sábado, 17 de maio de 2008

ORGULHOSO


Isso, que muita gente diz que tem
e que se orgulha de ter
é coisa que de algum lado vem
mas deveria esquecer

Gabar-se de certas coisas é feio
ser orgulhoso de quê?
porque no fundo é um garganteio
e que afinal ninguém vê

Melhor optar por coisa diferente
orgulho não, humildade
visto que no meio de toda a gente
o que conta é a verdade

Ser orgulhoso e até dizê-lo
é mostrar o que um sente
muito melhor seria não fazê-lo
atitude mais decente

É ouvir o governante orgulhar-se
de tudo aquilo que faz
mas o que esquece é desculpar-se
se mostra ser incapaz

Todo aquele que no orgulho assenta
o seu princípio de vida
é porque em pouca coisa sustenta
no mundo a sua corrida

Eu, por mim, orgulhoso não sei ser
nem tenho razão p’ra isso
toda a vida até envelhecer
a língua foi compromisso

Ter honra, satisfação, ser feliz,
mas orgulho é pecado
depende da forma como se diz
melhor é ficar calado






sexta-feira, 16 de maio de 2008

MENTIR

Quando escrevo, por mais consciente que julgue estar
de que vou passar ao papel
a tradução dos meus pensamentos, o que faço é
estar a mentira a mim mesmo.
Só que a mentira, nestas circunstâncias, provoca prazer.
É o que me pode estar a acontecer neste preciso momento.
Quando esse gozo se desvanece, o único que há
a fazer é interromper a escrita.
É guardar para depois a continuação da tarefa.
Para mais tarde, no dia seguinte, quando for.
Logo que se recomece o exercício, o que se escrever
pode muito bem ser o contrário
do que se afirmou antes.
Nem todos mentem, todos dias, da mesma maneira.

DESENCANTO... POR ENQUANTO1

Isto de ter pretensões de ser dono de opiniões e das mesmas serem indiscutíveis é de uma arrogância doentia. Por outro lado, navegar permanentemente no mar das dúvidas dá também a sensação de ausência de chão seguro por onde se caminha. Viver a meias, com metade de uma coisa e metade da outra, é nunca saber quando se deve estar certo ou quando é altura de duvidar. Um martírio!
Talvez seja preferível andar ao sabor das ondas e só ouvir as opiniões dos outros. Fazendo o julgamento para dentro. É uma forma de não se comprometer.
Mas isso é vida?

CATARATAS









Durante anos - anos? que digo eu? durante sempre!!! -, não se ouvia falar disso, das cataratas. Só os mais endinheirados, os que podiam ir ao estrangeiro, ao médico e às clínicas de fama, teriam tido a experiência de serem operados às cataratas. Por cá ia-se perdendo a visão, as lentes nos óculos iam aumentando de graduação e até já se vendiam, nas lojas dos chineses, armações com vidros graduados que se colocavam (e se continuam a pôr, os pobres pelo menos) sobre os óculos que cada um utilizava. O destino era igual: a ver cada vez menos e, em muitos casos, a acabar cego.
Isto era Portugal! E continua a ser, de certo modo. Por mais optimistas que queiramos mostrar que somos. E por muito que façamos esforços para alinhar nas percentagens de que os políticos tanto se servem, para querer fazer a prova de que a caminhada do País, em vários sectores, tem vindo a melhorar, em comparação com igual período do ano transacto (sic)!...
Até que, há pouco tempo surgiu a notícia de que, na ilha de Cuba, na tal do tal Fidel, as operações às cataratas eram feitas às dúzias e que os resultados eram os melhores. E isso bastou para que, no interior do País, vários municípios tivessem tomado a iniciativa de, subsidiando os custos das viagens e das intervenções - que parece não serem de valores muito elevados -, organizar excursões de munícipes até à referida Ilha atlântica.
Foi o espanto geral neste torrão à beira-mar plantado. E outras câmaras municipais quiseram seguir o exemplo da que foi a primeira.
Pois então, o escândalo reinou nas cabeças dos governantes. E logo surgiu o respectivo Ministério da Saúde a pretender dar mostras de que existia, de que estava vivo e que não se deixava ultrapassar por atitudes de outras gentes. E, de imediato, organizou contratos com médicos que tivessem tempo disponível, com hospitais espanhois e até com serviços médicos nacionais. E conseguiu, num curto espaço de tempo, anular as esperas de meses infinitos dos pobres desgraçados que, na Terra que é a deles, não tinha conseguido solucionar a enfermidade oftalmológica de que sofriam.
Como se vê, portanto, os governantes nacionais, estes que estão ou outros quaisquer que venham a ocupar os seus lugares - tal como outros que lá estiveram antes... antes... antes... mesmo antes da Revolução -, não é por iniciativa própria que enfrentam os problemas, estudam as situações e, dentro de prazo curtos, tendo em atenção os custos que nunca devem ser ultrapassados em relação aos orçamentos, conseguem fazer este "barco" avançar. Veja-se o que sucedeu com a triste e anedótica situação do novo aeroporto de Lisboa!
Mas, pelo menos, desta da operação às cataratas, lá conseguimos resolver o problema.

DESENCANTO... POR ENQUANTO1



Todos temos uma opinião inabalável, imutável, perdurável? Aquilo que afirmamos hoje, será válido daqui a dez anos? E dentro de pouco tempo é sustentável ainda um ponto de vista expresso antes? Nunca mudamos de parecer? O que estou a escrever hoje, redigiria. da mesma forma, daqui a alguns meses? Introduziria alterações ou deixaria tudo na mesma?
Não sei responder com exactidão a todas estas interrogações. Mas, o mais provável é que não seja tão constante como talvez gostasse de ser. Como também admito o contrário, que é saudável que se vá mudando de pontos de vista, de gostos, de sentimentos. O não ser estático nas posições anteriormente tomadas, demonstra que a inflexibilidade é causadora da monotonia.
É por isso que, ao escrever, nunca leio as linhas que vão ficando para trás. Tenho receio de as riscar todas. De as reescrever de alto a baixo. De não deixar que alguém as chegue a ler algum dia. Mesmo podendo ser um ganho para todos. Que pretensão
!...

OS EXEMPLOS


E, em relação ao que afirmo no texto imediatamente anterior, resta-me desabafar desta maneira:
Assistir, permanente e excessivamente, à presença de figuras na televisão que, não tendo nada a ver com a política, influem - digo eu - no comportamento de muitos políticos, sobretudo dos que aspiram pelo maior mediatismo possível, essa teimosia de um canal televisivo em fazer aparecer um pseudo-engraçado que, pelos vistos, não conseguiu compreender que andou sempre enganado no estilo que escolheu, tal imposição poderá ter influência, no mau sentido, na maneira de se mostrarem publicamente, na actualidade que atravessamos, certas figuras da política.
Não deixo por mãos alheias a explicação do que digo. Refiro-me a essa personagem que, sobretudo agora que vê fugirem-lhe os entusiasmos dos espectadores, convencidos como já parecem estar de que se tratou de um engano colectivo, tudo anda a fazer para se impor, para não desaparecer pela porta do fundo, para mostrar aos que descobriram, finalmente, que se tratou sempre de um cómico sem graça, que o êxito que conseguiu alcançar foi bem merecido. Esse é o seu convencimento.
Refiro-me, está bem de ver, a esse luso-alemão que dá pelo nome de Herman José.
E acrescento mais: è uma pena que o muito dinheiro que ganhou este homem público não lhe tivesse servido para encontar um pouco de bom senso, de auto sentido crítico.
Salvaguardadas as devidas distâncias, olho agora para José Sócrates e penso que, também o político, necessita de olhar-se mais ao espelho e emendar aquilo que lhe dizem que não dá para se elogiar.
Uma crítica a tempo consegue, por vezes, o milagre de um bom desvio do caminho seguido.

É BEM FEITO!

Já se esperava que aquela do Sócrates ter aparecido a pedir desculpa por ter sido apanhado a fumar durante o voo para Caracas, perante muitos convidados e jornalistas, iria provocar uma infinidade de ataques vindos dos mais diversos sectores, e, em particular, das oposições.
Eu, por mim, limito-me a fazer uma peergunta: então, o chefe do Governo não tem um assesor por perto que lhe chame a atenção para um comportamento tão vulgar na sua actuação como governante, fazendo-o rectificar atitudes e palavras que são mostradas com a maior falta de senso?
Ou será que Socrates não "se baixa" ao ponto de escutar e seguir os conselhos que lhe poderão ser dados?
É mais do que evidente que o chefe do Governo não dá mostras de ter uma preparação capaz de desempenhar o lugar que lhe coube na sua circunstância, no capítulo da comunicação com os cidadãos, com o mínimo de agrado da sus generalidade. Nem isso tem a ver com o gerir melhor ou pior o posto que ocupa. Mas há que reconhecer que o que se mostra para o exterior tem peso na opinião que é construida pelos que são governados. E é aí que o José Sócrates falha rotundamente!
O contacto que acabou de ter com o homem da Venezuela não lhe foi de grande utilidade. Porque aquele responsável já deu provas de que também não é exemplo quanto ao estilo que utiliza e no que respeita à maneira de se expressar.
Não é que estejamos por cá a pedir que haja alguém que pergunte ao Sócrates "por que não te callas?". Não queremos que as coisas cheguem a esse ponto; mas que uma pessoa perto do Governante, que fosse ouvida e respeitada pelo próprio e tivesse capacidade para o orientar na sua maneira de comportar-se em público e, sem sombra de dúvidas, que lhe chamasse a atenção para as declarações que faz, um ser com essa missão é coisa que faz falta alí em S.Bento.
Porque já nos bastou um "jamais" que, pelos vistos, não impressionou o seu chefe...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O QUE VAI DEIXAR DE FUMAR!...



Ponho-me a ouvir a desculpa dada por José Sócrates aos jornalistas, pelo facto de ter fumado no interior do avião que o levou a Caracas, na visita oficial que fez àquele País - e parece que também houve alguém da sua comitiva, julgo que um ministro, que actuou da mesma forma -, e não posso acreditar que um chefe do Governo seja tão descarado que afirme que "desconhecia que fumar durante um voo era considerado crime".
Sobre este Sócrates já escrevi o que tinha a demonstrar sobre a sua personalidade. E não vejo inconveniente em repetir que, ao fim e ao cabo, a sua actuação não se pode considerar como inteiramente da sua exclusiva responsabilidade, levando em conta que as circunstâncias que se verificam no mundo de há uns tempos para cá e até agora têm vindo a degradar-se, pelo que o nível de vida dos povos se tem tornado cada vez mais difícil, tudo indicando que o caminho que está por percorrer em Portugal ainda se vai agravar bastante mais, tendo em vista este panorama e salvaguardadas muitas medidas tomadas pelo Governo a que preside que deveriam ter sido encaradas com aquele realismo que falta ao engenheiro, ainda poderemos perdoar alguns ditos e atitudes, embora isso não sirva de consolação aos que por cá vivem,
Essa afirmação agora feita pelo detentor do poder governamental português, com aquele ar de felicidade que se lê frequentemente no seu rosto, com todo o optimismo que não esconde, de que "até vai deixar de fumar!" - como se não tivesse bastado a do outro, o do "jamais" -, para além de mostrar ignorância quanto à lei que saiu do seu próprío Executivo e que é clara quanto à proibição de fumar em locais específicos, ao ponto de não lhe ter passado pela cabeça que o interior de um avião era, obviamente, um desses espaços interditos, essa desculpa de mau pagador, ao mesmo tempo que, acreditando-se no seu desconhecimento da lei, essa mostra de que sabe pouco... (o que é grave, pois deveria ter junto a si alguém que fizesse bem o papel de emendar a tempo os erros do Chefe), faz criar nos portugueses uma cada vez maior sensação de insegurança, de ausência de confiança, de desconsolo quanto às personalidades que têm sobre os ombros a responsabilidade de levar por diante este Portugal que se encontra no fim da fila dos países europeus.
Claro que não alinho na fila dos que pedem a saída do Governo, dos que utilizam todos os meios para pedir a queda do Executivo, de raivas que só fazem perder tempo, tempo esse que muita falta nos faz para olhar de frente os problemas que nos afectam e tudo fazer, ainda que pouco nos caiba, para que as coisas comecem a mudar no bom sentido.
Se se vislumbrasse no horizonte uma solução política para além das eleições que ainda lá vêm longe, então sim, poder-se-ia enfrentar essa possibilidade. Mas, não estando à vista uma saída que não resulte de uma atitude política normal e coerente, então, malgrado o desespero em que vivemos face à subida verdadeiramente assustadora do custo de vida em Portugal, só nos resta ir tomando nota dos erros que sejam praticados e guardar a escolha para a altura em que surjam os candidatos e nos mostrem aquilo que valem, nem que seja, como é o que sucede em Democracia (e não queremos outro sistema), através das promessas eleitoralistas. Mas, nessa altura, exigir-se-á mais do que isso! Estamos demasiado escaldados para acreditar, com a mesma facilidade de antes, naquilo que nos prometem!... Mas, seguramente, repetiremos erros antigos. Por que é essa a nossa sina.





RECADO ÀS EDITORAS PORTUGUESAS





Não tenho habilidade nem feitio para andar junto das editoras portuguesas a requerer um pouco de atenção para analisarem as obras que tenho guardadas à espera de oportunidade de serem analisadas para uma eventual edição. E como não pertenço ao grupo daqueles autores ocasionais que, por uma qualquer habilidade mediática, se sobressaem da generalidade das pessoas. tenho estado a aguardar por um golpe de sorte que faça surgir no meu caminho um responsável editorial que descubra o que está disponível nos baús de criadores pouco atrevidos.


Pode ser que algum desses editores seja leitor de blogues ou que alguem resolva transmitir a um desses lançadores de obras literárias que existe esta possibilidade de ser aproveitada a produção de quem, por este meio, se motra disponível.


O meu endereço de e.mail é: jose.vacondeus@clix.pt. e o meu passado de muitos anos está ligado ao jornalismo, foi nessa área que dei muito da minha escrita

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O PAPEL


Papel em branco assusta
E enchê-lo tanto custa
De letras, ainda virgem
E há os que escrever fingem
Que nos deixam boa obra
Que o talento que lhes sobra
Vai parar a outras mãos
Às daqueles cidadãos
Que ainda têm boa fé
E estão nessa maré
Que aprender nunca é demais
Dizem-se intelectuais
E p’ra isso o papel
Serve p’ra dar a granel
Leitura mesmo que má
Mas no mínimo, vá lá,
Tem serventia o magano
Leva sicrano e beltrano
Tempo livre ocupar
Eis o que lhes pode dar
O papel depois de escrito
E é um gesto bonito
O de ilustrar as gentes
De acompanhar os doentes
E dar-lhes alguma cura
Com um pouco de leitura
Ou esclarecer os sabidos
E valer aos desvalidos
Que não têm companhia
É isso uma obra pia
Viva o papel então
Quando cai em boa mão
É algo que o ser humano
Se deve sentir ufano
Pois até com um pincel
Tem bom uso o papel
Dando às grandes obras cor
Feitas por tanto pintor
Que regalam o olhar
E obrigam a pensar


Muito mais que tudo isto
Nos diria Jesus Cristo
Se dois mil anos atrás
Perdoado o Barrabás
O papel fosse usado
Tendo-nos dado o recado
Por escrito e assinado.


Reajo mal em relação aos que querem convencer-me de que uma mentira,

dita por eles, passa a ser verdade. Por isso, sinto alguma dificuldade em

lidar com políticos quando exercem essa mesma profissão. O pior é que não são

apenas esses...
Não sei se tenho sido aquilo que queria ser. E esta dúvida angustia-me. Preocupa-me. Porque o êxito, o total, o completo, isso nunca soube onde estava. Não passou perto de mim. Seguramente por eu não ter conseguido ser o que teria querido ser.

Se eu olho e não vejo

se eu oiço e não entendo,

se toco e não apalpo,

o que é que ando cá a fazer neste mundo?

Ter um sonho e caminhar pela vida
tentando transformá-lo em realidade
é, só por si, uma razão de existir.
Ao menos que esse propósito se vá mantendo
ao longo de todo o percurso.

CRER OU NÃO CRER, EIS A QUESTÃO.
SE É PRECISO VER PARA ACREDITAR,
ENTÃO O MUNDO INTEIRO É FORMADO POR DESCRENTES.
PORQUE QUASE TUDO QUE SE CONTA, NÃO SE VIU...
OUVIU-SE!

O FUTURO


Os animais batem-se mas não fazem guerra
Mas os homens, esses sim, mutilam, destroem,
Querem dar cabo de tudo cá nesta Terra
Ao contrário do ditado matam e moem

Se fossem apenas os humanos que litigam
Apesar do mundo ficar sem movimento
Algo ficaria do que desamigam
E que depois cresceria, ainda que lento

As plantas, os rios, e tanto mar infindo
Isso, o homem depois de desaparecer
Quando o ser humano for dado como findo
Tudo começará novamente a crescer

E não são somente as bombas que fustigam
Que fazem em pó cidades, nações inteiras,
Os homens, esses maldosamente castigam
E fazem das florestas enormes braseiras

Se todos os peixes vão desaparecendo
E se a água potável vai rareando
A vida dos homens mais difícil vai sendo
E o seu futuro mais negro vai ficando

Mesmo que não sejamos nós a ver o fim
Serão os vindouros que terão de sofrer
Já não encontrarão beleza no jardim
Pouca importância terá então viver

Aproveitem hoje humanos desumanos
O que ainda nos oferece a Natureza
Podereis ainda sulcar os oceanos
Olhar em volta e gozar toda a beleza

Quanto tempo falta p’ra chegar esse inferno
Que vai ser a Terra pelo homem desfeita
Transformando o tempo num permanente Inverno
Tudo isso por culpa de mão imperfeita

Mas é possível ainda voltar atrás ?
Tomar consciência de que não é caminho
Este que nos leva a um beco sem paz ?
De certo que sim, se pensarmos com carinho
No que podemos começar já a fazer
Se tomarmos consciência da verdade
E formos bem capazes de compreender
Aceitando com a máxima humildade
Que não foi para isto que foi feito o Mundo
Que a inveja e a ambição destroem-nos a todos
Que cada vez mais se vai batendo no fundo
E que desperdiçamos energia a rodos
Então sim, confiamos
Com esperança plena
Que todos as mão damos
Que viver, apesar de tudo, vale a pena
!

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Tenho vindo, há já algum tempo, a desinteressar-me, cada vez mais, por continuar a atravessar este vale de lágrimas. Por mim, a falta de forças e as múltiplas queixas que faço a mim próprio no que respeita a diferentes maleitas que me perseguem, tudo isso tem vindo a quebrar qualquer demonstração de vontade de viver. No que se refere ao panorama que contemplo no hemisfério que me rodeia, também esse não é de molde a provocar-me o mínimo de entusiasmo para me arrastar por este mundo.
Isto, quanto ao que se passa no nosso País, como quanto ao estado geral do mundo, com as múltiplas discórdias de vária ordem, de lutas de galos que pretendem ocupar a mesma capoeira, sejam elas por motivo de defesa contra avanços de cada vez maior número de grupos terroristas, seja também por má condução das políticas de países que têm obrigação de reservar o uso da força apenas em derradeiras circunstâncias. E neste caso não me interessa já fazer acusações directas. Aqui e ali, todos têm, em menor ou menor escala, a sua dose de culpa. E não há que descartar também os facciosismos religiosos, estes a atingir ódios que não se justificam num mundo que se julga caminhar para a vivência democrática em todo o seu esplendor.
Contemplando o que se passa em Portugal, quem, como eu, sentiu, durante largos anos, as consequências de viver confrontado com a política ditatorial que, na minha condição de trabalhar na área do jornalismo, teve de defrontar várias vezes a acção da terrível Censura, e, no capítulo das preferências políticas, também nunca alinhou pelo “status quo” dominante, ao ter atravessado o período em que o oportunismo dos muitos que, para se salvarem de acusações do seu colaboracionismo anterior, não fizeram mais do que apanhar o comboio revolucionário em andamento, tendo sido capazes de todas as mentiras e camuflagens, também aí não constitui grande motivo de felicidade assistir a tantas mentiras e a tamanhas demonstrações de ignorância da História de antes do 25 de Abril.
Poderei ter então razões para, na minha idade, sentir satisfação por prolongar esta via-sacra para muito mais além? Francamente sinto que já fiz aquilo que me poderia caber em sina de ser autor. Pretendi ter sido mais útil, é verdade. Sempre aspirei por deixar, na minha partida, alguma coisa de proveitoso e de recordação desta minha passagem. Li muito. Aprendi alguma coisa, mas cada vez com a consciência de que quanto mais aumentava os meus conhecimentos mais longe ia ficando da sabedoria. Gastei rios de tinta com as escritas que ocupavam o meu tempo, quer por razões de obrigação profissional, quer por querer aumentar o manancial de literatura, seja em prosa seja com poesia, e isso me ia alimentando a esperança de que algum dia surgiria a lume parte do que tenho agora arquivado.
Posto isto, não me cabe senão reconhecer que não fui capaz. Que não me chegou o talento que eu persegui durante toda a vida. E, felizmente, tive consciência do meu verdadeiro valor. Por isso, não corri o risco de fazer figura de algo que não era.
Tenho, pois, consciência de que está a aproximar-se, a passos largos, o momento da minha despedida. Um dia destes, um amigo apontou-me que me encontrava demasiado amargo. Foi bom ter-me dito isso. Talvez ainda tenha ocasião para dominar o meu desconsolo da vida. Ninguém tem obrigação de suportar o meu enfado da vida. E se não são os amigos que poderão fazer essa esmola de me amparar, não serão seguramente os inimigos que sustentarão o meu mau feitio – o tal que, como disse antes, não sei bem o que é.
Oxalá não deixe atrás de mim um rastro insuportável. Mas, a minha única defesa é a resposta que deu Picasso a uma das suas mulheres, quando esta o acusou de ser mal disposto com os amigos e este lhe respondeu: “é que com os outros, não me interessa o que pensem de mim; nem me dou conta de que existem!”
Será uma desculpa. Cada um arranja a sua.

terça-feira, 13 de maio de 2008

CORRUPÇÃO




O dinheiro comanda tanto o mundo
e os favores também muito se pedem
a vaidade é o que surge no fundo
e para tudo os custos não se medem

Para haver quem paga há quem receba
o preço depende da importância
da transacção que a gente conceba
e de um factor que se chama ganância

Quando é alguém que ganha do Estado
sendo o dinheiro da população
então o crime não é perdoado

Revolta por ser contra a Nação
não há desculpa para tal culpado
nem tem outro nome é corrupção
Quantas vezes sou assaltado pelo desejo de
expressar toda a minha revolta
quanto ao que
considero constituirem erros dos homens.
Mas, para além de não me sentir dono absoluto da verdade,
será que o mundo ganha alguma coisa pelo facto de dizermos aos outros aquilo que
pensamos?
E se ficarmos calados,
por aí já se verificará algum benefício?
É MAIS ÚTIL DIZER TUDO O QUE SE PENSA
OU SERÁ PREFERÍVEL PENSAR TUDO
ANTES DE DIZER ALGO?