sábado, 11 de abril de 2009

TRÊS TEMAS


Vamos a ver se consigo reunir num só blogue diferentes temas que, por sinal, surgiram todos na Imprensa de ontem e que, pela sua importância, merecem ser despachados num texto abrangente. Vamos a isso.
Primeiro, o caso do chefe da polícia britânica que, tendo ocorrido um deslize relacionado com documentos secretos que foram mostrados inadvertidamente, por terem sido deixados em cima de uma mesa, o mesmo admitiu a culpa e esse facto obrigou a antecipar a prisão de 12 elementos tidos como terroristas, que planeavam um ataque em Inglaterra. No que se refere à prisão tudo correu bem, mas o que não mereceu desculpa foi o desleixo que obrigou a antecipar a acção policial. Uma situação destas ocorreria por cá? Alguém, situado na área oficial, seria capaz de se demitir das suas funções por se ter sentido culpado de uma acção profissional?
Outro caso: o dos genéricos que têm levantado tanta celeuma entre o Ministério da Saúde, Ordem dos Médicos e a mesma dos Farmacêuticos. Uma forma de actuar que já é bastante antiga por essa Europa fora, e que, sem a mais pequena dúvida, provoca grandes economias nos doentes que não são forçados a adquirir remédios de marca, podendo optar pelo mesmo princípio de saúde com os chamados genéricos, essa medida não agrada a todos e já fez com que nascessem ameaças por todos os lados, porque alguns se sentiram melindrados nos seus interesses e, no fundo, quem sofre com tudo isso é sempre o “mexilhão”. Nem me dou ao cuidado de apontar, como me apetecia, os que optariam com todas as suas forças numa das escolhas, mas nem quero entrar por aí. O Ministério da Saúde conhece bem quem são e se não entra a matar é porque não tem coragem de enfrentar as situações. E, já agora, apetece-me aqui repetir o que venho clamando há mais de 30 anos, por ter usufruído dessa vantagem lá fora: trata-se do caso das vendas de medicamentos em unidoses, a qual se mantém ainda em fase de “análise”. Também me sucedeu, na Grã-Bretanha, há mais de 40 anos, ter sido receitado por um médico quatro pastilhas de um produto de marca e a farmácia forneceu-me de harmonia. Mas isso foi lá fora, em terras atrasadas em ralação à nossa!...
Por fim e por agora, congratulo-me pela circunstância de verificar que alguém leu os meus blogues em que insurgia contra o facto de existirem tantas casas em Portugal, principalmente em Lisboa, que, estando abandonadas muitas, por se encontrarem em péssimas condições de habitabilidade, permanecendo nessas condições e não sendo arranjadas nem alugadas. Pois o Governo despertou. E lançou uma proposta em que os proprietários são obrigados a vendê-las, dentro das regras de expropriação, no caso de não poderem fazer as obras que são indispensáveis, e que agora só se espera pela aprovação da Assembleia da República para que o passo definitivo seja dado. Há um mas, no meio de tudo isto. É que, no caso de não chegarem a acordo sobre o valor dos edifícios para venda, aí entram os tribunais e, neste caso, todos sabemos que se entra na fase do espera aí uns largos anos para que se saia do impasse.Era bom demais para ser verdade!...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

OXIGÉNIO

Menos idade com opiniões
Mais idade e bem poucas ilusões
Uma lei p’ra quem anda neste mundo
Dos lá de cima e dos que estão no fundo

Mas talvez não seja tanto assim
Pois a vida não é um folhetim
Com todos os episódios iguais
Que terminam sempre em jogos florais

Há os jovens que estão desiludidos
Que imaginam que são uns desvalidos
E os velhos com ânsia de viver
Que tudo que fazem lhes dá prazer

O ser humano é cheio de contrastes
De altos e baixos, plenos de hastes
Há os que sabem algumas coisitas
E os que são avessos às escritas

Mas bem lá no fim de todas as contas
P’ra se conseguir agarrar as pontas
Fará tanta falta ser-se um génio
Se é igual p’ra todos o oxigénio ?



ADOPÇÃO




Tornou-se pública a notícia de que existem cerca de 11 mil crianças a viver em instituições em Portugal, das quais à volta de duas mil estão em condições legais para serem adoptadas. Indicam também os números que 3.154 estão em situação de adoptabilidade, com idades compreendidas entre o 0 e os 10 anos, mais concretamente 579 com menos de 3 anos, 560 entre os 4 e os 6 anos e só 63 têm mais de 15 anos.
Analisando em pormenor os números, temos que 811 têm a adopção decretada, 626 encontram-se em fase de pré-adopção, 554 aguardam proposta do candidato, 101 estão em vias de integração no seio familiar e 34 situa-se na fase de alteração de projecto de vida.
No que se refere a candidatos existem 2.541 já seleccionados e 2.466 a aguardar resposta, mostrando estes preferência por adopção de crianças caucasianas. As tendências multiplicam-se por diversas escolhas, quer quanto à idade, como no que se refere ao sexo.
Por aqui se pode avaliar como os pedidos para acolher crianças no seio familiar não faltam, o que tarda excessivamente são as escolhas dos serviços respectivo para, com a indispensável análise das condições dos adoptantes, fazerem as entregas e, posteriormente, as vigias, da criançada que se encontra a aguardar famílias que lhes cuidem do futuro. E é preciso ter em conta que os anos passam muito depressa, sobretudo para os rapazes e raparigas que precisam urgentemente de integração e que, não o sendo em idade quanto mais tenra melhor, acabam por resistir mais e também tornar-se mais difícil fazê-los aceitar caras novas na sua vida.
Todos nós sabemos que as situações no nosso País, por mais urgentes que se apresentem, se defrontam constantemente com as burocracias de que tanto gostam os serviços oficiais. Papéis e mais papéis, carimbos, passeios de responsabilidades de departamentos para departamentos, aguardar por melhores ocasiões, sobretudo em pastas e em gavetas que se conservam fechadas. E o problema que espere. Mas isto tem de mudar um dia.
E é caso para fazer a pergunta: então os funcionários, superiores e médios, que têm a seu cargo encaminhar os infelizes rapazes e raparigas que tiveram a pouca sorte de não contar com os progenitores naturais, são capazes de dormir, todas as noites, descansados, sabendo que depende da sua agilidade de despachar rapidamente os processos que têm sobre as suas secretárias a felicidade de miudagem à espera de protecção familiar?
Não consigo aceitar qualquer tipo de desculpa que possa ser apresentada por esses mortais, também eles, possivelmente homens ou mulheres de família, gente que, ao chegar a casa se envolve com os filhos ou os netos e que não pode deixar de pensar que outras crianças se encontram, meses e anos à espera que os burocratas resolvam as suas situações. Mas que os há… há!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

PREOCUPAÇÃO

Que inútil me sinto
quando me vejo incapaz
de solucionar um problema
quer seja meu
quer quando toca a outros
ter de suportá-los

Por mais que me esforce
por muito que tente
encontrar uma saída
dar um conselho que tenha utilidade
o único que me sai
é o consolo
a palavra de paciência
a oferta de solidariedade,
mas tudo isso…
não chega!

Dizer que os problemas dos outros
são, para nós,
um encolher de ombros
dizer e sentir isso
só mostra como o Homem é cruel
insensível
egoísta

Mas eu procuro não ser assim
mesmo sem grande alarde
até talvez transmitindo indiferença
preocupo-me
e não consigo
passar adiante
paraliso o meu pensamento
coloco-me no lugar
do outro

E isso serve para alguma coisa?
Soluciona o problema?
Conforta quem está aflito?
Não tenho a pretensão
de julgar que sim
nem desejo convencer ninguém
que sim

PORTAGENS




Já não é a primeira vez que surge a ideia, oriunda de um membro do Governo, de que será necessário introduzir da portagem à entrada das grandes cidades portuguesas, por forma a reduzir o trânsito que entra nos principais centros urbanos. O ministro do Ambiente, Nunes Correia, fez recentemente a defesa dessa tese, dando como exemplo o que ocorre em Londres, garantindo que essa medida tem sido um sucesso.
E essa medida foi reforçada na altura da assinatura de protocolos, em que se envolveram a Galp Energia, a Carris e o próprio Executivo, que respeitam o desincentivo do uso individual do automóvel por forma a reduzir o consumo de gasolina com viaturas que podem transportar mil quilos e que circulam com apenas 50 ou pouco mais, foram palavras do ministro.
É bom verificar que há membros do Governo que apontam exemplos colhidos fora do País, como este que se refere à capital inglesa. A pena é que não sejam outros casos a serem observados pelos nossos governantes, no sentido de aproveitar as situações que deram provas de eficiência, já que, no caso nacional, a imaginação não se tem mostrado muito pródiga e, especialmente no que diz respeito a Lisboa, continuamos na mesma como há tempos passados, para não dizer que, nalgumas situações, até recuámos. Um exemplo bem nítido e que, no meu caso, tenho referido repetidamente, é a ausência de flores nos locais mais à vista da capital, como sejam o Rossio, os Restauradores, o Terreiro do Paço e junto a todos os monumentos que recordam a História e que merecem um tratamento especial e cuidado.
Agora, essa de fazer pagar portagem todas as viaturas que entrem em Lisboa, quando se sabe que, uma grande parte dos que trabalham na capital residem nos arredores, porque foi fomentada essa opção, não só pelos valores mais baixos de compra de casas como também por, no caso dos alugueres, terem desaparecido do mercado essas opções que, em tempos idos, eram os que os casais novos escolhiam, tal medida que nesta altura alguns, poucos, sustentam, não parece ser a mais indicada e as razões são tão evidentes que nem vale a pena apresentar o rol de inconvenientes.
Que as cabeças pensantes do nosso País se dediquem a encontrar soluções que tenham pernas para andar isso é o desejável. Agora, que gastem as suas cabecinhas em ideias que não resolvem os problemas de fundo, para além de que proibir, seja o que for, é a maneira mais fácil de mostrar que se é actuante, tal actuação é que se espera daqueles que aceitaram ocupar lugares de governação e a quem se exige que sejam eficientes.
Nesta caminhada que percorremos agora a caminho do período de eleições, por valer a pena levantar os problemas para que os cidadãos usem as suas cabeças a pensar na escolha que devem fazer, é que é preciso alertar em consciência e, mesmo para as oposições, no sentido de que vão sendo mostrados textos deste índole que, como é evidente, só servem para tentar afastar as abstenções, que essas, não contribuem para designar a escolha que é preciso encontrar.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A SOMBRA

A sombra que vejo e não fala
que não a apalpo mas sei que existe
que me persegue e é bem vassala
daquilo que tudo em mim é triste
essa figura que me imita só no gesto
que repete tudo aquilo que faço
não é acordo nem protesto
mais me parece um bom palhaço

Precisa de luz para me reflectir
pois na escuridão desaparece
avisa-me também para fugir
e volta a surgir quando amanhece
agradece ao Sol o seu esplendor
e é nas ruas que mais se nota
eu sei que sou eu o seu benfeitor
aquele que marca a sua rota

Sombra querida enquanto eu viver
tu andarás bem perto de mim
e ninguém pode jamais antever
o dia em que chegaremos ao fim
da nossa caminhada lado a lado
sendo eu como tu e tu como eu
não existirá mais o nosso enfado
de nos perguntarmos se haverá céu

ANIMAÇÃO EM LISBOA



O que eu tenho clamado pela imaginação dos vários responsáveis que já passaram pela Câmara Municipal de Lisboa no sentido de fazerem o que estiver ao alcance das possibilidades financeiras do Município por forma a aproveitarmos as belezas natural da nossa capital e lhe proporcionarem uma acrescida movimentação que retire a tristeza característica desta cidade. Mas, até hoje, não passou esse meu esforço de uma pregação aos peixes, pois que continuamos, por exemplo, sem aproveitar as flores baratas que poderiam e deveriam animar e alegrar muitas das ruas, praças e avenidas, para não dizer também monumentos deste nosso Ulissipo. Esse um exemplo.
Não se compreende que não tenha aparecido e continue sem aparecer alguém que tenha a capacidade de descortinar formas de embelezar muitos dos locais que fazem parte do conjunto da capital portuguesa, assim como criar uma circulação de pessoas que sirva de demonstração de que se trata de uma cidade com gente que se move a todas as horas. Sim, porque é sobejamente conhecido que, a partir de certas horas do fim do dia, as ruas alfacinhas se encontram praticamente vazias de habitantes e esse panorama é ainda mais aflitivo no centro da cidade, na chamada Baixa e no seu vizinho Chiado. Os estrangeiros que nos visitam perguntam-se repetidamente o que sucederá por cá, pois que se vêem obrigados a recolher aos hotéis para jantar e depois nem sabem para onde se deverão dirigir, para não andarem sozinhos pelos centros pedonais.
Esta iniciativa, agora divulgada a medo, de serem criados cafés e restaurantes com animação no final das tardes, tomando-se como exemplo o que ocorre em Espanha, quer em Madrid quer na maioria das cidades do País vizinho, esse despertar de alguém que, por fim, descobriu que havia que fazer alguma coisa no nosso burgo, vem, pelo menos, abanar as consciências para o que tem constituído uma preocupação do autor deste blogue. Surgiu agora a notícia de que existem no Município alfacinha 27 processos de licenciamento de hoteis, apenas para a zona da Baixa, avenida da Liberdade e áreas envolventes, estando, para já, em construção apenas cinco (rua Barata Salgueiro, rua 1.º de Dezembro, rua de Santa Marta, Praça da Figueira e rua Rodrigo da Fonseca), mas estãop considetrados viáveis mais doze outros pedidos, num total de 1.663 camas).
Menos mal, embora se devesse ter começado pelo princípio. E, da parte das autoridades superiores, seria fundamental que o Terreiro do Paço servisse de exemplo e que as suas arcadas sem movimento passassem a contar com cafés-esplanadas, sobretudo com música ao vivo, ao mesmo tempo que poderiam ser aproveitadas para venda de produtos de qualidade, como seja a filatelia, os livros antigos, a pintura, a numismática e outras actividades que trariam movimento e característica própria ao local.
A partir daí seguir-se-iam outros locais que pudessem criar vida no centro de Lisboa, sendo que a Associação de Valorização do Chiado, de recente criação, tem a grande responsabilidade de meter mãos à obra e de dar mostras daquilo que pode valer, não se ficando apenas por intenções mas agarrando firmemente um projecto que tem de ser posto em acção no mais curto espaço de tempo possível.
É o que posso acrescentar ao que tenho vindo a clamar há muitos anos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A BRASILEIRA

Sentado na Brasileira
Neste espaço com História
Aqui da minha cadeira
Revolvo a minha memória

Foi neste café aqui
Que em tempos da PIDE antiga
Se juntava em frenesi
Quem não ia na cantiga

Falavam contra o regime
Baixinho se conspirava
O que então era um crime
E bem caro se pagava

Cinquenta anos atrás
Não foi ontem, mas parece
Época de podre paz
Que jaz morta e arrefece

Em mesas por ali perto
De ouvido atento, matreiro,
Os pides com olho aberto
Espiavam o parceiro

Mas o Rocha, o Aquilino
E outros da nossa praça
Gente que fiava fino
Não lhes encontravam graça

Eu, por mim, alguma vez
Lá estive dos mestres junto
E na minha pequenez
Ajudava ao conjunto

Anos depois, já maduro,
Paguei o atrevimento
Comprometi o futuro
Mas fi-lo com muito alento

Brasileira do meu sonho
Recordo-te com saudade
O que passei foi medonho
Mas foi feito com verdade

Se fosse hoje, quem me dera!,
Voltando ao menino e moço
Ser de novo o que era
Regressando ao alvoroço

Mas não, hoje a Brasileira
É um café de turistas
É tudo d’outra maneira
Já não há por cá artistas

Mas quem tal tempo viveu
Quem ainda tem memória
Se é justo, não esqueceu
Esse pedaço de História







PRESOS POLÍTICOS - TARRAFAL



Se a memória dos humanos é curta, o que não dizer dos acontecimentos que ocorreram no passado e que as gentes de agora nem imaginam que tivessem passado?
É o que acontece com as pessoas que, tendo nascido depois de 1974, logo com idades que nesta altura rondam um pouco mais de 40 anos, ao referirem-se-lhes situações que tiveram lugar no tempo da Ditadura dão mostras de um total desconhecimento e, descrevendo-se-lhes palavras, gestos, ocorrências que se passaram nessa época, têm dificuldade em imaginar o que foi corrente nessas alturas e, em muitos casos, levantam até dúvidas sobre a veracidade daquilo que se pretende transmitir-lhes.
Por um lado, seria bom que fosse mais fácil passar aos cidadãos actuais as dificuldades de existência daqueles que não se encontravam indiferentes à situação política que se vivia na altura. Era uma forma de mostrar como, sendo tão fácil hoje discordar e dar mostras dessa adversidade em público, antes da Revolução de Abril quem tivesse esse desassombro tinha de prestar contas com a malfadada PIDE da época e o caminho habitual desses revoltados era o tribunal e, logo de seguida, uma cadeia de acordo com a importância dos “crimes” cometidos.
Ora, é precisamente o varrer-se hoje para debaixo do tapete essas situações que ocorreram aos nossos antepassados relativamente recentes, que tem de escandalizar e entristecer quem viveu essa época e que, por força da sua actividade, ter sentido de perto os horrores das perseguições policiais.
Sem dúvida que, de entre os vários presídios que encerraram muitos praticantes políticos “do contra” – como eram classificados -, o que ficou mais na memória dos antigos é o do Tarrafal, campo prisional situado em Cabo Verde e de que, com a morte há dias de um dos dois ainda sobreviventes dessa terrível experiência, de Joaquim de Sousa Teixeira, ficou a restar apenas uma outra figura que bem merecia que fosse recordada e mesmo acarinhada pelo que representa de sofrimento a sua história prisional. Trata-se de Edmundo Pedro, homem de grande valor, por ter chegado a estar na masmorra juntamente com o seu pai, e que está aí, com a sua proveta idade, para poder comprovar o que foram esses tempos de perseguição brutal aos que não estavam de acordo com o sistema ditatorial que era importo no nosso País.
As condecorações não chegam para colocar no pedestal quem, antes de qualquer movimento militar de libertação, já dava o seu corpo ao manifesto e sofrera, por isso, as consequências das perseguições que lhe eram movidas depois de descobertos.
Aqui fica, neste modesto blogue, aquilo que considero ser o meu dever: o prestar a merecida homenagem a esses portugueses que, independentemente das suas preferências políticas, mostraram largamente a coragem de que eram possuídos e o serviço que pretendiam prestar a uma causa, sabendo o que lhes podia custar tal atitude.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

SOLIDÃO


Andar pelo mundo
ouvir o ruído
mas bem lá no fundo
não ver o sentido
de tudo que passa
da gente que fala
da enorme massa
que nunca se cala
não ver os sentidos
daquilo que dizem
ter dor de ouvidos
sem ver se condizem
os sons que lhe saem
das bocas teimosas
parece que atraem
palavras folosas
com a vastidão
é o que se sente
grande solidão
entre muita gente

VENEZUELA



Todos temos presente a viagem que efectuou José Sócrates à Venezuela, toda ela rodeada do maior espavento, não só porque participaram vários membros do Governo, entre eles o ministro da Economia, como bastantes empresários que desejavam conhecer quais os benefícios que podiam conseguir com as exportações possíveis para aquele País da América Central. E, na altura, foi dito pelo primeiro-ministro que os acordos firmados incluíam o apreciável aumento da possibilidade de exportarmos produtos nacionais para a terra de Hugo Chavez e isso como contrapartida da aquisição de combustíveis da mesma origem. Para tal, ia incluído na referida visita o responsável pelo AISEP, Basílio Horta, por sinal ele antigo ministro da Economia quando ainda era membro do CDS e no período de um governo central, o qual, por ter a pouca sorte de ocupar agora um lugar que não apresenta grandes perspectivas face à crise que se atravessa em todo o mundo, também não tem mostrado resultados palpáveis e a sua actuação não passa de eventuais possibilidades que nunca se concretizam.
Aquilo que foi divulgado na altura da referida viagem foi que Sócrates ofereceu uma quantidade apreciável dos mais que divulgados computadores Magalhães, destinados, segundo parece, aos estudantes venezuelanos e sobre os quais também se crê que ficou firmada uma compra avantajada desses aparelhos.
Vamos então parar um pouco para analisarmos a situação. Passados já vários meses sobre a mencionada visita oficial, descobriu-se agora que nada foi ainda concretizado no que respeita às trocas económicas que tão divulgadas foram. Parece que não passou, na altura, de um lançamento de foguetes para justificar uma festa que, tendo custado dinheiro ao Estado, não resultou em nada de concreto e de lucrativo. Abraços, jantaradas, frases lançadas a exprimir simpatia e concordância, sobretudo da parte portuguesa, quanto ao sistema político seguido na Venezuela, e nada mais do que isso. Foi tudo tempo perdido e falta de capacidade de antever o que se passaria a seguir. Nem a compra dos tais Magalhães teve ainda lugar. Nós, por cá, continuamos sentados à espera de alguma coisa que nos provoque verdadeiro contentamento quanto à referida visita oficial à Venezuela.
Mas eu permito-me voltar ao tema AISEP, instituição governamental que tem como propósito procurar expandir as produções portuguesas no estrangeiro, para o que possui dispendiosos escritórios espalhados por diversas cidades que fazem parte de países potencialmente importadores de produtos oriundos de Portugal. Essa organização devia servir para alertar os nossos exportadores para as potencialidades existentes por esse mundo fora, abrindo portas, fornecendo elementos comerciais para facilitar o nosso mercado exportador a fazer as suas ofertas, quer quanto a preços, como no que se refere a características mais aceitáveis e preparando contactos completamente definidos para que sejam ultrapassados os gastos iniciais dos empresários, como sejam viagens de estudo e de ofertas, que são as que todos evitam fazer por oferecerem maiores dúvidas de sucesso.
O ICEP, organismo que antecedeu o que tem agora mais uma letra inicial, existiu por cá há durante muitos anos. E quais foram os resultados obtidos com a sua actividade? Essa é que é a pergunta a fazer, tal como se deve analisar a resposta que for obtida. Está no princípio de tudo, para que agora, com Basílio Horta á frente dos seus destinos, se apure se se trata da figura pública mais indicada para dirigir o que representa uma instituição de tão grande importância económica como é a que tem a enorme responsabilidade de abrir portas às exportações portuguesas. O que fez Basílio Horta, quando foi ministro da Economia, nessa qualidade não deixa grandes saudades, pois, por razões misteriosas, fez tudo para que deixasse de existir à venda bacalhau em Portugal, quando, bastava atravessar a fronteira para se ver o “fiel amigo” pendurado nas árvores fronteiriças a convidar os portugueses a comprá-lo nas estradas em Espanha. A situação nunca ficou esclarecida e só isso chega para se efectuar o julgamento claro da sua capacidade.
Faz-me pena ter de dizer isto, que, aliás, foi alvo de ataques jornalísticos na altura. E essa lástima é devida à sua simpatia natural e também por estar a atravessar um período difícil, pela morte inesperada da sua filha querida. Mas, a vida continua. E o AICEP tem de funcionar com eficiência, para bem de todos nós.

domingo, 5 de abril de 2009

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Como eu gostaria de andar mais desatento com o que se passa em meu redor.
Só me interessar pelo que valesse a pena, sem ser necessário fazer ouvidos moucos quando a conversa não atinge o meu interesse.
Ter um filtro exterior que só deixasse passar aquilo que merecesse chegar ao meu cérebro.
Mas não é isso que acontece.
Pelo contrário, classifico quase tudo por idêntica bitola. Dou importância semelhante a tudo que chega aos meus olhos e ouvidos.
Irrito-me até com o que não tem valor para ser visto e escutado.
E, mesmo que não conteste, que finja que não me chegou a mensagem, ela entrou e provocou o estrago que põe em alvoroço o meu pensamento.
Só eu sei quanto me esforço para estabelecer uma espécie de censura, uma parede que não deixe passar tudo o que não merece ser armazenado num dos cantos da minha massa encefálica.
Mas tenho de reconhecer que a curiosidade é superior ao cuidado selectivo que devia fazer parte da primeira linha da minha protecção.
Sou eu que sofro com as consequências.
Faz-me perder tempo com insignificâncias e fico com espaço ocupado que me faz tanta falta para arquivar os acontecimentos e as palavras que vale a pena ir guardando cuidadosamente ao longo da nossa existência.

EDITORES DE LIVROS



Habituei-me a ler, semanalmente, no suplemento dos sábados do jornal “24 Horas”, as crónicas de Clara Pinto Correia, uma bióloga que viveu largos anos no estrangeiro e que, instalada agora em Lisboa, apresenta as suas críticas à forma de vida no seu e nosso País. E esses comentários, que está no seu pleno direito de fazer, são, muitas vezes, no meu entender, oportunos, muito embora, também me permito expor a minha opinião, o estilo da escrita seja muito original. Mas não é isso que me faz dedicar este blogue ao tema em causa.
Acontece que num desses seus textos o objectivo daquilo que escreve é o comportamento das editoras portuguesas no que se refere à escolha dos originais para publicação de livros. E, quanto a isto, o que me apetece acrescentar é que, na verdade, essa actividade comercial que tem de ter o objectivo de ser lucrativa, não pode nem deve ser comparada a uma exploração económica como qualquer outra, pois arrasta consigo uma responsabilidade que tem de estar sempre presente em cada obra que é lançada no mercado.
Trata-se, portanto, de um mister que não tem de ter apenas a preocupação de colocar no mercado livreiro títulos que “cheirem” aos responsáveis das editoras vir a atrair a sua compra em quantidade, não pela sua qualidade literária mas sim por se tratarem de autores de caras mediáticas, conhecidas noutras actividades, que suscitam escândalos, afastando completamente a ideia de se tratarem de obras que contribuam para a riqueza intelectual dos leitores e/ou proporcionem a autores menos conhecidos a possibilidade de conquistarem um lugar que, muitas vezes, só é conseguido após a morte dos escritores ou poetas. E exemplos deste tipo têm-se contado às centenas na história da literatura de todo o mundo.
Porém, como as editoras não são organizações de beneficência, não pertencem a organismos oficiais com a responsabilidade de promoverem autores literários (como poderia haver também de autores musicais e de outros sectores artísticos), mas sim a sua razão de existência é facturar o mais possível com a venda de títulos que caiam bem nos leitores, logo as suas preocupações não se desvia dos títulos comercialmente garantidos na expansão.
Tem, portanto, razão Clara Pinto Correia quando aflora o assunto na crónica referida. Mas a vida é isso mesmo e, por mais que uns tantos, poucos, se insurjam contra os vícios que ocorrem na Humanidade e que não dão mostras de vir a ser alterados com facilidade, o que pode ser feito é insistir na discordância dos métodos e dos comportamentos do ser humano, tendo a paciência suficiente para aguardar por um dia em que as coisas dêem a volta e se aproximem do ideal.
Até lá, o que resta aos autores menos conhecidos é manter a sua produção para meter nas gavetas. Fernando Pessoa, um ajudante de guarda-livros de um escritório na Baixa, encheu folhas de papel com verdadeiras obras-primas que só chegaram às mãos do grande público muitos anos depois da sua morte.
É uma consolação? Evidentemente que não. Mas que se pode fazer?

sábado, 4 de abril de 2009

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Quem atingiu já a idade que não dará para chegar à altura de grandes mutações políticas, por si estará descansado.
Mas, e a criançada de hoje?
Os homens de amanhã?
O que os espera?

HIPÓTESE

Hypothese é tudo que não é
que não se vê e nem sequer existe
que não está nem longe nem ao pé
não deixa ninguém alegre ou triste

Porém é algo que a gente julga
com imaginação que algures está
e como sendo verdade divulga
que não sendo certo talvez será

Sendo aquilo que não é, a hipótese,
a gente julgaria que seria
quanto mais não fosse como prótese
de algum sítio onde caberia

Sendo então tal coisa o que não é
a gente julgaria que seria…
… se fosse, a hipótese até
se alcançaria um belo dia

G20


Mesmo que vários países se tenham reunido, desta vez em Londres, na busca e uma solução entre todos para tentar pôr fim aos problemas mais graves que afectam o mundo, em especial nas áreas financeira e social, a verdade é que a resolução para um mal em que praticamente todo o mundo está envolvido não pode mudar assim do pé para a mão. Mas, há que dizê-lo, só o facto do G20 ter reunido os líderes de tantos países considerados ricos (e, neste momento, é curioso atribuir esta classificação) e tendo-se chegado a um acordo sobre a injecção de um bilião de dólares na economia mundial e que os considerados paraísos fiscais terão de ser eliminados, só isso representou um passo importante que abrirá perspectivas, quanto mais não seja, no que respeita ao entendimento tão desejado e absolutamente necessário para que todos caminhem de mãos dadas no sentido de se tentar melhorar o estado a que chegou a Esfera terrestre, tudo, afinal, por culpa dos homens, desses que procuraram, egoisticamente, enriquecer sem levar em conta a existência de terceiros e as consequências que adviriam da sua ganância.
Em determinada altura da expansão da crise houve quem chegasse a admitir que o problema só teria solução com uma terceira guerra mundial, dado, por um lado, o excesso de população que atingiu já os mais de seis mil milhões de habitantes em todo o Globo constituirá uma contrariedade no que respeita à divisão dos bens mundiais por forma a permitir que cada um alcance um montante minimamente suficiente, desde que diminuíssem as assimetrias entre os muito ricos e os muito pobres, e, por outro lado, a necessidade de reconstruir tudo o que ficaria destruído, pelos efeitos que resultariam de um confronto desse tipo, o que seria uma forma de terminar com o desemprego que atormenta a humanidade, nesta altura.
Mas, obviamente, este é um panorama extremo de dramatismo e, se fosse necessário chegar a esse ponto, seria porque os homens que têm a responsabilidade de gerir as nações mais ricas não seriam capazes de se entender.
Este encontro do G20 veio demonstrar que existem perspectivas para afastar tal saída e as intenções surgidas dessa reunião permitem que nasçam algumas esperanças na capacidade de nos encaminharmos para um mundo melhor. Também porque ficou previsto um novo encontro deste género em data ainda não definida, o que, certamente, será da maior utilidade.
Não quero, no entanto, deixar de fazer um sublinhado no comportamento do neófito político de características mundiais que, perante o ambiente geral, marcou uma forma de modéstia que tanta falta faz no panorama que atravessamos. Tratou-se da afirmação de Barak Obama de que se encontrava naquele conjunto para ouvir e para aprender, o que, só por isso, constitui um exemplo que poderia e deveria ser seguido por todos os líderes, não só em relação aos problemas mundiais mas também no capítulo das resoluções que têm de ser tomadas no interior de cada país, os ali representados e os que não faziam parte do encontro.
Que fique a lição!...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

TGV



Deparamo-nos, nesta altura, com o confronto entre duas opiniões oriundas, uma de um ex-ministro das Obras Públicas e a outra do actual detentor da mesma pasta, mas ambos no que diz respeito ao tão discutido TGV. E por aqui se pode ver como é uma situação difícil a tomada de posição quanto a uma obra que, se for avante, marcará para o futuro a responsabilidade que caberá ao Governo assumir.
O engenheiro Joaquim Ferreira do Amaral, que, quando exerceu as funções de ministro, lhe coube, de acordo com o Executivo de que fazia parte, o encargo de mandar construir a ponte Vasco da Gama, a qual, como muitos se recordarão, provocou diversas observações de protesto, sobretudo devido ao ondulado que apresenta e que aumenta excessivamente a distância entre as duas margens, agora, pertencendo à administração da empresa que a explora, vem à liça para considerar que o projecto de alta velocidade que se pretende introduzir em Portugal deveria ser substituído pela remodelação da rede ferroviária nacional que permitisse a velocidade de 200 quilómetros por hora e que servisse as cidades intermédias, não considerando, por isso, o TGV a prioridade número um.
Por seu lado, o actual ministro do “jamais” (e não consigo deixar de recordar sempre a “gaffe” de Mário Lino, pois este infeliz membro do Governo de Sócrates ficará na triste História pelas posições tomadas, ao contrário umas das outras), já garantiu que a concretização do referido projecto TGV não é uma miragem, mas sim “uma certeza”, afirmando que o concurso para a construção e exploração do troço entre Poceirão e Caia deverá ser adjudicado “até ao Verão”. Na fase final das negociações deste concurso encontram-se a Brisa e a empresa Mota-Engil, esta contando com o antigo ministro Jorge Coelho, agora na qualidade de seu presidente-executivo.
E é isto. Como notícia tem um conteúdo que chega e sobra para criar celeuma. Mas, para que serve levantar suspeitas, por um lado no que diz respeito à transparência das decisões tomadas quanto a eventuais interesses pessoais e, por outro, dado que ficam de fora dos trajectos muitas localidades que não são satisfeitas por uma TGV, mas que seriam por uma ferrovia mais comum?
Já se sabe que, quem toma uma decisã está sempre sujeito a controvérsias e a suspeitas. Se não fizer nada, no mínimo livra-se dessa dúvida. Mas ninguém é obrigado a aceitar lugares e posições que apresentam esse risco. Logo, as reclamações e as opiniões contrárias têm de ser aceites sem vitimizações.
Vamos a ver quem tem razão. Se, realmente, se justifica que, neste altura de crise, o TGV deve ser considerado uma prioridade assim tão necessária.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A ânsia de aumentar os conhecimentos,
o esforço, o trabalho, o saber ouvir os que sabem mais,
as companhias os que têm exemplos para mostrar,
tudo isso ajuda a que nos aproximemos um pouco
do impossível
Mas toda essa azáfama não chega.
É preciso a sorte, a sorte de ter talento bastante
para alcançar o que se precisa na vida.

REMÉDIOS



Claro que não deve ser fácil. Muitas barreiras se terão que transpor para ser conseguido, no campo dos produtos farmacêuticos, que igualemos, tanto quanto possível, os preços que se praticam lá fora, por exemplo em Espanha.
Esta redução agora anunciada de 3.900 medicamentos – e isto num ano de eleições – vem demonstrar que o Ministério da Saúde sempre pode fazer alguma coisa para contribuir no sentido de que a população de baixos recursos financeiros possa atender melhor a sua saúde. E, se isso foi decidido agora, quer dizer que já antes se teria podido dar tal passo.
Sim, eu sei que estarão alguns leitores deste blogue a dizer: "cá está o português, pobre e mal agradecido!” Mas, perante aquilo que se sabe, de que existe uma força poderosa dos laboratórios farmacêuticos, por um lado, e dos proprietários das farmácias, por outro, estes, sobretudo, tratando-se de um grupo restrito que, nalguns casos, dominam a posse de vários estabelecimentos do ramo, e força essa que tudo tem feito para não perder o controlo do negócio que, segundo se sabe, é bastante lucrativo, face a tal panorama não será sem uma tomada de posição forte do Governo que se conseguem alterar as circunstâncias em que se tem vivido, há muitos anos, no nosso País e no que se refere ao consumo de remédios.
Mas, já agora, que vem a talho de foice este tema de tão grande importância no meio da população, especialmente a mais desfavorecida, repito aqui uma observação que já foi objecto da minha intervenção noutros escritos: trata-se da desatenção de que o sector da saúde tem dado provas no que se refere à não possibilidade de adquirir os remédios apenas nas quantidades que são necessárias para efectuar um tratamento médico. Os medicamentos que sobram, com frequência, e que, mais tarde, vão parar ao lixo, esse desperdício custa dinheiro aos usuários e trata-se de um gasto excessivo por parte do Estado, pois que as contribuições que são atribuídas nas receitas médicas acabam por não servir na totalidade.
Então, não poderia o Executivo aproveitar este passo da baixa de custo dos medicamentos, para também avançar com aquilo que sucede há muito tempo nos países europeus, por exemplo na Grã Bretanha, onde já tive essa experiência há mais de vinte anos, e em que só é necessário adquirir os remédios que se vão tomar e não o que sobra de cada embalagem?
Esta notícia saída hoje, 1 de Abril, chegou a provocar-me a sensação de que se tratava de uma partida do Dia das Mentiras!...





quarta-feira, 1 de abril de 2009

PAPEL À SOLTA

Aqui estou eu à frente do papel
à espera que a inspiração me chegue
olhando para a rua a ver passar
aqueles que não olham para a folha eem branco
na esperança de a ver cheia
de letras, de palavras e de versos

Serão felizes esses que não puxam
por um génio que não lhes faz falta?
Quem sabe se não seria melhor
conhecer tudo sobre o futebol
preocupar-me só com o meu clube
e andar em dia com o jet-set?

Se fosse assim, poemas não fazia
e descansava quem vier a ler
todos os versos livres e bem livres
porque de rima mesmo nada têm
e a cadência é o que lhes resta
mas mesmo assim encheram o papel
Todos os dias é menos um.
Mas como se fazem as contas?
Menos um de quantos?
E esses quantos são muitos ou serão
apenas os que restam?
Os que nos faltam para o fim,
para terminar a caminhada?

ANALISTAS POLÍTICOS



Andam por aí tantos analistas políticos que, um a mais, como pode ser este caso, também não adianta nem atrasa o que ocorre no nosso panorama. De facto, com o andamento da situação e dado que nada acontece por cá que nos anime a ter confiança neste ou naquele movimento político, tenha a classificação de partido ou seja apenas uma vontade que desponta no meio de qualquer organização já constituída, o que apetece é também mostrar a nossa opinião, um pouco como tratando-se de uma antecipação ao que vai ocorrer como consequência das eleições que se aproximam, em particular as legislativas.
Devo confessar que, depois de ter averiguado todos os agrupamentos políticos que se plantavam no quadro das perspectivas de formar governo, isso nas eleições passadas, optei por facilitar o meu voto ao Partido Socialista por me dar a impressão que, com um líder sem grande compromisso com as linhas normalmente estabelecidas, havia razão para ter esperança de que a Democracia sairia reforçada por tal escolha. Não conhecia José Sócrates com profundidade, mas parecia-me que um rapaz ainda novo traria ideias também rejuvenescidas e seria capaz de dar a volta ao que ocorria e que estava a precisar de sangue na guelra.
Passado este período, constatadas as consequências da escolha, tendo contemplado, constrangido, os discursos mal construídos do responsável que se considerava, cada vez com mais evidência, da sua condição de seguro em tudo que fazia, observando o que foi ocorrendo, de uma forma que ia perdendo progressivamente toda a confiança que eu tinha depositado no início, acompanhando cautelosamente cada passo que ia sendo dado e os resultados pouco entusiasmantes que iam sendo conseguidos, não consigo deixar de chegar a esta fase sem um desconsolo que não posso esconder nesta altura.
Não é aceitável, especialmente estando todos nós a sofrer as consequências de uma crise que ninguém sabe com absoluta certeza como nos iremos livrar dela, que José Sócrates, que conta no seu elenco com alguns ministros que já deviam ter sido postos de lado quer pela actuação que têm demonstrado como pelo comportamento verbal de que têm dado provas bem tristes, em lugar de aceitar - e dar conta pública disso – as opiniões mesmo vindas das oposições, pelo contrário insiste em querer arrogantemente afirmar que só ele tem razão e que todos os demais não passam de gente incompetente.
E, para além de tudo o mais, a corrupção que tem vindo a desenvolver-se por todo o lado e, sobretudo, o consentimento superior quanto às criminosas benesses que têm sido oferecidas aos políticos que contam com a protecção partidária, ao ponto de um Jornal ter publicado na sua primeira página a frase de que “há políticos pobres que, ao fim de uns anos, estão milionários”, tudo isso poderia e deveria ter sido objecto da intervenção dos poderes e Sócrates, sabe-se lá porquê, nunca meteu mão neste crime que está à vista de toda a gente, e agora mais pelos milhares de desempregados que se acumulam por esse País fora.
Há muito mais para explicar porque é que me encontro tão desiludido com a minha escolha na última votação do grupo partidário que está no Governo. E o pior é que, provavelmente, repetirei o mesmo erro. Mas se não for assim, o quê? A abstenção, essa é que não!...

terça-feira, 31 de março de 2009

Os violentos, os corruptos,
os desonestos
e todos os que têm voz
gritam e assustam
Mas, e os mudos?
Esses, não se dá por eles

BOTAR FALADURA


As vezes que José Sócrates surge, perante as câmaras de televisão, a “botar faladura” – que outra forma não será fácil de encontrar para reproduzir as intervenções que o primeiro-ministro faz a pretender explicar aquilo que, tratando-se de propaganda da sua actuação na política, constitui o motivo por que deixa o seu gabinete e se dispõe a comparecer em público - todas essas vezes excessivas mostra o seu estilo que, como aqui tenho afirmado com frequência, é cansativo, quanto mais não seja dada a forma que utiliza de querer mostrar-se sempre sabedor e competente no que respeita à actuação do seu Governo.
Mas, enfim, cada um explica-se como julga ser a melhor maneira para transmitir aos outros as suas teses, só que, quando se ocupa um lugar de destaque e com enorme responsabilidade política, como é o caso, se for necessário até deve aconselhar-se com profissionais do discurso e ouvir as críticas que são feitas e os conselhos que surgem de diferentes lados.
Em resumo: o político Sócrates não tem habilidade para expor as suas razões na praça pública e, cada vez que teima em surgir nessa condição, só aumenta a repulsa que os portugueses já sentem por ele. E não o escondem. Muito embora, não me canso de o afirmar, não esteja à vista ainda uma alternativa governamental ao que se encontra no poder. E esse é o verdadeiro problema!
Mas não é apenas a figura de Sócrates que tem fartado os cidadãos portugueses de ouvir e de ver. Logo a seguir, mas com um ar que se pode considerar mesmo humorístico, vem o responsável pelas Obras Públicas. Mário Lino, aquele que garantiu a todo o País que o novo aeroporto da capital teria de ser localizado na Ota e não poderia ficar situado na outra margem do rio Tejo. Todos nos recordamos do já célebre “jamais” e da garantia dada pelo mesmo de que, nesse lado, só havia deserto! E o resultado está a ser visto. Como se nunca tivesse aberto a boca em relação àquela localização, agora garante que é Alcochete o local ideal. Outra "faladura".
E, também os concursos do TGV e da nova ponte sobre o Tejo, que estão já na forja para serem lançados, só por pertencerem ao sector comandado por aquele membro do Governo entram na linha dos projectos que levantam as maiores desconfianças, no que diz respeito a custos, a prazos e às localizações. É que, no total, se trata de um investimento da ordem dos 10 mil milhões de euros e, por isso, não podem – ou não devem – ficar sob a alçada de um governante que diz e desdiz com a maior facilidade. Isto, para não falar já na inconsciência de se pretender, nesta altura particular de enormes dificuldades financeiras, estar a esbanjar dinheiro que, todos temos de saber, vai faltar dentro de pouco tempo. Quem ouviu ontem, na televisão, o economista e antigo ministro Silva Lopes, fazer o retrato do que nos espera em Portugal, de, dentro de pouco tempo, não se poder fugir aos cortes nos salários, porque a dificuldade que se enfrenta já nos empréstimos oriundos do estrangeiro, não só às empresas como ao próprio Estado nacional, isso não retira dúvidas de que o que vem aí é aterrador.
Até por isso, não posso deixar de me referir ao ministro da Justiça, Alberto Costa, que tão mal tem gerido a pasta que, segundo as acusações que surgem de todos os lados, tem cumprido desastradamente o que deveria funcionar como um relógio, e que, como se estivéssemos a navegar no mar das maravilhas, fez uma visita, dita “profissional” à China e a Macau, para efeitos de “regulação dos serviços jurídicos e assistência à mesma”, pelo que teve conversações com a sua homóloga chinesa para “fazer o ponto da situação dos acordos existentes entre os dois países”!...
Estão enganados aqueles que supõem que Alberto Costa, com as eleições à vista e não sabendo se se vai conservar naquele lugar, entendeu por bem efectuar esta visita que, por mais que queiram afirmar o contrário, não se podia tratar de outra coisa que não fosse um aproveitamento ainda a tempo das mordomias ministeriais que uma viagem deste tipo lhe proporcionaria.
E Sócrates a ver e a consentir. Deve-lhe ter dito: “Vai lá rapaz. Aproveita agora porque o depois ninguém pode garantir”. E como foi em chinês que “falaram”, por cá ninguém pode saber o que disseram e o que combinaram!
Pois é isto que sucede neste pobre País, que cá se vai embrulhando, mesmo muito mal, com a crise que não nos larga, mas com muitas "faladuras"...

segunda-feira, 30 de março de 2009

SER HOMEM

É preciso ser Homem
mas só isso não chega
é fundamental ter sentimentos
e usá-los
senti-los
transmiti-los
gostar do sol
da chuva
do vento
da lua
ter um ideal
e lutar por ele
defender o ambiente
e conservá-lo para o futuro
pensar nos que virão
e que vão herdar aquilo que lhes deixamos
não ser egoísta
respeitar os vizinhos
todos
os da rua
os do País
os do mundo
saber falar, mas, sobretudo
saber ouvir
pensar no que faz
e no que não deve fazer
e se fez e foi mal
arrepender-se sem receio
de mostrar o erro

É preciso ser Homem
mas de cabeça levantada
e consciência tranquila

Haverá quem seja assim?

EU


A 19 de Março
nesse mês de Primavera
sou Peixes e não disfarço
nasci eu, nasceu a fera

Foi na década de trinta
já lá vão bastantes anos
muita coisa já extinta
belezas e desenganos

Lá nas Caldas da Rainha
minha mãe me deu à luz
só não fui um alfacinha
era essa a minha cruz

Desigual de muita gente
não subi no pedestal
talvez roçasse a tangente
mas nada de genial

Escrita e poesia
pintura também saiu
música eu bem queria
mas tal não me acudiu

Sei o que é ser conformado
com o patamar que tive
menos mal por ter chegado
ao alto de um declive

Afinal e em resumo
perto de chegar ao fim
há que dizer com aprumo
eu nunca gostei de mim




NOMES DAS RUAS


Uma forma que ainda temos em Portugal de prestar homenagem a cidadãos que se salientaram no bom sentido do resto da população, ainda é o de ser dado o seu nome a uma rua no local mais adequado para essa referência. E, verdade seja dita, há sempre algum motivo que justifica essa recordação feita através de uma placa na esquina da rua escolhida.
O que se verifica, porém, não é tanto isso, pois, com excepção talvez das terras da província, onde a população e os municípios vivem perto dos homenageados, ainda em vida ou já depois do seu desaparecimento do mundo dos vivos, no que se refere às cidades esse gesto já é menos frequente, não se sabe se por ausência de conhecimento da existência de habitantes nesses centros ou se por desinteresse em reconhecer figuras que merecem ou mereceram ser recordadas nas placas identificas das avenidas, ruas e até travessas. Então, nos bairros novos, é vulgar encontrarem-se locais identificativos das residências dos locatários com a designação de rua A ou rua B, e por aí fora, quando há tantas personalidades que justificam plenamente que, pelo papel que desempenham ou desempenharam, têm jus a que sejam recordadas, pelo menos através daquela indicação do nome do local público.
Lisboa, deveria dar o exemplo neste particular. Não sei se a preocupação em atribuir nomes a novos arruamentos ou a antigos que ainda são conhecidas por denominações sem sentido ou sem razão de ser pertence a alguma departamento especial ou mesmo seja uma atribuição dos vereadores. Seja como for, o que deveria existir era a possibilidade de os próprios munícipes se dirigirem à Câmara Municipal de Lisboa, não só com propostas relacionadas com este tema como com ideias de outras espécies, isso no sentido de terem oportunidade de mostrar a sua participação e de contribuirem para os serviços municipais com ajudas que podem ser preciosas.
Esta mania, que tem o seu cúmulo nos Governos que temos tido, antigos e mais modernos, de não dar a oportunidade aos cidadãos de fazer ouvir as suas vozes, mesmo sabendo-se que, em muitos casos, as opiniões que são expressas pelo povo em geral não têm condições para serem atendidas, mas, com esse costume de auto convencimento dos governantes os cidadãos vão-se desinteressando de contribuir para o bom caminho das governações, sejam elas quais forem.
A acção das Juntas de Freguesia, já aqui referida em blogue anterior, seria da maior importância para colocar os munícipes com a ideia de que as suas propostas seriam sempre bem acolhidas e seguidas na medida do possível.
Mas esta ideia de abrir os ouvidos e prestar a maior atenção ao que a população tem para alvitrar acerca de muitos assuntos em que as ideias oriundas dessas bases podem ter grande significado, tal forma de aceitar o comportamento democrático sem restrições é coisa que ainda se encontra muito distante da forma de actuar dos que têm o comando nas mãos, mas que não devem fechar os olhos e os ouvidos às opiniões dos que, em certos casos, sabem mais.

domingo, 29 de março de 2009

TER FÉ


Quem me dera ter tal fé
E crer naquilo que fosse
Mesmo no que não se vê
Crer no fel e crer no doce
Crer no Céu e no Inferno
Crer no depois de amanhã
Acreditar no eterno
Tê-lo como talismã
Ser dono d'uma esperança
Ao horóscopo dar crédito
Não deixar de ser criança
Sem pretender ser inédito !

Tenho falta desses creres
Pois não sei o que isso é
Nunca senti tais prazeres
De idolatrar, de ter fé
De pedir e ser ouvido
Por deuses, santos, beatos
De, no fundo, ter sentido
Que não serão uns ingratos

Aqueles que sem querer
Por mais esforços que façam
Mantêm o seu descrer
E vivem tempos que passam
Mesmo se lhes toca a sorte
E a vida lhes sorrir
Como nada, nem a morte
Os poderá corrigir
Esses, uns pobres coitados
Que, como eu, se fartaram
E nunca foram bafejados
Porque nunca acreditaram
Nem no após, nem no final
Dizem que é falso, isso sim,
Que o que é, de facto, um mal
É crer que nada tem fim

E quando tudo se finar
Se, afinal, há outra vida
E há outro caminhar
Por estrada indefinida
Que devem fazer então ?
Quem lhes poderá valer ?
Se não merecem perdão
Nem sabem a quem se ater.
Lá nos fundos do Inferno
Também não estranharão
Por mais que seja eterno
Esse lume em que arderão.

Isso porque cá na vida
Neste mundo tão ingrato
Onde falta peso, medida
Não passou d'um curto acto,
Se se sofreram agruras
Dissabores, ingratidões
Se foram tais as torturas
Os desgostos e empurrões
Qu' importa que, no final,
Haja outra via a seguir
Pois já conhecendo o mal
Tanto faz que o porvir
Venha a ser o mais dramático
Em que se possa cair.
Isto para se ser prático !

Mas os que cá neste mundo
Não têm razões de queixa
Que no fundo, lá no fundo
Não gostam que algo mexa
Esses serão uns bons crentes
E adoram divindades
Por isso são tão tementes
De um fim com atrocidades
Quererão que se prolongue
O que por cá disfrutaram
Se eternize e se alongue
Tudo aquilo que gozaram

Têm razão os coitados
É triste perder favores
Que gozaram aos bocados
Quer em moeda ou louvores
Só pensar que deixam tudo
Quando entrarem no caixão
Que à volta se queda mudo
E só lhes resta o perdão
Se é que há quem os desculpe
Dos erros que cá fizeram
Os admoeste ou os multe
Pelo amor que nunca deram
E se assim for, desgraçados,
Pouco serve arrepender
Estarão amaldiçoados
Não há forma de volver !


Fica assim, pois, a questão
Por fim haverá Além ?
Dizer sim ou dizer não
É verdade de ninguém
E a dúvida persiste
Terra não pára por tal
Dum lado há quem insiste
Que se vive em grande mal
Que é pecado ser descrente
E não aceitar o depois
Como o que tem ponto assente
No que só crê dois mais dois
Não tem de ser castigado
Não tem culpa de pensar
De querer esmiuçado
De não poder aceitar.
Os mistérios insondáveis
Que os homens ainda inventam
E que são tão contestáveis
Qu' aqueles, mesmo os que tentam,
Não conseguem enfronhar
Porque a razão não os deixa
Porque insistem em pensar
E sempre há razões de queixa

Em plena dúvida, então
Por que caminho vou eu ?
Se me fizeram cristão
Como poderia ser judeu
Ter Allah como profeta
Ou ser seguidor de Buda
Qualquer que fosse a meta
Não sei se teria ajuda
E por aqui concluo
Que morrerei sem saber
Se afinal eu usufruo
Do direito de não crer

Haja então o que houver
Sendo ou não um pecador
Que seja o que Alguém quiser
Que possa ser julgador
Pois se, enfim, houver um Deus
Que é um todo poderoso
Que ama mesmo os ateus
Terá de ser generoso
E os que buscam certezas
Esses mais razões terão
Para justificar as fraquezas
E merecer um perdão

Sem querer ser prognóstico
Nem poder vaticinar
Resta-me ser agnóstico
E com paciência esperar

Ou será, por mais que insista
Em luta mesmo comigo
Que acabo por ser deísta
Como recurso ou abrigo ?

Nesta ânsia de saber
Faça aquilo que fizer
Já não me chega entender
E seja o que Deus quiser !

PRESERVATIVO



Isto de se andar a falar, por tudo e por nada, do uso do preservativo, chegando-se ao ponto de ser o próprio Papa a referir que não aprova tal utilização, leva a que se admita, de forma bizarra, que esta questão se transforme num problema que deve preocupar toda a humanidade e de que os seis mil milhões de habitantes do Globo tenham de pensar duas vezes sempre que dois seres têm ocasião para praticar uma vulgar união sexual, ou seja, se devem seguir as indicações papais ou se, pelo contrário, é cada um que decide sobre a forma de querer procriar ou, simplesmente, pretende apenas aproveitar os prazeres que as relações humanas propiciam.
É verdade que o Papa não será a entidade mais indicada para fazer este tipo de recomendações. E nem vale a pena referir os motivos por que entendo emitir esta opinião. Nem Sua Santidade, nem Suas Eminências os Bispos e, por aí abaixo, mesmo os Padres. E está bem de ver a razão desta afirmação. Que chamem a atenção para os graves riscos dos seropositivos transmitirem a sua condição de portadores da sida a terceiros e que, através desse aviso, procurem diminuir a propagação de um mal que tem vindo a ser espalhado, especialmente nos meios menos esclarecidos e mais pobres da Terra, como acontece em África e noutros continentes de igual menoridade intelectual e financeira, que seja esse o propósito só é louvável que seja feito. Mas, como é evidente, não será através da recriminação do uso do preservativo que esse objectivo será conseguido.
O Papa, portanto, cometeu um erro humano. E é pena que tenha entrado por esses caminho, de tal forma que até súbditos do seu esquema eclesiástico, como Bispos, surgiram a público opinando de forma não coincidente, até quando apresentaram razões e desculpas, um pouco “esfarrapadas” para que a contradição não surgisse como uma desobediência ao que vinha de cima.
É um facto, que só a fé muito introduzida não leva em linha de conta, que são os homens que, seguindo a sua vocação, se integram nas religiões que consideram serem as verdadeiras. Mas, apesar disso, não deixam de pertencer ao sector humano, o que significa que estão sujeitos a não serem diferentes de todos os outros, caindo, por isso, por vezes em erros. E manda a condescendência, mesmo de quem não segue a linha religiosa do Papa, que se desculpem falhas, sobretudo se se tratarem de excessos de argumentação, de intromissão em temas que não serão muito bem dominados por quem os utiliza nas suas afirmações.
Imagino que o bom senso já terá dado mostras, no Vaticano, do erro cometido. Teria sido preferível não avançar por esses terrenos do preservativo que, obviamente, iriam levantar contestação em todo o mundo e deixariam em posição incómoda os praticantes do catolicismo. Até mesmo, como já se constatou, nos diferentes graus canónicos que a Igreja católica sustenta.
Isso só poderá querer dizer, certamente, que não basta aos homens vestirem os hábitos sacerdotais, desde o mais alto posto, para ficarem libertados de, uma vez ou outra, praticarem os seus deslizes. Mesmo que muito raramente. O que se impõe é que os seus seguidores tenham a complacência suficiente para aceitar tais passos ao lado como resultado dos homens não serem deuses e, por isso, estarem sujeitos a lhes escapar uma ou outra verticalidade.

sábado, 28 de março de 2009

TODA A POESIA NESTE BLOGUE É MINHA


AMOR DE PARDAIS
Quatro pardalinhos brincam no chão do meu jardim
picam o chão com entusiasmo
e eu olho-os com ternura
pensando no mundo dos homens
desses que se guerreiam uns aos outros
e não confraternizam como estes pássaros
não dividem o que há para comer
são egoístas, querem só para si

E estes pássaros inocentes
que não sabem o que é pecado
que só procuram defender-se
dos que são gulosos
dos que apreciam o petisco
dos passarinhos fritos
saltitando, piando
lá vão apanhando as migalhas que
sem querer
os homens deixam cair

Que bom seria
se o mundo fosse todo como o dos pardais
dividindo o amor e as migalhas



MUSEU DOS COCHES



Muito se brinca por cá, sobretudo quando algumas cabeças mal pensantes resolvem dar mostras de que existem e vá de inventar uma polémica nova para distrair as pessoas, pois que os pequenos problemas, como os penalties mal marcados, é que conseguem juntar umas tantas reclamações que se organizam e enquanto andam à volta dessas causas que não servem para nada, as outras, as verdadeiramente importantes, essas, como lá ninguém consegue chegar, ficam para se dizer mal entre portas, para provocar uma revolta muda, para ir aumentando o descontentamento que, esse, nem com as próximas eleições se vão resolver.
Ora, este do projecto para o novo Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, só podia surgir agora, numa altura em que todos deveríamos estar muito quietinhos, para que os próprios movimentos não constituíssem a mesma pequena despesa, pois que o não gastar um cêntimo mal gasto tem de ser a ordem que todos devem cumprir.
Por isso, não discuto sequer se o Museu dos Coches está bem onde está ou se ficará melhor noutro que lhe venha a ser destinado, o que sim merece a minha preocupação é, uma vez mais, a falta de compreensão dos que tomam medidas fora de tempo de que nos encontramos numa fase em que, repito e não me canso de o fazer, temos de ter o maior tento em não criar mais razões para que os vindouros nos venham a acusar de que não fomos capazes de prever o futuro, tendo gasto o que fazia falta na altura própria e também nos tempos que se avizinhavam.
Já não se esconde que estamos, nos tempos que correm, a gastar mais de dois milhões de euros por hora e que a dívida externa, a pública e a privada, ultrapassa já uma altíssima percentagem do PIB. Quer dizer, estamos, portanto, empenhados até à raiz dos cabelos e isso deve-se a quem? Naturalmente a quem toma as decisões em nome do Estado e não é capaz de fazer contas à vida. A esses não os podemos desculpar nunca!
Bem basta o que já foi pela bolsa fora, como os dez estádios construídos por este País, os submarinos – de que falarei em breve – e que nos vão ficar atravessados, os auxílios concedidos à Banca e que nem por isso solucionaram a situação dos empréstimos necessários às PMEs, assim como as mãos largas com as nomeações e respectivos pagamentos de ordenados com as nomeações dos “boys”. Tudo isso não pode ser esquecido, mas já não tem remédio. Agora, o que ainda vamos a tempo de evitar, isso não pode escapar nem a um simples blogue que, modestamente, levanta a sua voz de indignação, quanto mais não seja para que, no futuro, se possa constatar que alguém não se conformou com o que se estava a passar. E, ao menos que, como acontece sempre com os que fazem a História e alteram as verdades, não deixem de referir que houve alguém que preencheu páginas computorizadas a contar o que se passava e não deixou de referir as maiores acusações aos governantes que existiam por cá.

sexta-feira, 27 de março de 2009

SER HOMEM

É preciso ser Homem
mas só isso não chega
é fundamental ter sentimentos
e usá-los
senti-los
transmiti-los
gostar do sol
da chuva
do vento
da lua
ter um ideal
e lutar por ele
defender o ambiente
e conservá-lo para o futuro
pensar nos que virão
e que vão herdar aquilo que lhes deixamos
não ser egoísta
respeitar os vizinhos
todos
os da rua
os do País
os do mundo
saber falar, mas, sobretudo
saber ouvir
pensar no que faz
e no que não deve fazer
e se fez e foi mal
arrepender-se sem receio
de mostrar o erro

É preciso ser Homem
mas de cabeça levantada
e consciência tranquila

Haverá quem seja assim?

PORTUGAL A FALIR!...




Portugal está em riscos de falir? Esta questão foi posta recentemente pela SIC, a estação de televisão que conta com larga audiência e que, face a isso, deixou muitos espectadores em verdadeiro pavor.
É evidente que esta pergunta e a falta de resposta, porque ninguém pode acrescentar alguma coisa a este alarme, só é possível devido ao facto de o Governo que temos suportado ao longo desta legislação o que tem feito é embalar os problemas, com afirmações públicas, pelo primeiro-ministro e por alguns dos seus companheiros de Executivo que só têm servido para provocar, cada vez mais, uma desconfiança quanto à capacidade de liderança dos que se encontram no poder. Temos, pois, que não esconder um grito de revolta que nos anda a querer saltar do peito, muito embora – e isso é que é dramático – não saibamos, na maioria de nós, portugueses, o que iremos votar no próximo acto (e isto se não se abstiver uma grande parte dos cidadãos), em quem depositaremos a nossa escolha.
É demais! Não podemos suportar por mais tempo aquela figura arrogante de José Sócrates a perder tempo e a fazer como antigamente, no tempo da Ditadura, com inaugurações e a colocar uma pá de cimento em obras que até dão vontade de rir. E as suas afirmações aos jornalistas, sempre com um ar de que não quer ser incomodado, de que vai tudo bem e que ele é que sabe, em vez de se preocupar em fazer diminuir a imagem péssima que tem junto dos portugueses, o que aumenta é a aversão que por ele os portugueses sentem cada vez mais. E quem tem dúvidas basta andar por aí, coisa que ele não faz e que, tal como Salazar, perdeu o contacto com as populações… que é a pior coisa para um governante…
Alguém deveria dizer-lhe, mesmo que ele naturalmente não quisesse ouvir, que, se obtiver de novo votos suficientes para formar Governo, mesmo que não maioritário, o que é evidente, isso não será por mérito próprio, mas apenas e só porque as oposições não são capazes de desempenhar o papel que lhes cabe e não mostram ao povo uma saída por essa via. E esse é que é o problema principal do nosso País. No meu entender, está bem de ver.
Tenho vindo, com enorme esforço, a contemporizar com a acção do Ministério de Sócrates, na esperança de que o homem acabaria por ser capaz de reconhecer que tem actuado com ausência de capacidade de evitar que o nosso País acabe por cair numa situação tal que seja comparável a uma falência empresarial. Mas chego a esta conclusão: a de que não é justo que tenhamos de correr o risco de cair nessa situação. E, todos, a contemplar o caminho que levamos, nada podemos fazer no sentido de sairmos deste atoleiro de incompetência em que nos encontramos.
Também, verdade seja dita, os colaboradores que são escolhidos para ocupar lugares de enorme importância para auxiliar a recuperação de Portugal, parece que, de propósito, estão a ser repescados por aquilo que o seu passado negativo tem para mostrar. Veja-se o que sucede com o AICEP. Mas, sobre isto, escreverei um dia destes. Mesmo que não resolva nada, cheguei ao ponto de não poder ficar mais tempo sem largar para o exterior aquilo que precisa de ser dito.
Bem me bastaram os anos em que, durante a época da outra senhora, a Censura e a PIDE calavam a boca dos jornalistas, dos que se atreviam a fazer chegar ao exterior o que se podia denunciar. Eu sei o que me custou essa mordaça…

quinta-feira, 26 de março de 2009

ONDE ANDAS, TALENTO?


Quando acordo cada manhã
e realizo que tenho mais um dia
para fazer o meu papel
de estar vivo
e, a pouco e pouco,
vou despertando, sem vontade de me mexer
então, confronto-me
com a realidade,
não é mais um
é um a menos
se contar, como é natural,
o que ma falta, na caminhada
e não o que eu já percorri.
Então, perco toda a vontade
de me meter ao caminho
pois é uma estrada que eu já conheço
onde transito todos os dias
e em que aspiro
encontrar o que nunca me apareceu.
Nesse trajecto
repito o exercício de escrever
na esperança de que
na ponta da caneta
me surja essa tão desejada
personagem que,
ao longo se tantos anos,
não há forma de vir ter comigo.
Mas eu teimo,
no fundo acredito que mereço
esse encontro,
quanto mais não seja
pelo tempo que tenho dedicado a essa busca,
pelo exercício permanente
que absorve as minhas energias mentais
e porque, apesar de tudo,
confio na sorte,
se tiver tempo para esperar.

Quando desperto pela manhã
passa-me tudo isto pela cabeça
e o desconsolo toma conta de mim
sem que transmita esse sentimento a ninguém.
É demasiado íntimo,
é excessivamente ridículo
para ser comunicado.
Não é entendível pelos outros,
porque consideram
que é um descontentamento vaidoso
porque interpretam a minha revolta como uma
demonstração de injustiça.
E talvez seja.
Afinal, quem levou uma vida
a tentar construir uma distinção,
quem sempre sonhou com o reconhecimento alheio
ao não ter encontrado o essencial
não pode andar conformado.

Onde andas tu, oh grandeza?
Por que não entras em mim, oh talento?

AS BARBAS DE MOLHO


Já ninguém procura esconder esta realidade: Portugal, nesta fase, em que nos encontramos, dá mostras de estar envelhecido e de continuar, neste caminho que se apresenta, a aumentar o número de gente idosa. E é o próprio Instituto Nacional de Estatística que prevê que, daqui a cinquenta anos, haverão 271 idosos por cada 100 jovens, isto levando em conta que o nosso País contará com dez milhões de habitantes e que esse número se deverá ao volume migratório e a níveis de fecundidade elevada resultante dessas populações oriundas do exterior.
Ora bem, a dúvida que será legítimo levantar é se as características do povo português, nessa altura, se manterão como têm vindo a ser uma constante desde tempos remotos e que ainda hoje constituem uma espécie de marca própria. O comportamento dos portugueses tem um estilo próprio e, quer as demonstrações favoráveis quer as outras, ambas têm estado na base dos resultados que obtivemos e que continuamos a conseguir. Quanto ao futuro, aos anos que ainda vêm a uma certa distância, ninguém pode fazer uma antecipação segura.
Mas, ao analisarmos o que se passa à nossa volta neste rectângulo situado na ponta final da Europa, sobre isso temos possibilidade de verificar que alguma coisa desfigura o que deveria já ter sido rectificado, especialmente por parte dos governantes que, por mais que se apontem deficiências de execução e se alvitrem caminhos mais certos, no que diz respeito ao Governo de Sócrates não há forma de encontrarmos uma saída, de que tanto precisamos, desta situação dramática que atravessamos.
Bem pode o próprio Presidente da República pedir rigor nos investimentos públicos, sobretudo nos casos de teimosia socratiana de prosseguir com a ideia de obras públicas que, ou são desnecessárias ou seria aconselhável que essa situação fosse enfrentada só mais tarde, quando as finanças públicas o puderem suportar sem sacrificar outras exigências. Mas o Executivo faz orelhas mocas e faz questão de deixar dívidas para os vindouros, quando os responsáveis de hoje, que já se encontrarem reformados, não tiverem que prestar contas ao País.
E, a propósito de reformados, no caso do pagamento das respectivas reformas, bem se podem preocupar os que tiverem que sofrer as consequências de existirem mais velhos do que novos. Conseguirá esta minoria descontar o bastante para manter os que trabalharam antes e depois têm direito a ser recompensados? Que medidas são hoje tomadas de molde a precaver essa maldição que não é preciso ser-se pessimista para imaginar tal possibilidade?
Mas, muito mais há a criticar os que, nos dias de hoje, já que não têm meios para superar a crise, pelo menos que não a agravem com sonhos delirantes. Que, por exemplo, metam mão nas regalias de ordenados sumptuosos e outras mordomias que continuam a ser atribuídos a administradores em instituições ligadas ao Estado, como se pôde ler na notícia saída de que o Banco de Portugal fixou o pagamento de um salário mensal de 19.500 euros ao administrador provisório do Banco Privado Português e acrescentou na nota que aquele funcionário tem direito a todas as regalias de natureza social, para além, está bem de ver, de uma viatura para utilização pessoal.
Será, então, que o País está, de facto, envelhecido? E será, portanto, por isso que existe a preocupação, por parte daqueles que têm nas mãos a condução da Pátria em diferentes sectores, o afã em garantir uma reforma daquelas que hoje atribuem por conveniência? Se sim, teremos neste caso um exemplo.
E esta é uma pequena amostra do que ocorre por aí, em que os favores são prestados uns aos outros, porque nunca se sabe o que pode passar amanhã e é bom garantir que os que são agora favorecidos não se esqueçam de que podem vir a ter nas mãos decisões que interessem aos que agora são os favorecedores.
Ora aqui está uma característica dos portugueses. Mais uma vez pergunto: será que se vai manter, pelos anos fora, esta situação de que é bom “ir pondo as barbas de molho” e, para isso, há toda a conveniência em salvaguardar a necessidade de recordar que “agora fiz por ti… depois fazes tu por mim!”?

quarta-feira, 25 de março de 2009

COMO NÓS - CIGANOS



Não é que eu tenha uma grande afinidade com a raça cigana, mas devo reconhecer que o afastamento que se verifica é mais por culpa dos que não pertencem a esse grupo étnico do que por opção cigana em se separar da maioria da população onde vive. E, naturalmente, ao criar-se uma separação, os que se encontram na ala dos minoritários procuram agrupar-se e, com isso, manter uma separação que não favorece nenhuma das partes.
Temos de reconhecer que cada forma de vida tem de ser aceite com naturalidade e, da mesma forma que existem qualidades gastronómicas diferenciadas de terra para terra, folclores distintos e até, nalguns casos, pronúncias da mesma língua que cria distinções, tudo isso a constituir uma riqueza que deve ser aproveitada, também os ciganos aplicam as suas regras nas suas festas, nos seus casamentos e, de uma forma particular, na condução das suas actividades. A pouco e pouco, verdade seja dita, os que conseguem sobressair em nível de vida das camadas mais deficitárias, esses, mesmo conservando os hábitos que vêem de gerações, vão-se diferenciando e procuram envolver-se com as características do país onde habitam. Não sei, confesso, se fazem bem em pretender seguir as regras dos locais onde se instalaram e até, como sucede, nos países onde já nasceram
Verifica-se nesta altura, em que os ciganos imigrantes, vindos da Roménia, já se encontram por todos os sítios e trazem consigo o hábito de pedir e de tentar vender material insignificante, sempre com o objectivo final de procurar a esmola, deparamos com frequência esse tipo de cidadãos que, pelo seu vestuário, pelo linguarejar específico que não podem evitar e pela forma de se apresentarem, especialmente as mulheres, com bebés ao colo e sentadas no solo, tal característica de pedintes não pode agradar e até provoca certa estranheza que venham de tão longe da Europa, atravessando diversas nações sempre com a sua prática pedinte, até chegarem a este extremo europeu.
Seja como for, trata-se de uma realidade que tem de ser encarada e tratada com a humanidade e os meios de que dispomos, por forma a solucionar um problema que não pode ser ignorado.
Agora, que concordemos com o que veio anunciado em vários órgãos de comunicação social de que, em alguns pontos de Portugal, se está a proceder à discriminação de crianças ciganas, colocando-as até em contentores para fazerem a sua aprendizagem escolar, isso é que nenhum português de boa cepa pode aceitar de ânimo leve. Não à separação e, bem pelo contrário, o que se torna imprescindível é que os não ciganos confraternizem com os que pertencem a essa etnia, por forma a formar-se um entendimento fraterno que permita, depois pela vida fora, não se criem barreiras entre portugueses, sejam de que cor forem, da religião que tiverem, do partido político que escolherem ou do clube futebolístico que mais gostarem.
Não é possível estabelecermos barreiras entre cidadãos, desde que todos cumpram as regras e que um velho ditado português explica com perfeição – em Roma sê romano!
É verdade que muita famílias ciganas transformam mal viver aos seus vizinhos, pois não conseguem conservar dentro de portas os seus costumes e transportam para o exterior os seus modos de se comportarem, que não agrada a quem deles toma conhecimento. Mas, para isso, é que servem as forças públicas e os serviços sociais. Aconselhando, amoldando os comportamentos e, de bons modos, tentar que os que são diferentes passem a cumprir as regras de convivência das maiorias. Olhem na Suíça, onde existe uma rigidez absoluta e quem chega e não conhece as regras fica desorientado. Ali, a partir das 22 horas, nem se pode puxar o autoclismo!
É estranho, mas é uma regra. Quem vai de fora só tem é que cumprir…

terça-feira, 24 de março de 2009

NOVA PONTE




Repete-se o que se passou com a discussão sobre o local onde instalar o novo aeroporto, em que o cómico ministro das Obras Públicas lançou o seu célebre “jamais” e em que nesta altura está a insistir com a nova ponte sobre o Tejo, para facilitar as comunicações com o aeroporto que, parece, sempre se vai fixar na outra banda. Mário Lino, com aquele seu ar que dá vontade de rir aos portugueses, garante que deposita toda a confiança nos estudos que foram feitos no que diz respeito à ligação Chelas/Barreiro, quando existem opiniões, suponho que também fundamentadas tecnicamente, que aconselham que a ponte ligue o Beato ao Montijo, por ser mais directo a Alcochete, local onde se fixará o tal discutido aeroporto. Dizem alguns que esta ligação poupa 7,3 kms. Em comparação com a preferência do Lino. Os cidadãos, que não têm acesso aos estudos, só podem aguardar pelo fim do confronto e aceitar, sem outro remédio, o que for decido pelos que têm nas mãos o poder. Mais tarde logo se vê se foi uma boa opção ou se se tratou de mais um equívoco dos muitos que ocorrem por cá e em que os que chegam depois ao Governo têm de enfrentar, se pertencerem a outro partido, e logo acusam o anterior de "burrice” e de dinheiro mal gasto. E andamos sempre nisto, sem que ninguém seja julgado por ser teimoso e incompetente.
Eu, aqui neste blogue, não posso acrescentar uma opinião que valha a pena. Mas tenho a humildade de reconhecer que quem sabe são os outros e que só depois de se terem desembolsado milhões é que se pode chegar a uma conclusão. Que bom seria que José Sócrates fosse assim, soubesse ouvir, despender o que fosse preciso para que os que são competentes em cada matéria garantam a melhor qualidade do trabalho que está em estudo. E se não for assim, responsabilizar os que deram opinião e foram pagos para isso, no caso de se terem enganado.
Isto? No nosso País? Em que ninguém tem culpa de nada e podem aparecer perante as câmaras de televisão a fazerem figura de sábios?
É o que temos. O desastre é que continuamos nisto…

segunda-feira, 23 de março de 2009

PROVEDOR DE JUSTIÇA



Alguém, por esse mundo fora, seria capaz de prever que a nomeação de um novo Provedor de Justiça, em Portugal, levaria nove meses a ser conseguida – se é que a coisa vai ficar por aqui -, pois a disputa entre partidos políticos que se confrontam nas coisas mais insignificantes proporcionou esta historieta de trazer por casa, de o Partido Socialista estar a puxar por um seu candidato, e o Partido Social Democrata ter outras ideias, não se sabendo bem onde cairia a escolha.
Chegou-se ao ponto bizarro do primeiro-ministro usar a expressão e acusar o PSD de “fazer birra”, por se recusar a aceitar Jorge Miranda para desempenhar aquele lugar, e tudo indica que o PS se prepara para uma tentativa de acordo com os outros agrupamentos políticos com acento na Assembleia da República para se chegar a uma conclusão, isto enquanto Manuela Ferreira Leite afirma peremptoriamente que a nomeação do Provedor pertence ao seu partido e não aos socialistas. E andamos nisto!
A obrigatoriedade de dois terços do Parlamento para se poder efectuar a nomeação, faz com que sejam necessários 154 votos entre os 230 deputados, o que cria o problema de os 121 representantes socialistas, somados a 11 comunistas, 11 do CDS e a 8 do Bloco de Esquerda, mais 2 do PEV, fazerem com que ainda falte um para se atingir aquele mínimo imposto. Como, ainda por cima, a votação é secreta, ninguém garante que todos os participantes dos partidos referidos votem na mesma personalidade apontada.
É, de facto, uma vergonha que existam estes impasses na política, tudo isto enquanto a maioria da população anda de calças na mão, os afectados pela crise, está bem de ver, colocando-se em segundo plano os problemas de verdadeira seriedade que são necessários para tentar resolver o que nos aflige a todos. Que não se admirem depois os que se sentam nos cadeirões do poder se receberem dos cidadãos o desprezo e o desinteresse em colaborar, como é agora tão notório, de Norte a Sul. E daí a manifestação que teve lugar recentemente e que atingiu a proporção que foi conhecida por todos, menos por Sócrates.
Tendo-se chegado ao ponto do ainda Provedor da Justiça, Nascimento Rodrigues, ter ameaçado de abandonar o cargos, pois não está disposto, e compreende-se, a ficar “eternamente” à espera que se resolva o problema da sua substituição, tal situação daria vontade de rir se não correspondesse à má qualidade das nossas instituições políticas e daqueles que se encontram nos lugares próprios para resolver, depressa e bem, as situações urgentes e difíceis que vão surgindo.
Haverá quem nos valha?

domingo, 22 de março de 2009

PENSAMENTO

Há sempre pedras inesperadas no meio das caminhadas da vida, mas há que superá-las sem nos magoarmos demasiado, para além das feridas que são inevitáveis, mesmo que custem muito a sarar.

EUROPA UNIDA!



Ao analisar o que se passa por essa Europa que eu, ingenuamente, cheguei a supor que fosse mais rápido e bastante mais fácil conseguir-se o entendimento e a formação em uníssono de um conjunto de países que juntassem forças no sentido de enfrentarem os problemas que a tecnologia avançada, por um lado, e a ambição humana, por outro, vão tornando mais complicados de resolver, chego à conclusão que não vai ser nem nesta nem na próxima década que teremos a felicidade de assistir a um Continente a caminhar de mãos dadas, todos a pensar naquilo que poderia até ter evitado que a malfadada crise, que surgiu do outro lado do Atlântico, tivesse cavalgado todos os muros que se lhe depararam pela frente sem que surgisse uma oposição forte e preparada que se encontraria neste lado do Hemisfério.
Os 27 chefes de Estado e de Governo que se reuniram em Bruxelas para debater a posição da União Europeia na junção do chamado ainda G20, que vai pôr em confronto, em Londres, em 2 de Abril próximo, as economias mais ricas do mundo e isso para tentar o acordo sobre uma lista de princípios que comporá a agenda dos 27, nessa altura o objectivo a atingir é a regulação financeira e a reforma de instituições como o Fundo Monetário Internacional, tudo no sentido de ser conseguida a restauração dos canais de crédito como chave para a saída da tal crise.
Verifica-se, no entanto, um desalinhamento por parte da Grã Bretanha em fazer coro com a tese comum, preferindo juntar-se à linha proposta por Washington, o que constitui mais uma falta de união das várias que se têm constatado desde que se deram os primeiros passos na constituição da Europa comunitária. O bom senso que, nestas coisas, deve prevalecer sobre os interesses particulares de cada participante, é o que se torna essencial para que não fiquemos a contemplar encontros, almoços, fotografias de grupo e apertos de mão e abraços, mas no que diz respeito a resultados, os avanços produzem-se pachorrentamente. Lá vão sendo conseguidos, mas à custa de uma perda tremenda de tempo, ao ponto de termos chegado até aqui por via de demoras exasperantes.
O ser humano tem grande dificuldade em colocar em segundo lugar os seus interesses pessoais e de grupo em favor dos benefícios que se podem conseguir através da prioridade que tem de ser dada ao bem generalizado. Só com o caminhar dos anos e com muita persistência se vai conseguindo aquilo que é uma ambição desejada por muitos neste nosso Continente: os Estados Unidos da Europa.
Ninguém pode garantir que se chegará a este objectivo e se sim, quando. Mas, quanto a mim, a profunda diversidade que existe de nações e de povos a fazer todos sacrifícios em seu favor único, não se importando com o que ocorre em casa dos vizinhos, não deixando de se preocupar com as tradições, as línguas, as histórias de cada região, mas tendo em comum interesses económicos e sociais, essas divisões só servem para criar conflitos e os que são desse tempo não esquecerão facilmente a II Guerra Mundial, que teve início precisamente entre países vizinhos.
Isso do meu bairro, da minha rua, do lado da minha casa na rua, do meu andar no prédio, já é chão que não dá uvas. O bom é a vizinhança unida e a sua inclusão de interesses em todos os bairros e em todas as cidades. Aquilo que é bom para mim tem de ser igualmente salutar para aos outros… Mas isto, para ser conseguido é fundamental que os Homens deixem de parte as suas conveniências próprias e olhar substantivamente para o bem comum. Será alguma vez possível atingirmos esse objectivo? Já não vai ser no meu tempo!...

sábado, 21 de março de 2009

Neste Dia Mundial da Poesia não quero deixar de participar com alguns poemas da minha autoria que fazem parte de um arquivo de mais de 500 produções a aguardar por altura adequada para serem divulgados. Pode ser que ainda em vida.
E, se não, também não se perderá muito.
Mais vale ser conhecido e considerado depois, que nunca antes.

CABEÇA A FUNCIONAR

Ter cabeça instalada
a funcionar como deve
e o corpo, quase nada
mostra que está disponível
e que lhe é impossível
estar igual ao que era antes
é pior do que o contrário
pois quem não pensa
nem tenta
entender o que se passa
e aceita tudo que faça
mas reflectir
é sentir
que nada já é igual
que o que ocorre está mal
que as pernas não obedecem
e que os músculos fenecem
a ligeireza perdeu-se
agora só devagar
e a cabeça a pensar
a entender
a sofrer
a aceitar a velhice
bem longe da meninice
essa que foi e não volta
sem ser razão para revolta
antes tem de ser aceite
e no fundo agradecer
por não ter acontecido perder
o que resta
e fazer até bela festa
pela cabeça que impera
e que, por isso, espera
o dia do adeus final
em que já não se sente o mal.

PINTAR

Como gosto de pintar
De trazer à tela em branco
O dom que sinto no ar
E da alma o arranco

Como ter papel à frente
À espera que o preencha
Com versos que estão na mente
A pedir que eu lhes mexa

Mas a música saltitante
Essa sim bem gostaria
De fazer dela uma amante

Mas aí é que eu não pego
Nem marcha nem sinfonia
Com desgosto, não lhe chego

CEGO


Aquilo que eu vejo hoje
o que gosto e o que detesto
as flores, as árvores, a Natureza
e as maldades dos homens
só é possível porque os meus olhos
ainda funcionam
e é com eles que o meu cérebro
raciocina
se alegra e se revolta
se sensibiliza
me obriga a olhar para trás e para a frente
a parar para ver melhor
a espantar-me com o belo
e com o desprezível

Mas penso se um dia
deixo de ver
se terminam as minhas contemplações
se se fecha a janela da vida
se só poderei
ouvir, apalpar, falar
e só com isso serei capaz de decifrar
o que se planta diante de mim,
então o cérebro trabalhará a dobrar
penso eu, mas talvez a falta de visão
descanse mais o pensamento
o que não se vê
se não mostra a beleza
também não revolta
quando é isso mesmo:
repugnante


OS PÁSSAROS


O céu sem aves não seria céu
Azul, com nuvens e sol a brilhar
Faltava-lhe vida, qual mausoléu
De silêncio, ausente do piar

Os pássaros são vida que remexe
Que fazem companhia aos isolados
Cruzando os ares em belo feixe
Fazendo os seus ninhos nos silvados

À solta e em plena liberdade
Chilreando felizes com a vida
Ignorantes do que é o mundo cão

Isso tem de ser a felicidade
Já que não precisam doutra guarida
Porque pássaros em gaiolas, não !

sexta-feira, 20 de março de 2009

MAIS UM PENSAMENTO

Há locais, onde se produz obra literária,
que desenvolvem mais imaginação do que outros, completamente áridos.
Tenho andado em busca desses sítios, na ânsia da mesma e do génio, mas se encontro uma falta-me o outro.
Os dois sem simultâneo é que ainda não me surgiram.
Chegarão a tempo?