sábado, 24 de janeiro de 2009

TANTOS PROBLEMAS NESTE PAÍS




Muitos assuntos surgiram hoje, sábado, para serem focados neste blogue que, por defeito de profissão do seu autor, pretende sempre estar ao corrente dos acontecimentos o mais quentinhos possíveis. Por isso, dado o limite de espaço, procurarei fixar-me apenas nos mais importantes.
Parece não haver dúvidas de que o escaldante caso que é pretendido ser relacionado com José Sócrates, relativo à época em que este foi ministro do Ambiente, é o que tem o nome de Freeport, em Alcochete. E, tratando-se ou não de uma coincidência, a verdade é que também constitui outra casualidade o facto de ambas as vezes em que a questão foi tornada pública isto suceder em anos eleitorais, portanto, com influência na escolha que os portugueses têm de fazer para a nomeação do governo seguinte. Voltarei a este assunto que, segundo parece, dá pano para mangas, porque, por muito que o País necessite de calma e repouso para poder enfrentar o que verdadeiramente o atormenta, a situação que se vive resultante da crise, as verdades que influem no ambiente político têm de ser rapidamente trazidas a lume para retirar suspeitas onde elas possam existir. E o primeiro-Ministro é o principal interessado em tudo isso, sobretudo quando tem um tio e um primo que alguma coisa têm a ver com o assunto em causa.
Mas não me fico por aqui, dado que não é apenas aí que Sócrates enfrenta problemas. As declarações de desagrado que estão a ser trocadas entre ele e Manuel Alegre, pois que o secretário-geral do PS não gostou de ver cinco deputados do seu partido, com Alegre incluído, a votar a favor uma espécie de moção de censura que representava uma proposta da autoria do CDS, para que fosse suspenso e simplificado o actual modelo de avaliação dos professores, a contrariedade provocada em Sócrates foi visível.
Há também que reconhecer que alguma coisa tem de ser feita e rapidamente quanto ao que se passa com os professores – pois já está a arrastar-se demasiado esta “guerra” – com vistas a terminar, de vez, com o que está a prejudicar toda a gente e o País em primeiro lugar. E está nas mãos de José Sócrates dar esse e outros passos e eu já não digo concretamente, mudando alguns pelouros ministeriais que não estarão a dar conta do recado. A afirmação do ministro da Justiça de que não tem poder suficiente para acelerar o que depende do seu ministério, isso só quer dizer que o mesmo responsável ministerial não garante urgência em pôr a máquina do seu pelouro a funcionar por forma a não tardar o esclarecimento da situação agora ressurgida e tão incómoda para o chefe do Executivo.
E, dada a importância que pode ainda vir a ter este caso da Freeport, deixo para amanhã todos os restantes temas que tanto me apetecia abordar ainda hoje.
É que chegou a notícia de que faleceu a Stella Piteira Santos, pessoa que bastante gente dos meus tempos antigos conhecia e respeitava, pela sua posição patriótica que vem desde longos tempos. Cá ficou depois do Fernando, seu marido, nos ter deixado e depois também de o ter acompanhado no seu exílio em Argélia.
Perdoar-me-ão os leitores do meu blogue se, não tendo sido das relações do casal a que me refiro, fiquem agora surpreendidos com esta referência. Eu não me sentiria bem comigo próprio se não marcasse este acontecimento no meio de comunicação de que disponho nesta altura. E relembro o jantar que teve a Stella em minha casa há um certo tempo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

ALENTEJANOS

Debaixo de um chaparro
é bem bom pensar na vida
não tendo outra saída
se não fumar um cigarro

Alentejano de um raio
não é igual a ninguém
é sua forma também
de não olhar de soslaio

Se no Inverno faz frio
e o capote o protege
há sempre quem o inveje
e recuse o elogio

Recorrendo à anedota
julgando que o ofende
mas se é isso que pretende
faz papel de idiota

O Alentejo isso tem
muita paz, um bem-estar
pode-se tal procurar
noutro sítio, mas porém…

…por cá não se vê aonde
outras belezas existem
mas por mais que se registem
se as há bem se escondem

Sem pressas p’ra responder
lá vão saindo as sentenças
sem certezas e sem crenças
pois têm mais que fazer

Compadres há-os bem perto
sentados não há que ver
porque as horas de lazer
não se perdem e está certo

Boa gente, muito pura
as migas, o ensopado
têm o pão como fado
de fome passada e dura

Por tal, na Revolução
aderiram tão depressa
pois tinham bem na cabeça
o sofrido até então

Têm direito ao que for
porque são bons lá no fundo
e olhando para o mundo
não se vê quem pode opor

Alentejanos queridos
sempre que posso vou vê-los
não falam p’los cotovelos
nem são gentes de alaridos

Não sendo como formigas
não enchem o Alentejo
agrada-me quando os vejo
sem me mandar às urtigas

Agora que se fedeu
o 25 de Abril
estão vendo por funil
o que julgavam ser seu

Ilusões nem muitos têm
vida melhor quem lhes dera
porque aí estão os que vêm
comprar o que de outros era

São os outrora vizinhos
espanhóis, nossos irmãos
que apontam seus caminhos
à procura de outros chãos

Conformados já estão
os nossos alentejanos
pois outra Revolução
não trazem “nuestros hermanos”
O chaparro seguirá
no mesmo sítio quieto
sua sombra que lá está
deu ao avô, hoje ao neto

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Quando reflicto sobre tudo aquilo que ouvi ao longo de toda a minha existência, descubro que foi apenas uma pequena percentagem que contribuiu para aumentar positivamente os meus conhecimentos.
Não sei se valeu a pena perder tanto tempo para ganhar tão pouco.

IBÉRIA

Tenho de estar satisfeito com o caminho que estão a levar os contactos e os acordos que se têm visto ser desenvolvidos entre vários sectores governamentais de Portugal e de Espanha. É que, como sabem todos aqueles que vão seguindo as lutas que, desde há muito, tenho desenvolvido na minha actividade jornalística, a formação de uma espécie de Benelux na Península Ibérica, essa aproximação que, pouco a pouco, tem vindo a ser realizada, muita dela, é verdade, mais por necessidade imposta pelas circunstâncias do que por vontade voluntária sobretudo por parte do sector lusitano, esse abraço que, cada vez mais, se verifica ser apertado acabará, mantenho eu como inevitável, por fazer surgir, mais cedo ou mais tarde, o território que se poderá vir a chamar de Ibéria, constituído por toda a Península que, no mapa da Europa, se apresenta como sendo o mais bem situado e o qual não recebe nem recebeu nunca – vide os factos históricos – a simpatia dos outros países nossos parceiros no Continente, dada a concorrência em tamanho e em população que faz directamente no sector europeu.
Mas, tendo de terminar definitivamente a expressão que por cá se vai usando “de Espanha, nem bom vento nem bom casamento”, o bom senso acabará por fazer realizar a conveniência para os dois Países de unir forças e lutar contra as adversidades que as crises e as dificuldades de várias espécies criam.
A decisão tomada agora de os serviços de saúde espanhóis, situados na raia da fronteira connosco, passarem a atender os doentes portugueses que também residam nessas zonas, tal passo é de um significado transcendental. Já nascem do outro lado bébés portugueses que mantêm a nossa nacionalidade, assim como a assistência médica a doentes em estado crítico e a tratamentos oncológicos estão a ser realizados de comum acordo. Do mesmo modo, Elvas disponibiliza TAC’s aos vizinhos do outro lado e já dá formação a cerca de 60 médicos e 60 enfermeiros espanhóis.
É por isso que o acordo acabado de firmar para que os dois países ibéricos se candidatem conjuntamente à organização do Mundial de futebol em 2018, para além de dar que fazer aos estádios espalhados pelo nosso País e que não têm constituído rentabilidade aos milhões de euros que custaram, para lá desse passo mostra o mesmo acordo como o mais natural entre nós é que sejamos capazes de partir para iniciativas que constituam a junção de esforços e nos deixemos todos de preconceitos aljubarrotistas que, nos tempos que correm, só servem para nos manter afastados do resto da Europa e de eliminar, de uma vez, a barreira multi-secular dos Pirinéus.
Não vai ser assim tão fácil convencer os velhos do Restelo de que não vale a pena andarmos armados toda a vida em “padeiras de Aljubarrota”. O que é preciso é que fabriquemos o pão e, sobretudo, que o saibamos vender lá fora...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

TOMADA DE POSSE


Escrevi este texto mal acabei de assistir à tomada de posse de Obama. Mas, quando o quis incluir no meu blogue, o computador resolveu fazer-me a partida e “enguiçou”. Fui obrigado a esperar dois dias até que o técnico o pusesse a funcionar outra vez. Mas já não me apeteceu introduzir alterações prováveis. Segue assim mesmo.


Logo após o discurso de tomada de posse de Barak Obama, não pude resistir à tentação de expressar neste blogue a emoção que me causou e a sustentação da esperança de que a sua acção como Presidente dos E.U.A. vai ser marcada por uma actividade positiva, isto é, com uma determinada garantia de que a democracia, a igualdade e a liberdade serão respeitadas intransigentemente, não sendo levadas em conta as cores, as religiões ou a inexistência delas, as condições sociais, as nacionalidades, as tendências políticas, no que respeita às soluções a tomar.
Não foi um discurso de promessas, mas foram ditas palavras de compromissos e de pedidos de apoio e de ajudas. Sobretudo ao povo americano, a quem solicitou colaboração, trabalho, empenho, em lugar das costumadas petições de ajudas por parte dos cidadãos e dirigidas ao Estado. Que cada um faça o melhor, foi a solicitação de Obama, enquanto este prometeu dar de si tudo o que pudesse para que aquele momento representasse a partida para uma nova vida.
Grande parte da comunicação do novo Presidente serviu perfeitamente para um número enorme de cidadãos do mundo. E, no nosso caso, atrevo-me a escrever, por muito que se sintam diminuídos bastantes dos nossos políticos, que as suas palavras tiveram a utilidade de poderem ser seguidas pelos governantes que temos tido e, na situação actual portuguesa, para mostrar que é muito mais convincente mostrar humildade e não se ser arrogante do que utilizar os contactos com o povo apenas para publicitar os feitos anteriores e acusar os outros de incapacidade e de todos os defeitos que os partidos opostos lançam aos opositores. Todos se enganam e os que governam não se encontram ilibados de tal característica humana.
Ouvi as palavras que foram expandidas para todo o mundo e não consegui evitar a comparação no que a nós respeita. Como País pequeno que somos, em área mas também, não temo em afirmá-lo, na mentalidade, especialmente a política, este exemplo dado pelo 44.º responsável supremo pela Nação americana, que não hesitou em mostrar os erros que cabem à sua própria Pátria – como é o caso da prisão em Guantánamo, que já tinha garantido que encerraria -, o exemplo das suas afirmações representa bem a prova de que o seu sonho de meter as coisas nos eixos, para usar uma expressão só nossa e que é bem significativa, constitui uma amostra daquilo que poderá vir a assistir-se através da sua actuação como figura que tem grande preponderância na solução de situações internacionais complicadas. O caso do Médio Oriente é um deles e Obama não fugiu a referir-se a tal problema que, bem se pode imaginar, não deixará de lhe causar dores de cabeça.
De tudo que se passou, desde o início da campanha eleitoral norte-americana e até à tomada de posse do novel Presidente, sabendo-se mesmo que os naturais daquela grande e multifacetada Nação mantém, em bastantes aspectos, grande dissemelhança de comportamento com os europeus, para não falar dos outros, de tudo isso, sobressaiu a circunstância de que podemos encaixar perfeitamente as recomendações que saíram da boca do afro-americano (como muitos gostam de chamá-lo, mas mal) a quem não saiu propriamente um toto-milhões.
Sempre acharia enorme graça assistir à sua substituição por alguns dos nossos políticos, mesmo daqueles que se julgam bons palradores, podendo estar a pensar especialmente nalguns que “cagam sentenças” e que se julgam os maiores sábios do mundo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

DESENCANTO... POR ENQUANTO!!


Os políticos são uns mentirosos.
Quem é sincero não tem futuro como político profissional.
Para ser político é fundamental não ter receio de prometer o que não pode cumprir e saber disfarçar quando é posto perante o que foi incumprido.
Quem é sincero, quem é verdadeiro, quem não oferece o que não tem nem talvez venha a ter, quem é assim não pode ser um bom político.
Não arrasta multidões. Não encanta os desencantados.
A população gosta de ouvir promessas, adora que lhe pintem futuros coloridos, deixa-se arrebatar por ideais, por mais longínquos que estejam.
Políticos que não sabem pintar esses quadros, mais vale mudarem de actividade.
Não arrebatam multidões.

BURRA FEIA

Grandes olhos
bem expressivos
simpatia, essa aos molhos
em momentos bem furtivos
ancas firmes, reboludas
peitos de frango encorpados
sem necessidade de ajudas
pernas altas, bem formadas
cintura de bailarina
andar de gazela airosa
boca rasgada, bem fina
dentes de pedra preciosa
mãos fluentes, expressivas
quais belas pombas voando
mostrando que são activas
de tudo não destoando
bracinhos bem torneados
essa é ela, a beleza
a que deixa extasiados
fazendo perder firmeza
a todos, seja a quem for
sem sinais de bem gostar
muito menos tendo amor
que disso nem quer mostrar
quem o afirme há ainda
é um prazer para a vista
uma lembrança infinda
qual obra de grande artista

Porém,
mal deixa sair da boca
seja o que for para além
mesmo que coisa pouca
qualquer palavra que seja
aí, beleza que foste
tudo de mais sobeja
nem m’encostando ao poste
aguento ter de ouvir
cada palavra um erro
cada som de afligir
toda tu és um berro
misturando com gemidos
que saem em vez de voz
parecida com balidos
que só podem causar dós

Chego assim à conclusão
que mais vale mulher feia
deselegante, podão
gorda que nem baleia
mas que como companhia
seja um grande consolo
que nos encha de alegria
de cabeça com miolo
se a vista não se regala
ao menos enche os ouvidos
e a alma se exala
e afasta p’rós olvidos
as desgraças desta vida

Melhor que lindo e brilhante
só mulher feia,,, deslumbrante

BARAK OBAMA - EXPECTATIVA


Chegou, por fim, o dia tão esperado. Depois de um período de campanha eleitoral em que, a pouco e pouco, se foi consciencializando na opinião pública mundial a ideia de que, afinal o povo americano perdia aquela posição, que todos os de fora tinham como segura, de que existia nos E.U.A. uma estabelecida aversão à raça negra, após essa primeira fase em que Barak Obama se mostrou com a maior clareza, na imagem e nas palavras, começou a ficar claro que seria esse o candidato escolhido para presidir ao País que se encontrava envolto numa situação de culpado de muitas situações que tinham sido criadas pelo homem que se encontrara à frente dos seus destinos durante dois mandatos.
Não se pode concluir se o que se alterou na opinião americana foi a sua pouco preferência pela raça negra ou se terá sido o mau comportamento de George W. Bush que teve influência na escolha seguinte. Daí o ficar a dúvida se foi um que perdeu (embora não fosse concorrente desta vez) ou se terá sido o segundo que conseguiu a vitória pelo seu mérito. Mas, na verdade, já tanto faz.
O que é certo e seguro é que os olhos do mundo - e sempre foi assim por outras razões - se encontram fixados na actuação que, a partir de agora, o novo Presidente vai exercer. Mas também, como afirmei ontem, não se pode esperar que, de um dia para o outro, por mais enérgico e competente de que dê mostras, provoque uma reviravolta nos males que se espalharam por toda a parte e, repentinamente, aquilo que é uma estrondosa crise se transforme em benefícios. Mais do que nunca, é fundamental que o pessimismo que grassa pelo mundo não passe, repentinamente, para um optimismo desmedido. Porque o desconsolo dará resultados que podem transformar-se em suicídios colectivos.
Por mim e por agora, não pretendo adiantar mais quanto ao que se passará com o que é visto como um “salvador do mundo” e prefiro marcar a data da entrada em vigor do seu mandato, primeiro com o fim, mesmo que temporário, da disputa entre Hamas e Israelitas, e depois, com outra notícia que rapidamente correu a esfera terrestre: de que destacados intelectuais e artistas árabes terão enviado uma carta aberta à cantora representante israelita ao Festival da Canção, a árabe israelita que se apresentará como Judia Noa e cantará em árabe, hebraico e inglês, uma canção de mensagem de paz para o Médio Oriente, insistindo nessa carta-aberta para que a cantora não “colabore” com a posição israelita, fazendo-lhe propaganda.
Ora, são estes e outros problemas, que os Homens criam artificialmente, que provocam depois as desavenças com elevadas mortes, passando uns a praguejar contra os outros e a afirmar-se como sendo donos da única verdade, que é aquela que não pertence a nenhum dos conflituantes.
Que Barak Obama seja bem-chegado à Casa Branca, já que suporta sobre os ombros a enorme responsabilidade de retirar a ideia de que os americanos do Norte são donos do mundo. Mas que a sua influência e o seu poder possam e devam constituir uma ajuda importante para que as nações se entendam e terminem com as escaramuças que os dividem em muitos sítios. Quanto a isso, julgo eu, não haverá muita discordância.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A PAZ

Anda este mundo às avessas
Os homens nunca se entendem
Estão as cabeças possessas
Que do mal não se arrependem

A guerra está-lhes no sangue
Ambições, ódios primários
Deixar o povo exangue
Fazer das vidas calvários

Matam-se por guerras santas
Ao gosto de Satanás
Nem lhes doem as gargantas

De gritar qual Ferra Brás
E pergunta-se aos jamantas
Que é preciso pr’haver paz ?

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Quantas vezes sou assaltado pelo desejo de expressar toda a minha revolta quanto ao que considero estarem a ser cometidos erros pelos Homens.
Mas, para além de não me sentir dono absoluto da verdade, será que o mundo ganha alguma coisa pelo facto de dizermos aos outros aquilo que se pensa?
E, se ficarmos calados, por aí verificar-se-á algum benefício?

JA CHEGA HAMAS!...



Nesta fase de véspera da tomada de posse oficial de Barak Obama, na qualidade de presidente dos E.U.A., por muito que não se queira alinhar na euforia que corre por esse mundo fora e de que é prova a ocupação das primeiras páginas dos jornais de tudo que é sítio, a verdade é que se trata de uma matéria que não pode passar como que despercebida e, por isso, este singelo blogue lhe faz a devida referência e aguarda também pelo dia de amanhã para não deixar passar em branco a data que ficará gravada na memória de muitos, oxalá para bem, porque a expectativa é deveras grandiosa.
E, a propósito deste acontecimento, até parece que uma boa notícia se quis antecipar e surgiu, não só para contentamento dos habitantes da zona de Gaza, mas para aliviar muita gente que resiste a ficar indiferente às já tão frequentes disputas entre muçulmanos e outras tendências religiosas. Sim, porque isso é preciso ser dito, do lado do Islão é que se verifica maior animosidade em relação aos que não seguem a sua linha de Maomé e o contrário, mesmo quando o Cardeal Patriarca de Lisboa lança, como o fez, um aviso às raparigas do nosso País para terem atenção às consequências do seu casamento com um praticante daquela facção religiosa, o que provocou uma certa indignação, até natural, do lado apontado, apesar disso há que reconhecer que as diferenças de comportamento, sobretudo em relação às mulheres, não podem ser ignoradas.
Mas, o que importa nesta altura saudar é a declaração do Hamas de uma trégua provisória em relação a Israel, fazendo as suas exigências no capítulo da retirada das tropas adversárias do território que, embora não lhes pertencendo como sua nação, constitui uma zona que faz parte do seu campo de acção e de recepção dos apoios que lhes chegam através dos meios que, neste altura, os israelitas já destruíram e, pelo mar, acautelaram tal entrada.
Foi importante a intervenção diplomática por parte de alguns responsáveis superiores da política europeia e o bom acolhimento dado pelo presidente egípcio Hosni Mobarak, todos comprometidos a reconstruir a referida Faixa de Gaza, mas, a partir desta altura, resta saber até que ponto se desfez o ódio assumido pelos do mesmo Hamas, para que não recomecem de novo os ataques com rockets que lançam contra Israel. e o inverso também é desejável.
E é aí que talvez a actuação do novo presidente americano seja da maior importância, podendo dar mostras da sua capacidade – ou não! –, em lugar de actuar à maneira do seu antecessor, estilo Iraque, faça uso de uma capacidade de convencer os dois lados de que, quem quer uma vida tranquila não pode passar o tempo a incomodar os vizinhos, por muito que se detestem por motivos de incompatibilidade religiosa. Bem nos basta a crise, provocada pela área financeira. Outras que metam crenças é que não podem ser suportadas por ninguém

domingo, 18 de janeiro de 2009

ATRASADO

Estou de facto atrasado
já não vou chegar a tempo
se é que alguém está parado
por qualquer contratempo
eu que fui toda a vida
pontual, cumpridor
não era nesta corrida
que ia ser fautor.
Tenho ânsias de partir
porque aqui não faço nada
o que me resta é sair
pois já passou a minha vez
de ser útil
de acabar com o talvez
não quero mais parecer fútil
e de já não ter valor
pois agora só me resta
sem pavor
ver terminar a festa
sentar-me e contemplar
que isto de ir embora
é com paciência esperar
pelo dia e pela hora
e se não foi antes, então
é porque era esse o destino
e ninguém tem na própria mão
o fim de ser peregrino

Pelo comboio eu aguardo
bem sentado na estação
não vale a pena ir-me embora
assim fico mais à mão
e como o que eu não quero
é lugar sentado, marcado
o que pedi e espero
é que o lume seja ateado
p’ra nada de mim restar
nem ninguém por mim chorar

Estou atrasado, é tarde
bem queria antes partir
sempre sem fazer alarde
é o caminho a seguir
andei de relógio em punho
p’ra cumprir a minha sina
não preparei nem rascunho
porque morrer é rotina
o próprio não manda nela
como também p’ra nascer
pertence tudo à novela
do fazer e desfazer

Tudo tem a sua altura
mesmo sem nos conformarmos
ter cumprido a aventura
de esperar por abalarmos
é o preço que se paga
que não é igual p’ra todos




DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Se eu fosse uma pessoa muito conhecida, dessas que quando saem à rua, todos se voltam para confirmar se é quem parece e que, nos locais mais fechados, como nos centros comerciais, por exemplo, param, fazem um sorriso, procuram meter conversa e até pedem um autógrafo, se eu fosse um desses não sei como me comportaria.
Possivelmente mal. Ou bem? Enaltecia o meu ego ou fazia-me sentir desconfortável?
Levanto esta dúvida porque toda a gente assiste às figuras que fazem aqueles para se tornarem personalidades públicas.
Não têm no seu activo qualquer feito que os coloque acima da mediania, não se distinguem da generalidade por serem melhores do que os outros mortais, só conseguem dar nas vistas através de excentricidades, dos disparates que dizem, de exibicionismos, sempre, claro, diante das câmaras de televisão e dos fotógrafos das revistas ditas “light”, sempre que os apanham em qualquer manifestação social, onde fazem questão de não faltar.
Essa classe de gente faz tudo para ser notada e, por isso, sente enorme prazer em ser apontada quando está no meio do público.
É para isso que se levantam da cama, tarde, porque as noites se prolongam até de madrugada, em tudo que é local de afluência.
Não sei se tenho dó ou se me provoca repugnância esse género de indivíduos, eles ou elas – porque há dos dois sexos -, que é difícil imaginar como vivem e de que vivem, muito embora sejam hábeis em truques de usar roupa emprestada, ter sempre alguém a que se encostam para conseguir alguns favores e sempre vão comendo nos “cocktails” que frequentam.
Até há os que dizem que levam atrevidamente os copos para casa!
A mim, deixem-me passar despercebido.
É que não fiz nada de jeito para ser famoso, nem mesmo um bom desfalque ou um crime merecedor de ser propagandeado na comunicação social.
Sou, afirmo-o convicto, um Zé-ninguém.




MILAGRE, PRECISA-SE!



Aproxima-se o dia em que a esperança que muitos milhões de habitantes do mundo sustentam de assistir à mudança completa do estado deplorável daquilo a que se chegou nesta altura, será a partir de terça-feira próxima, quando se presenciar o espectáculo habitual do juramento do novo Presidente dos E.U.A., que talvez volte a renascer a vontade de se continuar a manter a vida com agrado.
Barak Obama, nesta altura, constituirá tal expectativa, sobretudo depois de Bush ter sido colocado no lugar de onde nunca deveria ter saído.
Atrevo-me, porém, neste espaço que não tem a veleidade de sustentar a verdade absoluta, eu que só sei que não sei nada, mesmo assim julgo que será prudente não depositarmos todas as nossas esperanças num só homem e não ficarmos a aguardar que os problemas que envolveram a Terra serão solucionados de um dia para o outro e todas as resoluções que sejam tomadas a partir daí, das medidas que venham a surgir de Washington, que nos atingirão no sentido positivo e que poderemos ficar descansados só pelo facto de o mundo se ter visto livre do homem que, coitado, foi uma má escolha dos americanos na altura em que a Democracia naquele País julgou que tinha dado um passo certo.
É preciso tomarmos consciência de que, por cá, não vão baixar assim, de um dia para o outro, os nossos males e que, por exemplo, os 500 mil desempregados que já fazem parte das estatísticas oficiais arranjarão trabalho, assim como, só pelo facto de nos encontrarmos num ano de eleições, a mudança que se operar, ou não, na área partidária trará enormes benefícios, da mesma maneira que, quanto a número de representantes na Assembleia da República, nas Câmaras e nos chorudos lugares em Bruxelas, essas alterações que terão provavelmente influência no Governo que tomará posse, na continuação de maioria do Executivo ou dar-se-á um volte-face que deixe à boleia das combinações subterrâneas que forem conseguidas à custa de favores que surgirão de um lado e de outro.
É fundamental que o Povo tome consciência de não será por obra e graça do acto de posse na terça-feira na capital norte-americana, que nós, os habitantes deste rectângulo, vamos mudar completamente uma situação que vem de trás, de muito de trás, e que não foi uma Revolução em 1974 que conseguiu mudar a forma de ser de que somos possuídos e cujo culpado já nem será só o tal rei que bateu na mãe.
Claro que esta afirmação não é comungada por todos. Enquanto houver gente que faz finca-pé em dividir a população em trabalhadores e os outros, e em que nem os que estão incluídos na primeira divisão, enquanto não emigram não dão mostras de grande vontade de produzir, pois os outros, os políticos, os sindicalistas, os chefes partidários, esses também não sofrem os efeitos do suor no trabalho, enquanto esse "deixa andar" persistir em fazer parte do nosso dia-a-dia, não se verificará nada de fundamental neste torrão que é a nosso nacionalidade.
E digam lá que eu não sou produtivo em prosa. É que também nasci por cá!...E conheço-me a mim e aos meus compatriotas. Só que não disfarço...

sábado, 17 de janeiro de 2009

A CORJA

A terra está cheia dessa gente
Que se julga melhor e dominante
Que atropela todos pela frente
E olha o mundo, altivo, do mirante

Não ouve, não pára, não se importa
Com caminhos que outros lhes indicam
Dos princípios faz sempre letra morta
E galhofa quando alguns criticam

Será a maioria ? Pois que seja
Nem por isso lhes devem dar razão
0 preciso é apagar essa forja

Por mim não lhes tenho qualquer inveja
Nem me apetece apertar a mão
Dessa gentinha que é uma corja

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

A memória das gentes, quando funciona, tem as suas vantagens. Recordar o que de bom se passou é rever um filme que ficou guardado no armazém dos prazeres. Já o lembrar situações tristes constitui um sofrimento que se repete. E se é por moto próprio, então será um acto masoquista.
Mas a memória nem sempre funciona a pedido. Ela abre as portas mesmo sem necessidade de apelos. Aparece subitamente e mais ainda quando nos encontramos sós. Também por comparação com o que se assiste em determinado momento. Por vezes, ela rebusca um passado longínquo. Transporta-nos, por exemplo, à meninice. Faz-nos ver caras antigas, quantas vezes de gente já desaparecida do nosso convívio. Até mortas.
Acontecimentos recentes nem valem a pena rememorar. Tudo que está fresco não tem interesse. Mas voltar atrás muitos anos, sejam factos animadores ou, pelo contrário, desagradáveis, para esse exercício não necessito de fazer grande esforço. Basta-me fechar os olhos, pois ajuda à mais conveniente. concentração. E deixar que a memória faça ela própria o trabalho, trazendo à presença o que achar
Quem têm má memória, quem só se preocupa com o que vive no momento, aqueles que entendem não ganhar nada com recordações, tais personagens também não são capazes de imaginar um futuro. Não crêem no princípio de que é muito útil lembrar os erros passados, para tentar não os repetir.
Ser capaz de fazer uma retrospectiva histórica, isenta de partidarismos, honesta na apreciação, é um passo para poder imaginar o que vem aí, é ser possuído da capacidade de viajar no desconhecido e tentar descobrir o ignorado que nos espera.
Isto digo eu, admitindo que poderá haver controvérsia aceitável.

GEORGE W. BUSH



Perante aquilo que ocorre por cá, sobretudo agora que os responsáveis do Governo, seguindo o exemplo do seu actual Chefe, já não escondem as dificuldades em que vivemos e deixaram cair por terra os optimismos descabidos que espalhavam nos discursos, face a isto parece que não tem cabimento falarmos agora da mudança que já foi estabelecida e que ocorrerá concretamente na próxima terça-feira, ou seja a saída de um Presidente de um País e sua substituição por outra, ocorrida por via eleitoral. Mas, sempre valerá a pena gastar algum do espaço deste blogue com uma breve referência ao que foi o consulado de George W. Bush, o responsável número um por muitas asneiras políticas, económicas e sociais que ocorreram no nosso Planeta. De facto, quem pretenda ficar na História por algum ou alguns feitos positivos deixados na sua passagem por este Mundo, também ocupa esse período com as asneiras que tenha cometido e com a marca da sua inabilidade para se colocar à frente de um país, de uma obra ou até de uma circunstância.
O ainda Presidente entendeu fazer um comunicado de despedida que ele certamente bem saberia que as suas palavras iriam ser traduzidas em muitas línguas e espalhadas por todas as partes do espaço terrestre. É que, havendo também quem se espelhe na acção de Bush enquanto exerceu as funções que terminam na próxima terça-feira, não temo afirmar que a maioria esmagadora dos cidadãos internacionais vêem com alívio a saída de um político que só deu mostras da chamada aselhice, pois nem para os próprios concidadãos o seu comportamento foi de elogiar.
Oito anos passaram com a presença do segundo Bush – o outro foi o pai -, período este que o próprio considerou positivo. De facto, não é de estranhar que, em todo o mundo, onde houver um ser humano que tenha tido uma responsabilidade de comando de grande relevo, este não afirme que a sua acção foi de grande utilidade e não mostre que se sente “orgulhoso” por tudo aquilo que deixou na sua passagem pelo poder. São assim os homens!
Há que reconhecer, no entanto, que a temporada “bushiana” ficou marcada por um acidente de terrorismo que lhe calhou e que transtornou seguramente uma actuação que, se não fosse isso, talvez pudesse deixar uma marca diferente. O 11 de Setembro deixaria qualquer governante em estado de choque e, tal como sucedeu agora ao comandante do avião que, no rio Hudson, mostrou enorme sangue-frio e inexcedível sapiência, era isso que se impunha no momento grave que os E.U.A. atravessaram, como consequência do choque propositado dos dois aviões nas torres gémeas de Nova Iorque.
Só que não abundam por aí pessoas que, nas alturas decisivas da sua existência, sejam capazes de escapar às imperdoáveis asneiras tipo Iraque, Afeganistão e várias outras que marcaram uma condução do mundo para um irremediável retrocesso que vai levar muito tempo a sarar.
Deste estamos libertos. Vamos pensar no futuro. E aguardar que o mal não se repita.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A ÁGUA

Já cá estavas quando eu nasci
bebi-te ainda sem saber quem eras
terei gostado, sim, gostei deveras
matando a sede, por isso sorri

Ó água pura que ainda existes
nem nisso pensam as gentes de hoje
se algum dia esse bem nos foge
será então que ficamos mais tristes

E esse dia terá que chegar
mesmo dizendo não os optimistas
é preciso não desviar as vistas
do mal que poderá todos matar

Água salgada, essa aumentará
mas tirar-lhe o sal é difícil cousa
na terra a que ainda repousa
virá o dia em que acabará

A Igreja chama-lhe água benta
e com esta baptiza as criancinhas
serão elas talvez, as pobrezinhas,
que terão de enfrentar tal tormenta

É ainda o líquido precioso
que tem servido para enganar
misturado no que se vai provar
pois é vício deste mundo enganoso

E na vida faz bem ter certa fé
é muito bom crer no que quer que seja
e em vez de água beber cerveja
como em seu lugar tomar água pé

Mas para ambas é essencial
essa água que não pode faltar
da mesma forma que não haver ar
é morte certa p‘ra qualquer mortal

Mas será que neste mundo em mudança
onde tudo se inventa cada dia
alguém conseguirá a utopia
de atingir a bem-aventurança?

Não sendo a água já tão necessária
ficamos nesse caso descansados
temos de olhar para outros lados
para outra coisa também primária

Porque não acabam as aflições
excesso de gente causa problemas
e serão tais os vários dilemas
que o melhor é não ter ilusões



DESENCANTO... POTR ENQUANTO!


Ter a ânsia de ser perfeito é o caminho certo para a insatisfação. Fazer qualquer coisa e concluir, no final, que foi obra sem defeito, digna de rasgado elogio, até memorável, ficar com essa convicção pessoal dará enorme prazer se não mesmo orgulho, que é a maneira feia de declararem a sua satisfação.
Esses, os tais que se orgulham por aquilo que fazem, que se sentem os melhores, de produzir o mais belo, de serem insuperáveis, que gostam muito do que praticam, tal gente vive em pleno a felicidade.
Todos os outros, de uma forma geral, perseguem a perfeição. Procuram-na incessantemente. E há os que passam ao lado e não se preocupam muito em atingi-la, embora apreciem ver os outros alcançá-la. Já não é mau.
O fazer e o refazer, o não encontrar nunca a fase definitiva ou dando a custo por acabado o já feito sem estar contente com o resultado, o desconsolar-se por não conseguir transmitir ao papel, à tela ou à pauta aquilo que vive no seu espírito, esse excesso de perfeccionismo, sendo inimigo da criação constitui, por outro lado, uma via de insistência que, poderá acabar por dar frutos aceitáveis, se não para o próprio talvez para os outros. Vale sempre a pena persistir.
É do fazer, mesmo sem rasgos de genialidade, que nascerá a possibilidade de viver alguma coisa que valha pena, ainda que não seja completamente aquilo com que se sonhou. Mas, mistério dos mistérios, por vezes surge a obra. Quando menos se espera. Aleluia! – era isto que queria dizer – exclama o que escreve, pleno de dúvidas, contemplando, com surpresa, a frase perfeita, a ideia precisa, o tema bem desenvolvido. E é assim com o pintor, como com o que compõe música. E quando a obra ideal sai à primeira, é porque estão num dia de sorte.
Os chauvinistas estão permanentemente em dias de sorte. Os insatisfeitos raramente os vivem. A questão está em saber quais são os que têm mais mérito, se uns se outros. É evidente que tudo está subordinado à qualidade da obra que produzem, mas, segundo se sabe, os mais admirados pelo que deixaram ao mundo são aqueles que, em vida, não mereceram admiração e foram até incompreendidos e mal tratados.
Ninguém perguntou a Goethe quanto tempo levou ele a escrever o Fausto, o qual só concluiu quase no fim da sua vida. Provavelmente, dada a demora, escreveu e reescreveu inúmeras vezes muitas das suas passagens.
Houve e continuará a haver alguns admiradores de si mesmos que produziram e produzem obra digna de registo. Isso, nas artes, está bem de ver. Mas tais entes felizes são a excepção. A regra é outra.
Dá para pensar se isso de fazer obras-primas, de transformar o sonho em realidade extasiando os observadores, tanto pode ser resultado de um trabalho repetido, reconstruído, renovado dos insatisfeitos, como também sairá das mãos dos repentistas, dos que produzem à primeira. E, sendo assim, pode-se concluir que o génio tanto paira nuns como nos que se apaixonam pelo que fazem.
Pode-se concluir? Mas haverá alguém que conclua alguma coisa que não seja logo objecto de contestação?
O melhor é aceitar as coisas como elas são e não querer ter a desfaçatez de pretender tirar conclusões. Eu, por mim, fico-me com as dúvidas.

MALDITA CRISE



Era inevitável. E eu tenho experiência própria do caso. A descida do número de leitores e/ou de ouvintes e, sobretudo, a baixa dos valores da publicidade constituem as causas fundamentais de um órgão de comunicação não conseguir suportar os gastos que garantam a sua existência. Por vezes, o recurso a notícias e reportagens que atinjam o interesse dos consumidores do produto que se oferece ao público, o que justifica, mesmo que mal, nalgumas ocasiões mais graves, recorrer a excessos de informação para recuperar público que se tenha extraviado – razão dos namoros e desnamoros inventados com figuras públicas -, essa actuação apresenta-se como forma decisiva para manter o jornal, a revista, a rádio e também a estação radiofónica em contacto com o público. Trata-se de um produto como outro qualquer e se não existir quem o adquira ou ajude a pagar as despesas, o seu fim é apenas uma questão de tempo.
Não admira assim tanto que surja agora a notícia, trazida a lume, naturalmente, por outro órgão concorrente – é feio, mas é o que sucede – de que a empresa proprietária dos títulos “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias”, “24 Horas” e a estação de rádio TSF, face às tiragens insuficientes no que diz respeito às publicações e à pouco alta audição da emissora se vê forçada a despedir 122 trabalhadores, dos quais 75 são jornalistas. É, particularmente para mim, uma comunicação que entristece, pois refere-se a deixar sem trabalho profissionais que, tendo na escrita a sua razão de existir, se vê na necessidade de mudar de maneira de ganhar a vida, aumentando o já tão grande número de pessoas do mesmo ramo que anda por aí à espera que a situação económica dos meios de comunicação social se altere, o que, infelizmente, não há indícios de que tal suceda, pelo menos tão cedo.
Afinal, já todos sabemos que esta onda de desemprego que grassa por muitas partes do mundo e que, no caso português, nos deixa verdadeiramente preocupados pela dificuldade em encontrar uma solução, não atinge apenas os jornalistas. Na área da actuação dos humoristas, até os que chegaram a um patamar superlativo na nossa televisão, nota-se claramente que, no mínimo, o receio de se perderem oportunidades que antes andavam na área da fartura, não é já fácil de esconder..
Pelo menos é o que se pode concluir pela afirmação tornada pública, produzida por Herman José, quando disse, com todas as letras, a quem lhe perguntou perante a expectativa de vir a ter na SIC um trabalho: “eu tenho boa boca, em termos televisivos; adoro apresentar concursos, adoro humor, adoro música, adoro culinária, dificilmente me sentirei desconfortável num formato e não nego a possibilidade de alinhar por outras estações. Eu nunca digo nunca”.
Quando isto sai da boca de alguém que, há algum tempo, negociava os seus “cachets” do alto de um pedestal, bem se pode imaginar o que pensam os outros, muitos, que andam por aí a pedir emprego
.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

AS QUINAS


Em certa manhã de nevoeiro
Vai despertar aqui no País
A esperança de ser feliz
Trazida por um alvissareiro?
Em Terra de tantos pacientes
Ainda há fé em epopeias
Pois o sangue que corre nas veias
Vem de outrora, de antigas gentes
Por mais que se julgue adormecida
A ânsia do Mostrengo matar
Grande coragem não vai faltar
Sempre se vai dar a acometida
Tanta apagada e vil tristeza
Que é apanágio do Português
Não quererá que um dias, talvez
Ponha à mostra a sua sageza
Para os últimos deixarem de ser
P’ra entrarem no comboio perdido
Há que soltar o ar abatido
E sem demora correr, correr
Olhemos aqui para os vizinhos
Esses, doutros tempos, Castelhanos
E honremos os velhos Lusitanos
Seguindo então novos caminhos
Por mais que estejam adormecidos
Mesmo que pouco e mal se lute
Não se há-de perder o azimute
No fim não sairemos vencidos
Discutir-se-ão muitas opções
Os políticos debitarão
Mas negar, nunca o negarão
Esse mar que nos cantou Camões
Seguro que vai ser necessário
Que a fome nos ataque primeiro
E que se faça um grande berreiro
A lastimar o nosso calvário
Mas p’ra atingir tão grato projecto
De os da Europa sermos iguais
Só teremos, oh simples mortais
Que rogar ao Supremo Arquitecto

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Parece-me que, noutro escrito, já me referi a este tema. Se sim, como não releio o que redijo, para não me arrepender e dar o dito por não dito, não posso confirmá-lo. Mas, também não me importo de repetir. A insistência dará o seu resultado. Já lá diz o ditado que “água mole, em pedra dura…”
A questão é a de esta nossa capital mostrar uma plena aversão às flores. Não será a cidade, ela própria, mas sim quem dispõe de poder para interferir no seu aspecto e na sua funcionalidade. Alguma coisa de útil, de belo, de imaginativo. Que, sem mexer muito nos cofres da Edilidade, seja digno de aplauso por parte dos lisboetas.
E quando me refiro à ausência de canteiros, vasos com flores e tudo que possa servir para exibir plantas lindas, não quero dizer apenas o acto de as plantar, mas também manter uma equipa de jardineiros que cuide regularmente da sua manutenção.
Mas não só isso. É imperioso educar os cidadãos, de modo a respeitarem o que está florido. Dizer-lhes, por todas as formas que a comunicação oferece, que as flores pertencem-lhes, que estão ali para agrado da população.
E essa educação, como tantas outras, começa no ensino primário. Entusiasmando e premiando as escolas que fomentem, como já se tem visto nas praias, a limpeza dos espaços floridos. Retirando os restos de cigarros, os papéis e tudo que esteja a mais.
As Juntas de Freguesia deviam ter essa preocupação em cada zona a seu cargo. Era dividir o trabalho pelas aldeias…
Mas, que fantasia a minha! Como isto que se escreve com a maior facilidade, pudesse ser acolhido de bom grado por aqueles que lhes custa viver em comunidade. Eu, por mim, dou uma ajuda. Sugiro. Já é alguma coisa.
E se me refiro a Lisboa, que é o que tenho à mão, estendo esta observação a todo o Portugal. Porque a carapuça serve a quem a enfiar. Ou a quem, podendo mudar as coisas, não faz nada pela terra onde vive. Se este texto vier a figurar num livro e esse chegar a diversos pontos do País, então que os que o lerem metam a mão na consciência. E digam se não fica mais bonita a aldeia, a vila ou a cidade onde residem, com flores espalhadas e cuidadas. Claro, bem cuidadas!...

DE BICO CALADO!...




Pois é evidente que os advogados também servem para isso: para atrasar o mais que for possível as decisões finais dos Tribunais, especialmente quando existem grandes probabilidades de os arguidos que defendem virem a sofrer penalizações que são, naturalmente, consequência da acção das acusações que, por seu lado, também existem para levar a cabo a razão de ser das suas profissões.
E é assim a Justiça. Uns defendem, outros acusam e os Juízes decidem. Mas, em Portugal, toda uma trama de procedimentos faz prolongar excessivamente as resoluções finais. As pesadas burocracias que são tão costumeiras em tudo que envolve as actuações do sistema oficial e que os cidadãos, quando lhes convém, aproveitam o mais que podem, nestes casos jurídicos são recursos a que os advogados, de um ou de outro lado, deitam a mão. Segundo parece, no tristemente célebre julgamento Casa Pia, que se tem arrastado ao longo dos anos, com prisões preventivas primeiro e solturas depois, surgiu agora o pedido de inquérito parlamentar à investigação depois da decisão do colectivo de juízes.
Já se assistiu a esta variante da Justiça nacional com o interrogatório que pretendeu ser feito pelos deputados da Assembleia da República escolhidos para o efeito, que resultou num profundo silêncio por parte do desejado inquirido, o ex-responsável principal pelo Banco Português de Negócios, Oliveira e Costa. Ou seja, ficou tudo em nada. Agora, o advogado Sá Fernandes, defensor de Carlos Cruz, entendeu que poderia deitar mão a este prolongamento do caso, e isto já depois de a juíza Ana Peres ter feito uma chamada de atenção a todos os intervenientes no processo devido aos atrasos que se têm registado no início das sessões e, que segundo as contas da magistrada, as demoras dos advogados, arguidos e procuradores já representam dez semanas de julgamento.
Não me cabe comentar as atitudes que são tomadas pelos intervenientes nos casos que se encontram em pleno andamento judicial. Se se situam dentro da legalidade, a única estranheza bem perto da indignação é que, em vez de se avançar com a rapidez que a Justiça impõe, para ser justa, se utilizem todos os meios ao alcance para demorar o mais tempo possível em chegar ao fim de todo o processo.
O que é difícil é evitar que a opinião pública sobre as culpas ou inocências de alguns dos envolvidos, sobretudo tratando-se de figuras públicas – como agora é modo classificar -, estando já formada há certo tempo, caso venham os intervenientes a ser consideradas inocentes, alinhe em tal decisão.
Há um envolvido em todo o processo que ninguém duvida que será o principal implicado no abuso da rapaziada aluna da Casa Pia, o Bibi. Esse, tratando-se de um “pobre diabo”, e até porque foi o único a confessar os seus erros, tem o veredicto há muito pensado pelos julgadores. Todos os outros, mesmo incluindo responsáveis ao nível governamental, que tendo tomado nas alturas conhecimento da situação que se vivia, não se quiseram envolver em problemas, esses, muito possivelmente, deslizarão por entre as malhas e sacudirão a água do capote.
Que mais há a dizer? Muito, mas bico calado…

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

MARÇO


Que viva Março, que viva !
Da Primavera e das flores
Esse mês que nos cativa
Do perfume e dos amores
O mês da iniciativa

Por lá nasci e fiquei
Marcado para o futuro
Tanto amei e desamei
E me transformei num duro
E por mim eu cá cheguei

Mês dos Peixes, diz quem sabe,
Quem crê na Astrologia
Nos seus dias tudo cabe
Muita tristeza, alegria,
Mesmo que o mundo desabe

As rosas do meu jardim
Começam a despontar
Em Março, mês do jasmim,
Que tão bem cheira ao luar
E eu, disso, falo por mim

Mesmo descrente no tema
Não sendo dele um fiel
Sempre dedico um poema
Que deixo neste papel
A Março, por estratagema
Oxalá não deixe atrás de mim um rastro insuportável.
Mas, a minha única defesa é a resposta que deu Picasso a uma das suas mulheres, quando esta o acusou de ser mal disposto com os amigos e este lhe respondeu:
“é que com os outros, não me interessa o que pensem de mim; nem me dou conta de que existem!”
Será uma desculpa.
Cada um arranja a sua.


HAMAS E ISRAEL



Tenho evitado trazer para o meu blogue o grande confronto directo que se verifica há já quase 20 dias entre Israel e o Hamas, e digo directo porque o desentendimento e a agressividade já existem há longo tempo. É que, para quem se encontra distante do conflito e só tem ideia das consequências através dos relatos que chegam das partes, mais do lado israelita do que do Hamas, que este, não sendo propriamente um País mas um grupo faccioso que não tem a menor intensão de se responsabilizar por o que quer que seja e, por isso, não quer chegar a um qualquer acordo, para o mundo que observa os acontecimentos e está de mãos atadas para pôr termo a tamanha calamidade de mortes de civis, este arrastar de lançamentos de rockets, por um lado e de bombardeamentos, por outro, não acabará senão quando já não existir mais gente para morrer.
Mas eu vou-me permitir pôr, cada um por sua vez, no lugar dos dois contendores.
Quanto a Israel, que começou por ser o primeiro a sofrer os efeitos das bombas que lhe iam caindo em cima, vindas da Faixa de Gaza, não havendo forma de pedir auxílio diplomático por forma a fazer compreender que essa atitude teria de encaminhar para uma retaliação violenta da parte judia, a única solução parecia ser a de contestar da forma que um País tem para terminar com a atitude de um vizinho, ainda por cima sob a forma oculta de grupo faccioso, e essa maneira era a de, com os meios técnicos de que dispõe e tomando conhecimento de que a outra parte não se preocupa em ter as sedes dos seus armamentos junto das populações civis, tentar destruir esses pontos onde se situavam as armas rocketeiras. Mesmo sabendo-se que a contestação iria atingir crianças, gente civil e cidadãos que só desejam viver em paz.
Colocando-me, porém, do lado hamaista, com o ódio que me ia na alma contra uma Nação que eu não considero merecedora de existir, revoltado por saber que há judeus por todo o mundo e que se auxiliam uns aos outros, tendo eu, muçulmano, apenas como objectivo escorraçar para o Mediterrâneo aquela gentinha que, ainda por cima, vive melhor do que se passa comigo, é incomparavelmente mais culta, é possuidora de um pequeno território que, comparativamente com a área ocupada pelo povo árabe nem tem expressão, estando desse lado e sabendo que a minha religião me apoia em tal posição de menosprezo pelos israelitas e que, qualquer acto suicida que pratique será recompensado pelo Além, com a deliciosa companhia de virgens disponíveis a fazer-me feliz, na posse deste princípio quero lá saber do que o mundo ache ou deixe de achar e, mais a mais, tendo do meu lado a maioria dos magnates do petróleo a poder exercer o seu poder sobre os que não concordem com a minha atitude, sendo assim não contem comigo para baixar os braços e declarar-me vencido pelos meus adversários.
Eis-me, pois, a fazer aquilo que, muitas vezes, é a melhor maneira de julgarmos uma situação. Pormo-nos a fazer o papel de cada um dos adversários.
Agora, àparte esta posição que tomei de Pilatos, tendo-me posto de fora, por mim próprio adianto uma opinião: é a de que o Hamas, quando se vir completamente perdido, com os túneis todos inutilizados de onde recebe os auxílios do exterior, sobretudo o material bélico, então nesse momento, que deve estar aí a chegar, anuncia que estará disponível para chegar a um consenso. E com isso quer dar mostras de que não será por sua culpa que continuarão as mortes de civis. Entretanto, nesse período, volta a juntar forças e recomeçará na primeira ocasião.
Isto digo eu e não sou bruxo!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

EUROPA

Essa Europa de que tanto se fala
e de que muitos querem fazer parte
não encontrou ainda o caminho,
anda confusa,
anda perdida,
está a gastar tempo,
está a correr o risco de ficar pelo caminho.
A Europa das Nações é um sonho,
ter um objectivo comum
uma Constituição para todos,
um governo geral,
uma moeda igual – que já tem,
com línguas diferentes
costumes desiguais
bandeiras distintas
regiões autónomas,
conseguir tal objectivo, não é fácil.
E porquê,
se todos desejam fazer parte do grupo?
A resposta é simples:
é que a Europa é constituída por seres humanos,
também ela
como o resto do mundo
e é por isso que o entendimento,
a comunhão de ideias
e de interesses,
a capacidade de não exigir o comando,
o desprezar interesses pessoais,
o atender ao bem geral,
tudo isso falta ao Homem.
Querer ser o chefe,
o que manda,
desejar a melhor parte
é isso que destrói as comunidades,
é por aí que se partem as uniões.
A Europa chegou até onde está,
conseguirá avançar mais um pouco?
Mas quando?
E por quanto?
Até que ponto resistirá às discordâncias?
Ficará num mito?
Abdicarão os homens do muito mal pelo pouco bom?
E as regiões que, por essa Europa,
lutam por independência
estão a passar de moda?
Já eram?
Que isso de querer ser dono da sua rua
deixou de ter razão de ser?
Pois não parece…

E a emigração de que este Continente
está a ser alvo?
Os milhões de populações não europeias
que já entraram
e os milhões que virão a caminho,
instalando-se
tendo filhos,
muitos,
o dobro,
o triplo,
o quádruplo
dos naturais da Europa,
que mudança já provoca
e muito provocará
ainda mais
nos hábitos, costumes, língua,
cor da pele
na tradição europeia?
Daqui a cinquenta anos
quem cá estiver
e os que venham a ocupar
as terras europeias,
Paris,
Londres,
Madrid,
Berlim
todas as grandes cidades
deste Continente,
não encontrará nada igual ao que existe hoje.
Os adivinhos
que tenham a capacidade de ler no futuro
que desvendem esse mistério.
Talvez seja preferível, agora,
não saber…

Contemplando os homens de hoje
não será inevitável fazer
um exercício de reflexão
cauteloso?
E a pergunta impõe-se:
Como é possível existir uma Europa
com este material humano?
Essa Europa do todos por um
e do um por todos,
que vem nos livros
e se coloca nas bandeiras dos clubes
é uma forma de actuar
à moda antiga,
Porque a realidade de hoje é outra.
Afinal podemos ter esperança?
Será melhor persistir na Europa
ideal,
unida,
sonhada para ser eficiente,
capaz de juntar vontades,
interesses,
forças?

Deixo aqui a pergunta
esta e todas
e sei que há duas respostas,
antagónicas,
contrárias.
Uns, os crentes por natureza,
acreditam no êxito,
têm fé que os homens
encontrem o bom senso.
Outros, nos quais me incluo,
perderam a esperança.
Andamos a enrolar o tempo,
assistiremos aos altos e baixos,
aos avanços e aos recuos,
às reuniões,
aos banquetes
às discussões,
aos abraços,
às viagens para um e para outro lado,
aos discursos inflamados,
aos processos de intenções,
aos amuos,
aos sorrisos forçados,
às fotografias de grupo
todos em bicos de pés,
mas não passará disso,
ficará sempre nisso…

Europa unida,
em bloco
toda igual,
vivendo todos bem, os europeus?

Que sonho mais lindo!

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Ter convicções irredutíveis, não admitir que uma posição tomada seja susceptível de erro, de deficiente análise, de teimosia que nada tem a ver com coerência, ser fanático por um princípio, por muito que não existam provas irredutíveis que sustentem uma crença, assumir-se com uma rigidez tal que não admita controvérsias é o mesmo que possuir uma doença moral que se transmite ao corpo, obrigando-o a práticas, movimentos, situações que, por vezes, quase roçam o ridículo.
O fanatismo é a perigosa posição que o Homem assume quando quer defender, a todo o transe, uma religião, uma ideia, até uma cor clubista, como um princípio filosófico, político ou de qualquer outra índole. Só que, estando todos sujeitos a oposições, a pontos de vista antagónicos, prestam-se a confrontos e discussões.
Pior que um fanático, só outro fanático de cor contrária. Não há espaço para o diálogo. O colocar sobre a mesa os elementos que fortaleçam a convicção de um e o ouvir, tranquilamente, as contra-posições dos outros, é compromisso que este tipo de gente não aceita. A briga é o argumento mais válido pata tentar convencer o adversário. E, quando isso ocorre ao nível das nações ou de qualquer grupo arregimentado por ideias sustentadas por crenças inamovíveis, o resultado é invariável: o confronto feroz e a destruição mútua. Sai vencedor o que tem menor prejuízo.
São sábios os que não aceitam qualquer tipo de fanatismo. Aqueles que deixam que outros pontos de vista também tenham os seus seguidores. Os que encontram no contrário, razões que a sua razão não tinha descoberto.
Sendo o futuro um mistério permanente e o presente uma janela aberta a que nos debruçamos, ávidos de ver o que se passa na estrada da nossa vida, a dúvida parece ser a posição serena mais adequada para poderem ser suportados os contra-tempos que talvez surjam na curva que, mais adiante, nos espera. Termos a presunção de saber o que vem a seguir, confiarmos cegamente no que os autores de livros, tidos como sagrados, não coincidentes entre si por serem de crenças diferentes, e que nos garante cada um ser a verdade absoluta, agarrarmo-nos a fanatismos só porque eles são a presumível protecção do Homem, arrastarmo-nos pela via-sacra da vida sem vontade própria e sem discutirmos posições é o mesmo que entregarmo-nos, de corpo e alma, ao que vier a seguir, mesmo que seja apenas o pó de onde viemos e para onde vamos.

FUI AO "JARDIM" DA CELESTE!...


Se não existisse tinha de ser inventado. Mas não nas funções oficiais que exerce, que essas têm de ser extremamente sérias para que sejam usadas como “entretainer”.
Ninguém seria capaz de imaginar um presidente governamental de um governo regional com a linguagem e o comportamento que são permanentes em Alberto João Jardim. Só uma enorme vontade de dar nas vistas, de marcar presença sempre que surge em público, apenas isso justifica, ainda que mal, que um político utilize as expressões e as formas de qualificar os outros, mesmo os que exercem a mesma profissão e pertençam ou não ao mesmo grupo partidário que é o seu.
A chamada “entrevista” que ontem foi transmitida na RTP, supondo-se que o jornalista que se encarregou das perguntas seria capaz de as apresentar como correspondência à curiosidade dos espectadores portugueses, não passou de um discurso propagandístico daquele que, por mais de uma vez, fez questão de clamar que tinha orgulho em ser português. Na verdade, Mário Crespo, não teve possibilidade – ou melhor, não foi capaz – de suspender a “metralhadora” madeirense e de o chamar à atenção para a necessidade de lhe serem feitas perguntas, para que fossem dadas respostas rápidas e sucintas ao tema que estava na questão.
Jardim queixou-se de que o PSD não o quis para líder do partido, pois não o deixaram “acabar com os grupos e grupelhos que lá existem e pusesse a casa em ordem”. Mas não se ficou por aqui, tratando por “aqueles tipos” e “essa gentinha” todos os que não são do seu agrado, fez um ataque cerrado ao seu colega, Carlos César, presidente do governo dos Açores, e não deixou incólume Cavaco Silva, acusando-o de estar mais atento à resolução das questões açorianas do que as da Madeira.
Em resumo, aquele homem (agora sou eu a utilizar uma expressão tão do agrado discursivo do chefe da Madeira) surgiu exactamente como ele é. Não veio mascarado carnavalescamente, não se mostrou em calções de banho e barrigudo como ele gosta de se passear no Porto Santo, não puxou do clássico charuto para dar mostras de sobranceria, talvez porque não se pode fumar em frente das câmaras, mas lá que ele esteve a comandar a conversa, ou melhor o monólogo, que não deu oportunidade a que lhe fossem feitas perguntas que estavam na ponta da língua de muitos cidadãos que não andam distraídos com estes casos da nossa política, isso sucedeu e deixou a sua marca ainda mais profunda que, pelos vistos, é muito apreciada pelos madeirenses. Por isso já o elegeram e reelegeram tantas vezes.
Pensando bem, se calhar, eu, se fosse natural ou vivente naquele Arquipélago, também votaria sempre Jardim. É que, com o dinheiro que vai da Metrópole ou não, ele tem feito melhorias notáveis naquelas ilhas. Fui lá muitas vezes e, de cada vez, me surpreendi pelas diferenças que encontrava. Nas estradas, no aeroporto, nas povoações.
Que continue por lá, mas que não nos castigue esteticamente com a sua presença e as suas palavras!...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

VER

Aquilo que eu vejo hoje
o que gosto e o que detesto
as flores, as árvores, a Natureza
e as maldades dos homens
só é possível porque os meus olhos
ainda funcionam
e é com eles que o meu cérebro
raciocina
se alegra e se revolta
se sensibiliza
me obriga a olhar para trás e para a frente
a parar para ver melhor
a espantar-me com o belo
e com o desprezível

Mas penso se um dia
deixo de ver
se terminam as minhas contemplações
se se fecha a janela da vida
se só poderei
ouvir, apalpar, falar
e só com isso serei capaz de decifrar
o que se planta diante de mim,
então o cérebro trabalhará a dobrar
penso eu, mas talvez a falta de visão
descanse mais o pensamento
o que não se vê
se não mostra a beleza
também não revolta
quando é isso mesmo:
repugnante

O pior é a leitura
o breille ajuda, dizem os invisuais
mas não se anda tão ao par
do que vai saindo
e que valha a pena
embora, por outro lado,
não se tenha de assistir
à enormidade de lixo literário
que as editoras atiram para a rua.

É melhor ou pior ser cego?
o ideal é não se conhecer nunca
a resposta
ficar na dúvida
questionar-se até ao fim.
Por enquanto, já que vejo
deixem-me ficar assim!...

DESENCANTOS... POR ENQUANTO!

A entrar a porta do meu café vem uma senhora que, lá fora, tinha estado a distrair-se com um bebé que gesticulava num carrinho. Vi através dos vidros. E, satisfeita com a reacção da criança, trazia um largo sorriso, que se manteve durante algum tempo, mesmo depois de estar sentada a uma mesa. Foi desaparecendo a pouco e pouco, até que permaneceu séria de todo.
É curioso! Quando nos rimos, não passamos velozmente desse estado de alegria para o da seriedade. É tudo com o seu espaço de tempo. E o contrário?
Procuro recordar uma situação a que tenha assistido, em que um ser humano, profundamente abalado por um desgosto, choroso, de repente passe dessa situação à antagónica, à risota, provocada até por algum dito gracioso, mudando de semblante e mesmo com lágrimas a escorrerem-lhe ainda na cara, mostra os dentes num riso aberto.
Quer dizer: é mais vulgar um chorão começar a rir, do que um risonho mudar de repente de aspecto, passando do sorriso para um choro convulsivo. Porque será?
Temos exemplos, quando assistimos a um espectáculo: Durante uma comédia, as graças transmitem-se com facilidade e o riso na assistência mantém-se algum tempo, mesmo depois da cena passar. Mas, ao vermos um drama, comovemo-nos, mais ou menos intensamente, mas, se a cena logo a seguir for alegre, quem assiste ao espectáculo pega, de seguida, no sorriso e até na gargalhada.
Estou a descrever esta situação bizarra e a duvidar sobre a certeza do que fica afirmado. Quem vier a ler estas sentenças que tire as conclusões resultantes da sua experiência. Dá-me razão ou estou, simplesmente, a divagar num equívoco?

ZANGAS



Francamente era a última coisa a esperar que sucedesse numa altura em que toda a nossa preocupação deveria estar mobilizada pelas formas de solucionarmos a maldita crise que os homens criaram e que, como uma moléstia pegadiça, se tem vindo a propagar por este mundo que uns tantos apelidam “de Cristo”. Refiro-me, como não podia deixar de ser, a essa de Sócrates e Cavaco Silva andarem a “pisar os calos" mutuamente.
Quer dizer, tal como namorados com arrufos, depois de serem acusados de andarem com as línguas na boca um do outro, como era o que diziam as Oposições que, obviamente, não lhes agradava ver os dois expoentes máximos do poder político nacional a estarem de acordo permanente, a dada altura, por ataques de ciúmes, desentenderam-se e vai de fazerem caretas e de se porem de costas. E tudo porque um intruso, de nome Estatuto dos Açores, surgiu e criou uma crispação que pôs em causa o comando caseiro de uma das partes. E como nenhum dos noivos quer ficar a mandar menos do que o outro, vai de bater com o pé e de dar início a zangas que não surgiriam se o referido diploma não tivesse criado a ferida.
No fundo, trata-se de um desentendimento que não justifica o mais pequeno desacato, pois basta que uma das partes dê o braço a torcer para que tudo fique na paz dos anjos. Mas nós sabemos como são os homens, que nunca estão dispostos a dar o primeiro passo e a estender a mão ao pretenso ofendido do outro lado, resolvendo o problema sem arrelias nem amuos.
Vistas as coisas e salvaguardadas as necessárias distâncias, afinal o que se passa entre Israel o tal Hamas é uma outra situação em que duas frentes se julgam donas da razão e nenhuma se encontrar na disposição de claudicar dos seus propósitos, pelo que, em vez disso, se vão agredindo, com prejuízo das populações que vêem os seus bens e os seus familiares serem destruídos. Se há uma que bate mais duro do que a outra, esse é um pormenor. Doloroso, mas só uma consequência do desencontro de opiniões. Pois que bastaria ambas guardarem as suas armas de arremesso e cada uma seguir o seu caminho e reconstruir o que ficou desfeito, ajudando-se até uma à outra naquilo que fosse possível. E tudo ficaria resolvido.
É, evidentemente, uma comparação que muitos julgarão despropositada. E, claro, só tem equivalência no ponto de vista da capacidade dos homens de conseguirem procurar o entendimento, em vez das desavenças.
No nosso caso, talvez um acordo, quanto mais cedo possível, entre Sócrates e Cavaco Silva no que diz respeito às datas das três eleições em 2009, sabendo-se que, na verdade, as junções possíveis só contribuirão para economizar gastos públicos e paciência dos eleitores, essa chegada a um consenso pode representar uma forma de colocar um pano sobre os desencontros de opiniões.
Mas que optimista que eu estou hoje!...

domingo, 11 de janeiro de 2009

VERSOS LIVRES

Aqui estou eu à frente do papel
à espera que a inspiração me chegue
olhando para a rua a ver passar
aqueles que não olham para a folha
em branco à espera de estar cheia
de letras, de palavras e de versos

Serão felizes esses que não puxam
por um génio que não lhes faz falta?
Quem sabe se não seria melhor
conhecer tudo sobre o futebol
preocupar-me só com o meu clube
e andar em dia com o jet-set?

Se fosse assim, poemas não fazia
e descansava quem vier a ler
todos os versos livres e bem livres
porque de rima mesmo nada têm
e a cadência é o que lhes resta
mas mesmo assim encheram o papel

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Não, não é bem tédio o que sinto. Porque tédio é o enjoo de tudo e de todos. É a repugnância em conviver. É a ânsia por alguma coisa que não se sabe o que é. Será também um aborrecimento com a vida, toda ela, e o não se sentir bem em qualquer parte. O desejo de mudar, sem saber bem para onde.
Deduzo, portanto, que não é tédio o que me atormenta. O que será então?
Esta espécie de angústia que me invade o peito, o respirar fundo sem satisfação completa, um nó na garganta que parece apertar a glote, o mau sabor que sinto no café que acabei de beber, o não distinguir as mulheres bonitas das feias que passam no passeio, o desconforto que me provoca o acelerar dos motores dos carros que vejo pela vitrina do meu café, tudo isso pode ser o quê?
Procuro descobrir, cerrando as pálpebras para nada se intrometer na minha análise e, com a dúvida que me faz sempre companhia, julgo poder concluir que é cansaço. Mas não o físico, aquele que faz respirar afogueadamente quando se pratica um exercício em excesso, não esse mas o espiritual. E ponho-me a tentar descobrir o que é isso, afinal, do cansaço espiritual.
Ao ler as notícias todas as manhãs, é muito raro não sentir revolta com o que é transmitido. E como é feita essa comunicação. Porque não posso deixar de me colocar na posição de quem poderia resolver uma situação crítica que suceda no mundo. E especialmente perto de nós. E indigna-me verificar que esse alguém, que tem poder para decidir e tentar solucionar o problema, adia, desculpa-se, não dá razão a quem o acusa de moleza e passa à frente. Ver gente incapaz provoca-me cansaço.Igualmente fico cansado por dentro quando oiço locutores – antes tinham esta designação, no tempo em que tinham boas vozes, eram bem escolhidos porque falavam um português escorreito e não eram admitidos por cunhas, mas sim depois de provas prestadas – quer de rádio quer de televisão, a darem pontapés na gramática e a fazerem paragens nas frases de forma anormal, com uma respiração não ensinada correctamente. Fico cansado com os “logo mais”, os “digamos”, os “de alguma maneira”, por tudo e por nada, como sucedia numa moda que já terá passado, com o “portanto”.

PORTUGUÊS MAL TRATADO



Hoje, domingo, estando um dia de frio mas com o sol a iluminar Lisboa, existindo a necessidade de ter cuidado com os gastos que podem ser evitados, com a gasolina, por exemplo, ponho-me a pensar em casa, a reler livros antigos (ando à volta com “Os Maias” que, no meio de uns doze que tenho ali ainda por abrir, é o que me apetece rememorar), ainda consigo tomar contacto com as notícias dos jornais e de me pôr no lugar das duas frentes em guerra, Israel e o Hamas, sem saber exactamente o que faria se eu fosse um deles e me agarrasse fortemente às minhas razões para me indignar com o adversário que me estava a atacar – eu, pessoalmente, tenho a minha opinião, mas não tenho poder para acabar com o dilema – e, no meio disto tudo, ao ouvir um interlocutor que surgiu na televisão e que usou e abusou do termo “o personagem”, isso mesmo, no masculino, deu-me ganas de não interferir hoje nos assuntos que existem nesta nossa Terra e ficar-me por isto que é a nossa rica língua portuguesa e que, com os modernismos que surgem com uma velocidade estonteante, se vai alterando a contra-gosto dos que têm prazer em ir mantendo o que está tão bem e que não existem razões para se mexer.
Eu sei que as línguas não são estáticas, que a evolução da vida provoca alterações que o próprio povo introduz nas palavras e nas expressões, ao ponto de, com o passar dos anos, aquilo que se dizia e até escrevia de uma determinada maneira passa a outra forma e quem não se dedica ao estudo linguístico nem se dá conta dessas mudanças. Mas, quando essas tendências de deixar para trás formas de falar de que somos testemunhas que existiam e ainda existem e somos forçados a assistir àquilo que não é outra coisa senão vícios de linguagem, não parece normal que fiquemos indiferentes e deixemos passar o mau uso da língua que temos obrigação de amar e respeitar.
Ora, esta de “o” personagem, quando sabemos que, no nosso idioma, todas as palavras terminadas em “agem” são femininas – garagem, imagem, vantagem, coragem, passagem, etc., etc… -, ao contrário do que sucede em castelhano, em francês e em italiano (mas os porquês não vêm agora a talho de foice), sobretudo quando esse masculino é usado por actores, que, mais do que todos os outros, têm obrigação de não falar errado, esta pena que reside em mim de ter de suportar palavras que, no meu tempo de escola primária, mereciam benditas palmatoadas, esta angústia é um mal de que já não me livrarei enquanto por cá andar.
É como um apresentador de televisão, que não tem culpa de o aceitarem à frente das câmaras dando permanentemente mostras da sua incultura, da sua falta de vocabulário, de tal forma que tem de recorrer permanentemente ao “digamos” para preencher os espaços em branco em que o discurso lhe escapa, é também como o que sucede com esse (i)responsável pela “faladura” pública que me põe neste estado de depressão e de tristeza por ver a nossa linda língua a ser devorada todos os dias.

sábado, 10 de janeiro de 2009

MULHER

Na Ferreira Borges, na esplanada
vejo passar eléctricos e carros
não pensando e não fazendo nada
vejo as mulheres fumando cigarros

E são muitas mais elas do que eles
é que os homens estão a desistir
pois não são demais todas as cautelas
e será sempre bom o prevenir

Grande volta tem dado todo o mundo
e por cá é grande a diferença
é que ninguém quer ficar em segundo
na saúde, já não na doença

É o que se passa com a mulher
ficar para trás nenhuma deseja
hoje actua em qualquer mister
assim do homem já não tem inveja

É vê-la militar, até polícia
guarda-freio, taxista ou bombeiro
aquilo que não tem é imperícia
pois hoje até já há mulher barbeiro

Nos tribunais em número superam
todos os machos que por ali andam
a pouco e pouco elas se apoderam
dos lugares cimeiros e onde mandam

Depois de tantos séculos segundas
ascenderem é justo, muito justo
pois não têm só que ser fecundas
nem na maternidade sofrer susto

Em cada duas mulheres só um homem
este o futuro que se espera
assim será difícil que retomem
os machos primazia que houvera

Será que desta forma melhoramos
com as mulheres comandando o mundo?
depois de ver ao ponto a que chegamos
ganhamos esperança bem no fundo

Há em tudo isto um problema
é que as fêmeas têm de parar
cada vez que enfrentam o dilema
de a novo rebento dar lugar

Como é preciso haver gente nova
para poder equilibrar os velhos
é precisamente tamanha prova
que necessita de sábios conselhos

Na Ferreira Borges, na esplanada
a ver passar toda a gente na rua
sempre penso e não fazendo nada
algum desassossego se atenua

Imaginar o futuro bem faz
ver mulher no topo não apoquenta
não ser já o homem o Ferrabrás
a quem não viver lá não atormenta

Preparai-vos mulheres de toda a Terra
Vai ser duro o que vos espera: a guerra

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Francamente, entendo que é altura de me interrogar sobre a razão por que ando eu nesta azáfama de escrever. De aproveitar todos os momentos para encher os papéis de palavras, uns dias prosa, outros dias a poesia.
Pergunto-me e não obtenho resposta. Isto de vir rodos os dias ao café, beber uma bica, amenizar com um copo de água e tirar da pasta as folhas de papel já escritas de um lado para aproveitar as costas em branco para, logo de seguida, encher de texto o que está ali à minha disposição, este exercício que já se tornou rotineiro nesta altura da minha vida, serve para quê?
Trago também na pasta três ou quatro livros que, por vezes, me ajudam a puxar pela imaginação. Como sucede neste momento, em que reli um texto do meu inspirador preferido, Fernando Pessoa.
Mas, frequentemente, quando saio de casa e me encaminho para este café habitual, já venho pelo caminho a mastigar um tema, o qual se me salta ao reparar em qualquer situação que surja aos meus olhos.0s jornais e os seus títulos constituem também um apreciável manancial para me agarrar a um assunto.
Torno, porém, a fazer a pergunta: Para que serve debruçar-me, na mesa do café, sobre as folhas que disponibilizo para serem preenchidas com texto que ninguém encomendou?
Na busca de uma resposta, chego a concluir que isto de escrever é um vício. Sempre o fiz toda a vida, só que antes era por obrigação e agora é por devoção. No tempo anterior era remunerado pela escrita que produzia e agora não recebo se não a satisfação interior de admitir que a prosa ou o verso que produzo não constituem um absoluto tempo perdido.
E é tal ilusão que me leva a repetir, diariamente, essa via-sacra até ao café. Embora, com frequência, me amargure o facto de reconhecer que aquilo que escrevo não adianta nada ao mundo. Debitar sentenças ou ficar simplesmente contemplativo é igual. Mas, tenho de confessar, existirá algo de vaidade neste masoquismo da escrita. A busca da perfeição, mesmo não sendo conseguida na totalidade, é algo que está associado ao lustrar o ego. No fundo, existe sempre uma esperança de que não sejam só os outros que conseguem ser apreciados. E, por outro lado, a ânsia de certo merecimento leva a que um criador deprecie muito o que se vê nas bancas livreiras e se questione sobre se esses conseguiram interessar os editores, então algum dia chegará a vez dos desprotegidos.
Seja como for, por muito que os autores de café se sintam frustrados pela falta de interesse em publicar o que conseguem deitar para fora, compensam esse abandono com a acumulação de obra produzida.
É isso que se passa comigo. Darei razão a quem não atribui valor bastante ao que produzo ao ponto de ser passado a livro o que me sai da pena. O sector editorial é um comércio como qualquer outro e terão muito maior aceitação pública os escritos que foquem escândalos, que se refiram a amores escabrosos e sejam de preferência de autores femininos, se envolverem personagens ligadas à exposição pública de qualquer ordem, se, colocando em plano secundário, a qualidade literária, se dê preferência ao antecipadamente vendido por força da expectativa que é criada através de promoções chamativas que não têm nada a ver com a classificação do texto.
Inclino-me perante a invasão de livralhada que se situa na classe dos vendáveis a quem não mostra grande preocupação com a mínima qualidade literária. Têm razão os que vendem, porque querem ganhar dinheiro, e os que compram tal literatura, porque não têm satisfações a dar a ninguém sobre as suas preferências.
No meu caso, como o escrever ameniza o desconsolo que se me vai enraizando quanto ao mundo em que vivemos, faço-o como medicina que recomendo a mim próprio. E como os remédios não devem ser tomados sem receita médica… não tenho que obrigar os outros a seguirem a minha prescrição.

ABUSO DE PODER?... deixa-me rir!



Até dá a impressão de que o que foi descoberto agora se trata de uma raridade, de algo de que não existe conhecimento por parte da população que tem de viver com aquilo que a rodeia e sobre o qual não comenta senão ocasionalmente, quando os próprios ou alguém das suas relações têm de enfrentar as dificuldades conhecidas que os Municípios de todo o País – e se há excepções, pois que as saudemos com entusiasmo – costumam levantar perante obras novas ou arranjos que são colocados à apreciação camarária de cada zona.
Eu esclareço melhor: então não é verdade que tudo o que se trate de fazer algo novo ou proceder a modificar o que existe construído ou destruído, isto é, quando se quer levantar um edifício para substituir o que está a cair de velho ou até colocar um prédio num sítio que antes estava deserto, se torna obrigatório sujeitar o projecto, feito por arquitecto, à apreciação camarária, e aguardar pela sua autorização ou pelas alterações que são indicadas pelos técnicos oficiais?
A resposta é conhecida e ainda bem que não anda este País ao sabor dos apetites e das modas de quem quer que seja, muito embora a impressão que se tem muitas vezes é que é isso mesmo que sucede, tais as discordâncias de estilos, de alturas, de formatos e de gostos que se contempla, quer nas cidades quer nas terriolas do nosso Portugal.
Mas, para além de assistirmos a esse espectáculo, o que também ouvimos à boca pequena é que, nesta ou naquela localidade, tanto numa cidade nacional como na própria capital, a autorização camarária foi conseguida graças a uma “cunha” metida ao(s) responsável (eis) por assinar(em) o projecto que foi apresentado e que, como primeira apreciação, recebeu uma negativa, mas que, depois, graças a umas artes de berliques e berloques, saltou da escrivaninha da autoridade, desta vez com o “visto bom” e pronto a ser executado.
Não vale a pena fingirmos que isto não se passa por cá e basta perguntarmos a um arquitecto amigo para ficarmos a saber que, quem não se adapta a tais práticas, nunca consegue satisfazer as propostas dos clientes que desejam fazer obra, por mais insignificante que seja.
Por que motivo chamo este tema à colação? Pois bem, porque o noticiário de hoje aponta dois arquitectos da Câmara lisboeta acusados de abuso de poder. Ou, mais claramente, por terem aprovado um projecto urbanístico na capital, “violando deliberadamente os deveres de legalidade e de isenção e imparcialidade a que estavam obrigados”. Perante estas palavras do despacho de acusação, cada um que interprete como quiser aquilo que foi feito Eu nem faço grande esforço para tirar conclusões. Mas, o que vale a pena também é ver o reverso da medalha. E, quando as obras levam anos a ser concluídas, mantendo-se o incómodo para os residentes nas respectivas zonas e se vê que nada avança por detrás dos tapumes colocados no sítio, quem se pode indicar como responsável na Câmara Municipal de Lisboa?
É preciso indicar um sítio ou até cem onde isto ocorre em múltiplas ruas da capital? Então os fiscais que andam a fazer? Se não interferem nas perpetuações desses trabalhos, por que será? Alguém dentro do Município se incomoda a analisar a situação?
Eu, por mim, não preciso de fazer grandes conjecturas. Imagino por que seja.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

GATA DOENTE

A minha gata
Está doente
Esconde a pata
Não vira o dente

Já foi tratada
Não reagiu
Está abalada
Só se ouve um mio

Eu tenho pena
Pobre animal
Se sai de cena
Sinto-me mal

Os animais
Nossos amigos
São os canais
Doutros abrigos

Se a gata morre
E se sofrer
O que me ocorre
É só beber

Para esquecer
O seu rom-rom
Há que vencer
Pensar no bom

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Quem anda contente com o mundo, os que não querem ter razão de queixa do ambiente que os envolve, quem nunca sofreu um desgosto ou nunca sentiu o peso da doença, quem se esqueceu de um mau passado e não se preocupa com o amanhã, quem não encontra razões para se sentir desconfortável, quem encolhe os ombros a tudo que se passa, perto ou longe da sua existência, quem mantém permanentemente um sorriso, até mesmo nos funerais ou a assistir a um dramalhão, quem é assim, desta forma, existe de facto?
Se sim, só pode ser um indivíduo que, desde que nasceu, não pôs os pés na terra. Pertence a outro mundo. Desconhece tudo o que se passa por aí, ao pé da porta ou lá muito longe. Não liga às notícias.
Numa palavra: é alguém que anda nas nuvens. Provavelmente nem existe, será uma espécie de fantasma.

BASTA DE RONALDICES!



Por mais condescendência que se procure ter – e eu falo por mim -, chega a esgotar-se a paciência perante situações que são divulgadas com enorme pompa e que, comparativamente a outros casos que podem e devem ser considerados com ismos de todas as espécies, não passam de vulgaridades, dos chamados exageros que só servem para distrair os cidadãos daquilo que merece ser encarado com interesse.
Um caso que invadiu hoje a comunicação social foi o do acidente que provocou o próprio ao conduzir o seu automóvel a caminho dos treinos no Manchester United, às 10 horas e 20 minutos (e a precisão da hora também é importante!). Trata-se, como não podia deixar de ser, de Cristiano Ronaldo, o rapaz que é notícia por namorar, por deixar a namorada, por ter comprado casa nova, por andar às compras em Londres, por ter ido no seu avião particular à Madeira, por estar na piscina, por andar a apanhar sol em qualquer local exótico e num hotel de muitas estrelas, por isto, por aquilo… e por nada!
O carro que ficou destruído é avaliado em cerca de 350 mil euros, mas ele é proprietário de mais alguns, todos de alto luxo e cujo valor total se estima em cerca de um milhão de euros… Isto num jovem que é originário de uma família de baixos recursos e que, graças à sua inegável habilidade para jogar futebol, atingiu uma condição de vida que se pode considerar excessivamente elevada, ultrapassando todos os valores que, com bom senso, se podem catalogar de confortáveis.
Só que o mundo é assim. As pessoas, por muito que o desmintam, são invejosas. E só o prazer de assistir a uns tantos beneficiados com as fortunas ultra-rápidas e com os gastos sumptuosos dos mesmos, só isso faz vender jornais e ligar televisões para todos se babarem com tamanhos desperdícios que esses bem-aventurados provocam.
Claro, que cada um é dono do dinheiro que ganha e tem toda a liberdade de o gastar como entender. Mas lá que os que são ricos de nascença e nunca tiveram a noção exacto do que são carências, mesmo sem desculpa se sintam afastados dos que são forçados a dormir ao frio e a comer aquilo que lhe dão, até certo ponto isso é algo compreensível Mas os outros, os que, na infância viram por perto a escassez de meios, ainda que não tenham sido miseráveis, e que, na sua adolescência, por qualquer motivo, mesmo legítimo, foram envolvidos pela fartura desmedida, esses bem poderiam, não deixando de auxiliar a família, dada a largueza enorme de meios, deitar a mão a tantos casos que existem pelo mundo de aflitiva e revoltante fome. E, sobretudo, o que lhes competiria era fugir das notícias escabrosas, das câmaras de televisão, dos fotógrafos, dos pesporrências da fartura ofensiva. Eu, cristianos ronaldos deste mundo já não suporto. Passo as notícias deste género e não leio nem os títulos. E, se fosse hoje, director de um jornal, não propagava nas minhas páginas nem os que são jogadores inflamados, nem os que se intitulam “condes”, cantores desafinados, “jets sets” e outros que tais.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

CABEÇA PERFEITA

Ter cabeça instalada
a funcionar como deve
e o corpo, quase nada
mostra que está disponível
e que lhe é impossível
estar igual ao que era antes
é pior do que o contrário
pois quem não pensa
nem tenta
entender o que se passa
e aceita tudo que faça
mas reflectir
é sentir
que nada já é igual
que o que ocorre está mal
que as pernas não obedecem
e que os músculos fenecem
a ligeireza perdeu-se
agora só devagar
e a cabeça a pensar
a entender
a sofrer
a aceitar a velhice
bem longe da meninice
essa que foi e não volta
sem ser razão para revolta
antes tem de ser aceite
e no fundo agradecer
por não ter acontecido perder
o que resta
e fazer até bela festa
pela cabeça que impera
e que, por isso, espera
o dia do adeus final
em que já não se sente o mal.