quinta-feira, 17 de julho de 2008

AQUI


Aqui
onde estou e onde me vejo
e também ali
terei o último desejo
que será
o de não deixar mau nome
o que ficará
e que tome
lugar na memória de alguns
uns tantos
mesmo que sejam comuns
e que não escondam prantos.

É aqui, neste lugar
que algumas contas faço
do que ainda me lembrar
e que resista ao cansaço
erros recordarei
certas dúvidas que mantenho
as coisas que por aí amei
e outras que ainda desdenho

Cheguei
sem pretensão
de pensar que não errei
e que sempre dei a mão
a quem dela precisou
pois alguma vez disse não
a quem ao pé de de mim chegou
seriam menos embora
do que às que disse que sim
o que bem pouco melhora
a maldade mesmo assim

Estou agora
frustrado
vou embora
nada será mudado
fixo o meu pensamento
naqueles que me estão perto
e não escondo o lamento
por já não ter conserto
e em nada alterar
a má opinião de quem
deveria bem mostrar
muito melhor que ninguém
o valor que terei tido
desigual da maioria
por isso tendo fugido
à regra da enxovia

Aqui e agora
onde escrevo esta lamúria
a esta hora
não é altura de ter fúria
isso é que não
resta-me a penitência
última consolação
de quem vive já na ausência
mas também já pouco importa
com o físico a fraquejar
não baterei a tal porta
a pedir para mim olhar
quem nunca o fez de verdade
que foi o invés de mim
agora com esta idade
só resta aguardar o fim

Afinal
será neste lugar aqui
mesmo o melhor local
para mostrar quanto sofri ?
tantas dores tantos anos
desamores
e desenganos
procurando esconder
aos olhos dos que de fora
não teriam de saber
o que na nossa casa mora

Será aqui, será
no café com muita gente
que alguém por aqui estará
a escrever o que sente
e para quê
com que intuito
se afinal ninguém vê
trata-se de um acto fortuito
que não obtêm resultado
pois o que de mim contará
mesmo sem poder ser provado
não me importará
por ser a gente abstrusa
que já hoje não me adora
e sempre se mostrou confusa
com o que larga boca fora

Pois é aqui
que faço a minha penitência
daquilo que sempre vi
sem paciência
que foi coisa que nunca tive
e muita falta me fez
pois todo aquele que vive
tem de ter a sensatez
de fingir
de tapar bem os ouvidos
de mentir
de imitar outros maridos
que são frios como penedos
que falam sem dizer nada
que não mostram os seus medos
e fingem achar piada
a tudo que passa em casa
só para dar bom ambiente
e fazem tábua rasa
do desconforto que sente

Aqui neste café
sou obrigado a pensar
e a fazer finca-pé
na forma de me comportar
vejo a hora
e é tempo de voltar
lá vou pela rua fora
há que ir almoçar

Menos um dia me falta
para deixar cá toda a malta
aqui , noutra hora
mas não agora!


quarta-feira, 16 de julho de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Sinto sempre a angústia de ver o tempo passar com excessiva velocidade. E agora, que tenho esta idade, muito mais rapidamente ele passa do que quando não sentia o peso dos anos sobre os ombros.
Sucedeu em tempos um acontecimento qualquer e, quando nos recordamos dele, tem-se a impressão que não foi assim tão atrás, o que nos faz exclamar: “Até parece que foi ontem!...”
Mal passa um Natal e logo nos cai em cima uma Páscoa e quando despertamos surge o calor a convidar-nos para uma ida à praia.
O passado foi há bocadinho, é o que parece agora em que assisto ao tempo numa correria desenfreada. É por isso que tenho pena. Não quero sofrer o risco de já não ter ocasião para cá deixar tudo que, talvez com excessivo optimismo, julgo que ainda serei capaz de produzir.
Aqueles que, com a minha idade, não se apressam, não se atormentam com o tempo que voa, que não têm esse sofrimento, sentam-se e esperam.
Esperam para què?

terça-feira, 15 de julho de 2008

OS PESSIMISTAS!...




Não foi propriamente uma surpresa ter assistido ao programa televisivo desta segunda-feira que leva o título “Prós e Contras”. De uma maneira geral tem-se contacto com opiniões que se contrariam, umas vezes de pessoas que vale a pena conhecer as opiniões, porque, mesmo não condizendo com as nossas, têm algum fundo de lógica e obrigam-nos a colocar no prato das nossas balanças certas razoabilidades, enquanto que outras, obedecendo a critérios de escolha de quem convida os presentes a debitarem as suas considerações, poderiam perfeitamente ter guardado para si os pontos de vista que defendem, pela insignificância das suas exposições.
Mas, dentro dos princípios de que todos têm direito a expor os seus pontos de observação, o risco dos espectadores pode ser diminuído pela mudança de canal na altura do enfado.
Desta vez, em que se falava bastante das características dos portugueses, das suas qualidade e dos seus defeitos, foi possível escutar críticas que, de uma forma geral, nós, os de cá, escondemos, desculpamos, diminuímos a importância por indicar-se sempre alguns outros povos que têm mais defeitos do que nós. E com isso, os optimistas contentam-se e fogem a apontar os erros que são os mais clássicos da nossa gente.
Apareceu, no quadro de intervenientes, uma personagem que, há muito tempo, bastantes anos até, não surga em frente das câmaras de televisão. Nem foi fácil identificar a sua figura, agora mais velho e bastante mais gordo. Tratou-se do professor Artur Anselmo (filho de uma outra figura que se identificava imenso com o antigo regime e exerceu cargos consulares) , mas que, já na altura em que intervinha perante as câmaras, dava mostras de ser uma cabeça digna de ser respeitada e uma voz merecedora de ser ouvida. Por razões que neste País não são grande mistério, foi uma personalidade que se esfumou, pois que as modas mudam e a saturação de fulanos que, nesta época em que vivemos, ocupam quase em exclusivo os quadrantes televisivos e não deixam espaço para que exista o escrúpulo de uma escolha criteriosa e exercida com uma verdadeira avaliação dos valores que ainda existem no nosso País… por mais que se escondam ou que os “preparadores” de programas não tenham tempo de vida suficiente para saber que eles existem. E ainda estão vivos.
Eu não conheço pessoalmente o professor Artur Anselmo e, quando o escutava há anos, nem sempre alinhava pelas suas ideias da época que, nesta altura e como todas as coisas, admito que se tenham alterado e apurado. Mas aquilo que ouvi e que considerei pouco fez-me nascer na consciência o prazer de ficar a saber que ainda existem, no nosso meio, figuras que bem mereciam que estas novas vagas televisivas deveriam redescobrir.
Mas falemos dos portugueses e das suas características, olhemos para nós e apreciemos o que temos de bom e não escondamos aquilo que constitui a razão de ser de nos encontrarmos, perante a evolução do mundo, no estado pouco entusiasmante em que nos encontramos.
Artur Anselmo, que deu mostras de não estar dependente de ninguém e de nenhum lugar para dizer aquilo que pensa, com a sua apreciação desabrida e clara, não foi do agrado de um certo número de participantes no programa. Os “contentinhos”, que também têm direito e existir, mesmo que não estejam sujeitos a posições mais ou menos oficiais que limitam as suas opiniões – isto está tão mau de lugares chorudos! -, esses não deixaram de pôr água na fervura dos comentários mais severos e alguns foram até mais longe, ao ponto de nos colocarem, a nós portugueses, como tratando-se de um povo exemplar e digno dos maiores elogios por parte de muitas nações que, tomara elas, se encontram muito abaixo de nós na escala de valores.
Mas, que temos todos nós, portugueses, de fazer alguma coisa, mesmo muita coisa, se quisermos sair desta situação aflitiva em que nos encontramos em múltiplas áreas da nossa vida e não serve de nada fazermos agora comparações com o que era Portugal há vários anos, antes do 25 de Abril e até logo depois, que também não foi nada que mereça elogios, sobretudo porque não soubemos aproveitar os muitos milhões de milhões de euros que recebemos de ajuda da Europa e que, ainda hoje, não se apurou quem foram os aproveitadores que, no meio dq confusão, encheram os bolsos e apareceram com fortunas que, ainda hoje, não querem nem podem explicar, repito, quanto a tudo isso não podemos ficar a fingir que não sucedeu nada sdeste teor.. Disto, poucos falam, mas a verdade histórica talvez venha algum dia a lume, se bem que já não sirva para nada pretendermos desenterrar as malfeitorias que se fizeram por esses mais de trinta anos fora- Insisto, pois, que já não resolve nada tocarmos agora nesse tema, o que não quer dizer que façamos de conta que nada aconteceu e que tudo que está a ocorrer agora, para além da influência da crise internacional generalizada, nos permitirá fazer como Pilatos…
Sim, vem de trás, da nossa História, esta maneira de ser de sermos azes a improvisar, mas uns “nabos” a esquematizar, a organizar, a cumprir planos preparados com competência, respeitando prazos e custos. Todos sabemos que as nossas obras, públicas ou privadas, nunca obedecem aos que os chamados técnicos antes idealizam. Apontem um caso e talvez, com esforço saia da memória alguma coisa! A inflação, alguém é capaz de acertar numa percentagem antes prevista? E, no capítulo das acções provenientes da administração pública, ao menos nessa área funcionam os serviços dentro das regras que o público tem o direito de existir? Querem um exemplo? A antiga Direcção-Geral de Viação, que, ninguém sabe porquê, mudou de nome, não cora de vergonha por levar 6 a 7 meses para entregar a carta de condução que caducou e que os utentes entregaram a tempo e horas? Há por aí algum ministro que surja a desculpar-se e a meter mão no assunto? E sabem que, em Espanha, a mesma mudança de documento tarda um simples quarto de hora a efectuar-se?
Quando surge um Marinho Pinto, actual bastonário da Ordem dos advogados, a trazer a público situações que merecem que não fiquemos indiferentes ao que se passa nesta família de portugueses, logo se levantam, até colegas advogados, a atacá-lo, talvez porque não sejam partidárioa de que se trate em público aquilo que tanto gostam alguns de sussurrar, enquanto se deliciam com deliciosos banquetes (e isto não é uma gracinha, é o que sucede) em restaurantes das suas preferência.
Que somos capazes de inventar soluções para puxar o brilho ao optimismo, não perdemos a ocasião e até para “inventar” que os alunos este ano aprenderam muito mais do que antes, o que fizemos foi organizar exames com questionários que deveriam ter sido apresentados a estudantes de anos anteriores de aprendizagem. É o que se diz por aí à boca cheia e ainda não se viu desmentido…
Mas, para amordaçar os que há ainda por aí e que alimentam esperanças quanto ao que espera essa juventude que não tomou consciência das dificuldades que não vão desaparecer por obra e graça de qualquer coisa, aí surgiu agora o governandor do Banco de Portugal a pintar as cores, bem escuras, da Nação, de hoje e de amanhã. É vítor Constâncio que assinala exportações em queda, falta de obras públicas, a economia a baixa.e a inflação a ultrapasar os 3 por cento, a que hoje já está acima dos salários.
E tanto mais que há para apontar como prova de que somos nós, os portugueses, que temos obrigação de não escconder os nossos defeitos e tudo fazer para os rectificar. Se é que ainda vamos a tempo. Em vez de nos irritarmos com aqueles a quem chamamos pessimistas, em minha opinião deveriam as forças públicas ser as primeiras a dar o exemplo. Como? Trabalhando mais. Trabalhando melhor. Não se servindo dos lugares que ocupam para benefício próprio ou dos amigos, mas sim puxar do brio e conseguir que, pelo menos, os cidadãos que vivem e trabalham dentro das nossas fronteiras, esses actuem de igual forma como fazem quando se encontram a defender as suas vidas para lá do território nacional. Mesmo que seja forçoso aumentar as horas de trabalho, pois então!
Seria um primeiro passo. Que não é fácil, bem sei, mas que, pelo menos servia para demonstrar que nós não somos assim tão maus, pois que, se fazemos boa figura quando deixamos para trás a Pátria, então também poderemos ser aceitáveis cá, onde nascemos.
Que os governantes pensassem um pouco nisto, já seria uma ajuda. Os que se encontram no Poder e aqueles que, por ventura, venham a ocupar os mesmos cadeirões do mando, sejam eles quais forem.
E, se aqueles que lêem estes blogues me considerarem pessimista quanto ao futuro de Portugal se nada mudar e depressa na nossa maneira de nos comportarmos, pois que fiquem satisfeitos com o que têm e oxalá consigam viver anos de vida para tirar as respectivas conclusões. Nessa altura poderá é ser tarde para concluírem: razão tinha aquele!...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

SOZINHO


Passar um tempo sozinho todos os dias
Faz bem, ajuda a pensar
Reconforta, tira-nos as manias
Mostra tudo mais alvar

Connosco falamos, procuramos respostas
Para os problemas da vida
Incute-nos forças para subir as encostas
E sara alguma ferida

Falta isolarmo-nos de vez em quando
Ter o silêncio do mundo
Pôr na correria um certo abrando
Travar p’ra respirar fundo

Se toda a gente no nosso Hemisfério
E os que mandam na guerra
Parassem e pudessem pensar a sério
Haveria paz na Terra

domingo, 13 de julho de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Somos, de facto, uns desencontrados.
Aquilo que afirmamos agora, noutra ocasião, noutra circunstância, com disposição diferente não descrevemos da mesma maneira.
Talvez até nos contradigamos.
E, em todas as vezes, poderemos estar convencidos de que repetimos o anteriormente dito.
Os seres humanos, de uma forma geral, são pouco constantes.
Mesmo os mais teimosos, por muito que queiram dar mostras de firmeza nas suas atitudes, no íntimo, no recato do seu eu terão dúvidas sobre se a persistência numa opção será o melhor caminho para obter o resultado pretendido.
É o que sucede comigo nos momentos em que me dedico â escrita de pensamentos que me ocorrem à flor da pluma.
Desencantado, como é o meu estado normal, com o que ocorre neste mundo, julgo ter sempre essa preocupação de sublinhar os erros e, por vezes, de apontar caminhos. Por isso, não será natural que passe a aplaudir o que antes me surgia com defeitos. Depois, rigoroso como pretendo ser comigo próprio, mais facilmente denoto erros do que virtudes.
É, aceito, uma característica negativa esta de considerar normal o que está bem e de me indignar com o que nem por isso.
Resultado: estou mais vezes indisposto do que satisfeito e eu sou o único a sofrer as consequências desse estado de espírito.
O que também me custa é que esta minha atitude não diz respeito apenas ao que ocorre fora da minha área de influência. Muito pelo contrário, a primeira reacção crítica que tomo diz respeito aos meus próprios actos e, por isso mesmo, à minha produção na área artística.
Tanto na escrita como na pintura.
Mas também, por vezes, no comportamento.
Sou, pois, mais um dos desencontrados deste mundo.
Ainda não dei com o caminho certo. O derradeiro, o da última hora; um dia alguém o encontrará por mim.
Só que a minha última vontade já não vai poder ntervir na via em que estiver então situado.
Resultado: não nos encontramos no início e muito menos no fim.
Andamos por cá à deriva!

sábado, 12 de julho de 2008

ODE


Oh! Pessoa
tu que me inspiras, que me orientas
na minha cabeça ecoa
o que em mim sustentas
com o teu génio ou o dos teus heterónimos
com rima ou sem ela
mas sempre bela
afastando os demónios.
Ajuda-me, oh! Pessoa
a escrever esta ode
pensando em Lisboa
saindo como pode
com esforço, com rompantes
contrariando o ruído do café que me acolhe
que tem algo de igual ao teu que era dantes
mas que, tal como contigo,
é o café que escolhe
a freguesia, qual porto de abrigo
é ele que anima a que olhe
e veja o que me rodeia, o mau e o bom
aquilo que me foi dado apreciar,
deleitar
e ouvir o som
com agrado ou sem ele
E desde que me conheço
é o que peço:
que Aquele,
o que comanda,
não deixe a banda
à solta.
Pessoalmente penso assim
não me importa saber
se outros julgam igual a mim,
eu sei o que fazer
com a inspiração do poeta,
não basta pegar na caneta
e divagar,
pessoar,
procurar
no íntimo do sentimento
o que tiver mais cabimento
para saudar,
gritar
que poeta serei quem for
mas por amor
ao génio de um poeta dedico
e por aqui me fico
a compreendê-lo
e a relê-lo.

Ele, que dizia não ser nada
era tudo
perdido em frente da sua janela
ou sentado no café, à mesa,
procurando a frase mais bela
e encontrando com certeza
a sua inspiração
interpretando os sonhos do mundo
com devoção
bem no fundo
carregando a carroça da vida
com o fervor de um crente
que sabe que só há ida
por isso olhando sempre em frente
sem saber que o futuro
lhe traria tanta aclamação,
que transporia o muro
da vulgarização.

Oh! Fernando
tu que não sabias o que eras
nem como nem quando
que não crias deveras
nas certezas do mundo,
que só a Tabacaria era verdadeira
porque a vias ao fundo
da tua rua inteira
onde compravas os cigarros
da mesma maneira
que sacudias os catarros
e bebias a tua jeropiga
para acalmar a ânsia de versejar
e respirar
e produzir outra cantiga
sem fadiga,
naturalmente,
mas preocupadamente
a pensar que os versos criavam nada
que acontecia zero
que não havia fada
capaz de mudar, mesmo em desespero
a vida sensaborona,
triste e pesada,
qual matrona
pavoneada.
Hoje, o mundo sempre igual continua
parece diferente, mas nada mudou
aqui nesta como em qualquer outra rua
quer para quem trabalha e também estudou
porque os políticos continuam a falar
na busca de eleitor,
a dissertar
mas não são capazes, nem querem mudar
seja o que for
lá se vão enchendo
porque o que dá lucro vai-se mantendo
que o povo, esse fica,
a gritar pelo Benfica
sem eira nem beira
agarrado à bandeira
como se fosse da Pátria a salvação
a gritar nos estádios com emoção
contra quem seja
tendo na mão a cerveja
que dá calor
tremor
mas não altera os resultados
dos futebóis ou dos pecados.
Hoje está tudo na mesma
como a lesma.

Vês, Pessoa ?
Não fui capaz.
Estás onde estás
e eu estou onde estou
e não sei quando vou.
Verás que a minha intenção era boa
que me esforcei
mas o génio não agarrei.
Não digo como tu
que não sei o que serei,
sei sim, foi o génio que ficou no baú
e que também nada herdei
e como deixei de fumar
continuo sem achar
a Tabacaria
a que te trazia
o fumo da inspiração,
a divinização.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!



Quando, a nível pessoal, chegamos à conclusão que a vida já nos deu aquilo que tinha para nos dar, entramos na fase da resignação. Contas feitas, já não há nada a pagar nem troco a receber. E, ao não se apurar saldo para nenhum dos lados, só resta aguardar o momento do encerrar do negócio.
Se fosse música, dava-se por finda a sinfonia, depois de se ter andado uma vida a preencher as pautas e a lutar para encontrar a melodia que tinha surgido em certa altura na inspiração. E, ao conclui-la, ficar-se-ia somente à espera que alguém a colocasse nos instrumentos de uma orquestra. Se não fosse em vida, pelo menos, mais tarde, como sucedeu tantas vezes com os grandes compositores que deixaram obras póstumas.
Mas, ao tratar-se de obra escrita, o conformismo com a falta de visibilidade pública daquilo que se produz, essa resignação também serve de conforto. E a obscuridade em que fica o que foi produzido tem a vantagem de não ser alvo de críticas dos que, em seu pleno direito, exercem essa função de julgamento do que os outros fazem e mostram.
Este estado de alma já eu demonstrei em vários textos que tenho redigido. É uma espécie de ladainha que parece contradizer a aceitação conformada a que me entrego. É que, no fundo, ainda transporto em mim a esperança de que a vida não me deu, afinal, tudo o que tem reservado para mim. Todos os dias vistorio a minha caixa de correio, na esperança de que algum editor me faça a surpresa de me mostrar a sua disposição em lançar os inéditos que tenho para oferecer À estampa.
Não será mau que a resignação, ao fim e ao cabo, esteja sempre acompanhada, mesmo que encoberta, por uma certa esperança. São duas posições opostas que, intercaladas, acabam por se dar bem.

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Quando chegamos à conclusão que a vida já nos deu aquilo que tinha para nos dar, entramos na fase da resignação. Contas feitas, já não há nada a pagar nem troco a receber. E, ao não se apurar saldo para nenhum dos lados, só resta aguardar o momento do encerrar do negócio.
Se fosse música, dava-se por finda a sinfonia, depois de se ter andado uma vida a preencher as pautas e a lutar para encontrar a melodia que tinha surgido em certa altura na inspiração. E, ao conclui-la, ficar-se-ia somente à espera que alguém a colocasse nos instrumentos de uma orquestra. Se não fosse em vida, pelo menos, mais tarde, como sucedeu tantas vezes com os grandes compositores que deixaram obras póstumas.
Mas, ao tratar-se de obra escrita, o conformismo com a falta de visibilidade pública daquilo que se produz, essa resignação também serve de conforto. E a obscuridade em que fica o que foi produzido tem a vantagem de não ser alvo de críticas dos que, em seu pleno direito, exercem essa função de julgamento do que os outros fazem e mostram.
Este estado de alma já eu demonstrei em vários textos que tenho redigido. É uma espécie de ladainha que parece contradizer a aceitação conformada a que me entrego. É que, no fundo, ainda transporto em mim a esperança de que a vida não me deu, afinal, tudo o que tem reservado para mim. Todos os dias vistorio a minha caixa de correio, na esperança de que algum editor me faça a surpresa de me mostrar a sua disposição em lançar os inéditos que tenho para oferecer À estampa.
Não será mau que a resignação, ao fim e ao cabo, esteja sempre acompanhada, mesmo que encoberta, por uma certa esperança. São duas posições opostas que, intercaladas, acabam por se dar bem.

TODOS OS PORTUGUESES ENTENDEM!

Isto de termos de presenciar as peixeiradas a que assistimos no Parlamento sempre que ocorrem exposições de pontos de vista que não coincidem, de um lado e de outro dos partidos políticos que ali estão representados e que têm que mostrar serviço, este castigo que é imposto ao povo que já lhe bastaria ter de suportar as desgraças das más actuações quer do próprio Governo quer dos que estão sempre ansiosos por ocupar os mesmo lugares de governação, bem poderia servir, pelo menos, para que as situações que necessitam de ser reparadas, vissem, de imediato, ser alterados esses erros, isso por parte dos que têm a faca e o queijo na mão, ou seja dos detentores do Poder, e do outro lado, os opositores fossem capazes também de emendar as suas anteriores acusações, regozijando-se com o que passou a estar dentro das boas normas.
Nada disso acontece e os homens, egoístas como são, só sabem é acusar os outros e custa-lhes muito reconhecer que se enganaram e que têm de pedir desculpa por os seus erros terem prejudicado terceiros. Esta posição verifica-se na esmagadora maioria dos seres humanos, pelo que, obviamente não escapam os políticos, sejam eles de que cor forem.
José Sócrates surgiu desta vez no Parlamento para anunciar que ia meter mão em dinheiros que, até agora, têm sido pertença de forças financeiras que, intocáveis como andaram anos atrás de anos, encheram os bolsos de uns tantos que não se podem queixar de crises, especialmente das que tocam directamente nos bolsos dos que fazem diariamente contas à vida. E não é preciso ser mais explícito.
Pois bem, os tais 20 milhões que constituem ganhos para a administração central têm de ser bem recebidos e trata-se de uma notícia de largo significado positivo, sobretudo na fase de triste pobreza em que nos encontramos. Mas não se pode ficar tranquilamente por aí. É preciso meter a mão até onde ela possa regenerar situações que estão erradas, que custam dinheiro e que dão mostras de ineficiência nas acções públicas. E nem tudo que se traduz em milhões recolhidos no erário público é sinónimo exclusivo de boa actuação dos que governam este País.
Desvio-me bastante do tema das fortunas que não se podem perder de vista, para apontar uma situação bem conhecida de todos os cidadãos que têm carta de condução e que necessitam de a revalidar logo que chega a idade imposta por lei. Pois, antes com a actuação da Direcção-Geral de Viação, agora chamada (sabe-se lá porquê), Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, tardava meses a obter o novo documento. Agora, pelo menos 7 a 8 é o prazo que se tem de esperar para ver em casa o novo documento.
Não é importante este facto, perante as gravíssimas situações que temos de enfrentar nesta Terra de “complexes”? Claro que não. Mas esta nota só serve para mostrar como nós, portugueses, políticos ou não, gostamos de complicar e de transformar em caro o que poderia sair bem barato. Olhem, em Espanha, trocar a carta antiga pela nova não tarda mais do que 15 minutos!. Que raiva…
E falo só neste ridículo problema, porque não me apetece hoje referir os muitos milhões de euros que se perdem com os túneis, que nunca mais estão prontos, com as obras públicas que se perpetuam porque o sistema de fiscalização em Portugal vive a meias com os construtores, com as contas mal feitas pelos engenheiros, sabe-se lá se de propósito, com a actuação do sistema jurídico nacional que não perdoa gozar as suas prolongadas férias e que atrasa, atrasa, prolonga anos a fio para julgar os casos que se acumulam. E bem poderia referir neste espaço um sem fim de situações que hoje, sexta-feira, véspera de um fim de semana que se deseja de ripanço, é preferível pode deixar sem azedar a digestão dos que se encontram agora a descansar, depois de uma “luta”, que poderia ter sido divertida, que ocorreu ontem na Assembleia da República.
E, a propósito, será que a esmagadora maioria da população que, já à noite, com o noticiário televisivo, entendeu alguma coisa do que se passou naquele hemiciclo?
Não me façam rir… que a situação não é para risotas!...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

COMENDADORES


Ilustres personagens elas são
fazem sempre lembrar as honrarias
convencem-se que não foi por bizarrias
que lhes coube na rifa tal brasão

Um rei, um presidente, tanto faz
acordou de manhã com tal lembrança
ou foi a consorte que com bonança
recomendou alguém como capaz

E assim nasce mais um premiado
é alguém que, de facto tem valor?
será ele quem vai ficar babado

Porque há quem mereça sem favor
que seja e muito bem condecorado
mas a maior parte comendador?

FALAR, FALAR... E SÓ ISSO!




Consegui passar umas horas desta tarde a ver e ouvir os deputados à Assembleia da República, esses por um lado, e o primeiro-Ministro, por outro, a atacarem-se mutuamente e a apresentarem as suas ideias sobre a forma como o País deveria estar a ser gerido, para conseguir ultrapassar a situação degradada em que se encontra, por culpa dos seus próprios erros e, não há que disfarçá-lo, em virtude do ponto a que chegámos no meio do difícil panorama internacional.
E, como acontece sempre nestas circunstâncias, as culpas são sempre atiradas para os outros e o Governo, de facto, é o sector que mais vê os dedos apontados pela sua incompetência, como lhe chamam os adversários, pois que para isso é que, voluntariamente, se propõem uns tantos cidadãos para assumirem a responsabilidade de pegar na vara do Poder. Não se podem queixar por isso. Nem se sentir ofendidos quando os partidos da oposição lhes chamam os mais ofensivos nomes que, com frequência, alcançam apodos considerados ofensivos pelos visados.
Ter visto, pois, José Sócrates escandalizado pela circunstância de, algum que outro interveniente naquele confronto parlamentar, não o ter poupado a destemperos de linguagem. Esses ares de menino virgem ofendido, só podem ser considerados ridículos. Quem anda à chuva molha-se e se José Sócrates não se sujeita a ter de enfrentar os ataques que lhe são dirigidos na Assembleia da República, então só tem um caminho a tomar: á não se recandidatar nas próximas eleições. Não, que eu não fique também chocado com excessos de linguagem que, por vezes, saem da boca de um ou outro deputado, mas o que importa, acima de tudo, é que se encontrem soluções para tentar encontrar saídas para os graves problemas por que passam os portugueses desde há um tempo a esta parte e que, pelos vistos, não se vê forma de fugir deles. Mas, entre o ar de ofendido e a busca de se rectificarem atitudes, incompetências, erros dignos de castigo, opto, sem dúvida, pelo confronto. E quem tem vergonha que mude de profissão!
E depois desta introdução, tenhamos todos o bom senso de reconhecer que, a haver culpados do que se passa, deste vale de lágrimas em que vivemos, destas cada vez maiores dificuldades que estamos a sofrer, havemos de reconhecer que, ao fim e ao cabo, somos todos nós, cidadãos portugueses, que não podemos fugir às nossas próprias responsabilidades.
Quanto aos trabalhadores – para atribuir a clarificação que os sindicalistas costumam utilizar -, será que a produtividade dos portugueses é da melhores que se praticam na maioria dos países, falando apenas da área da Comunidade Europeia? E no que se refere ao sector do empresariado, estamos conscientes que a nossa actuação nesse sector é exemplar, que temos consciência de que podemos competir com parceiros, também europeus, e, para não ir mais longe, até com os nossos vizinhos espanhóis? Mas não podemos pôr de parte o sector administrativo do Estado, a actuação das múltiplas e complicativas repartições oficiais, sendo mais do que conhecidas as dificuldades com que qualquer cidadão, português, mas também estrangeiro se debate quando cai nas malhas do “complex”, e reconhecer honestamente que também nessa questão não nos podemos considerar exemplares. Longe disso. Muito longe
E passarmos nós horas a ouvir e a ver aquelas figuras emproadas a debitar considerações que, de um lado e do outro, os do Governo e os das Oposições, só servem para fazer acusações, sem que, de qualquer dos lados, saiam soluções, programas, resultados, boas medidas, sensatas e exequíveis, termos nós, cidadãos portugueses, que suportar tantas inutilidades e o desfilar de vaidades, porque o que eles querem é ser famosos e mostrarem-se às populações, sermos obrigados a este exercício negro que ocupou horas na televisão e, no final, continuarmos confrontados com a pobreza que, de dia para dias, avança a olhos vistos, suportarmos este sacrifício é excessivo. É pedir demais mesmo a um povo que, através da sua longa História, está mais do que habituado a ser o “pagador de promessas”.
Não vou agora mais longe, muito embora tenha na minha frente uma série de recortes de jornais que mostram os erros a que o Governo já poderia ter deitado a mão, apontando soluções rápidas, e as oposições poderiam igualmente referir, não deixando de apontar as suas propostas de emendas.
Mas nada disso sucedeu. Falou-se. Falou-se, Fizeram-se acusações. Mas ficamos todo na mesma. Na mesma, não! É que já passaram duas horas desde que começou o confronto Parlamentar e, ao longo desse tempo, certamente que já se verificaram subidas nos preços de alguns produtos…

quarta-feira, 9 de julho de 2008

GRANDES EDITORAS





Francamente, entendo que é altura de me interrogar sobre a razão por que ando eu nesta azáfama de escrever. De aproveitar todos os momentos para encher os papéis de palavras, uns dias prosa, outros dias a poesia.
Pergunto-me e não obtenho resposta. Isto de vir rodos os dias ao café, beber uma bica, amenizar com um copo de água e tirar da pasta as folhas de papel já escritas de um lado para aproveitar as costas em branco para, logo de seguida, encher de texto o que está ali à minha disposição, este exercício que já se tornou rotineiro nesta altura da minha vida, serve para quê?
Trago também na pasta três ou quatro livros que, por vezes, me ajudam a puxar pela imaginação. Como sucede neste momento, em que reli um texto do meu inspirador preferido, Fernando Pessoa.
Mas, frequentemente, quando saio de casa e me encaminho para este café habitual, já venho pelo caminho a mastigar um tema, o qual se me salta ao reparar em qualquer situação que surja aos meus olhos.0s jornais e os seus títulos constituem também um apreciável manancial para me agarrar a um assunto.
Torno, porém, a fazer a pergunta: Para que serve debruçar-me, na mesa do café, sobre as folhas que disponibilizo para serem preenchidas com texto que ninguém encomendou?
Na busca de uma resposta, chego a concluir que isto de escrever é um vício. Sempre o fiz toda a vida, só que antes era por obrigação e agora é por devoção. No tempo anterior era remunerado pela escrita que produzia e agora não recebo sanão a satisfação interior de admitir que a prosa ou o verso que produzo não constituem um absoluto tempo perdido.
E é tal ilusão que me leva a repetir, diariamente, essa via-sacra até ao café. Embora, com frequência, me amargure o facto de reconhecer que aquilo que escrevo não adianta nada ao mundo. Debitar sentenças ou ficar simplesmente contemplativo é igual. Mas, tenho de confessar, existirá algo de vaidade neste masoquismo da escrita. A busca da perfeição, mesmo não sendo conseguida na totalidade, é algo que está associado ao lustrar o ego. No fundo, existe sempre uma esperança de que não sejam só os outros que conseguem ser apreciados. E, por outro lado, a ânsia de certo merecimento leva a que um criador deprecie muito o que se vê nas bancas livreiras e se questione sobre se esses conseguiram interessar os editores, então algum dia chegará a vez dos desprotegidos.
Seja como for, por muito que os autores de café se sintam frustrados pela falta de interesse em publicar o que conseguem deitar para fora, compensam esse abandono com a acumulação de obra produzida.
É isso que se passa comigo. Darei razão a quem não atribui valor bastante ao que produzo ao ponto de ser passado a livro o que me sai da pena. O sector editorial é um comércio como qualquer outro e terão muito maior aceitação pública os escritos que foquem escândalos, que se refiram a amores escabrosos e sejam de preferência de autores femininos, se envolverem personagens ligadas à exposição pública de qualquer ordem, se, colocando em plano secundário, a qualidade literária, se dê preferência ao antecipadamente vendido por força da expectativa que é criada através de promoções chamativas que não têm nada a ver com a classificação do texto.
Inclino-me perante a invasão de livralhada que se situa na classe dos vendáveis a quem não mostra grande preocupação com a mínima qualidade literária. Têm razão os que vendem, porque querem ganhar dinheiro, e os que compram tal literatura, porque não têm satisfações a dar a ninguém sobre as suas preferências.
No meu caso, como o escrever ameniza o desconsolo que se me vai enraizando quanto ao mundo em que vivemos, faço-o como medicina que recomendo a mim próprio. E como os remédios não devem ser tomados sem receita médica… não tenho que obrigar os outros a seguirem a minha prescrição.




terça-feira, 8 de julho de 2008

CALÇADA À PORTUGUESA




Pedras da minha calçada
que as piso todos os dias
elas são a minha estrada
mas fazem-me judiarias

Com os seus baixos e altos
nesta castiça Lisboa
temos de andar aos saltos
pois uma ou outra atraiçoa

Com essa mania atroz
da calçada à portuguesa
impõe-nos a todos nós
perder noção de beleza

E vistas pois bem as coisas
em época de magras vacas
se se usassem mais as lousas
bem se poupavam patacas

Neste País de esperanças
pois sempre tem sido assim
aguarda-se por mudanças
para as pedras terem fim


Ver de cócoras rapazes
a partir pedras na mão
uma a uma que nem ases
provoca grande aflição

Em covas lá vão metendo
nas ruas da capital
com pedra a pedra enchendo
sob as vistas do fiscal

Que na Baixa pombalina
haja calçada bonita
pode até ser coisa fina
e agradar quem nos visita

Mas pedras pela cidade
em ruas de lés-a-lés
tenham santa caridade
e lembrem-se dos nossos pés

Quando uma pedra se solta
e outra ainda além
tanto buraco revolta
não nos digam que está bem

Tenham pois pena de nós
poupem verba ao País
autarcas, oh todos vós
cortem mal pela raiz

Se estamos bem na Europa
não sendo mundo terceiro
é bom ver como se poupa
usando bem o dinheiro

Sem ter de pôr mais na carta
aqui deixo este recado
de pedras está já farta
esta capital do fado

Por um bairro pois comecem
a tirar o empedrado
e se chove não tropecem
na lama do chão cavado

Pôr lajes de metro e meio
em vez de pedras à mão
transforma em bonito o feio
e torna direito o chão

Qualquer rua no futuro
terá o caso lembrado
um Presidente seguro
fez um trabalho asseado

Lisboa deixa de ser
um campo tão mal lavrado
fica assim um prazer
caminhar por todo o lado.



Poesia bloguista que talvez motive
algum município que ainda não foi capaz de entender
que esta é uma forma de economizar
tempo e dinheiro
e que acabará, de vez,
com a vergonha de assistir
a seres humanos de cócoras
a colocar pedra a pedra
onde, mal sai uma, logo saltam todas
que se encontram à volta.
Talvez, em verso, seja mais susceptível de entender
esta crítica

segunda-feira, 7 de julho de 2008

ATAQUEMOS LISBOA!





Soube-se agora: 4.600 prédios devolutos, abandonados, a desfazerem-se, sem controlo de proprietário ou seja lá o que for, foi o que se divulgou esta noite após o incêndio que deflagrou na avenida da Liberdade – o coração da cidade, imagine-se - , e em que compareceu, como lhe devia, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa que, digamos a verdade, apesar de se encontrar há pouco tempo à frente do Município, tem deixado a ieia de querer mostrar interesse em resolver os problemas que, para não se fugir à generalidade dos caos do País, claro que ocorrem também na primeira cidade nacional.
António Costa, antigo ministro e agora responsável número um da administração alfacinha, luta, na verdade, com uma tesouraria camarária que conta os tostões para fazer frente às necessidades mais urgentes e para pagar as dívidas, que são enormes, a fornecedores particulares antigos que confiaram na Câmara e lhe prestaram serviços que se encontram por liquidar.
Este é o País onde nos encontramos. E por isso aflige ouvir os governantes falar de empreendimentos que pretendem que sejam feitos, com valores pavorosos de milhões de euros, para, quem vier a caminho, seja lá quem for, tomar conta da Nação, nessa altura poder clamar que as dívidas foram feitas no passado e, por isso, ninguém é culpado dos erros praticados anteriormente.
Porque o mal cá da Terra é sempre o mesmo: não se encontram os que praticam os erros, ninguém é responsável de nada, castigos para dar o exemplo quanto a acções idênticas que se repetem constantemente, são atitudes que não se tomam (Deus os livre!), pois que quem castigasse agora dava o exemplo para amanhã sofrer igual tratamento…
É preciso denunciar o comportamento que é norma em terra lusitana. Não se pode fingir que não acontece nada e que nós, portugueses, nós todos – governantes e governados -, temos a nossa parte de culpa, porque não fazemos ou fazemos mal, encolhemos os ombros e só levantamos as mãos ao Céu depois das catástrofes sucederem – ainda se lembram de pontes que caem, dos túneis, como o do Terreiro do Paço, que leva anos a ser concluído e que custa muito mais do que foi calculado (?), do túnel da estação do Rossio, do recente e vergonhoso “jamais” (qualquer governante deste teor de outro país, estaria já hoje a servir sopas num restaurante!) e de tudo que não acontece por acaso, mas que é consequência, repito as vezes que forem necessárias, daquilo que somos… todos nós!
Sim, porque comentadores – e eu cá me incluo -, gente que sabe de tudo e que aparece nas televisões a dar mostras de que é muito competente, disso não falta cá no burgo. Mas, ao menos que tal suceda. Que haja quem toque o sino, se bem que os senhores das poltronas e dos bons lugares bem pagos (sobretudo depois de deixarem a governação) se indignem porque não aceitam quem não concorde com eles.
Mas, voltando a Lisboa e a esta vergonha agora divulgada dos milhares de prédios que se encontram com portas e janelas tijoladas, sinal de que lá dentro há quem dê uso a esses locais. Oh Presidente António Costa, reúna a Assembleia Municipal e consiga a unanimidade para deitar abaixo tais cancros, tamanhas vergonhas. E se não houver quem tome conta das obras, pois consiga convencer o Governo – a que já pertenceu e com quem tem boas relações -, VENDA as propriedades e utilize o dinheiro para melhorar Lisboa. Olhe, comece pelos chãos das ruas, para peões e para viaturas. Qualquer dia ninguém anda em nenhuma rua!
Claro que isto é um desabafo. A situação requer medidas sérias… mas RÁPIDAS. Não se deixe enrolar pelos grupos de estudos e pelas comissões que logo são formadas. Isso é que nunca!
Pronto, de uma penada e sem olhar para trás insurgi-me contra aquilo que sucede por cá. Mas tem de ser assim que o País ainda possa, talvez, sair do marasmo em que se encontra. Se o Marquês de Pombal, após o terramoto, tivesse ficado a pensar numa solução, imagine-se como seria hoje Lisboa…
O local ideal para viver
é no meio da pouca coisa.
só do essencial,
do que se vai extraindo do que não presta.
A solidão acompanhada
apenas por aquilo que nos dá prazer
é como o perfume ideal que escolhemos,
sem a intervenção de outros
cheiros
de que não gostamos.

DESENCANTO...POR ENQUANTO!


Quase como uma devoção, muitas vezes saio de casa, especialmente de manhã, para escrever. Preciso de ar. De respirar. E de inspiração. Mudar de ambiente ajuda. Faz-me falta movimento, mesmo sem entrar nele. É-me útil a distância, nem que seja a que separa a mesa do café das pessoas que passam, das que julgam que estão a fazer alguma coisa de útil a este País. Das que se sentem importantes por isso.
Lá passam também raparigas. Agora na moda está andarem com as barriguitas à mostra. E as costas deixam ver as uniões superiores das bochechas do rabo. Como mudam os tempos! Ainda me lembro da época em que a rapaziada se deliciava a ver as curvas das pernas das mulheres que subiam as escadinhas de Santa Justa. Era uma delícia! Aí a imaginação funcionava. Dava-se largas ao trabalhoso exercício de desnudar em pensamento as fêmeas que mais agradavam e que davam a espreitar de passagem as curvas das pernas.
Hoje, o desde ter-se à disposição dos olhos o que antes os decotes discretos não deixavam sequer perceber, os avantajados seios que, ainda para ajudar mais a provocação, os elementos femininos puxam para cima, para dar a sensação de que se encontram em boa forma de sustentação, desde isso até as saias pouco taparem em cima e em baixo, tudo é considerado natural. E pouco faltando para descobrir em plena rua o que ainda se encontra oculto, o resultado é que a curiosidade de saber como será vai-se diluindo. E aquele exercício que alguns podiam fazer de espreitar pelo buraco da fechadura, até isso hoje já não tem razão de ser, pois aquelas chaves que, de grandes, mal cabiam nos bolsos, hoje também elas são reduzidas. Tudo diminuiu!

MUDANÇA?

A circunstância de ter surgido Manuel Ferreira Leite como protagonista do lugar de primeira figura do PSD, já produziu os seus efeitos. O tempo dirá se o País vai beneficiar desta mudança de presidente do principal partido da oposição ou se tudo vai ficar como dantes, ou seja sem melhorias nas condições difíceis em que vive a grande maioria do povo português.
Aquilo que não tinha sucedido antes, com a passada mudança no mesmo partido, que, de facto, não deu também para grandes alterações do panorama, parece que, desta vez, provocou em José Sócrates alguma perturbação e os cidadãos que assistiram à entrevista que proporcionou na televisão ficaram, ao que parece, com a sensação que o primeiro-Ministro, mesmo quase sem tempo para se preparar para uma etapa diferente da que tem estado a viver ao longo das funções que tem desempenhado sem grandes estorvos de adversários, sofreu um abanão que o obrigou a mudar de forma de apresentar os problemas, pelo menos dando ares de menos convicção de que está sempre no caminho certo e que os outros é que andam constantemente equivocados. Notou-se, pois, uma dose de modéstia que não se conhecia na forma de se mostrar de Sócrates.
Não creio que tenha tido absoluta influência a triste ocorrência da doença do seu irmão, o que, a dar-se, também se justifica e se lastima. Eu, por mim, levo esta alteração à conta de uma necessidade de sustentar o seu posto e de fazer diminuir as evidentes e públicas manifestações de desagrado que, já mais por uma vez, o público de rua fez questão de não ocultar.
Mas deixem-me também assumir um papel numa tão evidente mudança no aspecto e na fala de José Sócrates. As críticas escritas não têm faltado, sobretudo com evidente influência de tendências partidárias contrárias. E essas, na maior parte das vezes, evidenciam em excesso uma posição política que se situa bem longe daquilo que o Partido Socialista pratica. O que, levando em conta tais antologias ideológicas, diminui alguma coisa o valor das críticas.
Tenho consciência de que, nos meus escritos nestes blogues, tenho fugido a tomar posições dogmáticas. Preocupo-me com o Homem e não com o político. Nas circunstâncias tão difíceis em que Portugal se encontra, o que importa, segundo o meu ponto de vista, é que a pessoa que dirige os destinos da Nação olhe, acima de tudo, para o Portugal tal como ele se encontra e coloque em segundo lugar as teorias ideológicas que poderão influenciar, eventualmente, as medidas que há a tomar em cada caso (se bem que, se dedique mais a um socratismo do que a qualquer socialismo!)
E é por isso, que já divulguei o meu conselho: o de Sócrates não ter a seu lado alguém que seja um dos “lambe botas” que aplaudem tudo o que o “patrão” faz e diz. Que, em vez disso, tenha quem lhe chame a atenção para a forma como diz, como faz e como se comporta perante o povo, que esse quer saber as verdades, mesmas as mais duras e não se interessa por percentagens, por afirmações vaidosas, por promessas de acções que se sabe que não há dinheiro para as levar a cabo.
Falar verdade, abertamente, com simplicidade, com modéstia, sem medo de se culpar, de vez em quando, por erros cometidos, essa posição só lhe fará recuperar a simpatia que mostrava ao princípio da sua actuação como primeiro. E, se for preciso, não hesitar em meter na ordem os seus ministros que, se não os quer mandar para casa – nunca para lugares depois ricamente pagos -, pelo menos mostre que não se identifica com as suas “gaffes”.
Isto é o que um antigo jornalista, com centenas de governantes, portugueses e estrangeiros, entrevistados, com uma experiência directa e pessoal de acontecimentos políticos, os antigos horrorosos e os desajeitados que “choveram” depois do 25, é isso que um homem maduro e só interessado em não morrer com o panorama do seu País em tão degradado aspecto aspira.
Se não lhe servir de nada, pois que encontre outra forma de se desenvencilhar da má posição que está à sua espera. Mas, sobretudo, que Portugal não continue a cair cada vez mais no fundo do poço em que, por azar nosso, nem sequer tem petróleo!


Se desligar a luz é fácil,
já apagar as más recordações é tarefa
que não depende de dar ao interruptor.
Não há comando eléctrico
que possa afastar
aquilo que não se deseja que volte à memória.
O Homem
não é a tal máquina que se comanda com um botão.

domingo, 6 de julho de 2008

NÃO ENTRO


Porquê e para quê?
Esta pergunta que faço
me deixa sempre à mercê
de que o tempo e o espaço
me pretendam responder
mas a dúvida persiste
e sem nada poder fazer
a tudo sempre resiste
esta minha ansiedade
de encontrar uma resposta
de procurar a verdade
para galgar a encosta
tentar saber o porquê
da vida que eu não pedi
para que serve pr’a quê
este caminhar aqui
sem deixar nada de novo
algo que valha a pena
que mesmo não sendo estorvo
não vale p’ra pôr em cena
ser mais um, que muitos há
encher o mundo ‘inda mais
tantos milhões há por cá
e com tão poucos florais.

Culpo-me de encher o molho
d’imprestáveis sem valor
e quanto mais p’ra mim olho
maior se torna o horror
de não conseguir sair
da mediania atroz
de não ter luz p’ra luzir
nem no antes nem após
quando em jovem ainda podia
ou agora no meu fim
então futuro sorria
não vale agora chinfrim
já ninguém ouve nem quer
pois só gente mediática
seja homem ou mulher
mesmo sem saber gramática
mas tendo boas maminhas
se for panasca melhor
têm logo as louvaminhas
dos que só tocam tambor.

Só nisso não quero entrar
no grupo desses vaidosos
de fora e sem chorar
não pertenço aos invejosos

POR QUE SE VIVE?







Por que se vive
Para que se vive?
Esta pergunta faço-a há anos
e resposta nunca tive
enganos e desenganos
preencheram meu caminho
que sim, que valeu a pena
mesmo perante algum espinho
que não, não preencheu a cena
alguma satisfação.
Somado, feitas as contas
alguma desilusão
prazeres sem grandes montas
castigos de ordem física
foram mais que o deleite
porque tudo, até a tísica
teve de ser bem aceite
assim como outras maleitas
que atacam o ser humano
sempre de malas feitas
à espera do dia e ano
com esperanças, isso tem
que vão primeiro os demais
porque fica, sabe bem
com sorrisos ou com ais
a dúvida sempre mantendo
o porquê e para quê
porque isso de saber, sabendo
é coisa só de quem crê
e as lágrimas que compensam
mesmo sem sair nos rostos
as que por dentro se adensam
para disfarçar desgostos
essas também não respondem
à pergunta que amachuca
sempre que podem escondem
não quer cabeça maluca.


P’ra que me encontro eu aqui
se não deixo obra feita
por que razão eu nasci
se não foi esta a colheita
que marcou nome sabido
só aumentou o que havia
nem sequer causou ruído
mesmo com qualquer mania?

Quem não quer saber razões
não lhe importa ser um mais
nunca teve nem visões,
donde vens p’ra onde vais
é coisa que passa ao lado
esses não perguntarão
o motivo de viver
virá um dia o caixão
porque o fim, esse é morrer!


O porquê e para quê
outros que se amofinem
quem estes versos não lê
que por aqui não se finem.


Eu sozinho não desisto
Mas fico sem saber isto!