quinta-feira, 21 de agosto de 2008

DUAS NOTÍCIAS


Isto de se passarem no mesmo dia acontecimentos que nos deixam de boa disposição e outros que nos entristecem profundamente, são, como é natural, circunstâncias que a vida nos proporciona e que nós, humanos, não temos outro remédio que não seja suportar e reagir de acordo com a disposição que formos capazes de ter nessa altura.
Pois foi, exactamente, o que ocorreu hoje, depois de uma série de situações que, no nosso País, têm sido criadas com os roubos e assaltos que parece que combinaram surgir todos na mesma altura, uns seguidos aos outros, e que criaram na população um desassossego que, mesmo tendo-se passado num mês tradicional de férias, têm amargado bastante os portugueses. Tantos casos de uso da mão armada para extorquir valores, já não só em bancos mas igualmente em estabelecimentos de outros negócios, essa “febre” era só conhecida por cá pelo que se via nos filmes, sobretudo os americanos.
Mas, quanto às duas notícias de hoje, a boa foi a da medalha de oiro que foi ganha em Pequim pelo Nelson Évora, pois todos nos encontrávamos completamente desmoralizados pelo facto de, até agora, não terem os nossos atletas conseguido posições cimeiras nos Jogos Olímpicos na China.
A outra notícia, que teve de tocar a todos, os que viajam ou mesmo os que só têm contacto visual com o avião, com o acidente ocorrido no País vizinho, em Madrid, no aeroporto de Barajas, em que morreram mais de 150 passageiros e tripulantes.
Tendo estado sem fazer os meus blogues diários, por casmurrice do meu computador que entendeu avariar sem sequer me avisar antes, hoje não quis ir muito longe nos meus pensamentos. E fico-me por aqui, a assinalar os dois casos que, sendo antagónicos, têm todo o direito a ser referidos com toda a naturalidade.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

REVOLTA


Que revolta
desconsolo
ansiedade
bem queria dar a volta
e ir até ao miolo
da minha obscuridade

Verdade
mistérios
respostas claras
estou pleno de vontade
que me mostrem factos sérios
sem inventos e sem taras

A suceder
a dar-se
ter fé como crentes
não terei o que temer
que usar qualquer disfarce
para me mostrar às gentes

Séculos passados
dois mil anos foram
sem provar
nem fanáticos nem letrados
nem aqueles que tanto oram
no que eu quero acreditar

Ter fé é preciso
querer saber
respostas das questões
terei de perder o siso
basta entregar-me ao crer
sem pôr quaisquer condições

Triste ignorância
querer aprender
com independência
só me restará a ânsia
de ir sem satisfazer
tão grande impaciência

Sacanices
e invejas
grandes perseguições
um mundo de aldrabices
só beatas nas igrejas
o perdão com confissões

É o céu
e o inferno
bondade e Satanás
desconfiam do ateu
e até o próprio Governo
não quer fazer marcha atrás

Ser sério,
honesto
frontal
não aceitar o mistério
há que não dar o pretexto
de sem saber dizer mal

Será assim
vida fora
sempre igual
pergunto à volta e a mim
mas não sei aonde mora
quem me dê algum sinal

Por isso
contrariado
temente
fechado no meu ouriço
sem fé e amargurado
não sinto o que outrem sente

No Além
fora do mundo
ali
será que haverá alguém
que me faça ver bem fundo
aquilo que nunca vi
?

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Faço o possível para ler toda a poesia que me chega às mãos.
A que é publicada e apreciada, pelo menos pelos editores que lhe deram oportunidade de surgir impressa.
Concluo que não tenho sensibilidade suficiente para ser tocado por certos poemas sem métrica, sem rima, conjunto de palavras sem significado à primeira e à segunda vista.
Está muito para lá do meu entendimento.
Ou será que, tal como aquela que alguns denominam como música, afinal é só barulho?
Também há poemas que não respeitam o silêncio…

sábado, 16 de agosto de 2008

AO MENOS MAL!


Neste período de férias, em que as disposições não são as melhores para tomar conhecimento de más notícias, mesmo não querendo quem, como é o meu caso, não dá descanso à ansiedade de estar sempre ao corrente do que se passa no mundo em que vivo e, naturalmente, chamando mais a atenção aquilo que rodeia mais de perto, não faz de conta e busca nas notícias aquilo que causa alegria e, mesmo contrariado, tomando conhecimento do que provoca tristeza e preocupação.
Pois este mês de Agosto tem sido fértil em roubos, sobretudo aos bancos e, como já se tornou acontecimento vulgar, às caixas multibanco que têm provocado um apetite desenfreado aos assaltantes destes pesados cofres públicos.
Sem querer descrever os casos ocorridos recentemente que mais parecem ser extraídos de filmes americanos deste tipo, pois os noticiários, sobretudo os visuais, foram pródigos em mostrar as imagens que todo o País pôde ver, basta que me fique pelas notícias dadas na generalidade da situação portuguesa quanto à lástima da situação que vivemos e que, segundo parece, nem o Governo nem as Oposições se têm preocupado muito com os temas, pois nem uns nem outros têm incluído nas suas comunicações estes pontos que, quanto a mim, nos têm de fazer pensar, já que outra coisa ao Povo não cabe outro papel a desempenhar.
Começo por transcrever aquilo que constituía um título de um diário lisboeta e que dizia assim, com todas as letras: “Portugal tem o maior fosso entre ricos e pobres” , acrescentando que há 334 mil portugueses a viver do Rendimento Social de Inserção e do Rendimento Mínimo Garantido, indo mais longe a notícia ao acrescentar que, de 2004 a 2008 o número de beneficiários cresceu 437%. E outro jornal foi mesmo ao ponto de afirmar que continuamos a ser o país da União Europeia com o maior fosso entre ricos e pobres. Vá lá, para conseguirmos ir à frente em alguma coisa!
Em acréscimo a essas notas bem tristes, foi possível ler noutro periódico que, desde o ano 2000, estão por encontrar 51 foragidos das prisões nacionais e que, este ano, já fugiram das cadeias dez presos. Outro prémio que nos cabe assinalar nisto de campeonatos de incompetências. Já que, nos Jogos Olímpicos de Pequim, até agora não conseguimos mostrar ao mundo que somos alguma coisa que tem algo a dizer e a mostrar, pelo menos que os josnais de outros países se refiram anós nem que seja por motivo de um rapto/morte de uma criança inglesa que foi assunto ao longo de muitos meses. Já estou como alguém que dizia "falem de mim, ao menos mal!...
"

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!



Ao relembrar todo o meu longo passado, a caminhada percorrida até aqui desde que era a criança sonhadora, contemplativa, que fabricava na cabeça o futuro cor-de-rosa sem abandonar as obrigações do presente de então, ao dedicar-me a todo esse extenso e cansativo exercício não sei, francamente, se acabo por concluir que daí possa sair alguma coisa de útil, de positivo.
Perante a estafa que constituiu essa minha desfilada, com encantos e desencantos, não sei avaliar se, com uns e com outros, me apeteceria voltar atrás.
Começar tudo de novo.
Teria chegado hoje a um resultado diferente?
Por agora, prefiro esgotar o tempo que me resta.
E admitir que algo de aceitável ainda poderá surgir.
A esperança, por pouca que seja e que morrerá no mesmo momento em que isso me acontecer a mim, não fica para contar seja o que for.
Nem sequer contribuirá para sustentar esta insatisfação que não me deixa.


APRENDER ESPANHOL


O turismo sempre foi, há muitos anos, (que vêm desde épocas muito anteriores à Revolução), uma actividade que contribuiu
para o enriquecimento da nossa economia de uma forma importantíssima. Já fiz esta afirmação em texto anterior e considero que é essencial que todos nós, cidadãos portugueses, tenhamos sempre presente esta realidade. Se é um bem para Portugal acolhermos visitantes de outros países – e, na situação de hospedeiros, cumprimos bem, de facto, essa missão -, já que a nossa vocação nunca foi a de irmos vender os nossos produtos ao estrangeiro, então que tiremos o maior proveito possível daquilo que a Natureza nos brindou, que é um razoável clima ameno, uma Natureza e uma paisagem acolhedoras e uma posição geográfica, com o Oceano em nosso redor e as múltiplas praias existentes que se prestam a aprazíveis férias, a todos os visitantes que não contam com estes benefícios nas suas terras.
No caso da Europa, que é potencialmente o grupo que mais perto se encontra e, por isso, potencialmente é o fornecedor preferível de turistas em Portugal, sendo o Reino Unido o país que, tradicionalmente, sempre usou o nosso destino para centro de descanso e, em muitos casos, muitos dos seus súbditos acabam por escolher o Algarve para passar o resto da sua vida, há uns tampos a esta parte são os espanhóis que ocupam o primeiro lugar no número de entradas. Sobretudo por via terrestre, já é muito vulgar hoje – e neste mês de Agosto esse facto nota-se a olhos nus – cruzarmo-nos com um número verdadeiramente espantosos de automóveis com matrícula do País vizinho. E não só na época de férias, mas também sempre que ocorre um feriado e coincide com uma “ponte” que em Espanha também é usual ser aproveitada, logo as zonas turísticas portuguesas se enchem de carros pertencentes aos nossos vizinhos peninsulares. Vem isto a propósito da língua. É sabido que, ao contrário da nossa habilidade natural para nos entendermos com estrangeiros, ou porque temos bom ouvido para outros idiomas e a prática de ouvirmos filmes nas línguas originais nos familiariza com esses falares, ou porque temos uma natural boa vontade em ajudar os outros que não sejam portugueses, seja pelo que for a verdade é que os estrangeiros não se sentem impedidos de satisfazer os seus desejos mesmo usando só a sua própria língua.
Mas, no que diz respeito ao espanhol, já o caso mudas de figura. Será porque os portugueses se convencem que se trata de um idioma que também dominam e, por isso, inventaram uma fala que muitos chamam “portunhol” e que consiste num acréscimo de uns iis no meio das palavras, coisa que acaba por se transformar em ridículo.
É verdade que, ao contrário do que sucedia anos atrás, hoje muita juventude está a optar por universidades espanholas para completar os seus estudos, não só por uma questão de custos, mas também porque, por exemplo em medicina, as exigências de médias mínimas não se verifica no outro lado da fronteira. E, com a habilidade nata que temos de dominar outros idiomas, logo essa juventude penetra no espanhol com rapidez.
Mas, voltando ao caso do turismo, o que é urgente resolver é, sobretudo, na área da hotelaria. Provavelmente seria útil criar cursos de espanhol prático para os alunos que enveredem pelas profissões que tenham contacto com o público, ao mesmo tempo que a nossa promoção turística no exterior deveria ser impulsionada nas zonas que potencialmente melhores condições têm de enviar visitantes ao nosso País.
Continua-se por cá agarrado ao “aljubarrotismo” e ainda existe muita gente que sofre do complexo do Pais mais pequeno ao lado do vizinho maior.
Quantos anos mais vão ser necessários para provar que a união faz a força e que, sobretudo neste fase de crise grave internacional, juntos seremos menos fracos e talvez possamos resistir ao que, segundo os técnicos económicos avisam, teremos de enfrentar um ano de 2009 ainda mais feroz do que o que está a correr?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

FASCINANTE



O que é ser fascinante para mim?
por exemplo é ver a natureza
dos campos e também do meu jardim,
como ouvir o coração com pureza;
não invadir o espaço alheio
e aproveitar todos os momentos,
é ter todos os dias o anseio
de a humildade praticar aos centos;
só se arrepender do que não fez,
estimular a criatividade,
brincar, como em criança talvez
e também chorar a felicidade;
ter pensamentos positivos é
fascinação plena de auto-estima
e perdoar às pessoas até
a vida não ter de ser uma esgrima;
descobrir que dos outros precisamos,
como aceitar que tudo tem limites
e mesmo aquilo que não gostamos
deva ser razão para que tu grites;
respirar a bela brisa do mar,
como curtir as pequenas vitórias
são coisas fascinantes e sem par
ao mesmo tempo verdadeiras glórias;
não prometer se não podes cumprir
é algo sem qualquer fascinação;
falar dos outros mal só é servir
para provocar grande confusão;

ter fascínio por algo fascinante
é poder ficar contente consigo
não é ser santo mas estar constante
com um sentimento muito amigo.

Depois deste sonho bem acordado
do que gostaria de ser sem ser
encarando de frente o meu fado
reconheço em mim um homem qualquer

DESENCANTO... POR ENQUANTO!



Contemplo as pessoas que passam e faço a minha análise do povo que somos no nosso burgo. E se o panorama que observo ocorre em Lisboa, no interior do País não é muito diferente. No que diz respeito à demografia. Até será mais acentuado.
Não tenho números para saber em que percentagem, mas, à vista desarmada, a quantidade maior de gente que passa, agora que estou a fazer essas contas, é de gente idosa. Juventude só de vez em quando.
Isso quer dizer que Portugal está a envelhecer a olhos vistos. O que obriga a pensar no futuro, no próximo e no mais longínquo.
Mas não é apenas neste rectângulo que tal fenómeno está a acontecer. Segundo os números que são divulgados, os europeus não têm muitos filhos. A média é a de cada casal ter um descendente, ou seja, de cada dois sai um novo. Mas desde que a Europa escancarou as suas portas à imigração de todas as partes chega gente à procura de melhor vida do que a que têm nas suas origens. E, por pouco boa que ela seja, sempre será de nível superior à que tinham nas suas terras longínquas.
Todavia, como não conseguem libertar-se dos seus hábitos ancestrais, ou seja, como mantêm a ânsia de ter muitos filhos, mesmo mudando de ares não conseguem alterar os seus princípios. Também porque para eles os filhos, especialmente os machos, representam uma espécie de previdência social, de segurança para a velhice. Para além de que o respeito pelos idosos, em particular pelo mais velho, é hábito que se mantém, ao contrário do que ocorre vulgarmente no meio ocidental.
O que se passa, pois, é que tais imigrantes continuam a ser prolíferos. Mudam de sítio mas não perdem os costumes, os de terem muitos filhos, seis, sete, oito… E é essa geração que está a ocupar o lugar daquela que tem vindo a ser formada por rapazes e raparigas europeus de ancestralidade.
Por isso, a cor da Europa está a mudar. Basta olharmos para quem passa para constatarmos que tal mudança é cada vez mais visível. Será um curioso exercício tentarmos vislumbrar o futuro. Que se passará daqui a cinquenta anos ou até ainda antes? Provavelmente o mesmo que ocorria na minha juventude que era, de quando nos cruzávamos na rua por um indivíduo negro, beijávamos a unha do dedo polegar e dizíamos “um gosto”. Quem viver verá se se passará o contrário, se caberá a vez aos negros de ter esse gesto quando surgir um branco por essa Europa fora…

terça-feira, 12 de agosto de 2008

DESENCANTO...POR ENQUANTO!


Viajar é um prazer por que a maioria dos mortais anseia. Ver coisas distintas, diferentes povos que falam outra língua, que se comportam de modo desigual do nosso. Com excepção dos que se sentem bem onde estão, não têm meios para deslocações ou a falta de saúde não lhes permite que saíam do mesmo sítio, todos os outros albergam a curiosidade de ir mais além. De ir à descoberta. De ir ver outras paragens.
Mas para ver não basta apenas olhar. Olhar e não ver é uma situação bastante frequente em muitas pessoas. Que, ainda por cima, não distinguem uma coisa da outra. Vão visitar outras paragens, olham e não decifram a importância do que lhes aparece à frente. Nem o seu significado. São como aquele que foi a Paris, depois de ter economizado durante muitos anos o necessário para aquela aventura e, ao regressar, ao lhe ter sido pedida a opinião sobre a cidade, respondeu: “Que grande!”.
Mesmo dentro do próprio país, existem diferenças que vale a pena serem apreciadas. Então, quando há a oportunidade de cruzar a fronteira, quando é outra língua que se fala e são outros hábitos que se encontram, não se pode perder a ocasião de estabelecer a comparação. E medir se as diferenças jogam a nosso favor ou a vantagem é dos outros. Se não se produz essa avaliação, se se fica apenas pelo que se olha, então, na verdade, não se vê. Perde-se o essencial.
Podemos ser vaidosos daquilo que somos e do que temos. Estarmos satisfeitos com o nosso passado e com o presente. Cada um é dono da sua opinião. E o chamado “amor à Pátria” não deve ser objecto de discussão.
Do mesmo modo, a crítica, o descontentamento, a análise negativa daquilo que somos e o desejo de sermos melhores, todas essas atitudes não podem ser vistas como desamor. Estar satisfeito com o nosso comportamento, não desejar mudar nada, preferir sermos como somos do que procurarmos nos outros exemplo para melhorias, será uma posição que se respeita, não tem de ser apelidada a priori de patriotismo doentio., ainda que, reconheça-se, pouco positivo. Estar bem como está é tão aceitável como quem deseja mudar. No entanto, o desejável é que seja para melhor.
Seja como for, para quem está disposto a isso, o viajar é respirar ar diferente. E pode constituir um aumento de cultura, um alargamento de horizontes. O que é fundamental é pôr todos os sentidos a funcionar em pleno, para que o sair de onde vivemos não seja uma mera distanciação. Digo eu.



ESPANTO


Esta vida é um espanto
Este mundo bem espanta
O humano desencanta
Seja por nada ou por tanto

Há quem abafe com manto
A dor que sai da garganta
Mas não há é quem garanta
Que o mundo muda em encanto

Quem acredita entretanto
Que ter fé algo adianta
Anda perto de ser santo

Porque isto não tem planta
Nenhuma em qualquer canto
Caiu e não se levanta



segunda-feira, 11 de agosto de 2008

ENGRAVATADOS



A aparência visual de um indivíduo é muito levada em conta no relacionamento que é tido em sociedade. Nas mulheres, essa característica é mais forte e será por isso que as modas no vestuário têm muito maior influência no sexo feminino do que nos parceiros contrários. Esta é uma verdade de La Palisse que não acrescenta nada ao que é sabido por toda a gente.
É evidente que as classes sociais a que pertencem uns e outros contam de forma decisiva quanto a essa preocupação de acompanhar o que está a ser mais usado, não sendo, por isso, de estranhar que exista uma camada substancialmente elevada de mulheres que não anda ao corrente do que se usa em cada temporada, por desinteresse ou por obrigação do baixo nível de vida que suportam. Já quanto aos homens, ainda que seja cada vez menor o número de indivíduos que não acompanha o que surge como mudança no vestuário e também a forma de apresentar o cabelo, mesmo assim o conservadorismo, ou seja a maneira de se apresentarem, quer no trabalho quer noutra situação diária, esse matem-se e existem mesmo empresas que exigem que os seus funcionários se apresentem sempre de casaco e devidamente engravatados.
Posto isto, há que referir os modernistas, para se lhes dar um nome, que são aqueles que, por exemplo no penteado, têm o maior cuidado em ir mudando as suas popas no cabelo ao sabor do que está a ser a forma de figuras masculinas conhecidas surgirem nas fotografias. Mas, para além disso, o trajar também vai sofrendo mudanças, ao ponto de, nas recepções que se realizam por aí, mesmo que no convite esteja indicado o uso de fato escuro, uma enorme quantidade de gente, de facto a mais nova, surja só de camisa, sendo certo que se trata desse vestuário dito de marca, de cores garridas, com muitas fantasias empedradas, o que elimina, logo à partida, o uso do casaco. Há um exemplo que está a ser muito seguido e que é transmitido por uma figura que tantos utilizam como exemplo: o caso de Herman José.
Mas, a razão deste meu texto hoje tem a ver com um acréscimo de vestuário masculino que, de dia para dia, se está cada vez mais a pôr de parte: a gravata.
Todos nós acompanhámos mais de uma geração de vida em comum e assistimos à obrigação de os homens, fosse qual fosse a sua profissão, não sendo mesmo necessário que se tratasse de actividades de nível superior, terem de levar, apertado no colarinho, a gravatinha, ainda que, por vezes, se apresentasse já em condições definitivas de uso. Os governantes então, seria impensável vê-los sem esse adereço e, no tempo de Salazar, era conhecido que até chapéu eram obrigados a levar, nem que fosse na mão. Um ministro que se prezasse não andava de cabeça à mostra!
Só que os tempos correm depressa, as gravatas, especialmente no Verão, começaram a ser deixadas nos armários e hoje, até as reuniões alto nível, as próprias cimeiras da União Europeia, e, entre nós, na própria Assembleia da República, já é possível ver os deputados em mangas de camisa e desgravatados. O próprio Presidente da Republica, só ou acompanhado do primeiro-Ministro, ambos têm surgido nas fotos e perante as câmaras de televisão em amplo à-vontade, evidentemente em actos que não exigem rigoroso protocolo.
Este desprendimento de vestuário pode querer representar que nos estamos, em Portugal, a afastar do convencionalismo, o que poderá representar que estamos a deixar para trás a burocracite que tanto invade as cabeças do sector público.
Se assim for, eu, por meu lado, felicito os indivíduos formais que estão a ser capazes de acompanhar as modernices, mesmo que nos divirtam aquelas figuras que, sendo ainda raras, deixam os homens confusos sobre a sua verdadeira interpretação do sexo a que pertencem. Mas, é lá com eles. Se não se importam de provocar essa confusão e se até tiram proveitos materiais com o seu aspecto, pois que continuem. Não lhes chamem é palhaços, pois, da minha parte, tenho o maior respeito por uma profissão antiga que exige grande dedicação para se atingir um ponto alto na classe a que pertencem. Esses até podem usar gravatas que caem do colarinho até ao chão, e não é por isso que lhes recusamos o apreço que merecem.

DESENCANTO...POR ENQUANTO!


Numa altura em que surge de novo o que já foi alvo de discussões acaloradas em tempos passados, ou seja a tese de que Jesus Cristo terá sido casado com Maria Madalena, que teve pelo menos um filho e não ressuscitou depois da prova da crucifixação, neste momento ponho-me a reflectir sobre a importância que terá, para os crentes não facciosos, que o referido Ser, que historicamente terá existido e cujo nome ficou gravado ao longo de dois mil anos pelas posições tomadas que foram, parece não haver dúvidas, de bondade, justiça e amor aos outros, que peso terão esses factos para alterar o respeito e admiração que existirá em relação a uma figura da dimensão da que chegou até aos dias de hoje. E ponho-me a avaliar o que poderá alterar, na visão histórica e respeitosa que se mantém até à data, o facto de sim ou não ter dado o passo matrimonial bem como a natural circunstância de ter sido pai de um ou mais filhos. Parece-me, sinceramente, que não será por aí que se admire ou não essa personagem que tem tantos seguidores. Porque, a não ser por motivos de intuito de conotação milagrosa da conveniência de um núcleo religiosa, nada disso altera valor à importância de um Homem que se distinguiu por si só.
É evidente que qualquer religião, por ser produto da imaginação humana, neste caso, a seguidora do cristianismo, tira partido de todos os factores, naturais ou fruto de situações de difícil explicação que bem podem servir para atrair o seguimento incondicional de um culto. Nesse particular, os seres humanos, apurando cada vez mais técnicas de propaganda e de aglomeração de seguidores de ideias e cultos que não têm possibilidade de serem demonstrados provadamente, servem-se de todas as situações que têm possibilidade de ser associadas a qualquer tipo de mistério para tirar partido e servir de justificação das fés que apregoam. E quando não é possível justificar o que se encontra envolto em obscuridade de fácil explicação, a solução é a ameaça de que os incrédulos não têm merecimento das benesses que, alguma vez, os seguidores incontestáveis receberão após a passagem para o Além. Em tal particular, praticamente todas as religiões se regem pela mesma bitola.
Visto o tema sob esta óptica e sem se deixar influenciar pelo seguidismo cego, fundamentalista, não trazendo à discussão o período até aos trinta e três anos em que Cristo viveu na obscuridade, compreende-se que as indicações sempre oriundas do Vaticano se concentrem na passagem breve do período da criança imberbe passando em pleno para a época da vivência com os apóstolos e até à sua morte.
Em todas as áreas geográficas onde o cristianismo não consegue dominar na totalidade as outras religiões submetem-se aos seus deuses e são conhecidas as lutas e mortes que se produzem para afastar crenças concorrentes. É o resultado de ser o homem a dominar as religiões e não o contrário e, como disse Pessoa, a razão e a fé, quando se aproximam, guerreiam-se. E, apesar dos séculos passados, é visível que os mouros não apagaram da sua memória as matanças feitas pelos Cruzados nas invasões a terras do Médio Oriente.
Andarem agora os cristão, amuados uns com os outros e com os agnósticos, por motivo de haver quem queira apurar se Jesus Cristo foi casado ou não, se teve filhos e se jazeu na campa como qualquer mortal, manter-se essa preocupação numa altura em que as guerras santas dão mostras de não querer parar, é algo que não pode ser levado a sério neste mundo de confusões e de desavenças.




domingo, 10 de agosto de 2008

ESBOCETO


Se eu agora fenecesse
E nem despedir-me pudesse
Haveria alguém que quisesse
Rezar por mim uma prece?

Eu, por agora, agradeço
Mas é coisa que não peço
Já vem de longe, do berço
O não estar perto do terço

Pode bem ser que o orar
Acabe por desagravar
Um pecado particular

Fica aqui este soneto
Com um esquisito aspecto
Não é mais do que um esboceto

JARDIM DE S. PEDRO DE ALCÃNTARA


Um dos locais da minha preferência de Lisboa, por constituir um ponto de passagem nos meus tempos de juventude quando ia visitar a minha avó que morava na parte de cima da rua do Século e, anos mais tarde por ser o caminho que me levava aos Serviços de Censura no largo da Misericórdia, onde era castigado com os cortes que eram feitos nos textos de minha autoria nos jornais onde trabalhava, e, ainda tempos depois, porque a redacção do semanário “o País”, de que fui director durante dez anos, se situava na rua D. Pedro V e os almoços ocorriam, de uma forme geral, num restaurante do Bairro Alto, por esse motivo, sempre que o tempo o permitia não deixava de fazer o trajecto por dentro do belo jardim e ir apreciando a vista de Lisboa, com o Castelo de S. Jorge ao longe. Refiro-me, está a ser entendido, ao Jardim de S. Pedro de Alcântara.
Mas essa delícia de espectáculo nem do interior do carro me era permitido continuar a desfrutar, desde que há anos, já nem me recordo quantos, se deu ali início a umas obras cujos painéis colocados junto à rua tapavam todas as vistas. E assim, bem à portuguesa, enquanto os trabalhos deviam prosseguir – porque estiveram parados tempos sem fim, dizem que por falta de pagamento aos empreiteiros -, o belo local de Lisboa, que constituiria bastante inveja a tantas cidades estrangeiras que não têm a sorte de possuir locais elevados como acontece com a nossa capital, ficou entaipado e nós, portugueses que nisso de paciência ganhamos aos chinos, caladinhos e sem exigir das que se dizem autoridades que cumprissem a sua obrigação, gritando-lhes bem alto que, como afirma o Povo, quem não tem dinheiro não tem vícios, que é como quem diz, se não havia verba para contratar a empreitada, então não se tinha começado para, logo a seguir, parar.
Mas isto é o que continua a acontecer no nosso País, em que temos mais olhos que barriga, e só por um fulano, que tem poder, lhe apetecer que alguma coisa se modifique ao seu olhar, sem investigar primeiro se os cofres que guardam os euros para um determinado fim chegam para satisfazer esse apetite, põe logo a máquina dos gastos em funcionamento e, a meio do caminho, aperta a cabeça ao ver que não se precaveu quanto ao compromisso tomado. Exemplos? Mas alguém precisa que se faça aqui a lista que não tem quase fim?
Já no que diz respeito aos preços dos produtos, mesmo os de primeira necessidade, que sobem, sobem, como o balão da cantiga, quanto a isso ninguém, dos tais que mandam, se preocupa em saber se, nos bolsos dos contribuintes, há meios para satisfazer as exigências do aumento de custo de vida. É o caso da água que, este ano, subiu de 1 a 6%, segundo a zona onde se reflectiram esses aumentos, circulando já o aviso de que não se ficará por aqui o custo do tão precioso líquido, esperando-se apenas pelo próximo acto eleitoral para todas as autarquias poderem actuar na sua área com um novo modelo de tarifas.
E preocupamo-nos nós com os discursos inesperados e mal estudados do Presidente da República, com os assaltos tipo cinema a uma loja bancária, os carjackings e os home jackings (até precisamos de expressões inglesas para expressar o que em português se diz tão simplesmente assalto a automóveis), e outros assuntos que acabam por não merecer sequer a nossa atenção tão preocupada! Nós, que diariamente nos defrontamos com a fuga dos euros das nossas carteiras, e que nem sequer nos podemos consolar com alguma medalhinha que possa vir de Pekin – bem sei que, nesta altura em que escrevo, ainda não terminou o Festival -, que, por pouco ou nada que melhorasse a nossa vida, pelo menos sempre nos traria alguma compensação para o resto que corre tão mal cá pelas Berças…

sábado, 9 de agosto de 2008

UMA LIÇÃO DOS CHINESES


Todos nós, pela vida fora, ocupamos parte do nosso tempo a pensar no mundo que nos rodeia, naquele que se encontra à nossa volta, mas também no que está afastado geograficamente mas que, com a rapidez das notícias que as modernas tecnologias nos oferecem, por vezes tocam-nos mais perto do que um acontecimento que se tenha dado mesmo à nossa porta. E quando me refiro a “nós”, quero dizer os que se interessam pela evolução do mundo, pelo aparecimento de novos problemas, geralmente criados pelos homens, pelas novidades tristes mas também pela evolução favorável de situações que o mesmo homem consegue transpor. E tudo isso dá que pensar, a menos que passemos por este mundo completamente indiferentes ao que sucede, admitindo sempre que “não é nada connosco!” .
Mas, queiramos ou não, por muito longínqua que seja a situação que ocorra, mais tarde ou mais cedo alguma faúlha nos acaba por cair, por muito ao de leve que ela nos atinja.
Podia apresentar aqui uma dezena de exemplos, mas creio que os tais “nós” não precisam de explicações para atingir o que pretendo dizer nesta minha afirmação.
Por agora, fico-me no acontecimento que todo o mundo acompanha e refiro-me ao espectáculo inigualável, preparado com todos os requintes de uma organização que mostrou não tomar as iniciativas de ânimo leve e não as pôr em prática sem um profundo estudo e uma programação que assenta em preparativos meticulosamente ensaiados. Nada daquilo que o mundo viu foi fruto de uma improvisação a ver se saia bem. No que a nós diz respeito, não temo afirmar que nós, portugueses, sobretudo os que nos governam, tivemos e tiveram ocasião para aprender alguma coisa: que, na vida, é fundamental levarmos mais tempo a estudar bem a resolução dos problemas, para depois tudo sair dentro do programado, do que atirarmo-nos de cabeça para as ideias que surgem e, a meio ou no final da obra, depararmo-nos com atrasos, enganos nas contas, numa palavra, sair tudo ao contrário do que se tinha previsto. A bom entendedor, meia palavra basta…
A abertura, embora bastante limitada ainda, que a morte de Mao-Tsé Tung provocou no enorme País que é a China, com o seu bilião e 300 milhões de habitantes, provocou, no mínimo, a saída para o estrangeiro de muitas centenas de milhar de habitantes que, fora de portas e por tudo que é sítio, se empenham em dar mostras da sua capacidade de trabalhar e do esforço físico que empregam onde quer que actuem, sem exigências e limitando-se a expandir os seus próprios produtos pelo mundo fora, criando comunidades pacatas, quase silenciosas, que dão mostras bem contrárias às de muitas outras manchas de imigrantes que, após se instalarem, levantam problemas de ordem social e fazem exigências que, ainda que com algum direito, por se tratarem de seres humanos, por vezes dão mostras de impaciência pouco salutar.
Ora, é nisto que me dá para pensar nesta altura, Sobretudo logo a seguir ao assalto ao banco que, com reféns e tudo, provocou uma alteração na ordem que, no nosso País, não é costume ocorrer. Eram brasileiros os autores da atitude criminosa, o que não quer dizer que seja um caso que ponha os nossos irmãos na língua na lista dos indesejáveis em Portugal. Nem por sombras, embora haja alguns exemplos de outras nacionalidades que merecem uma cuidadosa atenção.
Mas aqui está o que constitui o início deste texto. Dá que pensar a evolução que está a sofrer o nosso País com a entrada de tantas nacionalidades que escolheram Portugal como ponto de assentamento das suas vidas, Mas não podemos esquecer que, quando, noutra época, os portugueses tiveram necessidade de deixar para trás as nossas fronteiras, foram acolhidos, de uma forma quase geral, com agrado e com amizade.
Faz-nos pensar que, afinal, este Povo que somos, é bem comportado, paciente, sofredor. Por isso fácil de ser governado.
Sendo assim, muito embora a situação actual não seja fácil de conduzir com agrado geral, podemos todos aprender dos chineses que as acções devem ser tomadas com sensatez, ponderação e sentido prático assente em estudo para não serem cometidos erros de precipitação.
Podemos não ganhar nenhuma medalha olímpica, mas o que sim pode ser já um prémio valioso é aprendermos a lição dada pelo espectáculo oferecido pelos chineses. Mais não posso dizer.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

DESMISTIFICAÇÃO


Eu quero que quem me observa
Acabe com má ideia
Que poesia conserva
De tristeza a mão cheia

Não senhor, não é verdade
Que o pessimismo impere
E que se incuta a vontade
De só ver o mal que fere

Alguma angústia, é certo
Invade a poesia
Nem de longe, nem de perto
Constitui a maioria

Cá por mim posso falar
Faço esforço quando escrevo
Ficarei no limiar
Da desgraça e do enlevo

Por vezes me escapa a mão
P’ra lágrimas e suspiro
Sendo assim peço perdão
Tudo que disse retiro

No fundo há sempre fé
Que amanhã seja melhor
A vida é o que é
Antes assim que pior

Afinal o que é verdade
É que os poemas chorados
Dão mais ar de piedade
Levam mais longe os recados

Ao reler o que está escrito
O triste encontro mais
Pois perdura no que é dito
E lido em jogos florais

Quero que fique bem claro
Não sendo um contentinho
Também não sou tão amaro
Com a mente em desalinho

Basta de falar de mim
O que importa é o mundo
Com seu princípio e fim
E coisas belas em fundo

PORTAGENS EM LISBOA


De facto, há problemas que surgem a quem tem de tomar decisões relacionadas com a orientação de uma cidade, que a única forma de os solucionar parece ser a de tomar medidas drásticas, tipo daquelas que se sabe serem usadas na China, drásticas, de alto a baixo. Apetece, de facto, mas a vida em sociedade humana não pode estar sujeita aos apetites daqueles que mandam, sem olhar a consequências e a precauções que têm de estar sempre na mira de quem tem o poder na mão.
Já sabemos que é assim e, portanto, não vale a pena fazer apelo aos direitos de todos e não às conveniências e aos apetites de alguns.
Isto vem a propósito daquilo que, há já bastante tempo, constitui uma preocupação da nossa capital, como representa um problema que muitas cidades pelo mundo fora enfrentam e que é o excesso de circulação de automóveis nas ruas que, quando foram feitas, não contavam com tamanha enchente de carros.
Já em tempos este tema foi levantado, mas voltou agora a aparecer e, de novo, surgem os defensores da redução de entrada de motorizados em Lisboa, aparecendo propostas que assentam no que é mais fácil: o pagamento de portagens para as viaturas que tragam apenas um passageiro, nem que ele seja o seu condutor.
Na China, de novo apelo ao seu caso pouco exemplar, também em Pequim, devido à afluência de população por via dos Jogos Olímpicos, já se instalou uma lei que só permite a circulação de viaturas de acordo com as suas matrículas, uns dias pares outros dias ímpares. Isso já aconteceu em Portugal, durante a II Guerra Mundial, em que as limitações de combustível obrigaram a tal medida. Mas era a guerra! E nessa altura até se vivia à base de senhas de racionamento. Mas agora, faz-nos pensar se não existe outra forma de solucionar o excesso de automóveis dentro de Lisboa, mesmo com os problemas de poluição que se vão sentindo caca vez mais.
Apetece recordar, no caso da capital, recordar o Município de que existem não sei quantos milhares de casas vazias, à espera de obras, e que todas essas residências representam milhares de famílias que tiveram de optar por viver fora de portas e que, por via disso, constituem uns milhares de automóveis que, todas as manhãs, açambarcam as ruas para trazer os seus usuários para a sua vida que se faz na cidade.
Impor a esses milhares de cidadãos a ter de pagar portagem para entrar na cidade que é a deles ou impor que tragam companhia para lhes reduzir os custos, é uma medida que se toma no papel com a maior facilidade, mas, na prática, não parece ser a mais adequada num país europeu que ainda não chegou aos extremos da… extrema China.
Comecem, quanto antes, por legislar quanto aos milhares de prédios vazios, muitos deles propriedade do Estado e de entidades oficiais e instituam a obrigação dos alugueres, que é uma das formas de solucionar também o drama que se vive hoje de ex-compradores de andares que se encontram perante a impossibilidade de liquidar os empréstimos bancários, como me referi ontem no respectivo blogue.
Já é muito tarde? Pois é. Como sempre não somos capazes de prever os fogos antes de ver as labaredas já em plena evolução. Mas essa de pagar portagens, todos os dias, a quem vive nos arredores e trabalha na capital, essa só pode lembrar ao mesmo que estabeleceu a proibição de circularem carros aos domingos no Terreiro do Paço. Isso serve, de facto, para alguma coisa?

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

TAEDIUM VITAE



Felizes são os que têm
Todo o tempo do mundo
Os que vão depois e vêm
Sem ter problemas de fundo

E se existem não se ralam
A vida são só dois dias
De coisas tristes não falam
Não têm essas manias

Estão contentes, podem crer
Conseguem sorrir até
E nada os faz deter

Já lhes chega o saber
Que em latim taedium vitae
É cansaço de viver

OS QUE AVISAM E OS QUE NÃO!...


Por cá nós queixamo-nos da situação que vivemos, da crise que não nos larga e que até se vai mostrando cada vez mais severa, não surgindo ninguém das Forças Públicas que tenha a coragem de fazer o retrato exacto daquilo a que se pode chamar o Estado da Nação. Pelo contrário, cada vez que um responsável governamental, sem excluir, evidentemente, o Chefe do Executivo, surge perante os jornalistas, seja na escrita, na rádio e sobretudo na televisão, a preocupação que se nota nas diferentes declarações é a de garantir que vai tudo bem, que caminhamos na boa direcção e, quando muito, se não é possível esconder uma realidade, se está a proceder no sentido de solucionar rapidamente o problema. Portanto, só optimismos.
É de estranhar, na verdade, que não apareça um único governante a dar razão a queixas, a explicar o motivo do desagrado mesmo que seja momentâneo, e a prestar todas as explicações para as múltiplas culpas que se sabe pertencerem a alguém, alguém esse que escapa sempre às críticas directas que merecem por ter actuado em erro.
Vejamos agora a diferença entre a maneira de proceder dos nossos responsáveis e o que sucede aqui ao lado, em Espanha: no diário “El Pais”, numa edição de há dias, logo na primeira página e como manchete, é esta a frase do vice-presidente económico – “A situação económica é pior do que prevíamos todos”.
Ora bem, disfarçar ou até mentir à população qual é a situação que atravessa um País, em lugar de oferecer confiança aos governados o que lhe transmite é a descrença sobre a qualidade e, por via disso, a competência que se deve aferir aos responsáveis do Estado.
O vice-presidente espanhol põe o preto no branco ao afirmar que “o que havia prometido o PSOE na campanha eleitoral era mais uma ambição que uma análise técnica”. E acrescentou sem complexos: “Sempre pensei que havia uma “borbulha” imobiliária, pois construir 800.000 habitações por ano não parecia situação sustentável e alargar as hipotecas a 40 anos não foi sensato”.
Comparemos, pois, o que se passa na vizinha Espanha com aquilo que acontece entre nós, sobretudo na área imobiliária, que atravessa um período de grande preocupação, pois, por um lado, o aumento das prestações aos bancos dos empréstimos recebidos num período de mais facilidade de vida que, por sua vez, também foram exagerados os montantes comprometidos, esse aumento não corresponde agora às disponibilidades financeiras das famílias endividadas e, nesta altura, ao desejarem ver-se livres dos apartamentos adquiridos deparam com a dificuldade em encontrar interessados.
O tema dos andares de aluguer, que devia ser discutido a nível superior, especialmente na Câmara da capital, cidade onde existem tantas casas degradadas a exigirem reparações urgentes para se voltar a ver os saudosos triângulos colados nos vidros das janelas a anunciar que estavam livres para receber inquilinos, esse problema não é levantado por ninguém e mantemo-nos na situação actual de, por um lado, a compra com empréstimos bancários se encontrar sufocada pelos custos sempre a subir dos juros e, por outro, não haver motivações para se voltar ao sistema antigo do aluguer.
Vejam lá o assunto que eu fui hoje buscar para encher o meu blogue! Mas não me digam que não é uma situação que está a levantar problemas a milhares de famílias e que, pelo que se contempla quanto a soluções, não se trata de uma questão que esteja em vias de ter solução.
E já que os responsáveis governativos não abrem o bico, pois que seja alguém que dispõe deste blogue para dar largas à uma preocupação que está aí e que, mesmo que não tenha evitado que as férias fossem gozadas por quem consegue descansar mesmo com a consciência pesada, ainda assim aqui fica uma notinha inocente!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

CÍRIO



As lágrimas que correm neste mundo
A fome, a doença, os desgostos
Obrigam a que lá muito no fundo
Os homens escondam nas mãos os rostos

Sofrer é caos que ataca os mortais
Ricos e pobres, de todas as cores
É alguém que nos envia sinais
De que p’ra viver há que sofrer dores

É isso, a vida fácil não é
P’ra uns melhor, p’ra outros um martírio
Mas é quando se chega ao rodapé

Que já na fase final do delírio
Se toma consciência do que é
Quando então para nada serve um círio

CÍRIO


Mas é quando se chega ao rodapé

Que já na fase final do delírio
Se toma consciência do que éAs lágrimas que correm neste mundo
A fome, a doença, os desgostos
Obrigam a que lá muito no fundo
Os homens escondam nas mãos os rostos

Sofrer é caos que ataca os mortais
Ricos e pobres, de todas as cores
É alguém que nos envia sinais
De que p’ra viver há que sofrer dores

É isso, a vida fácil não é
P’ra uns melhor, p’ra outros um martírio

Quando então p’ra nada serve um círio

A MELHOR POLÍTICA


Foi Alexander Soljenitesine, o Prémio Nobel da Literatura de 1970, que foi hoje a enterrar em Moscovo, com todas as honras da Federação Russa, com 89 anos vividos em pleno alvoroço, impedido até de entrar no seu País, onde esteve mesmo preso durante o período que não admitia que fossem divulgadas opiniões contrárias ao sistema então vigente, foi ele que deixou dito que “o Povo tem o direito de ter o poder, mas é esse Povo que não o quer”.
Sujeitas a todas as controvérsias que as frases que circulam e são de origem de cabeças pensantes que merecem o respeito do mundo que as admira, esta também não se exclui das opiniões contrárias que se sabe serem proclamadas por todo o mundo. Direito ao poder a ninguém deve ser negado, desde que se sujeite às regras de escolha e obedeça aos princípios de se dedicar a prestar toda a sua actuação em favor da maioria da população. Ninguém pode contestar esse direito. Agora, saber se quem assume essa função a que se entrega de livre vontade cumpre as obrigações plenas de imparcialidade, coloca em lugar secundário os seus interesses particulares, não actua unicamente a pensar no agrado que podem produzir os seus actos a determinadas áreas, apenas para garantir votos em próximo escrutínio e, pelo contrário, não temer desagradar sempre que uma medida é justa em sua consciência e, no caso de dúvidas, não temer ouvir as opiniões de diferentes sectores, ter consciência de que segue essas regras e estar sempre disposto a prestar contas publicamente, não deixando no vazio dúvidas que se podem levantar a quem é governado, em resumo, quem procede desta forma está a exercer um direito que merece o aplauso da maioria dos cidadãos. Porque oposições têm sempre de haver e é mesmo necessário que se manifestem.
Referindo agora a segunda parte da frase de Soljenitsine, de que o Povo não quer o poder, aqui é mais difícil dar o pleno acordo, pois sabe-se que o ser humano, quando reunido em multidão, quando se transforma em Povo, logo se vê conduzido por algumas figuras que procuram distinguir-se e que fazem suas as palavras que afirmam ser de todos. E é assim que nascem os chamados líderes, umas vezes saindo figuras merecedoras da confiança que os seguidores lhes dedicam, outras, figurões que trazem na manga a chama do mando, e que se aproveitam da ocasião e do seu poder de convencimento dos mais fracos para, a partir daí, quererem e até conseguirem, por vezes, serem donos de uma população inteira e de uma Nação por completo. Os resultados são-nos dados pela História de todos séculos, as antigas e as mais modernas. E depois de estar feito, o difícil é desfazer o erro.
Também Churchil afirmou que a Democracia era a menos má das políticas. E assim andamos todos à busca de um sistema político que se possa considerar como o ideal…

terça-feira, 5 de agosto de 2008

EI


Lembrar, já muitas vezes me lembrei
criar coisas novas, isso criei
estudar, sem dúvida estudei
e trabalhar, como eu trabalhei!
vamos ver se desta me sairei
de pôr em ordem sentenças, porei?
todas elas terminadas em ei:
Cantar na minha vida eu cantei
em coro de ópera operei
pintar, disso gosto, sempre gostei
emendar, quantas vezes emendei!
errar, dessa nem sempre escapei
fruto daquilo que eu inventei
pelo que tive de pagar, paguei
desatando nós, como eu desatei
ou então atando pontas, atei
sem poder adiar, adiei
sem cair, várias vezes tropecei
quer servindo ou quando comandei
porque a bota sempre descalcei
mesmo a resmungar como resmunguei
pois recear, lá isso receei
mas, que me lembre, nunca ajoelhei
embora saiba que desagradei
com quem eu muitas vezes discordei
só que, por meu lado, nunca odiei
mesmo a quem, sem querer, enxovalhei
ou, por casmurrice, envinagrei
fruto de um contínuo “enjoei”
e devia avisar, não avisei
mas mesmo assim eu nunca caluniei
e orgulho, isso nunca ostentei
nem eu jamais fingi que concordei
como mostrava a cara que fechei
pois engraxar sapatos, isso engraxei
mas apenas os meus, isso eu sei,
como mamar por aí, não mamei
coisa alheia nunca apalpei
fumar, só os meus cigarros fumei
mas desse mau vício me curei
pelo que eu nunca aceitarei
ver gente morrer, sem dó e sem lei
sem pensar como eu antes pensei
que basta o mau mundo que eu herdei
e que vai ficar para a nova grei.
Hoje, como antes, esperarei
que com ou sem mesmo um Agnus Dei
a escrita que faço e abracei
venha ser amada como a amei
que lhe dêem o valor que lhe dei
e se não for assim também direi:
olhem, caguei!

ANIMAIS NOSSOS AMIGOS


Não é fácil retirarmos de uma pessoa que passamos a conhecer as suas características, aquilo que se chama de índole. Normalmente, o ser humano, na sua primeira impressão, mostra-se simpático, agradável, cooperante na conversa. Por aí não se fica a saber grande coisa ou, quando muito, a imagem que nos é deixada é de uma companhia afectuosa e que apetece
manter como amigo.
No entanto, há um pormenor que, se vem a talho de foice, faz abrir um pouco as portas do interior do novo conhecido: é falar de animais e ficar a saber se aqueles que consideramos nossos amigos suscitam algum sinal de afeição da sua parte. Quem é verdadeiramente afeiçoado a qualquer ser vivo e, naturalmente, em particular quanto aos irracionais que nos rodeiam na vida do dia a dia, de uma forma geral – o que não quer dizer que não haja excepções -, pode-se considerar como sendo uma pessoa que merece mais confiança, no capítulo da sua formação moral, chamemos-lhe assim.
Eu, pelo menos, tenho este princípio como regra de convivência e raramente me equivoquei na apreciação.
Quem tem como companhia – porque as condições em que vive permitem oferecer o mínimo de movimentação do seu amigo de quatro patas - um cão ou um gato que, habituados como estará ao local onde se instalou, considera as instalações como sendo a sua casa, sem ser necessário muito tempo constata que essa sua companhia lhe tem uma afeição que qualquer outro animal racional não demonstra tão abertamente. Saltar para o colo, pedir festinhas, acompanhar para todo o lado, mesmo dentro da própria casa, o seu dono, é atitude que não se espera que um racional faça. Essa afeição quase doentia que o nosso protegido sente, não se encontra nos humanos, mesmo quando se declaram entre dois sexos paixões juradas“até â morte”.
Vem este texto a propósito de quê? Da notícia saída hoje na Imprensa de que, três em cada quatro cães são abatidos no canil municipal de Lisboa. E acrescenta a nota de que o canil/gatil alberga em média cerca de 150 animais. E que o forno crematório funciona, em média, cinco vezes por dia naquele local.
Nem é preciso perguntar como é que tantos animais vão parar ao que é o seu destino fatal. São abandonados pelos donos ou encontrados em residências com condições insalubres e, no caso dos cães, geralmente presos com correntes, já sem comida e água por perto. É horroroso tomar conhecimento destes casos, mas que eles existem, disso há a certeza.
Pelo menos, garantem-me, no Canil Municipal os animais que são mortos, antes são eutanasiados, coisa que, tempos antes, não sucedia.
São as compensações das más acções dos homens. Se a maldade humana vai ao ponto de abandonar um ser com quem conviveu – ou porque foi seu parceiro na caça, o mais vulgar, ou porque passou a ser um incómodo e se fartou do animal que recebeu em pequenino e depois, naturalmente, cresceu -, não se pode esperar dessa chamada “pessoa” que seja aquilo que vulgarmente chamamos de “bem formada”.
Por isso eu comecei este texto com a apreciação que faço dos indivíduos que passamos a conhecer quando nos são apresntados.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

POR AQUI VOU


Eu por aqui vou
sem saber caminho,
pergunto quem sou
olho pr’o vizinho
p’ra ter uma ideia
vou fazer o quê?
Nem mesmo à boleia
daqui que se vê?
Mas vou caminhando
não há mais remédio
e enquanto andando
pleno de tédio
percebo o final
o que lá no fundo
que me faz sinal
para deixar o mundo
tenho pois de ir
ficar é parar
hei-de conseguir
cá estou a tentar

Eu por mim vou
deixo-me levar
se eu nem sou quem sou
posso caminhar
para ir, para ir,
ver passar as horas
não posso fugir
nem ter mais demoras
com angústia, porém
da longa espera
em vez de eu ir, vem
já não é quimera
é sim pesadelo
grande sofrimento
pois deixou de sê-lo
que até o talento
que nunca apareceu
foi coisa de sonho
a ver não se deu
e bem me envergonho
de o ter procurado
e me ter escapado

Por isso aqui vou
estou pronto, sem sustos
ao lume me dou
ao sono dos justos





ENFERMEIROS


A dívida é uma situação natural que se vive no nosso País. Já lá vão muito longe os tempos em que chegar-se a uma posição de devedor e não poder liquidar os seus compromissos levava os faltosos a atitudes extremas, incluindo o suicídio. Eram épocas em que um aperto de mão representava uma escritura. Selar uma promessa com a garantia dada de boca, constituía um juramento cujo significado da expressão não tem, nem de longe nem de perto, nada que se possa agora comparar com o significado de então.
Dá para perguntar se a forma de vida dessa época constituía uma maior tranquilidade, em que só se gastava o que se podia e nunca se ultrapassava o que a carteira dava como folga; ou se, como hoje acontece, o essencial é fazer a vontade aos desejos, mesmo que os mesmos se sobreponham à possibilidde do seu pagamento.
São as condições criadas pelas instituições de crédito, as ofertas largamente publicitadas do “compra agora e paga depois”, as tentações provocadas pela ânsia de comercialização, é tudo isso que está na origem da mudança que ocorreu desde os tempos da vergonha em dever e do depois se vê como se resolve a dívida.
Aliás, o exemplo vem de cima. O Estado é o primeiro a não pagar dentro dos prazos e a não evidenciar vergonha por ter contas pendentes. São inúmeras as empresas que estão “penduradas” com contas por saldar pelo sector oficial e nunca surge, por parte dos responsáveis pelo sectores caloteiros, uma explicação ou, no mínimo, alguma documentação que permita aos credores, quantas vezes em sérias dificuldades, recorrer a um apoio estranho, com garantia e que o culpado principal não vai deixar de cumprir as suas obrigações… mesmo tarde.
Pois neste País em que estamos e de que temos de ser cidadãos obedientes das instâncias governativas, são essas as que dão o exemplo de que pagar com atraso não é falta de maior. Câmaras municipais, que mudam de primeiros responsáveis com certa frequência, até por esse motivo criam compromissos para deixar uma boa imagem junto do eleitorado, dado que o que se segue que resolva as situações conforme puder, essas são as entidades públicas que maior número de credores acumulam. O caso, ainda na memória de todos, do Município alfacinha se ter visto obrigado a contrair um empréstimo de muitos milhões de euros para evitar que algumas empresas de construção caíssem na falência, esse triste exemplo, que nem foi fácil de resolver por discordância das oposições na Assembleia Municipal, demonstra como isso de dever é já uma situação normal no nosso País.
Esta agora do Estado dever 19 anos de trabalho aos enfermeiros, por não pagar horas extraordinárias há imenso tempo a esses profissionais da referida área nos hospitais públicos, daria para rir se não se tratasse de um drama para muitos das vítimas da impunidade oficial em cumprir os seus deveres sofrem.
Por mim, nem faço comentários.

domingo, 3 de agosto de 2008

CANTAR


Cantar, cantar, cantar
é melhor que falar
sem dizer nada.
Cantar ao amor,
cantar de cor
com fervor
ou com humor.
Cantar à felicidade,
cantar à amizade,
cansar de tanto cantar,
não parar.

Cantar à esperança
no futuro,
trespassar o muro
do obscuro.
Cantar à poesia,
à fantasia,
à paz no mundo,
ao mar sem fundo,
à beleza
da Natureza.

Cantar até faltar o ar,
em qualquer lugar
sob o Sol a escaldar
ou com chuva a fustigar.
Cantar de pé,
olaré,
ou sentado,
sem enfado.
Cantar sempre muito
com o intuito
de expandir a alma
e dar voz a Talma
do teatro, sim senhor,
um autor
exemplar
para ver, ouvir,
sentir
… e cantar !

POBRE TURISMO!


Para quem, como eu, que sempre esteve ligado à actividade turística dentro do jornalismo, tendo deixado centenas de crónicas em publicações da especialidade, para além de ter feito parte de organizações internacionais que reúnem os profissionais da escrita dedicada ao tema turismo, não é com indiferença que acompanho a actividade que, desde tempos passados e até na época em que existia um certo controlo político também nesta área, constituía uma forte ajuda ao equilíbrio económico de Portugal. Foram dois sectores que contavam muito nas contas públicas: o turismo e as remessas dos emigrantes. Quem não passou por essa fase da vida nacional não tem consciência da importância que representavam esses dois pólos.
Tomar agora conhecimento de que a crise que actua em diferentes sectores da vida portuguesa também está a afectar e muito o turismo, sendo o Algarve a zona onde se sente mais profundamente tal situação, a todos nós portugueses tem de provocar preocupação, mas quem sente mais têm de ser aqueles que assentam a sua actividade principal numa área que envolve, sobretudo nas épocas consideradas altas, dezenas de milhar de trabalhadores, ao ponto de, quase sempre, ser necessário recorrer a mão de obra estrangeira, sobretudo de brasileiros que imigraram para o nosso País.
As notícias são claras: as taxas de ocupação no sector hoteleiro baixaram 6% e as vendas oscilam entre os 25 e os 50%, sendo os restaurantes os mais afectadas. Daí se conclui que não são só os portugueses que influenciam tal descida de consumo, posto que é sabido que os turistas estrangeiros, especialmente os ingleses, que são os que, nesta época, mais afluem às praias algarvias.
O aumento do preço das viagens de avião, o custo elevado da gasolina e a subida das dificuldades que também se sentem fora das nossas fronteiras, tudo isso tem de influir na recessão do turismo no nosso País, sobretudo porque a promoção que se faz no estrangeiro dos prazeres de férias em terras lusitanas é, sobretudo, dirigida à classe média e é essa precisamente que sente mais directamente as dificuldades que o custo de vida em alta se faz notar.
Desde há muitos anos que a recomendação que tem sido feita por aqueles que têm conhecimento das técnicas de turismo é que a publicidade em devemos insistir sobre as características da nossa oferta tem de ser dirigida às classes altas. E isso porque não temos dimensão para receber carradas de visitantes de recursos médios e até baixos que constituem a maioria dos que se instalam em pleno período do calor naquilo que, para eles, é um “paraíso” de bom tempo. O investimento de propaganda que é feito em diversos meios no estrangeiro, incluindo os centros de turismo que temos instalados em várias cidades, tudo isso teria que ser orientado para dar a imagem do nosso turismo como sendo dirigido a clientes com meios e que procuram algo de especial e não mais um sítio para, por pouco dinheiro, gozarem umas férias económicas.
Por nosso lado, o esforço que fazemos para preparar pessoal de hotelaria deve ser orientado também na qualidade, no bom serviço, até no requinte. Mas isto não é novidade. Já foi dito e recomendado há muito tempo, mas, somo sempre sucede neste País, temos dificuldade em aceitar os conselhos dos que são previdentes.
O turismo no nosso País sofre, portanto, ele também, os efeitos da crise que nos envolve. Que podíamos nós esperar, quando se fez agora uma remodelação das leis de turismo e nada do que aprendemos ao longo dos anos de prática foi levado em conta, porque quem sabe são os “sábios” que acabam de chegar aos lugares e os antigos sofrem do mal da “velhice”.

sábado, 2 de agosto de 2008

E DEPOIS?


Sempre há um depois do que agora passa
Alguma coisa de que se suspeita
Ou de que se tem só ideia escassa
Mas que está bem ao pé de nós à espreita

Esse depois assusta muita gente
Pode ser p’ra melhor ou nem por isso
Quem pode saber é só o que sente
Que esta vida é toda um compromisso

Se o depois é tão grande mistério
E se há também quem tal não entenda
Esteja só ou tenha vida a dois

Será bom ver o amanhã a sério
Estar sempre pronto para a contenda
Para não perguntar sempre: e depois?...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

FÉRIAS GRANDES


Neste primeiro dia de férias, pelo menos de acordo com o calendário, caindo a uma sexta-feira, está-se mesmo a ver que os espertos dos portugueses marcaram o início deste período para segunda-feira, dia 4, o que sempre permite acrescentar de seguida mais um fim de semana que se juntam aos cerca de 30 dias que a lei estabelece. Bem, mas este aparte não constitui motivo de um texto de blogue, embora dê mostras de como não perdemos uma ocasião para tirar partido das facilidades que as ocasiões podem proporcionar.
Mas, falando de férias, o que diferencia este ano o período de Agosto das épocas anteriores, é, nos estacionamentos de automóveis que, normalmente neste mês sobram, ou seja encontra-se com facilidade lugar para arrumar os carros nas nossas ruas, ao contrário do que sucede durante o ano inteiro que se tem de contar com a sorte para, ao chegar a casa ao fim do dia, encontrar um espaço onde caiba a nossa viatura. E porquê isso? A resposta é simples: dado que uma grande parte dos moradores em Lisboa já está a fazer contas à vida, não precisa de recomendações para não ultrapassar o limite dos gastos e vai ocupar o período de férias sem saídas onerosas e mantendo o automóvel arrumadinho durante quase todo o mês. O preço dos combustíveis não permite fantasias e, quando muito, uma ida curta a uma praia nos arredores da capital já constitui uma extravagância.
Estou a exagerar? Então façam um exercício de análise dos automóveis que permanecem estacionados junto aos passeios e alguns deles até com cobertura para os poupar da sujidade que se acumula mais quando os carros não saem do mesmo lugar durante algum tempo.
E já que estou a referir-me a este tema, ocorre-me fazer uma pergunta à Câmara Municipal de Lisboa: Como está a funcionar o contrato com a EMEL, a empresa que tem o encargo de cuidar da cobrança dos parqueamentos de que os moradores de cada freguesia gozam do benefício de não ter esse encargo? É que, em muitos bairros lisboetas, por exemplo em Campo de Ourique, embora existam os parquímetros para serem colocadas as moedas, como não se verifica vigilância aos automóveis que não colocam o selo no para brisas, quase ninguém se preocupa em cumprir essa obrigação e os poucos que o fazem também não beneficiam a EMEL, pois todas as noites se assiste à actividade de uns indivíduos, dizem que são romenos, que dispõem de uma chave que permite fazer a recolha das poucas moedas que entraram durante o dia.
Não era este o tema que eu tinha pensado destinar ao meu blogue de hoje. O caso do comunicado do Presidente da República transmitido ontem ao País, mereceria, sem dúvida, um espaço e uma opinião. Mas eu disse ontem o que tinha a dizer. Durante o dia ouvi vários “sábios” largarem os seus pontos de vista. A conclusão a que cheguei foi a de que ninguém entendeu nada ou, pelo menos, não encontraram assunto que merecesse aquele mistério todo feito em redor do que Cavaco Silva iria dizer à noite. O País ficou descorçoado. Vamos, pois, esperar por algum acréscimo que surja com o assunto mais desenvolvido. Até talvez a Madeira receba também a sua parte de comentário.
Porque uma coisa é certa: não pode ser retirado ao Presidente da República o direito e o poder de dissolver, quando entender que o deve fazer, qualquer das Assembleias, a da República e as duas das Regiões Autónomas. Fora isso, são ninharias que se solucionam sem discursos ao País.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

QUE DISCURSO!


Quem não está muito identificado com estes fenómenos da economia, perante as notícias que saltaram nos jornais não foi capaz de evitar esta exclamação: só faltava mais esta! De facto, tomar conhecimento que a Banca portuguesa atravessa neste período uma crise que e traduz num título bem expressivo como “Banca lucra menos 43% com crise sem fim à vista”, deixa os cidadãos não sei se mais consolados do que extremamente preocupados. Aqueles que contam os cêntimos nas bolsas e que, todos os dias, deparam que o que compravam ontem com uma certa quantia já hoje se encontra fora do seu alcance, esses rir-se-ão perante o que se chama de crise bancária. Já não somos só nós!
Mas a coisa não dá para rir. Quando são os quatro principais bancos portugueses, o BCP, o BPI, o Santander Totta e o BES a declarar que o primeiro semestre deste ano apresentou queda de lucros, impacto negativo na bolsa e, de uma forma geral, redução de movimentos, o resultado disso é que, se não entra dinheiro a saída também diminui, ou seja, os financiamentos são medidos cautelosamente e quem precisa de uma ajuda vê grandes dificuldades em ser atendido.
É sabido que o crédito mal parado aumentou, nos últimos tempos, de uma forma perigosa, quer dizer as dificuldades em liquidar os empréstimos cresceram de forma excessiva, o que se reflecte naquilo que está já â vista e que são as casas à venda que estão a aparecer por toda a parte, pois quem não pode pagar o que adquiriu a crédito bancário, ao ver-se impossibilitado de cumprir as suas prestações não tem outro remédio que não seja entregar a residência que tinha anos para ficar totalmente paga.
É verdade que o exagero de dependências bancárias por todo o País e, na capital então, chega a ser um exagero, porta sim porta sim com uma sucursal de qualquer banco de portas abertas, o que, por um lado, permite oferecer trabalho a bastante pessoal que, com algumas qualificações, ali obtêm o seu ganha-pão, por outro lado, no caso de Lisboa elimina a existência de outros tipos de estabelecimentos que dariam mais alegria à cidade. Por exemplo, a ausência dos velhos cafés, onde as populações dos bairros se reuniam, liam o jornal, discutiam os seus problemas, tudo isso tem desaparecido com uma velocidade que entristece. Embora se compreenda que se tratam de negócios que não sustentam facilmente as exigências de gastos que o estilo de vida económica dos dias de hoje exigem.
E antes de pôr fim a este tema, acrescento a outra notícia que correu hoje nos órgãos de comunicação: que as seguradoras também estão a evidenciar resultados mais baixos daqueles que se verificaram no ano transacto. São, pois, companheiras das outras poderosas empresas que não estão habituadas a não apresentar saldos líquidos elevados.
Este texto foi redigido enquanto, ansiosamente, se aguardava a hora em que o Presidente da República iria fazer uma declaração, até aí secreta, ao povo português. Não vale a pena fingir que a Nação não andou, durante este dia, moída pela curiosidade. Não sendo um hábito Cavaco Silva expor os seus pontos de vista sem ser em datas estabelecidas, não podia deixar de constituir surpresa este aparecimento do Presidente assim anunciado de repente. Foi, pelo menos, o que se passou comigo. Esperei pela hora marcada para o acontecimento e, tal como deverá ter acontecido a um enorme número de portugueses, coloquei-me de fronte do écran da televisão e, a olhar para o relógio, despertei todos os meus sentidos. Tratava-se de um momento solene. E o Presidente da República começou a debitar o seu discurso.
Não foi, de facto, muito longo. Embora com um tom de importância que fazia acreditar que todo o comunicado se revestia de algo que iria solucionar vários problemas do País, à medida que prosseguia na leitura do texto que trazia preparado, o desconsolo por parte dos ouvintes foi-se avolumando. O tema dos Açores, tratado noutro contexto, noutra altura e sem o ar de mistério de que se revestiu, merecia a importância que, de facto tem. Mas, ter criado o clima de tema de gravidade nesta altura em que os portugueses lutam contra as dificuldades de subsistência que se agravam de dia para dia, não se ter referido a essa situação que é a que o Povo neste momento mais entende, não chega a ser compreendido, como se viu até logo a seguir os comentadores referirem, pela camada populacional que, essa sim, precisa de ouvir palavras verdadeiras sobre o que se passa e sobre o que está para vir. Até parece que eu adivinhava tendo feito a introdução deste texto com um assunto que, pelo menos esse, poderia ter servido de tema ao conteúdo do discurso do Presidente. Embora também fosse escasso.
Cavaco Silva não foi feliz. E se foi algum dos seus assessores que lhe terá dado o conselho para surgir com aquela palestra e naquelas condições, o melhor é pensar em arranjar-lhe outro serviço. Isto digo eu, para arranjar, assim à pressa, alguém que arque com as responsabilidades.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

DISTRAIDO


Distraído ?
Só num momento
oiço o alarido
e o bramido
até oiço o vento
Estou a pensar em algo distante
não quero olhar
nem num esgar
ainda que num instante
para o que me rodeia
que não é do meu mundo
é coisa alheia
ao meu sentir profundo
ao falar para dentro
ao que é o meu centro
quando tento descobrir
discernir
palavras com sentido
que penetram no ouvido
e que sejam poesia
sinfonia
para o coração
e não um trovão
desconexo
sem nexo
como as que oiço à volta
neste mundo de revolta
que me faz estar sofrido…
… distraído.



terça-feira, 29 de julho de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!




Como é possível que, num País situado no extremo ocidental da Europa, identificado como atravessando um período demasiado longo de dificuldades várias, sociais, económicas, financeiras e de desenvolvimento, e com uma população que mostra bem a sua falta de esperança quanto a melhoras num futuro próximo, tendo como vizinho, que lhe antecede no caminho para quem vem do território europeu, uma nação em crescente progresso, perante tudo isto como se pode compreender que imigrantes vindos de Leste, romenos sobretudo, se instalem entre nós e se dediquem à profissão da pedincha?
Deve haver uma explicação lógica, mas não a encontrei ainda. Tratando-se de uma imigração, a maioria de raça cigana, que chega por terra e que se faz transportar em caravanas, com toda a família em conjunto, significa isso que, antes de se plantarem no nosso território, passaram por países onde o nível de vida é muito superior ao nosso, o que poderá querer dizer que, por onde transitaram, era mais fácil obter a esmola que constitui o objectivo da sua actividade. Porquê, então, não se fixaram em qualquer dos locais que encontraram pelo caminho e vieram até Portugal, no extremo do Continente europeu, local onde à sua frente já só existe o oceano e, portanto, não há possibilidade de experimentar o país que se segue?
Será porque, apesar de apertados com as dificuldades, os portugueses são mais esmoleres do que os espanhóis, os franceses, os alemães e do que todas as nacionalidades onde antes experimentaram estender a mão à caridade?
No local onde me encontro a escrever este desabafo, assisti há pouco à chegada de um homem, dos seus trinta e poucos anos, que se sentou encostado à parede, junto à porta de um estabelecimento que tem razoável movimento de entradas e saída de clientela, cruzou as pernas debaixo do rabo e, puxando de um cartaz com uma lenga-lenga que não dava para distinguir o texto escrito no papel amarrotado e sujo, começou a chocalhar num púcaro algumas moedas, ao mesmo tempo que, sempre que passava um transeunte, resmungava uma ladainha que não era compreensível..
Passado algum tempo e dado que o “negócio” não parecia estar a ser muito interessante, o indivíduo arrumou os seus pertences e abalou do local anteriormente escolhido.
Quando, chegada a minha hora de sair do café, me coube a vez de também arrumar a minha trouxa, ao passar mais adiante por um supermercado dei com o mesmo fulano, desta vez acocorado ao lado de uma outra pedinte, esta aparentemente de idade, com um “embrulho” ao colo que dava a impressão de ser um bebé, todo enroladinho num xaile, mas sem dar o menor sinal de vida.
É este o espectáculo a que nos é dado assistir nas ruas de Lisboa e talvez por esse País fora. Se a moda pega, qualquer dia também veremos pedintes portugueses, com cartazes a contar histórias e a sacudir o púcaro com moedas no fundo. Ao ponto a que se chegou neste cantinho, que já tem a idade suficiente para se ter atingido uma situação bem diferente da que o País atravessa, não há razão para se ser muito optimista. No entanto, como somos todos portugueses e não deixámos pelo caminho a réstia de esperança que ainda nos acompanha, vamos repetindo: enquanto há vida…

segunda-feira, 28 de julho de 2008

CONTRADIÇÕES


Não se trata de uma novidade. Já se sabe que onde o Homem põe a mão, logo se deparam as situações extremas, o mais e o menos, o muito e o pouco, o grande e o pequeno, o excelente e o péssimo. É da condição humana colocar em confronto posições que se situam em margens opostas e, pior do que isso ainda, é visualizarem-se essas diferenças e, na maior parte das vezes, nada se fazer para se encontrar uma forma de suavizar os que se encontram em piores condições.
Refiro-me, está bem de ver, aos muito ricos e aos excessivamente miseráveis. Àqueles que lhe sobra tudo e aos que só conseguem muito pouco. E isto, obviamente, sem entrar em linha de conta com as características, as capacidades, as habilidade, os esforços que, aos mais favorecidos tenham servido de trampolim para atingir as posições superiores. E em que o elemento sorte também tem a sua parte de participação.
Pois por cá não se verifica qualquer excepção àquilo que é regra no mundo em que vivemos. E se não vale a pena fazer referência às excentricidades dos tais que, sobretudo lá pelos Algarves, gozam dos prazeres de umas férias a dar nas vistas nas páginas das publicações dos que tudo fazem para se mostrar, o que sim é importante que se registe são as contrapartidas das dificuldades daqueles que, sendo a maioria dos portugueses, atravessam um período que, apesar dos desejos dos optimistas, não conseguem ver passar este período negro.
E aí vão dois exemplos de casos que, na maior parte das vezes, passam despercebidos do público leitor de jornais: segundo um relatório de uma Associação que acompanha este sector, os vários fundos que servem para os pequenos investidores depositarem os seus aforros com juros modestos, desceram cerca de 22 milhões de euros nestes últimos seis meses, o que quer dizer que os respectivos valores tiveram de ir fazer face a necessidades inadiáveis. Por outro lado, as devoluções de casas aos bancos, por dificuldades em liquidar as dívidas que as mesmas representam, estão a atingir um número que já está a criar problemas no negócio das habitações. Só por Lisboa fora se vêm inúmeros cartazes nos prédios a anunciar que se encontram disponíveis, o que também poderia alertar para a conveniência de se poder voltar ao período dos alugueres, o que solucionava igualmente a questão da desertificação da capital de casais que fogem para os arredores, com todos os inconvenientes conhecidos e que nem vale a pena descrevê-los neste texto.
Agora, o que constitui uma vergonhosa provocação à fome na Terra é a notícia largamente divulgada de que, no jantar realizado no Japão e em que se reuniram os líderes de oito economias mais industrializadas do mundo, os chefes de Estado e de Governo deliciaram-se com 24 pratos num festim que incluía as mais requintadas ementas e os mais raros vinhos, onde não podia faltar o caviar, as trufas e todas as esquisitas especiarias vindas das mais diversas origens. O custo total deste repasto oferecido na Cimeira do G8 não foi escondido. Atingiu os 358 milhões de euros, o que seria bastante para adquirir 100 milhões de mosquiteiros para ajudar a impedir a difusão da malária em África ou para tratar os milhares de doentes com sida que existem por toda a parte.
Por aqui se vê a massa de que é feita o Homem. Aqueles mesmos que se reúnem para tentar encontrar soluções para os problemas do mundo, são esses que não sofrem de indigestão quando gastam em jantaradas verbas que tanta falta fazem aos que morrem de fome.
Só se espera que, por cá, haja a consciência dos gastos excessivos, pensando, em primeiro lugar, nas dificuldades por que passam os que não conseguem arranjar emprego… e, claro, querem trabalhar.

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Lá disse Camilo José Cela, o escritor espanhol, Prémio Nobel,
que a morte é de uma vulgaridade absoluta,
não houve um ser humano que tenha fugido a essa regra.
Logo, por mais que queiram fugir a esse conceito, todo o ser vivente é vulgar.
Por muito que, em vida, se esforcem por se distinguir dos restantes, na hora da verdade todos se igualam.
Todos se vulgarizam.
Os ricos, os pobres, os superiores de intelectualidade, os menores de espírito e de cabeça, os capazes e os incapazes.
Que vulgaridade!...

domingo, 27 de julho de 2008

CORRUPÇÃO


Que há a referir hoje, domingo de Verão, em que as novidades, boas e más, não abundam? O que sobressai e irá, seguramente, ser motivo de alguma controvérsia, até no interior do próprio Partido Socialista, é a entrevista concedida por João Cravinho que, aos microfones de uma rádio não se fez rogado e pôs o dedo na ferida que, de uma forma geral, é a que menos é focada por poder estilhaçar muitos telhados de vidro que estão por aí instalados. Referiu-se, sem cerimónias, à corrupção que grassa por todo o lado, desde que cheire a subtrair alguns lucros com uma operação que esteja a passar perto. E isso acontece aos mais diversos níveis, desde os mais rasteiros onde interfiram apenas indivíduos que possam ser mais lestos ou mais demorados a passar qualquer documentação de um sector para outro, até aos que, já no alto escalão, são os que põem o carimbo e emprestam uma assinatura.
Não vale a pena fazerem ares de ofendidos sujeitos que se recusam a aceitar esta verdade. Quem já foi obrigado a lutar para ver resolvida uma licença de qualquer índole – não entro em pormenores, cá por coisas! -, sabe perfeitamente que, se ficou a aguardar, pacientemente, a obtenção de tal papel dentro dos prazos que os “guichets” indicam, tem de fazê-lo bem sentado. Se cair nessa ingenuidade, seja qual for a repartição que tenha de solucionar o seu problema, verá como o melhor é desistir… ou seguir o conselho que um sabedor dessas coisas lhe cochiche ao ouvido. E não ponho mais na carta.
Pois foi sobre a corrupção que se pavoneia incólume pelo nosso País que João Cravinho entendeu dizer de sua justiça. E sobretudo porque nunca são castigados os corruptores, os que estão sempre à espera do sobrescrito.
E, nem a propósito, embora se deva juntar a essa praga a outra da incompetência, está bem quentinho o caso da ponte que já nem se sabe se se chama Europa ou Santa Isabel, ali em Coimbra. É que, para além da demora em concluir a obra, pois sofreu um atraso de 700 dias dado que deveria estar concluída em Dezembro de 2001, ultrapassou o custo estimado de 38 para 111 milhões de euros, ou seja sofreu uma derrapagem de 288%.
A pergunta que qualquer cidadão do nosso País não pode deixar de fazer é que medidas toma o Governo nestes casos, tornando completamente claros os passos que forem dados e indicando, sem tibiezas, os nomes dos culpados de tamanha incompetência… se é que a isto só se pode dar apenas este nome.
Fico à espera para ver se os governantes e as oposições deixam passar este caso (já tantos caíram no esquecimento sem que um passo de esclarecimento tivesse sido dado), tanto mais que, com as eleições já à vista, todas as situações que se prestem a críticas constituem uma oferta de bandeja aos que espreitam a sua oportunidade para empurrar os que estão no Poder.
Mas estou eu aqui a ensinar o Padre-Nosso ao cura!

sábado, 26 de julho de 2008

A CRISE E A MANUELA


Ainda bem que nem tudo que se passa por aqui constitui más notícias. Bem precisamos de, com a maior regularidade possível, receber alguma que outra novidade que ajude a não calcar tanto o moral que, diga-se a verdade, não navega muito à superfície. O ficar-se a saber que, em negociações que tem corrido com a empresa brasileira Embraer, se assentou na instalação na zona de Évora de uma fábrica de componentes que se aplicarão em 13 aviões por mês, o que representa um investimento da ordem dos 148 milhões de euros e, em contrapartida, dará trabalho a 3.500 pessoas, tal boa novidade deu-nos ânimo, mesmo levando em contya que o início das actividades só está previsto para 2011.
Por outro lado e no Norte, a notícia é a de que ali se está a estudar a montagem de um consórcio de fabricação de computadores pessoais de baixo custo. Também anima.
Por agora, são estas as boas novas que o fim de semana nos trouxe. E não constituindo tais informações nada que espectacularmente nos faça lançar os braços ao alto, sempre é melhor que isso vá ocorrendo, mesmo a pouco e pouco, do que ficarmos inertes a assistir a uma crise, que se instalou por toda a parte e que nos coube também a nós sentir os seus efeitos.
E a propósito de crise, por muito que se queira fugir de perspectiva pessimistas, não é possível fazermo-nos desentendidos quanto às afirmações feitas ao “Expresso” deste sábado por uma autoridade em recessões económicas, George Soros, que vem afirmar que “estamos ainda a entrar na tempestade”, que é como quem diz, preparem-se para o que está para vir e que os próprios E.U.A. não vão escapar aos efeitos da recessão. E compromete-se com tão más notícias tendo publicado um livro, já traduzido em português, onde se apontam erros cometidos por diferentes responsáveis políticos de todo o mundo, assim como a regulação e globalização e, claro, não perdoa à administração Bush.
A nós, agora o que nos interessa é tudo fazer para conseguirmos ultrapassar a situação. E, para isso, o bom senso é fundamental. O evitarmos o aumento das dificuldades, levando bem em conta que não é esta a melhor altura para desenvolver greves, para criar desavenças entre responsáveis de diversos agrupamentos, nomeadamente nos partidos políticos, o que não quer dizer que se deixem de fazer críticas aos que governam, pois agora, mais do que nunca, os erros que possam ser cometidos têm de ser levados em conta para efeitos da escolha que está aí a chegar para encontrar quem vai ter maioria no Parlamento. Que é como quem diz, quem ficará com o encargo de governar.
Quanto a isto, uma breve referência à entrevista que Manuela Ferreira Leite concedeu ao “Expresso” e que acabei de ler agora mesmo. Não, não era tanta precaução que eu esperava da mulher que se prepara para entrar numa luta que ela sabe que não vai ser fácil. Quem se mete em trabalhos não pode esconder-se atrás de evasivas. Tem de pegar o touro pelos cornos, como se diz na boa linguagem ribatejana. Apontar erros e dizer como faria se fosse ela a deliberar. Não deixar para depois o que pode fazer agora.
É que a crise está aí. Não vem a caminho. Não espera por quaisquer eleições.
Eu, por mim, não deixo de dizer que fiquei desconsolado com o quase nada que diz a candidata a primeira-Ministra de Portugal. Não sendo, nem de longe, esse o meu papel, vou apontando os erros que tenho encontrado na actividade de Sócrates e tenho referido os pontos fracos que, segundo a minha opinião, encontro no governante que temos. Só que isso não serve para nada. Não vou estar sujeito a votações!