sábado, 21 de março de 2009

OS PÁSSAROS


O céu sem aves não seria céu
Azul, com nuvens e sol a brilhar
Faltava-lhe vida, qual mausoléu
De silêncio, ausente do piar

Os pássaros são vida que remexe
Que fazem companhia aos isolados
Cruzando os ares em belo feixe
Fazendo os seus ninhos nos silvados

À solta e em plena liberdade
Chilreando felizes com a vida
Ignorantes do que é o mundo cão

Isso tem de ser a felicidade
Já que não precisam doutra guarida
Porque pássaros em gaiolas, não !

sexta-feira, 20 de março de 2009

MAIS UM PENSAMENTO

Há locais, onde se produz obra literária,
que desenvolvem mais imaginação do que outros, completamente áridos.
Tenho andado em busca desses sítios, na ânsia da mesma e do génio, mas se encontro uma falta-me o outro.
Os dois sem simultâneo é que ainda não me surgiram.
Chegarão a tempo?

É UMA ALEGRIA!...



Não tenho, propositadamente, tocado no tema Manuel Alegre para não deitar achas para uma fogueira que tem andado a fumegar no panorama político nacional e que, de uma forma particular, atinge especialmente o secretário-geral do Partido Socialista e, por via disso, o próprio Governo sob sua conduta.
Havia que ver como a situação evoluía e, da minha parte, com o conhecimento que tenho do antigo refugiado na Argélia, altura em que eu tanto acompanhei essa deslocação por via da correspondência assídua que mantinha com o seu companheiro de fuga política, Fernando Piteira Santos, como já me referi, tempos atrás, neste mesmo blogue, em que, pelo facto de ter interferido para o esconder quando, dias antes da sua fuga para o Algarve, me pediu para o ajudar nessa difícil missão, pois tinha a PIDE a persegui-lo, a nossa antiga amizade e essa acção proporcionou que mantivéssemos uma correspondência assídua, via Paris, onde existia uma pessoa que encaminhava as nossas cartas, a sua e a minha, nos dois sentidos, pois por essa via e com esse acompanhamento da personalidade da figura preponderante no PS, Alegre, e também porque acolhi as suas crónicas regulares no semanário que eu dirigia, “o País”, tenho, em relação a ele, uma opinião das suas características, o que, de certo modo, ajuda a compreender a posição que tem tomado no Parlamento e como figura notória dentro do partido em que está integrado.
No que diz respeito a José Sócrates, quanto a este político o meu conhecimento da sua formação é bastante mais reduzida, primeiro porque não se trata de um lutador do passado pela mudança do regime existente e depois porque o seu comportamento, na qualidade de chefe de um Executivo, não tem proporcionado entender com alguma profundidade qual a inclinação esquerda/direita que orienta os seus passos. Confesso que me sinto, por vezes, confundido quanto à direcção que esta figura política sustenta nos seus actos de governação, embora, nesta fase de crise profunda que obriga a atitudes que, por vezes, impõem desvios de inclinações partidárias, mesmo assim, alguma coerência poderia existir e as explicações públicas são sempre úteis para isso mesmo, para justificar certas medidas que estarão em desacordo com tomadas de posição que podem parecer contrárias aos princípios seguidos na base pelo seu partido político. Tudo isso, para além de não ser este exactamente o momento que atravessamos o mais adequado para andarmos a discutir posições de esquerda ou de direita, dado que o essencial é conseguirmos vencer o que nos aflige bem no fundo.
Por outro lado, não deixo de expressar a minha opinião no que diz respeito à atitude pouco entendível que Manuel Alegre tem seguido, porque estar em desacordo com tomadas de posições do seu partido nesta altura difícil do País e do mundo é atitude que se compreende, mas manda a verticalidade que se seja claro e que se apontem as discordâncias com absoluta responsabilidade e sem ferir o conjunto da organização partidária a que pertence. A revista “OPS”, de que saiu agora o terceiro número e de que é líder Alegre, refere-se concretamente à corrupção e à promiscuidade que grassa entre os partidos políticos, nas autarquias, no próprio Estado e no mundo empresarial, em que a falta de regras legais claras não põem fim a tamanha pouca vergonha, e essa mansidão, afirma, é a grande culpada do que ocorre e daí o contestatário socialista acusar ainda Sócrates de não ter coragem para enfrentar o problema, não escondendo o seu desacordo quanto a estar o Estado a injectar milhares de milhões na banca, “quando cresce o número de desempregados e sobretudo quando é preciso dinheiro para iniciativas sociais urgentes”. E isso para não falar já na distracção no que se refere a não serem tomadas medidas severas contra as impunidades que se verificam nas múltiplas acções corruptas sobretudo na zona financeira que, assim como as protecções que são dadas na área dos combustíveis, na empresa pública de electricidade que mantém os preços maiores da Europa sem que tal incomode os governantes, todo esse conjunto e muitas outras situações que mereciam terem sido tratadas já por quem tem obrigação de cuidar de todas as situações criticáveis e não o foram. Se esse mal-estar indicado agora na publicação “OPS”, conta, julgo eu, com o aplauso de um grande número de portugueses, o que, em minha opinião, se impunha era que o descontente em causa viesse a lume público dar nota das suas opiniões, em vez de criar dentro do seu próprio Partido uma separação que não conduz a uma solução positiva.
Eu tenho estado em completo desacordo com a arrogância e o excesso de apreço pelo próprio umbigo de que o actual primeiro-ministro tem dado excessivas provas. A falta de humildade afasta-me do seu caminho. Mas, ao não ver no horizonte, outra estrada para desembaraçar Portugal do clima austero em que se encontra, isso obriga-me a suportar quem, noutras circunstâncias, já teria sido alvo do meu ataque sem tréguas. Mas a vida é assim…

quinta-feira, 19 de março de 2009

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Quem escreve terá sempre, julgo eu, a ideia de que, um dia, surgirá a obra-prima.
É como quem joga na lotaria; de tantas vezes tentar, alguma vez lhe poderá caber um prémio grande. Pelo menos, essa esperança vai-se mantendo.
E é bom que assim seja.
Se a perfeição, o sublime, o inédito, o belo é um objectivo que só alguns alcançam, o sustentar a ideia de que, numa certa altura, pode surgir a inspiração, quem se dedica à escrita ou a qualquer das outras produções artísticas, tem de alimentar esse sonho que é, quase sempre, o sustentáculo do esforço que não pode faltar para se caminhar para atingir o objectivo.
Vale sempre a pena a tentativa e a teimosia em lutar contra a não comparência do génio. Desistir é que nunca!
Poderá a obra produzida não ser a tal, não corresponder ao desejado, não ser ainda dessa vez que saia senão a sombra do que se terá sonhado.
Se assim é, o rasgar e o não prosseguir na caminhada, o não escrever outra vez, o não pintar por cima, o não emendar a pauta serão atitudes compreensíveis, mas não constituem as ideias.
No capítulo da escrita, escrever, não ficar satisfeito mas, em lugar de destruir conservar para, noutra altura, voltar a pegar no trabalho, talvez seja esta a melhor atitude.
Porém, não há regras. Se as houvesse!...


PENSAMENTOS MEUS

Antes de entrares em conflito com um próximo deverás tentar solucionar essa contrariedade dentro de ti mesmo

MARÇO, O MEU MÊS (19)

Que viva Março, que viva !
Da Primavera e das flores
Esse mês que nos cativa
Do perfume e dos amores
O mês da iniciativa

Por lá nasci e fiquei
Marcado para o futuro
Tanto amei e desamei
E me transformei num duro
E por mim eu cá cheguei

Mês dos Peixes, diz quem sabe,
Quem crê na Astrologia
Nos seus dias tudo cabe
Muita tristeza, alegria,
Mesmo que o mundo desabe

As rosas do meu jardim
Começam a despontar
Em Março, mês do jasmim,
Que tão bem cheira ao luar
E eu, disso, falo por mim

Mesmo descrente no tema
Não sendo dele um fiel
Sempre dedico um poema
Que deixo neste papel
A Março, por estratagema

COMUNIDADE IBÉRICA



Por mais que eu evite tocar excessivamente no assunto que tem atraído a minha atenção ao longo dos anos e até poderei afirmá-lo, sem complexos, que, desde há mais de meio século que tenho este tema sob a maior atenção, não posso deixar passar em branco o que a comunicação social divulgou agora quanto a estar a Espanha a doutorar professores destinadas a instituições do ensino superior português, dada a escassez de programas de doutoramento para certas áreas de estudo no nosso mercado.
Existe uma certa dificuldade entre nós em arranjar lugares de acesso para alunos em programas de doutoramento, sobretudo no ensino politécnico, pelo que esta medida teve de ser encarada com urgência, ao mesmo tempo que muitos docentes nacionais têm de se deslocar aos seminários que decorrem para lá das fronteiras. É que o novo regime jurídico do nosso ensino superior, de 2008, obriga as universidades a terem mais de 50% do seu corpo docente com o grau de doutor.
Isto quer dizer que, mesmo contrariando aquela gente portuguesa que ainda mostra algum enjoo ao facto de necessitarmos cada vez mais da comparticipação dos nossos vizinhos ibéricos (não agora em crise, mas logo que seja viável), a verdade tem vindo a mostrar, e cada vez mais, a indispensabilidade de unirmos forças neste bloco na ponta ocidental da Europa por forma a criarmos uma força, em área, população, posição geográfica e entendimento linguístico, que permitem que termine de vez a divisão que só tem servido para o Continente a que pertencemos se vangloriar com a inexistência de um agrupamento nacional que possa fazer frente aos que se têm, ao longo da História, mostrado sempre como mais importantes. Refiro-me à França, Alemanha e Grã-Bretanha.
Ao longo dos séculos passados e desde sempre existiu uma certa influência da intriga de maneira a que nunca tivesse sido possível criar um entendimento, sobretudo económico e social, que pusesse os dois países peninsulares em comunhão de interesses. Isso não agradava, de forma alguma, aos parceiros europeus. E nem os relacionamentos familiares que tiveram lugar entre a monarquia espanhola e portuguesa, nem isso foi favorável a tal conjunção de conveniências, isso, claro, na situação actual, sem que cada um perca as suas origens, as suas raízes, as posições emblemáticas e até políticas que distinguem as nações. Países com mais de um idioma existem neste nosso Continente e nem por isso deixam de ser independentes e autónomos nas suas populações. E hoje, até com a mesma moeda, e aceitando princípios que são comuns, não deixando morrer as suas próprias tradições, até as gastronómicas, respeitam bandeiras diferentes, têm as suas próprias autonomias políticas, mas honram-se por pertencerem ao mesmo grupo nacional.
Um dia isso sucederá por cá, como já tanto se fala na candidatura ibérica em relação ao Mundial de futebol em 2018, cujo registo já foi aceite pela FIFA. É o que eu vaticino em relação ao futuro. Agora, com a crise que atacou todos por igual, não é a altura ideal para mexermos no que se vai arrastando, mas, no momento em que se começar a vislumbrar uma saída desse martírio, quem estiver na cadeira do poder logo verá se não é mais viável e mais forte fazer uma caminhada em parceria, na conquista de mercados e na imposição dos nossos interesses com um tamanho muito mais expressivo, ou se valerá a pena andarmos a esticar o pescoço e a cantar de galo, sem que ninguém nos oiça e nos ligue a mais ínfima importância por esse mundo fora. O problema reside aqui e sem o mais pequeno complexo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

PENSAMENTOS MEUS

Faz só aquilo que amas e serás feliz.
E quantos são os que só se entregam ao trabalho que não constitui apenas uma obrigação?
E será que é vulgar encontrar quem saiba do que é que gosta?
Também existe alguma felicidade em não saber o que verdadeiramente se ama?


A frase é conhecida. Não custa nada dizê-la.
“Amarás o próximo como a ti mesmo”
Mas se não te amas a ti?

MÁRINHO!...



A idade e a sabedoria acumulada pelo exercício da experiência colhida têm feito de Mário Soares uma personalidade que, os que o conhecem desde tempos remotos, os que conviveram com ele nas alturas da outra senhora, os que não é apenas pelo contacto eventual que ocorreu em determinada altura que têm alguma noção do que é o Homem que, hoje, com mais de 80 anos, ainda dá a conhecer os seus pensamentos, todos esses não podem deixar de admirar a sua capacidade de discernir sobre o que ocorre no nosso País e o que pode ainda vir a passar-se por cá, entre portas.
Eu, que sempre que me chega às mãos um escrito do antigo emigrante político, do participante activo das ocorrências logo após o 25 de Abril, do primeiro-ministro que foi alvo de algumas controvérsias pela ligeireza que demonstrava, aqui e ali, nas soluções dos problemas políticas e do Presidente da República que deu mostras da sua já posição de Estado e que conseguiu acomodar-se aos parceiros do seu partido e às oposições que faziam o seu papel, eu, que não deixo de procurar estar ao corrente das posições que toma Mário Soares, também agora que se situa numa situação de reserva de opinião, pois saboreio nesta altura, com acordos e desacordos, o que sai da pena do antigo secretário-geral do P.S. nos textos semanais do Diário de Notícias. E o que tive ocasião de apreciar ontem mostra que os seus 83 anos não pesam desfavoravelmente na cabeça do viciado da política.
Mas, digo isto porquê? Porque, em certa medida, nota-se uma certa equivalência entre aquilo que Soares pensa e o que eu tenho escrito nos meus blogues. Isso, no que se refere à apreciação do que tem sido feito por este Governo e, no essencial, por José Sócrates.
É óbvio que o antigo dirigente socialista não poderia pôr-se a discordar completamente com a maneira de actuar dos actuais governantes, mas não deixa de ser claro quando afirma que, sobretudo face à manifestação de protesto que ocorreu na sexta-feira passada, o Executivo deve ouvir com atenção e ponderar a indignação das pessoas, que vai crescer “não tenhamos dúvidas” e debater os fenómenos, as suas causas e consequências com os responsáveis dos partidos, em ambiente discreto. Para saber o que sentem as pessoas mais afectadas pela crise.
E não escondeu Mário Soares que não basta fazer uma viragem à esquerda no discurso político, mas torna-se necessário chegar às pessoas, aos desempregados, aos que estão em desespero com a falta de perspectivas e com os horizontes completamente fechados. E acrescenta: pondere-se nisso!
Mário Soares não esconde os conselhos e recorda que o diálogo é a maior forma de fazer acordos e de satisfazer contrariedades. Ora, isso é o mais tem faltado a este Executivo de Sócrates, figura que mostra sempre, pelo seu estilo de comunicar, que a razão pertence-lhe em absoluto, que não existem erros e enganos nas suas acções, que são os outros que estão enganados. Em vez de se penitenciar pelos maus passos e as más palavras que são originários do seu grupo governamental, o único que sabe dizer é que todos os demais navegam por mares errados.
Se, na actual vigência governativa, gozou da maioria absoluta e não a tem sabido utilizar, na próxima parada de governação, em que, atrevo-me eu a afirmar, não contará com tal regalia, vai ser o bom e o bonito.
Ou talvez, sujeito a acordos, a coisa possa correr melhor. Quem sabe?

terça-feira, 17 de março de 2009

RETRATO

Já com muitos anos e bem maduros
alto, olhos verdes, fundo alourado
óculos sempre postos e seguros
barbicha branca e escura, tudo apurado

Olhar profundo p’ra ver bem na alma
dos outros com quem tem de conviver
parco nas palavras, pedindo calma
com pressa na vida até morrer

Esperando ter tempo p’ra deixar
algo de importante p’ro futuro
mas sem fé de alcançar o patamar

Eis-me aqui, eu José, vendo o muro
que muito me esforço para saltar
mas sem conseguir, eu me esconjuro

OPINIÕES


Ao ter tomado conhecimento de que um cantor português, independentemente do valor que lhe encontram os seus intransigente fãs, ao ter apresentado um espectáculo no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, com cerca de dezasseis mil espectadores, no final da sua actuação esteve a dar autógrafos até às seis horas da manhã, pois a fila de admiradores era quilométrica, ao inteirar-me que existem portugueses que, precisamente nesta altura da nossa vida, têm a capacidade para se submeterem ao prazer que sentirão de se chegar ao pé do ídolo para o ver de perto e receber uma assinatura num papel, tenho de concluir que, de facto, existem factores que condicionam o comportamento das gentes e que, pondo todas as dificuldades de parte, considerando-as, julgo eu, de somenos importância, são capazes de atribuir como a coisa mais importante nessa altura que é o entregarem-se com paixão a um ser que, para eles, tem de ser a coisa mais bela do mundo.
E, como a notícia que assinala esse acontecimento refere que, entre a multidão, se encontravam figuras conhecidas pelo seu estatuto de saliência no ambiente nacional, tais como o médico José Maria Tallon, a produtora Teresa Guilherme, o cantor Pedro Abrunhosa e a jornalista Maria Elisa, entre outros, perante este leque de personalidades que entregaram o seu tempo a conviver com um “feito” desta monta, não posso, honestamente, deixar de considerar que a minha admiração não tem razão de ser. Que sou eu que ando enganado cá neste mundo.
Quer dizer, esta sessão de autógrafos de Tony Carreira – pois que é ela a figura em referência -, que ocorreu na véspera da manifestação de cerca de 200 mil sindicalistas que ocupou Lisboa, teve também o mérito de, uns na rua e outros subordinados ao espaço facultado pelo número limitado de lugares na casa de espectáculos onde se realizou o concerto, juntar a multidão respectiva para gritar por uma causa. No fundo, são tudo pessoas que, cada qual com a sua dedicação, se deslocam para participar num feito que consideram digno de ser distinguido.
Não vou, claro, dar a minha opinião, absolutamente pessoal, quanto às qualidades que encontro ou não no cantor Tony Carreira. Cada um aprecia o que entende ser da sua preferência. E isso não se pode discutir.
Eu, neste meu singelo blogue, limito-me a dar mostras da minha surpresa ao tomar conhecimento de que as populações, quando têm ocasião para se reunir em redor de um motivo que lhes agrada ou que lhes convém (há de tudo), não perdem ocasião para se manifestar em grupo. É como o reclamar com parceiros em redor, mas ficar caladinho quando não tem mais ninguém que o acompanhe, isso é que é mais difícil.
O Homem tem destas coisas!...

segunda-feira, 16 de março de 2009

JUNTAS DE FREGUESIA



Há tanta coisa que falta fazer neste País e nem todas requerem investimentos custosos que estão, nesta altura, fora das nossas possibilidade, que nos perguntamos, nós os que pomos a funcionar a nossa cabeça e não a usamos apenas para nos pentearmos, que somos levados a pensar naquilo que talvez fizéssemos se estivéssemos no lugar daqueles senhores do Poder, que, usando a expressão bem portuguesa, até nos mete raiva que os governos sucessivos que, desde 1974, ocuparam o lugar cimeiro, incluindo este que se encontra em preparação para lá ficar mais uma temporada, não tivessem dado mostras de caminhar por áreas que estão mesmo a pedir que se lhes preste atenção.
Uma das actuações que merece ser focada, quanto mais não seja neste blogue, que tem pretensões em acertar em cheio nas questões que mais afectam os naturais desta Pátria, é a utilização que deveria ser dada às Juntas de Freguesia espalhadas por esse País fora (e que são, precisamente, 4.295) e que, no capítulo dos movimentos eleitorais, recebem a menor importância dos partidos políticos. E é ou não é verdade que são precisamente essas pequenas repartições que contactam mais directamente com os cidadãos, conhecendo-os um a um – pelo menos devem fazê-lo – e sabendo em pormenor a sua forma de viver e as dificuldades ou as abastanças que gozam ao longo da sua existência?
Pois, um presidente de Junta competente não tem de se resguardar atrás da sua secretária e, pelo contrário, tem obrigação de visitar os moradores nas suas residências, de oferecer o seu auxílio naquilo que estiver dentro das suas atribuições e, para além disso, obter informações de viva voz quanto à forma de vida de cada família. É essa a maneira de dar mostras da sua existência e, acima de tudo, da sua utilidade.
Quando isso não se verifica, até por serem algumas freguesias demasiado extensas, pelo menos a presença da Junta deve dar-se a conhecer através de contactos escritos e ganha muito em proporcionar a visita dos moradores na área sempre e quando tenham algum problema a apresentar.
Infelizmente, é sabido, não são muitos presidentes de Junta de Freguesia que procedem desta forma e eu, por exemplo, que resido há mais de 40 anos em Campo de Ourique, pertencendo à Junta de Santo Condestável, nunca vi a cara do homem que se encontra (e nem sei se tem sido o mesmo desde o 25 de Abril) a presidir àquela repartição. E é uma pena, porque tenho a convicção que poderia ser de alguma utilidade em favor do bem-estar de bastantes moradores nesta área. Sobretudo com propostas ligadas à área cultural e no capítulo de criar um movimento que leve a Câmara Municipal a efectuar a experiência de não calcetar os passeios deste bairro, todo ele sempre a direito, sem subidas nem descidas, não com o empedrado à portuguesa mas com placas a imitar esses desenhos lisboetas, evitando, dessa forma, a má visão dos calceteiros de cócoras e a preços elevadíssimos com os salários e sobretudo com a demora nos trabalhos, para além dos buracos permanentes que existem pelo levantamento permanente de pedras que se soltam.
Mas não é isto que vem agora à colação, mas sim o contacto quase familiar do presidente das juntas com os residentes em cada área respectiva.
Claro que cá estou eu, mais uma vez, a pregar aos peixes. Mas pode ser que, lá para o século que vem, alguém se lembre que existiu um morador na rua Ferreira Borges, que não se resumia a escrever blogues.

domingo, 15 de março de 2009

Já nem sei onde ouvi este princípio que me ficou para a totalidade da minha existência e que recordo a cada passo:
Há duas coisas que se podem considerar inesgotáveis na nossa vida – o Universo e a ignorância.
O primeiro é algo com que temos de nos conformar, até ao momento em que a ciência consiga dar resposta a essa verdadeira interrogação.
Mas a segunda, essa, enquanto existir um ser humano, não haverá quem aceite, em pleno, que o saber tudo é coisa que não se conseguirá nunca

2OO.OOO NA RUA A PROTESTAR



A manifestação que, organizada pela CGTP, conseguiu juntar no sábado passado, ontem portanto, segundo parece, cerca de 200 mil “protestadores” contra a actuação do Governo de José Sócrates, o que provocou o maior confusão no tráfego da capital, sobretudo na avenida da Liberdade e ruas transversais, não causou, no entanto, no ambiente governamental, aquela preocupação que seria de esperar, apesar de ter sido bem exposta nos órgãos de comunicação social.
Com excepção do ministro Santos Silva, que é a figura que tem sempre a seu cargo a defesa das acções do Executivo socratista e que, a seu modo, algumas vezes grotesco, salta com frequência para o ataque às forças políticas adversárias, essa figura, no programa da SIC feito em comunhão com o “Expresso”, lá mostrou alguma coisa tida como explicação quanto a essa gigantesca manifestação popular ou lá o que era.
O que parece que ficou evidente é que aquela caminhada de gente que gritou todo o tempo, tinha um adversário concreto: José Sócrates. As bandeiras e frases exibidas tinham, quase todas, um alvo explícito: o nome e até a cara do primeiro-ministro, apontado como o culpado maior da situação aflita que se vive em muitas classe populares, com particular destaque para o desemprego que grassa de Norte a Sul de Portugal. Isso ficou claro.
Embora eu sempre tenha sido desfavorável a todos os tipos de aglomerações de criaturas que pretendem clamar em uníssono frases feitas por outros para expor o seu descontentamento perante alguma coisa que não lhes agrada, visto não ser desta forma que se resolvem os problemas, dado que é à mesa das negociações, entre gente civilizada e disposta a aceitar as opiniões dos outros, quando são melhores do que as suas, que se podem chegar a acordos satisfatórios, pois, apesar desse ponto de vista que defendo, face ao estado a que chegaram as coisas perante um Governo maioritário que teve, mesmo que com as dificuldades encontradas – temos que as aceitar -, algumas oportunidades para ultrapassar problemas pesados, a verdade é que deixou agravar demasiado as situações, chegando-se ao ponto de terem sido criadas as condições para se verificar esta soltura de gente a clamar por justiça, tal como as que tiveram lugar com o caso dos professores, que já seria uma derradeira forma de mostrar que as coisas não podiam continuar como estavam e havia que as solucionar, ainda que com o desacordo explícito - dos governantes
A verdade, porém, é que o Partido Socialista, com um secretário-geral e, por via disso, também chefe do Executivo, não tem sabido satisfazer também as opiniões favoráveis da totalidade dos seus militantes, o que ocasionou até que um grupo de altos representantes do seu grupo, no qual se destaca Manuel Alegre, não tivesse conseguido disfarçar a sua discordância com determinadas atitudes que têm sido tomadas com origem no largo do Rato.
Ocorrendo tudo isto no mesmo ano em que se realizarão no nosso País as eleições que colocarão em lugares de importância política elementos oriundos dos partidos concorrentes, não pode José Sócrates andar conformado com a sua actuação, por muito que pretenda afastar-se em viagens tidas como políticas por países que não apresentam, nesta altura, motivo de urgência de maior. O que se impunha era tentar formas de solucionar as questões internas de extrema gravidade que ocorrem no nosso País.
Eu, por mim, já cheguei à conclusão de que, perante os comportamentos â que se tem assistido, os resultados eleitorais, no que se refere à Assembleia da República, portanto à posse no Governo seguinte, não retirarão ao PS o seu lugar de comando, mas, no que diz respeito a maiorias, essa posição é que não parece poder verificar-se de novo, pelo que as circunstâncias se apresentarão bem diferentes daquilo que até agora tem existido.
Corro um risco atrevido com esta afirmação, mas apenas me fio no, apesar de tudo, certo bom senso do ser humano, da população, dessa que, apesar dos desvarios que o Homem provoca com as suas ambições pessoais, sempre acaba por, quando se encontra no aperto, acertar com uma saída menos péssima.

sábado, 14 de março de 2009

VERGONHOSO

Eu olho envergonhado em meu redor
Não encontro resposta p’ro que vejo
O mundo estava mal, mas está pior
É o que penso, digo-o sem pejo

O Homem faz guerras, uma vergonha
A inveja atingiu um grau maior
O ambiente está uma peçonha
Não se consegue ir para melhor

Envergonho-me, sim, do ser humano
Tratou-se por certo de um engano
Não foi para isto que foi criado

Assim, tenho de achar vergonhoso
E não poderei encontrar repouso
Se não se emendar o que está errado


ASSALTOS AUMENTAM



Ao ter assistido, na TV, a descrição do actor português que passou recentemente uma larga temporada no Brasil, de apelido Melo (peço desculpa por não ter fixado o nome) e em que contou o assalto de que foi vítima no Rio de Janeiro, em que lhe levaram tudo e esteve em riscos de vida, coisa que é tão banal naquela cidade carioca, só me veio à lembrança a vaga de assaltos e de roubos, também violentos, que estão a ocorrer no nosso País, com o uso de armas de fogo que cada vez são mais vulgares nas mãos dos bandidos, situação esta que, segundo parece, não se verifica, por parte das forças policiais, solução à vista, ao ter feito a reflexão quanto aos dias de amanhã que nos esperam não posso considerar-me tranquilo.
E é já a Imprensa que confirma essa insegurança, transmitindo dados oficiais portugueses que mostram ter aumentado o crime violento em 2008 e em relação ao ano anterior foi de 10,7% esse salto estatístico.
Estas notícias não constituem, de facto, nenhuma surpresa a dar aos cidadãos nacionais, dado que, diariamente, se tomam conhecimento de novos assaltos a tudo que pode representar alguns benefícios para os ladrões. Os bancos, que constituíam um objectivo quase raro dos amigos do alheio, hoje estão na mira de autênticos “gangs” criados para o efeito. E não se ficam por aí os malandrões dos bolsos alheios, pois que qualquer restaurante em pleno funcionamento é cobiçado para serem obrigados os clientes a deixar os seus haveres, como as caixas registadoras de tudo que é estabelecimento representam uma meta a atingir em cada acção, para não falar no habitual que são as estações de gasolina, as preferidas por tal gentalha.
Quer dizer, segundo tudo indica, não faltará muito tempo para alcançarmos a situação de vida perigosa que se conhece no Brasil, ficando quase igualitários neste particular, mas bem distantes no que diz respeito ao todo o resto que constitui as riquezas naturais que ali foram descobertas pelos portugueses nos anos de 1500.
A imigração que se tem verificado de cidadãos brasileiros que ainda procuram em Portugal o ponto de sossego para exercerem as suas profissões, essa tem tendências a diminuir, até porque o desemprego que grassa por cá não continua a constituir motivo de atracção dos nossos irmãos brasucas.
Mas poderemos andar descansados quanto às más acções dos grupos de roubo que podem transferir-se atravessando o Atlântico, se não se formar uma defesa policial capaz de tirar da cabeça dessa vaga de assaltantes brasileiros a ideia de que, deste lado da Europa, é tudo mais fácil para os objectivos que têm em mente?
Descansados é que não podemos ficar. E o actual Governo, no fim do seu quarto ano de vida, assim como os que se lhe sucederem, têm de tomar todas as medidas que estiverem ao seu alcance para não dar ocasião a que o mesmo venha a ocorrer entre nós. Há que confiar que não sucedam primeiro as malfeitorias e só depois, com lentidão, é que as polícias dão ares da sua graça!
Mais um problema para nos atormentarmos, para além dos muitos com que já nos defrontamos.

sexta-feira, 13 de março de 2009

VER DO OUTRO LADO

Por vezes sinto que estou morto
que já não pertenço ao mundo dos vivos
que estou onde não estou
que vejo do outro lado o que aqui se passa
não é nada comigo
é coisa estranha e distante
faz-me lembrar da última vez
que fui levado ao cemitério
havia gente a chorar
havia ?...
e lá me conduziram para onde eu queria
para o fogo
para as labaredas que rodearam o meu corpo
mas não senti nada
já não estava ali
vi de fora
tudo ardeu num instante
ficaram cinzas
foram despejadas num depósito
tem graça
nasci de uma gota e acabo em pó
atravessaram toda um vida
para isto
para terem havido preocupações
para coisa nenhuma
alegrias
zangas
esforços
canseiras
amores
desamores
ânsias
satisfações
prazeres
contradições
verdades
mentiras
pensamentos
esquecimentos
promessas
falsidades
disfarces
vaidades
tanta coisa e nada
uma vida
tão longa e tão curta
não deu tempo
para fazer o que era preciso
para ser útil
para sobressair
há quem diga que sim
que sou diferente
que me distingo
mas eu
que não estou apaixonado
por mim
não acredito
não me iludo
sei que me esforço
que procurei atingir a bitola
do bom
mas fiquei-me pelo sofrível
pelo mediano
a olhar para cima
a admirar
o que estava no alto


Por isso quase prefiro sentir-me perto do fim
fazer de morto
olhar à distância
ficar como que à janela
a ver-me
e a sentir o sofrimento
o meu sofrimento
o meu desgosto
não culpo o mundo de não me ter colocado
em qualquer pedestal
por pequeno que tivesse sido
e se não cheguei lá
foi porque não o merecia
também não me revolto
por outros se terem sobressaído
mesmo que sem mérito
mas isso só em minha opinião
discutível
provavelmente souberam aproveitar
as oportunidades
foram sagazes
atreveram-se
eu não
também não tive quem me desse
o entusiasmo que eu aspirava
fiquei-me metido para dentro
a encher papel
a colocar cores nas telas
e a esconder tudo
e a amar o que não estava ao meu alcance
a música
a composição
o uso dos instrumentos musicais
e em vez disso
só a utilizar
a caneta e o pincel
desajeitadamente


Sinto
que me vejo de longe
que contemplo os lugares que frequentei
sem mim
observo
as pessoas com quem me dei
sem estarem ao meu lado
vejo-me
sentado no café onde escrevo
olho para as ruas por onde passei
com outra gente
contemplo e reparo
já não conto
não estou lá
ninguém dá pela minha falta
é como se nunca tivesse existido
o mundo não parou
outra gente chora
alegra-se
sofre
diverte-se
tudo como dantes
como quando estava vivo
imagino eu

Julgo ver o mundo
Com muitos mais problemas
com a população aumentada
quase não cabe em nenhum sítio
tem carências
o ambiente é pesado
falta a água
a poluição é insustentável
a competição não perdoa


Quando sinto
que já não estou vivo
e contemplo o espectáculo
de lá de onde estou
já não me importo por não me encontrar
em qualquer pedestal
por mais ínfimo que seja
ao estar na Terra
preferiria estar preste a sair
a tempo
para fugir ao futuro que me esperava
para escapar do medonho
do horrível
dos muitos mil milhões de habitantes
que vão atafulhar o Mundo
e que apesar das múltiplas
antigas e novas doenças
que atacarão o Homem
como há raças que não perdoam
fazendo filhos
muitos
sobrepondo-se a outros
que são mais prudentes
fazendo mudar de cor
o Planeta
apesar disso não ser importante
porque os conflitos
não escolhem tons de pele
sendo seres humanos
por isso mal formados
e cada vez mais agarrados a crenças
a fés
a religiões
que julgam que lhes trarão a salvação
que serão perdoados depois de mortos
que terão benesses e regalias
no fim dos caminhos
só quando se encontrarem no outro lado da barreira
é que descobrirão
como eu julgo que concluirei
quando chegar a minha vez
e estiver a desfrutar
a gozar as vistas
sabendo que Inferno há só um
e é na Terra
nessa altura
e só então
darão gargalhadas surdas
e terão vontade de voltar atrás
e abanar o ser humano
gritando-lhes para terem juízo
para despertarem
e para aproveitarem todo o tempo
que mediou entre a gota e o pó
fazendo com que o Mundo melhore
tirando partido
da Vida.

QUATRO ANOS DE GOVERNO



É mais do que evidente que, mesmo que este Governo tivesse actuado, durante o período de quatro anos em que decorreu o seu exercício e que terminou ontem. com a mais perfeita das condutas, não se livraria das críticas de que é alvo, as que lhe são feitas e outras que, por ventura, ocorressem ao restante leque político e, igualmente, por muitos dos cidadãos portugueses que sentem na pele os efeitos do mau momento económico e social que se vive.
É sabido que, quem se expõe, sobretudo por sua livre vontade, perante a crítica dos que têm de viver sob os efeitos da sua actuação, não tem de estranhar que haja quem se encontre na outra ponta das preferências e que, face a essa circunstância, não esconda a aversão que lhe vai nas entranhas. Na área da política e, claro, em democracia, as oposições que existem servem precisamente para dar mostras do seu pensamento adverso daquilo que o partido vencedor utiliza. Se sucedesse o contrário é que era para estranhar. Quanto à disposição por parte dos cidadãos comuns sem partidarismos específicos, são as circunstâncias de cada caso que levam a que existam os apoiantes da governação vigente ou que se revoltem quanto a medidas que lhes são desfavoráveis. É por isso que, as perguntas de rua feitas por algumas televisões sobre “o que faria se mandasse”, não têm outro resultado que não seja cada um expor aquilo que lhe convem pessoalmente e que não tem nada a ver com a necessidade de se efectuar uma governação que sirva toda a comunidade.
Mas, falemos, tão correcta e honestamente quanto possível, no que diz respeito à actuação do Executivo de José Sócrates ao longo destes quatro anos que agora ocorreram. É evidente que esta também é uma opinião pessoal e, portanto, sujeita à concordância ou não de quem ocupar o tempo a ler este blogue, mas, dado que me sujeito abertamente à crítica, não escondo aquilo que diria pessoalmente ao primeiro-ministro caso ele se dispusesse a ouvir o que um jornalista independente pensa da sua actuação.
Considero que este período passado e, sobretudo, a partir do momento em que se começaram a sentir em Portugal os efeitos da crise que já é por demais conhecida, não se pode considerar como o ideal para um grupo de governantes poderem brilhar com a forma de exercerem a sua actividade. Mas também, por outro lado, é nas alturas mais difíceis que os homens capazes têm ocasião para dar mostras das suas habilidades, não se refugiando nas dificuldades para complicar ainda mais o que já é complicado levar a cabo.
E, sobretudo, existindo a cedência ao princípio de que, com a ajuda dos outros, é sempre mais fácil solucionar os problemas e encontrar saídas para as questões complicadas, sabendo ouvir e acolhendo os conselhos de parceiros e até de adversários, não se escondendo atrás do malfadado orgulho que tanto ataca os homens vaidosos, dessa forma até as oposições são da maior utilidade, deixando-as fazer propostas e não temendo revelar que as ideias que tenham, por ventura, saído dessas áreas, foram ajudas preciosas e que são acolhidas com o maior entusiasmo.
Ora, nada disto fez o governo de Sócrates. Disso tenho de o acusar. Foi arrogante, mal disposto, pouco amigo de dar explicações, fazendo algumas más figuras, especialmente por parte de uns tantos dos seus ministros que têm deixado muito a desejar, prometeu o que não devia e que sabia que não podia cumprir, não actuou em certas áreas que se mostravam mais necessitadas de uma mexida profunda, como, por exemplo, a Justiça (insisto nesta zona que tantas vezes tenho referido nos meus blogues) como outras igualmente mal tratadas pelos poderes públicos, enfim, não tenho a convicção de que este Governo tenha utilizado os quatro anos de que dispôs com aquela competência que seria desejável, especialmente numa altura em que a situação se mostrava desconfortável aos portugueses, com todos estes factores negativos não posso deixar em claro que o grupo de Sócrates foi o culpado de não ter conseguido mostrar aos cidadãos nacionais que vivíamos um período de dificuldades e que não era aconselhável exorbitar das nossas baixas possibilidades.
Mas a pergunta a fazer é, afinal, bem simples: e nas eleições que se aproximam, em que agrupamento se encontra uma resposta que permita o mínimo de confiança para a escolha de um Executivo que substitua o PS? Os partidos de Esquerda, os mais débeis em adeptos, vão poder subir na escala de representantes, mas não o bastante para tomar conta de um Governo, pelo que só poderão servir para prestar apoio ao grupo vencedor que não tenha obtido maioria, e será provavelmente o PS. Mas, no cômputo geral, atrevo-me desde aqui e a esta distância a afirmar que talvez se ganhe alguma coisa com o facto dos socialistas não obterem de novo uma maioria consoladora. É que não deram mostras de saberem utilizá-la. Não tiveram a macieza suficiente para, mesmo com votantes bastantes para fazerem passar as suas ideias, mesmo assim saberem ouvir indicações, opiniões, conselhos, que só lhes ficaria bem reconhecer como válidos. E isso teria sido extremamente útil a Portugal. Vamos a ver o que a abstenção que tudo indica vai ser enorme, acabará por permitir que saia nas urnas.
Estão ainda longe. Pois estão. Mas é aconselhável ir pensando já nesse dia em que teremos que nos deslocar para colocar o nosso voto. Vai ser, desta vez, mais necessário do que nunca.



quinta-feira, 12 de março de 2009

CONVERSAS

As conversas são tal qual as cerejas
umas atrás das outras sem parar
servem-se como petiscos em bandejas
não é fácil ouvir sem contestar

Falar, p’ra muita gente é preciso
é como abrir à alma as portas
o ideal, porém, é ter bom siso
e não se embrenhar em zonas mortas

Trocar ideias e os outros ouvir
ficar calado quando outrem fala
saber escutar com todo o respeito

É princípio sagrado do sentir
é dar a ideia de que se iguala
é andar perto do que é ser perfeito

VIAGENS DOS DEPUTADOS



Então, não devemos andar todos desconfiados, nós, os cidadãos deste País em que as falcatruas se sucedem umas às outras e sempre conduzem a que uma enormidade de euros vão parar aos bolsos de uns tantos espertos da silva?
Devemos ser confiantes e acreditar que os acontecimentos que são dados a conhecer – e quantos não ficam no segredo dos deuses? -, nem todos são factores de más acções por parte dos que se aproveitam do que lhes passa perto. Mas muitos passariam despercebidos se não existisse uma actividade que lá vai conseguindo informações que transmite ao público. Refiro-me, está bem de ver, ao jornalismo e à possibilidade que existe nos nossos dias de, apesar de tudo, não funcionar uma Censura, como aquela que estava sempre atenta e furiosa antes do 25 de Abril.
Pois bem, graças a essa facilidade, foi dada a conhecer na Imprensa portuguesa uma incongruência verdadeiramente revoltante. Sobretudo por não se verificar um elemento fiscalizador dentro da Assembleia da República, bem necessária sobretudo neste momento de crise, por forma a evitar despesas supérfluas, com as viagens e estadias dos deputados que atingem verbas, como agora foi divulgado, que se podem considerar excessivas.
É verdade que a actividade dos representantes do povo no Parlamento, em princípio e em tese, inclui a necessidade de deslocações em serviço a vários pontos do País e do estrangeiro. Assim, num blogue como este, não é possível opinar se poderiam ter sido evitadas algumas dessas deslocações. Mas que, desde o início deste ano e até ao fim de Fevereiro passado, se tenham realizado cerca de 106 deslocações, das quais apenas duas dentro do território nacional, e que essas viagens tenham custado à Assembleia da República mais de 235 mil euros, isso é que constitui motivo para levantar a questão de se não conviria analisar em pormenor cada caso, no que diz respeito aos destinos, às razões, imperiosas ou evitáveis e à facturação que as duas agências de viagens que têm o exclusivo para se encarregarem das operações de transporte e de estadias.
Não pretendo levantar aqui a desconfiança em relação a exclusivos concedidos para apenas duas agências tratarem das deslocações dos deputados. Mas a explicação deste facto está em falta e seria bem recebida por todos os que andam a contar os tostões por este País para as despesas familiares e que têm consciência de que o que se gasta mal na nossa Terra sai dos bolsos dos portugueses e deveria ser respeitado com absoluta consciência dos poderes públicos.
Insisto, pois: é evidente que Jaime Gama, na qualidade de Presidente do Hemiciclo, não pode dedicar a sua actividade a tipos de fiscalização das viagens dos deputados. Mas talvez lhe coubesse actuar no sentido de fazer todos os esforços por forma a tentar conseguir a criação de um departamento que tivesse tal encargo e se respopnsabilizasse directamente perante o Tribunal de Contas. Ou se criasse outro departamento mais indicado.
Quando se está em recessão e as debilidades vão sendo cada vez maiores, não é crível que qualquer partido com representação na Assembleia se oponha a que se tomem medidas que têm como objectivo controlar despesas públicas, de que não se excluem as viagens dos deputados.
Ou há moralidade ou comem todos…