sábado, 20 de dezembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

No meu bairro lisboeta, num jardim frondoso, existe um espaço que é dedicado às crianças. É ali que elas se regalam nos baloiços, nos escorregas e na areia da praia que serve para fazerem os seus castelos e brincar aos pasteleiros com as suas forminhas fingidas.
Sento-me, algumas vezes, num banco, dos que rodeiam o espaço infantil e procuro transportar-me a esse mundo da ingenuidade. Faço esforços para me sentir, também eu, menino da idade dos que estão ali e tento recordar o período da minha infância, em que poderia estar a gozar as fantasias que lhes são próprias. Não me chega à memória nenhuma sensação do prazer conseguido num jardim infantil. Será porque, nessa altura, não havia estes espaços. Não existia a preocupação de cuidar da juventude, da primeira. Ou, se havia, nunca ninguém lá me levou.
Procuro descobrir a sensação que a miudagem sente, quando pede aos pais para a deixarem ir brincar com os outros meninos naquele espaço. E mais ainda quando se põem a deslizar nos escorregas e a baloiçar-se naqueles assentos com cordas.
Claro que, por muito que me esforce, não consigo chegar lá. Não atinjo o meu desejo, Não pode um adulto, muito adulto, transportar-se até à idade da inocência. É um recuo impossível de fazer. A mim, talvez me tenha feito falta não ter passado por esse período das correrias, dos jogos inventados por cabeças virgens de maldade.
O que eu não sei é se os adultos, com menos idade do que eu, que tenham beneficiado na infância de tal experiência, são agora pessoas mais bem formadas, mais cuidadosas com a pequenada, verdadeiramente preocupados com a instrução, que fará dos homens de amanhã cidadãos melhores do que aqueles que hoje se confrontam com o mundo.
Deixo a pergunta porque, com o andar dos tempos, não tenho conseguido verificar que a miudagem de hoje é mais bem comportada, mais consciente, mais desejosa de ser gente capaz, do que aquela que, em épocas passadas, aprendia bastante na instrução primária e, com reguadas ou sem elas, entrava nos liceus a saber já bastantes coisas.
Convençam-me que estou enganado. Quem me dera!...

JUSTIÇA Á PORTUGUESA



A cinco dias da data natalícia, para mim com o peso pouco confortável de uma época que me entristece, e ainda por cima, por se tratar do dia em que fazia anos o meu pai, ao ter tomado conhecimento das notícias que, como está a tornar-se habitual, não se apresentam nada animadoras, por tudo isso e havendo ainda uma folga até ao dia 25, cá vou eu assinalar situações de tristeza que, tratando-se de ocorrências dentro do nosso País, por mais que se queira recorrer a uma certa abstinência de crítica não podem ser deixados em branco casos que não permitem, a mim pelo menos, meter a cabeça na areia e deixar passar.
É conhecido que um dos temas que mais afluem a este meu blogue é a complacência que se verifica, por parte das forças que têm poder para dar a volta ao assunto, no que respeita à actuação do sistema judicial português., e que nada fazem nesse sentido. E não são só as demoras escandalosas com o andamento dos processos – para não falar no julgamento Casa Pia que é exemplar no mau sentido –, mas também as decisões que saem dos meritíssimos juízes que, por mais razões técnica que apresentem, não podem deixar de pôr os cidadãos em completo alvoroço. E ainda se podem ler frases saídas da boca de pessoas mediáticas, que tem espaço nas páginas das revistas, como aquela lida hoje de um actor que não esconde a sua revolta com este dito “um país com uma justiça como a nossa, deveria ser rifado ou doado a quem dele precisasse”. Bem sei, é uma expressão pouco intelectualizada, mas dá bem mostras daquilo que o povo português pensa dos nossos tribunais.
Mas repitamos então aquilo que foi notícia hoje em vários órgãos de informação da nossa Terra. A que salta logo à vista, com um título a toda a largura da página, é de que o Ministério Público perdoa 20 empresas da “Operação Furacão”, acrescentando que pagaram 60 milhões de euros ao Estado e deixaram de ser arguidos. Isto, ao cabo de 3 anos de investigação.
Noutro periódico, lê-se que “juiz espanhol prende suspeito de tráfico de imigração ilegal que, em Portugal, tinha sido libertado”. E essa rede que operava desde a Ucrânia, passando pela Hungria, Itália e Espanha, nesses países fora alvo de condenações. Só aqui encontraram um El Dourado”.
Enquanto isso, a pequena Esmeralda, que foi acolhida e tratada com imenso amor como filha, por o pai biológico se ter recusado, à nascença, a reconhecê-la agora nessa qualidade, já com seis anos de idade e agarrada a quem só aceita como únicos pais, viu a decisão da juíza (ainda por cima uma mulher) de a obrigar a passar o Natal com aquele que a tinha recusado na altura na época pós-nascimento.
Então, lá por ser recomendado pela Igreja Católica que o Natal tem de ser um período de reconciliação e de boa-vontade entre os povos, deve-se fechar os olhos à realidade e não gritarmos bem alto a nossa indignação contra as misérias humanas?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

SANTA TERRINHA

Que pena que eu tenho de não ter uma terra
Onde pudesse voltar p’ra matar saudades
Fosse na planície fosse em qualquer serra
Daí onde tiraria grandes verdades

Mas não, apego não sinto a um local
Em que as origens fossem todo o meu ser
A razão de existir, a fonte do caudal
Que desaguei por aí, sem eu querer

Ir visitar a casa onde eu nasci
Passar pela rua que me levava à escola
Contemplar as árvores onde não subi
Ver se ainda lá estava o campo da bola

E a velha mercearia de um senhor Manuel
A igreja barroca com seus sinos sonoros
As colmeias no campo cheinhas de mel
E o belo ribeiro em que passaria horas

Tudo isso me falta, agora que eu penso
Como seria diferente a minha vida
Se algo de calmo, como cheiro a incenso
Tivesse encarnado na minha nascida

Essa marca forte de uma santa terrinha
Tal apego ao sítio que nos viu nascer
É sorte de outros mas que não é minha
Algo que me faz falta, enquanto eu viver

Só se eu voltar em outra encarnação
Se é que isso existe, como dizem tantos
Poderei assim obter a confirmação
De que, por fim, me calhariam tais encantos




DESENCANTO... POR ENQUANTO!

O nariz, nos seres vivos, tem uma função muito importante no nosso dia-a-dia. O olfacto exerce uma influência extraordinária no comportamento dos homens e dos animais. O cheiro atrai ou repele, satisfaz ou provoca mal-estar, mas não deixa ninguém indiferente perante os seus efeitos. Até a dormir, um odor estranho e pouco habitual, identificado ou não, o ar pestilento ou delicioso interfere com o repouso e desperta o mais ferrado dorminhoco.
Nas relações humanas, um mau hálito, por exemplo, provoca um afastamento rápido de quem se encontra perto, por muito atraente que seja o que escutamos e o que vemos. Os maus efeitos soporíferos têm igual efeito, claro.
Logo, o nariz humano comanda as relações, independentemente daquilo que a vista nos oferece. Podemos estar muito emocionados com um panorama, com uma obra de arte, com qualquer coisa que seja agradável contemplar, mas se, no lugar onde esse prazer é facultado, existir um odor repelente, não se perdoa o mal que se sente pelo bem que faz à vista. E o mesmo se passa com os ouvidos. Escutar uma bela melodia num ambiente onde o mau cheiro impera, por muito que se tape o nariz constitui um martírio difícil de suportar.
Daí se conclui que, se os olhos também comem, como se diz perante a beleza de um prato, e os ouvidos recusam os ruídos excessivos, no que diz respeito ao outro sentido, o do olfacto, homens e animais reagem rapidamente aos efeitos dos odores, quer os desagradáveis quer os que são dignos de ser apreciados.
Os irracionais então, com os seus sentidos muito mais apurados, aproveitam o efeito do vento para interpretar a sua origem e a distância a que se encontra a coisa que lhes provoca o cheiro que lhes entra pelas narinas. Se se passasse com os racionais tal fenómeno, conhecia-se à distância quem estava a chegar e evitava-se o contacto.
Este mundo caminha com grande rapidez para um outro que se mostra cada vez mais mal cheiroso. Enquanto a água chegar para limpar a sujidade provocada pelos seres humanos, lá iremos repelindo os maus odores. No futuro, perante o aumento demográfico excessivo, o que parece inevitável, o amanhã dirá como se resolverá o problema. Haja esperança de que o Homem, entretanto, ganhe consciência do que o espera. E tome precauções.



MERECER HONRARIAS



Todos nós, que tivemos algum contacto com dizeres de filósofos gregos, fixámos algumas frases que foram ficando ao longo dos séculos e que, nos dias de hoje, continuam a ter cabimento na nossa vida. Aristóteles, por exemplo, foi fértil em frases sábias, o que demonstra que a necessidade do ser humano reflectir na sua actuação do dia-a-dia não é só de hoje. Será até desde que o Homo Sapiens se empertigou e o seu comportamento ficou bem definido no contacto com os seus parceiros. A mim, não me custa supor que o Homem, desde o seu aparecimento, seja qual for a origem e o modo de ter dado mostras da sua existência, não teve um relacionamento, com os outros e com a própria Natureza, em moldes de poder ser considerado um bem absoluto e merecedor de elogios.
Bem, mas vamos lá a Aristóteles e a um dos seus ditos. Este, por exemplo: “A grandeza não consiste em receber honrarias, mas em merecê-las”.
Na época em que vivemos, a busca de honrarias, a aspiração por receber graduações de qualquer espécie, a ânsia de sermos reconhecidos com manifestações de aplauso, essa busca de nos colocarmos no pedestal é de tal forma doentia que nem nos interessamos em reconhecer se estamos em condições de superioridade que justifique o elogio dos que nos rodeiam.
Há prémios que, em face da classificação que atingiram e da formação de julgadores que se congregam não deixam dúvidas de que são merecidos. Por muito que a nossa opinião seja diferente, temos que aceitar a atribuição. Os Nobel, por exemplo, situam-se na categoria das escolhas sérias e, sobretudo nas classes que estão mais ao dispor da opinião pública generalizada, como é a da literatura, porque se encontra à mão fazer um juízo e, daí, gostar ou não gostar é coisa que cabe a cada um expressar, mas a verdade é que só ficam verdadeiramente revoltados os escritores que não foram galardoados com tal honra.
Voltando a Aristóteles, essa de ter capacidade para ser feito um exame de consciência profundo para analisar se se merece ou não determinada posição de grandeza, aí é que é mais custoso chegar, porque a maioria da gente tem-se a si próprio como acima da média, quando não se julga estar no cimo do poleiro, a ver todos os outros lá por baixo.
E a culpa, muitas vezes, também é de certos atribuidores de honrarias que são despidos de qualificação para esse gesto.
Estou-me a lembrar de algumas comendas que são atribuídas por alguns Presidentes da República e que deixam ficar os portugueses a perguntar-se o motivo de tal exagero.
Mas fico-me por aqui. É maisprudente.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

VERSOS LIVRES

Aqui estou eu à frente do papel
à espera que a inspiração me chegue
olhando para a rua a ver passar
aqueles que não olham para a folha
em branco à espera de estar cheia
de letras, de palavras e de versos

Serão felizes esses que não puxam
por um génio que não lhes faz falta?
Quem sabe se não seria melhor
conhecer tudo sobre o futebol
preocupar-me só com o meu clube
e andar em dia com o jet-set?

Se fosse assim, poemas não fazia
e descansava quem vier a ler
todos os versos livres e bem livres
porque de rima mesmo nada têm
e a cadência é o que lhes resta
mas mesmo assim encheram o papel

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Para estar vivo, ajuda muito o querer-se.
Para tratar as doenças, pelo menos algumas, é importante acreditar-se na cura, começando por crer no curador.
As longas esperas nos consultórios e pior ainda nos hospitais públicos, seguidas de um certo atendimento cansado, distraído, até mal-humorado será a causa dos pouco resultados obtidos com muitas medicinas que não conseguem debelar as enfermidades.
Por vezes, as mesinhas recomendadas por curandeiros sem diploma conseguem efeitos positivos, apenas e só porque a freguesia que frequenta tais locais de consulta enfrenta a situação com muita fé, por ter conhecimento de resultados positivos noutros felizardos.
Em Portugal, onde há cada vez mais escassez de médicos, devido, em grande parte, às dificuldades postas para a entrada de alunos na faculdade respectiva, faz com que, com aumentos sucessivos, os clínicos espanhóis exerçam a sua profissão neste lado da fronteira.
Só que por aí não vem mal ao mundo. O pior advém das razões dessa realidade.
É, de facto, desconsolador verificar-se que, em Portugal, tardam muitos anos a solucionar-se problemas que estão à vista de toda a gente as formas de dar a volta.
Neste caso, sabendo-se que um médico demora seis anos a ser feito, ainda que no início da carreira, como é possível assistir-se à partida da nossa juventude para o estrangeiro, para Espanha principalmente, para poder obter a carteira médica?
Quando a História, daqui a anos, referir este facto, será difícil entender o que passou na cabeça dos sucessivos governantes que permitiram tal anomalia…
Por agora, que se enfrenta esta situação, resta fazer coro com os optimistas quando dizem que “enquanto há vida há esperança!”
O pior é quando acaba a vida sem ver a esperança transformar-se em realidade.

PARQUE MAYER



Que bom que é saber que o Parque Mayer vai ter de novo a vida que lhe era conhecida de tempos idos, agora, naturalmente, com novos moldes, mais modernos, com teatros de revista confortáveis e amplos e com um pouco de diversões que não terão que ser obrigatoriamente as dos tirinhos e a dos carros dos empurrões e, com toda a certeza, recheado de restaurantes de todos os tipos, mais baratos e o contrário, parqueamento e tudo que a imaginação for capaz de lá meter.
É uma satisfação tomar conhecimento de que, de novo, o Parque Mayer caiu nas intenções de lhe ser dada vida, depois de tantos anos abandonado e a cair aos pedaços, como tudo que acontece em Portugal sempre que se encerra alguma coisa que antes, mal ou bem, sempre dava mostras de existir.
Depois daquela loucura de Santana Lopes, que deu o primeiro passo mas logo esbarrou na megalomania, entregando o projecto a um arquitecto americano, tão famoso de nome como de preço, o que acabou por ficar-se pelos projectos com a Câmara a olhar para a caixa vazia de dinheiro, após esse inútil passo, se estava mal o Parque ainda ficou pior. Parado!
Pois bem, se a alegria agora surge com a notícia de que dois arquitectos portugueses venceram o concurso público internacional para requalificação do Parque Mayer e a zona envolvente, tendo sido esclarecido que o Jardim Botânico, que vem desde a rua da Escola Politécnica, tudo numa área de 32 mil metros quadrados e vindo até à avenida da Liberdade, será a área que virá a ser ocupada com um hotel, salas de espectáculos, biblioteca, livrarias, artes plásticas e residências de artistas, para além de outros usos, funcionando tudo como um grande espaço público e apenas acessível aos peões, com escadas rolantes e ascensores para vencer os grandes desníveis que apresenta todo o terreno, se isso acontecer ficamos de parabéns.
Vamos lá a ser optimistas. Admitamos que para tamanha e sumptuosa alteração do que foi o velho Parque Mayer existem fundos que cheguem para toda a obra, sem ter de a interromper a meio à espera de auxílios que são sempre jeito. Tenhamos esperança de que o prazo que for estabelecido para todo o trabalho não seja ultrapassado para o dobro ou para o triplo, coisa a que estamos habituados por cá. Acreditemos que o projecto que for aprovado não venha a sofrer alterações, por se verificarem impossibilidades práticas do que a teoria admitiu.
Se tudo correr como é, certamente, o desejo de todos os lisboetas, Se os mais velhos conseguirem ainda assistir à inauguração de um espaço que se encontra na memória dos frequentadores habituais do antigo Parque Mayer, então será caso para dizer que ainda há quem cuide de olhar por Lisboa e não a deixe prosseguir na decadência que tem ocorrido desde há uns anos largos para cá. Corresponda o projecto àquilo que a maioria de nós gostariamos de ver, mas mais vale alguma coisa do que o triste vazio de agora
Vamos lá a ver o que se vai passar com a nova equipa que irá tomar conta da Câmara, após as eleições que se aproximam. Também nisso é necessário ter alguma esperança.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

TODO O TEMPO DO MUNDO


Ter todo o tempo do mundo
Dizem os não apressados
Mas no fundo, bem no fundo
Vivem algo amargurados

Dão ares de quem não corre
Fleumáticos no aspecto
Mas à pergunta quando morre
Treme-lhes todo o esqueleto

Ir devagar e sem pressas
No relógio confiados
Faz com que peçam meças
Até aos mais apressados

No fundo abraçam o lema
De que fizeram certo alarde
E repetem como tema
É cedo para ser tarde





DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Andei, um dia destes, às voltas para encontrar uns apontamentos que me lembrava de ter escrito e que me apetecia reler. Às vezes tenho destas coisas.
Procurei por toda a parte, revolvi gavetas, desmanchei pastas, meti as mãos em cacifos onde não seria muito normal encontrar-se o que procurava e foi aí, afinal, que acabei por descobrir uma quantidade de outros manuscritos que já nem tinha a mais leve ideia de que tinha sido eu o autor.
É sempre assim: a maneira mais rápida de encontrar algo inesperado é procurar e encontra-se quase sempre aquilo que não se procura.
Pois, no meio da papelada que não tinha estado na preocupação da minha busca ao guardado, fui dar com um papel amarrotado, que nem consigo perceber o motivo por que não foi parar ao caixote do lixo. E, com surpresa, apesar do muito tempo que tinha de arrecadado, despertou-me a atenção, fui reler, e fiquei surpreendido com a qualidade do texto que tinha produzido. Afinal, parece que, como o vinho, o manter em sossego certa produção artística acrescenta-lhe qualidade, adiciona-lhe fermento ou seja lá o que for que, tempos mais tarde, lhe provoca um certo sabor que antes passaria despercebido. Será por isso que os pintores, de uma forma geral, não começam e acabam um só quadro de enfiada, antes vão desenvolvendo o seu trabalho, vão fazendo, pondo de parte para voltar a ele noutra altura, mais tarde, quando a inspiração lhe indica o caminho a seguir.
O apreciar um escrito também tem uma dose parecida. Pode ser produzido de rajada, como, de igual modo, não será pior que fique algum tempo “de molho”, ganhando paladar, para se mastigar melhor e ser mais digerível.
Não é, nem pode ser, uma regra. Há prosas e poesias que têm o seu tempo. Como há ocasiões em que o que se lê mais tarde soa a azedo, diferente da qualidade que terá parecido ter na hora de ser produzido. Nem sempre é a idade que melhora a escrita.
Comigo, o que se passou foi que não encontrei um texto e acabei por dar com outro que ganhou com a arrecadação no meio dos papéis perdidos. Isto há cada coisa!...

QUE FESTAS1...



Por muita vontade que tenha de não estar sempre a encontrar defeitos nos acontecimentos que ocorrem no nosso País, por mais contrariado que me encontre cada vez que faço um escrito em que a maior parte do espaço ocupado se confina aos erros praticados neste cantinho, não consigo disfarçar, passar em branco os erros que por cá ocorrem e apenas glorificar-me com as coisas que merecem elogio. Não consigo.
Pois, nesta época de festas natalícias, dentro da tradição que vem de tempos muito recuados, até dá a impressão que as notícias que surgem, em Portugal mas não só, servem para ficarmos ainda mais desgostosos com as maldades humanas. Sim, porque é da parte dos homens que se verificam os maus comportamentos que merecem repreensões e castigos. Vou fazer uma lista dos casos que se encontram actualmente bem à mostra nos noticiários de todas as origens:
No exterior, as coisas não andam boas. E não é só a tal crise que traz o mundo apreensivo, embora isso já chegasse para pormos os olhos no chão. A “moda” dos terrorismos pegou em toda a parte e as cinco bombas que foram desactivadas e que se encontravam no conhecido Printemps, de Paris, são a prova inegável de que nem se pode já fazer turismo em locais antes bem protegidos e agradáveis. Sair de casa é um risco, se bem que ficar metido nela também não constitua protecção absoluta.
Em termos caseiros, as coisas são mais folclóricas. Imagine-se que se tornou público que Dias Loureiro recebeu, em 2002, 7,14 milhões de euros do BPN, por ter vendido as suas acções da empresa proprietária daquele banco, quando deixou de ser administrador daquela sociedade. Um homem que tinha vindo da terrinha com as mãos a abanar, bastou-lhe passar por um governo para poder ficar milionário!
Manuel Sebastião, mal tomou conta do lugar de presidente da Autoridade da Concorrência, renovou o seu carro de serviço, pois que isto de tomar posse de um cargo novo impõe também estrear automóvel… e dos caros! Terão alguma coisa a ver as mordomias com a contemplação dos preços dos combustíveis levarem tanto tempo a baixar, quando nas subida eram imediatas? Pode ser que não, mas dá que pensar!
As grandes empresas estão a fechar com preocupante rapidez e agora foi a Mabor que sente os efeitos da crise e vai mandar para casa os seus 1.500 trabalhadores. Dizem que é uma “paragem”, e oxalá seja só isso.
Finalmente, parece que os grandes da finança começam a ver as suas costas menos quentes. Os ex-administradores do BCP vão ser acusados de prestação de falsas informações ao mercado para esconder operações financeiras. Vamos a ver como isto tudo fica no final, porque, por agora, cada um segue a sua vidinha!
Mas também os grupos partidários atravessam um período de alguma conturbação. O PS, como se sabe tem para resolver a situação de Manuel Alegre que, desde há certo tempo, dá mostras de não seguir fielmente os passos de Sócrates e parece querer independentizar-se politicamente.
No PSD, a confluência em redor de Manuela Ferreira Leite não está firme. Há quem conteste ou o seu silêncio ou as intervenções que tem tido. E aquela do Santana Lopes vir a ser candidato à Câmara de Lisboa!...
No CDS, já são cem os militantes que anunciam ir bater com a porta, contra o seu Paulo…
Com tudo isto cá me fico. Mas como eu também, como já disse, não permaneço muito feliz na época do Natal, não é com tudo isto que me estragam ainda mais o período.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Todos temos uma opinião inabalável, imutável, perdurável?
Aquilo que afirmamos hoje, será válido daqui a dez anos?
E dentro de pouco tempo é sustentável ainda um ponto de vista expresso antes? Nunca mudamos de parecer?
O que estou a escrever hoje, redigiria. da mesma forma, daqui a alguns meses? Introduziria alterações ou deixaria tudo na mesma?
Não sei responder com exactidão a todas estas interrogações.
Mas, o mais provável é que não seja tão constante como talvez gostasse de ser.
Como também admito o contrário, que é saudável que se vá mudando de pontos de vista, de gostos, de sentimentos.
O não ser estático nas posições anteriormente tomadas, demonstra que a inflexibilidade é causadora da monotonia.
É por isso que, ao escrever, nunca leio as linhas que vão ficando para trás.
Tenho receio de as riscar todas. De as reescrever de alto a baixo.
De não deixar que alguém as chegue a ler algum dia.
Mesmo podendo ser um ganho para todos. Que pretensão!...


FUTURO

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro


FRIOZINHO



O Instituto Nacional de Estatística, volta não volta surge com dados que nos deixam informados mas, ao mesmo tempo, também com maiores preocupações dos que as que já sentimos na nossa vida diária. Desta vez veio pôr-nos ao corrente de que 18 por cento dos portugueses vivem com 379 euros por mês, ou seja cerca de 12,5 euros por dia.
Por aqui se vê como anda tanta gente neste País a arrastar-se, sem ter a noção do que é viver, nem sequer medianamente, e a tomar conhecimento de que uma porção, pequena embora, de bem-aventurados aufere verdadeiras fortunas todos os meses e regala-se com a excessiva abundância em que se movimenta. Se há Justiça divina ou seja lá aquilo que for, pergunto-me como é possível admitir-se que as desigualdades atinjam foros tão monstruosos e que os mais desfavorecidos sejam aqueles que mais oram a agradecer as graças vindas do Alto.
E, nesta Terra onde habitamos, a revolta ainda tem de ser maior, sobretudo quando se toma conhecimento, por um lado, das faltas de meios mínimos para manter uma existência reduzida mas sofrível e, por outro, receber a informação de que os produtos mais essenciais aumentam constantemente de preço, como é o caso hoje anunciado de que a electricidade sobe 4,3 por cento, o que constitui a obrigação de diminuir drasticamente os gastos com a luz, isto é, apagarmos as lâmpadas quando não são necessárias e, nem por sombras, ligarmos o aquecimento para além do mínimo dos mínimos.
É assim. Tendo-se Portugal como um País de clima temperado, a verdade é que se sofre mais de frio por cá do que noutras Terras com temperaturas abaixo de zero. Porque, por lá, o aquecimento está sempre ligado, dia e noite, o que não é hábito pelos nossos sítios.
Aguentemo-nos, pois, que já é o costume nacional!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

QUANDO

Quando cedo nasce o sol
e a vida se prepara
para desfiar o rol
há que olhá-lo na cara

Quando se enfrentam os males
e bens, pois é tudo igual
pedindo nossos avales
aí há que ser curial

Quando surgem os problemas
Que o dia-a-dia nos traz
há que enfrentar os sistemas
e resolvê-los em paz

Quando são as alegrias
que de tudo nos compensam
há que tirar mais valias
aceitá-las como bênção

Quando tão rebelde o mundo
nos prega uma partida
há que ir até ao fundo
procurar uma saída

Quando o dia está escuro
bem triste se nos depara
há que pensar no futuro
pois com fé sempre aclara

Quando nos amores se acaba
final que se tinha em vista
nem o mundo se desaba
nem isso é o fim da pista

Quando o vento é a favor
quase tudo corre bem
não há ódio nem amor
que constitua um porém

Quando a sorte bate à porta
e aparece de surpresa
cuidado que a vida torta
essa sim não dá defesa

Quando um artista afamado
tem momentos de secura
se a arte está noutro lado
sentirá grande amargura

Quando para o quadro encher
com tintas luta o pintor
acaba por entender
que toda arte tem dor

Quando num parto custoso
vem a surgir outro ser
pode que seja um famoso
o crio que vai nascer

Quando, quando se interroga
e nem sempre há resposta
é como tomar a droga
ou não ganhar uma aposta

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Cada vez mais tenho a sensação de que, para os outros, fui sempre alguém do lado de lá. Não só para os mais afastados, mas também para os parentes. Quanto mais tempo vivo, mais me convenço desta realidade, E, nesta altura, não vale a pena disfarçar que não é assim. A culpa, se é que se pode querer descortinar culpado nesta situação, terá de ser atribuída apenas a mim. Porque não serei abertamente comunicativo. Porque não pertenço àquela maioria de pessoas que mostram dar grande importância ao que os outros dizem, sobretudo quando internamente não atribuem valor suficiente para isso. Será por não ter esse sentimento de interesse demonstrativo, que tanto agrada aos outros interlocutores. Será por isso. Mas, seja pelo que for, a realidade é essa: Provoco pouco sentimento de intimidade nos outros.
E a verdade é que nem sei se sinto falta dessa intimidade. Dessa cumplicidade. Mesmo no que diz respeito aos amigos mais chegados, nunca senti esse entrosamento, daqueles que dá para trocas de confidencialidades. O meu íntimo sempre foi resguardado e, talvez por isso, o dos outros nunca me foi revelado. Antes assim.
Aquilo a que se chama “abrir-se” com alguém, foi coisa que nunca fez parte dos meus costumes. Sobretudo, porque não creio que interesse ao próximo saber o que vai no meu íntimo. Poderão, por simples curiosidade, escutar o que lhes transmitisse de muito privado que existisse no meu âmago, mas mais do que isso não se passaria.
Estar do lado de lá é, pelo menos, estar nalgum sítio. Digo eu, para justificar o meu ponto de vista. Estar em todos os lugares, do lado de cá e do lado de lá, mostrar abertura e até entusiasmo quanto ao que se escuta numa conversação, é uma forma de estar na vida para além de ser cómodo. E não importa averiguar o grau de verdade que existe em tal posição. Se eu fosse assim, só tinha a ganhar no capítulo da apreciação dos outros a meu respeito.
Mas, quanto à apreciação de mim para mim próprio?

MANUEL ALEGRE



Este acontecimento, que está a ser tão divulgado, do deputado socialista Manuel Alegre admitir formar um novo partido de esquerda, deixando, por isso, de fazer parte do PS, leva-me a colocar aqui algumas notas que se relacionam com o poeta, homem que eu, particularmente, estimo e considero.
Ora bem, eu acompanhei bastante do seu exílio na Argélia por via de um outro grande amigo meu, com quem convivi largos anos, desde que foi expulso do PCP, Fernando Piteira Santos, que, por sinal, também fugiu de Portugal, em boa parte com a ajuda que lhe prestei na altura em que estava a ser perseguido pela PIDE e que, por isso, não foi mais uma vez preso e conseguiu partir para o mesmo destino, e esse conhecimento de como andavam as coisas lá por Argel deveu-se à correspondência, via Paris, que mantivemos ao longo de todo esse exílio.
Depois do 25 de Abril, era eu director do semanário independente “o País”, que mantinha uma coluna chamada da Direita e outra denominada da Esquerda, nesta onde escreviam Jaime Gama, Piteira Santos e Manuel Alegre, como prova de que a Democracia tinha que dar sinal de vida também na Imprensa, nessa altura, num encontro que tivemos, por sinal na inauguração da sede do PS no largo do Rato, Alegre, assistindo a esse gesto o próprio Mário Soares, dirigiu-se-me, com aquele vozeirão tão característico, a avisar-me de que, se eu continuasse a aceitar no meu Jornal “aqueles fascistas do Henrique Mendes e Artur Agostinho”, que escreviam na coluna da Direita, ele deixava de prestar colaboração na coluna da Esquerda.
Perante este ultimatum - e eu nunca aceitei imposições - de imediato tive a reacção que me custou muito tomar: “pois muito bem, ficam os colaboradores da Direita!”, foi a minha resposta e assim procedi, muito embora não fosse amigo de nenhum dos que escreviam em tal posição.
Passou-se tempo e, de novo, estive com o Manuel e, a propósito de qualquer coisa, lembrei-lhe a atitude que tinha tomado anos antes. Ficou surpreendido e largou-me: “Eu fiz isso? Que disparate!...” E ficámos por aqui.
Ora, esta possibilidade de vir a surgir um novo partido por inspiração de Alegre, eu, por mim, compreendo a insatisfação com a liderança de Sócrates, porque também a sinto, sobretudo no que se refere à forma como o primeiro-ministro fala para o País. Mas, em consciência, não vejo que outro grupo partidário esteja em condições de ocupar o lugar do Governo. Do PSD, nem é preciso falar. Os restantes não têm eleitorado que chegue para lhes prestar ajuda. Quem pode perder a maioria são os socialistas, mas, ainda que governar nessas condições seja muito difícil, não é de crer que venha a ser mostrado por Sócrates capacidade para ultrapassar a situação complicada em que Portugal se encontra. É que o actual chefe do Governo não sabe ouvir. Julga-se sempre dono da verdade. E não há ser humano que seja detentor da razão em todas as decisões que toma. E é uma pena que tenhamos, nas próximas eleições, que ficar na mesma.
Mas, Manuel Alegre, penso eu, não irá conseguir apoiantes que cheguem para formar um partido de Esquerda que sirva para alguma coisa. Ficar dentro do PS e, no seu seio, fazer todos os esforços para conseguir chamar o líder à realidade, isso sim seria da maior utilidade. E mostrar no exterior que existe Democracia dentro do Partido e não um socratismo que só prejudica o próprio.

domingo, 14 de dezembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Gosto de ver as minhas mãos despidas de anéis.
Nunca tive e não me fizeram falta nenhuma.
Se fosse rico continuaria a manter os dedos despidos de enfeites.
As mãos limpas de sujidade e de adereços, sejam eles quais forem e com o valor monetário que tiverem, são mãos que significam pureza, nem que seja apenas exterior.
Se à tal limpeza à vista se puder juntar, por pouco que seja, alguma pureza íntima, então o ser humano tende a aproximar-se, mesmo que longinquamente, da perfeição.
Hoje deu-me para aqui: os dedos sobrecarregados de anéis, agridem. Pelo menos a
vista.

JÁ NÃO TENHO IDADE

Já não tenho essa idade
passou o tempo de a ter
perdi também a vontade
de pensar que vou morrer

Já não tenho tal idade
para incómodos fatais
p’ra merecer caridade
até dos que estão iguais

Assim faço eu na vida
quieto aqui no meu canto
passou tudo de fugida
e nem sequer fui um santo

A aguardar p’la minha hora
penso bem no tal momento
no velho por quem se chora
no que sou e me contento

Quando passa essa idade
p’ra outras coisas fazermos
obrigar-nos é maldade
podemos ficar enfermos

Há aqueles que não crêem
que a idade muito pesa
pois coitados não se vêem
ao espelho, é só beleza

Passada a idade bela
quando é tão fácil tudo
agora toda a cautela
me torna mais façanhudo

Não senhor, não tenho idade
p’ra fingir que não sou velho
quer no campo ou na cidade
o que me sinto é bem relho

Relembrar tempos antigos
antes de haver liberdade
enfrentando os perigos
para isso tinha idade

Muitos amigos de então
recordo-os com saudade
mortos ou velhos estão
já passaram a idade

A juventude de hoje
gozando a mocidade
já não se esconde nem foge
como eu com a sua idade

Nem p’la cabeça lhes passa
sequer a dor a metade
hoje pode até ter graça
não tinha naquela idade

Mudou muito cá a vida
de voltar não há vontade
p’ra enfrentar tal ferida
eu já não teria idade



CENTENÁRIO? NUNCA!



Cem anos! Que horror! Cumprir essa idade, mesmo que, excepcionalmente, como é o caso do realizador Manuel de Oliveira que chega a tal ponto com invejável agilidade mental, porque a física, essa, como não podia deixar de ser, tem de ficar para trás, atingir um ser humano tal situação é coisa de que não tenho a mais pequena aspiração, sobretudo quando me faltam apenas vinte e dois para apanhar essa carruagem da vida.
Falo por mim, como é óbvio, pois não aspiro a restar um peso morto para os outros, especialmente se não conseguir exercer em pleno aquilo que mais prezo, que é poder escrever sem restrições de qualquer espécie, e não ter capacidade para ler os meus livros, os novos e os antigos, de fazer os meus poemas e de pintar os meus quadros... tudo para ficar para depois.
Por isso, o ideal é, na hora do fim da caminhada em pleno, dizer adeus e passar para outro lado, seja ele qual for, mesmo que não seja nenhum. O acordar morto é o maior bem que pode suceder a quem já cá não anda a fazer nada!
Por enquanto, a consolação ainda é a de ver amigos da nossa geração que continuam a mexer-se, alguns fazendo esforços para se mostrarem em forma, sobretudo se, ao longo da sua vida, deram sinais de saliência em qualquer actividade que desempenharam. Vem-me ao pensamento um actor que, como uma idade igual à minha, me deu o prazer de ter participado na sua estreia, na primeira actuação em que participou e em que ganhou ao primeiros tostões: Raul Solnado. Eu conto, com brevidade:
Na minha juventude, por ser amigo do dono do cabaret Maxime, Carlos Cabeleira, tio do agora muito conhecido pianista e maestro de conjunto José Cabeleira., alí ia com frequência como quem se reúne num café com os amigos. Assim lá ia e sentava-me à mesa com o Carlos, até que um dia surgiu a ideia de se introduzir uma actuação de estilo nacional, para descansar um pouco dos ballets com espanholas que enchiam o palco todas as noites. E aí nasceu a possibilidade de eu entrar a pôr a iniciativa de pé e, numa penada, escrevi um texto que se intitulou “O Sol da meia-noite” e em que o protagonista único era um amolador de tesouras, para o que foi convidado o ainda não actor profissional José Viana, que frequentava o centro de amadores de teatro chamado Guilherme Cossoul.
Mas, a actuação do depois grande José Viana, por culpa do seu isolamento em plena pista do Maxime, não resultou como se desejava e foi aí que se entendeu transformar em diálogo o que até aí era apenas um monólogo. E foi o Zé quem aconselhou a contratação de um jovem que andava também na Academia – o Raul Solnado.
E lá apareceu um rapazinho que, por sinal dava sinais de gaguejar. E foi para ele que tive de acrescentar o texto, cuidadosamente para que as frases não fossem muito extensas. Foi a sua primeira actuação a ganhar dinheiro, por sinal 50 escudos por noite. E até me contou, anos mais tarde, que entretanto tinha sido aumentado para 70 escudos.
Vale a pena chegar a esta altura e ainda ter memória para este tipo de recordações. Mas ir até aos cem anos e não ser capaz de, por exemplo, escrever este texto, isso eu não desejo!