segunda-feira, 30 de junho de 2008

DESPERCEBIDO



Passar na vida sem nada acontecer
desde que saiu da mãe e até morrer
é algo de no túmulo se gravar
mas não é raridade, antes vulgar

Passar despercebido, ser boa gente
ser alguém entre muitos que ninguém sente
falar, falar às vezes e não ser ouvido
passar entre os homens e não ser sentido

Após morrer, chamarem boa pessoa
incapaz de ser alguém que atraiçoa
ninguém aponta um único defeito
mas também não se conhece qualquer feito

Eis o modelo de gente entre milhões
igual aos que não saíram dos padrões
mas a dúvida é ficar sem saber
se aquilo foi viver ou apodrecer

Quem não consegue viver em plenitude
anda por cá e não faz que algo mude

DESENCANTO...POR ENQUANTO!


Os princípios da minha vida de trabalhador-estudante, que nessa altura não tinha essa designação tão pomposa, passaram-se sempre à volta da rua Garrett, de Lisboa, por razões logísticas. E foi no extinto Café Chiado, engolido por uma empresa de seguros na voragem da ocupação de lugares com história, que, nas suas cadeiras de verga, passei muitos momentos da minha juventude, primeiro a estudar e depois a conviver, a sonhar e a produzir textos.
Também comecei aí a fumar. Na tabacaria existente à porta do local, por ver os outros também passei a comprar os meus cigarros. Já estava a funcionar o espírito de imitação que envolve os jovens… do qual me libertei bastantes anos mais tarde. Conforme comecei, assim acabei.
Os meus contactos sempre foram com gente mais velha e, também por isso, mais sabedora. A preocupação de não andar longe desse tipo de pessoas que, ao princípio, só via de longe, até que me comecei a roçar por elas no café e fui integrado nas suas mesas, essa ânsia terminou com vê-las sentadas à minha volta sempre que eu chegava primeiro. Depressa compreendi que o truque de ser aceite por gente muito mais velha do que eu era o saber ouvir e de falar apenas quando era necessário marcar presença. Ouvir, ouvir muito e bem e filtrar o que valia a pena, o que faço ainda hoje e será por isso que dizem que ouvem pouco a minha voz. De vez enquanto intervir com o maior cuidado, para não destoar do nível da conversação.
Assim fui levando a minha juventude até que, nem me lembro como nem porquê, mas julgo que pesou na decisão o facto de me entender bem com a língua francesa, foi na Livraria Bertrand que caí, por volta dos dezoito anos. E aí, tendo sido enfiado na secção de publicações estrangeiras, o meu contacto permanente com jornais e revistas de todo o mundo e, nos momentos em que podia fugir para o espaço da livraria propriamente dita, fazia o desvio para o mundo dos livros, essa zona tão cativante onde, sob o cheiro peculiar que exalam, era tentado a desfolhar obras novas, a ler passagens de autores preferidos, a gozar o silêncio das estantes atafulhadas, pois foi nesse mundo embriagante que se criou a pessoa que sou hoje. Para o bem e para o mal.
Talvez tenha sido a paixão que outros veriam nos meus olhos ao ladear as prateleiras à busca de algo ainda não conhecido por ter acabado de chegar, terá sido isso que despertou em alguns escritores que faziam daquele local um ponto de encontro e de tertúlia o interesse em conhecer melhor o rapaz que por ali aparecia. E entrei assim, pela porta dos fundos, num grupo que foi marcando a minha personalidade dentro do mundo das letras.
No meio de todo o enevoado de acontecimentos que presenciei ou de que fui parte, muita coisa ficou pelo caminho. Não me lembro. Talvez nem faça grande esforço para trazer à memória muitos dos acontecimentos de que fui parceiro, quantas vezes sem ter feito nada para isso. Foram, pois, aquelas figuras as que me levaram ao Café Chiado, o meu bem conhecido e a que me refiro um pouco atrás e em que as via percorrer o passeio em frente, foi com esses “monstros” das letras portuguesas com que eu passei a conviver.
Ali, como mais acima na Brasileira ou, mais recatadamente, um pouco abaixo na leitaria Garrett, conforme era do gosto dos parceiros ou as conveniências das companhias o indicavam que se ia tomar a nossa “bica”. E eu a escutar. Foram convívios marcantes, de que se sobressaíam sobretudo Aquilino Ribeiro e Gaspar Simões, entre outros.
Por essa altura e logo após ter ficado isento do serviço militar, por intermédio de uma personalidade marcante da minha juventude, o algarvio Roberto Nobre, fui incluído numa tertúlia semanal que se realizava numa leitaria existente na avenida da Liberdade, não me lembro do nome, do outro lado da antiga Bijou, em que compareciam Ferreira de Castro, Assis Esperança, e Fernando Santos.
Refiro-me a tudo isto um pouco para endossar responsabilidades. Foi devido a essas companhias que entrei no mundo da reflexão, do pensar antes de falar, de ter sempre a sensação de que o que vou dizer não tem grande importância pelo que é preferível ficar calado. Vem daí o meu receio de fazer má figura.
Feito este retrato, entendo que não devo referir-me mais a mim. Sou o que sou. Tenho a importância que tenho. O que escrevo só interessa a mim próprio. O valioso é analisar o mundo, ver como se comporta esse enxame de gente no seu conjunto ou uma a uma quando se isola. Quanto a mim, as circunstâncias foram-me favoráveis, mas não tenho porquê escondê-lo, aproveitei convenientemente as oportunidades que me calharam. Só lamento que, passados tantos anos, esteja eu aqui a recordar um passado e, de todos os intervenientes, só reste esta tão pouco brilhante criatura. O que daria eu para, ao menos uma vez, poder refazer esses vários conjuntos de figuras que deliciavam os meus ouvidos com frases, contextos, descrições que se perderam como desapareceram também as tertúlias de gente sabedora.




Quantas vezes sou assaltado pelo desejo de expressar toda a minha revolta quanto ao que considero estarem a ser cometidos erros pelos Homens.
Mas, para além de não me sentir dono absoluto da verdade, será que o mundo ganha alguma coisa pelo facto de dizermos aos outros aquilo que pensamos?
E, se ficarmos calados, por aí verificar-se-á algum benefício?

domingo, 29 de junho de 2008

AGRICULTORES PORTUGUESES EM RISCO


Ainda que não se possa considerar uma notícia em primeira mão, pois já há muito tempo que esta ameaça paira sobre a cabeça dos agricultores portugueses, mesmo assim temos de sentir o efeito da perspectiva que é apresentada pelo presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, de que, dentro de pouco tempo, duzentos e cinquenta mil agricultores do nosso País abandonarão a sua actividade.
João Machado, o actual responsável pela associação dos empresários que se dedicam à agricultura no nosso País, não “inventou” nada de novo. Pois que, para aqueles que têm memória entre nós e costumam ler o que se escreve na nossa Terra sobre os problemas que se instalaram por cá e que, de dia para dia, se vão agudizando cada vez mais – chamem-me pessimista, chamem-me o que quiserem, mas muito pior do que isso é enfiarmos a cabeça na areia e acreditarmos em milagres, sejamos ou não religiosos -, esses, sobretudo os milhares de agricultores que, anos atrás, cerca de vinte, eram assinantes de uma revista que teve grande aceitação junto dos homens do campo nacional, tiveram o aviso repetido de que se impunha dfar uma volta de 180 graus na política agrícola nacional, se queríamos que não se afundasse essa actividade que estava, dia a dia, a perder, a passos largos, competitividade perante os mestres do mesmo ofício dos países europeus, especialmente a Espanha, que estava, como está, aqui mesmo ao lado.
Qual era o principal problema? É que não é possível obter rendimentos, conseguir produções, sobretudo na agricultura, com pequenas áreas de plantação e não tendo tamanho para serem utilizadas maquinarias que substituem com vantagem a mão do homem, como depois, para se poderem obter bons resultados com a comercialização em grande escala sem recurso aos intermediários que, esse sim, tiram o maior proveito da pequenez dos que trabalham a terra.
E o mesmo se passa com as associações de agricultores que se espalham por todo o País. Em lugar de estarem reduzidas a áreas com a dimensão mínima suficiente que justifiquem a criação dessas organizações, com os serviços de apoio às culturas ministrados por técnicos competentes que prestem a ajuda que, cada vez mais, se torna necessária para evitar erros de falta de moderna tecnologia, assim como se nota a ausência de especialistas em comercialização, dentro e fora do País, com o propósito de evitar que os donos dos terrenos, por seu belo gosto, se dediquem ao cultivo de produtos que, depois, verificam desconsolados não terem as características que o mercado internacional pretende e nem o preço de venda se coaduna com o que é praticado nos mercados modelo, o de Paris, por exemplo, que é o orientador, em lugar de seguirmos essa regra fundamental o que praticamos por cá – e não é apenas nessa área que não atendemos à nossa verdadeira dimensão em todos os sentidos, única maneira de podermos fazer o jogo das competições -, repito, o que se pratica em Portugal é andarmos desfasados e não sabermos medir o nosso real tamanho.
O risco de uma desertificação massiva na área da agricultura que temos é o espectro que se apresenta na curva do caminho que temos a percorrer. E deixar este aviso – digo eu, de novo, porque, há cerca de vinte anos, quando eu fui lançador e director da revista “o País Agrícola”, deixei este recado a quem o quis ler (e, na altura, o ministro da Agricultura da época, António Barreto, até ignorou a ideia de aproveitar a experiência de uma associação israelita no sentido de podermos dar o salto que se impunha para sairmos do amadorismo agrícola em que sempre andámos -, servirá agora para o que valer – pouco -, posto que ter razão antes de tempo nunca deixa grandes frutos aos seus autores.
Faz-me pena que sejamos uma Nação de surdos, de “responsáveis” incompetentes, de vaidosos que não precisam que outros lhes chamem a atenção para medidas que devem ser tomadas. Eu, na altura, fiz o que pude e organizei até excursões de agricultores portugueses a Israel para verem, “in loco” o que lá se fazia e que poderia ser copiado por nós.
Mas o Ministério respectivo achou que não!

sábado, 28 de junho de 2008

JUDEUS


Sou feliz por ter amigos judeus
Aqui, no País e em Israel
Uns sendo crentes e outros ateus
Mas sempre com amizade fiel

São gente capaz, de alma bem pura
Gostando de ser aquilo que são
Sem perder nunca boa compostura
Tratando-me sempre como irmão

Só quem não quer ver não o acredita
Que sim, passou-se grande holocausto
Onde milhões sofreram a desdita
Depois de, um a um, ficar exausto

Antes a diáspora foi real
Por lá nos anos de mil e quinhentos
Esse rei Manuel foi-lhes fatal
Causando-lhes tantas dores, sofrimentos

Perderam eles, perdeu Portugal
A mais valia foi para além
Ficou-se por cá, neste lodaçal
E não lhes foi dada Jerusalém

Ganhou forais essa Inquisição
Que hoje tem um nome diferente
Andámos sempre no sim e no não
Sem ter chegado a um finalmente

Não sou judeu, porém melhor pensando
Chego a julgar que muito gostaria
De me poder aos poucos transformando
Num membro fiel de judiaria

Não que eu fosse total cumpridor
De regras como de ortodoxia
Bastava-me só ser um seguidor
Poder gozar de boa companhia


Com tal saber e tamanha mestria
Como provaram a todo o mundo
Não foi bastante tamanha sangria
Para os colocar lá bem no fundo

Foram inúmeros os Prémios Nobel
Mais do que os outros povos ganharam
Sempre lhes coube assim o papel
De calar muitos que os desamaram


DESENCANTO... POR ENQUANTO!





Tenho um grande amigo, médico, judeu, que é daquelas pessoas que merecem a minha muito especial admiração, como ser humano, de entre as que circula na área em que me movimento.
Nasceu em Portugal, em pleno Chiado, na rua Ivens, por sinal, no prédio ao lado onde também viu a luz Fernando Pessoa. Cá se formou médico, tal como seu pai e outros familiares, descendente de um família que não abdica da sua característica judaica, sejam praticantes ou não – e isso é-me indiferente e até confesso que não acho grande graça aos chamados ortodoxos -, desfrutando do respeito de toda a comunidade residente no nosso País. Tem muitas qualidades humanas. E é mação. Tinha de ser. Ah! O seu nome: Joshua Ruah.
Não pesa nada no meu apreço por este meu estimado amigo o facto de ser judeu. Mas, o que não deixo de reconhecer, é que, tanto quanto e até hoje tive ocasião de constatar, os judeus formam uma comunidade verdadeiramente distinta, em qualidade, de muitas outras populações por esse mundo fora. Tive oportunidade de conviver com judeus portugueses e com muitos residentes em Israel. Por isso, não ponho dúvidas no meu julgamento.
A base cultural do referido povo é, na grande generalidade, muito elevada. E, sobretudo os que vivem no País que é hoje o seu - Israel, claro -, esses, por serem oriundos das mais variadas origens e terem transladado as suas vidas com o intuito de enriquecer a Pátria que assumem ser a sua por direito, com isso transportaram elevados conhecimentos, técnicos, científicos, culturais, que têm feito com que uma Nação tão nova tenha já a força que, mesmo os que os odeiam, são obrigados a reconhecer. E as diferenças que se verificam com o que sucede nas nações vizinhas de Israel, esse distanciamento a todos os níveis dá como resultado que, um pequeno espaço territorial e mínimo de população, se apresente com a importância que os outros não têm. Mesmo os que contam com a riquesa do petróleo nos seus subsolos.
Este meu amigo médico, judeu, descende desse grupo tão importante, os sefarditas, resultantes das expulsões da Península Ibérica, primeiro pelos reis Católicos de Espanha e, logo a seguir, por D. Manuel I, o que constituiu um erro histórico de que beneficiaram outros destinos, como sucede com a Holanda, cujo Amesterdão, por exemplo, se transformou num centro de comércio mundial.
Sendo um povo que foi vítima de múltiplas perseguições, resistiu sempre e conseguiu mostrar a sua força e valor. Grandes cabeças saíram do ambiente judaico, ao ponto de uma grande percentagem de Prémios Nobel ser constituída por personalidades judias.
E aqui está. Tinha que desabafar aquilo que desde sempre constitui a minha forma de apreciar esse grupo de habitantes do mundo. Sem discutir razões históricas que determina que cada um dos povos assuma que a verdade lhes pertence – sendo certo que existem sempre três verdades, a de um, a do outro… e a verdade -, o que parece indiscutível é que Israel, existindo como País há tão pouco tempo, em comparação com todos os seus vizinhos que ali estão há séculos, apresenta-se com um desenvolvimento cultural, de todas as matizes, que, obviamente, provoca, entre outros sentimentos, uma reacção de inveja e de medo político que origina os ódios que lhe são dirigidos.
Divergências religiosas? Pois também, mas os muçulmanos não resumem as suas divergências apenas com os judeus. Para eles, de uma forma geral, todas as outras crenças não são consideradas amigas. Trata-se, por isso, de um distanciamento que não terá solução através da razoabilidade. Penso eu e oxalá me engane.
Por tudo isto, mas sobretudo porque o meu amigo judeu, médico, é uma excelente pessoa, um óptimo profissional e um português de grande craveira, tenho por ele um carinho de um irmão que se ama. É um exemplo.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

RESPONSÁVEIS PRECISAM-SE


É evidente que não é possível que um primeiro-Ministro, um presidente de Câmara municipal e até um alto responsável quer de uma instituição do Estado quer de um qualificado sector particular, possa estar ao corrente em pormenor de muitas das deficiências que ocorrem no sector que se encontra sob sua responsabilidade. Não acompanhará a par e passo os pormenores da actuação dos diferentes departamentos, mas o que não pode nem deve é excluir-se dos efeitos malévolos que sejam provenientes das acções deficientes resultantes da área que comanda, ainda que seja muito por cima.
Chegando ao exagero, pode-se dizer que, numa escala de valores e de responsabilidades, um erro praticado por um funcionário menor, por exemplo, de um ministério, tendo de ser, evidentemente, assacada culpa ao autor da prática deficiente e aplicadas as sanções que estarão previstas nos regulamentos, como devendo ir-se apurando, na escala de funcionários sucessivamente superiores, a responsabilidade final, queiram ou não queiram aceitar os senhores poderosos dos lugares chorudos, essa responsabilidade pertence ao chefe máximo de toda a organização, repito, pública ou privada. Logo, se for caso disso, o responsável número um será o chefe de todo o Governo.
Este aparente exagero de apontar culpado poderá assemelhar-se uma perseguição com pouco sentido, pois que será levar ao exagero o esticar do dedo ao mais alto, ao que, afinal, sempre que sai alguma coisa bem no País, logo surge a lançar loas sobre si mesmo, falando no mau antes e no bom agora. Esclareça-se, seja o actual primeiro-Ministro, sejam todos os que passaram por S. Bento desde que se tornou necessário fazer propaganda do umbigo próprio, para tentar manter-se à frente em eleições, mais algum tempo, no fofo do cadeirão de S.Bento. Mas, a verdade é que, num País onde toda a gente se quer escapar de ter culpas, de assumir responsabilidades, de se declarar autor de um erro, é preciso começar por cima e não ter qualquer complexo – como eu não tenho de todo – em declarar que, na maioria dos casos, o que corre mal no nosso País deve ficar arquivado na memória histórica de todos e ser deixado bem claro que o acusável é, acima de todos, aquele que se propõs e aceitou ser o comandante de todo o grupo governamental.
Se algum – ou até mais do que um – dos seus ministros não cumpre, cabe ao chefe pô-lo a andar e ter o cuidado, isso acima de tudo, de não lhe arranjar um daqueles “tachos” que, como sempre acontece, são entregues mesmo aos que deixaram para trás uma obra criticável, quando não criminosa até.
Portugal está repleto de figuras de antigos responsáveis ministeriais que, tendo deixado sem saudades os postos que lhe tinham sido arranjados (quase sempre por via partidária), se encaixaram, logo de seguida, em cadeirões empresariais, geralmente bancários, onde passaram a usufruir ainda maiores regalias do que antes. E o grave é que esse lugares estão situados em sectores empresariais que antes receberam descarados favores ministeriais, com as assinaturas dos que, depois, ali foram sentar o seu rabinho nas respectivas presidências ou lugares semelhantes.
Isto que aqui deixo escrito não é segredo para ninguém. Poderia deixar uma lista de personalidades que, se lddem este blogue, sentiriam as orelhas a arder. Só que não o posso fazer. Num País onde a justiça tarda imensidades de tempo para solucionar os casos que se deviam resolver com rapidez, se fosse aqui que surgisse a tal lista, sem a menor dúvida que cairia aí uma montanha de processos movidos por gente que reclamava “ter sido atingida na sua honra”…
Honra! Como se fosse isso que importasse aos muitos dos culpados pelas ineficiências com que deparamos na nossa Terra. Com todos aqueles casos que, se existisse, desde a Presidência do Conselho de Ministros e até aos chefes dos municípios, gente cuja missão seria essa de levar ao conhecimento dos seus superiores os casos escandalosos que necessitam ser tratados com a maior urgência e o melhor bom senso e que, pelo contrário, se arrastam por anos e anos sem saírem do ponto morto em que se encontram, se existissem esses serviços talvez, mesmo com pouco dinheiro, o aspecto de Portugal fosse outro. Mas, claro, tais sectores de transmissão dos erros crassos aos chefes directos, só poderiam ser ocupados por gente séria, icorruptível, competente. Logo, bem paga.
Mas, o tanto que daria para escrever este tema que aqui fica guardadinho num humilde blogue!...
Logo, como sucede com tudo que é útil e importante neste nosso País, ficamo-nos pelos desejos e pelas intençoes. Mais uma vez cabe-me o de sempre: ter razão antes de tempo!...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

COMPARAÇÕES PARA QUÊ?


Já nada nos pode fazer ficarmos extasiados com as notícias que surgem diariamente em tudo que é comunicação social – e isto que, grande parte nem chega a sair das Redacções, posto que, cada vez mais, o cuidado em não ofender excessivamente o Poder, qualquer que ele seja, domina os grandes centros empresariais de informação -, já não nos admiramos ao ponto de considerarmos quase tudo como normalidade e não abrirmos já muito a boca de espanto.
O caso que hoje ocupou algum espaço na página de um diário refere-se ao subsídio que era concedido aos polícias para pagarem a sua farda, ou seja, que apesar do aumento do custo de todos os elementos do uniforme, como, por exemplo, uma camisa que ,em 1989, custava o equivalente a um euro, hoje não se compra por menos de sete vezes esse valor, continua tudo como nos belos tempos.
Mais explicitamente, pois: há cerca de vinte anos que o subsídio para os fardamentos da PSP e da GNR não é actualizado. Eram cerca de mil escudos que, desde 1989, o Estado concedia aos guardas para custear as roupas e acessórios, valor esse que se transferiu para 5,50 euros com a nova moeda, e que era descontado por parcelas no ordenado base dos agentes.
A pergunta a fazer e a que todos sabem responder é como é possível um jovem guarda, acabado de entrar na corporação, com um ordenado que ronda os 750 euros, com família para sustentar e encargos normais de um cidadão cauteloso nos gastos, pode suportar que lhe descontem no salário prestações que lhe são exigidas por quem dispõe do livre arbítrio de atribuir tais pagamentos desfasados? Nem serve para nada acrescentar que, na União Europeia, cabe às instituições fornecer graciosamente as fardas, isto enquanto cá no nosso País, como tinha que ser, constituímos a excepção. Para pior, claro!
E depois, querem que os agentes que escolhem a vida policial portuguesa como modo de vida, sejam aqueles exemplares modelos que vemos em Inglaterra, por exemplo, em que só o aspecto austero mas confiante garante uma eficiência de actividade que não tem semelhanças ao que assistimos em Portugal. Mas mais vale ser agente policial nesta Terra, do que ficar desempregado na altura em que os jovens tanto precisam de uma profissão!
Pôr mais na carta, para quê?

quarta-feira, 25 de junho de 2008

TRISTEZAS SEM CURA Á VISTA...


Já nem é preciso escrever nas entrelinhas. Com a maior clareza as opiniões expressas nos vários órgãos de comunicação social não deixam dúvidas: a crise que atingiu o nosso País aumenta a olhos vistos e nem as notícias lançadas pelo primeiro-Ministro, com o seu ar risonho de que tudo caminha às mil maravilhas, nem tais sopros de optimismo mal dominado conseguem fazer com que os cidadãos que estão conscientes das realidades vejam renascer uma luzinha de esperança no fundo de todo o seu cepticismo.
É preciso que alguém – que mereça o mínimo de confiança de José Sócrates, que não parece ser pessoa com grande capacidade para ouvir as opiniões dos outros – diga ao responsável governativo que não é possível passar todo o tempo das suas intervenções a pintar com cores de rosa por cima do que se encontra negro de breu, quando o que é precisa, isso sim, é limpar completamente o quadro sujo e recomeçar tudo de novo.
Claro que, antes do mais, o essencial é que não falte o bom senso a quem tem de tomar as decisões, especialmente as mais importantes e as mais urgentes, usando com critério as opções, colocando por ordem o que tem de ser encarado de imediato e deixando para depois o que pode esperar.
É preciso pôr mais na carta, engenheiro José Sócrates? Agora, com uma concorrente que se deseja que tenha aquela capacidade para falar claro e dizer ao Povo aquilo que ele há tanto tempo aguarda que lhe sejam transmitidas – seja qual for a cor política que cada cidadão ainda mantenha no seu armário de inclinações -, as verdades sobre a nossa real situação e os impulsos para que se deixe de greves e exigências de tipo social e dê tudo o que tem para dar, na sua actividade, para fazer progredir o País, perante o que parece ser (e oxalá seja, dra. Manuela Ferreira Leita, a pessoa que faltava na oposição!) uma forte concorrente ao lugar de comando dos ministros da governação, só lhe resta deixar-se de fantasias políticas, em que já poucos dos seus seguidores socialistas acreditam. É o que se diz por aí…
Termino esta recomendação com a repetição dos assuntos que não podem continuar a ser motivo de discussão nacional: há muitos, mas ficamo-nos, por agora, na questão casmurra de querer correr desaforadamente para o novo aeroporto de Lisboa, sem esgotar na totalidade o espaço que ainda existe na Portela e que dá para passarmos este momento de “vacas magríssimas” sem pensarmos em “riquismos”. Esse é um, mas também a questão da compra dos dois submarinos, ideia que foi inventada por uma anomalia da política portuguesa, apenas com o intuito de fazer ficha, a qualquer preço, na lista dos célebres que por aí se vão acumulando em várias áreas. Por fim e por agora, já que não há dinheiro nem para comprar fardamentos à Polícia, que se comecem a vender as instalações, que são muitíssimas, que se espalham não só por Lisboa mas pelo resto do País, e, com esse e outro dinheiro que seja obtido, dedicar a maior atenção também cuidar da saúde nacional e dar remédio, quanto antes, a essa vergonha a que chegámos de se terem “esgotado” (para usar uma expressão comum) os médicos portugueses, ao ponto de ter sido necessário “importar” profissionais espanhóis, com a agravante – toma-se agora conhecimento – de os mesmo médicos espanhóis estarem a regressar a casa, posto que o Governo vizinho viu o problema e resolveu “num ápice” oferecer melhores condições e maior estabilidade laboral aos seus profissionais. Não dormem em serviço!
O que é que um blogue, com as aspirações limitadas como é este que eu vou redigindo diariamente as minhs amarguras, pode alargar-se para além destes temas soltos que, todos juntos, fazem parte das nossas aflições de cidadãos portugueses?
Bem gostaria eu de dedicar o espaço que me concedem os blogues a cantar hossanas aos feitos dos homens que, por sua livre vontade, se dedicam à política, nem que seja como passadeira para um daqueles maravilhosos lugares onde, depois, passam a ter remunerações de loucura.
Gostava, sim senhor. Mas eles não me deixam. Por isso, que levem na cabeça, nem que seja só de mim!

terça-feira, 24 de junho de 2008

DESENCANTO...POR ENQUANTO!

Eu não sou hoje o que era ontem.
Por isso, muito menos sou agora o que fui em tempos bastante passados.
Nesta altura não actuaria da mesma maneira como me comportei noutras épocas.
Os meus olhos não vêem neste momento, tal e qual o que contemplavam anos antes.
Não foi o panorama que se alterou, foi a objectiva que parece ter sofrido certa mudança. Desgastou-se ou foram-lhes acrescentadas outras características.
O sabor também sofreu modificações. Recordo-me do que gostava e do que passou a ser menos saboroso. E o contrário.
Os próprios ouvidos, esses não dedicam idêntico apreço pelos mesmos sinais sonoros que, noutras épocas, mereciam uma atenção particular. Deixaram de prestar atenção a tais sons ou, pelo contrário, passaram a ser apreciadores do antes pouco valioso.
Não. Não sou hoje o que fui ontem.
E pergunto-me: será que aqueles que não mudaram, que se mantêm toda uma vida fieis aos mesmos sentidos do prazer ou de repulsa, será que esses podem afirmar que aproveitaram cem por cento todas as variantes da vida?
Serão talvez mais felizes. Quem sabe? Por serem mais constantes.
Será possível, mesmo não tendo tido a oportunidade de conhecer os dois lados da moeda?

CASA DA IMPRENSA


Como jornalista profissional que fui ao longo de muitos anos, nessas condições sempre aderi à Casa da Imprensa, organização criada ainda nos tempos da Velha Senhora e que ajudava, especialmente no sector da saúde, os trabalhadores que tinham escolhido o sector da comunicação – primeiro os jornais e, mais tarde, os outros órgãos ligados à mesma actividade -, sendo que, na realidade, o apoio que recebiam os necessitados de médicos, medicinas, internamentos, análises e de todas as investigações do sector da saúde, era-lhes dado sem pagamento ou com participações praticamente simbólicas.
Durante anos assim correram as coisas e muitos jornalistas (cujas remunerações nunca foram das mais fartas deste País) beneficiaram das vantagens que usufruíam os próprios e as suas famílias, ainda que esta com reduções de facilidades, o que lhes aliviava bastante o pesado fardo que constitui a actividade intelectual que têm de exercer permanentemente.
Anos atrás, uma pequena percentagem da publicidade que era inserta nos diários era destinada obrigatoriamente para a Casa da Imprensa, valor esse que interferia saudavelmente nas finanças daquela organização. Mas tudo que é bom, neste País, acaba-se. E um abastado proprietário de uma vasta gama de publicações e também com posição maioritária na televisão e na rádio, ao passar pelo sector governamental não teve outra ideia que não fosse eliminar de raiz esse montante proveniente da publicidade. E a Casa da Imprensa viu-se diminuída a uma gestão que não lhe permitia assumir os compromissos sociais que, durante muito tempo, estavam a seu cargo.
A partir daí tudo começou a ser mais difícil. Foram-se acabando sucessivamente as facilidades de que usufruíam os jornalistas. E, de diminuição em diminuição, chegou-se ao ponto de hoje: os profissionais da Imprensa se encontrarem em igualdade de circunstâncias de todos os demais cidadãos, isto é, dependentes das Caixas de Previdência e entregues aos longos períodos de espera de assistência que os portugueses tão bem conhecem sempre que sentem que a saúde lhes falta.
E escrevo isto num blogue, porquê? Porque, ao contrário do que seria de esperar, sobretudo quando se assiste às múltiplas manifestações públicas pelos mais diferentes motivos que têm a ver com reduções de benefícios a trabalhadores dos mais variados sectores, no que diz respeito aos jornalistas e existindo um Sindicato e uma Casa da Imprensa, o silêncio tem sido mantido. Ninguém se queixa. Não se levanta uma voz. E até nas assembleias-gerais que se realizam de tempos a tempos para serem discutidos os problemas que afectam a classe, a participação de interessados limita-se a uma dúzia de presentes que ali deixam de viva voz o seu descontentamento. E nada mais acontece!
Não há dúvida. Em casa de ferreiro espeto de pau. Se é verdade que, nunca como agora, a comunicação social esteve tanto nas mãos de empresários que lidam com o seu negócio da mesma forma que poderiam gerir um banco ou uma companhia rica que tem os olhos postos, única e exclusivamente, no rendimento que a actividade lhes proporciona (para não referir o outro benefício tão importante que é o dominarem a opinião pública e poderem interferir no sector da política), apesar disso, sempre seria de esperar que os que sofrem as consequências do mau tratamento que lhes é dado por uma organização que sempre primou pela defesa e protecção dos trabalhadores na zona da Imprensa, levantassem a sua voz e dessem a conhecer publicamente o desprezo a que estão entregues na situação actual da governação portuguesa.
Este é um desabafo. Só isso. No que me cabe, só me resta pagar as cotizações que são obrigatórias, quanto mais não seja para poder assistir às assembleias-gerais que lá se vão realizando, pelo menos para os profissionais mais antigos, confirmarem que ainda se encontram vivos e para se abraçarem plenos de saudades dos velhos tempos em que, mesmo com a PIDE, a Censura e as dificuldades em conseguir que alguma que outra notícia passasse as malhas dos lápis vermelhos, assim mesmo sempre usufruíam das vantagens que a Casa da Imprensa lhes dispensava, nos momentos maus em que a saúde pregava alguma partida.
Resta recordar. Esperança no futuro é coisa que este País já deixou escapar há mais tempo do que seria aceitável suportar-se. Mudam os governantes, surgem outras promessas. Diz-se mal do que esteve antes. E nós, jornalistas, tanto faz os antigos como os acabdos de chegar à classe, permanecemos contemplativos. Lá vamos, de vez em quando, à rua da Horta Seca. Mas para quê?

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Há quem defenda o princípio de que é preferível construir coisas,
mesmo sem qualidade, do que não fazer nada.
Não sei.
Tanta obra monstruosa que tem saído das mãos do Homem,
não seria preferível que se mantivesse o vazio?
Que digo eu?
Então seria mais próprio, amanhã,
quem, por ventura, vier a querer ler este texto,
encontrar, em seu lugar, um espaço em branco?

É A HORA!

Já Pessoa alto gritava
Sua Mensagem divina
Que esta Pátria mal andava
Que navegava à bolina
Sujeita a toda a rapina
De quem bem se colocava

É a hora, dizia ele
P’ra sair do nevoeiro
Surgir a força que impele
Em momento derradeiro
Que transforma o fel em mel
E que venha um novo obreiro

Mas atenção, olho alerta
Que seja alguém desta terra
Que não tenha ordem por certa
Que fuja de qualquer guerra
Sendo denso o nevoeiro
Liberdade por inteiro
É sempre janela aberta

Se Pessoa ‘inda existisse
Cantando a sua “É a Hora”
Diria o que então não disse
Deitava p’la boca fora
Que em lugar de um Bandarra
De alguém com força e mão dura
Seja quem com uma fanfarra
Toque contra a ditadura

Outro rei Sebastião
Mas sem ares de salvador
E com determinação
Que se empenhe com rigor
Na governação do País
É o que se espera afinal
Para um futuro feliz
Desta Pátria: Portugal

MANUELA FERREIRA LEITE


Esta coisa de confiarmos nas novas tecnologias, nestes aparelhos que mal conhecemos – mas que a miudagem domina como tendo nascido já com toda a ciência aprendida de outra geração -, concretamente isto dos computadores que, quanto a mim, ainda estão por inventar (assim como os telemóveis), pois deveriam poder falar connosco e dar-nos indicações de como resolver os problemas que surgem inesperadamente, repito, esta dependência a que estão sujeitos os mais velhos que, afinal, já não podem passar sem o auxílio que é prestado, particularmente na escrita e no “guardar como”, que tanto espaço poupa para não acumular papeis e para, quando não se perdem nas horrorosas profundidades dos seus inúmeros locais secretos, lá irmos encontrar o que ficou escrito antes, e repito de novo, esta máquina infernal que é útil quando não prega partidas aos velhos, quis, neste final de semana que passou, deixar-me sem aquilo a que, na única língua que utiliza, chamada de Internet, e, quanto a blogues, que é o pouco que aprendi, mesmo mal, quanto a ir-me desenrascando, não pude escrever uma única linha. E se havia coisas para dizer!
Pois bem, fiz um regresso a dois anos atrás e “rapei” do papel em branco e da caneta. E lá comecei a tentar desembrulhar-me nessa prática que tinha deixado pelo caminho, quando escrevia à mão no café e, só depois, passava ao teclado que, esse, nunca perdi a prática trazida dos meus muitos anos de jornalismo escrito com rapidez, dado que havia, nesses tempos, os revisores que se encarregavam das “gralhas” e dos verbos mal colocados. E alguns desses, autênticos mestres da nossa língua, gente que o avanço tecnológico foi fazendo desaparecer, mas faziam o “milagre” de colocar em bom português o que a urgência da notícia muitas vezes deixava passar. Aqui deixo, pois, neste humilde blogue, a minha singela homenagem a tantos rabugentos mas sabedores profissionais que não perdoavam aos jovens jornalistas a ignorância quando a davam a conhecer nos textos que produziam de rajada.
Com todo este preâmbulo, enquanto oiço uma linda valsa de Chopin, tocada pela tão mal reconhecida Maria João Pires, num domingo soalheiro que, dado o escandaloso preço da gasolina obriga a que pensemos duas vezes antes de pormos o carro a trabalhar para nos levar a uma praiazinha, mesmo perto, paras gozar dos prazeres e dos perigos do sol , depois de ter assistido ao Congresso do PSD que uma televisão transmitiu, principalmente para ficar a conhecer aquilo que a Manuel Ferreira Leite tinha para dizer, deitei-me pois ao trabalho de retirar alguns elementos que, por ventura, possam servir para fazermos as nossas contas quanto ao que poderá vir a suceder daqui para a frente, agora que José Sócrates, sobretudo ele, terá de seguir um de dois caminhos: ou, mantém-se indiferente ao que perecem ser ameaças à sua actuação de Governo, continuando a sua política de auto-convencimento de que ninguém é capaz de ser mais eficiente do que ele e que possui a melhor equipa governamental que seria possível conseguir no meio do grupo socialista que domina, ou, pensando melhor e precavendo-se quanto ao futuro que já está à vista, nas próximas eleições parlamentares, começa por dar já uma volta no elenco que tem em seu redor e, simultaneamente, face ao desagrado que grassa por aí quanto à situação económica, política e social que Portugal atravessa, baixa o tom do seu convencimento de que estão todos enganados e que o que se passa por cá não é senão uma pura ilusão dos pessimistas e que, servindo-se das percentagens que tanta gosta de utilizar, mantém que não caminhamos para o descalabro, mas sim para a aproximação desejada dos níveis de vida dos nossos parceiros europeus.
Cabe-lhe a ele a escolha. Depende da sua capacidade de análise, da perda de intransigência, da aceitação dos conselhos dos que o rodeiam e ainda possam ter algum bom senso. E, dentro desta possibilidade, chegar junto do povo português e apresentar, sobretudo com modéstia, com sentido de certa culpa por nem sempre o homem poder acertar, e nestas circunstâncias, dar a conhecer a lista de reformas que ainda poderá estar a tempo de fazer.
Eu, por mim, não tenho nenhum dedo mindinho que me garanta que Manuel Ferreira Leite seja a pessoa com capacidade para levar por diante a lista de erros que, tendo apontado a Sócrates, terá possibilidade de os emendar. A sua actuação nos governos em que participou não me garante nada! Devo dizê-lo com a maior das franquezas. E como gato escaldado de água fria tem medo, é-me lícito rodear-me de todas as dúvidas. Só vendo, como diz o cego!
Que a burocracia administrativa é excessiva, já todos estamos fartos de saber. Também não era preciso realizar-se um congresso qualquer para tomarmos conhecimento de que a distribuição da riqueza em Portugal está escandalosamente mal repartida. De igual forma, referir-se à perigosa lentidão da Justiça cá pelo nosso burgo, é assunto que qualquer cidadão deste País, muito bem conhece, pois já teve de esperar, bem sentado, por resultados saídos dos nossos Tribunais e que tardaram infinidades em aparecer. E, no caso da saúde, claro que não pode ser matéria guardada na gaveta, mas surgir um pretenso futuro primeiro-ministro que não falasse em tão melindroso tema, seria o mesmo que não oferecer aos pedintes uma esmolinha para matar a fome.
Isto, para dizer que a nova presidente do PSD não trouxe novidades. Promessas fê-las, como lhe competia. E até é possível que as suas intenções sejam as melhores. Isto é, que tenha consciência de que os temas em que tocou façam parte das motivações que a levaram a apresentar-se à candidatura do lugar que veio a ocupar. É o caminho para poder vir a conquistar o comando do próximo Governo. E nós cá estamos para desejar que, se o conseguir, cumpra tudo e não surjam depois as desculpas dos que, ao atingirem o cima da escalada, as malditas percentagens logo aparecem,o que dixa o povo confuso e desinformado.
Mas, por agora, só nos resta ter esperança de que José Sócrates esteja a sofrer um susto. Que se deixe de corridinhas para manter o físico e se dedique a desenvolver o cérebro, que o mesmo é dizer, ponha de lado as certezas de que não comete erros, consulte mais os que sabem alguma coisa e não os que andam à sua volta com “louvarinhas” e a comer do orçamento. À grande e à francesa, como se costuma dizer.
Se outro mérito não teve o discurso de Manuela Ferreira Leite, pelo menos este serviço se lhe fica a dever.
E olhem. Este texto que era para sair ontem, ainda quentinho logo a seguir ao Congresso, teve de esperar que o malvado do computador se curasse da maleita que lhe deu. Talvez tenha sido até melhor assim. Deu-me tempo para pensar. E para escrever que, muito preocupado pelo largo tempo que se tem perdido em Portugal com acusações, discursos, lembranças do que se passou,
do que foi mal feito, o que nos resta agora é apenas contiunuar a sofrer e esperar que todos os erros cometidos tenham servido para alguma coisa.
Nós, portugueses, é que não temos capacidade para esperar mais tempo. Não aguentamos, Esvaziaram-se os bolsos. E foi-se-nos a paciência.
Ao menos que se esqueçam por agora e enquanto não voltar de novo a mania das grandezas que são precisos submarinos, que o aeroporto de Lisboa pode ficar mais algum tempo onde está, que só devemos fazer investimentos se os mesmos forem de absoluta primeita necessidade, que deixemos os carros oficiais guardados numa central de automóveis, que vendamos os edifícios, sobretudo e os ocupados com equipamentos militares e usemos esse dinheiro á ajudar a criar indústria que dê emprego a tantos milhares de desocupados, etc., etc. etc.
É que há tanto de útil a fazer, meus senhores, que até se nos cria um aperto na garganta lusitana ao assistir-se às discursatas de total inoperância.
E o que eu tinha para encher este blogue, senhores meus!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Já ouvi dizer que um escritor não se arrisca.
E isso, para mim, é o mesmo que afirmar que só corre riscos quem atravessa a rua despreocupadamente, ignorando as passadeiras dos peões, quem passa junto a um prédio em obras ou, muitas vezes mais afoito, resolve aventurar-se a subir os Himalaias. Não é apenas isso – e já é muito – que serve para alinhar nas experiências de arriscar.
Quem escreve e dá a ler aos outros o que lhe sai em prosa ou em verso enfrenta as críticas, especialmente as malévolas, de quem considera que a obra publicada não merece o apoio de quem perdeu tempo a apreciá-las e sujeita-se, por isso, a ser apontado como um mau cumpridor da tarefa a que se entregou.
E, dentro deste ponto de vista, sucede o mesmo aos que pintam e esculpem, aos autores musicais e, obviamente, aos que interpretam, com a voz ou com um instrumento musical, as composições dos outros.
Logo, o não fazer nada ou não dar a conhecer aquilo que constitui um atrevimento de produção, é a situação mais cómoda para não se ficar ao sabor das críticas.
Não se sujeitar a tal exposição é uma maneira de viver em tranquilidade, muito embora não se fique alguma vez a saber se valeu ou não a pena conhecer a opinião alheia.
Eu, pelos vistos, quero correr o risco de ficar a saber o que os outros pensam das minhas escritas e das minhas pinturas. E, mesmo que opinem desfavoravelmente, o mais que posso fazer é não fazer caso de tais opiniões ou admitir que têm mau gosto. Ou então, aceitar, modesta, embora dolorosamente, o ponto de vista dos outros.
Com tudo isso, eu cá vou continuando. Teimosamente…

A PAZ

Anda este mundo às avessas
Os homens nunca se entendem
Estão as cabeças possessas
Que do mal não se arrependem

A guerra está-lhes no sangue
Ambições, ódios primários
Deixar o povo exangue
Fazer das vidas calvários

Matam-se por guerras santas
Ao gosto de Satanás
Nem lhes doem as gargantas

De gritar qual Ferra Brás
E pergunta-se aos jamantas
Que é preciso pr’haver paz ?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

VIVA O FUTEBOL!


De facto, isto de escrever de rajada, sem tempo quase para dominar o gatilho, tem os inconvenientes idênticos aos do crime cometido sem uma reflexão antecipada. Mas, depois do acto cometido, já não há nada a fazer, caso o papel se encontre ainda na nossa posse por não ter ido parar, entretanto, ao caixote do lixo.
Na verdade, quando me insurgi, noutro texto que já foi devorado pela Internet, a um certo tipo de indignação pelo facto desta gente cá do burgo se encontrar dominada pelos acontecimentos relacionados com o futebol e, particularmente nesta ocasião, ao campeonato da Europa que ocorre por aí, quando não tive capacidade para colocar os pés na terra e observar friamente o que se passa à minha volta, o que fiz foi somente isolar-me da multidão, da maioria das pessoas que, por serem muitas, mais do que eu só, têm democraticamente razão.
Mas hoje assentei. Resolvi instalar-me numa esplanada do meu bairro lisboeta e fazer o consumo habitual, por sinal em custo crescendo: uma bica cheia e um copo de água. E, a partir daí, pus-me a ver as pessoas a passar e a ouvir as conversas, em voz alta, que saltavam das mesas em redor da minha.
E que presenciei então? A maioria dos homens com jornais desportivos debaixo do braço e, noutros casos, eles e elas muito interessados em observar as fotografias das mulheres dos jogadores de futebol que estão na moda, a maioria em trajes sem preocupação de esconder as belas partes carnudas, com títulos de intimidades, como sejam se ainda convivem ou se já desfizeram os casamentos, e até uma dessas intervenientes a indicar que foi no México que “fabricou” o rebento que mantinha no colo. Só faltou indicar a cor dos lençóis do local “histórico”do acontecimento!...
Perante estas realidades, meto a mão na consciência de português que sou e não consigo encontrar outra resposta à pergunta que tantos por cá talvez façam: se andamos rodeados de tantos problemas, se aqui, em Portugal, a vida que nos é deixada levar se apresenta cada vez mais difícil, se os recursos que nos são postos à disposição são cada vez mais curtos, se as reformas, o desemprego, as empresas em decadência, tudo, não esquecendo os combustíveis (esses, então!...), tudo faz parte de uma lista infinda de preocupações que os portugueses não podem deixar de enfrentar, repito, a pergunta a fazer é se nós, os que já não temos idade para emigrar – que foi uma das opções por que antigamente se enveredava – somos forçados a ficar e a instigar dolorosamente, os novos a “salvarem-se enquanto puderem”, não temos já outra alternativa que não seja aceitar a segunda desgraça da nossa vida, já que a anterior, essa chegámos a pensar em 1974 que fazia parte de uma história a contar aos vindouros, aos que hoje até são homens.
Será então por isso que, passada que foi a primeira reacção contra o entusiasmo do futebolismo patriótico, neste momento já compreendo e aceito o enxame dos cachecóis, das bandeiras, das janelas engalanadas, das conversas todas elas recheadas do mesmo tema: o futebol.
Dou a mão à palmatória. E recordo-me dos meus velhos tempos da instrução primária, cada vez que se dava um erro no ditado de português. Aprendia-se assim.
Eu também aprendo alguma coisa, passados tantos anos sobre a época da minha querida professora que tão bem me preparou para os muitos exames que tive de enfrentar pela vida fora.
Acabo por dar razão aos que se refugiam nos possíveis sucessos que o futebol pode oferecer ao nosso nacionalismo tão debilitado. Isso para fazer esquecer a vida sem grande esperança que o mundo atravessa, que a Europa agora encara e que Portugal – que é isso agora que nos interessa – tem dificuldade em assimilar.
Neste momento em que escrevo ainda não é conhecido o resultado do encontro ao fim da tarde. E foi de propósito que entendi escrever este texto na ignorância total do que vai acontecer.
É que não quis influenciar a prosa quer com entusiasmos desmedidos quer com tristezas descabidas. Nem uns nem outras solucionariam os problemas que estamos condenados a enfrentar. Viva, por isso, o futebol português!... Esse analgésico!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O MOTIVO


Nota – Comunicou-me uma Amiga bloguista que considerava que “os meus não são “blogs”, são "posts”. E que eu deveria nos meus escritos fazer ligações aos outros “blogs”, corroborando ou estando em desacordo com os “Bloggers”. Que é uma forma de entrar em diálogo com as outras pessoas e de discutir ideias”.
Ora bem, para além de confessar a minha ignorância técnica sobre a diferença que possa existir entre umas e outras, o que sucede é que eu sou dos poucos que apareço claramente com o meu nome e não me acoberto com títulos indecifráveis à primeira vista Por isso, se alguém lê aquilo que eu deixo expresso nos meus textos aqui colocados, não tem dúvidas sobre o seu autor e digo isto sem qualquer espírito de crítica em relação a quem não quer aparecer de cara aberta aos leitores .Cada um sabe de si.
Se algum dos eventuais seguidores dos meus blogues (e já viram que eu uso a expressão em português) me puder auxiliar com uma explicação clara quanto a isto dos “blogs” e dos “posts”e das vantagens em entrar em discussão aberta quanto aos assuntos que surgem expostos, eu, por mim, fico muito grato. E estou disposto a abrir portas.
No fundo, quem faz os seus blogues é porque encontrou esta forma de comunicar e sempre é mais económico para todos do que editar um livro!

Mesmo sem darmos por isso, tem de haver sempre um motivo para tomarmos qualquer iniciativa. Para levarmos por diante uma actividade. Para tentarmos uma experiência. Para nos desviarmos de uma direcção e optarmos por outra. Para qualquer finalidade. Mesmo para pronunciarmos uma frase, uma palavra, emitirmos um sinal. Até para estarmos quietos. Mudos.
O motivo é a justificação da nossa existência. É ele que nos leva a tomar uma atitude. Eu escrevo, neste momento, motivado pelo que julgo que pode sair de útil e de sincero. Seja o resultado da exteriorização de algo que não consigo conservar dentro. Faço-o porque desejo que outros, sejam eles quais forem, possam vir a tomar conhecimento do que me vai na alma. Disso que também não tenho nenhuma certeza do que seja, mas que sinto flutuar no meu interior. E se sinto, é porque existe, seja qual for o nome que se lhe queira dar.
Todo o ser humano, enquanto se movimenta, nem que seja apenas mentalmente, tem um motivo para resistir. O motivo que leva o pedinte a implorar uma esmola é o de manter a esperança de que conseguirá juntar o bastante para comer nesse dia.
Todo o ser humano, sem excepção, persegue um motivo que o leva a tomar as suas decisões em cada altura. O artista, o político, o empresário, o trabalhador braçal, todos, igualmente, guardam o seu motivo para se manterem nas suas funções.
O rico, esse então talvez disponha de mais motivos para insistir nos seus objectivos: os de conservar a fortuna, os de aumentá-la até onde possa ser, os de não querer que um dia os seus fartos bens caiam nas mãos de quem não saiba dar-lhes o uso adequado de conservação e aumento.
Então, e se o tal motivo que conduz os seres humanos um dia deixar de dar mostras da sua presença? Se a convicção de que aquilo que se fez ao longo da existência não serviu para nada e, na fase presente, não tem a menor utilidade? Se a petulância que fazia ainda manter a manutenção de uma vida desaparecer, se se evaporar aquilo que se julgou antes ser uma justificação para ir mantendo o fogo sagrado da vida, que decisão pode ser considerada como sendo a mais lógica?
Esse é o momento da angústia. Do desconsolo. É a altura de encarar de frente a realidade. Que é como quem diz, posto que, sem dúvida, felizmente, a esmagadora maioria dos cidadãos de todo o mundo não se dá conta de que tal encruzilhada da vida impõe que seja tomada uma decisão. E não leva em conta o que me vai servir de remate deste texto excessivamente cru e duro para poder ser seguido.
Em conclusão, pois: quando o motivo de cá estarmos a ocupar espaço no Globo terrestre se apresenta como um vazio, se o ser ou não ser já não é questão que se ponha, se apenas a expressão numérica é que conta – ser-se mais um demograficamente - , aí é que alguns, conscientes ou não do seu acto, encaram a realidade, partem para o acto que constitui sempre uma derradeira solução. E que, entre muitos outros nomes que lhes queiram atribuir, representa uma fraqueza, uma cobardia, uma desistência que, em nenhuma circunstância, o Homem deve assumir.
O objectivo de existir, mesmo quando cada vez se situe mais longe de ser alcançado, tem de estar sempre ligado ao motivo por que ainda cá estamos. E se estamos, é porque estamos!

terça-feira, 17 de junho de 2008

AS ANDORINHAS


Em hora da mais profunda tristeza
Dessa que não se sabe bem porquê
Deixa a nossa alma indefesa
E fica da angústia à mercê

Nessa altura em que o apoio nos falta
Muita coisa nos pode ajudar
E entre elas uma que sobressalta
É a Primavera, ei-la a chegar

Plena de perfumes vindos das flores
Surgem ao de cima grandes amores
Na nossa alma soam campainhas

E para compor tão bela pintura
Entram e cabem na mesma moldura
Os voos rasantes das andorinhas

PRÓS E CONTRAS



Este programa televisivo que, de uma forma geral, é bem conduzido e em que os temas escolhidos pela apresentadora são de interesse da actualidade, esta segunda-feira que passou, pelo menos a mim, que me cabe neste blogue fazer o comentário, deixou-me completamente desiludido.
Normalmente, o que desperta mais atenção é tomar o peso da qualidade das pessoas que se prestam a fazer os seus comentários e, através delas, ficar com uma ideia daquilo que os portugueses poderão entender quanto aos problemas que os atingem nesta fase concreta da vida da Nação. Quanto mais não seja, através dos aplausos e também dos apupos que alguma assistência dispensa aos interlocutores, muito embora seja pedida contenção pela dominadora do programa, Campos Ferreira.
Mas, deste vez, o ter sido escolhida a matéria para discussão com base no futebol e, neste particular, aquilo que os portugueses podem concluir da sua importância no aspecto de nos podermos “orgulhar” – e uso este termo entre aspas para mostrar bem a minha reprovação quanto ao uso e abuso da palavra como sinónimo de qualidade, em vez de defeito, como acho que lhe compete – por não fazermos má figura nas competições que para aí se realizam,
Faz-me pensar seriamente que ainda haja quem, na situação actual do nosso País, económica, social e politicamente falando, ainda se possa perder tempo a tentar averiguar se o facto dos nossos jogadores de futebol terem andado a cumprir o seu papel com nota positiva, ou seja, não façam má figura perante os seus competidores de diferentes nacionalidades, neste preciso momento, esse facto é motivo para, repito, nos “orgulharmos” de ser portugueses. Enfrento esta realidade e, por mais que deseje desligar-me de tamanha pequenez, não consigo pôr de parte uma dose grande de entristecimento. E o pior é que, à volta da mesa dos intervenientes na discussão e sentados nas filas da plateia, surjam personalidades que parecem estar a acreditar na seriedade do tema e se envolvam convictamente na troca de pontos de vista que, por vezes, chegam a parecer confrontos de adversários que não admitem existirem opiniões diferentes das suas.
Não avanço mais hoje neste meu blogue. Tenho a sensação que a maioria do eventuais leitores deste texto se encontram a apelidar-me de todos os piores apodos que contenham no seu vocabulário. Julgo saber que, na verdade, é fantasmagórico de grande o número de portugueses que colocam em primeiro lugar das suas preocupações os resultados futebolísticos, já não só dos seus clubes predilectos mas, sobretudo, a actuação da selecção que representa o nosso País. Que colocam em lugar secundário, por exemplo, a negativa dada pela Irlanda ao Tratado de Lisboa (que podia ter outro nome, mas que representa um passo na união de interesses da situação complicada dos problemas europeus). Que estão menos incomodados com os vários problemas que não há forma de se resolverem entre nós, e de que já nem vale a pena enunciá-los, pois são sempre os mesmos, como a demora criminosa da nossa Justiça, os erros calamitosos com as obras públicas em que nos metemos e os preços que atingem, a falta de reorganização da administração pública, a saúde pública que não consegue solucionar as doenças dos mais necessitados, a instrução escolar que, apesar das promessas desde a Revolução, tem vindo a criar cada vez mais ignorantes, pois os que querem saber mais e melhor têm de se sujeitar, se têm posses para isso, a ir frequentar universidades estrangeiras – e a Espanha aí está a prová-lo -, enfim, um cem número de coisas que não há Governo, nem este nem nenhum outro até agora, que seja capaz de satisfazer as necessidades urgentes de que carecemos.
Chego a este ponto do texto, que escrevi sem reler – para não me arrepender pela severidade -, e faço de novo a pergunta: por muito que nos possa satisfazer que a equipa nacional de futebol, mesmo que possamos ir ganhando resultados e até, por ventura, vencer finais, essa mínimo prazer pode fazer esconder todas as inúmeras situações que nos colocam no fim das várias filas que se apresentam perante os nossos olhos por essa Europa fora… e fiquemo-nos por aí!
A mim também me satisfaz assistir a uma boa partida de futebol. E, sobretudo, em que os onze que envergam a camisola com as cores nacionais preguem a partida aos adversários, vencendo as contendas. Mas esse acto coloca uma tampa no meu pensamento e faz-me esquecer completamente o resto que constitui a autêntica situação do nosso País, esse que poderá não ser o vencedor de jogos de bola mas que é constituído por um povo a viver com felicidade e a ter um futuro que não surge com o negrume que é o que se apresenta actualmente?
Escuso de responder!...