quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

CABEÇA PENSANTE



O assunto do Terreiro do Paço estar interdito ao trânsito automóvel aos domingos, entre as 15 e as 17 horas, já foi referido neste espaço há pouco tempo. Claro que não apareceu a lume qualquer explicação, não só porque aquela gente da Câmara não perde tempo a incomodar-se com o que dizem da sua Instituição, como a importância do meu blogue não chega ao conhecimento dos mesmos.
Mas, agora, como complemento dos incómodos que aquela Praça tem dado ao longo de imenso tempo, com as obras que se eternizam e que obrigam os peões a gastar solas nas voltas que são obrigados a dar, sobretudo para os que utilizam os barcos que saem e vêm da outra banda, as ruas da Baixa vão deixar de ficar livres de trânsito automóvel particular, na ligação que corresponde a quem desce desde o marquês de Pombal, atravessa o Rossio e enfia pela rua do Douro. Quer dizer, precisamente na rua Áurea, antes de se chegar ao último quarteirão ter-se-á de voltar para trás, pois não vai ser permitido entrar na Praça do Comércio.
Aqui fica o aviso que alguma Imprensa fez correr e, aproveitando a deixa, também assinalo que um plano de saneamento do rio Tejo, que chega tarde mas chega, e que compreende a instalação de duas galerias de descarga de águas pluviais e um interceptor de recolha de efluentes entre a placa central e o rio, tudo isso vai complicar ainda mais a circulação na frente ribeirinha.
Todos os lisboetas, moradores ou trabalhadores que vivam do outro lado do Tejo, bem conhecem, o celebérrimo túnel que foi começado a construir para o Metro por debaixo da água fluvial, naquela zona, tem passado por tratos de polé. Não há forma de estar concluído e os técnicos que se meteram naquela alhada, alguns já se reformaram entretanto e outros estão desejosos de serem mudados para outras andanças. E o que é facto é que continuamos com aquela horrorosa situação que, até hoje, já deve ter custado montões de dinheiro que, como sempre, sai do nosso bolso.
E, para falar dos problemas que a Câmara municipal lisboeta tem enfrentado, com os cofres vazios que assim foram encontrados pela actual equipa municipal, não deixo passar em claro a notícia surgida agora de que o Tribunal de Contas apontou irregularidades no mandato do que foi Presidente o que, segundo já foi confirmado, vai ser o candidato do PSD ao mesmo lugar nas próximas eleições autárquicas.
O melhor que eu julgo fazer é não acrescentar comentários a toda esta trapalhada que ocorre em Lisboa, para não ser uma excepção quanto a tantas aselhices a que se assiste neste País de má sorte.
Não, não é só dizer mal. Não, não é pessimismo quanto às nossas capacidades de realizar obra que se veja. Recuso-me a aceitar tais acusações.
O que eu pretendo é que fique claro que temos de usar melhor as nossas cabeças. Antes de fazermos qualquer coisa que diga respeito a beneficiar o nosso País, devemos pensar bem, ver os prós e os contras e só actuar quando houver a certeza absoluta de que se vai pelo melhor caminho. Não de qualquer maneira!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A PAZ

Anda este mundo às avessas
Os homens nunca se entendem
Estão as cabeças possessas
Que do mal não se arrependem

A guerra está-lhes no sangue
Ambições, ódios primários
Deixar o povo exangue
Fazer das vidas calvários

Matam-se por guerras santas
Ao gosto de Satanás
Nem lhes doem as gargantas

De gritar qual Ferra Brás
E pergunta-se aos jamantas
Que é preciso pr’haver paz ?

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Mais ou menos na altura da minha infância, tinha eu seis anos quando se deu início ao que veio a ser a II Guerra Mundial. Ainda fui utilizado para colar tiras de papel nos vidros de casas, na ingénua presunção de que sob os efeitos de um bombardeamento os estilhaços não atingiriam as pessoas. Nunca compreendi que esse medo dos vidros partidos das janelas fosse maior do que o efeito das bombas, elas próprias.
Mas os miúdos, naquela fase de preocupação desmedida, serviam para algumas coisas. Por exemplo, para ir para a “bicha” do pão, todas as manhãs, como para enfileirar nas compridas esperas para comprar alguns produtos em falta, nos armazéns da CUF ali na rua dos Douradores, para adquirir petróleo que então era muito usado nas casas, para conseguir o sabão azul e branco, o “hoffenbach”, que não podia faltar para as lavagens, mas também o azeite, o bacalhau, o açúcar e tantos outros produtos que, sendo escassos e fazendo parte das senhas de racionamento, tinha de ser a miudagem a levantar-se de madrugada para suprir essas necessidades fundamentais. Eu, pelo menos, fui um deles. Serviu-me, no mínimo, para desenvolver o exercício do pensamento, dado que, sozinho como me encarregava dessa tarefa e com muitas horas a aguardar a vez, tinha ocasião para o raciocínio no isolamento. Anos mais tarde pus em prática tal experiência. E não me dei mal.
Desde que comecei a ler os restos dos jornais que apanhava pelos sítios onde passava, seguia com interesse cronológico os avanços e recuos das tropas que, na Europa, faziam frente às invasões hitlerianas. Mas eu sempre tive pouco de optimista. As apavorantes notícias que iam chegando e depois, sobretudo, trazidas pelos judeus que passavam por Portugal fugidos e a caminho do outro lado do Atlântico e que despertaram imenso a minha curiosidade, ao ponto de, numa tabacaria que o meu pai frequentava na rua da Madalena – e onde conheci o velho, para mim, e simpático Teodoro dos Santos, como empregado -, ter tido contacto como ouvinte das descrições que faziam, numa língua que me parecia estranha mas que era entendível, acerca dos extermínios que ocorriam nos campos de concentração, tais novidades não eram, na altura, de molde a antever uma vitória das tropas chamadas de aliadas. Tudo isso a que muitos, em Portugal, não davam total crédito, pois que os detentores da política que cá se praticava davam mostras de estar do lado do ditador da época, Adolfo Hitler, não se traduzia em preocupação do povo. Só os mais esclarecidos, os que estavam atentos às notícias vindas directamente de fonte externa, tomavam posição apenas na intimidade familiar ou em conluio clandestino de confrarias não reconhecidas e não autorizadas pela polícia política. Ser germanófilo, como se chamava então, era tolerado. O contrário, anglófilo, não era considerado patriótico. Disso me recordo.
Tinha quinze anos quando acabou a guerra. E, por minha iniciativa, sem consultar os meus pais, resolvi passar de dia para à noite a estudar. E a trabalhar nos horários diurnos. Começou aí a minha independência… e o meu afastamento do tradicional do mundo que saltitava à minha volta.
A vida, para mim, haveria de ser um caminho que teria de percorrer, seguramente com esforço e com entusiasmo contido. Levar-me-ia a algum sítio, por estradas desimpedidas, por atalhos, com lentidão, apressado, não sabia mais nada. Seria preciso percorrê-lo e aguardar pelas consequências. Ter esperança nalguma sorte que, por ventura, surgisse e estar atento às circunstâncias, pois já Ortega y Gasset – grande figura de filósofo com que teria, bastantes anos mais tarde, ocasião de conviver aqui em Lisboa -, já ele dizia que “o Homem e as circunstâncias” são dissociáveis.
Fui, pois, fazendo o que se me deparava pela frente. E depressa descobri que isso de as coisas aparecerem feitas só acontece aos outros, E, sobretudo, aos desonestos, aos vaidosos, aos arrogantes, aos convencidos, aos falsos… sendo todos eles os simpáticos.
Não fui nada disso. E para aqui estou.
Acrescento aqui um parágrafo para levar a minha imaginação até ao que está a ocorrer na Faixa de Gaza, isto muitos anos depois do que conto atrás. E bom seria que todos aqueles que se encontram envolvidos, de um lado e de outro, na contenda que está a ceifar vidas de famílias e inúmeras crianças, tivessem tomado antes contacto com aquela sensação de uma guerra por perto e das suas consequências. Sobretudo os chamados atacantes suicidas e dos lançadores de rockets, por mais razão que julguem ter.



DESEMPREGO


Já não chegava esta situação que, nesta altura, já é admitida e até confirmada pelas forças públicas, a recessão, a crise, as dificuldades em posição de continuidade e até de progressão, não era bastante isso e enfrenta-se agora em Portugal uma avalanche de frio em que, mesmo em Lisboa, se anunciam baixas temperaturas cujas mínimas descerão dos 0 graus. Não somos nós que enviamos rockets a ninguém, que somos mal comportados civilmente a extremos que ofendemos qualquer religião, que andamos envolvidos em conflitos que ofendem os princípios de qual seja o grupo político, nacionalista ou religioso que tenham as suas convicções místicas. Nesse sentido, nós, portugueses, portamo-nos bem. É caso, por isso, para perguntar se haverá algum deus que se sinta ofendido com a forma como conduzimos o nosso comportamento, ao ponto de estarmos a merecer castigos que nos façam modificar o caminho que levamos. Se não há, pois parece…
O desemprego, que não é, de facto, uma epidemia que nos toca particularmente, na nossa situação tão débil é verdadeiramente um mal que traz consequências de várias espécies. E uma delas é, sem dúvida, o aumento de criminalidade, dado que a escassez de meios, até a fome levam a que o ser humano perca a cabeça e entre por caminhos que, de outra forma, não experimentariam. Por isso, o trabalho conseguido deverá ser um bem que, por menos boas que sejam as condições que se obtêm, tem conveniência em ser mantido e, por isso, um trabalhador deverá fazer todos os possíveis para fazer com que a empresa onde actua não sofra revezes de falta de encomendas ou de produção deficiente. Isto, para dizer que não é compreensível que se continuem a fomentar greves e que até os sindicatos, que deveriam acautelar as suas acções reivindicativas por forma a que baixassem as exigências, pelo menos até que a situação difícil que se atravessa seja ultrapassada. Mais vale ter um emprego, ainda que não seja o ideal, do que não ter trabalho em parte nenhuma! Poderão os reivindicadores profissionais escandalizarem-se, até à fúria, com esta afirmação, mas eu dou o braço a torcer e não recuso pensar nesta altura de forma contrária como me rebelava na época da ditadura salazarista ou marcelista. É que os tempos são outros e nós temos que nos adaptar às circunstâncias que nos rodeiam em cada momento da nossa vida. Mais de 500 mil desempregados em Portugal é um número que não é possível suportar. E é isso que sucede neste momento. Por mais razão que tenham alguns sectores que reclamam e vêm para a rua com as suas bandeiras e as frases fabricadas por chefões, não deixem de levar em conta essa fatalidade de não ter trabalho. E os professores não estão excluídos desta norma, devendo todos pensar que quem os orienta, esses lá vão mantendo o emprego de comandar as hostes. E alguns até ganham bem!...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

CANTEMOS Á CHUVA

Chove lá fora, chove
depois de uma longa seca
será a prova dos nove
dos que molham a careca

Primeira chuva é tão bom
lava as ruas, lava a alma
dá gosto ouvir o seu som
e até o calor acalma

Há que sair com chapéu
e que fugir das goteiras
com alegria Deus meu
vêm aí as janeiras

Depois das primeiras águas
nas cidades são bastantes
pois surgem depois as mágoas
queixam-se os lamuriantes

Mas para ter sol na eira
e a chuva no nabal
há que ir pedir à feira
à bruxa do arraial

Chuva, chuva venha ela
contratempo não será
pode-se ver da janela
e o sol depois virá

Cantemos portanto à chuva
à sua força de vida
assenta como uma luva
quando com conta e medida

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Passa ali fora, na rua, uma manifestação não sei de que grupo. Também não entendo o motivo por que gritam. Fico-me sem saber qual é a pretensão por que aspiram. Braços no ar, gargantas gritantes, de dentro do vidro do café não consigo distinguir o que reivindicam. Uns tantos manifestantes entregam folhas impressas aos que contemplam os revoltados. Estes olham indiferentemente os papeis, outros nem isso, mantêm as mãos nos bolsos. E a manifestação lá segue, rua fora, com um destino que já estará marcado e um itinerário que foi antecipadamente delineado. Tudo organizado, até os cartazes cujos ditos se repetem na sua impressão.
Eu prefiro indignar-me em silêncio. Protestar no papel. Largar o meu fel sem deixar de me preocupar com a concordância das palavras, com a utilização dos verbos adequados, tendo em atenção não repetir termos já utilizados nas linhas de cima. Não faço barulho, é certo, mas obtenho o mesmo resultado daqueles que palmilham ruas com palavras de ordem. Isto é: não muda nada do que julgamos estar mal.
Nunca me atraiu a reclamação em grupo. Dá-me a sensação de se tratar de um acto de pouca coragem. Juntar vários para mostrar desacordo e quando se está só meter o rabo entre as pernas é sinónimo de falta de convicção quanto às razões que levam ao protesto.
Mas o ser humano é assim. Os exércitos são compostos por muitos militares. Os partidos políticos para serem fortes têm de ter milhares de seguidores. Os clubes de futebol com poucos adeptos não são temidos. Um pequeno grupo que se junta à volta de uma ideia, só atinge projecção relativa quando, mais tarde, consegue arregimentar no exterior do seu conjunto seguidores numerosos das suas propostas. As tertúlias, agrupamentos que, infelizmente, estão cada vez mais fora de moda, serviam para reunir cidadãos que se interessavam pelo mesmo tipo de problemas, de uma forma geral ligados às artes.
Agora, fazer deslocar massas de gente e, ao som de tambores, megafones, palavras de ordem gritadas que alguém preparou previamente, caminhar para um local onde se admite que aí será o ponto onde se encontra a solução de uma causa, esse exercício incomoda e não constitui solução de nada.
As liberdades têm a virtude de dar o direito a toda a gente de manifestar o seu descontentamento. Quer sejam exercidas por aglomerados de gente quer seja praticada isoladamente.
Liberdade, liberdade, cada um chama-lhe sua. A minha é esta. A da escrita. Não serve igualmente para nada, mas, ao menos, deixa o caminho livre para os outros que não têm nada a ver com o meu desassossego…

A ENTREVISTA



Foi naturalmente esperada com ansiedade a entrevista que a SIC anunciou que transmitiria na noite de ontem com José Sócrates. Não é que, pelo menos da minha parte, aguardasse um novo estilo e mais humildade da parte do primeiro-Ministro, pois as críticas que lhe têm sido feitas em relação ao seu modo de apresentar os problemas talvez pudessem ter produzido algum efeito e, deste vez, era legítimo constatar que a propaganda própria que sempre se verifica nas suas declarações surgisse num tom mais aceitável.
Mas não foi nada disso que se constatou. Cada pergunta que era feita ao responsável do Governo só servia para ele fazer a apologia do que tinha sido feito ao longo da existência do seu Executivo, da excelência das acções tomadas e, comparativamente, da enorme diferença para melhor em relação ao passado politico de anteriores executantes políticos (por vezes com razão, mas fica-lhe mal "bater" sempre no passado).
De facto, a única alteração que se verificou desta vez foi, contrariando o seu estilo anterior, até o mais recente, a aceitação de que o ano de 2009 não surgia com boas perspectivas e que iríamos enfrentar em Portugal uma situação de recessão, assim como, quanto ao desemprego que grassa por aí que a situação tem de ser revista e que o crescimento ficará longe das expectativas. Quanto ao demais, foram só aplausos aos seus feitos e à sua conduta das operações durante todo o período do Governo que comanda. No que se refere ao desencontro de posições com o Presidente da República e ao afastamento político com Manuel Alegre, considerou essas situações como de importância secundária. E aí fez mal em não ser mais prudente.
Este o resumo da referida entrevista que, no que me diz respeito aos dois perguntadores, também tenho alguma crítica a fazer-lhes, pois que, se por um lado expressaram opiniões a mais (bem me ensinou o velho Norberto Lopes de que o jornalista nunca deve opinar, por muito que discorde das posições dos entrevistados), faltou-lhes pôr questões que bem calhavam surgirem naquela ocasião. Uma delas, por exemplo, era a de se se iria manter intacto o seu elenco ministerial até às eleições, sabendo-se, como se sabe, que alguns dos seus membros têm dado mostras de menoridade de actuação. Por muito que Sócrates se esforce por querer dar a impressão de que o seu elenco funciona em bloco, tendo defendido até a ministra da Educação no que respeita ao problema existente com os professores e não tendo sido ouvida uma palavra no que se refere aos sectores que estão a precisar de uma mudança completa, como é o caso da Justiça, mesmo assim era de esperar que os dois jornalistas fossem menos editorialistas e mais interrogadores, apresentando questões pertinentes e não deixando o entrevistado escapar às resposta, como o fez constantemente, utilizando o tempo para dar lustro ao seu umbigo… como, aliás, é o seu uso e costume.
Em conclusão: a entrevista deveria ter sido melhor preparada, deveriam ter-lhe cortado a palavra sempre que o inquirido se metia por temas que não estavam em causa e deveria mesmo ter-lhe solicitado claramente que evitasse dizer bem de si mesmo, mas apenas responder às questões apresentadas.
Não aconteceu nada disso e José Sócrates lá conseguiu levar a sua àvante!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

CANTAR

Cantar, cantar, cantar
é melhor que falar
sem dizer nada.
Cantar ao amor,
cantar de cor
com fervor
ou com humor.
Cantar à felicidade,
cantar à amizade,
cansar de tanto cantar,
não parar.

Cantar à esperança
no futuro,
trespassar o muro
do obscuro.
Cantar à poesia,
à fantasia,
à paz no mundo,
ao mar sem fundo,
à beleza
da Natureza.

Cantar até faltar o ar,
em qualquer lugar
sob o Sol a escaldar
ou com chuva a fustigar.
Cantar de pé,
olaré,
ou sentado,
sem enfado.
Cantar sempre muito
com o intuito
de expandir a alma
e dar voz a Talma
do teatro, sim senhor,
um autor
exemplar
para ver, ouvir,
sentir
… e cantar !

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Para estar vivo, ajuda muito o querer-se. Para tratar as doenças, pelo menos algumas, é importante acreditar-se na cura, começando por crer no curador.
As longas esperas nos consultórios e pior ainda nos hospitais públicos, seguidas de um certo atendimento cansado, distraído, até mal-humorado será a causa dos pouco resultados obtidos com muitas medicinas que não conseguem debelar as enfermidades. Por vezes, as mesinhas recomendadas por curandeiros sem diploma conseguem efeitos positivos, apenas e só porque a freguesia que frequenta tais locais de consulta enfrenta a situação com muita fé, por ter conhecimento de resultados positivos noutros felizardos.
Em Portugal, onde há cada vez mais escassez de médicos, devido, em grande parte, às dificuldades postas para a entrada de alunos na faculdade respectiva, faz com que, com aumentos sucessivos, os clínicos espanhóis exerçam a sua profissão neste lado da fronteira. Só que por aí não vem mal ao mundo. O pior advém das razões dessa realidade.
É, de facto, desconsolador verificar-se que, em Portugal, tardam muitos anos a solucionar-se problemas que estão à vista de toda a gente as formas de dar a volta. Neste caso, sabendo-se que um médico demora seis anos a ser feito, ainda que no início da carreira, como é possível assistir-se à partida da nossa juventude para o estrangeiro, para Espanha principalmente, para poder obter a carteira médica? Quando a História, daqui a anos, referir este facto, será difícil entender o que passou na cabeça dos sucessivos governantes que permitiram tal anomalia…
Por agora, que se enfrenta esta situação, resta fazer coro com os optimistas quando dizem que “enquanto há vida há esperança!” O pior é quando acaba a vida sem ver a esperança transformar-se em realidade.

TRIBUNAIS PORTUGUESES


Por mais que me esforce para pôr de parte o tema da Justiça portuguesa, no meio de toda a crise em que estamos envolvidos, das inúmeras dificuldades que têm de enfrentar os cidadãos cá da Casa, tais como as reformas verdadeiramente miseráveis que recebe a maioria esmagadora dos que só têm esse meio de sobrevivência (em comparação com os montantes escandalosos de uns tantos privilegiados, alguns deles com processos criminosos às costas, mas que durarão uma infinidade de tempo a ser solucionados, mesmo sendo uma minoria), ainda que esses enormes problemas se encontrem por resolver, de todo o “embroglio” que constitui aquilo que somos forçados a assistir o que sobressai e é, em muitas circunstâncias, causa de outros tantas aflições, é, em minha opinião, o estado em que se encontra a Justiça em Portugal, lenta, plena de burocracias, cara e, em variadas situações, injusta.
Por exemplo, ainda hoje veio a público a notícia de que um juiz de Cascais libertou um grupo croata que, há anos, foge da Interpol e da Europol. Trata-se de um gangue que é suspeito de mais de 50 assaltos só no nosso País, embora em Espanha, França e Itália, a polícia ande desejosa de lhe deitar a mão. Por muito que o Tribunal respectivo evoque razões baseadas nas leis que temos, não é compreensível e muito menos aceitável que uma autoridade judicial portuguesa feche os olhos a um grupo procurado pela polícia internacional.
Se se tratasse apenas deste caso insólito, ainda se poderia levar a situação à conta de distracção judicial, mas o que se passa é que quase todos os nossos tribunais se encontram este ano de 2009 numa fase em que devem mostrar se as críticas que lhes são feitas têm ou não razão de ser. Senão vejamos:
O caso de pedofilia da Casa Pia quando vai terminar depois de cinco anos de julgamentos? Temos de esperar ainda muito tempo pela leitura da sentença? O outro discutido caso do Apito Dourado matem-se em “banho Maria” está a aguardar decisão de um recurso entretanto surgido. O administrador do Banco Português de Negócios, já em prisão preventiva, bem pode esperar, ele e os que foram apurados como eventuais arguidos, pelo andamento do processo que promete adormecer meses sem conta. O presidente em exercício da Câmara de Oeiras, que já enfrentou a Justiça, volta a ser julgado este ano. Esperemos sentados.
Bem, não se torna necessário apontar mais situações que estão pendentes de que os Tribunais não avançam com os respectivos julgamentos. Porque estes apontados referem-se somente a personalidades que se encontram na primeira linha dos mediáticos. E os milhares – sabe-se lá quantos – que, não se tratando de pessoas de nome e de cargos importantes -, atafulham as gavetas das secretarias judiciais?

domingo, 4 de janeiro de 2009

A SORRIR

Queria morrer a rir
ir assim até ao fim
para lá me divertir
a ouvir falar de mim

Muito mal, assim assim
tudo me faria rir
o que quisessem, enfim
continuava a sorrir

Digam coisas, mesmo más
não me fazem deprimir
lá onde só há paz
só teria que sorrir

O pior é se se calam
me olvidam mesmo a dormir
não dizem nada, não falam
deixava então de sorrir

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Por mais que não queiramos, todos somos um pouco lamurientos. Uns, não o demonstram, lastimam-se para dentro. Outros, os mais exuberantes, choramingam mesmo sem lágrimas, não perdem a ocasião para se lastimar, quer com o que se passa com eles próprios quer com a sociedade em geral, a que está à sua volta ou até a que se encontra distante.
Seja como for, a lamúria é um exercício que faz extravasar a tristeza que circula no interior do ser humano. E é também a forma de comunicar aos outros a infelicidade que lhe invade o espírito. E, não querendo sofrer sozinho, o lamuriento procura consolo, cumplicidade, aplauso até pela sua coragem em suportar a dor.
O choramingas é, portanto, alguém que não aceita ser só ele a sofrer. Procura companhia e, de uma forma geral, considera que o seu sofrimento é maior do que o do outro com quem fala. Dor como a sua não há nenhuma!
Sofrer em silêncio, não transmitir para fora as agruras que sente, engolir em seco as maldições que lhe couberam em sorte, passar por tudo isso sem mostrar, sem transmitir a quem só pode sentir dó, piedade, tristeza… e mais nada, conseguir resistir à tentação de provocar a comiseração, isso só pode merecer o aplauso do que já tem problemas na vida que lhe cheguem. Se se trata de pedir auxílio, isso é uma coisa. Agora, se o que se pretende é tão somente exibir desgraças e a valentia que se tem em suportá-las, nesse caso não parece ser louvável tal atitude.
Há, realmente, muita gente que sofre por esse mundo fora. Se a lamúria fosse sincronizada e todos, ao mesmo tempo, se queixassem, em voz alta, dos seus males. Teríamos um impressionante coro da desgraça.
Talvez isso despertasse para o bem esses destemperados que levam toda uma existência a provocar guerras e destruições. Mesmo tendo de perder as faustosas e injustas mordomias que, quase sempre, lhes são proporcionadas por esse maldito produto que vem do fundo da terra: o petróleo!




VENEZA



Não há nada como andar de consciência tranquila para não nos preocuparmos com os problemas que assolam a maior parte da população. Se tivermos a noção de que não depende de nós o melhorar o estado das coisas, se não temos dimensão para influenciar a mudança dos problemas, se, por muito que nos possa desgostar assistir a um esgotamento progressivo das condições de vida da maioria dos cidadãos, não se encontrar nas nossas mãos contribuir de forma efectiva para que tudo se altere para melhor, nessa altura o único que podemos fazer é encolher os ombros e deixar andar.
Estas formas de proceder são as que a maioria esmagadora dos portugueses utiliza, só entrando em conflito quando se sentem acompanhados por grupos, maiores ou menores, normalmente fomentados por partidos políticos, sindicatos ou outro tipo de organizações capazes de arregimentar públicos. De forma isolada é raro assistir-se a quem resolva tomar uma posição de confronto, sobretudo com forças públicas, como seja até o próprio Governo.
Portanto, o que digo no primeiro parágrafo deste texto não é atitude que estimule. E a prova está nos milhares de artigos que deixei ao longo da minha vida de jornalista e, agora, nestes despretensiosos blogues que, mesmo assim, ainda levam alguns comentadores, uns tantos anónimos, a fazer chegar-me as suas opiniões que, ainda bem, nem todas são de aplauso.
Encontrando-nos já no ano que se apresenta, na opinião da maioria dos observadores mundiais de mau presságio, haveria que aguardar, da parte dos mais responsáveis pela condução do nosso País, que mostrassem um comportamento que se considerasse exemplar. Bem sei que a Liberdade é para todos e que cada um é livre de tomar as atitudes que julgar mais apropriada, sobretudo se, no capítulo dos gastos, usar o seu próprio pecúlio. Mas, aqueles cujas atitudes que têm de servir de exemplo à população que não os perde de vista, não basta dizerem que não usaram os fundos públicos para gozar de um determinado prazer. É preciso que, tudo que façam, dê mostras de cumprimento de regras que se recomendam em cada altura da vida do País, Neste caso de Portugal.
Vem isto a propósito de quê? Do primeiro-Ministro ter ido celebrar a passagem do Ano Novo em Veneza, por certo um lugar apreciável que muitos dos nossos cidadãos também desejariam poder visitar. Mas, co’a breca, quando se recomenda, por um lado, que não continuemos, como aconteceu em certa altura, a fingir que somos ricos, quando o Chefe do Estado, de uma forma bem clara, avisa que Portugal atravessa um período difícil e que não se sabe bem como irá sair desta, quando o ministro das Finanças e o governador do Banco de Portugal já deixaram de esconder o perigo do afundamento, é precisamente nesta altura que José Sócrates, mesmo pagando do seu bolso, escolhe a romântica Veneza para dizer adeus a 2008.
Pelos vistos, quem anda de consciência bem tranquila é o primeiro responsável pelo andamento político, económico e social do nosso País. Ou então, não tem tento para compreender que todos os seus passos são analisados pelo amargurado povo português que, com excepção daqueles importantões que se anunciam que meteram as mãos nos dinheiros dos bancos e das empresas públicas e camarárias, tirando esses vivem com as maiores dificuldades nesta Terra em que, cada vez menos, apetece viver.

sábado, 3 de janeiro de 2009

ISOLAMENTO

Há quem não seja capaz de estar só
De se entranhar, de consigo viver
De se enfiar no seu próprio guarda-pó
E de discutir sozinho o seu querer

Há gente assim, que gosta de multidões
Que só consegue andar na confusão
Quer o seu mundo cheio de atenções
Mesmo que daí não saia conclusão

Que bom, por isso, é o silêncio da noite
Ainda que não exista quem se afoite
A ter à sua volta só penumbra

Ficando assim e estando a pensar alto
Sem nada que lhe provoque sobressalto
É algo que ao solitário deslumbra

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Nada mais doloroso do que o sonhar. O sonho é um desejo. Uma aspiração. Quem pretende atingir um objectivo, começa por sonhar com essa meta desejada. Sonhar com uma coisa bela que não será possível atingir é sofrer. Ansiar por pintar uma tela perfeita e tentar, tentar sem o conseguir, é dor que rói no íntimo do sonhador. O mesmo se passa com a obra musical e com o trabalho literário, os tais que se pretendem tão perfeitos que mereçam a distinção especial dos apreciadores.
Viver de projectos, de desejos, de aspirações é sofrer permanentemente. E em silêncio, porque parecerá sempre ridículo aos outros descrever-lhes o sonho que se traz no fundo do nosso ser.
Querer ser genial e não passar da mediocridade é uma verdadeira tragédia para quem acalenta esse objectivo e tem consciência da distância que o separa do fim aspirado. É andar em perseguição de uma meta que só se vislumbra no fundo do túnel. A entrada é ali, mas o mais certo é morrer-se a meio do percurso.

MANGAS ARREGAÇADAS



Não podemos continuar a dever ao estrangeiro os milhares de milhões de euros que têm vindo a aumentar ao longo de sucessivos governos nacionais que, para além de não terem sabido utilizar o dinheiro que cá entrou de várias origens, incluindo o enorme auxílio de que beneficiámos por via da Comunidade Europeia e de que se sabe que uma grande parte foi parar aos bolsos dos costumados aproveitadores dos dinheiros mal controlados, repito, tendo de terminar drasticamente esses empréstimos que, também por outro lado, vão em breve começar a ser negados pelos credores que deixam de confiar na nossa possibilidade de respeitar compromissos, sendo assim o que se torna de uma grande urgência é encarar a atitude dos portugueses passarem a produzir em termos idênticos aos que são capazes de mostrar os nossos compatriotas que trabalham no estrangeiro. Se, lá fora, somos considerados como trabalhadores exemplares, não existe razão aceitável para, na nossa terra, nos encostarmos sempre que podemos, não termos gosto por aquilo que fazemos e andarmos sempre a pensar nas férias, nos dias de descanso e nas “pontes” que, por aqui, são tão apreciadas.
E é necessário deixar escrito isto: os sindicatos, as centrais sindicais, os grupos políticos que procuram votos nessa classe trabalhadora e a incita às revoltas, às greves e às paralisações, o que têm também de fazer é entusiasmá-la a tirar Portugal do atoleiro em que caiu e mostrar-lhe que o desemprego se combate trabalhando bem e não provocando o empresariado a despedir, por não conseguir atingir níveis de produção competitivos com o que vem lá de fora.
Não podemos fazer de conta que as ditaduras políticas quando chegam é só por acaso. Quando a Liberdade não é bem utilizada e, em vez dela, é a libertinagem que toma conta do comportamento da população, nessa altura estão criadas as condições para uma grande maioria de cidadãos aspirarem por algo que “mande”, que tenha força, que “ponha tudo na ordem”. E é preciso cuidado, porque aqueles que têm idade para isso sabem que qualquer ditadura, quando se instala, é muito difícil correr com ela, seja fascista ou de extrema-Esquerda. Por isso, o que se deve é fazer todos os esforços para que, quando se goza da liberdade, lutar para que ela nunca seja perdida, por muito que, como disse um dia Winston Churchill, a Democracia seja a menos má das políticas…
Cabe aos responsáveis que governam nesta altura o País e aqueles que, se forem outros, venham a tomar conta do nosso futuro, puxar pela cabeça, pela imaginação e pela competência e fazer aquilo que Cavaco Silva recomendou no seu discurso, mesmo que ele, quando foi Governo, não o tenha conseguido. Mas estas funções de agora emprestaram-lhe experiência. Assim parece.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

LOGO MAIS

Mas que mal anda a língua portuguesa
tão mal tratada pela juventude
perdeu-se por aí tanta pureza
do que é belo e não quer que se mude

Palavras novas, até se aceita
a vida não deixa nada imutável
mas mau sentido é que se rejeita
matar a língua não é tolerável

Quando se ouvem novos locutores
espalhar pelo ar mau português
aí a revolta atinge os anais

E não se podem conter os furores
quando dizem tamanha barbarez
como seja essa do “logo mais”

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Por muito que se tenha vivido e por bastante menos que nos falte para concluir o capítulo da vida, sempre se mantém a perspectiva do amanhã. Seja para dar seguimento a uma tarefa inconcluida, seja por haver esperança de que depois é mais oportuno terminá-la. O agora nem sempre apetece. O já é normalmente incómodo. Fazer de seguida cansa, muito embora possa resolver logo a questão pendente. Encarar na altura um problema pode não dar ocasião a meditar com tranquilidade. Sobre ele e quanto à melhor solução.
O logo se vê é a posição que tomam os que arrastam para depois o encarar com as situações. O “espera aí que depois resolvo”, pode ser uma defesa para as arrelias. Um pé no travão das coisas incómodas, daquelas que, quanto mais tarde melhor, mesmo que não as elimine dá espaço para mudar de rumo.
Essa frase do “há tempo”, faz tranquilizar até os que sabem que o assunto em mãos tem contornos de urgência. Com base na expressão de que o tempo cura tudo, o deixa andar acaba, por vezes, por dar razão a quem receia enfrentar situações complicadas. E a verdade é que, se não é a melhor solução o que o tempo acaba por proporcionar, pelo menos dá mais espaço para acalmar os espíritos daqueles que defrontam um incómodo.
Seja como for, o jogo do empurra, o espera aí um bocadinho, o quanto mais tarde melhor, tudo isso só pode ser considerado como uma manifestação de fraqueza. É deixar para depois o que pode ser feito logo. É manter uma preocupação pendente, é até ter medo do resultado do confronto com o problema.
Estou a escrever este texto e faço-me esquecido de que tenho marcado um encontro com um editor para apreciar os trabalhos que tenho arrecadados numa gaveta. Vou pensar melhor se devo correr esse incómodo. Se estou preparado para uma desilusão. Se não estarei a deitar achas para a fogueira das desilusões, se não poderei atacar a árvore das esperanças que constituem o veio da força para a manutenção das minhas produções.
Não digo nada. Quando arrumar os papéis que tenho sobre a mesa e sair do café logo vejo se os meus passos se encaminham para esse “juiz” da obra dos outros. Ainda não sei se não será mais um “logo veremos”.



ANO NOVO


“As ilusões pagam-se caras”, esta a frase que proferiu ontem Cavaco Silva no seu discurso do início do ano. E não é para me gabar, mas esta concordância que se pode verificar nas palavras do Presidente e naquilo que eu tenho andado aqui, neste blogue, a insistir, ao longo de vários textos que tenho deixado e podem ser confirmadas por quem se queira dar ao trabalho de ir ler o que consta em inúmeras críticas que se encontram gravadas neste “site”, esta coincidência de pontos de vista até tem graça.
De igual modo, sempre mostrei indignação pelo facto de José Sócrates e vários dos ministros do seu Governo, em lugar de falarem claro aos portugueses, pondo de parte gabarolices que são não só descabidas como não correspondem à verdade dos factos, na maioria dos casos, em vez dessa obrigação mostraram preferência por afirmar que tudo das suas acções constitui o melhor que pode ser feito e que quem não está de acordo com a política praticada só mostra um hábito português de se posicionar sempre no contra.
Por diversas vezes aqui deixei bem claro que, face às dificuldades que atravessa o mundo e que, no nosso caso, são bem sentidas pelos portugueses, o que Sócrates e os seus seguidores deviam fazer era usar da sinceridade e dizer aos cidadãos que a situação é excessivamente difícil e que tudo que seja fazer papel de ricos, com investimentos anunciados que todos sabemos que não vão poder ser suportados.
Toda esse deslumbramento com as novas auto-estradas, com a anunciada nova ponte sobre o Tejo, com a construção do aeroporto que vai servir a capital, com a novas vias ultra rápidas ferroviárias, tudo isso obviamente necessário num futuro, ser referido nesta altura é uma coisa, mas andar a arrotar milhares de milhões que sabemos todos muito bem que não os temos e que, mesmo recorrendo a empréstimos exteriores, é uma hipoteca que deixamos de herança aos nossos vindouros, proceder dessa maneira como se tornou um hábito vincado do actual Governo português, é impingir uma ilusão que, ainda que fiquem a meio parte das obras que se anunciam, vão deixar o nosso País atolado num lodo de dívidas que terão as consequências horrorosas que quem cá estiver na altura – e já não vão ser estes – terão de enfrentar. Isto, digo-o com tristeza mas sem receio de ser acusado de pessimista doentio.
Quem persistir enrolado na ilusão de que o caminho que seguimos é o correcto, que não tem importância que gastemos mais do que aquilo que necessitamos, de que não temos de nos preocupar com a produção nacional e a colocação dos produtos nos mercados exteriores – afinal, esse ICEP, que custa tanto dinheiro, o que é que anda a fazer? –, os que não se preocupam com a dificuldades por que estão a passar as pequenas e médias empresas, as que ainda podem prestar algum auxílio aos desempregados, todos esses, em que está incluído todo o Executivo e os seus responsáveis principais, na História que virá a ser escrita ali ficarão a ocupar um espaço vergonhoso.
Gostemos ou não, mas Cavaco Silva não se pode, nem deve, calar. E mandem às malvas os que temem o confronto entre os dois poderes principais da nossa Democracia.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

GREEN PEACE

Olhar o mundo com amor,
tentar descobrir nele
o que nele é belo ou deveria ser
se não houvesse quem
o destruísse;
arreganhar-se perante os homens,
os que são poluidores,
os que não conservam
e só estragam;
usar todos os meios,
legais e ilegais,
para chamar a atenção,
para dizer à humanidade que,
se continuarmos assim,
é o futuro que está em perigo,
que será negro,
que a Terra não aguenta
tanta malvadez;
gritar bem alto
que a água,
essa preciosidade,
não se pode desperdiçar,
que um dia acaba
como vão ter fim outras matérias,
hoje indispensáveis;
recomendar o reciclável,
aproveitar o imprestável
ou o que parece ser;
utilizar bem o ar,
o vento,
a chuva,
o mar,
o sol,
para substituir o petróleo,
esse maldito
que um dia finirá
deixando de ser
o suporte do luxo,
do ostentassismo,
da opulência,
do agressivamente imoral,
do escabroso,
aquilo que os vários emires
de todas as arábias,
sejam elas muçulmanas
ou de outra cor religiosa,
quase todos repelentes,
ditadores de países
com gente de vida miserável;
os que se preocupam com este previsível futuro,
tenham lá o nome que tiverem,
os que se revoltam
mas apenas na comodidade do sofá,
não podem ser comparados
com os que vão à luta,
arriscando mesmo a vida,
porque os poderes instituídos,
os que podem e devem fazer alguma coisa,
os políticos,
não dizem mas pensam
que o futuro pertence a quem estiver no comando
quando ele chegar,
nessa altura,
mais tarde;
todos esses homens que hoje,
os chamados de boa-vontade,
sejam religiosos ou ateus,
mas não sendo indiferentes,
tais valentes,
lutadores por uma causa,
difícil e sem dar lucros monetários,
mas que acreditam não estar ainda
tudo perdido ,
têm um nome e um modelo.
Chamam-se Green Peace.
Sei que vale a pena a sua luta
o que não sei
é se conseguem ir a tempo
de salvar o que resta
e que ainda não foi destruído,
consumido,
desaproveitado.
Mesmo com dúvidas
vale a pena a luta,
alguns animais perseguidos
ainda conseguirão salvar-se:
as baleias,
os bichos polares,
tantas aves que já são hoje raras,
as feras que ainda resistem
e que não estão nos circos ou nos
jardins zoológicos,
tudo isso,
que é o que mexe,
chegará a alguns vindouros,
mas cada vez menos.
Os luxos dos casacos de peles,
das pérolas,
das penas exóticas,
de tudo que alimenta a vaidade,
que é o prazer dos inconscientes,
esse exibicionismo
pagar-se-á caro,
muito caro,
quando o ser humano
sentir na carne
aquilo que os seus antepassados
fizeram
ou não fizeram,
os crimes da não conservação
e do desperdício.
Nessa altura será tarde
tarde demais
para louvar todos os Green Peace
que existiram.
Mesmo que em vão!