sábado, 23 de maio de 2009

JORNALISMO, ISSO?



Para dizer a verdade, já há muito tempo que esperava deparar com um espectáculo semelhante, como o que o Bastonário da Ordem dos Advogados, dr. Marinho Pinto, ocasionou ao ser “entrevistado” pela “jornalista” Manuela Moura Guedes.
De facto, sendo eu um jornalista com mais de 50 anos de profissão e que passou por todas as etapas da carreira, desde o de aprendiz até de director de periódicos, tenho, no que respeita ao exercício da actividade, uma posição de respeito e de cumprimento de regras que não se conforma com atitudes que prejudicam a ideia do que é, de facto, a actividade jornalística.
Fui ensinado por vários mestres que desempenhavam funções em plena época do antigo regime, em que me foi sucessivamente recomendado que a função do entrevistador jornalista, não sendo fácil, deve ser exercida com a maior seriedade, pois que, antes que tudo, a opinião de quem pergunta nunca deve servir para corromper aquilo que o entrevistado tem para dizer. Por muito que o registador das respostas às perguntas feitas pense de maneira diferente, até contraditória, daquilo que é defendido pelo solicitado a apresentar os seus pontos de vista, de forma nenhuma essa distância de posições deve interferir na limpidez da transmissão plena daquilo que é afirmado para efeitos de registo para transmissão jornalística.
Dito isto de outra maneira, o entrevistador não pode exercer as funções de julgador, muito menos de acusador. O que tem a fazer é perguntar bem e, depois disso, ouvir tranquilamente a resposta. E se entender que esta não satisfará a curiosidade dos leitores, ouvintes ou espectadores televisivos, o que tem a fazer é procurar o esclarecimento com outra pergunta, deixando claro que o faz para retirar eventuais dúvidas que poderão ter surgido de uma contestação pouco esclarecedora.
Quando muito, para tirar partido da função que está a exercer, podem ser feitas perguntas maldosas, de difícil ou comprometedora resposta, e apenas nestas circunstâncias é possível introduzir uma determinada rasteira, mas sempre com ausência de opiniões inadequadas por parte de quem interroga.
Posto isto, voltando ao que se poderá admitir como uma espécie de entrevista feita por Manuel Moura Guedes ao Bastonário da Ordem dos Advogados, todo o tempo dedicado a essa tarefa foi preenchido, não por perguntas mas sim por acusações e por uma infinidade de opiniões prestadas por quem, em frente das câmaras da TVI, ali se encontrava unicamente como jornalista entrevistadora com o intuito de esclarecer a posição tomada por aquela figura que representa os advogados portugueses e que, por sinal, está a ser bastante contestada por motivo das afirmações públicas que o dr. Marinho Pinto tem vindo a fazer em diferentes ocasiões, pelo que se levantaram já contestações de alguns advogados, também membros da referida Ordem.
O que se tornava útil, pois, saber era se esses desagrados têm razão de ser a nível dos advogados ou se seria a permanente posição incómoda que tem sido tomada pelo Bastonário contra actuações, em diferentes áreas, de elementos bem situados em múltiplas interesses criados na vida pública, o que levou a que se levantasse uma fileira de descontentes que terão influenciado a opinião de Manuela Moura Guedes.
Seja como for, o que não pode passar sem reparo é, da parte dos profissionais da Imprensa, uma profunda repulsa pela maneira como esta participante da classe jornalística – mesmo pouco experiente como se sabe – tem de ser revelada. Provavelmente, se não existisse uma cobertura por parte da direcção da TVI, não se iria repetir aquela conduta que, publicamente, foi de forma clara denunciada.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

CACILHEIROS

Apeteceu-me um dia
recordar o passado,
andar para trás
muitos anos,
pôr o saudosismo em acção.
E fui ao Cais das Colunas
às que lá não estão
mas que eu as vi
na memória
e descendo aqueles degraus
molhei os pés no Tejo,
que frescura!
que odor!
que beleza as gaivotas em liberdade.
Como me recordo
dos cacilheiros que saiam logo dali
e chegavam ao mesmo sítio,
os cabos para os prender ao cais
eram atirados
com precisão
fixavam-se nas amarras
e as gentes,
sem aguardar o encosto completo
saltavam,
corriam para os seus destinos,
os imediatos,
enfiavam-se na praça,
nessa bela praça,
no Terreiro do Paço,
que podia ser ainda mais bonito,
muito mais bonito,
mas as gentes nem dão por isso,
a Praça do Comércio (que nome!)
não tem ajuda do poder
para a tornar muito mais atractiva.
Correm para a vida,
os populares,
os cacilheiros, já bem encostados,
deixam sair os passageiros,
os mais calmos,
também esses já sem se importar
que o Cais das Colunas
já não seja o que era antes.
É gente da outra Banda
que dorme lá
que ganha a vida deste lado,
que transformou Cacilhas,
o Ginjal,
Trafaria,
Caparica
em dormitórios.
Tu, cacilheiro, foste o culpado.
Antes da ponte
eras dono e senhor
do rio,
só tu ligavas as margens
do Tejo que,
no final, parece um oceano.
Eras o patrão do Tejo.
Agora, já não és essencial,
imprescindível,
única solução.
Mas continuas a ser útil,
desejado,
e, sobretudo, manténs a tradição
alimentas o saudosismo,
és uma relíquia preciosa
para a memória,
mas também os que não usam a ponte,
a que já teve dois nomes,
que são bastantes,
e ainda bem,
porque tu,
ó cacilheiro dos velhos tempos
pode ser que acabes por vencer
a modernidade,
a que deitou abaixo as colunas
e arredou para mais longe
o local onde te encostas para descansar,
de cada viagem,
fazendo-te perder a graça,
essa de ver entrar e sair a populaça,
no sítio certo, junto às colunas.
Foi isso que a imaginação
trouxe até mim,
o olhar para o Tejo e contemplar,
sentado em frescos bancos
de pedra,
com a barra ao fundo,
vária navegação circulando,
respirando o ar marítimo,
mastigando pipocas
e pevides,
compradas ao velho do tabuleiro,
que sonho!
E, de repente,
caí em mim.
Esta Lisboa que faz a inveja
de outras grandes capitais
que não têm este rio
a seus pés,
esta cidade que deslumbra as outras,
mas que, em lugar de olhar para fora,
para a água salgada,
para as ondas com a sua espuma,
para o reluzir do Sol no Tejo,
vira-se para dentro,
para o seu umbigo,
e nem parece ser
terra de Navegadores,
antigos mas recordados,
ficando-se com a impressão de que
se tem vergonha
de ficar à borda do mar das Descobertas.
Não merecemos o que temos,
e tu, ó cacilheiro,
ainda serás algo,
já pouco,
que tem de nos avivar a memória,
chamar a atenção para
o pouco que nos resta.
A modernidade?
Pois sim, mas sem destruir
as jóias do passado.
Que bonito é ver o cacilheiro
encolhidinho,
ao lado do grande paquete,
majestoso,
que passa
a abarrotar de tecnicismo,
orgulhoso do seu porte,
transportando uma multidão
a olhar sobranceiro
o pequeno cacilheiro,
a ínfima embarcação
a cruzar o Tejo na sua humildade
como um pedinte
se aproxima
do carro de luxo
num semáforo.
Ó cacilheiro,
modesto trabalhador que
nasce, vive e morre
sempre com o mesmo mister,
com a mesma viagem,
repetitiva,
monótona,
mas prestando um serviço,
sendo útil,
indispensável,
com gente sempre à sua espera,
que o aguarda a olhar para o relógio,
como quem combinou com o namorado
um encontro.
Ó cacilheiro,
Tu, em que as gaivotas
tuas conhecidas
poisam na amurada
saudando-te,
lembrando-te quem és,
não te deixando sonhar com fantasias,
com luxos,
com atitudes que não são as tuas.
Tu és o que és
e nós queremos-te assim.

A CÃMARA DE LISBOA QUE NECESSITAMOS


No grupo de eleições que, este ano, vão ocorrer por cá, as municipais também fazem parte da possibilidade dos cidadãos participarem na escolha dos seus candidatos preferidos. E, naturalmente, o caso de Lisboa pertence ao conjunto que poderá manter-se como se encontra agora ou ser modificado se os eleitores assim o considerarem útil.
Ao longo dos vários anos que ocorreram depois da Revolução – e já antes constituía uma preocupação minha muito própria -, tenho, dentro da minha capacidade de contribuir com as minha opiniões escritas, feito as minhas críticas mas, sobretudo, apresentado várias propostas que, na maioria das circunstâncias, não foram levadas em consideração por quem se propunha encabeçar a presidência municipal. E, desde o ter-me atirado ao saudoso (como pessoa) Kruss Abecassis, pela ideia e concretização daquele monstro em pleno Martim Moniz, do centro comercial destinado a chineses, indianos, gente das áfricas e muita variedade de contrabandistas de produtos escusos, o que o fez amuar comigo durante algum tempo, até outras medidas tomadas por diferente camarários que deram provas de total falta de imaginação e bom gosto, a tudo assisti e a todos dediquei as minhas profundas discordâncias, sem que, na maioria dos casos, tivesse assistido a uma confissão de que, realmente, tinham enveredado pelo pior caminho e que quem pagou foi a nossa bela capital que, de dia para dia, tem vindo a ver estragada na sua beleza intrínseca.
A minha cansada luta para que o Terreiro do Paço, começando por expulsar dali os vários ministérios que deveria ser colocados num só local que, como sucedeu em Madrid, é chamado de “Barrio de los Ministerios”, substituindo-os por hotéis de charme que se encarregariam de colocar aquela zona dentro de um movimento de qualidade que é o que falta em toda a baixa lisboeta – o que, bem sei, é uma medida que pertence ao Governo tomar, mas que acabará por ser encarada, espero -, nesta altura o que se vê aos domingos é, nas arcadas da Praça do Comércio, uma série de vendedores ambulantes de produtos que ali ficam bem, como selos, moedas e outros artigos que mostram o nosso artesanato, mas que mereciam que as suas ofertas ao público fossem feitas em embelezadas mesas, ao mesmo tempo que seria agradável que se instalasse uma música própria da nossa cidade, o que prestaria um ambiente de gosto apurado. O que é preciso é só bom gosto e imaginação.
Agora, a notícia que surgiu de que não tinha sido levada em consideração a instalação de um bonito e confortável hotel de charme no lugar onde esteve, durante décadas, o tribunal da Boa-Hora, esse medo de proceder a mudanças que distingam o centro da capital e o torne bem visível aos nossos visitantes estrangeiros que levam sempre lá fora a ideia de que Lisboa não tem vida e que é uma cidade triste, apesar de ter todas as características para ser considerada como uma das mais belas da Europa, esse passo atrás dado pelos “chefes” que temos e que não são capazes de dar mostras de desenvoltura de imaginação, colocou-nos, de novo, no marca passo que insistimos em manter e de que não somos capazes de nos libertar.
Estas e outras medidas que podem ser levadas a cabo sem necessidade de dispêndios dos nossos fundos, porque há sempre empresários, nacionais ou estrangeiros, que estão dispostos a arriscar em iniciativas que prometem lucros, continuam por não ser encaradas.
Vamos a ver o que nos oferece de novidade o resultado do próximo movimento eleitoral para a Câmara de Lisboa. Estamos condenados a repetir sempre o mesmo prato, mesmo que estejamos enfartados com a comida enjoativa que nos é oferecida?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

SOMOS O QUE SOMOS


Somos o que somos
Fomos o que fomos
Nós os portugueses
Estamos onde estamos
Às vezes
Algo prestamos
Nem sempre !

Pouco confiantes
Agora e dantes
Somos assim
Algo descontentes
Até ao fim
Talvez crente
Nem todos

Já fomos enormes
Mesm’até disformes
Sem pulso p’ra tanto
A deixar fugir
Com espanto
O nosso porvir
Será ?

Podia ser pior
Ter’inda mais dor
Como diz o povo
Sempre paciente
Não movo
Daqui p’ra frente
E espero

Fé e esperança
Mas sem confiança
É o que nos resta
Com o que nós temos
Não nos falte a festa
Que sempre soubemos
Fingir

Valerá a pena
Cambiar a cena ?
Pergunta-se por fim
Há quem não duvide
Quem ficar assim
É que não progride
Eis-nos

E hoje, afinal
Neste Portugal
Em pleno apuro
Todos perguntamos
Que futuro ?
Se inda prestamos
P’ra quê ?

A ver a Europa
Com a melhor roupa
Comemos as unhas
Roídos d’inveja
E metemos cunhas
P’ra alguém que veja
Ao longe

Que grande distância
Dizemos com ânsia
Contando os tostões
Não há quem governe
E quem venha depois
Que sej’um alterne
Melhor

E o povo, enfim,
O que neste jardim
Aceita o qu’está
Temendo o pior
Que a muda trará
Tem sempre pavor
Do depois

Somos o que somos
E assim nos pomos
No fim da Europa
Fomos o que fomos
Já ninguém nos poupa
Assim como somos
Choramos !

SEXOLOGIA



Ter assistido, em mais do que um noticiário na televisão, a uma filmagem clandestina e à reprodução da voz de uma “professora”, dita da disciplina de História, a, na sua aula, tratar do tema da sexologia e questionar aos gritos os alunos sobre a sua virgindade e as práticas que seguem no exercício do relacionamento e de apetites na área sexual, para além de até se referir à sua prática com o seu marido, ter tomado conhecimento desse acto que, pelos vistos, não foi ocasional pois teve repetições em diferentes classe da mesma “senhora professora” que, se classificou ela própria de “senhora doutora”, fazendo referência à mãe de uma aluna que a teria interpelado antes revoltando-se contra o caminho que os ensinamentos na classe não tinham nada a ver com a disciplina de História, não podia ter deixado de impressionar todos os que tomaram conhecimento da inqualificável demonstração de loucura de quem tem uma profissão que só aponta numa direcção, a de instruir os estudantes e a prepará-los, com conhecimentos básicos para enfrentar a vida com a melhor bagagem educativa que for possível.
Ainda bem que uma aluna teve possibilidade de gravar aquilo que se passava na sua aula, para poder provar no exterior que aquele espectáculo degradante acontecia, pois, caso contrário, seguramente que não seria crível e as coisas continuariam a ocorrer sem possibilidade de lhes pôr fim.
Agora, o que espantará muita gente é que, sendo a gravação efectuada servido para suspender a referida professora, a utilização deste meio permitiu igualmente punir a aluna, por ter sido violado o n.º 20 do Regulamento Interno. Imagine-se!...
Sim senhor, que não seja permitido que os estudantes, dentro das salas de aula, utilizem telemóveis, gravadores e máquinas fotográficas, ainda se compreende, agora, que um aluno, pelo facto de ter consigo um destes aparelhos – o que não quer dizer que os utilize sem um motivo forte -, ser punido por, numa situação daquelas em que era evidente estar a passar-se um acontecimento que não poderia passar sem ser analisada pelos pais e pelos serviços superiores de uma escola, isso parece levar demasiado à letra o teor da determinação escolar.
Faz-me, no entanto, pensar o comportamento da referida professora. É que, ao terem sido ouvidos alguns alunos sobre a actuação da referida mestra, foram vários que se prontificaram a prestar-lhe aplauso e até em considerá-la como uma “boa amiga” e que se preocupava com eles, considerando-a como “espectacular”, que é o adjectivo agora tão usado pela rapaziada., acrescentando que recebiam dela apoio “sempre que estavam tristes”.
Sendo assim, a pergunta a fazer é se esta senhora que, pelos vistos, de História ensinava pouco, não teria utilidade em ser utilizada em classes facultativas de sexologia, o que, segundo parece, também faz falta preparar a juventude, coisa que nós, no nosso tempo, tivemos de aprender à custa de cada um e na vida prática. Para alguns resultou, para outros nem por isso…

quarta-feira, 20 de maio de 2009

POETAS

Isto de querer ser poeta
pode bem nada dizer
há os que acham uma treta
e não ter mais que fazer
nem saber bem o que quer

Quem vai compor poesia
com esforço irá tentando
na ideia de que quem cria
sem saber como e quando
lá acabará rimando

Mas também sem rima vai
usando seu versejar
pois o que mais sobressai
é o que fica no ar
aquilo que faz cantar

Só que o poeta em geral
não consegue que em vida
o achem ser genial
e só depois da partida
a fama lhe dê guarida

Poetas mortos há muitos
quantos terão produzido
em lampejos bem fortuitos
alguns graças ao Cupido
face a coração partido

Sentir a vida de frente
descobrir suas fraquezas
faz que haja alguma gente
sem esconder suas belezas
também cante as tristezas

Deixar em verso bem escrito
aquilo que na alma vai
é como quem solta um grito
que nem por isso atrai
quem do seu mundo não sai

Gavetas cheias de versos
à espera que alguém os leia
que saiam em livro dispersos
mesmo não sendo epopeia
mas que mostrem certa veia

Há editores valorosos
que acham que a poesia
não tem que ter nos saudosos
exclusivo de valia
não deixando que teimosos
possam ver a luz do dia

LOPES DA MOTA




Até parece que não temos por cá problemas que nos atormentem o bastante e que, por isso, desperdiçamos tempo com situações que, pelo menos para a maioria dos cidadãos portugueses, não têm o menor merecimento e cujas soluções não trazem qualquer acréscimo ao afastamento das dificuldades que temos de enfrentar. As forças tidas como mediáticas ocupam os seus poderes a chamar a atenção para situações que, em muitos casos, deixam indiferentes os portugueses que, nem sequer se apercebem bem do que se passa em relação aos temas tão divulgados.
É o que tem acontecido, por exemplo, com Lopes da Mota, nome só agora conhecido nas ruas e que exerce as funções de presidente do Eurojust, um organismo que também a massa popular não tem a menor noção de que se trata. E, segundo o que tem vindo a lume, aquele responsável pelo departamento europeu que coordena as investigações sobre o caso Freeport, o tal que envolve o engenheiro Sócrates e que se tem arrastado ao longo dos anos, ao ponto de não haver nada decidido quanto a culpados que tenham que ser levados a tribunal, pois Lopes da Mota parece que terá exercido influência junto de magistrados para que actuem em favor do actual primeiro-ministro.
Quer dizer, não bastava já que o problema Freeport continue a manter-se na obscuridade de apuramento do ou dos responsáveis, para se juntar agora outro mistério, este do homem que dizem ter tentado silenciar os intervenientes na busca de culpados. E lá vão os partidos políticos, que não terão outras matérias de extrema importância para tratar, entrar na questiúncula, uns a pretender que o visado apareça no Parlamento para prestar depoimento e outros a impedir que isso aconteça…
Por sua vez, o actual bastonário da Ordem dos Advogados, que, sempre que tem oportunidade, surge a mostrar publicamente as suas opiniões sobre factos que, como cidadão, o incomodam – e aí também se verifica existir uma guerrilha entre oficiais do mesmo ofício que, ou estão de acordo com o seu representante ou se situam do outro lado da barreira -, e em que, em lugar de se discutir o desastre em que se encontra a Justiça no nosso País e surgirem propostas radicais de rectificar essa desgraça que atinge todos os portugueses, o que acontece é que se aproveitou a barafunda criada à volta do caso Lopes da Mota para também aí acrescentar alguma acha para a fogueira da distracção.
Estamos condenados, cá em Portugal, a andar tempos sem conta agarrados a situações que, na maioria dos casos, não deviam distrair a população nacional do principal que se situa, neste período, no centro das preocupações nacionais e internacionais.
Já não se pode esconder mais que o futuro, próximo e mais longínquo, que nos aguarda é de verdadeiro tormento. Há os que defendem o princípio de que não podemos perder a esperança, pois que é isso que nos resta “enquanto há vida”. E ficarmos por aí. Mas, como se não tivesse bastado que, desde o período pós-Revolução, tenhamos andado enganados com a ideia de que somos ricos e de que a Democracia é isso, o termos todos o direito de gastar o que não temos – mesmo sem nada fazermos para que consigamos esse benefício -, teimamos em manter uma ideia que, quando chegar a realidade, então o sofrimento é muito maior do que se estivéssemos conscientes há certo tempo de que as circunstâncias não nos foram favoráveis e que, por cá, todos se endividaram e acordaram tarde para constatar que aquilo que se deve, mais cedo ou mais tarde, tem de ser pago!...
Então, por exemplo, estarmos já a rondar os 10 por cento de gente desempregada no nosso País, não é questão muitíssimo mais importante do que aquilo que, comparado com tal flagelo, não passa de reles mexerico a que pretendem que fiquemos atentos?

terça-feira, 19 de maio de 2009

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Pergunto-me com frequência: se tivesse nascido noutro País e lá continuasse a viver, o meu pensamento seria o mesmo que mantenho agora?
Se sim, então o Homem comporta-se, em relação ao exterior de si próprio e quanto a si mesmo, de acordo apenas com o seu modo de ser.
Se varia conforme o ambiente que o rodeia, nesse caso é de fora para dentro que funciona a forma de ser de cada um.
Eu prefiro ser como sou, independentemente do lugar onde vivo.
Só não sei se o consigo

AS ANDORINHAS

Em hora da mais profunda tristeza
Dessa que não se sabe bem porquê
Deixa a nossa alma indefesa
E fica da angústia à mercê

Nessa altura em que o apoio nos falta
Muita coisa nos pode ajudar
E entre elas uma que sobressalta
É a Primavera, ei-la a chegar

Plena de perfumes vindos das flores
Surgem ao de cima grandes amores
Na nossa alma soam campainhas

E para compor tão bela pintura
Entram e cabem na mesma moldura
Os voos rasantes das andorinhas

SALÁRIOS CHORUDOS


Aproximando-se a data da chamada às urnas dos portugueses que se interessam por escolher, em consciência, os partidos que entendem que serão capazes de responder com mais competência às necessidades e problemas nacionais, o natural é que essas organizações políticas se esmerem em dar mostras de que se encontram preparados para a disputa e, para isso, em vez de se preocuparem em atacar os concorrentes – luta essa que não leva a nada – antes apresentam quais as medidas que tencionam pôr em prática caso tenham o privilégio de ir a fazer parte do Governo.
E como há tantos problemas que se encontram em “banho Maria” há imenso tempo, há anos, não será assim tão difícil apontar medidas que caiam bem no ambiente popular e que, sem demagogias, não sendo necessário prometer o que se sabe que não será viável cumprir, constituam a demonstração de que, quem se apronta a exercer responsavelmente o exercício do poder, tem projectos que são exequíveis e que fazem parte das inúmera queixas que, a todos os momentos, se ouvem por onde passamos.
Pois, uma dessas questões que se encontra dentro das possibilidades de quem vier a instalar-se em S. Bento é meter mão, já e sem demoras, nos salários que auferem vários dos gestores de empresas públicas, seja qual for a percentagem do Estado no capital delas, e que, em bastantes casos, constituem verdadeiras ofensas à pobreza nacional. Para não falar também que esses encargos são suportados com o dinheiro que os cidadãos entregam à Nação para serem bem geridos.
Pois, um desses maus exemplos foi divulgado agora na Imprensa e refere-se ao que é pago mensalmente ao presidente da EDP, António Mexia, e que corresponde a 12 vezes mais do que ganha o Presidente da República. Essa notícia saiu no dia 11 de Maio, no jornal “24 Horas” e, se não corresponde à verdade, então deve ser desmentido quanto antes e esclarecida qual é, de facto, o ordenado de tal personalidade que comanda uma empresa que tem o exclusivo da distribuição de electricidade no nosso País, impondo as tarifas que entende e sem o custo dos utentes poderem mudar de fornecedor.
Este exemplo é um dos que, entre muitos, precisa de ser aclarado por quem se perfilar para discutir a vontade dos cidadãos nacionais no acto eleitoral.
Quem avisa amigo é dos que precisam de ideias e desejam vir a beneficiar das mordomias que um Executivo sempre oferece. Bem basta que, depois de colocados nos postos de comando, façam ouvidos surdos e não se interessem em acompanhar, com a maior atenção, aquilo que os portugueses tanto clamam e apenas considerem que são importantes as suas próprias opiniões.
Estamos fartos disso. Não queremos mais ter de suportar essa situação. Com ditadura, que Deus nos livre… mas com democratas autoritários, isso também não!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

MUNDO NOVO

Eu imagino um mundo todo novo
nada parecido com o que temos
albergando também outro povo
outro povo, porém com outros demos

Tudo nada igual ao que temos hoje
nem parecido sequer ao que há
se não, quero um sítio que m’aloje
que me acolha ou me acolherá

No futuro talvez isso aconteça
quem sabe se será a salvação
não é que a geração d’hoje mereça
outro planeta com melhor visão

Mas se não se der tamanho abanão
se tudo se mantiver como agora
nesse caso o que temos então
será a terra sumida de aurora

O ocaso põe-se todos os dias
lembrando os mortais no fim da vida
e que bom seria se as alegrias
sarassem de vez todas as feridas

As feridas com que o homem briga
as doenças, os desgostos, enfim
todos esses males que o obriga
a ser perverso e a ser ruim

Somente com homem diferente e novo
será possível um mundo melhor
podemos esperar algo de um povo
que lhe seja igual ir p’ra onde for ?

Borrar la pizarra y empezar de nuevo
dizem os espanhóis para animar
será que isso pode ter relevo
e a solução é essa: começar!

Segundo as Escrituras foi assim
Deus criou as coisas bem a seu gosto
haverá opiniões e por fim
faz falta ter um mundo mais composto

Já basta de castigo por pecado
oh! Maldita maçã que foi mordida
Eva e Adão pertencem ao passado
Não se quer a História revivida

Gritarão os ventos que a memória
faz parte do viver dos nossos dias
mas por mais que não se esqueça a História
não se pode viver só de agonias

Por mais certo que seja o Testamento
tantos milhões de anos que passaram
justificam que a força do vento
arraste as ideias que pararam

Há que pedir agora ao Senhor
com fé ou sem ela, mas com despacho
que Deus ordene o Paraíso pôr
onde ele faz falta, cá em baixo


EUROPA UNIDA



Eu fui um dos entusiastas pela Europa una, desde que comecei a tomar consciência das vantagens e da importância deste Continente funcionar a uma voz colectiva, no capítulo dos interesses que beneficiam todos em geral, reunindo num só bloco todas as diversidades que não se justifica que funcionem em contra-ponto uns com os outros.
E a partir do momento em que foi determinada a utilização da moeda única – que parecia, antes, ser uma das dificuldades mais longínquas de ultrapassar -, maior empenho pelo alargamento da área comunitária cresceu no meu pensamento. Mesmo levando em conta que, ainda hoje, existem alguns poucos países que se mantêm de fora dessa decisão importante de arredar da união a variedade de moedas, o que não se pode admitir que ainda se mantenha, até nesse particular há que manter a confiança de que, a breve trecho, se convencerão os extraviados de que a sua conduta os coloca distantes do espírito de conjunto que não pode deixar de existir, se a intenção é a de participar no objectivo principal.
Mas, há que reconhecê-lo, não tem sido tarefa fácil abranger todos os participantes na ideia fundamental de que uma Europa a caminhar toda para o mesmo lado, é a única forma de se atingirem os propósitos para que foi imaginada desde a primeira hora. Os homens, sempre eles, não sendo capazes de perder esse seu princípio egoísta de protagonismo de lideranças, têm sido os causadores da lentidão e, até por vezes, retrocessos em fazer caminhar na boa direcção todos de uma só vez, pelo que ainda se encontra por firmar por todos os participantes o Tratado de Lisboa, seja olhado com alguma desconfiança o tema dos direitos humanos e a política externa europeia não siga um tratamento uniforme por todos os participantes, isso entre outras questões que se vão prolongando a aguardar que alguns acabem por desistir de pormenores.
Enquanto não se generalizar a ideia de que a Europa somos todos nós, europeus, e não cada um a defender as suas ideias nacionalistas, enquanto a Constituição Europeia não for aceite com a vontade de unir e não de dividir, enquanto a aplicação da justiça não tiver equivalência em todos os participantes e os programas governamentais de cada nação não assentarem basicamente nos princípios da unidade europeísta, ainda que atendendo às particularidades de cada caso, enquanto se mantiverem sejam quais forem os intentos divisionistas no seio da Europa da comunhão, então estaremos distantes do ideal que é existir uma força capaz de fazer frente a todos os tipos de crises que possam surgir do exterior. E, na situação que se vive actualmente, melhor do que nunca se tem de compreender esta realidade.
Que é fundamental manterem-se as características de cada povo, os seus fundamentos históricos, as suas tradições, as suas línguas, os seus hábitos e costumes, isso é uma realidade que não pode ser afastada. Mas o que não deve é constituir um obstáculo a que se unam as forças no sentido de se poder beneficiar das vantagens que representa o darem as mãos todos ao mesmo tempo e de se protegerem uns aos outros.
Será que podemos manter esperanças de que objectivo final será conseguido? Podemos confiar que os homens europeus terão a capacidade de caminhar no sentido certo?
A ser positiva a resposta, não será já amanhã que a obteremos. E até à decisão final ainda se depararão muitas contrariedades e bastantes retrocessos.

domingo, 17 de maio de 2009

GERAÇÃO SOFRIDA

Que esperanças tinha que houvesse Abril
o que eu ansiava por fim do inferno
bem dentro guardava sonhos mil
e que apodrecesse o que era governo

Levou tempo, tempo demais, demais
vivi o antes até demasiado tarde
passei por excessivos vendavais
tropecei em muita gente cobarde

Até que chegou, não era sem tempo
veio com armas, não era o ideal
para tantos terá sido um contratempo
não estava no programa tamanho funeral

Foi a euforia, a loucura nas ruas
tirou-se o tampão da garrafa fechada
tal como quem tira por fim as gazuas
do portão de uma quinta trancada

Uns quantos tinham razão de estar felizes
terão sofrido muito até então
não tiveram conta por quantas crises
passaram, apenas por dizerem não

Mas terá sido assim com a maioria,
toda essa gente que se mascarou
vestiu a farda do revolucionário, seria,
por dentro aquilo que mostrou ?

Quantos apanhada a carruagem em giro,
não foram os que ganharam com a troca ?
Fizeram tal e qual como o vampiro
e puseram-se, matreiros, bem à coca

Como ganharam com isso os aproveitas
chorudo futuro festejaram
valeu a pena a troca, largas colheitas
tiraram do campo que outros lavraram

Aqueles que tinham idade para tanto
e passado que sangrava em ferida
quase que foram postos a um canto
tratava-se, afinal, da geração sofrida

Sofrer antes e sofrer depois é muito
não é justo, há que reconhecer
poderá não ter sido esse o intuito
mas é algo que dá para entristecer

Geração sofrida, tem que se dizer,
ela existe, obscura e triste,
a juventude nem pode agradecer
ninguém mostrou e disse em que consiste

E assim se vai escrevendo a História
com lacunas, esquecimentos, inverdades
a geração sofrida escapa à memória
quem não sabe não alimenta saudades

Geração sofrida,
O que não pode estar é arrependida

GUERRA MUNDIAL



Toda a gente que não sentiu directamente os efeitos da Guerra Mundial, nem mesmo ao ter decorrido há dias o 64.º aniversário do fim desse flagelo, se pode dar conta do que representou essa convulsão universal que alguns, ainda conservados, viveram. Mesmo que Portugal não tenha participado directamente no conflito, não se deixou de, por cá, tomar contacto com os efeitos da referida catástrofe, sobretudo na falta de produtos principalmente alimentícios e com racionamentos impostos.
O momento de crise económica, financeira e social que se atravessa faz recordar, de certa maneira, as carências daquela época de conflito, se bem que, nesta altura, seja a pequenez do poder de compra que mais se reflecte no dia-a-dia dos cidadãos.
Seja como for, quem hoje tem uma idade superior a 70 anos, quem, mesmo que ainda criança na altura, tenha participado nas enormes filas que se formavam para adquirir alguns elementos essenciais à alimentação, como são o azeite, o arroz, o açúcar e até o pão, tendo de gerir muito bem as senhas de racionamento, não pode deixar de estabelecer um paralelo com as dificuldades passadas em tal período.
No entanto, esse exercício de estabelecer uma relação entre as duas épocas provocará uma tendência para tentar comparar as suas situações e estabelecer qual das duas será a mais difícil de suportar. É que, para se adquirirem produtos alimentares essenciais à vida da família se tornava necessário assumir diversas habilidades e passar longas horas da noite em “bichas”, mas, para se conseguir dinheiro, que é o que escasseia cada vez mais, não há fila que valha… E também para se arranjar emprego, seja qual for a idade do pretendente e a preparação académica de que disponha, há quem se mantenha meses e até anos na esperança de alcançar tal desiderato.
Daí que não se possa considerar tão disparatado estabelecer este paralelo. É que, actualmente, em que não se descortina forma de pôr fim a esta arrasadora crise internacional e em que, por toda a parte, se contempla o espectáculo degradante da queda social de famílias inteiras, com os filhos sem poderem ser atendidos, as percas das residências e as carências de alimentação, numa palavra, com a miséria sem tréguas a atacar gente que não tinha experiência em defrontar-se com as faltas de tudo, não será assim tão estranho que se ponha a questão de se não estará a fazer falta uma guerra que, por um lado reduza o excesso de população que atingiu proporções insustentáveis para o que a produção mundial pode suportar e, por outro, transforme o desemprego em abundância de trabalho para todos. A construção civil, essa, pelo menos, beneficiará muitíssimo com as destruições. Mas não só essa.
É verdade que um texto deste tipo provoca a revolta em muita gente. A mim também, que o escrevi. Mas, perante a incapacidade, já admitida universalmente, de não se saber se e quando se porá fim de vez à situação aflitiva que se atravessa há já demasiado tempo, em vez de assistirmos a este estado de definhar cada vez mais, tal como sucede com os transtornos de saúde que obrigam a cortar uma parte do corpo para o resto se salvar, assim também poderá ser a forma de revitalizar o mundo de uma enfermidade lenta e crónica, essa que, como agora se assiste, torna os ricos cada vez mais ricos e os miseráveis sucessivamente com mais carências.
É doloroso ter de admitir esta possibilidade. Lá isso é. Mas se não existir outra alternativa?

sábado, 16 de maio de 2009

DIREITOS E DEVERES


O Homem tem seus direitos
os gregos foram primeiros
e a Demo com seus defeitos
teve aí os seus obreiros

Os romanos se seguiram
as Doze Tábuas criaram
mas os plebeus não se riram
longe dos nobres ficaram

A Revolução Francesa
fez algo p’lo cidadão
trouxe alguma firmeza
na sua Declaração

Mas só a França lucrou
a Europa estava fora
e o mundo nem se atinou
com tais sinais de aurora

Foi precisa uma guerra
que espalhou p’lo Universo
malefícios de quem erra
mostram o Homem perverso

No fim as Nações Unidas
lá do Homem se lembraram
p’ra tapar muitas feridas
a Declaração criaram

A segunda, a que existe
extensiva a todo o mundo
mantendo o dedo em riste
mas pouco eficaz no fundo

Muçulmanos, por exemplo
tolerância não conhecem
e mesmo crentes no templo
as mulheres só obedecem

Respeitar opiniões
é coisa que não aceitam
provocando explosões
aos que no Islão rejeitam

Porém há tantos que tais
que aos outros não dão direitos
e mandando querem mais
julgando-se até perfeitos

Pois todas as ditaduras
de quaisquer ideologias
têm as mesmas posturas
de severas tutorias

Mas de direitos falando
úteis p’ra todos os seres
é bom não ir olvidando
que também há os deveres

Uns e outros são irmãos
até gémeos por sinal
e todos os cidadãos
devem ter esse ideal

Direitos têm de haver
essa regra é de ouro
mas deveres não esquecer
fazem parte do tesouro

Nunca é demais lembrar
quem os direitos quer ter
que os deveres têm de estar
ao lado de cada ser

CRIMINALIDADE



Acontece seguramente a todos os que têm por propósito escrever artigos com regularidade: ao acompanhar a comunicação social escrita, sempre que deparam com um tema que pode servir de base a um texto próximo, recortam a página e guardam-na para ser lida mais pausadamente na altura em que vai servir de inspiração. Algumas vezes esse artigo acaba por ser redigido, mas outras vezes não, pelo que, com o tempo, se vão acumulando, o que obriga a que, periodicamente, seja limpo esse arquivo improvisado, com lástima por não ter sido escrito o que estava previsto.
Pois passou-se isso mesmo comigo e já depois de ter redigido o parágrafo acima. Ao tomar conhecimento de que a PSP, depois desta ter sido confrontada com a entrevista televisiva prestada por um participante nos tumultos ocorridos no Bairro Azul da Bela Vista, em Setúbal, analisou o seu cadastro e procedeu a uma busca domiciliária. E, com tudo junto, encontrou matéria suficiente para o deter, incluindo um cocktail Molotoff e outras provas da sua má actuação. Foi um e quantos não se encontrarão em idênticas condições?
Mas o que ocorreu depois, quando o juiz de instrução decidiu julgar o caso? Simplesmente ordenou apenas que o detido ficasse sujeito a apresentações semanais na esquadra da PSP local!... E assim se ficou perante uma situação de indiscutível gravidade!
O problema não é, de facto, de resolução fácil. Constitui uma questão de ordem social, sem dúvida, mas não é exclusivamente isso. Não se trata apenas da cor negra dos participantes que enfrenta problemas de falta de recursos, para além de não ser forma de encararmos este tipo de situações quando os complexos racistas tomam conta das situações que devem ser encaradas. As leis que castigam as criminalidades devem ser aplicadas sejam quais forem os tipos ou grupos de pessoas que prevaricaram. Aqueles que são atingidos pelo mau comportamento de uma minoria populacional não têm de sofrer com a falta de vigilância ou a ausência de punição por parte daqueles que são pagos pelo Estado para manter a ordem.
Se se organizam grupos violentos de protesto pelo facto de um elemento da sua etnia ou classe de amizade ter sido preso ou mesmo acidentalmente morto quando enfrentou a força policial, não pode assistir-se a manifestações de protesto, e ainda por cima quando utilizam meios destruidores e desafiantes. Não podemos assistir a campanhas de amedrontação provocadas por gente com atitudes separatistas. E, ainda por cima, quando o alvo da revolta se tratou de um tal Antonino, que desde tempos recuados tinha participado em assaltos, roubos e em agressões violentas e foi apanhado com um carro roubado momentos antes.
Já chega de crises de que não se conhecem ainda formas de a solucionar. A grande falta de trabalho, para os que o querem ter, é, sem dúvida, só por si, uma enfermidade social de monta que pode conduzir a caminhos que, noutras circunstâncias, não ocorreriam. Ter família e não ter recursos para lhe dar nem sequer alimento, faltarem os meios mínimos para ser cumprida uma missão familiar por muito modesta que seja, quando se chega a essa situação tem de ser entendida a perca de cabeça que leva a um menos bom comportamento. Mas, se a condescendência das autoridades for ao ponto de não actuar dentro das regras para evitar que essa mancha já se situe dentro dos foros da criminalidade, então o que se pode esperar é que, de um dia para o outro, surja um confronto de forças populares cujas consequências são sempre difíceis de imaginar.
Foi assim que já nasceram algumas guerras civis!...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

DEIXEI DE FALAR

De repente, perdi a palavra
deixei de falar
fiquei mudo
nenhum som sai da minha boca
as mãos não chegam
para me expressar
só por escrito
posso transmitir o que me vai na alma
mas ninguém está disposto
a conversar comigo
só a ler o que eu escrevo.

Eu oiço, mas não falo,
faço caretas
para mostrar se estou satisfeito
ou triste
se concordo ou discordo
mas não exponho os meus pontos de vista
não consigo manter um diálogo
para além do curto sim ou não
e o uso da mímica
não chega para ser expressivo.

Por isso, uso o papel
e a caneta
como sempre fiz, antes, quando falava
mas é como quem argumenta sozinho
sem se ouvir
sem ter uma ideia do tom que deve utilizar
sem perguntas
sem respostas
e só sim porque sim
ou o contrário




As mesmas caras, as mesmas vozes, as mesmas frases,
o mesmo comportamento, tudo igual há 30 anos neste País.
A monotonia instalou-se, o grupo de privilegiados é sempre aquele,
desinteressante, enfastiador, repetitivo.
Por isso nada muda, nem melhora.
Portugal continua igual a si mesmo,
mas sempre há aqueles que se sentem satisfeitos com o que os rodeia.
E fazem o possível para manter o status quo.

JORNAIS



Quem, desde que se interesse pelo que se passa à sua volta ou mesmo mais distante, é cliente habitual dos jornais, os diários e os outros, e, num momento em que é forçoso fazer contas antes de se dirigir ao quiosque que vende publicações, como todos os dias faço, entende que se tem de enfrentar a realidade e reduzir o seu consumo, nesta altura da crise vê-se forçado a diminuir o gasto desse “pasto espiritual”, como lhe chamava um amigo que também era habitual consumidor de tal alimento.
Verdade seja, há produtos que se podem considerar mais de primeira necessidade do que os periódicos noticiários. Por isso, em plena época de redução de despesas, catalogando o que se gasta e que pode passar a ser omitido dos costumes, esse dispêndio situar-se-á numa primeira fila, até porque, mesmo que não seja do agrado, sempre se pode recorrer à análise dos computador e buscar aí as noticias que saem diariamente. E que muita gente já se encontra nessa situação e deixou de considerar indispensável adquirir um, dois ou três periódicos, essa demonstração tenho-a eu através das queixas que passaram a fazer parte da conversa do João, o proprietário do quiosque que me atende há anos, que pinta sempre o panorama que está a viver, apontando os diversos títulos e enumerando a quantidade de invendidos que está a devolver diariamente aos distribuidores. E, segundo a sua descrição, é cada vez maior o monte de jornais e revistas que voltam para trás por não encontrarem compradores.
Os editores de periódicos lá vão inventando acessórios para juntar às suas publicações, por forma a tentarem os leitores a escolher os seus títulos. E, segundo o João, é cada vez mais difícil arranjar espaço para guardar os copos, os talheres, os dvd, os volumes que são oferecidos e todo o tipo de outras bugigangas, não sendo por aí que se conseguem aumentar as tiragens daqueles títulos que não conseguem convencer os leitores fugidios.
Por outro lado, embora esse aspecto não seja, por completo, do conhecimento do público, a publicidade, que é o suporte mais importante nas receitas dos meios de comunicação, incluindo, está bem de ver, a televisão, tem vindo a reduzir-se de dia para dia, o que obriga a que cada um procure defender-se como pode e recorra a preços mais baixos e, sobretudo, as ofertas de bónus constituam uma maneira de atrair a canalização dos anúncios, mas mesmo assim está a ser cada vez mais difícil suportar os gastos que cada empresa do ramo tem de enfrentar.
Só quem já passou pelo calvário de pretender aumentar as vendas ou as audiências televisivas ou radiofónicas é que pode compreender a angústia de, por lado, não faltar a prestar o serviço informativo credível e, por outro, não entrar em manobras escuras de atrair esse público, seja a que preço for, incluindo o campo das difamações, das mentiras jornalísticas e dos escândalos.
Por aqui me fico. Deixo à imaginação dos meus leitores o porem-se no lugar dos responsáveis pelos órgãos de comunicação. E, nesta fase de crise profunda, não vale a pena pôr mais na carta, dado que todos compreendem o que representa a necessidade de fazer com que o dinheiro dê para suportar os gastos mensais obrigatórios…

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Crescer sem voltar a aprender,
sem recordar o aprendido
e sem se esforçar para não esquecer,
é perder todo o tempo de que dispomos
sem aproveitar o essencial da vida