domingo, 2 de novembro de 2008

CANTEMOS Á CHUVA

Chove lá fora, chove
depois de uma longa seca
será a prova dos nove
dos que molham a careca

Primeira chuva é tão bom
lava as ruas, lava a alma
dá gosto ouvir o seu som
e até o calor acalma

Há que sair com chapéu
e que fugir das goteiras
com alegria Deus meu
vêm aí as janeiras

Depois das primeiras águas
nas cidades são bastantes
pois surgem depois as mágoas
queixam-se os lamuriantes

Mas para ter sol na eira
e a chuva no nabal
há que ir pedir à feira
à bruxa do arraial

Chuva, chuva venha ela
contratempo não será
pode-se ver da janela
e o sol depois virá

Cantemos portanto à chuva
à sua força de vida
assenta como uma luva
quando com conta e medida

JANTARES-DEBATE




Os militares, sobretudo as altas esferas, estão a mostrar com clareza o seu descontentamento em relação, segundo as suas próprias palavras, à forma como são tratados pelo poder político. Reunidos num jantar – que é a forma bem portuguesa de se discutirem os assuntos – o coronel Vasco Lourenço, um dos cabecilhas na revolta militar que deu azo ao 25 de Abril, deixou expresso que”ou o Governo quer as Foças Armadas com todas as condições ou acabe com elas”. Mais explícito não poderia ser e acrescentou uma espécie de ameaça que só não entende quem não quer: os jovens militares desesperados “podem pôr em causa a democracia”, assim, tal e qual!
Porém o descontentamento atinge também os mais velhos e os que ocupam postos bem elevados. Até disseram, “as Forças Armadas estão na primeira linha da intervenção na política externa, mas depois tratam-nos como simples mangas de alpaca”.
O jantar com oficiais no activo, na reserva e na reforma, é “um sinal de que algo vai mal”, tendo mostrado o seu acordo o general Loureiro dos Santos, pois as altas esferas militares não escondem o seu desconforto.
Só que, ao mesmo tempo que correm estas notícias que, por tratarem de um assunto que diz respeito a uma esfera tão melindrosa como é a das Forças Armadas, não pode deixar tranquilos os cidadãos comuns, surgiu uma outra que, a quem se encontra no sector civil, provoca a maior surpresa: então não é que, dos 1.543 militares residentes em casas das Forças Armadas, 57 por cento paga uma renda mensal inferior a 100 euros; e ainda mais: que só 138 inquilinos com farda pagam rendas acima dos 250 euros! E tudo isto é imposto por decreto-lei, com data de 1997, que estabelece que os valor das rendas aos militares não pode, em momento algum, ser superior a 15 por cento da remuneração ou pensão e complemento da pensão, líquidos, do arrendatário.
Pergunto com a maior humildade: será que no tal jantar debate este tema foi posto em equação? Dentro do mau tratamento que é motivo de queixa de generais e de todos postos por aí abaixo até um certo nível, o facto das rendas das casa que lhes são atribuídas não terem nada a ver com aquilo que suportam os civis, terá amenizado a má disposição dos queixosos?
Este blogue, escrito por um jornalista que morrerá com esse espírito de observação, poderá não agradar, de vez em quando, a este ou àquele. Mas, como nós, os na nossa classe, nunca obtivemos mordomias, nem parecidas como estas que são concedidas aos militares superiores, ao ponto de, hoje em dia, nem a Casa da Imprensa, que nos concedia assistência médica e medicamentosa que ainda se poderia considerar favorável, até isso o governo de Sócrates entendeu pôr fim, temos mais do que motivos para nos queixarmos da situação em que nos forçam a viver. E, ao contrário de quase todas as outras classe trabalhadoras, inexplicavelmente, não fazemos greves, nem provocamos manifestações com bandeiras. É por isso que o Governo abusa, até porque nos conhece a cara e nos trata com intimidade...
E por que é que eu não segui a carreira militar, podendo hoje ser um general cheio de medalhas e de farda deslumbrante? Escolhi o jornalismo e olhem... deu nisto!

sábado, 1 de novembro de 2008

SAUDADES

As saudades que levo quando parto
E deixo para trás tudo o que gosto
Dizer adeus à vida mesmo que farto
É tristeza que lembra um sol posto

E logo que partem as andorinhas
Vinda a hora de mais outras viagens
Deixam-nos saudades as pobrezinhas
Cujos destinos são outras paragens

Saudades temos nós de quem morreu
E deixou na nossa alma um vazio
Ficando só à vista escuro véu

Aquilo que passou de ser verdade
A imagem de quem se foi, partiu
Porque o que nos resta é a saudade


ARRENDAMENTO DE ANDARES


Quem, como jornalista que vem dos antigos tempos, sentiu na pele os efeitos da Censura, como foi o meu caso, situação que os actuais profissionais, por muito que se lhes relate o que sucedia então, não conseguem fazer uma pálida ideia dessa realidade de então, ao tomar agora conhecimento de que os blogues se encontram na mira da lei, a primeira sensação que se tem é que, afinal as coisas não mudaram assim tanto.
Mas, pensando bem, vendo a fundo as consequências que podem advir de afirmações escritas e, quase sempre anónimas, porque a maioria destes escritos não estão identificados, a conclusão a que se chega é que, democracia sim, mas lançamento de atoardas à toa, ultrapassar as regras que impõem a liberdade de expressão, fazer afirmações acusatórias de ordem pessoal e entrando na intimidade das pessoas, isso não pode passar sem que exista a justa penalização.
Digo isto sem ficar nada preocupado, pois que, por vício profissional e por restrições que imponho a mim próprio, só abordo situações que não se situem nas áreas das que merecem castigo judicial.
Dito isto, refiro-me agora, mesmo que rapidamente, a um tema de que já escrevi algo: à situação das casas degradadas que, segundo notícias, já atingem cerca de 200 mil, mas que muitos senhorios mostram receio de as lançar no mercado de arrendamento, dado que, quando alguns inquilinos suspendem o pagamento das referidas rendas e é movida uma acção de despejo, não contestada pelo inquilino, demora em média dois anos a ser resolvida em tribunal.
Ora aí está como dois problemas se juntam: um, o de que se acumulam as casas vazias que, também por esse facto, se vão degradando e dão exteriormente o aspecto que se encontra por esse Pais fora, sobretudo em Lisboa, e o outro, aquele que tem sido aqui constantemente referido e que diz respeito à má actuação da nossa Justiça, que é um dos males que necessitam a que os governantes deitem a mão, com a maior urgência, não a possível mas até a impossível.
Numa altura de crise aguda e em que a compra de andares deixou de ter a preferência dos cidadãos, por razões que estão mais do que debatidas, a solução – como eu aqui tenho defendido repetidamente – é o aluguer até para procurar trazer para a capital grande número de habitantes que se viram obrigados a residir nos arredores e que, nas horas de ponta, inundam as estradas, por utilizarem as suas viaturas e, nesse caso, consumirem combustível que atingiu preços insuportáveis.
Encarando este problema em todos os seus ângulos, resolver de uma só vez o caos das casas vazias em Lisboa (e refiro-me apenas à Capital) soluciona outras situações, todas elas graves: melhora o aspecto de muitos locais lisboetas onde se assiste a autênticas demonstrações de degradação, deita mão aos ex-devedores aos bancos de prestações com as compras já não suportadas e, por fim, mete na ordem o sector judicial que não dá garantias aos proprietários de andares para arrendar, nos casos de atraso nos pagamentos das rendas.
Não me meti na intimidade de ninguém. Que tenham paciência os que espreitam um deslize para se queixarem dos blogues.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

CAMPO PEQUENO

É uma tarde de sol
esplendoroso, bem quente
daqueles que o caracol
está ainda mais dolente
Que linda tarde de sol
disposição p’ra tourada
não é de usar o cachecol
muito menos roupa errada.
Bonita tarde de sol
no belo Campo Pequeno
reluzente qual farol
que nos orgulha em pleno.
Com essa tarde de sol
o tecto da praça roda
tal e qual um gira-sol
conforme a luz se acomoda.
Sendo uma tarde de sol
com Campo Pequeno novo
há que ir com toda a prol
gozar o prazer do povo.
Mas numa tarde de sol
ou à noitinha cerrada
não faz falta guarda-sol
e a luz sai desvairada.

Mesmo sem tarde de sol
porque na praça há conforto
também faz parte do rol
saborear um bom Porto.
Será em tarde de sol
ou mesmo estando a chover
que se põe a tiracol
o que lhe der mais prazer.
Pois sendo em tarde de sol
que os turistas mais gostam
sendo francês ou espanhol
no Campo Pequeno apostam.
Melhor em tarde de sol
teatro, ballet, concerto
é prazer de rouxinol
naquele espaço coberto.
Naquela tarde de sol
não deixo esse prazer pleno
e disso farei escol
gozar o Campo Pequeno



DIFICULDADES?


Somos um País que vive com dificuldades? Encontramo-nos bem situados no espaço europeu? A crise que grassa por tantas áreas do mundo, não se faz sentir por cá? Estamos tranquilos em relação ao futuro, ao próximo e até ao mais distante? Mas isso só acontece nestes dias em que vivemos ou arrasta-se desde há muito tempo, muito embora a aparência que se deu em determinada altura, não muito longínqua, fosse a de que o povo dava mostra de desafogo, tendo sido acusado de gastar acima das suas possibilidades?
Pois bem, para responder a estas perguntas, pode-se caminhar por duas vias: ou encaramos seriamente todos os problemas que são postos, ou alivia-se a situação e dá-se-lhe um certo ar de ligeireza.
Seja como for, quem nos olha desde fora e constata que, no nosso País, foram construídos com o objectivo de fazer face ao Europeu no ano de 2004, oito estádios de futebol, não pode deixar de admitir que vivemos em plena prosperidade, pois não será admissível admitir que um país que enfrenta dificuldades se dê ao luxo de despender tão elevadas verbas, como foram as que terão sido usadas para erguer aqueles espaços que, desde logo, se sabia que não podiam render nem dez por cento dos seus custos.
Sim, é que, em termos de valores dispendidos, fossem lá por quem fossem os investidores, os números apontam para, no total, cerca de 530 milhões de euros, os quais não serão ressarcidos nos tempos próximos, pelo menos através da área desportiva, pelo que muitos dos exploradores daqueles espaços os estão a utilizar para tudo que possa atrair espectadores, concertos e até casamentos e festas privadas.
Pensar no Mundial de 2018 é hipótese que talvez possa estar dentro das possibilidades, mas, para isso, torna-se forçoso aderir à ideia apresentada pelos espanhóis de os dois países ibéricos concorrerem em conjunto à competição. Mas, mesmo assim, apenas três ou quatro dos oito estádios poderiam aderir a essa iniciativa. Se se justificou o pesadíssimo encargo tido com as construções dos oito estádios, basta perguntar aos clubes que os utilizam e saber se a frequência de espectadores tem compensado o esforço financeiro feito. Conheço os números e apenas digo que são uma autêntica desgraça. Já chega de tanta asneirada!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

VELHOS E NOVOS



Nada como um velho para contar
Aquilo que se fez enquanto moço
Mesmo que muito possa olvidar
É como água límpida do poço

Os novos muito têm a aprender
Se souberem seguir tanta ciência
Porque a vida levada a sofrer
Dá saber e dá muita paciência

Os jovens, por muito insatisfeitos
Por mais impacientes que eles sejam
Não é aí que perdem os direitos

Não é por aos mais velhos atender
Não é por muito apressados que estejam
Que não lhes sucede o mesmo... morrer!

DESVENTURA!


Que bom que deve ser viver num país onde só haja motivos para os cidadãos se regozijarem pelo facto de terem nascido nesse sítio e lá continuarem a viver. Os acontecimentos históricos, um passado longínquo que provoque um ufanismo e uma certa vaidade em relação aos ancestrais, tudo isso é importante. Mas se o presente, se aquilo que se contempla no dia-a-dia, se o que passa no decorrer da nossa vivência ou aconteceu em tempos que não se podem considerar muito recuados, se essas circunstâncias são postas ao dispor da nossa apreciação, então, por muito que sejamos amantes da nossa língua e da Nação que nos deu guarida quando nascemos, como temos cabeça para pensar e olhos para analisar e comparar com o que se passa noutras paragens, nesse caso não é aceitável que os facciosos do patriotismo considerem que o que fazemos é tudo bem feito e não temos nada que elogiar as acções de outros seres humanos, como nós, mas o que são é naturais de outras terras.
Feito este intróito, eu que me considero útil a Portugal porque não escondo a cabeça na areia e não hesito em apontar erros, na esperança de que outros, com poder, possam pensar e deixar de olhar sempre para o umbigo, o que permitirá emendar a tempo ou defender as suas acções, porque ficar calado é que não serve para nada, passada a entrada deste blogue vou, naturalmente, dedicar-me a lastimar alguns acontecimentos que estão a constituir o Pão Nosso da cada dia e que, se não se puser um travão nas fatalidades, acabaremos por ficar entregues ao Deus dará! (digo isto assim para me acolher sob o manto da Cristandade, pois talvez só ela nos possa ajudar a não nos espalharmos na lama)
Começo por referir a notícia – dado que sempre filio as minhas considerações naquilo que já foi tornado público – de que, até Junho de 2009, as estimativas apontam para 14 mil desempregados mais no sector dos componentes de automóvel. Mas, já nos dois próximos meses, existe a ameaça de mil trabalhadores verem terminadas as suas funções, também no mesmo sector. Isso, porque vão encerrar fábricas. Nada mais animador, nesta altura em que anda todo o mundo a contar os tostões, que é como quem diz, os cêntimos de euro, pois as dificuldades nas compras fazem-se sentir a cada instante.
E só para mudar de tema, refiro-me a outra notícia que, no meu caso, não constitui novidade nenhuma, mas isto de ter razão antes de tempo é da maior inutilidade para quem tem esperanças de que as suas palavras cheguem aos ouvidos dos governantes. Quero sublinhar a conclusão a que chegou o Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (é um nome grande, mas claro), de que, apesar dos apesares, 54% dos portugueses ainda consideram Portugal seguro, mas, por outro lado, acrescenta que apenas 20% dos nossos concidadãos confiam nos tribunais.
Não é preciso pôr mais na carta. Se os juízes e magistrados estão convencidos de que a sua actuação é aceite pelos portugueses, podem tirar essas ilusões da chuva, e o que lhes resta é meter a mão na massa e dar uma volta completa ao que ocorre nos tribunais. E não só nas demoras em fazerem sair as sentenças, que já seria muito! Não vou agora repetir o que tenho escrito dezenas de vezes…

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Ter pena de alguma coisa, de alguém, de um ser vivo que atravessa um mau momento, sentir dor por tomar conhecimento de uma situação desagradável que aflige alguém por quem temos alguma amizade, essa sensação de desejar que as coisas não estejam a correr de forma sofredora é algo que, sem dúvida, constitui uma preocupação que pode surgir em determinada altura.
Mas essa sensação de ter pena não ocupa todo o tempo da nossa existência. Há momentos de ter pena. Como há ocasiões em que essa pena é obscurecida por outro qualquer sentimento, até pela alegria.
A pena é um sentimento que surge com a ajuda de diferentes verbos auxiliares. Pode-se ter pena, como algo pode fazer pena, ou uma situação dar pena como igualmente se pode sentir pena. Gramaticalmente é assim. Resta saber com que grau essa sensação actua no nosso interior.
Há quem acompanhe a pena com choro. Como há quem não transmita para o semblante o que será uma tristeza. Há quem tenha pena dos outros, de alguma contrariedade que sucede a terceiros, de um acontecimento que não corre de feição. Já ter pena de nós próprios não é tão vulgar. Termos pena de ser baixos, gordos, feios, carrancudos ou com quaisquer outras características, mesma as inversas, que sejam consideradas contrárias aos nossos desejos. Transportar esse peso de desgosto pode provocar tristeza.
Por vezes penso se alguém, alguma vez, teve pena de mim. Pena de não me ver deslumbrante de felicidade, pena por me contemplar no café, debruçado sobre folhas de papel, a preenchê-las com textos infinitos. Pena por não saberem quem é aquele indivíduo que, todas as manhãs, ocupa uma mesa, bebe a sua chávena cheia de café, vai despejando o copo de água aos golos e, sempre de caneta em riste, não pára com as suas escritas.
Deve ser um sonhador, pensarão. Alguém que descarrega no papel os desânimos da vida. Um pobre diabo que estará convencido de que verá um dia os seus trabalhos literários transformados em livros, admitirão outros mais próximos da realidade.
Será que esses que se interrogam terão, no fundo, pena de mim?
Seja como for, no que me diz respeito eu não atingi ainda – espero que tal nunca suceda – esse patamar de ter pena de mim. Penso somente que se estará a perder, por não ter acabado ainda este rol de desabafos que ando para aqui a debitar, alguma coisa que terá o seu valor. Por pouco que seja. E, por mais que não queira, como vou acompanhando aquilo que as editoras vão lançando com frequência, não podendo deixar de estabelecer comparações, mais razão encontro para não ter pena de mim. Terei pena de outros.
No entanto, neste momento dá-me para não hesitar em fazer esta afirmação: se não chegar o momento de saírem a lume estes textos, isso sim, É UMA PENA!...

AS QUINAS

Em certa manhã de nevoeiro
Vai despertar aqui no País
A esperança de ser feliz
Trazida por um alvissareiro?

Em Terra de tantos pacientes
Há ainda fé em epopeias
Pois o sangue que corre nas veias
Vem de outrora, de antigas gentes

Por mais que se julgue adormecida
A ânsia do Mostrengo matar
Grande coragem não vai faltar
Sempre se vai dar a acometida

Tanta apagada e vil tristeza
Que é apanágio do Português
Não quererá que um dia, talvez
Ponha à mostra a sua sagueza

Para os últimos deixarem de ser
P’ra entrarem no comboio perdido
Há que soltar o ar abatido
E sem demora correr, correr

Olhemos aqui para os vizinhos
Esses, doutros tempos, Castelhanos
E honremos os velhos Lusitanos
Seguindo então novos caminhos

Por mais que estejam adormecidos
Mesmo que pouco e mal se lute
Não se há-de perder o azimute
No fim não sairemos vencidos

Discutir-se-ão muitas opções
Os políticos debitarão
Mas negar, nunca o negarão
Esse mar que nos cantou Camões

Seguro que vai ser necessário
Que a fome nos ataque primeiro
E que se faça um grande berreiro
A lastimar o nosso calvário

Mas p’ra atingir tão grato projecto
De aos da Europa sermos iguais
Só teremos, oh simples mortais
Que rogar ao Supremo Arquitecto

EDIFÍCIOS HISTÓRICOS ABANDONADOS




Cada vez mais me convenço de que na vida sempre vale a pena insistir com as ideias positivas que nos vêem à cabeça, pois a satisfação de, um dia mais tarde, ver concretizado o que defendíamos com convicção compensa bem o esforço de pensar e contrabalança as situações de nunca assistir à possibilidade de outras propostas que tornámos públicas e que foram ignoradas.
Este caso diz respeito à notícia de que está a fazer parte dos planos do Governo a intenção de concessionar castelos, igrejas ou fortalezas que se encontrem em estado de abandono, dando também possibilidade aos privados de requerer a desafectação do domínio público de instalações militares, como quartéis, terrenos ou armazéns que não estejam a ser utilizados e só sirvam de ocupação fedorenta de espaço que pode e deve ser utilizado com proveito de todo o País.
Foi exactamente este ponto de vista que eu tenho defendido há ror de anos e que, como já me habituei, ninguém na altura levou em linha de conta, mas que, felizmente neste momento de aflição, de crise, de contas que são precisas fazer, existe alguém que toma a decisão como coisa inovadora. Por mim, entendo que vale mais tarde do que nunca e só espero que as intenções agora anunciadas deixem de ser isso e passem, o mais rapidamente possível, a transformar-se em realidade.
A autoria agora da ideia coube ao secretário de Estado das Finanças, de nome Carlos Costa Pina e alarga-se às autarquias, dando-lhes também possibilidade de tomarem as medidas necessárias para que os capitais privados possam interferir na transformação de “monstros”, que são propriedade do Estado, em explorações comerciais, como hotéis, restaurantes, etc., mas tudo de qualidade elevada.
Surgiu ao conhecimento público que existem cerca de 2.680 imóveis estatais livres, para além dos muitos que se encontram arrendados. Ora bem, então numa época em que se fala tanto – como se tem falado sempre, sem dar solução ao assunto – de despesas supérfluas da administração pública, não serão os governantes capazes de olhar para uma coisa tão fácil e, em vez de aumentarem os impostos, obterem dinheiro com a disponibilização de propriedades que nãos lhes fazem falta, ao mesmo tempo que enriquecem o próprio Estado?
E já agora, deixem-me insistir naquele ponto que tem sido um meu cavalo de batalha de toda a minha vida jornalística: aproveitem a onda para libertar o Terreiro do Paço dos inestéticos ministérios que por ali se encontram e entreguem a concessão dos espaços para a utilização em hotelaria de alto gabarito, assim como por debaixo das arcadas gostaria de, antes de partir para a última viagem, ver ali instalados cafés de prestígio, com música clássica tocada ao vivo, como sucede, por exemplo, na linda “piazza” de Veneza. Não é preciso inventar nada!
Mas não consigo convencer-me que somos capazes de solucionar até os problemas fáceis. Bem gostava de ter confiança nas características portuguesas quanto às iniciativas produtivas, pertençam elas á iniciativa privada ou façam parte das atribuições dos governantes. Optimista quanto a isso, não posso ser. Não tenho razões para tal!...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Já ouvi dizer que um escritor não se arrisca. E isso, para mim, é o mesmo que afirmar que só corre riscos quem atravessa a rua despreocupadamente, ignorando as passadeiras dos peões, quem passa junto a um prédio em obras ou, muitas vezes mais afoito, resolve aventurar-se a subir os Himalaias Não é apenas isso – e já é muito – que serve para alinhar nas experiências de arriscar. Quem escreve e dá a ler aos outros o que lhe sai em prosa ou em verso enfrenta as críticas, especialmente as malévolas, de quem considera que a obra publicada não merece o apoio de quem perdeu tempo a apreciá-las e sujeita-se, por isso, a ser apontado como um mau cumpridor da tarefa a que se entregou.
E, dentro deste ponto de vista, sucede o mesmo aos que pintam e esculpem, aos autores musicais e, obviamente, aos que interpretam, com a voz ou com um instrumento musical, as composições dos outros.
Logo, o não fazer nada ou não dar a conhecer aquilo que constitui um atrevimento de produção, é a situação mais cómoda para não se ficar sujeito a críticas. Não correr esse risco é uma maneira de viver em tranquilidade, muito embora não se fique alguma vez a saber se valeu ou não a pena conhecer a opinião alheia.
Eu, pelos vistos, quero correr o risco de saber o que os outros pensam das minhas escritas e das minhas pinturas. E, mesmo que opinem desfavoravelmente, o mais que posso fazer é não aceitar tais opiniões ou admitir que têm mau gosto.
E cá vou continuando teimosamente…


MALA-POSTA

Queria conhecer-me, saber
Quem fui e o que sou.
Desejaria entender
Para onde vou, se é que vou
E que espero eu da vida
Daquilo que ainda me resta.
Quem responde que decida
Se o que vem depois algo presta.
Estou à espera
Estou sentado
Agarro-me como uma hera
Não volto a cara para o lado
Já sei que a resposta tarda
Duvido que venha a tempo
Que não seja uma atoarda
Muito menos contratempo
Mas o mais certo, isso sim
Será que partirei sem resposta
Ah! Pobrezinho de mim
Que perdi a mala-posta !

ENTREVISTA DE SÓCRATES



Apesar de tudo, na sua entrevista ao “D.N.” encontrei José Sócrates mais moderado do que é seu costume quando resolve fazer declarações públicas a propósito de tudo e de nada, mas em que entende dever comentar o estado da Nação, mostrando invariavelmente um bom serviço executado por si e nunca encontrando motivos para dar razão às opiniões que os outros também têm o direito de expressar.
É certo que as oposições existem para isso mesmo: para se oporem aos governos que estão naquela altura no poder. Por isso, não se pode, ou melhor, não se deve, levar a mal que as opiniões políticas, sociais e económicas não coincidam com aquilo que o Poder executa. Mas tudo deve ser exercido com boa educação, porque para dizer não, ninguém obriga a que se chame estúpido ao outro que, naturalmente, mostra um pensamento oposto.
É por isso que digo, ou seja escrevo, que encontrei nesta entrevista uma moderação e um tom (bem sei que não se ouviu a sua voz) que me deu ideia de uma certa retracção nas afirmações. Claro que o optimismo que lhe está sempre pregado às palavras, pode até ser elogiado, se o entendermos como uma pretensão de não criar desfalecimentos na população portuguesa, mas há verdades que estão tão à vista que não é por um primeiro-ministro se esforçar por contrariar que o povo dá crédito a tamanhas impossibilidades. E não é por Sócrates afirmar que a crise, que anda por todo o lado, não chega cá com a mesma intensidade, não é por essas histórias da carochinha que nos salvamos da calamidade que já sentimos bem no pelo e que ninguém está em condições de afirmar que não vai piorar ainda mais.
Temos de não perder de vista que as próximas eleições legislativas estão quase a chegar e que, até por isso, os membros do Governo, todos, vão mostrar uma maleabilidade e uma simpatia que, noutras ocasiões, nem lhes passa pela cabeça preocuparem-se com tal mostra de serem gente boa. Os “jamais” e os outros parecidos – refiro-me aos que têm sido maus profissionais da política, sem indicar nomes -, esses talvez comecem a sentir o lugar a arder, isso se o Sócrates tiver o bom senso de, mesmo à última hora, lhes encontrar um lugar bem situado fora dos ministérios, substituindo-os por outros parceiros menos “queimados” e com algum alento para pegar no trabalho que esteja a precisar de emendas. Esta situação faz com que encontremos certas mudanças nas palavras que saiam cá para fora e que sejam da autoria dos mais desastrados membros do governo. Não estou a dizer mal, o que faço é apenas, de passagem, referir que houve já necessidade de efectuar lavagens no governo e, tal como nos desafios de futebol, os treinadores têm obrigação de estar atentos e substituir os jogadores que, por cansaço, por má escolha ou seja lá pelo que for, não deveriam nunca ter alinhado na equipa.
Pronto. Também tenho o direito de ser um treinador de bancada. Pelo menos, o que pago de bilhete para assistir a este jogo, permite-me aplaudir ou assobiar, conforme o comportamento dos que estão em campo. Apesar de tudo, na sua entrevista ao “D.N.” encontrei José Sócrates mais moderado do que é seu costume quando resolve fazer declarações públicas a propósito de tudo e de nada, mas em que entende dever comentar o estado da Nação, mostrando invariavelmente um bom serviço executado por si e nunca encontrando motivos para dar razão às opiniões que os outros também têm o direito de expressar...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Oxalá não deixe atrás de mim um rastro insuportável.
Mas, a minha única defesa é a resposta que deu Picasso a uma das suas mulheres, quando esta o acusou de ser mal disposto com os amigos e este lhe respondeu: “é que com os outros, não me interessa o que pensem de mim; nem me dou conta de que existem!”
Será uma desculpa.
Cada um arranja a sua.

BANQUETES



Eu tenho deixar de me preocupar com esta gentinha que faz parte das diferentes posições que existem na máquina administrativa do Estado, seja nos ministérios, seja nos municípios, seja em qualquer dos organismos que, de uma ou de outra maneira, o dinheiro que custam é proveniente dos cofres que os contribuintes têm de contribuir para preencher. É que quem fica incomodado sou eu e, digo-o em plena consciência, as situações não se alteram, quer eu escreva agora num blogue quer, como sucedeu antes durante anos, os meus escritos surgissem em publicações, algumas com largas tiragens. É que eles estão-se nas tintas para o que se diz e, quando fazem algum comentário, só serve para afirmarem descaradamente que “o que têm é inveja”…
Mas, mais uma vez e sem emenda aqui vai uma observação: então não é que foi divulgado que os ex-administradores da Gebalis, uma organização que depende dos dinheiros públicos, no estrangeiro e desde Fevereiro de 2006 e Outubro de 2007, gastaram cerca de 6.000 euros, em hotéis de luxo e em requintes gastronómicos em restaurantes de altíssimo gabarito! E o despacho de acusação é feita pelo Ministério Público, referindo-se mesmo aos nomes dessas pessoas que, pelo facto de porem e disporem dos fundos que a organização lhes confiava, não hesitaram em passear-se como se se tratassem de magnatas do petróleo e as ajudas de custo de que dispunham chegaram a atingir os 6 mil euros, sendo que os almoços de trabalho incluíam frequentemente vinhos de preços elevados, whiskies velhos e mariscos, sublinha o Ministério Público. Os tais ex-administradores da Gebalis são Clara Costa, o ex-vogal, Mário Peças e Francisco Ribeiro, que foi presidente da mesma empresa.
Volto aqui a referir-me à culpa que morre sempre solteira no nosso País. Não sei onde trabalham agora essas três figuras, mas não me admirava nada que estivessem, neste momento, a exercer altas funções noutra organização, igualmente estatal, sem ter de prestar contas pelos actos que o Ministério Público – que não é qualquer coisa – organizou em despacho de acusação.
A expressão bem portuguesa de “tudo ficar em águas de bacalhau”, aplica-se todos os dias a dezenas de actuações merecedoras de censura dos pobres dos cidadãos que fazem esforços inauditos para cumprir com o pagamento dos impostos que lhes cabem. Aposto que é o que vai suceder mais uma vez com estes dispêndios que, pelo seu exagero, levaram a que se tivesse organizado um processo. Mas, mesmo assim!...

A SORRIR

Queria morrer a sorrir
ir assim até ao fim
para lá me divertir
a ouvir falar de mim

Muito mal, assim assim
tudo me faria rir
o que quisessem, enfim
continuava a sorrir

Digam coisas, mesmo más
não me fazem deprimir
lá onde só há paz
só teria que sorrir

O pior é se se calam
me olvidam mesmo a dormir
não dizem nada, não falam
deixava então de sorrir

domingo, 26 de outubro de 2008

DESENRASCADOS



Isto não tem nada a ver com crise financeira, a que está a servir também como desculpa para as nossas molenguices em resolver problemas e em acertar completamente nas prioridades de dar cumprimento às obrigações que cada um de nós, portugueses, tem para solucionar. E, particularmente, o Governo, pela boca do seu primeiro-Ministro, agarra-se a essa situação surgida, como náufrago a uma bóia de salvação em pleno mar alto.
Só que muitos dos casos que estão há muito tempo a pedir que os respectivos poderes actuem e, sem ter nada a ver com crises financeiras, arregacem as mangas e tratem de pôr as deficiências em ordem. Essa posição, tão característica deste País, tem de ser repetidamente denunciada, até ver se algum desses mandões que se chamam ministros encaram os problemas e dão ordens peremptórias aos respectivos chefes de serviços para deixarem de estar distraídos e façam os trabalhos que lhe incumbem sem mais delongas e sem desculpas para as tardanças que só servem para impacientar os cidadãos e, pior do que isso, provocam prejuízos que os contribuintes têm de suportar com os seus impostos.
Dou aqui um exemplo, mas não pararia se me fosse ocupar da lista imensa de actuações que não têm de estar disfarçadas pela tal crise. Refiro-me, como vem na Imprensa do fim de semana, à demora de quase um ano para se verem aprovados medicamentos inovadores experimentados e tendo dado provas da sua eficiência nos mercados estrangeiros. Os processos que se arrastam à espera que o Infarmed dê a sua aprovação chegam a levar até aos três anos, o que provoca situações de morte de doentes que poderiam ter beneficiado das novas descobertas científicas devidamente estudadas e completamente confiáveis.
Segundo um relatório internacional, Portugal é o último de 13 países europeus que incluem novos medicamentos nas suas listas de descobertas feitas entretanto. E a área do cancro é a que mais sente este relaxamento por parte das autoridades médicas nacionais. Uma vergonha!
A Infarmed já respondeu a esta acusação, com uma desculpa de mau pagador. Que nenhum doente deixa de ter o medicamento que necessita, memo que não se encontre comercializado,”desde que o seu médico informe a administração do hospital de tal necessidade”. Nem faço comentários! É mesmo uma atitude à portuguesa. Dizem os mesmos “sábios” que os tais remédios podem ser adquiridos no estrangeiro, através de uma autorização de utilização especial (AUE) solicitada pela respectiva unidade de saúde. Está-se mesmo a ver agilidade dos respectivos serviços públicos, ao ponto dos necessitados morrerem entretanto!...
Não temos, de facto, remédio. E eu que o diga. Necessitei de um medicamento, receitado por um médico português, de um laboratório americano e tive de fazer aquilo a que todos nós deitamos mão quando nos encontramos com um problema semelhante: pedir a uma amigo ou familiar que se encontra no País respectivo e pedir-lhe para ser portador no bolso do tal remédio…
O que vale é que os portugueses têm uma característica que nos marca: somos desenrascados! Se não fossemos assim, já há muito que tinha deixado de haver este sítio, considerado uma Nação
Muito bem, cheguei. Depois de ter guiado , de uma só vez, 300 kms.
Apanhei bom tempo em Viseu, onde se realizou no Hotel Príncipe Perfeito, uma festa de homenagem a diversas figuras ligadas à gastronomia e aos vinhos.
Esteve a cargo da Academia dos Vinhos doDão, presidida por D.Miguel de Bragança, que ficou na nossa mesa, assim como o Presidente da Câmara de Viseu.
A Filipa foi homenageada, tendo recebido uma salva de prata e uma placa indicativa da honra que lhe foi prestada, na qualidade de perita gastronómica.
E assim se vai vivendo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

VOU ESTAR AUSENTE UNS DIAS.
ATÉ AO MEU REGRESSO