quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

CASAMENTOS



Então não é que o problema que mais nos atormenta a nós, que em Portugal não temos mais nada com que nos preocuparmos, não é outro senão o da classificação que tem que ser dada à união de dois seres humanos do mesmo sexo e à legislação que deve orientar esse acasalamento? Até um programa televisivo semanal que, de uma forma geral, se dedica a temas que podem ser considerados de importância para serem debatidos, até esse “Prós e Contras” ocupou três horas da última segunda-feira com uma série de participantes que, com opiniões contrárias, se abespinharam a expor os seus pontos de vista.
Na verdade, ninguém tem nada com isso se dois homens ou duas mulheres resolvem viver em comunhão de cama, mesa e casa, muito embora, na verdade, não possam ver solucionado o problema do testamento natural, por morte de um dos parceiros, a menos que recorram a uma medida de doação em vida e dentro das percentagens permitidas legalmente, como tornou público Manuel Luís Goucha que assim procedeu em favor do seu companheiro actual.
Mas que, numa fase tão difícil como é a que se atravessa neste momento em Portugal, se chame à discussão o problema de se definir se a junção de dois seres do mesmo sexo se deve classificar ou não de casamento, se, perante imensos problemas gravíssimos que temos de enfrentar desviemos a atenção para um tema que, digamos a verdade, interessa, de facto, aos homens e mulheres tidos como homossexuais, mas apenas a esses que, sem ser necessário recorrer a estatísticas se é que elas existem, não podem ser consideradas como tratando-se de maiorias – pelo menos por enquanto -, essa atitude é que não pode deixar de ser considerada como de distracção do importante para se atender ao supérfluo.
Para além disso, se existe a consciência de que, a par das situações difíceis que são urgentes atender, também se pode perder algum tempo com a solução das vidas em comum de pessoas do mesmo sexo, e então que se entregue o estudo da matéria a um pequeno grupo de juristas para poder vir a sair a legislação adequada, podendo-se até equacionar se o que se passa lá fora pode ou não ser adaptado ao caso português.
Agora, que não se atropelem situações que, entre nós, nos atormentam, como o desemprego crescente, o tormento do custo de vida e o problema da baixa de rendimento das empresas, sobretudo as pequenas e médias, pois que isso sim, são realidades sérias que não podem ser arredadas para se discutir se a junção de homossexuais se deve classificar como casamento ou se terá de ter outro nome.
Haja bom senso!...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Os textos que publico no meu blogue sob o título genérico de “Desencanto… por enquanto!”, pertencem a uma obra inédita que tenho para publicar, portanto à espera de editor, e que foi influenciada pelo trabalho bem conhecido de Fernando Pessoa, sob o título “Livro do Desassossego”.
Não pretendo – seria de uma presunção inqualificável – colocar-me em posição comparativa. Mas estou no direito de afirmar que foi a obra do grande poeta Pessoa que me inspirou a escrever as várias folhas que dão mostra do que me vai na imaginação e que, com o tempo que passa, se vai acumulando de maias e mais páginas. Chegará uma altura, quando surgir um editor interessado em deitar mãos a esta obra, em que o volume atingirá um formato pouco prático. Mas há sempre recurso: dará mais do que uma série
.

Somos, de facto, uns desencontrados. Aquilo que afirmamos agora, noutra ocasião, noutra circunstância, com disposição diferente não descrevemos da mesma maneira. Talvez até nos contradigamos. E, em todas as vezes, poderemos estar convencidos de que repetimos o anteriormente dito.
Os seres humanos, de uma forma geral, são pouco constantes. Mesmo os mais teimosos, por muito que queiram dar mostras de firmeza nas suas atitudes, no íntimo, no recato do seu eu terão dúvidas sobre se a persistência numa opção será o melhor caminho para obter o resultado pretendido.
É o que sucede comigo nos momentos em que me dedico â escrita de pensamentos que me ocorrem à flor da pluma. Desencantado, como é o meu estado normal, com o que ocorre neste mundo, julgo ter sempre essa preocupação de sublinhar os erros e, por vezes, de apontar caminhos. Por isso, não será natural que passe a aplaudir o que antes me surgia com defeitos. Depois, rigoroso como pretendo ser comigo próprio, mais facilmente denoto erros do que virtudes. É, aceito, uma característica negativa esta de considerar normal o que está bem e de me indignar o que nem por isso. Resultado: estou mais vezes indisposto do que satisfeito e eu sou o único a sofrer as consequências desse estado de espírito.
O que também me custa é que esta minha atitude não diz respeito apenas ao que ocorre fora da minha área de influência. Muito pelo contrário, a primeira reacção crítica que tomo diz respeito aos meus próprios actos e, por isso mesmo, à minha produção na área artística. Tanto na escrita como na pintura. Mas também, por vezes, no comportamento.
Sou, pois, mais um dos desencontrados deste mundo. Ainda não dei com o caminho certo. O derradeiro, o da última hora, um dia alguém o encontrará por mim. A minha vontade já não vai intervir na via que for escolhida.



REVOLUÇÃO



Já aqui o afirmei, mas julgo que não será demais bater na mesma tecla, pois o risco anda por aí a rondar a nossa porta. A da nossa casa, como de outros locais onde a crise económica se faz sentir com pesado efeito sobre as populações. Refiro-me ao perigo de uma revolução social que, geralmente, é a que se segue às enormes carências que chegam aos países que se vêem envolvidos pela fome.
A História demonstrou-o já em diferentes ocasiões e nos mais diversos locais. E surge este fenómeno sempre que o poder não dá mostras de conseguir resolver os problemas graves que atacam os povos e, por sua vez, quando a impaciência em suportar por mais tempo a má vida atinge o auge, leva os cidadãos a procurar, pelos seus próprios meios, solucionar o que se torna impossível aguentar por mais tempo.
Assim acabam as democracias. E assim aparecem as ditaduras. Há sempre aqueles que, andando à espreita, aproveitam os movimentos de reclamação quanto ao estado a que se chegou, e criam as condições para fazer avançar a revolta. Mário Soares, que é insuspeito no que se refere a este tema, já se fez ouvir no capítulo do perigo que corremos. Estou, pois, bem acompanhado.
As injustiças estão, em muitos casos, na base das movimentações populacionais e constituem a espoleta para juntar multidões a clamar por uma mudança. O mau comportamento da Justiça, propriamente dita, como é o que se passa cá entre portas, com as demoras de anos sem fim para que se apurem culpados e inocentes, bem se pode apontar como uma das causas para servir de motivo a uma recusa de manutenção de um “status quo”que não é louvável. E quando, a par de isso, contemplamos outra situações que não são admissíveis, como a falta de médicos, só agora apontada pelo Executivo e por culpa das dificuldades em entrar na Faculdade de Medicina, a teimosia em complicar a vida dos cidadãos com burocracias que, há muito, deveriam ter desaparecido – sobretudo agora que se pode utilizar a computorização -, quando encaramos apavorados o surto de desemprego que atinge toda a gente, isso a par de autênticas malfeitorias praticadas pelos benefícios, em ordenados elevadíssimos e em sobre ajudas, que são concedidas a uns tantos que andam a fingir que a crise não é com eles, os “golpes” que são públicos praticados em bancos que, ainda por cima, contam com a ajuda do Estado, tudo isso e com as eleições que já estão à vista, consigamos demonstrar que somos merecedores de expressar a nossa opinião sem receios de perseguições pidescas.
Mas, que é preciso alertar para evitar o pior, lá isso é!... sobretudo com as afirmações de alguns responsáveis governamentais de que “isto não está tão mal como parece” e que “lá fora ainda está pior”, juntando todos esses factores é caso para pensarmos se a Democracia que, segundo dizem, ainda paira por cá, tem base para ficar ou se, pelo contrário, alguma coisa está a evidenciar-se no sentido de que poderemos vir a chorar com a saudade de um curto período de trinta e poucos anos que não foi aproveitado condignamente.
Quem me dera estar completamente equivocado. Oxalá,

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

ESTAMOS SEMPRE A APRENDER


Comunicou-me uma Amiga bloguista que considerava que “os meus não são “blogs”, são “spots”. E que eu deveria nos meus escritos fazer ligações aos outros “blogs”, corroborando ou estando em desacordo com os “Bloggers”. Que é uma forma de entrar em diálogo com as outras pessoas e de discutir ideias”.
Ora bem, para além de confessar a minha ignorância técnica sobre a diferença que possa existir entre umas e outras, o que sucede é que eu sou dos poucos que apareço claramente com o meu nome e não me acoberto com títulos indecifráveis à primeira vista Por isso, se alguém lê aquilo que eu deixo expresso nos meus textos aqui colocados, não tem dúvidas sobre o seu autor e digo isto sem qualquer espírito de crítica em relação a quem não quer aparecer de cara aberta aos leitores .Cada um sabe de si.
Se algum dos eventuais seguidores dos meus blogues (e já viram que eu uso a expressão em português) me puder auxiliar com uma explicação clara quanto a isto dos “blogs” e dos “spots”e das vantagens em entrar em discussão aberta quanto aos assuntos que surgem expostos, eu, por mim, fico muito grato. E estou disposto a abrir portas.
No fundo, quem faz os seus blogues é porque encontrou esta forma de comunicar e sempre é mais económico para todos do que editar um livro!

Mesmo sem darmos por isso, tem de haver sempre um motivo para tomarmos qualquer iniciativa. Para levarmos por diante uma actividade. Para tentarmos uma experiência. Para nos desviarmos de uma direcção e optarmos por outra. Para qualquer finalidade. Mesmo para pronunciarmos uma frase, uma palavra, emitirmos um sinal. Até para estarmos quietos. Mudos.
O motivo é a justificação da nossa existência. É ele que nos leva a tomar uma atitude. Eu escrevo, neste momento, motivado pelo que julgo que pode sair de útil e de sincero. Seja o resultado da exteriorização de algo que não consigo conservar dentro. Faço-o porque desejo que outros, sejam eles quais forem, possam vir a tomar conhecimento do que me vai na alma. Disso que também não tenho nenhuma certeza do que seja, mas que sinto flutuar no meu interior. E se sinto, é porque existe, seja qual for o nome que se lhe queira dar.
Todo o ser humano, enquanto se movimenta, nem que seja apenas mentalmente, tem um motivo para resistir. O motivo que leva o pedinte a implorar uma esmola é o de manter a esperança de que conseguirá juntar o bastante para comer nesse dia.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Á ESPERA DE INSPIRAÇÃO

Já há umas semanas que não pinto. Fechei a casinha exígua onde guardo os meus apetrechos de pintura e alguns quadros começados e postos de lado à espera que acabe por me sentir satisfeito com o trabalho feito ou à aguardar alterações e, cada vez que penso recomeçar, volto para a escrita. E o contrário também sucede.
Há períodos da vida que são assim. Deve suceder com toda a gente que tem problemas de apreço por aquilo que faz. Seja o que for.
Mas a mim, no caso da pintura, esta insatisfação ocorre-me sobretudo quando passo por uma exposição e tenho oportunidade de apreciar os quadros expostos. Devo confessar que, aqueles que se afastam da minha definição de pintura, não me provocam nenhuma espécie de reacção crítica. Prefiro considerar a minha capacidade de apreciação desfasada daquilo que outros tomam como arte. E isso não é discutível. Porém, quando deparo com o que para mim é genialidade, é boa técnica mas também grande sentido artístico de quem produziu a obra, quando se trata de uma pintura que me faz parar em frente dela, analisando-a sob diversos ângulos e extasiar-me de prazer, nessa altura é que me arrepio ao admitir que não sou capaz de fazer algo nem sequer parecido.
Porque, pôr cores na tela, prepará-las na paleta e aplicá-las com os pincéis, esse gesto mecânico tem pouco que saber. O difícil é fazer as misturas certas para encontrar os tons ideais e colocá-los no sítio correcto até a obra nascer.
Uma tela em branco não difere de uma folha de papel antes de estar escrita. Ao olhar para qualquer das duas, o pintor, o escritor, o poeta perguntam-se: E agora? E começa aí o problema. É, pelo menos, o que sucede comigo. E não serei excepção.
Quantas vezes, quer ao escrever quer ao pintar, não existe uma ideia definida do que vai sair. Mas é preciso dar os primeiros passos. E acontece que, a partir deles, surge alguma coisa que parece ter pernas para andar, que é como quem diz ser um início indefinido que dá abertura a algo que deve ser desenvolvido. Quando não, pára-se, recomeça-se, volta-se a interromper e se a imaginação não responde, o melhor é mesmo pôr de lado. Até ver.
Quando, mesmo depois de certo trabalho feito, a conclusão a que se chega é que não se vai lá por ali, o caminho da tela é cobri-la de tinta branca e as folhas de papel escritas vão para o caixote do lixo. Sem dó. Sem hesitações.
E na vida de cada um, mesmo não sendo escritores ou pintores, o que sucede? Quantas vezes pintamos na nossa cabeça alguém que conhecemos e fazemos dessa pessoa um ser aceitável, cumpridor, incapaz de praticar maldades graves. Depois, quando passamos a conhecê-la melhor, quando se torna companhia assídua, surpreende-nos a realidade com que deparamos, tudo ao contrário do que tínhamos antes imaginado. Um desconsolo!
Só que não podemos deitar essa pessoa para o lixo ou pintar por cima uma imagem de que passemos a apreciar. Não é papel, não é uma tela. E quantas vezes somos forçados a manter o relacionamento…
Por isso – e não só – cada vez amo mais as minhas folhas de papel em branco e as telas por serem usadas. Umas e outras fazem-me as vontades, reproduzem o que lhes ponho em cima. E se não ficam melhores, a culpa não é delas. É toda minha, só minha. Não sou capaz de fazer obra que se veja.


QUE FUTURO?



Com tanta desgraça que o mundo mostra,
diariamente, persistentemente
ao tomar conhecimento daquilo que o Homem é capaz de fazer, com indiferença, lendo as notícias e passando à frente como assunto que não lhe diz respeito,
a pergunta que talvez valha a pena fazer
é se este caminho da humanidade pode conduzir
a algo que aponte para uma melhoria, para uma aproximação da felicidade,
para levar a que, após tantos séculos de sofrimento,
o ser humano acabe por compreender
que, sobretudo os dois séculos mais recentes,
não contribuíram para que se tivesse parado para pensar e para concluir que
o avanço tecnológico que
se foi efectivando
só contribuiu para tornar ainda mais malvado o interior do velho Homo Sapiens.
Este último período dos cinquenta anos,
esses então só serviram para comprovar que
a idade, a sapiência, a descoberta de novos valores,
a experiência do antes vivido,
nada disso foi benéfico quanto à melhoria
das qualidades humanas que são essenciais
para que todos dêem as mãos
e acabem, de vez, com as quezílias,
com as invejas,
sobretudo com os orgulhos,
essa palavra que se encontra agora tanto na moda
e que, em lugar de ser uma qualidade,
se trata sobretudo de um defeito perigoso.

Perguntem lá a todos aqueles
que foram vítimas, recentemente, dos bombardeamentos, de um lado e de outro,
na Faixa de Gaza ou em Israel,
se serviu para alguma coisa terem estado vivos.
E os que sofrem as epidemias por esse mundo fora?
E os que dormem nas ruas,
por não terem onde acolher-se?
E aos que ficaram sem emprego
nesta fase dramática da crise?
Que fazer com todos esses milhares de milhões
de gente sem trabalho?

Não pode haver esperanças quanto ao futuro,
os que ainda dispuserem de alguma consciência
só lhes restará irem-se defendendo e
procurar não aumentar ainda mais
a massa de gente
imprópria para consumo

Os optimistas pensam isto mas ao contrário.
Pois que sejam felizes assim.
E que tenham a sorte de ir caminhando para outro mundo
Com a convicção de que
o que fica vai sempre melhorando.

Andou Darwing a queimar as pestanas com a descoberta da evolução física do Homem.
Já outro, muito antes, quis provar que era a Terra que girava à volta do Sol, tendo que engolir em seco
porque forças religiosas impunham o contrário, dado que lhes convinha.
Falta agora saber como tudo isto acabará. Como nos extinguiremos.
E o mistério é o ambiente que vai envolver os que cá andarem no futuro.

Paz às suas almas ou às suas cinzas.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

QUEM SOU EU'?

Quem sou eu?
Quem julgo que sou?
E sou o que julgo?
Quem gostaria de ser?
Será que gosto do que fui?
Ou preferia não ter sido?
Entre o que fui e o que sou há muita diferença?
Vai-se alterar algo quanto ao que serei?
Ou já não tenho tempo para ser outra coisa?
Mas se eu não sei quem sou
Se não faço julgamento daquilo que sou
E se não me apetece já passar a ser diferente
E se também já não tenho tempo para mudar
Se não sei se gosto de ter sido o que fui
Se não sei o que mudar o quê e para quê
Também, se não sei o que ando cá a fazer
Se alguém ganha alguma coisa com o que faço
Se não sei nada
Se não obtenho resposta às minhas dúvidas
Eu, que não sei nada
E também não sei se vale a pena saber
O que fui, o que sou e o que serei
Aqui estou
Eu que me declaro ignorante
E que partirei nessa total ignorância

PRÉDIOS ABANDONADOS


É na própria Câmara Municipal de Lisboa que não se esconde a notícia de que atinge o número de 4.600 prédios que se encontram devolutos e em inconcebível estado de conservação nesta nossa capital do País. Não se trata de uma novidade e, portanto, muito menos de uma surpresa. Seja onde for que cada um viva ou circule por necessidade de subsistência, todos nós nos defrontamos com esta realidade, que não é de hoje mas que se tem vindo a acumular e que, por este andar, deparar-nos-emos a breve trecho com uma Lissabona que dá vergonha mostrar aos turistas e que, tal como afirmei num blogue passado, cada vez mais transforma, sobretudo a Baixa, numa zona abandonada e sem vida. Passam-se a ocupar as horas vagas e a fazer exclusivamente as compras nos centros comerciais, iguais a todos por esse mundo fora, e o comércio tradicional, que já foi vivo e brilhante, quando era moda virem as senhoras ao centro, para adquirir aqueles presentes de qualidade, acabará por morrer com lentidão.
Quando Mário Soares já se pronunciou desfavoravelmente em relação à transformação do Tribunal da Boa-Hora num hotel de charme, bem poderia este simpático ex-presidente da República também dar-nos a conhecer a sua opinião no que respeita à falta de casas para alugar andares e no “enxame” de podridão em que se encontram tantos milhares de prédios abandonados. Tanto mais que um seu filho – e, por sinal, nem foi dos piores presidentes - foi já responsável municipal de Lisboa. E não é preciso acrescentar mais a este ponto.
Enquanto não surgir à frente do Município alfacinha um homem que conheça bem a capital, seja possuído de larga imaginação, tenha o que se pode considerar bom gosto e, acima de tudo, seja capaz de, mesmo com falta de dinheiro por se ter gasto desmedidamente nos executivos camarários anteriores, não se contentar com o estado a que as coisas chegaram e consiga dar prioridade ao que se apresenta mais urgente, enquanto vivermos o marca-passo e o tempo das lamúrias não sairemos da cepa torta.
Eu permito-me dar um exemplo, a que, aliás já me referi nos meus escritos sobre Lisboa sempre que tenho oportunidade de divulgar as minhas ideias: é o caso das flores, dos canteiros e dos vasos que faltam em muitos locais que, pela sua importância na história da capital, deveriam ser os preferidos para animar o seu aspecto. Não são necessárias flores caras. Basta que, nos jardins que ainda possuímos, sejam cultivadas plantas baratas e de crescimento rápido e de transplantar, em alturas próprias, os resultados para vasos bem situados, no Rossio, nos Restauradores, no Terreiro do Paço, isto como exemplo.
É a isso que eu chamo imaginação e bom gosto. Como se vê, até um pobre é capaz de seguir esse caminho!...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

AMOR DE PARDAIS


Quatro pardalinhos brincam no chão do meu jardim
picam o chão com entusiasmo
e eu olho-os com ternura
pensando no mundo dos homens
desses que se guerreiam uns aos outros
e não confraternizam como estes pássaros
não dividem o que há para comer
são egoístas, querem só para si

E estes passarotos inocentes
que não sabem o que é pecado
que só procuram defender-se
dos que são gulosos
dos que apreciam o petisco
dos passarinhos fritos
saltitando, piando
lá vão apanhando as migalhas que
sem querer
os homens deixam cair

Que bom seria
se o mundo fosse todo como o dos pardais
dividindo o amor e as migalhas


ERRAR

Quem não fez ainda isso?
Que erro não praticou?
Só não fez esse serviço
Quem a vida não gozou

Há uns que mais, outros menos
Mas um homem sem pecado
Só p’ra fugir aos Infernos
É que escapou desse fado

Há que perder petulância
Evitar que se atropele
De errar é tal abundância

Que há que escrever na pele
O erro ganha importância
Quando se aprende com ele

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Por muito que consideremos anacrónica tal situação, o certo é que se podem dizer coisas, mesmo sem ter nada para dizer. Da mesma forma, podem-se escrever frases sem as ler alto depois, para não se correr o risco de deitar o escrito para o lixo.
Quanto a mim, se bem que não seja muito de falar por falar, já no que se refere ao escrever, aí dá-me jeito depositar no papel aquilo que me vem à cabeça… se bem que, na verdade, depois me custe reler o que ficou gravado pela caneta. Será por falta de amor-próprio, por não me deslumbrar com aquilo que faço, de considerar que é um risco grande que não vale a pena correr, como não sou partidário do “falem de mim ao menos mal”, será por tudo isso mas o facto é que não me entusiasma contemplar o que escrevi.
No íntimo, esta será a verdade, há sempre a esperança de se ser melhor do que aquilo que se parece, em contradição com os que parecem ser melhores do que aquilo que realmente são e que, creio eu, serão os que se encontram em maioria. Mas como a esperança só se perde no derradeira momento da existência, viver com tal ilusão tem a vantagem de alimentar um certo ego, por mais escondido que ele se encontre.
Isto, por mais que se tropece por aí com quem exalte o ego a torto e a direito. E, curiosamente, com verdadeiro sucesso!

ÀS PINGUINHAS



Já tenho estado em desacordo com Mário Soares e, que me lembre, numa das várias viagens que fizemos, até evidenciámos a nossa discordância sobre uma matéria que não vem agora ao caso. O que interessa nesta altura é que eu reivindique aquilo que tenho escrito há muitos anos no que se refere a Lisboa e que é o tirarmos partido das belezas próprias da nossa capital, não virando as costas àquilo que temos e que tem vindo a ser desprezado sucessivamente por múltiplos Municípios que não têm tido a felicidade de pôr nos seus lugares cimeiros presidentes com o mínimo de sensibilidade e de sentido de governação estética.
Quando o ex-presidente da República vem agora afirmar que “é uma pouca-vergonha” transformar as instalações do Tribunal da Boa-Hora num hotel de charme, salto eu para considerar tal afirmação como um choro de velho do Restelo, pois que aproveitar um edifício decadente, que não serve há muito para o exercício de julgamentos, para algo que vai dar vida alegre e profícua, como pode ser um estabelecimento hoteleiro de alta qualidade, esse atitude só pode ser encarada com entusiasmo, desde que se instale o tribunal dali saído para outro apropriado e onde não se vejam as resmas de papel cosido à mão espalhadas pelos corredores sombrios de um antigo convento.
O que eu tenho clamado para que os palácios situados na Praça do Comércio e onde funcionam vários ministérios, completamente deslocados das suas funções, sejam retirados dali e, em seu lugar, surjam também hotéis e estabelecimentos de qualidade, a exemplo do que sucede em Veneza, tanto mais que as arcadas que rodeiam o local seriam melhor aproveitadas se no seu espaço se montassem esplanadas com música ao vivo, durante o dia e em parte da noite, o que faria com que a Baixa lisboeta deixasse aquele aspecto desértico que hoje se vê!...
Estou mesmo a ver que existe gente que bem choraria se se alterasse o aspecto lúgubre, triste, abandonado que hoje se encontra em toda a zona pombalina que, apesar de tudo, se viu construída após o terrível terramoto de 1755. Dá a impressão que seria necessário ocorrer qualquer fenómeno do mesmo estilo para que surgisse outro Pombal capaz de encarar de frente a situação e Lisboa passasse a ver o seu aspecto de acordo com a vida que lhe falta.
Vem a propósito recordar que, desde tempos longínquos, eu venho pregando a necessidade de ser construído na capital um Bairro dos Ministérios, onde se reunissem as centenas de edifícios, completos ou em diferentes andares, que acobertassem as instalações que servem a administração pública nacional que, como é sabido, se encontram espalhadas por tudo que é sítio. Umas alugadas outras de propriedade própria do Estado.Mas não vou aqui repetir o que tem constituído uma canseira da minha parte e sem resultados visíveis. Só às pinguinhas

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

SALAZAR INVENTADO


Mas alguém pode acreditar que o programa televisivo que a SIC apresentou, com o título “o Outro lado de Salazar”, tem alguma coisa de histórico? É possível imaginar que aquele homem que, os que acompanharam mesmo de longe a sua actuação política, conheceram com uma imagem fechada, desinteressante seja qual for o ponto de vista sexual com que foi encarado, com um aspecto “apadrado” à antiga, tenha tido amores com o entusiasmo como o que foi demonstrado nas imagens?
A minha resposta é profundamente negativa. E não creio que a maioria dos que assistiram à exibição do filme sejam capazes de imaginar um Salazar conquistador e perito em funções sexuais, arrancando uns beijos com os beiços todos e a língua em funções eróticas, como aquelas que o realizador fez questão de pôr à mostra, em ambientes íntimos e com as roupas femininas próprias de um bacanal de gente experiente.
Um filme, uma peça de teatro, até um livro sem características biográficas pode dar-se ao luxo de puxar dos seus autores toda a imaginação que forem capazes de fazer sobressair do seu interior. Mas, quando se dão nomes às personagens que pretendem ser a reconstituição de factos ocorridos, nessa altura são os dados históricos, os que se conhecem ou aqueles que foram extraídos de documentação com o mínimo de credibilidade, nessa altura, por mais que apeteça transportar os biografados para campos completamente distantes e até ridículos do que se sabe que foi a vivência dos mesmos, não tem cabimento efectuar esse trabalho com base apenas no gozo que tal caricatura pode dar com actos que não têm forma de ser provados.
A mim, que sou do tempo e da vivência do ditador, não me ofende nada que seja transformado esse homem num conquistador arrebatado. Faz-me rir e só imagino o destrambelhado amante a descalçar as botas à beira da cama e a tirar as meias mal cheirosas e as ceroulas enquanto a parceira, seguramente mais evoluída sexualmente do que o envergonhado, indo à frente nessa acção de tirar a roupa, o contemplava apenas curiosa de saber como aquele homem duro de pensamento era capaz de demonstrar igual fortaleza herética.
Falou-se, de facto, na altura, de uma jornalista francesa que terá arrebatado os amores salazaristas. Também constou que o empedernido condutor de uma política de pleno poder não terá ficado indiferente a uma senhora da sociedade portuguesa que, por sinal, se destacou no acompanhamento dos movimentos militares em África. Mas, daí a poder-se concluir que o homem das botas encaminhasse essas personagens femininas para o recôndito do seu leito, ir tão longe requer um espírito inventivo que não me parece natural que viesse a constituir matéria para um filme e, acima de tudo, de um trabalho para exibição televisiva.
Só gostaria de cá estar daqui a cinquenta anos, para saber se, nessa altura, surgirá alguma película tentando reproduzir a vida íntima de Sócrates.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

MORRE LENTAMENTE…


quem não aceita envelhecer
quem lhe é indiferente o que se passa à sua volta
quem não tem desejos
quem não consegue encontrar virtudes e defeitos na sociedade
quem nunca se revolta, por mais horrorosos que sejam os acontecimentos
quem tanto lhe dá a rua por onde caminha, basta-lhe o destino
quem lhe é indiferente a música que escuta
quem não consegue ler nem ouvir uma poesia
quem nunca pegou num livro e não lhe interessa o que os escritores têm para comunicar
quem fecha os ouvidos aos que sabem mais têm para dizer
quem não sonha, não idealiza, não ambiciona
quem anda permanentemente com o pavor da morte
quem anda sempre conformado com o que a vida lhe proporciona
quem não sabe conversar consigo próprio, não perguntando e não respondendo às suas próprias questões
quem não se espanta com nada, achando tudo normal
quem está convencido que se conhece bem a si próprio
quem só conhece a sua rua e não se preocupa em conhecer outras
quem nunca parou para contemplar a lua, não olha para as estrelas e não tem interesse em ver o sol, mesmo através de um vidro fumado
quem nunca se embriagou, pelo menos uma vez
quem nunca sentiu os prazeres da carne
quem nunca sentiu as influências do espírito
quem não sabe e não sabe que não sabe
quem nunca alimentou fantasias
quem não teve a tentação de despir outrem e, em imaginação, gozar o espectáculo da sua nudez
quem não é capaz de ouvir o silêncio
quem não ama as flores e tudo que a Natureza oferece
quem julga que vale mais do que, de facto, vale
quem julga que vale mais do que todos os outros
quem nunca parou para pensar e, fazendo-o, não tem a humildade de reconhecer que errou
quem nunca hesita antes de tomar uma decisão séria
quem nunca quis pôr-se no lugar de terceiros
quem se ilude com as suas próprias mentiras
quem não desiste das suas convicções, mesmo em face de argumentos que as anulam
quem não acredita no que diz… mas diz
quem anda sempre a pedir a Deus que o perdoe, mas não é capaz de perdoar os outros
quem tem coração que é cego
quem é vazio de interior, exibindo largamente o que tem de fora
quem, fugindo ao seu destino, anda permanentemente a esbarrar com ele

TARDE PIASTE!...




O antigo Presidente da República, general Ramalho Eanes, não hesitou ontem em afirmar publicamente que os portugueses andam com medo, que especialmente olham para o futuro com pavor de que o mal que nos envolve nos dias de hoje, com essa crise que ataca em cheio, ainda se mostre com maior vilania nos tempos que se aproximam. E, como costumam fazer certos indiferentes com o futuro, não faltará quem apelide o homem que, sendo um militar que terá alguma experiência de contenção nas palavras e algum conformismo em face das desgraças que estejam à vista, não poderá ser considerado ligeiramente de pessimista.
Eu, por mim, classifico-o de cauteloso e previdente. E, sem recorrer a alarmismos, acho preferível antecipar os acontecimentos com certa dose de realismo do que ser apanhado de surpresa e só depois é que valha-nos Deus!
A minha crítica ao Governo de Sócrates sempre foi a da ausência de uma verdade límpida a ser comunicada aos portugueses, pois que os fenómenos a que o Homem está sujeito e que, muitas vezes, são consequência sobretudo do seu próprio mau comportamento, esses, em lugar de serem disfarçados ou até escondidos, o que sim devem é ser expostos aos cidadãos e ser mostrada uma vontade e uma competência bastantes para suprir ou diminuir os efeitos maléficos desses acontecimentos. Volto a usar neste blogue a expressão crise financeira, económica e depois arrastada a social, para referir a “peste” que chegou a todo o mundo e que foi sendo contemplada à medida que avançava por diversas zonas terrestres, não podendo ser considerada uma surpresa quando arribava a um país concreto. No que a nós se refere, o Executivo de Sócrates não tinha que ir olhando para o lado e, sacando do seu desejo de que nos “safássemos” desse vírus, ter andado a considerar um mal menor de que Portugal se livraria quando cá chegasse.
Agora, de repente, entende que já é altura de lançar avisos, muito embora o que merece é que os portugueses lhe contestem com um “tarde piaste”, pois que, nesta altura, não precisam que venha ninguém mostrar-lhes o que estão a sentir na pele.
Agora já se tornou público que, mesmo dentro do PS, existe medo. E por muito que a propaganda de Augusto Santos Silva faça esforços para pôr água na fervura”, vários receios se levantam, por motivos internos, mas também em relação ao panorama que surge num período que antecede eleições de vários tipos e isso, há que reconhecê-lo, terá influência na escolha que o povo irá fazer no momento de deitar na urna o resultado da sua escolha.
Por pouco tempo que reste de hoje e até ao momento eleitoral, nunca é excessivamente tarde para lançar mãos à obra e para se colocar a população perante os factos concretos. O tarde piaste é que já não serve para nada!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

GERAÇÃO SOFRIDA

Que esperanças tinha que houvesse Abril
o que eu ansiava por fim do inferno
bem dentro guardava sonhos mil
e que apodrecesse o que era governo

Levou tempo, tempo demais, demais
vivi o antes até demasiado tarde
passei por excessivos vendavais
tropecei em muita gente cobarde

Até que chegou, não era sem tempo
veio com armas, não era o ideal
para tantos terá sido um contratempo
não estava no programa tamanho funeral

Foi a euforia, a loucura nas ruas
tirou-se o tampão da garrafa fechada
tal como quem tira por fim as gazuas
do portão de uma quinta trancada

Uns quantos tinham razão de estar felizes
terão sofrido muito até então
não tiveram conta por quantas crises
passaram, apenas por dizerem não

Mas terá sido assim com a maioria,
toda essa gente que se mascarou
vestiu a farda do revolucionário, seria,
por dentro aquilo que mostrou ?

Quantos apanhada a carruagem em giro,
não foram os que ganharam com a troca ?
Fizeram tal e qual como o vampiro
e puseram-se, matreiros, bem à coca

Como ganharam com isso os aproveitas
chorudo futuro festejaram
valeu a pena a troca, largas colheitas
tiraram do campo que outros lavraram

Aqueles que tinham idade para tanto
e passado que sangrava em ferida
quase que foram postos a um canto
tratava-se, afinal, da geração sofrida

Sofrer antes e sofrer depois é muito
não é justo, há que reconhecer
poderá não ter sido esse o intuito
mas é algo que dá para entristecer

Geração sofrida, tem que se dizer,
ela existe, obscura e triste,
a juventude nem pode agradecer
ninguém mostrou e disse em que consiste

E assim se vai escrevendo a História
com lacunas, esquecimentos, inverdades
a geração sofrida escapa à memória
quem não sabe não alimenta saudades

Geração sofrida,
O que não pode estar é arrependida

NOVO ROBIN DOS BOSQUES


Não custa assim tanto, de facto, aceitar que a boa experiência que os americanos estão a sentir com a eleição, ainda recente, de Barak Obama para presidente dos E.U.A., está a dar resultados positivos em muitos outros países que, sem complexos, entendem que são medidas também a seguir em vários cantos do mundo.
É sabido que a América do Norte, pelo extensão da sua área, pela sua posição geográfica e também devido ao factor de ter sido, desde a sua constituição, um país que tem acolhido milhões de povos de todas as origens e, devido a isso, se apresenta como uma mistura que se coaduna com as diferentes espécies humanas, por isso e ainda por se ter apresentado sempre como uma Nação rica e poderosa, quando o comando das suas acções não condiz com o que a esfera terrestre aguarda como exemplos, a desilusão e as más consequências fazem-se notar em todo o hemisfério. Foi o que sucedeu durante a vigência do anterior presidente Bush, pelo que também a chegada ao poder de Obama constituiu um sopro de esperança que se respirou em muitas zonas do mundo.
Ainda não é altura de lançarmos foguetes, porque o pouco tempo decorrido desde a data da mudança na Casa Branca não chegou para apanharmos as caninhas. Mas, o seu tom conciliador e aquilo que tem afirmado desde o dia em que se sentou na cadeira da sala oval, tudo isso já permitiu perceber que se trata de um político que, embora sem a chamada experiência que muitas vezes constitui um motivo para a escolha, o que leva na bagagem é o chamado bom senso, qualidade de que, com frequência, se nota a ausência por parte de pessoas que se habilitam a situar-se à frente de governos. Nós, por cá, temos experiência do que é isso de falta de sentido comum, de ausência de vontade de ouvir quem sabe mais, de não estabelecer um diálogo com os outros e pôr de parte quezílias partidárias.
Mas, pelo menos é a minha impressão, de que o estilo obanista (tipo Robin dos Bosques) está a chegar a S. Bento. E, do mal o menos, pois que, se forem aproveitas as boas medidas, ainda podemos usufruir dos bons resultados.
Sócrates, de repente, começou a utilizar um estilo que mostra semelhanças com aquilo que, do outro lado do Atlântico, se está a desenvolver pela actuação de Obama. Parece que se perdeu o complexo de exigir dos ricos, nas comparticipações nas Finanças, procurando-se aliviar as classes mais desfavorecidas. Pelo menos o anúncio, com alguma precaução, já foi dado por Sócrates, e espera-se que terminem de vez os salários de verdadeiros “paxás” que se praticam ainda por cá em diversas empresas com intervenção estatal e até naquelas que já usufruíram de auxílios dos dinheiros públicos.
Não me alongo neste pormenor. Toda a gente sabe que se trata de uma vilanagem que não pode ser autorizada pelo sector público. E que as mordomias de toda a espécie que são concedidas a felizardos que se encostam ao Poder, essas têm que ter um fim… e quanto antes.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

RIR É O QUE NOS RESTA!



Neste nosso País parece que se faz de propósito para fazer surgir situações que complicam cada vez mais a vida dos cidadãos. Quase sempre que tomamos conhecimento de uma notícia, fruto de uma tomada de posição por parte daqueles senhores que se situam em lugares de comando, somos forçados a deparar com mais uma dificuldade que é criada para que seja levada por diante qualquer iniciativa, pois que, a par dessa medida que, em princípio, pretende emendar alguma coisa que funciona mal, nasce um novo empecilho que tem de desagradar a quem se movimenta por cá.
Já não bastava aquela determinação incompreensível de encerrar ao trânsito o Terreiro do Paço, aos domingos à tarde, e aí vem outra restrição que impede que, durante alguns meses – nunca se sabe quando acabam as obras iniciadas -, profundas remodelações na baixa de Lisboa entupam o movimento de autos em diversas ruas que confinam com a praça do Comércio, o que obriga os interessados em deslocar-se para qualquer dos lados daquela zona o terem de utilizar diferentes circuitos, alguns bem incómodos.
Para começar, a Câmara lisboeta ocupa-se dos esgotos, a fim de terminar com as descargas directas no Tejo. E até Março de 2010, com um investimento de vários milhões de euros, o desvio será feito para as bandas de Alcântara. O mesmo se irá passar quanto à substituição das condutas de água à capital e o torreão poente da mesma praça, que desde a sua construção já abateu 1,4 metros. Tudo necessário, não há dúvida, só que também tudo tarde e a más horas!
Em resumo: as dificuldades são o pão nosso de cada dia neste País onde, para fazer uma reparação, seja ela qual for, sem qualquer receio de causar incómodos aos transeuntes, a decisão que logo se toma é a de impedir isto ou aquilo, colocando polícias para desviar trânsitos e aplicando tapumes, de que gostam tanto os decisores que andam por aí e têm interferência nas alterações que se fazem.
E não são só os mandões colocados em secretárias de comando. Quaisquer senhores silvas, que têm à mão correntes para estender nos passeios, que põem e dispõem sem ter de consultar os seus chefes, sempre que se realiza uma obra, num prédio, numa calçada, até numa loja, resolvem colocar os seus taipais e, para poderem ter espaço para colocar as suas viaturas enquanto as resparações duram, ocupam grande parte das ruas junto aos passeios e ali tomam posse daquilo que não lhes pertence.
Não há regras e não existem fiscalizações que imponham ordem e método, o que constitui prova mais do que provada que Portugal anda ao Deus dará, não só hoje mas sempre, por que todos nós temos casos para apontar ao longo da nossa existência como portugueses.
Por exemplo, as indicações dos caminhos e estradas por esse País fora, surgem sempre após a entrada de tais desvios e nunca com a antecipação de espaço e tempo que se considera como uma prevenção útil. Existe agora na RTP um programa que pretende chamar a atenção para autênticas selvajarias que bem conhecemos e que, apesar das entidades oficiais existirem para cuidar dessas incongruências, só por se sentirem envergonhadas por tal exposição, é que lá vão remendando os erros.Mas o que é preciso é que se lhes chegue bem na cabeça. Não podemos andar toda a vida a rirmo-nos de nós próprios

domingo, 8 de fevereiro de 2009

FUGA PARA ANGOLA!



Já me tinham dado a conhecer as dificuldades que se levantam para obter visto de visita a Angola, começando por ser uma demora acentuada em ser obtido tal visto nos passaportes, dada a grande afluência de pedidos que atulham o respectivo consulado em Lisboa. Um antigo funcionário do semanário que eu dirigi, “o País”, que o acolheu em 1975, quando ele chegou da antiga colónia portuguesa, terra onde nasceu, ao querer, 30 anos depois, ir visitar a sua mãe e irmãos que ficaram no interior profundo da terra natal, agora com nacionalidade portuguesa e trabalho por cá, teve de se sujeitar às regras que Angola agora impõe e foi obrigado a explicar minuciosamente os motivos da sua visita.
Mas as razões parecem ser claras: é que a quantidade de portugueses que, em face das dificuldades que se sentem por cá para tentar conseguir uma vida minimamente aceitável, procuram, uns regressar a um local já conhecido de outras “guerras” e outros tantos para iniciar uma experiência em Angola, dado as notícias que lhes chegam serem suficientemente animadoras, procuram, repito, fugir deste tormento e também não havendo outras escolhas, pois que a crise que nos controla também não oferece perspectivas em países que, até há pouco, serviam para efectuar a experiência da emigração, como Espanha, por exemplo, deitam os seus olhos para onde, antes, foi um destino natural.
Essa a razão por que a terra angolana se oferece como uma porta de acolhimento que, no caso português, entre outras razões pela língua comum, se mostra particularmente sugestiva e se, já antes, o espírito colonialista não se encontrava na primeira linha dos portugueses que deslocavam as suas vidas para o ambiente africano, do lado ocidental, agora, por maioria de razão, a irmandade funciona como que um parentesco natural, não havendo quaisquer diferenças no que diz respeito a cores de pele.
Eu, que fiz várias visitas jornalísticas a Angola, de Norte a Sul, e pude testemunhar que o chamado “caldo” era o castigo mais visível que se aplicava aos empregados caseiros negros, quase como se se tratasse de uma penalização de mau comportamento que também servia para meter na ordem algum jovem familiar (e as excepções confirmavam a regra), não posso admitir que a maneira que os novos habitantes nacionais irão utilizar nesta nova vivência se terá de classificar como uma adaptação ao que as circunstâncias impõem. Não, tratar-se-á de uma atitude natural e, para a própria Angola, ser-lhe-á muito mais conveniente que os novos habitantes a engrossar a população local sejam constituídos por portugueses do que por outras nacionalidades, com línguas distintas e sem o coração e o conhecimento que nos é peculiar, por muito desastrada que tenha sido a política do nosso País nessa época colonial, a qual não tinha nada a ver com a realidade a que eu assisti de, no interior do mato imenso de Angola, se instalaram os chamados “fubeiros”, portugueses incultos mas com vontade de trabalhar, que passaram dezenas de anos em contacto directo com os indígenas, fazendo filhos mulatos e sem vontade de regressar a Portugal, para onde só vieram porque os governos, primeiro de Salazar e depois de Marcelo Caetano, este ainda mais culpado porque conhecia o mundo, não souberam negociar por forma a efectuar uma descolonização pacífica e proveitosa para ambos os lados… sem guerra!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

PERDER, NEM A FEIJÕES!


Não é que tal situação aflore ao meu pensamento, nem poucas nem muitas vezes, mas, ao ter lido, por estes dias, a notícia de que o portador de uma fortuna descomunal, esse homem que, durante anos em dias do passado e ainda no tempo de Salazar, era conhecido apenas por “o chinês”, e que, já depois da Revolução, passou a ver o seu nome divulgado com total conhecimento de quem se tratava, Stanley Ho, o todo poderoso dos Casinos de Macau, do Casino Estoril e agora também do Casino de Lisboa, ao ser afirmado que tal potentado levou um rombo na fortuna, pois perdeu, em 2008, 89 por cento do que tinha e, segundo revelou a Forbes, ficou reduzido “apenas” a mil milhões de dólares, perante tal inquietante notícia veio-me à ideia o sonho de que era eu a vítima de tamanho corte e que o meu nome surgia com a indicação de que me encontrava reduzido ao que sobrava da montanha de dinheiro que tinha sido de minha propriedade.
Quer dizer, de repente, ao acordar uma manhã era-me comunicado que a crise que não perdoa me tinha chegado à porta e que, dos muitos milhões que se encontravam nas diversas contas bancárias e nos activos dos meus bens, uma talhada grossíssima tinha sido extorquida e que tinha passado a ser somente um homem rico, mas não um dos mais ricos do mundo.
Não sei o que sentiria. Não imagino se, nesse dia, mandaria os meus cozinheiros reduzir nos pratos esquisitos que normalmente me eram servidos. Provavelmente dava ordem para retirar do pátio da minha deslumbrante casa em Hong Kong os vários automóveis de grande luxo. Começava a fazer contas mais severas quanto aos gastos com superficialidades que costumam fazer parte do meu dia-a-dia.
E digo isto porque já tive oportunidade de jantar em casa de Stanley Ho, por sinal um prato com carne de vaca especial que vinha directamente do Japão e tendo ficado hospedado no Hotel Mandarim, a seu convite, beneficiei do conforto de um dos seus sete Rolls Royce, até partir para Macau também sob o auspício de Stanley Ho.
Foi numa altura em que o magnata se queixava amargamente da falta de apoio (e até de perseguição) do então Governador português no território nacional na China, e que me pediu para dar uma entrevista em que apresentou as suas razões, o que deu oportunidade a que Ramalho Eanes, então Presidente da República, ficasse conhecedor por mim desse caso e tivesse substituído o governador de então e, a partir dessa ocasião Stanley Ho passou a beneficiar dos favores políticos e se resolveu, por isso, a investir em Lisboa, do que já
tinha desistido, tendo ficado com a concessão do jogo no Estoril e, através disso, começando a interessar-se por outras aplicações de capital no nosso território europeu. E têm sido muitas.
Relato isto com grande satisfação, pois foi graças à minha intervenção jornalística que não se perdeu um investidor estrangeiro daquele gabarito e hoje são inúmeras as famílias que beneficiam do trabalho – algum deles ultra bem pagos – que lhes dão os empreendimentos do homem que, de repente, sofreu também as agruras de uma crise que chegou a todos.
Seja como for, este sonho que aflorou à minha cabeça de que tinha levado um corte na monstruosa fortuna de que era o possuidor, só serviu para escrever este texto. Mais nada do que isso. Pode ficar descansado o Assis Ferreira, que foi um dos beneficiários do meu trabalho jornalítico em favor de Stanley Ho, de que o que sobra ainda chega para o fazer feliz. Deve andar mais preocupado o “chinês”, que isto de perder dinheiro não agrada nem aos que dormem enrolados em notas e moedas de todo o mundo.