domingo, 15 de março de 2009

2OO.OOO NA RUA A PROTESTAR



A manifestação que, organizada pela CGTP, conseguiu juntar no sábado passado, ontem portanto, segundo parece, cerca de 200 mil “protestadores” contra a actuação do Governo de José Sócrates, o que provocou o maior confusão no tráfego da capital, sobretudo na avenida da Liberdade e ruas transversais, não causou, no entanto, no ambiente governamental, aquela preocupação que seria de esperar, apesar de ter sido bem exposta nos órgãos de comunicação social.
Com excepção do ministro Santos Silva, que é a figura que tem sempre a seu cargo a defesa das acções do Executivo socratista e que, a seu modo, algumas vezes grotesco, salta com frequência para o ataque às forças políticas adversárias, essa figura, no programa da SIC feito em comunhão com o “Expresso”, lá mostrou alguma coisa tida como explicação quanto a essa gigantesca manifestação popular ou lá o que era.
O que parece que ficou evidente é que aquela caminhada de gente que gritou todo o tempo, tinha um adversário concreto: José Sócrates. As bandeiras e frases exibidas tinham, quase todas, um alvo explícito: o nome e até a cara do primeiro-ministro, apontado como o culpado maior da situação aflita que se vive em muitas classe populares, com particular destaque para o desemprego que grassa de Norte a Sul de Portugal. Isso ficou claro.
Embora eu sempre tenha sido desfavorável a todos os tipos de aglomerações de criaturas que pretendem clamar em uníssono frases feitas por outros para expor o seu descontentamento perante alguma coisa que não lhes agrada, visto não ser desta forma que se resolvem os problemas, dado que é à mesa das negociações, entre gente civilizada e disposta a aceitar as opiniões dos outros, quando são melhores do que as suas, que se podem chegar a acordos satisfatórios, pois, apesar desse ponto de vista que defendo, face ao estado a que chegaram as coisas perante um Governo maioritário que teve, mesmo que com as dificuldades encontradas – temos que as aceitar -, algumas oportunidades para ultrapassar problemas pesados, a verdade é que deixou agravar demasiado as situações, chegando-se ao ponto de terem sido criadas as condições para se verificar esta soltura de gente a clamar por justiça, tal como as que tiveram lugar com o caso dos professores, que já seria uma derradeira forma de mostrar que as coisas não podiam continuar como estavam e havia que as solucionar, ainda que com o desacordo explícito - dos governantes
A verdade, porém, é que o Partido Socialista, com um secretário-geral e, por via disso, também chefe do Executivo, não tem sabido satisfazer também as opiniões favoráveis da totalidade dos seus militantes, o que ocasionou até que um grupo de altos representantes do seu grupo, no qual se destaca Manuel Alegre, não tivesse conseguido disfarçar a sua discordância com determinadas atitudes que têm sido tomadas com origem no largo do Rato.
Ocorrendo tudo isto no mesmo ano em que se realizarão no nosso País as eleições que colocarão em lugares de importância política elementos oriundos dos partidos concorrentes, não pode José Sócrates andar conformado com a sua actuação, por muito que pretenda afastar-se em viagens tidas como políticas por países que não apresentam, nesta altura, motivo de urgência de maior. O que se impunha era tentar formas de solucionar as questões internas de extrema gravidade que ocorrem no nosso País.
Eu, por mim, já cheguei à conclusão de que, perante os comportamentos â que se tem assistido, os resultados eleitorais, no que se refere à Assembleia da República, portanto à posse no Governo seguinte, não retirarão ao PS o seu lugar de comando, mas, no que diz respeito a maiorias, essa posição é que não parece poder verificar-se de novo, pelo que as circunstâncias se apresentarão bem diferentes daquilo que até agora tem existido.
Corro um risco atrevido com esta afirmação, mas apenas me fio no, apesar de tudo, certo bom senso do ser humano, da população, dessa que, apesar dos desvarios que o Homem provoca com as suas ambições pessoais, sempre acaba por, quando se encontra no aperto, acertar com uma saída menos péssima.

sábado, 14 de março de 2009

VERGONHOSO

Eu olho envergonhado em meu redor
Não encontro resposta p’ro que vejo
O mundo estava mal, mas está pior
É o que penso, digo-o sem pejo

O Homem faz guerras, uma vergonha
A inveja atingiu um grau maior
O ambiente está uma peçonha
Não se consegue ir para melhor

Envergonho-me, sim, do ser humano
Tratou-se por certo de um engano
Não foi para isto que foi criado

Assim, tenho de achar vergonhoso
E não poderei encontrar repouso
Se não se emendar o que está errado


ASSALTOS AUMENTAM



Ao ter assistido, na TV, a descrição do actor português que passou recentemente uma larga temporada no Brasil, de apelido Melo (peço desculpa por não ter fixado o nome) e em que contou o assalto de que foi vítima no Rio de Janeiro, em que lhe levaram tudo e esteve em riscos de vida, coisa que é tão banal naquela cidade carioca, só me veio à lembrança a vaga de assaltos e de roubos, também violentos, que estão a ocorrer no nosso País, com o uso de armas de fogo que cada vez são mais vulgares nas mãos dos bandidos, situação esta que, segundo parece, não se verifica, por parte das forças policiais, solução à vista, ao ter feito a reflexão quanto aos dias de amanhã que nos esperam não posso considerar-me tranquilo.
E é já a Imprensa que confirma essa insegurança, transmitindo dados oficiais portugueses que mostram ter aumentado o crime violento em 2008 e em relação ao ano anterior foi de 10,7% esse salto estatístico.
Estas notícias não constituem, de facto, nenhuma surpresa a dar aos cidadãos nacionais, dado que, diariamente, se tomam conhecimento de novos assaltos a tudo que pode representar alguns benefícios para os ladrões. Os bancos, que constituíam um objectivo quase raro dos amigos do alheio, hoje estão na mira de autênticos “gangs” criados para o efeito. E não se ficam por aí os malandrões dos bolsos alheios, pois que qualquer restaurante em pleno funcionamento é cobiçado para serem obrigados os clientes a deixar os seus haveres, como as caixas registadoras de tudo que é estabelecimento representam uma meta a atingir em cada acção, para não falar no habitual que são as estações de gasolina, as preferidas por tal gentalha.
Quer dizer, segundo tudo indica, não faltará muito tempo para alcançarmos a situação de vida perigosa que se conhece no Brasil, ficando quase igualitários neste particular, mas bem distantes no que diz respeito ao todo o resto que constitui as riquezas naturais que ali foram descobertas pelos portugueses nos anos de 1500.
A imigração que se tem verificado de cidadãos brasileiros que ainda procuram em Portugal o ponto de sossego para exercerem as suas profissões, essa tem tendências a diminuir, até porque o desemprego que grassa por cá não continua a constituir motivo de atracção dos nossos irmãos brasucas.
Mas poderemos andar descansados quanto às más acções dos grupos de roubo que podem transferir-se atravessando o Atlântico, se não se formar uma defesa policial capaz de tirar da cabeça dessa vaga de assaltantes brasileiros a ideia de que, deste lado da Europa, é tudo mais fácil para os objectivos que têm em mente?
Descansados é que não podemos ficar. E o actual Governo, no fim do seu quarto ano de vida, assim como os que se lhe sucederem, têm de tomar todas as medidas que estiverem ao seu alcance para não dar ocasião a que o mesmo venha a ocorrer entre nós. Há que confiar que não sucedam primeiro as malfeitorias e só depois, com lentidão, é que as polícias dão ares da sua graça!
Mais um problema para nos atormentarmos, para além dos muitos com que já nos defrontamos.

sexta-feira, 13 de março de 2009

VER DO OUTRO LADO

Por vezes sinto que estou morto
que já não pertenço ao mundo dos vivos
que estou onde não estou
que vejo do outro lado o que aqui se passa
não é nada comigo
é coisa estranha e distante
faz-me lembrar da última vez
que fui levado ao cemitério
havia gente a chorar
havia ?...
e lá me conduziram para onde eu queria
para o fogo
para as labaredas que rodearam o meu corpo
mas não senti nada
já não estava ali
vi de fora
tudo ardeu num instante
ficaram cinzas
foram despejadas num depósito
tem graça
nasci de uma gota e acabo em pó
atravessaram toda um vida
para isto
para terem havido preocupações
para coisa nenhuma
alegrias
zangas
esforços
canseiras
amores
desamores
ânsias
satisfações
prazeres
contradições
verdades
mentiras
pensamentos
esquecimentos
promessas
falsidades
disfarces
vaidades
tanta coisa e nada
uma vida
tão longa e tão curta
não deu tempo
para fazer o que era preciso
para ser útil
para sobressair
há quem diga que sim
que sou diferente
que me distingo
mas eu
que não estou apaixonado
por mim
não acredito
não me iludo
sei que me esforço
que procurei atingir a bitola
do bom
mas fiquei-me pelo sofrível
pelo mediano
a olhar para cima
a admirar
o que estava no alto


Por isso quase prefiro sentir-me perto do fim
fazer de morto
olhar à distância
ficar como que à janela
a ver-me
e a sentir o sofrimento
o meu sofrimento
o meu desgosto
não culpo o mundo de não me ter colocado
em qualquer pedestal
por pequeno que tivesse sido
e se não cheguei lá
foi porque não o merecia
também não me revolto
por outros se terem sobressaído
mesmo que sem mérito
mas isso só em minha opinião
discutível
provavelmente souberam aproveitar
as oportunidades
foram sagazes
atreveram-se
eu não
também não tive quem me desse
o entusiasmo que eu aspirava
fiquei-me metido para dentro
a encher papel
a colocar cores nas telas
e a esconder tudo
e a amar o que não estava ao meu alcance
a música
a composição
o uso dos instrumentos musicais
e em vez disso
só a utilizar
a caneta e o pincel
desajeitadamente


Sinto
que me vejo de longe
que contemplo os lugares que frequentei
sem mim
observo
as pessoas com quem me dei
sem estarem ao meu lado
vejo-me
sentado no café onde escrevo
olho para as ruas por onde passei
com outra gente
contemplo e reparo
já não conto
não estou lá
ninguém dá pela minha falta
é como se nunca tivesse existido
o mundo não parou
outra gente chora
alegra-se
sofre
diverte-se
tudo como dantes
como quando estava vivo
imagino eu

Julgo ver o mundo
Com muitos mais problemas
com a população aumentada
quase não cabe em nenhum sítio
tem carências
o ambiente é pesado
falta a água
a poluição é insustentável
a competição não perdoa


Quando sinto
que já não estou vivo
e contemplo o espectáculo
de lá de onde estou
já não me importo por não me encontrar
em qualquer pedestal
por mais ínfimo que seja
ao estar na Terra
preferiria estar preste a sair
a tempo
para fugir ao futuro que me esperava
para escapar do medonho
do horrível
dos muitos mil milhões de habitantes
que vão atafulhar o Mundo
e que apesar das múltiplas
antigas e novas doenças
que atacarão o Homem
como há raças que não perdoam
fazendo filhos
muitos
sobrepondo-se a outros
que são mais prudentes
fazendo mudar de cor
o Planeta
apesar disso não ser importante
porque os conflitos
não escolhem tons de pele
sendo seres humanos
por isso mal formados
e cada vez mais agarrados a crenças
a fés
a religiões
que julgam que lhes trarão a salvação
que serão perdoados depois de mortos
que terão benesses e regalias
no fim dos caminhos
só quando se encontrarem no outro lado da barreira
é que descobrirão
como eu julgo que concluirei
quando chegar a minha vez
e estiver a desfrutar
a gozar as vistas
sabendo que Inferno há só um
e é na Terra
nessa altura
e só então
darão gargalhadas surdas
e terão vontade de voltar atrás
e abanar o ser humano
gritando-lhes para terem juízo
para despertarem
e para aproveitarem todo o tempo
que mediou entre a gota e o pó
fazendo com que o Mundo melhore
tirando partido
da Vida.

QUATRO ANOS DE GOVERNO



É mais do que evidente que, mesmo que este Governo tivesse actuado, durante o período de quatro anos em que decorreu o seu exercício e que terminou ontem. com a mais perfeita das condutas, não se livraria das críticas de que é alvo, as que lhe são feitas e outras que, por ventura, ocorressem ao restante leque político e, igualmente, por muitos dos cidadãos portugueses que sentem na pele os efeitos do mau momento económico e social que se vive.
É sabido que, quem se expõe, sobretudo por sua livre vontade, perante a crítica dos que têm de viver sob os efeitos da sua actuação, não tem de estranhar que haja quem se encontre na outra ponta das preferências e que, face a essa circunstância, não esconda a aversão que lhe vai nas entranhas. Na área da política e, claro, em democracia, as oposições que existem servem precisamente para dar mostras do seu pensamento adverso daquilo que o partido vencedor utiliza. Se sucedesse o contrário é que era para estranhar. Quanto à disposição por parte dos cidadãos comuns sem partidarismos específicos, são as circunstâncias de cada caso que levam a que existam os apoiantes da governação vigente ou que se revoltem quanto a medidas que lhes são desfavoráveis. É por isso que, as perguntas de rua feitas por algumas televisões sobre “o que faria se mandasse”, não têm outro resultado que não seja cada um expor aquilo que lhe convem pessoalmente e que não tem nada a ver com a necessidade de se efectuar uma governação que sirva toda a comunidade.
Mas, falemos, tão correcta e honestamente quanto possível, no que diz respeito à actuação do Executivo de José Sócrates ao longo destes quatro anos que agora ocorreram. É evidente que esta também é uma opinião pessoal e, portanto, sujeita à concordância ou não de quem ocupar o tempo a ler este blogue, mas, dado que me sujeito abertamente à crítica, não escondo aquilo que diria pessoalmente ao primeiro-ministro caso ele se dispusesse a ouvir o que um jornalista independente pensa da sua actuação.
Considero que este período passado e, sobretudo, a partir do momento em que se começaram a sentir em Portugal os efeitos da crise que já é por demais conhecida, não se pode considerar como o ideal para um grupo de governantes poderem brilhar com a forma de exercerem a sua actividade. Mas também, por outro lado, é nas alturas mais difíceis que os homens capazes têm ocasião para dar mostras das suas habilidades, não se refugiando nas dificuldades para complicar ainda mais o que já é complicado levar a cabo.
E, sobretudo, existindo a cedência ao princípio de que, com a ajuda dos outros, é sempre mais fácil solucionar os problemas e encontrar saídas para as questões complicadas, sabendo ouvir e acolhendo os conselhos de parceiros e até de adversários, não se escondendo atrás do malfadado orgulho que tanto ataca os homens vaidosos, dessa forma até as oposições são da maior utilidade, deixando-as fazer propostas e não temendo revelar que as ideias que tenham, por ventura, saído dessas áreas, foram ajudas preciosas e que são acolhidas com o maior entusiasmo.
Ora, nada disto fez o governo de Sócrates. Disso tenho de o acusar. Foi arrogante, mal disposto, pouco amigo de dar explicações, fazendo algumas más figuras, especialmente por parte de uns tantos dos seus ministros que têm deixado muito a desejar, prometeu o que não devia e que sabia que não podia cumprir, não actuou em certas áreas que se mostravam mais necessitadas de uma mexida profunda, como, por exemplo, a Justiça (insisto nesta zona que tantas vezes tenho referido nos meus blogues) como outras igualmente mal tratadas pelos poderes públicos, enfim, não tenho a convicção de que este Governo tenha utilizado os quatro anos de que dispôs com aquela competência que seria desejável, especialmente numa altura em que a situação se mostrava desconfortável aos portugueses, com todos estes factores negativos não posso deixar em claro que o grupo de Sócrates foi o culpado de não ter conseguido mostrar aos cidadãos nacionais que vivíamos um período de dificuldades e que não era aconselhável exorbitar das nossas baixas possibilidades.
Mas a pergunta a fazer é, afinal, bem simples: e nas eleições que se aproximam, em que agrupamento se encontra uma resposta que permita o mínimo de confiança para a escolha de um Executivo que substitua o PS? Os partidos de Esquerda, os mais débeis em adeptos, vão poder subir na escala de representantes, mas não o bastante para tomar conta de um Governo, pelo que só poderão servir para prestar apoio ao grupo vencedor que não tenha obtido maioria, e será provavelmente o PS. Mas, no cômputo geral, atrevo-me desde aqui e a esta distância a afirmar que talvez se ganhe alguma coisa com o facto dos socialistas não obterem de novo uma maioria consoladora. É que não deram mostras de saberem utilizá-la. Não tiveram a macieza suficiente para, mesmo com votantes bastantes para fazerem passar as suas ideias, mesmo assim saberem ouvir indicações, opiniões, conselhos, que só lhes ficaria bem reconhecer como válidos. E isso teria sido extremamente útil a Portugal. Vamos a ver o que a abstenção que tudo indica vai ser enorme, acabará por permitir que saia nas urnas.
Estão ainda longe. Pois estão. Mas é aconselhável ir pensando já nesse dia em que teremos que nos deslocar para colocar o nosso voto. Vai ser, desta vez, mais necessário do que nunca.



quinta-feira, 12 de março de 2009

CONVERSAS

As conversas são tal qual as cerejas
umas atrás das outras sem parar
servem-se como petiscos em bandejas
não é fácil ouvir sem contestar

Falar, p’ra muita gente é preciso
é como abrir à alma as portas
o ideal, porém, é ter bom siso
e não se embrenhar em zonas mortas

Trocar ideias e os outros ouvir
ficar calado quando outrem fala
saber escutar com todo o respeito

É princípio sagrado do sentir
é dar a ideia de que se iguala
é andar perto do que é ser perfeito

VIAGENS DOS DEPUTADOS



Então, não devemos andar todos desconfiados, nós, os cidadãos deste País em que as falcatruas se sucedem umas às outras e sempre conduzem a que uma enormidade de euros vão parar aos bolsos de uns tantos espertos da silva?
Devemos ser confiantes e acreditar que os acontecimentos que são dados a conhecer – e quantos não ficam no segredo dos deuses? -, nem todos são factores de más acções por parte dos que se aproveitam do que lhes passa perto. Mas muitos passariam despercebidos se não existisse uma actividade que lá vai conseguindo informações que transmite ao público. Refiro-me, está bem de ver, ao jornalismo e à possibilidade que existe nos nossos dias de, apesar de tudo, não funcionar uma Censura, como aquela que estava sempre atenta e furiosa antes do 25 de Abril.
Pois bem, graças a essa facilidade, foi dada a conhecer na Imprensa portuguesa uma incongruência verdadeiramente revoltante. Sobretudo por não se verificar um elemento fiscalizador dentro da Assembleia da República, bem necessária sobretudo neste momento de crise, por forma a evitar despesas supérfluas, com as viagens e estadias dos deputados que atingem verbas, como agora foi divulgado, que se podem considerar excessivas.
É verdade que a actividade dos representantes do povo no Parlamento, em princípio e em tese, inclui a necessidade de deslocações em serviço a vários pontos do País e do estrangeiro. Assim, num blogue como este, não é possível opinar se poderiam ter sido evitadas algumas dessas deslocações. Mas que, desde o início deste ano e até ao fim de Fevereiro passado, se tenham realizado cerca de 106 deslocações, das quais apenas duas dentro do território nacional, e que essas viagens tenham custado à Assembleia da República mais de 235 mil euros, isso é que constitui motivo para levantar a questão de se não conviria analisar em pormenor cada caso, no que diz respeito aos destinos, às razões, imperiosas ou evitáveis e à facturação que as duas agências de viagens que têm o exclusivo para se encarregarem das operações de transporte e de estadias.
Não pretendo levantar aqui a desconfiança em relação a exclusivos concedidos para apenas duas agências tratarem das deslocações dos deputados. Mas a explicação deste facto está em falta e seria bem recebida por todos os que andam a contar os tostões por este País para as despesas familiares e que têm consciência de que o que se gasta mal na nossa Terra sai dos bolsos dos portugueses e deveria ser respeitado com absoluta consciência dos poderes públicos.
Insisto, pois: é evidente que Jaime Gama, na qualidade de Presidente do Hemiciclo, não pode dedicar a sua actividade a tipos de fiscalização das viagens dos deputados. Mas talvez lhe coubesse actuar no sentido de fazer todos os esforços por forma a tentar conseguir a criação de um departamento que tivesse tal encargo e se respopnsabilizasse directamente perante o Tribunal de Contas. Ou se criasse outro departamento mais indicado.
Quando se está em recessão e as debilidades vão sendo cada vez maiores, não é crível que qualquer partido com representação na Assembleia se oponha a que se tomem medidas que têm como objectivo controlar despesas públicas, de que não se excluem as viagens dos deputados.
Ou há moralidade ou comem todos…

quarta-feira, 11 de março de 2009

QUE PODE FAZER?



Escrever e falar sobre o Presidente da República, qualquer que ele seja e nas circunstâncias em que esse cargo é exercido em Portugal, não é coisa fácil. Sobretudo tendo em atenção os condicionalismos que a Constituição da República impõem. Em que o Poder, tal como ele é considerado pelos cidadãos comuns, não existe, em sua plenitude, nas mãos do locatário do Palácio de Belém.
Mas, alguma coisa pode ser feita por essa Personalidade. E o pior que se pode verificar é assistir a um silêncio completo quando existem razões para que essa figura pública se pronuncie, ainda que não tenha forma de modificar aquilo que se está a passar por parte da outra parte, também eleita por sufrágio universal, e que, dentro dos princípios democráticos, não deve exceder aquilo que as circunstâncias impõem. Não deve, mas pode…
Ora, sendo, de facto, muito complicado conseguir-se agradar a todos, sendo o poder exercido pela mão dos homens, que o mesmo é dizer sujeito a erros, não constitui nenhuma anormalidade que, de vez em quando, saiam decisões governamentais que motivam o protesto de uma grande camada de cidadãos. É o que está a ocorrer, há já um tempo excessivamente longo, com a situação dos professores, em que, em parte por influência política partidária, se têm desenvolvido greves sucessivas e manifestações que não são muito animadoras para quem já está a lutar por um maioria parlamentar nas eleições que se perfilam no horizonte.
O que pode fazer o Presidente da República numa situação como esta? Naturalmente, a título pessoal terá a sua opinião formada a favor de uma razão ou precisamente o contrário. Mas, como fiel de uma balança, só lhe resta, em conversas privadas com o chefe do Governo, mostrar-lhe o seu ponto de vista e tentar que a situação se resolva, ainda que seja tendo que aderir às reivindicações que se situam na outra ponta do seu gosto. E, caso o Governo, no seu direito constitucional, não entenda dever acalmar a situação e, neste particular, resolva enfrentar as consequências, aí talvez se justifique que o actual Presidente surja à liça pública e se explique, afirmando que a sua posição só tem em vista o superior interesse da Nação e que, mesmo contrariado, resolve tomar uma atitude. É aí que se pode entender a diferença entre a posição de um Executivo e de um Supremo Magistrado da Nação. Não exerce o seu cargo a pensar nas eleições, até porque não pode exceder dois mandatos. Felizmente.
Daí, a minha decisão de dedicar este meu blogue a Aníbal Cavaco Silva. Não se pode afirmar que tem desempenhado o seu papel em total desarmonia com os valores superiores de Portugal. Lá vai atravessando o período, cumprindo razoavelmente o exercício que lhe compete. Mas, o que lhe pode ser apontado, sobretudo nesta altura em que não escapámos à maléfica crise, é que não teria sido desaconselhável que os cidadãos pudessem escutar, de vez em quando, a opinião directa do Presidente, sobretudo por ser necessário tirar dúvidas sobre se conta com o seu apoio completo em relação às acções do Governo ou se, na posição inversa, preferiria que algumas acções governativas tivessem tido outra direcção.
E têm ocorrido tantas coisas para motivar o conhecimento do que vai na cabeça de Cavaco Silva!…

terça-feira, 10 de março de 2009

MEDITA... MEDINA!



Ao ter visto, por mais de uma vez, o professor Medina Carreira ser entrevistado por Mário Crespo, na SIC, fico com a impressão que conto, naquela personagem, com um leitor dos meus blogues. É que, salvaguardadas algumas divergências em relação ao que tenho vindo a evidenciar nos meus escritos neste espaço, grande parte do descontentamento que o antigo ministro de um Governo já passado não esconde coincide com os meus pontos de vista. E, realço, a dificuldade em ser encontrada uma solução para os múltiplos problemas que enfrentamos em Portugal através dos meios que têm sido utilizados pelos diferentes executivos que têm tido a seu cargo a gestão nacional, essa acção demonstra à saciedade que há que usar outros métodos bem distintos para tentar sair dos efeitos da tão falada crise que nos caiu também em cima. Tal como temos actuado só nos levará, cada vez mais, a virmos a enfrentar, mais cedo do que muitos julgam, uma situação intransponível, como poderá ser, por exemplo, a já anunciada de as reformas, dentro de algum tempo, não chegarem para alimentar uma família portuguesa normal.
Também eu já afirmei que tem-nos valido estarmos inseridos na Europa para que a situação político-social ainda se mantenha num “tem-te não caias”, porque as dificuldades de vida cada vez mais ferozes, os assaltos e os roubos em crescendo assustador, o desemprego que não pára, a mendicidade que nos coloca num lugar cimeiro das estatísticas europeias, tudo isso constitui um aperitivo para que, num dia inesperado, surjam as reivindicações mais violentas e, a partir daí, o passo seguinte possa ser o de um inconformismo violento. Oxalá este presságio esteja bem longe das perspectivas adiantadas. Mas é bom que estejamos todos prevenidos.
Aproximam-se vários actos eleitorais, a começar pelo dos deputados da Europa – agora mais aliciante ainda, pois os ordenados dos deputados passaram para o dobro e são qualquer coisa de aliciante e de convidativo -, e será através das escolhas que forem efectuadas que poderá existir, ou não, ainda alguma esperança quanto ao futuro mais próximo e mais distante da situação portuguesa.
Mas, não tenhamos ilusões. Não há milagres que alterem o panorama que já se vive e aquele que se vislumbra, por mais optimistas que pretendamos ser. E nada se modificará para melhor se os homens que fazem parte dos partidos políticos, de todos mas sobretudo daquele que conseguirem obter os lugares de comando, não se mentalizarem de que o mais importante da sua actividade não são os cadeirões conquistados e as mordomias que obtêm, mas sim a defesa do melhor para Portugal, mesmo que isso represente algum malefício partidário. E precisamente do seu agrupamento.
Será que os políticos portugueses resolvem modificar a péssima opinião que sobre si recai por parte do público votante e, a partir do resultado das próximas eleições, sentindo bem na pele a situação crítica que se vive, e resolvem mudar drasticamente de forma de comportamento e passam a dar mostras de competência, de força de trabalho, de complacência para com as opiniões dos outros, numa palavra, de modéstia e de convencimento de que não se sabe tudo?
É possível, mas de uma coisa podem estar certos: de que, cada vez menos, vão existindo oportunidades de haver escolhas democráticas. Tudo estará, pois, nas suas mãos.

segunda-feira, 9 de março de 2009

MALA-POSTA



Queria conhecer-me, saber
Quem fui e o que sou.
Desejaria entender
Para onde vou, se é que vou
E que espero eu da vida
Daquilo que ainda me resta.
Quem responde que decida
Se o que vem depois algo presta.
Estou à espera
Estou sentado
Agarro-me como uma hera
Não volto a cara para o lado
Já sei que a resposta tarda
Duvido que venha a tempo
Que não seja uma atoarda
Muito menos contratempo
Mas o mais certo, isso sim
Será que partirei sem resposta
Ah! Pobrezinho de mim
Que perdi a mala-posta !

JORNALISMO DE HOJE


A mim custa-me muito tocar nesta matéria porque já estou mesmo a ver que a rapaziada nova do jornalismo me vem alcunhar de velho do Restelo, pois não tendo nem a mais pequena ideia do que era a profissão quando eu a comecei, há cinquenta anos, agora julga-se ser conhecedora de tudo e de funcionar nas mais plena das perfeições.
Nesta altura, e talvez bem, existem especialistas de tudo quer na Imprensa, quer na Rádio, quer nas televisões. Um escrevedor que é colocado numa Redacção ou sabe de desporto, ou de política, ou de internacional, ou de vida social e assim por diante. Antes, não era nada assim. O chefe mandava um jornalista, mesmo quando ainda era novato na profissão, escrever tantas linhas ou tantos linguados sobre uma determinada matéria, que podia ser apenas uma legenda para uma foto e o “desgraçado do sabia tudo” lá tinha que se desengomar e, recorrendo a enciclopédias ou a conselhos do parceiro do lado, devia apresentar o trabalho feito e de modo a ser aceite pelo chefão. Caso contrário voltava para trás e tinha que fazer tudo de novo!
Um jornalista era considerado um “especialista de generalidades” e era por isso que, de uma forma geral, merecia a consideração e o respeito no meio intelectual da época.
Os tempos mudaram. Hoje fazem-se cursos, ditos superiores, há licenciaturas de jornalismo, mas o que não existe é nenhuma escola que faça com que o talento, o amor pela escrita, a vontade de se sobressair na sua profissão consiga que apareçam jornalistas que podem ser considerados como verdadeiros profissionais da comunicação, isto é, que consigam transmitir aos leitores, ouvintes ou espectadores aquilo que se vê e se ouve, com total fidelidade e sem a intromissão de opiniões próprias de quem é autor dos textos ou das entrevistas.
Por que é que me deu para escrever esta espécie de tratado do que deve ser um jornalista? Pois, porque acabei de ler uma reportagem, saída no suplemento de sábado do “24 Horas”, em que é pretendido ser feito um trabalho jornalístico sobre o bairro de que tanto há a falar, que é o chamado Campo de Ourique, em Lisboa.
Pois é pena que a autora do texto não se tenha informado a fundo sobre aquela parte da capital que constitui, de facto, uma matéria digna de ser focada com a devida profundidade, pois que se trata de algo que, ainda restando de pé no conjunto tão característico lisboeta, tem muito para ser observado e contado em qualquer órgão de informação que esteja disposto a transmiti-lo aos seus, neste caso, leitores.
Não. Não me vou pôr aqui a fazer acrescentos e emendas ao que ficou expresso naquele trabalho. Se o Director e o chefe de Redacção do “24 Horas” consideram que aquilo basta para ser dito e mostrado fotograficamente no seu Jornal, não tenho o direito de fazer, neste blogue, um exercício de Imprensa. Mas, isso sim, como antigo jornalista, com mais de 50 anos de profissão em todos os lugares, desde o mais insignificante e até Director, posso e julgo que devo expressar a minha opinião. E pedir aos mais novos que não se convençam que sabem tudo. Lá por estarem já na época dos computadores, não é por aí que a ciência salta toda. Embora ajude muito e eu que o diga, que estou a escrever este texto com o auxílio de um que me dá muito jeito!...
Mas guardo ainda três máquinas de escrever portáteis, porque é bom não perder o contacto, nem que seja visual, com o que foi companhia inseparável na actividade que se desempenhou no passado. Será conservadorismo, pois será, mas faz sempre bem não perder contacto com o que ficou para trás.

domingo, 8 de março de 2009

EI!

Lembrar, já muitas vezes me lembrei
criar coisas novas, isso criei
estudar, sem dúvida estudei
e trabalhar, como eu trabalhei!
vamos ver se desta me sairei
de pôr em ordem sentenças, porei?
todas elas terminadas em ei:
Cantar na minha vida eu cantei
em coro de ópera operei
pintar, disso gosto, sempre gostei
emendar, quantas vezes emendei!
errar, dessa nem sempre escapei
fruto daquilo que eu inventei
pelo que tive de pagar, paguei
desatando nós, como eu desatei
ou então atando pontas, atei
sem poder adiar, adiei
sem cair, várias vezes tropecei
quer servindo ou quando comandei
porque a bota sempre descalcei
mesmo a resmungar como resmunguei
pois recear, lá isso receei
mas, que me lembre, nunca ajoelhei
embora saiba que desagradei
com quem eu muitas vezes discordei
só que, por meu lado, nunca odiei
mesmo a quem, sem querer, enxovalhei
ou, por casmurrice, envinagrei
fruto de um contínuo “enjoei”
e devia avisar, não avisei
mas mesmo assim eu nunca caluniei
e orgulho, isso nunca ostentei
nem eu jamais fingi que concordei
como mostrava a cara que fechei
pois engraxar sapatos, isso engraxei
mas apenas os meus, isso eu sei,
como mamar por aí, não mamei
coisa alheia nunca apalpei
fumar, só os meus cigarros fumei
mas desse mau vício me curei
pelo que eu nunca aceitarei
ver gente morrer, sem dó e sem lei
sem pensar como eu antes pensei
que basta o mau mundo que eu herdei
e que vai ficar para a nova grei.
Hoje, como antes, esperarei
que com ou sem mesmo um Agnus Dei
a escrita que faço e abracei
venha ser amada como a amei
que lhe dêem o valor que lhe dei
e se não for assim também direi:
olhem, caguei!

ZANGAM-SE AS COMADRES



Já não é a primeira vez que, em Parlamentos lá por fora, se pegam representantes políticos de distintas formações partidárias, chegando mesmo a vias de facto em plena sala de reuniões. Já temos assistido a estas cenas que as televisões nos proporcionam, mas, no que se refere à Assembleia da República, escaramuças de língua já têm ocorrido, só que nunca se tinha verificado uma ameaça do género do “lá fora falamos”.
Pois, ainda que não tenha sido exactamente com esta linguagem, o que ficou subentendido foi uma espécie de ameaça, esta, claro, à portuguesa. “Agarrem-me, agarrem-me, senão vou-me a ele!...”
Pois, um deputado do PSD e outro do PS envolveram-se em acesa discussão que atingiu os insultos. O dos sociais democratas classificou o caso da construção do aeroporto Sá Carneiro, no Porto, como um “negócio opaco” e insinuou que os custos muito para além do orçamento (derraparam 99 milhões de euros) e o tempo de conclusão da obra que se multiplicou várias vezes, tudo isso fazia crer em manobras mal explicadas e em lucros de alguém que interferiu nos trabalhos.
Não vem aqui ao caso, porque não me substituo aos poderes públicos que têm obrigação de aprofundar as falhas ao cumprimento do que fica estabelecido nas alturas dos concursos públicos, saber o que é que pode demonstrar que um dos deputados tenha a ver com o problema discutido, mas dá vontade de rir que, só muito de vez em quando é que temas com este cariz surgem no Parlamento, quando deveria existir uma comissão em permanente exercício para chamar à discussão as múltiplas situações que ocorrem no nosso País e que fazem prova de que existem razões mais do que bastantes para os cidadãos se interrogarem sobre quem ficou a ganhar fortunas, como o que se vê por aí no que diz respeito a obras a cargo do Estado.
Já o Ministério Público veio agora à liça para levantar a questão, quanto a uma investigação feita ao Presidente da Câmara de Braga, no que se refere a uma “radiografia” feita à factualidade de enriquecimento injustificado por parte de alguns titulares de cargos públicos e funcionários daquele Município, que alguma coisa de anormal se passa, pois nada justifica que um processo instaurado se venha arrastando desde 2001 e que, até agora, não terem sido encontrados resultados, apenas com a declaração por parte de Mesquita Machado de que se trata de uma autêntica “cabala do PSD”.
E é assim. Nunca os judeus pensaram que a expressão “kabala” viesse a ter tão grande aplicação como sucede aqui em Portugal. Por tudo e por nada, a partir do momento em que surge uma suspeita de alguma coisa que cheira a esturro, que faz desconfiar de que ali passou mão pelo meio, de que uma obra se atrasou e custou muitas vezes mais do que estava previsto exactamente, porque a diferença em relação ao orçamento dá sempre jeito que vá parar a alguns bolsos ávidos de favores e de distracções, quando isso sucede e alguém faz questão de apontar eventuais beneficiários – porque provar, isso é que muito raramente sucede -, logo aparece a expressão “cabala”, que o mesmo é dizer acusação despropositada e não provada.
E já agora, que o Ministério do Ambiente já deu luz verde para a construção da terceira travessia do Tejo, entre Chelas e o Barreiro, num investimento que, nesta altura, se diz serem de 1,7 milhões de euros, vamos lá ver enquanto fica no final e quem vai de fora beneficiar com a obra, para não se sair do tradicional no nosso País.
E cá vamos vivendo com os confrontos que surgem sempre, normalmente por parte daqueles que não ganharam nada com o que foi feito. Porque se ganhassem…

sexta-feira, 6 de março de 2009

Diz o António Barreto, numa entrevista publicada na revista “Ler” deste mês, que as editoras portuguesas estão a publicar em quantidade, como nunca sucedeu antes. Mas acrescenta que a maior parte dos livros vendidos não são para ler, mas sim para pôr na estante.
Também, por parte dos editores – digo eu - nota-se uma falta de cuidados de lançamento dos livros novos, pois, sobretudo nos dias de hoje, é fundamental que o público seja induzido a comprar e, depois a ler. Acontece isso com todos os produtos, e com os livros não poderia e não pode ser diferente.
Lançar livros novos não é o mesmo que fazer aparecer no mercado um qualquer produto que não tenha intenções de aumentar a cultura dos compradores. Mesmo um mau livro, só pelo facto de obrigar quem os adquire a ter a curiosidade de saber o que está escrito, constitui a oferta de uma possibilidade de pôr o cérebro em funcionamento. E de criar um hábito.

QUEM RESPONDE?



Os números falam por si. É preciso conhecê-los e depois reflectir sobre eles.
É sabido que, durante a Primeira Guerra Mundial, só cinco por cento das vítimas foram constituídas por civis. Tratou-se de um conflito que ocorreu utilizando trincheiras e aí muitos soldados portugueses sofreram as consequências. Já na Segunda Guerra Mundial, travada noutras circunstâncias, com o recurso a bombardeamentos, a mortandade atingiu a percentagem de 60 por cento das populações.
Pergunta-se agora se uma Terceira Guerra Mundial, no caso de ocorrer, iria atingir os cidadãos que não estivessem directamente envolvidos na quezília e de que maneira. Ao ter-se em vista um confronto do tipo nuclear, o que não pode estar completamente fora de causa, tendo em vista a posse dessa arma por países que têm à sua frente fulanos em que não pode ser depositada a menor confiança no capítulo de serem considerados pacifistas, logo após ter sido expedida a primeira dessas bombas, ninguém está em condições de prever as consequências das respostas que ocorressem por parte dos adversários, também eles sendo possuidores do mesmo armamento atómico, que o mundo esteja bem livre de um panorama deste tipo, e que não se façam contas quanto às vítimas civis que sofreriam as consequências de tamanha carnificina.
Mas, será necessário um conflito armado, com esta ou outras características, para prever que os habitantes terrestres, todos eles desligados da actuação militar, venham a sofrer na pele os efeitos devastadores de uma disputa de adversários inconscientes? A resposta pode ser observada nos dias de hoje.
A crise económica, financeira e, acima de tudo, social que corre o mundo de lés a lés, sem ter sido disparado um tiro, sem que um único político enlouquecido pusesse um dedo num botão devastador, mesmo assim os efeitos maléficos em milhões de habitantes de países distintos têm-se sentido, e a fome, a miséria, as carências de todas as espécies instalaram-se em muitos países onde não seria de prever que tal calamidade lá chegasse.
É verdade que, em determinadas zonas, no médio Oriente, por exemplo, mas também em áreas mais distantes de que não vale a pena enumerar nesta altura, os homens tiveram a tentação de dar mostras da sua capacidade militar e ultrapassaram os meios em que seria preferível fazer o esforço de um útil entendimento. Mas o bom senso chegou a tempo e foram evitados passos mais perigosos. Vamos a ver durante quanto tempo.
Agora, face à situação que se vive nesta altura e que já dura há tempo excessivo, não sendo previsível o momento em que se voltará a poder gozar de uma situação normal de economia calma, pode-se concluir que o Homem já nem precisa de fazer sair das suas catacumbas os canhões das armas atómicas. Basta-lhe querer ganhar muito dinheiro em pouco tempo e, utilizando meios verdadeiramente catastróficos, para pôr o mundo a pedir esmola… e a tremer de medo pelo aumento de criminalidade que logo surge com os múltiplos assaltos à mão armada que ocorrem agora por esse mundo fora.
É caso para dizer que as guerras diabólicas destroem muito e matam de repente muita gente, mas, ao fim e ao cabo, sempre provocam trabalho depois, para reconstruir, e não causam a horrorosa onda do desemprego.
Será razão para perguntar se, mal por mal, sempre é preferível esta invasão da miséria do que o troar dos canhões atómicos. Haja quem responda.
Deixo a questão no ar, mas a resposta só poderá ser dada daqui a certo tempo, quando o Homem comum se sentir impotente para sair do abismo para que for empurrado.

quinta-feira, 5 de março de 2009

LUCROS FABULOSOS


Menos mal que, de vez em quando, lá muito de vez em quando, surge uma notícia relacionada com o que se passa no nosso País que nos deixa uma ponta de esperança de que nem tudo é mau e que sempre é aceitável que mantenhamos alguma luz ao fundo do túnel. Como fico amparado nessa altura, pois ando sempre desejoso de que alguma coisa derrube o pessimismo que se instalou e que muito dificilmente será deslocado para outros sítios!
Pois a notícia que surgiu agora e que, por um lado, serve de conforto às outras, a maioria, que arrasam o nosso espírito, foi a de que a E.P., Electricidade de Portugal, apresentou no passado ano um resultado positivo da ordem dos 478 milhões de Euros. De igual modo, também foi divulgada a informação de que o Estado cobrou de impostos, à mesma E.P., à volta de 36 milhões de euros.
Ora bem, perante estas notícias, não me ocorre outra pergunta que não seja esta: se o nosso País fosse governado com o mínimo de espírito de solidariedade, de defesa dos princípios sociais, do total empenho em acudir àquelas famílias que, nesta altura de crise profunda, estão a atravessar problemas de pobreza que há muitos anos não se verificavam em Portugal, se fossem essas as preocupações que se vislumbrassem no elenco governativo que se encontra actualmente no poder, então não teria sido anunciada, de imediato, sem deixar que o presidente e os administradores da E.P. se vangloriassem pelo facto da empresa apresentar uns lucros tão fabulosos, uma medida que estabelecesse uma nova tabela de preços da electricidade que pudesse aliviar, no que fosse possível, o que os cidadãos portugueses têm de pagar mensalmente para poderem manter as luzes acesas em suas casas.
Isto digo eu que nunca fui inquirido pela televisão daquilo que faria “se mandasse”! Porque, como é evidente, cada português que é “assaltado” nas ruas pelas câmaras televisivas para responder a esta pergunta, o que fazem é dizer a primeira coisa que lhes vem à cabeça e, na maior parte dos casos, as opiniões divergem em relação ao problema que cada um tem num determinado momento. E não pode representar um ponto de vista que seja alargado a todo o caso nacional.
Mas, no caso também dos combustíveis, em que a comparação com o que se paga em Espanha continua a ser bem assinalável, é também motivo para inquirirmos dos chefões do Estado se não se justifica uma aproximação de tarifas, pois é verdadeiramente incompreensível e inaceitável que, sobretudo no caso das populações que habitam junto à fronteira, valha a pena fazer uns tantos quilómetros para encher os depósitos dos automóveis e, ao mesmo tempo, trazer umas botijas de gás, para não falar noutros produtos em que a diferença de preços é bastante grande!
Mais congresso, menos congresso, mas o que teria sido interessante era o anúncio de medidas que procurassem desenvinagrar a vida dos portugueses em Portugal. Mas não houve tempo. O importante era engraxar sempre os mesmos. E isso teria acontecido exactamente de igual forma, se tivesse sido outro o partido que resolvesse chamar os seus militantes a puxar o lustro ao umbigo dos seus chefes. Porque são sempre eles que se põem a jeito para serem gabados…
É triste, mas já não mudamos!...

PAZ ÁS SUAS ALMAS


Com tanta desgraça que o mundo mostra,
diariamente, persistentemente
ao tomar conhecimento daquilo que o Homem é capaz de fazer, com indiferença, lendo as notícias e passando à frente como assunto que não lhe diz respeito,
a pergunta que talvez valha a pena fazer
é se este caminho da humanidade pode conduzir
a algo que aponte para uma melhoria, para uma aproximação da felicidade,
para conduzir a que, após tantos séculos de sofrimento,
o ser humano acabe por compreender
que, sobretudo os dois séculos mais recentes,
não contribuíram para que se tivesse parado para pensar e para concluir que
o avanço tecnológico que
se foi efectivando
só contribuiu para tornar ainda mais malvado o interior do Homo Sapiens.
Este último período dos cinquenta anos,
esses então só serviram para comprovar que
a idade, a sapiência, a descoberta de novos valores,
a experiência do antes vivido,
nada disso foi benéfico quanto à melhoria
das qualidades humanas que são essenciais
para que todos dêem as mãos
e acabem, de vez, com as quezílias,
com as invejas,
sobretudo com os orgulhos,
essa palavra que se encontra agora tanto na moda
e que, em lugar de ser uma qualidade,
se trata sobretudo de um defeito perigoso.

Perguntem lá a todos aqueles
que foram vítimas, recentemente, dos bombardeamentos, de um lado e de outro,
na Faixa de Gaza ou em Israel,
se serviu para alguma coisa terem estado vivos.
E os que sofrem as epidemias por esse mundo fora?
E os que dormem nas ruas,
por não terem onde acolher-se?
E aos que ficaram e vão ficando sem emprego
nesta fase dramática da crise?
Que fazer com todos esses milhares de milhões
de gente sem trabalho?

Não pode haver esperanças quanto ao futuro,
os que ainda dispuserem de alguma consciência
só lhes restará irem-se defendendo e
procurar não aumentar ainda mais
a massa de gente
imprópria para consumo

Os optimistas pensam isto mas ao contrário.
Pois que sejam felizes assim.
e que tenham a sorte de ir caminhando para outro mundo
com a convicção de que
o que fica vai sempre melhorando.

Paz às suas almas.

quarta-feira, 4 de março de 2009

FESTIVAL DA CANÇÃO



Provavelmente haverá por cá quem esteja em completo desacordo comigo. E é bom que assim seja. A controvérsia, desde que civilizada, faz nascer novas ideias. E apurar conclusões que, antes, se poderiam julgar definitivas.
Começo o blogue com esta advertência, porque admito, desde já, que, quem assistiu na RTP à transmissão do programa que apurou a canção que nos vai representar este ano no Festival da Canção, em Moscovo, contará com bastante gente que ficou satisfeita com o que viu, da mesma maneira que, uma outra parte – entre a qual me incluo –, não pode esconder o seu desapontamento pela pouca qualidade de resultados dos autores portugueses que foram escolhidos para concorrer a tal desafio.
Bem, pois a minha opinião é mesmo essa: a de que vamos fazer uma má figura no referido Festival e atrevo-me a fazer esta afirmação antes do acontecimento se dar, ou seja, arrisco-me a que suceda precisamente o contrário e de que, por isso, a minha opinião seja considerada como de valor nulo. Mas, infelizmente o digo, a impressão que tenho é a de que não conseguiremos subir a lugares na classificação geral que nos honrem, muito embora nos possamos gabar de que a nossa produção musical, entre poemas e melodias, de uma forma geral é aquela que fica no ouvido durante muito tempo, pelo menos ao nível caseiro.
De igual modo, todo o espectáculo de apresentação e de contagem de votos oriundos dos vários distritos nacionais, pela sua forma caseira e pouco profissional, estendendo-se para além do período que seria aconselhável, situou-se ao mesmo nível das canções apresentadas, pelo que nada destoou do conjunto.
Não costumo dedicar-me a apreciações e críticas de actuações televisivas, especialmente no capítulo de espectáculos, mas, por se tratar de algo que irá representar o nosso País no estrangeiro, já que não temos conseguido atingir níveis superiores noutras áreas que requerem grande especialização, pelo menos que, neste caso de maior ligeireza, não nos mostrássemos de tão baixo nível.
É com tristeza que faço esta afirmação. Cada vez mais me são dados motivos para fazer aumentar a desilusão que me envolve com o que se passa em Portugal. Os optimistas, os que se encontram muito satisfeitos com o que lhes dá tanto prazer em participar, ao menos que tirem partido da sua maneira de ser. E que se deliciem com congressos, com festas, com jantaradas, com elogios aos seus próprios umbigos, com plena confiança no futuro. Quem me dera fazer parte desse grupo. Mas o realismo em que se vive não dá oportunidade para alinharmos nesse grupo. Que pena!

terça-feira, 3 de março de 2009

ÀS PINGUINHAS



Já tenho estado em desacordo com Mário Soares e, que me lembre, numa das várias viagens que fizemos, até evidenciámos a nossa discordância sobre uma matéria que não vem agora ao caso. O que interessa nesta altura é que eu reivindique aquilo que tenho escrito há muitos anos no que se refere a Lisboa e que é o tirarmos partido das belezas próprias da nossa capital, não virando as costas àquilo que temos e que tem vindo a ser desprezado sucessivamente por múltiplos Municípios que não têm tido a felicidade de pôr nos seus lugares cimeiros presidentes com o mínimo de sensibilidade e de sentido de governação estética.
Quando o ex-presidente da República vem agora afirmar que “é uma pouca-vergonha” transformar as instalações do Tribunal da Boa-Hora num hotel de charme, salto eu para considerar tal afirmação como um choro de velho do Restelo, pois que aproveitar um edifício decadente, que não serve há muito para o exercício de julgamentos, para algo que vai dar vida alegre e profícua, como pode ser um estabelecimento hoteleiro de alta qualidade, esse atitude só pode ser encarada com entusiasmo, desde que se instale o tribunal dali saído para outro apropriado e onde não se vejam as resmas de papel cosido à mão espalhadas pelos corredores sombrios de um antigo convento.
O que eu tenho clamado para que os palácios situados na Praça do Comércio e onde funcionam vários ministérios, completamente deslocados das suas funções, sejam retirados dali e, em seu lugar, surjam também hotéis e estabelecimentos de qualidade, a exemplo do que sucede em Veneza, tanto mais que as arcadas que rodeiam o local seriam melhor aproveitadas se no seu espaço se montassem esplanadas com música ao vivo, durante o dia e em parte da noite, o que faria com que a Baixa lisboeta deixasse aquele aspecto desértico que hoje se vê!... Mas tudo em vão!
Estou mesmo a ver que existe gente que bem choraria se se alterasse o aspecto lúgubre, triste, abandonado que hoje se encontra em toda a zona pombalina que, apesar de tudo, se viu construída após o terrível terramoto de 1755. Dá a impressão que seria necessário ocorrer qualquer fenómeno do mesmo estilo para que surgisse outro Pombal capaz de encarar de frente a situação e Lisboa passasse a ver o seu aspecto de acordo com a vida que lhe falta.
Vem a propósito recordar que, desde tempos longínquos, eu venho pregando a necessidade de ser construído na capital um Bairro dos Ministérios, onde se reunissem numa só zona as múltiplas instalações públicas, agora situadas em edifícios dispersos como também em andares alugados, contrariando o que agora sucede e o que permitiria àos cidadãos uma facilidade de obterem serviços sem grandes perdas de tempo e viagens incómodas.
Mas não vou aqui repetir o que tem constituído uma canseira da minha parte e sem resultados visíveis. Só às pinguinhas e mal…

segunda-feira, 2 de março de 2009

D. QUIXOTE


Viver sonhando, cavaleiro andante,
fidalgo adormecido com leituras
acompanhado por seu ajudante
Sancho Panza, o homem das gorduras
foi pela pena de Miguel Cervantes
que nasceu Don Quixote de la Mancha
uma obra das mais extravagantes
que nos livros provocou avalancha.
Limpou armas velhas de antepassados
estudou nome para o seu cavalo
pôs nisso todos os melhores cuidados
passou a ser mais um fiel vassalo
Rocinante se veio a chamar
embora belo exemplar não fosse
também de princesa veio precisar
uma donzela com um fundo doce
e a uma moça de bom parecer
que pouco conheceu o cavaleiro
crendo que seria sua mulher
e que daria força ao guerreiro
Dulcinea de seu nome criou
e sem mais esperas, de corpo inteiro
os seus trajos de guerra enfiou
com os cuidados de homem solteiro
colocou a espada e a lança na mão
e sem ter de dar contas a ninguém
montando Rocinante com paixão
partiu por aqueles campos além.

São longas histórias do trajecto
com dormidas em casebres bem pobres
imaginando-se sob bom tecto
e crendo comer à mesa dos nobres
falando a sós com muitas fantasias
procurando os moinhos de vento
quais gigantes que eram manias
mais do que isso eram tormento
pois que as suas velas que giravam
eram para Quixote braços compridos
que aos cavaleiros ameaçavam
com seus rodopios e seus grunhidos
o escudeiro Sancho Panza, coitado,
bem procurava o amo acordar
pois não seria um qualquer malvado
mas apenas moinho em seu rodar.
E também em suas mulas dois frades
foram alvo do sonho de Quixote
que picou Rocinante com vontades
de dar aos dois monges um chifarote.
Vinham de preto duas criaturas
pareceram a Quixote malvados
sendo autores das mais negras loucuras
merecendo assim ser castigados.
Teve o escudeiro de acudir
mas mesmo assim acabou tudo mal
pois não foi nada fácil conseguir
convencer que era gente de moral
pelo que Quixote clamou aos gritos
por Dulcinea, flor da formosura
para que o salvasse dos atritos
a si mesmo, o da boa figura.
De tudo que ao fidalgo sucedeu
engenhoso de tristes aventuras
não se daria com qualquer plebeu
por maiores que fossem as bravuras.
Mas aos famosos também o fim chega
p’ra D. Quixote não houve perdão
e o Céu não lhe deu nenhuma achega
dando como finda sua missão
morreu rodeado de alguns amigos
de Sancho Panza e do seu barbeiro
e de outros que correram perigos
sofrendo alguns enganos do guerreiro
a todos confessou naquela hora
no mais belo e puro castelhano
pois devia afirmá-lo sem demora
que o seu nome era Alfonso Quijano
e D. Quixote já não se chamava
odiava histórias profanas
assim como uma atitude brava
com antigas manias espartanas.

Esta a confissão de Miguel Cervantes
depois do seu belo livro terminar
não era possível fazê-lo antes
mas foi uma atitude exemplar

CARNAVAL FOI... CARNAVAL FICA!



Nesta altura em que já passou o período dito festivo do Carnaval e já tirámos todos as máscaras com que disfarçámos o nosso triste semblante de portugueses – isto para generalizar o significado de um período que, no que diz respeito a Lisboa, só se percebeu que não era umaa época igual às outras porque se entendeu criar um feriado que, anos atrás, Cavaco Silva, na qualidade de primeiro-ministro, se deu mal ao querer manter os portugueses no trabalho nesta altura –, agora já é possível falar e escrever sem termos que argumentar com a frase de desculpa “é Carnaval, ninguém leva a mal”.
Sendo assim, vou-me só referir a dois temas, ambos tendo sido chamados às páginas dos jornais na fase carnavalesca: refiro-me aos esplendorosos ordenados que paga a RTP a algumas das suas figuras de maior destaque e, sem vir nada a propósito, a esse não esclarecido problema do Parque Mayer e, por acréscimo, à empresa que tem estado sempre ligada ao assunto - a Bragaparques.
Tendo de estar a televisão suportada pelos dinheiros públicos, logo permanentemente sob o alegado controlo dos cidadãos portugueses, ao ser publicada a lista de pagamentos a vários dos seus funcionários, não pode deixar de provocar um escândalo, moral e social, ficar a saber-se que, por exemplo, um director de informação leva para casa, embora ilíquido, perto de 15 mil euros por mês, além de eventuais ajudas de custo(!), e que, por aí adiante, são dessa ordem os benefícios que recebem umas dúzias de outros empregados da mesma estação televisiva.
Claro que a posição mediática de que algumas dessas figuras beneficiam, sobretudo as que surgem com frequência nos écrans, lhes permite “vender” a imagem e a procura que, por parte de outras estações concorrentes, lhes pode ser proporcionada, permite aumentar o valor que é atribuído a cada caso. Daí as transferências que é vulgar ocorrerem e a RTP não está em condições de fugir dessas mudanças. Mas tudo tem o seu limite e, quando se trata de lidar com fundos que são oriundos do Estado, aí não é lícito que se entre nos jogos das mudanças de apresentadores, sobretudo se estes estiverem sob contrato como funcionários públicos.
O outro tema a que pretendo afluir no dia de hoje é o do arrastamento do caso Parque Mayer, este sim um problema que se pode classificar de carnavalesco, pois os milhões que já se gastaram com a pretensão de aproveitar aquele espaço lisboeta, de que Santana Lopes não tem condições para se desculpar, não podem continuar sob o segredo dos deuses e a arrastar-se a solução respectiva por mais anos. A pena agora aplicada, ao fim de três anos de processo a correr nos tribunais, ao administrador da empresa Bragaparques, com a acusação de corrupção, veio demonstrar que, no nosso País, se está condenado a vermos todos o tempo passar e as situações que são urgentes não encontrarem soluções e a arrastar-se de pais para filhos.
Então não é em regime de carnaval permanente que se vive nesta nossa Terra? Perante isto e tantos outros casos com que deparamos, não é motivo para admitirmos que a "ponte" que foi concedida para alargar o período carnavalesco se prolonga pelo ano inteiro e deixa os portugueses a sonhar com uma rebaldaria permanente?

domingo, 1 de março de 2009

AS QUINAS

I
Em certa manhã de nevoeiro
Vai despertar aqui no País
A esperança de ser feliz
Trazida por um alvissareiro?
II
Em Terra de tantos pacientes
Ainda há fé em epopeias
Pois o sangue que corre nas veias
Vem de outrora, de antigas gentes
III
Por mais que se julgue adormecida
A ânsia do Mostrengo matar
Grande coragem não vai faltar
Sempre se vai dar a acometida
IV
Tanta apagada e vil tristeza
Que é apanágio do Português
Não quererá que um dias, talvez
Ponha à mostra a sua sageza
V
Para os últimos deixarem de ser
P’ra entrarem no comboio perdido
Há que soltar o ar abatido
E sem demora correr, correr
VI
Olhemos aqui para os vizinhos
Esses, doutros tempos, Castelhanos
E honremos os velhos Lusitanos
Seguindo então novos caminhos
VII
Por mais que estejam adormecidos
Mesmo que pouco e mal se lute
Não se há-de perder o azimute
No fim não sairemos vencidos
VIII
Discutir-se-ão muitas opções
Os políticos debitarão
Mas negar, nunca o negarão
Esse mar que nos cantou Camões
IX
Seguro que vai ser necessário
Que a fome nos ataque primeiro
E que se faça um grande berreiro
A lastimar o nosso calvário
X
Mas p’ra atingir tão grato projecto
D’a os da Europa sermos iguais
Só teremos, oh simples mortais
Que rogar ao Supremo Arquitecto



MARCELLO E O COLONIALISMO



Que fazer quando chegamos à conclusão de que nascemos, vivemos e provavelmente vamos morrer num País que temos de considerar como sendo uma Pátria de “nunca jamais” – uma frase que encontrei num diário espanhol e que também é originária de um cidadão descontente com o local onde tem de levar a sua vida?
Faço um esforço quase sobre-humano para tentar consolar-me com o que somos e com o que nos é oferecido assistir neste canto, geograficamente tão bem situado, mas que não tem proporcionado aos seus naturais uma vivência que represente felicidade, já não digo plena mas, no mínimo, aceitável.
Para contraponto de desvarios permanentes que nos são oferecidos, sobretudo nesta fase em que as desgraças superam sem conta as bem-aventuranças, só nos resta refugiar nos feitos de alguns dos nossos antepassados, pois que, quanto a História, não nos podemos queixar demasiado, sobretudo se nos agarrarmos exclusivamente à época dos descobrimentos, limitando aí a ponta de vaidade que nos foi deixada por uma parte dos protagonistas de acções memoráveis. E, chamando à liça, apenas os efeitos e não as causas, quer dizer, sublinhando o que restou da saída das caravelas para o desconhecido sem referir a razão que levou essa gente a abandonar a terra firma para se meter a caminho do obscuro, não podemos deixar de, mesmo passados séculos sobre tais acontecimentos, apelar para os ensinamentos históricos recebidos na escola primária e ficarmos por aí para contrabalançar aquilo que nos é oferecido hoje pelas acções dos homens que têm tomado conta da governação portuguesa.
Na verdade, recordando a fase em que se dizia por cá, emproados pelos feitos de muitos anos atrás, que éramos uma Nação que se espalhara pelos cinco cantos do mundo, nesta altura já nem vale a pena sublinhar esse facto, pois que não fomos capazes de conservar tal característica, não como colonizadores, que fique bem claro, mas sim como povo que conseguiu espalhar uma cultura e uma capacidade mercantil que permitia que um povo, composto apenas por dez milhões de habitantes, tinha conseguido sobressair de uma pequenez de nascença.
Na verdade, olhando agora para o nosso perfil, tenso tido a possibilidade de entrar, ainda que timidamente, na zona da Democracia, fazendo já parte de uma Europa que, também com as suas dificuldades, procura entender-se numa unidade que tarda em ser atingida, sofrendo, como todo o mundo, os efeitos perniciosos de uma crise económica e social que ninguém sabe quando será ultrapassada, não nos podemos gabar de ter atingido uma vivência com uma felicidade mínima conseguida por via da obra dos governantes que, livremente, escolhemos para levarem por diante o futuro que nos é proporcionado.
Não. De mal a pior temos assistido a um desvario das condições de vida dos cidadãos deste País. E ao alargamento, cada vez maior, dos que conseguiram riquezas desmedidas dos que arrastam a sua pobreza sem perspectivas de mudança.
Eu, por mim, continuo a apontar o dedo para um governante que teve nas mãos a possibilidade de dar a volta ao que nos restava da época salazarista: Marcelo Caetano. Ele, se tem tido a coragem e a visão de “correr” com aquela camada de bajuladores do antigo regime e que não permitiram que se tivesse dado a volta de 180 graus ao que constituíam os erros crassos do seu antecessor, especialmente tendo feito os acordos essenciais para acabar com as guerras em África e permitindo que os portugueses que lá tinham feito a sua vida permanecessem como cidadãos correntes nesses lugares, teria sido bem diferente o que ocorreu depois e não estaríamos agora a enfrentar o drama do desemprego que nos abafa completamente as perspectivas de uma vida risonha.
Claro que, aquilo do colonialismo teria desaparecido… e ainda bem. Mas nós teríamos tido a possibilidade de mostrar ao mundo inteiro que não éramos um povo sem capacidade de nos fazermos felizes a nós próprios e aos que se encontravam sob o antigo jugo do malfadado colonialismo.
Que querem os leitores do meu blogue, se hoje me deu para aqui? Para imaginar uma História toda nova e diferente daquilo que nos bateu à porta. Mas calar, isso não me calo!...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

SÓCRATES E O CONGRESSO


A começar por mim!..”, foi esta a frase que saiu da boca de Barack Obama quando, há dias, fez declarações públicas lá na Casa Branca.
Quer dizer, o presidente americano, ao ter feito várias recomendações quanto à forma de vida que as circunstâncias da crise mundial impõem, como sejam as dos cortes de ordenados fabulosos, o fim de gastos sumptuosos públicos que não podem continuar a ser levados a cabo e a mordomias que é forçoso que terminem quanto antes, e não deixando de salientar que essas medidas restritivas seriam aplicadas a si mesmo, Obama colocou-se na posição de se prestar a exemplo para todo o mundo onde a crise tem efeito.
Ora bem, mesmo não podendo comparar o modo de actuar de José Sócrates a nenhum dos chefes de política de países que, tendo povos que vivem miseravelmente, sobretudo em algumas zonas de África e em regiões do petróleo, mesmo assim se comportam, nas áreas supriores, a um nível de fausto que não é moralmente admissível, repito, não podendo honestamente estabelecer esse tipo de equivalência, mesmo assim não é possível deixar de salientar que o Governo actual não tem sido capaz de estabelecer prioridades e de, no capítulo das despesas, e que tenha conseguido distinguir permanentemente o urgente do supérfluo. E isso, sobretudo, nas obras e nas acções que, arrombando os cofres do Estado, bem poderiam ter sido colocadas numa “fila” de espera.
Mas, referindo-me a ele próprio, a Sócrates, nas suas falas públicas, quanto a mim, tem pecado por optimismo inadequado às circunstâncias concretas do nosso País – embora, nesta altura, ao não conseguir fugir aos efeitos da crise que está aí para todos a verem, se mostre um pouco mais moderado -, e não tem sido capaz de usar de uma linguagem que transmita confiança aos cidadãos, aceitando que todos os homens cometem erros e não é por se encontrarem, numa altura determinada, na área da governação que tudo que fazem está livre de equívocos e de opiniões contrárias.
O que tem valido a José Sócrates é que, na área das oposições, não se encontram potenciais governantes que permitam, quando chegar a altura das eleições, optar por outra solução. Na verdade, Portugal está ingovernável neste momento, e não surgiram ainda propostas de outros partidos suficientemente numerosos em filiados, que possam ser considerados opções válidas. Mas isso não pode nem deve constituir uma forma de conformismo. O que se tem é que exigir do chefe do Governo que abandone a sua forma de responder às oposições que fazem o seu dever, que é o de criticar, e que apresente propostas, ele também, sujeitando-se a que os contrários não alinhem nas suas decisões. E dando-lhes razão quando for caso disso.
Vá lá, José Sócrates. Já que não pode fazer muito para que a crise seja ultrapassada, pelo menos actue naquilo que ainda depende da sua acção para melhorar certos vícios que se mantêm no nosso País. A Justiça, por exemplo. Mude de ministro e mostre que está receptivo a que o sistema pode e deve ser modificado. E isso é extremamente urgente. Na Educação, também deixe de mostrar essa amizade doentia com a ministra, e oriente uma forma de ultrapassar as greves dos professores (mesmo que eles não tenham completa razão) e, para além disso, meta mão no caso da Faculdade de Medicina, acabando com essa exigência estúpida de só serem admitidos alunos com notas altíssimas, dando no que agora se verifica da falta enorme de médicos portugueses. Já agora, nas Obras Públicas, dê descanso ao “jamais” que, em termos de imagem, representa a anedota deste Executivo.
E, acima de tudo, acabe com as regalias monetárias que são dadas a todos os fulanos que saem da política e são logo colocados em lugares de administração de empresas dependentes do Estado. Desde que eles sejam devotos seguidores do seu Partido. Esse escândalo não pode continuar.
Isto é apenas um pequeno e fugaz exemplo do que pode fazer nesta fase. Já que está, segundo parece, condenado a manter-se no seu pelouro depois das próximas eleições (isto se não ocorrer nenhum fenómeno inesperado), mude completamente de comportamento. Aceite que tem tido má imagem. E, pelo menos aí, dê mais conforto aos olhos e aos ouvidos dos portugueses.
Não se julgue sempre com razão, porque não existe no mundo quem nunca se engane. Seja flexível e verá, já que, pelos vistos, vamos ter de o manter na governação – isto não é um desejo, mas uma previsão -, que o ambiente no País a seu respeito talvez melhore um pouco.
Este congresso do PS, agora inventado para seu conforto pessoal de se julgar sempre rodeado de maiorias, não veio, em relação aos problemas nacionais, resolver nenhum conflito. E, ainda por cima, mostrou que, para Sócrates, é mais importante ser aplaudido pelos seus seguidores, do que discutir na Europa soluções que interessam a todo um conjunto largo de situações que estão envolvidas pela crise mundial. Por muito que tenha querido justificar-se no final do tal convívio no Norte.
Esta, do Congresso completamente inutil para o País, pode pesar no momento em que os portugueses tiverem de ir às urnas fazer a escolha. Se é que a população ainda ligue o mínimo de importância a estas distracções dos políticos. Pelo menos, quanto a maiorias, será caso para pensar duas vezes!...


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

QUE VEJO?

QUE VEJO ?

Olho e vejo
mas que vejo?
aquilo que não me agrada
fecho os olhos
p’a não ver
mas ficou-me na memória
aquilo que não quero crer
que existe
e que persiste
em não sair da lembrança
parece ser a vingança
de algo que então gostei
e que até mesmo amei
mas que pertence ao passado
a caso ultrapassado
que não é já tema d’hoje
porque foge

Não quero ver nem olhar
e muito menos pensar
naquilo que em tempos foi
e que hoje ainda dói
assunto que já passou
desandou
não quero tê-lo na mente
mas surge-me de repente

E que vou fazer agora?
Sem tempo para demora
o que o destino me traz
e que de mim pouco faz
pois de todo enganou-me
e num golpe embrulhou-me
obrigando-me a ceder
e a nada poder fazer
contra o que em anos passados
seriam amores olvidados
que afinal renasceram?
Enganei-me: não morreram

CENSURA OUTRA VEZ?



Passados já tantos anos sobre aquilo a que eu assisti muitas vezes no tempo da outra senhora, ou seja ao espectáculo arrepiante de ver entrar nas editoras e livrarias uns fulanos, com caras sorumbáticas, que surgiam de rompante e se punham a atirar para um monte no chão as edições que traziam já o encargo de retirar da circulação, mais de três décadas decorridas e, com espanto de todos nós, constatamos que se repetiu esse gesto quando uns agentes da PSP, numa feira do livro em Braga, apreenderam exemplares de uma obra que tem o título “Pornocracia” e na capa reproduz um quadro de Courbet que, por sinal, mostra uma mulher nua em posição bem expressa das suas intimidades.
Seja como for e por menos interessante que possa ser a demonstração de uma capa de um livro, o que está em causa é a acção policial que não pode ficar apenas pela transcrição jornalística do acontecimento. O Ministério Público e a direcção nacional da Polícia têm obrigação de averiguar em profundidade de onde surgiram as instruções para que os agentes tivessem tomado aquela iniciativa, pois não é crível que tudo tivesse surgido por vontade individual de um ou mais polícias que se julgariam com autoridade bastante para actuar daquela forma. Vamos a ver o que surge como explicação. Se é que alguma vez aparecerá!
A propósito deste acontecimento vem-me à memória um episódio passado comigo, quando, em 1957, tendo fundado uma empresa denominada “Mercúrio, Agencia Jornalística e Editorial, Lda.”, me apareceu no local, em Lisboa, um funcionário da Censura, com uma ordem judicial para colocar selos nas instalações e encerrá-las, isso porque, por desconhecimento do notário, a escritura da sociedade ter sido feita e isso não podia acontecer sem antes existir uma autorização daquela maldita instituição, que tudo geria na área das publicações.
O curioso deste facto é que o representante da Censura que vinha com o encargo de fechar as instalações da empresa era, nem mais nem menos, o Luís Pacheco, o que, agora já desaparecido, se transformou mais tarde num autor literário com características particulares de enorme distanciamento das regras de vida tradicionais, sendo um contestatário mediático e oposto ao regime político vigente, bem diferente, portanto, do aprumado funcionário público da Censura, que tinha sido antes.
Mas isto é a vida e o Homem e as circunstâncias continuam a dar razão a Ortega y Gasset, pois que ninguém é dono absoluto de si mesmo e quantas vezes é forçado a fazer aquilo que odeia. No caso da Mercúrio, empresa que marcou uma época, até por ter sido a editora de uma série de livros de bolso, com saída mensal (a Censura não deixou que fosse classificada como revista) com esse título precisamente, publicação essa dedicada à difusão dos melhores contos mundiais, aí o Luís Pacheco mostrou uma grande abertura à solução do problema, tendo conseguido um período para não ser tomada de imediato a decisão drástica e definitiva.
Anos mais tarde, ao recordarmos este acontecimento, à mesa de um café no Rossio, ainda foi meu convidado num pequeno almoço, pois ele fez questão de recordar que ainda estava em jejum!
Coisas da minha vida profissional na área do jornalismo, as tais que bem me têm querido tentar para deixar em livro, mas eu só actuo na área da literatura com os textos que eu pretendo e não com as propostas de outros. Os editores que falem comigo!...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

E DEPOIS?


Sempre há um depois do que agora passa
Alguma coisa de que se suspeita
Ou de que se tem só ideia escassa
Mas que está bem ao pé de nós à espreita

Esse depois assusta muita gente
Pode ser p’ra melhor ou nem por isso
Quem pode saber é só o que sente
Que esta vida é toda um compromisso

Se o depois é tão grande mistério
E se há também quem tal não entenda
Esteja só ou tenha vida a dois

Será bom ver o amanhã a sério
Estar sempre pronto para a contenda
Para não perguntar sempre: e depois?...

TAP/IBERIA


Há tanto tempo que mantenho esta ideia que nem sei se, com o passar dos anos, as circunstâncias ainda se apresentam favoráveis a que seja levada a cabo nesta altura concreta. Refiro-me a uma medida que, não sendo fácil de concretizar, precisamente porque nos encontramos perante uma crise que obriga a enfrentarmos, com todas as nossas forças, as maiores dificuldades, é por isso que teremos que fazer todos os esforços para que o resultado das nossas actuações seja positivo e apontem para melhorias de resultados e economias de meios.
Este preâmbulo pretende alertar os que seguirem este blogue de que as ideias que surgem, às vezes de onde menos se espera – o que não é o meu caso, que me desculpem da imodéstia -, merecem ser analisadas e é para isso que também existem os governos dos países, para ir recolhendo sugestões e não estar sempre convencido que as boas ideias só nascem do interior dos seus umbigos.
Ora bem, sabe-se que as companhias de aviação atravessam um período que também a elas afectou imenso os resultados das operações e, por isso, já uma boa meia dúzia abriu falência ou fundiu-se com parceiras. A TAP, apesar de ter sido bem gerida pelo administrador brasileiro que lá vai defendendo os interesses da companhia portuguesa, mesmo assim não esconde que a situação é difícil e as medidas restritivas que têm sido tomadas são bem a prova de que não se navega no mais tranquilo dos céus.
Eu sei que ainda há muita gente que, apesar das vantagens das uniões para ter mais força, no nosso caso não é generalizada AINDA a ideia de que esta nossa península ibérica está mesmo a pedir que se reúnam as actividades que ofereçam condições para tal e que, no caso das exportações, por exemplo, só teríamos, nós e os espanhóis, vantagens em fazer uma frente comum. Pois, dentro desta ideia, o mais natural é que as duas companhias aéreas nesta ponta da Europa, se formasse uma empresa única, uma TAP/Ibéria por exemplo, o que traria todas as vantagens, económicas e funcionais, no capítulo de transportar de fora para dentro e o contrário, o maior número possível de visitantes que escolham esta vasta zona como destino.
E não seria só o alargamento da funcionalidade e o aumento de destinos que as linhas habituais das duas companhias proporcionariam, mas também uma redução substancial nos custos das representações espalhadas pelo estrangeiro. É que todos os escritórios e lojas, agora separados, das duas empresas aéreas que se situam em muitas cidades estrangeiras para atender os eventuais passageiros, passariam a ser reduzidas a metade, mas não só isso, é que, de igual modo, havendo nessas mesmas cidades e em outras também escritórios tidos como centros de turismo. ao juntar-se a promoção adequada do espaço ibérico, isso permitiria que tal atitude desse ocasião a que, através de um acordo governamental entre Portugal e Espanha, se inaugurassem instalações, então com pompa e circunstância, nesses locais estrangeiros onde o turismo e o comércio externo fossem objecto de um maior campo de actuação, tanto português como espanhol. E bem precisamos todos de conquistar mercados novos para expandir os nossos produtos. O antes ICEP e agora denominado AICEP e que teve e continua a ter como objectivo expandir as nossas exportações, funcionando independentemente dos outros dois objectivos (as vendas de bilhetes de avião e a divulgação turística), não tendo sido até agora e ao longo de muitos anos muito louváveis os resultados,
não tem nenhuma razão para se encontrar colocado à parte e com os respectivos custos acrescidos que essa actividade representa. Só se ganharia se tudo funcionasse num molho de interesses. E nós e espanhóis juntos.
O nosso rei D. Manuel I, ao ter expulso os judeus e criando essa falsa qualidade de gente, denominada “cristãos novos”, o que fez foi deitar fora o que de mais importante existia nessa altura e que era o espírito empreendedor de que veio a beneficiar e muito, por exemplo Amesterdão, onde se instalaram os judeus de que ali continuam os descendentes e em que se vê ainda hoje, sobretudo nas placas dos médicos, inscrições como Moysés Silva e outros bem esclarecedores do acontecimento, se cá têm ficado, o que não teria sido a nossa colonização e o nosso domínio comercial em todo o mundo! Nós a descobrirmos e eles, também portugueses, a expandir os nossos produtos… imagine-se!...
Parece tudo um sonho, pois parece. Mas o que tem constituído um ressonar profundo das forças governamentais que têm passado pelo poder é não ter nunca surgido uma cabeça capaz de enfrentar esta situação. É por essas e por outras que, tendo tido sempre grandes amigos nessa zona da política, nunca os levei a sério e não encontrei nenhuma fartura no capítulo das ideias.
Se calhar, se se propusesse aos nossos vizinhos de Espanha esta nova forma de fortalecermos a nossa Ibéria e de nos pormos a expandir por esse mundo fora o que produzimos os dois, talvez a ideia fosse acolhida com entusiasmo. O pior é que não se vislumbra nos horizontes políticos quem tenha capacidade para, ao menos, experimentar.
Eu, no mínimo, tenho tido pela vida fora ideias. Para quê?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

INICIATIVAS



É bom que não nos quedemos satisfeitos com o que temos e que procuremos aumentar e melhorar o que constitui um progresso nas nossas iniciativas. Mas, é evidente que temos de levar em atenção as circunstâncias que nos rodeiam, analisando cuidadosamente se o esforço que vamos despender em qualquer inovação se coaduna com o ambiente que nos rodeia, e isso para que não estejamos a gastar energias em pura perda e fora do momento ideal para o fazer.
Será o que acontece com os planos que o Governo que nos rege faz questão em levar por diante, como sejam o TGV, as auto-estradas e o aeroporto de Lisboa que se anunciam, iniciativas essas que, sem dúvida, só podem trazer benefício para as populações, mas que, face às dificuldades económicas, financeiras e sociais que se atravessam neste momento, não são recomendáveis que se levem avante justamente agora, sendo aconselhável aguardar por período mais adequado logo que as circunstâncias da crise que se enfrenta sejam ultrapassadas. É que, para além do mais, meter ombros neste momento a tão dispendiosas iniciativas irá sobrecarregar os vindouros com encargos que só serão admissíveis se conseguirmos, em primeiro lugar, deixar os cofres públicos suficientemente nutridos e existir um desafogo financeiro que permita, desde o início das obras respectivas, contribuir com o que estiver ao nosso alcance para aliviar as dívidas futuras. Isto, no que diz respeito às obras que dizem respeito ao sector público, pois, por mais iniciativas que queiram os governantes actuais mostrar, especialmente tendo os olhos postos nas eleições que se aproximam, não é uma atitude louvável que, como testamento político, se entregue aos que vierem a tomar conta do Poder daqui a alguns anos, a dor de cabeça de enfrentarem compromissos que os anteriores governantes tomaram, ao que parece para ficarem bem vistos no decorrer da sua actuação pública.
Mas, fala-se agora muito e isso, em parte, na área privada, na abertura do quinto canal televisivo. É natural que os profissionais da comunicação relacionada com a televisão aspirem ter mais veículos de actividade e, dentro deste ponto de vista, façam esforços para alargar o terreno da sua actuação. Daí a “guerra” que se está a levantar para a criação daquele novo meio televisivo, como também se compreende que a TVI esteja a actuar no sentido de surgir o novo TVI24.
Não é preciso ser um conhecedor profundo da matéria para não ter dúvidas de que o meio de sustento dos canais é, acima de tudo, a publicidade. E, perante a realidade que se defronta, em que esta receita baixou, nos últimos tempos, 20 por cento e as previsões são que ainda se reduzirá mais nos próximos tempos, para não falar das condições de ofertas extraordinárias que se praticam nesta altura para seduzir os anunciantes, também aqui, neste sector, se aconselha que haja bom senso e que, para além do benefício que o público pode obter com o aumento de oferta televisiva, não será agradável assistir aos cortes posteriores de despesas, o que se traduzirá em diminuição de qualidade nas emissões produzidas.
Mas, tudo bem e até será desejável que os investimentos privados não paralisem, desde que os bolsos dos contribuintes não venham a sofrer mais tarde com os desvarios daqueles que querem fazer mais e melhor. O que é preciso é nunca deixar de levar em conta aquilo a que me refiro acima: as circunstâncias desfavoráveis que se vivem na altura das iniciativas precipitadas. No fundo, há sempre que pôr nos pratos da balança os dois dilemas - o não fazer nada ou o fazer alguma coisa, ainda que mal!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

CALADO

Ter que fazer
não ser capaz
nem querer morrer
sem deixar p’ra trás
obra aceitável
para recordar
ser memorável
não ser vulgar

Mas e o génio?
bem que o procuro
qual oxigénio
em túnel escuro
se não o alcanço
fica por fazer
não terei descanso
sem desfalecer
até conseguir
antes de partir

Só os papéis
manuscritos no café
esforços cruéis
de quem faz finca-pé
em não ser um qualquer
quem cá ficar que diga
o que lhe aprouver
pois ninguém é obrigado
a manter esta luta
e se calhar é calado
que é a melhor conduta
dizer alto é vergonha
de se ficar a saber
o que cada um sonha
e, sem o conseguir… morrer

AINDA QUE...

Nesta vida a esperança tem de ser
Aquilo que sempre faz renascer
A desejada luz que alumia
Aquele que para muitos faz de guia

Ainda que as nuvens se acinzentem
E que as más sortes se movimentem
Contra tu que anseias p’la fortuna
Nem tudo é intransponível duna

Ainda que percas todo o negócio
Que as relações se azedem com o sócio
Que seja preciso mudar de vida
Haverá outro ponto de partida

Ainda que a saúde dê de si
E sintas que o mundo não te sorri
Apesar disso há que acreditar
Que a cura p’ra doença vai chegar

Ainda que um amigo te magoe
Deixe de ser p’ra ti aquele herói
Por muito que te faça indignar
Vale sempre a pena perdoar

Ainda que a família vá morrendo
Que os amigos vão desaparecendo
E a solidão te deixe abatido
Ainda assim nem tudo está perdido

É duro golpe para um só mortal
É como cravar no peito um punhal
Mas mesmo que todo o mal aconteça
É preciso levantar a cabeça
Pô-la a comandar o coração
E seguir firme noutra direcção

Tudo tem remédio neste mundo
Puxando p’ra cima o que está no fundo
Não deixando que haja sempre um se
E dando razão ao ainda que



domingo, 22 de fevereiro de 2009

CARNAVAL


Deparamos, mais uma vez, com um período de Carnaval. E, como a terça-feira gorda se situa exactamente naquele dia que dá enorme jeito para ser constituída a chamada “ponte”, ou seja a ocupação de quatro dias em que o trabalho nacional é suspenso e aproveitado para umas feriazitas ou, no mínimo, um intervalo nos afazeres profissionais de muita gente considerada trabalhadora, claro que os poderes executivos, especialmente numa época em que é preciso construir uma imagem de simpatia na população (aproxima-se a passos largos uma temporada de eleições), são os primeiros a estipular a dispensa de ponto na classe dos funcionários públicos, o que quer dizer que o sector do empresariado privado não quer ficar mal visto e segue as pisadas oficiais.
Ora bem, é verdade que se, por um lado, à falta de empregos para ocupar tanta gente que não consegue trabalho está cada vez mais evidente, o que as paralisações de actividade só facilitam a possibilidade de aumentar a necessidade de mão-de-obra, por outro lado, essas paragens com a obrigação de sustentar os pagamentos dos salários representam um custo que tem de ser suportado numa altura de dificuldades.
De igual modo, a oferta das tais “pontes” dá a possibilidade de, os que se podem aproveitar dos descansos artificiais criados, poderem dar largas ao desejo de efectuar umas saídas dos seus poisos habituais, fazendo gastos que estarão em condições de suportar, ou criando as dívidas que se instalaram nos hábitos dos portugueses, esses, que são ainda muitos, que não pararam ainda para realizar que vivemos num País pobre e que, agora sim, é que vinha a propósito o lema salazarista do “produzir e poupar”.
O que eu pretendo dizer com este comentário é que não concluo em definitivo se se trata de uma medida realista (para além da imagem simpática que o Sócrates pretende criar) inventar “pontes” numa época difícil como esta que atravessamos, ou se, pelo contrário, seria mais aconselhável propagar na população a ideia de que precisamos de produzir o mais possível e que será por essa via que haverá a possibilidade de serem criados mais locais para trabalhar, logo de diminuição do arrepiante desemprego.
Eu sei que, como já tive ocasião de deixar expresso nestes meus blogues, sou contra as datas festivas estabelecidas pelo calendário. Não me adapto à obrigatoriedade de cumprir um Natal, uma Páscoa, um Carnaval, um dia disto ou daquilo, seguindo costumes de alegria – ou mesmo de tristeza – e modos de comportamento que são estabelecidas por acontecimentos passados. Mas isso sou eu, que reconheço não alinhar com a vontade das maiorias, pelo menos nisto.
Mas, não levar em linha de conta as circunstâncias que se atravessam num período estabelecido e contribuir para que as atitudes recomendadas pelo bom senso sejam postas de lado, não se sendo capaz de apelar para a verdade e, esclarecendo as massas dos cidadãos, não ter a coragem de fazer o melhor, é o que ocorre em Portugal a cada momento, e, encolhendo os ombros, continuarmos a dizer aquilo que nos sai sempre pela boca fora: “é isto o País que temos!...”
Ao fim e ao cabo, também não é por aproveitarmos o Carnaval para uma paragem (ou mais uma) que vem mal ao mundo. O grave, isso sim, é que não há forma de se conseguir meter na cabeça desta povo que teremos de ser nós próprios a arregaçar as mangas e, seja qual for a profissão que exerçamos, fazermos sempre o nosso melhor, sejamos simples cidadãos ou sentemo-nos no poder… sobretudo aÍ, onde as caraças são mais assustadoras!