sábado, 13 de dezembro de 2008

PRESENTES



Por mais difíceis que sejam os dias que atravessamos, mesmo neste época natalícia em que, de uma forma habitual, se deitam para trás das costas as coisas tristes – isso quem o consegue -, também os membros do Governo, por convicção ou por subordinação, costumam oferecer ao seu Chefe uma prendinha de Natal e, este ano, parece que não fazem excepção a essa regra.
Normalmente, diz uma publicação semanal que dedicou uma página a esse tema, reúne-se o Executivo num almoço de Natal, onde há troca de presentes, e em que, por concordância de todos, é entregue uma prenda a José Sócrates. Não se sabe se a recíproca se vai verificar, podendo acontecer que sejam todos corridos a Magalhães, que é o presente deste período da predilecção do primeiro-Ministro. Para fazer um pouco de graça triste que já se está a tornar fastidiosa, eu acrescento que, provavelmente, o ministro Mário Lino não concordará com os seus parceiros na escolha da oferta e gritará a sua frase predilecta: Jamais!
Deixando de lado as gracinhas de mau gosto, lembro que José Sócrates já teve uma prenda antecipada que foi o assalto de que o seu filho mais novo foi vítima, ameaçado por quatro indivíduos de idades entre os 16 e os 20 anos, portadores de facas, tendo-lhe roubado um telemóvel. Estas coisas não acontecem apenas aos cidadãos comuns e é até bom que batam à porta de figuras de nomeada, sobretudo governantes e especialmente ao chefe do Governo, para que estes se dêem conta de que o nosso País não está, nem de perto nem de longe, seguro e que as coisas não andam tão cor de rosa como as afirmações frequentes de Sócrates querem fazer crer.
Daqui e ainda com uns dias de distância da Noite de Natal, envio, ao conjunto de membros do Governo que se encontram em actividade, os desejos de todo o período natalício, mas não só este como também e sobretudo ao que se segue e até às eleições do próximo ano, com uma actuação com as cabeças bem colocadas sobre os ombros, fazendo todos os esforços para que aquilo que dependa deles não se filie em teimosias de que são os melhores, de que tudo que fazem é bem feito, antes aceitando que são humanos, que também erram e dando a mão à palmatória cada vez que seja necessário para acalmar os ânimos e fazer justiça.
Não sei se será ter demasiadas esperanças.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

QUE VEJO?

Olho e vejo
mas que vejo?
aquilo que não me agrada
fecho os olhos
p’a não ver
mas ficou-me na memória
aquilo que não quero crer
que existe
e que persiste
em não sair da lembrança
insiste em ficar comigo
parece ser a lembrança
parece ser a vingança
de algo que então gostei
e que até mesmo amei
mas que pertence ao passado
a caso ultrapassado
que não é já tema d’hoje

Não quero ver nem olhar
e muito menos pensar
naquilo que em tempos foi
e que hoje ainda dói
assunto que já passou
desandou
não quero tê-lo na mente
mas surge-me de repente

E que vou fazer agora?
Sem tempo para demora
o que o destino me traz
e que de mim pouco faz
pois de todo enganou-me
e num golpe embrulhou-me
obrigando-me a ceder
e a nada poder fazer
contra o que em anos passados
seriam amores olvidados
que afinal renasceram?

Enganei-me: não morreram

QUEM SOU EU?

Quem sou eu?
Quem julgo que sou?
E sou o que julgo?
Quem gostaria de ser?
Será que gosto do que fui?
Ou preferia não ter sido?
Entre o que fui e o que sou há muita diferença?
Vai-se alterar algo quanto ao que serei?
Ou já não tenho tempo para ser outra coisa?
Mas se eu não sei quem sou
Se não faço julgamento daquilo que sou
E se não me apetece já passar a ser diferente
E se também já não tenho tempo para mudar
Se não sei se gosto de ter sido o que fui
Se não sei o que mudar o quê e para quê
Também, se não sei o que ando cá a fazer
Se alguém ganha alguma coisa com o que faço
Se não sei nada
Se não obtenho resposta às minhas dúvidas
Eu, que não sei nada
E também não sei se vale a pena saber
O que fui, o que sou e o que serei
Aqui estou
Eu que me declaro ignorante
E que partirei nessa total ignorância

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Por mais estranho que isso pareça, de vez em quando sinto saudades do que não tive. Especialmente em menino.
Lembro-me que, em pequeno e mesmo até ao começo da adolescência, a minha maior ambição era ter uma bicicleta. Via os outros, rapazes e raparigas da minha idade, a usufruírem do prazer de se movimentarem sobre duas rodas e eu, se algum deles, com certa relutância, me deixava dar uma volta, essa oportunidade representava o deleite dos deleites. E até foi assim, nessas breves ocasiões, que lá consegui começar a equilibrar-me e depois a aguentar-me no selim. Ficou tudo por aí. Nunca fui mais longe.
Pois é essa sensação que eu relembro, especialmente quando passa na rua algum fulano de bicicleta. O que é raro! Hoje, esse meio de transporte só é utilizado para dar uns passeios no campo e o instrumento é mesmo levado nas traseiras dos automóveis até à altura em que vai ser usado.
Mas, ao mesmo tempo que sinto as tais saudades do veículo que nunca tive e das sensações da busca pelo equilíbrio – houve uma vez que esfolei os joelhos numa queda -, também vem ao de cima uma certa raiva por não ter sido beneficiado como os outros companheiros da altura. Se bem que, nesse então, já entendesse o que eram as diferenças sociais, o que era ter e não ter poder de compra, não deixava de sentir enorme angústia por me caber a mim o papel do menos favorecido. E é esse aperto no coração que me chega quando se arrimam as ditas saudades.
Hoje, como é natural, não me faz a menor confusão o fenómeno. Ter saudades do que nunca aconteceu é mais doloroso do que recordar um passado que sim, que existiu. É o que me acontece também, quando me vem à cabeça a casinha no Alentejo que, a partir de certa altura, passou a ser o meu sonho, pois seria onde desenvolveria lá os meus escritos, debaixo do chaparro no quintal, em vez de estar aqui neste café em Lisboa.
Que saudades do que nunca foi meu!


NATAL


A data chega, infalível
cada ano, sem faltar
com festejos, consumível
dizem ser tempo de amar
sem ser com amor carnal
distribuir amizade
pelo menos no Natal
porque s’afasta a maldade
como manda o calendário
25 de Dezembro
como se fosse um notário
se tu t’esqueces eu lembro
boas-festas p’ro vizinho
seja amigo ou nem isso
há que parecer bonzinho
para depois dar sumiço.
Antes da data festiva
às compras se tem de ir
gastar pouco é missiva
faz falta é iludir.

Mas se no dia seguinte
for preciso fazer mal
com o máximo requinte
já se esquece o ideal
isto de ser comandado
pela folha da agenda
cumprindo sempre o feriado
como sendo uma encomenda
é caso p’ra perguntar
s’aquilo que está marcado
é que tem de se levar
até estar realizado

Cumpramos o estabelecido
façamo-lo tal e qual
será ele parecido
com todo e qualquer Natal

TRISTE NATAL




Fiz hoje esse exercício. Pus-me a percorrer vários ponto de Lisboa, aqueles que maior número de pequenas lojas de todas as espécies de produtos mostram estar em pleno exercício das suas funções, especialmente nesta época pré-natalícia. Andei pela Baixa, desloquei-me até à zona de Benfica, andei pelo bairro de Alcântara e, obviamente, não podia deixar de passar por Campo de Ourique, que tem fama e proveito de ser um local onde existe uma larga gama de estabelecimentos que representam tanto as marcas de primeira linha como se tratam de lojas que são caracterizadas pelos seu conteúdo popular.
Pois então, fiz esse exercício e fiquei identificado com o que se passa neste período que, normalmente, representa o maior desenvolvimento de negócio de todo o ano. Confirmei aquilo que me parecia inevitável: as lojas vazias de freguesia, com os empregados encostados aos balcões, tristemente à espera que desejados compradores surgissem para fazer funcionarem a caixa, pouco que fosse, mas que animasse um pouco o ambiente.
De facto, não se trata de uma crise teórica, de números e de percentagens que surgem nos noticiários, de hipotéticas reduções nos gastos dos portugueses. Natal como este nunca tinha vista de tal maneira, pois apenas os grandes centros comerciais, que também foram objecto da minha apreciação, deram mostras de certo movimento, muito embora me tivesse ficado a impressão de que uma boa parte dos frequentadores se tivesse ali deslocado apenas com o propósito de analisar o movimento e de tomar conta dos preços de uma ou outra coisa que, eventualmente, ainda coubesse no parco orçamento.
Enfim, triste panorama se observa neste Portugal de que Lisboa dá uma amostra. Depois de um período pós-revolucionário e que durou ainda bastante tempo, tendo-se arrastado até há relativamente poucos anos, especialmente também devido às ajudas que, anualmente, a Europa prestou ao nosso País – muito embora se tenham escapulido milhões para mãos que não se sabe bem a quem pertencem -, após esse período em que os portugueses andaram com a sensação de que estavam todos ricos, gastando-se à tripa forra em muita coisa que bem poderia esperar por uma época mais segura, quase de repente surgiu a tão amaldiçoada crise, em que os bancos, por culpa dos seus responsáveis, não souberam usar a cabeça inebriada pelos vastíssimos lucros que estavam a obter à custa de juros de empréstimos selvagens, de repente, como que na queda de um raio, todos nós constatamos que os bolsos estvam vazios e, pior do que isso, que não sabemos como ir buscar recursos para ultrapassar tanta maldição.
Ontem, neste local, referi-me a Medina Carreira e aos seus prognósticos. Começo a pensar que o economista e antigo ministro não anda muito longe da verdade. O último a sair que apague a luz!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

DESCALABRO



Estive a ouvir ontem, na TV, o que pensa este sabedor sobre a situação actual do mundo e, em particular, do nosso País, e confesso que, não me tendo eu como um pessimista inveterado, não deixei de dar uma certa razão ao que o economista deixou dito na entrevista que concedeu. De facto, o antigo ministro que foi de um outro governo, Medina Carreira de seu nome, tendo demonstrado claramente que não é um aplaudidor do Executivo de Sócrates, apesar disso foi bastante esclarecedor quanto aos problemas que temos pela frente.
É óbvio que não é um caminho a seguir pensar que nada daquilo a que chegámos tem já qualquer remédio. Ficarmos agarrados ao desconsolo, por muito daquilo que tem sido feito desde há já bastantes anos – e não só durante este Governo – só sirva para nos lastimarmos, mesmo assim, os que têm ainda idade para dar tudo de si para tentar conseguir alterar a direcção de caos em que estamos, esses têm o dever, direi mesmo a obrigação, de arregaçar as mangas e de produzir o máximo que cada um puder dar na actividade que está a desenvolver… caso não esteja desempregado.
Deixou dito Medina Carreira que a dívida externa de Portugal é de cerca de 500 mil milhões de euros e que não se sabe como este montante vai ser liquidado. Acrescentou ainda o mesmo economista que estamos como um barco sem leme e que, por este caminho “vamos para o fundo”.
Mas não foi só nesta área que a crítica saiu da boca do antigo governante. Acrescentou que “ninguém importante é criminalizado em Portugal” e chamou a atenção para o que está a correr na Grécia, com toda aquela barafunda que a juventude grega está a provocar, ao ponto de não se poder andar já nas ruas de Atenas, com tudo destruído.
Repito estas afirmações de um homem que não pode ser considerado como um absoluto ignorante, não porque eu tenha chegado a este ponto de incredulidade no futuro como o demonstrou o entrevistado, mas porque estou farto das criancices socratianas, do menino que está sempre à espera do Pai Natal com as prendas, que vai a todas as inaugurações com uma enorme comitiva atrás, tal qual sucedia no tempo salazarista, como se verificou há dias com a primeira pedra na auto-estrada que vai ser construída (irá?) em Trás-os-Montes, quando o que se esperava de um primeiro-Ministro era que falasse de frente com a população, não lhe retirando a esperança, claro, mas também sem impingir contos cor de rosa em que ninguém já acredita.
Falta a esse responsável governativa que tenha a seu lado alguém com bom senso, que o aconselhe a não continuar com aquele tom monocórdico e falso, que não vende votos de quem deles tanto precisa. Embora não se descortine nas oposições ninguém com capacidade para liderar um Executivo depois do actual, mesmo assim não se pode perder terreno desta maneira tão primitiva. Se ninguém tem coragem para lhe dizer isto, eu, que não estou à espera de favores, aqui deixo expresso o que penso. É o que posso fazer quanto a dar algum contributo , por pouco que seja, para que tudo isto não cai do descalabro.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Quantas vezes sou assaltado pelo desejo de expressar toda a minha revolta quanto ao que considero estarem a ser cometidos erros pelos Homens.
Mas, para além de não me sentir dono absoluto da verdade, será que o mundo ganha alguma coisa pelo facto de dizermos aos outros aquilo que se pensa?
E, se ficarmos calados, por aí verificar-se-á algum benefício?

ESPELHO MEU

Olho para ti e não vejo nada
és um vidro baço
frio como aço
não reflectes o que quero ver
nem és para mim aquela fada
que me possa fazer crer
que eu não sou eu
mas outro, diferente,
muito melhor, excelente,
digno de um Orfeu
pintado a aguarela
em enorme tela

Oh espelho meu
Que queres dizer com isso,
Com essa indiferença ?
Que esperanças tenho eu
de despertar teu feitiço
e de manter certa crença ?

Mas se o que não vejo em ti
É qualquer sinal de esperança
Se não me animas
Se não me mimas
É porque o génio não sorri
a bem-aventurança
anda lá por longe
e não podes assegurar-me
mais que ser um monge
sem ninguém para consolar-me

Mesmo assim agradeço
que me não dês ilusões
de ter algum sucesso
de seguir mesmo de longe as pegadas de Camões
hei-de conformar-me um dia
farei tudo, ainda que sem garra
sair da apatia
esperar que algo me varra
isso, espelho meu
imagem de má sorte
quem com tanto esforço deu
só acabará com a morte.

INJUSTIÇAS



Tem-se esperado, esperado, pacientemente aguardado que chegue ao fim o julgamento, que se prolonga indefinidamente, do ultra-conhecido caso Casa Pia. E todos os dias as notícias apontam para mais um prolongamento, para mais uma demora por isto ou por aquilo. O procurador do Ministério Público, João Aibéo, a quem tem cabido a tarefa de apurar as acusações contra os arguidos conhecidos, talvez para efectuar um trabalho limpo – digo eu – não se tem despachado e, com tudo isto, aponta-se o caso de uma das vítimas de pedofilia, agora com 21 anos, tinha 14 quando apresentou queixa por ter sido abusado sexualmente. Como passam os anos!
Agora surgiu uma declaração, subscrita por Carlos Crus, lembrando que o julgamento ainda não acabou, pois há que esperar pela defesa e depois pela sentença… Sentemo-nos, pois, todos, porque a coisa está para durar mais uma temporada. E ainda dizem que a Justiça tarda, mas é justa! Como é possível que com estas tardanças de anos, haja justiça que seja eficaz?
Mudemos, pois, de assunto e passemos a coisas mais folclóricas. Essa de 35 deputados do PSD terem ido ao Hemiciclo só para assinar o ponto e nem sequer terem despido os sobretudos, pois saíram pela mesma porta por onde entraram, o que permitiu que uma votação não tivesse contado com a presença do número suficiente para representar uma maioria autêntica – ganhando com isso o PS -, essa aldrabice, praticada por representantes da população no Parlamento, só aumenta a já tão grande fama de inúteis que os portugueses lhes atribuem, ainda por cima não podendo ser apontada com nomes, pois, devido às obras que ali se realizam, há também excessivo tempo, o sistema electrónico de votação não está a funcionar.
Enfim, estas situações que só podem verificar-se em Portugal – somos perseguidos pelo azar, e isso desde a fundação da nacionalidade -, são como as pensões que surgiram agora a lume no Diário da República e em que se ficou a saber que um almirante recebe como reforma 5.068 euros, ao mesmo tempo que um ex-inspector dos CTT e um ex-presidente dos TLP auferem, cada um, 8.157 euros por mês. A lista de privilegiados com reformas vultosas atinge milhares de ex-funcionários superiores, sendo que as aposentações representam uma redução de funcionários do Estado.
Muito bem, por um lado, mas as enormes diferenças que se verificam nos valores que cabem a cada reformado no nosso País, ou seja, uns com verbas que lhes dão para fazerem uma vida regalada e outros que mal têm para comer todos os dias, isso não pode deixar de provocar revolta nos nossos ânimos.
E não me venham dizer que “cá se fazem e cá se pagam”…

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

ESFARRAPADO

Muito calado
menino esfarrapado
que passas na minha rua
que não é a tua.
Não brincas, não ris,
infeliz,
eis a sombra
que assombra
a tristeza,
a pobreza.
Eis o retrato deste mundo egoísta,
capitalista,
que olha só para o seu umbigo,
que não se importa contigo
e fica contente com o que vê
porque só em si mesmo crê.
O mundo,
profundo,
está para lá
nem conta se dá
das tristezas,
das vilezas,
de que o Homem é capaz

Pobre rapaz, sem paz,
vais crescer assim,
enfim,
que dó,
só,
desamparado,
amargurado,
e olhas em redor,
com dor
revoltas-te
e perguntas-te
como qualquer ateu:
Porquê eu ?

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Por muito que se teime no princípio de que o Homem é imutável, que se mantém igual desde que tem o carácter formado e vai percorrendo toda a sua existência até ao último dia sem alterações desse mesmo carácter, essa afirmação não tem base sustentável. No que diz respeito à generalidade dos seres humanos são as alegrias e as tristezas que provocam mutações na sua forma de ser original. Umas e outras actuam como bálsamo ou veneno.
Ninguém se cria a si próprio. Todos aparecemos feitos. Por dentro e por fora. O interesse pelo saber e o desenvolvimento da cultura cria, na verdade, camadas de tecido que se cola à forma original. O que está por baixo vem do começo, embora possa ser disfarçado, com o andar dos anos, devido às carapaças que se vão sobrepondo.
Ora, são essas roupagens suplementares que vão mudando as formas de ser do Homem e tais acréscimos tanto podem resultar do que a vida ensina como dos que se obtém com a leitura e, em grande escala, de um factor que não obedece à vontade própria: a sorte.
O sair a lotaria, por exemplo, a quem atravessa a vida lutando com dificuldades tem, forçosamente, que provocar alguma alteração comportamental no indivíduo bafejado por essa dita. Não tem de ser sempre para uma melhoria do chamado feitio. Pode até ocorrer o contrário mas, seja como for, o que é certo é que se verifica uma mudança. Já a inversa, o perder uma fortuna repentinamente, passando a ter fome quem antes vivia na abastança, tal situação ocasiona, de uma forma, maior aceitação por parte dos atingidos. Aí, não foi a sorte que interferiu, foi a falta dela. Ou de outra coisa, como aquela que se chama de má cabeça.
Seja como for, o ser humano vai-se modificando com o andar dos anos. Vai refinando os maus sentimentos existentes de origem, aguça a malandragem que transporta no seu íntimo, fica pior do que era. Raramente se mantém igual a antes. Mas o contrário, o passar de ruim a boa pessoa, como se chama vulgarmente, ser tratável quem anteriormente ninguém suportava, perder o azedume habitual de outros momentos, diminuir o envinagramento, tudo isso não é tão vulgar. Mas também acontece.
Há excepções? Pois há. Qualquer regra não tem obrigatoriamente que ser cumprida pela generalidade das pessoas. O disfarce é uma grande defesa do Homem.
Para tentar mostrar aquilo que não é. Para não se desnudar perante o mundo. São as subtilezas do ser humano.


SANTANA E MARCELO




Já estava a tardar o confronto de Santana Lopes em relação a Marcelo Rebelo de Sousa. Duas pessoas que se têm como sabedoras dos mais variados temas, têm de ser forçosamente antagónicas nas opiniões e não poderão suportar-se para além dos sorrisos públicos que mostram quando se encontram. Mais a mais, pertencendo ambos ao mesmo partido e, ainda por cima, tendo ocupado lugares cimeiros no PSD e um deles, por sinal, chegou a primeiro-Ministro, ainda que de passagem, é óbvio que o aplauso entre eles não poderia ser uma posição que se pudesse classificar de espontânea. A política é assim e se, fora dela, os homens não apreciam muito ter competidores por perto, na área das posições que têm mais mediatismo, como é o caso, uns e outros só desejam que o infortúnio bata à porta do adversário-companheiro. Isto digo eu, com o perdão se não estou a ser muito simpático para os focados.
Não terá começado o diferendo nesse particular da falta de deputados sociais-democratas numa votação que beneficiou o PS, tal tema mereceu de Santana Lopes uma pergunta sobre quantos deputados faltaram no tempo em que Marcelo foi presidente do partido. Para além das críticas que fez ao comentador da RTP, tendo afirmado que ele “não diz coisa com coisa”.
Seja como for, o que importa, mais do que tudo, é sublinhar o facto dos deputados à Assembleia da República – e os nomes não são divulgados, o que é um erro de quem pretenda impor a ordem naquela Casa que tem de ser de honorabilidade – faltarem constantemente às suas obrigações de estarem presentes no Hemiciclo, sobretudo quando assinam o livro e, logo de seguida, saiam pela porta mais próxima, sobretudo se a sessão tem lugar nas sextas-feiras ou em vésperas de um feriado. E não venham cá com desculpas de que eles também têm que fazer nos gabinetes, que essas situações podem muito ser executadas fora das horas das votações!
Se vivêssemos num País em que a vergonha fosse uma das qualidades de todos nós, os de cima, os do meio e os do fim - porque essas posições existem, quer queiramos ou não - , todos sem excepção, é evidente que quem quisesse praticar falhas no seu comportamento antes de dar tal passo pensaria duas vezes. Isto a todos os níveis, mas sobretudo nas áreas dos que têm mais responsabilidade sobre as costas.
Mas Portugal é um “paraíso”. Compensa frequentemente não seguir rigorosamente as regras. Há sempre fugas, desculpas, perdões, silêncios. E se não é assim, esperemos pelo derradeiro dia do folhetim Casa Pia, para ver quem tem castigo ou quem se fica a rir e até pode vir a ser aplaudido na praça pública, como já se viu acontecer em pleno Coliseu do Recreio, com a assistência de pé.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

ESPANTO

Esta vida é um espanto
este mundo bem espanta
o humano desencanta
seja por nada ou por tanto

Há quem abafe com manto
a dor que sai da garganta
mas não há é quem garanta
que o mundo muda em encanto

Quem acredita entretanto
que ter fé algo adianta
anda perto de ser santo

Porque isto não tem planta
nenhuma em qualquer canto
caiu e não se levanta

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Por muito que se tenha vivido e por bastante menos que nos falte para concluir o capítulo da vida, sempre se mantém a perspectiva do amanhã. Seja para dar seguimento a uma tarefa inconcluida, seja por haver esperança de que depois é mais oportuno terminá-la. O agora nem sempre apetece. O já é normalmente incómodo. Fazer de seguida cansa, muito embora possa resolver logo a questão pendente. Encarar na altura um problema pode não dar ocasião a meditar com tranquilidade. Sobre ele e quanto à melhor solução.
O logo se vê é a posição que tomam os que arrastam para depois o encarar com as situações. O “espera aí que depois resolvo”, pode ser uma defesa para as arrelias. Um pé no travão das coisas incómodas, daquelas que, quanto mais tarde melhor, mesmo que não as elimine dá espaço para mudar de rumo.
Essa frase do “há tempo”, faz tranquilizar até os que sabem que o assunto em mãos tem contornos de urgência. Com base na expressão de que o tempo cura tudo, o deixa andar acaba, por vezes, por dar razão a quem receia enfrentar situações complicadas. E a verdade é que, se não é a melhor solução o que o tempo acaba por proporcionar, pelo menos dá mais espaço para acalmar os espíritos daqueles que defrontam um incómodo.
Seja como for, o jogo do empurra, o espera aí um bocadinho, o quanto mais tarde melhor, tudo isso só pode ser considerado como uma manifestação de fraqueza. É deixar para depois o que pode ser feito logo. É manter uma preocupação pendente, é até ter medo do resultado do confronto com o problema.
Estou a escrever este texto e faço-me esquecido de que tenho marcado um encontro com um editor para apreciar os trabalhos que tenho arrecadados numa gaveta. Vou pensar melhor se devo correr esse incómodo. Se estou preparado para uma desilusão. Se não estarei a deitar achas para a fogueira das desilusões, se não poderei atacar a árvore das esperanças que constituem o veio da força para a manutenção das minhas produções.
Não digo nada. Quando arrumar os papéis que tenho sobre a mesa e sair do café logo vejo se os meus passos se encaminham para esse “juiz” da obra dos outros. Ainda não sei se não será mais um “logo veremos”.



O ELEFANTE



Com isto dos feriados sucessivos, já nem se percebe se os cidadãos cá do burgo aproveitam para ficar em casa, não gastando dinheiro com as tentações das compras e, sobretudo, poupando gasolina que, apesar de ter baixado o preço, já serviu o seu exagerado custo que atingiu em Portugal, para alertar os automobilistas no que respeita a esse dispêndio que constitui um dos aforros que podem ser feitos quando a recessão atingiu posição tão pesada no nosso dia-a-dia.
A todos toca o cuidado com os gastos e, no meu caso, não podia fugir à regra geral, temendo que tantas restrições acabem por chegar a cortes nas reformas, o que a darem-se, será realmente um autêntico descalabro na vida dos portugueses.
As minhas primeiras economias fixaram-se naquilo que já ouvi chamar de “pasto literário”: livros e publicações. Quanto a jornais, sendo antes um glutão pela informação diária, passei a reduzir uma vasta área de títulos, contentando-me agora apenas com dois diários. E preparo-me para me fixar num só. No que respeita a literatura, como também já não tenho espaço na biblioteca para arrumar bem ordenados os milhares de volumes que tenho reunido desde que me conheço, quando passo pelas livrarias, de que sou um rato sempre que me ponho perante as estantes comerciais, faço o possível para nem olhar para as montras e muito menos me dá para entrar, porque a tentação é superior ao poder de compra.
Porém, mesmo assim, um dia destes, por sinal em Torres Novas onde fui e havia uma feira sem pretensões de livros, não pude deixar de deitar a mão ao último de José Saramago, “A Viagem do Elefante” e juntei-o aos 14 que tenho na fila para apreciar as obras. Porém, passei-o à frente e pus-me a fazer o exercício, que fiz de igual modo, com todos os anteriores títulos do Prémio Nobel, e tenho aproveitado estes dias de feriados para, com a lentidão a que obriga a ingestão da literatura saramaguenha, sorver palavra a palavra de um romance que, tenho de opinar, está bem construido e obrigou o autor a actualizar-se em relação a termos e circunstâncias que só surgem após algum estudo e muita imaginação. Não nos fixando nas ausências de pontuações, e sendo o leitor a interpretar se uma frase representa uma pergunta ou é uma resposta, tirando isso e há quem afirme que é um estilo, o livro lê-se e, de certa maneira, admira-se. Mas tenho de percorrê-lo outra vez, lá mais para diante, para poder formar uma opinião mais aprofundada, pois não gosto de expressar o que penso sem ter a certeza, relativa já se vê, no que respeita à matéria a que me refiro.
Seja como for, a editora Caminho tem usufruído bons proventos com o escritor que patrocina. E como a empresa editorial foi vendida a um capitalista desta praça, seguramente que valorizou bastante o seu património por força de contar com um Saramago como editado exclusivo. Ou será que Saramago, que odeia os portadores de fortunas, não prossegue com a mesma editora por este facto? Tinha graça!

domingo, 7 de dezembro de 2008

DESMISTIFICAÇÃO

Não quero que quem me observa
Acabe com má ideia
Que a poesia conserva
De tristeza uma mão cheia

Não senhor, não é verdade
Que o pessimismo impere
E que se incuta a vontade
De só ver o mal que fere

Alguma angústia, é certo
Invade a poesia
Nem de longe, nem de perto
Constitui a maioria

Cá por mim posso falar
Faço esforço quando escrevo
Ficarei no limiar
Da desgraça e do enlevo

Por vezes me escapa a mão
P’ra lágrima e suspiro
Se é assim peço perdão
Tudo que disse retiro

No fundo há sempre fé
Que o amanhã seja melhor
A vida é o que é
Antes assim que pior

Afinal o que é verdade
É que os poemas chorados
Dão mais ar de piedade
Levam mais longe os recados

Ao reler o que está escrito
O triste encontro mais
Pois perdura no que é dito
E lido em jogos florais

Quero que fique bem claro
Não sendo um contentinho
Também não sou tão amaro
Com a mente em desalinho

Basta de falar de mim
O que importa é o mundo
Com seu princípio e fim
E coisas belas em fundo


DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Aqui fico, pois, agarrado à caneta.
E olho para o que sai do bico da esferográfica.
E não permaneço tão desencantado como foi o que sucedeu quando passei os olhos pelas páginas que fui enchendo tempos atrás.
Será que estou a melhorar?
Ou são os meus olhos que mudaram?
É preferível que regresse à poesia?
Ou também essa tem de ficar encafuada no baú, à espera de melhores dias?
Não consigo responder a mim próprio.
A dúvida persiste.

E PAGAR E NÃO BUFAR!



Há tantos assuntos a referir, no que respeita ao que ocorre neste cantinho europeu aqui colocado na ponta oeste da Europa, existe tanta matéria a merecer crítica e alguma a ser devedora de louvores – mas também há -, que, no meu blogue, por ser domingo, com um tempo que só dá para nos colocarmos perto de um calorzinho que consigamos em nossa casa, não apetece demasiado entrarmos a matar, como por vezes faço.
Hoje fico-me pela referência de que o Governo resolveu levar avante a decisão já anunciada há tempos, tendo sido objecto de críticas por parte das Oposições na Assembleia da República, mas que, apesar disso, conseguiu fazer passar a Lei, e que se trata da obrigação das empresas de saldarem o pagamento do IRC até 15 de Dezembro, ou seja já nos próximos dias, e caso os devedores não cumpram este prazo, no dia seguinte começam logo a contar-se os juros compensatórios.
É assim. O Estado, o tal pior pagador do nosso País, no que diz respeito aos que lhe devem não está com medidas mansas. É assim e já está!
Claro que efectuar a liquidação de impostos, sejam eles quais foram, às Finanças, é uma obrigação dos contribuintes. Mas, sendo isto uma verdade, não pode ser menos autentico que é de cima que devem vir os exemplos e, por isso, cada vez que do sector estatal se verifique uma má actuação, os cidadãos, singulares ou colectivos, que se encontrem prejudicados por esse facto, poderiam e deveriam ter meios fáceis para exigir a recompensa dos que se mostram tão intransigentes com o Zé povinho.
Não digo mais nada hoje. Encontro-me numa fase de transigência em relação a essa gentinha que, gozando de tantas benesses políticas, nem merece que se lhes dê uma pausa em época natalícia. Mas eu também preciso de algum descanso!...

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Não sei se tenho sido aquilo que gostaria de ser.
E esta dúvida angustia-me. Preocupa-me. Magoa-me.
Porque o êxito, o total, o completo, isso nunca soube onde residia. Não passou sequer perto de mim.
Seguramente por não ter conseguido ser o que queria ser.

sábado, 6 de dezembro de 2008

OUVE BEM!

Ouve bem, por favor, o que te digo
Não tapes os ouvidos quando falo
Talvez não seja sempre um livro aberto
Mas, por certo,
Não é só quando calo
Que podes aparecer ao postigo

As coisas que eu tenho p’ra dizer
Julgo eu, não são despiciendas
Algo terão de importância
São a ânsia
De fazer com que entendas
Até onde vai o meu querer

Mas se convencer-te eu não consigo
Se não é bastante o meu esforço
Fico-me por aqui e não avanço
Não alcanço
Também se não atinjo não me torso
Só pode ouvir-me quem é meu amigo

ELEGANTE?



Eu não me encontro no número daqueles que estão classificados para decobrir virtudes e defeitos nos outros. Tomara eu poder avaliar-me a mim próprio! Mas, quando vejo apreciações que são feitas a determinadas figuras, dando publicidade a essas conclusões a que chegam, por vezes até grupos de avaliadores, colocando figuras em diferentes lugares das escalas que atribuem, nessa altura apuro-me na análise para ver se concordo minimamente com as tabelas divulgadas.
Esta manifestação meio caída de qualquer sítio vem a propósito de quê? Pois, nem mais nem menos, do que ter surgido em diferentes publicações a notícia de que José Sócrates teria sido classificado, pelo jornal espanhol “El Mundo”, como o 6.º homem público mais elegante do mundo.
Pois, por muito que apreciações deste tipo estejam longe do meu poder de julgamento – ainda se fosse sobre a mulher que considero mais elegante ou mais linda -, não consigo encontrar no actual primeiro-ministro português dotes que mereçam poder considerá-lo como qualquer coisa no capítulo da elegância. Outros méritos terá e um deles poderá ser a capacidade de ter chegado ao lugar público que veio a ocupar há quatro anos. Mas não me adianto quanto a louvores na área da estética.
Teria sido importante se um jornal qualquer, esse espanhol ou outro que se prestasse a tentar conhecer outras valorizações no capítulo da capacidade de governar, de entre, pelo menos, os políticos actualmente no poder na Europa, mas quanto a isso não se vê o atrevimento jornalístico chegar tão longe. È tarefa demasiado pesada para quem tem a responsabilidade de dirigir um periódico e eu que o diga que já exerci essas funções e sei bem o que custa sobressair da rotina e pretender prestar um serviço à opinião pública. Paga-se sempre caro tal desfaçatez.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

DESGOSTO

Como gosto de pintar
De trazer à tela em branco
O dom que sinto no ar
E da alma o arranco

Como ter papel à frente
À espera que o preencha
Com versos que estão na mente
A pedir que eu lhes mexa

Mas a música saltitante
Essa sim bem gostaria
De fazer dela uma amante

Mas aí é que eu não pego
Nem marcha nem sinfonia
Com desgosto, não lhe chego

SOMOS O QUE SOMOS!...


Por mais que queira resistir à tentação de apontar quase exclusivamente os erros que se verificam nos vários pelouros administrativos oficiais que temos a comandar o País, abundam de tal maneira essas falhas que elas constituem o prato mais apetecido pare quem busca tema para encher o seu blogue diário. É o que vai suceder hoje, de novo.
Como estamos nesta época natalícia tida como festiva, ao ter sido referido agora o caso da reabilitação do cine/teatro Capitólio, não posso deixar em branco essa situação tão característica da moleza nacional e que é a manutenção por tempo indefinido do velho Parque Mayer, naquele estado em que se encontra e que, no período do Santana Lopes como responsável pelo Município lisboeta, permitiu que o dito fantasista e gastador dos dinheiros públicos se tivesse dado ao luxo de entregar o projecto a um arquitecto estrangeiro, que cobrou uma barbaridade pelo projecto (que até parece que era aceitável) mas que não passou de um amontoado de papeis que ficarem guardados numa gaveta. Pois, o actual presidente António Costa anunciou que tinha posto fim na “malapata” daquele espaço e apresentou um projecto, da autoria de arquitectos portugueses, cujo objectivo é reerguer o velho teatro, comprometendo-se a que o seu custo total seja de 10 milhões, pagos por contrapartida do jogo do Casino de Lisboa, começando a obra em 2009, ficando concluída… não se sabe muito bem quando… “o mais breve possível”.
Este tema vem sublinhar o escândalo (que digo eu, “escândalo”, quando isso é o que ocorre sempre que há uma obra em Portugal!) que constitui a construção da Casa da Música, no Porto, em que o custo total ficou pelo triplo do que estava previsto, ou seja, mais 78 milhões de euros e sofreu um atraso de quatro anos, em relação à data estabelecida para a sua abertura, tendo sido inaugurada um ano antes de estar pronta!
Tudo isso, afinal, não são mais do que “trocos” dentro do panorama nacional, de erros em datas, nos custos totais com obras e na execução de estudos antecipados defeituosos que provocam depois as surpresas no decorrer das construções, tamanhas calamidades já são tão corriqueiras que ninguém se admira por ver os estaleiros das obras, que se estejam a realizar, prolongarem-se por eternidades, como é o caso das construções dos Metros, sempre que fica resolvido prolongar vias ou alterar o que existe.
Também, quando é o próprio Estado a dever milhões de euros à Câmara Municipal de Lisboa, situação esta que se arrasta nos Tribunais há cerca de 20 anos, segundo um balanço feito no Município no tempo do presidente Abecassis (imagine-se!) e que se refere ainda a terrenos expropriados para construção no aeroporto de Lisboa e da ponte 25 de Abril, quando esta demora ocorre entre parceiros do Governo, mesmo quando se situam na mesma zona partidária, como é o caso actual, como é que podem existir esperanças de que seremos capazes de nos redimirmos dos erros que praticamos na nossa própria casa? Eu já desisti de ver melhores dias !...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

CHULARIAS

Eu não brinco às escondidas
com tudo sério nas vidas
enfrento bem de frente, até o tufão
por maior que seja o seu empurrão
por certo vários cá passaram
e que tristes marcas deixaram
mas ao apurar o saldo, que grande alegria
saber que eu nunca recebi alforria
e sempre recusei alpista
na minha profissão de jornalista
isso grande desconsolo
dos que pretendiam regalar-se com o bolo
das primazias e dos favores
dos louvores
das honrarias
que lhes dão as chularias
de quem sobe à custa dos demais
e que quer sempre mais e mais.
Mas comigo, não
Nunca fui mamão !

O SUPÉRFLUO E O IMPORTANTE



Já não bastava a confusão que paira no nosso País, especialmente com as greves e sobretudo com as que se relacionam com a Educação, para ter surgido agora o diferendo entre o Partido Socialista e o Presidente da República. Mais a mais tratando-se de um caso que mostra insensatez pela pouca importância (comparativamente com situações realmente graves que existem) do assunto, que não constitui, por um lado, a tão temida perda de poder por parte de Cavaco Silva e, por outro, a teimosia do Governo em querer que o PR oiça antecipadamente o Parlamento Regional e o Executivo antes de pretender dissolver o Parlamento açoriano.
Poderão existir razões de um lado e do outro, mas o bom senso mandaria que as duas partes evitassem fazer braços de ferro numa altura em que os portugueses andam tão preocupados com as dificuldades que surgem todos os dias e com as vergonhas que são dadas a conhecer constantemente sobre os casos mais recentes dos dois bancos que estão na berlinda.
De facto, ter vindo a público que o BPN e o BPP deram enormes lucros entre os anos de 2002 e 2007, tendo distribuído dividendos pelos seus accionistas no montante de 48,8 milhões de euros, quando surgem este ano a pedir ajuda do Estado, isto sim é matéria mais do que suficiente para absorver toda a atenção dos Poderes máximos portugueses, que não deviam perder tempo com quezílias sem importância fundamental para a Nação.
E já agora, vale a pena mencionar as remunerações dos órgãos sociais destes dois bancos. Isto para que se aprecie claramente como os grandes são protegidos na nossa Terra. Só no Banco Português dos Negócios, os quatro administradores executivos, incluindo o presidente, levaram para casa, em 2007, um salário de 1 milhão de euros. No Banco Português de Negócios, o mesmo pagamento cifrou-se em 2,8 milhões de euros no mesmo ano. E Oliveira e Costa, o presidente agora detido, recebia cerca de 500 mil contos por ano, a que acrescia uma pensão de 3 mil euros mensais, pagos pelo Banco de Portugal, onde trabalhou cerce de 30 anos.
Não é preciso acrescentar mais no meu blogue de hoje. Por aqui se pode ver como andam as coisas em Portugal, em que o importante pode esperar para ser resolvido e o supérfluo, esse é que dá dores de cabeça. Enfim, não temos mais remédio senão suportar isso que somos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

CORRUPÇÃO

O dinheiro comanda tanto o mundo
e os favores também muito se pedem
a vaidade é o que surge no fundo
e para tudo os custos não se medem

Para haver quem paga há quem receba
o preço depende da importância
da transacção que a gente conceba
e de um factor que se chama ganância

Quando é alguém que ganha do Estado
sendo o dinheiro da população
então o crime não é perdoado

Revolta por ser contra a Nação
não há desculpa para tal culpado
nem tem outro nome é corrupção

TRAFULHICES




Não podem restar dúvidas de que, sempre que um português é distinguido por qualquer efeito positivo a nível mundial, todos nós cá do País sentiremos uma satisfação, maior ou menor segundo o grau de aproximação do feito aos nossos gostos. Mas, indiferentes e muito menos contrários a tal prémio, é que não será normal que nos manifestemos.
Digo isto a propósito da tal Bola de Ouro 2008 que foi concedida ao futebolista Cristiano Ronaldo, rapaz que tem dado mostras da sua habilidade superior para a profissão desportiva que escolheu para a sua vida. Disto parece que haverá unanimidade de opiniões, mesmo que, por razões que cada um defenderá, para alguns seria diferente a escolha da atribuição do prémio, como é o caso do treinador português também muito conceituado, José Mourinho, que veio afirmar que a sua opinião na condiz com a da maioria.
Seja como for, o rapaz madeirense que acabou por ser distinguido é o terceiro do nosso futebol que mereceu tal distinção, ou seja, primeiro foi o Eusébio, depois Luís Figo e agora Cristiano Ronaldo.
O que talvez mereça certa observação é o facto do comportamento do premiado fora dos campos de futebol não se adaptar ao prestígio que atingiu na área futebolística. Tem-se mostrado excessivamente vaidoso, exageradamente mediático, até mesmo arrogante dado o excesso de dinheiro que tem conseguido, fruto do prestígio que alcançou. E, quanto a isso, muito embora os portugueses fiquem satisfeitos pelo sucesso, não podem concordar com um compatriota que não respeita uma determinada humildade, que nunca é demais, sobretudo quando se é natural de um País pobre e em dificuldades.
Pronto. Aqui fica o que penso e quanto à modéstia que gostaria de ver na excessiva comparência da sua imagem nas capas dos jornais e revistas, também eles culpados do exibicionismo que é dado a quem não está preparado, por falta de instrução, para uma subida pública tão repentina e tão exagerada, quanto à modéstia parece que estamos conversados.
Mas, por falar em excesso de dinheiro, não quero deixar de referir aquilo que acabo de ouvir na televisão de que, os administradores dos bancos nacionais, segundo um estudo efectuado em relação ao ano de 2007, auferiram salários mensais na ordem dos 70 mil euros, isto sem falar nas centenas de milhões que custaram aqueles que saíram dos lugares por não prestarem.
Mas não são só esses. Muitas empresas, geralmente com ligação ao Estado, também pagam aos seus colaboradores de topo verdadeiras verbas escandalosas. E isso sai tudo do bolso dos contribuintes que, cada vez mais, se vêem afogados com a falta de dinheiro para o seu dia-a-dia. Aliás, ainda hoje saiu na Imprensa que cada português paga 38 euros para os Tribunais que custam, por ano, 404 milhões de euros e prestam o serviço que se sabe.
Para concluir, por agora, basta apontar as irregularidades de dezenas de milhões que um ex-administrador do BPN praticou na área do futebol, tendo ficado tudo escondido na época para evitar escândalo público.
Tudo isto neste blogue para dar a conhecer, para quem, por ventura, ainda se encontre iludido com as “bondades” de muita gente que dá a aparência de cidadania impecável, que reina por aí muita fortuna conseguida à custa de trafulhices da pior espécie. Sacar vilanagem!, parece ser a palavra de ordem para tal gentinha sem escúpulos que, apesar de tudo iso, é a protegida da Fazenda!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A CHUVA

A chuva molha a cidade
Fica mais triste, escurece
É duro, mas é verdade
É assim, quando aparece

Tocada a vento, então,
Mais agreste fica ainda
Nela o Homem não tem mão
Mas por vezes é bem vinda

Sim, há gente que a deseja
Que tanto implora por ela
É o pão da sua boca

Ela é sua benfazeja
Desponta como uma estrela
Toda a chuva será pouca

O FRIO


Parece que hoje mudou alguma coisa no tempo que tem feito, pelo menos aqui em Lisboa, pois surgiu uma manhã com sol e só se mantém o frio que, nesta época natalícia, é tradicional, dentro do clima temperado de que temos fama, em comparação com o resto da Europa que, quando arrefece, não é para amadores, pois os abaixo de zero fazem-se sentir a doer.
Se levarmos em conta a tese de alguns meteorologistas de que, num próximo futuro, só haverão duas estações por ano, o Inverno e o Verão, quer dizer que, pelo menos a simpática Primavera, essa desaparecerá do mapa, e os habitantes do mundo terão de se habituar ao que surgir e ninguém sabe, por enquanto, se esses dois extremos farão mais felizes os cidadãos ou nem por isso.
Seja como for, se for, aquilo que nos deve preocupar – pelo menos a mim, que tenho a felicidade do ser humano como primeira prioridade – é se o facto de deixarem de existir estações do ano que sejam intermediárias das duas de ponta será mais aceitável para a saúde do Homem ou se aquele período de aclimatização do que vem seguir prepara os corpos para a mudança. Pelo menos, dado que se conserva o princípio de que o Outono é a época em que é necessário certo cuidado com algumas doenças que espreitam, se o frio surgir logo a seguir à caloraça, pode ser que o vestir a roupa quente de um dia para o outro seja preferível ao tempo de interregno que não goza de boa fama.
Digo isto tudo porquê? Porque, pelo menos em Lisboa, talvez venha a verificar-se uma preparação mais estudada para a época das chuvas, isto é, espera-se que seja possível que não se verifique aquilo que, por exemplo, se assiste ainda hoje, de, por falta de desentupimento antecipado das sarjetas, se encontrarem inundados de águas sujas os canais junto aos passeios das ruas. Pelo menos foi o que vi há pouco na minha zona. E, claro, não é só isto. Já é conhecido que a mim me preocupa sobremaneira tudo que ocorre na nossa capital. Por isso, por mais que queira alhear-me das faltas e dos defeitos nos cuidados que o Município lisboeta deveria ter, quanto mais não seja com o aspecto visual da nossa Cidade, nunca me escapa apontar o que, mesmo sem gastar muito dinheiro – que, neste momento, é, de facto, pouco – tinha obrigação de merecer a atenção de um dos vereadores que tenham a seu cuidado os erros que nem precisavam de ser apontados.
Cada um tem obrigação (e até é pago para isso) de estar atento ao que se passa na área que lhe está entregue. Digo isto com intenção de me referir particularmente à actuação dos membros da Câmara Municipal, vereadores e funcionários específicos, pois há situações mal resolvidas que podem passar despercebidas, mas o bom aspecto de Lisboa é coisa que está sempre debaixo de olho, de nós, “alfacinhas” mas, sobretudo, dos que nos visitam.
Ainda está para vir mais chuva, e ainda bem, portanto abram os olhos todos os que, no Município lisboeta, não se podem apenas refastelar com o confortável ambiente dos seus gabinetes.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Quando releio as centenas de poemas que já escrevi e que conservo em folhas soltas que, constantemente, se misturam, a minha vontade é fazer um molho desses papéis e despejá-los no caixote do lixo. Mas tenho, primeiro, que esquartejar todas as páginas, não vá alguém encontrá-las e depois exibi-las como obra sua.
Fico, porém indeciso. Será que não têm essas poesias, de facto, o menor valor? Que, bem seleccionadas, alguma coisa será aproveitável e supere a mediocridade?
Esta falta de confiança, que entra em mim quando remexo nos escritos de saíram da minha produção, a incerteza quanto ao valor que pode ter tanto trabalho, esse receio de poder ser considerado um intruso no meio literário obriga-me a encher as gavetas dos pendentes, sem coragem para oferecer à crítica, à opinião dos outros, alguma coisa que um valor tem, sem a menor dúvida: é tudo fruto de esforço, de empenho, de desejo em utilizar o tempo que me falta até ao passo final, deixando alguma coisa a que não assistirei qual vai ser o seu destino.
E assim, vou escrevendo prosa e poesia, da mesma forma que, de vez em quando, pego nos pincéis e encho uma ou outra tela de desabafos coloridos. E vou guardando tudo, ao ponto de não haver já muito espaço para armazenar aquilo que só eu sonho poder vir a ser apreciado um dia…
Não faço questão de assistir a esse surgimento.





CONTRATEMPOS



Tempo é coisa que não se segura
a medi-lo levamos toda a vida
e enquanto a existência dura
se não a damos toda por perdida
agarramos a árvore do tempo
porque essa, sim, é a que se vê
seguramo-la sem um só lamento
pois no tempo, nele só se crê

Não se vê, mas sente-se bem passar
tal como dizem, que o tempo é dinheiro
tudo ao mesmo tempo, até faltar o ar
mas para partir quem irá primeiro
pois todos nós, claro, envelhecemos
quem lá chegar que veja bem a hora
se o tempo conta como cá fazemos
e se também há depois e agora

Os minutos de tempo que separam
uns momentos dos outros, tal e qual,
servem para todos os que os comparam
e apartam o que é bom do que é mal
marcando os piores com uma cruz
metendo em cápsulas todos os tempos
que voam com a rapidez da luz
tanto os bons como os que são contratempos

Bons tempos que já lá vão e não voltam
que os maus esses nunca se esquecem
os tempos perdidos que nos revoltam
que também eles são os que envelhecem.
Se é tempo de começar novamente
mesmo que seja já com tempo pouco
pelo menos que chegue à tangente
para nos salvar deste tempo louco
que de loucura anda o mundo cheio
em correria no mesmo lugar
com o Homem sempre em grande anseio
de do mesmo sítio nunca mudar

Seja de chuva o tempo que faz
ou um bom sol ilumine a terra
aquilo de que ninguém é capaz
é de evitar que haja sempre uma guerra
todo o tempo da história do mundo
séculos e séculos que passaram
mostraram como sempre lá no fundo
houve quem morresse e os que mataram
sem compensar todo o tempo perdido
face ao tempo que não foi vivido.

Bem bastam os desperdícios dos tempos
Com todos os inesperados contratempos.

DIVÓRCIOS



Hoje, primeiro de Dezembro, com este cheiro a Natal que, por muito que se queira disfarçar, as pessoas fazem questão de lembrar com os seus embrulhinhos que, mesmo assim, apesar das dificuldades, lá se vão vendo, mas hoje, feriado nacional por recordação de uma data que os portugueses gostam de comemorar, pois sempre é um dia a menos de trabalho, o que fica mais marcante é a entrada em vigor de uma nova lei que passa a regular o divórcio, com a introdução de novidades, com as quais nem todos concordam.
Pois é, como também é muito corrente entre nós, a discórdia quanto à aceitação de alguma coisa que toca no hábito que vem de traz, esses pensares diferentes provocam levantamento de opiniões que surgem particularmente na Imprensa. E é o caso.
Cavaco Silva que, como Presidente da República, teve de promulgar o documento que começa hoje a ser aplicado, não o fez abertamente e de boa vontade, tendo mostrado a sua relutância quanto a certos pormenores da nova lei e os partidos com assento parlamentar também se dividiram na sua aceitação. Primeiro foi apenas a Esquerda que mostrou acordo, com os votos contra do PSD e do CDS, tendo acabado por convencer certos deputados laranja, que se abstiveram. A proposta foi, como é óbvio, do PS, e a maior oposição surgiu de Belém, pois Cavaco Silva, tendo, por fim, assinado a proposta, fê-lo com reparos contundentes, especialmente no que diz respeito a situações de “profunda injustiça” e de “mulheres com fracos recursos e com filhos menores”, isso no que diz respeito tanto à primeira como à segunda versão do documento, esta por parte do PS que aceitou as reprimendas do Presidente. É que, de facto, verificou-se, primeiro o veto presidencial, e só depois das emendas efectuadas é que deu o seu consentimento.
Conto isto tudo porque, deixando de existir o divórcio litigioso, bastando o consentimento de um dos cônjuges, o acto fica simplificado, mas talvez passem a surgir muitas mais separações legais, com as consequências penosas para os filhos, sobretudo crianças, ao assistirem a cada um dos seus progenitores partir para lados diferentes, continuando a caber ao juiz a determinação de atribuir o exercício do poder paternal. E é aqui que, possivelmente, vão surgir as maiores discórdias, existindo também outros factores que ficam sujeitos a prováveis erros judiciais.
Mas, seja como for, o facto de simplificar vida dos cidadãos e de reduzir a intervenção dos Tribunais, só isso, quanto a mim, merece a simpatia de quem, mesmo não se encontrando em fase de divórcio, sempre lutou contra a doença da burocracia no nosso País, um mal que vem de longe, um vício que está enraizado nas administrações públicas de todos os tempos neste Portugal que tem de se habituar a não ser tão exigente com a papelada oficial.
Vamos lá a ver, porém, se estas alterações nas leis do divórcio não acabam por ser pior a emenda do que o soneto…

domingo, 30 de novembro de 2008

CARTÃO DO CIDADÃO





Hoje, até porque tenho um tempo muito limitado visto que acabei de chegar de Torres Novas onde fui para servir de júri no Festival do Arroz Doce, não posso alargar-me em comentários sobre o que ocorre aqui no nosso País, que mereça fazer perder tempo aos leitores do meu blogue – que parece estarem a ser cada vez em maior número – com a sua apreciação. Mas como tenho feito questão que, cada dia que passa, não deixe ter algum apontamento da minha autoria, nem que seja apenas um poema ou um pensamento que me tenha ocorrido, por isso eis-me com meia dúzia de palavras.
E o que me leva a preencher este espaço é a notícia que li de que já tinge a casa de umas centenas de milhar o número de pedidos e de parte já entregue do novo Cartão do Cidadão, que reúne, num só documento, vários dos outros de identificação que é preciso transportar sempre nas nossas carteira.
Segundo está a ser divulgado, este documento preenche o espaço dos característicos bilhetes: de Identidade, de Contribuinte, Segurança Social, Utente de Saúde e de Eleitor. É pena que não ocupe também o referente à Carta de Condução, como sucede em muitos países onde este cartão tem uma importância essencial na identificação do possuidor.
Mas, basta-me, por hoje, sublinhar dois factores, um de crítica e outro de elogio O primeiro é, como de costume na nossa Terra, começar-se uma iniciativa tomada sem antes nos prepararmos convenientemente para prestar o serviço sem falhas e correspondendo a uma programação bem pensada e melhor ainda posta em prática. É que, após dois meses de ter começado o serviço de satisfação dos pedidos dos cidadãos que desejam usufruir deste serviço, foram necessários abrir mais 31 balcões para responder à afluência que, pelos vistos, não era esperada (?), mas, mesmo assim, ocorrem mais de 3 horas de "seca" para tratar do documento, quem pretende fazer a marcação pelo telefone para conseguir marcação, é-lhe dada uma data bastante longínqua que desanima qualquer interessado, o sistema informático dos serviços chegou a ir abaixo em determinada altura e não se sabe quando tudo funcionará correctamente, por forma a darmos os parabéns por termos, aqui e acolá, algumas coisas que acabam por chegar depois de os vermos a ser utilizados lá fora. O outro factor que refiro, o do elogio, é por constatar que aquilo que eu apontei várias vezes em escritos da minha autoria, inclusivamente num blogue atrasado, que era precisamente a necessidade de acabarmos de vez com a quantidade enorme de cartões que temos de carregar para provar a nossa existência, por ter sido posta em prática essa minha insistência – e não terá sido, certamente, pelo facto de ter teimado em referir o assunto – merece que eu agora faça o elogio, repito, reconhecendo que, apesar de tudo, mais vale tarde do que nunca.
Vamos agora esperar pela conclusão do processo e até o alargamento dos serviços, para que não se torne necessário sermos portadores de um arquivo para, com a maior rapidez, demonstrarmos quem somos.

sábado, 29 de novembro de 2008

LOGO...


Os preços dos carros novos vão subir 2,5% em Janeiro próximo. Logo… se baixaram bastante as vendas de automóveis, por motivo da crise, do custo da gasolina e do pouco dinheiro que cada família média pode dispor, essa situação ainda se vai agravar mais para os vendedores de viaturas.
A crise também se está anotar nos casinos. Têm mais clientes, mas cada um joga menos. Logo… não há tanto dinheiro para arriscar e os Stanley Ho deste mundo também sofrem as consequências.
Sócrates continua a proteger a ministra da Educação, não fazendo o que se impunha que era nomear outro político para o lugar. Logo… a “guerra” com os professores continua e quem sofre com tudo isto são os alunos que, todos contentes, nem precisam de estudar.
Na Assembleia da República lá se realizou o debate para aprovação do Orçamento para 2009, que resultou na aprovação apenas com os votos do PS. Logo… apesar das lamúrias que permanentemente surgem por parte das Oposições, a verdade é que o Governo continua, feliz da vida, a fazer o que entende e, até às próximas eleições, Sócrates e os seus sequazes não cuidam de se esforçar para pôr de parte os elogios em boca própria e usar melhor o dinheiro público, que é o que tem de estar debaixo de olho neste momento.
Paulo Portas, no meio da sua pequenez política, não deixa de apontar o dedo desde a sua cadeira de deputado, atirando ao primeiro-Ministro as acusações mais violentas que surgem do lado dos parlamentares que estão contra o Governo. Logo… nem assim o CDS cresce no horizonte político, nem o Governo liga a mínima ao que lhe diz o partido da Direita.
Dias Loureiro continua a sua vida, agora reconfortado pelas palavras de Cavaco Silva que não lhe retirou o lugar de Conselheiro de Estado. Logo… tudo indica que, para ocupar uma posição que obriga a uma posição que não levante as menores suspeitas de má conduta em qualquer situação, não é necessário nem sê-lo nem parecê-lo.
A Ordem dos Advogados está em alvoroço, porque uma parte dela não concorda com o actual Bastonário. Logo… o que parece ser o ideal, até naquela Organização que deveria merecer o maior respeito dos cidadãos, é que um bastonário não seja muito falador e que não venha à praça pública enfrentar situações que convêm ficar protegidas de críticas.
Aquele caso, que foi muito falado, em que Abel Pinheiro, então exercendo as funções de tesoureiro (ou coisa parecida) do CDS, foi escutado telefonicamente pela Polícia, o que o tornou arguido quanto ao corte de milhares de sobreiros (completamente proibido) numa propriedade denominada Portucale, continua ainda no Tribunal e aguarda por uma conclusão. Logo… as influências políticas continuam a dar resultado no nosso País, fazendo com que culpados em actos ilícitos andem por aí a rir-se e a vangloriarem-se do que fizeram.
O Banco Privado Português, atravessando um período de enormes dificuldades e tendo-se candidato às garantias do Estado para usufruis de empréstimos de outras instituições, o que lhe foi recusado, parece ter a sua salvação alcançada, dado que outros seis bancos nacionais se juntaram para proceder a uma injecção de cerca de 500 milhões de euros. Logo… era previsível que um banco, tido como sendo uma “caixa” dos ricos, não fosse deixado entregue à situação que atingiu também outras casas congéneres; o próprio Governo mostrou-se disponível para ajudar o BPP, muito embora o ministro das Finanças tenha declarado, há uma semana, que a queda do BPP “não constituía um risco para o sistema uma eventual falência do BPP”.
Quanto ao Banco Português de Negócios, Oliveira e Costa, o único arguido detido até agora quanto à embrulhada que conduziu aquela instituição bancária à situação difícil em que se encontra, devido, parece, a negócios ilegais praticados, assumiu sozinho a responsabilidade total dos acontecimentos. Logo… a conclusão a que se chega é que, ou, de facto, o que foi presidente do BPN tinha o poder absoluto e não dividiu com ninguém os resultados das acções praticadas (que lhe deram elevados proventos), ou o ex-banqueiro é um indivíduo que, apesar de tudo, tem enorme formação moral.
E muitos mais “logos” havia a referir neste espaço. Mas não posso ir por aí fora, correndo o risco dos eventuais leitores não terem paciência para chegarem ao fim do texto. Logo…

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

MAIS DO MESMO



Que se pode esperar, quanto a novidades, deste País que, sem poder fugir da crise que grassa por toda a parte, continua a lutar com aquilo que, afinal, já está habituado desde séculos de existência? Sim, porque no que diz respeito a adversidades, sem querer comparar com outros locais pelo mundo que terão mais razões de queixa do que nós, quem conhece minimamente a História portuguesa e não é de todo indiferente ao que tem ocorrido, ao longo de múltiplas eras, em vários locais da esfera terrestre, não se pode admirar de, neste momento preciso, não andarmos a lançar foguetes de contentamento pelo facto de estarmos a sentir a felicidade espalhada pela população inteira deste cantinho à beira-mar plantado.
O Natal que está aí à porta, e que, no meu caso, nem é a época que transporta mais alegria, desta vez apresenta-se ainda mais lúgubre e nem dá vontade de andarmos por aí a fingir que tudo corre bem e a desejar “boas festas” a torto e a direito, até a pessoas a quem nos é indiferente que as tenha de uma forma ou de outra. No caso dos cartões que, cinicamente, se enviam e se recebem apenas para marcar uma presença, mas que de verdade não transmitem o mais pequeno sentimento, provavelmente este ano nem vão ser muito usados. Os bancos, que, neste aspecto, mantêm um hábito de ir à lista dos seus clientes e remeter-lhes, automaticamente, um cartão igual para todos, seguramente que, dadas as circunstâncias que os têm posto em exposição pelas dificuldades que atravessam, este ano não vão dar largas ao seu fingimento. A menos que, a sem vergonha seja superior à consciência sobre as realidades.
Eu, por meu lado, não utilizo este blogue para endereçar quaisquer desejos a quem, por ventura, costume ler o que escrevo. Aos editores de livros, em particular, não faço outros votos que não sejam os de prestarem melhor atenção quanto às suas escolhas de autores e de qualidade dos escritos, por forma a que se dê descanso ao “lixo” que, sendo comercial, não ajuda a melhorar o panorama da literatura portuguesa. Basta de carolinas e de mediatismos provenientes de caras que são conhecidas por razões que nada têm a ver com os escritores e poetas que por aí há e que merecem que se lhes dê oportunidade. Surgirem obras de valor, anos depois dos autores já não se encontrarem no mundo dos vivos, só serve para outros, familiares ou não, gozarem do prazer de serem do mesmo sangue ou pertencerem ao número dos que conviveram com os homenageados.
Mas, com crise ou sem ela, este País de portugueses com características muito próprias, lá se vai arrastando, mostrando, ano após ano, o seu clássico sempre mais do mesmo.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

PEDOFILIA





Todos os dias se espera que as notícias surjam com a indicação de que terminaram, finalmente, as alegações que têm ocorrido no Tribunal sobre o ultra velho julgamento Casa Pia, mas esse encerrar do processo continua-se a arrastar, agora por isto, depois por aquilo, e os arguidos que fazem parte da história lá vão caminhando para a sala de audiências, deixando todos os interessados em conhecer o desfecho com a curiosidade em suspenso.
Agora, foi a de que Bibi, o único sobre o qual, embora tendo estado já na cadeia, não existem dúvidas de que, no final, será objecto de alguma condenação, acabou por denunciar o antigo provedor-adjunto do referido estabelecimento escolar, Manuel Abrantes, como também implicado na prática de abusos sexuais em menores. Ele, que sempre o tinha deixado de fora como culpado.
Por outro lado, o procurador João Aibéo continua a diminuir os crimes imputados ao mesmo Bibi, devido ao facto do actual Governo ter mudado a lei para ser aplicada neste processo, fixando em apenas um único “crime continuado” em relação a cada uma das vítimas. O que torna absolutamente igual dizer-se que há 500 ou mil crimes. É completamente indiferente.
O que revolta ainda mais é saber-se que, desde 1823 que a pedofilia documentada é praticada na Casa Pia. Catalina Pestana, que foi provedora daquela instituição até Maio de 2007, não se cansa de referir que existe uma enorme impunidade de que têm beneficiado os pedófilos que, sobretudo nesta fase dos acontecimentos, têm sido privilegiados pela ausência de acusação, frisando que a lei do silêncio é sempre a mais forte. E sublinha que, neste processo “estão presentes apenas personalidades da guarda avançada, mas que o grosso da coluna está cá fora”, isto porque “os jovens apontaram mais nomes do que aqueles que estão no processo”.
Perante tudo isto a que se assiste, não é possível que o cidadão comum, aquele que só toma conhecimento do que se passa no nosso País pelo que lê e ouve nos órgãos de Informação, não se interrogue como é possível que existam autoridades de todos os tipos, desde o mais alto de todos e por aí abaixo até ao que já pouco poder possui – mas algum ainda terá -, e não faça alguma coisa para que não fiquem impunes gentinhas que, por muito bem colocadas que se encontrem no mapa das importâncias, não merecem que gozem de protecções que chegam ao ponto de ocultar casos como este de tamanha malvadez.
Muito dinheiro deve andar envolvido em situações do tipo que registo no meu blogue! Só pode ser isso…

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ninguém nasceu para aquilo que é
e para o que possa vir a ser.
Depende muito de si próprio,
das circunstâncias que rodeiam cada um,
da sorte e de muito trabalho para a conseguir.

PACHORRA

Não tenho pachorra
Não posso com isto
Viver na modorra
Aturar tal lixo

Olhando em volta
Que vejo Deus meu ?
Está o mundo à solta
Quem perdeu, perdeu

Não tenho pachorra
Perdoem-me, porra !
Não posso ir mais longe

Sumir-me quisera
Meter-me pudera
Na pele de um monge

NÃO HÁ PACIÊNCIA!



Pus-me a escrever hoje, depois de ter estado a pensar seriamente sobre as múltiplas notícias que surgem na Imprensa, e a vontade que tenho é de meter a viola no saco e não dar nenhuma opinião no que respeita às perspectivas que se apresentam ao mundo e no nosso País para o ano que está a chegar a até em relação aos seguintes, pois, sem querer ser excessivamente pessimista, não consigo dar um ar de satisfação por ter nascido, ao fim e ao cabo, por ser um elemento incluído na onda dos seres humanos, essa espécie que tem dado, no decorrer da longa vivência de milhares de anos, provas mais do que suficientes de que o mundo não ficou mais rico com o desenvolvimento, a todos os níveis, do Homo Sapiens.
Não estou disposto, hoje, a entrar em grandes pormenores sobre cada situação que, em Portugal, enche o espaço e o tempo da Informação. Vou, por isso, apenas enumerar os casos que se colocam em posição de serem apontados e que demonstram bem como o Homem só se satisfaz quando está em confronto com outros parceiros da sua existência. Também não me preocupo em colocar por ordem de importância cada problema que apresento:
- Apesar das aparentes diligências de acabarem as desavenças entre educadores e Ministério da Educação, milhares de professores manifestaram-se ontem, nas ruas de várias cidades do Norte, contra a avaliação que parecia já estar em fase de pré-acordo.
- Ramalho Eanes, magoadíssimo com as “revelações” que Pires Veloso entendeu fazer sobre o 25 de Novembro, afirmando que “foi tudo prefabricado para fazer de Eanes um herói”, classificou de cretino o autor do livro publicado pelo outro general.
- Todos os conselhos distritais dos advogados pedem a demissão do Bastonário da Ordem, discordantes com a proposta de orçamento para 2009, apresentada por António Marinho.
- Anuncia-se que Lisboa vai estar sem recolha de lixo durante cinco dias, isso para mostrar não aceitarem que a Câmara privatize os serviços de limpeza na Baixa/Chiado.
- Trabalhadores dos CTT estão em litígio com a Empresa, por estar em vistas a caducidade de um acordo que protege os funcionários e que os mesmos não querem ver terminado.
- A Citroen e a Peugeot, que têm uma fábrica em Mangualde, anunciaram que vão ser dispensados mais de 3 mil trabalhadores a nível mundial, através de rescisões amigáveis. Quantos caberão a Portugal?
- Ainda não se apurou devidamente quais os preços a que deveriam ser vendidos os combustíveis entre nós, já que o custo do petróleo, nas origens, têm vindo a baixar, sem a contrapartida respectiva nos postos de gasolina.
- Até a megalivraria Byblos, inaugurada há cerca de um ano, teve de encerrar as suas portas por motivo de falência.
- Num estudo da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, apurou-se que o povo português, numa escala de um a dez e sob o ponto de vista da felicidade, se situa no final da lista, tendo apenas como mais infelizes os búlgaros e os letões.
E por aqui me fico. Pelo menos por hoje, já que amanhã é outro dia e não faço a menor ideia se me vai apetecer tocar temas que mereçam a minha perca de tempo. E também a vossa!...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

CERTEZAS

Mas que bom é ter certezas
e nunca se enganar
é para dissimular
muitas de outras fraquezas

Não se pode acreditar
em quem se julga perfeito
porque um ser sem defeito
deve ser de agoniar

Por pequenina que seja
qualquer saída da norma
é ser-se de qualquer forma
alguém que às vezes graceja

Mas são assim os sisudos
e por certo convencidos
têm de ser atrevidos
e estar muito tempo mudos

Reconheço erros meus
não me deixo equivocar
estou-me sempre a enganar
tal qual sucede a Deus

Quando aceita homens desses
que se julgam infalíveis
o Criador baixa os níveis
e não ouve bem as preces

Ainda bem, eu cá digo
que as dúvidas não me deixam
como disso alguns se queixam
não será pois um castigo

Antes dúvida aparece
para ajudar a saber mais
em abrir novos canais
e é prova do interesse

Gente, pois, só com certezas
e a isso um dom chamam
estão nos que as não proclamam
e não entendem as defesas

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Ter consciência de que não se sabe,
é humildade.
Pensar que se sabe, o que não se sabe,
isso é pesporrência

NÃO HÁ PRESSAS!


O mundo inteiro debate-se com o problema da crise que surgiu como um vírus e que, ao contrário das epidemias que escolhiam sempre os países mais miseráveis, como são alguns da África, desta vez resolveu instalar-se nas zonas ditas mais prósperas, não poupando empresas de fama universal e dando mesmo preferência às organizações que, até agora, eram consideradas como intocáveis e sendo consideradas fortalezas do dinheiro, como são os bancos. Estes estão a lançar SOSs por tudo que é sítio e nem conseguem fazer frente ao que só acontecia aos pequenos empresários, que é essa coisa horrível das falências.
Como é que nós por cá poderíamos constituir uma excepção a tal vaga de calamidades? O sector bancário nacional já deu sinal da sua fragilidade e de necessidade de ajuda dos poderes públicos, para além do caso BPN que, mesmo sem crise, se encontrava, às escondidas, a navegar em águas turvas. E, já agora, uma palavra sobre esta situação que está na ordem do dia: de toda a embrulhada que mantém em prisão preventiva o homem que era o presidente desse banco e aguardando-se que não fique por aqui a varridela que os poderes judiciais levarão a cabo, espera-se, talvez tenha sido bom que tivesse ocorrido tamanha demonstração de incompetência, ganância de alguns, falta de honestidade, ou seja como for que se deve chamar a actuação dos responsáveis pela bancarrota provocada. E digo isto porque era e continua a ser absolutamente necessário que se averigúem as riquezas que, antes e depois da crise, apareceram no nosso País de um dia para o outro.
O Chefe do Estado quis dar um passo que não me ilibo de chamar de descabido – para dar um nome -, de publicamente afirmar que o homem que está agora na boca dos portugueses, na sua opinião merece permanecer no cargo honroso de membro do Conselho de Estado, cuja responsabilidade da nomeação pertence a Cavaco Silva. Teria sido preferível, digo eu, que o Presidente se mantivesse caladinho, deixando que o assunto acabe de ser completamente esclarecido, pois nunca se sabe se existem surpresas que deixem de boca aberta os portugueses. E talvez não, porque, por cá, sabem-se guardar alguns segredos, quando convém não tocar em nomes protegidos.
Pois será assim, mas Dias Loureiro, o homem em causa, e não só – há muita gente suspeita em Portugal – devia explicar, tostão por tostão, como é que se consegue, só com ordenados – mesmo sendo muitos de vários cargos ao mesmo tempo, como se assiste escandalosamente por aí – chegar a tão grande potencial de valores no activo, casas, quintas, depósitos bancários e todas as benesses que se usufruem desde que se tenha passado pela política, governo ou partidos bem situados, para, logo a seguir, fazer parte de conselhos de administração, consultadorias e tudo que, nesta área, oferece largos proventos, directos e indirectos, bastando, para isso, fazer parte de uma teia de interesses habilmente criados, desses que juntam o hábil com o interesseiro, o pouco escrupuloso com o fechar dos olhos para a trapalhice que vai surgindo à sua volta. E mais tarde declarar, com todo o à-vontade, que não se era conhecedor de nada!
Como temos todos muito tempo, como não há necessidade de pressas, pois Portugal tem uma enorme margem de manobra (!), para quê pedirmos urgência a todas as averiguações que são necessárias para dormirmos descansados?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A MORTE

Eu oiço o sino da morte
Dar badaladas por mim
Tenho pronto o passaporte
Estou preparado p´ro fim

O que não quero é que então
Olhem p´ra cova a chorar
Pois a incineração
Deixa cinzas p´ra espalhar

É triste pensar na morte?
Aceitá-la consciente?
É isso ser-se mais forte?

Basta enfrentar o real
Partir como toda a gente
E a todos ser igual.

CULPADOS PRECISAM-SE




Não vou hoje pôr muito na carta. Não faltam assuntos que prendem a atenção nesta nossa Terra, mas como se prolongam as soluções por tempos demasiado longos, manter-me num blogue a bater sempre nas mesmas teclas é demasiado enfastiante, sobretudo porque não é por aqui que os mencionados assuntos são resolvidos.
Mas hoje, não posso deixar passar em branco o esclarecimento que Cavaco Silva entendeu por bem lançar para a opinião pública, em face, diz ele, de ter tomado conhecimento de “mentiras e insinuações” que podem provocar a associação do seu nome ao caso do BPN. E até surgiram os rendimentos do Presidente da República para ajudar a tirar dúvidas.
Ora bem, esta posição dá-me oportunidade de voltar ao tema da pouca eficácia da Justiça portuguesa, pois teria de ser através dela que os bons e os maus nomes de qualquer cidadão, seja ele quem for, deveriam ser mostrados na praça pública. Mas, infelizmente, como é sabido não é através desta fonte que se pode estar protegido de ditos e mexericos, quando os há. É que as demoras em ver sair dos Tribunais as decisões sobre casos que se encontram pendentes dos veredicto dos juízes, obrigam a que, cada um, procure libertar-se de acusações públicas pelos seus próprios meios, como no caso de Cavaco Silva, que esse ainda tem uns serviços de apoio que funcionam e a sua própria posição superior dá-lhe facilmente possibilidade de ver acolhido qualquer comunicado que venha da sua Casa.
Aproveito até esta ocasião para referir o enfadonho assunto da Casa Pia, que começou nos Tribunais há quatro anos e só agora parece estar próximo da solução (?), e em que as dúvidas públicas que existiam mantêm-se quanto aos verdadeiros culpados. Uns tantos estiveram presos, embora preventivamente, mas circulam agora por aí com todo o à-vontade. No entanto, sempre correram nos “mentideros” uns nomes que não foram nunca dados como envolvidos na pedofilia ou foram-no vagamente e à sorrelfa. Há quem tenha fotos comprovativas das malvadezes, há quem afirme claramente os seus envolvimentos, o próprio Bibi não escondeu acusações, só que, segundo parece, os seus nomes pertencem a gente demasiado forte para deixar liberdade de actuação em plena consciência. É que nunca se sabe se o “boomerang”, ao voltar à origem, não causará estragos insanáveis que castigam quem o atirou antes.

domingo, 23 de novembro de 2008

A VIDA

A vida passa com baixos e altos
rindo p’ra uns, gozando com outros
sorrateira ou correndo aos saltos

Não é a mesma para toda a gente
muda de face em cada momento
torna difícil caminhar em frente

Mas como os mortais, tem seus preferidos
há os que escolhe p’ra bem servir
e os que mantém sempre desvalidos

É cínica e traiçoeira a magana
ataca muitas vezes pelas costas
à bruta ou com ares de filigrana

Mas eis que de repente se arrepende
e no meio de enorme confusão
a uma prece avulsa lá atende

E tudo muda como por feitiço
de um grande azar algo se compõe
e dá também aos males um sumiço

A vida deixa assim seu conteúdo
tem de se atravessar com paciência
já que o tempo é borracha p’ra tudo

CHUVA PRECISA-SE



Está a fazer muita falta que chova no nosso País. Mas que seja uma chuva que lave bem tudo o que anda cá por baixo, para não falar já do bom que é a água que cai do céu que é um bem biológico de que só nos damos conta da sua escassez quando temos sede e somos obrigados a racioná-la nas nossas vidas. Sobretudo em Lisboa, esta capital que está à borda de água salgada mas que desperdiça a outra, a doce, quando ela não é devidamente detida em espaços próprios criados para o efeito sempre que transborda nas ruas dos bairros baixos lisboetas, a chuva devia cair com alguma intensidade, digo eu, para lavar também as cabeças dos governantes e afins, por forma a poderem ficar com maior possibilidade de discernir, por ordem de importância, aquilo que está por fazer e deve ser feito e a forma de executar programas bem pensados e com eficiência.
Chuva, venha ela. Molhe esta gente que, apesar de se deslocar sempre confortavelmente nos belos e caros carros de luxo que as várias dependências do Estado põem à sua disposição e que são a antecâmara de cargos bem pagos em empresas que, antes, dependiam da vontade dos mesmos que depois os ocupam, mesmo assim, ou até por isso, tratam-se de fulanos que enchem os bolsos que se encontravam, tempos passados, bem sequinhos de dinheiro.
Só agora é que se está a levantar uma pontinha do horizonte que, para alguns, já era de uma visibilidade claríssima. Mas os que se encontravam e encontram na “bicha”, para poderem vir a usufruir também dessas riquezas que viam cair nas mãos de uns tantos – e, claro, por isso nem abriam nem abrem o bico para não estragar a fila em que têm participado -, este aparecimento de forma pública do escândalo do BPN veio mesmo estragar um panorama que só era alcançável por umas minorias de afortunados (mesmo assim, ainda muitos) e, evidentemente, mal comportados em potência, mas sempre dispostos a entrar em falcatruas.
Este diz tu, direi eu, de figuras de alto relevo (até conselheiros do Estado) constituem
a prova de que, em Portugal, não são de levar em consideração, quanto a honorabilidades, pessoas que, tendo ocupado já lugares de grande relevo no panorama político nacional, não é por isso que merecem a confianças dos cidadãos deste País. Cidadãos que, cada vez mais, têm de suportar as regras da Democracia - a menos má das políticas -, que coloca nos lugares cimeiros gente ineficaz, mas que é a que recebe mais votos nas eleições. Um desconforto!
Para o próximo acto eleitoral que já está a aproximar-se, a grande dúvida neste momento – e falo por mim – é saber quem estará em condições de assumir as funções de chefe do Governo e em que partido político se poderá encontrar tal "homem-providência". Não temos nenhum Obama à vista, admitindo que esta escolha dos americanos tenha sido a ideal. Mas, por cá, no que a nós diz respeito, aquilo que é mostrado aos cidadãos não abre um apetite por aí além...
O que precisamos é de chuva. De uma molha que leve por água abaixo essa multidão de oportunistas que conseguem sempre sair limpos das tais falcatruas em que se metem, mas que se mostram permanentemente de colarinhos brancos impecáveis. E com um falabaratismo que até mete raiva!...

sábado, 22 de novembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Quem escreve terá sempre, julgo eu, a ideia de que, um dia, surgirá a obra-prima. É como quem joga na lotaria; de tantas vezes tentar, alguma vez lhe poderá caber um prémio grande. Pelo menos, essa esperança vai-se mantendo. E é bom que assim seja.
Se a perfeição, o sublime, o inédito, o belo é um objectivo que só alguns alcançam, o sustentar a ideia de que, numa certa altura, pode surgir a inspiração, quem se dedica à escrita ou a qualquer das outras produções artísticas, tem de alimentar esse sonho que é, quase sempre, o sustentáculo do esforço que não pode faltar para se caminhar para atingir o objectivo.
Vale sempre a pena a tentativa e a teimosia em lutar contra a não comparência do génio. Desistir é que nunca!
Poderá a obra produzida não ser a tal, não corresponder ao desejado, não ser ainda dessa vez que saia senão a sombra do que se terá sonhado. Se assim é, o rasgar e o não prosseguir na caminhada, o não escrever outra vez, o não pintar por cima, o não emendar a pauta serão atitudes compreensíveis, mas não constituem as ideias.
No capítulo da escrita, escrever, não ficar satisfeito mas, em lugar de destruir conservar para, noutra altura, voltar a pegar no trabalho, talvez seja esta a melhor atitude.
Porém, não há regras. Se as houvesse!...

SER HUMANO

É triste, mas é verdade
mesmo com muita idade
a esfera onde vivemos
em que toda a fé que temos
nos leva a acreditar
no pouco que vai mudar,
é mistério o futuro
tudo para lá é escuro
só nos resta ir vivendo
gozando o que vamos tendo

Mas enquanto cá andamos
não é por muito falarmos
que as coisas vão melhorando
e se assim for, quando,
as guerras, essas não param
há sempre os que disparam
para matar do outro lado
os que têm o mau fado
de não estar no sítio certo
quer vivam longe ou perto
porque o que importa é ganhar
diz quem anda a matar
sem saber bem porquê
pois aquilo que se vê
é que o ser humano é mau
impiedoso em alto grau

Pode ser que isto mude
que surja outra atitude
e que algo de eficaz
traga ao mundo então a paz.
Pode ser, não acredito,
mas basta estar-se aflito
para surgir solução
e passar a ser irmão
quem antes se detestava
e o Homem que não amava
passa a ser melhor amigo
só p’ra fugir ao perigo.

Mesmo que seja a fingir
e tendo até que fugir
mais vale isso do que a guerra
pois o mal da nossa Terra
é sofrer de muita inveja
e nunca achar que sobeja
tudo aquilo que já tem
o Homem, filho da mãe…

E o mundo, esse avança
não pára e não descansa
até que em certa altura
se acaba a fartura,
a agua é bem escasso
o ar falta no espaço
a terra deixa de dar
de comer e até o mar
farto de se explorado
diz que peixe foi riscado
do mapa das iguarias
pertence às velharias
e que o Homem, inventor,
descobre que com pastilhas
se come como as ervilhas.

E o ser humano, então,
aprenderá a lição
de que o mundo encheu de mais
e que tais biliões, tais,
de gente que já não cabe
e rejeita que não sabe
que o fim é inevitável
e que pr’a ser habitável
vê que o caminho a seguir
é só o de reduzir
todos aqueles que sobram
e que, por estarem cá… cobram !
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