segunda-feira, 16 de junho de 2008

DESENCANTO...POR ENQUANTO!


Isto que eu arrasto desde criança pode chamar-se vida? Ou tenho sido eu que não a terei sabido levar? Que me conformei em vez de lutar contra o que se chama de destino?
Nasci de família remediada; pai com trabalho e salário seguro, mãe económica e de boa cabeça e enorme coração, sem qualquer tipo de extravagância levava-se, lá em casa, um dia-a-dia que se poderia à época considerar normal.
Fui baptizado como era costume na altura, isto é, sem necessidade de ser fervorosamente crente o nosso aglomerado famíliar Mas entrei no corredor dos costumes que levava a miudagem a frequentar a catequese e a ir à missa das onze, aos domingos, na paróquia lá do bairro. Não sei como, mas escolheram-me para pôr a opa vermelha depois de ter feito as comunhões da praxe e até o crisma. Cheguei a ajudar à missa, dita em latim…
Hoje recordo que sempre considerei um sacrifício aquelas cenas prolongadas de joelhos no altar frio da pedra, ao lado do pároco, E logo que me estreei no exercício do pensamento por minha própria iniciativa e a poder discordar, sem ser em surdina, de determinadas posições que as religiões tomavam, começando pelo próprio catecismo da Igreja católica tal como me foi ensinado em criança, decidi que Deus não podia ser aquela figura castigadora, sempre atenta ao que se chama e chamava de pecados, que só exigia e continua a exigir cumprimento de dogmas sem esclarecimento de posições francamente discutíveis e sem dar ocasião a que se duvide, sequer por um momento, pois foi nessa altura, quando comecei a observar a riqueza escandalosa que as igrejas ostentavam, especialmente a que se observa no Vaticano em que, na minha meninice se assistia aos passeios do Papa de cadeirão aos ombros de homens, assim como o que se passava noutros locais ligados a diferentes credos, com total indiferença perante a miséria mundial que existe por esse mundo fora. Foi então que deixei de praticar esse exercício da indiferença. Foi ao ter de aceitar, por imposição alheia, um Deus, seja qual for o nome que lhe dêem, que decidi pensar por mim próprio, não alimentando uma ideia sequer parecida com a que os crentes cegos de fé fazem da sua religião, seja ela qual seja. Não fui capaz de ficar alheio ao que se estava a passar à minha volta. No entanto, a grande preocupação que me acompanhou sempre foi e é a de constatar que neste mundo, onde todos os avanços tecnológicos se têm verificado em múltiplos campos, ninguém conseguiu ainda explicar o que é essa coisa do INFINITO!...
E é isso, mais do que nada, que provoca o meu completo cepticismo. Ser fervoroso quer do sim quer do não, tomar lugar seguro num dos dois lados, não acalentar dúvidas, aceitar razões de uma ou de outra posição antagónica, tudo isso é que, desde tempos remotos, tem sido o que a maioria dos homens se agarra, sobretudo por comodidade. Ou por medo. Agora, ficar no meio a contemplar as duas pontas, os lugares opostos, é que é a situação mais desconfortável, posto que o aconchegante é acreditar, sem discutir, que alguma das duas coisas tenha de ser a verdade, o sim ou o não. O talvez é que martiriza.
É esta angústia que me tem perseguido toda a vida, desde que me colocaram ao lado do padre a responder em voz alta às rezas que eram por ele conduzidas e a que muitas vezes esquecia de fazer a minha parte - o que levava o cura a repreender-me em pleno altar, evidentemente paramentado. Mantenho dúvidas até hoje, não tenho qualquer receio em admiti-lo, e será por isso que, se bem que não com muita frequência, mas tem acontecido, quando passo à porta de uma igreja Católica, fora das horas de movimento, e me surge a vontade de gozar do silêncio do seu ambiente, sem rezas e sem praticantes, concentrando-me naquilo que poder ser a resposta que gostaria de obter, pratico esse exercício do pensamento. Mas faço-o numa Igreja católica, como poderia igualmente executá-lo noutro recinto tranquilo, melhor sendo religioso, que recomende a concentração.
O céu, o inferno, o paraíso, todos esses santos que arrastam multidões aos altares e aos santuários assim considerados, com pedidos e promessas de recompensar milagres solicitados e satisfeitos, palavreado fervoroso decorado sem análise do sentido, pois que é fruto da fabricação dos homens que comandam as religiões, os objectos ditos sagrados que não podiam ou ainda não podem ser tocados por mãos impuras, os evangelhos, bíblias, testamentos, antigos e modernos, que só surgiram depois de ter sido inventada a escrita, coisa que há milhares de anos só era praticada através de hieroglíficos, tudo isso me vem à mente e em que, isolado, talvez até muito perto do acabrunhamento, me sento num banco de uma igreja que esteja vazia, na esperança de receber alguma luz que esclareça a enorme vontade de chegar o mais perto possível da VERDADE.
Mas sempre que me acontece fazer este exercício, deparo com a sentença conhecida: há três verdades, a minha, a dos outros… e a verdade, a que não é exclusivo de ninguém e nem coincide, muitas vezes, com as outras duas!
Situando-me, pois, numa terra de ninguém, fico isolado, não tenho parceiros para defender uma ou outra tese, posto que a ausência de linha de rumo, melhor, de ponto fulcral a defender, não tem força bastante para constituir grupo de adeptos dispostos a abraçar uma causa.
Sem bandeira, sem hino, sem marcha de ondas populares não é possível constituir causas que justifiquem o menor esforço para aumentar falanges de adeptos. Grupos, clubes, associações de agnósticos é coisa que não existe. Ninguém se junta apenas para evidenciar dúvidas. Quem as tem, desfolha sozinho as suas mágoas e martiriza-se por viver na ignorância quanto à posição correcta que deve tomar, pois que, no fundo, bem desejaria ter crença nalguma coisa
Sente-se desprotegido por não encontrar força que leve a prestar vassalagem a uma imagem fabricada por um artista, por muito genial que ele seja ou tenha sido.
Um agnóstico é um abandonado. Sobretudo aquele que leva a sério as suas dúvidas. Que procura, a cada momento, encontrar alguém que as desfaça. Mas que tenha argumentos palpáveis para conseguir fazer mudar de opinião. Alguém que não seja, faccioso, fanático, fundamentalista. De qualquer fé.
É nessa ânsia permanente que se vai atravessando a vida. A minha pelo menos. Tentando descortinar o fim dela e sem ter sido capaz de acreditar se que o que vem depois é melhor. Que não seja o termo absoluto de cada um.
Bem desejaria eu que tivesse alinhado com a turba da indiferença. Com o deixa andar do dia-a-dia. Com o que será… será!
Quando deixo aqui escritas as minhas preocupações, as quais não tenho coragem para as descrever aos outros, cara a cara, enquanto estiver vivo, é porque alimento alguma esperança de que, nem sei como, um dia alguém as lerá e, ou se identificará com este tipo de dúvidas ou, bem pelo contrário, na sua crença fervorosa rezará para que sejam perdoados os meus pecados de descrença.
Num ou noutro caso, tanto faz. Nessa altura ninguém terá chegado provavelmente ainda a uma conclusão. O mistério foi criado para perdurar. Enquanto o mundo for mundo. Enquanto o Homem for o que é. E, se mudar, levará muito tempo até que isso aconteça.

A AREIA


A areia que escorre entre os dedos
lembra a vida que foge e não se agarra
é isso bem visível nos meus medos
desses que me perseguem com amarra

Vejo-a cair no fundo do poço
esse poço que é o fim da vida
é tão rápida a queda que não ouço
nem sinto a dor que provoca a partida

Areia fina que já fostes pedra
milhões de anos por ti passaram
apesar disso és algo que medra
voltarás a ser como te encontraram

As avestruzes no teu seio escondem
as cabeças medrosas, indecisas
e perguntam aos grãos que não respondem
pois aí não há soluções precisas

Mas a vida é tal como a areia
ensopada é igual à argamassa
seca, se o vento dá vai à boleia
rodopiando enquanto o tempo passa

Um dia, porém, leva-a o mar
não fica essa areia onde estava
mas outros bagos irão ocupar
tal espaço onde antes morava

A vida é assim: ondas de areia
ora compacta ou de grãos à solta
nada seguro nesta grande aldeia
que é o mundo sempre em revolta

domingo, 15 de junho de 2008

HÁ OUTROS PIORES!...


É precisamente no momento em que a televisão transmite um desafio de futebol que os portugueses tanto têm ansiado por assistir, enquanto me soam nos ouvidos os entusiasmos dos locutores que, desde Basileia, se esganiçam para transmitir o calor que envolve todo o campo, calor esse proveniente do fervor dos portugueses que ali vivem e por ali trabalham, pois é nesta altura que eu começo a redigir o texto que transmito ao meu blogue de hoje. Quer dizer: por um lado sinto profundamente os problemas que, esses sim vitais, envolvem o nosso País – e não só, porque a Europa também tem um bom bico de obra para solucionar -, mas, por outro, deixo-me embevecer pelo eventual resultado que este encontro de futebol entre o nosso País e a Suiça poderá apresentar, no sentido de possivelmente aliviar o sentimento que nos tem de preocupar todos os que vivemos portas adentro. O que já demonstra, da minha parte, uma certa boa vontade.
Mas, falemos de coisas sérias. Desiludidos com a actuação de Sócrates e da sua equipa quanto ao “black-out” provocado pelos camionistas patrões da nossa Terra, que provocaram um prejuízo de um tamanho insuportável em quaisquer circunstâncias mas que, na situação actual portuguesa, ainda menos se pode tolerar, de olhos baixos todos nós, sobretudo os seguidores da actuação política do actual primeiro-Ministro, pois que não pode ter desculpa que tivessem passado aqueles dias sem que o Governo fosse capaz de antecipar-se e de evitar que uns tantos (e, neste caso, nem sequer foram os tão idolatrados trabalhadores) donos de transportes de mercadorias fizessem paralisar o nosso País.
Passado que foi esse descalabro, deparamos com a decisão política da Irlanda de não aceitar, por referendo, o que foi determinado no Tratado de Lisboa, o que deixou também Sócrates a pensar seriamente se não terá que fazer uma romagem a pé a Fátima, para tentar também esta via para talvez poder afastar a má sorte que anda a persegui-lo. É que, para além disso, a subida do preço dos combustíveis não dá mostras de baixar, antes pelo contrário, o que se vai traduzir na baixa ainda mais acentuada do custo de vida dos cidadãos nacionais.
Como se tudo isto não chegasse, apurou-se agora que o custo do túnel do metropolitano que vai ligar o Terreiro do Paço a Santa Apolónia foi de 15 mil euros por cada metro dessa via, ou seja representa uma derrapagem de 65,7 por cento e, relação ao orçamento existente, o que, por outras palavras, aponta para um “buraco” de 31 milhões de euros. Para não falar no tempo de duração da obra, com os prejuízos económicos e humanos que tal demora representa, e nos 12 longos anos que decorreram desde que a data da adjudicação da obra e até Dezembro de 2007, data da “inauguração” do trabalho executado. Tendo em conta que o trabalho foi adjudicado em Fevereiro de 1995, ou seja, antes do período socratiano, o que todos nós, portugueses, temos de concluir é que somos incapazes de respeitar compromissos, defeito que vem, aliás, de trás e até da nossa História. Logo, ou nos emendamos ou estamos bem arranjados quanto ao futuro que nos espera.
Dirão os contentinhos com aquilo que somos que esses e outros descalabros também sucedem fora de portas, que não somos só nós os incapazes e que o estado a que se chegou por cá, onde a Democracia não foi capaz de operar o milagre de uma melhoria substancial no nosso comportamento de pensadores e de fazedores, também está a causar grandes dissabores em muitos outros sítios do mundo. E, excepção feita aos países, até da Europa, que, com a sua adesão à Comunidade Europeia, estão a dar mostras de enorme capacidade de evolução – talvez até, porque souberam aproveitar bem as enormes ajudas que receberam e que, por sinal, também cá vieram parar na época de Cavaco Silva, primeiro-ministro – situações económicas difíceis por aí fora não são um exclusivo lusitano.
Sendo assim, pois, quais são as perspectivas próximas e futuras do mundo que nos rodeia? Poderá haver por aí algum comentador televisivo, desses que sabem de tudo e não têm nunca dúvidas que seja capaz de garantir, por exemplo, que o Irão, que não aceita suspender o enriquecimento do urânio, não lhe dê um dia para pôr termo ao que esse próprio País considere que está para suportar. Porque é assim que actuam ou têm actuado. E, nessa altura, o carregar no botão é coisa que só se dá por isso na altura em cair sobre as nossas cabeças aquilo que, em plena escala, sucedeu no fim da II Guerra Mundial em Yroshima. Salvo seja!
E não aproveito para fazer propaganda, mas sempre deixo aqui a informação de que, numa peça de teatro da minha autoria, intitulada “E a Terra, indiferente, continua rodando…”, escrita há já vários anos e até premiada – mas nunca representada, porque este País é o que é -, o tema do fim do mundo é aí tratado.
Mas não se assustem os que tomem conhecimento desta notícia despretensiosa. Por cá, autores teatrais portugueses é coisa que não se usa. E para quê?

Ah! Já me esquecia. Afinal a equipa portuguesa de futebol perdeu com a Suiça. Parece que ninguém vai morrer por isso, pois que a nossa posição no conjunto garante a permanência portuguesa. Valha-nos isso. Com Scolari ou sem ele, lá nisso do futebol as coisas vão-se compondo.
Desta safas-te José Sócrates! Também, não pode ser tudo a correr mal…

sábado, 14 de junho de 2008

O QUE HÁ A DIZER!...


Desde que enfiei aqui os últimos textos para marcar presença diária no meu blogue, passaram-se algumas coisas que vale a pena referir. No entanto, tenho consciência de que há que tocar nelas com pinças. Não que tenha medo das consequências. Estou por tudo. Mas o que não me apetece é discutir. Por isso vou debitar e não me vou dar conta dos créditos. Cada um com o seu…
Em primeiro lugar, referir-me-ei às Marchas Populares, mais umas que se celebram em Lisboa e, desde que foram iniciadas quando havia gente que tinha habilidade para estes tipos de festejos - nem me refiro a nomes -, têm vindo, de ano para ano, a baixar de categoria de forma assustadora.
Quanto às que ocorreram na noite do dia 12, basta dizer que os ensaiadores dos cantares bairristas – já nem me preocupo com as chamadas marcações – devem ser completamente surdos. Os “desafinanços” de todos, sem excepção, os gritos deles e delas a querem sobressair do resto do conjunto, a desarmonia completa só serviam de convite a mudar de canal, muito embora duas televisões, à falta de uma, tivessem preenchido os seus tempos de antena com aquela “miséria”. Sim. Não mando dizer por ninguém. Foi um desastre completo. E como nos recordamos dos velhos Leitões de Barros… apesar de tudo!

Ao mesmo tempo, na TVE, assistia-se à inauguração da EXPO de Saragoça, onde compareceu Cavaco Silva para inaugurar o Pavilhão e Portugal. Também para não entrar em quezílias com os que, por tudo e por nada, acham que “de Espanha, nem bom vento nem bom casamento…”, basta que diga o seguinte: qualquer comparação em termos de qualidade de produto televisivo, por longínquos que sejam os temas em causa, qualquer tentativa para dizer que ali só havia arte e bom gosto e aqui foi o que se viu, só serve para… ficarmos mudos!

E o terceiro assunto, este, evidentemente, bem mais difícil de remendo: foi a nega que se verificou na Irlanda no plebiscito que serviu para saber se o povo aceitava ou não o resultado do chamado “Tratado de Lisboa”. Não vou entrar em pormenores, pela extensão do tema e pela obrigação democrática de aceitar o que pretende a maioria, por mais que pensemos que esses mais de 50 por cento fizeram um enorme estrago na caminhada que muitos de nós desejamos que avance, no sentido de unir cada vez mais e melhor a Europa.
É difícil, bem se sabe. Existem interesses que não coincidem. Há os grandes e os pequenos. E, não tapemos a verdade, existem aqueles que estão sempre dispostos a mandar. E que não aceitam que outros façam esses papeis.
Isto, para referir superficialmente uma matéria que nos vai custar a todos nós, europeus, muito cara! Já não bastava o problema que se vai agudizando dos combustíveis…

Quanto a nós, por cá, a decisão tomada por Scolari de deixar a selecção de futebol portuguesa entregue a outras mãos – e até pode ser que venham a ser melhores do que as do brasileiro (eu, quanto a futebol não me atrevo a dar opiniões, porque há por aí uns comentadores televisivos que sabem de tudo, incluindo literatura, política, desporto… seja lá o que for!), essa decisão que apanhou de surpresa todos e até o próprio Eusébio, parece que deixou mais abalados os portugueses do que quaisquer outros acontecimentos que eu pudesse incluir no meu blogue de hoje. Não vale a pena, pois, prosseguir.


quinta-feira, 12 de junho de 2008

ESFARRAPADO



Muito calado
menino esfarrapado
que passas na minha rua
que não é a tua.
Não brincas, não ris,
infeliz,
eis a sombra
que assombra
a tristeza,
a pobreza.
Eis o retrato deste mundo egoísta,
capitalista,
que olha só para o seu umbigo,
que não se importa contigo
e fica contente com o que vê
porque só em si mesmo crê.
O mundo,
profundo,
está para lá
nem conta se dá
das tristezas,
das vilezas,
que o Homem sofre

Pobre rapaz, sem paz,
vais crescer assim,
enfim,
que dó,
só,
desamparado,
amargurado,
e olhas em redor,
com dor
revoltas-te
e perguntas-te
como qualquer ateu:
Porquê eu ?

DESENCANTO...POR ENQUANTO!...

Se eu fosse uma pessoa muito conhecida, dessas que quando saem à rua, todos se voltam para confirmar se é quem parece e que, nos locais mais fechados, como nos centros comerciais, por exemplo, param, fazem um sorriso, procuram meter conversa e até pedem um autógrafo, se eu fosse um desses não sei como me comportaria. Possivelmente mal. Ou bem? Enaltecia o meu ego ou fazia-me sentir desconfortável?
Levanto esta dúvida porque toda a gente assiste às figuras que fazem aqueles para se tornarem personalidades públicas. Não têm no seu activo qualquer feito que os coloque acima da mediania, não se distinguem da generalidade por serem melhores do que os outros mortais, só conseguem dar nas vistas através de excentricidades, dos disparates que dizem, de exibicionismos, sempre, claro, diante das câmaras de televisão e dos fotógrafos das revistas ditas “light”, sempre que os apanham em qualquer manifestação social, onde fazem questão de não faltar.
Essa classe de gente faz tudo para ser notada e, por isso, sente enorme prazer em ser apontada quando está no meio do público. É para isso que se levantam da cama, tarde, porque as noites se prolongam até de madrugada, em tudo que é local de afluência.
Não sei se tenho dó ou se me provoca repugnância esse género de indivíduos, eles ou elas – porque há dos dois sexos -, que é difícil imaginar como vivem e de que vivem, muito embora sejam hábeis em truques de usar roupa emprestada, terem sempre alguém a que se encostam para conseguir alguns favores e sempre vão comendo nos “cocktails” que frequentam. Até há os que dizem que levam atrevidamente os copos para casa!
A mim, deixem-me passar despercebido. É que não fiz nada de jeito para ser famoso, nem mesmo um bom desfalque ou um crime merecedor de ser propagandeado na comunicação social.
Sou, afirmo-o convicto, um Zé-ninguém.



QUANTOS FERNANDOS PESSOAS ANDARÃO POR AÍ?


A frase em mim não é inédita. Somos um País de extravagâncias. De exageros. Do mínimo e do máximo. É uma característica. Não é um defeito só por si. Mas pagamos por sermos dessa forma. E eu explico o que quero dizer na situação que me leva a fazer esta nota.
No capítulo de “fabricarmos” ídolos, pessoas destacáveis, gente que aparece permanentemente nos écrans das televisões e nas capas de certas publicações, personalidades que, por tudo e por nada, são consideradas como merecedoras de serem apontadas como exemplares – geralmente no bom sentido -, nessa área há por aí uns profissionais da glorificação, usando e abusando dos chamados tempos de antena para atirarem para os olhos do público gentinha que, feitas bem as contas, nem se percebe o motivo por que não são, apenas e só, conhecidas vagamente na rua onde moram.
Mas, ao fim e ao cabo, até se entende que tais criaturas sejam usadas para preencher espaço e tempo dos chamados “comentadores” das vidas alheias, também classificadas com uma profissão que não consta ainda do cardápio de actividades que podem ser colocadas no cartão de visita. Também há quem lhes chame tertulianos”, um arremedo de mau gosto dos antigos frequentadores de cafés, onde, sob algum fundo intelectual e criativo, eram discutidas teses, princípios, até mesmo dogmas políticos e religiosos em que procuravam que saísse da discussão alguma luz que, tantas vezes, acabou por ser passada a excelentes obras de interesse público.
Não preciso de acrescentar que não é nada disso que se passa agora. O vazio de conteúdo é o que resulta dessas conversas mal delineadas dos mexeriqueiros da vida dos outros.
Adiante pois.
Este meu desabafo preambular serve apenas para criar uma espécie de tapete vermelho ao tema que me leva a encher este espaço. É que, precisamente amanhã, a Câmara Municipal de Lisboa, que também tem, de vez em quando, rasgos de iniciativas louváveis – e, nesta altura, até se compreende pela aflitiva falta de verbas que reina por aquela Casa – vai levar a efeito um espectáculo, com entrada livre, com música e manifestações artísticas, que homenageiam o enorme, o tão pouco divulgado escritor e poeta (com o merecimento que lhe cabe) que, por sinal, é o autor português mais importante no Brasil. Refiro-me, está bem de ver, ao grande Fernando Pessoa, o ignorado durante anos – e hoje ainda tão pouco divulgado junto da juventude -, o que, por sinal, completaria 120 anos se fosse vivo nesta data.
O escriturário, o ajudante de guarda-livros de um escritório num terceiro andar da rua dos Douradores, o residente isolado num quarto alugado na Baixa lisboeta, tendo nascido no largo de S.Carlos mas transferindo-se em criança para a África do Sul, onde nunca esqueceu a língua pátria, tendo regressado na idade de já saber que queria ser escritor e por isso utilizava aquela mesa do Café Martinho para ali produzir o que lhe saia da imaginação, tendo assistido apenas à edição de um livro, pois toda a sua obra só saiu a lume numa altura em que já cá não estava para tomar nota de que, afinal, tinha admiradores, esse Fernando Pessoa levou tempo a merecer a honra de uma homenagem póstuma. E não me refiro a qualquer condecoração, que essas são destinadas aos que se movimentam por aí e se preocupam em dar nas vistas.
Fico-me por aqui. E volto ao início deste blogue.
Vivemos num País em que os que valem são os que circulam por aí exibindo a sua mediocridade, mas tendo a habilidade de tirar partido dela com atitudes que, na maior parte das vezes, não deviam passar da soleira das portas das casas onde vivem. Não. Não vou referir-me aos centenas de milhar de portugueses que já sentiram sobre os ombros as condecorações que foram concedidas por quem está autorizado a prestar essas honras. Isso é lá com eles.
Mas não retiro uma letra ao preâmbulo deste texto. Somos um povo que gostamos de fabricar ídolos. O que é pena é que nos andemos sempre a enganar nos visados.
Não valerá a pena perguntar: quantos fernandos pessoas ficaram pelo caminho e ainda andarão por aí sem que ninguém dê por eles e até porque os próprios também não se consideram capazes de ser merecedores de qualquer distinção? O excesso de modéstia tem o seu preço!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O FUTEBOL




Vinte e dois homens num campo

saltando qual pirilampo

de relva verde, tratada

aparada

com um outro que usa apito

que provoca muito grito

de vez em quando silvando

para mostrar quem tem o mando

com dois de fora a espiar

e nenhum é popular

com bandeirinhas na mão

prestando grande atenção

assim lá vão os minutos

que não são absolutos

lá se passa o tempo afinal

noventa no seu total

com pontapés numa bola

obedece a quem foi pô-la

que gira de um para outro lado

por sobre o verde relvado

do terreno

sem empeno

que tem risco branco ao meio

e não se pode chamar de feio


De calções correm e suam

e se extenuam

aqueles que usam os pés

que servem para pontapés

pois os braços e qualquer mão

esses podem custar expulsão

somente os homens das balizas

têm como divisas

deixá-las invioláveis

impenetráveis

todos equipados a preceito

aprumados a seu jeito

quando entram no relvado

esteja seco ou molhado

cada onze de sua cor

calmos ou com pavor

fazem por meter a bola

que em tempos era de sola

na baliza do adversário

para que aumente o salário


Golo! Gritam os adeptos

que não recusam afectos

cada vez que lá enfiam

e assim se agraciam

pois o tal esférico

que não tem nada de pindérico

quando conseguem fazê-lo

podem servir de modelo

no cubículo que é alheio

se acertam em cheio

dão largas à fantasia

não escondem a alegria

rebolando-se no relvado

com certo ar desvairado

beijando a camisola

mostrando ser gabarola

correndo desenfreados

coitados


O pior vem porém

porque nem tudo corre bem

quando o árbitro apita

e marca falta desdita

injustiça! Malandrice!

mas que grande pulhice

não aconteceu nada disso

já lá faltava o enguiço

foi tudo bem ao contrário

e aquele grande ordinário

do juiz, o desgraçado,

vê-se que foi comprado,

ouve o que não se diz fora

mas mesmo assim não cora

pois é esse o seu ofício

e há que fazer sacrifício

para bem do futebol

que dá bastante carcanhol


Por vezes não só das bancadas

bem lotadas

ressaltam os impropérios

sem critérios

os jogadores mal formados

enganados

pelo contra-tempo raivosos

nervosos

mimam sem se conter

por vezes até com prazer

e fazem ao árbitro gestos feios

sem ter cuidados com os meios

e o pior é quando se excedem

e não medem

o tamanho dos dichotes

e que até saem a potes

e entram noutros confrontos

ainda muito mais tontos

que deixam marcas visíveis

horríveis

no corpo do julgador

que horror!

bem pagam por isso os tolos

que nem lhes valem os golos


Ganham muito os jogadores

os senhores?

seguramente que sim

pelo menos alguns, enfim

p’ra quem não gastou pestanas

bem podem cantar hossanas

deviam ficar calados

os famosos, deslumbrados

porque para simples mortais

têm benesses demais

por muito que lá no fundo

se julguem o centro do mundo



Será que tais honrarias

de todos os dias

são merecidas?

bem lambidas

neste mundo de injustiças

e de cobiças

de tantas desigualdades

maldades?

ninguém nada estranha

neste mundo de manha

é tudo tão natural

tão banal

que até os pobres de Cristo

já nem fazem registo

de tais populares figuras

que exibem grandes farturas

e vivem como nababos

fazendo inveja a diabos

olhando p’ra baixo o mundo

não sabendo que no fundo

se abrem a boca sai asneira

o que se não causa poeira

pelo menos incomoda

por muito que faça moda



O reverso da medalha

que geralmente não falha

é quando perdem sem jeito

que os faz baixar o peito

e de melhores do mundo

descem bem até ao fundo

passam a ser os piores

e desmerecem favores



Se algum bom senso tivessem

e as honrarias merecessem

quando bem lá no alto estão

pediriam perdão

demonstravam só modéstia

nem que fosse só uma réstia

ao espelho se olhavam

e choravam



Afinal neste País

há muita gente que o diz

os três efes estão em cima

e recebem toda a estima

dos portugueses de gema

como delícia extrema:

Fátima, fado e futebol

e não põe mais no rol



De igual forma os tais “heróis”

terão tempo para depois

mesmo tarde constatar

que foi curto o tempo para jogar

porque a idade não perdoa

por muito que isso doa

e se no auge houve fartum

não foram guardando algum



Passada a época boa

quando têm baixa a proa

contam os tostões na carteira

e choram a grande asneira

de quando jorrava a torneira

não se terem precavido

deixando cair no olvido

conselhos de quem sabia

e lhes mostrava a fantasia

da vida fácil de então

reinação.

Agora é tarde para ira

por tudo que foi mentira



Mas vistas melhor as coisas

mirando gentes vaidosas

que por aí se pavoneiam

e bem estar alardeiam

não será que também esses

descuidem os seus interesses

e fiquem iguais aos “putos”

que aí andaram aos chutos?







Quem anda contente com o mundo,
os que não querem ter razão de queixa do ambiente que os envolve,
quem nunca sofreu um desgosto ou nunca sentiu o peso da doença,
quem se esqueceu de um mau passado e não se preocupa com o amanhã,
quem não encontra razões para se sentir desconfortável,
quem encolhe os ombros a tudo que se passa, perto ou longe da sua existência,
quem mantém permanentemente um sorriso, até mesmo nos funerais ou a assistir a um dramalhão,
quem é assim, desta forma, existe de facto?

Se sim, só pode ser um indivíduo que, desde que nasceu, não pôs os pés na terra.
Pertence a outro mundo.
Desconhece tudo o que se passa por aí, ao pé da porta ou lá muito longe.
Não liga às notícias.
Numa palavra: é alguém que anda nas nuvens.
Provavelmente nem existe, será uma espécie de fantasma.

BURROS


Ter sempre razão
É tão doentio
Como a discussão
Vem do mau feitio

Não saber ouvir
Fechar-se ao diálogo
É como cair
Num triste monólogo

Aqueles que insistem
E são tão casmurros
Enfim, não desistem
O que são é burros

E mesmo na hora
De partir p'ra outra
Se já estão de fora
Dizem que estão noutra

Se fica p'ra trás
O mal que foi feito
Já tanto lhes faz
Estão noutro pleito

Mas nada já muda
Seguem sem razão
Até sem ajuda
Têm ares de leão

São burros, são burros
Dizem os sensatos
Mas eles dão urros
E chamam-lhes chatos

Então na política
São mesmo teimosos
É a ver quem fica
Sempre mais vaidosos

Quando muda a coisa
Outros lhes sucedem
P'ra partir a loiça
Licença não pedem

O povo assim fica
A chuchar no dedo
E já nem critica
Tem medo, tem medo

Na vida, afinal
Quem ganha tem lata
Meter não faz mal
Na poça, a pata

Os burros quem são
Pergunto por fim
São os que no chão
Dizem sempre sim

Burros, pobrezinhos
Nobres animais
Esses, coitadinhos
Não são seus iguais

HAJA UNHAS!...


Parece que são quarenta mil, segundo números de alguns que também não sabem ao certo quantos serão. Refiro-me à quantidade de carros pesados de transporte e de aluguer que, há já alguns dias, têm estado a fazer parar o País e dominam a situação como se não houvesse outra autoridade legal para regular a livre circulação de mercadorias dentro de um País.
É esta a situação cá na Terrinha e, mesmo que igual situação esteja a ocorrer em Espanha, com o mal dos outros podemos nós e os maus exemplos não têm que ser seguidos, porque se assim fosse, então as boas medidas que são tomadas para além fronteiras também deveriam ser tomadas por cá. E todos sabemos que não é isso que se passa. Para além de tal situação, aqui ao lado os espanhóis não se ficaram e as autoridades estão a actuar, até com a violência que se impõe, contra os grupos empesariais privados de transporte pesado de mercadorias.
não deixando que esses agrupamentos impeçam que os transportadores que não aderem ao bloqueio sejam obrigados a seguir a forma de actuar de uns tantos.
O que é facto, porém, é que, perante tamanha prepoptência de uns tantos, o esgotamento de produtos nas lojas, especialmente nos grandes centros comerciais, a secagem completa dos combustíveis nas gasolineiras, até mesmo as razões de desculpa que logo surgiram para a falta dos trabalhadores aos seus trabalhos – sobretudo os que moram longe dos locais de actividade profissional e têm deficientes transportes públicos -, tudo isso acrescido dos “feriadozinhos” que tanto jeito dão para logo formar as “pontes”, face a esta situação, o País, que se encontra no estado económico que dá horror pensar no que virá por aí dentro de pouco tempo, deixa até agora cair os braços e espanta-se perante o ar indiferente dos governantes que nem quiseram deixar passar o Dia de Portugal – com aquele enorme gasto em combustível para mostrar um desfile militar, e que, até agora,“meteu a viola no saco”, vai assobiando para o lado, finge que não é nada com ele e espera para ver… Esperemos que se canse de ser inoperante!... E o também horroroso de tudo isto é assistir-se ao desperdício de material comestível que, entretanto, se estraga,com tanta fome que anda por aí!...
Governo? Pergunto eu? E as Oposições? Será que elas existem? Alguma apareceu a apontar uma solução possível, de molde a pôr fim a esta calamidade que, ao fim e ao cabo, é toda proveniente do mesmo: da exploração desenfreada dos países produtores de petróleo, que esfregam as mãos de contentes pelo avolumar de fortunas que, no fim, caem todas nas tais mesmas mãos, pois que se tratam de famílias políticas, coroadas ou não, que dominam os poderes públicos nas zonas onde os poços brotam o precioso líquido e onde também as companhias poderosas têm todo o poder.E, entre todos dividem os milhões que já nem sabem o que lhes hão-de fazer. Tudo, com a maiormindiferença em relação aos muitos e muitos milhões de seres humanos que vão definhando por esse planeta fora. Sim, porque digam lá o que disserem, a razão de base de tudo isto reside nas criminosas subidas de preço dos tais combustíveis. E, por isso mesmo, as astronómicas subidas dos custos das operações industriais e comerciais de todas as espécies de mercadorias e, consequentemente a iimpossível manutençãos dos preços dos produtos das mais variadas espécies, torna que o nível de vida da maioria da população mundial vá caindo cada vez mais. E rapidamente.
Este é o mundo em que vivemos. O tal que foi criado, desde o seu início, por mãos milagrosas, conforme as origens das crenças. E, seguramente com boas intenções.
Mal comparado, ao fim e ao cabo passa-se com o problema dos combustíveis um pouco como com um outro, também bastante complicado de se resolver, que é o das drogas. A escolha é simples: ou todos os países do mundo actuam em uníssono, com um comportamento rígido no capítulo da extracção e no controlo dos preços, tudo seguido com a maior rigidez e sem permitir excepções, ou pratica-se a liberalização absoluta, em que cada extractor e cada companhia exploradora actua de acordo com os seus interesse particulares e, nestas circunstâncias, o mais previsível é que acabe tudo num grave conflito mundial, com as consequências que os que passaram já por uma situação dessas conheceram na pele. Também o manter-se um sistema de acordos tipo OPEP ou outro, em que os componentes se beneficiam mutuamente sem olhar a consequências externas, não é solução desejável. Porque é isso que sucede agora.
Mas, falando apenas no caso português, se bem que se espere que a breve trecho os senhores que nos governam não tenham outro remédio que não seja encontrar uma forma de acordo que satisfaça nem que seja medianamente os contendores (e isso, obviamente, só de mãos dadas com os espanhóis do sector) mesmo que seja por breve tempo, ou enterramo-nos todos no lodo que já anda por aí a fazer das suas até numa determinada camada de cidadãos de médio nível de vida (porque os de baixa, esse já estão afogados há excessivo tempo). É um belo panorama este que nos aguarda!...
Menos mal que ainda está vigente, não se sabe por quantos dias, esse campeonato europeu de futebol. Que, por sinal, até agora nos tem corrido de feição. E enquanto houver unhas para roer, lá se vai entretendo o estômago!... Mas ficamos satisfeitos só com isso?

terça-feira, 10 de junho de 2008

AS FLORES


De tantas coisas que a Natura cria
De todas distingo primeiro as flores
São belas, vistosas, grandes amores
Trazem esperança, dão alegria

Caminhar ao Sol em campo de flores
Será talvez andar no paraíso
Nada melhor que abrir um sorriso
E extasiarmo-nos com suas cores

Mas é no chão, onde as flores nasceram
Onde caiu, germinou a semente
Que desabrocharam e cresceram

Em que o Criador lhes disse quem eram
Qual é o seu lar, o seu ambiente
Não em jarras, que as não mereceram

A CRISE!...




Ouve-se, com frequência, alguém recomendar que devemos cultivar um espírito optimista em relação ao momento que se atravessa. Que temos de ter fé no futuro, que outros dias virão que farão esquecer o mau momento económico, financeiro e até mesmo político que somos forçados a cruzar nesta altura. Que se não formos nós próprios a alimentar tal esperança a queda será ainda mais rápida e muito mais sentida. Alegremo-nos, pois. Façamos as nossas orações aos santinhos da nossa devoção, alimentemos toda a convicção de que o nosso clube de futebol é o melhor do mundo, continuemos com a paixão que está enraizada sobretudo nos lisboetas em relação ao fado. Esses são os três remédios caseiros que, por cá, se vêm praticando desde tempos antanhos e, pelos vistos, lá foram dando os seus resultados se levarmos em consideração que Portugal tem resistido ao longo dos séculos de uma existência arrastada.
Este preâmbulo, mesmo que eu não o quisesse introduzir, tinha de servir para justificar a pouca confiança que me envolve de que já não será no meu tempo que vou assistir à volta de 180 graus que este País necessita de dar para sair da situação a que chegou hoje. E marco a data para não deixar dúvidas: 10 de Junho de 2008.
Cumpriu-se hoje mais um aniversário do chamado Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. E marcou-se a data tendo sido escolhida a cidade de Viana do Castelo, também para honorificar figuras escolhidas como exemplos de portugueses que fizeram obra que justifique tal distinção.
Como é habitual, o Presidente da República fez o seu discurso e, tratando-se de Cavaco Silva, aproveitou para fazer alusão do momento difícil que se atravessa. Fê-lo bem. Mas também não é desta matéria que vou ocupar este espaço. Quero referir-me à crise grave que cruza o nosso País – e não só este, verdade seja dita – e sinto a tentação de me atrever a deixar alguma nota, necessariamente breve, e bem podem dizer o que disserem e escrever o que escreverem os comentadores dos blogues, sobretudo os “valentes” anónimos, alegando que se não resolvem os problemas desta forma mas, julgo eu, pelo menos, talvez possam fazer pensar quem não se encontrava na disposição de parar para tentar dar uma ajuda, seja ela qual for. E quantas vez também conta e muito a intenção!
No que me diz respeito tenho a minha opinião. E, se é verdade que, na nossa Constituição não cabe ao Presidente da República interferir no sentido de tomar medidas para solucionar certos erros da governação – o único que pode fazer é “despedir” o primeiro-Ministro e mesmo assim com condicionantes – quando as coisas atingem um ponto tal que é palpável o mau viver da população mais atingida, se não derem resultado as conversas íntimas e semanais que as duas figuras mantêm, não ficará mal que o chefe do Estado salte a lume, através dos meios e comunicação disponíveis, e mostre a sua opinião, cautelosa como é natural, mas em que não fique, pelos menos, conivente com os erros crassos que, com excessiva frequência, são evidenciados por alguns membros da governação e não é visto, por parte de Sócrates, neste caso, uma admoestação clara e firme. No caos do ministro Manuel Lino, por exemplo, ultrapassa tudo o que é natural suportar; mas não só!
Quando numa casa falta o pão, o que se começa a fazer é economizar em tudo que é superficial e, se isso não chega, que vão os anéis e fiquem os dedos. Ora, é sabido que, por Portugal fora – sobretudo em Lisboa – estão vagas inúmeras casas e andares, que foram ocupadas por repartições públicas e que neste momento não têm utilidade, As Juntas de Freguesia podem indicar centenas delas. Por que não são libertados esses encargos? E, no capítulo das viaturas que estão disponíveis para certos cargos – não totalmente superiores -, com os respectivos motoristas completamente à boa vida, quando, como eu já referi em tempos até numa crónica no “Diário de Notícias”, o que devia ser criada era um local de orientação dos automóveis ao serviço do Estado e, com excepção dos ministros e secretários de Estado, todos os restantes funcionários superiores, com direito a uso justificado de transporte oficial, teriam que requisitar o carro que fosse com o condutor que calhasse, não havendo nada fixo atribuído a ninguém. Imagine-se, só aqui, a economia que representava esta medida.
Se se juntasse a esta posição, a venda de todos os edifícios públicos menos necessários – por exemplo, todos os ministérios que se encontram no Terreiro do Paço (e aqui colocados hotéis de 7 estrelas), criando movimento e alegria turística no local – o que representaria como entrada de fundos nos cofres do Estado.
Mas isto representa apenas uma pequena amostra do imenso que a imaginação de governante com boa cabeça poderia pôr em prática. Fala-se agora de um comissão (?) criada na Câmara Municipal de Lisboa para aproveitar o enorme espaço à beia-rio Tejo que tem estado desperdiçado há centenas de anos. Há quem acredite que existe capacidade de fazer tal trabalho, depressa e bem? Eu não deixo de ter dúvidas quanto a ver os resultados. E cá sei porquê!
Fico-me por aqui neste blogue que tem como tema A CRISE.
Quem me dera passar de pessimista a crente na capacidade dos homens que são escolhidos para exercer funções de enorme importância. Mesmo que eles surjam com o carimbo de que não querem ser pagos por isso! Uhm! Galinha gorda por pouco dinheiro!...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

ÁGUA



Já cá estavas quando eu nasci
bebi-te ainda sem saber quem eras
terei gostado, sim, gostei deveras
matando a sede, por isso sorri

Ó água pura que ainda existes
nem nisso pensam as gentes de hoje
se algum dia esse bem nos foge
será então que ficamos mais tristes

E esse dia terá de chegar
mesmo dizendo não os optimistas
é preciso não desviar as vistas
do mal que poderá todos matar

Água salgada, essa aumentará
mas tirar-lhe o sal é difícil cousa
na terra a que ainda repousa
virá o dia em que acabará

A Igreja chama-lhe água benta
e com ela baptiza as criancinhas
serão elas talvez, as pobrezinhas
que terão de enfrentar tal tormenta

É ainda o líquido precioso
que tem servido para enganar
misturado no que se vai provar
pois é vício deste mundo enganoso

E na vida faz bem ter certa fé
é bem bom acreditar no que seja
e em vez de água beber cerveja
como em seu lugar tomar água-pé

Mas para ambas é essencial
essa água que não pode faltar
da mesma forma que não haver ar
é morte certa para qualquer mortal

Mas será que neste mundo em mudança
onde tudo se inventa cada dia
alguém conseguirá a utopia
de atingir a bem-aventurança?

Não sendo a água já tão necessária
ficamos nesse caso descansados
temos de olhar para outros lados
para outra coisa também primária

Porque não acabam as aflições
excesso de gente causa problemas
e serão tais os vários dilemas
que o melhor é não ter ilusões

domingo, 8 de junho de 2008



Quantas vezes penso se devo ou não ocupar algum do meu tempo a recordar acontecimentos ocorridos comigo e cujo meu comportamento não terá sido aquele de que eu gostaria de guardar na memória, como podendo constituír algum perdão que aliviaria azedumes naqueles que se movimentaram e movimentam à minha volta.

Fecho os olhos, regresso a períodos passados, sobretudo aos mais antigos, relembro passo a passo, o que ouvi e o que respondi, o que me maguou e aquilo que constituiu a minha parte como controvérsia. Procuro sentir o ardor do azedume que atingiu o meu ser naqueles instantes. E faço essa espécie de peregrinação ao passado.
Mas a dúvida assalta-me constantemente.

Procedi do melhor modo, mesmo mantendo ainda a ideia de que a razão se encontrava do meu lado? E estava?
Trata-se de um exercício doloroso. Sobretudo porque o que acompanha a reflexão sobre os acontecimentos vividos é o sentimento do excesso. Já não é o apurar quem estava no lado certo na altura em que se levantou a questiúncula. Provavelmente ninguém.
Se esse regresso a momentos passadas servisse para alguma coisa, no que se refere a aalteração de procedimentos futuros, então tais reflexões teriam alguma justificação? Mas, de facto, serve?
Dentro de pouco tempo, por um motivo fútil, por uma questão que nem merece o tempo de ser relatado, volta tudo ao mesmo.
O Homem é um ser sem emenda.

Por isso, a certeza aboluta de que há santos, essa ninguém tem!

Chegar a esta conclusão já não é um mau exercício!

sábado, 7 de junho de 2008

STANLEY HO - uma história verídica!


Agora, que me surgiu na ideia recordar acontecimentos que se passaram comigo e que, se não fossem relatados, acabariam por ficar guardados no baú dos tempos, também numa altura em que não encontro motivo para levar para o outro mundo cenas que, mesmo sem excessiva importância, não têm razão para não serem divulgadas, irei relatando, volta não volta, uma ou outra circunstância que, por azar das coisas, me coube a mim ter vivido.
Quem tem ideia do que foi o percurso da minha existência sabe que eu sempre andei por aí, dei-me com este e com aquele, colhi ensinamentos nos mais distantes lugares do mundo e também sofri desilusões. E sempre no exercício das minhas funções de jornalista.

Já me têm desafiado a escrever a minha biografia, mas, conforme parece que já também o disse antes, considero que apresentar por ordem cronológica, passo a passo, eventos que ocorreram comigo não provocará grande interesse nos que lêm.. Querem lá saber os eventuais leitores das histórias dos outros, o que fez um indivíduo num dia e como se levantou no que se seguiu. Por isso, à medida que julgue poder ser oportuno, aproveitarei estes blogues – e para alguma coisa podem servir – para contar historietas que foram vividas. E, todas com uma certeza: nenhuma é produto da imaginação.
Pois esta, que envolve uma figura que hoje é muito conhecida entre nós, a do magnate de origem chinesa de nome Stanley Ho, ocorreu comigo. E ainda estão vivas pessoas que sabem que as coisas se passaram como eu as vou contar.
Na altura em que eu exercia as funções de director do semanário “o País”, em pleno período de êxito dessa publicação, exactamente pela seriedade que punha nas acções que desempenhava, falava-se muito por cá do “chinês”, entre outras razões por ser o proprietário do Hospital Particular, que ele mandou erigir por razões que não vêm aqui ao caso, mas que talvez um dia alguém se lembre de referir. E também havia outro motivo que contribuía para a divulgação desse oriental de que poucos conheciam o nome: é que era o proprietário e explorador do jogo em Macau, actividade que o tornava num extraordinariamente rico macaense. E, ainda que com dificuldade, o seu nome começou a ser soletrado por cá: Stanley Ho.
Foi esse o motivo por que, conhecendo eu casualmente uma jovem que exercia em Lisboa as funções de uma espécie de secretária para os assuntos que o ligavam à capital do nosso País, lancei o pedido para, um dia em que o magnate nos visitasse, o pudesse entrevistar, pois que me constava que o homem não se encontrava muito satisfeito com a forma como estavam a ser tratados oficialmente os seus investimentos lá por Macau. As queixas voltavam-se contra o então governador daquela província ultramarina, como eram, nessa altura, considerados os territórios fora do Continente lusitano. Pouco passava ainda do 25 de Abril de 1974.
Tinha sido nomeado pelo M.F.A., governador daquele território, o coronel Garcia Leandro que, segundo tudo indicava, levava instruções para entregar o território macaense aos chineses. Só que, também se dizia, o Governo da China deu a resposta que quando achasse oportuno que tal sucedesse, seriam eles próprios a manifestar-se.
O ambiente em Macau, portanto, não era muito amistoso em relação aos capitalismos. E Stanley Ho pagava por tabela essa animosidade.
Pois, face ao meu interesse em entrevistar o “chinês” da altura., vi satisfeito tal interesse profissional. E, num domingo, encontrava-me eu a passar um dia de piscina no Hotel Estoril-Sol, sou surpreendido ao ser chamado ao telefone nessa tarde de pleno sol. Não podia calhar pior aquela interrupção de um aprazível momento de repouso, mas, segundo a minha interlocutora telefónica, ou seria nessa altura ou poderia não surgir outra oportunidade. Só que eu encontrava-me com a minha mulher e com um casal amigo, o então director-geral de Turismo em Portugal, dr. Cristiano de Freitas. Foi-me dito que não havia problema, pois o desejado entrevistado, que partia no dia seguinte, nos receberia a todos em sua casa, em Cascais.
Não havia, pois, outro remédio. E lá partimos todos para um trabalho que me cabia fazer. E surgiu-nos à porta de sua casa um homem alto, magro, de faces orientais, com uns simples calções e alpargatas, que ofereceu a sua casa para podermos executar a tarefa que interessava a todos. Pelos vistos, percebi depois, mais a ele até do que ao jornalista.
As senhoras foram encaminhada pra uma sala onde a sua mulher jogava Mah -Jong com umas amigas, O Cristiano – que ele teve muita honra em receber dada a sua posição elevada no Turismo Português – assistiu a toda a conversa, que se tratou mais de um caudal de queixas por parte do entrevistado do que, propriamente uma sequência de perguntas e respostas, até por que, na verdade, a ignorância da minha parte, no que se referia aos problemas que se passavam por lá, não me deixava grande margem de manobras.
O que é facto é que saí de Cascais bem fornecido de material e prova de que, na verdade, Stanley Ho estava aq ser sistematicamente impedido de efectuar investimentos na zona macaense e, segundo o queixoso, até estava aq ser ameaçado de lhe ser retirada a licença de exploração do jogo no Hotel de Lisboa.
Abro aqui um parêntesis, para confirmar que, numa entrevista que tive ocasião de fazer mais tarde ao empresário de petróleos Manuel Bullosa, este me confirmou que Garcia Leandro o teria consultado sobre a eventualidade de substituir o chinês, só que ele recusou, alegando não ser perito nesse tipo de negócios. Só conto o que me disseram, de um e de outro lado, e não posso pôr as mãos no lume por nenhuma afirmação.
Na altura dos acontecimentos e em face ás várias páginas que “o País” foi dedicando ao tema –que, jornalisticamente, era, de facto, importante -,cheguei a ser acusado de estar a receber “boas maquias” do magnate chinês. Pois bem, o único benefício que obtive foi a oferta de uma viagem a Macau, que foi extensiva ao dr. Cristiano de Freitas (que aí está, felizmente vivo, para poder testemunhar toda a verdade), visita essa, aliás, que para mim nem constituía novidade, pois tinha estado naquele território em duas ocasiões anteriores.
Stanley Ho, que sempre falou connosco em inglês, ofereceu-nos um jantar no seu barco-restaurante de nome Jumbo, em Hong Kong e, no dia seguinte, um almoço na sua casa no alto da mesma cidade. E forneceu mais material de prova de que o governador, ao saber que ele me tinha convidado para efectuar aquela visita – disse-me o próprio investidor chinês – ainda o castigava mais do que antes.
Mas, de todo este folhetim, o que posso eu considerar que resultou num benefício para Portugal – dado não ser outro o meu interesse em toda a matéria? Aqui deixo o meu veredicto:
Durante o almoço e na presença do dr. Crstiano de Freitas, Stanley Ho declarou com todo o ar solene, que a não terminar imediatamente aquilo que ele considerava ser uma perseguição de tipo pessoal, ele retiraria todos os investimentos que tinha feito em Portugal e não aplicaria nem mais um centavo em terras portuguesas. Já tinha destino para canalizar os milhões de dólares de que desejava desviar para o nosso País.
Foi uma sobremesa que nos caiu bastante mal e não consegui desfazer a ideia que parecia ter sido tomada com total convicção de que não havia outro passo a dar.
E assim regressei a Lisboa e, nas páginas de “o País”, ainda lancei mais algumas achas para a fogaça, dando seguimento a provas que ia recebendo de Macau.
Até que, não passando muito tempo, recebo um dia um telefonema do Presidente da República, General Ramalho Eanes. E a pergunta que me fez foi apenas esta: “Tem provas de tudo o que tem saído no seu Jornal sobre o caso de Macau?” Respondi com a mesma clareza: “Não publico nada que não seja sujeito previamente à demonstração da verdade. Poso garantir que tenho elementos em meu poder que suportam as afirmações que têm sido feitas!”
O Presidente só quis saber se eu estaria disposto a receber no meu Jornal o general Melo Egídio e a mostrar-lhe todos os elementos que possuía. E, em termos de “off record”, comunicou-me que seria este militar que iria substituir o coronel Garcia Leandro.
Fomos almoçar a um restaurante do Bairro Alto e eu entreguei ao general todo o manancial de provas que me tinha sido facultado por Stanley Ho. Passado pouco tempo deu-se a substituição dos responsáveis na governação de Macau. E a minha participação acabou aqui.
E só a título de esclarecimento: nunca recebi de Stanley Ho o mais pequeno agradecimento, por todo o meu empenho em não se perder para outro País aquilo que me foi ameaçado que sucederia se as coisas se mantivessem em Macau como ocorria naquela época de tanta queixa do “chinês”.
O Casino Estoril progrediu ao ponto que se conhece agora. O Casino de Lisboa constituiu outro investimento de vulto tal qual se encontra na situação actual, até com o apoio que os Governos de Lisboa têm dado quanto à propriedade do terreno na Expo. Ainda bem.
Mais uma vez se provou que a tese do “homem e as circunstâncias” muitas vezes produzem grandes feitos.
Eu assisto de longe. E agrada-me saber que um homem que poderia ter sido condenado a viver no Brasil, quando para lá partiu depois do 25 de Abril, hoje beneficia das vantagens resultantes de o investidor macaense que esteve a dois passos de ir pôr os seus dinheiros noutras paragens longínquas, ter acabado por optar por Portugal.
Vale a penas, por vezes, ter destas satisfações!...

sexta-feira, 6 de junho de 2008

DESENCANTO...POR ENQUANTO!

Ao relembrar todo o meu longo passado, a caminhada percorrida até aqui desde que era a criança sonhadora, contemplativa, que fabricava na cabeça o futuro cor-de-rosa sem abandonar as obrigações do presente de então, ao dedicar-me a todo esse extenso e cansativo exercício não sei, francamente, se acabo por concluir que daí poderia sair alguma coisa de útil, de positivo.
Perante a estafa que constituiu essa minha desfilada, com encantos e desencantos, não sei avaliar se, com uns e com outros, me apeteceria voltar atrás. Começar tudo de novo. Teria chegado hoje a um resultado apetecível??
Por agora, prefiro esgotar o tempo que me resta. E admitir que algo de aceitável ainda poderá surgir. A esperança, por pouca que seja e que morrerá no mesmo momento em que isso me acontecer a mim, não fica para contar seja o que for. Nem sequer contribuirá para sustentar esta insatisfação que não me deixa.





VERGONHOSO

Eu olho envergonhado em meu redor
Não encontro resposta p’ro que vejo
O mundo estava mal, mas está pior
É o que penso, digo-o sem pejo

O Homem faz guerras, uma vergonha
A inveja atingiu um grau maior
O ambiente está uma peçonha
Não se consegue ir para melhor

Envergonho-me, sim, do ser humano
Tratou-se por certo de um engano
Não foi para isto que foi criado

Assim, tenho de achar vergonhoso
E não poderei encontrar repouso
Se não se emendar o que está errado




PITEIRA SANTOS E ALEGRE




Já que estou numa fase de referir acontecimentos que se passaram comigo - alguns, claro, os menos comprometedores - e falei em duas figuras de grande destaque do nosso ambiente político que fazem parte do meu imaginário e pertenceram ao meu convívio, considero oportuno referir-me ainda a Fernando Piteira Santos e também, de novo, a Manuel Alegre. O primeiro, com grande desgosto o refiro, já longe do nosso convívio e o segundo, que goza do privilégio de se mexer e bem, com a idade e com o prestígio que lhe pemitem até cometer algum que outro deslize. Mas sempre igual a si mesmo.

Quanto ao Fernando, conhecemo-nos por volta do ano de 1952, quando surgiu em Portugal um brsileiro que se anunciava como mandatário de um grupo oriundo do Brasil que pretendia lançar entre nós uma revista cujo estilo era inédito por cá. Uma publicação a cores que focasse o tema da vida em sociedade, no campo das modas, dos lançamentos de produtos, das viagens e, no meio de tudo isso e um pouco à socapa, também mostrando o estilo de vida que se levava em Portugal, com o cuidado necessário para que a Censura se deixasse iludir pelo género ligeiro da revista. Chamar-se-ia "Mundo Ilustrado" e o director já escolhido pelo brasileiro, com a esperteza suficiente para ser alguém aceite pela Censura - que tinha sempre de dar o seu aval a tal responsável -, era o Norberto Lopes, jornalista conhecido, então chefe de Redacção do "Diário de Lisboa", amigo pessoal do ministro do Interior da época Trigo de Negreiros mas, apesar disso, não conotado com a situação política da época. Era o que se chamava, para além de grande profissional e de indiscutível mestre dos neófitos dos jornais, um profissional à moda antiga, daqueles que ainda trazia o almoço numa pasta e na lancheira, que comia logo que a edição do "Diário de Lisboa" saia para a rua, o que se passava por volta das 14 horas.

No caso do Piteira Santos, que eu acabara de conhecer, soube que aceitou o cargo de chefe de Redacção do "M.I." e que tinha saido naquela altura do Partido Comunista, numa guerra que não vem aqui ao caso referir e que bem poucos conhecem os verdadeirios motivos da recusa de Álvaro Cunhal em ter como camarada um intelectual da craveira superlativa que lhe faria grande sombra no Partido. Mas há várias verdades a pretender confirmar este caso.

A minha participação ficou a dever-se à casualidade de estar a dirigir a secção de publicações estrangeiras da Livraria Bertrand, em que mantinha grande contacto com o meio jornalístico e de escritores daquela época - nunca esquecerei o muito que aprendi nas lições que ouvia de Aquilino Ribeiro, no Café Chiado de então -, e, por esse motivo, entrei no grupo do brasileiro e passei a acumular trabalho, tanto da Bertrand como na Revista.

Mas deixemos passar os anos, vários, e a minha actividade jornalística seguiu o seu caminho, ora na Imprensa existente - e foi vária - ora por iniciativa própria com jornais e revistas que fui criando, sempre procurando equivar-me à Censura que tudo fazia para me criar impedimentos.

Pois foi numa dessas ocasiões, em que eu tinha criado e dirigido uma publicação que tinha o nome, propositadamente de ar capitalista, que se chamava "Mundo Financeiro". Durante todo o meu percurso, que foi extenso, o Fernando Piteira Santos sempre me foi acompanhando, melhor dito ajudando, com a sua sensatez e o seu saber.

Até que um dia de semana, por volta das 4 horas da tarde, surge-me ao telefone a sua voz. Pedia-me ajuda.

Nessa altura tinha um velho carro, mas que se portava bem. Lá fui ver o que ocorria com o meu Amigo. Fi-lo entrar na viatura e fomos para Monsanto para pôr a conversa em ordem e em sossego.

De que se tratava? Nada mais nada menos de que ele, que residia na rua Frei Amador Arrais, uma transversal com a avenida de Roma, ao dirigir-se a casa conseguiu ver à distância um agente da PIDE que ele já sabia que o andava a perseguir. E cheirou-lhe logo que daquela não passava! Que fazer então, naquelas circunstâncias?

Acontecia que eu, naquela época tinha conhecido casualmente uma senhora, muito entroncada com o que hoje se chamaria de "jet set", mulher divorciada e com posses, mãe de filhos já mais velhos do que eu, mas que se tinha metido na cabeça que eu poderia fazer parte do seu naipe de amores. E tudo tinha feito para me convencer do que dizia ser a sua "paixão". E, numa das suas fúrias amorosas, levou-me, com ar ingénuo, a ver um apartamento que tinha vago alí para os lados do aeroporto de Lisboa.

Pois, em tão aflitiva situação, não me veio à cabeça outra coisa que não fosse tirar partido da oportunidade que me tinha sido oferecida. E, arrepelando-me todo pela falcatrua a que tinha que deitar mãos, comuniquei com a quela minha amorosa perseguidora e propus-lhe aceitar o seu amoroso convívio a troco de me deixar ficar um amigo que estava em dificuldades (não lhe disse quais) e, logo depois da sua partida, então chegariamos a vias de facto.

Desconfiou. Estranhou eu dar coito a um amigo. Não seria uma amiga? Soube mais tarde, porque o Fernando contou-me o episódio por correspondência que me chegava via Paris, que a mafarrica chegou a ir bater à porta para se certificar se não seria uma fêmea que eu lá tinha colocado. Quanto a este assunto, não cabe aqui acrescentar mais qualquer pormenor.

Basta que diga que, por me ter desinteressado daquele drama amoroso logo que o Fernando partiu para a sua aventura polítca, a infeliz criatura, que era amiga de um inspector da PIDE, tendo-me obrigado a contar-lhe alguns pormenores da personalidade que eu tinha protegido no seu apartamento, denunciou-me. E isso custou-me a cadeia, com prolongamento doloroso para me obrigarem a denunciar o local para onde o Piteira Santos tinha fugido, o que eu , naquela altura, desconhecia, pois ele apenas me deixou, repentinamente, um bilhete reduzido a 2 linhas, em que informava que, logo que possível, me informaria de tudo.

Meses depois e, a partir daí com alguma regularidade, passei a receber correio dele dentro de um sobrescrito que era metido num outro maior, que uma companheira de Paris me fazia chegar. E as respostas seguiam a mesma norma. As coisas a que as perseguições políticas nos obrigavam a recorrer e que hoje, os que passaram a usufruir das regalias do 25 de Abril - já lá vão 34 anos, mais uns tantos que são necessários para dar maturidade aos cidadãos - não têm a menor ideia, foram, de facto, de estilo cinematográfico.

Mas, falando de Manuel Alegre, volta não volta lá surgiam notícias, via Piteira, do seu companheiro que também tinha escolhido a Argélia para seguir o seu caminho político.

Por aqui, os que tiveram paciência para seguir este episódio, retirado de um montão de acontecimentos que qualquer de nós dessa época e que não andámos indiferentes às ocorrências políticas tem para relatar, podem ficar com uma ideia do que foi então a nossa vida.

Fazem-se hoje greves? Há, por aí, uns vários gritadores de direitos dos que se chamam democratas. Eu, por mim, que sempre fiz questão de não utilizar andas pra que me vissem bem alto, chego a esta altura, assisto às comendas que são distribuidas às dúzias por tudo que faz barulho (retiro as merecidas excepções) e, sentado no meu computador, vou enchendo blogues... Que mais posso fazer?

MANUEL ALEGRE



Há situações que levam anos até serem contadas e às vezes acabam por ficar esquecidas no tempo sem nunca surgirem à luz do conhecimento alheio. Também, verdade seja, um grande número desses episódios nem merecem passar do meio onde os mesmos ocorreram. Eu que possuo um manancial de histórias que, pelo menos a mim, me marcaram profundamente, por vezes sou tentado a trazê-las à flor da divulgação. Mas, pensando bem, acabo por não passar ao papel aquilo que me pergunto se, de facto, tais matérias interessarão assim a tanta gente. E acabo por voltar a fazer recolher ao baú das memórias os acontecimentos que, também na verdade, um grande número de gente de hoje nem sequer é capaz de relacionar os intervenientes das historietas com as curiosidades que tiveram lugar em certa altura passada.
Mas hoje, perante a ocorrência que tem sido tão divulgada, do comício que juntou Manuel Alegre a Francisco Louçã, sou levada a não prolongar o perído de escuridão do facto que me inquietou em determinada altura dos inícios da Revolução, mas que, passado todo este tempo, até considero merecer alguma graça.
Devo esclarecer, antes de tudo, que considero o poeta uma personalidade merecedora de toda a minha consideração como intelectual, do maior respeito como homem sério e capaz de levar as suas convicções políticas na direcção do objectivo que o tem orientado e, por fim, um seguro cumpridor dos princípios que defende, os quais nunca o fizeram desviar na busca de posições pesoais mais cómodas (aquela da aspiração à Presidência da República foi uma diletância que muitos têm!). O que não quer dizer que tenha estado completamente de acordo com as formas que tem utilizado para levar a sua àvante.
Esta agora, por exemplo, de ter escolhido o Bloco de Esquerda como apoio para fazer o apelo de "uma maior igualdade social e melhor democracia", que tanta falta fazem em Portugal - estou de acordo -, sobretudo numa fase como a actual em que o Partido Socialista tem vindo a demonstrar um desvio nos princípios de um socialismo democrático que estava nas origens da sua fundação, ter Manuel Alegre mostrado agora necessidade de um ombro do tipo do de Louçã - também excelente cabeça pensante, apoio, mas por vias que não conduzem, a meu ver, para uma união de forças que ltransportem o nosso País para o caminho do progresso (mais tarde explicarei isto com mais pormenor) - esse passo é que não me parece ter sido dado com coerência política maduramente pensada.
Mas a história curiosa que eu tenho retido comigo e que envolve Alegre como protagonista principal, essa julgo que, por o não prejudicar minimamente, poder ser dada a conhecer para além da intimidade que apenas nos envolvia os dois mais Mário Soares.
Era, então, eu director do semanário "o País" e tinha lançado aquele Jornal com a pureza de intenções de manter uma publicação com absoluta independência de ideologias políticas, o que parecia, naquele período logo a seguir ao 25 de Abril, ser o ideal para lançar e estabilizar uma democracia pura de que tanto se necessitava por cás, depois do horroroso período do salazarismo perseguidor dos que não pensassem livremente.
Em "O País" tinha instituido duas colunas, a da Esquerda e a da Direita. Para ocuparem a primeira faziam parte as colaborações de Fernando Piteira Santos, Mauel Alegre e Jaime Gama que, todas as semanas, debitavam alí os seus pontos d vista. Na coluna da Direita participavam Henrique Mendes e Artur Agostinho, ambos já imigrados na Amércia. E assim, parece que com agrado do públio, lá iam correndo as coisas,
Até que um dia, por sinal, na data em que se inaugurou o palácio do Rato com a instalação do PS naquelas instalações, estava eu em conversa com Soares e ouve-se um grito largado do fundo da sala, com aquele vozeirão tão característico do Manuel Alegre, com a seguinte frese: "Oh JOsé Vacondeus, você tem de escolher; ou quer contar com a minha colaboração do seu Jornal ou acaba com com aqueles dois fascistas que você lá acolhe!..."
Ainda guardo uma fotografia do momento em que tal imperativo me foi imposto. Conversava eu com Soares e estava com um copo na mão.Não o deixei cair, olhei para o meu interlocutor próximo e respondi-lhe: "Oh Manuel, isso é muito fácil. Mantenho os fascistas!..." E ficámos todos mudos, incluindo o Mário Soares que, bastante esquecido como costuma ser, provavelmente não lhe vem à memória esta cena.
Passaram-sevários anos. Julgo que trinta. E um dia, num outro cocktail, desta vez num lançamento de um livro, ficámos frente-a-frentem Alegre e eu. E veio a propósito. Perguntei-lhe então: "Oh Manel. Você ainda tem presente aquela cena ocorrida comigo? Mostroou completa ignorância. "Cena?"Fui obtrigdo a relatar-lhe a ocorrência, essa que, por muitos anos que eu viva não me sai nunca da cabeça.
"Mas eu fiz iso?" - Tive de lhe referir pormenores. Mas parece ter acabado por acreditar.
E assim se deu por fim a um sucedido que, ainda bem que houve ocasião para, frente-frente, termos chamado um acontecimento que manchava a boa ideia que eu queria manter sobre um Homem que se chama Manuel Alegre.
E, a propósito do Homem que, lá em Alger, viu um dia passar o vento e lhe pediu notícias de Portugal, deixem-me contar outra história de que também fui protagonista. Virá a seguir.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

COMENDADORES


Ilustres personagens elas são
fazem sempre lembrar as honrarias
convencem-se que não foi por bizarrias
que lhes coube na rifa tal brasão

Um rei, um presidente, tanto faz
acordou de manhã com tal lembrança
ou foi a consorte que com bonança
recomendou alguém como capaz

E assim nasce mais um premiado
é alguém que, de facto tem valor?
será ele quem vai ficar babado

Porque há quem mereça sem favor
que seja e muito bem condecorado
- mas a maior parte comendador?

UNS MORREM, OUTROS TÊM IDEIAS


Quando se chega a uma determinada idade, uma das páginas dos jornais que não se deixa normalmente sem dar uma vista de olhos é a da Necrologia. E não é assim tão raro como isso que não vislumbremos a notícia de alguém, ou que sabemos da sua existência mesmo só de nome ou que conhecemos ainda que sem grande afinidade. E, volta não volta, lá surge a surpresa que nos faz soltar a expressão tão pouco carinhosa:"Olha, este!..."
Porém, com maior raridade e graças a não sermos íntimos de meio mundo, somos apanhados pela amargura de ler o nome e, por vezes, contemplar a foto de alguém que nos deixa uma marca profunda. Esperado ou não o desfecho, mantemos sempre a esperança de que não seja ainda por aqueles dias que o referido amigo parte para a viagem definitiva.
Pois foi agora. O Haendel de Oliveira, jornalista conhecido das lides dos jornais, companheiro a quem prestei ainda algum auxílio físico nas suas deslocações aos almoços da Academia do Bacalhau, não resistiu. E era mais novo do que eu.
Fica-me na memória o nosso antagonismo político, dado ser ele afecto ao regime salazarista, mas, apesar disso, nunca nos confrontámos com base nessa enorme diferença de opções. Não serve de exemplo a nada, mas não deixa de me marcar quanto àquilo que eu sempre defendi: que não é forçoso ser-se antagónico nas preferências, sejam elas quais forem, para se enveredar pela área da inimizade fidagal. Muito gostaria eu de ter sido amigo de Álvaro Cunhal, para podermos discutir, como pessoas civilizadas, os nossos pontos de vista. Já com Oliveira Salazar, tenho a sensação que seria muito mais difícil discutirmos os nossos pontos de vista com total abertura e sem raivas subterrâneas.

Neste mesmo dia em que a amargura de uma morte não me deixa raciocionar com total clareza, leio que o conceituado Daniel Bessa airmou, numa reunião com empresários portugueses, que "a situação no nosso Paós é mais difícil do que nunca". Mas, ao mesmo tempo e no mesmo lugar, em Castelo Branco, o conferencista acrescentou: "o pessimismo é o pior dos pontos de partida" E apresentou a receita para sairmos deste aperto em que vegetamos: "só há uma maneira de crescer, é exportar!..."
E pronto. Aí temos a solução que desconhecíamos. Que nos falta para darmos a volta à situação?

E, já agora, mais um acontecimento daqueles que ocorrem por estes sítios e que não merecerá ser deixado em claro, razão pela que se incluiu neste blogue: o presidente da República atribuiu já e tem em carteira outras condecorações que vão emblemar as lapelas de figuras públicas portuguesas. Para já, Marques Mendes receberá a sua Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique; antigo presidente do PSD e também primeiro-Ministro não podia faltar, mas a lista de honorabilizados não se fica por aqui: António de Almeida Santos, Nascimento Rodrigues, Urbano Tavares Rodrigues, Vítor Baía, antigo guarda-redes do futebol, uma freira, de nome Mafalda Moniz, Luís Andrade da RTP, e vários outros que, numa lista que tem o seu tamanho, tenho receio de deixar passar em branco aluma personalidade que não seja merecedora do lapso.

Aqui temos, pois, uma quinta-feira em que Lisboa se encheu de movimento rodoviário, autocarros e transportes vários transportando grevistas vindos de Norte a Sul para reclamar contra o que muitos não saberiam bem o que seria, mas que se traduzia no mal estar que sentem por viver neste País e por não encontrarem quem lhes garanta que as coisas vão mudar para melhor. Isto, para falar claro, sem "digamos" e sem palavras caras que o Povo não entende por mais que lhes expliquem.
Mais um dia, portanto, a somar a tantos outros. E a seguir bastantes mais surgirão.E nós cá estamos. À espera de quê?

quarta-feira, 4 de junho de 2008

800 MILHÕES POR EXPLICAR!...

Se não existisse aquela Instituição que dá pelo nome de Tribunal de Contas, a pergunta que haveria a fazer era que pior ainda poderia ocorrer neste País onde parece que vivemos num campeonato do engano, a ver quem é capaz de praticar mais falcatruas para meter ao bolso ou desviar em proveito de interesses a que se está ligado o maior número de benefícios que seja possível fzer passar as malhas dos invetigadores. E essa Organização tem um nome que merece todo o respeito: Tribunal de Contas.
Vivemos num sítio -isto pode chamar-se País? -, onde o que constitui matéria de divulgação pública é saber se Louçã tem mais curriculum escolar do que Sócrates, é conhecer se o importante para os alunos serem admitidos na Faculdade de Medicina não é ser-lhes encontrada vocação para exercerem essa nobre profissão de serem médicos ou, pelo contrário, interessa mais que tenham obtido notas altas em disciplinas que nada têm a ver com a cura dos doentes? E, conforme estas questões que se põem assim "à vole de oiseaux", milhentas de interrogações se têm de colocar nos espíritos daqueles que se inquietam com o lento caminhar de Portugal, sobretudo procurando estabelecer a comparação com as marchas apressadas dos nossos parceiros da Europa e, já agora, do mundo.
Cantamos, pois, hosanas a este Tribunal de Contas. E dupliquemos os nossos parabéns, sabendo que o seu Presidente foi lá colocado pelo Partido Socialista, a cujo grupo pertence, e chama-se Guilherme de Oliveira Martins.
A última notícia chegada - e bastantes outras foram divulgadas a seu tempo - foi a de que "a despesa pública aresenta o cenário mais negro" do panorama nacional e que "pagamentos não autorizados e situações de desrespeito à lei são apenas alguns exemplos." e isso ocorreu durante o ano de 2007. Não foi durante a vigência de outro Governo.E acrecsentou o relatório que "na despesa pública, foram encontrados 800 milhões de euros por explicar". E acrecsenta o relatório que há ainda por regularizar cerca de 1600 milhões de euros de desepess efectuadas em anos anteriores.
Não há que ocultar acções positivas de que o Executivo de Sócrates foi autor. Não pretendo fazer o papel negativo daqueles que afimam que os políticos só cometem erros. Nada disso.
Mas o que não deixo passar em branco é a fairmação de que, n situação tão precária em que nos encontramos, não nos podemos dar ao luixo de cometer, mesmo pequenos erros. E, se não pode caber sistematicamente ao primeiro-ministro todos os maus passos que são dados, porque para isso é que um Governo tem várias pastas e diferentes responsáveis, então que não se siga o exemplo de um passado recente, do estilo Màrio Soares que se afirmava "primum inter pares" - com cujo estilo sempre discordei e lho disse pesoalmente - e, pura e simplesmente, aqueles políticos nomeados para lugares onde mostram não terem vocação para os exercer com competência, apontar-se-lhes a porta da rua e sem direito à mais leve benesse.
Não presta? Rua!... E há já por aí alguns que, com "jamais" ou sem esse francesismo, o que deveria era estar à procura de emprego... mas, atenção, sem estarem a ocupar outro posto na função privada, onde, POR ACASO, algum favorzinho foi praticado!

VEGETARIANO



Quem me dera ser vegetariano
não comer a carne de outros seres
nem os peixes de qualquer oceano
pois a vida oferece outros prazeres

Porém, o que me falta é a coragem
não posso, não consigo desviar
sem querer tenho fixa a imagem
do céu, da terra, do imenso mar

Se são neles que vivem o que eu como
se igual a tantos a vida lhes tomo
que é preciso p’ra pôr fim a isso ?

Basta que alguém me ajude a encontrar
a porta de saída do lugar
onde o mal da carne é um feitiço

terça-feira, 3 de junho de 2008

DESENCANTO...POR ENQUANTO!



Há períodos em que pensamos mais nas doenças. Porque no sentimos mais debilitados. Porque a angústia se revela mais profundamente no nosso interior. Também será porque tomamos conhecimento de que alguém conhecido entrou em crise de saúde. Julgo que grande parte dos seres humanos passa por estes períodos, ainda que alguns tomem mais consciência dessa situação do que outros.
Eu, nesta altura, encontro-me num desses momentos. Sinto-me debilitado e não aponto concretamente um mal. Se vou consultar a minha querida dra. Arlete não sei do que me posso queixar. Apetecia-me ser rico e dar entrada num desses hospitais para abastados, onde, à entrada, se deve pedir para verem tudo à lupa. Passar lá uns dias, fazer análises, investigações radiológicas de todas as espécies, deixar que os médicos de várias especialidades e com todos os avanços tecnológicos mais modernos bisbilhotem cada cantinho do meu corpo.
Caso concluíssem que não tinham encontrado nada errado no meu físico, poder eu então concluir com toda a segurança que, afinal, a doença estava no meu espírito. E, nesse caso, entregar-me completamente a uma qualquer crença, religiosa ou nem por isso, para tentar distrair as maleitas que me perseguem.
Se eu vivesse angustiado pelo pavor da morte, ainda se compreenderia que, por sugestão, eu andasse atormentado por fraquezas físicas, mas não, atingida que já está esta minha idade, estou convencido de que já preenchi o meu papel no teatro da vida e que o acto que se segue tem de ocupar outros actores. Estou completamente preparado para a cremação que me espera. Estou consciente de que as minhas cinzas caberão todas dentro de um frasco de compota. E que é isso que eu, afinal, valho…
Porque, então, ter de carregar este pesado fardo do mal-estar sem uma explicação clínica?
Para tentar consolar-me sem resposta a esta questão, agarro-me à esperança de que, uma manhã, acordarei já morto. Fica dito.



LIBERDADE


O teu nome só por si vale ouro
gritar por ele enche de luz a alma
gozar a liberdade é miradouro
em que a boa vista nos acalma

Nação livre é país abençoado
é luz que alumia os caminhos
onde ninguém está amordaçado
todos podem voar quais andorinhos

Ser livre é ir mais longe mais distante
sem fronteiras e sem impedimentos
mudando de via em qualquer instante
rumando com marés e com bons ventos

Quando depois de estar anos trancado
se atinge muito a custo a liberdade
bem parece um sonho ser acordado
sem ter na frente a pesada grade

Respirar fundo o bom ar liberto
mostrar ao alto toda a alegria
deixar de haver medo encoberto
viver correndo atrás da fantasia

Há que manter, porém, toda a atenção
para vários valores bem definidos
porque o que se ganhou com paixão
não pode retornar aos abatidos

Se não for a prudência a comandar
e o bom senso a ditar os passos
tudo se pode num ápice esfumar
e pôr a liberdade em estilhaços

A minha liberdade bem cumprida
não pode, não deve pisar a tua
posto que o que se levou de vencida
ainda espreita por aí na rua

A tentação do poder está viva
desejosos de o ter há bastantes
p’ra apanhar em contrapé, à deriva
os mais descuidados e confiantes

Os tempos mudam, mudam-se os propósitos
as vontades também não são as mesmas
se antes iguais hoje apósitos
agora lindos antes abantesmas

Mas o que se mantém é a verdade
mesmo que esquecidos os princípios
por muito que falte hoje a lealdade
e por isso abundem os mancípios

Mais do que nunca falta-nos gritar
para que oiçam todos muito alto
a liberdade só pode restar
se estiver presente na ribalta

Liberdade não é libertinagem
não dá p’ra agredir os que mal a usam
só os anos de muita aprendizagem
ajudam os que dela não abusam

Quem não sabe viver em liberdade
quem aspira por uma ditadura
o que merece é a descaridade
de seguir vivendo em noite escura

Liberdade é só pr’a quem merece
para todos que outros deixam soltos
só desta maneira é que apetece
que vivamos alegres, desenvoltos

Mas liberdade milagres não faz
não basta tê-la pr’a mudar o mundo
é preciso usá-la, ser capaz
de entendê-la bem, do princípio ao fundo

O risco de a perder está sempre à esquina
basta abusar da sua brandura
sobretudo nesta terra latina
onde há gente que aspira p’la censura

Para ser livre só com gerações
e sem justiça não há liberdade
pois não basta que hajam eleições
faz falta grande dose de humildade

Humildade sim, dos outros ouvir
aceitar os que não pensam igual
e até nunca se deixar cair
no triste afã de pregar moral

Terrorismo, agora tão na moda
da liberdade enorme inimigo
é verdade, tira a vontade toda
de ainda conservá-la como abrigo

Mas há que resistir à tentação
de combatê-lo só com violência
e ter a força como solução
pois também é preciso paciência

Se o terror o que quer é destruir
aquilo que não tem: a liberdade
então o que faz falta é instruir
abrindo-se as portas à verdade

Mostrando que cada um pode crer
naquilo que lhe parecer mais certo
não tem é o direito de fazer
com que os outros os sigam de perto

Enfim, ser livre não é fácil cousa
é preciso ser forte e consciente
bem enganado anda quem repousa
na crença qu’isso é p’ra toda a gente


A CONFUSÃO MÁXIMA!




Estou a escrever este blogue depois de um interregno de dois dias, em que o meu computador resolveu fazer greve. Não sei se aderiu ao surto grevista que grassa por este País - e não só -, por motivo dos problemas que se têm estado a expandir e cuja razão de fundo tem o nome de PETRÓLEO, mas o facto é que esta máquina que está ainda por inventar (isto digo eu) resolveu colocar-na posição estática durante o passado fim de semana. E como nesta nossa Terra, sábados, domingos e feriados são datas sagradas, ninguém faz nada -parece que os bombeiros, a polícia e alguns hospitiais lá se permitem mostrar que existem -, só depois de tal intervalo é que voltei a pode contar com este ajudante.



Vou ser rápido. A paralisação obrigatória tirou-me o entusiasmo. Mas, a primeira questão com que deparo leva-me a ter vontde de possuir uma grande cabeleira, para ficarcom os "pelos de punta", como diz
Mas isto é uma pequena amostra do que se passa cá neste País de gente que anda a assobiar para o lado e que só se queixa da suas dificuldades pesoais sem se insurgir contra as malfeitorias que se praticam por aí com o consentimento daqueles que se movimentam com todas as mordomias que conseguem hoje para si e que não querem retirar aos outros... não vá um dia isto dar uma volta e a vingança dos que possam ser agora prejudicados se volte contra eles!


Mas é só esta situação que merece ser apontada com repulsa? Vamos a ver se este blogue tem tempo e ... saúde suficientes para ir mostrando o retrato deste País.





E vamos nós mudando de mandões nesta Terra! Saem uns e entram outros. E os que chegam apontam erros aos que sairam. Mas continuam a governar este "sítio" tão mal com os que partiram...


Entretanto, com futebois, com "rocks in rio", com umas tantas comendas a cantadores desafinados que agradam a este ou àquele presidente da República, com viagems e mais viagens em que os resultados práticos são apenas os de proporcionarem a uns tantos beneficiados umas compras lá no exterior para oferecerem às consortes, com essas barriguinhs cheias de przaeres que já ninguém lhes tira, com tudo isso, nós, os trouxas, vamos ficando por cá a ouvir os lançadores de percentagens, daquelas que o povo não entende, desses que não e cansam de afirmar que tudo vai caminhando pelo melhor.


Fico-me por aqui. Estou cansado de soferer com esta escrita. Sobretudo por que ninguém a lê!!!....














sábado, 31 de maio de 2008

NÃO POSSO FICAR CALADO!...

O texto abaixo saiu logo após ter tomado conhecimento do resultado da eleição passada no PSD. Por qualquer razão, por deficiência do computador ou por erro dos meus dedos, o certo é que fugiu bastante composição,que já não me recordo bem o que seria. Fia, porém, assim, Não deixei de executar o meu blogue no dia preciso, mas estou consciente de que também não faz falta nenhuma. O País continua tal como está. Nada se alterou. Também não vou ler o que redigi na altura. Não tenho esse hábito, Rececio arrepender-me. É a minha maneira de ser sincero. Passo, pois, adiante...



Já se conhecem, a esta hora em que, após o jantar as televisões deram conta dos acontecimentos, quais os resultados de dois acontecimentos que, por certo, bastante gente desejaria não ficar na ignorância. Está bem de ver que me refiro ao encontro de futebol entre as selecções nacionais de futebol de Portugal e da Geórgia, em que vencemos por 2-0, e quem saiu vencedor, neste caso vencedora, nas eleições que tiveram lugar no Partido Social Democrático, para líder daquela organização partidária., ou seja Manuel Ferreira Leite.

Nem num nem noutro caso, não faço comentários quanto à valia dos que conseguiram atingir o escalão superior. No jogo da bola, tratou-se de um jogo sem consequências. Foi um treino bem sucedido para nós.

Já na conquista da condução do mais forte agrupamento político da Oposição ao Governo, é legítima a expectativa de ficarmos a saber se será a partir de agora que, arredando de uma vez por todas as insistentes e doentias acusações quanto aos passados, que têm de estar enterrados, agora sim aguarda-se se se irão apresentar propostas concretas sobre a forma de tentar retirar Portugal do estado calamitoso em que, em todas as áreas importantes da sua existência, se encontra. E, para isso, o que se pede de um partido político que se encontre na Oposição, é que se comprometa apontando as suas formas de resolver os pequenos e grandes problemas, esses que nos têm impedido de caminhar no melhor sentido possível. E, claro, nas linhas da frente.
Manuel Ferreira Leite não é uma neófita. Já fez parte de governos e exerceu lugares de destaque, sobretudo na área das Finanças; ocupou cadeiras e cargos de destaque no Parlamento, passou por posições superiores no Banco de Portugal, é uma política influente e tem audição na comunicação social, sempre que entender que deve fazer ouvir a sua opinião. Se não surgiu antes a dar conta dos seus pontos de vista, especialmente os seus desacordos em relação a opções que estavam a ser tomadas e contra as quais era seu dever não ficar calada, se não quis correr esse risco a responsabilidade só lhe pode ser assacada a ela própria A mais ninguém.

Por isso, seja-se ou não seguidor do PSD, concorde-se ou não com a forma como a economista entende que se deve actuar para sanar as nossas Finanças e encontrarmos formas de aliviar o pesado custo de vida dos portugueses, o que não podemos ficar à espera é que esta nova eleita figura maior do partido da Oposição fique a reflectir e a ganhar tempo para por o Partido Socialista a arregaçar as mangas e a tomar as medidas que conduzam à mudança radical da situação de falência – sim, porque não existe outro nome a dar - a que chegámos.

Fico-me por aqui, na esperança de que amanhã haja mais alguma coisa a dizer e que valha a pena.