domingo, 19 de abril de 2009

PARLAMENTO EUROPEU



O PSD resolveu indigitar o cabeça de lista do seu grupo que vai representar o partido no Parlamento Europeu. Vai ser Paulo Rangel, o político que, até este momento, tem sido a figura social-democrata que, na Assembleia da República, tem o encargo de fazer frente ao Governo e, em especial, ao primeiro ministro, nos confrontos parlamentares que ali têm lugar. E como, de uma forma geral, tem desempenhado esse papel com desenvoltura, já houve quem viesse alertar Manuel Ferreira Leite para uma decisão que não beneficia em muito o agrupamento social-democrata. Mas isso é lá com eles.
Agora, a pergunta a fazer, e esta, sim, tem a ver com a generalidade de Portugal, é se os cidadãos das nossa Terra estão, de facto, muito interessados em saber quem são os representantes partidários que se vão instalar em Bruxelas para, no meios de 600 de todos os países da Comunidade, darem a cara pelos problemas que nos interessam discutir. A resposta respectiva que a dêem os responsáveis pelos Partidos nacionais, se é que, de uma verdadeiramente aceitável, são capazes de esclarecer a nossa população.
Aquilo que não passa assim tão despercebido ao comum dos mortais da nossa Terra é o nível de mordomias que são atribuídas a cada representante dos diversos países que tomam acento naquele Parlamento, entre um elevado salário e todas as regalias, de viagens e estadia, que lhes compete, o que representa um período de pelo menos quatro anos que tira a “barriga de misérias” a qualquer pessoa escolhida (ou eleita) para o lugar em questão.
Assim, o desempenho das funções de parlamentar europeu não constitui nenhum trabalho que represente um sacrifício ou até uma responsabilidade de grande monta (da maioria dos que lá têm feito vida nem se conhece a súmula da sua actividade, nem se o nosso País tem beneficiado com a sua actuação), mas antes uma espécie de prémio que os agrupamentos políticos concedem a uns tantos privilegiados dos seus membros, motivo pelo qual se trata de um lugar que é geralmente muito disputado no seio de cada partido.
E é isto que a actividade política propicia, em muitas situações, aos que entendem que dedicar-se a tal profissão constitui um caminho que presta garantias de ir progredindo ao longo das suas carreiras. São necessárias certas características para abraçar esse caminho e nem vale a pena aqui enumerá-las, sendo também necessário deixar claro que nem todos os que escolhem tal via podem ser catalogados de oportunistas. Porque há e tem havido excepções. Mas todos os portugueses não têm dúvidas de que, quem alinha por esse tipo de vida, sobretudo se tiver oportunidade de, alguma vez, ter enfileirado num grupo da governação, de que, ao deixar o lugar assumido, fica descansado para o resto da sua existência. Um lugarão numa empresa pública é o que lhe está destinado. E uma reforma daquelas que fazem morder as unhas de inveja, também não falta a esses felizardos.
Pois é. Este é o País que temos!...

sábado, 18 de abril de 2009

Os portugueses, que nunca foram muito risonhos, perante o que se passa na situação actual, perderam ainda mais a vontade de se rir.
Ao menos, que copiem, das forças públicas, as que se mostram tão satisfeitas com aquilo que fazem e o seu sentido de optimismo e de satisfação com eles próprios é tão evidente, que imitem o que eles dão mostras de possuir.
Neste caso, imitar, não resolve os problemas, mas dá uma ilusão de alegria nas caras dos cidadãos deste País.

CONVERSA FIADA


Neste dia-a-dia
De vida errante
Só resta a mania
De ser bem falante

Falar para o povo
Dizer baboseiras
Sem nada de novo
Apenas asneiras

Na terra onde estamos
Onde nós vivemos
Já não nos safamos
No mais e no menos

Falar por falar
Promessas, enfim
Ter que aguentar
Ouvir tal latim

O povo acredita
Naquilo que dizem
No fim é que fica
Com medo que o pisem

Comer p’la calada
Dinheiro nem cheiro
Conversa fiada
No fim e primeiro

LISBOA LINDA



Ainda bem que, na Câmara Municipal de Lisboa, já se instalou o espírito de que é fundamental criar um estilo de animação na cidade de Lisboa e, para isso, pelo menos já se fala no assunto, se bem, como é habitual entre nós, do momento do pensamento numa acção e até que o mesmo seja posto em prática leva o seu tempo… às vezes excessivo.
Mas não queiramos ser mais papistas do que o Papa e aceitemos com bonomia as intenções, porque essas sempre são melhores do que não haver ideia nenhuma e desinteresse em se tomar uma iniciativa. Pois, segundo uma entrevista com um participante na ideia de criar uma certa movimentação na zona do Chiado – e não será que alguns dos meus blogues sobre este tema não terão sido lidos pelas personalidades que têm funções dentro do Município lisboeta, pois estou cansado de me referir à necessidade de aproveitar a beleza natural de Lisboa e serem criadas iniciativas que alegrem o que está quase sempre com ar tristonho? -, vi na televisão a afirmação de que, para começar, aderiram à ideia várias lojas que passarão a encerrar diariamente às 20 horas, para dar a oportunidade dos eventuais clientes fazerem as suas compras depois das horas de trabalho. É já um começo, mas não creio que adiante muito ao que é preciso para que o Chiado e a Baixa em geral se apresentem como um atractivo para os lisboetas e todos os que visitam a capital não se desconsolem com a visão solitária de uma cidade vazia de transeuntes.
Logo, o que eu quero dizer e que só confirma aquilo por que eu tenho proclamado ao longo de anos, é que, para dar alegria e vida à nossa Lisboa, logo o Chiado mas não só, tem de se puxar pela imaginação e fazer saltar para a realidade todos os elementos que contribuam para transformar completamente uma capital triste num esplendoroso e animado burgo em que apetece passear.
Não me cabe aqui e agora repetir o que tenho escrito, mas vou-me referir, neste momento, a um pormenor, aliás da maior importância, de que todos os cidadãos alfacinhas se interrogam da razão do estado em que se encontra: trata-se do Museu do Artesanato, ali localizado na avenida de Brasília, junto aos monumentos e que deveria constituir um desafio para que ressurgisse, numa zona tão visitada por turistas estrangeiros, uma amostra daquilo que é, sem dúvida, uma demonstração da habilidade artística dos artesãos nacionais, os quais só têm possibilidade de dar nas vistas nas feiras locais que têm lugar na província.
Mas isto é uma pequena amostra do muito que há a fazer. Dado que, no que diz respeito ao Chiado mas não só, pois deveria constituir uma obrigatoriedade de toda a Lisboa, é a colocação em lugares que o estão mesmo a pedir, de vasos de flores, as quais nem teriam sequer que ser das caras, mas que constituíssem uma forma de dar utilidade às plantações baratas de jardins que existem por aí e que, com um serviço organizado de jardineiros (que os há já ao serviço do Município), se faria a volta diária para que não fossem apresentadas flores mal tratadas e feias.
Repito, pois, que isto é uma mínima parte do muito que poderia e deveria ser feito na nossa linda Lisboa, com o Tejo a seus pés.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

JUSTIÇA - MUDANÇA



Os senhores que nos governam lá vão fazendo algumas coisitas, estes, que lá estão agora, como outros que passaram por lá. Mas sem pressas, vagarosamente, para não se cansarem em excesso, que a vida são só dois dias e não dá para andarmos a correr. E é isto que se passa em Portugal, desde que este País nasceu lá por Guimarães, num antigo século XII, com um Afonso Henriques que se zangou com a Mãe e entendeu que aqui havia espaço para formar uma Nação. Só que, o trabalho e a labuto que lhe deu para começar a correr com os mouros por este rectângulo abaixo, não permitiu que essa criação, que depois foi seguida pelos seus sucessores, se fizesse levando em conta que não bastava sermos um dos primeiros países a ser formado, no espaço que veio a ser um Continente, a Europa, por isso podendo servir de exemplo, mas que era necessário que tivéssemos o espírito bastante para irmos pondo uma casa em ordem, que não chegava sabermos manejar as armas dessas épocas, pois que se impunha igualmente criar um espírito de desenvolvimento que também nos desse a primazia.
E isto, para querer dizer o quê? Que, ao longo dos séculos de vivência nesta ponta, por sinal tão bem situada no plano geográfico, se impunha que fôssemos capazes de nos organizarmos de molde a ir suprindo as deficiências naturais que fossem surgindo, quer nas épocas atrasadas quer nos dias que correm e em que as modernizações tecnológicas suprem muitas necessidades que o ser humano exige.
Só que não foi isso que se foi passando. Sempre, neste pobre País, se verificou uma falta permanente de meios que, lá fora, surgiam frequentemente com antecipação. E hoje, então, dadas as facilidades das notícias correrem mundo com grande velocidade, tomamos conhecimento de situações de que o Homem dispõe, mas só passados períodos de espera é que também usufruímos de tais privilégios.
E é agora que me explico melhor e, para não deitar a mão a tantos assuntos que cabem neste raciocínio, refiro-me apenas ao sector jurídico, esse que, mesmo com toda a gente de acordo (e até Mário Soares, num artigo saído esta semana, vem a lume com um forte “basta!”, no capítulo da praça pública se antecipar aos casos antes mesmo de se encontrarem em julgamento, mas sendo isso também consequência do “arrastar dos processos meses e meses, envenenando as populações com as piores suspeitas infundadas”), funciona de forma “criminosamente” demorada, o que constitui a prova provada de que somos uns lesmas a solucionar os problemas que nos atormentam neste País à beira-mar plantado.
Surgiram agora notícias de que o Governo está a querer meter a mão neste sector, para o que resolveu promover aquilo que chama de “reforma jurídica”, com um novo mapa judiciário, isto é, com uma distribuição diferente dos tribunais existentes. Não se falou ainda do problema principal: que é o de entrar a fundo na questão de não estarem os portugueses sujeitos a ver as situações que os obrigam a recorrer às decisões dos juízes a arrastarem-se meses e anos sem uma solução.
É este o mal maior da nossa Democracia, dado que não pode haver um País justo, uma sociedade protegida, uma liberdade bem utilizada quando as leis não são aplicadas no espaço mais curto de tempo que é admissível suportar.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O Homem está condenado, desde Caim e Abel, a amar e a odiar.
Será sempre assim, até ao final.
Final de quê?

PORTUGAL ROUFENHO


O “Portugal roufenho”, de Camilo,
Não foi só no século dezanove,
Aí estamos nós, de novo a admiti-lo
E a sentir na pele quanto chove
De asneiras e de grande incompetência.
Burocratas e chatos de morrer,
É demais falta de paciência
Para suportar enorme sofrer
E que chegue pr’a aguentar tamanho
Desgoverno que mostraram aqueles
Que se foram, de espírito tacanho,
Que perderam anos, enormes reles,
Que nos puseram no fim da corrida
E quase mais pobres do que estávamos
Quando se deu início à partida
P´ra democracia que desejávamos.

Sim, esperança não há que perder
Como é costume do nosso povo,
Já que mal pior não pode haver
E algo de melhor virá de novo.
Mas, entretanto, aperta o cinto
Pede quem governa este País,
Porque há que sair do labirinto
E falta esperar para ser feliz.
Como está distante a boa meta,
O “Portugal roufenho” de outrora
Deixa ainda Zé povinho sem cheta
E não se vislumbra a grande aurora.

Pode ser que haja ainda um final
E que seja diferente do agora,
Que se perca até a capital
E que Bruxelas passe a dar a hora
P’ra que este País entre nos eixos,
É triste mas será algum remédio
Único fim de todos os desleixos
E pontapé dado em todo o tédio.

Poderá depois chover no molhado
Arrepelarem-se forte os cabelos,
Chamar todos os nomes ao culpado,
Não terem conta muitos pesadelos,
Mas o que está feito, feito estará,
Não vale a pena olhar para trás
Só com a Europa se contará
É o que resta a quem foi incapaz.
Chega recordar os antepassados
Aos nossos maiores cantar glórias
Apontar todos os que nos seus fados
Merecem o respeito e as memórias.
Também as batalhas e descobertas
Devem ser lembradas para o futuro
P’ra tirar dúvidas e serem certas
As verdades rijas que nem muro.

Numa diáspora e com bravura
Espalhámos a língua e costumes,
A gastronomia e a cultura,
As canções e as danças, sem queixumes,
.Agora é lembrar os injuriados,
Aos nossos maiores cantar glórias,

Apontar todos os que nos seus fados
São dignos do respeito e as memórias
Será essa a nossa consolação
Restam os dedos, foram os anéis
E pensamos que não será em vão
Que, por mais que andemos aos papéis,
Fica o orgulho na nossa História,
Num País de séculos, sofredor,
Que nunca deve perder a memória
Daquilo que em nós for merecedor

De pé ficaremos nessa Europa
Dos ricos, pois então, e nós à espreita
Mas o povo não quer apenas tropa
Já chega da tanta desfeita
Pois que numa manhã de nevoeiro
Hão-de aparecer as epopeias
E não nasceu ainda o coveiro,
Daí podem tirar vossas ideias,
Que cavará a nossa sepultura,
Florirão ainda muitas acácias
Passaremos por cima das agruras
Também não serão precisas falácias
Para se poder gritar de alegria
Aquilo que ansiámos p’ró final
O poder afirmar com galhardia
Renasceu viçoso o Portugal !

MAU FUTURO


O que eu mais gostaria que me sucedesse na escrita destes meus blogues diários era que os temas focados fossem, na sua maioria, demonstrativos de que, neste nosso País, há mais motivos para expressar alegria e boa disposição do que o contrário. Que bom seria cantar aleluias às nossas demonstrações de felicidade, dar mostras de bem-estar com o mundo e connosco, ter saudades de algum passado que tivesse valido a pena e não perder expectativas agradáveis em relação ao futuro. Isto seria o que me apetecia que fosse uma realidade.
Mas, para fazer a vontade a todos aqueles que clamam pelo optimismo, que aconselham o acreditarmos que o que vem aí só pode apresentar boas perspectivas, que o mau tempo fica sempre para trás, sobretudo que somos capazes de vencer as adversidades e que temos competência para, como dizem os brasileiros, darmos a volta por cima, para aderirmos a esse espírito de que tudo corre bem não importa que estejamos a mentir a nós próprios?
Eu lastimo. Mas não sou portador dessa característica. O que vejo, o que sinto, o que perspectivo não corresponde a tal crença de que não temos razões para nos preocuparmos. Que podemos andar descansados e que os nossos descendentes vão encontrar um País pleno de forma e, em relação ao espaço europeu, não existirá nenhum atraso, para não dizer que nos vamos situar na frente da fila.
Sendo assim, vou apenas referir algumas notícias que, os que acompanham os jornais, as rádios ou as televisões, puderam constatar hoje, dando a conhecer ao público em geral como nos encontramos e como vamos ficar. Para começar, os cenários que o governador do Banco de Portugal entendeu comunicar não podem ser mais arrepiantes. Desde as diminuições da riqueza do País, da baixa do investimento privado que vai ter lugar, das exportações que caíram muito e a retoma que só será mais significativa lá para o ano de 2011, tudo isso acrescido do desemprego que não pára de aumentar, faz com que Portugal seja um País a viver um período de medo, em que a pobreza está bem à vista. Em resumo, os responsáveis pelas finanças públicas já não escondem que a queda agora analisada é mais forte do que se previa e que não vai ser fácil sairmos da recessão em que já nos encontramos.
E como se não bastasse a quantidade enorme de empresas de antigo sucesso e nome sonante que encerram as suas portas e ocasionam avultados despedimentos, também os pequenos empresários, que são aos milhares, diariamente dão mostras do encerramento das suas lojas onde figura o triste anúncio de “vende-se”.
Haverá então alguém neste nosso País que se queira iludir com toques de violino, para não se consciencializar no que respeita ao amanhã que tem de nos preocupar? Há ainda gente que se deixa levar pelas palavras falaciosas dos nossos governantes, com José Sócrates à frente, que não tendo nunca mostrado coragem para falar verdade aos portugueses, para convencer a população de que, em lugar de propagar a ideia de que estávamos ricos – como o fizeram durante a sua governação, especialmente no período mais inicial – o fundamental era ir preparando a população para o que a esperava, e que todo o mundo já conhecia? Aquilo que disse o Presidente da República, quando ontem se referiu a este problema e não foi nada meigo no que respeita ao sentido crítico das suas palavras, não esteve longe do conteúdo do que aqui fica expresso neste texto.
Não me importo que uns tantos, que até talvez estejam a ser beneficiados por esta situação de corda na garganta que se vive em Portugal (e não se admirem ao ler esta passagem, porque é verdade, há sempre quem ganhe com o mal da maioria), mas eu prefiro olhar de frente e, ao insurgir-me contra a apatia que certos sectores mantêm, levanto a minha voz de inconformado e dou a cara. Que não tínhamos, nós, pequeno País, capacidade para passar ao lado da crise, isso aceita-se. Mas que tenhamos seguido o caminho de esconder a verdade e de não sermos capazes de escolher as opções de actuação mais apropriadas, isso é que não consigo aceitar (leiam-se os meus blogues anteriores).

quarta-feira, 15 de abril de 2009

DESCONSOLADO

Aqui estou eu, desconsolado
a ver passar o mundo
à minha volta
sem que nele interfira
sem que o melhore
mas também pouco
o piorando.
Sou mais um
dos milhares de milhões
que por cá andam
a consumir o ar,
a água, o ambiente,
o espaço e que contribui para que o amanhã
seja muito pior,
mais escasso de tudo,
menos belo,
menos natural.

Aqui estou, enfastiado
já sem me importar
com o que vem a seguir,
com o que vai ser o futuro,
aquele que não me vai encontrar...
para me desconsolar

HOMEM MAU




Será por causa da crise – a tal que está a servir agora para justificar tudo – ou é o ser humano que, cada vez mais, dá mostras da maldade que transporta e já nem provoca grande indignação no mundo com os maus comportamentos que evidencia com enorme frequência?
Bem sei que a História do Homem tem sido próspera em nos dar mostras, ao longo dos séculos e desde que a memória consegue atingir tempos recuados, de assombrosas atitudes de vileza, por vezes singulares mas frequentemente colectivas, da forma como o dito Animal Racional tem actuado, sempre que dispõe de oportunidade, espaço e condições para pôr em prática os sentimentos malévolos que transporta. Mas, mesmo com essa consciência de que a população do Mundo não é de fiar na totalidade, apesar disso sempre confiamos que as más acções humanas não atinjam proporções de tal forma arrepiantes que nos levem a viver num ambiente de desconfiança absoluta no que respeita ao próximo.
Não é exagero esta minha observação, pois que, quem anda ao corrente do que se passa por toda a parte, no Globo terrestre total e também à nossa volta, aqui mesmo ao lado onde vivemos, dá-se conta de que, de repente surge a notícia de que um vizinho que não tínhamos na conta de má pessoa, afinal, no seio da sua família, pratica acções condenáveis, que vão desde o mal tratar da mulher ou do marido até ao abuso sexual dos filhos, quando não ocorre um assassínio e/ou um suicídio.
Não vale a pena dar mais exemplos para justificar esta minha preocupação no que diz respeito ao comportamento de uma grande parte do tal ser humano que, queiramos ou não aceitar, é, potencialmente, uma personagem que transporta, no seu íntimo, uma certa dose de maldade, de egoísmo, de inveja, de uma quantidade maior ou menor de maus princípios que, se não consegue sustê-los, quando surgem à superfície provocam atitudes que só são merecedoras de crítica dos outros seres que, se as circunstâncias o proporcionarem, repetem os erros dos criticados.
Escrevo este meu desabafo na altura em que tomo conhecimento da quantidade enorme de crianças que são abandonadas pelos pais e que, só em 2007, 309 meninos e meninas, com menos de 10 anos, foram deixados à sua má sorte pelos progenitores. Isso, cá em Portugal, pois no mundo inteiro e especialmente em zonas onde o mau viver é o que constitui a maioria da população, são milhões os pequeninos que deixam de poder contar com a protecção paterna e materna, pois os que têm essa absoluta obrigação, deixam-nos pelo caminho das suas vidas.
A noticia surgida agora de que, em pleno Algarve, marido e mulher que passavam férias naquela zona, abandonaram os filhos, dois irmãos gémeos de 11 anos, à beira de uma estrada, justifica, em certa medida, esta afirmação aqui deixada. É preciso pôr mais neste texto para justificar a acusação que faço e que, por certo, causa grande repulsa a muita gente que o lerá, pois não se dá conta da qualidade humana que transporta grande parte do chamado Homem que passa ao nosso lado todos os dias.A realidade custa muito a ser suportada pelos que se julgam – e será a maioria esmagadora – as melhores pessoas do mundo!... E são-no, até surgir uma circunstância que altere por completo o comportamento.
Mas, pensando melhor, afinal, por muito que tenhamos, mais vezes do que desejaríamos, desilusões acerca do nosso vizinho, feitas as contas, não se trata da maioria dos homens que servem de exemplo. Chefes de Estado, por exemplo, que, por esse Globo fora foram autores de horrorosos assassínios de habitantes, houve-os e há-os ainda. E são esses que marcam a nossa memória. Esqueçamo-los.

terça-feira, 14 de abril de 2009

ACREDITAR AINDA



Ao contrário do que sucede, por exemplo, com os norte-americanos, que têm um conhecimento razoável da sua Constituição – bem se sabe que os artigos de que é composta são muito restritos e essenciais -, no que se refere ao que se passa entre nós serão raros os portugueses que possuam uma noção, ainda que aproximada, dos múltiplos artigos que compõem a Lei principal que nos rege, no sentido de nos indicar as regras a que temos de obedecer e os direitos que nos são facultados para assumir as nossas funções de cidadania, em plena consciência do cumprimento justo das acções que nos cabem.
E é por isso que, com excessiva frequência, barafustamos pelo facto de sermos admoestados por nos encontrarmos a pisar alguma das regras básicas do comportamento que nos cabe e não somos capazes de chamar a atenção do próximo pelo mesmo motivo, o do desconhecimento dessa legislação que não tem que ser discutida, pois faz parte de uma lista de deveres e obrigações que cada português tem de ter sempre em conta.
Recentemente, e pelo facto de se estar a atravessar nesta altura um período em que até os membros do Governo estão a ser alvo de observações profundas sobre o seu comportamento, com razões encontradas e já julgadas ou mesmo sem elas, e que, por estarem a desempenhar funções oficiais dentro da política, pensam que podem evadir-se dessa posição, incómoda de facto, dos cidadãos levantarem dúvidas, pois é por esse motivo que me ocorre recordar que responsabilidade política é uma coisa e responsabilidade penal é outra bem diferente, pois que a nossa Constituição, numa determinada passagem, lá diz que “todos os titulares de cargos públicos são politicamente responsáveis pela acções e omissões que pratiquem no exercício das suas funções”.
Isto não quer dizer, há que sublinhá-lo, que, por exemplo no chamado “caso Freeport”, a personalidade de José Sócrates deva ser lesada sem se concluir, por meios exclusivamente jurídicos, a sua culpabilidade ou a sua inocência.
Esta opinião aqui expressa serve para responder a algumas perguntas que me têm sido feitas sobre a razão por que não me tenho referido a um assunto que está tão na boca e no pensamento de muitos portugueses. Mas eu sempre aprendi e executei, como jornalista de longa actividade, que não basta ouvir rumores para se dar largas ao que apetece colocar no papel. Esperemos pelos resultados que têm de surgir no local próprio, e tenhamos confiança de que, por um lado, não tardarão muito tempo e, por outro, serão claros, precisos, justos e terminarão com as suspeições que, nesta altura, bailam nas cabeças dos cidadãos que acompanham os noticiários que dizem respeito ao primeiro-ministro.
E não me digam que não sou optimista!...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

SOLIDÃO ENTRE MUITA GENTE


Andar pelo mundo
ouvir o ruído
mas bem lá no fundo
não ver o sentido
de tudo que passa
da gente que fala
da enorme massa
que nunca se cala
não ver os sentidos
daquilo que dizem
ter dor de ouvidos
sem ver se condizem
os sons que lhe saem
das bocas teimosas
parece que atraem
palavras folosas
com a vastidão
´é o que se sente
grande solidão
entre muita gente

CASAS PARA RICOS



Há que ver esta realidade sob duas perspectivas. Uma, dada a difícil situação económica, financeira e social que se vive em todo o mundo e, no nosso caso, com compreensível revolta; e a outra, sob o ponto de vista do interesse nacional, evidenciando alguma satisfação, porque sempre é melhor que o dinheiro dos ricos venha cá parar do que vermo-lo passar lá longe, com outros destinos.
Que quero eu dizer com isto? Pois, nada mais, nada menos, de que se está a verificar um fenómeno que, para muitos, seria difícil prever: é que as casas mais caras que temos por cá, aquelas que têm preços elevadíssimos, atingindo verbas incalculáveis de muitos milhões de euros, são essas precisamente que os grandes capitais de várias origens estrangeiras estão a adquirir em diferentes localidades nacionais, com preferência para a região de Estoril/Cascais e do Algarve.
Mediadores internacionais como a Sotheby são os que estão a fazer negócios altíssimos com a canalização para Portugal de clientela capitalista de diferentes origens, mas com maior procura por parte de chineses, árabes, angolanos e russos. E essas compras situam-se na ordem dos 20 milhões de euros por local, sempre muito bem situado e com condições de acomodação, de área e de segurança que, dizem as empresas que estão a mediar essas compras, já são difíceis de encontrar na Europa.
Não se ficará muito satisfeito por se constatar que, mesmo no meio desta horrorosa crise de que não se sabe como e quando vai terminar, surja gente a ostentar níveis faustosos que criam alguma revolta social no mais pacato cidadão que se defronta com as dificuldades que aumentam de dia para dia. Mas há que aceitar as realidades e, por muito que se pretenda suster alguma revolta política, não é possível travar a cada vez maior barreira que tem vindo a desenvolver-se entre os muito ricos e os muito pobres. Também ninguém será capaz de responder a uma pergunta baseada numa simples operação aritmética: é a de que, se houvesse possibilidade de juntar todas as riquezas mundiais e de dividi-las pelos milhares de milhões de pobres que estão espalhados pelos cinco continentes, a cada um caberia algum montante que chegasse para os retirar da situação precária em que vivem hoje?
Essa simples operação de dividir não se fará nunca, pelo que a existência de uns milhares de fabulosamente ricos e de uns milhões de angustiosamente pobres é uma sina a que o Mundo se tem de resignar, talvez porque o mal vem da origem, do princípio de tudo, desde que o Homem é um ser e que, não tendo a receita do seu fabrico saído com garantia de qualidade, não há maneira visível de impor uma igualdade que algumas teorias políticas têm apregoado. Era bom demais para ser possível
Enquanto isso, cá vamos nós tomando conhecimento da venda de propriedades portuguesas por preços estrondosamente altos a estrangeiros fabulosamente milionários. E ainda bem que eles lá vão aparecendo!...

domingo, 12 de abril de 2009

FARMÁCIAS, BOM NEGÓCIO?



Neste Domingo de Páscoa, tinha planeado oferecer outro texto que se adaptasse melhor ao dia que decorre e que costuma ser celebrado por muitos cidadãos portugueses, mas achei que não era razão suficiente para passar ao lado de um assunto que, por muito que queiramos não o focar, constitui uma preocupação que, sobretudo numa data festiva como esta, tem toda a razão de ser e de chamar a atenção das forças vivas, que é como quem diz, das que deviam estar em plena actividade mas que se deixam adormecer sobre os temas preocupantes de Portugal.
E digam-me lá se esta chamada de atenção não destoa de uma Páscoa que devia ser celebrada com alegria e sem preocupações? Não é a primeira vez que toco neste assunto e ainda dias atrás escrevi sobre ele, mas entendo que devo renovar insistentemente a preocupação que sei que ataca a maioria esmagadora dos portugueses. Pode ser que a teimosia resulte.
Como é que os cidadãos comuns, aqueles que são obrigados a recorrer aos medicamentos receitados pelos médicos para tentarem resolver os seus problemas de saúde, podem solucionar esta situação, mais uma, que surgiu no ambiente nacional, o de optarem ou não pelos remédios ditos genéricos? É que de acordo com o que se está a seguir na Imprensa e se ouve e vê nas televisões, levantou-se uma polémica que, como não podia deixar de ser, pelo hábito que se criou neste País, envolve também o próprio Governo, neste caso o Ministério da Saúde, o qual, em vez de aclarar as situações e a exemplo do que tem ocorrido com o problema dos professores e da ministra respectiva, até agora ainda não foi capaz de fazer ouvir a sua voz no sentido de esclarecer as dúvidas e de deixar os portugueses claramente identificados com o caminho a seguir.
Segundo já escutei da boca de dois ou três farmacêuticos, o negócio das farmácias não está, ao contrário do que constitui uma convicção do cidadão comum, tão esfusiante quanto isso. Entendi existirem queixas de que passou o tempo de ganharem bom dinheiro com a sua profissão. Estranhei a lamúria, mas não possuindo elementos que provocassem controvérsia, não pude ir mais além do que fazer o papel de ouvinte. Porém, ao ler esta semana o “Expresso”, deparei com a denúncia na primeira página de existir um "negócio escondido nos genéricos”. Qualquer pessoa como eu, longe dos segredos da actividade das farmácias, terá de ficar surpreendida com os diferente pontos de vista, um negativo e outro positivo, que apresentam, por um lado os profissionais da área e, por outro, a Imprensa que dá a cara com o desmentido de que as coisas corram mal.
Seja como for, o que não pode passar despercebido a ninguém e os que já tiveram oportunidade de avaliar a situação por experiência própria no estrangeiro, como aconteceu comigo há mais de 30 anos em Londres, sabe que os genéricos são vendidos com regularidade e que as minidoses também são prática corrente, pelo que esta troca de argumentos que se está a verificar no nossos meio e a falta de conclusão oficial no que se refere ao problema só pode ser encarada como tratando-se de mais uma disputa que é costume passar-se por cá.
Uma coisa é certa: no caso das minidoses, mesmo que a sua aplicação prática não seja fácil e o custo individual das pastilhas sai mais cara do que em caixas de 20 ou 30, no total do necessário de cada toma é menos dispendioso para os utentes, o que é importante para as bolsas dos mais pobres. E, para além disso, o Estado, com o auxílio que presta, fica menos sobrecarregado, o que quer dizer que os contribuintes em geral beneficiam também.
No que se refere aos genéricos, diz o “Expresso” que “genéricos dão muito mais lucro” e que também o Estado ganha com a sua utilização, falando mesmo de muitos milhões de euros por ano.
O que é preciso é que o Governo aclare de vez esta situação e não se mantenha num mutismo que atrapalha todos. Já basta o que ocorre com o Freeport, de que me tenho abstido de referir neste blogue, porque aguardo que a Justiça faça o seu trabalho. Avance com o esclarecimento e governe bem, que é como quem diz, dè mais facilidades aos portugueses e também, se puder, gira melhor o dinheiro que é de todos. No fundo é só pedir que faço o trabalho para que lhe pagamos!... E, com isto, cá ficam os desejos de uma Páscoa tão boa quantyo possível.

sábado, 11 de abril de 2009

MORRER A RIR

Queria morrer a rir
ir assim até ao fim
para lá me divertir
a ouvir falar de mim

Muito mal, assim assim
tudo me faria rir
o que quisessem, enfim
continuava a sorrir

Digam coisas, mesmo más
não me fazem deprimir
lá onde só há paz
só teria que sorrir

O pior é se se calam
me olvidam mesmo a dormir
não dizem nada, não falam
deixava então de sorrir


TRÊS TEMAS


Vamos a ver se consigo reunir num só blogue diferentes temas que, por sinal, surgiram todos na Imprensa de ontem e que, pela sua importância, merecem ser despachados num texto abrangente. Vamos a isso.
Primeiro, o caso do chefe da polícia britânica que, tendo ocorrido um deslize relacionado com documentos secretos que foram mostrados inadvertidamente, por terem sido deixados em cima de uma mesa, o mesmo admitiu a culpa e esse facto obrigou a antecipar a prisão de 12 elementos tidos como terroristas, que planeavam um ataque em Inglaterra. No que se refere à prisão tudo correu bem, mas o que não mereceu desculpa foi o desleixo que obrigou a antecipar a acção policial. Uma situação destas ocorreria por cá? Alguém, situado na área oficial, seria capaz de se demitir das suas funções por se ter sentido culpado de uma acção profissional?
Outro caso: o dos genéricos que têm levantado tanta celeuma entre o Ministério da Saúde, Ordem dos Médicos e a mesma dos Farmacêuticos. Uma forma de actuar que já é bastante antiga por essa Europa fora, e que, sem a mais pequena dúvida, provoca grandes economias nos doentes que não são forçados a adquirir remédios de marca, podendo optar pelo mesmo princípio de saúde com os chamados genéricos, essa medida não agrada a todos e já fez com que nascessem ameaças por todos os lados, porque alguns se sentiram melindrados nos seus interesses e, no fundo, quem sofre com tudo isso é sempre o “mexilhão”. Nem me dou ao cuidado de apontar, como me apetecia, os que optariam com todas as suas forças numa das escolhas, mas nem quero entrar por aí. O Ministério da Saúde conhece bem quem são e se não entra a matar é porque não tem coragem de enfrentar as situações. E, já agora, apetece-me aqui repetir o que venho clamando há mais de 30 anos, por ter usufruído dessa vantagem lá fora: trata-se do caso das vendas de medicamentos em unidoses, a qual se mantém ainda em fase de “análise”. Também me sucedeu, na Grã-Bretanha, há mais de 40 anos, ter sido receitado por um médico quatro pastilhas de um produto de marca e a farmácia forneceu-me de harmonia. Mas isso foi lá fora, em terras atrasadas em ralação à nossa!...
Por fim e por agora, congratulo-me pela circunstância de verificar que alguém leu os meus blogues em que insurgia contra o facto de existirem tantas casas em Portugal, principalmente em Lisboa, que, estando abandonadas muitas, por se encontrarem em péssimas condições de habitabilidade, permanecendo nessas condições e não sendo arranjadas nem alugadas. Pois o Governo despertou. E lançou uma proposta em que os proprietários são obrigados a vendê-las, dentro das regras de expropriação, no caso de não poderem fazer as obras que são indispensáveis, e que agora só se espera pela aprovação da Assembleia da República para que o passo definitivo seja dado. Há um mas, no meio de tudo isto. É que, no caso de não chegarem a acordo sobre o valor dos edifícios para venda, aí entram os tribunais e, neste caso, todos sabemos que se entra na fase do espera aí uns largos anos para que se saia do impasse.Era bom demais para ser verdade!...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

OXIGÉNIO

Menos idade com opiniões
Mais idade e bem poucas ilusões
Uma lei p’ra quem anda neste mundo
Dos lá de cima e dos que estão no fundo

Mas talvez não seja tanto assim
Pois a vida não é um folhetim
Com todos os episódios iguais
Que terminam sempre em jogos florais

Há os jovens que estão desiludidos
Que imaginam que são uns desvalidos
E os velhos com ânsia de viver
Que tudo que fazem lhes dá prazer

O ser humano é cheio de contrastes
De altos e baixos, plenos de hastes
Há os que sabem algumas coisitas
E os que são avessos às escritas

Mas bem lá no fim de todas as contas
P’ra se conseguir agarrar as pontas
Fará tanta falta ser-se um génio
Se é igual p’ra todos o oxigénio ?



ADOPÇÃO




Tornou-se pública a notícia de que existem cerca de 11 mil crianças a viver em instituições em Portugal, das quais à volta de duas mil estão em condições legais para serem adoptadas. Indicam também os números que 3.154 estão em situação de adoptabilidade, com idades compreendidas entre o 0 e os 10 anos, mais concretamente 579 com menos de 3 anos, 560 entre os 4 e os 6 anos e só 63 têm mais de 15 anos.
Analisando em pormenor os números, temos que 811 têm a adopção decretada, 626 encontram-se em fase de pré-adopção, 554 aguardam proposta do candidato, 101 estão em vias de integração no seio familiar e 34 situa-se na fase de alteração de projecto de vida.
No que se refere a candidatos existem 2.541 já seleccionados e 2.466 a aguardar resposta, mostrando estes preferência por adopção de crianças caucasianas. As tendências multiplicam-se por diversas escolhas, quer quanto à idade, como no que se refere ao sexo.
Por aqui se pode avaliar como os pedidos para acolher crianças no seio familiar não faltam, o que tarda excessivamente são as escolhas dos serviços respectivo para, com a indispensável análise das condições dos adoptantes, fazerem as entregas e, posteriormente, as vigias, da criançada que se encontra a aguardar famílias que lhes cuidem do futuro. E é preciso ter em conta que os anos passam muito depressa, sobretudo para os rapazes e raparigas que precisam urgentemente de integração e que, não o sendo em idade quanto mais tenra melhor, acabam por resistir mais e também tornar-se mais difícil fazê-los aceitar caras novas na sua vida.
Todos nós sabemos que as situações no nosso País, por mais urgentes que se apresentem, se defrontam constantemente com as burocracias de que tanto gostam os serviços oficiais. Papéis e mais papéis, carimbos, passeios de responsabilidades de departamentos para departamentos, aguardar por melhores ocasiões, sobretudo em pastas e em gavetas que se conservam fechadas. E o problema que espere. Mas isto tem de mudar um dia.
E é caso para fazer a pergunta: então os funcionários, superiores e médios, que têm a seu cargo encaminhar os infelizes rapazes e raparigas que tiveram a pouca sorte de não contar com os progenitores naturais, são capazes de dormir, todas as noites, descansados, sabendo que depende da sua agilidade de despachar rapidamente os processos que têm sobre as suas secretárias a felicidade de miudagem à espera de protecção familiar?
Não consigo aceitar qualquer tipo de desculpa que possa ser apresentada por esses mortais, também eles, possivelmente homens ou mulheres de família, gente que, ao chegar a casa se envolve com os filhos ou os netos e que não pode deixar de pensar que outras crianças se encontram, meses e anos à espera que os burocratas resolvam as suas situações. Mas que os há… há!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

PREOCUPAÇÃO

Que inútil me sinto
quando me vejo incapaz
de solucionar um problema
quer seja meu
quer quando toca a outros
ter de suportá-los

Por mais que me esforce
por muito que tente
encontrar uma saída
dar um conselho que tenha utilidade
o único que me sai
é o consolo
a palavra de paciência
a oferta de solidariedade,
mas tudo isso…
não chega!

Dizer que os problemas dos outros
são, para nós,
um encolher de ombros
dizer e sentir isso
só mostra como o Homem é cruel
insensível
egoísta

Mas eu procuro não ser assim
mesmo sem grande alarde
até talvez transmitindo indiferença
preocupo-me
e não consigo
passar adiante
paraliso o meu pensamento
coloco-me no lugar
do outro

E isso serve para alguma coisa?
Soluciona o problema?
Conforta quem está aflito?
Não tenho a pretensão
de julgar que sim
nem desejo convencer ninguém
que sim

PORTAGENS




Já não é a primeira vez que surge a ideia, oriunda de um membro do Governo, de que será necessário introduzir da portagem à entrada das grandes cidades portuguesas, por forma a reduzir o trânsito que entra nos principais centros urbanos. O ministro do Ambiente, Nunes Correia, fez recentemente a defesa dessa tese, dando como exemplo o que ocorre em Londres, garantindo que essa medida tem sido um sucesso.
E essa medida foi reforçada na altura da assinatura de protocolos, em que se envolveram a Galp Energia, a Carris e o próprio Executivo, que respeitam o desincentivo do uso individual do automóvel por forma a reduzir o consumo de gasolina com viaturas que podem transportar mil quilos e que circulam com apenas 50 ou pouco mais, foram palavras do ministro.
É bom verificar que há membros do Governo que apontam exemplos colhidos fora do País, como este que se refere à capital inglesa. A pena é que não sejam outros casos a serem observados pelos nossos governantes, no sentido de aproveitar as situações que deram provas de eficiência, já que, no caso nacional, a imaginação não se tem mostrado muito pródiga e, especialmente no que diz respeito a Lisboa, continuamos na mesma como há tempos passados, para não dizer que, nalgumas situações, até recuámos. Um exemplo bem nítido e que, no meu caso, tenho referido repetidamente, é a ausência de flores nos locais mais à vista da capital, como sejam o Rossio, os Restauradores, o Terreiro do Paço e junto a todos os monumentos que recordam a História e que merecem um tratamento especial e cuidado.
Agora, essa de fazer pagar portagem todas as viaturas que entrem em Lisboa, quando se sabe que, uma grande parte dos que trabalham na capital residem nos arredores, porque foi fomentada essa opção, não só pelos valores mais baixos de compra de casas como também por, no caso dos alugueres, terem desaparecido do mercado essas opções que, em tempos idos, eram os que os casais novos escolhiam, tal medida que nesta altura alguns, poucos, sustentam, não parece ser a mais indicada e as razões são tão evidentes que nem vale a pena apresentar o rol de inconvenientes.
Que as cabeças pensantes do nosso País se dediquem a encontrar soluções que tenham pernas para andar isso é o desejável. Agora, que gastem as suas cabecinhas em ideias que não resolvem os problemas de fundo, para além de que proibir, seja o que for, é a maneira mais fácil de mostrar que se é actuante, tal actuação é que se espera daqueles que aceitaram ocupar lugares de governação e a quem se exige que sejam eficientes.
Nesta caminhada que percorremos agora a caminho do período de eleições, por valer a pena levantar os problemas para que os cidadãos usem as suas cabeças a pensar na escolha que devem fazer, é que é preciso alertar em consciência e, mesmo para as oposições, no sentido de que vão sendo mostrados textos deste índole que, como é evidente, só servem para tentar afastar as abstenções, que essas, não contribuem para designar a escolha que é preciso encontrar.