sexta-feira, 17 de outubro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!



Parece que, por cá, a coisa ainda não é aceite em plenitude. Por esse mundo fora e até em países europeus, é considerada em absoluto pela classe médica. Mas, em Portugal, onde se mantém a convicção de que é terra de gente muito conhecedora em todas as áreas, a acupunctura é vista pelo canto do olho.
Os milhares de anos que têm servido para os orientais recorrerem àquela ciência e com sucesso, não chegaram para nos convencer da sua validade. Ainda é praticada, entre nós, à revelia de muitos profissionais médicos que, no entanto, se se vêm muito castigados por enfermidades que a medicina convencional não resolve, às escondidas acorrem à acupunctura.

DEMOCRACIA



Não podemos deixar de levar em conta que a Grã-Bretanha goza do privilégio de viver em Democracia há maias de 300 anos. E, por isso, as várias gerações que surgiram desde o seu início têm vindo a praticar esse exercício de não interferir nas opiniões dos outros e de, mesmo discordando, não levantar questões face às formas de pensar diferentes. E essa atitude verifica-se, obviamente, nas relações políticas e nos movimentos que se apresentam para lutar pela chegada ao poder.
Tendo os Estados Unidos surgido da expulsão inglesa daquele grande território, o lógico é que bastante da influência dos anteriores ocupantes tivesse ficado, ainda que as múltiplas imigrações que se verificaram tivessem contribuído para algumas diferenças no que respeita à chamada Democracia pura, se é que ela existe onde se movimentam os seres humanos.
Seja como for, a verdade é que existem grandes alterações de comportamento entre as lutas políticas americanas e as idênticas que têm lugar na Europa latina. Em Portugal, por exemplo, todos sabemos que os confrontos que se verificam entre os vários concorrentes a lugares cimeiros na área política, chegam muitas vezes a roçar a má educação, a grosseria e o vale tudo.
Falo nisto porque tenho seguido a luta entre McCain e Obama que tem tido lugar no outro lado do Atlântico. E mesmo os frente-a-frente televisivos que já ocorrerram serviram de prova de que nunca se intrometem nas declarações que estão a ser feitas pelo antagonista, esperam pela sua vez e, quer no início quer no final, cumprimentam-se calorosamente e com o maior espírito de compreensão do papel de cada um.
Mesmo esperando-se que a vitória venha a caber ao candidato que se situa já mais bem classificado, não é por isso que o outro evidencie ares de arrogância, até porque, se tomasse tal atitude, provavelmente os potenciais votantes poderiam mudar de sentido de voto.
Aprendemos alguma coisa com o que os outros fazem, sobretudo quando se trata de acções dignas de louvor? Baixamos o tom de sabedores de tudo, de sermos senhores da verdade, de os outros nunca terem razão? Isto é consigo senhor Sócrates!... (em quem eu votei).

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

DIREITOS E DEVERES

O Homem tem seus direitos
os gregos foram primeiros
e a demo com seus defeitos
teve aí os seus obreiros

Os romanos se seguiram
as Doze Tábuas criaram
mas os plebeus não se riram
longe dos nobres ficaram

A Revolução Francesa
fez algo p’lo cidadão
trouxe alguma firmeza
na sua Declaração

Mas só a França lucrou
a Europa estava fora
e o mundo nem se atinou
com tais sinais de aurora

Foi precisa uma guerra
que espalhou p’lo Universo
malefícios de quem erra
mostram o Homem perverso

No fim as Nações Unidas
lá do Homem se lembraram
p’ra tapar muitas feridas
a Declaração criaram

A segunda, a que existe
extensiva a todo o mundo
mantendo o dedo em riste
mas pouco eficaz no fundo

Muçulmanos, por exemplo
tolerância não conhecem
e mesmo crentes no templo
as mulheres só obedecem

Respeitar opiniões
é coisa que não aceitam
provocando explosões
aos que o Islão rejeitam

Porém há tantos que tais
que aos outros não dão direitos
e mandando querem mais
julgando-se até perfeitos

Pois todas as ditaduras
de quaisquer ideologias
têm as mesmas posturas
de severas tutorias

Mas de direitos falando
úteis p’ra todos os seres
é bom não ir olvidando
que também há os deveres

Uns e outros são irmãos
até gémeos por sinal
e todos os cidadãos
devem ter esse ideal

Direitos têm de haver
essa regra é de ouro
mas deveres não esquecer
fazem parte do tesouro

Nunca é demais lembrar
quem os direitos quer ter
que os deveres têm de estar
ao lado de cada ser




DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Fazer fortuna facilmente é uma questão de sorte, de engenho e, por vezes, de processos inconfessáveis para o conseguir.
Fazer obra genial já não depende de subtilezas da vida.
Quem faz fortuna, goza-a; quem é génio, quase nunca o aproveita em vida.

CÁ SE FAZEM!...



Portugal tem um povo que é pródigo em utilizar ditados para conduzir a sua vida, procurando, dessa forma, encontrar resposta para as fatalidades que surgem no dia-a-dia. “Cá se fazem, cá se pagam!”, é uma maneira das gentes aguardarem que alguma malandrice acabe por merecer o castigo, mesmo sem se saber como.
Mas, vistas as coisas com certo realismo, aquilo a que se assiste nesta Terra é que “a culpa morre sempre solteira!”, pois que assistimos a arrastamentos de processos em tribunais, apontam-se falcatruas de toda a espécie, conhecem-se corrupções a cada passo, mas quanto a definirem-se os culpados, especialmente se se tratarem de personalidades bem situadas, isso cai no esquecimento na maioria das situações.
Apenas como exemplos que, num ápice, posso chamar à lembrança, aponto casos recentes: aquele atraso de mais de três horas verificado na entrega da proposta de Orçamento do Estado 09, que ocorreu na terça-feira passada, motivado por uma série de números trocados, provocados no Ministério das Finanças por “alguém” que é um funcionário a pedir mudar de ares, essa situação embaraçosa, segundo as notícias não justificou a identificação do responsável do erro. Mais um a ficar “solteiro”.
Não sendo recente, antes tratando-se de uma situação com “barbas”, o que se passa com o julgamento que se arrasta do chamado “caso Casa Pia”, o não se saber ainda se os apontados como envolvidos nessa vergonha são culpados ou não, ainda que alguns já tenham passado pela prisão, essa é a demonstração demonstrada de que em Portugal é difícil apontar o dedo para aqueles que se refugiam na classificação de” pessoas importantes”.
Ainda outra história que vale a pena referir: o cartão do cidadão, que eu há tanto tempo reclamo não existir como, há tanto tempo, os espanhóis já possuem – ah não querem que aponte o exemplo? -, tendo sido anunciado há meses que também seríamos beneficiado por essa modernidade tão útil, a verdade é que foi iniciado, primeiro à experiencia, numa terra fora de Lisboa, e agora parece ser a vez da Capital, pois as Lojas do Cidadão foram invadidas por potugueses desejosos de se actualizarem com tal documento. Apesar e se ter de pagar 12 euros, o tempo de espera de cada utente ao balcão foi de cerca de uma hora. Se o Ministro respectivo teve o cuidado de pedir aos vizinhos espanhóis uma ajuda para explicarem como funciona ali o mesmo caso (que tarda um quarto de hora para atender cada situação) e se quem lá foi aprender não compreendeu a melhor maneira, então há culpado de estarmos, mais uma vez, a ver passar os comboios e, como sempre, o País está na lista de espera, que é o lugar habitual deste Sítio.
Já agora, uma informação preciosa: este Cartão do Cidadão substitui outros cinco – bilhete de identidade, cartão de contribuinte, cartões de segurança social e de saúde e, futuramente, o cartão de eleitor. Vamos esperar até que aprendamos como se faz.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

ÓPERA PORTUGUESA

Ainda há no nosso País cidadãos que entendem que não são só os seus interesse pessoais que cabem na sua vida. E, perante essa inclinação, metem mãos a uma obra que consideram ser de um valor que extravasa os seus próprios. É o caso de um pai e dos filhos, ajudados por alguns amigos, que resolveram levar a cabo uma iniciativa que tem um nome bem esclarecedor: Eventos Ibéricos – Companhia Portuguesa de Ópera. E, desde 1991, têm levado a cabo diversos recitais pelos mais adequados locais do nosso País, como seja no lindo cenário do castelo de Óbidos, no Palácio de Queluz, em Coimbra e na Figueira da Foz.
Só com uma enorme carolice se poderia transformar uma ideia num facto concreto e quem já assistiu a estes espectáculos, com cantores portugueses e músicos também nossos, teve ocasião de se deslumbrar com tamanho feito.
Os melómanos, os amantes de música erudita, quem aprecia os eventos culturais, não pode perder este grupo que existe para deliciar os ouvidos e a alma de todos os que procuram estes acontecimentos. E, com este blogue que sei bastante gente lê, procuro que organizações de cultura, câmaras municipais e todas as organizações que desejem abrilhantar as suas acções com algo diferente, se ponham em contacto com o grupo que eu, particularmente, tanto aprecio.
O endereço é:
evi.geral@evi.pt ou pedrochaves@evi.pt.
Está feito o prometido, com grande alegria minha!

FAZER DE CONTA

Nem sempre o que é possível se consegue
fará falta algo, mesmo a fé
é preciso que o que se persegue
deixe de estar longe e fique ao pé

Muitas vezes tem que se dar o passo
ainda que não seja nosso agrado
há que manter fortes nervos de aço
e esquecer o que está ao lado

Por muito que se trate de uma afronta
aquilo que é preciso p’ra vencer
nada poderá ser de grande monta

Pois por mais longe que esteja pronta
o que queremos ver alvorecer
o importante é não fazer de conta

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Pergunto-me com frequência: se tivesse nascido noutro País e lá continuasse a viver, o meu pensamento seria o mesmo que mantenho agora?
Se sim, então o Homem comporta-se, em relação ao exterior de si próprio e quanto a si mesmo, de acordo apenas com o seu modo de ser.
Se varia conforme o ambiente que o rodeia, nesse caso é de fora para dentro que funciona a forma de ser de cada um.
Eu prefiro ser como sou, independentemente do lugar onde vivo.
Só não sei se o consigo…

ORÇAMENTO 09


Ainda é cedo para comentar o Orçamento 2009 que foi ontem apresentado ao fim do dia e, mesmo assim, com avarias nos meios de comunicação, tendo o presidente do Parlamento português que aguardar algumas horas para se inteirar do que é que ia aparecer como novidades que o Governo tinha cozinhado.
Não sou daqueles que saltam de imediato à liça para apoiar ou contrariar os estudos e as promessas que os Governos fazem, cada vez têm de apresentar o Orçamento para o ano que aí vem. Por isso, se houver ocasião para isso, e por partes, lá irei a seu tempo.
Temos ainda muitos assuntos para nos preocupar o pensamento que, pelos vistos, não são tratados no tal documento surgido com tanta pompa e circunstância. Também não admira, pois as próximas eleições legislativas começam a estar à vista e todos os cuidados são poucos por modo de não criar, a esta distância, descontentamentos e motivos para as oposições aproveitarem eventuais falhas eleitoralistas.
Vou só, por gora, falar de dois temas: o primeiro é o do preço da gasolina que não há forma de os governantes se encherem de coragem para meterem na ordem as empresas patroas da movimentação daquele precioso combustível, forçando-as a equilibrar o preço de venda nos postos, de acordo com as baixas que se verificaram nas extractoras. Se sobe, em Londres ou em Nova Iorque, nessa mesma altura aumentam as tabelas de venda ao público; se desce a cotação nos mesmos sítios, as baixas, aliás insignificantes, só surgem passado um tempo longo. As pretensas explicações confusas lá surgiram, mas não convencem ninguém…
O segundo tema tem a ver com a candidatura ibérica ao Mundial de futebol de 2018, que surgiu como proposta do outro lado da fronteira, e que pode aproveitar bem os vários estádios construídos em Portugal e que se tratou de um dispêndio exagerado de novos ricos que um Governo passado resolveu fazer para dar mostras de desempoeirado, sem olhar ao estado em que estavam e ficaram as finanças, quer de clubes quer dos próprios cofres oficiais.
Já não me refiro a outro assunto que bem deveria fazer parte do Documento agora tornado público: o estado da Justiça no nosso País. É tema ignorado, é problema que não interessa muito aos que governam, sejam eles quem forem, porque isto de meter a mãos onde há juízes e magistrados é uma escaldadela e a coragem nem sempre está disponível!”

terça-feira, 14 de outubro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Levantei-me hoje com a disposição de encarar o mundo com pleno optimismo.
Desejo ver tudo cor-de-rosa.
E até o fala-barato do café, que diz coisas por tudo e por nada, sempre em voz gritante que amachuca os ouvidos de quem está calmamente a fazer as suas palavras cruzadas, até essa criatura me merece simpatia.

CALADO

Ter que fazer
não ser capaz
nem querer morrer
sem deixar p’ra trás
obra aceitável
para recordar
ser memorável
não ser vulgar

Mas e o génio?
bem que o procuro
qual oxigénio
em túnel escuro
se não o alcanço
fica por fazer
não terei descanso
sem desfalecer
até conseguir
antes de partir

Só os papéis
manuscritos no café
esforços cruéis
de quem faz finca-pé
em não ser um qualquer
quem cá ficar que diga
o que lhe aprouver
pois ninguém é obrigado
a manter esta luta
e se calhar é calado
que é a melhor conduta
dizer alto é vergonha
de se ficar a saber
o que cada um sonha
e, sem o conseguir… morrer

ANTECIPAR-SE

Isto de ter razão antes de tempo é um disparate. Ou melhor, é uma frustração. É o que me acontece vastas vezes, mas não tenho emenda. Volto constantemente a expressar os meus pontos de vista, para espanto e até indignação de muitas pessoas, quando o acontecimento só acaba por se dar ainda longe do seu anúncio. E quando aparece, já ninguém se recorda que houve alguém que avisou que tal sucederia.
Desta vez, a notícia de que as rendas das casas, em Portugal, vão substituir as prestações das compras respectivas, por enquanto é apenas isso mesmo: uma notícia. Os bancos, dizem, vão substituir as mensalidades correspondentes às liquidações das prestações, com juros, das aquisições de andares, por valores de rendas, sendo estas frutos de negociações que cada caso proporciona. Esta é uma novidade que o Orçamento de 2009 vai apresentar. Aguardemos.
Mas o que constitui uma noticiada medida que corresponde ao que, neste blogue diário, tinha sido tratado, é o caso dos prédios degradados que existem por esse País fora e que, no caso de Lisboa, estão bem à vista de todos, há muitos anos. O referido Orçamento prevê um agravamento para o triplo das taxas de IMI praticadas em cada município aos proprietários com edifícios em risco de cair.
Quer dizer, a preocupação vastamente demonstrada neste meu blogue em relação, primeiro às casas em estado de degradação contínua e a falta de andares para aluguer, que tinham desaparecido tendo sido substituídas por andares para venda, com empréstimo bancário, que deu no que deu, esse problema parece que vai ser resolvido, tendo-se que aguardar pela execução prática das medidas que a população tem de vir a conhecer logo que o Orçamento oficial para 2009 entre em efeito.
Por mim, como em muitos outros casos de que fui pioneiro nas minhas intervenções escritas em diferentes locais, quer na Imprensa quer, mais modestamente, nestes blogues, fico satisfeito por verificar que não caíram em saco roto as reivindicações a que meti a cabeça. Terá sido coincidência. Pois terá. Mas o que importa é que os resultados surgiram. As vaidades, que não existem no meu caso, ficam arredadas.

Apenas mais uma palavra: a nossa vizinha Espanha já deu início a um procedimento idêntio ao que vai agora, entre nós, entrar em funcionamento. Até nisto me antecipei. Não tenhamos complexos em copiar, desde que o façamos bem. Afinal, em acções políticas ninguém inventa nada. O que é preciso é andar atento ao que os outros fazem e aproveitar das experiências alheias. Se deram resultado, quem somos nós para evitar seguir o mesmo caminho?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

SE EU FOSSE UM HOMEM RICO


Hoje estou num desses dias
com ganas de fazer nada
todos nós temos manias
ou gosto pela vida airada
tenho livros para ler
mais de dez na escrivaninha
pinturas para fazer
mas caí nesta morrinha
é preguiça
enfermiça

Olho só, mas nada vejo
nem isso quero fazer
tudo me causa bocejo
mas que maçada viver
e falar não é comigo
que trabalho isso me dá
andar também não consigo
dar uns passitos vá lá
mandriice
que lesmice

Amanhã será diferente
terei plena energia
pois nem sempre a gente sente
bem fundo a mesma agonia
vou falando com quem passa
poesia escreverei
mirarei a mulheraça
e tudo que sei farei
com vontade
e qualidade

Postas as coisas assim
parando para pensar
ponho esta questão a mim
em prosa ou a versejar:
pode-se ser mais feliz
estando atento à nossa volta
e sendo sempre juiz
ou seguir na vida à solta
divertido
extrovertido ?

Boa questão está no ar
que responda quem souber
cada um faça o que achar
o que mais lhe aprouver
porém o mundo não deixa
que cada qual faça a escolha
pois muita porta se fecha
quem anda à chuva se molha
aguenta
que tormenta

Sendo pobre, coisa má
mais difícil a opção
não há por perto o sofá
e p’ra dormir há o chão
por isso não fazer nada
não é escolha para ter
e andar na vida airada
não é questão de querer
o trabalho quando falta
sem ser por própria vontade
mesmo doente com alta
não dispõe de liberdade
desemprego
desassossego

Comigo não é assim
não sou pobre nem sou rico
é só por não estar afim
não quero e nem abdico
já nesta altura da vida
de ser de outra maneira
o momento é que convida
seja certo ou seja asneira
dolência
independência

Não posso ser mentiroso
pôr em verso meus desejos?
É que me dá certo gozo
fingir que tenho bocejos.
Não, nunca estou desse modo
no “dolce fare niente”
por mim nunca m’acomodo
na posição de ausente
é que tenho consciência
de que o tempo que me falta
me desperta a exigência
de não m’entregar à sesta
essa a razão por que faço
esforços p’ra produzir
e afugento o cansaço
em troca do insistir
teimosia
rebeldia

Estou num dia portanto
ao contrário do que disse
em que p’ra dentro canto
não vejo nisso chatice
acrescento mais poemas
ao rol imenso em arquivo
são quase todos algemas
que eu deixo em donativo
aos que ainda cá ficarem
nada têm de nocivo
mesmo sem apreciarem
testamento
sem talento

só se for rico
o mafarrico
Especialista é todo aquele que sabe cada vez mais sobre cada vez menos.
Super especialista é o que sabe absolutamente quase tudo sobre absolutamente quase nada.

IMIGRANTES




Por mais que se queira resolver o problema do eventual (ninguém tem a certeza) excesso de imigração, não é fácil enfrentar de vez a questão, em virtude dos compromissos tomados, por um lado, pelo Acordo de Shengel e, por outro, dado as fronteiras europeias se encontrarem abertas e não haver forma de impedir as mudanças de populações que, depois de conseguirem entrar num país da Europa, movimentam-se em toda ela até serem localizados pelas autoridades e, normalmente, isso só acontece quando cometem alguma actuação contras as leis e são detectados pela polícia. Dessa forma, todas as nações europeias estão sujeitas ao enchimento, por vezes excessivo de algumas nacionalidades, e, dessa forma, sujeitam-se à ocupação de uma mão-de-obra que deverá ser exercida apenas por naturais de cada sítio.
Há benefícios inegáveis com a aceitação de estrangeiros legais a prestarem-nos serviços a que os autóctones não deitam a mão. Nas obras, por exemplo, quando estas estavam no auge, era um dos locais onde se aceitavam trabalhadores vindos de fora e alguns deles, até, sobretudo os oriundos de Lesta, com formação académica muito acima das tarefas a que se passaram a dedicar entre nós. Mas a coisa, neste momento, mudou, quer em Portugal quer em Espanha, pelo que se verifica já um excesso de oferta de gente e uma grande baixa de procura, devido à tal crise que não se sabe quando vai ser ultrapassada.
A Espanha, por exemplo, já cortou com os imigrantes, pretendo devolver certos empregos aos naturais do País, proibindo a contratação de estrangeiros em trabalhos ditos de difícil cobertura. Entre as profissões agora proibida a estrangeiros, contam-se os soldadores, os cozinheiros, os camionistas, os carpinteiros e os electricistas. Ora, veja-se lá, como os nossos vizinhos são rápidos a tomar decisões em defesa dos interesses dos naturais.
Por cá, o que se passa é que as autoridades acabam de autorizar residência a 49 mil brasileiros que se encontravam aqui irregulares, o que, tratando-se dos nossos irmãos do outro lado do Atlântico e que, em tempos passados, acolheram tão bem os portugueses, até me parece uma medida moralmente justa. Mas, o pior é que estão localizadas muitas favelas que, com residentes em situação de indocumentados no nosso País, bastantes até com cadastros por crimes praticados já, formando gangs perigosos, e não são postos a andar para as suas origens, já que as cadeias se encontram também a abarrotar de presos de todas as ordens.
São estas e outras situações que, podendo e devendo merecer a atenção prioritária dos governantes, pelo contrário o que se assiste é a discussões sobre temas que não adiantam nem atrasam, que podem bem esperar por ocasião mais apropriada e longe de crises graves.
Enfim, temos de nos conformar com os passos trocados de que somos peritos nesta Terra. Vem-nos tudo da tropa…

domingo, 12 de outubro de 2008

O IDEAL

(Letra para uma canção)

Todos nos olham, ficam espantados
Estamos na montra do mundo real
Afinal fomos nós os enganados
Fiámo-nos na pureza do ideal

Um raio de luz
Chegará um dia
Qu'alegria
Em que a nossa cruz
Terá um bom fim
Enfim

O homem verá
Como é bom sorrir
E daí partir
Para o que será
Um mundo melhor
O maior !

É o homem o maior culpado
Porque é grande a sua ambição
Nem os maus exemplos do passado
Mostram dever ser outra a sua acção



Faço o possível para ler toda a poesia que me chega às mãos.
A que é publicada e apreciada, pelo menos pelos editores que lhe deram oportunidade de surgir impressa.
Concluo que não tenho sensibilidade suficiente para ser tocado por certos poemas sem métrica, sem rima, conjunto de palavras sem significado à primeira e à segunda vista.
Está muito para lá do meu entendimento.
Ou será que, tal como aquela denominada música, que é só barulho?
Também há poemas que não respeitam o silêncio…

JOSÉ MIGUEL JÚDICE


Conheço-o há muito tempo. Quando, cerca de um ano depois do 25 de Abril, regressou a Portugal, ainda bastante jovem mas já em vias de receber o papel passado pela Ordem dos Advogados, tendo vivido uma temporada em Espanha envolvido com os movimentos políticos que se sabia existirem no País vizinho, a convite de Vera Lagoa, que me acompanhava no semanário por mim fundado, “o País”, aceitou escrever uma coluna em que dava largas ao seu pensamento que, por sinal, não condizia precisamente com aquilo que eu tinha como lema no jornal que dirigia, mas como sempre respeitei a independência do jornalismo, nunca interferi nos seus escritos. Tratava-se de José Miguel Júdice que, quando Vera Lagoa fundou o seu próprio semanário a acompanhou por se sentir mais à-vontade naquele ambiente de Direita declarada. Não me foi dada qualquer explicação, mas eu sempre aceitei os comportamentos do outros, mesmo os que podem caber na área dos menos próprios.
Seguiu, pois, Júdice a sua vida e foi, como se sabe, bem sucedido, tendo até conseguido o lugar de Bastonário da Ordem dos Advogados, militou no PSD, partido de que, segundo se lê na entrevista que concedeu recentemente a um diário, se afastou, tendo mostrado inclinação pelo PS, pois foi até nomeado por Sócrates para a reabilitação da frente ribeirinha de Lisboa, cargo que não chegou a exercer o que causou alguma polémica.
Digo tudo isto, porquê, se não se trata de nenhuma novidade e quem anda atento neste País às figuras que se fazem notar não considera coisa nova o que acaba de ser escrito? Só para, eu próprio, recordar tempos passados e me ajudar a tomar a consciência de que tudo que fiz ou que autorizei que se fizesse se tratou de algum acto que ´edigno de aplauso ou, pelo contrário, é merecedor de profunda censura.
Deixemos isso aos outros para julgarem, mas eu apenas me aconchego no conteúdo da entrevista que José Miguel Júdice considerou útil tornar pública. E foco um ponto essencial.
É evidente que cada um é livre de mudar de pensamento político as vezes que lhe aprouver. Se me recordo desta figura que, quando nos falámos pela primeira vez, me disse que, para ele o CDS estava muito à Esquerda, e que foi dando os desvios que, nesta altura, roçam o socialismo, muito embora comece a levantar dúvidas quanto ao socraterismo, é só para dizer uma coisa: não tenho nada que fazer comentários. Mas é-me permitido registar a situação.
Mas há uma questão que eu, nesta altura, tenho de concordar com o José Miguel. É que, cada vez mais, Portugal vai dando mostras de que é capaz de acabar por não ser viável como País.
Toda a gente que me conhece sabe que eu, desde que me conheço e já no tempo da Ditadura afirmava que a única solução para esta ponta da Europa é constituir-se a Ibéria e surgir um agregado de duas Nações que, nessa altura sim, terá a força suficiente para bater o pé não só no espaço europeu mas também no mundo. O caso do Benelux serve de exemplo. E há forma de chegar a esse ponto sem nenhuma fracção deste espaço, sem perda de línguas, costumes, culturas, bandeiraa, hinos, governos, assembleias… já que, quanto a moeda, é sabido o que se sabe.
Portanto, no que diz respeito às ideias de José Miguel Júdice, nesse particular tudo indica que não pensamos de forma muito diferente. Se é que ele mantem este pensamento!

sábado, 11 de outubro de 2008

MARCHA DE LISBOA

OLHAR PARA A FRENTE

Lisboa do Sol brilhante
Lisboa do Tejo aos pés
Tu tens a força gigante
Tu és assim como és
Mesmo a olhar p’ro futuro
Tens sempre o passado atrás
E sou fiel, isso juro
Ao amor que tu me dás

Cantiga da rua
Tu és para nós
A força da voz
Que actua
Esperança, tão boa
Que vem já de trás
Que o povo é capaz
Oh! Lisboa
Cidade velhinha
Não julgues que a história
Parou na escadinha
Na rua estreitinha
E é só memória
Olhar para a frente
E força alfacinha
Que o coração sente
A ânsia da gente
Que canta e caminha

Mas se o passado morreu
E o orgulho permanece
U/ma nova fé nasceu
No coração que amanhece
Lá no alto, o castelo
Sempre estava e há-de estar
A olhar tudo que é belo
E a Lisboa namorar

CASAS DA CÃMARA





São muitas as anomalias que sucedem nesta nossa Terra, naquela que se classifica como nação, mas que não se sabe bem se, ao fim de tantas centenas de anos de existência, será já um país ou não chegou ainda lá e não passa de um sítio onde vive gente que não se comporta devidamente, por forma a que seja fabricado permanentemente o futuro para os vindouros, com o fim de não virem a deparar com um montão de asneiradas que são depois forçados a emendar. Perante isso, quando aponto aquilo que considero disparate, a minha preocupação é somente a de contribuir para alertar um pequeno círculo de leitores, sabendo de antemão que não posso pretender fazer mais do que isso. O que é pouco, concordo.
Pois vem neste momento a talho de foice o tema, que está agora a ser tão falado, de antigos responsáveis máximos do Município lisboeta terem feito favores, sabe-se lá porquê, ao ponto de terem dispensado, sob aluguer, casas que são pertença da Câmara, por valores verdadeiramente estapafúrdios. Um diário escreveu mesmo em título “Rendas de casa ao preço de um café”, acrescentando que um total de 4.222 andares foram entregues a favorecidos camarários, provavelmente por se tratarem de funcionários municipais ou parentes dos mesmos, mas, de qualquer forma, sob o beneplácito de quem punha e dispunha dentro da instituição que é paga por dinheiros públicos… que o mesmo é dizer, também por pagamentos dos munícipes através das múltiplas taxas aplicadas aos cidadãos que residem na capital.
Todos nós conhecemos gente que chegou ao ponto, pelo menos nalguns casos, de terem feito boas fortunas à custa de favores prestados através da influência tida junto dos serviços camarários, especialmente na área das licenças e de autorizações fraudulentas de actos que um cidadão vulgar não consegue. Antigos fiscais, transformados depois em construtores civis ou actuando junto destes, que aparentam um nível de vida que não seria nunca possível apenas com o salário que auferem na sua actividade, são a prova disso. Basta fazer um pequeno inquérito junto dos cidadãos e logo se encontram dúzias desses casos E não vale a pena surgirem os inflamados alguns ditos ofendidos, porque, como em todas as coisas, também aqui pagará o justo pelo pecador.
Eu, pelo menos, sei de algumas situações que se diriam escandalosas. E os favores não se ficam apenas na concessão de licenças. Vão ao ponto de prolongarem quase indefinidamente, até anos, a mantenção de obras paradas, cobrando evidentemente por esses favores, razão do escândalo de se assistir por tempos longuíssimos algumas ruas plenas de tapumes e, não só isso, mas também o sítio de arrumação dos carros ocupados com abusivas correntes, que os mestres-de-obras ocupam para seu uso pessoal. E os fiscais, "gente bondosa", fecham os olhos… não se sabendo o que é que abrem! É preciso pôr mais na carta para que os serviços superiores actuem, ou será que esses ignoram ingenuamente o que se passa?