como uma das mais comprometedoras que já houve ocasião de enfrentar. Todas são importantes, é verdade, mas depende bastante das circunstâncias que se atravessam na altura de ir às urnas para aquela, em particular, que vai sair da preferência da maioria dos cidadãos, poder provocar maior ou menor preocupação no que diz respeito à solução que se vai encontrar.
Fazendo bem as contas e memoriando com absoluta seriedade aquilo que o actual Governo tem feito ao longo do seu mandato, levando em conta que também se tratou de um período que não se pode considerar fácil, especialmente a partir da altura em que o mundo se viu envolvido numa crise dramática que não se sabe como nem quando vai terminar, mesmo assim, não pensando apenas nos casos pessoais de cada um ou cada grupo, há que pesar bem na balança aquilo que saiu bem e o que foi produto de uma má actuação, ainda que se trate de um ou outro ministro em especial, mas sabendo-se que é ao chefe do Governo que cabe toda a responsabilidade.
A minha visão de José Sócrates já a expus no meu blogue sem recurso a qualquer subterfúgio. Critiquei, especialmente, o seu comportamento pessoal e a falta de falar frontalmente ao povo português, expondo-lhe os problemas e indicando as medidas que tenciona adoptar, em lugar de se referir apenas ao que foi feito, como sendo o melhor que pode sair da cabeça de quem nunca se equivoca. E foi essa ausência de ouvir os outros, mesmo os adversários políticos, que o levou, bastas vezes, por caminhos que não eram os mais aconselháveis.
Bom primeiro-ministro, na minha óptica, não foi. Não soube meter na ordem alguns dos seus ministros, até mesmo demiti-los por não terem sido capazes de exercer o seu trabalho com completa competência – o da Agricultura, por exemplo, por não ter aproveitado em pleno os subsídios da Europa, o da Justiça, por não ter sido capaz de pôr aquele sector tão importante a funcionar com destreza e rectidão, a da Educação, pelos movimentos de professores e alunos que se verificaram por esse País fora, o das Obras Públicas que, com o seu “jamais” e com a teimosia das obras que só vão endividar os futuros cidadãos, já há muito que deveria ter sido mandado para casa e não para um lugar chorudo, como é habitual fazer com os que saem do Poder – e isto é apenas uma amostra rápida do que Sócrates não foi capaz de fazer quando teve na mão todas as possibilidades de mostrar a sua eventual capacidade de mandar.
É sobre isto tudo que os portugueses têm de começar a reflectir profundamente e, na altura de colocar o seu voto nas urnas, serem capazes de escolher por forma a que o próximo panorama não se mostre como tratando-se de ter sido pior a emenda do que o soneto.
Mais do que isto não devo dizer. Eu próprio sinto a dificuldade de escolher uma alternativa que não constitua um verdadeiro problema de governação, sendo certo que, dadas as circunstâncias que atravessamos, o menos mau ainda seria que se repetisse um Sócrates mas acompanhado de alguém que o obrigasse a não ser tão fechado no seu umbigo e que não tivesse complexos em modificar as teorias que defendeu até agora em diferentes sectores. E não digo mais, por agora.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

ENGANADOS

Todos nos olham, ficam espantados
estamos na montra do mundo real
afinal, todos nós os enganados
fiámo-nos na pureza ideal

Um raio de luz
chegará um dia
qu’alegria
em que a nossa cruz
terá um bom fim
enfim

O Homem verá
que é bom sorrir
e aí partir
para o que será
um mundo melhor
o maior!

E é o Homem o maior culpado
porque é grande a sua ambição
nem os maus exemplos do passado
mostram dever ser outra a sua acção

FACULDADE DE MEDICINA



Então, mesmo tendo-se chegado oficialmente agora, só agora, à conclusão de que faltam médicos em Portugal, e que, por exemplo, na área da obstetrícia, de que são precisos, urgentemente, 400, sobretudo para os hospitais que estão a ter de contratar estrangeiros para ocupar tal especialidade que está numa situação de ruptura, não sendo já um problema que não seja do domínio público, a pergunta que insisto em fazer, pois já nestes meus blogues ataquei tal defeito, é se o Governo que temos, que, tal como os seus antecessores, nada fez para tentar aliviar tal situação, não entende que é altura de alterar os mínimos exigidos de média escolar para que os alunos que sintam vocação para a medicina possam ser admitidos na Faculdade respectiva, em vez do que está a suceder nesta altura, em que se vêem obrigados a recorrer a instituições semelhantes estrangeiras, por exemplo aqui ao lado, em Espanha, onde é mais fácil e acessível enveredar por esse tipo de estudo?
E o mais caricato de tudo isto é que, na falta de médicos portugueses, o Estado apela para a vinda de técnicos da mesma área de origem espanhola! Não se trata de uma situação verdadeiramente ridícula?
Eu, por mim, não consigo compreender o que vai na cabeça dos diferentes Executivos que passaram pelo Poder e em que, tendo decorrido 35 anos sobre a data da mudança política nacional, ninguém foi capaz de contemplar este problema e, quer chefes do governo quer responsáveis pelo sector ministerial adequado, deram o passo essencial para ter sido posto fim a tal questão.
Estamos mesmo condenados a não conseguir tratar dos nossos assuntos, até aqueles que só dependem do mínimo de bom senso que é fundamental para tentar levar este País por diante? Só conseguimos prestar atenção aos grandes empreendimentos, especialmente aqueles que envolvem enormes investimentos e duvidosos resultados a curto e médio prazo, embora representem grandes responsabilidades económicas para os futuros cidadãos portugueses?
Pois, se assim for, eu, por mim, lastimo o futuro que nos espera. Faço o que posso, que é avisar, levantar as questões, pedir atenção. Mais do que isto não está nas minhas mãos. Se bem que, digo-o sem falsas modéstias, se fosse eu que mandasse… tinha resolvido este problema com a maior facilidade.
Mas não seria esta uma pergunta adequada a ter sido feita a Sócrates, na tal entrevista televisiva que não deixou explicação nenhuma que valesse a pena por parte do principal responsável pelo Executivo que temos?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

LOGO MAIS

Mas que mal anda a língua portuguesa
tão mal tratada pela juventude
perdeu-se por aí tanta pureza
do que é belo e não quer que se mude

Palavras novas, até se aceita
a vida não deixa nada imutável
mas mau sentido é que se rejeita
matar a língua não é tolerável

Quando se ouvem novos locutores
espalhar pelo ar mau português
aí a revolta atinge os anais

E não se podem conter os furores
quando dizem tamanha barbarez
como seja essa do “logo mais”

MODISMOS DA LÍNGUA PORTUGUESA



No nosso País, a língua que falamos tem sofrido, por temporadas, modas que se aplicam no fraseamento que utilizamos, em particular, nas classes situadas no ambiente social que se encontra entre os menos desenvolvidos intelectualmente e os que se encontram na escala logo a seguir, sendo certo que, neste conjunto, estão colocados bastantes intervenientes na política, sejam profissionais desse ofício ou se tratem de pessoas que surgem, com frequência, nas televisões, a efectuar os seus comentários.
Pois, nesta altura e desde há já um certo tempo, o que se encontra na boca da maioria das personagens que botam fala pública, é a expressão “fazer sentido”. Que é usada por tudo e por nada e fazendo ou não, de facto, sentido.
“Faz todo o sentido” é a maneira que encontram bastantes palradores que, para concordar com um passo dado, geralmente por alguém que milita na mesma posição política, não encontra outra maneira de aplaudir do que aquela de afirmar que vão ambos na mesma direcção… no mesmo sentido.
Sim, porque tem de ter esse significado o uso e abuso de tal frase, muito embora, na verdade, haja que concordar que existem outras expressões muito mais apropriadas. Fazer sentido ou não fazer sentido só têm justificação se apreciamos uma forma de dizer algo em termos gramaticais, isto digo eu, que procuro sempre não seguir modismos linguísticos, sobretudo porque prezo excessivamente o nosso idioma e a sua história para fazer dela uma praticante de vícios e de hábitos que não têm nada a ver com a vida própria ela deve ter. Bem sei que as línguas são vivas e, portanto, é com o seu uso pelo povo e, às vezes, a sua deturpação na forma de pronunciar as vogais e ou as consoantes que acabam por produzir, ao longo dos anos, a criação de novos vocábolos. É o que ocorreu, por exemplo, com a palavra "combro", da calçada, que começou por ser "Cúmulo", o alto de uma subida. Mas isso é outra coisa.
Portanto, todas as palavras ou expressões que “pegam” na forma de falar de um certo número de nacionais, só porque ouviram outros empregá-la … e gostaram, todas elas que têm tido a sua época e depois acabam no esquecimento o que merecem é que não façam nunca parte do nosso vocabulário.
Aquele horroroso portanto, que se seguiu a um outro pois, que também teve a sua época, pelos vistos caiu no olvido e hoje já poucos utilizam. Mas o que está, nesta fase, a entrar pelos nossos ouvidos, numa insistência doentia que faz parte obrigatória dos discursos de um enorme número de faladores, é esse tempo de verbo que pretende sublinhar aquilo que fica expresso e que, segundo os praticantes desses vício, fazem questão de salientar. Refiro-me ao despropositado digamos que é colocado sempre a seguir ao que acaba de ser dito e que, sobretudo os discursadores de sentenças saídas com ênfase por parte dos seus autores, vaidosos pelo que acabam de proferir, entendem que se encaixa bem na exposição que se encontram a fazer.
Que pena que nós, portugueses, que deveríamos fazer todos os esforços para que a nossa língua seguisse um rumo que fosse de fortalecimento, de aumento da sua riqueza, nos embrenhemos em modismos que, esses sim, não fazem o menor sentido.

terça-feira, 5 de maio de 2009

SE EU FOSSE UM HOMEM RICO

Hoje estou num desses dias
com ganas de fazer nada
todos nós temos manias
ou gosto pela vida airada
tenho livros para ler
mais de dez na escrivaninha
pinturas para fazer
mas caí nesta morrinha
é preguiça
enfermiça

Olho só, mas nada vejo
nem isso quero fazer
tudo me causa bocejo
mas que maçada viver
e falar não é comigo
que trabalho isso me dá
andar também não consigo
dar uns passitos vá lá
mandriice
que lesmice

Amanhã será diferente
terei plena energia
pois nem sempre a gente sente
bem fundo a mesma agonia
vou falando com quem passa
poesia escreverei
mirarei a mulheraça
e tudo que sei farei
com vontade
e qualidade

Postas as coisas assim
parando para pensar
ponho esta questão a mim
em prosa ou a versejar:
pode-se ser mais feliz
estando atento à nossa volta
e sendo sempre juiz
ou seguir na vida à solta
divertido
extrovertido ?

Boa questão está no ar
que responda quem souber
cada um faça o que achar
o que mais lhe aprouver
porém o mundo não deixa
que cada qual faça a escolha
pois muita porta se fecha
quem anda à chuva se molha
aguenta
que tormenta

Sendo pobre, coisa má
mais difícil a opção
não há por perto o sofá
e p’ra dormir há o chão
por isso não fazer nada
não é escolha para ter
e andar na vida airada
não é questão de querer
o trabalho quando falta
sem ser por própria vontade
mesmo doente com alta
não dispõe de liberdade
desemprego
desassossego

Comigo não é assim
não sou pobre nem sou rico
é só por não estar afim
não quero e nem abdico
já nesta altura da vida
de ser de outra maneira
o momento é que convida
seja certo ou seja asneira
dolência
independência

Não posso ser mentiroso
pôr em verso meus desejos?
É que me dá certo gozo
fingir que tenho bocejos.
Não, nunca estou desse modo
no “dolce fare niente”
por mim nunca m’acomodo
na posição de ausente
é que tenho consciência
de que o tempo que me falta
me desperta a exigência
de não m’entregar à sesta
essa a razão por que faço
esforços p’ra produzir
e afugento o cansaço
em troca do insistir
teimosia
rebeldia

Estou num dia portanto
ao contrário do que disse
em que p’ra dentro canto
não vejo nisso chatice
acrescento mais poemas
ao rol imenso em arquivo
são quase todos algemas
que eu deixo em donativo
aos que ainda cá ficarem
nada têm de nocivo
mesmo sem apreciarem
testamento
sem talento

só se for rico
o mafarrico

VENTOS

Bem longe de mim estão esses ventos
Que sopram a outros e por mim passam
Sem parar, sem olhar os meus tormentos
Que também tenho e me trespassam

Quero agarrar o silvo desse vento
Pleno de saber, de compreensão
Quero-o para mim e bem o tento
Mas é todo um esforço em vão

Brisa que passa cheia de alegria
Envolta em bem e com boas notícias
Se eu pudesse nunca partiria

Só tempo agreste é que quer ficar
O que vem carregado de sevícias
É que insiste à minha volta rodar

ANALISTAS POLÍTICOS



Andam por aí tantos analistas políticos que, um a mais, como pode ser este caso, também não adianta nem atrasa o que ocorre no nosso panorama. De facto, com o andamento da situação e dado que nada acontece por cá que nos anime a ter confiança neste ou naquele movimento político, tenha a classificação de partido ou seja apenas uma vontade que desponta no meio de qualquer organização já constituída, o que apetece é também mostrar a nossa opinião, um pouco como tratando-se de uma antecipação ao que vai ocorrer como consequência das eleições que se aproximam, em particular as legislativas.
Devo confessar que, depois de ter averiguado todos os agrupamentos políticos que se plantavam no quadro das perspectivas de formar governo, isso nas eleições passadas, optei por facilitar o meu voto ao Partido Socialista por me dar a impressão que, com um líder sem grande compromisso com as linhas normalmente estabelecidas, havia razão para ter esperança de que a Democracia sairia reforçada por tal escolha. Não conhecia José Sócrates com profundidade, mas parecia-me que um rapaz ainda novo traria ideias também rejuvenescidas e seria capaz de dar a volta ao que ocorria e que estava a precisar de sangue na guelra.
Passado este período, constatadas as consequências da escolha, tendo contemplado, constrangido, os discursos mal construídos do responsável que se considerava, cada vez com mais evidência, da sua condição de seguro em tudo que fazia, observando o que foi ocorrendo, de uma forma que ia perdendo progressivamente toda a confiança que eu tinha depositado no início, acompanhando cautelosamente cada passo que ia sendo dado e os resultados pouco entusiasmantes que iam sendo conseguidos, não posso deixar de chegar a esta fase sem um desconsolo que não sei como esconder nesta altura.
Não é aceitável, especialmente estando todos nós a sofrer as consequências de uma crise que ninguém sabe com absoluta certeza como nos iremos livrar dela, que José Sócrates, que conta no seu elenco com alguns ministros que já deviam ter sido postos de lado quer pela actuação que têm demonstrado como pelo comportamento verbal de que têm dado provas bem tristes, em lugar de aceitar - e dar conta pública disso – as opiniões mesmo vindas das oposições, pelo contrário insiste em querer arrogantemente afirmar que só ele tem razão e que todos os demais não passam de gente incompetente.
E, para além de tudo o mais, a corrupção que tem vindo a desenvolver-se por todo o lado e, sobretudo, o consentimento superior quanto às criminosas benesses que têm sido oferecidas aos políticos que contam com a protecção partidária, ao ponto de um Jornal ter publicado na sua primeira página a frase de que “há políticos pobres que, ao fim de uns anos, estão milionários”, tudo isso poderia e deveria ter sido objecto da intervenção dos poderes e Sócrates, sabe-se lá porquê, nunca meteu mão neste crime que está à vista de toda a gente, e agora mais pelos milhares de desempregados que se acumulam por esse País fora.
Há muito mais para explicar porque é que me encontro tão desiludido com a minha escolha na última votação do grupo partidário que está no Governo. E o pior é que, provavelmente, repetirei o mesmo erro. Mas se não for assim, o quê? A abstenção, essa é que haverá que evitar por todos os meios que se possam dispor!...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

CONVERSA FIADA

Neste dia-a-dia
De vida errante
Só resta a mania
De ser bem falante
Falar para o povo
Dizer baboseiras
Sem nada de novo
Apenas asneiras
Na terra onde estamos
Onde nós vivemos
Já não nos safamos
No mais e no menos
Falar por falar
Promessas, enfim
Ter que aguentar
Ouvir tal latim
O povo acredita
Naquilo que dizem
No fim é que fica
Com medo que o pisem
Comer p’la calada
Dinheiro nem cheiro
Conversa fiada
No fim e primeiro

QUE FUTURO?



O que eu mais gostaria que me sucedesse na escrita destes meus blogues diários era que os temas focados fossem, na sua maioria, demonstrativos de que, neste nosso País, há mais motivos para expressar alegria e boa disposição do que o contrário. Que bom seria cantar aleluias às nossas demonstrações de felicidade, dar mostras de bem-estar com o mundo e connosco, ter saudades de algum passado que tivesse valido a pena e não perder expectativas agradáveis em relação ao futuro. Isto seria o que me apetecia que fosse uma realidade.
Mas, para fazer a vontade a todos aqueles que clamam pelo optimismo, que aconselham o acreditarmos que o que vem aí só pode apresentar boas perspectivas, que o mau tempo fica sempre para trás, sobretudo que somos capazes de vencer as adversidades e que temos competência para, como dizem os brasileiros, darmos a volta por cima, para aderirmos a esse espírito de que tudo corre bem não importa que estejamos a mentir a nós próprios?
Eu lastimo. Mas não sou portador dessa característica. O que vejo, o que sinto, o que perspectivo não corresponde a tal crença de que não temos razões para nos preocuparmos. Que podemos andar descansados e que os nossos descendentes vão encontrar um País pleno de forma e, em relação ao espaço europeu, não existirá nenhum atraso, para não dizer que nos vamos situar na frente da fila.
Sendo assim, vou apenas referir algumas notícias que, os que acompanham os jornais, as rádios ou as televisões, puderam constatar hoje, dando a conhecer ao público em geral como nos encontramos e como vamos ficar. Para começar, os cenários que o governador do Banco de Portugal entendeu comunicar não podem ser mais arrepiantes. Desde as diminuições da riqueza do País, da baixa do investimento privado que vai ter lugar, das exportações que caíram muito e a retoma que só será mais significativa lá para o ano de 2011, tudo isso acrescido do desemprego que não pára de aumentar, faz com que Portugal seja um País a viver um período de medo, em que a pobreza está bem ao alcance das mãos. Em resumo, os responsáveis pelas finanças públicas já não escondem que a queda agora analisada é mais forte do que se previa e que não vai ser fácil sairmos da recessão em que já nos encontramos.
E como se não bastasse a quantidade enorme de empresas de antigo sucesso e nome sonante que encerram as suas portas e ocasionam avultados despedimentos, também os pequenos empresários, que são aos milhares, diariamente dão mostras do encerramento das suas lojas onde figura o triste anúncio de “vende-se”.
Haverá então alguém neste nosso País que se queira iludir com toques de violino, para não se consciencializar no que respeita ao amanhã que tem de nos preocupar? Há ainda gente que se deixa levar pelas palavras falaciosas dos nossos governantes, com José Sócrates à frente, que não tendo nunca mostrado coragem para falar verdade aos portugueses, para convencer a população de que, em lugar de propagar a ideia de que estávamos ricos – como o fizeram durante a sua governação, especialmente no período mais inicial – o fundamental era ir preparando a população para o que a esperava, e que todo o mundo já conhecia? Aquilo que disse o Presidente da República, quando se referiu a este problema e não foi nada meigo no que respeita ao sentido crítico das suas palavras, não esteve longe do conteúdo do que aqui fica expresso neste texto.
Não ligo a que uns tantos, que até talvez estejam a ser beneficiados por esta situação de corda na garganta que se vive em Portugal (e não se admirem ao ler esta passagem, porque, como tenho referido nos meus blogues diários, é verdade, há sempre quem ganhe com o mal da maioria), mas eu prefiro olhar de frente e, ao insurgir-me contra a apatia que certos sectores mantêm, levanto a minha voz de inconformado e dou a cara. Que não tínhamos, nós, pequeno País, capacidade para passar ao lado da crise, isso aceita-se. Mas que tenhamos seguido o caminho de esconder a verdade e de não sermos capazes de escolher as opções de actuação mais apropriadas, isso é que não consigo aceitar, (volto a referir-me aos meus blogues anteriores).
Vamos a ver o que vai mostrar o resultado das próximas eleições, especialmente as legislativas. Tudo indica que maioria no Parlamento é situação que ninguém acredita que se verifique. Portanto, o panorama político se modificará de maneira bem clara. As abstenções, que se provêm por parte do eleitorado no momento do voto, darão a indicação de que os portugueses perderam o interesse pela situação política do nosso País. Não vão confiar em ninguém, digo eu, a esta distância e sem temer ser criticado por isso. E, da mesma maneira que não influencio ninguém da área do Governo com as minhas exposições neste blogue, também seguramente que não será pela leitura do que aqui escrevo que os cidadãos ficarão em casa no dia de ir às urnas.
Vamos lá a ver quando e como alterarei estes meus textos pessimistas, mas isso só se poderá verificar na altura em que se vislumbre algum passo por parte dos governantes, agora estes, depois os que vierem, nem que sejam os mesmos mas com companhia sabe-se lá de quem, que se possa considerar como medida ou medidas que, realmente, tenham de ser consideradas como valiosas, inteligentes, competentes e cujo objectivo seja o de melhorar o estádio em que se encontra Portugal.

domingo, 3 de maio de 2009

DESCONSOLADO

Aqui estou eu, desconsolado
a ver passar o mundo
à minha volta
sem que nele interfira
sem que o melhore
mas também pouco
o piorando.
Sou mais um
dos milhares de milhões
que por cá andam
a consumir o ar,
a água, o ambiente,
o espaço e que contribui para que o amanhã
seja muito pior,
mais escasso de tudo,
menos belo,
menos natural.

Aqui estou, enfastiado
já sem me importar
com o que vem a seguir,
com o que vai ser o futuro,
aquele que não me vai encontrar...
para me desconsolar

FAR WEST Á PORTUGUESA





Por mais que eu deseje entrar num período em que tudo o que eu escreva seja no âmbito optimista, não tendo de abordar temas de desgraça e de perspectivas angustiantes para o futuro que se depara ao Mundo, o facto é que todos os dias chegam notícias que nos deixam alarmados, isto se levarmos em consideração as realidades divulgadas, as que nos podem atingir directamente ou mesmo as que só vão chegar ao espaço terrestre daqui a alguns anos, provavelmente em época em que nos não apanham já na luta do dia-a-dia. Daí a minha preocupação. Na verdade, todos nós sentiremos enorme prazer em manter a esperança de que este mundo que vamos deixar será recebido pelos vindouros com prazer e agradecimento por não ser herdado em péssimas condições de vivência e com encargos que têm de ser suportados, provenientes de dívidas contraídas pelos antecessores. Mas isto já é outra conversa que não vou agora abordar.
Porém, o que nos tem de deixar deveras consternados são noticias que surgiram nesta altura de que, lá para o ano 2080, existe a ameaça de Lisboa, isto no caso português, ficar em parte submersa, resultado do degelo provocado pelo aquecimento global que já teve início nesta altura, o que vai fazer com que o nível da água suba, nos próximos 70 anos, podendo, no nosso caso, tapar metade do Arco da Rua Augusta.
Perante estes tipo de panorama que diz respeito ao mundo num futuro, mesmo que não seja muito distante, o que poderão pensar os multimilionários de hoje, aqueles que acumularam fortunas e que vivem preocupados em as manter a todo o custo, principalmente aquelas riquezas astronómicas que foram obtidas por acções obscuras, por rasgos de sorte provocada, por atitudes que poderão ter sido já faladas muito embora as provas concretas não surjam porque o dinheiro tem sempre forma de fazer esconder as habilidades que provocam acumulações de activos de todas as espécies? Esta pergunta dá vontade de ser feita, muito embora as respostas dos vários sortudos não surjam nunca.
Digo isto agora, por ter tomado conhecimento pela leitura de uma notícia saída num periódico de que um autarca de Gondomar, vivo, acumula uma fortuna, descrita numa sua declaração de rendimentos, em que, para além dos ganhos anuais de 47 mil euros, obtêm outros 77 mil euros de rendas prediais, mas, acima de isso, declara ser dono de 223 propriedades espalhadas pelo País. Trata-se de um autarca da Câmara de Gondomar, por sinal o mesmo local onde outra vida também avantajada é conhecida, pertencente ao seu Presidente (embora este, também segundo notícia jornalística publicada,"só" seja proprietário de 9 casas e de 17 empresas). Só que isto ocorre num País paupérrimo, encontrando-se a sua população, na sua grande maioria a roçar a miséria, até com vários organismos municipais sem poder liquidar as suas dívidas e em que o aspecto geral da Nação é de fragilidade financeira inquietante, é exactamente isto o que foi matéria de uma notícia que, bem sabemos, não é original nem rara, pois que se sabe que, no meio da crise, há aqueles que se aproveitam das circunstâncias e enchem fartamente os bolsos.
No que diz respeito aos governantes de hoje, eles que façam um exame de consciência e que analisem se têm sido tomadas todas as medidas para terminar com este verdadeiro Far West do roubo. E vamos ver o que vai occorrer depois das eleições...

sábado, 2 de maio de 2009

OUTRO INFERNO?



Foi, ao assistir a uma das duas manifestações populares – que é como quem diz, porque foram organizadas por centrais sindicais – do 1.º de Maio, em que, apesar das dificuldades que se conhecem de procurar resolver uma situação que está a atingir fortemente a situação social da maioria do povo, e ao confrontar-me uma vez mais com os exageros que alguns participantes resolveram assumir (desta vez foi o caso passado das afrontas com o candidato a deputado europeu pelo Partido Socialista, Vital Moreira), fiquei a pensar, como já me sucedeu noutras ocasiões, naquilo que os homens imaginam em relação a um mundo ideal, a uma espécie de se viver no Céu cristão, quando os nossos pés onde pisam é nesta Terra que, por sinal, é fruto da acção humana, e, por isso, do seu próprio egoísmo, das invejas que fazem com que o ser racional não se conforme nunca com o que tem e, antes, tudo faça para alcançar o máximo só para si, sejam quais forem as consequências e os prejuízos que tal causem ao próximo, ao vizinho que se movimenta do outro lado da rua a quem não é consentido que tenha mais abundância do que aquilo que se possui neste lado. E os causadores da crise que se instalou na nossa Esfera, e que anda por aí a tentar esconder o que conseguiram arrecadar, esses são bem a prova de que os habitantes do Planeta não realizaram ainda que onde vivemos não é propriamente o tal Céu imaginado, seja qual for a religião que se professe, mas sim um local onde o Homem dispõe dos meios para tornar o terreno que pisa numa espécie de paraíso e, em vez disso, sem medir as consequências dos seus actos, sem travar os ímpetos de malvadez que não hesita em utilizar só em busca do seu próprio benefício, o que tem conseguido é ir criando um autêntico Inferno, onde a existência se apresenta cada vez mais difícil.
Esta introdução até dá ideia de tratar-se de um texto litúrgico, oriundo de uma das fés que, também os Homens, foram construindo ao longo da sua existência e que têm vindo a desenvolver e a modernizar de acordo com o progresso tecnológico que também sai das suas cabeças e das suas mãos.
Mas não é disso que se trata e tão somente uma reflezão que me surgiu ao ter analisado o comportamento de uma avalanche de cidadãos que, para comemorar um dia que decidiu dedicar ao Trabalhador, não foi capaz de se limitar a festejar uma data, procedendo de forma inversa, isto é, perdendo a cabeça com insultos e manifestações hostis contra um participante dessa comemoração. E vá lá que poderia ter sido pior, como já se tem assistido em acontecimentos semelhantes que se dão em diferentes partes do mundo, onde a destruição e a raiva são de grande dimensão.
É verdade que, seja qual for o local onde se tenha que suportar a vida de hoje, há enormes razões de queixa da maioria das populações contra o estado a que chegaram, actualmente, as situações de sobrevivência que têm de se suportar amargamente. E o pior é que não se sabe como e quando terminam as aflições em que estão envolvidos milhões de habitantes terrestres.
E, para acrescentar ainda mais sofrimento, eis que surgiu agora a chamada “gripe A”, como se não fosse bastante todo o sofrimento que paira junto da maioria da população terrestre. Recordo-me do tempo em que a ameaça de ir parar ao Inferno era um dos castigos com que a religião Católica assustava os tidos como pecadores.
É caso para perguntar: Outro Inferno? Então este não chega?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

NO DIA DO TRABALHADOR



Já me referi nestes escritos às regalias que os deputados europeus obtêm pelo facto de exercerem a sua actividade em Bruxelas, conseguida por votação em cada país comunitário, onde têm de se deslocar periodicamente à sede do Parlamento Europeu. Mas não falei concretamente de valores e de outras mordomias que lhes são concedidas. Não ficaram completamente esclarecidas, portanto, as vantagens que obtêm esses “pobres” desempenhadores de funções que, em muitos casos, se resumem às viagens aéreas de ida e volta, em classe executiva, está bem de ver, e às presenças nas suas bancadas, quase sempre só a ouvir os outros interferirem nas discussões e, claro, na altura própria a terem de votar. Fora isso, o que lhes cabe é ter de dormir onde melhor escolhem e tirando partido da verba que lhes é concedida pela EU e que era, até agora, de 287 euros diários mas passou a ser de 430 euros, o que dá bem para um razoável hotel local e que, para alguns, até sobra.
Mas, no que diz respeito à remuneração, até há pouco era de 3.815 euros mensais, mas este ano subiu para 7.665 euros brutos, todos em igualdade de circunstâncias seja qual for o País que representem. Para além disso, e para que os deputados possam recuperar do esforço que fazem na sua actividade, a sede do Parlamento em Bruxelas dispõe ainda de instalações para refrescar as ideias e prestar uma qualidade de saúde superior, como seja um ginásio com “Spa” que é bem aproveitado pelos participantes do Parlamento.
E não ficam por aqui as condições faustosas que são concedidas aos mesmos deputados. A partir dos 63 anos, os membros da Instituição podem reformar-se e recebem, automaticamente, uma pensão vitalícia no valor de 3,5 por cento do ordenado por cada ano de trabalho exercido a favor da EU, após desconto facultativo, caso contrário os próprios podem optar pela pensão atribuída pela Assembleia da República, o que quer dizer que são, no nosso caso, os portugueses a suportar.
Nesta altura já os maiores partidos nomearam os seus principais representantes para estarem presentes nas próximas eleições europeias e estes encontram-se na expectativa de obter tal preferência, imagina-se que com compreensível frenesim. E não será caso para menos, trata-se de um “emprego” para quatro anos que, especialmente nesta época de tanta falta de colocação, cai como sopa no mel nos pratos dos felizardos que obtêm este privilégio.
Estive para não incluir no meu blogue este tema que provoca, como é evidente, a maior inveja a toda a classe popular que por cá labuta uma vida inteira e nunca teve possibilidade de auferir nem nada parecido com estas benesses que são concedidas aos deputados europeus. E que, sobretudo nesta altura dramática da nossa existência, em que a maioria dos portugueses se vê em palpos de aranha para conseguir suportar os seus gastos mensais mínimos, até de alimentação, tomar conhecimento do tratamento que é dado aos representantes nacionais naqueles lugares lá pela Europa, com idas e vindas semanais, e tendo-se ficado agora a saber que os custos das propagandas pagas aos partidos, pelas eleições que hão-de vir aí, são suportadas pelo Estado, ainda mais incómodo provoca este escrito.
Da minha parte trata-se, reconheço-o, de uma maldade e talvez custe a alguns perdoar-me. Mas não resisti ao vício de manter informados aqueles que me lêem diariamente.
Que me desculpem por isso. Sobretudo por sair este texto no Dia do Trabalhador.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

DESGOSTO

Como gosto de pintar
De trazer à tela em branco
O dom que sinto no ar
E da alma o arranco

Como ter papel à frente
À espera que o preencha
Com versos que estão na mente
A pedir que eu lhes mexa

Mas a música saltitante
Essa sim bem gostaria
De fazer dela uma amante

Mas aí é que eu não pego
Nem marcha nem sinfonia
Com desgosto, não lhe chego

O RETRATO


Eu que pinto, que me agarro aos pincéis e coloco diante de mim o cavalete, com a tela pronta a sofrer os mal tratos que eu lhe posso dar, com as cores que, de início, nunca sei bem quais serão, se resolvesse agora, mais uma vez, preencher o espaço em branco com a reprodução da minha imagem, que veria em mim que merecesse a pena reproduzir?
Nem sei bem. Não consigo, com o que escrevo, imaginar o que poderia sair.
Com a escrita é mais fácil. Quem, como eu, se dedica a esses dois atributos, que foram, há anos, simples entretenimentos e, quando chegou a altura, transformei em actividade permanente, perante a prosa, os poemas e a pintura tenho dificuldade em prever, antes de ter avançado alguma coisa no trabalho a que meti ombros, melhor dizendo as mãos, e não me sinto em condições de prever como vai ser o seu andamento e muito menos como o darei por concluído.
Na escrita, o computador ajuda muito, porque permite avanços e recuos, emendas de parágrafos inteiros, substituição de matéria antes pensada e concebida. Há sempre aalterações a fazer e só com um voltar de costas teimoso é possível substituir o que já estava escrito com aquilo que se desejaria ter executado.
Na poesia será um pouco diferente. É preciso pôr a funcionar a imaginação, a busca do tema, o profundo desejo de encontrar as palavras que melhor se adaptam à ideia e à cadência de um poema. E, claro que não são todas as que vêm no dicionário.
Na pintura, pelo menos comigo, não é fácil executar um quadro de cada vez. Começar e acabar o mesmo. A não ser se no retrato ou na reprodução de alguma modelo, quer vivo quer paisagístico, seja portanto ele qual for e em que existe o motivo à vista e então basta que se iguale o que se vê com a maior fidelidade possível – isso que eu já fiz, mas não pertence nesta altura aos meus propósitos pictóricos -, quando o artista coloca as bisnagas à vista, a dificuldade consiste em saber qual a primeira cor a colocar no espaço ainda em branco, aquela que vai constituir a base da obra que se procura desenvolver. Por isso, ao contrário da escrita, em que o autor não dá início à sua produção colocando palavras à solta no papel, a diferença com o pintar, especialmente nos primeiros passos de cada uma das artes, é enorme e não coabitam as duas actividades no mesmo espaço da imaginação.
Ao redigir tenho mais facilidade em retratar-me. Não existe tanto rigor na semelhança, os retoques literários permitem uma aproximação mais fiel do que eu possa ser de facto. E como a descrição do retratado não é física mas mais interior, com maior preocupação de descrever a maneira de ser, a actuação, o comportamento em todas as suas manifestações, humanas e intelectuais, se bem que se possa também escrever o aspecto exterior, aquele que se encontra mais à vista, ao fazer uma espécie de auto-retrato escrito, ainda que não revelando por completo um ou outro pormenor de maior intimidade, talvez consiga mostrar-me com uma certa fidelidade.
Voltando à pintura, não escondo que já tentei reproduzir-me na tela que tinha disposto para o efeito. E saíram várias demonstrações do esforço que empreguei para me aproximar daquilo que julgo ser a minha personalidade física. Passei por essa fase e a minha preocupação foi a mesma de me ver ao espelho. Pouco interessante. Daí que enveredei pela via da análise subjectiva da minha personalidade, utilizando cores que não se coadunavam com a realidade mas que se adaptavam ao estilo pictórico mais próprio da fase artística por que tinha enveredado.
Em qualquer das situações não fui capaz de me convencer que estava a ser fiel ao modelo.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

DIREITOS E DEVERES

O Homem tem seus direitos
os gregos foram primeiros
e a Demo com seus defeitos
teve aí os seus obreiros

Os romanos se seguiram
as Doze Tábuas criaram
mas os plebeus não se riram
longe dos nobres ficaram

A Revolução Francesa
fez algo p’lo cidadão
trouxe alguma firmeza
na sua Declaração

Mas só a França lucrou
a Europa estava fora
e o mundo nem se atinou
com tais sinais de aurora

Foi precisa uma guerra
que espalhou p’lo Universo
malefícios de quem erra
mostram o Homem perverso

No fim as Nações Unidas
lá do Homem se lembraram
p’ra tapar muitas feridas
a Declaração criaram

A segunda, a que existe
extensiva a todo o mundo
mantendo o dedo em riste
mas pouco eficaz no fundo

Muçulmanos, por exemplo
tolerância não conhecem
e mesmo crentes no templo
as mulheres só obedecem

Respeitar opiniões
é coisa que não aceitam
provocando explosões
aos que o Islão rejeitam

Porém há tantos que tais
que aos outros não dão direitos
e mandando querem mais
julgando-se até perfeitos

Pois todas as ditaduras
de quaisquer ideologias
têm as mesmas posturas
de severas tutorias

Mas de direitos falando
úteis p’ra todos os seres
é bom não ir olvidando
que também há os deveres

Uns e outros são irmãos
até gémeos por sinal
e todos os cidadãos
devem ter esse ideal

Direitos têm de haver
essa regra é de ouro
mas deveres não esquecer
fazem parte do tesouro

APRENDER DEMOCRACIA



Se pensarmos bem, cada vez que a nossa boca pronuncia a palavra Democracia, no seu verdadeiro significado e naquilo que cada um de nós deve fazer para praticar essa modalidade política, se usássemos a referida expressão mas, por outro lado, a praticássemos melhor, seguramente que o seu uso no dia-a-dia seria bastante mais visível. E isso, particularmente, no que se refere ao português de gema.
É evidente que seguir com rigor os princípios democráticos não é tarefa fácil de executar. Obriga-nos a ter sempre presente a razão dos outros, a acatar as suas opiniões, mesmo que nos encontraremos no patamar contrário, não discutir pontos de vista aos gritos, gesticulando, impondo o nosso parecer sem consentir que os parceiros apresentem os seus. E isso, como é natural, custa a praticar. Sobretudo nós, portugueses, que vivemos embatocados durante praticamente toda a nossa existência - sim porque não foi apenas no longo período ditatorial que o povo não foi ouvido para opinar sobre a condução dos destinos da Nação -, que acordámos numa manhã com uma evolução na rua, em que nos foi dito que e passava a viver em Liberdade, nunca entendemos completamente o que isso significava na sua verdadeira pureza e passámos a julgar que já estava enraizado no nosso espírito aquilo que a Democracia representa na verdadeira acepção política.
Mas se observarmos, por exemplo, o que sucede na Grã Bretanha, onde a prática democrática – a tal que já Winston Churchill disse que era a menos má das políticas – existe há cerca de 300 anos, se tivermos oportunidade de conviver com súbditos ingleses do nosso nível intelectual, então poderemos constatar que existe uma enorme diferença entre a duas práticas do mesmo princípio, a deles e o nosso.
É que ouvir, mostrando a maior atenção, o que outro cidadão pretende dizer e, durante todo o discurso, sentir dentro de nós toda a contradição quanto aos pontos de vista que nos são apresentados e aguardarmos pela nossa vez de falarmos para, então, expormos o que consideramos ser a nossa verdade, essa atitude não constitui ainda a nossa forma de actuar.
Não há dúvida de que vão ser precisos vários anos de prática democrática, que é necessário o aparecimento de algumas novas gerações para que o hábito de saber ouvir os outros, para que os portugueses consigam, a pouco e pouco, embrenhar-se naturalmente no que hoje ainda constitui um esforço, dado que é característica nacional julgarmos que a razão está sempre do nosso lado e que os demais andam sempre enganados, será essencial praticarmos muitos para podermos chegar a uma situação parecida com o espírito democrático autêntico.
Essa, pois, a razão que me leva a manifestar a minha estranheza por não ter sido ainda introduzida no ensino escolar, até mesmo logo no primeiro ciclo, a disciplina que ensine aos miúdos o verdadeiro valor da Democracia. Surgiu uma preferência pela língua inglesa que, aliás já se aprendia antes, tem sido grande a propaganda em redor do computador Magalhães, tudo com o seu valor relativo, mas envolver as classes da primeira aprendizagem no estudo da prática democrática, com exemplos bem claros e fazendo com que a rapaziada se inicie na respectiva utilização, entre eles próprios, do que representa permitir que cada um pense da sua forma e possa expor aos parceiros o que a sua cabeça produz, sem impor, mesmo que esteja em desacordo, aquilo que constitui a sua própria opinião, o saber ouvir e expor, tudo em acalmia e com boa educação, isso não lembrou ainda a nenhum Governo pós 25 de Abril estabelecer na instrução dos homens de amanhã.
Essa atitude passiva não vai contribuir para que os cidadãos se vão habituando, o mais rapidamente que for possível, a essa norma tão salutar de conviver. E é pena. Quanto mais tempo levarmos por cá a não usar enfaticamente só a palavra sem a sabermos aplicar na prática em toda a sua extensão, mais longe se encontra o entendimento entre os que passam a vida a discutir e a não chegar facilmente a um entendimento.

terça-feira, 28 de abril de 2009

FUNDO DE DESEMPREGO



Tanto se queixa José Sócrates de que não consegue que lhe cheguem às mãos, para além das críticas dos seus opositores, propostas que se destinem a encontrar soluções para resolver a crise e que sirvam também para ajudar o Governo a caminhar por vias positivas que proporcionem melhorar o estado degradado em que se debate o povo português, perante esta lástima que, até certo ponto, tem alguma veracidade, pois os partidos políticos opositores do PS só se têm interessado pelo dizer mal do que vem sendo feito – e tem sido muito, também há que dizê-lo -, faltando surgirem planos concretos, de que os cidadãos tenham conhecimento, que possam ser aproveitados pelos governantes actuais, atrevo-me a apresentar neste blogue uma ideia que, nas minhas fugas ao noticiário de televisões estrangeiras, neste caso a Rai Uno, italiana, tive ocasião de recolher, como tratando-se de algo que está a ser posto em prática pelo Executivo de Berlusconi. E é tão simples como o que passo a expor:
Dado que as pequenas e médias empresas são lá, como sucede entre nós, as mais sacrificadas, pois a Banca, assustada com os créditos mal parados, não lhes facilita os empréstimos para fazer face à evolução dos seus negócios, isso, apesar de serem elas as que proporcionam maior número de empregos, no total de posições que oferecem em todo o território - o que também se verifica entre nós -, a medida tomada foi a de conceder facilidades fiscais a esses pequenos contribuintes desde que os mesmos não despeçam trabalhadores e mesmo se abrirem a possibilidade de aumentar o número de colaboradores fixos que possuam. E esse auxílio consta da diminuição de impostos, o que, em muitos casos, representa um apoio bastante significativo.
Por outro lado, feitas as contas, o Estado deixa de pagar o auxílio do desemprego, que cá também se verifica, o que quer dizer que, em termos de dispêndio com dinheiros públicos proveniente da redução de impostos aos que beneficiem dessa participação, haverá alguma compensação com a redução de valores do Fundo de Desemprego.
Não sei se os serviços ao dispor do gabinete do primeiro-ministro acompanham o que se passa neste nosso País e se também se se ocupam de ler os blogues que vão saindo, porque se sim haverá possibilidade de tomarem conhecimento desta proposta. Se isso não acontece, então apenas outros cidadãos que não têm poder para actuar ficam ao corrente do que aqui deixo expresso.
Cada um faz o que pode.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

CEGO

Aquilo que eu vejo hoje
o que gosto e o que detesto
as flores, as árvores, a Natureza
e as maldades dos homens
só é possível porque os meus olhos
ainda funcionam
e é com eles que o meu cérebro
raciocina
se alegra e se revolta
se sensibiliza
me obriga a olhar para trás e para a frente
a parar para ver melhor
a espantar-me com o belo
e com o desprezível

Mas penso se um dia
deixo de ver
se terminam as minhas contemplações
se se fecha a janela da vida
se só poderei
ouvir, apalpar, falar
e só com isso serei capaz de decifrar
o que se planta diante de mim,
então o cérebro trabalhará a dobrar
penso eu, mas talvez a falta de visão
descanse mais o pensamento
o que não se vê
se não mostra a beleza
também não revolta
quando é isso mesmo:
repugnante

O pior é a leitura
o breille ajuda, dizem os invisuais
mas não se anda tão ao par
do que vai saindo
e que valha a pena
embora, por outro lado,
não se tenha de assistir
à enormidade de lixo literário
que as editoras atiram para a rua.

É melhor ou pior ser cego?
o ideal é não se conhecer nunca
a resposta
ficar na dúvida
a questionar-se até ao fim.
Por enquanto, já que vejo
deixem-me ficar assim!...


SE EU MANDASSE!


Se me tivesse calhado a mim a incumbência de ter entrevistado na SIC, como ocorreu recentemente, o político José Sócrates, talvez tivesse incluído nas perguntas apresentadas alguma coisa que se relacionasse com o que exponho abaixo e teria ocasião de o envolver na questão que está agora na boca de muitos portugueses: “Se fosse eu que mandasse, o que é que fazia?” Mas fica apenas a ideia da reacção do primeiro-ministro perante o problema que lhe fosse posto desta maneira. O resto é com a imaginação de cada um. Também não faço ideia da sensação que provocaria se, no discurso do 25 de Abril do Presidente da República, a questão posta a seguir tivesse feito parte das suas palavras.
“Se fosse eu que mandasse”
A esta pergunta que é feita ao público desprevenido na rua, que é apanhado pelas câmaras da SIC, num programa intitulado “Nós por cá”, se me calhasse a mim responder claro que não o faria sem deixar bem explícito que não é apenas um simples ponto, aquele que nos interessa a título pessoal, o que merece ser posto aos membros de um Executivo que, como sucede agora, se encontram ocasionalmente a comandar as várias pastas que lhes estão distribuídas.
Posto este ponto de vista, vale a pena acrescentar que o que eu faria logo à partida era convocar um Conselho de Ministros para comunicar a todos os membros que, a partir daquele momento, seria exigida a maior responsabilidade a cada um dos detentores da diferentes pastas, sendo que igual posição deveriam tomar os ministros em relação aos seus subordinados. Acabariam ali as desculpas quanto a demoras na execução das obrigações de cada um, demonstrações de incompetência, desculpas de mau pagador no que dissesse respeito a chamadas de atenção por acções, atitudes e declarações proferidas fora de propósito e todos, na sua escala respectiva, ficariam, portanto, sujeitos a uma avaliação permanente e a ter de assumir a respectiva responsabilidade para efeitos de encontrar os culpados, se os houvesse.
Para além disso, cada Ministério deveria criar um departamento para atender as reclamações dos cidadãos que dissessem respeito ao seu pelouro e, ao mesmo tempo, passaria a existir um cuidado particular no que se referisse ao tempo que levassem as respostas respectivas a cada caso. Teria de ser uma secção com um certo poder de requerer a urgência no seguimento dos assuntos, devendo ter acesso ao Ministro respectivo no caso de se verificar mau atendimento dos temas reclamados. Mas, esta medida teria de ser comunicada de seguida aos portugueses, para estes tomares conhecimento de que os sues problemas, desde que transmitidos às instâncias respectivas, teriam tido andamento no mais curto espaço de tempo possível, com o objectivo de criar confiança aos cidadãos que, desde sempre e até agora, se queixam e com razão de que o Poder não cuida de manter os naturais do nosso País informados do que se passa e não respondem às suas queixas.
Ora aí está o que eu faria em primeiro lugar. Porque, dizer em meia dúzia de palavras aquilo que me competia executar se mandasse, com a vastidão de assuntos que aguardam que os poderes públicos olhem para eles e se envergonhem das más actuações que a cada passo se detectam, isso não será possível.
E era a partir desta medida que todo o resto seria desbobinado, se bem que, tanta e tanta coisa que está a pedir que os que têm obrigação de tratar bem deste País lhes dediquem a atenção necessária, não seria, logicamente, de um dia para o outro que se poderia assistir a uma mudança radical do sistema e, com isso, se passasse a ver tudo solucionado, mas era um começo para dar a volta por que se espera há imenso tempo.
É óbvio que uma atitude deste tipo impunha que, da parte do principal responsável pelo Governo, se verificasse uma absoluta coragem e a disposição para enfrentar imensas contestações, mas é para isso que existe o lugar de primeiro-ministro, e não para se manifestar permanentemente como um sacrificado e um perseguido.

domingo, 26 de abril de 2009

OLHA EM FRENTE

Caíste no barranco da desgraça ?
Levanta-te, sacode o pó da estrada
Deixa que com o tempo tudo passa
‘Inda podes jogar nova cartada

Coragem homem e olha em frente
O que p’ra trás ficou, atrás está
Faz-te falta seres indiferente
Não julgues que ânimo alguém te dá

Força é preciso p’ra ter a cabeça
Bem alto sem que ela desfaleça
E não deixe de ter o seu querer

Olha p’ros outros, vê o que se passa
Que neste mundo nada é de graça
O mais difícil na vida é viver

O DISCURSO


O Presidente da República foi prudente. Sabia, seguramente, que as palavras que ia pronunciar no Parlamento eram aguardadas com enorme ansiedade, estando a ser previsto que iria aproveitar a ocasião para deixar bem clara a sua posição de demarcação do Governo que tem estado a ser alvo de críticas muito alargadas. Compreende-se, por isso, que, cautelosamente, tenha preparado um discurso que não servisse de motivo para que as Oposições, as políticas e as outras, surgissem de unhas afiadas e que o ambiente que se vive hoje, já por si de grande contestação, não aumentasse ainda mais, sobretudo neste período de pré-eleições em que as tentações são de não haver contenção nas acusações e de se praticar uma guerrilha do bota-abaixo que, sob o ponto de vista da ética e dos bons modos, não proporciona um ambiente calmo e ponderado.
Havia, isso sim, que apelar para os perigos da abstenção que, face ao que se pode avaliar no dia-a-dia e no contacto com a população corrente, constitui um perigo quanto a avaliação correcta de um resultado eleitoral. E tal alerta foi lançado por Cavaco Silva, no que, a nível colectivo, só merece a concordância de todos.
Face ao que eu escrevi no meu blogue de anteontem, é nítido que a expectativa que existia e que eu mantinha era a de que o primeiro Magistrado da Nação não se conteria quanto a deixar recados claros de desacordo com a prática política que José Sócrates tem vindo a praticar, sobretudo na fixação de que há que investir e muito, neste período difícil da vida portuguesa, por parte do Estado, deixando para os vindouros encargos que, até bastante tarde no futuro, vão constituir pesadas dificuldades, por muito que se beneficie alguma coisa antes com as modernizações que, provavelmente, não serão as opções mais sensatas nesta altura que atravessamos. Isto, no concreto, não saiu das palavras do Presidente, mas, com atenção e alguma boa vontade pode-se deduzir que se subentendeu tal preocupação no discurso presidencial.
Em conclusão: não ficariam os arreigados inimigos do partido do Governo completamente satisfeitos com o que ficou dito por Cavaco Silva. Esperavam muito mais e que não deixasse dúvidas quanto ao acatamento por parte de Belém dos passos que vão saindo de S. Bento.
Talvez tenha sido melhor assim. Já bem bastam as consequências de uma crise que estamos a viver, para acrescentar agora uma tensão institucional. E daí, apesar de Sócrates ter afirmado que estava de acordo com o que foi dito pelo Presidente, lá no seu íntimo não poderá sustentar um aplauso tão entusiástico.
No fundo, andam todos a fingir que não há razões para andarmos tão preocupados. E nós cá vamos indo também a criar a ilusão de que somos capazes de aguentar. São os portugueses, nus e crus!...

sábado, 25 de abril de 2009

REVOLUÇÃO

25 de Abril

Quem está perto dos quarenta
nascido à volta da data
que por cá se aguenta
nesta vida tão ingrata
tem este tempo na mente
e dele nunca se esquece
porque no fundo bem sente
que o festejar merece

Mas não viveu na altura
o efeito da diferença
não estava já na moldura
dos que sofreram doença
da ditadura teimosa
do come e cala e mais nada
de uma vida medrosa
que assim tinha sido herdada

Aprendeu tudo a seguir
do passado conhecia
só que podia ouvir
e era o que percebia
como tinha sido antes
mesmo que mal contado
por antigos apoiantes
do que foi o triste fado
pois que na volta da folha
do calendário fiel
não havia outra escolha
que pegar-se bem ao mel

E assim naquele dia
a maioria aderiu
agarrou sua fasquia
convencida aplaudiu
era algo que chegava
pior não podia ser
do que então acabava
e que estava a apodrecer
por isso bem vinda a nós
a boa Revolução
porque o que vem após
há que agarrar em festão
e seja o que Deus quiser
logo se vê o que passa
como mudar de mulher
e retirar a mordaça

E passada a confusão
daqueles meses de início
em que muito aldrabão
quis tirar seu benefício
parecia que lá íamos
conquistando a alforria
e que assim conseguíamos
chegar à Democracia

Mas não é em trinta anos
que se aprende a assumir
que causar aos outros danos
pode ser o destruir
da igualdade total
aceitar opiniões
ser-se em tudo liberal
mesmo nas religiões
faz falta à juventude
crescer e isso aceitar
e mostrar tal atitude
já no primeiro falar

E com caminhar dos anos
entender a liberdade
mesmo com uns desenganos
vai mostrando a verdade
de que como alguém dizia
ao olhar para os sistemas
de que a Democracia
é menos mau dos esquemas

Porque o Homem esse ser
não deixa haver melhor
está dentro do seu qur’er
nunca perder o pendor
de ficar só com o bom
ao próximo não deixar
mais do que um simples som
que reste do seu bem-estar
e o tal não dividir
e só p’ra si tudo querer
não deixa poder cumprir
nem chegar a entender
o bem da igualdade
de não haver diferenças
em toda a Humanidade
sejam quais forem as crenças

Ao terem por fim passado
três décadas do Abril
teremos aproximado
do verdadeiro perfil
que a Revolução sonhara
um Portugal vaidoso
que para trás deixara
o que era pavoroso?

Se isso se alcançou
os que antes conheceram
vêem bem o que mudou
e aos que depois nasceram
alguma coisa explicam
mas sem poder comparar
na dúvida sempre ficam
custa-lhes a acreditar
que era essa a nossa vida
no meio de tanto mal
não havendo outra saída
para o nosso Portugal

O que resta é saber
se o dia-a-dia de agora
tem alguma coisa a ver
com o que naquela hora
os da revolta queriam
dar felicidade ao povo
nem sei se eles sabiam
o que saia do ovo
o estado a que chegaríamos
com ou sem crise que há
sim ou não conseguiríamos
estar melhor do que está.

Pode ser que o futuro
se apresente noutro tom
e que caia enfim o muro
que não deixa ouvir o som
que outras democracias
mais antigas e seguras
nos mostrem as mais valias
de políticas mais puras
com mais anos de vivência
mais gerações assumidas
não pequem pela ausência
de posições bem paridas

E se a nossa juventude
souber assumir o bem
e com vera atitude
apreciar o que tem
então talvez o futuro
se apresente melhor
e que todo aquele apuro
que hoje é um horror
se transforme em oração
e que os que não viveram
a época da Revolução
bendigam os que fizeram
o golpe da nossa História
e eles que não nós
cantam bem alto a vitória

Sim, porque há que bem dizê-lo
nós os que vivemos hoje
apanhámos o farelo
os restos para quem foge
sofremos o que foi antes
sentimos todo o depois
e mesmo sendo amantes
somando os dois com dois
apanhámos com dois males
um que acaba de partir
e outro a pedir embales
sem saber bem onde ir

Cá estamos, pois, a aguardar
a melhor consolação
não vale a pena chorar
que viva a Revolução!






sexta-feira, 24 de abril de 2009

UM DISCURSO AGUARDADO





Era só o que faltava agora. É que, por via de recados, indirectas de um e de outro lado e razões que se reflectem nas opiniões dos cidadãos portugueses, surgisse agora um conflito institucional que envolvesse o Presidente da República e o primeiro-ministro, contrariando uma postura que se vinha a observar desde que o Executivo actual tomou posse.
As afirmações de que se tomaram conhecimento nos últimos tempos é que, mesmo sem indicação expressa do destinatário, existe um indício de que as coisas não estão agora a correr como antes. Durou algum tempo o anterior “namoro”, mas era inevitável que o escurecimento das actuações políticas de José Sócrates acabariam por provocar um afastamento do responsável de Belém. E isso, no discurso presidencial que é aguardado com grande expectativa na comemoração do 25 de Abril, marcando os 35 anos decorridos desde 1974, espera-se que fique aclarado amanhã. Na verdade, tem de chegar a altura em que também Cavaco Silva dará mostras de que não se pode conformar com o tratamento que tem sido dado aos problemas que afligem o nosso País e que, mais vezes do que seria desejável, não têm sido encarados com a lucidez política, económica e social que se impõem.
Se uma Revolução, pelo facto de representar uma alteração do sistema de governação de um país, não é natural que surja com a pacificação desejada, pois há sempre quem concorde e quem discorde, no caso português provocou algum trauma de comportamento, pois a Liberdade não é logo entendida e a libertinagem é aproveitada pelos oportunistas, que os há sempre em todas as situações. No caso nacional, impôs-se aguardar algum tempo, fazer acalmar os que apanham sempre os comboios em andamento, nada tendo feito para os pôr a andar, e, especialmente no caso do chamado ultramar português, por culpa primeiro do último chefe do Governo, Marcello Caetano, que se deixou vencer pelas forças reaccionárias que tinham ficado no “reinado” salazarista, e, depois, porque os militares revolucionários não tiveram capacidade para entender que era indispensável acomodar a viragem política produzida ao que os países europeus já democratizados seguiam, tudo isso fez com que o respirar ar puro e fresco no ambiente nacional não se tivesse imposto com a facilidade que seria desejada.
Estamos nesta altura numa fase, pré-eleitoral, que aponta para dificuldades de governação que se aproximam. E isso, depois de termos atravessado um período em que o Executivo de Sócrates, por nítida falta de saber ouvir o que outros poderiam e ainda poderão contribuir para solucionar certos problemas, essa atitude democrato-totalitária foi causadora de um excessivo descontentamento popular, se bem que, verdade seja dita, da parte das oposições não se tem descortinado nenhuma opção totalmente satisfatória.
Estamos, pois, na expectativa de verificar o que amanhã vai Cavaco Silva dizer ao País. Eu, por mim, aguardo com impaciência. E bastante preocupado.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

OS LIVROS


Vê-los na estante e atafulhados
de pé, como homens de coragem
por mais que pareçam arrumados
estão prontos para uma viagem

Tenho sempre de levar uns comigo
quando saio de casa por uns dias
podia deixá-los mas não consigo
fazem parte das minhas fantasias

É claro que eu tenho os preferidos
dia-a-dia o seu número aumenta
ainda que pareçam esquecidos

Quando partir para a outra tormenta
e passe ao mundo dos desvalidos
deixo o que o meu coração sustenta

OUTRA PERGUNTA A SÓCRATES


Cá está o que eu teria perguntado ao primeiro-ministro na entrevista que ele concedeu na televisão: e tratava-se de uma questão que, sem dúvida, interessaria a um elevadíssimo número de telespectadores, pois é uma infinidade de portugueses que sentem nos bolsos o preço dos combustíveis que, tendo subido assustadoramente em face do custo na origem, verificando-se essa ascensão logo a seguir a tomar-se conhecimento dos aumentos, sem dar tempo quase a que se tratassem de novas aquisições pelas companhias que, obviamente, bem aproveitaram as notícias para tirarem partido lucrativo com a marcação de novos preços sobre gasolina já guardada nos depósitos e adquirida com cotações anteriores e mais baixas.
Isto, poderá a Autoridade da Concorrência fazer afirmações como entender em defesa das companhias petrolíferas, que o público em geral não pode aceitar tais argumentos e, quando o presidente daquela instituição responde aos deputados da Assembleia da República dizendo que a “situação nacional é boa e que é difícil conseguir ter preços muito melhores do que os que temos”, isso no capítulo dos combustíveis, e, ainda por cima, garantir que não se verifica uma concertação entre as várias companhias no que se refere a ajustamento de tarifas, como é bom de ver, ninguém acredita e fica-se até bastante surpreendido com esta defesa atabalhoada de empresas que, como é sabido, ganham fortunas e estas evoluções de preços até ajudam a aumentar os lucros. A GALP, sobretudo, por se tratar de uma companhia nacional e dominada pelo Estado, tinha obrigação de contribuir para que os portugueses fossem aliviados deste sacrifício, para mais tendo ao lado um País onde se podem encher os depósitos dos carros por valores muito inferiores.
Repito, pois, aqui está um tema que bem poderia e deveria ter sido posto ao primeiro-ministro na entrevista que só serviu para ele dizer coisas que só lhe interessavam a ele, como propaganda em boca própria e até a abespinhar-se perante certas interrogações que lhe foram apresentadas. Como seria delicioso ouvir Sócrates explicar o que se passa neste particular!
Mas, quando o ser humano está convencido de que tem sempre razão e não admite que os outros não pensem da mesma forma que a sua – e é exactamente esse o comportamento dos ditadores ou até dos potenciais amantes do comando absoluto -, não há maneira de os fazer ouvir opiniões que não condigam com as suas e até não aceitam que lhes façam perguntas que consideram insultuosas, só porque podem fazer supor acusações – e vide também o que a presidente do PSD “atirou” a uma jornalista perante uma questão que lhe foi apresentada. Eles, afinal, são todos iguais!...