terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A ENTREVISTA



Foi naturalmente esperada com ansiedade a entrevista que a SIC anunciou que transmitiria na noite de ontem com José Sócrates. Não é que, pelo menos da minha parte, aguardasse um novo estilo e mais humildade da parte do primeiro-Ministro, pois as críticas que lhe têm sido feitas em relação ao seu modo de apresentar os problemas talvez pudessem ter produzido algum efeito e, deste vez, era legítimo constatar que a propaganda própria que sempre se verifica nas suas declarações surgisse num tom mais aceitável.
Mas não foi nada disso que se constatou. Cada pergunta que era feita ao responsável do Governo só servia para ele fazer a apologia do que tinha sido feito ao longo da existência do seu Executivo, da excelência das acções tomadas e, comparativamente, da enorme diferença para melhor em relação ao passado politico de anteriores executantes políticos (por vezes com razão, mas fica-lhe mal "bater" sempre no passado).
De facto, a única alteração que se verificou desta vez foi, contrariando o seu estilo anterior, até o mais recente, a aceitação de que o ano de 2009 não surgia com boas perspectivas e que iríamos enfrentar em Portugal uma situação de recessão, assim como, quanto ao desemprego que grassa por aí que a situação tem de ser revista e que o crescimento ficará longe das expectativas. Quanto ao demais, foram só aplausos aos seus feitos e à sua conduta das operações durante todo o período do Governo que comanda. No que se refere ao desencontro de posições com o Presidente da República e ao afastamento político com Manuel Alegre, considerou essas situações como de importância secundária. E aí fez mal em não ser mais prudente.
Este o resumo da referida entrevista que, no que me diz respeito aos dois perguntadores, também tenho alguma crítica a fazer-lhes, pois que, se por um lado expressaram opiniões a mais (bem me ensinou o velho Norberto Lopes de que o jornalista nunca deve opinar, por muito que discorde das posições dos entrevistados), faltou-lhes pôr questões que bem calhavam surgirem naquela ocasião. Uma delas, por exemplo, era a de se se iria manter intacto o seu elenco ministerial até às eleições, sabendo-se, como se sabe, que alguns dos seus membros têm dado mostras de menoridade de actuação. Por muito que Sócrates se esforce por querer dar a impressão de que o seu elenco funciona em bloco, tendo defendido até a ministra da Educação no que respeita ao problema existente com os professores e não tendo sido ouvida uma palavra no que se refere aos sectores que estão a precisar de uma mudança completa, como é o caso da Justiça, mesmo assim era de esperar que os dois jornalistas fossem menos editorialistas e mais interrogadores, apresentando questões pertinentes e não deixando o entrevistado escapar às resposta, como o fez constantemente, utilizando o tempo para dar lustro ao seu umbigo… como, aliás, é o seu uso e costume.
Em conclusão: a entrevista deveria ter sido melhor preparada, deveriam ter-lhe cortado a palavra sempre que o inquirido se metia por temas que não estavam em causa e deveria mesmo ter-lhe solicitado claramente que evitasse dizer bem de si mesmo, mas apenas responder às questões apresentadas.
Não aconteceu nada disso e José Sócrates lá conseguiu levar a sua àvante!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

CANTAR

Cantar, cantar, cantar
é melhor que falar
sem dizer nada.
Cantar ao amor,
cantar de cor
com fervor
ou com humor.
Cantar à felicidade,
cantar à amizade,
cansar de tanto cantar,
não parar.

Cantar à esperança
no futuro,
trespassar o muro
do obscuro.
Cantar à poesia,
à fantasia,
à paz no mundo,
ao mar sem fundo,
à beleza
da Natureza.

Cantar até faltar o ar,
em qualquer lugar
sob o Sol a escaldar
ou com chuva a fustigar.
Cantar de pé,
olaré,
ou sentado,
sem enfado.
Cantar sempre muito
com o intuito
de expandir a alma
e dar voz a Talma
do teatro, sim senhor,
um autor
exemplar
para ver, ouvir,
sentir
… e cantar !

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Para estar vivo, ajuda muito o querer-se. Para tratar as doenças, pelo menos algumas, é importante acreditar-se na cura, começando por crer no curador.
As longas esperas nos consultórios e pior ainda nos hospitais públicos, seguidas de um certo atendimento cansado, distraído, até mal-humorado será a causa dos pouco resultados obtidos com muitas medicinas que não conseguem debelar as enfermidades. Por vezes, as mesinhas recomendadas por curandeiros sem diploma conseguem efeitos positivos, apenas e só porque a freguesia que frequenta tais locais de consulta enfrenta a situação com muita fé, por ter conhecimento de resultados positivos noutros felizardos.
Em Portugal, onde há cada vez mais escassez de médicos, devido, em grande parte, às dificuldades postas para a entrada de alunos na faculdade respectiva, faz com que, com aumentos sucessivos, os clínicos espanhóis exerçam a sua profissão neste lado da fronteira. Só que por aí não vem mal ao mundo. O pior advém das razões dessa realidade.
É, de facto, desconsolador verificar-se que, em Portugal, tardam muitos anos a solucionar-se problemas que estão à vista de toda a gente as formas de dar a volta. Neste caso, sabendo-se que um médico demora seis anos a ser feito, ainda que no início da carreira, como é possível assistir-se à partida da nossa juventude para o estrangeiro, para Espanha principalmente, para poder obter a carteira médica? Quando a História, daqui a anos, referir este facto, será difícil entender o que passou na cabeça dos sucessivos governantes que permitiram tal anomalia…
Por agora, que se enfrenta esta situação, resta fazer coro com os optimistas quando dizem que “enquanto há vida há esperança!” O pior é quando acaba a vida sem ver a esperança transformar-se em realidade.

TRIBUNAIS PORTUGUESES


Por mais que me esforce para pôr de parte o tema da Justiça portuguesa, no meio de toda a crise em que estamos envolvidos, das inúmeras dificuldades que têm de enfrentar os cidadãos cá da Casa, tais como as reformas verdadeiramente miseráveis que recebe a maioria esmagadora dos que só têm esse meio de sobrevivência (em comparação com os montantes escandalosos de uns tantos privilegiados, alguns deles com processos criminosos às costas, mas que durarão uma infinidade de tempo a ser solucionados, mesmo sendo uma minoria), ainda que esses enormes problemas se encontrem por resolver, de todo o “embroglio” que constitui aquilo que somos forçados a assistir o que sobressai e é, em muitas circunstâncias, causa de outros tantas aflições, é, em minha opinião, o estado em que se encontra a Justiça em Portugal, lenta, plena de burocracias, cara e, em variadas situações, injusta.
Por exemplo, ainda hoje veio a público a notícia de que um juiz de Cascais libertou um grupo croata que, há anos, foge da Interpol e da Europol. Trata-se de um gangue que é suspeito de mais de 50 assaltos só no nosso País, embora em Espanha, França e Itália, a polícia ande desejosa de lhe deitar a mão. Por muito que o Tribunal respectivo evoque razões baseadas nas leis que temos, não é compreensível e muito menos aceitável que uma autoridade judicial portuguesa feche os olhos a um grupo procurado pela polícia internacional.
Se se tratasse apenas deste caso insólito, ainda se poderia levar a situação à conta de distracção judicial, mas o que se passa é que quase todos os nossos tribunais se encontram este ano de 2009 numa fase em que devem mostrar se as críticas que lhes são feitas têm ou não razão de ser. Senão vejamos:
O caso de pedofilia da Casa Pia quando vai terminar depois de cinco anos de julgamentos? Temos de esperar ainda muito tempo pela leitura da sentença? O outro discutido caso do Apito Dourado matem-se em “banho Maria” está a aguardar decisão de um recurso entretanto surgido. O administrador do Banco Português de Negócios, já em prisão preventiva, bem pode esperar, ele e os que foram apurados como eventuais arguidos, pelo andamento do processo que promete adormecer meses sem conta. O presidente em exercício da Câmara de Oeiras, que já enfrentou a Justiça, volta a ser julgado este ano. Esperemos sentados.
Bem, não se torna necessário apontar mais situações que estão pendentes de que os Tribunais não avançam com os respectivos julgamentos. Porque estes apontados referem-se somente a personalidades que se encontram na primeira linha dos mediáticos. E os milhares – sabe-se lá quantos – que, não se tratando de pessoas de nome e de cargos importantes -, atafulham as gavetas das secretarias judiciais?

domingo, 4 de janeiro de 2009

A SORRIR

Queria morrer a rir
ir assim até ao fim
para lá me divertir
a ouvir falar de mim

Muito mal, assim assim
tudo me faria rir
o que quisessem, enfim
continuava a sorrir

Digam coisas, mesmo más
não me fazem deprimir
lá onde só há paz
só teria que sorrir

O pior é se se calam
me olvidam mesmo a dormir
não dizem nada, não falam
deixava então de sorrir

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Por mais que não queiramos, todos somos um pouco lamurientos. Uns, não o demonstram, lastimam-se para dentro. Outros, os mais exuberantes, choramingam mesmo sem lágrimas, não perdem a ocasião para se lastimar, quer com o que se passa com eles próprios quer com a sociedade em geral, a que está à sua volta ou até a que se encontra distante.
Seja como for, a lamúria é um exercício que faz extravasar a tristeza que circula no interior do ser humano. E é também a forma de comunicar aos outros a infelicidade que lhe invade o espírito. E, não querendo sofrer sozinho, o lamuriento procura consolo, cumplicidade, aplauso até pela sua coragem em suportar a dor.
O choramingas é, portanto, alguém que não aceita ser só ele a sofrer. Procura companhia e, de uma forma geral, considera que o seu sofrimento é maior do que o do outro com quem fala. Dor como a sua não há nenhuma!
Sofrer em silêncio, não transmitir para fora as agruras que sente, engolir em seco as maldições que lhe couberam em sorte, passar por tudo isso sem mostrar, sem transmitir a quem só pode sentir dó, piedade, tristeza… e mais nada, conseguir resistir à tentação de provocar a comiseração, isso só pode merecer o aplauso do que já tem problemas na vida que lhe cheguem. Se se trata de pedir auxílio, isso é uma coisa. Agora, se o que se pretende é tão somente exibir desgraças e a valentia que se tem em suportá-las, nesse caso não parece ser louvável tal atitude.
Há, realmente, muita gente que sofre por esse mundo fora. Se a lamúria fosse sincronizada e todos, ao mesmo tempo, se queixassem, em voz alta, dos seus males. Teríamos um impressionante coro da desgraça.
Talvez isso despertasse para o bem esses destemperados que levam toda uma existência a provocar guerras e destruições. Mesmo tendo de perder as faustosas e injustas mordomias que, quase sempre, lhes são proporcionadas por esse maldito produto que vem do fundo da terra: o petróleo!




VENEZA



Não há nada como andar de consciência tranquila para não nos preocuparmos com os problemas que assolam a maior parte da população. Se tivermos a noção de que não depende de nós o melhorar o estado das coisas, se não temos dimensão para influenciar a mudança dos problemas, se, por muito que nos possa desgostar assistir a um esgotamento progressivo das condições de vida da maioria dos cidadãos, não se encontrar nas nossas mãos contribuir de forma efectiva para que tudo se altere para melhor, nessa altura o único que podemos fazer é encolher os ombros e deixar andar.
Estas formas de proceder são as que a maioria esmagadora dos portugueses utiliza, só entrando em conflito quando se sentem acompanhados por grupos, maiores ou menores, normalmente fomentados por partidos políticos, sindicatos ou outro tipo de organizações capazes de arregimentar públicos. De forma isolada é raro assistir-se a quem resolva tomar uma posição de confronto, sobretudo com forças públicas, como seja até o próprio Governo.
Portanto, o que digo no primeiro parágrafo deste texto não é atitude que estimule. E a prova está nos milhares de artigos que deixei ao longo da minha vida de jornalista e, agora, nestes despretensiosos blogues que, mesmo assim, ainda levam alguns comentadores, uns tantos anónimos, a fazer chegar-me as suas opiniões que, ainda bem, nem todas são de aplauso.
Encontrando-nos já no ano que se apresenta, na opinião da maioria dos observadores mundiais de mau presságio, haveria que aguardar, da parte dos mais responsáveis pela condução do nosso País, que mostrassem um comportamento que se considerasse exemplar. Bem sei que a Liberdade é para todos e que cada um é livre de tomar as atitudes que julgar mais apropriada, sobretudo se, no capítulo dos gastos, usar o seu próprio pecúlio. Mas, aqueles cujas atitudes que têm de servir de exemplo à população que não os perde de vista, não basta dizerem que não usaram os fundos públicos para gozar de um determinado prazer. É preciso que, tudo que façam, dê mostras de cumprimento de regras que se recomendam em cada altura da vida do País, Neste caso de Portugal.
Vem isto a propósito de quê? Do primeiro-Ministro ter ido celebrar a passagem do Ano Novo em Veneza, por certo um lugar apreciável que muitos dos nossos cidadãos também desejariam poder visitar. Mas, co’a breca, quando se recomenda, por um lado, que não continuemos, como aconteceu em certa altura, a fingir que somos ricos, quando o Chefe do Estado, de uma forma bem clara, avisa que Portugal atravessa um período difícil e que não se sabe bem como irá sair desta, quando o ministro das Finanças e o governador do Banco de Portugal já deixaram de esconder o perigo do afundamento, é precisamente nesta altura que José Sócrates, mesmo pagando do seu bolso, escolhe a romântica Veneza para dizer adeus a 2008.
Pelos vistos, quem anda de consciência bem tranquila é o primeiro responsável pelo andamento político, económico e social do nosso País. Ou então, não tem tento para compreender que todos os seus passos são analisados pelo amargurado povo português que, com excepção daqueles importantões que se anunciam que meteram as mãos nos dinheiros dos bancos e das empresas públicas e camarárias, tirando esses vivem com as maiores dificuldades nesta Terra em que, cada vez menos, apetece viver.

sábado, 3 de janeiro de 2009

ISOLAMENTO

Há quem não seja capaz de estar só
De se entranhar, de consigo viver
De se enfiar no seu próprio guarda-pó
E de discutir sozinho o seu querer

Há gente assim, que gosta de multidões
Que só consegue andar na confusão
Quer o seu mundo cheio de atenções
Mesmo que daí não saia conclusão

Que bom, por isso, é o silêncio da noite
Ainda que não exista quem se afoite
A ter à sua volta só penumbra

Ficando assim e estando a pensar alto
Sem nada que lhe provoque sobressalto
É algo que ao solitário deslumbra

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Nada mais doloroso do que o sonhar. O sonho é um desejo. Uma aspiração. Quem pretende atingir um objectivo, começa por sonhar com essa meta desejada. Sonhar com uma coisa bela que não será possível atingir é sofrer. Ansiar por pintar uma tela perfeita e tentar, tentar sem o conseguir, é dor que rói no íntimo do sonhador. O mesmo se passa com a obra musical e com o trabalho literário, os tais que se pretendem tão perfeitos que mereçam a distinção especial dos apreciadores.
Viver de projectos, de desejos, de aspirações é sofrer permanentemente. E em silêncio, porque parecerá sempre ridículo aos outros descrever-lhes o sonho que se traz no fundo do nosso ser.
Querer ser genial e não passar da mediocridade é uma verdadeira tragédia para quem acalenta esse objectivo e tem consciência da distância que o separa do fim aspirado. É andar em perseguição de uma meta que só se vislumbra no fundo do túnel. A entrada é ali, mas o mais certo é morrer-se a meio do percurso.

MANGAS ARREGAÇADAS



Não podemos continuar a dever ao estrangeiro os milhares de milhões de euros que têm vindo a aumentar ao longo de sucessivos governos nacionais que, para além de não terem sabido utilizar o dinheiro que cá entrou de várias origens, incluindo o enorme auxílio de que beneficiámos por via da Comunidade Europeia e de que se sabe que uma grande parte foi parar aos bolsos dos costumados aproveitadores dos dinheiros mal controlados, repito, tendo de terminar drasticamente esses empréstimos que, também por outro lado, vão em breve começar a ser negados pelos credores que deixam de confiar na nossa possibilidade de respeitar compromissos, sendo assim o que se torna de uma grande urgência é encarar a atitude dos portugueses passarem a produzir em termos idênticos aos que são capazes de mostrar os nossos compatriotas que trabalham no estrangeiro. Se, lá fora, somos considerados como trabalhadores exemplares, não existe razão aceitável para, na nossa terra, nos encostarmos sempre que podemos, não termos gosto por aquilo que fazemos e andarmos sempre a pensar nas férias, nos dias de descanso e nas “pontes” que, por aqui, são tão apreciadas.
E é necessário deixar escrito isto: os sindicatos, as centrais sindicais, os grupos políticos que procuram votos nessa classe trabalhadora e a incita às revoltas, às greves e às paralisações, o que têm também de fazer é entusiasmá-la a tirar Portugal do atoleiro em que caiu e mostrar-lhe que o desemprego se combate trabalhando bem e não provocando o empresariado a despedir, por não conseguir atingir níveis de produção competitivos com o que vem lá de fora.
Não podemos fazer de conta que as ditaduras políticas quando chegam é só por acaso. Quando a Liberdade não é bem utilizada e, em vez dela, é a libertinagem que toma conta do comportamento da população, nessa altura estão criadas as condições para uma grande maioria de cidadãos aspirarem por algo que “mande”, que tenha força, que “ponha tudo na ordem”. E é preciso cuidado, porque aqueles que têm idade para isso sabem que qualquer ditadura, quando se instala, é muito difícil correr com ela, seja fascista ou de extrema-Esquerda. Por isso, o que se deve é fazer todos os esforços para que, quando se goza da liberdade, lutar para que ela nunca seja perdida, por muito que, como disse um dia Winston Churchill, a Democracia seja a menos má das políticas…
Cabe aos responsáveis que governam nesta altura o País e aqueles que, se forem outros, venham a tomar conta do nosso futuro, puxar pela cabeça, pela imaginação e pela competência e fazer aquilo que Cavaco Silva recomendou no seu discurso, mesmo que ele, quando foi Governo, não o tenha conseguido. Mas estas funções de agora emprestaram-lhe experiência. Assim parece.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

LOGO MAIS

Mas que mal anda a língua portuguesa
tão mal tratada pela juventude
perdeu-se por aí tanta pureza
do que é belo e não quer que se mude

Palavras novas, até se aceita
a vida não deixa nada imutável
mas mau sentido é que se rejeita
matar a língua não é tolerável

Quando se ouvem novos locutores
espalhar pelo ar mau português
aí a revolta atinge os anais

E não se podem conter os furores
quando dizem tamanha barbarez
como seja essa do “logo mais”

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Por muito que se tenha vivido e por bastante menos que nos falte para concluir o capítulo da vida, sempre se mantém a perspectiva do amanhã. Seja para dar seguimento a uma tarefa inconcluida, seja por haver esperança de que depois é mais oportuno terminá-la. O agora nem sempre apetece. O já é normalmente incómodo. Fazer de seguida cansa, muito embora possa resolver logo a questão pendente. Encarar na altura um problema pode não dar ocasião a meditar com tranquilidade. Sobre ele e quanto à melhor solução.
O logo se vê é a posição que tomam os que arrastam para depois o encarar com as situações. O “espera aí que depois resolvo”, pode ser uma defesa para as arrelias. Um pé no travão das coisas incómodas, daquelas que, quanto mais tarde melhor, mesmo que não as elimine dá espaço para mudar de rumo.
Essa frase do “há tempo”, faz tranquilizar até os que sabem que o assunto em mãos tem contornos de urgência. Com base na expressão de que o tempo cura tudo, o deixa andar acaba, por vezes, por dar razão a quem receia enfrentar situações complicadas. E a verdade é que, se não é a melhor solução o que o tempo acaba por proporcionar, pelo menos dá mais espaço para acalmar os espíritos daqueles que defrontam um incómodo.
Seja como for, o jogo do empurra, o espera aí um bocadinho, o quanto mais tarde melhor, tudo isso só pode ser considerado como uma manifestação de fraqueza. É deixar para depois o que pode ser feito logo. É manter uma preocupação pendente, é até ter medo do resultado do confronto com o problema.
Estou a escrever este texto e faço-me esquecido de que tenho marcado um encontro com um editor para apreciar os trabalhos que tenho arrecadados numa gaveta. Vou pensar melhor se devo correr esse incómodo. Se estou preparado para uma desilusão. Se não estarei a deitar achas para a fogueira das desilusões, se não poderei atacar a árvore das esperanças que constituem o veio da força para a manutenção das minhas produções.
Não digo nada. Quando arrumar os papéis que tenho sobre a mesa e sair do café logo vejo se os meus passos se encaminham para esse “juiz” da obra dos outros. Ainda não sei se não será mais um “logo veremos”.



ANO NOVO


“As ilusões pagam-se caras”, esta a frase que proferiu ontem Cavaco Silva no seu discurso do início do ano. E não é para me gabar, mas esta concordância que se pode verificar nas palavras do Presidente e naquilo que eu tenho andado aqui, neste blogue, a insistir, ao longo de vários textos que tenho deixado e podem ser confirmadas por quem se queira dar ao trabalho de ir ler o que consta em inúmeras críticas que se encontram gravadas neste “site”, esta coincidência de pontos de vista até tem graça.
De igual modo, sempre mostrei indignação pelo facto de José Sócrates e vários dos ministros do seu Governo, em lugar de falarem claro aos portugueses, pondo de parte gabarolices que são não só descabidas como não correspondem à verdade dos factos, na maioria dos casos, em vez dessa obrigação mostraram preferência por afirmar que tudo das suas acções constitui o melhor que pode ser feito e que quem não está de acordo com a política praticada só mostra um hábito português de se posicionar sempre no contra.
Por diversas vezes aqui deixei bem claro que, face às dificuldades que atravessa o mundo e que, no nosso caso, são bem sentidas pelos portugueses, o que Sócrates e os seus seguidores deviam fazer era usar da sinceridade e dizer aos cidadãos que a situação é excessivamente difícil e que tudo que seja fazer papel de ricos, com investimentos anunciados que todos sabemos que não vão poder ser suportados.
Toda esse deslumbramento com as novas auto-estradas, com a anunciada nova ponte sobre o Tejo, com a construção do aeroporto que vai servir a capital, com a novas vias ultra rápidas ferroviárias, tudo isso obviamente necessário num futuro, ser referido nesta altura é uma coisa, mas andar a arrotar milhares de milhões que sabemos todos muito bem que não os temos e que, mesmo recorrendo a empréstimos exteriores, é uma hipoteca que deixamos de herança aos nossos vindouros, proceder dessa maneira como se tornou um hábito vincado do actual Governo português, é impingir uma ilusão que, ainda que fiquem a meio parte das obras que se anunciam, vão deixar o nosso País atolado num lodo de dívidas que terão as consequências horrorosas que quem cá estiver na altura – e já não vão ser estes – terão de enfrentar. Isto, digo-o com tristeza mas sem receio de ser acusado de pessimista doentio.
Quem persistir enrolado na ilusão de que o caminho que seguimos é o correcto, que não tem importância que gastemos mais do que aquilo que necessitamos, de que não temos de nos preocupar com a produção nacional e a colocação dos produtos nos mercados exteriores – afinal, esse ICEP, que custa tanto dinheiro, o que é que anda a fazer? –, os que não se preocupam com a dificuldades por que estão a passar as pequenas e médias empresas, as que ainda podem prestar algum auxílio aos desempregados, todos esses, em que está incluído todo o Executivo e os seus responsáveis principais, na História que virá a ser escrita ali ficarão a ocupar um espaço vergonhoso.
Gostemos ou não, mas Cavaco Silva não se pode, nem deve, calar. E mandem às malvas os que temem o confronto entre os dois poderes principais da nossa Democracia.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

GREEN PEACE

Olhar o mundo com amor,
tentar descobrir nele
o que nele é belo ou deveria ser
se não houvesse quem
o destruísse;
arreganhar-se perante os homens,
os que são poluidores,
os que não conservam
e só estragam;
usar todos os meios,
legais e ilegais,
para chamar a atenção,
para dizer à humanidade que,
se continuarmos assim,
é o futuro que está em perigo,
que será negro,
que a Terra não aguenta
tanta malvadez;
gritar bem alto
que a água,
essa preciosidade,
não se pode desperdiçar,
que um dia acaba
como vão ter fim outras matérias,
hoje indispensáveis;
recomendar o reciclável,
aproveitar o imprestável
ou o que parece ser;
utilizar bem o ar,
o vento,
a chuva,
o mar,
o sol,
para substituir o petróleo,
esse maldito
que um dia finirá
deixando de ser
o suporte do luxo,
do ostentassismo,
da opulência,
do agressivamente imoral,
do escabroso,
aquilo que os vários emires
de todas as arábias,
sejam elas muçulmanas
ou de outra cor religiosa,
quase todos repelentes,
ditadores de países
com gente de vida miserável;
os que se preocupam com este previsível futuro,
tenham lá o nome que tiverem,
os que se revoltam
mas apenas na comodidade do sofá,
não podem ser comparados
com os que vão à luta,
arriscando mesmo a vida,
porque os poderes instituídos,
os que podem e devem fazer alguma coisa,
os políticos,
não dizem mas pensam
que o futuro pertence a quem estiver no comando
quando ele chegar,
nessa altura,
mais tarde;
todos esses homens que hoje,
os chamados de boa-vontade,
sejam religiosos ou ateus,
mas não sendo indiferentes,
tais valentes,
lutadores por uma causa,
difícil e sem dar lucros monetários,
mas que acreditam não estar ainda
tudo perdido ,
têm um nome e um modelo.
Chamam-se Green Peace.
Sei que vale a pena a sua luta
o que não sei
é se conseguem ir a tempo
de salvar o que resta
e que ainda não foi destruído,
consumido,
desaproveitado.
Mesmo com dúvidas
vale a pena a luta,
alguns animais perseguidos
ainda conseguirão salvar-se:
as baleias,
os bichos polares,
tantas aves que já são hoje raras,
as feras que ainda resistem
e que não estão nos circos ou nos
jardins zoológicos,
tudo isso,
que é o que mexe,
chegará a alguns vindouros,
mas cada vez menos.
Os luxos dos casacos de peles,
das pérolas,
das penas exóticas,
de tudo que alimenta a vaidade,
que é o prazer dos inconscientes,
esse exibicionismo
pagar-se-á caro,
muito caro,
quando o ser humano
sentir na carne
aquilo que os seus antepassados
fizeram
ou não fizeram,
os crimes da não conservação
e do desperdício.
Nessa altura será tarde
tarde demais
para louvar todos os Green Peace
que existiram.
Mesmo que em vão!

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Viver toda uma existência com esperanças e, chegando a uma certa altura da vida, sentir que se está a perdê-las, que o tempo para a frente já não dá para grandes expectativas, que seria necessário começar tudo de novo e, provavelmente, de forma distinta, seguindo outro caminho, actuando de maneira diversa, concluir tal coisa não é entusiasmante. Porque, não usando já hoje a velha e amiga máquina de escrever – que ainda mantenho, bem guardadinha, num armário -, sendo o computador quem faz o trabalho, com maior limpeza é verdade, guardando simultaneamente no tal arquivo, produzindo quantas cópias sejam necessárias, e efectuando as emendas que nunca deixam de ser necessárias, apesar de tais perspectivas não me sinto capaz de enfrentar outra vez a luta com o talento, para tentar colocá-lo do meu lado e não contra mim. Mesmo com forças, falta-me o tempo.. E este, juntamente com o trabalho, é essencial para ir em busca do génio.
É por isso que me dedico apenas ao presente. O passado já foi. Relembrá-lo, para não cometer os mesmos erros, isso faço. O futuro será a soma do antes, do agora e do depois possível. Estará escrito nalgum estudo astronómico, mas, como não sou seguidor dessa prática, ciência ou o que quer que seja que se deva denominar, entrego-me ao consumo do dia-a-dia. E, assim, vou escrevendo e pintando. Faço o que posso.
Não escondo que, apesar de todo o conformismo que aqui mostro, no íntimo não posso deixar de manter a aspiração de que um milagre se produza. Imagine-se, um milagre! Um fenómeno que se encontra distante das minhas crenças. Será, então, uma entrega ao acaso. Produzir sem preocupação com o que vai passar-se com o que fica. E, se ficar, onde? Nas gavetas? No arquivo do computador? Provavelmente nunca chegará a sair daí, a menos que esta máquina diabólica vá parar às mãos de algum curioso que se lembre de vasculhar o tal arquivo, o que está guardado no seu interior.
O que for, será. Só que, pode muito bem acontecer, não venha a ser nada.

VALSAS DE VIENA



Não há como começar cada dia de ano novo vendo e ouvindo, pelo menos na televisão, a orquestra filarmónica de Viena de Áustria a tocar peças que andam sempre nos meus ouvidos em todas as alturas, da autoria de Johann Strauss. Depois da tristeza que me atinge no período do Natal, compensar esse mau estar que não é explicável para a maioria das pessoas com o bem-estar interior, com a harmonia da musica e essa particularmente a condizer com o início de mais um período de doze meses que, sobretudo agora, não se sabe como vai correr, ultrapassado a época natalícia sinto como uma vacina reconfortante entrar-me pelos ouvidos e encher-me a vista todo aquele conjunto de músicos que, num ambiente deslumbrante e num salão lindíssimo, dão mostras do que é realmente a beleza da arte musical.
Eu, que sempre fui um entusiasta melómano e que já em miúdo ia assistir aos concertos da G.N.R. no quartel do Carmo, levado pelo meu bisavô, que era um violinista de grande mérito, e que ainda andei a estudar solfejo e piano na Academia dos Amadores de Música, mas cujo conflito de tempo com os outros estudos que eu tinha me obrigou a não passar das primeiras notas, por esse motivo, ao longo de toda a minha vida de escrita e de tentativas de pintura sempre me arrepelei por não ter seguido a profissão de musicólogo. Mas a realidade foi-me mostrada de que, nesse caminho, aqui em Portugal não ganharia para viver, pelo que me embrenhei no jornalismo depois de várias experiências de outro tipo.
Vem isto a propósito de afirmar aquilo que toda a gente sabe e que já Ortega y Gasset desenvolveu na sua tese do Homem e das suas circunstâncias. O caminho que levamos durante a nossa existência é, quase sempre, conduzido por acontecimentos que estão alheios à nossa própria vontade. E, quando damos por isso, a certa altura da nossa vivência, já não há nada a fazer. Há que suportar o tempo que resta e não importa queixarmo-nos e angustiarmo-nos.
Nesta altura em que delicio os meus ouvidos com as melodias que a televisão transmite e que são da autoria dos vários Strauss que ofereceram todo o seu génio ao mundo, enquanto escrevo este texto e em que não tenho apetência para tocar noutro assunto que não seja um ligado ao prazer que sinto, penso no ano de 2009 que acabou de chegar e que vem carregado de maus presságios. Quero terminar esta escrita ao mesmo tempo que o concerto de Viena também se despede. Só depois é que me vou enfiar no sofá que conhece todas as minhas curvas e contra-curvas, para me dedicar aios meus pensamentos.
Quem me dera voltar um dia àquela linda cidade austríaca, que eu visitei duas vezes em missão profissional, mas que tão mal fiquei a conhecer. Já não tenho esperanças de lá voltar um dia por minha conta e na altura dos belos concertos em locais paradisíacos. Mas se este é o ano das más notícias, para quê aspirar a coisas impossíveis?

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

RIR

O rir é o contrário do chorar
por vezes nem um nem outro com sentido
são desabafos, solturas do perdido
melhor é não tentar interpretar

Mas o rir também pode ser de pena
de dó por ver aquilo que outros fazem
quando constroem ou quando desfazem
se a obra é grande ou até pequena

O mal é se quem paga é Portugal
se é dos políticos que nos rimos
daqueles que nos deixam mesmo mal

Nesse caso, a rir perdemos todos
visto que quando votámos não vimos
que íamos ser levados em engodos


DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Por vezes interrogo-me, na solidão dos meus pensamentos, sobre aquilo que aprecio e o que detesto. Faço um risco ao meio para separar bem as duas coisas e dou comigo a ser condescendente, uns dias, e severo, outros. O homem é assim, digo eu, tomando-me como modelo de uma maioria.
Não será sempre igual. É volúvel, de acordo com os humores, o tempo que faz, as circunstâncias em que nos encontramos, os contactos que mantemos com os outros, o ambiente que nos rodeia e tantas outras motivações.
Se penso no que fiz pela vida fora, no que vivi, no que aproveitei, no que me saiu razoavelmente bem, aí sinto-me satisfeito, relembro os momentos agradáveis e dou por bem aproveitado o tempo que vivi. Mas se, pelo contrário, rememoro as situações negativas, as quebras de estímulo, os bocados mal vividos, por minha culpa ou por intromissão alheia, se me castigo a recordar traições de falsos amigos, más escolhas das vias utilizadas, falta de interesse em persistir na luta, regressos aos princípios, aos pontos onde estava antes de iniciar uma caminhada ou até pior, opto por fazer voltar à memória o que correu mal no meu passado e faço então contas quanto ao futuro que me espera e sobretudo ao tempo que me falta para conseguir ainda fazer algo que valha a pena. E se chegar à conclusão, nos dias de total pessimismo, que não atingirei esse objectivo, aí, a solidão em que me encontrar parece mais pesada do que ela é. E afinal nem é.


FELICIDADE PRECISA-SE



Isto de estar com uma gripe que me deixa de rastos, mas, ao mesmo tempo, não querer deixar de preencher o meu blogue tratando-se, sobretudo, de um dia que marca o fim de um ano que, na maioria dos casos, não deixa saudades, não é tarefa muito fácil de levar a cabo, mas, ao mesmo tempo, é bom que me faça levantar da cama e que me chame a atenção para a necessidade de não nos deixarmos dominar pela atracção do leito que, quanto mais tempo lá se permanece, mais difícil é assistir a uma recomposição da saúde.
Encaremos, pois, o que aí vem. E, passada a meia-noite com as tradicionais passas e o jantar com família e amigos, o que se torna obrigatório é não perder a esperança e enchermo-nos de força para enfrentar o bom e o mau que se apresentar na caminhada que tivermos de fazer. E, não festejando como eu acabei de ler num jornal, dito pela boca de uma considerada “rainha da etiqueta” e também alcunhada de “escritora” – lê-se no referido periódico – num local “glamouroso” onde estarão presentes as caras conhecidas só por serem as convidadas de sempre pelos estabelecimentos que necessitam de promoção, neste nosso ridículo sítio onde temos de habitar, graças a isso passarei tranquilamente a hora da mudança sem grandes festejanças. Só o essencial.
Mas lá por eu não ser muito dado a datas estabelecidas para exteriorizar alegria, não quer dizer que não deva recomendar, a quem me siga no blogue, que não perca a esperança de que melhores dias virão e que, mesmo contrariando as opiniões de vários comentadores ligados à vida política, não pode durar sempre a crise que se espalhou pelo mundo. Acreditar é uma marca de felicidade. Não se deixar abater por perspectivas que têm a aparência de vir a ser negras, é uma forma de conseguir abrir o peito ao que surgir de menos agradável.
Aí está o que, sacudindo a minha gripe, consigo tentar transmitir aos seguidores do meu blogue – que já são perto de 2.000, segundo a indicação que recebo no meu computador – algo de animador. Vou fazer todos os esforços para, em 2009 manter um semblante de alegria, ao contrário do que me dizem que é o meu aspecto facial.
Coragem, pois, boa cabeça, não fazer grande caso das notícias menos agradáveis e ir alimentando expectativas de que não há mal que sempre dure.
Estão a ver como eu consigo ser um bom mentiroso?

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

OUVE BEM

Ouve bem, por favor, o que te digo
Não tapes os ouvidos quando falo
Talvez não seja sempre um livro aberto
Mas, por certo,
Não é só quando calo
Que podes aparecer ao postigo

As coisas que eu tenho p’ra dizer
Julgo eu, não são despiciendas
Algo terão de importância
São a ânsia
De fazer com que entendas
Até onde vai o meu querer

Mas se convencer-te eu não consigo
Se não é bastante o meu esforço
Fico-me por aqui e não avanço
Não alcanço
Também se não atinjo não me torso
Só pode ouvir-me quem é meu amigo

DESENCANTO... POR ENQUANTO1


Tenho medo de acordar a meio da noite e verificar que não tenho mais sono. Aí, por mais que feche os olhos com todas as ganas, permaneço acordado e com todos os sentidos em pleno funcionamento. Apavoro-me. Faço por não pensar em nada. Procuro desligar o interruptor do acordar, mas não consigo encontrá-lo. E aí, não tenho mais remédio que não seja isso: ficar a pensar.
Vêm-me à cabeça frases, temas, assuntos. Até rimas exóticas. Às escuras, aos apalpões, escrevo, o que me parece merecer ser guardado, num bloco que conservo ao lado. Já experimentei tentar manter na memória, mas, de manhã, ao acordar, não tenho a menor ideia do que julgava que não escaparia.
Na verdade, o despertar a meio do sono e não conseguir entregar-se de novo nos braços de Morfeu, constitui um autêntico suplício. Isso de acordar e conseguir voltar, de imediato, a dormir é uma bênção.
A mim, quando isso de despertar, em pleno sono, me sucede, vem-me à cabeça, sobretudo o que fiz de mal. Confesso que o que ocorreu de bem não tem grande apetite de aparecer. E martirizo-me a fazer projectos sobre aquilo em que me devo empenhar no dia seguinte. Mas, de manhã, não me recordo de nada.
É caso para perguntar se essa coisa do sono dos justos é algo que, de facto, existe. Que responda quem sabe.


O FIM DO ANO


É já amanhã o último dia deste ano de 2008. Passaram num instante os 366 dias que, a um e um, preencheram o espaço de 12 meses. Doze meses que me deram a impressão de se terem esfumado num abrirem e fechar de olhos. E só me ficaram na lembrança as desgraças que se sucederem no decorrer deste tempo, tantas foram as que foram dadas a conhecer por esse mundo fora. Sim, porque os homens, não tendo saído dos seus hábitos de todos os tempos, parece que preencheram todo o período de 2008 com conflitos, com confrontos e até com a crise económica e financeira, tudo que marcou uma época que não deixa saudades a ninguém. Com excepção de uns poucos a quem lhe terá saído qualquer totoloto ou totomilhões, mas esses são as excepções que, se tiverem saúde, têm motivo para comemorar as 52 semanas que terminam agora.
E a fechar a porta do período do ano, todo o Planeta assiste confrangido a mais uma das habituais desavenças entre islamitas e israelitas, conflito que vem de longe e que, por teimosia e facciosismo religioso, sobretudo por parte dos muçulmanos, volta não volta surge e daí resultam muitas mortes e enormes destruições. É o que está a acontecer nesta altura na parte sul da Faixa de Gaza, em que, como resposta aos seguidos “rockets” enviados pelo Hamas contra o território israelita, desta parte as respostas são precisas e deixam em pedaços locais antecipadamente determinadas pelas forças judias que, nestas coisas de guerra, são peritos e têm boa pontaria.
O conflito pode ser interrompido, como sucedeu já noutras ocasiões, mas, na primeira altura, do lado maometano não é possível suster o ódio e salvaguardar a paz que os civis de ambas as partes tanto precisam. Não conseguem respeitar as ideias dos outros, dos que não seguem a sua religião, daqueles que têm outras ideias. Quem não como eu é contra mim! É a forma de pensar dos chefões do Hamas.
Eu, que já estive várias vezes em Israel, percorrendo todo o território de Norte a Sul, que convivi muito de perto com várias camadas de israelitas, que me dei com os civis que formam parte das tropas do País quando são chamadas a intervir, tantos homens como mulheres, formei uma opinião no que diz respeito á sua capacidade de levar a cabo uma missão e verifiquei que quando actuam é para ter um desempenho sem erros. Quero dizer: quando dão um tiro é para acertar no alvo e não gastam munições para o ar. Para além disso, antes de apertar o gatilho, seja ele qual for, numa fase anterior têm o alvo devidamente estudado. E se morrem civis que estão fora do conflito é porque se encontram na hora errada e no local incerto.
Seja como for, é sempre a mesma coisa: os homens estão sempre contra os outros homens. O Natal daqueles em guerra não é este nem agora, mas, mesmo que fosse, nada impediria que se andassem a matar de um e de outro lado.
É por isso que eu sou um irremediável amigos dos animais… dos irracionais.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

QUERER

Querer e não ser capaz
é mal de que se padece
não gostar do que se faz
é triste mas acontece

Tentar fazer o melhor
é um desejo agradável
porque de tudo o pior
é fugir de ser notável

Lutando pr’a conseguir
vendo sempre o pelourinho
provoca a frustração

O remédio é resistir
não ficar pelo caminho
não aceitar exclusão


DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Por muito que consideremos anacrónica tal situação, o certo é que se podem dizer coisas, mesmo sem ter nada para dizer. Da mesma forma, podem-se escrever frases sem as ler alto depois, para não se correr o risco de deitar o escrito para o lixo.
Quanto a mim, se bem que não seja muito de falar por falar, já no que se refere ao escrever, aí dá-me jeito depositar no papel aquilo que me vem à cabeça… se bem que, na verdade, depois me custe reler o que fiou gravado pela caneta. Será por falta de amor-próprio, por não me deslumbrar com aquilo que faço, de considerar que é um risco grande que não vale a pena correr, como não sou partidário do “falem de mim ao menos mal”, será por tudo isso mas o facto é que não me entusiasma contemplar o que escrevi.
No íntimo, esta será a verdade, há sempre a esperança de se ser melhor do que aquilo que se parece, em contradição com os que parecem ser melhores do que aquilo que realmente são e que, creio eu, serão os que se encontram em maioria. Mas como a esperança só se perde no derradeira momento da existência, viver com tal ilusão tem a vantagem de alimentar um certo ego, por mais escondido que ele se encontre.
Isto, por mais que se tropece por aí com quem exalte o ego a torto e a direito. E, curiosamente, com verdadeiro sucesso!



AVANÇAMOS ALGUMA COISA. UM SEGUNDO!



Chegados que estamos a este final de ano que, por sinal, à maioria dos habitantes do mundo não deixará grandes saudades, e as excepções só confirmam a regra, a conclusão a que eu chego, frente ao computador e com a vontade habitual de marcar posição com alguma coisa que valha a pena ser lido por outros, é de que parece que está tudo dito e o que for agora acrescentado é só repetição do que já foi expresso de diferentes maneiras. Com efeito, a já cansativa crise que se instalou no mundo e que, parece, não vai ser resolvida em 2009, a mesma teima em querer ser o tema que continua a vir a talho de foice daqueles que, como eu, só pretendem e podem deixar em letra de forma os comentários às desgraças que tomaram conta de todos locais onde existem seres humanos, sejam quais forem as suas cores, religiões e nacionalidades, tudo isso deixou de constituir notícia.
Neste momento e embora não se trate de uma novidade inesperada, o confronto entre israelitas e o movimento islamita conhecido por Hamas, que tem a sua sede também na Faixa de Gaza, segundo os primeiros pelo facto dos bombardeamentos contra o país dos Judeus com rockets, contrariando o acordo de cessar fogo que tinha sido estabelecido, o que causou já centenas de mortos na parte árabe, esse ajuste de contas parece que vai prosseguir com a invasão por terra pela parte melhor preparada, como ficou demonstrado na bem conhecida “guerra dos seis dias”, em que os judeus deram mostras de serem capazes de pôr no seu lugar os vizinhos que os odeiam e que, sendo sempre em maior número, nem por isso conseguem levar de vencida os moradores na Terra Santa.
Isso, o que ocorre lá por fora e que é merecedor de uma referência neste blogue sem pretensões. Porque, cá pelo burgo, a assinalar existe o facto de as pequenas lojas estarem a dar mostras de enorme fragilidade e nem os saldos, apesar da assinalável afluência verificada, estão a salvar a situação. É que os enormes descontos que estão a ser proporcionados, chegando aos 70 por cento do preço antes fixado, essa perca de lucros consegue a atingir vendas com valores abaixo do que custaram aos lojistas. Isso, só para realizar entradas de dinheiro que possam suportar as obrigações que cada comerciante tem de cumprir, sobretudo com o 13.º mês dos empregados.´
Mas, o que constituiu exactamente agora algo de inesperado foram as declarações que acabaram de ser ponunciadas por Cavaco Silva, mesmo à hora de jantar e que as teveisões transmitiram em pleno. O assunto era o mesmo da intervenção feita em Agosto passado, aquele que, por se tratar da altura que era e por não ter sido suficientemente claro naquilo que apresentou ao País, passou em claro e foi até alvo de algumas desconsoladas afirmações dos observadores. Afinal, o Presidente da Republica só pecou por falta de um texto que fosse devidamente esclarecedor, como agora foi, e também porque deveria aguardar por uma data mais adequada à atenção dos portugueses que, naquela altura, gozavam de férias e não queriam ser incomodados com causas menores. Parecia.
Mas há que dar a mão à palmatória. Na verdade, o Governo e, neste caso o Partido Socialista - que contou também com certa benevolência do PSD - criaram uma situação de desentendimento entre dois poderes nacionais que, sobretudo na fase que atravessamos, necessita mais do que nunca de uma perfeita harmonia para se enfrentarem os problemas que nos afligem, E a questão de se terem retirado poderes ao PR, nos Açores, ficando-se com a dúvida de saber se essa posição contraria os ditames da nossa Constituição, vamos a ver mais adiante se assim é de veras, e com Alberto João Jardim debaixo de olho para constatar se se mantém à espera, para também ele, querer fazer as suas exigências
Terei de voltar a este problema, talvez amanhã. Logo que sejam ouvidos os comentários de alguns daqueles "sábios" que surgem sempre com análises "indesmentíveis".
Mas que Cavaco Silva mostrou desagrado com a situação, sobre isso penso que ninguém admitirá o contrário.
Por agora e a esta hora da noite, fico-me por aqui. Tenho de reflectir bastante sobre o sucedido.
Ah! È verdade. Não nos podemos esquecer de adiantar os nossos relógios um segundo, quando der a meia-noite do dia 31, pois a rotação da Terra está mais lenta do que antes sucedia.
Quem estava à espera de boas notícias, aqui tem uma!... Avançamos alguma coisa: um segundo!...

domingo, 28 de dezembro de 2008

SONHAR

Que bom é sonhar sonho agradável
Dormir acordado e ver o distante
O que se deseja e não é viável
Por muito que dure ou seja um instante

Sobretudo o sonhar acordado
O que se quis, tanto se desejou
Isso mesmo, o que andou ali ao lado
Por muito querê-lo se escapou

Porém o mundo é este em que vivemos
Ingrato, vingativo e bem maldoso
Só nos dá aquilo que não queremos

Porque tudo o que nos pode dar gozo
Isso escapa-nos das mãos e não vemos
Resta-nos sonhar em dia chuvoso

DESENCANTO... POR ENQUANTO1...


Quando chegamos à conclusão que a vida já nos deu aquilo que tinha para nos dar, entramos na fase da resignação. Contas feitas, já não há nada a pagar nem troco a receber. E, ao não se apurar saldo para nenhum dos lados, só resta aguardar o momento do encerrar do negócio.
Se fosse música, dava-se por finda a sinfonia, depois de se ter andado uma vida a preencher as pautas e a lutar para encontrar a melodia que tinha surgido em certa altura na inspiração. E, ao conclui-la, ficar-se-ia somente à espera que alguém a colocasse nos instrumentos de uma orquestra. Se não fosse em vida, pelo menos, mais tarde, como sucedeu tantas vezes com os grandes compositores que deixaram obras póstumas.
Mas, ao tratar-se de obra escrita, o conformismo com a falta de visibilidade pública daquilo que se produz, essa resignação também serve de conforto. E a obscuridade em que fica o que foi produzido tem a vantagem de não ser alvo de críticas dos que, em seu pleno direito, exercem essa função de julgamento do que os outros fazem e mostram.
Este estado de alma já eu demonstrei em vários textos que tenho redigido. É uma espécie de ladainha que parece contradizer a aceitação conformada a que me entrego. É que, no fundo, ainda transporto em mim a esperança de que a vida não me deu, afinal, tudo o que tem reservado para mim. Todos os dias vistorio a minha caixa de correio, na esperança de que algum editor me faça a surpresa de me mostrar a sua disposição em lançar os inéditos que tenho para oferecer à estampa.
Não será mau que a resignação, ao fim e ao cabo, esteja sempre acompanhada, mesmo que encoberta, por uma certa esperança. São duas posições opostas que, intercaladas, acabam por se dar bem.


TERREIRO DO PAÇO



Atravessamos uma tremenda crise económica e financeira? Pois ninguém diria. Pelo menos cá no nosso País. Então não é que os registos pelo organismo que controla estas coisas, o SIBS, feitos no capítulo dos cartões de crédito utilizados entre os dias 1 e 25 de Dezembro, apontam para um montante de 4,2 mil milhões de euros, ou seja mais 1 por cento do que ocorreu no ano passado?
Sendo assim, não vale a pena os observadores andarem de mãos na cabeça, pois a população portuguesa contraria todas as opiniões pessimistas que são feitas quanto à situação actual, logo, também não será caso para nos inquietarmos no que se refere ao 2009 que aí está a chegar. Os nossos compatriotas são uns felizardos, não se preocupam com o amanhã e toca a gastar hoje e a pagar com cartões de crédito, que depois logo se vê…
Na verdade, este País e os seus habitantes, governantes e todos que tais, assobiam sempre para o lado e não se importam grandemente com as consequências dos actos que praticamos em determinada altura. Amanhã é outro dia e não vale a pena preocuparmo-nos com o que possa vir depois. Agora está resolvido, quando chegar a altura de nos afligirmos, nessa altura, então, se encontrará forma de nos desenrascarmos!...
Se não é assim, pois que alguém me explique uma situação que não se encontra forma de ser entendível por qualquer cabeça que se dê ao trabalho de pensar:
Há já muito tempo e até me parece que é uma determinação da Câmara Municipal de Lisboa ainda na sua anterior presidência, que aos domingos, entre as 14 e as 17 horas, não é permitido que o trânsito de automóveis particulares seja feito na Praça do Comércio. Portanto, os carros que têm de passar do Cais do Sodré para o lado de Alfama e vice-versa, são obrigados a dar uma volta que extravasa a capacidade das ruas escoarem o movimento que se acumula nos dois lados.
Fui obrigado, vindo de Alcântara, a ir comprar um bilhete de comboio a Santa Apolónia. Pois, quando cheguei ao fim da avenida 24 de Julho, a fila de automóveis já se estendia a perder de vista. E o único caminho possível era meter pela rua dos Bacalhoeiros e atravessar uma zona que não costuma estar aberto aos carros, mesmo junto à porta principal da Câmara. Daí, sempre em marcha lentíssima, lá se podia ir pela rua de S. Julião. Este trajecto levou 25 minutos, sendo enorme também a fila que corria ao contrário.
Mantenho, por isso, a pergunta ao presidente do Município lisboeta: qual a razão por que continua a manter-se esta mania (porque só pode tratar-se de uma mania), de fechar ao trânsito automóvel o Terreiro do Paço, aos domingos e entre aquelas horas? Expliquem-se. Prestem contas à população, que é essa a vossa obrigação. E não estabeleçam normas estranhas, só porque um senhor que tem poder para isso acordou uma manhã com uma ideia e, zás!, passou-a pêra um papel tal como eu faço este blogue.
Só que, o que aqui digo não causa transtornos a ninguém!...

sábado, 27 de dezembro de 2008

BURRICES



Hoje apetece-me o silêncio. Não ouvir nada nem ninguém. O dia surgiu como deve ser nesta época. Chuvoso. Feio. Macambúzio. Nem dá vontade de sair de casa. E até serve de desculpa para não ir comprar os jornais. Também aí descanso. Porque a leitura das notícias e a escuta dos noticiários só servem para envinagrar ainda mais o ânimo que, por sinal, já é pouco.
Que importância se pode dar a termos ouvido o José Sócrates, no seu discurso de Natal, afirmar que o Governo ia aumentar o salário mínimo para 450 euros mensais, quando os espanhóis já o fixaram em 621? Que revolta podemos sentir por o mesmo Executivo não ser capaz de impor que os medicamentos em pastilhas possam ser vendidos com receitas médicas que permitem pequenas doses, em lugar de frascos inteiros, como acontece por essa Europa fora há imensos anos, e que depois sobram com os custos inerentes? Qual a indignação bastante que podemos ter quando nos deslocamos nas ruas e estradas do nosso País plenas de irregularidades, esburacadas, mantendo-se assim eternidades, enquanto se anunciam obras caríssimas para auto-estradas novas? Vale a pena qualquer crítica pelo facto de existirem muitos mais generais do que o que seria admissível numas forças armadas como as nossas, ao ponto de calhar cada general para 224 praças?
E por aí fora iria, se não se desse o caso de eu hoje só desejar o silêncio e nem o bater das teclas do meu computador me apetecer escutar.
O que este País está a pedir é isso mesmo: mutismo. Que nos calemos todos e digamos aos homens do poder e aos das oposições para não abrirem o bico. Já basta de burrices – que me perdoem os jericos -, de asneiradas, de falsas promessas, de incompetências. Se é isso que temos de ter por vontade já nem sei de quem, ao menos que não façam barulho.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

MUDAR O POVO

Eu sofro tanto por ver
em cada dia que passa
este País a morrer
entregue à sua desgraça

Foram tantas eleições
muitas escolhas, mudanças
houve várias opções
e outras tantas alianças

As disputas foram várias
zangas também um fartum
e promessas como árias
ninguém augurou jejum

Na escolha de quem governa
que desde setenta e quatro
se tem visto como alterna
que nem cenas de teatro

Sucedem-se Presidentes
todos prometem mudar
mas nenhum trouxe presentes
que apetecesse cantar

Nesta altura de mudança
com Cavaco a presidir
nasce mais uma esperança
de que se vai progredir

Mas então mudar Governo
votar outro Presidente
vai fazer com que este inferno
altere assim de repente?

Eu por mim julgo que não
não digo nada de novo
é precisa a opção
de trocar cabeça ao povo

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Ter ilusões é ter uma espécie de esperanças. É sonhar com certa coisa de bom que se deseja ardentemente. É contar com o que virá no futuro. Porque ninguém aspira um amanhã desagradável. Não é normal que alguém ande iludido com um porvir que não corresponda ao que se aspira. Ter ilusões de que se consegue obter o amor de alguém, de que uma nova actividade desejada surgirá, de que a doença que nos atormenta ficará curada, no fundo, a ilusão é algo que transmite força para suportar os maus momentos.
Há, no entanto, que refrear as ilusões em excesso. Se são muitas, provocam cansaço. Sobretudo, pela espera que esses desejos inevitavelmente provocam. Chegar à conclusão que foi inútil manter uma ilusão, por vezes durante muito tempo, e de que o que aspirava não se realizou, é pior do que do que nunca se ter iludido. A mágoa de ter tido ilusões que se foram, que se perderam, é maior do que não conseguir iludir-se, de ser um conformado com a má sorte que não arreda pé.
Mas, percorrer uma vida sempre iludido, a pensar que tudo se resolve a contento, que o mal não quer nada connosco, podendo ser uma forma de abraçar à força a felicidade é, isso sim, viver em equívoco, andar enganado consigo mesmo e com o mundo que o rodeia.
Eu, por mim, já tive ilusões. Foram ficando pelo caminho. Também não estiveram presentes na minha vida de uma forma permanente. Tive dias. Dependeram das ocasiões. Acabaram por se desvanecer. Uma a uma. Chego agora à conclusão de que talvez me tenha iludido demais. Aspirei o impossível.
Se estou a escrever, como agora, e se não sustento a ilusão de que, numa dada altura, alguém lerá o texto que me sai da caneta, não vale a pena esforçar-me. Fico-me onde vou. Logo, neste caso, a ilusão é uma força. É útil mantê-la, para prosseguir na escrita. Se não admito que me pode sair a lotaria, não vale a pena comprar jogo. Quem perde é a Santa Casa. Se abdico da confiança de que um determinado remédio me pode fazer bem, ponho-o de parte.
Por isso, defendo o princípio de que, em certas ocasiões, é útil alimentar as ilusões. Só que devem ser controladas. Racionais. E não se devem manter durante muito tempo. Nem serem sempre as mesmas. Isso cansa. E quem espera… desespera!

HÁ OUTROS AINDA PIORES...



Aquela expressão do Rei de Espanha, dirigida ao Presidente da Venezuela, que correu mundo e ainda hoje se aplica sempre que vem a talho de foice, a do “por que no te callas?”, apetece repetir nesta ocasião em que José Sócrates quis aproveitar a ocasião do Natal para se dirigir ao “seu” povo.
Não é que a figura venezuelana não tivesse merecido a pergunta, dado o seu comportamento só tem comparativo como o de Alberto João Jardim, que não sabe também o que é ter tento na língua, mas, pelo menos pela graça que provocou, não vem mal ao mundo que, volta não volta, seja recordado por isso.
Ora, que o responsável interno número um daquilo que ocorre na situação em que se vive em Portugal – repito, interno, porque há muitas consequências que chegam de fora e das quais não temos forma de fugir -, que esse que tem nas mãos algumas soluções que nem sempre dá mostras de saber utilizar, tivesse querido surgir mais uma vez perante as câmaras de televisão, a propósito do período natalício, pensando que, com isso, ganharia pontos no que diz respeito a um reforço de aceitação na opinião pública portuguesa, que é como quem diz, reforçaria o número de votos de que necessita nas próximas eleições, pois Sócrates, quanto a mim, teria feito melhor figura se não se quisesse armar em Chefe do Estado, que esse, como é usual, dirige-se aos portugueses e deixa-lhes algumas palavras de conforto e de esperança.
O que o chefe do Governo fez foi, em primeiro lugar, lambuzar-se com os as medidas tomadas pelo seu Executivo, todas excelentes como, claro, não podia deixar de ser, mas não apresentando quaisquer desculpas por alguns erros que tenham sido cometidos e muito menos garantindo que, de futuro, se iriam empregar todos os esforço para que ele e os seus membros não desmerecessem dos poderes que lhes são confiados, isto é, tivessem a noção das prioridades das acções que, nesta altura, têm de ser consideradas acima de tudo, precisamente porque nos encontramos numa fase em que os fundos são escassos e é forçoso saber ter consciência precisa para não gastar dinheiros públicos em coisas menos urgentes.
Não senhor. Nada disso surgiu na boca do contentinho da silva, que é o nosso primeiro-ministro. Sempre o que foi de sua autoria foi o máximo, ninguém faria melhor, nunca se engana, não tem erros a emendar, não é um ser humana, mas um deus acima de todas as outras pessoas.
Eu, que até votei PS e, nesta altura, se houvesse eleições, me debateria perante a dificuldade de encontrar quem o substituísse com vantagem – por que são todos medíocres, embora por razões diferentes -, não deixo de me irritar quando oiço e vejo o Sócrates que temos com aquele ar de que nunca se engana e nem tem dúvidas. Tal como o outro, que até é agora o nosso Presidente da República.
E é com todos estes portuguesinhos convencidos que chegámos onde estamos, na cauda das caudas da Europa, mas sempre contentes por haver outros ainda pior!...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

HOJE, DIA DE NATAL, DOU AS BOAS-FESTAS A MIM MESMO.
NÃO FAÇO O MEU HABITUAL BLOGUE.
TAMBÉM TENHO DIREITO A UM DIA DE FOLGA.
QUE DESCANSEM AQUELES QUE COSTUMAM
LER-ME.
PASSAR BEM.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

NATAL


A data chega, infalível
cada ano, sem faltar
com festejos, consumível
dizem ser tempo de amar
sem ser com amor carnal
distribuir amizade
pelo menos no Natal
porque s’afasta a maldade
como manda o calendário
25 de Dezembro
como se fosse um notário
se tu t’esqueces eu lembro
boas-festas p’ro vizinho
seja amigo ou nem isso
há que parecer bonzinho
para depois dar sumiço.
Antes da data festiva
às compras se tem de ir
gastar pouco é missiva
faz falta é iludir.

Mas se no dia seguinte
for preciso fazer mal
com o máximo requinte
já se esquece o ideal
isto de ser comandado
pela folha da agenda
cumprindo sempre o feriado
como sendo uma encomenda
é caso p’ra perguntar
s’aquilo que está marcado
é que tem de se levar
até estar realizado

Cumpramos o estabelecido
façamo-lo tal e qual
será ele parecido
com todo e qualquer Natal
Oxalá não deixe atrás de mim um rastro insuportável.
Mas, a minha única defesa é a resposta que deu Picasso a uma das suas mulheres, quando esta o acusou de ser mal disposto com os amigos e este lhe respondeu: “é que com os outros, não me interessa o que pensem de mim; nem me dou conta de que existem!”
Será uma desculpa.
Cada um arranja a sua.

ZÈ POVINHO



Não vou dar novidade nenhuma. Hoje é véspera de Natal, Há muitos anos que sinto esta mesma sensação: a de me virem à memória acontecimentos tristes, por maia recuados que tenham ocorrido. Não consigo rebuscar alegrias que suplantem as que persistem em atormentar-me.
Mas também, na fase que estamos a atravessar, não consigo vislumbrar motivos que me levem a sustentar uma felicidade a que um ser humano deve ter direito. Sobretudo se a consciência não lhe pesa por ter sido autor de malfeitorias de grande monta, porque uma ou outra falha no comportamento todos nós temos e tivemos ao longo da nossa existência. Quem não reconhece esta verdade, ou é um santo à espera de ser venerado ou é portador de uma inconsciência arrasadora que, à força, o torna uma pessoa feliz.
De facto, a época de crise que se instalou e a que o mundo já se está a aclimatar, no que se refere a Portugal, que é o que está à nossa porta e por isso toca na pele da maioria da população, deixando de fora todos aqueles que, tendo tirado partido das benesses que conseguiram obter, na política, na banca e nas reformas vultuosas que a sua esperteza conseguiu alcançar, não fazendo referência a esses, todos os demais carregam uma preocupação no que a cada um diz respeito e, sem dúvida, quanto ao País que se deixa aos mais novos, que nem a vantagem de ter ainda a juventude que lhes dá alguma força, mesmo isso não vai chegar para fazer navegar o barco que se encontra já na fase de meter água por todos os lados.
Que dizer, hoje véspera do Natal, o Zé Povinho, que Bordalo Pinheiro criou e que até deu motivo a ter sido criada uma fábrica de loiças nas Caldas da Rainha – por sinal a cidade onde eu nasci por casualidade – fábrica essa que comercializa em exclusividade a figura do Chiça, aquela que apetece dirigir a quem nos pretende impingir histórias da carochinha, como são as que os políticos espalham por toda a parte, pois essa fábrica, à míngua de clientes vai suspender a sua actuação até data em que as encomendas voltem a aparecer.
Quem havia de dizer que, precisamente em altura de tanta solidariedade anunciada, também esta produtora, que exportava sobretudo para a América, vê os pedidos daquela origem serem reduzidos a zero e não tem outra coisa a fazer, senão colocar a imagem de marca à porta das suas instalações.
O que apetecia era que a população do País inteiro – excluindo aqueles mesmos a que me refiro atrás – colocasse, em plena Praça do Comércio, à frente da Assembleia da República, em Belém e na rua da Imprensa à Estrela, à porta do palácio do Governo, um grande CHIÇA como prenda de Natal.
E o melhor é guardar, bem guardadinho, o mesmo Zé Povinho, para o Executivo que vier a seguir, pois ninguém garante que, sendo o mesmo ou outro qualquer a qualidade dos governantes surja mais qualificada
.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O MUNDO

Contemplo este mundo e com desgosto
Perco vontade de dele fazer parte
Vendo o que faz basta gente sem rosto
Que teima em tornar da desgraça arte

O que podia ser um mar de rosas
Se os homens não fossem o que são
Daria para cantar tantas glosas
E para consolar vasta paixão

Mas não, esta bola que Deus criou
Foi erro de cálculo, não previa
Que quem pôs aqui dentro saísse assim

E todo aquele que por cá andou
E que fez toda essa travessia
Tem de saber qual será o seu fim

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Pergunto-me, com frequência, se eu, de facto, sou invejoso. Se sinto inveja de alguém. Se gostaria de ser ou de ter o que outro é ou possui.
E, francamente, não consigo descobrir em mim tal sentimento. E, aqui neste escrito, procuro descortinar o motivo.
Primeiro, porque não conheço ninguém que, no seu todo, me desperte o apetite de ocupar o seu lugar.
Há, em todos, sobre os quais lance a minha análise, alguma coisa que não aprecie, embora, por outro lado, possa reconhecer qualidades, que essas gostaria de possuir.
Mas como não é natural invejar apenas parte, no todo não me trocaria por ninguém.
Prefiro sonhar e viver os meus sonhos.
E esses não me levam a substituir-me por um outro.
Conduzem-me, sim, a ver os meus anseios realizados. Só por mim.

SOMOS COMO SOMOS




Estou cada vez mais farto de ainda ter que aguentar com tudo que este mundo, que alguns chamam “de Cristo”, nos oferece por culpa exclusiva do ser humano, essa criatura que, conforme eu costumo dizer, quando foi inventada o autor da receita enganou-se nalgum produto que a compõe e lá introduziu algo que não devia fazer parte do conjunto. Depois de composto o elemento final é que se constatou que o resultado não seria bem aquele que era esperado e, provavelmente, até foi no q.b. que se verificou o erro.
Bem, mas posta de lado a gracinha que alguns crentes religiosos não estão dispostos a aceitar, no caso lusitano também se pode admitir a tese de que as misturas de sangue que foram formando o Homem que se instalou nesta Terra, as visigóticas, as celtas, as iberas e tantas outras que por cá passaram, para além das invasões francesas que também contribuíram para fazer filhos, sobretudo nas nossas Beiras, tudo isso acabou por formar isto que hoje circula na Pátria portuguesa e que mostra bem daquilo que somos capazes.
Que me desculpem os que são apaixonados inveterados pela raça que representamos, mas eu, na minha idade e não tendo tido nunca papas na língua, não chego a esta altura mascarando aquilo que eu sinto e aquilo que julgo ver.
Quando criticamos os políticos, incluindo os que estiveram nos múltiplos Governos e os que lá se encontram agora, os que se arrastam pelos partidos políticos, nas Assembleias que são uma garantia de boa vida e melhor recompensa, tanto antes do 25 de Abril como após a Revolução, não deixando de referir toda a marquesada que se encheu de mordomias na velha Monarquia, todos, de cima a baixo, o que quer dizer, não deixando de fora a população portuguesa em geral, constituímos uma espécie que, penso eu, não foi por acaso que se fixou nesta ponta da Europa.
Agora, que a crise tomou conta das economias, finanças e situações sociais do mundo inteiro, não se prevendo melhorias nos próximos tempos, será a altura mais adequada para reflectirmos seriamente sobre tudo o que foi feito no passado e, obviamente, como está a ser encarado o problema no nosso dia-a-dia, reservando a nossa atenção para a Casa onde nascemos e vivemos. E, sem receios nem complexos de apontar erros, pois só assim é que seremos mais conscienciosos, cada um, à sua maneira e com os meios de que dispõe, poderá ou deverá contribuir para que esta trampa de enredo em que nos encontramos vá sendo moderado, dentro das difíceis condições de que já dispomos.
E, como é meu hábito, como a Espanha se encontra encostada a nós, é natural que as comparações surjam com mais frequência com essa vizinha. Por exemplo, as Estatísticas oficiais de ambas as partes dizem que os espanhóis vivem mais tempo do que os portugueses, mas têm menos mestres e doutores. Por outro lado, o abandono escolar bate aos pontos na área portuguesa, assim como nascem por cá mais filhos fora do casamento do que do outro lado da fronteira.
No que certamente também ganharemos é nas penhoras aos contribuintes que o nosso fisco efectuou em 2007: 180 mil! E, quanto a dívidas do Estado a fornecedores, no mesmo ano atingiu 1,5 mil milhões de euros.
E digam lá que os portugueses, cidadãos comuns e responsáveis pelo Poder, não fazem parte de uma espécie que andou a catar defeitos por tudo que foram os nossos invasores de antanho!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O que é ter esperança
e ter fé no amanhã ?
é voltar a ser criança
agarrar-se ao talismã

E nas cartas esse crer
como nos búzios, nos astros,
é bom que se queira ver
o que está preso por nastros

Ler nas borras de café
e na redondinha bola
o que é preciso é ter fé
ver coelho na cartola

Não se deve criticar
nem que seja um aprendiz
que conjugue o verbo azar
pois só quer é ser feliz

Deixemos, pois, os mais crentes
iludir-se, pois então,
serão sãos, serão doentes?
uns dizem sim, outros não

Afinal, por esse mundo
vai-se vivendo de enganos
mas somando, lá no fundo,
muitos dias fazem anos

Isso é que é bem real
o resto são só histórias
mas o que é anormal
é ter apenas vitórias

Seja, porém, como for
cada um é como é
a mim não me falta amor
o que tenho é pouca fé



DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Parece que, por cá, a coisa ainda não é aceite em plenitude. Por esse mundo fora e até em países europeus, é considerada em absoluto pela classe médica. Mas, em Portugal, onde se mantém a convicção de que é terra de gente muito conhecedora em todas as áreas, a acupunctura é vista pelo canto do olho.
Os milhares de anos que têm servido para os orientais recorrerem àquela ciência e com sucesso, não chegaram para nos convencer da sua validade. Ainda é praticada, entre nós, à revelia de muitos profissionais médicos que, no entanto, se se vêm muito castigados por enfermidades que a medicina convencional não resolve, às escondidas acorrem à acupunctura.
Abordo este assunto por experiência própria. Até resisti a recorrer a tal ciência, pois fui antes operado a uma hérnia discal, mas, em face do problema mal resolvido com que me debati, perante o conselho que me foi dado à boca pequena, fui cair nas mãos do japonês. Atrevi-me. Deu resultado. Agora, aconselho a acupunctura até a amigos médicos. E faço-o também por provocação.
Continuamos a lastimar o facto de não conseguirmos uma aproximação, maior e mais rápida, quanto ao espaço europeu associado. Pudera, enquanto não dispusermos da coragem de reconhecer que, imitar as experiências realizadas por outros, sendo bem sucedidos, não é uma atitude desprestigiante, antes constitui um acto de bom senso, enquanto não nos despirmos de preconceitos não passaremos da cepa torta.
O Estado português – ou, por outras palavras, os governantes - que, por exemplo, gasta fortunas com remédios tradicionais, aqueles que ainda não se receitam em doses individuais, mas sim em embalagens, cujo conteúdo excede o necessário para o tratamento -, esse Estado é excessivamente lento a mudar o que lhe está implantado nos hábitos. E nós, os que cá andamos para pagar e para obedecer, não temos mais remédio do que sermos “pacientes”.
Pacientes de duas maneiras. Porque sofremos as doenças e temos de nos encher de paciência para suportar esta cambada que chega sempre ao poder e não é capaz de emendar o que está errado.

PROCUTRADOR-GERAL ADJUNTO



Não, eu não me calo em relação à Justiça que temos por cá e aos olhos fechados que fazem todos os que mandam para não mexer uma palha na vergonha que se verifica na condução dos processos que se amontoam nos Tribunais. Digo isto assim, de rajada, porque a desvergonha que se fixou no sector, não só agora, porque todo o mal, que vem de muito de traz, não permite nem sequer colocar uma vírgula para amenizar o texto, mas, na verdade, seja Natal ou outra data qualquer, por mais que surjam críticas de diferentes sectores, não há Presidente da República, Governo, Magistrados com poder, ou seja quem for que consiga dar o murro na mesa e gritar Basta!!!
Vá lá que o Procurador-Geral adjunto, António Cluny, resolveu soltar pela boca fora aquilo que sente sobre o problema e, não podendo eu afirmá-lo, dá a impressão que o fez por se encontrar no último mandato à frente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. Seja como for, o importante é que se trata de uma voz com autoridade e que, em entrevista, respondeu com clareza às perguntas pertinentes que lhe foram feitas.
Afirmou que está desiludido com os caminhos que a Justiça está a percorrer, acrescentando que a crise, nesta altura, serve para desculpar tudo, mas que no nosso caso é o sistema que precisa de ser alterado e, quanto à actualidade, aos crimes que envolvem corrupção, não escondeu que a nossa Justiça não está preparada para actuar nessa área e deseja-se que continue assim para não punir os poderosos.
Quando é uma figura com a posição do referido magistrado que faz estas afirmações, que posso eu acrescentar que tenha mais valor e seja mais convincente? Temo-nos de conformar com este estado de coisas, muito embora, pelo menos da minha parte, não deixe de usar os meus blogues para não esconder tudo aquilo que me escandaliza. Se eu, já quando fui director de “o País”, nunca deixei de, com absoluta independência, apontar os erros, e foram muitos, que ocorriam em Portugal, isto no tempo perigoso do Vasco Gonçalves (por isso me puseram uma bomba nas instalações do Jornal), não é agora, ainda que apenas num blogue, me vá calar.
E já agora, apenas num apontamento rápido, deixo aqui, para reflexão de quem me lê, a notícia rápida e sem comentários de que a filha do Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, anda a comprar tudo por aí, desde grandes posições nos bancos portugueses – e ainda bem que o faz! – até a quintas sumptuosas, como é o caso do Palácio de Santar que, durante séculos pertenceu a familiares dos reis portugueses.
Enfim, há quem não precise que lhe saia um totoloto chorudo para dar mostras de riqueza farta, e muito menos somos nós, antigos colonizadores do território angolano, que vamos fazer qualquer comentário nesta altura. Nem por sombras!

domingo, 21 de dezembro de 2008

DIZER MAL

É fácil ver os defeitos
dos outros, claro está
podem-se tirar proveitos
pois dar é que ninguém dá

Alguém de que não se gosta
ou que não se simpatiza
fica logo bem exposta
a ser alvo da brisa

Ter língua muito afiada
não é raro, não senhor
serve para a punhalada
dada de longe, sem dor

Dizer mal mesmo sem bases
metendo dedo na ferida
mostra do que são capazes
os filhos da malparida

Não se dão conta, porém
de que o veneno que espalham
tem voltas de vai e vem
por vezes os amortalham

O pior é quem diz mal
do outro se diz amigo
afirmando-se leal
retira-lhe o abrigo

Amigos assim, meu Deus
bem melhor ter inimigos
são como os fariseus
só representam perigos

Mas há quem diga também
em forma de ideal
desprezando até o bem:
falem de mim, mesmo mal!





Reajo mal em relação aos que querem convencer-me de que uma mentira, dita por eles, com aquele ar de que não pode prestar-se a dúvidas, passa a ser verdade.
Por isso me dou mal com os políticos.
Mas, mentirosos não são apenas esses…

INGRATOS!




“Há sempre gente que não acha nada suficiente” – esta a frase que José Sócrates soltou aquando da cerimónia de lançamento da primeira pedra do Espaço Miguel Torga, na terra natal do saudoso poeta e escritor, que também foi médico em Coimbra e que, enquanto vivo, sempre foi ele próprio a editar os seus livros que, após a sua morte, já mereceram a atenção de editores profissionais.
Mas falemos do primeiro-ministro. As minhas críticas ao detentor do cargo máximo do Executivo vão dirigidas, acima de tudo, às suas declarações cada vez que resolve botar “faladura” e cujos tons e palavras, tenho que reconhecer, brigam com o meu sentido de estética. Bem sei que, no lugar que ocupa, não é fácil agradar a todos e também há políticos que dominam a arte de expor as suas ideias e nem por isso são acolhidos por maiorias de eleitores. Lembro-me, por exemplo, de Paulo Portas que, inegavelmente, tem um grande poder de palavra, mas que cada vez conta com menos adeptos ao seu Partido.
Mas, já que Sócrates goza de boa pontuação nas sondagens que têm sido feitas quanto à sua posição na escala dos mais admirados, até por isso deveria ter alguém que o aconselhasse a não ser tão admirador de si mesmo e do seu Governo, pois na situação actual do País, no plano financeiro e económico, para não falar no social, reconhecer que se praticam erros, que nem sempre se acerta nas decisões tomadas e, acima disso tudo, ter a maior das atenções quanto ao que fazem e dizem alguns dos seus ministros, todo esse conjunto de actuações não ficariam mal, antes pelo contrário, ao que exerce as funções de responsável máximo pelo bom e pelo mal que, politicamente, ocorre no nosso País.
Sócrates faria bem em tomar atenção às críticas que lhe são dirigidas e, caso fosse isso, reconhecer, aqui e além, que as Oposições têm a sua utilidade e seria até muito simpático se surgisse, de vez em quando, a dar, publicamente, a mão à palmatória, aplaudindo esta ou aquela ideia que tivesse origem fora do seu grupo governamental.
Mas isso, tenho de o reconhecer, é uma postura que os portugueses raramente tomam. Custa-lhes muito abdicar dos seus propósitos e agarrar as sugestões que não venham do seu próprio umbigo.
Por isso, talvez tenha a sua utilidade não se ser sempre vencedor em política. Só que não se vislumbra, no panorama actual dos partidos, quem esteja em condições de tomar conta deste barco que mete água por todos os lados. E os portugueses lá continuarão a fazer esforços para alimentar as esperanças, embora cada vez mais ténues, de ainda poderem gabar-se um dia de contarem com governantes de uma Pátria onde vale a pena viver.

sábado, 20 de dezembro de 2008

AMANHÃ

Chegado aqui
a esta hora da vida
já percebi
como foi triste a corrida
desenfreada
cheia de baixos e altos
desencantada
não faltaram sobressaltos
só compensada
pelo intercalar de sonhos
na busca imensa
da fuga dos enfadonhos
e com descrença
contemplo esta vida chã
e no escuro
não me censuro:
pois bem temo o amanhã!...

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

No meu bairro lisboeta, num jardim frondoso, existe um espaço que é dedicado às crianças. É ali que elas se regalam nos baloiços, nos escorregas e na areia da praia que serve para fazerem os seus castelos e brincar aos pasteleiros com as suas forminhas fingidas.
Sento-me, algumas vezes, num banco, dos que rodeiam o espaço infantil e procuro transportar-me a esse mundo da ingenuidade. Faço esforços para me sentir, também eu, menino da idade dos que estão ali e tento recordar o período da minha infância, em que poderia estar a gozar as fantasias que lhes são próprias. Não me chega à memória nenhuma sensação do prazer conseguido num jardim infantil. Será porque, nessa altura, não havia estes espaços. Não existia a preocupação de cuidar da juventude, da primeira. Ou, se havia, nunca ninguém lá me levou.
Procuro descobrir a sensação que a miudagem sente, quando pede aos pais para a deixarem ir brincar com os outros meninos naquele espaço. E mais ainda quando se põem a deslizar nos escorregas e a baloiçar-se naqueles assentos com cordas.
Claro que, por muito que me esforce, não consigo chegar lá. Não atinjo o meu desejo, Não pode um adulto, muito adulto, transportar-se até à idade da inocência. É um recuo impossível de fazer. A mim, talvez me tenha feito falta não ter passado por esse período das correrias, dos jogos inventados por cabeças virgens de maldade.
O que eu não sei é se os adultos, com menos idade do que eu, que tenham beneficiado na infância de tal experiência, são agora pessoas mais bem formadas, mais cuidadosas com a pequenada, verdadeiramente preocupados com a instrução, que fará dos homens de amanhã cidadãos melhores do que aqueles que hoje se confrontam com o mundo.
Deixo a pergunta porque, com o andar dos tempos, não tenho conseguido verificar que a miudagem de hoje é mais bem comportada, mais consciente, mais desejosa de ser gente capaz, do que aquela que, em épocas passadas, aprendia bastante na instrução primária e, com reguadas ou sem elas, entrava nos liceus a saber já bastantes coisas.
Convençam-me que estou enganado. Quem me dera!...

JUSTIÇA Á PORTUGUESA



A cinco dias da data natalícia, para mim com o peso pouco confortável de uma época que me entristece, e ainda por cima, por se tratar do dia em que fazia anos o meu pai, ao ter tomado conhecimento das notícias que, como está a tornar-se habitual, não se apresentam nada animadoras, por tudo isso e havendo ainda uma folga até ao dia 25, cá vou eu assinalar situações de tristeza que, tratando-se de ocorrências dentro do nosso País, por mais que se queira recorrer a uma certa abstinência de crítica não podem ser deixados em branco casos que não permitem, a mim pelo menos, meter a cabeça na areia e deixar passar.
É conhecido que um dos temas que mais afluem a este meu blogue é a complacência que se verifica, por parte das forças que têm poder para dar a volta ao assunto, no que respeita à actuação do sistema judicial português., e que nada fazem nesse sentido. E não são só as demoras escandalosas com o andamento dos processos – para não falar no julgamento Casa Pia que é exemplar no mau sentido –, mas também as decisões que saem dos meritíssimos juízes que, por mais razões técnica que apresentem, não podem deixar de pôr os cidadãos em completo alvoroço. E ainda se podem ler frases saídas da boca de pessoas mediáticas, que tem espaço nas páginas das revistas, como aquela lida hoje de um actor que não esconde a sua revolta com este dito “um país com uma justiça como a nossa, deveria ser rifado ou doado a quem dele precisasse”. Bem sei, é uma expressão pouco intelectualizada, mas dá bem mostras daquilo que o povo português pensa dos nossos tribunais.
Mas repitamos então aquilo que foi notícia hoje em vários órgãos de informação da nossa Terra. A que salta logo à vista, com um título a toda a largura da página, é de que o Ministério Público perdoa 20 empresas da “Operação Furacão”, acrescentando que pagaram 60 milhões de euros ao Estado e deixaram de ser arguidos. Isto, ao cabo de 3 anos de investigação.
Noutro periódico, lê-se que “juiz espanhol prende suspeito de tráfico de imigração ilegal que, em Portugal, tinha sido libertado”. E essa rede que operava desde a Ucrânia, passando pela Hungria, Itália e Espanha, nesses países fora alvo de condenações. Só aqui encontraram um El Dourado”.
Enquanto isso, a pequena Esmeralda, que foi acolhida e tratada com imenso amor como filha, por o pai biológico se ter recusado, à nascença, a reconhecê-la agora nessa qualidade, já com seis anos de idade e agarrada a quem só aceita como únicos pais, viu a decisão da juíza (ainda por cima uma mulher) de a obrigar a passar o Natal com aquele que a tinha recusado na altura na época pós-nascimento.
Então, lá por ser recomendado pela Igreja Católica que o Natal tem de ser um período de reconciliação e de boa-vontade entre os povos, deve-se fechar os olhos à realidade e não gritarmos bem alto a nossa indignação contra as misérias humanas?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

SANTA TERRINHA

Que pena que eu tenho de não ter uma terra
Onde pudesse voltar p’ra matar saudades
Fosse na planície fosse em qualquer serra
Daí onde tiraria grandes verdades

Mas não, apego não sinto a um local
Em que as origens fossem todo o meu ser
A razão de existir, a fonte do caudal
Que desaguei por aí, sem eu querer

Ir visitar a casa onde eu nasci
Passar pela rua que me levava à escola
Contemplar as árvores onde não subi
Ver se ainda lá estava o campo da bola

E a velha mercearia de um senhor Manuel
A igreja barroca com seus sinos sonoros
As colmeias no campo cheinhas de mel
E o belo ribeiro em que passaria horas

Tudo isso me falta, agora que eu penso
Como seria diferente a minha vida
Se algo de calmo, como cheiro a incenso
Tivesse encarnado na minha nascida

Essa marca forte de uma santa terrinha
Tal apego ao sítio que nos viu nascer
É sorte de outros mas que não é minha
Algo que me faz falta, enquanto eu viver

Só se eu voltar em outra encarnação
Se é que isso existe, como dizem tantos
Poderei assim obter a confirmação
De que, por fim, me calhariam tais encantos




DESENCANTO... POR ENQUANTO!

O nariz, nos seres vivos, tem uma função muito importante no nosso dia-a-dia. O olfacto exerce uma influência extraordinária no comportamento dos homens e dos animais. O cheiro atrai ou repele, satisfaz ou provoca mal-estar, mas não deixa ninguém indiferente perante os seus efeitos. Até a dormir, um odor estranho e pouco habitual, identificado ou não, o ar pestilento ou delicioso interfere com o repouso e desperta o mais ferrado dorminhoco.
Nas relações humanas, um mau hálito, por exemplo, provoca um afastamento rápido de quem se encontra perto, por muito atraente que seja o que escutamos e o que vemos. Os maus efeitos soporíferos têm igual efeito, claro.
Logo, o nariz humano comanda as relações, independentemente daquilo que a vista nos oferece. Podemos estar muito emocionados com um panorama, com uma obra de arte, com qualquer coisa que seja agradável contemplar, mas se, no lugar onde esse prazer é facultado, existir um odor repelente, não se perdoa o mal que se sente pelo bem que faz à vista. E o mesmo se passa com os ouvidos. Escutar uma bela melodia num ambiente onde o mau cheiro impera, por muito que se tape o nariz constitui um martírio difícil de suportar.
Daí se conclui que, se os olhos também comem, como se diz perante a beleza de um prato, e os ouvidos recusam os ruídos excessivos, no que diz respeito ao outro sentido, o do olfacto, homens e animais reagem rapidamente aos efeitos dos odores, quer os desagradáveis quer os que são dignos de ser apreciados.
Os irracionais então, com os seus sentidos muito mais apurados, aproveitam o efeito do vento para interpretar a sua origem e a distância a que se encontra a coisa que lhes provoca o cheiro que lhes entra pelas narinas. Se se passasse com os racionais tal fenómeno, conhecia-se à distância quem estava a chegar e evitava-se o contacto.
Este mundo caminha com grande rapidez para um outro que se mostra cada vez mais mal cheiroso. Enquanto a água chegar para limpar a sujidade provocada pelos seres humanos, lá iremos repelindo os maus odores. No futuro, perante o aumento demográfico excessivo, o que parece inevitável, o amanhã dirá como se resolverá o problema. Haja esperança de que o Homem, entretanto, ganhe consciência do que o espera. E tome precauções.