domingo, 7 de dezembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Não sei se tenho sido aquilo que gostaria de ser.
E esta dúvida angustia-me. Preocupa-me. Magoa-me.
Porque o êxito, o total, o completo, isso nunca soube onde residia. Não passou sequer perto de mim.
Seguramente por não ter conseguido ser o que queria ser.

sábado, 6 de dezembro de 2008

OUVE BEM!

Ouve bem, por favor, o que te digo
Não tapes os ouvidos quando falo
Talvez não seja sempre um livro aberto
Mas, por certo,
Não é só quando calo
Que podes aparecer ao postigo

As coisas que eu tenho p’ra dizer
Julgo eu, não são despiciendas
Algo terão de importância
São a ânsia
De fazer com que entendas
Até onde vai o meu querer

Mas se convencer-te eu não consigo
Se não é bastante o meu esforço
Fico-me por aqui e não avanço
Não alcanço
Também se não atinjo não me torso
Só pode ouvir-me quem é meu amigo

ELEGANTE?



Eu não me encontro no número daqueles que estão classificados para decobrir virtudes e defeitos nos outros. Tomara eu poder avaliar-me a mim próprio! Mas, quando vejo apreciações que são feitas a determinadas figuras, dando publicidade a essas conclusões a que chegam, por vezes até grupos de avaliadores, colocando figuras em diferentes lugares das escalas que atribuem, nessa altura apuro-me na análise para ver se concordo minimamente com as tabelas divulgadas.
Esta manifestação meio caída de qualquer sítio vem a propósito de quê? Pois, nem mais nem menos, do que ter surgido em diferentes publicações a notícia de que José Sócrates teria sido classificado, pelo jornal espanhol “El Mundo”, como o 6.º homem público mais elegante do mundo.
Pois, por muito que apreciações deste tipo estejam longe do meu poder de julgamento – ainda se fosse sobre a mulher que considero mais elegante ou mais linda -, não consigo encontrar no actual primeiro-ministro português dotes que mereçam poder considerá-lo como qualquer coisa no capítulo da elegância. Outros méritos terá e um deles poderá ser a capacidade de ter chegado ao lugar público que veio a ocupar há quatro anos. Mas não me adianto quanto a louvores na área da estética.
Teria sido importante se um jornal qualquer, esse espanhol ou outro que se prestasse a tentar conhecer outras valorizações no capítulo da capacidade de governar, de entre, pelo menos, os políticos actualmente no poder na Europa, mas quanto a isso não se vê o atrevimento jornalístico chegar tão longe. È tarefa demasiado pesada para quem tem a responsabilidade de dirigir um periódico e eu que o diga que já exerci essas funções e sei bem o que custa sobressair da rotina e pretender prestar um serviço à opinião pública. Paga-se sempre caro tal desfaçatez.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

DESGOSTO

Como gosto de pintar
De trazer à tela em branco
O dom que sinto no ar
E da alma o arranco

Como ter papel à frente
À espera que o preencha
Com versos que estão na mente
A pedir que eu lhes mexa

Mas a música saltitante
Essa sim bem gostaria
De fazer dela uma amante

Mas aí é que eu não pego
Nem marcha nem sinfonia
Com desgosto, não lhe chego

SOMOS O QUE SOMOS!...


Por mais que queira resistir à tentação de apontar quase exclusivamente os erros que se verificam nos vários pelouros administrativos oficiais que temos a comandar o País, abundam de tal maneira essas falhas que elas constituem o prato mais apetecido pare quem busca tema para encher o seu blogue diário. É o que vai suceder hoje, de novo.
Como estamos nesta época natalícia tida como festiva, ao ter sido referido agora o caso da reabilitação do cine/teatro Capitólio, não posso deixar em branco essa situação tão característica da moleza nacional e que é a manutenção por tempo indefinido do velho Parque Mayer, naquele estado em que se encontra e que, no período do Santana Lopes como responsável pelo Município lisboeta, permitiu que o dito fantasista e gastador dos dinheiros públicos se tivesse dado ao luxo de entregar o projecto a um arquitecto estrangeiro, que cobrou uma barbaridade pelo projecto (que até parece que era aceitável) mas que não passou de um amontoado de papeis que ficarem guardados numa gaveta. Pois, o actual presidente António Costa anunciou que tinha posto fim na “malapata” daquele espaço e apresentou um projecto, da autoria de arquitectos portugueses, cujo objectivo é reerguer o velho teatro, comprometendo-se a que o seu custo total seja de 10 milhões, pagos por contrapartida do jogo do Casino de Lisboa, começando a obra em 2009, ficando concluída… não se sabe muito bem quando… “o mais breve possível”.
Este tema vem sublinhar o escândalo (que digo eu, “escândalo”, quando isso é o que ocorre sempre que há uma obra em Portugal!) que constitui a construção da Casa da Música, no Porto, em que o custo total ficou pelo triplo do que estava previsto, ou seja, mais 78 milhões de euros e sofreu um atraso de quatro anos, em relação à data estabelecida para a sua abertura, tendo sido inaugurada um ano antes de estar pronta!
Tudo isso, afinal, não são mais do que “trocos” dentro do panorama nacional, de erros em datas, nos custos totais com obras e na execução de estudos antecipados defeituosos que provocam depois as surpresas no decorrer das construções, tamanhas calamidades já são tão corriqueiras que ninguém se admira por ver os estaleiros das obras, que se estejam a realizar, prolongarem-se por eternidades, como é o caso das construções dos Metros, sempre que fica resolvido prolongar vias ou alterar o que existe.
Também, quando é o próprio Estado a dever milhões de euros à Câmara Municipal de Lisboa, situação esta que se arrasta nos Tribunais há cerca de 20 anos, segundo um balanço feito no Município no tempo do presidente Abecassis (imagine-se!) e que se refere ainda a terrenos expropriados para construção no aeroporto de Lisboa e da ponte 25 de Abril, quando esta demora ocorre entre parceiros do Governo, mesmo quando se situam na mesma zona partidária, como é o caso actual, como é que podem existir esperanças de que seremos capazes de nos redimirmos dos erros que praticamos na nossa própria casa? Eu já desisti de ver melhores dias !...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

CHULARIAS

Eu não brinco às escondidas
com tudo sério nas vidas
enfrento bem de frente, até o tufão
por maior que seja o seu empurrão
por certo vários cá passaram
e que tristes marcas deixaram
mas ao apurar o saldo, que grande alegria
saber que eu nunca recebi alforria
e sempre recusei alpista
na minha profissão de jornalista
isso grande desconsolo
dos que pretendiam regalar-se com o bolo
das primazias e dos favores
dos louvores
das honrarias
que lhes dão as chularias
de quem sobe à custa dos demais
e que quer sempre mais e mais.
Mas comigo, não
Nunca fui mamão !

O SUPÉRFLUO E O IMPORTANTE



Já não bastava a confusão que paira no nosso País, especialmente com as greves e sobretudo com as que se relacionam com a Educação, para ter surgido agora o diferendo entre o Partido Socialista e o Presidente da República. Mais a mais tratando-se de um caso que mostra insensatez pela pouca importância (comparativamente com situações realmente graves que existem) do assunto, que não constitui, por um lado, a tão temida perda de poder por parte de Cavaco Silva e, por outro, a teimosia do Governo em querer que o PR oiça antecipadamente o Parlamento Regional e o Executivo antes de pretender dissolver o Parlamento açoriano.
Poderão existir razões de um lado e do outro, mas o bom senso mandaria que as duas partes evitassem fazer braços de ferro numa altura em que os portugueses andam tão preocupados com as dificuldades que surgem todos os dias e com as vergonhas que são dadas a conhecer constantemente sobre os casos mais recentes dos dois bancos que estão na berlinda.
De facto, ter vindo a público que o BPN e o BPP deram enormes lucros entre os anos de 2002 e 2007, tendo distribuído dividendos pelos seus accionistas no montante de 48,8 milhões de euros, quando surgem este ano a pedir ajuda do Estado, isto sim é matéria mais do que suficiente para absorver toda a atenção dos Poderes máximos portugueses, que não deviam perder tempo com quezílias sem importância fundamental para a Nação.
E já agora, vale a pena mencionar as remunerações dos órgãos sociais destes dois bancos. Isto para que se aprecie claramente como os grandes são protegidos na nossa Terra. Só no Banco Português dos Negócios, os quatro administradores executivos, incluindo o presidente, levaram para casa, em 2007, um salário de 1 milhão de euros. No Banco Português de Negócios, o mesmo pagamento cifrou-se em 2,8 milhões de euros no mesmo ano. E Oliveira e Costa, o presidente agora detido, recebia cerca de 500 mil contos por ano, a que acrescia uma pensão de 3 mil euros mensais, pagos pelo Banco de Portugal, onde trabalhou cerce de 30 anos.
Não é preciso acrescentar mais no meu blogue de hoje. Por aqui se pode ver como andam as coisas em Portugal, em que o importante pode esperar para ser resolvido e o supérfluo, esse é que dá dores de cabeça. Enfim, não temos mais remédio senão suportar isso que somos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

CORRUPÇÃO

O dinheiro comanda tanto o mundo
e os favores também muito se pedem
a vaidade é o que surge no fundo
e para tudo os custos não se medem

Para haver quem paga há quem receba
o preço depende da importância
da transacção que a gente conceba
e de um factor que se chama ganância

Quando é alguém que ganha do Estado
sendo o dinheiro da população
então o crime não é perdoado

Revolta por ser contra a Nação
não há desculpa para tal culpado
nem tem outro nome é corrupção

TRAFULHICES




Não podem restar dúvidas de que, sempre que um português é distinguido por qualquer efeito positivo a nível mundial, todos nós cá do País sentiremos uma satisfação, maior ou menor segundo o grau de aproximação do feito aos nossos gostos. Mas, indiferentes e muito menos contrários a tal prémio, é que não será normal que nos manifestemos.
Digo isto a propósito da tal Bola de Ouro 2008 que foi concedida ao futebolista Cristiano Ronaldo, rapaz que tem dado mostras da sua habilidade superior para a profissão desportiva que escolheu para a sua vida. Disto parece que haverá unanimidade de opiniões, mesmo que, por razões que cada um defenderá, para alguns seria diferente a escolha da atribuição do prémio, como é o caso do treinador português também muito conceituado, José Mourinho, que veio afirmar que a sua opinião na condiz com a da maioria.
Seja como for, o rapaz madeirense que acabou por ser distinguido é o terceiro do nosso futebol que mereceu tal distinção, ou seja, primeiro foi o Eusébio, depois Luís Figo e agora Cristiano Ronaldo.
O que talvez mereça certa observação é o facto do comportamento do premiado fora dos campos de futebol não se adaptar ao prestígio que atingiu na área futebolística. Tem-se mostrado excessivamente vaidoso, exageradamente mediático, até mesmo arrogante dado o excesso de dinheiro que tem conseguido, fruto do prestígio que alcançou. E, quanto a isso, muito embora os portugueses fiquem satisfeitos pelo sucesso, não podem concordar com um compatriota que não respeita uma determinada humildade, que nunca é demais, sobretudo quando se é natural de um País pobre e em dificuldades.
Pronto. Aqui fica o que penso e quanto à modéstia que gostaria de ver na excessiva comparência da sua imagem nas capas dos jornais e revistas, também eles culpados do exibicionismo que é dado a quem não está preparado, por falta de instrução, para uma subida pública tão repentina e tão exagerada, quanto à modéstia parece que estamos conversados.
Mas, por falar em excesso de dinheiro, não quero deixar de referir aquilo que acabo de ouvir na televisão de que, os administradores dos bancos nacionais, segundo um estudo efectuado em relação ao ano de 2007, auferiram salários mensais na ordem dos 70 mil euros, isto sem falar nas centenas de milhões que custaram aqueles que saíram dos lugares por não prestarem.
Mas não são só esses. Muitas empresas, geralmente com ligação ao Estado, também pagam aos seus colaboradores de topo verdadeiras verbas escandalosas. E isso sai tudo do bolso dos contribuintes que, cada vez mais, se vêem afogados com a falta de dinheiro para o seu dia-a-dia. Aliás, ainda hoje saiu na Imprensa que cada português paga 38 euros para os Tribunais que custam, por ano, 404 milhões de euros e prestam o serviço que se sabe.
Para concluir, por agora, basta apontar as irregularidades de dezenas de milhões que um ex-administrador do BPN praticou na área do futebol, tendo ficado tudo escondido na época para evitar escândalo público.
Tudo isto neste blogue para dar a conhecer, para quem, por ventura, ainda se encontre iludido com as “bondades” de muita gente que dá a aparência de cidadania impecável, que reina por aí muita fortuna conseguida à custa de trafulhices da pior espécie. Sacar vilanagem!, parece ser a palavra de ordem para tal gentinha sem escúpulos que, apesar de tudo iso, é a protegida da Fazenda!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A CHUVA

A chuva molha a cidade
Fica mais triste, escurece
É duro, mas é verdade
É assim, quando aparece

Tocada a vento, então,
Mais agreste fica ainda
Nela o Homem não tem mão
Mas por vezes é bem vinda

Sim, há gente que a deseja
Que tanto implora por ela
É o pão da sua boca

Ela é sua benfazeja
Desponta como uma estrela
Toda a chuva será pouca

O FRIO


Parece que hoje mudou alguma coisa no tempo que tem feito, pelo menos aqui em Lisboa, pois surgiu uma manhã com sol e só se mantém o frio que, nesta época natalícia, é tradicional, dentro do clima temperado de que temos fama, em comparação com o resto da Europa que, quando arrefece, não é para amadores, pois os abaixo de zero fazem-se sentir a doer.
Se levarmos em conta a tese de alguns meteorologistas de que, num próximo futuro, só haverão duas estações por ano, o Inverno e o Verão, quer dizer que, pelo menos a simpática Primavera, essa desaparecerá do mapa, e os habitantes do mundo terão de se habituar ao que surgir e ninguém sabe, por enquanto, se esses dois extremos farão mais felizes os cidadãos ou nem por isso.
Seja como for, se for, aquilo que nos deve preocupar – pelo menos a mim, que tenho a felicidade do ser humano como primeira prioridade – é se o facto de deixarem de existir estações do ano que sejam intermediárias das duas de ponta será mais aceitável para a saúde do Homem ou se aquele período de aclimatização do que vem seguir prepara os corpos para a mudança. Pelo menos, dado que se conserva o princípio de que o Outono é a época em que é necessário certo cuidado com algumas doenças que espreitam, se o frio surgir logo a seguir à caloraça, pode ser que o vestir a roupa quente de um dia para o outro seja preferível ao tempo de interregno que não goza de boa fama.
Digo isto tudo porquê? Porque, pelo menos em Lisboa, talvez venha a verificar-se uma preparação mais estudada para a época das chuvas, isto é, espera-se que seja possível que não se verifique aquilo que, por exemplo, se assiste ainda hoje, de, por falta de desentupimento antecipado das sarjetas, se encontrarem inundados de águas sujas os canais junto aos passeios das ruas. Pelo menos foi o que vi há pouco na minha zona. E, claro, não é só isto. Já é conhecido que a mim me preocupa sobremaneira tudo que ocorre na nossa capital. Por isso, por mais que queira alhear-me das faltas e dos defeitos nos cuidados que o Município lisboeta deveria ter, quanto mais não seja com o aspecto visual da nossa Cidade, nunca me escapa apontar o que, mesmo sem gastar muito dinheiro – que, neste momento, é, de facto, pouco – tinha obrigação de merecer a atenção de um dos vereadores que tenham a seu cuidado os erros que nem precisavam de ser apontados.
Cada um tem obrigação (e até é pago para isso) de estar atento ao que se passa na área que lhe está entregue. Digo isto com intenção de me referir particularmente à actuação dos membros da Câmara Municipal, vereadores e funcionários específicos, pois há situações mal resolvidas que podem passar despercebidas, mas o bom aspecto de Lisboa é coisa que está sempre debaixo de olho, de nós, “alfacinhas” mas, sobretudo, dos que nos visitam.
Ainda está para vir mais chuva, e ainda bem, portanto abram os olhos todos os que, no Município lisboeta, não se podem apenas refastelar com o confortável ambiente dos seus gabinetes.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Quando releio as centenas de poemas que já escrevi e que conservo em folhas soltas que, constantemente, se misturam, a minha vontade é fazer um molho desses papéis e despejá-los no caixote do lixo. Mas tenho, primeiro, que esquartejar todas as páginas, não vá alguém encontrá-las e depois exibi-las como obra sua.
Fico, porém indeciso. Será que não têm essas poesias, de facto, o menor valor? Que, bem seleccionadas, alguma coisa será aproveitável e supere a mediocridade?
Esta falta de confiança, que entra em mim quando remexo nos escritos de saíram da minha produção, a incerteza quanto ao valor que pode ter tanto trabalho, esse receio de poder ser considerado um intruso no meio literário obriga-me a encher as gavetas dos pendentes, sem coragem para oferecer à crítica, à opinião dos outros, alguma coisa que um valor tem, sem a menor dúvida: é tudo fruto de esforço, de empenho, de desejo em utilizar o tempo que me falta até ao passo final, deixando alguma coisa a que não assistirei qual vai ser o seu destino.
E assim, vou escrevendo prosa e poesia, da mesma forma que, de vez em quando, pego nos pincéis e encho uma ou outra tela de desabafos coloridos. E vou guardando tudo, ao ponto de não haver já muito espaço para armazenar aquilo que só eu sonho poder vir a ser apreciado um dia…
Não faço questão de assistir a esse surgimento.





CONTRATEMPOS



Tempo é coisa que não se segura
a medi-lo levamos toda a vida
e enquanto a existência dura
se não a damos toda por perdida
agarramos a árvore do tempo
porque essa, sim, é a que se vê
seguramo-la sem um só lamento
pois no tempo, nele só se crê

Não se vê, mas sente-se bem passar
tal como dizem, que o tempo é dinheiro
tudo ao mesmo tempo, até faltar o ar
mas para partir quem irá primeiro
pois todos nós, claro, envelhecemos
quem lá chegar que veja bem a hora
se o tempo conta como cá fazemos
e se também há depois e agora

Os minutos de tempo que separam
uns momentos dos outros, tal e qual,
servem para todos os que os comparam
e apartam o que é bom do que é mal
marcando os piores com uma cruz
metendo em cápsulas todos os tempos
que voam com a rapidez da luz
tanto os bons como os que são contratempos

Bons tempos que já lá vão e não voltam
que os maus esses nunca se esquecem
os tempos perdidos que nos revoltam
que também eles são os que envelhecem.
Se é tempo de começar novamente
mesmo que seja já com tempo pouco
pelo menos que chegue à tangente
para nos salvar deste tempo louco
que de loucura anda o mundo cheio
em correria no mesmo lugar
com o Homem sempre em grande anseio
de do mesmo sítio nunca mudar

Seja de chuva o tempo que faz
ou um bom sol ilumine a terra
aquilo de que ninguém é capaz
é de evitar que haja sempre uma guerra
todo o tempo da história do mundo
séculos e séculos que passaram
mostraram como sempre lá no fundo
houve quem morresse e os que mataram
sem compensar todo o tempo perdido
face ao tempo que não foi vivido.

Bem bastam os desperdícios dos tempos
Com todos os inesperados contratempos.

DIVÓRCIOS



Hoje, primeiro de Dezembro, com este cheiro a Natal que, por muito que se queira disfarçar, as pessoas fazem questão de lembrar com os seus embrulhinhos que, mesmo assim, apesar das dificuldades, lá se vão vendo, mas hoje, feriado nacional por recordação de uma data que os portugueses gostam de comemorar, pois sempre é um dia a menos de trabalho, o que fica mais marcante é a entrada em vigor de uma nova lei que passa a regular o divórcio, com a introdução de novidades, com as quais nem todos concordam.
Pois é, como também é muito corrente entre nós, a discórdia quanto à aceitação de alguma coisa que toca no hábito que vem de traz, esses pensares diferentes provocam levantamento de opiniões que surgem particularmente na Imprensa. E é o caso.
Cavaco Silva que, como Presidente da República, teve de promulgar o documento que começa hoje a ser aplicado, não o fez abertamente e de boa vontade, tendo mostrado a sua relutância quanto a certos pormenores da nova lei e os partidos com assento parlamentar também se dividiram na sua aceitação. Primeiro foi apenas a Esquerda que mostrou acordo, com os votos contra do PSD e do CDS, tendo acabado por convencer certos deputados laranja, que se abstiveram. A proposta foi, como é óbvio, do PS, e a maior oposição surgiu de Belém, pois Cavaco Silva, tendo, por fim, assinado a proposta, fê-lo com reparos contundentes, especialmente no que diz respeito a situações de “profunda injustiça” e de “mulheres com fracos recursos e com filhos menores”, isso no que diz respeito tanto à primeira como à segunda versão do documento, esta por parte do PS que aceitou as reprimendas do Presidente. É que, de facto, verificou-se, primeiro o veto presidencial, e só depois das emendas efectuadas é que deu o seu consentimento.
Conto isto tudo porque, deixando de existir o divórcio litigioso, bastando o consentimento de um dos cônjuges, o acto fica simplificado, mas talvez passem a surgir muitas mais separações legais, com as consequências penosas para os filhos, sobretudo crianças, ao assistirem a cada um dos seus progenitores partir para lados diferentes, continuando a caber ao juiz a determinação de atribuir o exercício do poder paternal. E é aqui que, possivelmente, vão surgir as maiores discórdias, existindo também outros factores que ficam sujeitos a prováveis erros judiciais.
Mas, seja como for, o facto de simplificar vida dos cidadãos e de reduzir a intervenção dos Tribunais, só isso, quanto a mim, merece a simpatia de quem, mesmo não se encontrando em fase de divórcio, sempre lutou contra a doença da burocracia no nosso País, um mal que vem de longe, um vício que está enraizado nas administrações públicas de todos os tempos neste Portugal que tem de se habituar a não ser tão exigente com a papelada oficial.
Vamos lá a ver, porém, se estas alterações nas leis do divórcio não acabam por ser pior a emenda do que o soneto…

domingo, 30 de novembro de 2008

CARTÃO DO CIDADÃO





Hoje, até porque tenho um tempo muito limitado visto que acabei de chegar de Torres Novas onde fui para servir de júri no Festival do Arroz Doce, não posso alargar-me em comentários sobre o que ocorre aqui no nosso País, que mereça fazer perder tempo aos leitores do meu blogue – que parece estarem a ser cada vez em maior número – com a sua apreciação. Mas como tenho feito questão que, cada dia que passa, não deixe ter algum apontamento da minha autoria, nem que seja apenas um poema ou um pensamento que me tenha ocorrido, por isso eis-me com meia dúzia de palavras.
E o que me leva a preencher este espaço é a notícia que li de que já tinge a casa de umas centenas de milhar o número de pedidos e de parte já entregue do novo Cartão do Cidadão, que reúne, num só documento, vários dos outros de identificação que é preciso transportar sempre nas nossas carteira.
Segundo está a ser divulgado, este documento preenche o espaço dos característicos bilhetes: de Identidade, de Contribuinte, Segurança Social, Utente de Saúde e de Eleitor. É pena que não ocupe também o referente à Carta de Condução, como sucede em muitos países onde este cartão tem uma importância essencial na identificação do possuidor.
Mas, basta-me, por hoje, sublinhar dois factores, um de crítica e outro de elogio O primeiro é, como de costume na nossa Terra, começar-se uma iniciativa tomada sem antes nos prepararmos convenientemente para prestar o serviço sem falhas e correspondendo a uma programação bem pensada e melhor ainda posta em prática. É que, após dois meses de ter começado o serviço de satisfação dos pedidos dos cidadãos que desejam usufruir deste serviço, foram necessários abrir mais 31 balcões para responder à afluência que, pelos vistos, não era esperada (?), mas, mesmo assim, ocorrem mais de 3 horas de "seca" para tratar do documento, quem pretende fazer a marcação pelo telefone para conseguir marcação, é-lhe dada uma data bastante longínqua que desanima qualquer interessado, o sistema informático dos serviços chegou a ir abaixo em determinada altura e não se sabe quando tudo funcionará correctamente, por forma a darmos os parabéns por termos, aqui e acolá, algumas coisas que acabam por chegar depois de os vermos a ser utilizados lá fora. O outro factor que refiro, o do elogio, é por constatar que aquilo que eu apontei várias vezes em escritos da minha autoria, inclusivamente num blogue atrasado, que era precisamente a necessidade de acabarmos de vez com a quantidade enorme de cartões que temos de carregar para provar a nossa existência, por ter sido posta em prática essa minha insistência – e não terá sido, certamente, pelo facto de ter teimado em referir o assunto – merece que eu agora faça o elogio, repito, reconhecendo que, apesar de tudo, mais vale tarde do que nunca.
Vamos agora esperar pela conclusão do processo e até o alargamento dos serviços, para que não se torne necessário sermos portadores de um arquivo para, com a maior rapidez, demonstrarmos quem somos.

sábado, 29 de novembro de 2008

LOGO...


Os preços dos carros novos vão subir 2,5% em Janeiro próximo. Logo… se baixaram bastante as vendas de automóveis, por motivo da crise, do custo da gasolina e do pouco dinheiro que cada família média pode dispor, essa situação ainda se vai agravar mais para os vendedores de viaturas.
A crise também se está anotar nos casinos. Têm mais clientes, mas cada um joga menos. Logo… não há tanto dinheiro para arriscar e os Stanley Ho deste mundo também sofrem as consequências.
Sócrates continua a proteger a ministra da Educação, não fazendo o que se impunha que era nomear outro político para o lugar. Logo… a “guerra” com os professores continua e quem sofre com tudo isto são os alunos que, todos contentes, nem precisam de estudar.
Na Assembleia da República lá se realizou o debate para aprovação do Orçamento para 2009, que resultou na aprovação apenas com os votos do PS. Logo… apesar das lamúrias que permanentemente surgem por parte das Oposições, a verdade é que o Governo continua, feliz da vida, a fazer o que entende e, até às próximas eleições, Sócrates e os seus sequazes não cuidam de se esforçar para pôr de parte os elogios em boca própria e usar melhor o dinheiro público, que é o que tem de estar debaixo de olho neste momento.
Paulo Portas, no meio da sua pequenez política, não deixa de apontar o dedo desde a sua cadeira de deputado, atirando ao primeiro-Ministro as acusações mais violentas que surgem do lado dos parlamentares que estão contra o Governo. Logo… nem assim o CDS cresce no horizonte político, nem o Governo liga a mínima ao que lhe diz o partido da Direita.
Dias Loureiro continua a sua vida, agora reconfortado pelas palavras de Cavaco Silva que não lhe retirou o lugar de Conselheiro de Estado. Logo… tudo indica que, para ocupar uma posição que obriga a uma posição que não levante as menores suspeitas de má conduta em qualquer situação, não é necessário nem sê-lo nem parecê-lo.
A Ordem dos Advogados está em alvoroço, porque uma parte dela não concorda com o actual Bastonário. Logo… o que parece ser o ideal, até naquela Organização que deveria merecer o maior respeito dos cidadãos, é que um bastonário não seja muito falador e que não venha à praça pública enfrentar situações que convêm ficar protegidas de críticas.
Aquele caso, que foi muito falado, em que Abel Pinheiro, então exercendo as funções de tesoureiro (ou coisa parecida) do CDS, foi escutado telefonicamente pela Polícia, o que o tornou arguido quanto ao corte de milhares de sobreiros (completamente proibido) numa propriedade denominada Portucale, continua ainda no Tribunal e aguarda por uma conclusão. Logo… as influências políticas continuam a dar resultado no nosso País, fazendo com que culpados em actos ilícitos andem por aí a rir-se e a vangloriarem-se do que fizeram.
O Banco Privado Português, atravessando um período de enormes dificuldades e tendo-se candidato às garantias do Estado para usufruis de empréstimos de outras instituições, o que lhe foi recusado, parece ter a sua salvação alcançada, dado que outros seis bancos nacionais se juntaram para proceder a uma injecção de cerca de 500 milhões de euros. Logo… era previsível que um banco, tido como sendo uma “caixa” dos ricos, não fosse deixado entregue à situação que atingiu também outras casas congéneres; o próprio Governo mostrou-se disponível para ajudar o BPP, muito embora o ministro das Finanças tenha declarado, há uma semana, que a queda do BPP “não constituía um risco para o sistema uma eventual falência do BPP”.
Quanto ao Banco Português de Negócios, Oliveira e Costa, o único arguido detido até agora quanto à embrulhada que conduziu aquela instituição bancária à situação difícil em que se encontra, devido, parece, a negócios ilegais praticados, assumiu sozinho a responsabilidade total dos acontecimentos. Logo… a conclusão a que se chega é que, ou, de facto, o que foi presidente do BPN tinha o poder absoluto e não dividiu com ninguém os resultados das acções praticadas (que lhe deram elevados proventos), ou o ex-banqueiro é um indivíduo que, apesar de tudo, tem enorme formação moral.
E muitos mais “logos” havia a referir neste espaço. Mas não posso ir por aí fora, correndo o risco dos eventuais leitores não terem paciência para chegarem ao fim do texto. Logo…

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

MAIS DO MESMO



Que se pode esperar, quanto a novidades, deste País que, sem poder fugir da crise que grassa por toda a parte, continua a lutar com aquilo que, afinal, já está habituado desde séculos de existência? Sim, porque no que diz respeito a adversidades, sem querer comparar com outros locais pelo mundo que terão mais razões de queixa do que nós, quem conhece minimamente a História portuguesa e não é de todo indiferente ao que tem ocorrido, ao longo de múltiplas eras, em vários locais da esfera terrestre, não se pode admirar de, neste momento preciso, não andarmos a lançar foguetes de contentamento pelo facto de estarmos a sentir a felicidade espalhada pela população inteira deste cantinho à beira-mar plantado.
O Natal que está aí à porta, e que, no meu caso, nem é a época que transporta mais alegria, desta vez apresenta-se ainda mais lúgubre e nem dá vontade de andarmos por aí a fingir que tudo corre bem e a desejar “boas festas” a torto e a direito, até a pessoas a quem nos é indiferente que as tenha de uma forma ou de outra. No caso dos cartões que, cinicamente, se enviam e se recebem apenas para marcar uma presença, mas que de verdade não transmitem o mais pequeno sentimento, provavelmente este ano nem vão ser muito usados. Os bancos, que, neste aspecto, mantêm um hábito de ir à lista dos seus clientes e remeter-lhes, automaticamente, um cartão igual para todos, seguramente que, dadas as circunstâncias que os têm posto em exposição pelas dificuldades que atravessam, este ano não vão dar largas ao seu fingimento. A menos que, a sem vergonha seja superior à consciência sobre as realidades.
Eu, por meu lado, não utilizo este blogue para endereçar quaisquer desejos a quem, por ventura, costume ler o que escrevo. Aos editores de livros, em particular, não faço outros votos que não sejam os de prestarem melhor atenção quanto às suas escolhas de autores e de qualidade dos escritos, por forma a que se dê descanso ao “lixo” que, sendo comercial, não ajuda a melhorar o panorama da literatura portuguesa. Basta de carolinas e de mediatismos provenientes de caras que são conhecidas por razões que nada têm a ver com os escritores e poetas que por aí há e que merecem que se lhes dê oportunidade. Surgirem obras de valor, anos depois dos autores já não se encontrarem no mundo dos vivos, só serve para outros, familiares ou não, gozarem do prazer de serem do mesmo sangue ou pertencerem ao número dos que conviveram com os homenageados.
Mas, com crise ou sem ela, este País de portugueses com características muito próprias, lá se vai arrastando, mostrando, ano após ano, o seu clássico sempre mais do mesmo.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

PEDOFILIA





Todos os dias se espera que as notícias surjam com a indicação de que terminaram, finalmente, as alegações que têm ocorrido no Tribunal sobre o ultra velho julgamento Casa Pia, mas esse encerrar do processo continua-se a arrastar, agora por isto, depois por aquilo, e os arguidos que fazem parte da história lá vão caminhando para a sala de audiências, deixando todos os interessados em conhecer o desfecho com a curiosidade em suspenso.
Agora, foi a de que Bibi, o único sobre o qual, embora tendo estado já na cadeia, não existem dúvidas de que, no final, será objecto de alguma condenação, acabou por denunciar o antigo provedor-adjunto do referido estabelecimento escolar, Manuel Abrantes, como também implicado na prática de abusos sexuais em menores. Ele, que sempre o tinha deixado de fora como culpado.
Por outro lado, o procurador João Aibéo continua a diminuir os crimes imputados ao mesmo Bibi, devido ao facto do actual Governo ter mudado a lei para ser aplicada neste processo, fixando em apenas um único “crime continuado” em relação a cada uma das vítimas. O que torna absolutamente igual dizer-se que há 500 ou mil crimes. É completamente indiferente.
O que revolta ainda mais é saber-se que, desde 1823 que a pedofilia documentada é praticada na Casa Pia. Catalina Pestana, que foi provedora daquela instituição até Maio de 2007, não se cansa de referir que existe uma enorme impunidade de que têm beneficiado os pedófilos que, sobretudo nesta fase dos acontecimentos, têm sido privilegiados pela ausência de acusação, frisando que a lei do silêncio é sempre a mais forte. E sublinha que, neste processo “estão presentes apenas personalidades da guarda avançada, mas que o grosso da coluna está cá fora”, isto porque “os jovens apontaram mais nomes do que aqueles que estão no processo”.
Perante tudo isto a que se assiste, não é possível que o cidadão comum, aquele que só toma conhecimento do que se passa no nosso País pelo que lê e ouve nos órgãos de Informação, não se interrogue como é possível que existam autoridades de todos os tipos, desde o mais alto de todos e por aí abaixo até ao que já pouco poder possui – mas algum ainda terá -, e não faça alguma coisa para que não fiquem impunes gentinhas que, por muito bem colocadas que se encontrem no mapa das importâncias, não merecem que gozem de protecções que chegam ao ponto de ocultar casos como este de tamanha malvadez.
Muito dinheiro deve andar envolvido em situações do tipo que registo no meu blogue! Só pode ser isso…

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ninguém nasceu para aquilo que é
e para o que possa vir a ser.
Depende muito de si próprio,
das circunstâncias que rodeiam cada um,
da sorte e de muito trabalho para a conseguir.

PACHORRA

Não tenho pachorra
Não posso com isto
Viver na modorra
Aturar tal lixo

Olhando em volta
Que vejo Deus meu ?
Está o mundo à solta
Quem perdeu, perdeu

Não tenho pachorra
Perdoem-me, porra !
Não posso ir mais longe

Sumir-me quisera
Meter-me pudera
Na pele de um monge