sábado, 31 de maio de 2008

SOLUÇÃO PARA A CRISE


Perante a crise que grassa pelo mundo e de que nós, em Portugal, tanto nos estamos a queixar e com razão, pois, para a maioria de todos nós, cada dia que passa se nos apresenta mais difícil de ultrapassar, se surgisse uma receita, sobretudo apresentada por um candidato nacional a condutor de um partido político, seguramente que nem seria necessário efectuar uma grande campanha promocional porque, sem esforço, ganharia as eleições que se apresentassem para escolher um líder.
No nosso caso, e, sobretudo no momento em que redijo este texto e em que não sei ainda quem vai sair vencedor na luta que tem sido travada no PSD – poderia ter esperado um par de horas, mas prefiro fazer este exercício na total ignorância dos resultados -, o desejo de ver surgir uma “cabeça” com todas as características necessárias para solucionar o problema que existe naquele partido e que possa estar em condições de alinhar na luta eleitoral que se perfila no panorama nacional que começa a aproximar-se, essa ânsia de que exista alguém com o mínimo de bom senso, honradez, política e todas as outras características que têm faltado no espectro governativo que nos tem conduzido desde que a Revolução mudou as circunstâncias atrás vigentes, essa personalidade suficientemente humilde para não se julgar ser superior a todos os outros e ser capaz de saber ver e ouvir, mesmo sem experiência política mas com o mínimo de capacidade de levar por diante este Portugal farto de sofrer, seja ela proveniente dos sociais-democratas como dos socialistas, dos partidos mais à esquerda e também, por que não(?), dos agrupamentos que lutem por uma viragem à Direita, por mais desconfiados que estejamos – os que viveram esse período – de um sistema que nos impôs a sua própria vontade, sem permitir que os outros mostrassem a sua, tal ser quase misterioso é o que a maioria esmagadora dos cidadãos deste Portugal anseia por que apareça.
E depois deste longo preâmbulo, na mesma altura em que vai começar um encontro de futebol entre Portugal e Geórgia, em que se criou um espírito de patrioteirismo ligado ao desejo da nossa vitória por golos, os problemas económicos, políticos, sociais que, mesmo sendo um sábado, dia de menos preocupações, não deixam e nos apoquentar – eu, por exemplo, não retirei o meu carro do estacionamento, apavorado com o custo da gasolina que voltou a aumentar -, vale a pena fazer aqui uma paragem para conhecer os dois resultados: o do PSD e o do futebol em que participa a equipa nacional. Voltarei logo que sejam conhecidos os dois resultados, mas, devo confessá-lo, sem grandes expectativas quanto a qualquer dos desfechos. No caso do futebol, dizem-me, trata-se somente de um jogo sem responsabilidades no que diz respeito a colocações quanto a enfrentamentos seguintes. Já no que se refere a ficar decidido quem irá comandar as hostes do PSD, neste caso é de facto importante saber se a personalidade eleita é a tal que poderá desempenhar as funções de principal oponente ao Governo, com indicações claras no capítulo das medidas a terem de ser tomadas
para obrigar o Poder existente a sair do convencimento de que está a fazer um serviço que ninguém é capaz de superar em qualidade. Eu é que não me convenço que esse "milagre" se opere. Ao fim de 34 anos à esepra de Godot, não consigo colocar-me noutra posição...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

DESENCANTO...POR ENQUANTO!


Por mais que não queiramos, todos somos um pouco lamurientos. Uns, não o demonstram, lastimam-se para dentro. Outros, os mais exuberantes, choramingam mesmo sem lágrimas, não perdem a ocasião para se lastimar, quer com o que se passa com eles próprios quer com a sociedade em geral, a que está à sua volta ou até a que se encontra distante.
Seja como for, a lamúria é um exercício que faz extravasar a tristeza que circula no interior do ser humano. E é também a forma de comunicar aos outros a infelicidade que lhe invade o espírito. E, não querendo sofrer sozinho, o lamuriento procura consolo, cumplicidade, aplauso até pela sua coragem em suportar a dor.
O choramingas é, portanto, alguém que não aceita ser só ele a sofrer. Procura companhia e, de uma forma geral, considera que o seu sofrimento é maior do que o do outro com quem fala. Dor como a sua não há nenhuma!
Sofrer em silêncio, não transmitir para fora as agruras que sente, engolir em seco as maldições que lhe couberam em sorte, passar por tudo isso sem mostrar, sem transmitir a quem só pode sentir dó, piedade, tristeza… e mais nada, conseguir resistir à tentação de provocar a comiseração, isso só pode merecer o aplauso do que já tem problemas na vida que lhe cheguem. Se se trata de pedir auxílio, isso é uma coisa. Agora, se o que se pretende é tão somente exibir desgraças e a valentia que se tem em suportá-las, nesse caso não parece ser louvável tal atitude.
Há, realmente, muita gente que sofre por esse mundo fora. Se a lamúria fosse sincronizada e todos, ao mesmo tempo, se queixassem, em voz alta, dos seus males. Teríamos um impressionante coro da desgraça.
Talvez isso despertasse para o bem esses destemperados que levam toda uma existência a provocar guerras e destruições. Mesmo tendo de perder as faustosas e injustas mordomias que, quase sempre, lhes são proporcionadas por esse maldito produto que vem do fundo da terra: O PETRÓLEO!

FALAR



As conversas são tal qual as cerejas
umas atrás das outras sem parar
servem-se como petiscos em bandejas
não é fácil ouvir sem contestar

Falar, p’ra muita gente é preciso
é como abrir à alma as portas
o ideal porém é ter bom siso
e não se embrenhar em zonas mortas

Trocar ideias e os outros ouvir
ficar calado quando outrem fala
saber escutar com todo o respeito

É princípio sagrado do sentir
é dar a ideia de que se iguala
é andar perto do que é ser perfeito

DESENCANTO... POR ENQUANTO!



Andei, um dia destes, às voltas para encontrar uns apontamentos que me lembrava de ter escrito e que me apetecia reler. Às vezes tenho destas coisas.
Procurei por toda a parte, revolvi gavetas, desmanchei pastas, meti as mãos em cacifos onde não seria muito normal encontrar-se o que procurava e foi aí, afinal, que acabei por descobrir uma quantidade de outros manuscritos que já nem tinha a mais leve ideia de que tinha sido eu o autor.
É sempre assim: a maneira mais rápida de encontrar algo inesperado é procurar e encontra-se quase sempre aquilo que não se procura.
Pois, no meio da papelada que não tinha estado na preocupação da minha busca ao guardado, fui dar com um papel amarrotado, que nem consigo perceber o motivo por que não foi parar ao caixote do lixo. E, com surpresa, apesar do muito tempo que tinha de arrecadado, despertou-me a atenção, fui reler, e fiquei surpreendido com a qualidade do texto que tinha produzido. Afinal, parece que, como o vinho, o manter em sossego certa produção artística acrescenta-lhe qualidade, adiciona-lhe fermento ou seja lá o que for que, tempos mais tarde, lhe provoca um certo sabor que antes passaria despercebido. Será por isso que os pintores, de uma forma geral, não começam e acabam um só quadro de enfiada, antes vão desenvolvendo o seu trabalho, vão fazendo, pondo de parte para voltar a ele noutra altura, mais tarde, quando a inspiração lhe indica o caminho a seguir.
O apreciar um escrito também tem uma dose parecida. Pode ser produzido de rajada, como, de igual modo, não será pior que ficou algum tempo “de molho”, ganhando paladar, para se mastigar melhor e ser mais digerível.
Não é, nem pode ser, uma regra. Há prosas e poesias que têm o seu tempo. Como há ocasiões em que o que se lê mais tarde soa a azedo, diferente da qualidade que terá parecido ter na hora de ser produzido. Nem sempre é a idade que melhora a escrita.
Comigo, o que se passou foi que não encontrei um texto e acabei por dar com outro que ganhou com a arrecadação no meio dos papéis perdidos. Isto há cada coisa!...


O que é ter esperança
e ter fé no amanhã ?
é voltar a ser criança
agarrar-se ao talismã

E nas cartas esse crer
como nos búzios, nos astros,
é bom que se queira ver
o que está preso por nastros

Ler nas borras de café
e na redondinha bola
o que é preciso é ter fé
ver coelho na cartola

Não se deve criticar
nem que seja um aprendiz
que conjugue o verbo azar
pois só quer é ser feliz

Deixemos, pois, os mais crentes
iludir-se, pois então,
serão sãos, serão doentes?
uns dizem sim, outros não

Afinal, por esse mundo
vai-se vivendo de enganos
mas somando, lá no fundo,
muitos dias fazem anos

Isso é que é bem real
o resto são só histórias
mas o que é anormal
é ter apenas vitórias

Seja, porém, como for
cada um é como é
a mim não me falta amor
o que tenho é pouca fé



VIVEMOS DE ILUSÕES

Nesta fase em que andamos, de contar bem os dinheirinhos antes de efectuarmos uma despesa que não seja de absoluta primeira necessidade, pergunto-me se os interessados em conhecer pormenores das vidas de criaturas que circulam por aí conseguem chegar ao ponto de desviar verbas do seu orçamento, provavelmente limitado, para adquirir publicações que apresentam logo nas respectivas coberturas e em letras chamadas garrafais, para além das respectivas fotos de tipo deslumbrante, notícias sobre próximos nascimentos de filhos, de casamentos à vista, de separações de pares que se encontravam com ares de se encontrarem antes muito enamorados, como também os casos deles e delas que pisam o risco e colocam os respectivos chifres nos parceiros. Enfim, exploram essas ditas publicações acontecimentos que me fazem pôr a questão: será que essas situações se sobrepõem aos problemas que nós, portugueses, vivemos dentro de portas?
Porém, perante as vendas que eu observo no meu jornaleiro se irem mantendo, não posso chegar a outra conclusão que não seja a de, na verdade, ser eu que ando enganado nesta vida, E, ainda por cima, porque muitas das figuras que são alvo dos ditos noticiários, são gente que não se pode considerar como tratando-se de personalidades de merecida publicidade, seja qual for a actividade a que se entreguem. Eu, por mim, não os conheço de parte nenhuma e quando recorro a alguma ajuda de companheiros que julgo que se encontram mais em dia com aquele tipo de figuraças, também deparo com alguma ignorância, com excepção das zonas onde são mais sapientes, no futebol, por exemplo.
Mas não fica nessa área, pelas publicações cujos títulos circulam por aí às dezenas, tal desaforo. Também as televisões concorrem entre si, na luta pelas audiências, com programas em que se esfalfam a apresentar os seus pontos de vista, com pareceres, com opiniões, com críticas ou com aplausos mostrando grupinhos de chamados tertulianos, título que é dado a tão sabedores das vidas alheias.
Logo, numa altura tão difícil para os portugueses - com as devidas e arrepiantes excepções dos beneficiados com fortunas vultoss e condições vida por vias de ordenados, subsídios e benesses de todo o tipo que conseguem obter por força da sua habilidade em serem lapas das opções políticas -, neste momento temos de nos interrogar como pode haver ainda gente que se distrai das suas labutas seguindo "faits divers" (e que me desculpem a expressão não lusitana) que não contribuem em nada para minorar a luta que se trava por cá para se ir subsistindo .
Somos, de facto, um povo especial. Mantemo-nos um País com características de sofredor. No passado. No presente. E quem sabe como vai ser no futuro. No próximo.
Valham-nos, ao menos, as ilusões de que tudo se resolverá pelo melhor!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

ISTO DOS BLOGUES

Só há poucos meses é que me dei conta desta realidade dos blogues. Melhor, sabia da sua existência, mas não tinha ainda aprofundado o que se poderia obter com o seu uso. Até que, casualmente, uma amiga que exerce as funções de assessora da um alto elemento camarário, se prontificou em pôr o meu computador em condições de alinhar no grupo dos chamados bloguistas. E passei a achar curioso poder também dispor deste instrumento que a tecnologia informática, sempre tão rápida em ir acrescentando novas descobertas, me colocava na minha secretária. E, a pouco e pouco, primeiro mais recatadamente e, de seguida, com débitos diários de produções da minha autoria, comecei a utilizar este espaço como forma de substituição da gaveta de textos inúteis, onde antes acumulava desabafos que não podiam ter outro caminho.
Desde logo, não aceitei a possibilidade de utilizar um pseudónimo nos trabalhos que fosse debitando. Isso é que não! Se alguém viesse a ler, eventualmente, alguma coisa que eu colocasse na minha secção do blogue, teria todo o direito de saber quem era o seu autor e, na eventualidade de discordar, teria todo o direito de dar mostras do seu desagrado.
Passei, assim, a deitar mãos à obra e, conforme o tempo disponível dos outros meus escritos, poesia e prosa, e dos meus ataques de pintura, de harmonia com os temas que iam aparecendo, gerindo esses períodos diários e nocturnos, tenho vindo a dar largas ao apetite de comentar, à minha maneira, os factos mais salientes que ocorrem à minha volta.
Eis, senão quando, esta noite, na SIC e depois do noticiário, surgiram três personalidades a expressar as suas opiniões sobre este fenómeno moderno dos blogues. E pus-me a escutá-los. Gosto sempre de tentar aprender algo daqueles que, por serem sempre eles a mostrar-se perante as câmaras televisivas, terão de ser por ventura os mais sábios. Só que fiquei na mesma. não aumentei minimamente os meus conhecimentos. Até pelo contrário, enfarrusquei ainda mais aquilo que já era confuso no meu entender. E que consistia e consite em pretender saber para que é que serve isto de se transmitir, através do computador, aquilo que nos salta à cabeça em determinado momento.
Mas, acima de tudo, o que não foi sequer referido é o motivo por que a esmagadora maioria dos bloguistas não dá a conhecer com a maior clareza a sua identidade. Porque quem é autor de livros, faz luxo em motrar-se. Qual a razão, pois, pela qual se escondem atrás de nomes falsos? Aqui fica a pergunta, que a mesa-redonda da SIC bem poderia ter deixado bem claro!...

É sempre bom ter alguém que parece que nos escuta,
mesmo que não tenhamos nada para dizer.
Pelo menos,
ficamos com a impressão
de que aquilo que não dissemos
teria a sua importância.


QUATRO INIMIGOS POLÍTICOS



O espectáculo que foi oferecido ontem, à noite, aos telespectadores que ainda poderão estar interessados em informar-se quanto ao que se passa, nos campos político, económico e social neste nosso País, essa demonstração de agressividade e de falta de encontro de soluções para os problemas que nos afectam representa a prova de que não é fácil conseguirmos uma saída que satisfaça a maioria. Ninguém se entende. Não surge alguém que seja capaz de apontar um caminho que mereça o acordo da maior parte.
Até pareciam, aqueles quatro membros de um único partido político, do PSD e a que uns tantos acrescentam a sigla PPD - também aqui não se entendem em pleno -, adversários fidagais, agredindo-se os mais nervosos com ares pouco aceitáveis, fazendo prova de que a sua presença naquele confronto não se destinava a tentar encontrar soluções consensuais, mas sim a afastarem do caminho concorrentes a um mesmo desejo que era. claro estava, conseguirem obtar o apoio dos sociais-democratas nas eleições que se aproximam e com o fim de conseguirem serem eles, cada um deles, o presidente, o chefão, o respeitado dono do partido.
É assim o ser humano. Invejoso. Egoista. Capaz de tudo para arredar do seu caminho quem, mesmo levando na mão a mesma bandeira, lhe pode fazer sombra e impedir que atinja o seu próprio objectivo. E quem pretender desculpar-se dete mal que está infiltrado no Homem, só tem é vergonha de reconhecer a qualidade da massa de que somos todos feitos.
Esta observação não tem a ver com um partido políticos em especial. Refer-se a todos. Como diz respeito aos clubes de futebol, por mais doentes que sejam os seus adeptos, e como tem a ver (e aí ainda muito mais do que em qualquer outra luta) na vida profissional por que tanto se luta ao longo da nossa existência.
Assisti ao despique entre os quatro elementos sociais-democratas e fiquei ainda mais entristecido quanto à opinião que arrasto dentro de mim no que se refere ao tal bicho-Homem. E não enriqueci esse ponto de vista.
Então, não está completamente explicado o comportamento humano em todos os cantos da Terra e em todas as situaçãos conflituosas que, desde que o mundo é mundo, têm ocorrido e até hoje?
Parece uma comparação fora de propósito. Será?

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A DÍVIDA DOS PORTUGUESES


Não é que as notícias desagradáveis que, sucessivamente, surgem em tudo que é informação prestada pelos órgãos de comunicação aos portugueses, possam considerar-se surpresas assustadoras que nos deixam mais perturbados ainda do que já andamos. É evidente que nada pode ser escondido do povo e, por isso, as boas e as más novidades têm de ser divulgadas por quem lhes cabe o papel de prestar contas. É sua obrigação. infelizmente, porém, de há uns tempos a esta parte e com maior frequência do que o fraco coração dos portugueses já pode aguentar, as más notícias invadem as páginas do jornais, enchem os altifalantes das rádios e, como não podia deixar de ser, ocupam os écrans das televisões. E, como se tal não bastasse, através da Internet aparece lá tudo escarrapachado.

Qual a novidade que surgiu hoje, para azedar ainda mais o pequeno almoço dos nacionais? Pois, nem mais nem menos do que a informação de que "cada português deve 15 mil euros", assim tal e qual, e que o endividamento das nossas famílias já representa 129 por cento do rendimento disponível.

Traduzido isto por miudos, quer dizer que o endividamento bancário contraido pelos grupos familiares, em média já se vê, atingiu níveis tais que não é fácil descortinar-se uma saída para tão catastrófica situação.

Para ser mais claro - que é o que faz falta que suceda por cá, em que os vários responsáveis governamentais optam por uma linguagem que esconde a crueza das informações -, o que cada um de nós tem de entender é que, se as entidades credoras tomarem a decisão de proceder a hipotecas pelos montantes por pagar, vamos assistir a um desfilar de habitações a surgir à venda contra vontade dos seus actuais possuidores.

Mas, enfim, num panorama tão pouco animador como o que já se instalou neste cantinho na ponta da Península Ibérica, em que existem os que se encontram no Governo a declarar que as coisas não estão assim tão más, enquanto as oposições pintam os quadros mais negros que é possível imaginar, no meio de tudo isto estão os protagonistas do drama, os que, de dia para dia, sentem nos bolsos a diminuição do poder de compra e que olham para futuro com verdadeira preocupação., para não dizer pavor.

Só o que não há é quem surja, com linguagem clara, credível e dom argumentação sustentada, a indicar o caminho para sirmos desta encruxilhada em que nos têm ansdado a meter. E não digo o actual Governo, como pagador absoluto dos males que existem, mas de todos os anteriores responaáveis que ocuparam as cadeiras do poder e que não foram capazes de aproveitar o regime democrático, as enorme ajudas europeias e até o exemplo de vários pequenos países também da Europa - veja-se a Irlanda, um deles -, que conseguiram ultrapassar as dificuldades que também lá chegaram.

Qual é, então, o defeito? O de sermos portugueses?

terça-feira, 27 de maio de 2008

JUDEUS


Sou feliz por ter amigos judeus
Aqui, no País e em Israel
Uns sendo crentes e outros ateus
Mas sempre com amizade fiel

São gente capaz, de alma bem pura
Gostando de ser aquilo que são
Sem perder nunca boa compostura
Tratando-me sempre como irmão

Só quem não quer ver não o acredita
Que sim, passou-se grande holocausto
Onde milhões sofreram a desdita
Depois de, um a um, ficar exausto

Antes a diáspora foi real
Por lá nos anos de mil e quinhentos
Esse rei Manuel foi-lhes fatal
Causando-lhes tantas dores, sofrimentos

Perderam eles, perdeu Portugal
A mais valia foi para além
Ficou-se por cá, neste lodaçal
E não lhes foi dada Jerusalém

Ganhou forais essa Inquisição
Que hoje tem um nome diferente
Andámos sempre no sim e no não
Sem ter chegado a um finalmente

Não sou judeu, porém melhor pensando
Chego a julgar que muito gostaria
De me poder aos poucos transformando
Num membro fiel de judiaria

Não que eu fosse total cumpridor
De regras como de ortodoxia
Bastava-me só ser um seguidor
Poder gozar de boa companhia

Com tal saber e tamanha mestria
Como provaram a todo o mundo
Não foi bastante tamanha sangria
Para os colocar lá bem no fundo

Foram inúmeros os Prémios Nobel
Mais do que os outros povos ganharam
Sempre lhes coube assim o papel
De calar muitos que os desamaram


SHALOM!....


O mundo gira a uma velocidade que nos devia deixar surpreendidos, Sobretudo a nós, que nos preocupamos com todos os fenómenos que se sucedem na existência que arrastamos e que procuramos ir absorvendo, com o máximo de atenção que podemos.. Parece que foi ontem, afirmamos frequentemente perante acontecimentos que já tinham sido superados por outros mais recentes.
Somos, evidentemnte, selectivos. Circunstâncias há que nos marcam mais do que outras. Pormenores acontecem que não desaparecem tão rapidamente da nossa memória. Isso é sabido.
Refiro-me concretamente aos que soferam os efeitos de qualquer guerra, a têm ainda na memória, por exemplo, a da África portuguesa ou, os mais velhos, aqueles que se encontraram no meio do II conflito mundial ou, mesmo fora de cena, como os que sentiram as consequências das carências alimentares como as ocorridas por cá, os custosos racionamentos, tais humanos que sabem o que é passar por um período de dificuldades de diferentes espécies, esses não deixam que se arredem para sempre da memória as sombras de uma época, por mais longínqua que ela já esteja.
Mas muito mundo foi vivido depois disso e começam a pertencer ao número dos raros as pessoas que passaram por tal período de confrontos que começaram na Europa mas que logo se estenderam pelo hemisfério fora. E a perseguição que ocorreu com início no chamado III Reich, com um Adolfo Hitler implacável a exterminar os judeus onde eles estivessem ao alcance do seu poder, nos dias de hoje só é motivo de recordação de uns e, imagine-se, de desmentidos de outros.
Vem isto a propósito e ter acabado de recordar que o Estado de Israel foi criado em Maio de 1948, fez agora 60 anos, isto, apesar de ter sido em 1800 anos A.C.que Abraão partiu rumo a Canaã. E digam lá que o tempo não voa!...
E o curioso é que a nação judaica se vai aguentando, com os seus 700 mil habitantes, grande parte deles sobreviventes do Holocausto e rodeado de vizinhos hostis e outros um pouco mais afastados, mas também declarando-se não amigos, tendo suportado todos os ataques que lhes desferiram os rodeantes e, vale a pena sublinhar, vencendo-os na generalidade, para vergonha dos envolventes.
E, para espanto dos que visitam este Estado de recente nascimento, verifica como o seu povo judeu é culto e vive contente, como a sua produção agrícola é próspera, como são quase autosuficientes economicamente, como têm uma defesa militar que ultrapassa a de muitos países antigos e grandes, como mantêm um regime político de estirpe democrático e, para além disso tudo, que ao longo de 60 anos de vida conseguiram os seus seguidores oito prémios Nobel.
Então isto não chega para assinalar aqui a existência de um povo e de uma Nação que, no meio de toda a escalada de malfeitorias que se sucedem por esse mundo fora, de notícias desagradáveis que só servem para envergonhar os homens de hoje, tem de fazer criar alguma inveja?
Eu, aqui me declaro: não sou judeu. Mas já visitei, por razões profissionais de jornalista, seis vezes Isarel. E passei e dormi em vários kibbutzs, para sentir os efeitos de camaradagem e de confraternização de uma camada de seres humanos que, reconheço, é da maior cordialidade, de um elevado grau de cultura e até, quanto à apreciação do género feminino, de belezas assinaláveis, E, curioso, todas com obrigatoriedade de cumprirem o serviço militar. De arma às costas.
Shalom, pois, povo hebraico. Paz para eles e que bonito é também ouvir a resposta quando nos desejam, por sua vez, o seu SHALOM!

domingo, 25 de maio de 2008

FASCINANTE


O que é ser fascinante para mim?
por exemplo é ver a natureza
dos campos e também do meu jardim,
como ouvir o coração com pureza;
não invadir o espaço alheio
e aproveitar todos os momentos,
é ter todos os dias o anseio
de a humildade praticar aos centos;
só se arrepender do que não fez,
estimular a criatividade,
brincar, como em criança talvez
e também chorar a felicidade;
ter pensamentos positivos é
fascinação plena de auto-estima
e perdoar às pessoas até
a vida não ter de ser uma esgrima;
descobrir que dos outros precisamos,
como aceitar que tudo tem limites
e mesmo aquilo que não gostamos
deva ser razão para que tu grites;
respirar a bela brisa do mar,
como curtir as pequenas vitórias
são coisas fascinantes e sem par
ao mesmo tempo verdadeiras glórias;
não prometer se não podes cumprir
é algo sem qualquer fascinação;
falar dos outros mal só é servir
para provocar grande confusão;

ter fascínio por algo fascinante
é poder ficar contente consigo
não é ser santo mas estar constante
com um sentimento muito amigo.

Depois deste sonho bem acordado
do que gostaria de ser sem ser
encarando de frente o meu fado
reconheço em mim um homem qualquer


ESPERANÇA, APESAR DE TUDO...


Quem se interessa verdadeiramente por estas coisas da História, quem não vive simplesmente o dia-a-dia sem dar importância ao olhar para trás, em saber aquilo que outros fizeram de molde a que tivéssemos chegado aos tempos de hoje, quem, como eu, tem gosto em comparar o que vivemos agora, procurando estabelecer razões para que nos comportemos assim e não de outra forma, tais curiosos sofrem com as consequências de os portugueses serem como são, em lugar de terem sido outra coisa. Quer melhor quer pior.

É certo que nada resolve estabelecer os motivos, posto que essa decifração não vai modificar minimamente as maneiras comportamentais de toda esta gente que habita neste cantinho aqui situado. Mas poderemos, ao menos, efectuar um exercício de caminhada e encontrar, através das dificuldades a que foram submetida as sucessivas populações nativas, alguma explicação para aquilo que somos. Já será uma consolação.

Recuando bastante no tempo, devemos não perder de vista que o Condado Portucalense surgiu, fez há poucos dias, 829 anos, na data em que o Papa Alexandre II - época em que eram essas Ilustres Personagens que estabeleciam, por bula, a então denominada Manifestis Probatum - estabeleceu o nascimento de um Condado, que, na época, fazia parte do reino de Leão.

Integrado, então, na chamada Reconquista Cristã, Alfonso VI, rei de Castela, integra no novo território Trás-os-Montes e Coimbra, até que, em 1128, com a Batalha de S. Mamede, D. Afonso Henriques assume o condado. e, em 1139, o Conquistador toma posse, de motu próprio, das suas funções de rei. Começou, então, a ser formado o que veio a ser o nosso País, embora já no ano de 868, se tenha verificado a reconquista do Porto na luta contra os mouros. Foi em 1143, através do Tratado de Zamora, que o Reino de Leão reconhece a independência do que é hoje o nosso País, muito embora, apenas em 1249, através do rei Alfonso II, e depois da tomada de Faro e Silves, se tivesse verificado definitivamente a aceitação da nossa independência.

Esta, em resumo, a História que justifica a nossa existência. Mas, desde então e até hoje, em pleno século XXI, passados que foram à volta de mil anos, levando em conta as diferentes datas do nascimento concreto, e todo este tempo foi bastante para, ultrapassando as múltiplas vicissitudes porque se foi passando, se ter indo moldando um caracter, uma forma de ser, um espírito que, queiramos ou não, é o nosso e é aquele com que temos de enfrentar o futuro que, crentes como provavelmente continuaremos a ser desde os tempos das Descobertas, esperamos que seja muito melhor do que aquele por que passamos hoje, nos dias que atravessamos.

E, ao contemplarmos aquilo que nos rodeia aqui na nossa Terra, por mim falo, custa-me a aceitar que, pelos nossos próprios meios, sejamos capazes de encontrar uma saída minimamente aceitável para os sucesivos desastres que nos têm cabido em sorte.

E não vale a pena entrarmos em pormenores cansativos para desculparmos a maior parte das asneiras que têm sido feitas cá pelo burgo. Olhando só para os dias de hoje,
ao acabar de ler na Impresa que o Banco de Portugal informa que o crédito mal parado já chegou aos 2,4 mil milhões de auros, quer dizer, que as dívidas dos portugueses à Banca chegaram a um ponto que nunca teria sido sonhado tempos atrás, que toda a gente deve a todos, começando, claro, pelo próprio Governo, não é preciso pôr mais na carta para mostrar a que ponto chegou a indiferença pelo não cumprimento das dívidas que se contraem?

Noutra área bastante diferente, ficamos embasbacados quando assistimos aos anos que já passaram sobre a descoberta do escândalo conhecido por "Casa Pia", em que apenas um, o não mediático Bibi, esteve encarcerado - mas já saiu - e em que todos os outros, gente tida como "famosa", se passeia por aí com o maior descaramento e em que até alguns são aplaudidos por gente que já nem sequer distingue os que merecem ser reconhecidos pelo seu bom comportamento, ao vermos que a a Justiça que existe nesta Terra não se envergonha por não dar o andamento célere aos castigos que se impõem, o que não podemos deixar de fazer é envergonharmo-nos do que nos coube ter de aceitar, tantos anos depois da constituição de Portugal.

Mas, fico-me por aqui. Nem um blogue de tamanho infindo chegaria para dar mostras dos desagrados que têm de ir nas almas daqueles que, exactamente por não se mostrarem indiferentes com a razão de ser do nascimento deste País, mais se interrogam quanto a não surgir uma volta de 180 graus, capaz de fazer entender que, a seguirmos assim, não seremos capazes de encontrar a saída para uma felicidade relativa, tão semelhante quanto possível ao que, apesar das enormes dificuldades económicas, financeiras e sociais que atingiram o mundo, mesmo assim se vislumbra em alguns países da Europa. Até nalguns que se encontravam em dificuldade há pouco tempo atrás, mas que as ultrapassaram.

É este o meu desabafo. E é este o meu anseio. Se é que posso ajudar com um blogue destes. Se é que serve para alguma coisa!... Quanto mais não seja, para eu ler alguns comentários anónimos que sempere surgem por parte de gente que, no seu pleno direito, discorda.



sábado, 24 de maio de 2008

MALA-POSTA

Queria conhecer-me, saber
Quem fui e o que sou.
Desejaria entender
Para onde vou, se é que vou
E que espero eu da vida
Daquilo que ainda me resta.
Quem responde que decida
Se o que vem depois algo presta.
Estou à espera
Estou sentado
Agarro-me como uma hera
Não volto a cara para o lado
Já sei que a resposta tarda
Duvido que venha a tempo
Que não seja uma atoarda
Muito menos contratempo
Mas o mais certo, isso sim
Será que partirei sem resposta
Ah! Pobrezinho de mim
Que perdi a mala-posta !

sexta-feira, 23 de maio de 2008

PANORAMA TRISTE!



Eu julgo que não estarei isolado neste sentimento. O de ficar indiferente se um estrangeiro nos surge a fazer comentários negativos no que diz respeito ao que ocorre no nosso País, sejam factos concretos sejam relacionados com o nosso comportamento no dia-a-dia. Nestas circunstâncias não me contenho e ultrapassarei seguramente a serenidade que é necessária manter em tais ocasiões.
Isso, repito, quando o interlocutor não é natural deste rectângulo e não tem um sentimento perfeito do que é viver, com relativo prolongamento e suportando as consequências do que isso representa.
Mas, quando somos nós, portugueses, a falar uns com os outros, a comentar o que ocorre cá no burgo e com conhecimento de causa, nesse caso tudo é permitido no que diz respsito a críticas e a indignações. Estamos na nossa casa. Ninguém tem o direito de querer tapar-nos a boca, por mais discordante que esteja quem nos ouve ou quem nos vê,
Bem bastou o longo período em que fomos forçados a mostrar concordância, a sofrer
amordaçados e a fingir que concordávamos com tudo. Porque os que não se comportavam deste maneira pagavam com os costados na cadeia. E os que não se manifestavam iam sofrendo com o espírito de aparente satisfação. Afinal, esse espírito vinha de longe. Da época em que as duas classes dominadoras estabeleciam as regras, a nobreza e o clero não deixavam que o povo tivesse preferências. O povoleu existia para obedecer!
Passo por cima, mas não disfarço a fingir que, hoje em dia, as coisas mudaram radicalmente. O aspecto legal, esse, como é evidente, não tem nada a ver com o que ocorria naquelas épocas tão distantes. Não há quem negue. Mas que as diferenças entre as múltiplas classes, não deixam de nos fazer pensar em todas as injustiças que são dadas a conhecer e que ocorrem em todo o mundo, mais nuns continentes do que noutros, escandalosos em certos países e cuidadosamente resguardados noutros, essas discriminações - como se passou a chamar a partir de certa altura - não estão totalmente arredias no mundo moderno em que vivemos. E quanto de mais globalização se fala e mais notícias são lançadas no que respeita às ajudas que lá vão surgindo, com a capa de "dia disto e dia daquilo", maiores são os escândalos que arrepelam toda a população mundial que, incapaz de, a título individual, participar positivamente em qualquer acção concreta, o único que lhe cabe fazer é, agarrando-se às suas crenças religiosas, os que as têm, implorar ao Ser superior do seu convívio que meta mão na desgraça alheia. O pior , porém, é quando, ao mesmo tempo que sucede uma desgraça, antes da mesma estar solucionada com os meios que na Terra ainda existem, outra, como um terramoto de grande potência ou o que parece ser uma zanga da Natureza, desflagra noutra zona e deixa os habitantes desta Esfera ainda mais confusos do que aquilo que já andam no capítulo do que chamam de "injustiças do Universo".
Tendo ultrapassado esse desabafo no capítulo do que ocorre por esse Mundo de Cristo - para lhe dar um nome que tem muitos seguidores -, volto à razão de ser do texto que está destinado a este blogue de hoje. O facto de sermos nós um País pequeno, com História antiga, digna e merecedora de ser bem conhecida por nós e devidamente divulgada, tenhamos tido a amargura de passar por um passado recente de que não nos sentimos ter sido merecedores: o dos últimos trinta anos da Ditadura salazarista e os trinta e quatro anos do período pós Revolucionário. E isso, muito embora os conhecidos "capitães de Abril" sejam merecedores da gratidão nacional, independentemente de razões mais corporativas do que outra coisa, que esteva na origem da revolta dos oficiais, não temos de reconhecer que não foram apenas esses que criaram os exageros que se seguiram e que mais se assemelhavam a demagogia do que a Democracia. Foram os que eu já chamei "revolucionários de pacotilha" que, tendo apanhado o "combóio da Revolução", muitos deles oriundos do passado e introduindo os seus pezinhos e lã no sistema acabado de ser deposto, foram esses que terão sido os piores, os que gozaram do oportunismo e daí tiraram grandes proveitos materiais. De que ainda espaventam por aí. E não se assistiu, até hoje de qualquer medida saneadora que colocasse as coisas escandalosas nos seus lugares!
E hoje, passados todos estes anos, com a juventude que não tem a menor ideia do que ocorreu, que goza nesta altura da Liberdade, sem saber qual o futuro que os espera , é agora que nos cabe o papel de não fingir que tudo vai muito bem e que somos um País em pleno progresso.
Vem, pois, agora a propósito sublinhar aquilo queTeixeira dos Santos,actual ministro do Governo de Sócrates, detentor de uma pasta de enorme responsabilidade , declarou esta semana, afirmando aquilo que mais parecia ter saido da boca de um membro da Oposição. Disse ele e não terá sido por distracção, que "Portugal é o País da União Europeia com maior disparidade na distribuição de rendimentos, ultrapassando mesmo os E.U.A...." nesta Europa em que no situamos.
E acrescenta o documento referido pelo ministro em causa, que Portugal se distingue como sendo o País onde "a repartição é a mais desigual", isto é, onde os que ganham mais e vivem melhor, onde há mais ricos, estes estão muito mais distantes dos pobres , em comparação com o que sucede, por exemplo, na Suécia e na Dinamarca.
Traduzido isto em miúdos, quer dizer que, ao contrário dos tais países nórdicos europeus, esses os mais igualitários entre si no nosso Continente, tal nos coloca numa posição triste de fim da cauda, o que, temos de reconhecer, nos surge a dizer que, seja qual for o quadrante político em que nos situemos, sairmos desta posição poderá, com sorte, vir a aconstituir uma das muitas necessiddes dos vindouros. Conseguirão eles lá chegar? Como portugueses, digo...

E querem ainda uns tantos comentadores de blogues (e ainda bem que os há!), que estes espaços sirvam para debitar elogios por tudo e por nada, sobretudo às figuras que esses consideram como "intocáveis". Pois que perdoem os tais bajuladores. Mas eu não penso da mesma forma!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

DIZER MAL


É fácil ver os defeitos
dos outros, claro está
podem-se tirar proveitos
pois dar é que ninguém dá

Alguém de que não se gosta
ou que não se simpatiza
fica logo bem exposta
a ser alvo da brisa

Ter língua muito afiada
não é raro, não senhor
serve para a punhalada
dada de longe, sem dor

Dizer mal mesmo sem bases
metendo dedo na ferida
mostra do que são capazes
os filhos da malparida

Não se dão conta, porém
de que o veneno que espalham
tem voltas de vai e vem
por vezes os amortalham

O pior é quem diz mal
do outro se diz amigo
afirmando-se leal
retira-lhe o abrigo

Amigos assim, meu Deus
bem melhor ter inimigos
são como os fariseus
só representam perigos

Mas há quem diga também
em forma de ideal
desprezando até o bem:
falem de mim, mesmo mal!

DESENCANTO...POR ENQUANTO!


Toda a minha vida tive, como companhia dos silêncios, esse animal tão nosso amigo que é o cão. Em diferentes ocasiões pude ter a prova de que o canídeo adora incondicionalmente o seu dono. E reconhece-o como tal.
Os diferentes cães que me pertenceram foram morrendo à medida que chegava a sua hora. E todos me provocaram o desgosto de os perder. Como eles, sentindo a morte a chegar, deram mostras de ter pena de deixar o dono. É bem sabido que este sentimento não é recíproco por parte do Homem, reconhecidas que têm de ser as excepções que, apesar de tudo, ainda serão muitas.
Quem trata mal os animais, sobretudo os cães, dá mostras do estado deteriorado do seu íntimo. Não é capaz de reconhecer que todos os seres vivos sentem dor, a física e a do subconsciente, da mesma forma que são tocados pelo prazer, pela alegria, pelo bem-estar.
É com satisfação que se assiste à manifestação de felicidade – porque também se pode aplicar este adjectivo aos casos dos cães – que muitos desses nossos amigos não escondem quando estão satisfeitos.
Cabe, pois, fazer esta pergunta: alguém pode sentir prazer por ver um ser humano atrás das grades? Então, por que não se tem o mesmo sentimento ao contemplar um cão preso pela coleira a uma corrente e junto da sua casota?
Que sensação de posse pode existir nos homens, ao ponto de ficar satisfeito ao ver o seu animal acorrentado, dia e noite, a servir apenas para dar sinal sonoro se alguém se aproxima?
Homem, palavra escrita com H maiúsculo, não pode nem deve ser utilizada em relação a quem considera que tem razão de ser o uso da expressão “vida de cão”, nem que seja aos próprios canídeos nossos amigos!...

LOGO MAIS!

Pode ser apenas uma quadra popular, no provável dizer de poetas modernos, mais ou menos tidos como intelectuais,
mas não deixará de ser uma crítica à geração de agora que,
no meu entender, está a tentar estragar o
que ainda existe de bom entre nós, que é a língua portuguesa.
(Isto, apesar de uma língua não ter de ser estática)
Se tens de apagar um fogo
e sabes por onde vais
pois não o faças mais logo
muito menos logo mais