sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

IBÉRIA

Tenho de estar satisfeito com o caminho que estão a levar os contactos e os acordos que se têm visto ser desenvolvidos entre vários sectores governamentais de Portugal e de Espanha. É que, como sabem todos aqueles que vão seguindo as lutas que, desde há muito, tenho desenvolvido na minha actividade jornalística, a formação de uma espécie de Benelux na Península Ibérica, essa aproximação que, pouco a pouco, tem vindo a ser realizada, muita dela, é verdade, mais por necessidade imposta pelas circunstâncias do que por vontade voluntária sobretudo por parte do sector lusitano, esse abraço que, cada vez mais, se verifica ser apertado acabará, mantenho eu como inevitável, por fazer surgir, mais cedo ou mais tarde, o território que se poderá vir a chamar de Ibéria, constituído por toda a Península que, no mapa da Europa, se apresenta como sendo o mais bem situado e o qual não recebe nem recebeu nunca – vide os factos históricos – a simpatia dos outros países nossos parceiros no Continente, dada a concorrência em tamanho e em população que faz directamente no sector europeu.
Mas, tendo de terminar definitivamente a expressão que por cá se vai usando “de Espanha, nem bom vento nem bom casamento”, o bom senso acabará por fazer realizar a conveniência para os dois Países de unir forças e lutar contra as adversidades que as crises e as dificuldades de várias espécies criam.
A decisão tomada agora de os serviços de saúde espanhóis, situados na raia da fronteira connosco, passarem a atender os doentes portugueses que também residam nessas zonas, tal passo é de um significado transcendental. Já nascem do outro lado bébés portugueses que mantêm a nossa nacionalidade, assim como a assistência médica a doentes em estado crítico e a tratamentos oncológicos estão a ser realizados de comum acordo. Do mesmo modo, Elvas disponibiliza TAC’s aos vizinhos do outro lado e já dá formação a cerca de 60 médicos e 60 enfermeiros espanhóis.
É por isso que o acordo acabado de firmar para que os dois países ibéricos se candidatem conjuntamente à organização do Mundial de futebol em 2018, para além de dar que fazer aos estádios espalhados pelo nosso País e que não têm constituído rentabilidade aos milhões de euros que custaram, para lá desse passo mostra o mesmo acordo como o mais natural entre nós é que sejamos capazes de partir para iniciativas que constituam a junção de esforços e nos deixemos todos de preconceitos aljubarrotistas que, nos tempos que correm, só servem para nos manter afastados do resto da Europa e de eliminar, de uma vez, a barreira multi-secular dos Pirinéus.
Não vai ser assim tão fácil convencer os velhos do Restelo de que não vale a pena andarmos armados toda a vida em “padeiras de Aljubarrota”. O que é preciso é que fabriquemos o pão e, sobretudo, que o saibamos vender lá fora...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

TOMADA DE POSSE


Escrevi este texto mal acabei de assistir à tomada de posse de Obama. Mas, quando o quis incluir no meu blogue, o computador resolveu fazer-me a partida e “enguiçou”. Fui obrigado a esperar dois dias até que o técnico o pusesse a funcionar outra vez. Mas já não me apeteceu introduzir alterações prováveis. Segue assim mesmo.


Logo após o discurso de tomada de posse de Barak Obama, não pude resistir à tentação de expressar neste blogue a emoção que me causou e a sustentação da esperança de que a sua acção como Presidente dos E.U.A. vai ser marcada por uma actividade positiva, isto é, com uma determinada garantia de que a democracia, a igualdade e a liberdade serão respeitadas intransigentemente, não sendo levadas em conta as cores, as religiões ou a inexistência delas, as condições sociais, as nacionalidades, as tendências políticas, no que respeita às soluções a tomar.
Não foi um discurso de promessas, mas foram ditas palavras de compromissos e de pedidos de apoio e de ajudas. Sobretudo ao povo americano, a quem solicitou colaboração, trabalho, empenho, em lugar das costumadas petições de ajudas por parte dos cidadãos e dirigidas ao Estado. Que cada um faça o melhor, foi a solicitação de Obama, enquanto este prometeu dar de si tudo o que pudesse para que aquele momento representasse a partida para uma nova vida.
Grande parte da comunicação do novo Presidente serviu perfeitamente para um número enorme de cidadãos do mundo. E, no nosso caso, atrevo-me a escrever, por muito que se sintam diminuídos bastantes dos nossos políticos, que as suas palavras tiveram a utilidade de poderem ser seguidas pelos governantes que temos tido e, na situação actual portuguesa, para mostrar que é muito mais convincente mostrar humildade e não se ser arrogante do que utilizar os contactos com o povo apenas para publicitar os feitos anteriores e acusar os outros de incapacidade e de todos os defeitos que os partidos opostos lançam aos opositores. Todos se enganam e os que governam não se encontram ilibados de tal característica humana.
Ouvi as palavras que foram expandidas para todo o mundo e não consegui evitar a comparação no que a nós respeita. Como País pequeno que somos, em área mas também, não temo em afirmá-lo, na mentalidade, especialmente a política, este exemplo dado pelo 44.º responsável supremo pela Nação americana, que não hesitou em mostrar os erros que cabem à sua própria Pátria – como é o caso da prisão em Guantánamo, que já tinha garantido que encerraria -, o exemplo das suas afirmações representa bem a prova de que o seu sonho de meter as coisas nos eixos, para usar uma expressão só nossa e que é bem significativa, constitui uma amostra daquilo que poderá vir a assistir-se através da sua actuação como figura que tem grande preponderância na solução de situações internacionais complicadas. O caso do Médio Oriente é um deles e Obama não fugiu a referir-se a tal problema que, bem se pode imaginar, não deixará de lhe causar dores de cabeça.
De tudo que se passou, desde o início da campanha eleitoral norte-americana e até à tomada de posse do novel Presidente, sabendo-se mesmo que os naturais daquela grande e multifacetada Nação mantém, em bastantes aspectos, grande dissemelhança de comportamento com os europeus, para não falar dos outros, de tudo isso, sobressaiu a circunstância de que podemos encaixar perfeitamente as recomendações que saíram da boca do afro-americano (como muitos gostam de chamá-lo, mas mal) a quem não saiu propriamente um toto-milhões.
Sempre acharia enorme graça assistir à sua substituição por alguns dos nossos políticos, mesmo daqueles que se julgam bons palradores, podendo estar a pensar especialmente nalguns que “cagam sentenças” e que se julgam os maiores sábios do mundo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

DESENCANTO... POR ENQUANTO!!


Os políticos são uns mentirosos.
Quem é sincero não tem futuro como político profissional.
Para ser político é fundamental não ter receio de prometer o que não pode cumprir e saber disfarçar quando é posto perante o que foi incumprido.
Quem é sincero, quem é verdadeiro, quem não oferece o que não tem nem talvez venha a ter, quem é assim não pode ser um bom político.
Não arrasta multidões. Não encanta os desencantados.
A população gosta de ouvir promessas, adora que lhe pintem futuros coloridos, deixa-se arrebatar por ideais, por mais longínquos que estejam.
Políticos que não sabem pintar esses quadros, mais vale mudarem de actividade.
Não arrebatam multidões.

BURRA FEIA

Grandes olhos
bem expressivos
simpatia, essa aos molhos
em momentos bem furtivos
ancas firmes, reboludas
peitos de frango encorpados
sem necessidade de ajudas
pernas altas, bem formadas
cintura de bailarina
andar de gazela airosa
boca rasgada, bem fina
dentes de pedra preciosa
mãos fluentes, expressivas
quais belas pombas voando
mostrando que são activas
de tudo não destoando
bracinhos bem torneados
essa é ela, a beleza
a que deixa extasiados
fazendo perder firmeza
a todos, seja a quem for
sem sinais de bem gostar
muito menos tendo amor
que disso nem quer mostrar
quem o afirme há ainda
é um prazer para a vista
uma lembrança infinda
qual obra de grande artista

Porém,
mal deixa sair da boca
seja o que for para além
mesmo que coisa pouca
qualquer palavra que seja
aí, beleza que foste
tudo de mais sobeja
nem m’encostando ao poste
aguento ter de ouvir
cada palavra um erro
cada som de afligir
toda tu és um berro
misturando com gemidos
que saem em vez de voz
parecida com balidos
que só podem causar dós

Chego assim à conclusão
que mais vale mulher feia
deselegante, podão
gorda que nem baleia
mas que como companhia
seja um grande consolo
que nos encha de alegria
de cabeça com miolo
se a vista não se regala
ao menos enche os ouvidos
e a alma se exala
e afasta p’rós olvidos
as desgraças desta vida

Melhor que lindo e brilhante
só mulher feia,,, deslumbrante

BARAK OBAMA - EXPECTATIVA


Chegou, por fim, o dia tão esperado. Depois de um período de campanha eleitoral em que, a pouco e pouco, se foi consciencializando na opinião pública mundial a ideia de que, afinal o povo americano perdia aquela posição, que todos os de fora tinham como segura, de que existia nos E.U.A. uma estabelecida aversão à raça negra, após essa primeira fase em que Barak Obama se mostrou com a maior clareza, na imagem e nas palavras, começou a ficar claro que seria esse o candidato escolhido para presidir ao País que se encontrava envolto numa situação de culpado de muitas situações que tinham sido criadas pelo homem que se encontrara à frente dos seus destinos durante dois mandatos.
Não se pode concluir se o que se alterou na opinião americana foi a sua pouco preferência pela raça negra ou se terá sido o mau comportamento de George W. Bush que teve influência na escolha seguinte. Daí o ficar a dúvida se foi um que perdeu (embora não fosse concorrente desta vez) ou se terá sido o segundo que conseguiu a vitória pelo seu mérito. Mas, na verdade, já tanto faz.
O que é certo e seguro é que os olhos do mundo - e sempre foi assim por outras razões - se encontram fixados na actuação que, a partir de agora, o novo Presidente vai exercer. Mas também, como afirmei ontem, não se pode esperar que, de um dia para o outro, por mais enérgico e competente de que dê mostras, provoque uma reviravolta nos males que se espalharam por toda a parte e, repentinamente, aquilo que é uma estrondosa crise se transforme em benefícios. Mais do que nunca, é fundamental que o pessimismo que grassa pelo mundo não passe, repentinamente, para um optimismo desmedido. Porque o desconsolo dará resultados que podem transformar-se em suicídios colectivos.
Por mim e por agora, não pretendo adiantar mais quanto ao que se passará com o que é visto como um “salvador do mundo” e prefiro marcar a data da entrada em vigor do seu mandato, primeiro com o fim, mesmo que temporário, da disputa entre Hamas e Israelitas, e depois, com outra notícia que rapidamente correu a esfera terrestre: de que destacados intelectuais e artistas árabes terão enviado uma carta aberta à cantora representante israelita ao Festival da Canção, a árabe israelita que se apresentará como Judia Noa e cantará em árabe, hebraico e inglês, uma canção de mensagem de paz para o Médio Oriente, insistindo nessa carta-aberta para que a cantora não “colabore” com a posição israelita, fazendo-lhe propaganda.
Ora, são estes e outros problemas, que os Homens criam artificialmente, que provocam depois as desavenças com elevadas mortes, passando uns a praguejar contra os outros e a afirmar-se como sendo donos da única verdade, que é aquela que não pertence a nenhum dos conflituantes.
Que Barak Obama seja bem-chegado à Casa Branca, já que suporta sobre os ombros a enorme responsabilidade de retirar a ideia de que os americanos do Norte são donos do mundo. Mas que a sua influência e o seu poder possam e devam constituir uma ajuda importante para que as nações se entendam e terminem com as escaramuças que os dividem em muitos sítios. Quanto a isso, julgo eu, não haverá muita discordância.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A PAZ

Anda este mundo às avessas
Os homens nunca se entendem
Estão as cabeças possessas
Que do mal não se arrependem

A guerra está-lhes no sangue
Ambições, ódios primários
Deixar o povo exangue
Fazer das vidas calvários

Matam-se por guerras santas
Ao gosto de Satanás
Nem lhes doem as gargantas

De gritar qual Ferra Brás
E pergunta-se aos jamantas
Que é preciso pr’haver paz ?

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Quantas vezes sou assaltado pelo desejo de expressar toda a minha revolta quanto ao que considero estarem a ser cometidos erros pelos Homens.
Mas, para além de não me sentir dono absoluto da verdade, será que o mundo ganha alguma coisa pelo facto de dizermos aos outros aquilo que se pensa?
E, se ficarmos calados, por aí verificar-se-á algum benefício?

JA CHEGA HAMAS!...



Nesta fase de véspera da tomada de posse oficial de Barak Obama, na qualidade de presidente dos E.U.A., por muito que não se queira alinhar na euforia que corre por esse mundo fora e de que é prova a ocupação das primeiras páginas dos jornais de tudo que é sítio, a verdade é que se trata de uma matéria que não pode passar como que despercebida e, por isso, este singelo blogue lhe faz a devida referência e aguarda também pelo dia de amanhã para não deixar passar em branco a data que ficará gravada na memória de muitos, oxalá para bem, porque a expectativa é deveras grandiosa.
E, a propósito deste acontecimento, até parece que uma boa notícia se quis antecipar e surgiu, não só para contentamento dos habitantes da zona de Gaza, mas para aliviar muita gente que resiste a ficar indiferente às já tão frequentes disputas entre muçulmanos e outras tendências religiosas. Sim, porque isso é preciso ser dito, do lado do Islão é que se verifica maior animosidade em relação aos que não seguem a sua linha de Maomé e o contrário, mesmo quando o Cardeal Patriarca de Lisboa lança, como o fez, um aviso às raparigas do nosso País para terem atenção às consequências do seu casamento com um praticante daquela facção religiosa, o que provocou uma certa indignação, até natural, do lado apontado, apesar disso há que reconhecer que as diferenças de comportamento, sobretudo em relação às mulheres, não podem ser ignoradas.
Mas, o que importa nesta altura saudar é a declaração do Hamas de uma trégua provisória em relação a Israel, fazendo as suas exigências no capítulo da retirada das tropas adversárias do território que, embora não lhes pertencendo como sua nação, constitui uma zona que faz parte do seu campo de acção e de recepção dos apoios que lhes chegam através dos meios que, neste altura, os israelitas já destruíram e, pelo mar, acautelaram tal entrada.
Foi importante a intervenção diplomática por parte de alguns responsáveis superiores da política europeia e o bom acolhimento dado pelo presidente egípcio Hosni Mobarak, todos comprometidos a reconstruir a referida Faixa de Gaza, mas, a partir desta altura, resta saber até que ponto se desfez o ódio assumido pelos do mesmo Hamas, para que não recomecem de novo os ataques com rockets que lançam contra Israel. e o inverso também é desejável.
E é aí que talvez a actuação do novo presidente americano seja da maior importância, podendo dar mostras da sua capacidade – ou não! –, em lugar de actuar à maneira do seu antecessor, estilo Iraque, faça uso de uma capacidade de convencer os dois lados de que, quem quer uma vida tranquila não pode passar o tempo a incomodar os vizinhos, por muito que se detestem por motivos de incompatibilidade religiosa. Bem nos basta a crise, provocada pela área financeira. Outras que metam crenças é que não podem ser suportadas por ninguém

domingo, 18 de janeiro de 2009

ATRASADO

Estou de facto atrasado
já não vou chegar a tempo
se é que alguém está parado
por qualquer contratempo
eu que fui toda a vida
pontual, cumpridor
não era nesta corrida
que ia ser fautor.
Tenho ânsias de partir
porque aqui não faço nada
o que me resta é sair
pois já passou a minha vez
de ser útil
de acabar com o talvez
não quero mais parecer fútil
e de já não ter valor
pois agora só me resta
sem pavor
ver terminar a festa
sentar-me e contemplar
que isto de ir embora
é com paciência esperar
pelo dia e pela hora
e se não foi antes, então
é porque era esse o destino
e ninguém tem na própria mão
o fim de ser peregrino

Pelo comboio eu aguardo
bem sentado na estação
não vale a pena ir-me embora
assim fico mais à mão
e como o que eu não quero
é lugar sentado, marcado
o que pedi e espero
é que o lume seja ateado
p’ra nada de mim restar
nem ninguém por mim chorar

Estou atrasado, é tarde
bem queria antes partir
sempre sem fazer alarde
é o caminho a seguir
andei de relógio em punho
p’ra cumprir a minha sina
não preparei nem rascunho
porque morrer é rotina
o próprio não manda nela
como também p’ra nascer
pertence tudo à novela
do fazer e desfazer

Tudo tem a sua altura
mesmo sem nos conformarmos
ter cumprido a aventura
de esperar por abalarmos
é o preço que se paga
que não é igual p’ra todos




DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Se eu fosse uma pessoa muito conhecida, dessas que quando saem à rua, todos se voltam para confirmar se é quem parece e que, nos locais mais fechados, como nos centros comerciais, por exemplo, param, fazem um sorriso, procuram meter conversa e até pedem um autógrafo, se eu fosse um desses não sei como me comportaria.
Possivelmente mal. Ou bem? Enaltecia o meu ego ou fazia-me sentir desconfortável?
Levanto esta dúvida porque toda a gente assiste às figuras que fazem aqueles para se tornarem personalidades públicas.
Não têm no seu activo qualquer feito que os coloque acima da mediania, não se distinguem da generalidade por serem melhores do que os outros mortais, só conseguem dar nas vistas através de excentricidades, dos disparates que dizem, de exibicionismos, sempre, claro, diante das câmaras de televisão e dos fotógrafos das revistas ditas “light”, sempre que os apanham em qualquer manifestação social, onde fazem questão de não faltar.
Essa classe de gente faz tudo para ser notada e, por isso, sente enorme prazer em ser apontada quando está no meio do público.
É para isso que se levantam da cama, tarde, porque as noites se prolongam até de madrugada, em tudo que é local de afluência.
Não sei se tenho dó ou se me provoca repugnância esse género de indivíduos, eles ou elas – porque há dos dois sexos -, que é difícil imaginar como vivem e de que vivem, muito embora sejam hábeis em truques de usar roupa emprestada, ter sempre alguém a que se encostam para conseguir alguns favores e sempre vão comendo nos “cocktails” que frequentam.
Até há os que dizem que levam atrevidamente os copos para casa!
A mim, deixem-me passar despercebido.
É que não fiz nada de jeito para ser famoso, nem mesmo um bom desfalque ou um crime merecedor de ser propagandeado na comunicação social.
Sou, afirmo-o convicto, um Zé-ninguém.




MILAGRE, PRECISA-SE!



Aproxima-se o dia em que a esperança que muitos milhões de habitantes do mundo sustentam de assistir à mudança completa do estado deplorável daquilo a que se chegou nesta altura, será a partir de terça-feira próxima, quando se presenciar o espectáculo habitual do juramento do novo Presidente dos E.U.A., que talvez volte a renascer a vontade de se continuar a manter a vida com agrado.
Barak Obama, nesta altura, constituirá tal expectativa, sobretudo depois de Bush ter sido colocado no lugar de onde nunca deveria ter saído.
Atrevo-me, porém, neste espaço que não tem a veleidade de sustentar a verdade absoluta, eu que só sei que não sei nada, mesmo assim julgo que será prudente não depositarmos todas as nossas esperanças num só homem e não ficarmos a aguardar que os problemas que envolveram a Terra serão solucionados de um dia para o outro e todas as resoluções que sejam tomadas a partir daí, das medidas que venham a surgir de Washington, que nos atingirão no sentido positivo e que poderemos ficar descansados só pelo facto de o mundo se ter visto livre do homem que, coitado, foi uma má escolha dos americanos na altura em que a Democracia naquele País julgou que tinha dado um passo certo.
É preciso tomarmos consciência de que, por cá, não vão baixar assim, de um dia para o outro, os nossos males e que, por exemplo, os 500 mil desempregados que já fazem parte das estatísticas oficiais arranjarão trabalho, assim como, só pelo facto de nos encontrarmos num ano de eleições, a mudança que se operar, ou não, na área partidária trará enormes benefícios, da mesma maneira que, quanto a número de representantes na Assembleia da República, nas Câmaras e nos chorudos lugares em Bruxelas, essas alterações que terão provavelmente influência no Governo que tomará posse, na continuação de maioria do Executivo ou dar-se-á um volte-face que deixe à boleia das combinações subterrâneas que forem conseguidas à custa de favores que surgirão de um lado e de outro.
É fundamental que o Povo tome consciência de não será por obra e graça do acto de posse na terça-feira na capital norte-americana, que nós, os habitantes deste rectângulo, vamos mudar completamente uma situação que vem de trás, de muito de trás, e que não foi uma Revolução em 1974 que conseguiu mudar a forma de ser de que somos possuídos e cujo culpado já nem será só o tal rei que bateu na mãe.
Claro que esta afirmação não é comungada por todos. Enquanto houver gente que faz finca-pé em dividir a população em trabalhadores e os outros, e em que nem os que estão incluídos na primeira divisão, enquanto não emigram não dão mostras de grande vontade de produzir, pois os outros, os políticos, os sindicalistas, os chefes partidários, esses também não sofrem os efeitos do suor no trabalho, enquanto esse "deixa andar" persistir em fazer parte do nosso dia-a-dia, não se verificará nada de fundamental neste torrão que é a nosso nacionalidade.
E digam lá que eu não sou produtivo em prosa. É que também nasci por cá!...E conheço-me a mim e aos meus compatriotas. Só que não disfarço...

sábado, 17 de janeiro de 2009

A CORJA

A terra está cheia dessa gente
Que se julga melhor e dominante
Que atropela todos pela frente
E olha o mundo, altivo, do mirante

Não ouve, não pára, não se importa
Com caminhos que outros lhes indicam
Dos princípios faz sempre letra morta
E galhofa quando alguns criticam

Será a maioria ? Pois que seja
Nem por isso lhes devem dar razão
0 preciso é apagar essa forja

Por mim não lhes tenho qualquer inveja
Nem me apetece apertar a mão
Dessa gentinha que é uma corja

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

A memória das gentes, quando funciona, tem as suas vantagens. Recordar o que de bom se passou é rever um filme que ficou guardado no armazém dos prazeres. Já o lembrar situações tristes constitui um sofrimento que se repete. E se é por moto próprio, então será um acto masoquista.
Mas a memória nem sempre funciona a pedido. Ela abre as portas mesmo sem necessidade de apelos. Aparece subitamente e mais ainda quando nos encontramos sós. Também por comparação com o que se assiste em determinado momento. Por vezes, ela rebusca um passado longínquo. Transporta-nos, por exemplo, à meninice. Faz-nos ver caras antigas, quantas vezes de gente já desaparecida do nosso convívio. Até mortas.
Acontecimentos recentes nem valem a pena rememorar. Tudo que está fresco não tem interesse. Mas voltar atrás muitos anos, sejam factos animadores ou, pelo contrário, desagradáveis, para esse exercício não necessito de fazer grande esforço. Basta-me fechar os olhos, pois ajuda à mais conveniente. concentração. E deixar que a memória faça ela própria o trabalho, trazendo à presença o que achar
Quem têm má memória, quem só se preocupa com o que vive no momento, aqueles que entendem não ganhar nada com recordações, tais personagens também não são capazes de imaginar um futuro. Não crêem no princípio de que é muito útil lembrar os erros passados, para tentar não os repetir.
Ser capaz de fazer uma retrospectiva histórica, isenta de partidarismos, honesta na apreciação, é um passo para poder imaginar o que vem aí, é ser possuído da capacidade de viajar no desconhecido e tentar descobrir o ignorado que nos espera.
Isto digo eu, admitindo que poderá haver controvérsia aceitável.

GEORGE W. BUSH



Perante aquilo que ocorre por cá, sobretudo agora que os responsáveis do Governo, seguindo o exemplo do seu actual Chefe, já não escondem as dificuldades em que vivemos e deixaram cair por terra os optimismos descabidos que espalhavam nos discursos, face a isto parece que não tem cabimento falarmos agora da mudança que já foi estabelecida e que ocorrerá concretamente na próxima terça-feira, ou seja a saída de um Presidente de um País e sua substituição por outra, ocorrida por via eleitoral. Mas, sempre valerá a pena gastar algum do espaço deste blogue com uma breve referência ao que foi o consulado de George W. Bush, o responsável número um por muitas asneiras políticas, económicas e sociais que ocorreram no nosso Planeta. De facto, quem pretenda ficar na História por algum ou alguns feitos positivos deixados na sua passagem por este Mundo, também ocupa esse período com as asneiras que tenha cometido e com a marca da sua inabilidade para se colocar à frente de um país, de uma obra ou até de uma circunstância.
O ainda Presidente entendeu fazer um comunicado de despedida que ele certamente bem saberia que as suas palavras iriam ser traduzidas em muitas línguas e espalhadas por todas as partes do espaço terrestre. É que, havendo também quem se espelhe na acção de Bush enquanto exerceu as funções que terminam na próxima terça-feira, não temo afirmar que a maioria esmagadora dos cidadãos internacionais vêem com alívio a saída de um político que só deu mostras da chamada aselhice, pois nem para os próprios concidadãos o seu comportamento foi de elogiar.
Oito anos passaram com a presença do segundo Bush – o outro foi o pai -, período este que o próprio considerou positivo. De facto, não é de estranhar que, em todo o mundo, onde houver um ser humano que tenha tido uma responsabilidade de comando de grande relevo, este não afirme que a sua acção foi de grande utilidade e não mostre que se sente “orgulhoso” por tudo aquilo que deixou na sua passagem pelo poder. São assim os homens!
Há que reconhecer, no entanto, que a temporada “bushiana” ficou marcada por um acidente de terrorismo que lhe calhou e que transtornou seguramente uma actuação que, se não fosse isso, talvez pudesse deixar uma marca diferente. O 11 de Setembro deixaria qualquer governante em estado de choque e, tal como sucedeu agora ao comandante do avião que, no rio Hudson, mostrou enorme sangue-frio e inexcedível sapiência, era isso que se impunha no momento grave que os E.U.A. atravessaram, como consequência do choque propositado dos dois aviões nas torres gémeas de Nova Iorque.
Só que não abundam por aí pessoas que, nas alturas decisivas da sua existência, sejam capazes de escapar às imperdoáveis asneiras tipo Iraque, Afeganistão e várias outras que marcaram uma condução do mundo para um irremediável retrocesso que vai levar muito tempo a sarar.
Deste estamos libertos. Vamos pensar no futuro. E aguardar que o mal não se repita.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A ÁGUA

Já cá estavas quando eu nasci
bebi-te ainda sem saber quem eras
terei gostado, sim, gostei deveras
matando a sede, por isso sorri

Ó água pura que ainda existes
nem nisso pensam as gentes de hoje
se algum dia esse bem nos foge
será então que ficamos mais tristes

E esse dia terá que chegar
mesmo dizendo não os optimistas
é preciso não desviar as vistas
do mal que poderá todos matar

Água salgada, essa aumentará
mas tirar-lhe o sal é difícil cousa
na terra a que ainda repousa
virá o dia em que acabará

A Igreja chama-lhe água benta
e com esta baptiza as criancinhas
serão elas talvez, as pobrezinhas,
que terão de enfrentar tal tormenta

É ainda o líquido precioso
que tem servido para enganar
misturado no que se vai provar
pois é vício deste mundo enganoso

E na vida faz bem ter certa fé
é muito bom crer no que quer que seja
e em vez de água beber cerveja
como em seu lugar tomar água pé

Mas para ambas é essencial
essa água que não pode faltar
da mesma forma que não haver ar
é morte certa p‘ra qualquer mortal

Mas será que neste mundo em mudança
onde tudo se inventa cada dia
alguém conseguirá a utopia
de atingir a bem-aventurança?

Não sendo a água já tão necessária
ficamos nesse caso descansados
temos de olhar para outros lados
para outra coisa também primária

Porque não acabam as aflições
excesso de gente causa problemas
e serão tais os vários dilemas
que o melhor é não ter ilusões



DESENCANTO... POTR ENQUANTO!


Ter a ânsia de ser perfeito é o caminho certo para a insatisfação. Fazer qualquer coisa e concluir, no final, que foi obra sem defeito, digna de rasgado elogio, até memorável, ficar com essa convicção pessoal dará enorme prazer se não mesmo orgulho, que é a maneira feia de declararem a sua satisfação.
Esses, os tais que se orgulham por aquilo que fazem, que se sentem os melhores, de produzir o mais belo, de serem insuperáveis, que gostam muito do que praticam, tal gente vive em pleno a felicidade.
Todos os outros, de uma forma geral, perseguem a perfeição. Procuram-na incessantemente. E há os que passam ao lado e não se preocupam muito em atingi-la, embora apreciem ver os outros alcançá-la. Já não é mau.
O fazer e o refazer, o não encontrar nunca a fase definitiva ou dando a custo por acabado o já feito sem estar contente com o resultado, o desconsolar-se por não conseguir transmitir ao papel, à tela ou à pauta aquilo que vive no seu espírito, esse excesso de perfeccionismo, sendo inimigo da criação constitui, por outro lado, uma via de insistência que, poderá acabar por dar frutos aceitáveis, se não para o próprio talvez para os outros. Vale sempre a pena persistir.
É do fazer, mesmo sem rasgos de genialidade, que nascerá a possibilidade de viver alguma coisa que valha pena, ainda que não seja completamente aquilo com que se sonhou. Mas, mistério dos mistérios, por vezes surge a obra. Quando menos se espera. Aleluia! – era isto que queria dizer – exclama o que escreve, pleno de dúvidas, contemplando, com surpresa, a frase perfeita, a ideia precisa, o tema bem desenvolvido. E é assim com o pintor, como com o que compõe música. E quando a obra ideal sai à primeira, é porque estão num dia de sorte.
Os chauvinistas estão permanentemente em dias de sorte. Os insatisfeitos raramente os vivem. A questão está em saber quais são os que têm mais mérito, se uns se outros. É evidente que tudo está subordinado à qualidade da obra que produzem, mas, segundo se sabe, os mais admirados pelo que deixaram ao mundo são aqueles que, em vida, não mereceram admiração e foram até incompreendidos e mal tratados.
Ninguém perguntou a Goethe quanto tempo levou ele a escrever o Fausto, o qual só concluiu quase no fim da sua vida. Provavelmente, dada a demora, escreveu e reescreveu inúmeras vezes muitas das suas passagens.
Houve e continuará a haver alguns admiradores de si mesmos que produziram e produzem obra digna de registo. Isso, nas artes, está bem de ver. Mas tais entes felizes são a excepção. A regra é outra.
Dá para pensar se isso de fazer obras-primas, de transformar o sonho em realidade extasiando os observadores, tanto pode ser resultado de um trabalho repetido, reconstruído, renovado dos insatisfeitos, como também sairá das mãos dos repentistas, dos que produzem à primeira. E, sendo assim, pode-se concluir que o génio tanto paira nuns como nos que se apaixonam pelo que fazem.
Pode-se concluir? Mas haverá alguém que conclua alguma coisa que não seja logo objecto de contestação?
O melhor é aceitar as coisas como elas são e não querer ter a desfaçatez de pretender tirar conclusões. Eu, por mim, fico-me com as dúvidas.

MALDITA CRISE



Era inevitável. E eu tenho experiência própria do caso. A descida do número de leitores e/ou de ouvintes e, sobretudo, a baixa dos valores da publicidade constituem as causas fundamentais de um órgão de comunicação não conseguir suportar os gastos que garantam a sua existência. Por vezes, o recurso a notícias e reportagens que atinjam o interesse dos consumidores do produto que se oferece ao público, o que justifica, mesmo que mal, nalgumas ocasiões mais graves, recorrer a excessos de informação para recuperar público que se tenha extraviado – razão dos namoros e desnamoros inventados com figuras públicas -, essa actuação apresenta-se como forma decisiva para manter o jornal, a revista, a rádio e também a estação radiofónica em contacto com o público. Trata-se de um produto como outro qualquer e se não existir quem o adquira ou ajude a pagar as despesas, o seu fim é apenas uma questão de tempo.
Não admira assim tanto que surja agora a notícia, trazida a lume, naturalmente, por outro órgão concorrente – é feio, mas é o que sucede – de que a empresa proprietária dos títulos “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias”, “24 Horas” e a estação de rádio TSF, face às tiragens insuficientes no que diz respeito às publicações e à pouco alta audição da emissora se vê forçada a despedir 122 trabalhadores, dos quais 75 são jornalistas. É, particularmente para mim, uma comunicação que entristece, pois refere-se a deixar sem trabalho profissionais que, tendo na escrita a sua razão de existir, se vê na necessidade de mudar de maneira de ganhar a vida, aumentando o já tão grande número de pessoas do mesmo ramo que anda por aí à espera que a situação económica dos meios de comunicação social se altere, o que, infelizmente, não há indícios de que tal suceda, pelo menos tão cedo.
Afinal, já todos sabemos que esta onda de desemprego que grassa por muitas partes do mundo e que, no caso português, nos deixa verdadeiramente preocupados pela dificuldade em encontrar uma solução, não atinge apenas os jornalistas. Na área da actuação dos humoristas, até os que chegaram a um patamar superlativo na nossa televisão, nota-se claramente que, no mínimo, o receio de se perderem oportunidades que antes andavam na área da fartura, não é já fácil de esconder..
Pelo menos é o que se pode concluir pela afirmação tornada pública, produzida por Herman José, quando disse, com todas as letras, a quem lhe perguntou perante a expectativa de vir a ter na SIC um trabalho: “eu tenho boa boca, em termos televisivos; adoro apresentar concursos, adoro humor, adoro música, adoro culinária, dificilmente me sentirei desconfortável num formato e não nego a possibilidade de alinhar por outras estações. Eu nunca digo nunca”.
Quando isto sai da boca de alguém que, há algum tempo, negociava os seus “cachets” do alto de um pedestal, bem se pode imaginar o que pensam os outros, muitos, que andam por aí a pedir emprego
.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

AS QUINAS


Em certa manhã de nevoeiro
Vai despertar aqui no País
A esperança de ser feliz
Trazida por um alvissareiro?
Em Terra de tantos pacientes
Ainda há fé em epopeias
Pois o sangue que corre nas veias
Vem de outrora, de antigas gentes
Por mais que se julgue adormecida
A ânsia do Mostrengo matar
Grande coragem não vai faltar
Sempre se vai dar a acometida
Tanta apagada e vil tristeza
Que é apanágio do Português
Não quererá que um dias, talvez
Ponha à mostra a sua sageza
Para os últimos deixarem de ser
P’ra entrarem no comboio perdido
Há que soltar o ar abatido
E sem demora correr, correr
Olhemos aqui para os vizinhos
Esses, doutros tempos, Castelhanos
E honremos os velhos Lusitanos
Seguindo então novos caminhos
Por mais que estejam adormecidos
Mesmo que pouco e mal se lute
Não se há-de perder o azimute
No fim não sairemos vencidos
Discutir-se-ão muitas opções
Os políticos debitarão
Mas negar, nunca o negarão
Esse mar que nos cantou Camões
Seguro que vai ser necessário
Que a fome nos ataque primeiro
E que se faça um grande berreiro
A lastimar o nosso calvário
Mas p’ra atingir tão grato projecto
De os da Europa sermos iguais
Só teremos, oh simples mortais
Que rogar ao Supremo Arquitecto

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Parece-me que, noutro escrito, já me referi a este tema. Se sim, como não releio o que redijo, para não me arrepender e dar o dito por não dito, não posso confirmá-lo. Mas, também não me importo de repetir. A insistência dará o seu resultado. Já lá diz o ditado que “água mole, em pedra dura…”
A questão é a de esta nossa capital mostrar uma plena aversão às flores. Não será a cidade, ela própria, mas sim quem dispõe de poder para interferir no seu aspecto e na sua funcionalidade. Alguma coisa de útil, de belo, de imaginativo. Que, sem mexer muito nos cofres da Edilidade, seja digno de aplauso por parte dos lisboetas.
E quando me refiro à ausência de canteiros, vasos com flores e tudo que possa servir para exibir plantas lindas, não quero dizer apenas o acto de as plantar, mas também manter uma equipa de jardineiros que cuide regularmente da sua manutenção.
Mas não só isso. É imperioso educar os cidadãos, de modo a respeitarem o que está florido. Dizer-lhes, por todas as formas que a comunicação oferece, que as flores pertencem-lhes, que estão ali para agrado da população.
E essa educação, como tantas outras, começa no ensino primário. Entusiasmando e premiando as escolas que fomentem, como já se tem visto nas praias, a limpeza dos espaços floridos. Retirando os restos de cigarros, os papéis e tudo que esteja a mais.
As Juntas de Freguesia deviam ter essa preocupação em cada zona a seu cargo. Era dividir o trabalho pelas aldeias…
Mas, que fantasia a minha! Como isto que se escreve com a maior facilidade, pudesse ser acolhido de bom grado por aqueles que lhes custa viver em comunidade. Eu, por mim, dou uma ajuda. Sugiro. Já é alguma coisa.
E se me refiro a Lisboa, que é o que tenho à mão, estendo esta observação a todo o Portugal. Porque a carapuça serve a quem a enfiar. Ou a quem, podendo mudar as coisas, não faz nada pela terra onde vive. Se este texto vier a figurar num livro e esse chegar a diversos pontos do País, então que os que o lerem metam a mão na consciência. E digam se não fica mais bonita a aldeia, a vila ou a cidade onde residem, com flores espalhadas e cuidadas. Claro, bem cuidadas!...

DE BICO CALADO!...




Pois é evidente que os advogados também servem para isso: para atrasar o mais que for possível as decisões finais dos Tribunais, especialmente quando existem grandes probabilidades de os arguidos que defendem virem a sofrer penalizações que são, naturalmente, consequência da acção das acusações que, por seu lado, também existem para levar a cabo a razão de ser das suas profissões.
E é assim a Justiça. Uns defendem, outros acusam e os Juízes decidem. Mas, em Portugal, toda uma trama de procedimentos faz prolongar excessivamente as resoluções finais. As pesadas burocracias que são tão costumeiras em tudo que envolve as actuações do sistema oficial e que os cidadãos, quando lhes convém, aproveitam o mais que podem, nestes casos jurídicos são recursos a que os advogados, de um ou de outro lado, deitam a mão. Segundo parece, no tristemente célebre julgamento Casa Pia, que se tem arrastado ao longo dos anos, com prisões preventivas primeiro e solturas depois, surgiu agora o pedido de inquérito parlamentar à investigação depois da decisão do colectivo de juízes.
Já se assistiu a esta variante da Justiça nacional com o interrogatório que pretendeu ser feito pelos deputados da Assembleia da República escolhidos para o efeito, que resultou num profundo silêncio por parte do desejado inquirido, o ex-responsável principal pelo Banco Português de Negócios, Oliveira e Costa. Ou seja, ficou tudo em nada. Agora, o advogado Sá Fernandes, defensor de Carlos Cruz, entendeu que poderia deitar mão a este prolongamento do caso, e isto já depois de a juíza Ana Peres ter feito uma chamada de atenção a todos os intervenientes no processo devido aos atrasos que se têm registado no início das sessões e, que segundo as contas da magistrada, as demoras dos advogados, arguidos e procuradores já representam dez semanas de julgamento.
Não me cabe comentar as atitudes que são tomadas pelos intervenientes nos casos que se encontram em pleno andamento judicial. Se se situam dentro da legalidade, a única estranheza bem perto da indignação é que, em vez de se avançar com a rapidez que a Justiça impõe, para ser justa, se utilizem todos os meios ao alcance para demorar o mais tempo possível em chegar ao fim de todo o processo.
O que é difícil é evitar que a opinião pública sobre as culpas ou inocências de alguns dos envolvidos, sobretudo tratando-se de figuras públicas – como agora é modo classificar -, estando já formada há certo tempo, caso venham os intervenientes a ser consideradas inocentes, alinhe em tal decisão.
Há um envolvido em todo o processo que ninguém duvida que será o principal implicado no abuso da rapaziada aluna da Casa Pia, o Bibi. Esse, tratando-se de um “pobre diabo”, e até porque foi o único a confessar os seus erros, tem o veredicto há muito pensado pelos julgadores. Todos os outros, mesmo incluindo responsáveis ao nível governamental, que tendo tomado nas alturas conhecimento da situação que se vivia, não se quiseram envolver em problemas, esses, muito possivelmente, deslizarão por entre as malhas e sacudirão a água do capote.
Que mais há a dizer? Muito, mas bico calado…