domingo, 9 de novembro de 2008

ERROS DO GOVERNO



Depois deste tema sobre a liberdade que vem reproduzido abaixo e que faz parte do meu futuro livro com o mesmo título do texto transcrito, lá volto eu a focar as desgraças que ocorrem por estas terras, já que, como tenho afirmado, são volumosas as matérias que me dão ocasião para preencher este espaço e o contrário é tão raro que só me daria para escrever uma vez por semana, em lugar de o fazer todos os dias, como tem acontecido
Vamos, portanto, a isso. Começo por repisar um assunto a que já me referi por mais de uma vez e que, por casualidade, num programa televisivo desta semana, foi focado e repisado. Trata-se da questão do preço dos medicamentos em Portugal, comparativamente com o que se paga noutros países, sobretudo em Espanha, e o custo que o Estado suporta, em muitos milhões de euros anuais, tudo porque as forças governamentais não mostram ter força bastante para lutar com os lobbies farmacológicos, não controlando os preços e não obrigando a que as doses que se vendem por cada receita sejam mais reduzidas, o que ocasiona o montão de remédios com datas ultrapassadas, porque não foram tomados para além de meia dúzia de pastilhas, quando é o caso, que são entregues às farmácias para reciclar… dizem.
Mas digo mais: o caso da linha do Tua, que provocou o descarrilamento de um comboio naquela via, levou dois meses a ser apurado o motivo do acidente. Morreu gente e DOIS MESES! de espera por um inquérito… Cá está. Esses fulanos que se intitulam de mandões na máquina governativa não são capazes de ter vergonha naquelas caras e actuar rapidamente, tomando todas as medidas para que não ocorram esperas, estas e todas as que são costume naquilo que se diz ser o nosso País. São todos uns autênticos “panhonhas”, que é o nome que se lhes pode dar, sem interessar a que partido político pertencem. São portugueses sem vergonha da figura que fazem. É o mínimo que posso dizer.
E, já agora, também chamar à liça o caso do aeroporto de Beja. Saiu a lume que o caso tem já dois anos de atraso e que as linhas de ligação a esse posto de partida e chegada de aviões, quer as rodoviárias quer as ferroviárias não estão sequer estudadas. Pode ser que não seja urgente pôr de pé este aeroporto. Talvez até seja. Mas então, para quê gastar dinheiro em estudos e lançar a ideia no conhecimento público, se não existe a ideia de levar a iniciativa por diante? Andamos a brincar a quê? Ao Portugal a fingir?
E temos nós de votar, nas próximas eleições, num Governo que tome conta disto. Mas qual? Que gente existe por aí, capaz de se deixar de fantasias, de jogos de poder, e tenha o mínimo de bom senso para ser capaz de actuar por objectivos, ter noção das opções mais urgentes e funcionar por ordem das nossas possibilidades, pondo na rua todos os “jamés” que andam por aí a gastar o pouco dinheirinho que temos?
Só deixo aqui um conselho de um ignorante português que, apesar de tudo, se sente com mais discernimento do que aquele que tem sido mostrado ao longo dos múltiplos governos que passaram pelo Poder: Antes das eleições, faça uma limpeza no seu elenco, pois está mais que demonstrado que essa gente, na sua maior parte, não tem capacidade para ocupar os lugares que ocupa. E, claro, não lhes entregue depois lugarões desses que os ministros e seus descendentes logo ocupam e onde vão ganhar ainda mais dinheiro do que recebem agora. Eu já sei que tudo isto que deixo aqui escrito não é para ser lido. Mas, no meu caso, posso dormir mais descansado...

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Ainda está por explicar completamente o que é isso de liberdade. Um preso pode gozar um pouco mais da liberdade do que aquele que se desloca para onde quer e pode? Um multimilionário é, na verdade, um homem livre? Um crente fervoroso da sua religião tem liberdade absoluta?
E poderia ir por aí fora com este tipo de interrogações. Só que a resposta não surge com facilidade. Há muitos mas! Excessivos até!
Seguramente, a liberdade é a característica de não se ter necessidade de qualquer outro para viver. Logo, liberdade absoluta não existe. Se há necessidade de recorrer ao trabalho para se ir vivendo, ninguém consegue isolar-se totalmente do mundo que o rodeia. E, por isso, tem de fazer concessões.
A solidão, até mesmo o isolamento quase completo e a fuga ao relacionamento podem ser conseguidos só até certo ponto, pois são interrompidos sucessivamente. As necessidades básicas do ser humano impõem os contactos, por poucos que eles sejam. Logo, existe dependência dos outros. Portanto, não há liberdade total.
Essa liberdade absoluta só chega ao homem quando se morre. Aí, liberta-se de tudo. Não necessita mais, seja de quem for. O milionário não tem de se preocupar mais com a guarda dos seus valores. Já não lhe pertencem. O miserável também não precisa da esmola dos outros. O que trabalha, o que obedece, o que se sujeita a normas estabelecidas para que possa manter-se vivo, todos esses só com a morte atingem a liberdade plena.
O homem, desde que nasce, é um escravo dos deveres, de obrigações, de compromissos. Tem de ser cumpridor de regras que outros estabeleceram. Não pode fazer tudo que lhe apeteça, porque se o fizer é criticado, é mal visto, é penalizado e pode deixar de ter a outra liberdade, aquela que também não existe atrás das grades.
Eu, que escrevo este texto, sou livre de colocar no papel aquilo que quero. Mas deixo de o ser se pretendo divulgar publicamente em livro o que produzo. Para mim escrevo o que quero e o que me apetece e o que consigo, mas para os outros essa liberdade fica condicionada à possibilidade de edição. E essa é comandada pelo interesse de um editor, o qual, por sua vez, está limitado pelos interesses do mercado. De que hajam leitores. E estes dependem do seu grau de cultura e do seu poder de compra.
Liberdade, liberdade, cada um chama-lhe sua! Mas, por mais que grite, por muito que se esfalfe cada um de nós a clamar pelo fim das limitações, estamos todos condicionados e isso da liberdade é retórica dos livros.

sábado, 8 de novembro de 2008

TERMAS

Há-as de todos os tipos
Lindas e apalaçadas
As que só usam os ricos
Que aí passam temporadas

Como há as medianas
Que bolsos magros suportam
São quase sempre espartanas
Os clientes não se importam

A que eu uso é especial
Há anos que a escolhi
Para mim é uma praxe

No centro de Portugal
Amei-a logo que a vi
Tem por nome Alcafache

PORTUGUESES BEM DISPOSTOS




Bem gostaria de poder preencher os meus blogues com temas que dessem conta de factos ocorridos em Portugal que nos fizessem transbordar de alegria, o que seria sinal que não seria necessário recorrer a assuntos que só sublinham os erros e as asneiradas que se praticam por cá a vários níveis, e em que as forças públicas estão permanentemente a ser chamadas à liça, porque, por mais que não queiramos, é dessa origem que saltam maiores razões para nos inquietarmos.
Hoje, sábado, poderia surgir alguma coisa que aliviasse os tormentos provocados por inúmeros factos que não nos deixam contentes por sermos naturais deste País. Fartos, como estamos, com situações penosas, como é a que está ainda sob a nossa atenção, a do B.P.N., bem andei à busca de uma notícia, uma só que fosse, que amenizasse o ambiente em que vivemos. Mas não! Só se inventasse uma história mirabolante, que fosse procurar numa ficção de autor bem disposto, mas eu não gosto, nos meus blogues, de fantasiar. Por isso lá vai o que tenho para dizer nesta altura:
Foi bem visível a manifestação dos professores em Lisboa, que reuniu, segundo dizem, cerca de cem mil almas a gritar pelas suas razões. E a marcação de uma greve dos “ensinadores” da nossa juventude surgiu como indicação do passo seguinte dessa classe, dado que não concordam com o modelo de avaliação dos professores.
Quem, como eu e como serão muitos que frequentaram velhas épocas escolares, tem presente que os alunos, com mais de 10 faltas num ano às classes respectivas, “chumbavam” sem apelo nem agravo e que os professores tinham de cumprir rigorosamente as suas obrigações – e uma delas era serem competentes -, exercendo verdadeira autoridade para poderem exigir dos estudantes o melhor que eles podiam dar de si, quem se encontrar nessas condições não pode deixar de sentir saudades como as que eu tenho de alguns dos seus mestres antigos, praticamente todos, como é óbvio já mortos, que deram mostras de saber o que estavam a fazer e, dentro do rigor que era habitual nessa época, deixaram atrás de si muita instrução dada. Aprendeu-se muito e longe de nós de lhes faltarmos ao respeito e de fingirmos que sabíamos!...
Eu não desejo pronunciar-me quanto à concordância ou não com as reivindicações dos professores de hoje, também não deposito grande confiança na Ministra que gere o sector, mas faz-me alguma confusão ver aqueles que deviam ser os que dão o exemplo, a marcar greves e a andar pelas ruas de braços no ar e aos gritos. Não pega!
Mas, já agora, só mais uma coisinha sem importância: a de as cartas de condução, ao terem de ser revalidadas, se esperar meses (eu aguardei 7) para receber a que substitui a que caducou. Nem pude conduzir em Espanha, porque ali o papelito de substituição não é aceite, sobretudo onde a revalidação se faz num quarto de hora nos serviços respectivos.
Como é que se consegue apresentar assuntos que nos animem a ser portugueses bem dispostos
?...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

BEIRA ALTA


Sentado nesta cadeira
numas termas, num café
é em plena Alta Beira
que vejo viver a fé

Quase tudo gente idosa
que não esconde suas dores
tem o seu quê de chorosa
mas sem bons nem maus agouros

Pessoas de índole boa
só talvez gritem demais
seu falar não atraiçoa
pois são plenos vendavais

Essas palavras cantadas
pelas mulheres, sobretudo
são todas bem silabadas
mesmo que sem conteúdo

No final de cada frase
Põem aí o acento
é essa afinal a base
de um certo encantamento

Aqui estou nesta cadeira
a ouvir falar quem passa
gozando os prazeres da Beira
desta gente amigalhaça

Numa altura das vindimas
a poesia melhora
saltam da pena as rimas
e a inspiração aflora

Falai, falai oh Beirões
o vosso falar tem graça
todos vós sois campeões
pois não choram a desgraça

Aqui o tempo ficou-se
deixou progresso passar
vive-se como se fosse
uma ilha em pleno mar

Os filhos da terra voltam
em férias de emigração
suas alegrias soltam
e abre-se o coração

Rever as velhas casinhas
mostrar os carrinhos novos
gozar as boas pinguinhas
bailar modinhas nos povos

Tudo isto é Beira Alta
a verdade é bela e pura
o que não há não faz falta
e as paisagens são pintura

Oh Beira Alta querida
com tanta casa fechada
é pena estares ferida
por muita gente emigrada





AINDA O B.P.N. - NÃO ESCONDER!

Há ocasiões para tudo. Dias atrás e por razões compreensíveis, a eleição de Obama para a presidência dos E.U.A. preencheu os espaços de comunicação e, durante bastante tempo, sempre que houver novidades, o tema não deixará de ser o preferido por todos os que escrevem e comunicam.
Mas, nesta altura e por cá, o que chama a atenção principal dos mesmos comunicadores é o que ocorreu e que se vai conhecendo a pouco e pouco. Refiro-me, naturalmente, à bronca do Banco Português de Negócios.
Pois a burla, o abuso de confiança, a fraude fiscal e os buracos nas contas são motivo mais do que suficiente para que o assunto não passe sem serem apontados e sublinhados uma a uma das descobertas que forem sendo reveladas, existindo a ânsia, mais do que normal, de saber o que vai acontecer aos que forem considerados culpados da má gestão, tenha sido ela programada para benefícios próprios quer se tratem de incompetências na ocupação dos seus lugares.
Decorrem, neste momento, investigações pelo Ministério Público, ao mesmo tempo que uma queixa-crime contra incertos, acompanhada por uma auditoria interna ordenada por Miguel Cadilhe, o actual presidente do B.P.N., tudo isso procura pôr tudo a limpo.
Fala-se de que já foram apuradas práticas ilegais praticadas pelos anteriores membros da administração do banco, assim como por estranhos a esses cargos, sobretudo no capítulo do crédito mal parado muito suspeito, pelo que tudo junto provocou uma situação de iminente falência que só foi salva pela intervenção governamental, o que ocasionou a transferência de prejuízos para o âmbito estatal, que, até este momento, já “enterrou” cerca de 400 milhões naquela instituição bancária. E esses prejuízos, diz-se, atingirão em Dezembro os mil milhões de euros.
Ainda a procissão vai no adro neste caso do B.P.N. e já se conhece a acção de cinco indivíduos, neste momento arguidos de um processo que está já ser julgado na Boa-Hora, que utilizaram o meio da extorsão daquele Banco de uma avultada quantia, sob a ameaça de divulgarem os casos ilícitos de que tinham conhecimento e que punham em maus lençóis os administradores envolvidos.
Enfim, um rol de roupa suja que veio ainda causar pior ambiente ao que já existe em relação à actuação das organizações bancárias, tudo porque se tratam de negócios altamente rentáveis que, de uma forma geral, através de juros altos, acodem aos aflitos e, graças a isso, salvam empresas e ajudam a criar outras. Por vezes, as garantias não são suficientes e esse é o risco que pode provocar situações difíceis, o que, como é sabido, muito raramente sucede. Daí, o ser banqueiro não é fazer parte de uma pequena ou média empresa, dessas que, por cá, andam sempre de calças na mão mas que, é preciso que seja dito e repetido, criam muitos empregos e distribuem melhor as riquezas.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

QUADRAS SOLTAS

O coração bate, bate
Quando te vejo passar
Não sei se é um biscate
Ou vontade de te amar

O cardiologista sabe
Que o ritmo do coração
É tanto que já nem cabe
No peito, sua prisão

É tão bom ter bons amigos
Com quem se possa contar
Pior são os inimigos
Aqui e em qualquer lugar

O vento forte é tremendo
Faz mexer tudo por dentro
Mau também se não entendo
O que me tira do centro

AINDA BARACK






Bem sei que o assunto-chave destes dias continua a ser a vitória eleitoral de Barack Obama nas eleições presidenciais dos E.U.A. Não posso nem devo, por isso, afastar-me do tema que traz todo o mundo pendente daquilo que o vitorioso americano será capaz de fazer em comparação com o desastre Bush que conduziu o mundo à situação em que se encontra.
Mas, por mais que reconheça essa obrigatoriedade, não consigo fugir, mesmo de passagem, a sublinhar um “pequeno” pormenor que foi revelado por Paulo Portas, em plena Assembleia da República, de que o ordenado do governador do Banco de Portugal é de 17 mil euros mensais, ou seja, traduzido isso nos velhos contos – que ainda continua a ser a moeda que muitos portugueses compreendem melhor -, 3.400 contos por mês que, ainda dividido pelos 30 dias, dá a módica quantia de 111 mil escudos por dia…
Para quê acrescentar mais alguma coisa a estes números, num País e numa altura em que as dificuldades de viver são cada vez maiores entre nós e que, os desempregados, os reformados e os que ganham pouco, ou seja, a maioria esmagadora da população, se vê em palpos de aranha para conseguir comer todos os dias.
Mas, já agora, mais um acréscimo a este tema que não cabe no “obamismo” que domina as atenções: é sobre os 10 milhões de euros que parece que Miguel Cadilhe reivindica, na qualidade de presidente do Banco Popular de Negócios demitido, cláusula que faz parte do seu contrato quando tomou posse do lugar e deixou de receber a reforma de outra instituição bancária onde tinha prestado serviço. Isto é o que corre agora como notícia, porque as situações do mesmo tipo, de fortunas que ganham uns tantos fulanos que, sempre com ligação actual ou passada à política, vivem contentíssimos da vida e, claro, têm razões para isso. E não ponho mais na carta, porque já estou agoniado de escrever tantos zeros à direita, no que se refere a umas sumidades que são portugueses, vivem em Portugal e gozam dos prazeres que são conferidos a uns amigalhaços que, quando as coisas estiverem ao contrário, também lá estão para acudir.
Mas, no que se refere ao B.P.N., muita tinta vai ainda correr sobre situações criadas que conduziram ao estado a que se chegou e que, segundo se diz à boca pequena – e agora já nem isso, porque parece que se perdeu o medo de divulgar situações que deram muito dinheiro a ganhar a uma determinada gente -, as contas daquela instituição andaram à solta e agora tarde piaste.
Contentemo-nos a ir seguindo a trajectória do Obama e ir apreciando a forma como ele vai solucionando os inúmeros problemas que já tem pela frente. Sempre gostaria de ver um dos nossos sábios, esses que dão sempre opiniões e conselhos em tudo que é órgão de Informação, a ter de resolver os berbicachos que o Barack não pode fingir que desconhece…

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

BERTRAND

Oh Bertrand da juventude
Dos vinte anos de então
Eu te recordo amiúde
Quando já sou ancião

Junto dos livros, aí,
Nasceu em mim a paixão
De ler o que depois li
De não perder a lição

Estudava então também
Que a vida fácil não era
Tinha de ir mais além
Quem sabe o que nos espera

Tive sorte, a Bertrand
Ensinou-me o caminho
Mostrou-me o amanhã
Serviu-me também de ninho

Então, o grande Aquilino
Que aí sempre parava
Tornou-se o meu paladino
E ouvi-lo eu adorava

E à tarde, ao cafezinho
Tomado ali no Chiado
Podia ser o padrinho
A estimar o afilhado

Oh Bertrand, passaram anos
E aí estás sempre de pé
Na esquina, não há enganos
Em plena rua Garrett

BARACK OBAMA




Por muitas matérias importantes que houvesse que tratar em relação aos assuntos que tenham a ver com o que ocorre no nosso País, o facto de ter saído vencedor das eleições presidenciais nos E.U.A. o candidato que se esperava, Barack Obama, este acontecimento tem de superar todos os outros, por mais destacados que eles sejam. Hoje tem de ser o assunto do dia. E vai-se prolongar pelos tempos mais próximos, dado que as expectativas são enormes por todo esse Planeta fora, uns a favor do resultado, outros nem por isso, mas, de qualquer maneira, segundo eu subscrevo, o que satisfaz mais é assistir à partida, para a reforma, de Georges Bush. Qualquer substituto servia, mas este traz algumas vantagens em relação ao seu opositor.
Agora, há que aguardar até ao dia da tomada de posse e, a partir daí, estar-se atento às decisões que o novo importante homem do mundo irá tomar, para poder constatar se a mudança de decisor no que respeita a medidas que se impõem ser levadas a cabo para ver se, mesmo a crise de ordem financeira que nos preocupa a todos, isso e o resto caminha no sentido das resoluções que aproveitem não só interior dos Estados Unidos da América, mas igualmente os países que, mesmo sem quererem, dependem, directa e indirectamente, do que diz respeito ao dólar. Uma América sã, sob o ponto de vista da sua economia e não só, permite que se respire um melhor ambiente de vida.
Barack Obama transmitiu, ao longo da campanha, um certo ar de bom senso e de preocupação em solucionar os problemas que o ainda residente na Casa Branca foi criando no decorrer do seu mandato. E são inúmeras as situações que não podem ficar como estão, quer no interior do seu País quer, diria sobretudo, fora das suas fronteiras. E não são medidas fáceis de tomar, pois, por exemplo, sair do Iraque não é atitude que se tome só por mandar retirar as tropas americanas que lá se encontram. Dizer adeus e depois? E nos restantes locais onde Bush interferiu e que, com o novo Presidente, precisam de encontrar solução que não deixe as coisas piores do que aquilo em que se encontram?
Só em Janeiro é que o novo Presidente se vai sentar na cadeira da Casa Branca. Mas, até lá, seguramente que terá que organizar o seu gabinete e irá reunir elementos que lhe permitam, logo no primeiro dia de actividade presidencial, anunciar medidas que todos aguardam que sejam levadas a cabo. E são muitas. E de enorme responsabilidade. E que interferem de forma profunda no seguimento das acções políticas que o Globo enfrenta. Nem vale a pena, por agora, enumerá-las.
Por cá, sem comparação na importância que tem o que acabo de referir, não resisto, porém, a escrever, mesmo de passagem, sobre o caso do plano de reforma de Miguel Cadilhe com a sua saída do BPN. Fala-se de 10 milhões de euros. De facto, o Totomilhões ou o Totoloto só sai a alguns. Poucos. E têm de jogar. Quem não arrisca, não petisca. Mas isto há cada prémio!...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Isto de existir é algo que se devia aprender. Seria bom que fizesse parte de uma disciplina escolar. Que fosse ensinada por técnicos que tivessem dado provas de experiência de vida, com conhecimento do que são as alegrias e, em contrapartida, o que se sofre com as dores, as físicas e as morais.
Claro que isto é uma fantasia, pois, na prática, não é possível definir professores com tais atributos. Mas, em teoria, que seria de grande utilidade ensinar a miudagem, juntamente com as outras matérias, como o português, a matemática, a geografia e por diante, mesmo apenas em teoria serviria de muito aprender a saber viver.
As teorias são teorias. E o que ocorre realmente no dia-a-dia é coisa bem diferente. E as circunstâncias que surgem a cada passo, são tão diferentes umas das outras e em relação a cada ser humano, que seria necessário elaborar um dicionário de possíveis acontecimentos para abranger, nas aulas, todos os casos. Mas surpresas sempre ocorreriam.
Perante esta realidade, basta que concluamos que existir é aproveitar o facto de ter sido posto neste mundo e prosseguir a caminhada, sabendo que só há duas verdades absolutas: o nascimento e a morte. O que fica pelo meio está entregue às circunstâncias, e essas podem, isso sim, ser aproveitadas ou deixadas pelo caminho. Depende da vontade de cada um, do trabalho que se deseja acrescentar e da ajuda do espírito que existe dentro de nós e que, digam o que disserem, pode ser amigo ou inimigo.
Lutar contra as adversidades que as tais circunstâncias também proporcionam, pode contribuir para desviar, atrasar, alterar, por pouco que seja, aquilo que as agruras da vida fazem saltar debaixo dos pés. Mas trata-se de uma guerra, de certa forma, inglória, porque o Homem não é dono e senhor absoluta do percurso da sua existência. Não é genial se o seu espírito não estiver para aí virado. Mas pode alcançar um nível de valor apreciável, se se empenhar com todo o esforço que tiver disponível, para tentar sair da mediania.
Existir, com algum valor, não é tarefa fácil. Talvez consiga quem se esforça por contrariar o que a má sina tiver pré-determinado. Não se conseguirá em termos absolutos, mas sempre se pode pregar uma partida aos criadores das circunstâncias.
O essencial é que a esperança não falte.

O TEMPO

O relógio marca as horas
Do tempo que vai passando
Do tempo que vai matando
Esperanças e demoras
Imparável no avanço
Cada dia e cada hora
Sem regresso, vai embora
Na labuta, sem descanso

O ontem já é história
O hoje vive-se à pressa
Desejando que se esqueça
O que está na memória
Só o amanhã é talvez
Não se sabe o que será
Nem mesmo s’algo virá
Só s’espera a nossa vez

Neste corrida do tempo
Ficar p’ra trás não agrada
Parar é que não é nada
É até um contratempo
Andar sempre a desoras
Mas p’ra quê tanta corrida
Se em tudo nesta vida
O relógio marca as horas ?

CONTENTORES


Aquela questiúncula sobre a extensão da área dos contentores no cais de Alcântara, o que permite receber até um milhão daquelas caixas gigantes, em vez dos 300 mil que neste altura lá cabem, pôs os amantes de Lisboa contra a Administração-Geral do Porto de Lisboa que, através da empresa que tem o exclusivo daquela ocupação de espaço, a Liscont, uma sociedade comercial que pertence maioritariamente à firma Mota-Engil.
Eu, por mim, não disponho de elementos que me permitam avaliar se esse aumento de espaço naquela zona tão delicada como é o cais de Alcântara é imprescindível para acolher aquela muralha de aço, mas o que causa alguma confusão aos observadores é que a decisão tomada pelos “donos” do porto de Lisboa não tenham sujeito a concurso público tal medida. Isto cheira a favorzinho a de amigos, por muito competente que possa ser a empresa que vai tomar a responsabilidade do facto consumado.
Vão ser demolidos dois edifícios e o espaço que vais ser ocupado corresponde a mais 500 metros para montante do cais.
Tudo bem ou não, dependendo do conhecimento que se tenha de toda a operação e da necessidade imperiosa de ser tomada aquela iniciativa. Mas uma coisa é certa: é que Lisboa não aproveita, como seria desejável, a maior parte do espaço que corre ao logo do Tejo e que, qualquer outra capital da Europa tanto desejaria poder dispor para benefício turístico e prazer dos seus cidadãos.
O que poderia ser feito naquele capítulo no espaço que corre ao lado do rio! Mas a nossa imaginação é pouco fértil em muitos casos e neste, sobretudo com uma Administração do Porto de Lisboa que, pelo menos da fama não se livra, de ser a dona e senhora de toda a área, é difícil meter o bedelho, pois já nos tempos de Salazar, apesar da sua mandice, era zona em que ninguém punha e dispunha.
Vamos a ver como fica isto, mas o tempo passa e não se consegue ver tirar-se partido de uma longa caminhada que acompanha o Tejo e que se poderia ver, na parte que não fosse utilizada para prestar serviço aos barcos que atracam, como uma bela avenida, florida e movimentada, com a ilusão de que se ia embarcar outra vez e partir para outros “achamentos” por esse mundo fora. Nem imaginações gostosas nos são capazes de proporcionaros patrões desta País!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Ser-se amigo, verdadeiramente amigo de alguém, seja homem ou mulher, exige muito de quem assume essa posição. É vulgar ouvir dizer de outra pessoa “é meu amigo”.
Não custa nada fazer essa afirmação e não representa qualquer compromisso, seja de que lado for. Mas uma coisa é dizer e outra, bem diferente é ser-se de facto.
Eu sou exigente com os que considero meus amigos. Excessivamente mesmo.
Talvez por isso, já me têm dito que sou chato. Que me zango com eles, sobretudo quando considero que o seu comportamento não é equivalente ao que eu tomaria em circunstâncias contrárias.
É verdade, tomo-me como exemplo a seguir, sobretudo no que diz respeito à pontualidade, pois que, quando marco um encontro com qualquer pessoa, faço sempre os possíveis por chegar sempre antes. Incluindo os amigos. E a esses não dou margem para desculpas. Aos outros, à generalidade das pessoas, resigno-me. Não tenho outro remédio.
Com os meus amigos zango-me, com, os demais, embucho.
O que eu não sou é um amigalhaço. Desses que afirmam ter muito amigos. E que dizem ser amigos de muita gente.
O verdadeiro amigo nunca se declara, mostra-o. Sobretudo nos momentos difíceis. Quando é mais preciso. Quando se tem de fazer sacrifício para o provar.
Agora, um grande desgosto é defrontar-se com a situação de constatar que aquele amigo que se tinha como incondicional, no fim de contas, na hora decisiva, deu mostras de que não era o que se pensava. É uma altura dolorosa.
Talvez possa ser comparada com a traição de um amor que se tinha com o ser do outro sexo… isto digo eu. Não sei se até pior.
Porque a paixão entre sexos diferentes… ou não, pode sempre perder-se pelo caminho, porque outro desenfreado ardor pode intrometer-se na caminhada e deitar por terra o que se julgava inabalável.
A amizade sã entre amigos, essa tem de resistir a todos os confrontos
. É incondicional

ONDA

Onda que vais e que voltas
como outras tão revoltas
perigosa
espumosa
lembras-me o mundo em redor
também ele agressor
por vezes de tão má sorte
provocando até a morte

Bela és onda do mar
não dás tempo a descansar
buliçosa
caprichosa
atrás de ti outra vem
e mais uma ali além
formaste-te bem à vista
e criaste bela crista

Também o que nos rodeia
por vezes dá a ideia
de beleza
de pureza
que é coisa para ajudar
a olhar de frente o mar
em hora de acalmia
que alimenta a fantasia

As aparências iludem
e por vezes se confundem
movimentos
sentimentos
as ondas são traiçoeiras
tal como gentes matreiras
que não mostram o que são
quais águas em mansidão

Maré cheia onda forte
com altivez e bom porte
violenta
atormenta
que até em pedra dura
tanto dá até que fura
mas depois em baixa-mar
tudo volta a sossegar

Contemplo a onda na ida
e vejo-a tal qual a vida
que se vai
não se distrai
a mesma ou outras retorna
e sendo assim não transtorna
que nem onda quando volta
igual a cavalo à solta

Belezas que o mundo tem
com muitos mas e porém
de contrastes
e de trastes
a quem vive dá apego
ainda que sem sossego
numa viagem redonda
tal e qual enorme onda



ESTADO CUMPRIDOR




Esta situação agora revelada de o Governo ter nacionalizado o BPN, ao mesmo tempo que prepara a entrada noutros bancos, se deixou perplexa a grande maioria da população, pelo contrário, a uns tantos que se intitulam bem informados, deu oportunidade de afirmarem que era coisa que já era esperada há certo tempo, apesar dos valorosos e estranhos activos que foram localizados nos cofres do banco, como moedas valiosas, quadros de Miró e outros bens comercializáveis, para além de uma pouco fiável organização bancária em Cabo Verde. Tudo isso e o que for inventariado no decorrer na posse do Estado que, não obstante, parece não chegar para suportar os prejuios.
Seja como for, segundo parece o BPN constitui, por agora, um mistério que é preciso esclarecer. É forçoso, pois, esperar pela informação oficial, se é que ela vier a ser divulgada com todos os pormenores. Nem se admite que não seja. No que se refere à entrada do Governo noutros bancos, vamos a ver a que conclusões o Banco de Portugal chega, que, neste caso, não terá tido o cuidado de actuar de harmonia como estas coisas merecem. E, para lá de todo o enredo, o que não será admissível admitir é que não se encontrem os culpados do estado a que chegou o BPN. A haver culpas, ninguém pode ficar na sombra. Se se tratou de má gestão, quem foi o autor ou os que, em grupo, provocaram a situação a que se chegou, o ou os têm de ser tornados públicos. Para que não se mantenha o costume deste País de morrer sempre solteira a má actuação dos que não se portam bem.
Mas, já que me estou a referir ao Estado, não deixo passar a questão, bem antiga, de ser tal figura um devedor permanente, sendo considerado um mau pagador que, por não ter cara, nem deixar ver que face mostra quando leva meses e anos a liquidar as suas dívidas, se mantém impassível e orgulhoso. Neste momento, que se resolveu apurar, sem grande rigidez, o montante que as forças públicas têm para pagar aos mesmos a quem exige que sejam pontuais nas suas liquidações a ele próprio, fala-se de muitos milhões, isto sem entrar em linha de conta com as dívidas das autarquias e das empresas públicas, sofrendo com isso os pobres dos industriais e dos comerciantes que, sendo fornecedores de trabalho, serviços e mercadorias, pagam devidamente os IVAs, as contribuições, cumprem com os seus fornecedores e, sentados aguardam que o tal fulano que não presta contas a tempo resolva “fazer o favor” de pôr a pagamento facturas penduradas.
A informação pública divulgada agora é de que o Estado vai pagar, em três meses, 1.200 milhões de dívidas em atraso. Cá estamos para ver.
Mas o problema, no caso deste ser cumprido, pois que nunca se sabe se os governantes têm palavra, é a definição se, a partir desta altura, se estipula que o Estado fique com a obrigação de pagar o que deve dentro de um espaço de tempo rigidamente definido, 3 meses, por exemplo. Por que se não suceder isso, volta-se de novo à mesma e o próximo Executivo terá de repetir o gesto de boa vontade que até pode servir para ficar bem visto em próximo período eleitoral.
Andamos sempre a deitar a mão a situações que, se o bom senso fizesse parte de todos os governantes que este País vê passarem pelos cadeirões do poder, não seria necessário actuar no derradeiro momento. O que está a ocorrer no Bairro Alto, com a obrigatoriedade dos bares e tabernas encerrarem as suas portas às 2 da manhã, para acabar de vez com a algazarra que ali se verifica, de bêbados, drogados, malfeitores, zaragateiros e todos os que adoram as confusões, e que dura até de manhã não deixando pregar olho os sofredores dos residentes, é uma situação de emergência, quando esta medida devia ter existido desde o primeiro dia. Mas, enfim. A nossa rapaziada merece distrair-se e, para quem não trabalha (que horror, tal humilhação!), não é justo mandar os pequenos para a cama a horas convenientes, em vez de se drogarem por aí e de circularem de garrafa de cerveja a beber pelo gargalo.

domingo, 2 de novembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Para mim, a escrita constitui uma obrigação, mesmo que ela não passe do papel preenchido, sem outro destino que não seja ficar a aguardar melhores dias, mesmo assim, se deixei na véspera uns textos por acabar, por que a imaginação secou em determinada altura, considero isso um dever que ficou por cumprir e a que tenho de dar seguimento.
Escrever isto é quase como fazer uma confissão.
É abrir-me para o papel, sem saber se, algum dia, este desabafo chega ao conhecimento de alguém.
Se tal acontecer quando eu já não fizer parte do número dos vivos, pois que comentem como quiserem os críticos das obras feitas.
Mas se a leitura dos meus textos cair nas mãos de alguém que ainda possa cruzar-se comigo na vida, já é mais complicado aceitar-se o olhar desagradado dos outros.
Já estou por tudo.
Até para admitir que o caminho destes textos que vou acumulando ser o da camioneta do lixo que, por vezes, vejo, da minha janela, passar na rua onde moro.

CANTEMOS Á CHUVA

Chove lá fora, chove
depois de uma longa seca
será a prova dos nove
dos que molham a careca

Primeira chuva é tão bom
lava as ruas, lava a alma
dá gosto ouvir o seu som
e até o calor acalma

Há que sair com chapéu
e que fugir das goteiras
com alegria Deus meu
vêm aí as janeiras

Depois das primeiras águas
nas cidades são bastantes
pois surgem depois as mágoas
queixam-se os lamuriantes

Mas para ter sol na eira
e a chuva no nabal
há que ir pedir à feira
à bruxa do arraial

Chuva, chuva venha ela
contratempo não será
pode-se ver da janela
e o sol depois virá

Cantemos portanto à chuva
à sua força de vida
assenta como uma luva
quando com conta e medida

JANTARES-DEBATE




Os militares, sobretudo as altas esferas, estão a mostrar com clareza o seu descontentamento em relação, segundo as suas próprias palavras, à forma como são tratados pelo poder político. Reunidos num jantar – que é a forma bem portuguesa de se discutirem os assuntos – o coronel Vasco Lourenço, um dos cabecilhas na revolta militar que deu azo ao 25 de Abril, deixou expresso que”ou o Governo quer as Foças Armadas com todas as condições ou acabe com elas”. Mais explícito não poderia ser e acrescentou uma espécie de ameaça que só não entende quem não quer: os jovens militares desesperados “podem pôr em causa a democracia”, assim, tal e qual!
Porém o descontentamento atinge também os mais velhos e os que ocupam postos bem elevados. Até disseram, “as Forças Armadas estão na primeira linha da intervenção na política externa, mas depois tratam-nos como simples mangas de alpaca”.
O jantar com oficiais no activo, na reserva e na reforma, é “um sinal de que algo vai mal”, tendo mostrado o seu acordo o general Loureiro dos Santos, pois as altas esferas militares não escondem o seu desconforto.
Só que, ao mesmo tempo que correm estas notícias que, por tratarem de um assunto que diz respeito a uma esfera tão melindrosa como é a das Forças Armadas, não pode deixar tranquilos os cidadãos comuns, surgiu uma outra que, a quem se encontra no sector civil, provoca a maior surpresa: então não é que, dos 1.543 militares residentes em casas das Forças Armadas, 57 por cento paga uma renda mensal inferior a 100 euros; e ainda mais: que só 138 inquilinos com farda pagam rendas acima dos 250 euros! E tudo isto é imposto por decreto-lei, com data de 1997, que estabelece que os valor das rendas aos militares não pode, em momento algum, ser superior a 15 por cento da remuneração ou pensão e complemento da pensão, líquidos, do arrendatário.
Pergunto com a maior humildade: será que no tal jantar debate este tema foi posto em equação? Dentro do mau tratamento que é motivo de queixa de generais e de todos postos por aí abaixo até um certo nível, o facto das rendas das casa que lhes são atribuídas não terem nada a ver com aquilo que suportam os civis, terá amenizado a má disposição dos queixosos?
Este blogue, escrito por um jornalista que morrerá com esse espírito de observação, poderá não agradar, de vez em quando, a este ou àquele. Mas, como nós, os na nossa classe, nunca obtivemos mordomias, nem parecidas como estas que são concedidas aos militares superiores, ao ponto de, hoje em dia, nem a Casa da Imprensa, que nos concedia assistência médica e medicamentosa que ainda se poderia considerar favorável, até isso o governo de Sócrates entendeu pôr fim, temos mais do que motivos para nos queixarmos da situação em que nos forçam a viver. E, ao contrário de quase todas as outras classe trabalhadoras, inexplicavelmente, não fazemos greves, nem provocamos manifestações com bandeiras. É por isso que o Governo abusa, até porque nos conhece a cara e nos trata com intimidade...
E por que é que eu não segui a carreira militar, podendo hoje ser um general cheio de medalhas e de farda deslumbrante? Escolhi o jornalismo e olhem... deu nisto!

sábado, 1 de novembro de 2008

SAUDADES

As saudades que levo quando parto
E deixo para trás tudo o que gosto
Dizer adeus à vida mesmo que farto
É tristeza que lembra um sol posto

E logo que partem as andorinhas
Vinda a hora de mais outras viagens
Deixam-nos saudades as pobrezinhas
Cujos destinos são outras paragens

Saudades temos nós de quem morreu
E deixou na nossa alma um vazio
Ficando só à vista escuro véu

Aquilo que passou de ser verdade
A imagem de quem se foi, partiu
Porque o que nos resta é a saudade


ARRENDAMENTO DE ANDARES


Quem, como jornalista que vem dos antigos tempos, sentiu na pele os efeitos da Censura, como foi o meu caso, situação que os actuais profissionais, por muito que se lhes relate o que sucedia então, não conseguem fazer uma pálida ideia dessa realidade de então, ao tomar agora conhecimento de que os blogues se encontram na mira da lei, a primeira sensação que se tem é que, afinal as coisas não mudaram assim tanto.
Mas, pensando bem, vendo a fundo as consequências que podem advir de afirmações escritas e, quase sempre anónimas, porque a maioria destes escritos não estão identificados, a conclusão a que se chega é que, democracia sim, mas lançamento de atoardas à toa, ultrapassar as regras que impõem a liberdade de expressão, fazer afirmações acusatórias de ordem pessoal e entrando na intimidade das pessoas, isso não pode passar sem que exista a justa penalização.
Digo isto sem ficar nada preocupado, pois que, por vício profissional e por restrições que imponho a mim próprio, só abordo situações que não se situem nas áreas das que merecem castigo judicial.
Dito isto, refiro-me agora, mesmo que rapidamente, a um tema de que já escrevi algo: à situação das casas degradadas que, segundo notícias, já atingem cerca de 200 mil, mas que muitos senhorios mostram receio de as lançar no mercado de arrendamento, dado que, quando alguns inquilinos suspendem o pagamento das referidas rendas e é movida uma acção de despejo, não contestada pelo inquilino, demora em média dois anos a ser resolvida em tribunal.
Ora aí está como dois problemas se juntam: um, o de que se acumulam as casas vazias que, também por esse facto, se vão degradando e dão exteriormente o aspecto que se encontra por esse Pais fora, sobretudo em Lisboa, e o outro, aquele que tem sido aqui constantemente referido e que diz respeito à má actuação da nossa Justiça, que é um dos males que necessitam a que os governantes deitem a mão, com a maior urgência, não a possível mas até a impossível.
Numa altura de crise aguda e em que a compra de andares deixou de ter a preferência dos cidadãos, por razões que estão mais do que debatidas, a solução – como eu aqui tenho defendido repetidamente – é o aluguer até para procurar trazer para a capital grande número de habitantes que se viram obrigados a residir nos arredores e que, nas horas de ponta, inundam as estradas, por utilizarem as suas viaturas e, nesse caso, consumirem combustível que atingiu preços insuportáveis.
Encarando este problema em todos os seus ângulos, resolver de uma só vez o caos das casas vazias em Lisboa (e refiro-me apenas à Capital) soluciona outras situações, todas elas graves: melhora o aspecto de muitos locais lisboetas onde se assiste a autênticas demonstrações de degradação, deita mão aos ex-devedores aos bancos de prestações com as compras já não suportadas e, por fim, mete na ordem o sector judicial que não dá garantias aos proprietários de andares para arrendar, nos casos de atraso nos pagamentos das rendas.
Não me meti na intimidade de ninguém. Que tenham paciência os que espreitam um deslize para se queixarem dos blogues.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

CAMPO PEQUENO

É uma tarde de sol
esplendoroso, bem quente
daqueles que o caracol
está ainda mais dolente
Que linda tarde de sol
disposição p’ra tourada
não é de usar o cachecol
muito menos roupa errada.
Bonita tarde de sol
no belo Campo Pequeno
reluzente qual farol
que nos orgulha em pleno.
Com essa tarde de sol
o tecto da praça roda
tal e qual um gira-sol
conforme a luz se acomoda.
Sendo uma tarde de sol
com Campo Pequeno novo
há que ir com toda a prol
gozar o prazer do povo.
Mas numa tarde de sol
ou à noitinha cerrada
não faz falta guarda-sol
e a luz sai desvairada.

Mesmo sem tarde de sol
porque na praça há conforto
também faz parte do rol
saborear um bom Porto.
Será em tarde de sol
ou mesmo estando a chover
que se põe a tiracol
o que lhe der mais prazer.
Pois sendo em tarde de sol
que os turistas mais gostam
sendo francês ou espanhol
no Campo Pequeno apostam.
Melhor em tarde de sol
teatro, ballet, concerto
é prazer de rouxinol
naquele espaço coberto.
Naquela tarde de sol
não deixo esse prazer pleno
e disso farei escol
gozar o Campo Pequeno



DIFICULDADES?


Somos um País que vive com dificuldades? Encontramo-nos bem situados no espaço europeu? A crise que grassa por tantas áreas do mundo, não se faz sentir por cá? Estamos tranquilos em relação ao futuro, ao próximo e até ao mais distante? Mas isso só acontece nestes dias em que vivemos ou arrasta-se desde há muito tempo, muito embora a aparência que se deu em determinada altura, não muito longínqua, fosse a de que o povo dava mostra de desafogo, tendo sido acusado de gastar acima das suas possibilidades?
Pois bem, para responder a estas perguntas, pode-se caminhar por duas vias: ou encaramos seriamente todos os problemas que são postos, ou alivia-se a situação e dá-se-lhe um certo ar de ligeireza.
Seja como for, quem nos olha desde fora e constata que, no nosso País, foram construídos com o objectivo de fazer face ao Europeu no ano de 2004, oito estádios de futebol, não pode deixar de admitir que vivemos em plena prosperidade, pois não será admissível admitir que um país que enfrenta dificuldades se dê ao luxo de despender tão elevadas verbas, como foram as que terão sido usadas para erguer aqueles espaços que, desde logo, se sabia que não podiam render nem dez por cento dos seus custos.
Sim, é que, em termos de valores dispendidos, fossem lá por quem fossem os investidores, os números apontam para, no total, cerca de 530 milhões de euros, os quais não serão ressarcidos nos tempos próximos, pelo menos através da área desportiva, pelo que muitos dos exploradores daqueles espaços os estão a utilizar para tudo que possa atrair espectadores, concertos e até casamentos e festas privadas.
Pensar no Mundial de 2018 é hipótese que talvez possa estar dentro das possibilidades, mas, para isso, torna-se forçoso aderir à ideia apresentada pelos espanhóis de os dois países ibéricos concorrerem em conjunto à competição. Mas, mesmo assim, apenas três ou quatro dos oito estádios poderiam aderir a essa iniciativa. Se se justificou o pesadíssimo encargo tido com as construções dos oito estádios, basta perguntar aos clubes que os utilizam e saber se a frequência de espectadores tem compensado o esforço financeiro feito. Conheço os números e apenas digo que são uma autêntica desgraça. Já chega de tanta asneirada!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

VELHOS E NOVOS



Nada como um velho para contar
Aquilo que se fez enquanto moço
Mesmo que muito possa olvidar
É como água límpida do poço

Os novos muito têm a aprender
Se souberem seguir tanta ciência
Porque a vida levada a sofrer
Dá saber e dá muita paciência

Os jovens, por muito insatisfeitos
Por mais impacientes que eles sejam
Não é aí que perdem os direitos

Não é por aos mais velhos atender
Não é por muito apressados que estejam
Que não lhes sucede o mesmo... morrer!

DESVENTURA!


Que bom que deve ser viver num país onde só haja motivos para os cidadãos se regozijarem pelo facto de terem nascido nesse sítio e lá continuarem a viver. Os acontecimentos históricos, um passado longínquo que provoque um ufanismo e uma certa vaidade em relação aos ancestrais, tudo isso é importante. Mas se o presente, se aquilo que se contempla no dia-a-dia, se o que passa no decorrer da nossa vivência ou aconteceu em tempos que não se podem considerar muito recuados, se essas circunstâncias são postas ao dispor da nossa apreciação, então, por muito que sejamos amantes da nossa língua e da Nação que nos deu guarida quando nascemos, como temos cabeça para pensar e olhos para analisar e comparar com o que se passa noutras paragens, nesse caso não é aceitável que os facciosos do patriotismo considerem que o que fazemos é tudo bem feito e não temos nada que elogiar as acções de outros seres humanos, como nós, mas o que são é naturais de outras terras.
Feito este intróito, eu que me considero útil a Portugal porque não escondo a cabeça na areia e não hesito em apontar erros, na esperança de que outros, com poder, possam pensar e deixar de olhar sempre para o umbigo, o que permitirá emendar a tempo ou defender as suas acções, porque ficar calado é que não serve para nada, passada a entrada deste blogue vou, naturalmente, dedicar-me a lastimar alguns acontecimentos que estão a constituir o Pão Nosso da cada dia e que, se não se puser um travão nas fatalidades, acabaremos por ficar entregues ao Deus dará! (digo isto assim para me acolher sob o manto da Cristandade, pois talvez só ela nos possa ajudar a não nos espalharmos na lama)
Começo por referir a notícia – dado que sempre filio as minhas considerações naquilo que já foi tornado público – de que, até Junho de 2009, as estimativas apontam para 14 mil desempregados mais no sector dos componentes de automóvel. Mas, já nos dois próximos meses, existe a ameaça de mil trabalhadores verem terminadas as suas funções, também no mesmo sector. Isso, porque vão encerrar fábricas. Nada mais animador, nesta altura em que anda todo o mundo a contar os tostões, que é como quem diz, os cêntimos de euro, pois as dificuldades nas compras fazem-se sentir a cada instante.
E só para mudar de tema, refiro-me a outra notícia que, no meu caso, não constitui novidade nenhuma, mas isto de ter razão antes de tempo é da maior inutilidade para quem tem esperanças de que as suas palavras cheguem aos ouvidos dos governantes. Quero sublinhar a conclusão a que chegou o Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (é um nome grande, mas claro), de que, apesar dos apesares, 54% dos portugueses ainda consideram Portugal seguro, mas, por outro lado, acrescenta que apenas 20% dos nossos concidadãos confiam nos tribunais.
Não é preciso pôr mais na carta. Se os juízes e magistrados estão convencidos de que a sua actuação é aceite pelos portugueses, podem tirar essas ilusões da chuva, e o que lhes resta é meter a mão na massa e dar uma volta completa ao que ocorre nos tribunais. E não só nas demoras em fazerem sair as sentenças, que já seria muito! Não vou agora repetir o que tenho escrito dezenas de vezes…

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Ter pena de alguma coisa, de alguém, de um ser vivo que atravessa um mau momento, sentir dor por tomar conhecimento de uma situação desagradável que aflige alguém por quem temos alguma amizade, essa sensação de desejar que as coisas não estejam a correr de forma sofredora é algo que, sem dúvida, constitui uma preocupação que pode surgir em determinada altura.
Mas essa sensação de ter pena não ocupa todo o tempo da nossa existência. Há momentos de ter pena. Como há ocasiões em que essa pena é obscurecida por outro qualquer sentimento, até pela alegria.
A pena é um sentimento que surge com a ajuda de diferentes verbos auxiliares. Pode-se ter pena, como algo pode fazer pena, ou uma situação dar pena como igualmente se pode sentir pena. Gramaticalmente é assim. Resta saber com que grau essa sensação actua no nosso interior.
Há quem acompanhe a pena com choro. Como há quem não transmita para o semblante o que será uma tristeza. Há quem tenha pena dos outros, de alguma contrariedade que sucede a terceiros, de um acontecimento que não corre de feição. Já ter pena de nós próprios não é tão vulgar. Termos pena de ser baixos, gordos, feios, carrancudos ou com quaisquer outras características, mesma as inversas, que sejam consideradas contrárias aos nossos desejos. Transportar esse peso de desgosto pode provocar tristeza.
Por vezes penso se alguém, alguma vez, teve pena de mim. Pena de não me ver deslumbrante de felicidade, pena por me contemplar no café, debruçado sobre folhas de papel, a preenchê-las com textos infinitos. Pena por não saberem quem é aquele indivíduo que, todas as manhãs, ocupa uma mesa, bebe a sua chávena cheia de café, vai despejando o copo de água aos golos e, sempre de caneta em riste, não pára com as suas escritas.
Deve ser um sonhador, pensarão. Alguém que descarrega no papel os desânimos da vida. Um pobre diabo que estará convencido de que verá um dia os seus trabalhos literários transformados em livros, admitirão outros mais próximos da realidade.
Será que esses que se interrogam terão, no fundo, pena de mim?
Seja como for, no que me diz respeito eu não atingi ainda – espero que tal nunca suceda – esse patamar de ter pena de mim. Penso somente que se estará a perder, por não ter acabado ainda este rol de desabafos que ando para aqui a debitar, alguma coisa que terá o seu valor. Por pouco que seja. E, por mais que não queira, como vou acompanhando aquilo que as editoras vão lançando com frequência, não podendo deixar de estabelecer comparações, mais razão encontro para não ter pena de mim. Terei pena de outros.
No entanto, neste momento dá-me para não hesitar em fazer esta afirmação: se não chegar o momento de saírem a lume estes textos, isso sim, É UMA PENA!...

AS QUINAS

Em certa manhã de nevoeiro
Vai despertar aqui no País
A esperança de ser feliz
Trazida por um alvissareiro?

Em Terra de tantos pacientes
Há ainda fé em epopeias
Pois o sangue que corre nas veias
Vem de outrora, de antigas gentes

Por mais que se julgue adormecida
A ânsia do Mostrengo matar
Grande coragem não vai faltar
Sempre se vai dar a acometida

Tanta apagada e vil tristeza
Que é apanágio do Português
Não quererá que um dia, talvez
Ponha à mostra a sua sagueza

Para os últimos deixarem de ser
P’ra entrarem no comboio perdido
Há que soltar o ar abatido
E sem demora correr, correr

Olhemos aqui para os vizinhos
Esses, doutros tempos, Castelhanos
E honremos os velhos Lusitanos
Seguindo então novos caminhos

Por mais que estejam adormecidos
Mesmo que pouco e mal se lute
Não se há-de perder o azimute
No fim não sairemos vencidos

Discutir-se-ão muitas opções
Os políticos debitarão
Mas negar, nunca o negarão
Esse mar que nos cantou Camões

Seguro que vai ser necessário
Que a fome nos ataque primeiro
E que se faça um grande berreiro
A lastimar o nosso calvário

Mas p’ra atingir tão grato projecto
De aos da Europa sermos iguais
Só teremos, oh simples mortais
Que rogar ao Supremo Arquitecto

EDIFÍCIOS HISTÓRICOS ABANDONADOS




Cada vez mais me convenço de que na vida sempre vale a pena insistir com as ideias positivas que nos vêem à cabeça, pois a satisfação de, um dia mais tarde, ver concretizado o que defendíamos com convicção compensa bem o esforço de pensar e contrabalança as situações de nunca assistir à possibilidade de outras propostas que tornámos públicas e que foram ignoradas.
Este caso diz respeito à notícia de que está a fazer parte dos planos do Governo a intenção de concessionar castelos, igrejas ou fortalezas que se encontrem em estado de abandono, dando também possibilidade aos privados de requerer a desafectação do domínio público de instalações militares, como quartéis, terrenos ou armazéns que não estejam a ser utilizados e só sirvam de ocupação fedorenta de espaço que pode e deve ser utilizado com proveito de todo o País.
Foi exactamente este ponto de vista que eu tenho defendido há ror de anos e que, como já me habituei, ninguém na altura levou em linha de conta, mas que, felizmente neste momento de aflição, de crise, de contas que são precisas fazer, existe alguém que toma a decisão como coisa inovadora. Por mim, entendo que vale mais tarde do que nunca e só espero que as intenções agora anunciadas deixem de ser isso e passem, o mais rapidamente possível, a transformar-se em realidade.
A autoria agora da ideia coube ao secretário de Estado das Finanças, de nome Carlos Costa Pina e alarga-se às autarquias, dando-lhes também possibilidade de tomarem as medidas necessárias para que os capitais privados possam interferir na transformação de “monstros”, que são propriedade do Estado, em explorações comerciais, como hotéis, restaurantes, etc., mas tudo de qualidade elevada.
Surgiu ao conhecimento público que existem cerca de 2.680 imóveis estatais livres, para além dos muitos que se encontram arrendados. Ora bem, então numa época em que se fala tanto – como se tem falado sempre, sem dar solução ao assunto – de despesas supérfluas da administração pública, não serão os governantes capazes de olhar para uma coisa tão fácil e, em vez de aumentarem os impostos, obterem dinheiro com a disponibilização de propriedades que nãos lhes fazem falta, ao mesmo tempo que enriquecem o próprio Estado?
E já agora, deixem-me insistir naquele ponto que tem sido um meu cavalo de batalha de toda a minha vida jornalística: aproveitem a onda para libertar o Terreiro do Paço dos inestéticos ministérios que por ali se encontram e entreguem a concessão dos espaços para a utilização em hotelaria de alto gabarito, assim como por debaixo das arcadas gostaria de, antes de partir para a última viagem, ver ali instalados cafés de prestígio, com música clássica tocada ao vivo, como sucede, por exemplo, na linda “piazza” de Veneza. Não é preciso inventar nada!
Mas não consigo convencer-me que somos capazes de solucionar até os problemas fáceis. Bem gostava de ter confiança nas características portuguesas quanto às iniciativas produtivas, pertençam elas á iniciativa privada ou façam parte das atribuições dos governantes. Optimista quanto a isso, não posso ser. Não tenho razões para tal!...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Já ouvi dizer que um escritor não se arrisca. E isso, para mim, é o mesmo que afirmar que só corre riscos quem atravessa a rua despreocupadamente, ignorando as passadeiras dos peões, quem passa junto a um prédio em obras ou, muitas vezes mais afoito, resolve aventurar-se a subir os Himalaias Não é apenas isso – e já é muito – que serve para alinhar nas experiências de arriscar. Quem escreve e dá a ler aos outros o que lhe sai em prosa ou em verso enfrenta as críticas, especialmente as malévolas, de quem considera que a obra publicada não merece o apoio de quem perdeu tempo a apreciá-las e sujeita-se, por isso, a ser apontado como um mau cumpridor da tarefa a que se entregou.
E, dentro deste ponto de vista, sucede o mesmo aos que pintam e esculpem, aos autores musicais e, obviamente, aos que interpretam, com a voz ou com um instrumento musical, as composições dos outros.
Logo, o não fazer nada ou não dar a conhecer aquilo que constitui um atrevimento de produção, é a situação mais cómoda para não se ficar sujeito a críticas. Não correr esse risco é uma maneira de viver em tranquilidade, muito embora não se fique alguma vez a saber se valeu ou não a pena conhecer a opinião alheia.
Eu, pelos vistos, quero correr o risco de saber o que os outros pensam das minhas escritas e das minhas pinturas. E, mesmo que opinem desfavoravelmente, o mais que posso fazer é não aceitar tais opiniões ou admitir que têm mau gosto.
E cá vou continuando teimosamente…


MALA-POSTA

Queria conhecer-me, saber
Quem fui e o que sou.
Desejaria entender
Para onde vou, se é que vou
E que espero eu da vida
Daquilo que ainda me resta.
Quem responde que decida
Se o que vem depois algo presta.
Estou à espera
Estou sentado
Agarro-me como uma hera
Não volto a cara para o lado
Já sei que a resposta tarda
Duvido que venha a tempo
Que não seja uma atoarda
Muito menos contratempo
Mas o mais certo, isso sim
Será que partirei sem resposta
Ah! Pobrezinho de mim
Que perdi a mala-posta !

ENTREVISTA DE SÓCRATES



Apesar de tudo, na sua entrevista ao “D.N.” encontrei José Sócrates mais moderado do que é seu costume quando resolve fazer declarações públicas a propósito de tudo e de nada, mas em que entende dever comentar o estado da Nação, mostrando invariavelmente um bom serviço executado por si e nunca encontrando motivos para dar razão às opiniões que os outros também têm o direito de expressar.
É certo que as oposições existem para isso mesmo: para se oporem aos governos que estão naquela altura no poder. Por isso, não se pode, ou melhor, não se deve, levar a mal que as opiniões políticas, sociais e económicas não coincidam com aquilo que o Poder executa. Mas tudo deve ser exercido com boa educação, porque para dizer não, ninguém obriga a que se chame estúpido ao outro que, naturalmente, mostra um pensamento oposto.
É por isso que digo, ou seja escrevo, que encontrei nesta entrevista uma moderação e um tom (bem sei que não se ouviu a sua voz) que me deu ideia de uma certa retracção nas afirmações. Claro que o optimismo que lhe está sempre pregado às palavras, pode até ser elogiado, se o entendermos como uma pretensão de não criar desfalecimentos na população portuguesa, mas há verdades que estão tão à vista que não é por um primeiro-ministro se esforçar por contrariar que o povo dá crédito a tamanhas impossibilidades. E não é por Sócrates afirmar que a crise, que anda por todo o lado, não chega cá com a mesma intensidade, não é por essas histórias da carochinha que nos salvamos da calamidade que já sentimos bem no pelo e que ninguém está em condições de afirmar que não vai piorar ainda mais.
Temos de não perder de vista que as próximas eleições legislativas estão quase a chegar e que, até por isso, os membros do Governo, todos, vão mostrar uma maleabilidade e uma simpatia que, noutras ocasiões, nem lhes passa pela cabeça preocuparem-se com tal mostra de serem gente boa. Os “jamais” e os outros parecidos – refiro-me aos que têm sido maus profissionais da política, sem indicar nomes -, esses talvez comecem a sentir o lugar a arder, isso se o Sócrates tiver o bom senso de, mesmo à última hora, lhes encontrar um lugar bem situado fora dos ministérios, substituindo-os por outros parceiros menos “queimados” e com algum alento para pegar no trabalho que esteja a precisar de emendas. Esta situação faz com que encontremos certas mudanças nas palavras que saiam cá para fora e que sejam da autoria dos mais desastrados membros do governo. Não estou a dizer mal, o que faço é apenas, de passagem, referir que houve já necessidade de efectuar lavagens no governo e, tal como nos desafios de futebol, os treinadores têm obrigação de estar atentos e substituir os jogadores que, por cansaço, por má escolha ou seja lá pelo que for, não deveriam nunca ter alinhado na equipa.
Pronto. Também tenho o direito de ser um treinador de bancada. Pelo menos, o que pago de bilhete para assistir a este jogo, permite-me aplaudir ou assobiar, conforme o comportamento dos que estão em campo. Apesar de tudo, na sua entrevista ao “D.N.” encontrei José Sócrates mais moderado do que é seu costume quando resolve fazer declarações públicas a propósito de tudo e de nada, mas em que entende dever comentar o estado da Nação, mostrando invariavelmente um bom serviço executado por si e nunca encontrando motivos para dar razão às opiniões que os outros também têm o direito de expressar...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Oxalá não deixe atrás de mim um rastro insuportável.
Mas, a minha única defesa é a resposta que deu Picasso a uma das suas mulheres, quando esta o acusou de ser mal disposto com os amigos e este lhe respondeu: “é que com os outros, não me interessa o que pensem de mim; nem me dou conta de que existem!”
Será uma desculpa.
Cada um arranja a sua.

BANQUETES



Eu tenho deixar de me preocupar com esta gentinha que faz parte das diferentes posições que existem na máquina administrativa do Estado, seja nos ministérios, seja nos municípios, seja em qualquer dos organismos que, de uma ou de outra maneira, o dinheiro que custam é proveniente dos cofres que os contribuintes têm de contribuir para preencher. É que quem fica incomodado sou eu e, digo-o em plena consciência, as situações não se alteram, quer eu escreva agora num blogue quer, como sucedeu antes durante anos, os meus escritos surgissem em publicações, algumas com largas tiragens. É que eles estão-se nas tintas para o que se diz e, quando fazem algum comentário, só serve para afirmarem descaradamente que “o que têm é inveja”…
Mas, mais uma vez e sem emenda aqui vai uma observação: então não é que foi divulgado que os ex-administradores da Gebalis, uma organização que depende dos dinheiros públicos, no estrangeiro e desde Fevereiro de 2006 e Outubro de 2007, gastaram cerca de 6.000 euros, em hotéis de luxo e em requintes gastronómicos em restaurantes de altíssimo gabarito! E o despacho de acusação é feita pelo Ministério Público, referindo-se mesmo aos nomes dessas pessoas que, pelo facto de porem e disporem dos fundos que a organização lhes confiava, não hesitaram em passear-se como se se tratassem de magnatas do petróleo e as ajudas de custo de que dispunham chegaram a atingir os 6 mil euros, sendo que os almoços de trabalho incluíam frequentemente vinhos de preços elevados, whiskies velhos e mariscos, sublinha o Ministério Público. Os tais ex-administradores da Gebalis são Clara Costa, o ex-vogal, Mário Peças e Francisco Ribeiro, que foi presidente da mesma empresa.
Volto aqui a referir-me à culpa que morre sempre solteira no nosso País. Não sei onde trabalham agora essas três figuras, mas não me admirava nada que estivessem, neste momento, a exercer altas funções noutra organização, igualmente estatal, sem ter de prestar contas pelos actos que o Ministério Público – que não é qualquer coisa – organizou em despacho de acusação.
A expressão bem portuguesa de “tudo ficar em águas de bacalhau”, aplica-se todos os dias a dezenas de actuações merecedoras de censura dos pobres dos cidadãos que fazem esforços inauditos para cumprir com o pagamento dos impostos que lhes cabem. Aposto que é o que vai suceder mais uma vez com estes dispêndios que, pelo seu exagero, levaram a que se tivesse organizado um processo. Mas, mesmo assim!...

A SORRIR

Queria morrer a sorrir
ir assim até ao fim
para lá me divertir
a ouvir falar de mim

Muito mal, assim assim
tudo me faria rir
o que quisessem, enfim
continuava a sorrir

Digam coisas, mesmo más
não me fazem deprimir
lá onde só há paz
só teria que sorrir

O pior é se se calam
me olvidam mesmo a dormir
não dizem nada, não falam
deixava então de sorrir

domingo, 26 de outubro de 2008

DESENRASCADOS



Isto não tem nada a ver com crise financeira, a que está a servir também como desculpa para as nossas molenguices em resolver problemas e em acertar completamente nas prioridades de dar cumprimento às obrigações que cada um de nós, portugueses, tem para solucionar. E, particularmente, o Governo, pela boca do seu primeiro-Ministro, agarra-se a essa situação surgida, como náufrago a uma bóia de salvação em pleno mar alto.
Só que muitos dos casos que estão há muito tempo a pedir que os respectivos poderes actuem e, sem ter nada a ver com crises financeiras, arregacem as mangas e tratem de pôr as deficiências em ordem. Essa posição, tão característica deste País, tem de ser repetidamente denunciada, até ver se algum desses mandões que se chamam ministros encaram os problemas e dão ordens peremptórias aos respectivos chefes de serviços para deixarem de estar distraídos e façam os trabalhos que lhe incumbem sem mais delongas e sem desculpas para as tardanças que só servem para impacientar os cidadãos e, pior do que isso, provocam prejuízos que os contribuintes têm de suportar com os seus impostos.
Dou aqui um exemplo, mas não pararia se me fosse ocupar da lista imensa de actuações que não têm de estar disfarçadas pela tal crise. Refiro-me, como vem na Imprensa do fim de semana, à demora de quase um ano para se verem aprovados medicamentos inovadores experimentados e tendo dado provas da sua eficiência nos mercados estrangeiros. Os processos que se arrastam à espera que o Infarmed dê a sua aprovação chegam a levar até aos três anos, o que provoca situações de morte de doentes que poderiam ter beneficiado das novas descobertas científicas devidamente estudadas e completamente confiáveis.
Segundo um relatório internacional, Portugal é o último de 13 países europeus que incluem novos medicamentos nas suas listas de descobertas feitas entretanto. E a área do cancro é a que mais sente este relaxamento por parte das autoridades médicas nacionais. Uma vergonha!
A Infarmed já respondeu a esta acusação, com uma desculpa de mau pagador. Que nenhum doente deixa de ter o medicamento que necessita, memo que não se encontre comercializado,”desde que o seu médico informe a administração do hospital de tal necessidade”. Nem faço comentários! É mesmo uma atitude à portuguesa. Dizem os mesmos “sábios” que os tais remédios podem ser adquiridos no estrangeiro, através de uma autorização de utilização especial (AUE) solicitada pela respectiva unidade de saúde. Está-se mesmo a ver agilidade dos respectivos serviços públicos, ao ponto dos necessitados morrerem entretanto!...
Não temos, de facto, remédio. E eu que o diga. Necessitei de um medicamento, receitado por um médico português, de um laboratório americano e tive de fazer aquilo a que todos nós deitamos mão quando nos encontramos com um problema semelhante: pedir a uma amigo ou familiar que se encontra no País respectivo e pedir-lhe para ser portador no bolso do tal remédio…
O que vale é que os portugueses têm uma característica que nos marca: somos desenrascados! Se não fossemos assim, já há muito que tinha deixado de haver este sítio, considerado uma Nação
Muito bem, cheguei. Depois de ter guiado , de uma só vez, 300 kms.
Apanhei bom tempo em Viseu, onde se realizou no Hotel Príncipe Perfeito, uma festa de homenagem a diversas figuras ligadas à gastronomia e aos vinhos.
Esteve a cargo da Academia dos Vinhos doDão, presidida por D.Miguel de Bragança, que ficou na nossa mesa, assim como o Presidente da Câmara de Viseu.
A Filipa foi homenageada, tendo recebido uma salva de prata e uma placa indicativa da honra que lhe foi prestada, na qualidade de perita gastronómica.
E assim se vai vivendo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

VOU ESTAR AUSENTE UNS DIAS.
ATÉ AO MEU REGRESSO

POESIA LIVRE

Aqui estou eu à frente do papel
à espera que a inspiração me chegue
olhando para a rua a ver passar
aqueles que não olham para a folha
em branco à espera de estar cheia
de letras, de palavras e de versos

Serão felizes esses que não puxam
por um génio que não lhes faz falta?
Quem sabe se não seria melhor
conhecer tudo sobre o futebol
preocupar-me só com o meu clube
e andar em dia com o jet-set?

Se fosse assim, poemas não fazia
e descansava quem vier a ler
todos os versos livres e bem livres
porque de rima mesmo nada têm
e a cadência é o que lhes resta
mas mesmo assim encheram o papel

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Quando releio as centenas de poemas que já escrevi e que conservo em folhas soltas que, constantemente, se misturam, a minha vontade é fazer um molho desses papéis e despejá-los no caixote do lixo. Mas tenho, primeiro, que esquartejar todas as páginas, não vá alguém encontrá-las e depois exibi-las como obra sua.
Fico, porém indeciso. Será que não têm essas poesias, de facto, o menor valor? Que, bem seleccionadas, alguma coisa será aproveitável e supere a mediocridade?
Esta falta de confiança, que entra em mim quando remexo nos escritos de saíram da minha produção, a incerteza quanto ao valor que pode ter tanto trabalho, esse receio de poder ser considerado um intruso no meio literário obriga-me a encher as gavetas dos pendentes, sem coragem para oferecer à crítica, à opinião dos outros, alguma coisa que um valor tem, sem a menor dúvida: é tudo fruto de esforço, de empenho, de desejo em utilizar o tempo que me falta até ao passo final, deixando alguma coisa a que não assistirei qual vai ser o seu destino.
E assim, vou escrevendo prosa e poesia, da mesma forma que , de vez em quando, pego nos pincéis e encho uma ou outra tela de desabafos coloridos. E vou guardando tudo, ao ponto de não haver já muito espaço para armazenar aquilo que só eu sonho poder vir a ser apreciado um dia…
Não faço questão de assistir a esse surgimento.

IMIGRAÇÃO BRASILEIRA

Talvez a juventude de hoje não tenha ainda tido tempo de tomar conhecimento dessa grande realidade, pois deparamos a cada passo com a ignorância de factos bem divulgados que nós, os mais velhos, muito estranhamos que não tenham chegado ao conhecimento da rapaziada. Refiro-me à época em que avalanchas de portugueses marcharam para o Brasil, País onde recomeçaram a sua vida e se instalaram como emigrantes com a família, que já levaram de cá ou a formaram com casamentos feitos lá mesmo. Ali, uma grande maioria construiu um futuro bem assente em dinheiro ganho à custa de muito trabalho e singrou, adaptando-se ao sotaque brasileiro e integrando-se na sociedade local, se bem que, até há pouco tempo, os Maneis e os Tónios tivessem que enfrentar uma certa risota anedótica dos brasucas mais desenvoltos.
Mas, se bem que essa transferência de população lusitana para o outro lado do Atlântico com a mesma língua tivesse começado a reduzir-se progressivamente, quando ocorreu entre nós o 25 de Abril, uma diferente camada de portugueses, gente oriunda do empresariado e também doutores e engenheiros que procuravam refúgio da confusão que por cá gerava um ambiente pouco satisfatório, essa elite foi em busca de conforto e trabalho nessas paragens. E, tendo sido bem recebidos na sua maioria, também conseguiram fortalecer as suas vidas, ao ponto de ali ainda estar a residir uma boa porção de tais transferidos.
Isso provocou, de certa maneira, que a maneira gozosa de os nossos irmãos de língua encararem os Maneis, se tivesse alterado, ao ponto de, nesta fase, um português que desembarca no Rio de Janeiro começar logo a ser tratado por “doutorre”, sinal bem claro de que já não somos considerados como os incultos que só ali chegávamos para ganhar dinheiro, fosse qual fosse o trabalho a que nos dedicássemos, embora uma grande parte enfileirasse nas funções de padeiro.
Falo nisto porquê? Porque o actual cônsul-geral do Brasil em Portugal concedeu uma entrevista em que afirma que, segundo os números oficiais em seu poder, vivem no nosso País 130 mil brasileiros e que todos os imigrantes da sua Terra que chegam até nós, devido às nossas novas leis da imigração obtêm com facilidade autorização de residência permanente.
Ora ainda bem. Tínhamos essa dívida de gratidão para com aqueles que nos acolheram bastantes anos atrás. E, dado que o seu comportamento junto da nossa sociedade é considerado como afável e correcto – com excepção de poucos casos que não se podem tomar a parte pelo todo -, por mim faço o juízo de que sempre é melhor recebermos quem não tenha dificuldades em adaptar-se à nossa língua comum, mesmo com alguns expressões diferentes, do que recebermos, por exemplo, romenos que, na sua esmagadora maioria é constituída por pedintes que atravessaram toda a Europa para aqui se instalarem e não serem produtivos.
Mas fronteiras abertas têm as suas vantagens e muitos inconvenientes. E não se pode querer que chova no nabal e faça sol na eira… ao mesmo tempo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A CORJA

A terra está cheia dessa gente
Que se julga melhor e dominante
Que atropela todos pela frente
E olha o mundo, altivo, do mirante

Não ouve, não pára, não se importa
Com caminhos que outros lhes indicam
Dos princípios faz sempre letra morta
E galhofa quando alguns criticam

Será a maioria ? Pois que seja
Nem por isso lhes devem dar razão
0 preciso é apagar essa forja

Por mim não lhes tenho qualquer inveja
Nem me apetece apertar a mão
Dessa gentinha que é uma corja

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Eu não sou hoje o que era ontem. Por isso, muito menos sou agora o que fui em tempos bastante passados. Nesta altura não actuaria da mesma maneira como me comportei noutras épocas.
Os meus olhos não vêem neste momento, tal e qual o que contemplavam anos antes. Não foi o panorama que se alterou, foi a objectiva que parece ter sofrido certa mudança. Desgastou-se ou foram-lhes acrescentadas outras características.
O sabor também sofreu modificações. Recordo-me do que gostava e do que passou a ser menos saboroso. E o contrário.
Os próprios ouvidos, esses não dedicam idêntico apreço pelos mesmos sinais sonoros que, noutras épocas, mereciam uma atenção particular. Deixaram de prestar atenção a tais sons ou, pelo contrário, passaram a ser apreciadores do antes pouco valioso.
Não. Não sou hoje o que fui ontem. E pergunto-me: será que aqueles que não mudaram, que se mantêm toda uma vida fieis aos mesmos sentidos do prazer ou de repulsa, será que esses podem afirmar que aproveitaram cem por cento todas as variantes da vida?
Serão talvez mais felizes. Por serem mais constantes. Mesmo não tendo tido a oportunidade de apreciar os dois lados da moeda.

CAMARATE




Quem tem esperança sempre alcança. É o que diz o ditado popular, embora os resultados não sejam assegurados por nenhuma ciência. Seja como for, perante a notícia trazida hoje na Imprensa de que Diogo Freitas do Amaral se prontifica, amanhã, a prestar uma entrevista televisiva e a fazer revelações inéditas quanto ao brutal acidente chamado de Camarate, aqueles que, quase ao fim de 30 anos, ainda alimentam esperanças de que se acabe por ter conhecimento das razões da queda da avioneta que se dirigia para o Porto, transportando várias figuras importantes da política, essas pessoas conseguirão, ou ficar a saber tudo ou ficar a saber nada.
Augusto Cid, o cartunista que, até hoje, defende a tese de que se tratou de um acto de banditismo e não de um acidente, estará seguramente atento à referida entrevista, até porque, quanto ao antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, acusa-o de nunca ter revelado o resultado dos seus contactos com a Scotland Yard e com a Polícia Judiciária, defendendo que se esses elementos tivessem sido revelados talvez bastante se adiantasse na descoberta da verdade.
A expectativa, a um dia de distância, mantém-se. E tanto pode acontecer que surjam revelações que, se assim for, não se compreende o motivo por que estiveram tantos anos guardadas ou, pelo contrário, tratar-se–á de uma entrevista oca de indicações úteis, daquelas que abundam, infelizmente, nos nossos órgãos de Informação, apenas para encher papel e tempo de antena.
Neste País em que os mistérios por solucionar se amontoam no nosso conhecimento, especialmente quando metem investigações e julgamentos, nem sendo necessário vascular muito na nossa memória, pois está aí bem presente e arrasta-se indefinidamente, como é o problema Casa Pia, este de Camarate não pode fugir à regra. Até porque revelações importantes que estiveram guardadas, se agora forem divulgadas obriga a que seja feita a pergunta: porquê deixar passar todos estes anos?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Por mais que não queiramos, todos somos um pouco lamurientos.
Uns, não o demonstram, lastimam-se para dentro.
Outros, os mais exuberantes, choramingam mesmo sem lágrimas, não perdem a ocasião para se lastimar, quer com o que se passa com eles próprios quer com a sociedade em geral, a que está à sua volta ou até a que se encontra distante.

GAVETA

Gaveta que guarda
segredos de outrora
é coisa que tarda
‘inda não é hora
de querer abrir
p’ra não recordar
e ter de engolir
o que a guardar
ficou na gaveta

Era então desgosto
mazelas d’antanho
hoje é já sol posto
papéis não apanho
reler hoje em dia
o que então guardei
isso não faria
nem jamais farei
não abro a gaveta

Não vou eu abri-la
falta-me a vontade
não quero senti-la
dar-lhe liberdade
outros que o façam
sem eu estar a ver
e que se desfaçam
não quero saber

Não estando presente
no mundo dos vivos
quem não vê não sente
nem dá mesmo ouvidos

Também não importa
não estarei p’ra ver
fechou-se a porta
que posso fazer?

Gaveta não puxo
falta-me a coragem
será mesmo um luxo
oferecer viagem
ao que há tantos anos
está encafuado
não causando danos
por estar olvidado

Não vejo agora
quem ficando cá
após minha hora
s’interesse quiçá
por ler o que fica
pois se enquanto vivo
não ligam nem nica
ao que é meu activo
de escrita, pudera,
que o outro se houvesse
seria quimera
seria benesse
bem apetecida
coisa que um poeta
ao longo da vida
não deixa em gaveta.


JOÃO SALGUEIRO



Eu bem gostava de ser um crente de toda essa gente que utiliza as televisões para debitarem aquilo que consideram ser a ciência e a sabedoria absolutas, fazendo com que os telespectadores que não têm outros para ver ocupem o seu tempo a escutá-los. Na minha qualidade de antigo jornalista que aprendeu bem a lição em tempos passados, em que os mestres diziam que não era necessário estar de acordo para registar o que afirmavam os entrevistados, bastando tomar nota e transmitir, por vezes com o estômago às voltas, lição essa que passei depois à rapaziada que foi aparecendo para trabalhar sob as minhas indicações, com essas características assisto agora ao que dizem uns tantos fulanos que falam e escrevem aquilo, julgo eu, em que acreditam.
Porque é que venho agora com este discurso? Pois é simples. Porque acabo de ler uma entrevista feita ao economista e homem da Banca João Salgueiro que, com aquele ar que é costume porem os que se sentem dentro da razão, afirma, alto e bom som, que é como quem diz, em letras garrafais que fazem um título do texto, que ”nunca houve lucros fabulosos na banca”.
A gente lê e relê, para ver se não está com a vista em mau estado, mas confirma aquilo que dá a impressão ser alguma frase do antigo Pinóquio.
Não vou repetir as várias repostas que o presidente da Associação Portuguesa de Bancos dá às diferentes perguntas efectuadas pelo entrevistador, mas todas elas são quase para explicar que a área bancária não vive nem viveu naquela opulência que vem descrita repetidamente. Por pouco não afirma que vai ser criada uma associação de auxílio aos bancos pobres.
E, no que diz respeito ao pessoal superior dessas mesmas instituições, pouco faltou para desmentir que os mesmos usufruem salários de verdadeiro escândalo, claro comparando com o nível de vida geral da população portuguesa, e que as luvas que lhes são dadas ao longo das carreiras chegam para adquirir viaturas de luxo e para terem casas próprias de níveis superiores.
João Salgueiro, defendeu bem a classe a que pertence, mesmo sem ter merecido o mínimo crédito dos leitores que seguiram a entrevista.
Eu nem falaria nisto, sobretudo referindo-me a um antigo colega do Instituto superior que ambos frequentámos em anos diferentes, se não pertencesse ao grupo dos que apontam o dedo acusador à classe bancária de todo o mundo que esteve na origem da crise financeira que envolveu o globo terrestre. Não é que se pudesse exigir outra coisa de quem tem obrigação de proporcionar lucros à instituição para que trabalha, mas que procuremos disfarçar e desviar a vista daqueles que, para emprestar muito e ganhar bons lucros com os juros, tudo fizeram e até utilizaram a publicidade em excesso para engodar os pobres e ingénuos clientes, lá nisso eu não alinho.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Ninguém, todos os dias, é igual.
Os humores, provenientes das circunstâncias que se vivem, vão alterando os comportamentos.
É também o que se passa comigo.
Vou variando e ainda bem.

QUADRAS SOLTAS

É boa a democracia
Porque ser livre nos deixa
E gozar no dia-a-dia
Com pouca razão de queixa

QUADRAS SOLTAS

Pois só em si mesmos pensam
Portugueses são assim
E fazem grande chinfrim
Se os outros os dispensam

QUADRAS SOLTAS

Quem me dera, quem me dera
Que alguém me respondesse
Que seria desta era
Se o Homem se arrependesse

EUTANÁSIA



Ler, de longe em longe, sobre a eutanásia, e tomar agora conhecimento que este tema terá, m 2009, prioridade na agenda parlamentar portuguesa, suponho que no Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, isto num País em que o assunto não se encontra no grupo das prioridades, constatar o facto de que o “direito a morrer” já surge com certa clareza, para mim, que não me guio exclusivamente por regras religiosas que, como se sabe, nem sempre olham com realismo para o factor humano, traz-me uma certa crença de que as coisas deste tipo, entre nós, começam a mudar e que o sofrimento dos doentes sem cura passará ser encarado com a piedade de que o tecnicismo médico nacional ainda se encontra distante.
É que não se trata, pura e simplesmente, de matar alguém que não pode esperar da ciência forma de se libertar do sofrimento que, por vezes, faz prolongar o momento da morte durante longos tempos. O que se situa na área da caridade é, pelo contrário, libertar um ser que, por motivos que as próprias religiões não sabem explicar, só sente a dor, ao mesmo tempo que resiste ao calvário de entender o que se passa à sua volta – ou até mesmo nem isso -, mas que a medicina considera como tratando-se de um humano que ainda se encontra “vivo”.
A dignidade do ser é espezinhada e, por vezes, esse prolongamento do fio de vida que ainda resta dura meses, quando não anos até. Vegetar, em vez de viver, em que todos os dias os familiares se perguntam quando acabará aquele espectáculo horroroso do padecimento, não se resolve por mais cuidados paliativos que sejam tomados.
Todos nós mantemos na memória televisiva aquele caso de um homem galego que, deitado e sem se poder mover, durante anos pediu que lhe acabassem com tanto padecimento, até que lá conseguiu que um médico, correndo todos os riscos, lhe satisfizesse a ânsia de passar para o outro lado com todo o conforto. Mas tardou até ser dada a resposta com a eutanásia.
Haverá ainda muita gente que se horroriza só de pensar que se acaba com uma vida sem ser por forma natural, tal como, durante muito tempo, poucos eram os que aceitavam a cremação em lugar do enterro na cova, mas, a pouco e pouco, as coisas vão ser compreendidas e só o admitir que esse horror de padecimento sem fim pode caber-nos a nós, então sim, a solução definitiva já será mais aceitável.
O que é preciso para isso é pormo-nos no lugar dos pobres coitados. Só assim é que o Homem entende melhor o que nos rodeia na vida. Quando pensa na morte!

domingo, 19 de outubro de 2008

QUADRAS SOLTAS

É boa a democracia
Porque ser livre nos deixa
E gozar no dia-a-dia
Com pouca razão de queixa

QUADRAS SOLTAS

Fugir ao fisco é que é bom
E fazer negociatas
Até se diz de bom-tom
Fingir que não são magnatas

QUADRAS SOLTAS

Que fácil é ser político
E não custa mesmo nada
É fazer de paralítico
E ganhar pela calada

QUADRAS SOLTAS

O Alentejo sempre foi
P’ra mim sossego e refúgio
Senti-lo muito destrói
Todo e qualquer subterfúgio