segunda-feira, 11 de agosto de 2008

ENGRAVATADOS



A aparência visual de um indivíduo é muito levada em conta no relacionamento que é tido em sociedade. Nas mulheres, essa característica é mais forte e será por isso que as modas no vestuário têm muito maior influência no sexo feminino do que nos parceiros contrários. Esta é uma verdade de La Palisse que não acrescenta nada ao que é sabido por toda a gente.
É evidente que as classes sociais a que pertencem uns e outros contam de forma decisiva quanto a essa preocupação de acompanhar o que está a ser mais usado, não sendo, por isso, de estranhar que exista uma camada substancialmente elevada de mulheres que não anda ao corrente do que se usa em cada temporada, por desinteresse ou por obrigação do baixo nível de vida que suportam. Já quanto aos homens, ainda que seja cada vez menor o número de indivíduos que não acompanha o que surge como mudança no vestuário e também a forma de apresentar o cabelo, mesmo assim o conservadorismo, ou seja a maneira de se apresentarem, quer no trabalho quer noutra situação diária, esse matem-se e existem mesmo empresas que exigem que os seus funcionários se apresentem sempre de casaco e devidamente engravatados.
Posto isto, há que referir os modernistas, para se lhes dar um nome, que são aqueles que, por exemplo no penteado, têm o maior cuidado em ir mudando as suas popas no cabelo ao sabor do que está a ser a forma de figuras masculinas conhecidas surgirem nas fotografias. Mas, para além disso, o trajar também vai sofrendo mudanças, ao ponto de, nas recepções que se realizam por aí, mesmo que no convite esteja indicado o uso de fato escuro, uma enorme quantidade de gente, de facto a mais nova, surja só de camisa, sendo certo que se trata desse vestuário dito de marca, de cores garridas, com muitas fantasias empedradas, o que elimina, logo à partida, o uso do casaco. Há um exemplo que está a ser muito seguido e que é transmitido por uma figura que tantos utilizam como exemplo: o caso de Herman José.
Mas, a razão deste meu texto hoje tem a ver com um acréscimo de vestuário masculino que, de dia para dia, se está cada vez mais a pôr de parte: a gravata.
Todos nós acompanhámos mais de uma geração de vida em comum e assistimos à obrigação de os homens, fosse qual fosse a sua profissão, não sendo mesmo necessário que se tratasse de actividades de nível superior, terem de levar, apertado no colarinho, a gravatinha, ainda que, por vezes, se apresentasse já em condições definitivas de uso. Os governantes então, seria impensável vê-los sem esse adereço e, no tempo de Salazar, era conhecido que até chapéu eram obrigados a levar, nem que fosse na mão. Um ministro que se prezasse não andava de cabeça à mostra!
Só que os tempos correm depressa, as gravatas, especialmente no Verão, começaram a ser deixadas nos armários e hoje, até as reuniões alto nível, as próprias cimeiras da União Europeia, e, entre nós, na própria Assembleia da República, já é possível ver os deputados em mangas de camisa e desgravatados. O próprio Presidente da Republica, só ou acompanhado do primeiro-Ministro, ambos têm surgido nas fotos e perante as câmaras de televisão em amplo à-vontade, evidentemente em actos que não exigem rigoroso protocolo.
Este desprendimento de vestuário pode querer representar que nos estamos, em Portugal, a afastar do convencionalismo, o que poderá representar que estamos a deixar para trás a burocracite que tanto invade as cabeças do sector público.
Se assim for, eu, por meu lado, felicito os indivíduos formais que estão a ser capazes de acompanhar as modernices, mesmo que nos divirtam aquelas figuras que, sendo ainda raras, deixam os homens confusos sobre a sua verdadeira interpretação do sexo a que pertencem. Mas, é lá com eles. Se não se importam de provocar essa confusão e se até tiram proveitos materiais com o seu aspecto, pois que continuem. Não lhes chamem é palhaços, pois, da minha parte, tenho o maior respeito por uma profissão antiga que exige grande dedicação para se atingir um ponto alto na classe a que pertencem. Esses até podem usar gravatas que caem do colarinho até ao chão, e não é por isso que lhes recusamos o apreço que merecem.

DESENCANTO...POR ENQUANTO!


Numa altura em que surge de novo o que já foi alvo de discussões acaloradas em tempos passados, ou seja a tese de que Jesus Cristo terá sido casado com Maria Madalena, que teve pelo menos um filho e não ressuscitou depois da prova da crucifixação, neste momento ponho-me a reflectir sobre a importância que terá, para os crentes não facciosos, que o referido Ser, que historicamente terá existido e cujo nome ficou gravado ao longo de dois mil anos pelas posições tomadas que foram, parece não haver dúvidas, de bondade, justiça e amor aos outros, que peso terão esses factos para alterar o respeito e admiração que existirá em relação a uma figura da dimensão da que chegou até aos dias de hoje. E ponho-me a avaliar o que poderá alterar, na visão histórica e respeitosa que se mantém até à data, o facto de sim ou não ter dado o passo matrimonial bem como a natural circunstância de ter sido pai de um ou mais filhos. Parece-me, sinceramente, que não será por aí que se admire ou não essa personagem que tem tantos seguidores. Porque, a não ser por motivos de intuito de conotação milagrosa da conveniência de um núcleo religiosa, nada disso altera valor à importância de um Homem que se distinguiu por si só.
É evidente que qualquer religião, por ser produto da imaginação humana, neste caso, a seguidora do cristianismo, tira partido de todos os factores, naturais ou fruto de situações de difícil explicação que bem podem servir para atrair o seguimento incondicional de um culto. Nesse particular, os seres humanos, apurando cada vez mais técnicas de propaganda e de aglomeração de seguidores de ideias e cultos que não têm possibilidade de serem demonstrados provadamente, servem-se de todas as situações que têm possibilidade de ser associadas a qualquer tipo de mistério para tirar partido e servir de justificação das fés que apregoam. E quando não é possível justificar o que se encontra envolto em obscuridade de fácil explicação, a solução é a ameaça de que os incrédulos não têm merecimento das benesses que, alguma vez, os seguidores incontestáveis receberão após a passagem para o Além. Em tal particular, praticamente todas as religiões se regem pela mesma bitola.
Visto o tema sob esta óptica e sem se deixar influenciar pelo seguidismo cego, fundamentalista, não trazendo à discussão o período até aos trinta e três anos em que Cristo viveu na obscuridade, compreende-se que as indicações sempre oriundas do Vaticano se concentrem na passagem breve do período da criança imberbe passando em pleno para a época da vivência com os apóstolos e até à sua morte.
Em todas as áreas geográficas onde o cristianismo não consegue dominar na totalidade as outras religiões submetem-se aos seus deuses e são conhecidas as lutas e mortes que se produzem para afastar crenças concorrentes. É o resultado de ser o homem a dominar as religiões e não o contrário e, como disse Pessoa, a razão e a fé, quando se aproximam, guerreiam-se. E, apesar dos séculos passados, é visível que os mouros não apagaram da sua memória as matanças feitas pelos Cruzados nas invasões a terras do Médio Oriente.
Andarem agora os cristão, amuados uns com os outros e com os agnósticos, por motivo de haver quem queira apurar se Jesus Cristo foi casado ou não, se teve filhos e se jazeu na campa como qualquer mortal, manter-se essa preocupação numa altura em que as guerras santas dão mostras de não querer parar, é algo que não pode ser levado a sério neste mundo de confusões e de desavenças.




domingo, 10 de agosto de 2008

ESBOCETO


Se eu agora fenecesse
E nem despedir-me pudesse
Haveria alguém que quisesse
Rezar por mim uma prece?

Eu, por agora, agradeço
Mas é coisa que não peço
Já vem de longe, do berço
O não estar perto do terço

Pode bem ser que o orar
Acabe por desagravar
Um pecado particular

Fica aqui este soneto
Com um esquisito aspecto
Não é mais do que um esboceto

JARDIM DE S. PEDRO DE ALCÃNTARA


Um dos locais da minha preferência de Lisboa, por constituir um ponto de passagem nos meus tempos de juventude quando ia visitar a minha avó que morava na parte de cima da rua do Século e, anos mais tarde por ser o caminho que me levava aos Serviços de Censura no largo da Misericórdia, onde era castigado com os cortes que eram feitos nos textos de minha autoria nos jornais onde trabalhava, e, ainda tempos depois, porque a redacção do semanário “o País”, de que fui director durante dez anos, se situava na rua D. Pedro V e os almoços ocorriam, de uma forme geral, num restaurante do Bairro Alto, por esse motivo, sempre que o tempo o permitia não deixava de fazer o trajecto por dentro do belo jardim e ir apreciando a vista de Lisboa, com o Castelo de S. Jorge ao longe. Refiro-me, está a ser entendido, ao Jardim de S. Pedro de Alcântara.
Mas essa delícia de espectáculo nem do interior do carro me era permitido continuar a desfrutar, desde que há anos, já nem me recordo quantos, se deu ali início a umas obras cujos painéis colocados junto à rua tapavam todas as vistas. E assim, bem à portuguesa, enquanto os trabalhos deviam prosseguir – porque estiveram parados tempos sem fim, dizem que por falta de pagamento aos empreiteiros -, o belo local de Lisboa, que constituiria bastante inveja a tantas cidades estrangeiras que não têm a sorte de possuir locais elevados como acontece com a nossa capital, ficou entaipado e nós, portugueses que nisso de paciência ganhamos aos chinos, caladinhos e sem exigir das que se dizem autoridades que cumprissem a sua obrigação, gritando-lhes bem alto que, como afirma o Povo, quem não tem dinheiro não tem vícios, que é como quem diz, se não havia verba para contratar a empreitada, então não se tinha começado para, logo a seguir, parar.
Mas isto é o que continua a acontecer no nosso País, em que temos mais olhos que barriga, e só por um fulano, que tem poder, lhe apetecer que alguma coisa se modifique ao seu olhar, sem investigar primeiro se os cofres que guardam os euros para um determinado fim chegam para satisfazer esse apetite, põe logo a máquina dos gastos em funcionamento e, a meio do caminho, aperta a cabeça ao ver que não se precaveu quanto ao compromisso tomado. Exemplos? Mas alguém precisa que se faça aqui a lista que não tem quase fim?
Já no que diz respeito aos preços dos produtos, mesmo os de primeira necessidade, que sobem, sobem, como o balão da cantiga, quanto a isso ninguém, dos tais que mandam, se preocupa em saber se, nos bolsos dos contribuintes, há meios para satisfazer as exigências do aumento de custo de vida. É o caso da água que, este ano, subiu de 1 a 6%, segundo a zona onde se reflectiram esses aumentos, circulando já o aviso de que não se ficará por aqui o custo do tão precioso líquido, esperando-se apenas pelo próximo acto eleitoral para todas as autarquias poderem actuar na sua área com um novo modelo de tarifas.
E preocupamo-nos nós com os discursos inesperados e mal estudados do Presidente da República, com os assaltos tipo cinema a uma loja bancária, os carjackings e os home jackings (até precisamos de expressões inglesas para expressar o que em português se diz tão simplesmente assalto a automóveis), e outros assuntos que acabam por não merecer sequer a nossa atenção tão preocupada! Nós, que diariamente nos defrontamos com a fuga dos euros das nossas carteiras, e que nem sequer nos podemos consolar com alguma medalhinha que possa vir de Pekin – bem sei que, nesta altura em que escrevo, ainda não terminou o Festival -, que, por pouco ou nada que melhorasse a nossa vida, pelo menos sempre nos traria alguma compensação para o resto que corre tão mal cá pelas Berças…

sábado, 9 de agosto de 2008

UMA LIÇÃO DOS CHINESES


Todos nós, pela vida fora, ocupamos parte do nosso tempo a pensar no mundo que nos rodeia, naquele que se encontra à nossa volta, mas também no que está afastado geograficamente mas que, com a rapidez das notícias que as modernas tecnologias nos oferecem, por vezes tocam-nos mais perto do que um acontecimento que se tenha dado mesmo à nossa porta. E quando me refiro a “nós”, quero dizer os que se interessam pela evolução do mundo, pelo aparecimento de novos problemas, geralmente criados pelos homens, pelas novidades tristes mas também pela evolução favorável de situações que o mesmo homem consegue transpor. E tudo isso dá que pensar, a menos que passemos por este mundo completamente indiferentes ao que sucede, admitindo sempre que “não é nada connosco!” .
Mas, queiramos ou não, por muito longínqua que seja a situação que ocorra, mais tarde ou mais cedo alguma faúlha nos acaba por cair, por muito ao de leve que ela nos atinja.
Podia apresentar aqui uma dezena de exemplos, mas creio que os tais “nós” não precisam de explicações para atingir o que pretendo dizer nesta minha afirmação.
Por agora, fico-me no acontecimento que todo o mundo acompanha e refiro-me ao espectáculo inigualável, preparado com todos os requintes de uma organização que mostrou não tomar as iniciativas de ânimo leve e não as pôr em prática sem um profundo estudo e uma programação que assenta em preparativos meticulosamente ensaiados. Nada daquilo que o mundo viu foi fruto de uma improvisação a ver se saia bem. No que a nós diz respeito, não temo afirmar que nós, portugueses, sobretudo os que nos governam, tivemos e tiveram ocasião para aprender alguma coisa: que, na vida, é fundamental levarmos mais tempo a estudar bem a resolução dos problemas, para depois tudo sair dentro do programado, do que atirarmo-nos de cabeça para as ideias que surgem e, a meio ou no final da obra, depararmo-nos com atrasos, enganos nas contas, numa palavra, sair tudo ao contrário do que se tinha previsto. A bom entendedor, meia palavra basta…
A abertura, embora bastante limitada ainda, que a morte de Mao-Tsé Tung provocou no enorme País que é a China, com o seu bilião e 300 milhões de habitantes, provocou, no mínimo, a saída para o estrangeiro de muitas centenas de milhar de habitantes que, fora de portas e por tudo que é sítio, se empenham em dar mostras da sua capacidade de trabalhar e do esforço físico que empregam onde quer que actuem, sem exigências e limitando-se a expandir os seus próprios produtos pelo mundo fora, criando comunidades pacatas, quase silenciosas, que dão mostras bem contrárias às de muitas outras manchas de imigrantes que, após se instalarem, levantam problemas de ordem social e fazem exigências que, ainda que com algum direito, por se tratarem de seres humanos, por vezes dão mostras de impaciência pouco salutar.
Ora, é nisto que me dá para pensar nesta altura, Sobretudo logo a seguir ao assalto ao banco que, com reféns e tudo, provocou uma alteração na ordem que, no nosso País, não é costume ocorrer. Eram brasileiros os autores da atitude criminosa, o que não quer dizer que seja um caso que ponha os nossos irmãos na língua na lista dos indesejáveis em Portugal. Nem por sombras, embora haja alguns exemplos de outras nacionalidades que merecem uma cuidadosa atenção.
Mas aqui está o que constitui o início deste texto. Dá que pensar a evolução que está a sofrer o nosso País com a entrada de tantas nacionalidades que escolheram Portugal como ponto de assentamento das suas vidas, Mas não podemos esquecer que, quando, noutra época, os portugueses tiveram necessidade de deixar para trás as nossas fronteiras, foram acolhidos, de uma forma quase geral, com agrado e com amizade.
Faz-nos pensar que, afinal, este Povo que somos, é bem comportado, paciente, sofredor. Por isso fácil de ser governado.
Sendo assim, muito embora a situação actual não seja fácil de conduzir com agrado geral, podemos todos aprender dos chineses que as acções devem ser tomadas com sensatez, ponderação e sentido prático assente em estudo para não serem cometidos erros de precipitação.
Podemos não ganhar nenhuma medalha olímpica, mas o que sim pode ser já um prémio valioso é aprendermos a lição dada pelo espectáculo oferecido pelos chineses. Mais não posso dizer.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

DESMISTIFICAÇÃO


Eu quero que quem me observa
Acabe com má ideia
Que poesia conserva
De tristeza a mão cheia

Não senhor, não é verdade
Que o pessimismo impere
E que se incuta a vontade
De só ver o mal que fere

Alguma angústia, é certo
Invade a poesia
Nem de longe, nem de perto
Constitui a maioria

Cá por mim posso falar
Faço esforço quando escrevo
Ficarei no limiar
Da desgraça e do enlevo

Por vezes me escapa a mão
P’ra lágrimas e suspiro
Sendo assim peço perdão
Tudo que disse retiro

No fundo há sempre fé
Que amanhã seja melhor
A vida é o que é
Antes assim que pior

Afinal o que é verdade
É que os poemas chorados
Dão mais ar de piedade
Levam mais longe os recados

Ao reler o que está escrito
O triste encontro mais
Pois perdura no que é dito
E lido em jogos florais

Quero que fique bem claro
Não sendo um contentinho
Também não sou tão amaro
Com a mente em desalinho

Basta de falar de mim
O que importa é o mundo
Com seu princípio e fim
E coisas belas em fundo

PORTAGENS EM LISBOA


De facto, há problemas que surgem a quem tem de tomar decisões relacionadas com a orientação de uma cidade, que a única forma de os solucionar parece ser a de tomar medidas drásticas, tipo daquelas que se sabe serem usadas na China, drásticas, de alto a baixo. Apetece, de facto, mas a vida em sociedade humana não pode estar sujeita aos apetites daqueles que mandam, sem olhar a consequências e a precauções que têm de estar sempre na mira de quem tem o poder na mão.
Já sabemos que é assim e, portanto, não vale a pena fazer apelo aos direitos de todos e não às conveniências e aos apetites de alguns.
Isto vem a propósito daquilo que, há já bastante tempo, constitui uma preocupação da nossa capital, como representa um problema que muitas cidades pelo mundo fora enfrentam e que é o excesso de circulação de automóveis nas ruas que, quando foram feitas, não contavam com tamanha enchente de carros.
Já em tempos este tema foi levantado, mas voltou agora a aparecer e, de novo, surgem os defensores da redução de entrada de motorizados em Lisboa, aparecendo propostas que assentam no que é mais fácil: o pagamento de portagens para as viaturas que tragam apenas um passageiro, nem que ele seja o seu condutor.
Na China, de novo apelo ao seu caso pouco exemplar, também em Pequim, devido à afluência de população por via dos Jogos Olímpicos, já se instalou uma lei que só permite a circulação de viaturas de acordo com as suas matrículas, uns dias pares outros dias ímpares. Isso já aconteceu em Portugal, durante a II Guerra Mundial, em que as limitações de combustível obrigaram a tal medida. Mas era a guerra! E nessa altura até se vivia à base de senhas de racionamento. Mas agora, faz-nos pensar se não existe outra forma de solucionar o excesso de automóveis dentro de Lisboa, mesmo com os problemas de poluição que se vão sentindo caca vez mais.
Apetece recordar, no caso da capital, recordar o Município de que existem não sei quantos milhares de casas vazias, à espera de obras, e que todas essas residências representam milhares de famílias que tiveram de optar por viver fora de portas e que, por via disso, constituem uns milhares de automóveis que, todas as manhãs, açambarcam as ruas para trazer os seus usuários para a sua vida que se faz na cidade.
Impor a esses milhares de cidadãos a ter de pagar portagem para entrar na cidade que é a deles ou impor que tragam companhia para lhes reduzir os custos, é uma medida que se toma no papel com a maior facilidade, mas, na prática, não parece ser a mais adequada num país europeu que ainda não chegou aos extremos da… extrema China.
Comecem, quanto antes, por legislar quanto aos milhares de prédios vazios, muitos deles propriedade do Estado e de entidades oficiais e instituam a obrigação dos alugueres, que é uma das formas de solucionar também o drama que se vive hoje de ex-compradores de andares que se encontram perante a impossibilidade de liquidar os empréstimos bancários, como me referi ontem no respectivo blogue.
Já é muito tarde? Pois é. Como sempre não somos capazes de prever os fogos antes de ver as labaredas já em plena evolução. Mas essa de pagar portagens, todos os dias, a quem vive nos arredores e trabalha na capital, essa só pode lembrar ao mesmo que estabeleceu a proibição de circularem carros aos domingos no Terreiro do Paço. Isso serve, de facto, para alguma coisa?

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

TAEDIUM VITAE



Felizes são os que têm
Todo o tempo do mundo
Os que vão depois e vêm
Sem ter problemas de fundo

E se existem não se ralam
A vida são só dois dias
De coisas tristes não falam
Não têm essas manias

Estão contentes, podem crer
Conseguem sorrir até
E nada os faz deter

Já lhes chega o saber
Que em latim taedium vitae
É cansaço de viver

OS QUE AVISAM E OS QUE NÃO!...


Por cá nós queixamo-nos da situação que vivemos, da crise que não nos larga e que até se vai mostrando cada vez mais severa, não surgindo ninguém das Forças Públicas que tenha a coragem de fazer o retrato exacto daquilo a que se pode chamar o Estado da Nação. Pelo contrário, cada vez que um responsável governamental, sem excluir, evidentemente, o Chefe do Executivo, surge perante os jornalistas, seja na escrita, na rádio e sobretudo na televisão, a preocupação que se nota nas diferentes declarações é a de garantir que vai tudo bem, que caminhamos na boa direcção e, quando muito, se não é possível esconder uma realidade, se está a proceder no sentido de solucionar rapidamente o problema. Portanto, só optimismos.
É de estranhar, na verdade, que não apareça um único governante a dar razão a queixas, a explicar o motivo do desagrado mesmo que seja momentâneo, e a prestar todas as explicações para as múltiplas culpas que se sabe pertencerem a alguém, alguém esse que escapa sempre às críticas directas que merecem por ter actuado em erro.
Vejamos agora a diferença entre a maneira de proceder dos nossos responsáveis e o que sucede aqui ao lado, em Espanha: no diário “El Pais”, numa edição de há dias, logo na primeira página e como manchete, é esta a frase do vice-presidente económico – “A situação económica é pior do que prevíamos todos”.
Ora bem, disfarçar ou até mentir à população qual é a situação que atravessa um País, em lugar de oferecer confiança aos governados o que lhe transmite é a descrença sobre a qualidade e, por via disso, a competência que se deve aferir aos responsáveis do Estado.
O vice-presidente espanhol põe o preto no branco ao afirmar que “o que havia prometido o PSOE na campanha eleitoral era mais uma ambição que uma análise técnica”. E acrescentou sem complexos: “Sempre pensei que havia uma “borbulha” imobiliária, pois construir 800.000 habitações por ano não parecia situação sustentável e alargar as hipotecas a 40 anos não foi sensato”.
Comparemos, pois, o que se passa na vizinha Espanha com aquilo que acontece entre nós, sobretudo na área imobiliária, que atravessa um período de grande preocupação, pois, por um lado, o aumento das prestações aos bancos dos empréstimos recebidos num período de mais facilidade de vida que, por sua vez, também foram exagerados os montantes comprometidos, esse aumento não corresponde agora às disponibilidades financeiras das famílias endividadas e, nesta altura, ao desejarem ver-se livres dos apartamentos adquiridos deparam com a dificuldade em encontrar interessados.
O tema dos andares de aluguer, que devia ser discutido a nível superior, especialmente na Câmara da capital, cidade onde existem tantas casas degradadas a exigirem reparações urgentes para se voltar a ver os saudosos triângulos colados nos vidros das janelas a anunciar que estavam livres para receber inquilinos, esse problema não é levantado por ninguém e mantemo-nos na situação actual de, por um lado, a compra com empréstimos bancários se encontrar sufocada pelos custos sempre a subir dos juros e, por outro, não haver motivações para se voltar ao sistema antigo do aluguer.
Vejam lá o assunto que eu fui hoje buscar para encher o meu blogue! Mas não me digam que não é uma situação que está a levantar problemas a milhares de famílias e que, pelo que se contempla quanto a soluções, não se trata de uma questão que esteja em vias de ter solução.
E já que os responsáveis governativos não abrem o bico, pois que seja alguém que dispõe deste blogue para dar largas à uma preocupação que está aí e que, mesmo que não tenha evitado que as férias fossem gozadas por quem consegue descansar mesmo com a consciência pesada, ainda assim aqui fica uma notinha inocente!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

CÍRIO



As lágrimas que correm neste mundo
A fome, a doença, os desgostos
Obrigam a que lá muito no fundo
Os homens escondam nas mãos os rostos

Sofrer é caos que ataca os mortais
Ricos e pobres, de todas as cores
É alguém que nos envia sinais
De que p’ra viver há que sofrer dores

É isso, a vida fácil não é
P’ra uns melhor, p’ra outros um martírio
Mas é quando se chega ao rodapé

Que já na fase final do delírio
Se toma consciência do que é
Quando então para nada serve um círio

CÍRIO


Mas é quando se chega ao rodapé

Que já na fase final do delírio
Se toma consciência do que éAs lágrimas que correm neste mundo
A fome, a doença, os desgostos
Obrigam a que lá muito no fundo
Os homens escondam nas mãos os rostos

Sofrer é caos que ataca os mortais
Ricos e pobres, de todas as cores
É alguém que nos envia sinais
De que p’ra viver há que sofrer dores

É isso, a vida fácil não é
P’ra uns melhor, p’ra outros um martírio

Quando então p’ra nada serve um círio

A MELHOR POLÍTICA


Foi Alexander Soljenitesine, o Prémio Nobel da Literatura de 1970, que foi hoje a enterrar em Moscovo, com todas as honras da Federação Russa, com 89 anos vividos em pleno alvoroço, impedido até de entrar no seu País, onde esteve mesmo preso durante o período que não admitia que fossem divulgadas opiniões contrárias ao sistema então vigente, foi ele que deixou dito que “o Povo tem o direito de ter o poder, mas é esse Povo que não o quer”.
Sujeitas a todas as controvérsias que as frases que circulam e são de origem de cabeças pensantes que merecem o respeito do mundo que as admira, esta também não se exclui das opiniões contrárias que se sabe serem proclamadas por todo o mundo. Direito ao poder a ninguém deve ser negado, desde que se sujeite às regras de escolha e obedeça aos princípios de se dedicar a prestar toda a sua actuação em favor da maioria da população. Ninguém pode contestar esse direito. Agora, saber se quem assume essa função a que se entrega de livre vontade cumpre as obrigações plenas de imparcialidade, coloca em lugar secundário os seus interesses particulares, não actua unicamente a pensar no agrado que podem produzir os seus actos a determinadas áreas, apenas para garantir votos em próximo escrutínio e, pelo contrário, não temer desagradar sempre que uma medida é justa em sua consciência e, no caso de dúvidas, não temer ouvir as opiniões de diferentes sectores, ter consciência de que segue essas regras e estar sempre disposto a prestar contas publicamente, não deixando no vazio dúvidas que se podem levantar a quem é governado, em resumo, quem procede desta forma está a exercer um direito que merece o aplauso da maioria dos cidadãos. Porque oposições têm sempre de haver e é mesmo necessário que se manifestem.
Referindo agora a segunda parte da frase de Soljenitsine, de que o Povo não quer o poder, aqui é mais difícil dar o pleno acordo, pois sabe-se que o ser humano, quando reunido em multidão, quando se transforma em Povo, logo se vê conduzido por algumas figuras que procuram distinguir-se e que fazem suas as palavras que afirmam ser de todos. E é assim que nascem os chamados líderes, umas vezes saindo figuras merecedoras da confiança que os seguidores lhes dedicam, outras, figurões que trazem na manga a chama do mando, e que se aproveitam da ocasião e do seu poder de convencimento dos mais fracos para, a partir daí, quererem e até conseguirem, por vezes, serem donos de uma população inteira e de uma Nação por completo. Os resultados são-nos dados pela História de todos séculos, as antigas e as mais modernas. E depois de estar feito, o difícil é desfazer o erro.
Também Churchil afirmou que a Democracia era a menos má das políticas. E assim andamos todos à busca de um sistema político que se possa considerar como o ideal…

terça-feira, 5 de agosto de 2008

EI


Lembrar, já muitas vezes me lembrei
criar coisas novas, isso criei
estudar, sem dúvida estudei
e trabalhar, como eu trabalhei!
vamos ver se desta me sairei
de pôr em ordem sentenças, porei?
todas elas terminadas em ei:
Cantar na minha vida eu cantei
em coro de ópera operei
pintar, disso gosto, sempre gostei
emendar, quantas vezes emendei!
errar, dessa nem sempre escapei
fruto daquilo que eu inventei
pelo que tive de pagar, paguei
desatando nós, como eu desatei
ou então atando pontas, atei
sem poder adiar, adiei
sem cair, várias vezes tropecei
quer servindo ou quando comandei
porque a bota sempre descalcei
mesmo a resmungar como resmunguei
pois recear, lá isso receei
mas, que me lembre, nunca ajoelhei
embora saiba que desagradei
com quem eu muitas vezes discordei
só que, por meu lado, nunca odiei
mesmo a quem, sem querer, enxovalhei
ou, por casmurrice, envinagrei
fruto de um contínuo “enjoei”
e devia avisar, não avisei
mas mesmo assim eu nunca caluniei
e orgulho, isso nunca ostentei
nem eu jamais fingi que concordei
como mostrava a cara que fechei
pois engraxar sapatos, isso engraxei
mas apenas os meus, isso eu sei,
como mamar por aí, não mamei
coisa alheia nunca apalpei
fumar, só os meus cigarros fumei
mas desse mau vício me curei
pelo que eu nunca aceitarei
ver gente morrer, sem dó e sem lei
sem pensar como eu antes pensei
que basta o mau mundo que eu herdei
e que vai ficar para a nova grei.
Hoje, como antes, esperarei
que com ou sem mesmo um Agnus Dei
a escrita que faço e abracei
venha ser amada como a amei
que lhe dêem o valor que lhe dei
e se não for assim também direi:
olhem, caguei!

ANIMAIS NOSSOS AMIGOS


Não é fácil retirarmos de uma pessoa que passamos a conhecer as suas características, aquilo que se chama de índole. Normalmente, o ser humano, na sua primeira impressão, mostra-se simpático, agradável, cooperante na conversa. Por aí não se fica a saber grande coisa ou, quando muito, a imagem que nos é deixada é de uma companhia afectuosa e que apetece
manter como amigo.
No entanto, há um pormenor que, se vem a talho de foice, faz abrir um pouco as portas do interior do novo conhecido: é falar de animais e ficar a saber se aqueles que consideramos nossos amigos suscitam algum sinal de afeição da sua parte. Quem é verdadeiramente afeiçoado a qualquer ser vivo e, naturalmente, em particular quanto aos irracionais que nos rodeiam na vida do dia a dia, de uma forma geral – o que não quer dizer que não haja excepções -, pode-se considerar como sendo uma pessoa que merece mais confiança, no capítulo da sua formação moral, chamemos-lhe assim.
Eu, pelo menos, tenho este princípio como regra de convivência e raramente me equivoquei na apreciação.
Quem tem como companhia – porque as condições em que vive permitem oferecer o mínimo de movimentação do seu amigo de quatro patas - um cão ou um gato que, habituados como estará ao local onde se instalou, considera as instalações como sendo a sua casa, sem ser necessário muito tempo constata que essa sua companhia lhe tem uma afeição que qualquer outro animal racional não demonstra tão abertamente. Saltar para o colo, pedir festinhas, acompanhar para todo o lado, mesmo dentro da própria casa, o seu dono, é atitude que não se espera que um racional faça. Essa afeição quase doentia que o nosso protegido sente, não se encontra nos humanos, mesmo quando se declaram entre dois sexos paixões juradas“até â morte”.
Vem este texto a propósito de quê? Da notícia saída hoje na Imprensa de que, três em cada quatro cães são abatidos no canil municipal de Lisboa. E acrescenta a nota de que o canil/gatil alberga em média cerca de 150 animais. E que o forno crematório funciona, em média, cinco vezes por dia naquele local.
Nem é preciso perguntar como é que tantos animais vão parar ao que é o seu destino fatal. São abandonados pelos donos ou encontrados em residências com condições insalubres e, no caso dos cães, geralmente presos com correntes, já sem comida e água por perto. É horroroso tomar conhecimento destes casos, mas que eles existem, disso há a certeza.
Pelo menos, garantem-me, no Canil Municipal os animais que são mortos, antes são eutanasiados, coisa que, tempos antes, não sucedia.
São as compensações das más acções dos homens. Se a maldade humana vai ao ponto de abandonar um ser com quem conviveu – ou porque foi seu parceiro na caça, o mais vulgar, ou porque passou a ser um incómodo e se fartou do animal que recebeu em pequenino e depois, naturalmente, cresceu -, não se pode esperar dessa chamada “pessoa” que seja aquilo que vulgarmente chamamos de “bem formada”.
Por isso eu comecei este texto com a apreciação que faço dos indivíduos que passamos a conhecer quando nos são apresntados.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

POR AQUI VOU


Eu por aqui vou
sem saber caminho,
pergunto quem sou
olho pr’o vizinho
p’ra ter uma ideia
vou fazer o quê?
Nem mesmo à boleia
daqui que se vê?
Mas vou caminhando
não há mais remédio
e enquanto andando
pleno de tédio
percebo o final
o que lá no fundo
que me faz sinal
para deixar o mundo
tenho pois de ir
ficar é parar
hei-de conseguir
cá estou a tentar

Eu por mim vou
deixo-me levar
se eu nem sou quem sou
posso caminhar
para ir, para ir,
ver passar as horas
não posso fugir
nem ter mais demoras
com angústia, porém
da longa espera
em vez de eu ir, vem
já não é quimera
é sim pesadelo
grande sofrimento
pois deixou de sê-lo
que até o talento
que nunca apareceu
foi coisa de sonho
a ver não se deu
e bem me envergonho
de o ter procurado
e me ter escapado

Por isso aqui vou
estou pronto, sem sustos
ao lume me dou
ao sono dos justos





ENFERMEIROS


A dívida é uma situação natural que se vive no nosso País. Já lá vão muito longe os tempos em que chegar-se a uma posição de devedor e não poder liquidar os seus compromissos levava os faltosos a atitudes extremas, incluindo o suicídio. Eram épocas em que um aperto de mão representava uma escritura. Selar uma promessa com a garantia dada de boca, constituía um juramento cujo significado da expressão não tem, nem de longe nem de perto, nada que se possa agora comparar com o significado de então.
Dá para perguntar se a forma de vida dessa época constituía uma maior tranquilidade, em que só se gastava o que se podia e nunca se ultrapassava o que a carteira dava como folga; ou se, como hoje acontece, o essencial é fazer a vontade aos desejos, mesmo que os mesmos se sobreponham à possibilidde do seu pagamento.
São as condições criadas pelas instituições de crédito, as ofertas largamente publicitadas do “compra agora e paga depois”, as tentações provocadas pela ânsia de comercialização, é tudo isso que está na origem da mudança que ocorreu desde os tempos da vergonha em dever e do depois se vê como se resolve a dívida.
Aliás, o exemplo vem de cima. O Estado é o primeiro a não pagar dentro dos prazos e a não evidenciar vergonha por ter contas pendentes. São inúmeras as empresas que estão “penduradas” com contas por saldar pelo sector oficial e nunca surge, por parte dos responsáveis pelo sectores caloteiros, uma explicação ou, no mínimo, alguma documentação que permita aos credores, quantas vezes em sérias dificuldades, recorrer a um apoio estranho, com garantia e que o culpado principal não vai deixar de cumprir as suas obrigações… mesmo tarde.
Pois neste País em que estamos e de que temos de ser cidadãos obedientes das instâncias governativas, são essas as que dão o exemplo de que pagar com atraso não é falta de maior. Câmaras municipais, que mudam de primeiros responsáveis com certa frequência, até por esse motivo criam compromissos para deixar uma boa imagem junto do eleitorado, dado que o que se segue que resolva as situações conforme puder, essas são as entidades públicas que maior número de credores acumulam. O caso, ainda na memória de todos, do Município alfacinha se ter visto obrigado a contrair um empréstimo de muitos milhões de euros para evitar que algumas empresas de construção caíssem na falência, esse triste exemplo, que nem foi fácil de resolver por discordância das oposições na Assembleia Municipal, demonstra como isso de dever é já uma situação normal no nosso País.
Esta agora do Estado dever 19 anos de trabalho aos enfermeiros, por não pagar horas extraordinárias há imenso tempo a esses profissionais da referida área nos hospitais públicos, daria para rir se não se tratasse de um drama para muitos das vítimas da impunidade oficial em cumprir os seus deveres sofrem.
Por mim, nem faço comentários.

domingo, 3 de agosto de 2008

CANTAR


Cantar, cantar, cantar
é melhor que falar
sem dizer nada.
Cantar ao amor,
cantar de cor
com fervor
ou com humor.
Cantar à felicidade,
cantar à amizade,
cansar de tanto cantar,
não parar.

Cantar à esperança
no futuro,
trespassar o muro
do obscuro.
Cantar à poesia,
à fantasia,
à paz no mundo,
ao mar sem fundo,
à beleza
da Natureza.

Cantar até faltar o ar,
em qualquer lugar
sob o Sol a escaldar
ou com chuva a fustigar.
Cantar de pé,
olaré,
ou sentado,
sem enfado.
Cantar sempre muito
com o intuito
de expandir a alma
e dar voz a Talma
do teatro, sim senhor,
um autor
exemplar
para ver, ouvir,
sentir
… e cantar !

POBRE TURISMO!


Para quem, como eu, que sempre esteve ligado à actividade turística dentro do jornalismo, tendo deixado centenas de crónicas em publicações da especialidade, para além de ter feito parte de organizações internacionais que reúnem os profissionais da escrita dedicada ao tema turismo, não é com indiferença que acompanho a actividade que, desde tempos passados e até na época em que existia um certo controlo político também nesta área, constituía uma forte ajuda ao equilíbrio económico de Portugal. Foram dois sectores que contavam muito nas contas públicas: o turismo e as remessas dos emigrantes. Quem não passou por essa fase da vida nacional não tem consciência da importância que representavam esses dois pólos.
Tomar agora conhecimento de que a crise que actua em diferentes sectores da vida portuguesa também está a afectar e muito o turismo, sendo o Algarve a zona onde se sente mais profundamente tal situação, a todos nós portugueses tem de provocar preocupação, mas quem sente mais têm de ser aqueles que assentam a sua actividade principal numa área que envolve, sobretudo nas épocas consideradas altas, dezenas de milhar de trabalhadores, ao ponto de, quase sempre, ser necessário recorrer a mão de obra estrangeira, sobretudo de brasileiros que imigraram para o nosso País.
As notícias são claras: as taxas de ocupação no sector hoteleiro baixaram 6% e as vendas oscilam entre os 25 e os 50%, sendo os restaurantes os mais afectadas. Daí se conclui que não são só os portugueses que influenciam tal descida de consumo, posto que é sabido que os turistas estrangeiros, especialmente os ingleses, que são os que, nesta época, mais afluem às praias algarvias.
O aumento do preço das viagens de avião, o custo elevado da gasolina e a subida das dificuldades que também se sentem fora das nossas fronteiras, tudo isso tem de influir na recessão do turismo no nosso País, sobretudo porque a promoção que se faz no estrangeiro dos prazeres de férias em terras lusitanas é, sobretudo, dirigida à classe média e é essa precisamente que sente mais directamente as dificuldades que o custo de vida em alta se faz notar.
Desde há muitos anos que a recomendação que tem sido feita por aqueles que têm conhecimento das técnicas de turismo é que a publicidade em devemos insistir sobre as características da nossa oferta tem de ser dirigida às classes altas. E isso porque não temos dimensão para receber carradas de visitantes de recursos médios e até baixos que constituem a maioria dos que se instalam em pleno período do calor naquilo que, para eles, é um “paraíso” de bom tempo. O investimento de propaganda que é feito em diversos meios no estrangeiro, incluindo os centros de turismo que temos instalados em várias cidades, tudo isso teria que ser orientado para dar a imagem do nosso turismo como sendo dirigido a clientes com meios e que procuram algo de especial e não mais um sítio para, por pouco dinheiro, gozarem umas férias económicas.
Por nosso lado, o esforço que fazemos para preparar pessoal de hotelaria deve ser orientado também na qualidade, no bom serviço, até no requinte. Mas isto não é novidade. Já foi dito e recomendado há muito tempo, mas, somo sempre sucede neste País, temos dificuldade em aceitar os conselhos dos que são previdentes.
O turismo no nosso País sofre, portanto, ele também, os efeitos da crise que nos envolve. Que podíamos nós esperar, quando se fez agora uma remodelação das leis de turismo e nada do que aprendemos ao longo dos anos de prática foi levado em conta, porque quem sabe são os “sábios” que acabam de chegar aos lugares e os antigos sofrem do mal da “velhice”.

sábado, 2 de agosto de 2008

E DEPOIS?


Sempre há um depois do que agora passa
Alguma coisa de que se suspeita
Ou de que se tem só ideia escassa
Mas que está bem ao pé de nós à espreita

Esse depois assusta muita gente
Pode ser p’ra melhor ou nem por isso
Quem pode saber é só o que sente
Que esta vida é toda um compromisso

Se o depois é tão grande mistério
E se há também quem tal não entenda
Esteja só ou tenha vida a dois

Será bom ver o amanhã a sério
Estar sempre pronto para a contenda
Para não perguntar sempre: e depois?...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

FÉRIAS GRANDES


Neste primeiro dia de férias, pelo menos de acordo com o calendário, caindo a uma sexta-feira, está-se mesmo a ver que os espertos dos portugueses marcaram o início deste período para segunda-feira, dia 4, o que sempre permite acrescentar de seguida mais um fim de semana que se juntam aos cerca de 30 dias que a lei estabelece. Bem, mas este aparte não constitui motivo de um texto de blogue, embora dê mostras de como não perdemos uma ocasião para tirar partido das facilidades que as ocasiões podem proporcionar.
Mas, falando de férias, o que diferencia este ano o período de Agosto das épocas anteriores, é, nos estacionamentos de automóveis que, normalmente neste mês sobram, ou seja encontra-se com facilidade lugar para arrumar os carros nas nossas ruas, ao contrário do que sucede durante o ano inteiro que se tem de contar com a sorte para, ao chegar a casa ao fim do dia, encontrar um espaço onde caiba a nossa viatura. E porquê isso? A resposta é simples: dado que uma grande parte dos moradores em Lisboa já está a fazer contas à vida, não precisa de recomendações para não ultrapassar o limite dos gastos e vai ocupar o período de férias sem saídas onerosas e mantendo o automóvel arrumadinho durante quase todo o mês. O preço dos combustíveis não permite fantasias e, quando muito, uma ida curta a uma praia nos arredores da capital já constitui uma extravagância.
Estou a exagerar? Então façam um exercício de análise dos automóveis que permanecem estacionados junto aos passeios e alguns deles até com cobertura para os poupar da sujidade que se acumula mais quando os carros não saem do mesmo lugar durante algum tempo.
E já que estou a referir-me a este tema, ocorre-me fazer uma pergunta à Câmara Municipal de Lisboa: Como está a funcionar o contrato com a EMEL, a empresa que tem o encargo de cuidar da cobrança dos parqueamentos de que os moradores de cada freguesia gozam do benefício de não ter esse encargo? É que, em muitos bairros lisboetas, por exemplo em Campo de Ourique, embora existam os parquímetros para serem colocadas as moedas, como não se verifica vigilância aos automóveis que não colocam o selo no para brisas, quase ninguém se preocupa em cumprir essa obrigação e os poucos que o fazem também não beneficiam a EMEL, pois todas as noites se assiste à actividade de uns indivíduos, dizem que são romenos, que dispõem de uma chave que permite fazer a recolha das poucas moedas que entraram durante o dia.
Não era este o tema que eu tinha pensado destinar ao meu blogue de hoje. O caso do comunicado do Presidente da República transmitido ontem ao País, mereceria, sem dúvida, um espaço e uma opinião. Mas eu disse ontem o que tinha a dizer. Durante o dia ouvi vários “sábios” largarem os seus pontos de vista. A conclusão a que cheguei foi a de que ninguém entendeu nada ou, pelo menos, não encontraram assunto que merecesse aquele mistério todo feito em redor do que Cavaco Silva iria dizer à noite. O País ficou descorçoado. Vamos, pois, esperar por algum acréscimo que surja com o assunto mais desenvolvido. Até talvez a Madeira receba também a sua parte de comentário.
Porque uma coisa é certa: não pode ser retirado ao Presidente da República o direito e o poder de dissolver, quando entender que o deve fazer, qualquer das Assembleias, a da República e as duas das Regiões Autónomas. Fora isso, são ninharias que se solucionam sem discursos ao País.